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TRIBUNAINDEPENDENTE

2 POLÍTICA MACEIÓ - SÁBADO e DOMINGO, 18 e 19 DE MARÇO DE 2017

Política

Se hoje tivesse uma votação, eu acredito que essa proposta da Reforma da Previdência da forma original que penaliza principalmente o trabalhador rural, mulheres, professores, o pessoal que trabalha com adicionais, não passaria PAULÃO DEPUTADO FEDERAL - PT

Congresso pode derrubar a reforma

Entendimento é do deputado Paulão, que, ao mesmo tempo, cobra da sociedade envolvimento maior nas discussões

ESPLANADA LEANDRO MAZZINI - contato@colunaesplanada.com.br

Queda de braço

O

presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles – um potencial candidato de Michel Temer à sucessão presidencial – travam embate nos bastidores em torno do aumento da alíquota do IOF das operações de câmbio para aumentar as receitas. Com o apoio do Palácio do Planalto, Meirelles tende a vencer e o aumento do imposto deve ser enviado ao Congresso por MP.

Sobreviveu Um apadrinhado pelo PT sobreviveu na mudança da cúpula da usina de Itaipu. Cezar Ziliotto continuará à frente da Diretoria Jurídica. Porque tem mandato até 16 de maio.

Choque em 220V Rubens Penteado descobriu pelo D.O. que vai comandar a Diretoria Técnica Executiva de Itaipu. Mas não aceitará, porque queria a Administrativa. Deu no Blog do Zé Beto.

Guerra da educação Clima azedou nas gigantes da educação Estácio e da Kroton – esta negocia a compra da primeira. Há desconfiança de que e-mails de diretores da Estácio foram hackeados.

Bancos de olho As empresas de previdência ligadas aos bancões privados acreditam que até o saque da conta inativa do FGTS vai incentivar o brasileiro a procurar planos da seguridade no mercado privado, diante do caos anunciado com a iminente reforma. Pesquisa do BuscaPrev revela que brasileiros com baixo poder aquisitivo estão buscando planos.

Povo atento O BuscaPrev aponta que cresceu o número de interessados em previdência privada nos últimos meses. Dezembro registrou alta de 186% nos acessos, comparado ao mês anterior. Em dezembro foram 5.944 simulações de contratos, e janeiro registrou 4.500 consultas no site que é referência em comparações de planos.

Radiografia Keyton Pedreira, idealizador do BuscaPrev, diz que homens são os que mais procuram os planos e 64,53% contrataram algum tipo de apólice pelo site. E a faixa etária que mais contratou foi de 25 a 34 anos (41,24%), seguida da 35 a 44 anos (30,02%).

Chapa? Jair Bolsonaro está tão empolgado com a disputa de 2018 que foi ao gabinete do senador Magno Malta e gravou vídeo: “Ou eu estarei com ele ou ele comigo em 2018”

Tensão O deputado Alfredo Kaefer (PR), que avalia sair do PHS, teve convite de vários partidos e em especial do PSDB, que o deseja de volta aos quadros. Ainda pensa.

TCU x MTur O Ministério do Turismo tem até o fim de abril para informar se concorda com a recomendação do TCU para que seja elaborada uma ‘Política Nacional de Gestão dos Lugares e Construções Protegidos como Patrimônio Mundial da Humanidade’ (ufa!)

Mapeamento Como a União injeta dinheiro no patrimônio, a falta de planejamento de várias gestões passadas da pasta gera prejuízos decorrentes da degradação dos locais e também da não exploração total do potencial turístico. O relator do caso é o ministro Vital do Rêgo.

Rota ativa O MTur estuda a criação, em conjunto com os ministérios do Meio Ambiente e Cultura, de comissão técnica para o desenvolvimento de políticas para o caso. E ressalta que já desenvolve programas de melhorias em infraestrutura em todo o País.

Delegados unidos A Associação Nacional dos Delegados Federais promove de segunda a quinta no Costão do Santinho, em Florianópolis, o VII Congresso Nacional com cerca de 500 delegados, além de juízes, advogados. A Coluna marcará presença na figura do editor, que participará de um painel sobre papel da imprensa no noticiário policial-judicial.

Profeta do caos O deputado Darcísio Perondi, que foi cotado para ministro no lugar de Geddel Lima, fez uma previsão catastrófica para o Planalto – mas longe de se realizar: “Se todos não contribuírem, inclusive os trabalhadores rurais, a Previdência vai quebrar em 4 anos”.

Ponto Final “Compartilho com vocês mais uma boa notícia. Nossas exportações estão crescendo. Balança comercial positiva. Cenário favorável para o País” Do presidente Michel Temer, em manifestação entusiasmada no Twitter, no mesmo instante em que o STF recebia o calhamaço da PGR com pedido de abertura de inquéritos contra políticos, muitos do PMDB. Com Equipe DF, SP e Nordeste www.colunaesplanada.com.br contato@colunaesplanada.com.br Twitter @leandromazzini

SANDRO LIMA

CARLOS VICTOR COSTA REPÓRTER

O

cenário político atual está totalmente voltado para a polêmica Reforma da Previdência, além das prisões através da operação Lava-Jato. A Tribuna Independente entrevistou o deputado federal, Paulão (PT), que falou sobre os assuntos e destacou também que o partido deve retomar a sua força na próxima eleição. O parlamentar também criticou a forma como a mídia e Justiça persegue o ex-presidente do País, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tribuna Independente - Iniciou na Câmara dos Deputados alguns focos de resistência à proposta para reforma da Previdência. Acredita-se que essa proposta será derrubada? O Congresso tem força para contrariar Michel Temer? Paulão - Acredito que sim. O presidente ilegítimo de uma forma maldosa enviou, concomitantes, as duas reformas, tanto da Previdência quanto da Trabalhista, que na realidade não são reformas. Por que eu digo isso? Porque reforma você tem um sentimento que faz para melhorar e o que vemos na realidade é um desmonte. Isso já teve repercussão na sociedade e atinge os parlamentares nesse processo de interação, também tem a pressão que ele recebe. Então hoje com esse governo golpista, ele tem dois terços do Congresso Nacional, inclusive tem um número de parlamentares que dão apoio a ele maior do que no auge do segundo governo do Lula. Mesmo assim a gente percebe que a base do governo está rachada, inclusive do próprio partido dele [Temer]. Se hoje tivesse uma votação, eu acredito que essa proposta da Reforma da Previdência da forma original que penaliza principalmente o trabalhador rural, mulheres, professores, o pessoal que trabalha com adicionais, não passaria. Tribuna Independente - Do jeito que está a reforma não passa. Ao menos esse é tom de alguns discursos e opiniões na Câmara. O ideal é retirar quais pontos da proposta que sacrificam ainda mais o trabalhador? Paulão - O PT, movimentos sindicais como a CUT, avaliam que por conta da ilegitimidade desse governo, ele não teria condições de colocar em pauta um debate que tem uma polêmica, não a nível nacional, mas internacional. Isso é verificar a realidade do desmonte que ocorreu nesse país. Então há uma proposta de no primeiro momento só apresentar emenda supressiva porque a gente acredita que não houve debate com a sociedade. Já existiu um fórum há muito tempo criado pelo presidente Lula com essas duas temáticas e caberia o atual governo discutir com calma, com a sociedade e fazer. Hoje o clima

Deputado Paulão demonstra que o partido vem se organizando para disputar a presidência com Lula

A gente vem sofrendo um bombardeio midiático desde o primeiro mandato do Lula. A elite brasileira nunca aceitou que o PT governasse, e olhe que a gente governa com coalisão

Acho que o PT aprendeu em sua caminhada trabalhar para demarcar campo, mas também trabalhou política de aliança, inclusive um dos motivos das candidaturas nos municípios que dificultou o resultado eleitoral foi a falta de política de aliança

O presidente ilegítimo de uma forma maldosa enviou, concomitantes, as duas reformas, tanto da Previdência quanto da Trabalhista, que na realidade não são reformas

não é de apresentar proposta para consertar, mas sim apresentar proposta supressiva no sentido de não viabilizar essas duas reformas. Tribuna Independente - Os protestos na última semana contra a reforma apontam que a população já cobra dos parlamentares o voto contra ao texto da reforma previdenciária? Paulão - Sim. O dia 8 de março teve um ponto fundamental e quero parabenizar as mulheres alagoanas. No dia 15 foi uma mobilização em todo o Brasil, inclusive boicotado pelos grandes meios de comunicação, principalmente a Globo. Isso aí começa a pressionar os parlamentares. Sempre falo que é importante as grandes mobilizações, mas é necessário que os movimentos sindicais faça visita no primeiro momento diplomático a cada parlamentar. São nove aqui, três parlamentares explicitamente já tem uma posição contrária à reforma. Que sou eu, Carimbão e Ronaldo Lessa. Os outros não justificaram. Então é importante que a sociedade comece a fazer uma visita a esses deputados. Tribuna Independente - Como o PT está se reorganizando após a Lava Jato e uma grande derrota nas eleições municipais em 2016? Paulão - A gente vem sofrendo um bombardeio midiático desde o primeiro mandato do Lula. A elite brasileira nunca aceitou que o PT governasse, e olhe que a gente governa com coalisão. Não houve ruptura, mesmo assim quando ela percebe que minimamente você faz um processo de inclusão social, a elite não aceita e quer voltar à escravidão que sempre adotou. O Brasil é um país retardatário, foi o último a acabar com a escravidão. Mas, na cabeça da elite brasileira continua. A prova é que você tem empregadas domésticas que foram recentemente colocados os seus direitos igual aos trabalhadores urbanos que não tinha e agora estão ameaçadas. Foi aflorado agora esse ódio e a

intolerância porque eles não suportam que a camada da população que não tem acesso ao Estado. Tribuna Independente - Para a próxima eleição aqui em Alagoas, o PT vai lançar candidatura única ou pretende se reaproximar do governador Renan Filho? Paulão - O PT na última eleição dialogando com o presidente Lula, compreendeu a importância da reeleição da presidente Dilma e foi feita a coligação com o PMDB, onde o Temer foi o vice e isso repercutiu nos estados. Participamos do governo, mas quando chegou ao processo de impedimento, o PT Alagoas compreendeu que seria melhor sair. O PT está na oposição. Mas a gente saiu com um nível muito elegante e diplomático do processo. Em 2018 é uma dinâmica rápida os acontecimentos no Brasil a gente tem dificuldade de fazer a previsão daqui até 30 dias. Primeiro, nosso candidato é Lula, mas será que não terá uma pedra no caminho?... como dizia o Drummond. Pois, o juiz Sérgio Moro tem o papel de impedir que a maior liderança do país tenha condições de ser o presidente da República. A partir do momento dele sendo o candidato vai discutir política de aliança. Então, eu particularmente não tenho como fazer nenhuma previsão de como será o desenho, pois antes disso terá uma discussão sobre a reforma política e que até agora não foi concretizada. Então tudo isso terá repercussão na conjuntura. Acho que o PT aprendeu em sua caminhada trabalhar para demarcar campo, mas também trabalhou política de aliança, inclusive um dos motivos das candidaturas nos municípios que dificultou o resultado eleitoral foi a falta de política de aliança, por exemplo, eu fui candidato e a gente saiu isolado, não foi porque o PT não quis, a gente procurou, só que os partidos fizeram outras opções, alguns momentos se aliaram a gente e deu sorte, quando nós nos isolamos a prática demonstrou também que tem muita dificuldade.

Edição número 2860 - 18 e 19 de março de 2017  

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