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OPINIAO

TRIBUNAINDEPENDENTE

MACEIÓ - QUINTA-FEIRA, 16 DE MARÇO DE 2017

Opinião Direito de greve

A

aprovação de pedido de urgência para a votação de projeto que trata do direito de greve no serviço público gerou discordância no Plenário, ontem. Vários senadores pediram a recontagem de votos e, após muita discussão, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, decidiu retirar da pauta o requerimento de urgência, que foi transferido para a próxima terça-feira (21), na busca de entendimento do colégio de líderes. O PLS 710/2011, do senador licenciado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que está em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), determina que a paralisação poderá ser decretada somente após negativa do Poder Público de atender às reivindicações e aprovação numa assembleia. O projeto obriga ainda a manutenção de 50, 60 ou 80% do efetivo, dependendo da

EMIR SADER

importância da prestação dos serviços, como, por exemplo, saúde e segurança. A oposição encaminhou votação contrária ao requerimento. Na opinião dos senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), trata-se de uma “retaliação” do governo à paralisação de diversas categorias nesta quarta-feira contra a Reforma da Previdência. No mesmo dia em que manifestações e greves gerais tomaram o País contra as reformas previdenciária e trabalhista, senadores da base do governo tentaram acelerar a tramitação de um projeto que enrijece as regras do direito de greve. A proposta é uma prioridade do governo Michel Temer e foi anunciada no mês passado. A atitude causou forte reação da oposição e o requerimento acabou sendo retirado de pauta pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

ALBERTO ROSTAND LANVERLY

Sociólogo e cientista político

O dinheiro corrompe Os presidentes tinham de contar com um grande apoio dos partidos tradicionais, da mídia, do grande empresariado, para poderem fazer grandes campanhas e se elegerem. O caso do Fernando Collor, no início dos anos 1990, foi típico. Um político desconhecido, que vinha da ditadura, conseguiu, contando com tudo isso e, também pelo dinheiro, com um bom marketing, projetar a imagem de salvador do país. No neoliberalismo, a crítica ao Estado, sua redução às suas dimensões mínimas, substituído pela centralidade do mercado, chegou diretamente à política. O financiamento privado das campanhas passou a significar, sem intermediários, nem subterfúgios, comprar os mandatos dos parlamentares, para que eles votem conforme os interesses dos seus financiadores. Mecanismo imoral, de corrupção aberta da política. No caso de Collor tudo ficou bem claro. Mas esse mecanismo funcionou sempre nas eleições parlamentares. O custo avultado das campanhas eleitorais, que tinham na contratação milionária de marqueteiros um elemento que foi se tornando indispensável, foi corrompendo de vez a democracia. Mesmo um candidato popular como Lula teve de apelar para um marqueteiro competente, que tirasse dele a imagem catastrófica, de quem sempre denuncia desastres próximos, para projetar a imagem do “Lulinha, paz e amor” e finalmente triunfasse em 2002. O último Congresso é apenas a imagem mais exacerbada desse poder corruptor do dinheiro,

que subverte a democracia e a representação da vontade popular. Pela primeira vez todo o grande empresariado estava contra o governo, preferia Aécio Neves ou Marina Silva a Dilma Rousseff. E jogou todos os seus recursos na caixinha do Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A revelação da Odebrecht de que deu dinheiro, a pedido da direção do PMDB para eleger a bancada de 140 parlamentares do Eduardo Cunha, foi apenas o elo que faltava para ficar clara toda a trama. Nunca um Congresso foi tão oposto à sociedade real. Ao invés de representá-la, tornou-se o seu inverso. Uma bancada de ruralistas que, diz-se, tem mais de 200 parlamentares, e apenas uns três representantes dos trabalhadores rurais, que são a imensa maioria no campo brasileiro. Bancadas enormes da educação e da saúde privadas, e poucos representantes da educação e da saúde pública. Apenas para dar exemplos, que podem se multiplicar ao infinito. Um Congresso de homens, adultos, brancos, ricos, num pais de maioria de mulheres, negras, pobres, jovens. O envolvimento do PT em casos de corrupção – reais, além dos inventados por juízes a serviço do poder da direita endinheirada – tem também a ver com o financiamento privado e seu corolário, o caixa 2. O partido teve revertida sua imagem de partido da ética na política para a de partido envolvido em casos de corrupção, imagem que o afeta profundamente em termos políticos. O fim do financiamento em-

presarial é um passo para minimizar esse poder do dinheiro. Mas ainda não foi regulamentado, do que se valem gente como o ministro do STF Gilmar Mendes para querer reverter a decisão, alegando que tudo fica sem controle, sem regulamentação. É preciso avançar nessa direção. Isso é fundamental para que a representação parlamentar e nos governos seja democrática, seja resultado de campanhas baseadas nas propostas e nas visões da sociedade e não no poder do dinheiro e nas manipulações marqueteiras. Sem congressos que representem de forma transparente a sociedade, não há democracia. Mas, especialmente no caso dos partidos de esquerda, a única garantia é uma profunda consciência e compromisso com a ética pública, que vale também, profundamente, pelo cuidado com os recursos públicos no exercício de governos. Qualquer afrouxamento nesse tema, qualquer forma de instrumentalização do dinheiro e dos recursos públicos visando a objetivos supostamente positivos, descamba para a corrupção, material e moral, das pessoas. Lutar contra o neoliberalismo é lutar contra a concepção que o preside, de que tudo tem preço, tudo se compra, tudo se vende, até mesmo governos e parlamentares. Faz parte dessa luta a preservação da imagem de Lula e Dilma das falsas acusações que fazem contra eles, para tentar igualá-los aos outros políticos. A imagem ética deles é um grande patrimônio da luta e dos movimentos populares.

Membro das Academias Maceioense, Alagoana de Letras e do IHGAL

A fala do sobrado Ao nos envolvermos com a leitura, sempre travamos um importante diálogo. Isto acontece, diariamente, em reportagens de jornais, (físicos ou virtuais), revistas, livros e até diante de frases pintadas nas paredes da cidade. Quando leio, fica claro existir uma voz, dentro de mim, ajudando-me a filtrar as boas informações das outras cujo conteúdo se apresenta como desinteressante. Dias atrás, participei do lançamento de “Fala do Sobrado”, outro livro da lavra do Imortal da Academia Alagoana de Letras, Tobias Medeiros. O evento, para mim, por si só estava revestido de extremo interesse, devido à admiração nutrida pelo autor, já há muito tempo. No decorrer da solenidade, com o exemplar nas mãos, embora sem lhe conhecer o conteúdo, senti toda a energia positiva advinda daquela voz, gerada em meu interior, levando-me a folhear o recém-adquirido trabalho. Com imensa satisfação escutei, durante aquela festividade, a maviosa Adélia Magalhães cantando sucessos, como “Sertaneja, Nos Tempos dos Quin-

tais e Tempos de Criança” esta última de autoria de Ataulfo Alves, onde, uma das estrofes, diz: “eu daria tudo que eu tivesse, para voltar aos dias de criança, eu não sei para que a gente cresce, se não sai da gente essa lembrança”. Lendo as recordações contidas em cada parágrafo daquele livro, conclui tratar-se de um compêndio poeticamente descritivo dos personagens, responsáveis pela história de um casarão secular, encravado em Poço de Trincheiras, no sertão das Alagoas. De volta ao lar, sentado em meu escritório, já degustando o texto, para minha surpresa, notei haver acontecido uma simbiose instantânea entre a voz do meu eu e a Fala do Sobrado, onde se lê “à noite, o casarão inspira o contemplador a produzir miríades de imagens históricas”. Aprendi, não apenas sobre paisagens, árvores, estradas e horizontes, mas, também, a respeito do “choro do rio Ipanema”, espremido entre as pedras das cachoeiras, ouvindo atentamente o discurso da casa grande de primeiro andar. Enquanto conclui: o “espaçoso prédio de esquina, com frente

LAURENTINO VEIGA Presidente da Associação Alagoana de Imprensa

para a rua e para o beco, onde o português Manoel Antônio Monteiro, mantinha um respeitável ponto comercial”, continuava captando com sofreguidão e, confesso, não foram poucas as vezes nas quais me vi fascinado pelas palavras lidas, sempre e cada vez mais notando estar a caminhar, corajosamente, por dentro do cassino, da barbearia, do deposito de cereais e, também, da escola, ambientes acessados costumeiramente por cada uma das esquadrias do majestoso prédio. Hoje, Tobias nos ensina: “do edifício somente resta a fachada, com suas cinco portas e igual número de janelas”. Em seu capitulo final, o livro afirma: “o silêncio do sobrado saiu do tempo para ficar conosco eternamente. Permanece no imaginário de tantos quantos, através de suas falas, fantasiem outras histórias”. Convencido ser, a leitura de um bom livro, diálogo incessante, fico, cada vez mais, convicto de que, o livro falando, a alma responde. Definitivamente, Tobias Medeiros, através de seu excelente trabalho, me fez feliz, porque aprendi um pouco mais.

Desenvolvimento Sustentável

No dia três de fevereiro de 2017, no Maceió Hotel, o Conselho Regional de Economia, bem como o Sindicato dos Economistas do Estado de Alagoas, nas pessoas dos respectivos presidentes – Maurílio Procópio/ Marcos Calheiros - comemoram o meu aniversário. Naquele oportunidade, recebi o livro Desenvolvimento, Inovação e Sustentabilidade, Contribuições de Ignacy Sachs. Segundo Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República, “Sachas é, sem dúvida, em nível internacional, um dos mais reconhecidos economistas do desenvolvimento sustentável. Seu pensamento tem influência especial no Brasil, país com o qual mantém laços afetivos estreitos, onde viveu, graduou-se em economia durante a juventude e onde mantém importantes relações acadêmicas”. Por outro lado, a Confederação Nacional da Indústria tem

Presidente José Paulo Gabriel dos Santos

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a satisfação de entregar aos leitores uma rica coleção de textos inspirados na contribuição do professor Ignacy Sachs em torno dos desafios do desenvolvimento econômico. Os artigos foram preparados para o seminário “Industrialização e Inovação para a sustentabilidade”, realizado no Rio de Janeiro em 20 de agosto de 2013, sob o patrocínio da Confederação Nacional da Indústria, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e da Secretaria da Cúpula Iberoamericana. O Prefácio, por sua vez, é da autoria Enrique V. Iglesias, exsecretário geral Ibero Americano, que enfatiza a importância da obra, e, ao mesmo tempo, disseca sobre a importância do Desenvolvimento Sustentável. “Ignacy carrega, entre outros atributos, o de ser pioneiro em bater nas portas da consciência crítica da humanidade e reconhecer que não se pode agir

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contra a natureza, é fundamental manter um relacionamento construtivo e positivo entre a necessidade de crescimento econômico, a necessidade de distribuição social e também a necessidade de respeitarmos a natureza. Durante esse período acreditávamos muito na planificação, porque pensávamos que era a única forma de englobar essa visão de crescimento, sociedade e natureza, que só poderia ter sucesso se tivéssemos um olhar do futuro a respeito dos problemas que todos esses pontos convocavam. É por isso que estamos lembrando, nesta homenagem, a grande contribuição de um pioneiro da visão moderna da relação entre economia, sociedade e natureza. Nesse sentido, lembrar os princípios de sustentabilidade ligados à natureza e aos problemas sociais constitui hoje, mais que nunca, um das grandes legados de Ignacy Sachs”.

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Edição número 2858 - 16 de março de 2017  

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