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OPINIAO

TRIBUNAINDEPENDENTE

MACEIÓ - QUARTA-FEIRA, 15 DE MARÇO DE 2017

Opinião

Baixo otimismo

A

pesquisa Ipsos Global Advisor Pulso Econômico, que traz a auto avaliação de 26 países sobre a situação local, mostra que os brasileiros estão pouco otimistas. Apenas 10% dos entrevistados no país fazem uma avaliação positiva do cenário atual. O resultado garantiu ao Brasil o penúltimo lugar no levantamento, perdendo somente para a Coreia do Sul, onde 7% considera a economia “muito boa” ou “um pouco boa”. Na média global, 40% dos respondentes acreditam que a atual situação econômica é positiva. Os melhores índices estão na Índia (80%), Arábia Saudita (78%) e China (76%). A percepção negativa do brasileiro em relação à economia do país é resultado da atual recessão, que trouxe de volta o fantasma da inflação e do desemprego, impactando o consumo e as finanças

PEDRO AUGUSTO PINHO

pessoais. Os países vizinhos do Brasil, Argentina e México, também possuem uma baixa aprovação de suas economias, com 23% e 14%, respectivamente. Na América Latina, somente o Peru alcançou uma alta avaliação neste quesito, totalizando 61%. Comparando o atual resultado brasileiro com o de janeiro houve uma leve melhora - aumento de 1% em relação ao índice anterior. A Bélgica foi o país que apresentou maior melhora de um mês para o outro (alta de 37% para 41%), enquanto, Turquia foi a que mais caiu de 37% para 29%. Outro tema avaliado pelos países participantes é sobre a economia local ser considerada forte. Novamente, Índia lidera com 61% e Coreia do Sul continua na última posição, com 7%. O consolidado global é de 30% e o Brasil atingiu 16%.

ÁLVARO MENEZES Engenheiro civil e consultor em saneamento

E agora, São Francisco? Depois de 170 anos que o primeiro esboço do projeto de transposição de águas da bacia do rio São Francisco foi apresentado, enfim o rio da integração nacional leva suas águas para Estados que não são banhados pelo seu leito natural. Éum feito e um extraordinário feito, que sem dúvidas melhorará a vida de milhões de brasileiros e poderá melhorar a de tantos outros nordestinos. Os números colocam o canal brasileiro entre as maiores obras hídricas do mundo. Se estima que será concluído por U$ 2,61 bilhões colocando-o entre os cinco primeiros em valor investido; deve atender a 12 milhões de pessoas em 390 cidades de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará; 477 km de canais fazem parte dos eixos leste e norte, com respectivamente 217 Km e 260 Km, com vários reservatórios, aquedutos, túneis e estações de bombeamento. Assim, agora então a água do São Francisco chegará a todos nas 390 cidades? Não, porque projeto visa dar segurança hídrica para uma região onde o stress hídrico, a desertificação e a escassez de mananciais é uma realidade secular, significando que barragens existentes passarão a ter água e rios intermitentes deverão ter perenidade, entretanto será necessário que sistemas adutores existentes sejam interligados ao canal, novas adutoras sejam implantadas e novos sistemas de distribuição sejam construídos

para que a água possa atender as cidades e aos previstos 12 milhões de nordestinos. Ou seja, outros investimentos devem ser feitos e tudo passará a depender da capacidade que cada Estado e município terão para obter recursos financeiros. Dois temas são motivos de questionamentos e preocupações, entre eles se o rio conseguirá manter a vazão projetada, garantindo água para abastecimento humano e dessedentação animal, bem como se os usuários da água poderão pagar pela água que será bombeada pelos 477 km de canais. Quanto a vazão, os estudos mostram que mesmo durante os períodos muito secos será possível retirar até 26,4 m3/s da que chega ao oceano atlântico. Hoje a vazão desaguada no mar é 700 m3/s. Numericamente parece pouco, entretanto a realidade mostra uso descontrolado, perdas e desvios de água como realidade nas 390 cidades e regiões que serão beneficiadas, agravando o risco de superutilização dos mananciais perenizados. Quanto ao valor a ser pago pelo uso água, é real a preocupação e apreensão com as formas (in) existentes de gestão das águas do canal, dos serviços de abastecimento de água que usarão a água e mais ainda do uso para dessedentação animal e irrigação que se imporá sobre as outras formas enquanto não houver um responsável pela gestão do canal. Esses

dois fatores, quantidade de água demandada e o valor cobrado pelo uso resumem o maior desafio de um empreendimento de elevados custos de implantação e operação. Os benefícios gerados pelas águas transpostas do rio São Francisco são muitos e associamse a externalidades como saúde pública, desenvolvimento social e econômico, saúde ambiental e conscientização quanto ao valor da água, todavia essas externalidades não são tão valorizadas assim pela sociedade e menos ainda pelos políticos. Considerando a forma como a transposição está entrando em operação, sem modelo de gestão definido e estrutura tarifária, como também sem formas de cobrança ou existência de subsídios para que se tenha justiça para usuários e retorno para investimentos ao longo do tempo, há um grande risco de que a lei do mais forte ou mais esperto prevaleça. Quem tiver algum tipo de poder começará a usar água logo e os custos de operação dos canais serão pagos pelo Governo Federal, o qual por sua vez transferirá de uma forma ou de outra esses custos para a sociedade brasileira em geral. Na realidade hoje se pode dizer que o canal tem um importante papel social e de impacto direto na saúde pública, porém isso é insuficiente para considerar que o empreendimento executado seja viável ambientalmente, socialmente e economicamente.

Administrador aposentado

O poder invisível “Chegará, enfim, um tempo em que tudo o que os homens haviam considerado inalienável se tornará objeto de troca, de tráfico e se poderá vender. O tempo em que as próprias coisas que até então eram compartilhadas, mas jamais feitas objeto de troca; dadas, mais jamais vendidas; adquiridas, mas jamais compradas – virtudes, amor, opinião, ciência, consciência etc – agora tudo isso se faz comércio”. Quem escreveu este período? Papa Francisco? Papa Paulo VI? Leão XIII, da precursora encíclica sobre a condição operária Rerum Novarum (1891)? Meu caro leitor, este texto, de 1847, está na Miséria da Filosofia de Karl Marx. E prossegue o filósofo alemão: “irrompeu o tempo da corrupção geral, da venalidade universal ou, para falar em termos de economia política, se inaugurou o tempo em que qualquer coisa, moral ou física, uma vez tornada valor venal é levada ao mercado para receber seu preço”. Agora reflita sobre um sistema que ganha apenas com a especulação e o suborno, que não produz bens mas que concentra riquezas e que dominando a mídia internacional, nas mãos de 20 pessoas, difunde uma ideologia que levará necessariamente ao extermínio grande parte da humanidade. Este sistema é a banca. Incrível que pessoas de nível superior, bem sucedidas profissionalmente, se deixem enganar por este bem vestido ladrão que corre a frente da multidão, com o produto de seu roubo, clamando “pega ladrão”. Não venho defender nem atacar qualquer partido político, mas salientar incongruências que os anos, ou melhor, séculos, de dominação cultural nos impuseram, a nós brasileiros, mas, igualmente, aos estadunidenses. Não confunda os norte-americanos com a sua elite

INDEPENDENTE Rua da Praia, 134 - sala 303 - centro - Maceió Alagoas Endereço Comercial: Av. Menino Marcelo - 10.440 - Serraria Maceió - Alagoas - CEP: 57.083.410 CNPJ: 08.951.056/0001 - 33

Jorgraf

Cooperativa de Produção e Trabalho dos jornalistas e gráficos do Estado de Alagoas

trução para seus filhos, mais médicos, mais energia elétrica, moradia mais acessível. Ou não é? A primeira e maior corrupção é a da mente, de sua capacidade de discernir, do pensamento crítico, do seu pensar. Quando havia o risco do comunismo se espalhar pelo planeta, uma das críticas que se lhe fazia era exatamente de entender o mundo dentro de uma ideologia. E agora? Por acaso a ideologia da banca é aceitável, aquela que se diz do pensamento único, que lhe faz achar natural um ser humano, igual em vida e afeto a você, morrer na miséria porque não era competitivo (sic)? É assimilável que pelo dinheiro e unicamente pelo dinheiro populações inteiras sejam massacradas, embora o pretexto seja absolutamente iníquo, como o de professar religião distinta da sua, ou de ter um governante que eles aceitam mas não age conforme o interesse dos banqueiros? A farsa da banca já corrompe o seu pensar. Imagine o que faz para se apropriar de seu dinheiro? De seu trabalho? De sua aposentadoria? De sua saúde? De seus filhos? O documentário cinematográfico de 2016 “Eu não sou seu negro”, do ex-Ministro da Cultura do Haiti, Raoul Peck, sobre textos do escritor James Baldwin, que narra ações e pensamentos de alguns importantes líderes negros estadunidenses – Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King –, mostra como o sistema de formação dos cidadãos nos EUA é danoso à própria sociedade norte-americana. Concluo com a tradução livre de uma frase de Baldwin citada no filme: o mundo nunca foi branco. Branco é uma metáfora para o Poder o qual simplesmente é um modo de se referir ao Chase Manhattan Bank (“The world was never white. White is a metaphor for Power, and that is simply a way of describing Chase Manhattan Bank”).

MARCOS ANTONIO DANTAS DE OLIVEIRA Mestre em Desenvolvimento Sustentável [engenheiro agrônomo], membro da Academia Brasileira de Extensão Rural/ABER, professor da Uneal, diretor do Sindagro. sabecomquemestafalando.blogspot.com

Um brasileiro à toa

Muitos estudiosos continuam alertando que: “Todo indivíduo nasce com um legítimo direito a uma certa forma de propriedade ou seu equivalente” defendia Thomas Paine já em 1795 – e quase 200 anos depois não existe esse direito no Brasil – Alagoas é estado com o pior IDHM do Brasil. Mas, o exsenador Eduardo Suplicy autor da Lei nº 10.835/2004, que diz: Artigo 1o – É instituída, a partir de 2005, a renda básica de cidadania, que se constituirá no direito de todos os brasileiros residentes no País e estrangeiros residentes há pelo menos 5 (cinco) anos no Brasil, não importando sua condição socioeconômica, receberem, anualmente, um benefício monetário. Essa Lei garante o usufruto de um quinhão da riqueza pública – do tributo – para alavancar sua mobilidade social. O vexame é que 11 anos depois de sancionada essa lei, o Estado não oferece os benefícios propostos; ademais, a lei caduca, tanto pela ineficiência da máquina pública [poder executivo, poder legislativo e poder judiciário] como pela apatia da sociedade em promover suas prerrogativas constitucionais; e não por falta de dinheiro. O Estado pelas previsões arrecadará nesse ano, cerca de R$ 2,5 trilhões em tri-

Presidente José Paulo Gabriel dos Santos UM PRODUTO:

financista de algumas poucas famílias. Aquele povo também sofre a ausência de uma educação que desenvolva a inteligência crítica, uma saúde que dê tranquilidade aos seus habitantes, uma renda que permita a sobrevivência digna e a sua continuidade após anos de trabalho: a aposentadoria. E são poucas, mas existem, manifestações populares de revolta nos Estados Unidos da América (EUA). Embora a mídia, expressão da dominação da banca, sonegue esta informação, a não ser para doutrinar sobre a questão racial. O sistema de ensino e a mídia são os dois instrumentos que a banca usa para manter a apatia, o conformismo e a aceitação, mesmo desconfortável e irada, de um modelo corrupto e concentrador de renda. Vejamos um exemplo no Brasil. Pergunte-se, amigo leitor, quem você considera mais corrupto: aquele que franqueia toda riqueza natural do País, todo saber acumulado por anos de dedicação e estudo, sem qualquer contrapartida e por tempo indeterminado, aos capitais e países estrangeiros, ou quem aceita algum dinheiro, que não pode ser maior do que o lucro do negócio, para cometer um ilícito, uma compra indevida ou um contrato mais oneroso? Claro que ambos são criminosos, mas o dano causado pelo primeiro é incomparavelmente maior do que o do segundo. Agora veja o que sai nas mídias: ao primeiro há até elogio pela “coragem”, pela “visão estratégica” enquanto ao segundo se sugerem ou se cobram da justiça penas máximas. Por que? Porque desde criança todo sistema para sua formação lhe incutiu um pensamento desvirtuado, um entendimento de certo e errado, do mocinho e do inimigo, do interesse deste Poder Invisível a tal ponto que você fica feliz quando prendem aquele que lhe deu melhor condição salarial, maior facilidade para ins-

Diretor administrativo-financeiro Flávio Peixoto Editor geral Ricardo Castro ricardojcastro@yahoo.com

Diretora comercial Marilene Canuto

butos – ressalta-se que, 79,02% da população que ganha até 3 salários mínimos, paga 53,79% de impostos indiretos. Confirmado, quem ganha menos, paga mais tributos, uma população à toa. Aliás, o serviço público é apropriado pelas exuberantes relações de compadrio [do sabe com quem está falando]; por isso, a avareza, a luxúria, a soberba, a submissão predominam nessas complexas relações, ante a pluralidade de interesses da sociedade e da singularidade da associação de iguais que é o Estado. E alguns servidores públicos, eleitos, nomeados do STF, STJ, TCU e concursados da alta magistratura estadual, por exemplo, e outros personagens se apropriam dos recursos públicos usando o poder, são chefes – chefe é “aquele que controla as ações dos outros para atingir as próprias metas, sem o consentimento desses outros” [Bernardes citando Buckley]. De maneira que, está pra lá de neca de pitibiriba, o bem-estar pelo usufruto dos bens primários em Rawls pela baixa e isolada oportunidade econômica [PIB e renda em viés de baixa, tributo e dólar em viés de alta resultando em desemprego e em mal-estar]; bem como, devido ao Estado [ao governo]

LOCALIDADE ALAGOAS

VENDA AVULSA DIAS ÚTES R$ 2,00

OUTROS ESTADOS R$ 3,00

LOCALIDADE ALAGOAS

ASSINATURAS SEMESTRAL R$ 300,00

OUTROS ESTADOS R$ 500,00

DOMINGO R$ 4,00 R$ 5,00

repressivo, que interfere na vida plural da sociedade, aniquilando a liberdade individual e a cidadania como comprometimento social. E nesse caos, é que se forjam líderes capazes de usar a autoridade em funções públicas “para controlar ou influenciar o comportamento de outros para a promoção de metas coletivas, com base em alguma forma constatável de consentimento destes outros” [Bernardes citando Buckley]. Mas, onde estão os líderes? Aliás, é no locus da política que se debate as incertezas social, ecológica e econômica; as prerrogativas constitucionais; os negócios privados e os públicos, individuais e coletivos; os princípios da Administração pública; a prosperidade da vida privada para o gozo do bem-estar pelo usufruto dos bens primários propostos por Rawls [autoestima, inteligência, imaginação, saúde e vigor, oportunidades, renda, riqueza, liberdades, direitos] e se faz alianças para efetivar às políticas públicas [distributivas, redistributivas, reguladoras] para usufruto desse bem-estar em Rawls, só pensando e agindo como cidadãos iguais e livres que preservam, usam, controlam os recursos naturais e os tributos, asseguram a distribuição de renda e de poder também para gerações futuras.

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Edição número 2857 - 15 de março de 2017  

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