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OPINIAO

TRIBUNAINDEPENDENTE

MACEIÓ - QUARTA-FEIRA, 11 DE JANEIRO DE 2017

Opinião

Cesta básica de alimentos

P

esquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (PNCBA) é um levantamento contínuo dos preços de um conjunto de produtos alimentícios considerados essenciais. A PNCBA foi implantada em São Paulo em 1959, a partir dos preços coletados para o cálculo do Índice de Custo de Vida (ICV), e ao longo dos anos, foi ampliada para 18 capitais Os itens básicos pesquisados foram definidos pelo Decreto Lei nº 399, de 30 de abril de 1938, que regulamentou o salário mínimo no Brasil e está vigente até os dias atuais. O Decreto determinou que a cesta de alimentos fosse composta por 13 produtos alimentícios em quantidades suficientes para garantir, durante um mês, o sustento e bem-estar de um trabalhador em idade adulta. Os bens e quantidades estipuladas foram diferenciados por região, de acordo com os hábitos alimentares locais.

A partir de contrato firmado com o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, em 2016, o DIEESE ampliou a abrangência da pesquisa para todas as capitais do Brasil, o que tornou o levantamento a única coleta de preços feita em todas as 27 Unidades da Federação, permitindo a comparação de custos dos principais alimentos básicos consumidos pelos brasileiros. Em 2016, o valor acumulado da cesta básica aumentou nas 27 capitais do país, onde o Dieese - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - realizou mensalmente, durante todo o ano, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. As maiores altas foram registradas em Rio Branco (23,63%), Maceió (20,69%) e Belém (16,70%). As menores variações ocorreram em Recife (4,23%), Curitiba (4,61%), São Paulo (4,96%) e Campo Grande (5,04%).

EUGÊNIO ARAGÃO Jurista e ex-ministro da Justiça

A carona de Gilmar Mendes Vamos todos fingir que é normal o presidente do Tribunal Superior Eleitoral pegar carona com um sedizente presidente da república (com letras minúsculas mesmo) para ir a Lisboa, supostamente para participar das cerimônias funerais do maior democrata português da contemporaneidade. É normalíssimo, porque o tal presidente do tribunal é quem vai pautar um processo que pode significar o fim do que se usou chamar, na mídia comercial, de “mandato” do sedizente presidente da república. O tal presidente de tribunal é inimigo notório da companheira de chapa do sedizente presidente que urdiu um golpe para derrubá-la. Mas, claro, tem toda isenção do mundo para julgar ambos.“Nada haverá de suspeito”, como diria o insuspeito jornalista Ricardo Noblat. Quem ousaria dizer o contrário? A carona (ou boleia, como diriam nossos irmãos lusos) veio a calhar. É, antes de mais nada, uma bela viagem 0800, com todos custos cobertos por mim, por você, por nós, obsequiosos bobões. A ideia é só aproximar réu e julgador e – por que não? – usufruir um pouquinho do que a capital portuguesa tem de melhor a oferecer: as tabernas, o fado, as ginjinhas, as pataniscas de bacalhau ou os famosos pastéis de Belém. Nestes tempos bicudos, nada melhor que uma “escapadela” para enfrentá-los com maior disposição. Ninguém é de ferro. As exéquias do democrata lusitano certamente são a menor das preocupações do réu e de seu julgador, pois vê-los prestar suas últimas homenagens ao gigante da política portuguesa parece tão obsceno quanto fosse ver Lula prestá-las a Augusto Pinochet. Vamos todos fingir que neste país chamado Brasil há um patriótico chefe do ministério público, que faz muito bem em ir a Davos. Lá vai cantar uma ode ao combate à corrupção que se usou chamar de sistêmica ou organizada pelas bandas de cá. Ou, quiçá, até de uma forma de governança. Isso também é normalíssimo, por-

que em Davos se reúnem bancos e fundos de envergadura global para traçar estratégias sobre novos investimentos e analisar a conjuntura política e econômica no planeta. Claro, faz sentido. Com as proezas ditas de si e de seu poderoso órgão acusador, vai atrair enorme interesse por investimentos nobres em seu país. Finjamos que grandes empresas adoram investir em economias tingidas de corrupção sistêmica, certificada pelo chefe da acusação. O poderoso órgão de acusação, regiamente sustentado com nossos impostos, como é sabido também, sacrificou no altar da moral purgatória mais de um milhão de empregos e pôs fim a um projeto de desenvolvimento nacional e de uma sociedade inclusiva. Mas, claro, tudo com a melhor das intenções. Fez um nobre serviço à democracia do tal Brasil, permitindo ao réu a caminho de Lisboa instalar-se no poder sob as bênçãos de seu julgador caroneiro, para liquidar, num verdadeiro offsale, os ativos econômicos do país, as jóias da família. Disso empresários em busca de lucros gostam. Mas esse deve ser o menor problema do chefe do ministério público, pois vê-lo em Davos parece tão obsceno quanto ver George Soros num Encontro Nacional dos Procuradores da República em Comandatuba. Vamos todos fingir que temos um preocupado ministro da justiça que declara publicamente apoio ao governo do Amazonas para debelar, em seu sistema penitenciário, a guerra assassina entre facções de traficantes. Normalíssimo, oras. O azarado ministro, de boa-fé, não se lembrou ter negado o pedido desesperado de uma governadora, de uso da Força Nacional que, talvez, pudesse ter salvo a vida de trinta e poucos brasileiros em Roraima, massacrados na vindita de uma facção contra outra, que dizimara quase sessenta concidadãos em Manaus. É aceitável, afinal, que o governador do Amazonas, destinatário do apoio do tal ministro da justiça, tenha sido financiado em sua

campanha eleitoral pela empresa copiosamente remunerada para administrar a penitenciária onde trucidaram os quase sessenta brasileiros. Faz todo sentido, por isso, que pontifique: “nenhum dos mortos era santo!”, como se aplaudisse os padrões da administração penitenciária contratada de seu doador. E faz todo sentido que o tal governador se julgue Deus, para condenar os trucidados ao fogo eterno. Não é que ele mesmo poderia estar lá, se fossem levar a sério, no tribunal do julgador caroneiro, o imperativo de cassação de seu mandato por compra de votos? Deixá-lo falar de falta de santidade é tão obsceno quanto imaginar o cramunhão ser canonizado. A literatura popular alemã contém antiquíssimo anedotário de autoria controvertida sobre uma cidadezinha chamada Schilda. Seus habitantes, os ingênuos Schildbürger, são os protótipos de néscios que fazem, com naturalidade, tudo de forma a nada dar certo. Inventaram um papel higiênico que se pode usar nos dois lados: a prova de sua eficiência está na mão… O Brasil de nossos fingimentos virou uma enorme Schilda. Fazemos os maiores absurdos, mas não perdemos a esperança ingênua de acertar. E não entendemos quem ouse não concordar. Um julgador pegar carona com um réu a ser por ele julgado; um chefe do ministério público ir a Davos para ajudar a atrair investimentos numa economia que chama de podre, ou um ministro da justiça se esquecer de que negara meios a uma governadora para evitar um massacre, mas que agora, diz, vai dá-lo a um outro governador que faltou bater palmas para o banho de sangue no xilindró sob sua responsabilidade: tudo isso não é muito diferente do uso de papel higiênico nos dois lados. Mas quem fica com as mãos borradas somos nós que fingimos estar tudo bem. Bem vindos à Schilda brasileira!

LAELSON MOREIRA DE OLIVEIRA Poeta

JACQUELINE REZENDE

Bruzundangas Eis que lá daquela selva de pedras, onde a arrogância é o remédio genérico da hipocrisia, ancorada no centro do país, uma corja de ratos rasgam correspondências que são direcionadas a prerrogativa de chamar os malfeitores à risca no papel de serem homem, não larápios prepotentes e prematuros descendentes do coronelismo fincado na zona da mata, onde a família patrulha a eterna pujança eleitoral, quando o bastão passa de mão em mão, numa oligarquia hereditária inimaginável. E fazem do reinado uma bomba que não estoura, mas causa estragos que dissemina a moral e a idiossincrasia do homem bom, trabalhador e respeitoso, porque se envolve, inocentemente, nas tramas da venda da liberdade em forma de votos. Tradução exemplar e simplificada do mais inebriante invólucro de droga vendida, não no mercado negro, mas às vistas, em plena luz do dia. Como escreveu Afonso Henrique de Lima Barreto, na sua mais emblemática obra, (a meu ver, na mi-

nha humilde opinião), os Bruzundangas, onde pinta em telas nada surreais, um país tomado pelo poder, por barões do café, na época – aqui são outros quinhentos, e coloca quinhentas vezes milhões -, donos do dinheiro a distribuir sonhos insólitos, maravilhosos, cheios de uma realidade utópica. E ele enfeita com o maior cinismo o que um rato pode demonstrar, quando rouba um naco de queijo, ou como o mais irritante comediante a repetir a mesma piada em todos os espetáculos; assim estão a mercê de tentar pintar um futuro que não existe, que não ver e que fica prometido como a eternidade num céu que não existe, num ser que quer tomar o poder para ser só dele. Tem nada não, a história há de mostrar que os deslizes farão com que o povo mostre as tradicionais armas a metralhar os simpatizantes dos incautos para que eles não se transformem em zumbis. O carnaval é a alegoria dos gastadores do dinheiro do povo, é o ópio de uma nação, um país como

Especialista em gestão de pessoas e diretora da Sias Consultoria e Gestão

Bruzundanga que não reage por causa da força de uma esteira que esmaga a massa, quando a maioria dos políticos gasta nababescamente abraçando a aristocracia já que assim é permitido, claro que de braços dados a oligarquia já citada acima. Enquanto o povo, a mercê das migalhas que caem no chão, mas sempre em troca do cabresto eleitoral como estigma de subserviência que perpetuará enquanto os otários assim permitirem, se esfarela, tem o seu sangue sorvido, vive faminto, esfarrapado, ultrajado, vilipendiado a seu gosto, porque se ajoelham a presença das aranhas migaloformas engravatas, prontas para abraçar com suas garras os bajuladores de plantões. Esses vivem a sorrisos largos. Cada povo merece ter os princípios necessários para viver de amém o resto de suas vidas, porque não adianta apenas mostrar a realidade se a ficção vai de um pais criado, como fez Barreto, para um outro que existe, projetado por corruptos.

Garantindo empregabilidade A previsão para o crescimento do desemprego em 2017 é grande no Brasil. O ano chega ao fim com um cenário ruim, atingindo índices recordes, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontando quase 12% da população economicamente ativa fora do mercado formal e com um número recorde de desocupados. Um conjunto de competências e habilidades de qualificação profissional se torna fundamental para quem quer desenvolver a própria carreira, destacar-se em entrevistas, ou mesmo para manter o próprio emprego nesse período conturbado economicamente. A expectativa é um aumento significativo em preparação para disputar as vagas disponíveis com menos oportunidades e alta demanda. Algumas áreas já sinalizam a possibilidade de aquecimento e para aproveitar essas oportuni-

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Edição número 2814 - 11 de janeiro de 2017