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CIDADES

TRIBUNAINDEPENDENTE

MACEIÓ - SÁBADO E DOMINGO,18 E 19 DE MARÇO DE 2017

Carne podre pode estar em mercados de AL Vigilância Sanitária ainda não tem posicionamento sobre que ações adotará para evitar que alagoano consuma produtos estragados RÍVISON BATISTA REPÓRTER

O

s alagoanos podem estar consumindo carne estragada. Uma operação da Polícia Federal (PF) desencadeada na sexta-feira (17), denominada ‘Carne Fraca’, apurou que vários frigoríficos do Brasil vendiam carne vencida. Entre produtos químicos e produtos fora da validade, há casos até de inserção de papelão em lotes de frango e carne de cabeça de porco em linguiça. Segundo a PF, também há casos de troca de etiquetas de validade. A operação envolve grandes empresas do setor, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas. Em Alagoas, os principais órgãos fiscalizadores do setor, incluindo a Vigilância Sanitária, foram pegos de surpresa. Alguns desconheciam o assunto, enquanto outros ainda vão tomar medidas preventivas. O coordenador da Vigilância Sanitária de Maceió, Ednaldo Balbino, foi procurado pela reportagem e afirmou que já existem agentes do órgão fazendo um trabalho de fiscalização rotineiro em frigoríficos e supermercados lo-

calizados no município. “Primeiro, esses produtos passam pelo Ministério da Agricultura e pela Adeal [Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas], e depois repassam para os fornecedores”, afirmou o coordenador, que desconhecia a operação da PF e também disse não haver um posicionamento, no momento, da Vigilância Sanitária Municipal quanto ao assunto, tendo apenas a fiscalização de rotina. A assessoria da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) afirmou não ter também nenhum posicionamento quanto ao assunto e que todo município tem uma vigilância municipal de Saúde, que tem a função de fazer a inspeção em feiras livres, supermercados e açougues, do pescado e da carne consumida. “Esse é um trabalho de fiscalização de rotina, não é só porque teve essa operação”, disse a assessoria do órgão. A Sesau também informou que as vigilâncias municipais têm poder de polícia e, se encontrarem irregularidades em carnes vendidas em supermercados e açougues, por exemplo, podem lavrar um auto de infração. Podem ainda interditar e multar o estabelecimento, além de caçar o alvará de funcionamento.

REPRODUÇÃO

PF descobriu que frigoríficos de grandes marcas brasileiras vendiam de carne estragada à imitação, fazendo mistura com cabeça de porco e papelão

ADEAL

Agência deve traçar metas sobre o assunto O presidente da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal), Rui Alves, disse que, na segunda-feira (20), irá se reunir com representantes do Serviço de Inspeção Estadual de Produtos de Origem Animal (SIE) para traçar metas sobre o caso. “Vamos ficar a par de todas essas notícias sobre o assunto e investigar se, aqui em Alagoas, entrou alguma carne [alvo da operação] ou não entrou, embora que nós sejamos responsáveis apenas pelas inspeções dos matadouros de Alagoas. Essas carnes que vêm de fora

geralmente são fiscalizadas pela Vigilância Sanitária. Essas carnes também tem o SIF [Serviço de Inspeção Federal], ou seja, têm trânsito livre no Brasil todo. Vêm naqueles baús refrigerados, entram no Estado e automaticamente são distribuídas para os supermercados”, afirmou. Rui Alves também disse que vai tentar marcar uma reunião com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para planejar ações que visem fiscalizar se há algum produto alvo da operação ‘Carne Fraca’ no Estado.

O superintendente do Ministério da Agricultura em Alagoas, Alay Correia, manifestou o desejo de que o caso continue sendo apurado pela Polícia Federal. “Acho que é uma vontade geral de todos os servidores do Ministério de que se apure e aqueles que têm desvios de conduta que sejam afastados, pois eles geraram um prejuízo para o Brasil inteiro e para a relação da confiança que a sociedade tem para o trabalho que o Ministério faz”, disse o superintendente. COR E ODOR Especialistas falaram à

imprensa nessa sexta-feira sobre o assunto e afirmaram que carnes impróprias para consumo, sejam bovina, suína ou de frango, apresentam, normalmente, a cor e o odor alterados. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) também falou à imprensa e recomendou que o consumidor priorize alimentos ‘in natura’ ou minimamente processados e não os embalados. Também disse para evitar alimentos ultraprocessados, seguindo as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira. (R.B.)

Edição número 2860 - 18 e 19 de março de 2017  

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