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Preservação versus ocupação na Fazenda Sálvia, em Planaltina-DF

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Distrito Federal e Entorno

Ano II N.º 10

Fevereiro de 2010

R$ 1,00

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Precariedade marca escolas rurais públicas do DF Drogas aumentam violência no campo Áreas rurais do Distrito Federal que já sofriam com roubos e invasões a propriedades encaram agora um novo desafio: a chegada do tráfico e consumo de drogas ilícitas, como o crack. Para agravar a situação, patrulhamento efetivo é inexistente página 03

classificados: (61) 3447-1998

Aneel regulamenta exportação de excedentes de energia gerada por biodigestores

Das 87 escolas localizadas nas áreas rurais do Distrito Federal, cerca de 90% precisam de reforma, ampliação, ou até reconstrução. De acordo com a Secretaria de Educação, no entanto, apenas um colégio será reconstruído em 2010. Abandono da educação tem impacto direto na insegurança e violência que amedrontam o campo página 10

ENTREVISTA Secretário de Agricultura fala da titulação das terras e segurança nas áreas rurais do DF página 09

Órgãos do governo e empresas levam inclusão digital ao campo página 08

COMUNIDADE Núcleos rurais encontram no artesanato alternativa de desenvolvimento regional página 12

assinatura, atendimento ao leitor e anunciante: (61) 3039-1258

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editorial Educação, saúde e segurança são áreas que no Brasil padecem pela falta de investimentos e atenção do poder público. Obviamente, a precariedade afeta tanto áreas urbanas quanto rurais, com igual gravidade. No entanto, a área rural, pelas suas peculiaridades, tem sido mais penalizada no que diz respeito a muitos avanços das áreas urbanas. Talvez a explicação desse descaso esteja na distância do campo e no isolamento causado pela baixa densidade demográfica, o que talvez explique também a falta de interesse político nas áreas rurais, que não oferecem um grande público eleitoral. Feitas essas considerações, trazemos nesta edição reportagens que abordam dois dos setores mais abandonados no campo: segurança e educação. Não é a primeira vez que falamos da violência e insegurança, assuntos recorrentes tanto em

denúncia nossas páginas quanto no cotidiano de quem vive e trabalha na área rural. Dessa vez, mostramos que, além de ter que conviver com assaltos e invasões, o campo se defronta com um novo problema, a chegada das drogas. Na tentativa de estabelecer uma relação causal da violência e do tráfico, a reportagem sobre a situação das escolas rurais dá algumas pistas. Os dados estarrecem: cerca de 90% das escolas rurais precisam de reforma, ampliação ou até reconstrução. A partir disso, se chega à conclusão de que, sem alternativas de educação e cultura, o jovem da área rural começa a recorrer às drogas, principalmente ao crack. Por último, o Tribuna Rural reitera que temas assim sempre terão espaço nas nossas páginas, mesmo que possamos parecer repetitivos. A nossa missão é informar a sociedade para que ela possa buscar seus direitos.

Priscila Nascimento

Em andanças nas áreas rurais, a equipe do Tribuna Rural se deparou com um desvio perigoso: um buraco extenso transformava a única estrada para chegar em um assentamento em uma barreira para a travessia, em Planaltina, próximo a Escola Técnica Federal de Brasília (ETF). A situação da estrada mostra o descaso do poder público com o campo. E ainda bem que não estava chovendo.

Interatividade Você acredita que o Plano Nacional de Direitos Humanos apresentado pelo governo federal traz insegurança jurídica ao campo? divulgação

campo em foco

Priscila Nascimento

O PNDH vislumbra significativas mudanças no que diz respeito às ações possessórias, dificultando a concessão de medida liminar de reintegração, uma vez que condiciona a concessão da medida à forma de utilização do imóvel. Outro item polêmico é o que diz respeito aos movimentos sociais, como o

MST, uma vez que o projeto prevê incentivo a assentamentos. Assim, da forma apresentada no projeto, indiscutivelmente o PNDH trará insegurança jurídica ao campo, uma vez que afronta de forma direta o direito constitucional à propriedade, dificultando a defesa deste direito.”

Guilherme Gebrim, advogado da Fape-DF Lydia Costa

Além das inseguranças representadas pelo clima, política e mercado, que afetam drasticamente o agronegócio, temos, com esta medida contida no PNDH do Governo, a insegurança jurídica, que afronta a Constituição que assegura o di-

reito de propriedade e as Leis que proíbem a desapropriação de áreas invadidas. É um absurdo, pois a concessão de liminares após audiências públicas, não só estimula e favorece o crime, mas, praticamente, o autoriza.”

Luiz Vicente Ghesti, presidente do Sindicato Rural do Distrito Federal Wenderson Araújo

Elo entre o campo e a cidade

divulgação

O novo PNDH com certeza traz insegurança ao campo e também à cidade, principalmente porque reverte a divisão clássica do estado em três poderes ao estabelecer fóruns administrativos para questões que deveriam ser julgadas

pelo Judiciário, como a reintegração de posse, aborto e anistia. Acredito que a legislação existente já valoriza os Direitos Humanos, embora precise de algumas melhorias pontuais, que devem ser discutidas pela sociedade.”

Augusto César de Andrade, assessor jurídico da Faeg Sub-editora Dâmares Vaz Projeto Gráfico Elisângela Nunes

Diretora Executiva Lydia Costa

Diagramação Lucivam Queiroz

Diretor Comercial Carlos Fernando

Jornalista responsável Lívia Rospantini - MTB 8.000/36/79

Editora Lydia Costa

mo é possível dizer sobre a ideia de “regulamentar” os mandados judiciais em ações possessórias. Desse modo, inibe-se a efetiva atuação da Justiça, prolongando a ação de invasores de terra e a consequente situação de ilegalidade gerada. Obstruir a reintegração de posse é incentivar a invasão de terra. É estimular o crime. É gerar mais insegurança jurídica.”

Kátia Abreu, presidente da CNA

Mais uma vez a equipe de reportagem localizou um fruto diferente dos demais, em uma fazenda no Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF). Este cultivar tem a casca dura e com um esverdeado forte. O Tribuna Rural lança outro desafio: Que cultivar é esse?. O primeiro que descobrir o nome da fruta leva um kit personalizado do jornal. As respostas podem ser enviadas para o email: tribunarural@tribunarural.com.br

EXPEDIENTE

A segurança jurídica no campo somente ocorrerá com a prevalência das leis e dos direitos humanos. Ao propor audiências de mediação como condição para a concessão de ordem judicial de reintegração de posse, protela-se o restabelecimento dos direitos humanos do produtor rural, como a propriedade, a liberdade de trabalho e a segurança. O mes-

Redação Dâmares Vaz Neyfla Garcia Priscila Nascimento Revisão Luiz Alberto Guimarães Comercial Taine Côrte - (61) 8529-1328 comercial@tribunarural.com.br

Impressão F Câmara Circulação Distrito Federal e Entorno

Endereço para correspondência SCLN 406 Bl. E - Sala 201 2º Andar - Asa Norte - Brasília - DF Cep: 70.847-550 Tel.: (61) 3039-1258 Telefax: (61) 3447-1998

Tiragem 20.000 exemplares

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Editado por Vincere Editora Ltda

É permitida a reprodução parcial ou total das matérias desde que citada a fonte. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.


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política Terror

Violência e drogas espalham medo nas áreas rurais do DF Lydia Costa

Neyfla Garcia

N

a esteira do despreparo do poder público e da sociedade em relação à prevenção, à repressão e ao tratamento dos efeitos da droga, moradores da zona rural do Distrito Federal sofrem com o medo e a insegurança de viverem em uma área marcada por tráfico de drogas e assaltos. A 56km do Plano Piloto, o Programa de Assentamento Dirigido do DF (PAD-DF), vive a mercê da criminalidade. Sem um posto policial na região, moradores se preocupam com a possibilidade de que os atos de violência fiquem impunes. A polícia e a população local concordam que a criminalidade aumentou na região desde o avanço do comércio de entorpecentes, principalmente o consumo do crack. A situação se repete em pelo menos outras duas regiões administrativas com extensa área rural. Além de São Sebastião, que abriga o PAD-DF, Planaltina e Brazlândia registram as primeiras apreensões de crack. De acordo com a 16° Delegacia de Polícia, em Planaltina, um homem foi surpreendido no Núcleo Rural Quebrada dos Guimarães com 3,8kg de pasta-base de cocaína, matéria-prima para a produção de crack e merla. Mais forte que a maconha e a cocaína, o crack destrói vidas, estimula a desestruturação familiar e aumenta a criminalidade. No entanto, o consumo associado à população de rua, seduziu muitos na classe média e agora se torna uma realidade presente no dia-a-dia das áreas rurais. O Distrito Federal possui mais dois de milhões de habitantes. Somente em 2009 foram registrados 741 homicídios, des-

ses 65% tinham alguma relação com as drogas. Para o secretário de Segurança Pública do DF, Valmir Lemos de Oliveira, o usuário de droga potencializou o tráfico. Hoje, uma pessoa é considerada usuária ao portar 50 pedras de crack, um absurdo para a nossa sociedade. “O crack aumentou o número de homicídios e de roubos no DF. Para se ter uma ideia, o número de furtos em 2010 caiu. O que aumentou foi roubo com violência e ameaça, pois, devido ao uso de drogas, as pessoas estão cada vez mais agressivas”, disse. O secretário explica que hoje a grande dificuldade de um pai é fazer com que o filho não seja seduzido pelas facilidades do mundo. “Não temos como mapear a quantidade de pessoas que estão nessa situação. À medida que fracilita a possibilidade de consumir, você está incentivando o consumo. A droga mata, overdose mata, não podemos incentivar ou criar mecanismos paliativos. Temos que ter uma rede hospitalar forte, uma área assistencial preparada, para que esse rapaz que foi pego em algum lugar fique separado dos outros até ficar bom e poder voltar para a sociedade”, completa. ■■ Insegurança

O PAD-DF é uma vítima da droga assim como todo o Distrito Federal. Por se localizar próxima a São Sebastião, a menos de 30km, a região tem dificuldades de combater o tráfico devido ao tamanho da área e à localização. A extensão do PADDF toca nos limites do DF, Goiás e Minas Gerais. Ocorre assim o fenômeno parecido com o que acontece no Entorno, onde a

Áreas rurais abandonadas: isolamento e distância são agravados pela falta de ações efetivas de combate à violência e ao tráfico de drogas

população sofre com o descaso das autoridades. A segurança no PAD-DF é feita pelo 17° batalhão da PM, de São Sebastião. Mas, segundo Valmir Lemos, o efetivo é insuficiente para atender a demanda da cidade e da área rural. “Possuímos 850 viaturas novas, mas não temos policiais suficientes para combater o crime. O efetivo é um problema, mas temos que tentar resolver e não arrumar desculpas”, completou. Segundo o tenente da Polícia Militar Jerônimo Araújo, ações estão em curso para combater o crime, como o planejamento de operações para que a área rural do DF seja fiscalizada. “Estamos fazendo todo esforço para combater a criminalidade nesta área. O fato da zona rural ser muito extensa dificulta o nosso trabalho. Os bandidos se escondem

nas lavouras, usam a propriedade dos produtores como esconderijo. Não temos viaturas específicas para o campo nem efetivo para entrar nas lavouras e ficar procurando”, lamenta. Entre as consequências da chegada do crack ao PAD-DF estão os constantes assaltos na região. Moradores, agricultores, empresários e comerciantes sofrem diariamente com o medo de serem roubados e até mesmo agredidos. Na véspera do Ano Novo, um grupo de moradores da região se reuniu no Centro de Tradições Gaúchas Sinuelo da Saudade (CTG) para celebrar a virada do ano. O que parecia uma noite de festa se tornou um pesadelo. A gerente do CTG, Cleusa Maria Fegudes Assis, 45 anos, que trabalha há 10 anos no local, conta que foi rendida por dois assaltantes e viveu horas de medo e angústia.

“Moro há 25 anos aqui e nunca aconteceu nada. Estávamos organizando uma confraternização. Renderam minha família, meus amigos e todos os outros convidados. Os assaltantes levaram dinheiro, bebida, comida, celulares, carros. Foi muito triste. Vi meu filho sendo agredido junto com outros convidados, e nada podia fazer”, relembra. Para o presidente da Coopa-DF, João Carlos Werlang, o sentimento é de tristeza, por saber que a área rural não tem voz na sociedade. “Moro no PADDF há 28 anos e tudo o queremos é segurança. Quando fazemos um pedido ao governo eles respondem que não tem efetivo e recursos para investir em infraestrutura. Sei que segurança pública não é um problema só aqui, mas no mundo como um todo”, ressalta. continua

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política continuação

■■ Solução

A chegada de drogas ilícitas às zonas rurais faz a comunidade pensar e buscar soluções junto às autoridades para resolver esses conflitos. A questão da violência é universal, tanto nos espaços urbanos quanto rurais. Ou seja, quanto maior for a proximidade do campo e da cidade, maiores serão a insegurança e a violência. O desenvolvimento da área rural passa por vários caminhos. É preci-

so levar tecnologia ao campo, pelo acesso à informação para o bem-estar e desenvolvimento da comunidade. Para o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Wilmar Luís da Silva, o ideal é que moradores da área rural tenham acesso a boas escolas, segurança, transporte e saúde, para que não tenham que sair de lá. Além da construção de um posto policial em um ponto estratégico para atender a comunidade.

Wilmar relembra que há um ano e meio houve roubos de máquinas, incluindo tratores. “Acreditamos que são levados para novas fronteias agrícolas, como Mato Grosso, sul do Maranhão e Tocantins”, acrescentou. Outro fator destacado pelo secretário é o roubo de insumos, principalmente na época de plantio. “Há insumos que custam até R$1,5 o kg, e o produtor faz estoque desses produtos. As quadrilhas roubam e revendem. No DF, há muitos saques de produtos com

valor agregado, como o feijão. Cabos de irrigação também são roubados. É preciso lembrar que 90% desses crimes são feitos por pessoas do convívio. Uma dica é fazer estoque mínimo de produtos nas propriedades, principalmente dos mais caros”, ressaltou. A previsão para instalação do posto policial no PAD-DF é para o primeiro semestre de 2010. Atualmente há um em Brazlândia e outro no Engenho das Lages, o que reforça a segurança dos moradores daquela região.

Nova gestão da Emater vai apoiar produtores familiares na regularização das terras rurais É o que afirma o novo presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF, Dílson Resende. Investimentos prioritários nos projetos estruturais da empresa também integram plano de gestão Dâmares Vaz

O

s 16 escritórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) estão abertos a produtores familiares que queiram dar início ao processo de regularização de suas terras, informa o novo presidente da instituição, Dílson Resende. A empresa vai priorizar esse público, oferecendo auxílio na elaboração do Plano de Utilização (PU) da propriedade. A boa notícia para os agricultores comerciais é que uma parceria entre Federação da Agricultura do DF (Fape), Fundação Rural e Emater vai possibilitar redução de 50% nos custos de produção do PU, que envolve o georreferenciamento, a averbação da reserva legal e das Áreas de Preservação Permanente, as APPs. A Fape captou recursos do Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (Sebrae-DF) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) para que profissionais, capacitados pela Emater e Fundação Rural, façam o PU para agricultores patronais. “A ação da empresa faz parte da política da Secretaria de Agricultura do DF de dar todo o apoio necessário para que a questão da regularização fundiária rural seja resolvida”, afirma Dílson. Além da legalização das terras, outros programas serão prioridade para a Emater em 2010, todos voltados para a capacitação e promoção social do agricultor familiar da região. Para a pecuária de leite, por exemplo, o foco está na organização de produtores e na qualidade do leite e do rebanho. Para tanto, desde 2008 são feitos trabalhos voltados à promoção da higiene na ordenha, nutrição e genética dos animais. O cuidado com o meio ambiente é a marca do projeto de Agroecologia, que

Dâmares Vaz

surgiu como uma evolução do projeto de Agricultura Orgânica, em 2007. Dílson explica que a abordagem da Agroecologia é mais ampla. “Não é apenas um sistema de produção. É a abordagem sustentável da agricultura.” Um dos mais importantes setores produtivos da agricultura do DF é o de hortaliças. A cultura é desenvolvida principalmente por pequenos produtores, que garantem a autossuficiência da região em muitos itens. “A olericultura é o setor agrícola que mais emprega. Para esses produtores, o foco é a promoção da higienização adequada das folhosas e a prevenção à contaminação por agrotóxicos. Para isso, existe o programa PróFolhosas”, afirma Resende. Outro setor produtivo com potencial é o da floriculResende elege projetos prioritários da Emater-DF para 2010 tura. “A atividade tem a vantagem de poder ser desenvolvida por pequenos produtores ■■ Agrobrasília e também apresenta alto valor agregado.” Desde 2008, a Emater organiza um Mas não é só para a produção que a espaço para a agricultura familiar na Emater tem programas. O eixo do deAgrobrasília, maior evento de tecnologias senvolvimento humano e social prioriagrícolas do Centro Oeste, organizado za a promoção do bem-estar social da pela Cooperativa Agropecuária da Região família rural. As ações abrangem lições do Distrito Federal (Coopa-DF). Este sobre higiene do lar, nutrição, aproveiano, em parceria com o Ministério do tamento de alimentos, aposentadoria Desenvolvimento Agrário e a cooperativa, rural, e medidas que representem meserá montado um circuito de 20 mil m² – lhorias na renda de quem mora no camou 2 hectares, módulo rural mínimo do po, em especial mulheres e jovens. DF – com tecnologias voltadas a produA organização rural, por sua vez, tores familiares. “O espaço tem potencial visa fomentar o associativismo e o cooperativismo no campo, de forma a for- de alcançar produtores de 236 municípios talecer a comercialização da produção e de cinco estados, num raio de 700 km. Ao todo, são 162 mil unidades de agricultura a compra de insumos. familiar”, pontua o presidente.

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Saiba Mais Secretarias discutem segurança na área rural do PAD-DF Discutir questões referentes à segurança na área rural foi a pauta da reunião realizada no dia 22 de janeiro no CTG, no PAD-DF, que reuniu o secretário de Agricultura, Wilmar Luís da Silva, o secretário de Segurança Pública do DF, Valmir Lemos de Oliveira, lideranças e produtores. A audiência teve como objetivo buscar linhas de atuação para atender a demanda da comunidade. O encontro contou também com a participação do deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB), do secretário de Inclusão Social do Ministério de Ciência e Tecnologia, Joe Valle e de representantes da PMDF, CeasaDF e Emater-DF. A comunidade luta por um patrulhamento ostensivo na região e a instalação de um posto policial no PAD-DF, para assegurar condições de segurança para a população que está atemorizada com o aumento da criminalidade. Wilmar Luís da Silva enfatizou o aumento das ocorrências de furtos e assaltos na área rural, dos índices de consumo de drogas e a necessidade emergente de se buscar alternativas viáveis para conter a violência no campo. De acordo com o secretário de Segurança Pública do DF, Valmir Lemos de Oliveira, o local determinado para a instalação do posto policial deve ser previamente avaliado pela Polícia Militar. O secretário propôs uma reunião, ainda para este mês, para verificar como está a situação na região.


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mercado

Projeto em Formosa oferece incentivos a pequenos produtores para que produzam amendoim para biodiesel Lydia Costa

Dâmares Vaz

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ma parceria da administração municipal de Formosa (GO), a 81 km de Brasília, com a empresa Bionatural, sediada também no município, pretende incluir 70 agricultores familiares na produção empresarial de matéria-prima para biodiesel. Os agricultores vão ter financiamento de três parcelas anuais de R$550 por hectare para a correção de solo e financiamento integral de custeio para a produção de amendoim, no valor de R$1.550 por hectare. “Nas primeiras áreas plantadas, o objetivo é comprovar a capacidade produtiva desses pequenos produtores e, a partir daí, fomentar a expansão e dar condições para que eles abasteçam a demanda da Bionatural”, explica o secretário de

Agricultura de Formosa, João Janir Borchardt. Ele afirma que há deficiência na produção de matéria-prima de biodiesel na região e a empresa tem que trazer da Bahia e de Mato Grosso. A produtividade ideal prevista para a região é de seis toneladas por hectare. Mas, em razão da necessidade de adaptação tecnológica e de novos meios no primeiro plantio, a produtividade mínima deverá ser de 3,5 toneladas por hectare, ou 128 sacas. “É o suficiente para cobrir custos de produção e assegurar uma renda mínima para o produtor. Mas, se a produtividade mínima não for atingida, o seguro irá cobrir. Há a possibilidade também de um seguro de renda, no valor de um salário mínimo por mês”, diz o secretário. O programa estabelece ainda preço mínimo para o amendoim. Borchardt explica que a cultu-

ra foi escolhida porque, quando o contrato entre produtores e prefeitura foi firmado, o prazo para o plantio de outras culturas, como mamona e girassol, havia acabado. “O plantio de variedades de ciclo curto do amendoim é recomendado para a nossa região até 30 de janeiro, e, para esse período, foi a única cultura com recomendação técnica para que a cobertura de seguro fosse viável.” A avaliação de resultados do programa deverá ser feita até o início de julho. A partir dele, outras culturas poderão ser inclusas, como mamona, pinhão manso e soja, nas áreas aptas. ■■ Assistência técnica

João Janir Borchardt destaca que o maior objetivo da parceria é a criação de condições, com assistência técnica efetiva, para que pequenos produtores possam tra-

Secretário de Agricultura de Formosa afirma que há deficiência na produção de matériaprima de biodiesel na região

balhar com tecnologia de ponta e serem inclusos no processo de produção empresarial. “Assim, eles passarão a ter renda e vão depender menos de crédito fundiário e programas sociais dos municípios.”

PGPAF concede bônus para 22 culturas da agricultura familiar Agricultores familiares que cultivam algodão em caroço, arroz, babaçu (amêndoa), borracha – bioma amazônia -, borracha natural, café arábica, café conillon, castanha de caju, castanha-do-Brasil, feijão, girassol, leite, mamona, milho, pequi (fruto), piaçava (fibra), mandioca, sisal, sorgo, tomate, trigo e triticale, contam, em janeiro, com o bônus do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF) para os financiamentos dessas 22 culturas. A portaria do PGPAF foi publicada no último dia 5, no Diário Oficial da União (DOU). Os preços de mercado e o bônus de desconto referem-se ao mês de janeiro de 2010 e têm validade para o período de 10 de fevereiro a 9 de março deste ano. O feijão tem bônus em 18 estados. Entre eles, Sergipe, onde os agricultores familiares conta-

rão com descontos de 38,35% para o produto. Outro item da cesta básica que conta com bônus, em fevereiro, é o arroz (longo fino em casca). Em Alagoas, será de 10,76% o desconto. Também será concedido bônus para os financiamentos de leite, em oito estados, entre eles, o Pará, com abatimento de 25,53%. Neste mês, os financiamentos de milho também têm bônus do PGAPF em 14 estados, entre eles, Mato Grosso do Sul (com 38,34%) e Mato Grosso (27,59%). Alguns produtos da sociobiodiversidade também recebem bônus, neste mês, como o babaçu (52,05% no Maranhão), a borracha natural de extrativismo (71,43% no Pará), a castanha de caju (60% no Tocantins), o pequi (35,48% no Distrito Federal) e a piaçava (43,71% na Bahia), entre outros.

O PGPAF ainda concede bônus para o financiamento da mandioca (14,28%), para o Mato Grosso. Segundo dados do último Censo Agropecuário, a agricultura familiar é responsável por 87% da produção nacional do produto. O PGPAF, criado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em 2006, possibilita que o agricultor familiar pague os financiamentos de custeio e investimento com um bônus, que corresponde à diferença entre os preços garantidores e o preço de mercado, nos casos em que o valor do produto financiado esteja abaixo do preço de garantia. Atualmente, o Programa abrange 35 culturas, que respondem por mais de 97% das operações de custeio do Pronaf e mais de 98% das operações de investimento. Fonte: MDA

O serviço de assistência técnica será feito pelo Instituto Novas Fronteiras da Cooperação (INFC), com o apoio da Secretaria de Agricultura de Goiás, a Seagro.

UBA disponibiliza Norma Técnica para Produção Integrada de Frango O documento aborda as determinações recomendadas para a construção dos aviários, para a aquisição e alojamento de pintos, ventilação e controle de temperatura, iluminação, espessura da cama, alimentação e água, manipulação dos medicamentos, apanha e transporte das aves, bemestar animal e dos trabalhadores, gestão ambiental, dentre outros tópicos. O material é fruto de um convênio estabelecido pela União Brasileira de Avicultura com o Ministério da Agricultura (Mapa) e tem por objetivo nortear as práticas de manejo realizadas nas granjas brasileiras.

O grupo de trabalho encarregado da elaboração final da norma foi coordenado por Ariel Mendes e Ibiara C. L. Almeida Paz e constituído por representantes do Mapa, empresas privadas, associações estaduais de avicultura, universidades, Embrapa e a WSPA – World Society for the Protection of Animals. O material será encaminhado para associados da UBA, entidades do setor, universidades e outros órgãos do segmento avícola, além de ser disponibilizado no site: www. uba.org.br. Fonte: Uba


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mercado

Aneel regulamenta uso de biogás nas propriedades rurais Lydia Costa

Neyfla Garcia

A

Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) regulamentou a produção de biogás no país. Uma energia altamente sustentável e viável para os produtores rurais criadores de suínos. Com a regulamentação da Aneel, produtores poderão seguir o exemplo do que já acontece no Oeste do Paraná, gerar energia a partir de dejetos suínos e vendê-la para as distribuidoras. Pela Resolução Normativa Aneel 390/2009, de 18 de dezembro de 2009, qualquer distribuidora de energia elétrica pode fazer chamadas públicas para comprar eletricidade produzida por biodigestores. Seguindo as exigências da Aneel em relação à qualidade da energia, os produtores poderão enviar a eletricidade para a linha de distribuição, em vez de somente consumir. Os biodigestores ajudam a garantir a proteção ambiental de rios e do solo. No Distrito Federal, a primeira propriedade a fazer uso dessa atividade é a Fazenda Santa Rita de Cássia, que fica no Núcleo Rural Rio Preto, em Planaltina. Para o proprietário e presidente da Associação de Criadores de Suínos do DF, Marcelo Lopes, a resolução é louvável. “Além de ser uma energia renovável e limpa, traz um benefício social e ambiental, pois deixa de poluir.” diz. “Nós estamos terminando de implantar no DF os biodi-

gestores. Trata-se de uma lagoa coberta que produz o gás metano. Hoje, 90% das propriedades estão com as bases prontas. Até julho, queremos inaugurar todos esses tanques. Estamos negociando com uma empresa para liberar os créditos de carbono e com um banco alemão”, disse Lopes. Os testes realizados no DF revelam que a duração dessa energia é até de 300h. Após este período o motor passa por uma manutenção e outro gás é adicionado. Marcelo explica como funciona o processo de produção da energia. “Todos os dejetos suínos vão para o mesmo lugar, para uma lagoa revestida com uma manta, em que sofrerá um processo químico para emissão do gás metano. Esse gás é levado para motores que fazem os geradores funcionarem por mais de 24h ininterruptamente”, explica. O especialista em energias renováveis da Faculdade de Agronomia da Universidade de Brasília, professor Juan Verdésio, explica que a produção e venda de biogás só é compensadora quando há muita matéria orgânica acumulada e fácil de adquirir. “O biodigestor é um depósito subterrâneo, num compartimento fechado para ocorrer a fermentação”, ressalta. Verdésio explica que o gás combustível gerado é semi-industrial. Além disso, a queima das sobras, já processadas, pode ser usada como fertilizante. O professor disse que esse processo também

Excedentes de energia gerada por biodigestores poderão ser comercializados. Na foto, biodigestor na propriedade de Marcelo Lopes, pioneiro no DF no uso da tecnologia

poderia ser feito com os esgotos sanitários. “Poderia se investir em aterros sanitários para produzir energia elétrica”, completa. Em média, um suíno produz 10 litros de dejetos por dia; cada mil litros rendem 1.360 litros de biogás, que geram 0,4 kWh de energia. A produção do biofertilizante representa a recuperação de 85% do nitrogênio, 15% do fósforo e 43% do potássio do solo. E ainda tem o mercado de carbono. O biogás pode ser usado no dia-a-dia, para uso doméstico, em geradores e até para refrigeração. A utilização dessa energia pode resultar para o produtor

uma economia na produção e no consumo. A propriedade poderá veder o excedente para incrementar a renda da família. De acordo com a Aneel, no Brasil, em novembro de 2008, existiam três usinas termelétricas de pequeno porte movidas a biogás em operação. A primeira delas, inaugurada em 2003, dentro do aterro sanitário Bandeirantes, na cidade de São Paulo, com capacidade instalada de 20 MW, foi anunciada, à época, como a maior usina a biogás do mundo. As demais são: São João, também em aterro sanitário da cidade de São Paulo, com potência instalada de 24,6 MW,

Abipecs prevê ano melhor para a suinocultura

COTAÇÃO Cotação

mín

máx

média

Algodão Caroço @ Algodão Pluma @ Arroz 60kg Café Beneficiado 60kg Feijão Carioca 60kg Feijão Preto 60kg Milho 60kg Soja 60kg Sorgo 60kg Trigo 60kg Leite Granel Leite Latão Boi gordo @ Boi gordo rastreado @ Vaca gorda @ Vaca gorda rastreada @

27,60 37,50 29,00 230,00 55,00 71,00 14,00 36,00 10,00 38,00 0,45 0,40 69,56 71,61 66,50 68,54

27,60 38,03 39,00 235,00 75,00 71,00 18,00 43,00 14,00 38,00 0,77 0,70 71,61 73,65 68,54 70,58

27,60 37,74 34,83 232,50 64,00 71,00 15,10 38,22 11,59 38,00 0,60 0,51 70,99 72,63 67,77 69,56

Atualizado em 9 de fevereiro de 2010 - Fonte: http://faeg.org.br/

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Em janeiro deste ano, as exportações de carne suína brasileira aumentaram 3,3% em volume (39,06 mil toneladas) e 20,02% em valor (US$ 90, 46 milhões), em relação a janeiro de 2009. No entanto, essa comparação é “insuficiente para fixar previsões com algum tipo de precisão”, afirma Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). Ele lembra que janeiro de 2009 foi um mês atípico, “devido ao forte reflexo da crise financeira global”. “Mesmo assim, é possível dizer que 2010 começa com perspectivas muito melhores do que 2009. O mercado interno continua firme, mesmo

neste período, quando o forte calor e as férias escolares costumam afetar negativamente o consumo de carne suína. O mercado da Rússia também apresenta boa demanda, considerando o período”, resume o presidente da Abipecs. Segundo ele, “a preocupação permanece com relação à competitividade externa do produto, que encontra dificuldade de comercialização em muitos mercados atendidos pelos países concorrentes. A recente desvalorização cambial representa um ânimo, mas é necessária a adoção de outras medidas pelo governo, em particular a eliminação de impostos indevidos nas exportações”, adverte Camargo Neto. Fonte: Abipecs

e Energ Biog, com 30 kW de potência, na cidade de Barueri, região da Grande São Paulo. Além dessas, havia mais sete empreendimentos outorgados, totalizando 109 MW de potência nos estados de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e Santa Catarina. Por decisão da Aneel, a potência instalada máxima dos empreendimentos incluídos no programa será de 300 kVA (quilovoltampere), que equivale a 270 quilowatts (kW). Esta potência é suficiente para abastecer 60 unidades consumidoras residenciais com consumo mensal médio de 150 kW.

Produtores de Cristalina enfrentam problemas com plantio da safra 2010 Produtores de Cristalina (GO) estão preocupados com a próxima safra de milho e soja. Em reunião no dia 5 de fevereiro no Sindicato Rural de Cristalina, produtores e analistas trataram do problema de produtividade e ferrugens. No caso do milho, estão previstos problemas de armazenagem e de preços abaixo do esperado. Já com a soja, as questões são mais graves. Além do preço baixo, a má administração do vazio sanitário trouxe a ferrugem para as plantações, o que encareceu a produção. Segundo o consultor técnico do sindicato, Aléssio Maróstica, os produtores estão buscando as alternativas mais cedo. “Com os preços travados, tivemos uma queda de aproximadamente 40% nos preços e, com a produção cara, prevemos, além do problema da estocagem, que muito produtor entre no vermelho”, afirma. Aléssio fala ainda de medidas públicas para garantir pelo menos o preço mínimo dos grãos. “Teremos reunião com representantes do governo para buscar solução para esse problema, e assim evitar que produtores invistam menos e prejudiquem a economia do país.”


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economia

Formosa aposta no desenvolvimento industrial Secretaria de Desenvolvimento Econômico oferece incentivos a indústrias que queiram se instalar no município goiano. Ações visam geração de emprego e crescimento regional Lydia Costa

Dâmares Vaz

T

reze novas indústrias devem se instalar no Distrito Industrial de Formosa, município goiano a 81 km de Brasília, nos próximos 18 meses. São médias empresas que se dedicam a diversas atividades industriais, das quais seis são voltadas ao setor agropecuário, abarcando áreas como beneficiamento de grãos e batatas, distribuição de insumos, fabricação de defensivos agrícolas e produção de sementes. O crescimento de 200% no número de indústrias instaladas faz parte das ações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Formosa para fomentar o setor industrial. O poder público oferece incentivos fiscais municipais, como isenção de ISS e IPTU por cinco anos, prorrogáveis por mais cinco, e estaduais, como redução de 73% de ICMS até 2020, para novas indústrias que queiram se instalar no município.

Safra de grãos 2009/2010 deve crescer 5,9%, prevê Conab A produção nacional de grãos da safra 2009/2010 deve chegar a 143,09 milhões de toneladas, de acordo com estimativa divulgada hoje (9) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume colhido deverá ser 5,9% superior aos 135,13 milhões de toneladas da safra passada, o que representará o segundo melhor resultado da história. O recorde é do ciclo 2007/2008 – 144,1 milhões de toneladas. Segundo a Conab, o bom desempenho se deve à estabilidade de chuvas nos principais estados produtores. Fonte: Agência Brasil

Além disso, há a venda de terrenos a preços subsidiados. O metro quadrado no município, com subsídios, vale R$4. No Distrito Federal, por exemplo, o mesmo terreno teria o preço de até R$100 por metro quadrado. O secretário de Desenvolvimento Econômico de Formosa, Marino Stefani Colpo, destaca vantagens da cidade como a proximidade de Brasília, as melhorias implementadas nas vias de acesso, como a duplicação da BR-020, entre Brasília e Formosa, e a construção de um aeroporto de cargas em Planaltina, Distrito Federal. “Nosso projeto é alavancar o desenvolvimento do município. Sessenta por cento desses empresários que vão para o Distrito são de Formosa e estão expandindo suas atividades, o que é positivo, já que valoriza o empreendedor da região”, afirma Colpo. Ele ressalta ainda que, além dos impostos diretos que a indústria gera, há os indiretos, assim como outros benefícios,

como aumento da taxa de emprego, com consequente diminuição da taxa de criminalidade, e a geração de empregos indiretos no comércio e setor de serviços, o que implica crescimento da arrecadação do município. “O empresário que tiver interesse em trazer sua indústria para Formosa pode procurar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico para saber como funciona o programa de incentivo”, informa Colpo. ■■ Valor

Para Colpo, o tratamento industrial dos alimentos agrega valor ao produto agrícola. “O Brasil é um grande produtor de alimentos, e beneficiar grãos e carne é a maneira mais direta de agregação”, ele observa.

Crédito rural do BRB cresce 50% em 2009 Os financiamentos de crédito rural do Banco de Brasília (BRB) tiveram crescimento de 50% em 2009 em relação ao ano de 2008. O total dos contratos firmados foi de pouco mais de R$ 80 milhões e beneficiou, principalmente, pequenos e médios produtores do Distrito Federal e da Região Integrada de Desenvolvimento do DF e Entorno (Ride). Em 2009, o BRB priorizou os investimentos agropecuários com financiamentos a longo prazo e taxa de juros subsidiada. O banco também financiou cooperativas e pequenas agroindústrias, atingindo não só as empresas, mas toda a cadeia de cooperados e integrados que as cercam.

Um produto importante criado em 2009 foi o BRB Pecuária Leiteira, voltado ao fortalecimento da Bacia Leiteira do DF. Oferece investimentos destinados a pequenos produtores para aquisição de matrizes leiteiras e também para os laticínios inscritos no Programa Vida Melhor, do governo do DF. O Banco apoiou ainda medidas de fomento às atividades setoriais, como o programa BNDES PSI, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), voltado para Sustentação do Investimento. Fonte: Gerência de Crédito Rural - BRB

Anuncie no jornal que fala diretamente com o produtor

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Secretário de Desenvolvimento Econômico de Formosa mostra a área do Distrito Industrial

Além disso, o secretário afirma que um centro industrial numa cidade essencialmente agrícola como Formosa é fundamental para o crescimento ordenado. “Um dos maiores problemas do País é que as cidades se expandem em ritmo acelerado e sem planejamento e acabam inserindo as indústrias em áreas

residenciais, o que gera problemas como poluição sonora, do ar, e, consequentemente, baixa qualidade de vida.”

Serviço: Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Formosa Tel: (61) 3981-1236

País deve colher 143,4 milhões de toneladas de grãos este ano, estima IBGE A safra nacional de grãos deste ano deverá atingir 143,4 milhões de toneladas, com expansão de 7,2% sobre a obtida em 2009, que somou 133,8 milhões de toneladas. A estimativa consta do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado em janeiro e divulgado hoje (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dezembro, o IBGE estimava em 140,7 milhões de toneladas a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, com aumento de 1,9% sobre o volume de dezembro. De acordo com o IBGE, a área a ser colhida, de 48,1 milhões de hectares, representa um acréscimo de 2,1% em relação à de 2009, que ficou em 47,2 milhões de hectares. A produção agrícola esperada para este ano apresenta, no momento, a seguinte distribuição regional: Região Sul, 59,4 milhões de toneladas (aumento de 13,3%); CentroOeste, com 49,8 milhões de toneladas (alta de 2,1%); Sudeste, com 16,5 milhões de toneladas (expansão de 2,1%); Nordeste, com 13,9 milhões de toneladas (crescimento de 19,3 %) e Norte, 3,9 milhões de toneladas (aumento de 1,7%). Segundo o IBGE, na primeira avaliação para 2010, o Paraná retoma a posição de maior produtor nacional de grãos, superando Mato Grosso em 0,6 ponto percentual. No levantamento, destacam-se as estimativas de

seis produtos: algodão herbáceo em caroço, arroz em casca, café em grão, primeira safra de feijão em grão, primeira safra de milho em grão e soja em grão. A soja, com estimativa de 66,1 milhões de toneladas em 2010, é líder da produção agrícola e deve apresentar crescimento de 16% em relação ao resultado do ano passado. O milho é o segundo produto em volume e o IBGE estima uma produção de 33,4 milhões de toneladas na primeira safra, com leve recuo (-1,3%), em relação à de 2009. Essa queda deve resultar da retração de 9,7% na área total plantada. No Paraná, maior produtor nacional com participação de 18,8% no mercado, a redução da área plantada chega a 30,1%. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também divulgou hoje, em Brasília, estimativa para a safra de grãos. A produção nacional deve chegar a 143,09 milhões de toneladas na safra 2009/2010, um aumento de 5,9% em relação à anterior (135,13 milhões de toneladas). A diferença entre os dados divulgados pelo IBGE e pela Conab se deve aos períodos avaliados. O IBGE analisa a colheita de janeiro a dezembro, enquanto a Conab se baseia no chamado ano-safra, que vai de agosto a julho. Fonte: Agência Brasil


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tecnologia Informática

O campo na era da internet Priscila Nascimento

Neyfla Garcia

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mundo virtual conquista cada vez mais espaço nas áreas rurais do Distrito Federal. Principalmente os alunos das escolas rurais que agora vão cair na rede mundial dos computadores a partir deste mês. O secretário de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, Joe Valle, entregará o corredor digital a 10 escolas, com modernos laboratórios de informática que vão conectá-los ao mundo, via internet, e a uma comunidade virtual entre as escolas rurais do DF. Cada laboratório terá 12 computadores conectados à internet e capacidade para trabalhar com 300 a 400 pessoas por mês. Foram instalados equipamentos de última geração nas escolas, que permitem sinal de banda larga de alta velocidade. Segundo Joe Valle o corredor digital é um programa de inclusão que leva em consideração o corpo decente. “Iremos qualificar muitos professores, que são os multiplicadores de toda a tecnologia e de todo ensinamento e saber. O mais importante é formar uma rede por internet que vai fazer a comunicação entre os núcleos rurais e a comunidade”, ressalta. A política de inclusão digital tem como objetivo estimular a troca e transferência de conhecimento criando um rico intercâmbio de aproximação e experiências com o que ocorre no mundo. O Centro Tecnológico também atenderá a comunidade, não é conquista só para os alunos, mas para pais, professores e servidores.

Sala do Projeto Oi Futuro do Centro Educacional do PAD-DF ■■ Treinamento

Além disso, o programa forma professores com o objetivo de, uma vez capacitados, transferirem esse aprendizado para crianças de outras escolas públicas, tornando cada laboratório num um centro irradiador de projetos comunitários, que contribuem para transformar a realidade local. A idéia é incentivar alunos e professores a criar projetos sociais locais com uso das ferramentas virtuais. A Secretaria de Educação do DF já capacitou mais de 170 professores no curso Introdução a Educação Digital, e mais de 200 estão em capacitação no curso Tecnologias na Educação – Ensinando e Aprendendo. Para a secretária de Educação do DF, interina, Eunice

Santos, o desenvolvimento de programas de inclusão digital da SEDF se propõe a oferecer igual acesso aos alunos de todas as escolas, sejam urbanas ou rurais, ao mundo da tecnologia e informação presente no cotidiano da vida moderna. “Levar laboratórios de informática com acesso à internet para as escolas rurais é promover a equidade e garantir a qualidade do ensino público do Distrito Federal”, garante. ■■ Oi Futuro

Um dos parceiros que tem ajudado a tornar este sonho em realidade, na área rural é o Projeto Oi Futuro “To No Mundo”. Segundo o diretor de planejamento do programa, José Zunga Alves de Lima, duas escolas rurais do DF receberam salas

com equipamentos de última diano da evolução desse trabalho. geração, que são: Centro Edu- Esta ajudará também a trabalhar cacional do Programa de Assen- a questão da interdisciplinaridatamento Dirigido do DF (PAD- de. O foco do programa é dar DF) e Escola Classe de Itaquara. condições para o desenvolvimenAlém de computadores o proje- to professor”, explica Zunga. to também entrega câmera digital e impressoras, faz o EScolas Rurais contempladas suporte é online, e a manutenção dos equipamentos, re1. Centro de Ensino Fundamental 04 põe papel e toner 2. Escola Pólo Agrícola da Torre para as impressoras 3. Escola Classe Café Sem Troco por 18 meses. 4. Escola Classe Itapeti “O mais im5. Escola Classe Jataí portante para nós 6. Centro de Ensino Fundamental não são os equipaNova Betânia mentos e sim o tra7. Escola Classe Capão Seco balho pedagógico com os professores. 8. Escola Classe Lamarão O que possibilitará 9. Escola Classe Cariru ao nosso projeto 10. Escola Classe Buriti Vermelho acompanhar o coti-

Nova técnica traz maior eficiência à conversão de dejetos animais em fertilizante Todos os dias, milhares de toneladas de dejetos animais são produzidas no Brasil. Os excrementos passam por tratamentos sanitários e são utilizados como fertilizantes. Contudo, grande parte dos nutrientes presentes no material é perdida em razão de problemas de aplicação, uso desbalanceado, ou da falta de planejamento correto para o

aproveitamento. Para conferir maior eficiência à produção desses fertilizantes, a Embrapa Solos, situada no Rio de Janeiro, em parceria com a Universidade de Rio Verde (GO) e a Perdigão, desenvolveu um processo de tratamento e granulação de dejetos da suinocultura, o Projeto Agrosuíno. O resultado é um fertili-

zante organomineral granulado, que pode ser usado em lavouras de grãos, no sistema de plantio tradicional. As vantagens do método são o balanceamento adequado de nutrientes e a granulação, dispensando o uso de equipamentos especiais. A partir do tratamento, o produtor consegue agregar valor ao resíduo da suinocultura e

reduzir os impactos ambientais da atividade. Para a lavoura, o benefício é a diminuição da dependência de insumos minerais. “O desenvolvimento das técnicas de compostagem e granulação abre uma nova linha de pesquisa na Embrapa”, pontua o pesquisador da Embrapa Solos e coordenador do Agrosuíno, Vinicius Benites. “Com o

domínio das bases tecnológicas de produção de fertilizantes organominerais granulados, diferentes inovações podem ser pensadas, como, por exemplo, a associação de micronutrientes aos fertilizantes, utilização de outros resíduos, ou associação de microorganismos funcionais aos fertilizantes.” Fonte: Embrapa Solos

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entrevista

Titulação das terras marcará retomada de investimentos no setor agropecuário do DF Esta é a análise do secretário de Agricultura do DF, Wilmar Luís da Silva, que fala ainda de segurança e educação nas áreas rurais Lydia Costa

Dâmares Vaz

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rescimento de 10% ao ano no setor agropecuário é o que prevê o secretário de Agricultura do Distrito Federal, Wilmar Luís da Silva, a partir da regularização das terras rurais públicas. A Secretaria divulgou o edital de convocação dos primeiros produtores em dezembro de 2009 e os contratos devem sair em um mês. Resolvida a questão que já dura trinta anos e tem sido o maior entrave ao desenvolvimento agrícola da região, restam outras pendências, algumas sérias. Uma delas é a insegurança no campo, queixa comum de produtores de todo o DF. É sobre esses temas, e ainda educação e assistência técnica na área rural, que fala o secretário, em entrevista ao Tribuna Rural. Tribuna Rural: O edital de convocação dos primeiros produtores para que renovem contratos de concessão do Direito Real de Uso finalmente foi publicado. Quais os impactos da regularização das terras rurais públicas do DF sobre o setor agropecuário? Que avaliação o senhor faz da importância da medida? Wilmar Luís da Silva: Soltamos o edital em dezembro. A primeira fase da regularização abrangerá produtores que já tinham contratos, mas que estavam vencidos e precisam ser renovados. Na segunda fase, é a vez dos contratos em que há a necessidade de transferências, e, por último, de produtores que não têm nenhum contrato. A titulação é a realização de um dos grandes anseios dos pioneiros. Os documentos representam a carta de alforria, a liberdade para que eles possam fazer investimentos. Desde 2005, todos os investimentos no setor estão parados. Um exemplo é o da empresa que incorporou a Só Frangos e veio para cá com R$300 milhões para investir. Mas, não investiu porque não havia como comprovar a posse das terras no banco. Esses R$300 mi foram deslocados para o Mato Grosso. Aqui é o único lugar do Brasil em que vigora a concessão do Direito Real de Uso, e os bancos não têm firmeza em emprestar se não há garantias desse contrato entre o estado e o produtor. TR: Há uma estimativa para o crescimento do setor nos próximos anos a partir da assinatura dos primeiros contratos?

WLS: Acredito que vamos ter um crescimento mínimo de 10% ao ano. Na área de processamento, talvez seja até maior, porque é um procedimento que agrega valor ao produto. Na área de sementes, por exemplo, há uma empresa que se instalou aqui no DF para a produção de sementes de soja para terras altas. A unidade produtora deveria ser aqui, mas se deslocou para Goiás por causa da falta de documento das terras. Apenas esse exemplo representa o investimento de US$ 1 milhão, que acabou deslocado para um lugar que fica a apenas 30 km daqui. A Pepsico, grande produtora mundial de batatas chips, manifestou pré-intenção de instalar uma área de processamento no DF, pelo potencial de produção de batata da região. No mesmo setor, há mais quatro empresas que optaram por Goiás. Tudo em razão da insegurança causada pela falta de título das terras. TR: Os primeiros contratos de venda devem sair quando? WLS: A Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília), proprietária das terras, está fazendo

“O ideal é que moradores da área rural tenham boas escolas, segurança, transporte e saúde, para que não tenham que ir para a cidade.” o georreferenciamento da matriz global das fazendas, e o prazo é de um ano para que conclua o processo. A partir daí será possível fazer o desmembramento das glebas. É preciso registrar todas antes para depois calcular o valor individual de cada terreno. TR: A nova lei de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) é outra medida que promete trazer maior desenvolvimento ao setor. Quais serão os impactos dela nas ações da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater)? O que muda? WLS: As empresas de Ater chegaram ao Brasil na década de 50, trazendo o modelo americano. Instalaram-se primeiro em

Minas Gerais e fizeram tanto sucesso que depois foi criado o programa nacional de Ater e uma empresa nacional, a Embrater (Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural), que estabelecia todas as diretrizes para o setor. No início da década de 90, porém, a Embrater foi extinta, o que implicou atraso para o país. As empresas de Ater estaduais deixaram de investir e de renovar o quadro de profissionais porque os estados não tinham como custeá-las. Outras emateres foram fechadas ou absorvidas por órgãos de pesquisa, de extensão ou de assuntos fundiários, o que não funciona. Não dá para juntar o órgão que ensina ao que fiscaliza sob pena de perder credibilidade. Em meados de 1990 houve o resgate da ideia de um órgão nacional, para uniformizar as ações e aumentar a possibilidade de buscar recursos. Foi dessa luta que houve um balanço dos prejuízos da falta de Ater, porque os investimentos em agricultura nos estados con- Para secretário de Agricultura, insegurança fundiária deslocou investimentos tinuaram a ser feitos, mas não havia retorno em é que moradores da área rural são as maiores necessidades do razão da ausência de um órgão tenham boas escolas, seguran- setor? Como a Seapa avalia a que os coordenasse. Todo esse ça, transporte e saúde, para situação das escolas rurais? processo culmina com o resgate que não tenham que ir para a WLS: Precisamos levar o da Ater, por meio dessa lei. No cidade. A maioria das reivindiDF, os governos mantiveram o cações que chegam à Seapa se mesmo padrão da escola do Núapoio à extensão e a Emater-DF refere a isso. Para atendê-las, é cleo Rural Tabatinga, em Planalpassou a ser referência nacio- preciso um trabalho articulado tina, que, no último Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), nal. O que muda mesmo com com outras secretarias. teve cinco alunos entre os dez a nova lei é que os estados serão desonerados, já que o governo TR: E quanto ao uso e abuso melhores colocados, às outras federal passará a ter responsa- de drogas: há a necessidade de áreas rurais. Para isso, repito o bilidade compartilhada com o adequação de uma política pú- que ouvi do secretário de Edublica de combate e prevenção cação do DF, José Luís valente: governo estadual. específica para o campo? é preciso o comprometimento TR: Outra questão que afeta de diretores e professores da esWLS: Não. Acho que a pomuito quem mora e produz no cola e da comunidade. Todas as campo é a violência. E mais: lítica deve ser a mesma. O que escolas onde isso ocorre são bem moradores e produtores que diferencia é a experiência da área sucedidas. Mas a situação não é já sofriam com roubos e inva- urbana. Muitos dos traficantes ruim. No último levantamento sões de propriedades enfren- das áreas rurais são temporários de evasão escolar nas áreas rurais tam agora um novo problema: que já trabalharam em centros do DF, o Crianças fora da escola, a chegada de drogas ilícitas às urbanos e que levam a cultura feito pela Emater e Secretaria de zonas rurais. A busca de solu- da droga para o campo. Mas Educação, o índice não chegou ções para esses conflitos passa nessa questão, o maior culpado é a 2% no ensino fundamental. o consumidor, e não o traficanpor que caminho? Quando o adolescente chega ao te. Não existiria traficante se não WLS: Quanto maior a pro- existisse usuário. Brasileiro tem ensino médio, a situação é difeximidade dos espaços rurais de que parar com paternalismo, rente porque a família não tem áreas urbanas, maiores serão tem que parar de passar a mão renda suficiente para que esse a insegurança e a violência. A na cabeça de quem consome ou aluno faça o curso, principalmente trabalhadores rurais. Já o busca de soluções passa por vá- acha bonito consumir. produtor, ou patrão, ou proprierios caminhos. É preciso levar tecnologia ao campo e garantir TR: Investir em educação é um tário, têm como mandar seus o acesso à informação e o bem- dos caminhos para a preven- filhos para a escola e até para estar da comunidade. O ideal ção ao uso de drogas. Quais estudar na cidade.


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educação Abandono

Falta de infraestrutura marca volta às aulas na área rural Priscila Nascimento

Neyfla Garcia

Em 10 de fevereiro, iniciam as aulas da rede pública em todo o Distrito Federal. Mas, as escolas dos núcleos rurais do DF sofrem com o descaso e o abandono das autoridades. A falta de infraestrutura, segurança e de professores é um problema para quem mora e depende de ensino na área rural. Ao todo são 87 escolas que atendem 17.169 alunos, algumas em condições precárias. Cerca de 90% dessas unidades precisam passar por reformas ou serem reconstruídas. Mas, a Secretaria de Educação do DF garante que em 2010 apenas uma escola será reformada, as outras receberão apenas manutenção. Segundo a diretora de obras da Secretaria, Ana Cristina Oliveira da Silva Paula, a única instituição de ensino que tem o projeto de reconstrução autorizado é a Escola Classe Brochado da Rocha, que fica no Núcleo Rural de Sobradinho. “Iremos derrubar a que existe e construir outra mais moderna e com mais salas para atender a comunidade. Sabemos das necessidades, mas para 2010 somente essa terá o problema resolvido”, afirma.

A Escola foi inaugurada em 14 de janeiro de 1966 e atende apenas 60 alunos. A falta de espaço físico não comporta a quantidade de crianças que existem na comunidade. Dividida em dois turnos, as três salas que há, recebem crianças de 5 a 10 anos. Lá funcionam educação infantil e do primeiro ao quinto ano. A diretora da escola, Cláudia Borges dos Santos, comemora o fato da escola ser reconstruída. “Tínhamos muita necessidade, o prédio não tem condições nenhuma de receber os alunos. A reconstrução não estava no orçamento de 2010 do governo, mas como é um caso de emergência conseguimos que ela fosse incluída”, explica. As maiores necessidades do colégio são salas mais amplas, sala para leitura, laboratório de informática, biblioteca, refeitório, pátio coberto, cozinha, sala para os professores, secretaria, banheiros e depósito para material de limpeza. Professores e alunos se preparam para mudar para salas cedidas por uma igreja durante reconstrução. Enquanto a decisão da Secretaria de Educação não chega, a escola se prepara junto à comunidade para receber os alunos.

Escola Brochado da Rocha será a única a ser reconstruída pelo GDF ■■ Espera

Outro colégio que se encontra com as dependências deterioradas é o Centro Educacional do Programa de Assentamento Dirigido do DF (PAD-DF). Criada em 1986, a escola nunca passou por uma reforma. É feita de placas, cercada por muros e cercas que estão quebrados, por onde passam bebida e drogas para os alunos, principalmente os que estudam a noite. De acordo com a diretoria, a instituição possui apenas um vigilante o que é pouco para garantir a segurança de professores e alunos. Ao todo, 22 salas funcionam pela manhã, tarde e noite

e atendem mais de 1.400 alunos. A escola do PAD-DF é a única de 2° grau da região, e recebe crianças e adolescentes dos núcleos rurais Jardim II, Capão Seco, Café Sem Troco, Lamarão e Cariru. Segundo a diretora Alcemira Ferreira Viana da Silva, que tomou posse em janeiro, uma das primeiras medidas foi providenciar a limpeza das calhas e a retirada dos entulhos para receber melhor os alunos. “Isso só foi possível devido aos parceiros que a escola possui. Quanto à infraestrutura, continuaremos batalhando para que haja mudanças. Mas isso depende de muita calma. Dependemos do

governo, mas contamos na realidade com o apoio da comunidade, de empresários e da CoopaDF”, disse. Mas o presidente da CoopaDF, João Carlos Werlang, não aceita que o governo não se sensibilize com a situação da escola. Para ele é inadmissível que a instituição siga mais este ano sem uma reforma. “Sabemos que a comunidade tem que ajudar, mas não é nossa obrigação cuidar da escola, isso é função do governo. Se for para mantermos a escola é melhor transformá-la em particular, assim não teremos que cobrar dos nossos governantes”, desabafa.

Lydia costa

Escola do Café Sem Troco pronta para receber os alunos

E

nquanto a nova Escola Classe Brochado da Rocha é construída, a Escola Classe do Café Sem Troco tenta manter a reforma que foi feita para o início do ano letivo de 2009. A escola recebe para o início das aulas mais de 300 crianças entre cinco e dez anos. Com pintura, material didático e o corpo docente quase completo, a escola preparou uma série de atividades para dar início ao ano letivo. Uma delas são as palestras sobre segurança que fazem parte de uma ação entre escola e comunidade para conscientizar as crianças sobre os perigos das drogas, assaltos e sequestros. O diretor da escola, Marcelo Soares de Oliveira, relata que mesmo com to-

das as dificuldades que o colégio possui, os professores procuram manter um ensino de qualidade. Marcelo Oliveira está há quatro anos na direção e comenta que a maior dificuldade da instituição hoje é a falta de diálogo e interesse dos pais. “Muitas vezes a gente precisa da participação dos pais dentro da escola. Como a maioria mora há quilômetros, com estradas de tão difícil acesso que nem de bicicleta conseguem chegar, eles acabam não participando das nossas atividades”, disse. Quando a questão é estrutura física da escola o assunto é outro, pois não condiz mais com a realidade e a quantidade de alunos. Marcelo explica

que os mais de 300 alunos serão divididos em dois turnos e acomodados em quatro salas, ou seja, oito turmas apenas. “Nós tivemos que adaptar duas salas e transformá-las em locais de aula, assim de oito passam para 12 turmas. Mesmo assim não conseguimos atender todas as crianças, muitas acabam não sendo matriculadas por falta de espaço”, ressalta. Todo ano a escola solicita à Secretaria de Educação ampliação das instalações. Mas diversos fatores impedem que essa reforma saia do papel e entre o no orçamento do governo do Distrito Federal. “Por enquanto a gente consegue se virar aqui com algumas crianças sendo transpor-

Marcelo Oliveiro, diretor da Escola Classe Café Sem Troco

tadas para o Capão Seco e para Quebrada dos Neres. Para darmos mais condições à comunidade, nós precisaríamos de pelo menos mais duas ou três salas

de aula aqui. Quando os alunos saem do 5° ano eles vão para o Centro Educacional do PADDF, e ficam por lá até concluírem o Ensino Médio”, explicou.


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eventos

Núcleo Rural Capão Seco recebe primeiro Encontro Técnico Rural do ano Evento leva cursos de capacitação e atividades de cultura e lazer a produtores e moradores do campo Lydia costa

Dâmares Vaz

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Lydia costa

moradora da comunidade rural Nova Betânia, em São Sebastião, Vilma Santos, ficou satisfeita com o que aprendeu na sexta edição do Encontro Técnico Cultural Rural, evento que leva capacitação e cultura ao campo. Promovido pela Federação das Associações de Pequenos Produtores Rurais do DF e Entorno (Feprorural), com apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e Secretaria de Agricultura do DF (Seapa), o Encontro foi realizado no último dia 6, no Núcleo Rural Capão Seco, e reuniu mais de mil pessoas. Vilma é artesã e faz parte do grupo de artesanato da comunidade de São Sebastião. Ela conta que pôde absorver novas técnicas e aperfeiçoar o que já sabia. “O

artesanato é importante para minha renda familiar e o curso foi muito proveitoso. Também tive contato com máquinas que tornam o trabalho mais bonito.” Ela destaca ainda que o Encontro é uma boa oportunidade de ter contato com o trabalho de outros grupos de artesanato de todo o Distrito Federal. Para o trabalhador rural Domingos Vieira, o curso mais interessante foi o de operação de trator. “Já trabalhei em pro- As artesãs Vilma Santos, Vanilde Andrade e Rosilda Martins aproveitaram para priedades com tratores, aprender novas técnicas mas é sempre bom aprenregião. Além de música ser- nal e opções de lazer. “Ações der coisas novas”, diz ele. Além de artesanato e taneja, apresentaram-se gru- do tipo são fundamentais operação de tratores, as pa- pos de catira e de folclore. para o desenvolvimento relestras técnicas abordaram De acordo com o presiden- gional, para que as pessoas temas relativos ao meio am- te da Feprorural, Heveraldo não precisem sair daqui para biente e reserva legal, pecu- Aguiar, o evento promove se capacitar”, diz. ária leiteira, associativismo capacitação técnica e tame cooperativis- bém consegue reunir comu- ■■ Encontros em 2010 Com recursos do MCT, mo, orientação nidades rurais de diferentes sobre aposenta- regiões do DF. “O Encontro o primeiro Encontro Técnico doria, piscicul- tem o objetivo de suprir as Cultural Rural do ano abre tura, cunicul- carências do campo nas áreas uma série de 10 encontros tura (criação de de lazer e intercâmbio cultu- programados para 2010, é coelhos), saúde ral e consegue formar uma o que informa o secretárioe segurança no rede social entre diversas co- adjunto de Agricultura, Agnaldo Alves. “A Seapa focatrabalho, flori- munidades rurais”, afirma. A presidente da Associa- liza nestes eventos o público cultura e apição da Comunidade do Ca- regional, visando a capacitacultura. Na segun- pão Seco, Marilda Barbosa, ção e o resgate da cultura do da parte do concorda com a importância campo. Muitos produtores Encontro, foi do evento para o núcleo ru- não têm condições de buscar a vez dos sho- ral. Ela afirma que mulheres lazer fora da área rural e nem ws animarem e jovens são os mais benefi- capacitação para agregar vaprodutores e ciados, já que sofrem com a lor a sua produção”, pontua moradores da falta de capacitação profissio- o secretário-adjunto.

Curso de tratorista foi uma das novidades do Encontro

Encontro de Folia de Reis reúne mais de 30 mil pessoas O X Encontro de Folia de Reis reuniu mais de 30 mil pessoas entre público e foliões convidados que acompanharam as atividades do evento, na Granja do Torto, de 28 a 30 de janeiro. Além das apresentações dos mais de 30 grupos de cinco estados e do Distrito Federal,

que se apresentaram revezando o palco nos três dias de Folia de Reis, estiveram no encontro artistas como Zé Mulato e Cassiano, o humorista e cantador Saulo Laranjeira, e Renato Teixeira. Durante o encontro também foram realizadas as rodas de prosa, onde foram discutidos

temas como políticas públicas para as folias. O presidente do Clube do Violeiro Caipira e organizador do encontro, Volmi Batista, comemora. “Com a presença de representantes do poder público, esperamos que haja uma sensibilização para a valorização e divulga-

Campeonato Brasiliense de Provas Funcionais para Quarto de Milha 1ª ETAPA 13 DE MARÇO 13h – 03 tambores 15h – Laço de bezerro 14 DE MARÇO 13h – work penning 15h – Team penning Local: Haras Saquarema

2ª ETAPA 10 de ABRIL 13h – 03 tambores 15h – Laço de bezerro 11 de ABRIL 13h – work penning 15h – Team penning Local: Parque de Exposições da Granja do Torto

3ª ETAPA 15 de MAIO 13h – 03 tambores 15h – Laço de bezerro Local: A definir

4ª ETAPA 19 de JUNHO 13h – 03 tambores 15h – Laço de bezerro Local: A definir

5ª ETAPA 31 de JULHO 13h – 03 tambores 15h – Laço de bezerro Local: A definir

6ª ETAPA ção das folias de reis como importante manifestação de cultura popular.” As rodas de prosa reuniram mestres de folia, representantes do Ministério da Cultura, da Secretaria de Turismo do DF e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF).

11 de SETEMBRO (Durante a 18ª EXPROAGRO) 13h – 03 tambores 15h – Laço de bezerro 12 de SETEMBRO 13h – work penning 15h – Team penning Local: Parque de Exposições da Granja do Torto

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comunidade Criatividade

Parceria com Sebrae-DF impulsiona artesanato rural lydia costa

Neyfla Garcia

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oradoras das áreas rurais do Café Sem Troco, Capão Seco e Jardim II encontram no artesanato uma alternativa de emprego e fonte de renda. Uma parceria entre o Serviço de Apoio às Pequenas e Médias Empresas do Distrito Federal (Sebrae-DF) e a Secretaria de Inclusão Social do Ministério de Ciência e Tecnologia, voltada à área do artesanato, já garantiu a inclusão no mercado de trabalho de mais de 100 pessoas. Desde setembro de 2009, o Sebrae-DF já capacitou oito grupos de artesanato, e a meta até o final do ano é capacitar mais 15, informou a gerente da unidade de empreendedorismo social do Sebrae-DF Antonieta Contini. O conceito de empreendedorismo está sendo trabalhado nas áreas rurais do Paranoá, Planaltina e de São Sebastião. Antonieta explica que essa é uma oportunidade que os moradores têm para se capacitarem e desenvolver a região. “Oferecemos cursos de capacitação, desenvolvimento da qualidade do produto para comercialização e acompanhamento das atividades. Queremos que estes grupos cresçam e se desenvolvam com a qualidade que o mercado necessita para que os produtos possam ser aceitos”, ressalta. ■■ Inclusão

Emater será provisória. O grupo de costureiras aguarda a reforma do centro comunitário para que as máquinas possam ser instaladas lá. “O grupo está bastante empolgado com as perspectivas de crescimento. Elas pretendem fazer uniformes para vender nas fazendas mais próximas. Esta iniciativa deve ser vista como uma oportunidade que essas mulheres estão tendo de poder ajudar em casa”, informou. Outra conquista da comunidade foi a chegada da internet à área rural; isso possibilitou aos moradores oportunidades para trabalhar e estudar. A agente comunitária Maria Elenice Natividade celebra essa conquista. “Estou fazendo o curso, a distância, de técnica em enfermagem desde 2009. Isso só foi possível devido ao centro digital que trouxe internet para a região. Hoje já possuo um computador, o que facilita ainda mais os meus estudos. Moro a 75km do Plano Piloto e ter que estudar todos os dias não seria possível”, completa. Para o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB), que

lydia costa

O Sebrae-DF ofereceu cursos profissionalizantes de corte, costura e modelagem para as mulheres que vivem no Núcleo Rural Jardim II. No dia 22 de janeiro, elas receberam, na sede da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) uma sala com máquinas de costura para que possam colocar em prática o que aprenderam e vender os seus próprios produtos. Segundo a representante da comunidade, Maura Pereira dos Santos, esta sala cedida pela

Deputado Rodrigo Rollemberg (PSB) e o secretário de Inclusão Social do MCT, Joe Valle, visitam grupo de artesanato do Capão Seco

Produtos feito pelo grupo de artesanato Semeando Flores

esteve presente na entrega das máquinas de costura, estas ações mudam completamente o padrão do núcleo rural. “O centro de tecnologia permite que jovens se comuniquem e estudem. Agora, um núcleo de produção de costura que tem um grande potencial”, disse. O fato da região possuir grandes empresas com muitos funcionários que utilizam uniformes poderá ser a porta de entrada para esse grupo de costureiras. “Elas poderão se qualificar no sentido de produzir uniformes profissionais, gerando renda e empregos aqui na comunidade. Todos esses aportes de investimentos públicos contribuem para melhorar a qualidade de vida no meio rural do DF”, acrescentou. Rollemberg afirma que esses trabalhos de inclusão ajudam a afastar a criminalidade da comunidade. Hoje o grande problema que afeta a área rural é a questão da segurança. O deputado sugere que ela deve ser combatida com medidas repressivas e ao mesmo tempo com medidas de caráter social, criando oportunidades de trabalho, entretenimento e lazer para os jovens. “Com essas atividades e com o centro de inclusão digital nós estamos abrindo oportunidades para os jovens se ocuparem de forma adequada e de forma saudável, se livrando das drogas e de ficarem à toa”, ponderou. No núcleo rural do Capão Seco grupo de artesãs produz sabonete em barra e líquido, glicerina básica, essência, ervas entre outros materiais de higiene

e limpeza. Por falta de uma sede própria, o grupo, de 17 mulheres se reúne no salão da Paróquia São Sebastião. A falta de material e recursos dificulta o trabalho dessas mulheres, mas não há nada que tire delas a vontade de vencer e ver os produtos do grupo sendo comercializados. O grupo é novo, mas elas se preparam para expor nas exposições agropecuárias e feiras da região. Para a representante da comunidade e artesã, Maria Pereira Barbosa da Silva, que moram hà mais de 25 anos no Capão Seco, este trabalho representa uma conquista e perspectiva de qualidade de vida. “Estamos muito felizes com esta oportunidade. Recebemos o curso do Sebrae em 2009 e já estamos conseguindo caminhar sozinhas. Uma das necessidades da comunidade é a construção de uma creche para que possamos deixar nossos filhos e nos dedicarmos em tempo integral ao artesanato”, explica. Para o secretário de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, Joe Valle, o artesanato tem que ter qualidade para entrar no mercado, para que as pessoas se encantem com os produtos que são produzidos na área rural. “Por isso que o MCT e o Sebrae-DF firmaram essa parceria, para que esses grupos recebam cursos de capacitação e treinamento para produzirem produtos de primeira qualidade”, disse. Rollemberg explica que o objetivo desses grupos de artesanato é organizar essas mulheres e transformá-las numa associação com apoio na comercialização em feiras, para que elas possam conseguir recursos para dar continuidade ao projeto. “É um trabalho difícil, mas que só vem melhorar a qualidade de vida”.

■■ Reconhecimento

Ter o trabalho reconhecido é prazeroso, comenta Maria Salete Marinho Gonçalves, do grupo Semeando Flores. Moradora há sete meses do Núcleo Rural Café sem Troco e há cinco no grupo, ela comemora essa iniciativa do SebraeDF e agradece pela oportunidade de hoje ter o seu próprio dinheiro. O Núcleo possui cerca de 12 mil habitantes, mas o grupo só possui dez artesãs, que produzem chaveiros, arranjos para o cabelo, brincos, colares, broche, tudo produzido com palha de milho seca. “O empreendedorismo social trouxe para nós um mundo que desconhecíamos. No início, não vendíamos nada, agora, conseguimos tirar em uma semana cerca de R$ 800,00. Desse valor, a gente tira as despesas, mas mesmo assim sobra um pouco para cada uma”, disse Salete. O grupo se reúne toda segunda-feira no centro comunitário. Hoje, elas já possuem carteirinhas de artesãs para poderem comercializar os produtos. O Sebrae-DF oferece assistência para que estes grupos de artesãos sejam regularizados. Assim, fica mais fácil de conseguir recursos para que eles possam se desenvolver. O Semeando Flores já participou da Semana Farroupilha, da Feira Flor e agora se prepara para expor pela primeira vez na Agrobrasília. Joe Valle enfatiza que o momento é de levantar a autoestima da população e mostrar que não é só a política que movimenta o Distrito Federal. “O recurso público é importante. Temos ideia de dar continuidade a esses projetos para melhorar a vida da comunidade. Estamos trabalhando para aprimorar a qualidade e a comercialização”, complementou.


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empreendedorismo

Pesquisa revela que Sebrae está em primeiro lugar na promoção de educação empresarial

nota

O anuário Época Negócios avalia as 100 empresas de maior prestígio e aponta o Sebrae em primeiro lugar na área de educação empresarial Simone Cavalcante

N

o segundo ano da edição do anuário Época Negócios 100 – as empresas de maior prestígio no Brasil (2009/2010), o Sebrae foi reconhecido como a empresa de maior prestígio do Brasil no segmento da educação. A conquista do primeiro lugar tem origem no sucesso das micro e pequenas empresas que buscaram a capacitação e formação para o desenvolvimento de seus negócios nas unidades do Sebrae em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. No resultado geral, o Sebrae apareceu em 23º lugar. Entre as 100 marcas admiradas pelos pesquisados destacam-se a Petrobrás, Correios, Nestlé, Natura, Banco do Brasil, Honda, O Boticário. A pesquisa revelada pelo anuário foi criada para dar o termômetro de como os brasileiros avaliam grandes empresas.

Instituição privada sem fins lucrativos, em 2009 o Sebrae alcançou a marca de 20 milhões de consultas individuais, por telefone ou internet. Para incentivar e capacitar empreendedores para o êxito de seus pequenos negócios, foram oferecidos 65 mil cursos nos estados e no Distrito Federal, que buscaram atender 1,6 milhão de pessoas inscritas. Desse total, 277 mil empreendedores procuraram cursos pela internet e estudaram em 1.387 turmas on line. O incentivo à participação em cursos, palestras, workshops, seminários, caravanas e missões técnicas contribuiu de forma significativa para o Sebrae alcançar esse prestígio nacional. No Distrito Federal, a Unidade de Capacitação Empresarial ofereceu 200 cursos presenciais, que tiveram a participação de, aproximadamente, 5 mil pessoas. Além disso, Unida-

de de Orientação Empresarial oferece, diariamente, palestras gratuitas para a capacitação gerencial dos micro e pequenos empresários e empreendedores individuais ou candidatos a empresários. Os cursos da Unidade de Capacitação são planejados para ocorrerem na sede, mas projetos específicos atendem a solicitação de parceiros e também leva capacitação às áreas rurais da região e do Entorno. De acordo com a gerente da Unidade de Capacitação Empresarial do Sebrae no DF, Adriana Cerqueira Susarte, os cursos on line também têm excelente aceitação entre o público do Distrito Federal. “Em 2009 atendemos quase 10 mil pessoas em oito soluções disponíveis na internet. No Empretec, tivemos uma boa procura e realizamos 19 seminários com aproximadamente 500 participantes. Este ano, os interes-

sados no evento já podem preencher uma ficha de inscrição no site do Sebrae para marcar a entrevista”, explica Susarte. Ao comentar a premiação, a gerente da Unidade de Capacitação Empresarial do Sebrae no DF destacou que toda a unidade comemorou o resultado da pesquisa publicada no Anuário Época Negócios. “Ficamos muitos felizes e orgulhosos por fazer parte desta equipe. Considero um incentivo, uma recompensa e um reconhecimento ao nosso trabalho e, com certeza, fortalece a instituição junto ao nosso público alvo e também nos desafia a fazer cada vez melhor, concluiu.

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produtos & serviços

Neyfla Garcia

P

rodutores rurais do Distrito Federal e Entorno têm a oportunidade de contar com o apoio e os serviços da Cooperativa de Crédito Rural de Brasília (Sicoob Credibrasília). A instituição financeira tem por finalidade ajudar o agricultor em suas atividades econômicas. A ideia de montar uma instituição de crédito para o produtor rural surgiu em 1996, no âmbito do sindicato rural que hoje é a Federação da Agricultura e Pecuária do DF (Fape), e num momento crítico da agricultura nacional, em que havia crises, endividamento e as portas dos bancos se fecharam para a maioria dos produtores, conta Antonio Mazurek, presidente do Sicoob Credibrasília. Mazurek explica que o objetivo era criar um novo instrumento, próprio para atender o setor. “Fizemos uma viagem de estudos ao estado

de Minas Gerais para verificar a história e o posicionamento de cooperativas antigas que lá existem. Tínhamos que conhecer o serviço de uma, pois não tínhamos noção de como funcionava, muito menos no campo financeiro”, lembra. A cooperativa começou com muita dificuldade e apenas 62 associados acreditaram neste empreendimento. Ao longo dos anos mais pessoas aderiram à instituição, que hoje possui 1.200 associados. “Tivemos muitas dificuldades no início, porque as pessoas não acreditavam no nosso sucesso. Quando assumi a gestão, em 2001, tivemos que enfrentar duas assembleias com resultados negativos, mas surpreendentemente os ânimos não arrefeceram. Hoje, eu digo que o Sicoob Credibrasília é um case de sucesso”, ressalta Mazurek. O Sicoob Credibrasília possui quatro agências, que se localizam no Setor de Indústria e

Abastecimento (SIA), Programa de Assentamento Dirigido do DF (PAD-DF), Formosa (GO) e São João da Aliança (GO). Para este ano, a instituição pretende abrir uma unidade em Planaltina. Os serviços oferecidos aos produtores rurais são conta corrente, seguros, turismo, cheques, poupança, empréstimos, crédito rural e plano de saúde. Para o presidente da instituição, uma das maiores conquistas foi a implementação do plano de saúde para os cooperados, que hoje atende 700 vidas. “Nós assumimos uma fatura mensal, única do plano de saúde, e depois são rateadas entre as contas de cada associado. Isso nos permitiu manter o nosso compromisso com o plano de saúde e exigir, em troca, reciprocidade, um atendimento diferenciado para os nossos cooperados”, explicou. Mazurek comemora o último balanço realizado pela instituição, em que os cooperados

classificados 1 EMPREGOS

Lydia Costa

Credibrasília apoia produtor rural foram remunerados proporcionalmente ao que movimentam. Ou seja, para evitar a desvalorização do capital, é formado um fundo de reserva legal. As sobras, como chamam os lucros, ficam no Sicoob Credibrasília e retornam ao associado. “Cooperativa não tem lucro, tem sobras. Para dar um exemplo, sobrou para um associado, nesse último balanço, um retorno de R$ 26 mil. Então, é uma característica, um dos fundamentos de uma instituição de crédito como a nossa ,de caráter cooperativista, que o dinheiro retorne para os associados. Mais do que isso, ele circula na comunidade gerando mais riqueza e promovendo o desenvolvimento”, disse. Normalmente, para fazer parte do Sicoob Credibrasília o novo associado é indicado por um que já é. Mas a instituição está de portas abertas para receber novos cooperados. Cada produtor tem o direito de se associar, a cota mínima é de R$

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O presidente da instituição conta que dificuldades do começo não arrefeceram ânimo dos cooperados

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Tribuna Rural Fevereiro de 2010

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esporte e cultura futebol

música

Produtores rurais acreditam em possível Copa Rural

Dupla sertaneja mistura música típica com modelo universitário Há dois anos no mercado dupla aposta em estilo universitário e incentiva a cultura popular aos jovens do DF

Esperançosos com a Copa Rural, produtores enfrentam Cristalina e Paranoá nos próximos jogos divulgação / Acem-DF

lydia costa

Rodrigo Reis e Rafael apostam em sertanejo universitário

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á dois anos no mercado, a dupla sertaneja Rodrigo Reis & Raphael, especializada no estilo sertanejo universitário, conquista jovens de todo o Distrito Federal e Entorno. Com uma música dançante, mescla de músicas típicas com uma roupagem mais arrojada, eles atraem novos adeptos ao estilo sertanejo. Fomentando a cultura sertaneja, a dupla prevê o lançamento do primeiro CD ainda para o ano de 2010. Eles se conheceram em um barzinho. Entusiasmados com a qualidade musical um do outro, começaram ali a trajetória de sucesso da banda. No primeiro ano de estrada, a dupla Rodrigo Reis & Raphael conquistou espaço no cenário sertanejo em Brasília. Hoje se apresentam em grandes festas e nas maiores casas noturnas de Brasília, tais como Flamingo, Barril 66, Box

Acem-DF se organiza para participar de campeonato em Cristalina-GO Priscila Nascimento

J

á que a Copa Rural de futebol não saiu em 2009, produtores buscam alternativas em outros campeonatos para manter os times amadores, principal e master com uma frequência de competições. No mês de janeiro, o time da Associação Cultural Esportiva Master do Distrito Federal (Acem-DF), no Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-

DF), já competiu com times do Pipiripau e Unaí. E estão organizando a documentação para participar do Campeonato em Cristalina (GO) e no Paranoá. “Essa é uma das poucas oportunidades para integração e diversão dos produtores e trabalhadores rurais. Acreditamos que o governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria da Agricultura, invista no projeto da Copa Rural e incentive

ao esporte”, afirma Derci Cenci, tesoureiro e administrador das atividades esportivas da Acém-DF. Atualmente, o time da Acem-DF é formado por 25 atletas. O grupo iniciou o ano de 2010 com muita força. “Futebol, além de ser uma grande paixão nacional, é um dos esportes mais jogados na região. Lazer e diversão promovem integração entre as comunidades”, completa Cenci

16, Pamonhas e Batatas, Planeta Country. Segundo Rodrigo Reis, o espaço conquistado por eles já está consolidado. “Em pouco tempo de trabalho já temos um público fiel e com bom retorno. Trabalho é o que não falta. Até participamos do programa Domingão do Faustão com a ajuda do nosso público”, conta. Ele fala ainda da importância em fomentar a cultura sertaneja no público jovem. “Vendemos diversão e cultura, e é muito importante o trabalho que a música faz. É uma forma de beneficiar os jovens, não os deixando pensar bobagens e levando até eles um pouco da tradição do interior do país”, afirma Reis.

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artigo

Saneamento rural é tão importante quanto o urbano

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010, ano de eleição. Vamos ouvir falar em saneamento básico para promover a saúde e a melhoria da qualidade de vida da população e a preservação do meio ambiente por meio de distribuição de água, esgotamento sanitário, controle de vetores, resíduos sólidos e drenagem. O saneamento urbano tem soluções técnicas e economicamente mais viáveis que o saneamento rural, dada a distância entre as casas. Quando o governo local não age, o morador “dá o seu jeito” – abre uma cisterna, queima o lixo, despeja o esgoto no curso d’água, utiliza veneno para os animais indesejáveis em sua casa e ainda pode drenar brejos para aumentar a área útil de sua propriedade. Mas, sem orientação técnica ou supervisão do órgão municipal responsável, pode acabar fazendo errado. A questão é definir qual

é o papel do cidadão e qual é o do poder público. A água é importante para a saúde do homem e, no meio rural, para garantir autossuficiência econômica da propriedade. Entretanto, é preciso que as pessoas se conscientizem sobre o consumo da água da sua propriedade em benefício próprio e de toda a sociedade. Cabe à zona rural a importante tarefa de preservar as nascentes e não contaminar os cursos d’água com despejo de esgoto, lixo e pesticidas, afinal, a qualidade dos recursos hídricos está diretamente relacionada com a saúde da população que os consome. Na área rural, a coleta e tratamento do esgoto sanitário devem ser realizados por uma barreira sanitária própria, que pode ser uma fossa seca ou outro tipo de latrina, para impedir o contato do homem e animais com

o esgoto e também a transmissão de doenças e contaminação do solo e da água. Mas as prefeituras encontram dificuldade em convencer as pessoas a usar e a manter a latrina. O lixo orgânico não é a grande preocupação na zona rural. Por outro lado, os resíduos sólidos e sanitários, como as embalagens e lixo de banheiro, não têm destinação adequada na zona rural. Pequenas comunidades rurais podem se organizar para armazenar o lixo e solicitar à prefeitura uma coleta semanal no local. Nunca queime o lixo, pois alguns materiais liberam gases tóxicos quando queimados e um descuido pode originar um incêndio. Saneamento só funciona quando a infraestrutura da prefeitura atua em conjunto com hábitos conscientes da população.

divulgação

Júlia Nunes

Graduanda em Engenharia Ambiental - UFV Diretora de Projetos da Ambiental Jr


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variedades culinária

COMO Criar

Galinha caipira: custo baixo e grandes benefícios

Galinhada Caipira ingredientes •  banha de porco •  2 cebolas médias picadas •  salsinha e cebolinha picadas (ou cheiro-verde) •  ervilha •  palmito •  milho •  alho picado •  pimenta •  arroz •  galinha em pedaços

preparo Coloque a cebola na panela e espere dourar. Coloque a galinha no mesmo recipiente. Agora, é a vez do cheiroverde, do palmito, da ervilha e do milho. Deixe a galinha cozinhar com os temperos. Quando chegar no ponto, misture o arroz e aguarde com a panela tampada pela metade. Aguarde o arroz ficar pronto e bom apetite!

priscila nascimento

Priscila Nascimento

P

roteínas de origem animal são componentes indispensáveis para uma boa alimentação e deveriam fazer parte da dieta de todas as pessoas. No caso das galinhas caipiras, além de serem animais de fácil criação, ocupam pouco espaço e com pouco dinheiro é possível iniciar uma criação suficiente para abastecer uma família e vender o excedente de ovos e aves. Nesta edição do Tribuna Rural, mostraremos uma atividade simples e de fácil manejo.

■■ O início da criação

fonte: Mais Você divulgação

internacional

Frutas brasileiras conquistam países árabes O Projeto Brazilian Fruit, iniciativa do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf ) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil), leva empresários de frutas frescas e processadas do Brasil para a Gulfood, maior evento do setor, que ocorre em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, de 21 a 24 de fevereiro. A participação na feira é impulsionada pelo aumento das exportações brasileiras no ano de 2009 para a região. De acordo com dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, os países árabes foram responsáveis pela importação de mais de US$

9,31 milhões em frutas frescas e US$ 21,46 milhões de frutas processadas, crescimento de 8,4% e 30,2%, respectivamente, em comparação ao ano anterior. Os principais países compradores são Líbano, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Argélia e Kuwait, e entre os produtos preferidos estão citrus, mangas, uvas e maçã fresca, além de nozes, polpas de frutas e castanha do Pará e de caju. Uma das apostas para o evento, no entanto, é a promoção de produtos ainda exóticos para o paladar internacional, como carambola, caqui, castanha do Pará e suco de uva 100% integral. Fonte: S2 Comunicação Integrada

As galinhas de raça ou de linhagens puras são as que produzem mais e melhor e dão mais lucro, entretanto, são também as que requerem mais cuidados. Escolher raças mais resistentes e rústicas favorecem na criação, pois elas exigem menos cuidados e têm maior resistência para criação ao ar livre. Para comprar os animais, caso se optar por pintinhos com um dia, deve-se adotar cuidados especiais para se evitar mortes, especialmente por falta de calor. Já com aves adultas certifique-se se elas foram vacinadas e vermifugadas. Pode se iniciar com qualquer número de animais. ■■ A escolha do local e a montagem do galinheiro

O local onde será instalado o galinheiro deve ser plano ou com pouca declividade e sombreado. Como as galinhas serão criadas soltas é necessário a construção de um cercado. O espaço para o cercado será de acordo com o número de animais. Cada ave adulta precisa de 3 m² de área. É importante que haja grama ou capim plantados nessa área para que as aves possam complementar a alimentação. Caso não tenha grama ou capim, recomenda-

Galinhas caipiras são de fácil criação e exigem investimento baixo e pouco espaço

se cortar o capim de outro local, picá-lo e colocá-lo dentro do cercado. O galinheiro é muito importante, pois é onde as galinhas terão a proteção contra a chuva e o sol e permanecerão durante a noite. Nele serão instalados os ninhos, os poleiros, os comedouros e os bebedouros. Esse local deve ser protegido contra ventos e umidades, grandes responsáveis pelo aparecimento de doenças. A altura do pé-direito do galinheiro deve ser de, no mínimo, 2,5m, e não há necessidade de paredes laterais. Já o piso deve ser cimentado, para ser mantido liso, uniforme e limpo. ■■ A alimentação dos animais

Os pintinhos só devem ser alimentados 24h após o nascimento. No primeiro dia, a dieta deles deve ser constituída somente de água e açúcar. No segundo dia podem ser colocados os comedouros com ração. Já para os adultos deve se fazer

uma alimentação balanceada com grãos, alimentos verdes e minerais. O elemento mais importante na alimentação da galinha é o mineral, pois a casca dos ovos é constituída, basicamente, de cálcio. Se os alimentos (grãos e alimentos verdes) não tiverem a quantidade necessária, é preciso uma suplementação mineral para as aves. Uma boa mistura pode ser composta de 42% de fosfato natural, 57% de calcário e 1% de sal comum. A textura e o sabor da carne variam de acordo com a alimentação que as aves recebem. ■■ Galo: o macho do galinheiro

Um dos requisitos mais importantes numa criação caseira de aves é o que galo que deve ser novo (no máximo dois anos), sadio, forte e de preferência filho de uma galinha boa poedeira de ovos. Um galo nessas condições é suficiente para 10 galinhas. Fonte: Cartilha Vamos criar Galinhas?, da Emater-DF

a gente só pensa no café que você bebe. Marilena (61) 3339-6573 / 9973-3641 Neiva (61) 8552-0927 Teresinha (61) 8495-5798

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variedades Censo 2010 terá início em agosto Começa em 1º de agosto de 2010 o retrato em extensão e profundidade da população brasileira, o Censo Demográfico 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Censo é realizado a cada 10 anos e é a mais consistente operação estatística do país, em que todos os domicílios fixados em território nacional são visitados. A divulgação dos resultados do estudo está prevista para dezembro. Para realizar o mapeamento, o Instituto vai contratar cerca de 240 mil pessoas para as funções de analistas censitários, agentes

censitários e recenseadores. No DF, há 3,2 mil vagas, das quais 2,8 mil para recenseadores. O edital deve ser publicado na primeira quinzena de fevereiro. O IBGE ressalta que é fundamental a disposição da população em receber o recenseador e responder ao questionário da pesquisa. É a partir das informações produzidas que governos, empresas e acadêmicos planejam seus estudos e ações para os próximos anos. Todas as informações coletadas no Censo terão caráter sigiloso e serão usadas exclusivamente para fins estatísticos, e

HUMOR Deus está olhando: As crianças estavam na fila da lanchonete de uma escola católica, na hora do almoço. Na cabeceira da mesa havia uma pilha enorme de maças. A freira escreveu o seguinte bilhete e colocou na pilha: “Pegue apenas UMA. Deus está olhando”. Na outra cabeceira da mesa, estava uma pilha de biscoitos de chocolate, em que Joãozinho escreveu: “Pegue quantos você quiser, Deus está olhando as maças”.

As sogras Dois amigos estavam conversando de assuntos familiares quando um deles diz: −− Já morreu três sogras de minha família! O Outro amigo curioso pergunta: −− Me diga como a primeira morreu? −− Bom, era uma tarde de domingo e ela comeu comida envenenada! O outro amigo fica triste, mas ainda fica curioso e pergunta: −− Como a segunda morreu? −− Bom, era uma tarde de sábado e ela novamente comeu comida envenenada! O outro amigo mais curioso ainda pergunta da terceira e ele diz: −− Ela morreu a paulada! E o outro amigo diz: −− Porque ela morreu a paulada? −− È porque ela não quis comer comida envenenada!

O Tombo O filho e a filha chegaram em casa machucados depois de um passeio ao zoológico. A mãe aflita, perguntou a filha: −− O que aconteceu? −− Eu cai quando tentava subir em uma árvore - respondeu a menina. A mãe cobra o filho: −− E você, por que esta machucado? −− Eu ri do tombo dela!

em nenhuma hipótese serão visualizadas por pessoas estranhas ao serviço censitário. Os recenseadores serão identificados por colete, crachá e computador de mão. Além disso, no período da coleta, o IBGE ofertará um serviço de consulta gratuito para que a população possa confirmar a identidade do recenseador que visitará o seu domicílio.

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variedades saúde

Casos de suspeita de dengue aumentam 72% A Organização Mundial da Saúde estima que 20 mil pessoas contaminadas morram em conseqüência da dengue no mundo

Dicas de combate ao mosquito e os focos de larvas

Fabrízio Pensati

Priscila Nascimento

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omo um dos principais problemas de saúde pública no mundo a dengue infecta entre 50 a 100 milhões de pessoas anualmente, em mais de 100 países. No Distrito Federal, os dados parciais de 2010 apresentaram um aumento de 72% dos casos notificados em relação ao mesmo período de 2009. Já são 141 casos suspeitos de dengue, com 20 infecções confirmadas. Dentre elas, 17 ocorreram dentro do Distrito Federal e apenas três em outras unidades federadas. Segundo o subsecretário de Vigilância de Saúde da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Alan Kardec Napoli, o controle da transmissão do vírus da dengue se dá essencialmente pelo âmbito cole-

tivo e exige um esforço de toda a sociedade. “A campanha deve ser permanente, cada cidadão deve fazer a parte que lhe cabe. Se um não fizer a parte que é de sua responsabilidade, o risco é oferecido a todos”, explica. Ele fala ainda que a Guarda Nacional foi soli- Aparentemente inofensivo o mosquito da dengue se reproduz facilmente em locais com citada para o au- água parada xílio à campanha ma para se combater o pio, o órgão responsável e à prevenção. “Fazemos mosquito Aedes Aegypti, deverá ser comunicado. um trabalho de casa em transmissor da dengue, é Poderão ser executadas casa, conscientizando e que a reprodução do in- medidas de controle como combatendo o mosquito, seto ocorre em qualquer o uso de inseticidas aplicamas precisamos da ajuda recipiente utilizado para dos pelo carro-fumacê ou da sociedade, não adianta armazenar água, tanto em nebulização. nada nos empenharmos se áreas sombrias como ensoa comunidade não contri- laradas. Em caso de uma Serviço buir”, salienta Kardec. epidemia de dengue numa Posto de atendimento: 3341.1682 O grande proble- comunidade ou municí-

(61)3501.0526 / 9968.0219 / 8162.9969 contato@rsflorestal.com.br www.rsflorestal.com.br Viveiro credenciado no Registro Nacional de Sementes e Mudas - RENASEM do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA.

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Como evitar a picada do mosquito É recomendado o uso de repelentes, mosquiteiros e telas protetoras nas janelas.

Sintomas Caso ocorra a picada, os sintomas aparecerão no 3º ou 4º dia. É importante ficar atento aos seguintes sintomas: febre alta, dores de cabeça, dores atrás dos olhos, perda do paladar, manchas e erupções na pele semelhantes ao sarampo, náuseas e vômitos, tonturas, extremo cansaço, moleza e dor no corpo, ossos e articulações. Ao observar os primeiros sintomas, deve-se buscar orientação médica no posto de saúde mais próximo.

Produtores estão usando mais fertilizantes nesta safra, diz diretor do Mapa

Núcleo Rural Santos Dumont, Chácara 45 Planaltina/DF - DF-250 Km 21 à esquerda

Apiário dos Sonhos

• Manter a caixa d’água sempre fechada • Remover resíduos que possam impedir a água de correr pelas calhas • Não deixar água acumulada • Lavar tanques e reservatórios de água • Encher de areia vasos e pratos de plantas, entre outros.

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Previsão do ministério aponta crescimento de 5% na venda do insumo neste ano. “Deve ocorrer um aumento da entrega de fertilizantes em 2010 em decorrência da redução dos preços desses produtos nos últimos meses”, disse, o diretor de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Araújo. Ele comentou os números divulgados pelo setor, durante a reunião da Câmara Temática de Insumos Agropecuários, em Brasília (DF), que tem uma expectativa de crescimento de 5% na venda de fertilizantes este ano. O diretor do Mapa explica, ainda, que o crescimento da entrega desses produtos está relacionado à ampliação, nesta safra, do uso de tecnologia na aplicação de fertilizante nas lavouras, o que resulta em maior produtividade. “Além disso, o governo tem aumentado o apoio à comercialização dos produtos agrícolas, demandando maior uso de fertilizantes”, completa. No ano passado, de janeiro a outubro, as vendas ao consumidor alcançaram 19,07 milhões de toneladas, contra 20,2 milhões de toneladas registradas em 2008. “Os produtores anteciparam as compras para garantir suprimentos e evitar o impacto da taxa cambial”, informou o presidente da Câmara, Cristiano Walter Simon.

De acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), as importações de fertilizantes diminuíram de 15,4 milhões de toneladas em 2008, para 11,01 milhões de toneladas em 2009 e a produção, nos dez primeiros meses do ano passado, foi de sete milhões de toneladas. ■■ Defensivos

O mercado de defensivos registrou R$ 12,8 bilhões nas vendas em 2009, 1% menos que em 2008, R$ 13,05 bilhões. No segmento de herbicidas, o destaque foi para o crescimento nos mercados de milho safrinha, pastagem, arroz, café e fumo; já os fungicidas, sobressaíram nas culturas de soja, feijão, batata e tomate, enquanto os inseticidas, em soja e milho safrinha. ■■ Calcário

A produção brasileira de calcário foi de 19,3 milhões de toneladas em 2009. A expectativa é que, em 2010, chegue a 23,7 milhões de toneladas. “Um grupo de pesquisadores da Embrapa vai elaborar levantamento da demanda de calcário no Brasil. Assim, vamos estabelecer campanhas de emprego de calcário, que é fundamental para a agricultura”, explicou Simon. Fonte: Mapa

Ciência para a vida será em abril Há mais de sete anos que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) organiza a Exposição de Tecnologia Agropecuária – Ciência para a vida. Nesta edição, que ocorrerá de 24 de abril a 2 de maio, são esperados mais de 55 mil visitantes em um espaço com mais de 6 mil m², que abrigará espaços lúdicos e interativos para mostrar novas tecnologias, uma vitrine de 30 mil m² em homenagem aos 50 anos de Brasília, e ainda espaço voltado para rodadas de negócios, entre outros. Outro destaque é a homenagem aos 150 anos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com ênfase nas ações de pesquisa e seus impactos na história da Agricultura.

serviço Local: Sede da Embrapa - Parque Estação Biológica no final da W3 Norte - Brasília - DF - De 24 de abril a 2 de maio de 2010 Horários: segunda a quinta-feira das 10h ás 20h, sexta-feira a domingo das 10h ás 22h - informações: cienciaparavida2010@embrapa.br ou (61) 3448-4207


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turismo

Jardim Botânico: opções de lazer e contato com a natureza Com 500 hectares para visitação, parque é alternativa no Distrito Federal para manter contato mais próximo com a natureza Priscila Nascimento

Priscila Nascimento

A

Priscila Nascimento

cada dia, mais moradores do Distrito Federal e E0ntorno buscam alternativas para o turismo. Uma alternativa próxima, acessível e com contato direto com a natureza é o Jardim Botânico de Brasília. A unidade de conservação ambiental ligada à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano conta com 500 hectares para visitação e 4,5 mil hectares de Reserva Ecológica destinada à pesquisa e à preservação do Cerrado.

4 km de trilhas pavimentadas oferecem mais mobilidade aos visitantes

Quem visita o Jardim Botânico encontra espaço para piqueniques, parques infantis, além da Biblioteca da Natureza, espaço reservado para atividades lúdicas e aberta para um jardim com livros e brinquedos. Caminhar pelas trilhas ou descansar debaixo das árvores são oportunidades que o visitante tem para relaxamento, lazer e aprendizado. Outros espaços que também podem ser visitados são o Jardim Sensorial, com plantas e árvores aromáticas; o Espaço de Exposições reservado para feiras, saraus e shows; a Recepção ao Visitante, com cartilhas ilustrativas; o Jardim Evolutivo; a Casa de Chá; o Lago e o Orquidário. To d a s as atividades propostas pelo parque têm como principal objetivo a conscientização e a preservação da nature-

O Jardim Botânico recebe cerca de xx visitantes por mês

za. Uma delas é o Programa de Educação Ambiental, voltado para o público infantil. Por meio de brincadeiras e teatro, os agentes ensinam o amor à natureza. Para manter toda a estrutura funcionando, o Jardim Botânico de Brasília tem uma equipe composta por cientistas e educadores, um corpo técnico e administrativo, além de parceiros culturais para ajudar a promover exposições, espetáculos e outras atividades oferecidas ao público. Todos os visitantes têm acesso a folders, livretos sobre conservação e o mapa ilustrativo do parque.

■■ Caminho das trilhas

Todo o percurso disponível para visitações é pavimentado e pode ser percorrido de carro ou a pé. Caminhando pelas trilhas é possível avistar espécies nativas do Cerrado como o barbatimão e a sucupira, com placas que identificam cada espécie. Também podem ser vistos pequenos animais, além de pequenos cursos d’água. Quem caminhar até ao mirante pode ver os 4,5 mil hectares de área preservada. Esta área é acessível somente a pesquisa-

dores credenciados e à equipe técnico-científica do Jardim Botânico. Ao caminhar pela trilha ecológica o visitante tem a visão de uma natureza resguardada.

Serviço O Jardim Botânico está localizado no Lago Sul – no Setor de Mansões Dom Bosco. Os portões são abertos de terça-feira a domingo às 7h30 para caminhadas gratuitas e às 9h para visitação mediante taxa de preservação de R$ 2,00 por pessoa. Menores de 10 e maiores de 60 anos têm isenção da taxa.

orgânicos Secretaria fiscalizará composto orgânico de lixo no DF Foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), no dia 12 de janeiro, a resolução que irá regulamentar a produção, distribuição e aplicação do Composto Orgânico do Lixo (COL) na agricultura. Além da elaboração das normas é a Secretaria de Desenvolvi-

mento Urbano e Meio Ambiente do DF será responsável pelo cadastramento dos produtores, a fiscalização da distribuição e do uso do COL. O lixo utilizado para a fabricação do COL é predominantemente doméstico e processado nas usinas de tra-

tamento de lixo. O transporte deve ser realizado em veículos apropriados e com cobertura na carroceria. A aquisição do produto pode ser feita no Serviço de Limpeza Urbana (SLU), por R$ 27 a tonelada. O composto, por ser um bom adubo, pode ser utiliza-

do no florestamento, reflorestamento e na recuperação de áreas degradadas. “Em Áreas de Preservação Permanente (APP) e em Áreas de Proteção de Mananciais (APM) o uso está vetado, pois pode contaminar a água desses locais”, explicou Júlio Moretti, enge-

nheiro agrônomo do Núcleo de Proteção e Reabilitação Ambiental da Seapa-DF. Outras proibições para o uso do composto orgânico de lixo são o cultivo de tubérculos, como as batatas, e nas raízes da mandioca, pois o COL poderá causar a contaminação.

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meio ambiente

Fazenda Sálvia é o centro de embate entre ocupação e preservação Parte da fazenda Sálvia, em Planaltina, foi doada ao Incra para o assentamento de famílias de trabalhadores rurais Priscila Nascimento

Dâmares Vaz

A

diretoria da Escola Técnica Federal de Brasília (ETF) – antigo Colégio Agrícola – está preocupada com a instalação de trabalhadores rurais pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em uma fração da fazenda Sálvia, em Planaltina, Distrito Federal. O problema é que a gleba é uma Área de Preservação Ambiental que abriga nascentes e vegetação nativa do Cerrado. De acordo com a diretora do campus da ETF, em Planaltina, Ivone Moreyra, os assentados estão nas áreas mais sensíveis da Sálvia. Ela analisa que uma das soluções seria deslocá-los para um local ambientalmente menos sensível. “A escola usa a fazenda há 50 anos e sempre trabalhamos para que fosse preservada, com a manutenção da vegetação nativa. A propriedade é usada por alunos, professores e pesquisadores para trabalhos acadêmicos e estudos ambientais.” A fazenda Sálvia tem 10,787 mil hectares, está inserida na Área de Preservação Ambiental de São Bartolomeu e abriga

nascentes da microbacia do córrego do Arrozal. As terras são da União. Parte da gleba foi usada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para pastagens experimentais. Mas o órgão de pesquisa assinou um termo de compromisso com a Superintendência de Patrimônio da União (SPU) em que se comprometia a ceder áreas da Sálvia. Em contrapartida, a SPU faria a transferência e doação das outras áreas tradicionalmente ocupadas pela Embrapa. Em abril de 2009, a SPU transferiu ao Incra 760 hectares da gleba para fins de reforma agrária. O órgão de colonização esclarece que tão logo recebeu o termo de transferência do domínio das terras, foi constituída uma comissão técnica para fazer o relatório de viabilidade ambiental da área doada. “O documento concluiu que 77% da área estão inseridos em uma zona de vida silvestre, portanto incompatíveis com projetos de assentamento”, explica o superintendente regional do Incra, João Batista. Excluídas a zona de vida silvestre, a reserva legal e a Área de Preservação Permanente (APP),

restaram 123 hectares para assentar 240 famílias de três movimentos de trabalhadores rurais. “Mas a área que ficou disponível e sem problemas de restrição ambiental não comporta todas as famílias. Estamos negociando com Embrapa e com a SPU para que mais imóveis na gleba Sálvia sejam destinados para o restante das famílias. A SPU até prometeu mais terras”, diz o superintendente. ■■ Projeto de ocupação

Uma das questões que a ETF enfatiza é a elaboração de um plano de utilização para o Assentamento de famílias de trabalhadores rurais tem causado preocupação assentamento. Também desta- a instituições que tradicionalmente ocupavam a Sálvia ca que seria fundamental um queremos que haja pelo menos plano de utilização que contemtrabalho de capacitação, treinamento e educação ambiental um projeto de ocupação, o que ple o aproveitamento racional até agora não conhecemos.” e adequado do bem público, com os trabalhadores rurais. O superintendente regional respeitando os recursos naturais A diretora da escola, Ivone Moreyra, afirma que a institui- do Incra contesta. Ele explica existentes e observando a legisção está disposta a oferecer assis- que no termo de transferência lação ambiental de regência, a tência técnica, de forma a capa- de domínio há uma cláusula que cargo dos respectivos movimencitar os trabalhadores rurais para estabelece a apresentação de um tos sociais que também poderão que usem técnicas conservacio- projeto de utilização. “Isso foi contar com o auxílio e as orientanistas e sustentáveis. “A posição um acordo e imposição da SPU. ções da Escola Técnica Federal.” da reitoria é a seguinte: respei- A sexta cláusula do documento Batista complementa que dois tamos o MST e somos sensíveis diz que o assentado é obrigado movimentos já apresentaram à causa da reforma agrária. Mas a apresentar um anteprojeto ou projetos de ocupação da área.

DF ganha mais dois Comitês de Bacias Hidrográficas Os decretos de criação dos Comitês de Bacias Hidrográficas dos rios Preto e Maranhão e de alteração da área de atuação do Comitê da Bacia do Paranoá, que agora recebe o reforço das bacias dos rios Corumbá, Descoberto, São Bartolomeu e São Marcos, foram publicados em 18 de janeiro no Diário Oficial do DF. Os Comitês de Bacias são instrumentos de gestão

que permitem a descentralização das decisões e a ampla participação da sociedade. Por meio deles é possível controlar, regular e fiscalizar a quantidade e a qualidade dos corpos hídricos do DF rumo ao uso racional da água em suas múltiplas possibilidades. De acordo com a Agência Reguladora de Águas e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), a manu-

tenção dos cursos de água locais exige ampla mobilização do governo e sociedade civil organizada, como ONGs e usuários. Os membros dos comitês (representantes do governo, de usuários e da sociedade civil) serão eleitos até 15 de março, quando será escolhida a primeira diretoria. A posse será em 22 de março, Dia Mundial da Água.

Agricultores recebem mudas para recuperação da Bacia do Pipiripau Produtores do Núcleo Rural Pipiripau, em Planaltina, recebem da Secretaria de Agricultura do DF (Seapa) 15 mil mudas de árvores nativas para plantio na Bacia do Pipiripau. A ação começou em 7 de janeiro e faz parte do programa Reflorestar. A ideia é que os agricultores usem as plantas para recuperar as áreas de preservação permanente (APP) de suas propriedades. Sete agricultores do Núcleo que enfrenta problemas de dispo-

nibilidade de água para irrigação já receberam mudas. Eles assinaram um termo de responsabilidade quanto ao plantio e bom desenvolvimento das árvores. A Bacia do Pipiripau é alvo ainda de outra ação que visa a recuperação de suas nascentes e o aumento da disponibilidade hídrica – o programa Produtor de Água, da Agência Nacional de Águas (ANA). O projeto está na fase final de elaboração de diagnóstico.

Tribuna Rural 10 - Fev2010  

Edição 10 do jornal Tribuna Rural

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