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TRIBUNAINDEPENDENTE

MACEIÓ - SEXTA-FEIRA, SÁBADO E DOMINGO, 21, 22 E 23 DE ABRIL DE 2017

CIDADES

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Benefícios do xadrez vão além da sala de aula Abordado de forma lúdica ou por meio das competições, esporte inspira comportamento positivo nas crianças EVELLYN PIMENTEL REPÓRTER

A

psicopedagoga Eliane Cansanção reforça os benefícios do jogo para as crianças em idade escolar. “É muito interessante o trabalho com o xadrez porque, além de trabalhar a atenção e a concentração, lida com o nível de frustração. Porque a criança precisa esperar a vez do outro, precisa aprender que nem sempre vai ganhar e isso é muito positivo”, explica. Outro fator segundo a psicopedagoga é que as crianças passam a agir com mais calma por ser uma condição inerente do jogo. “Existe a necessidade de raciocinar desenvolver e também a questão da espera e principalmente do silêncio. Porque ninguém joga xadrez em um espaço turbulento. Isso tudo é muito importante para as

crianças”, pondera. Para o professor Stanley Lessa, o aprendizado do xadrez tem que acontecer de forma lúdica, integrando as demais disciplinas. “Eles tinham a noção básica e eu comecei a trabalhar de forma lúdica propondo desafios matemáticos, trazendo situações que envolviam as técnicas e as regras do jogo, como memorização. Também é importante fazer a ligação com outros jogos próximos. É um trabalho multidisciplinar que, se feito corretamente, se transforma em muito mais que um jogo”, destaca. Marcel Batista dos Santos, de 11 anos, é aluno do 6º ano do ensino fundamental. Ele faz aulas de xadrez há mais ou menos quatro anos. O menino conta que o xadrez aguçou sua curiosidade em explorar estratégias do jogo, tanto que já tem treinado com alunos

de outras faixas etárias. “Gosto muito do jogo porque é de estratégia. Assim que comecei a jogar gostei muito e fui pesquisar na internet novas formas de jogar, as melhores estratégias. É bom porque a gente aprende novas técnicas. Mudou muita coisa e também me ajudou. Eu gosto bastante. Para mi o xadrez é nota dez”, diz. Para Lessa, ainda há resistência em relação ao jogo porque algumas crianças acreditam que no xadrez é preciso matemática. O que segundo ele, não é verdade. “Têm aqueles alunos mais concentrados que só aperfeiçoam. O aluno que tem mais energia começa a controlar melhor, a focar mais sua atenção. Mesmo aqueles que resistem, que acham que tem a ver com a matemática, aos poucos vão percebendo que é positivo e vão desenvolvendo interesse no jogo”.

SANDRO LIMA

Professor Stanley Lessa entende que aprendizado tem que ser de forma lúdica, integrando outras disciplinas

INICIATIVAS

Escolas da Barra de São Miguel adotam modalidade há três anos No município da Barra de São Miguel, as escolas da rede pública integraram o xadrez no conteúdo programático. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, o projeto foi implantado em 2014 em todas as unidades municipais. “Em todas as escolas há

oferta para a prática de xadrez. Em 2014, o projeto “Xadrez, a ginástica da inteligência”, de Jaime Miranda, hoje presidente da Federação Alagoana de Xadrez, chegou ao conhecimento da Prefeitura Municipal da Barra. Compramos a ideia imediatamente porque entendemos

que o xadrez ajuda na melhoria de atitude, liderança, agilidade de pensamento e raciocínio lógico”, informou a assessoria do município. Desde 2015, o xadrez começou a fazer parte das avaliações escolares no município. “O xadrez é tratado como ferramenta

pedagógica e associada à matemática para contribuir com o raciocínio lógico. A partir dessa experiência, os alunos foram participando de campeonatos e temos campeões de várias faixas etárias. Em 2016, éramos a 9ª cidade enxadrista em número de federados no Brasil”, sa-

lienta o órgão. Em 1970, o Alagoas Xadrez Clube, extinto atualmente, iniciou um projeto voluntário em escolas no Centro de Estudos e Pesquisa Aplicada (Cepa), no entanto, o projeto foi descontinuado um ano depois. Segundo Stanley Lessa, falta incentivo do poder

público na adoção do xadrez em sala de aula. “Faltam voluntários e professores que tenham aptidão técnica para atribuir o xadrez nas escolas públicas. Não tem vaga específica e os professores de educação física que deveriam desenvolver não fazem”, aponta. (E.P.)

Edição número 2883 - 21, 22 e 23 de abril de 2017  

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