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OPINIAO

TRIBUNAINDEPENDENTE

MACEIÓ - SÁBADO E DOMINGO, 18 E 19 DE MARÇO DE 2017

Opinião

Direitos trabalhistas

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epresentantes da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho voltaram a criticar a proposta de reforma trabalhista encaminhada pelo Executivo (PL 6787/16), em audiência pública da comissão especial da Câmara dos Deputados que discute o assunto. Já deputados da base governista acreditam que a Justiça do Trabalho e o Ministério Público estão distantes do “Brasil real”. A ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Delaíde Arantes, defendeu que há “grandes inverdades” nos argumentos do governo para promover a reforma. A primeira delas, na visão da ministra, é o argumento de que a reforma vai promover a geração de empregos. Conforme a ministra, em lugar nenhum do mundo, reforma promoveu geração de empregos; ao contrário, gerou precarização dos empregos efetivos existentes. Outra “inverdade”, de acordo com a mi-

nistra, é a afirmação de que a prevalência da negociação coletiva sobre a legislação beneficia os trabalhadores. Segundo ela, “o negociado sobre o legislado” já existe, mas para negociar vantagens para o trabalhador. Com a proposta, a negociação poderia precarizar de direitos. “A saída para a crise tem que ser encontrada na economia, não na precarização do trabalho”, afirmou. O presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho, Angelo Fabiano, também acredita que a proposta de reforma trabalhista possibilita a retirada drástica de direitos do trabalhador. Ainda conforme o procurador, a medida não traz segurança jurídica, podendo inclusive aumentar o número de ações judiciais, ao possibilitar, por exemplo, jornadas de trabalho superiores a oito horas diárias e a falta de registro de ponto. Ou seja, nada nesta reforma beneficia o trabalhador.

PE. MANOEL HENRIQUE DE MELO SANTANA Vigário Episcopal de Maceió

Um político pede perdão Um fato incrível que certamente você não acredita. A história desta página existiu e é verdadeira. Aconteceu num passado muito antigo. Era ele de família pobre e morava na roça, onde trabalhava. Era religiosa sua família e conhecida das autoridades do povo. Entra em cena quando de uma crise política envolvendo o chefe do povo, que foi morto com as próprias mãos. Este chefe frustrou o povo que havia sonhado com este tipo de governo. Seu nome era Davi, jovem guerreiro, destemido, com muita vontade de defender o povo. Ficou famoso quando abateu um gigante, muito maior que ele. E Davi derrubou Golias com uma pedra bem lançada derrubando quem desmoralizava seu povo. Era piedoso, costumava fazer poesia, salmos de oração que o povo cantava em suas celebrações. Suas ações agradavam ao Senhor e ao povo. Mas o poder é traiçoeiro e tentador. A tentação gosta do poder, uma vez que se alimenta de valores sociais e culturais, de ostentação e grandiosidade. A sociedade precisa de gente ilustre e famosa.

De repente, Davi se vê envolvido moralmente e sem muito pensar comete um duplo pecado. De forma inteligente, com muita astúcia e maldade, numa guerra, oportuniza a morte de Urias para se apossar de sua mulher, Betsabeia. O primeiro filho morre, mas o segundo filho será Salomão. A consciência de Davi nada o acusa, até que a visita do Profeta Natan, que veio para denunciar seu pecado, levantará o sentimento de Davi, que fará penitência, reconhecendo publicamente o pecado que havia cometido. O poder num primeiro momento anestesia a consciência. Tudo é amoral. Tudo se justifica. Aliás, todos fazem igual. Não existe moralidade, mas, simplesmente, um ato humano. Há que surgir um profeta a apontar em riste seu dedo e dizer-lhe: “Tu és este homem”. Estamos vivendo uma história parecida. Muitos participam do mesmo pecado. Diferem as situações. Todos se justificam, tentam encontrar alguma razão moral, mas a consciência não responde. Tudo parece muito normal. Até agora ninguém apareceu arrependido, triste, envergonhado. Pelo contrário,

senhores do poder, que lhe oferece imunidade, pensam certamente na possibilidade de anistiar tudo aquilo e virar esta página não para se fazer a grande penitência de nunca mais se cometer o crime de pegar no alheio, apropriar-se dos bens do povo. Tudo isso é concebido de maneira muito natural, pois eles cuidam do patrimônio do povo. A justiça continuará sua tarefa de falar alto, exigindo respeito, que vem apenas da falsa aparência de justiça feita. Do alto de seus tronos proferem as sentenças de uma justiça que penaliza principalmente os pequenos e pobres. Um dia, quem sabe, essa gente ganhe vergonha e faça penitência, pois, os milhões que puxaram dos cofres públicos estão fazendo falta na saúde brasileira. Na educação, que deixa milhões de brasileiros nas ruas sem esperança de uma vida digna. Os milhões que foram saqueados do povo deixarão meu povo mergulhado na cachaça e na droga, enquanto o Whisky não será suficiente para embriagar a sede de poder e a ambição de riqueza das elites promíscuas e insaciáveis do meu País.

INOCÊNCIO NÓBREGA Jornalista inocnf@gmail.com

EMIR SADER Sociólogo e cientista político

Voz das ruas é inconfundível O golpe foi dado alegando que a voz das ruas o pedia. Quando foi votado no Senado, os movimentos populares já o questionavam fortemente, mas eles continuavam, nos editoriais dos seus jornais e revistas, nos discursos nas sessões vergonhosas do Congresso, a dizer que promoviam o golpe como resposta à voz das ruas. Desde então, a direita saiu das ruas, se refugiou no Congresso, na mídia, no governo golpista, enquanto o povo reocupou os espaços públicos e praças. As medidas do governo foram isolando-o cada vez mais, as reações da população à perda dos seus direitos foram se canalizando para a proposta de mudanças regressivas na Previdência. A consciência de que a vida de todos tinha melhorado desde 2003 e passou a piorar com o golpe gerou a “saudade do Lula”, essa categoria que intriga os especialistas, mas que aparece como muito natural para a grande maioria da população, que viveu a virada negativa da sua vida em tão pouco tempo de novo governo. Os efeitos da campanha midiática contra o PT não se esgotaram, nem as acusações de corrupção, nem a desqualificação da política, mas passou a haver uma reação popular, com uma narrativa distinta: a do golpe para restaurar o neoliberalismo de Collor e FHC, por meio do

governo mais corrupto da história do Brasil, que dilapida o patrimônio público, ataca os direitos dos trabalhadores, corta recursos das políticas sociais e torna o nosso país de novo subalterno aos EUA. As demonstrações de 15 de março confirmam que a voz das ruas hoje é muito diferente daquela que os golpistas utilizaram para dar o golpe. Pelo Brasil inteiro, em centenas de cidades, com imensas manifestações nos grandes centros – tendo a da Avenida Paulista como epicentro – expressaram a voz das ruas, a voz do povo hoje: não à reforma da Previdência, não à reforma trabalhista, não à terceirização, pelos direitos dos professores e pelos recursos para as políticas sociais e fora o governo golpista. Cabe ao Congresso agora ouvir a voz das ruas, vetar definitivamente as tentativas de tirar os direitos dos trabalhadores com as mudanças regressivas na Previdência, parar de vez com a nova tentativa de terceirização das relações de trabalho, cancelar definitivamente a reforma trabalhista e se sintonizar com a vontade do povo. Se não quiserem ser varridos radicalmente nas eleições do ano que vem. Quem, depois das manifestações do dia 15 de marco, seguir votando contra a voz das ruas, vai pagar um preço alto, com o fim da sua carreira política.

As manifestações também terminaram com uma versão que corre pela internet sobre a apatia do povo brasileiro e, em particular, da classe trabalhadora. Demonstraram também como o governo perdeu a batalha pelo discurso sobre a Previdência, apesar dos imensos recursos gastos na propaganda. Confirma que, quando os argumentos se propagam, quando o povo é convocado depois de esclarecido a respeito do tema, ele se mobiliza, mesmo às vezes sem transporte, com grandes sacrifícios, mas com imensa alegria e combatividade. Essa é a maior das lições a tirar das mobilizações de 15 de marco. Lula foi, uma vez mais, o grande protagonista da semana, iniciada com a abertura do Congresso da Contag, em Brasil, na segunda, com seu depoimento na terça – em que até seus maiores adversários reconhecem que ele “fez barba, cabelo e bigode” –, passando pelo auge da maior manifestação do dia 15, na Avenida Paulista, para desembocar na ida à Paraíba, com Dilma Rousseff, para molhar suas mãos nas águas do velho Chico, numa obra que ele sempre sonhou – levar água para os nordestinos –, e que vai contar com caravanas de gente de toda a região. Para quem quiser ouvir, aí está a voz das ruas.

S. Francisco, lenda e realidade Com 2.900 km de extensão, terceiro maior do mundo, o Rio São Francisco deita-se, literalmente, em berço esplêndido do solo brasileiro, conforme a letra do nosso hino maior. Portanto, rio da unidade nacional. Criado pela natureza para cumprir esse destino. Descoberto ao avesso pelos exploradores Gonçalo Coelho e Américo Vespúcio, de passagem pela Barra de S. Miguel, Alagoas, que a 4.10.1501 se depararam com a foz de um grande curso d’água. Por ser dia dedicado a S. Francisco de Assis, na liturgia católica, o denominou de S. Francisco. Para quem seguir o sentido inverso de suas águas logicamente alcançará a Serra da Canastra, de onde elas fluem. De uma profunda fenda, escorrendo pela primeira grande Cachoeira Casca d’Anta, a 186m de altitude, cuja idade geológica do monte rochoso ninguém sabe. A notícia de seu descobrimento fez surgir lendas as mais diversas. Contava-se que suas nascentes, no município centro-oeste mineiro de

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S. Roque de Minas, tratava-se de uma região fantástica de palácios, onde se mirava a esperança. Viam-se, inclusive, índios passando com cestos de ouro. Ilusões que ao longo dos séculos parecem se converter em realidade. Tal tesouro imaginário despertou ideia para enfrentamento das secas do nordeste semiárido. José Raimundo do Paço de Porbém Barbosa, Ouvidor da Comarca do Crato-CE, em 1817 elaborou o primeiro projeto de transposição de suas águas. Seguiram-se outros: o de 1847, concebido por Marcos Antonio de Moura. Previa um canal ligando Cabrobó-PE ao Jaguaribe-CE, aproveitado por D. Pedro II, que entre 1852/54, determinou estudos objetivando a viabilidade técnico-econômica; em 1886, é dado à luz o projeto do engenheiro cearense Tristão Franklin Alencar de Lima. As discussões, sobre o tema, tomaram novo impulso no período republicano. Falou-se muito no governo de Afonso Pena, durante a gestação do

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antigo IFOCS. O pres. Itamar Franco, cogitou algo nesse sentido. FHC, em visita à Fortaleza (1998), a quem foi entregue manifesto com 1 milhão de assinaturas, coordenado pelo dep. estadual cearense Wellington Landim, mentindo para o povo declarou que a obra é prioritária na sua gestão. O parlamentar paraibano Wilson Braga diz haver vasculhado vários ministérios, nada encontrando em tramitação. Em comício de campanha política, numa cidade goiana, JK prometeu construir Brasília. Assim como ele o pres. Lula, ao visitar a Paraíba, em fins de 2003, anunciou que desta vez as obras da transposição sairiam do papel, tornando em efetivas as lendas de ontem, o líquido ouro que buscávamos. Com determinação, enfrentando vozes opostas, a exemplo de ACM, da Bahia, com a pres. Dilma, tanto quanto Juscelino na inauguração de Brasília, farão em Monteiro, no dia 19 próximo, sob as bênçãos de S. José.

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Edição número 2860 - 18 e 19 de março de 2017  

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