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GERAL

MACEIÓ - SEXTA-FEIRA, SÁBADO E DOMINGO, 21, 22 E 23 DE ABRIL DE 2017

TRIBUNAINDEPENDENTE

Suicídio de jovens cresce e culpa recai sobre mundo virtual Casos ocorridos no Brasil vinculam mortes à seriado da internet e ao game desafiador Baleia Azul

A

pós anos de declínio, a taxa de suicídio subiu novamente, de acordo com um novo relatório do centro de Controle e Prevenção da Doença, considerada o “extermínio silencioso”. Os dados mostram que os grupos mais afetados foram mulheres jovens e homens mais velhos. Para adolescentes e adolescentes de 10 a 14 anos, a taxa de suicídios triplicou de 1999 a 2014. Homens com idade entre 45-64 anos tiveram a segunda maior taxa de suicídio para homens em 2014 em todo o planeta. Só que tudo isso já vem acontecendo antes de acharem a culpa no jogo Baleia Azul, internet, Netflix, Hannah Baker ou youtubers. Um dos casos que chamou a atenção para o tema ocorreu em São Paulo. A estudante Kaena Novaes Maciel, 18, encontrada morta no último domingo de Páscoa (16) com o namorado Luís Fernando Hauy Kafrune, 19, em um quarto do hotel Maksoud Plaza, nos Jardins (Zona Oeste), assistiu à série “13 Reasons Why” (“Os 13 Porquês”), da Netflix, uma semana antes do crime, segundo a Polícia Civil. A série, de ficção, tem como tema o suicídio.Segundo o delegado Gilmar Contrera, titular do 5º DP (Aclimação), é muito

cedo para apontar isso como o principal motivo para a morte do casal, mas não se pode descartar que a ficção possa ter influenciado no crime. Segundo a polícia, os jovens colocaram uma mesa contra a porta. Ao arrombarem a porta, funcionários e parentes viram os dois jovens baleados, deitados na cama. Ela, com um tiro na testa; ele, com um tiro na boca. A arma, mais próxima do rapaz. Ao lado deles, duas cartas, uma com a letra dele, outra, com a dela, ambas datadas de 16 de abril, às 10h. Na carta da jovem, a frase: “Sei que estou fazendo todos sofrerem, mas isso é necessário para que eu pare de sofrer. Obrigada por tudo que vocês fizeram por mim”. Havia, ainda, duas folhas que apontavam “passos” de como “aproveitar a morte”. A série 13 reasons why, enorme sucesso do Netflix que conta a história de uma jovem se mata depois de gravar fitas dizendo as razões para seu ato. Coincidência ou não, nesse mesmo período o tal desafio da Baleia Azul começou a ser comentado (no Brasil, porque a notícia é velha), trazendo para o primeiro plano o tema do suicídio entre jovens.Casos de suicídio referente a esses dois temas foram assuntos no país nesta semana.

DIVULGAÇÃO

Exposição negativa na internet leva jovens à depressão, automutilação e aos casos de suicídio

PREOCUPAÇÃO

Audiência na Câmara vai debater tema

A Câmara dos Deputados aprovou a realização de uma audiência pública para discutir o “jogo da baleia azul” — uma série de 50 desafios, que levam o participante a se mutilar e a cometer suicídio. A reunião, ainda sem data marcada, será promovida pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Os organizadores da audiência convidarão um representante da Unicef Brasil e o youtuber Felipe Neto, que gravou um depoimento em seu canal no site de vídeos para alertar as famílias sobre o jogo e sobre a necessidade de atenção à saúde mental dos adolescentes.Na audiência, representantes do Facebook e do WhatsApp, meios em que os jovens são geralmente cooptados para o jogos, deverão explicar o que as empresas têm feito para combater a propagação do jogo na web. O deputado federal Sandro Alex (PSD-PR) pediu a audiência à Câmara para discutir o jogo. Mesmo que a série de perigosos desafios seja debatida nas comissões de saúde e educação, o parlamentar julgou importante avaliá-la no prisma das telecomunicações.

AUTOMUTILAÇÃO

BALEIA ROSA

No Brasil, 1 em cada 10 adolescentes de 11 a 17 anos acessa conteúdo na internet sobre formas de se ferir – e 1 em cada 20, de se suicidar, segundo o Centro de Estudos Sobre Tecnologias da Informação e Comunicação (Cetic). Depois de postar em sua página no Facebook a frase “a culpa é da baleia”, um adolescente de 17 anos tentou se jogar na quarta-feira (19) do viaduto sobre a Rodovia Marechal Rondon, em Bauru, interior paulista. Trata-se de mais um caso que envolveria o jogo viral de internet Baleia-Azul, que incita a suicídio e mutilações e já causou alertas policiais e de saúde em oito Estados (SP, PR, MG, MT, PE, PB, RJ e SC). Pesquisa do Cetic que analisou 19 milhões de internautas brasileiros mostra o avanço das buscas desse público por mutilações (11%) e mortes (6%) no universo online. Os casos mais recentes envolvem o Baleia-Azul. O maior número de registros até agora é na Paraíba, onde a Polícia Militar diz ter identificado 20 adolescentes envolvidos no jogo. O coronel Arnaldo Sobrinho, coordenador do Escritório Brasileiro da Associação Internacional de Prevenção ao Crime Cibernético, relatou tentativas de suicídio e mutilação de adolescentes em João Pessoa e nas cidades de Campina Grande e Guarabira.

A indignação com o jogo Baleia Azul, que induz jovens a se mutilarem e até cometer suicídio, fez nascer no mundo virtual algumas baleias do bem. Uma, em especial, está tendo grande repercussão em várias redes: a Baleia Rosa. Nadando contra a maré de tormentos que se espalhou na web, ela convida os internautas a focarem em pensamentos e atitudes positivas. São 50 tarefas estimulando a autoestima, a gentileza, a valorização da família e dos amigos. Até o início da noite de ontem, sexto dia no ar, a página do Facebook (@eusoubaleiarosa), já tinha quase 150 mil seguidores. Em pouco tempo, os amigos foram surpreendidos com o alcance das publicações. Entre as muitas mensagens de apoio, eles também se depararam com jovens em situação de risco, inclusive que se mutilam. “A gente só queria criar uma corrente do bem. Quando recebemos uma foto de uma pessoa que se corta foi um baque. Aí falamos com uma especialista e ela tomou as rédeas e passou a responder a essa demanda. Estamos encaminhando algumas pessoas para o CVV (Centro de Valorização da Vida, que atende gratuitamente pessoas com pensamentos suicidas no telefone 141)”. Na página, há pessoas que questionam o fato de se criar uma expectativa de ajuda a pessoas que precisam de um tratamento especializado e não poder dar conta dessa demanda. A psicóloga Priscila Bastos analisou a proposta e acredita que só o fato de se buscar ajuda em um ambiente positivo já é lucro. “É um ambiente onde os jovens se encontram com iguais buscando ajuda e não o suicídio”, observa. “É um movimento que a própria sociedade está pedindo”. A profissional salienta que a possibilidade de ajuda vai depender do encaminhamento. “A proposta do Baleia Rosa é desafiar as pessoas a enxergarem o que se tem de bom na vida, não focar só no ruim. Mas quem está em um nível de comprometimento emocional mais grave, como a depressão, tem necessidade de atenção e também de acompanhamento de psicólogo e psiquiatra”, alerta.

Adesão ao Psicólogos modo já atinge criam hastag 11% na web como ajuda

Edição número 2883 - 21, 22 e 23 de abril de 2017  

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