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MACEIÓ - QUINTA-FEIRA, 16 DE MARÇO DE 2017 POLÍTICA 7 MARCOS OLIVEIRA

LAVA JATO

Renan diz que não teme ser investigado O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), afirmou ontem que “sempre defendeu qualquer investigação” da Justiça. “A investigação é a oportunidade de se demonstrar o contrário. Acho que nenhum homem público deve se colocar acima da investigação”, declarou. Esta foi a primeira vez que Renan se manifestou sobre a inclusão do seu nome na lista de pedidos de abertura de inquérito do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviada ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os pedidos são baseados nas delações premiadas da Odebrecht. Renan já é alvo de 12 inquéritos na Corte. Ele destacou que tem colaborado “como pode” com as investigações. “Continuarei colaborando para esclarecer tudo, absolutamente tudo. Ninguém mais do que eu tem isso como objetivo.” O presidente conversou com a imprensa após reunião da bancada do PMDB.

CORRUPÇÃO

Governadores compõem lista de Janot

Cinco governadores foram incluídos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na lista de pedidos de abertura de inquérito no âmbito da Lava Jato. Segundo a Folha de S.Paulo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável por julgar ações contra os chefes do executivo estadual, foi informado que receberá os casos. Os nomes, entretanto, permanecem sob sigilo. Cinco ministros do governo Michel Temer (PMDB-SP) também estão na lista entregue nesta terça-feira (14) por Janot ao Supremo Tribunal Federal (STF). Foram incluídos Eliseu Padilha, da Casa Civil; Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência; Bruno Araújo, de Cidades; Gilberto Kassab, da Ciência e Tecnologia e Comunicações; e Aloysio Nunes Ferreira, das Relações Exteriores. O procurador Rodrigo Janot também pediu que o STF investigue seis políticos do DF entre eles, os ex-governadores José Roberto Arruda (antes do PSDB e hoje no PR) e Agnelo Queiroz (PT)

OUTRA LAMBANÇA

Obesidade é por falta da mãe em casa, diz ministro

Manifestações contra reforma da Previdência deixaram governistas preocupados com o futuro do governo

Congresso recua de propostas após as manifestações Líder do PMDB, Renan Calheiros declarou que governo se precipitou e já inviabilizou a reforma da Previdência

A

pós a onda de manifestações que tomou conta do país, ontem no Dia Nacional de Luta Contra as Reformas da Previdência e Trabalhista e pela saída de Michel Temer, deputados e senadores recuaram de medidas polêmicas. Na Câmara, o tema principal das centenas de protestos que se estenderam por todo o dia no Brasil pressionou os deputados. Integrantes da Comissão Especial que analisa a PEC 287, da Reforma da Previdência, afirmaram que os números enviados pelo Ministério da Fazenda não eram suficientes. Os parlamentares haviam pedido ainda em fe-

vereiro o envio dos cálculos atuariais, com informações completas dos benefícios referentes ao período de 2000 a 2015. Encaminhado somente nesta terça-feira (14), o documento trazia resumos de informações. Como justificativa, o governo alegou que o pedido seria “uma extração onerosa tanto em termos financeiros como em tempo necessário para a execução”. Já na noite de ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu reabrir o prazo para a apresentação de emendas à PEC, estendendo para esta sexta-feira (17). Até ontem (14), haviam sido apresentadas 146 emendas sugerindo alterações.

Entre elas, a mudança de pontos decisivos da Reforma do governo Temer, como a idade mínima para a aposentadoria, a regra de transição, mudanças para aposentadoria rural, entre outros. Não apenas a oposição, como também membros da base aliada enviaram os pedidos, como o líder da maioria, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), que assina 25 das emendas. Também diante da ampla adesão popular aos protestos e da reação dos parlamentares, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, criticou as medidas econômicas de Temer e afirmou que o governo “precipitadamente já inviabilizou a Reforma da Previdência”.

HIPOCRISIA

Paneleira tem prisão coercitiva A Polícia Federal prendeu o diretor da Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (Rio Trilhos), Heitor Lopes de Sousa Junior, e o atual subsecretário de Turismo do estado e ex-subsecretário de Transportes, Luiz Carlos Velloso. A operação, batizada de Tolypeutes, é um desdobramento da Lava Jato no Rio, e investiga suposta corrup-

ção e pagamento de propina em contratos da linha 4 do Metrô. Executivos da Carioca Engenharia relataram, em acordo de leniência, que o esquema na Secretaria de Transporte seria semelhante ao da Secretaria Estadual de Obras do Rio, com a cobrança de propina das empreiteiras contratadas para obras. Sete mandados de con-

dução coercitiva foram cumpridos. Um deles foi contra a companheira de Luiz Carlos Velloso, Renata Loureiro Borges Monteiro. O colunista Lauro Jardim posto que, no último dia 4, Renata postou em sua página no Facebook uma foto de Sergio Moro com um comentário típico de paneleira: — É de cabeça erguida que iremos limpar o país!

Campeão das gafes no governo Michel Temer, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, cometeu mais um de suas lambanças ontem. Uma semana depois do discurso machista de Temer no Dia Internacional da Mulher, quando o peemedebista disse que o papel da mulher na sociedade é ir ao supermercado, cuidar da criação dos filhos e dos afazeres domésticos, o ministro Ricardo Barros associou a obesidade infantil ao fato de as crianças não poderem descascar os alimentos “com as mães”. “É preciso qualificar essas crianças para manipular os alimentos. Muitas delas não ficam em casa com as mães e não têm oportunidade de aprender a descascar os alimentos”, disse, sem fazer qualquer referência à figura paterna. Em seguida ele também afirmou que, como as mães não ficam em casa, crianças não têm oportunidade de acompanhá-las nas tare-

fas diárias, como ocorria no passado. “Hoje as mães não ficam em casa, e as crianças não têm oportunidade, como tinham antigamente, de acompanhar a mãe nas tarefas diárias de preparação dos alimentos. E vai ficando cada vez mais distante a capacidade de pegar um alimento natural e saber consumi-lo”, disse ainda, sempre só se lembrando da mãe. As declarações foram feitas durante fala do ministro sobre parceria com o Ministério da Educação para ensinar hábitos saudáveis para crianças. O plano do Ministério da Saúde apresentado tem três metas, a serem alcançadas até 2019: deter o crescimento da obesidade até 2019, reduzir o consumo regular de refrigerantes e de suco artificial em pelo menos 30% e ampliar para no mínimo em 17% o porcentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente.

CAMPANHA ELEITORAL

Maia defende lista fechada para diminuir gastos Após reunião com os presidentes Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE); da República, Michel Temer; e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, no Palácio do Planalto, na manhã de ontem, para debater propostas para a reforma política, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu o financiamento eleitoral público com o sistema de lista fechada. No encontro no Planalto, Gilmar Mendes sugeriu um encontro entre os deputados que discutem o tema em comissão especial na Casa, senadores e conselheiros do tribunal para traçar caminhos

diferentes dos percorridos pelo modelo vigente. O café da manhã foi marcado para o próximo dia 22.Ao chegar na Câmara, Maia destacou a importância do encontro ao argumentar que o sistema atual de financiamento de campanhas eleitorais, por exemplo, tem o custo muito elevado. De acordo com ele, “a democracia tem que ser financiada” e, para isso, é preciso estudar as principais possibilidades de manter os auxílios aos partidos. “Tenho defendido a lista fechada desde o ano passado. De forma objetiva: o financiamento de pessoa jurídica volta no Brasil? Não”, ressaltou.

Edição número 2858 - 16 de março de 2017  

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