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TRIBUNAINDEPENDENTE

MACEIÓ - QUARTA-FEIRA, 15 DE MARÇO DE 2017 DIVERSÃO&ARTE 1

Selos especiais em homenagem a David Bowie são lançados no espaço Uma série de selos especiais com imagens extraídas de emblemáticas capas de álbuns de David Bowie foi lançada ao espaço como homenagem ao falecido músico britânico. O prolífico e original cantor londrino morreu aos 69 anos em consequência de um câncer, em janeiro de 2016, deixando o mundo da música consternado. Foram lançados no espaço 52 selos - são 10 tipos diferentes - através de balões através de balões de hélio para render tributo ao papel interpretado por Bowie, em 1976. Após a explosão dos balões, os fãs de Bowie que acharem os selos - que estão marcados com o raio vermelho emblemático da capa do disco “Aladdin Sane” - ganharão uma das edições limitadas de CDs do músico.

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O CAPITALISTA ENQUANTO SHOWMAN

á um momento luminoso, entre muitos, na sétima temporada de Mad Men, quando Don, Peggy e Pete vão ao BurgerChef e mais uma vez o capitalismo e a publicidade se unem para dar a forma mais plena do american way: a ideia de que ir ao fast food pode ser um evento-família tão edificante quanto o almoço caseiro de Ação de Graças. Todo marketing das hamburguerias americanas historicamente deriva dessa noção de que o fast food nasce de costumes, de coletividade, e não de conveniências da industrialização. Fome de Poder (The Founder, 2016) tem um apelo inegável enquanto narrativa porque é como se essa desmistificação do fast food tivesse - na história da briga dos irmãos Richard e Maurice McDonald contra Ray Kroc, o “fundador” do McDonalds - todo um começo, um meio e um fim. Kroc conheceu os McDonalds nos anos 1950 e, a partir de uma invenção dos irmãos, a cozinha modulada que impunha ao giro da hamburgueria um ritmo fordiano, criou para si o império que viria a se espalhar pelo planeta todo. Recém-indicado ao Oscar por Birdman, Michael Keaton interpreta Kroc no filme do diretor John Lee Hancock, que abre com um close-up do ator, discursando diretamente para a câmera. Fome de Poder adere logo de cara ao filme-de-ator, seguindo o receituário dos dramas que problematizam os capitalistas americanos, de Wall Street a O Aviador, e a certa altura está fadado a emparelhar Kroc com o Howard Hughes de Martin Scorsese, com seu monólogo para o espelho (que o próprio Scorsese já copiava de si mesmo, de Touro Indomável). Não há nada mais garantido, nesse tipo de filme, do que atribuir ao magnata características de showman. S o filme de Hancock tem suas limitações, elas estão intimamente ligadas

Até que ponto vai a ganância de um empreendedor? Quem são os verdadeiros criadores da cadeia de fast food McDonald’s? Algumas dessas perguntas são respondidas em “Fome de Poder”, em cartaz nos cinemas de Maceió

a essa escolha. Porque embora Kroc no fundo talvez seja apenas um tipo obstinado sem brilho (todos os coadjuvantes que atravessam seu caminho no filme parecem trazerlhe soluções de graça), Keaton dá ao personagem um verniz de carisma e de energia. Ray Kroc é orador, contador de histórias, cantor, pianista, galanteador. As ambições de todos que o orbitam se condicionam à de Kroc, e ao fim Fome de Poder tem uma cara muito mais de cinebiografia solene - embora o olhar sobre o “fundador” não seja lisonjeiro - do que de estudo sobre o capitalismo, como Hancock parece supor. A grande surpresa, aqui, e que termina se tornando a principal arma do filme, é a trilha sonora do compositor Carter Burwell, que consegue dar conta de uma transição do triunfante para o sombrio - quando o sonho dos McDonalds aos poucos se transforma no sonho de Kroc - com uma variação sutil de temas ao piano. Graças a Burwell, o trabalho de Hancock soa melhor do que realmente é: um registro bastante monocórdio do empresário enquanto profeta, sempre com monólogos vorazes e frontais, com palanques e palavras finais, enquanto resolve problemas domésticos e logísticos. No fim, em Fome de Poder, quem vence é o anúncio, a fachada, reiterando o brilho muito particular de vendedores natos como Don Draper e Ray Kroc. Keaton consegue dar ao personagem a sua especialidade: o sorriso sinistro, que muda rapidamente do acolhedor para o tóxico, mas não muito mais do que isso. Talvez Paul Thomas Anderson tenha sido mais esperto, porque também revisitou Scorsese e o monólogo do espelho em Boogie Nights, mas em forma de paródia.

Edição número 2857 - 15 de março de 2017  

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