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MACEIÓ - SÁBADO E DOMINGO,18 E 19 DE MARÇO DE 2017

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Cidades

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Estado dá início à Semana da Água neste domingo na orla de Maceió Neste domingo (19), acontece abertura da Semana da Água, a partir das 9h, na orla da Ponta Verde, em Maceió. Um espaço com tendas estará à disposição para receber as famílias. O evento faz parte da programação montada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Instituto do Meio Ambiente (IMA) e Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal). Uma das principais propostas da Semana é reforçar junto à população que a preservação dos recursos hídricos é fundamental. No espaço destinado às famílias e crianças, haverá exposição dos programas hídricos desenvolvidos pelo Governo de Alagoas, debate sobre monitoramento dos rios que vem sendo realizado pela Sala de Alerta, limpeza de praia e exposição do Instituto Biota.

União reconhece situação de emergência em AL Cidades que enfrentam a seca irão contar, a partir de agora, com recursos federais para enfrentamento da crise EVELLYN PIMENTEL REPÓRTER

A

situação de emergência enfrentada por 77 municípios alagoanos acaba de ser reconhecida pelo Governo Federal. O Ministério da Integração Nacional vai publicar, nos próximos dias, uma portaria disciplinando ações para o estado. Assim, as regiões receberão recursos para amenizar os efeitos da seca e estiagem prolongada. Os recursos serão empregados para distribuição de cestas básicas, sementes, ração para os animais, além de carros-pipa e perfuração de poços. É o que garante o coordenador da Defesa Civil do Vale do Paraíba, Massilon Mendes. “Com essa portaria e o decreto estadual é possível fazer todo o trabalho para

angariar recursos para normalização da situação de emergência e a mitigação das consequências da seca. Tudo é previsão e solicitação. O governo ainda vai analisar todas essas questões. É feita uma previsão para 180 dias. Água para 180 dias, ração animal para 180 dias”, explica. Segundo Mendes, as sete coordenadorias regionais, além da Defesa Civil Estadual, estão agindo com rapidez para garantir que os recursos cheguem ao Estado. “O processo de reconhecimento da seca no Estado foi efetuado. Agora falta oficializar com a publicação da portaria pelo Ministério que já era para ter saído. Agora é trabalhar a elaboração dos planos para enviar para o Estado solicitando os recursos, demostrando às necessidades

ADAILSON CALHEIROS

Quando portaria for publicada, municípios receberão recursos para amenizar efeitos da estiagem prolongada

individuais de cada município. O estado junta essas necessidades e encaminha para o governo federal para o repasse de recursos”, afirma Mendes. No entanto, o coordenador destaca que as ações ainda não resolvem o problema da seca. O trabalho deve amenizar o sofrimento, até que o período de chuva comece e a situação melhore. Em Atalaia, as estimativas é que serão necessários R$ 3,5 milhões para ações no período de 180 dias . “Já existem pedido protocolados para alimentação animal, são R$ 2 milhões para bagaço de cana para ser colocado junto com a palma forrageira e junto com o farelo de milho para os animais. Isso na verdade serve para abrandar a situação. Não é para alimentar mesmo, é para sobreviver. Temos que pedir a Deus com muito fervor para que venha chuva”, expõe.

DIFICULDADES ECONÔMICAS

AMA informa que municípios estão no limite do orçamento AGÊNCIA ALAGOAS

Ministro Barbalho recebeu pauta de reivindicações de produtores de cana

A Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) informou por meio de sua assessoria que as prefeituras têm se preparado para o reconhecimento. Segundo a entidade, um mutirão realizado há cerca de um mês em parceria com as coordenadorias de Defesa Civil realizou levantamentos e a finalização dos relatórios. A expectativa é que os problemas, inclusive financeiros, dos municípios sejam amenizados com os repasses. As informações passadas pela AMA dão conta que as prefeituras estão ‘no limite’ dos orçamentos. “A expectativa é muita, porque os municípios hoje passam por um momento de queda na arrecadação, por causa da retração econômica no país. Os municípios também sentem. E principalmente os municípios da região da seca. Eles têm despesas duplicadas porque apenas os caminhões pipa que o exército e o estado

disponibilizam não são suficientes porque a população é grande, as distâncias são grandes e eles [prefeituras] estão bancando para complementar o abastecimento e não deixar a população tão sofrida”. Com o avanço da seca, os prejuízos começam a acumular. Além da situação econômica dos municípios, outra preocupação do órgão é com a criação de animais, que tem sido castigada pela seca. “Os animais estão morrendo. Estão abastecendo as pessoas e os animais estão numa situação também crítica, sem alimentação, sem nada porque não tem pasto, não tem nada. E esse dinheiro chega para aliviar inclusive isso”, informou a AMA por meio da assessoria de comunicação. As regiões canavieiras também sofrem com a estiagem prolongada. Na visita do ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, a Alagoas, na semana pas-

sada, uma pauta de reinvindicações foi entregue pelos produtores de cana-de-açúcar. “Está tudo seco, a cana nem nasce, nem está nascendo, está morrendo. As pessoas estão ficando sem emprego, porque é um setor que emprega demais em alagoas. Cidades inteiras dependem dele. Mercadinhos parados porque o dinheiro não está circulando, as pessoas não têm emprego. Como elas são temporárias, nem tem emprego nem pode entrar com a questão do seguro desemprego porque a legislação mudou. Não estão trabalhando e foram demitidos antes do tempo porque não tinha cana para cortar. Foi uma situação bem atípica esse ano. Nunca se passou por uma situação dessas. Ninguém estava preparado para lidar com isso”, aponta a associação. Em todo o Estado é possível observar os efeitos da seca. Segundo dados do Boletim da Seca no Nordeste,

são 75% do território alagoano classificados entre seca extrema ou excepcional, isto é, no índices mais elevados. As zonas rurais das regiões afetadas pela seca em Alagoas estão em situação preocupante, afirma Massilon Mendes. “A zona rural sofre muito com a estiagem. Todas as safras foram perdidas. Como as famílias estão sobrevivendo só Deus sabe. Têm sido feitas solicitações de cestas básicas para garantir a alimentação para os 180 dias. Se você não tem safra, não tem recurso para manter. Se você não tem chuva, não tem safra. Se não tem, safra não tem dinheiro. Se não tem dinheiro, passa necessidade. Infelizmente essa é a nossa realidade no Nordeste e particularmente em alagoas. É atípica a situação de seca na zona da mata. É complicada a situação”, destaca o coordenador da Defesa Civil do Vale do Paraíba. (E.P.)

Edição número 2860 - 18 e 19 de março de 2017  

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