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OPINIAO

TRIBUNAINDEPENDENTE

MACEIÓ - SEXTA-FEIRA, SÁBADO E DOMINGO 21, 22 E 23 DE ABRIL DE 2017

Opinião

Ditadura contra índios

A

ditadura continua para os índios, segundo disseram os convidados da audiência pública sobre a agressão aos direitos dos povos indígenas no período do governo militar no Brasil. Promovida na quinta-feira (20), pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), em razão do Dia do Índio, celebrado em 19 de abril, a audiência mostrou dados sobre essa agressão contidos no livro “Os fuzis e as flechas – História de sangue e resistência indígena na ditadura”. O trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que investigou os crimes da ditadura, foi superficial em relação aos povos indígenas. O Brasil ainda precisa consolidar o respeito aos direitos desses povos.O cacique da etnia Xetá, no Paraná, Claudemir da Silva, contou que, na década de 1940, por causa da expansão do café, a etnia Xetá foi dizimada e de 2.800 índios, apenas 10 sobreviveram. Ele afirmou que ainda hoje seu

povo luta para adquirir um pequeno pedaço de terra e que são contestados em seu direito com a afirmação de que sua etnia não existe mais. Há um grupo de trabalho no Ministério Público Federal instituído para identificar as violações ocorridas com os povos indígenas na ditadura. O MPF criticou uma nota do Ministério da Justiça, dizendo que não demarcará mais terras indígenas porque já são 13% de terras demarcadas para 0,4% da população brasileira. A estimativa mais baixa, segundo o autor do livro José Rubens é de houve 1.278 mortes de indígenas durante esse período, mas pode ter havido mais de 8 mil. Ele deu várias informações sobre índios isolados, que, quando o Exército resolveu transferi-los, acabaram morrendo por doenças ou condições de precariedade. O Estado brasileiro deveria pedir desculpas aos povos indígenas, algo que até hoje se recusa a fazer.

RENAN CALHEIROS Líder do PMDB no Senado

Delações sem contrapesos O jurista e jornalista Rui Barbosa, em uma conferência sobre a Imprensa e o Dever da Verdade editada na década de 20, afirmou que “a imprensa é a vista da Nação. Uma vida sem vista, é uma vida no escuro, é a morte em vida”. A imprensa livre, democrática e compromissada com a ética é a garantia de uma sociedade suficientemente informada para formar opiniões e julgamentos justos. O compromisso de informar é irmão siamês da responsabilidade. E a responsabilidade caminha necessariamente atrelada a um jornalismo sério, livre e ciente de que o princípio de pesos e medidas deve nortear a forma como os fatos são abordados. Rui Barbosa alertou que quando a imprensa falha, “em vez de ser os olhos, por onde se lhe exerce a visão, ou o cristal, que lha clareia, é a obscuridade, onde se perde, obstando-lhe a notícia da realidade, ou não lha deixando senão adulterada, invertida, enganosa”. Nas últimas semanas, vivi as consequências de algumas dessas falhas. Por força de mais um vazamento criminoso ao longo das investigações da Lava Jato, foram tornadas públicas as delações de mais de setenta executivos da Odebrecht, cujas palavras criaram uma tormenta no noticiário

e uma criminalização da política, sem distinções e contrapesos. Meu nome aparece em alguns desses depoimentos. E isso foi exaustivamente lembrado pela imprensa. Algo comum para um homem público, não fosse a abordagem seletiva feita por setores da imprensa, omitindo o contexto em que os delatores se referiam a mim. A ressalva de que nunca fui a encontros e que não trataram absolutamente nada comigo aparece inúmeras vezes nos depoimentos gravados, mas não nas reportagens sobre o assunto ou nos trechos selecionados para divulgação. É preciso assistir a todos os registros audiovisuais disponíveis para contextualizar as citações corretamente. Além disso, há ainda uma tentativa desesperada dos delatores –que tentam auferir regalias -, em fazer conexões absurdas entre atuação parlamentar e o financiamento legal das campanhas políticas. Um exemplo disso é a relação entre meu apoio à MP 579/12, que estendia o prazo de fornecimento de energia para as empresas eletrointensivas do Nordeste, e a doação eleitoral feita para a campanha do governador Renan Filho dois anos depois. Apoiei a proposta porque o aumento do custo energético poderia fechar empresas, aumentar o desempre-

go e reduzir a arrecadação dos estados nordestinos. Como senador, é meu dever atuar em defesa dos interesses de Alagoas e do Nordeste e foi isso que fiz. A proposta foi aprovada em 18 de dezembro de 2012 pelo Senado. Em 2014, o então deputado federal Renan Filho foi candidato ao governo e recebeu doações para a campanha de algumas empresas, entre elas, a Braskem. Uma doação legal, declarada, como prevê a Lei Eleitoral. Que relação teria isso com meu apoio, anos antes, a uma proposta que interessava ao meu Estado? Para qualquer pessoa disposta a estabelecer a conexão de fatos, fica evidente que não há relação alguma. Mesmo assim, serei investigado por isso. Em outros casos em que meu nome aparece, os delatores fazem apenas deduções. Dizem “ter entendido” que terceiros falavam e negociavam em meu nome e, por isso, “teriam concluído” que eu seria beneficiário de repasses ilegais. Percebo que há graves omissões nos termos de declarações, quando comparados ao teor integral do que os delatores dizem sobre mim. Se a imprensa é, como bem disse Rui Barbosa, a vista da Nação, não dá para negar o fato de que a sociedade tem enxergado a política de forma turva e generalizada. Quem ganhará com isso?

PE. MANOEL HENRIQUE DE MELO SANTANA Vigário episcopal de Maceió

Neste lugar, está faltando Ele! Primeiramente, louvamos as iniciativas tomadas para a celebração dos 200 anos de Alagoas. Rica e diversificada, digna de ser acompanhada por nosso povo, avaliada e que deve ser assumida em seus vários desafios. Como na melodia “Naquela mesa, está faltando ele”, também por aqui eu me lembrodos aspectos religiosos que geraram uma Alagoas de muitos rituais, festas e celebrações e que estão faltando.Por aqui os santos dão nome aos vários logradouros e instituições. O calendário alagoano é sobretudo religioso, de janeiro a dezembro. Estas festas são portadoras de muitas tradições históricas, trazidas pelos portugueses ou mesmo advindas com os negros, sem faltarem as tradições nativas, que ainda hoje são buscadas. A religião é o suspiro da alma humana, conexão misteriosa com as divindades, necessidade fundamental de todo ser humano. Ninguém haverá de negar a importância vital e cultural das religiões. Alagoas inteira respira essa realidade de muita riqueza e diversidade, presente em todos os aspectos da vida. Muitas lendas surgiram desse rico cenário, certamente, substrato religioso e cultural de nossa história. Figuras históricas daqui e d‘alhures, beatos e beatas, sacerdotes, homens e mulheres, religiosos das religiões africanas, pastores e pastoras. Por acaso, o Beato Franciscano nunca existiu? E as nossas Igrejas, algumas tricentenárias? As capelinhas dos engenhos e dos sítios e fazendas? Por acaso, podemos esquecer em Alagoas as Escolas Paroquias, além dos Colégios da Campanha, que Padre Teófanes foi implantando nos vários municípios de Alagoas? Ou ainda podemos esquecer os Educandários e Orfanatos para os estudantes do interior, mantidos pela Igreja? Os Colégios Santíssi-

INDEPENDENTE Rua da Praia, 134 - sala 303 - centro - Maceió Alagoas Endereço Comercial: Av. Menino Marcelo - 10.440 - Serraria Maceió - Alagoas - CEP: 57.083.410 CNPJ: 08.951.056/0001 - 33

Jorgraf

Cooperativa de Produção e Trabalho dos jornalistas e gráficos do Estado de Alagoas

cadores, ajudava a alfabetização do povo interiorano. Os militares fecharam a onda tropical da Rádio e o MEB funcionou com restrições. A Ação Católica, chegada da Europa, aqui foi acolhida ereunia as várias classes sociais, desde os camponeses, aos estudantes e universitários, sem deixar de fora os operários. Aqui foram fortes a JOC (Juventude Operária Católica) e os Círculos Operários. Vários padres orientavam os Círculos Operários,a exemplo de Padre João Pinho que mantinha um orfanato masculino, em Juvenópolis, Bairro de Bebedouro,além disso era o assistente religioso da JUC (Juventude Universitária Católica). Esse Estado conhece santeiros, a riqueza musical de nossas melodias, o cantar penitencial das romarias e tantas outras artes, elementos constantes e permanentes em nossa cultura. As Santas Missões não são esquecidas pelo povo que ainda canta seus benditos. Religioso é também o rico, alegre e vistoso folclore alagoano, especialmente, em torno das celebrações do Natal e São João, presentes em todo o Estado, e estudado por grandes intelectuais pertencentes à Escola de Viçosa. Impressiona-me neste momento o risco de descarte do Ensino Religioso nas bases de nossa educação, inserido não só no pacote ‘moderno’ de país laico, para disfarçar todo um projeto ateu, fruto de um radical movimento radical de um secularismo, devastador chegando por aqui, depois de muito tempo na Europa. A proposta é que o Cesmac, em parceria com outras instituições, assuma realizar um Seminário de repercussão intelectual, científica e cultural que sirva de resgate histórico dessa realidadereligiosa em Alagoas, a fim de que Ele volte e participar da mesa de todos os alagoanos.

INOCÊNCIO NÓBREGA Jornalista. inocnf@gmail.com

Briga nos céus Outrora os Céus, para quem desejasse se fixar, eternamente, num lugar de absoluta calmaria, fugindo à violência da terra, e por que não dizer, do Brasil, nada melhor do que lá. Bom que não precisa de passaporte, tampouco pedágio, pois essa viagem é sem volta, podendo seguir pela estrada do além. Único documento exigido é o salvoconduto de uma vida limpa, aqui na terra. Nos últimos tempos o fluxo tem diminuído bastante, por fatores que não nos cabem discutir. Apesar de toda divulgação sobre as excelentes qualidades de morada no reino celeste, as notícias que nos chegam é de que a tranquilidade, ali, vem sendo quebrada, e o pivô disso é a seca no nordeste. Depois da inauguração popular, pelos presidentes Lula e Dilma Rousseff, da transposição das águas do “Velho Chico”, S. José e S. Francisco não param de trocar farpas. Pior, que S. Pedro tem entrado nessa briga, sem que o Chefe maior consiga apaziguá-los. S. Francisco, com essa intenção de remediar a sede do nordestino do semiárido, é acusado de penetrar, de pilantra, sem aquiescência do

Presidente José Paulo Gabriel dos Santos UM PRODUTO:

mo Sacramento e Marista vieram da Europa para Maceió. Os Conventos de Marechal Deodoro e Penedo exerceram também funções educacionais. Não nos esquecemos da Instituição Cesmac, fundado por um padre, com a finalidade de atender aos jovens estudantes trabalhadores. A nossa UFAL apenas oferecia a oportunidade de ensino aos filhinhos de papai, que estudavam gratuitamente, uma vez que só funcionava durante o dia e somente em Maceió. A fundação do Seminário, por Dom Antônio Brandão, no início do século XX, em 1904, constituiuse no primeiro Curso Superior de Alagoas. O primeiro Curso de Filosofia foi do Seminário. Mais tarde, Dom Adelmo Machado criará a Escola de Serviço Social Padre Anchieta, entregue às Irmãs de Jesus Crucificado, com destaque para a Irmã Zely, recentemente falecida em Maceió, com mais de 90 anos. A sociedade alagoana necessitava de quem pudesse ajudar o povo alagoano em suas organizações. Foi ainda Dom Adelmo que incentivou a criação de Sindicatos Rurais, em tempos difíceis, com as ameaças dos usineiros ajudados com os militares da Ditadura Militar. Alguém, poracaso, poderá esquecer na história da imprensa alagoana o jornal “O Semeador”, da Igreja Católica, possuidor de uma histórica e destacada inserção cultural, religiosa e política, com a marca centenária de ininterrupta circulação. Nele escreveram jornalistas e intelectuais de renome, dando ao jornal uma importância significativa no campo das comunicações. Era intenção de Dom Adelmo Machado criar uma emissora de Televisão, que não se concretizou por motivos ainda desconhecidos, mas pode criar a Rádio Educadora Palmares de Alagoas, com o auxílio de rádios cativos, utilizados por agentes multipli-

Diretor administrativo-financeiro Flávio Peixoto Editor geral Ricardo Castro ricardojcastro@yahoo.com

Diretora comercial Marilene Canuto

mesmo, no território, que secularmente pertencia a S. José. Quanto a S. Pedro é parte dessa história como mero participante passivo, em virtude de um erro, por ele cometido, nos primórdios da geração do mundo. Explica muito bem esse episódio, uma lenda que corre no interior da Paraíba. Esse estado é tradicionalmente composto de três zonas fisiográficas principais: brejo, cariri e sertão, no sentido leste-oeste. A fim de averiguar as distorções pluviométricas, com maior ocorrência nas duas primeiras áreas, Jesus, acompanhado de S. Pedro, que o secretariava, veio verificar, in loco, a situação. Nos sertões, chovendo regularmente, naturalmente permaneceu como estava. No brejo, o panorama era de desolação, pela predominância de constantes estiagens. Determinou, então, a regularidade pluviométrica. No cariri, todavia, praticamente submersa pelas frequentes inundações. Mas, que farei eu? Perguntou Jesus. Anote aí, Pedro, que não tinha boa audição: “chover um ano e outro ano”. Mas Pedro registrou: “um ano e

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oito não”! A cizânia entre os dois históricos líderes dos Céus poderá aumentar com a chegada das águas do Velho Chico ao Ceará, do qual S. José é padroeiro. A isso se alia a circunstância de que o Papa é Chico, afinal terá de defender outro Chico, complicando a vida de S. José, cujo indiscutível prestígio, particularmente no nordeste, poderá sofrer abalos. Nesta região o dia 19 de março, dedicado a S. José, é escolhido para previsões de inverno. Justamente onde a devoção pelo santo é de natureza religiosa e brota, igualmente, do povo. Temo pela sorte de sua popularidade. Somente agora, passado mais de século, que se pretende corrigir a anotação de S. Pedro, a qual vale para toda região do perímetro de baixa pluviometria. Com a transposição Lula entra, também, nessa encrenca, mas como bom político não está contra a qualquer um dos três. Acredito que a paz logo retornará, de modo definitivo, e que quanto mais água para os nordestinos melhor, para alegria de seus devotos, dos santos e futuros viajantes.

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Edição número 2883 - 21, 22 e 23 de abril de 2017  

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