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TRIBUNAINDEPENDENTE

MACEIÓ - TERÇA-FEIRA, 10 DE JANEIRO DE 2017 POLÍTICA 7

Temer forneceu informações aos EUA Fundador do WikiLeaks afirmou que presidente repassou questões de inteligência política em troca de apoio ao golpe

E

m entrevista exclusiva ao escritor Fernando Morais, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, afirmou que o presidente Michel Temer teve reuniões privadas na embaixada americana para fornecer inteligência política, visando a construção de uma relação de apoio político. No trecho divulgado, com duração de 56 segundos, não foram dados detalhes de quando os encontros teriam ocorrido, quais teriam sido as informações, nem quem foram os principais personagens envolvidos. “Michel Temer teve reuniões privadas na embaixada americana para passar a eles questões de inteligência política a que não muitos tiveram acesso, discussões das dinâmicas políticas no Brasil. Isso não é para dizer que ele é um espião pago pelo governo americano. Eu não sei, não existem evidências de que ele seja um espião pago, em termos financeiros. Estamos falando de algo mais, de construir uma boa relação de forma a ter trocas de informação entre os lados e apoio político mais adiante”, afirmou Assange no trecho divulgado. O WikiLeaks está no centro das acusações de seis agências de inteligência dos Estados Unidos, que atribui ao presidente russo Vladimir Putin envolvimento em uma campanha para desgastar

as instituições do país. Conta o relatório de 25 páginas que a organização teve papel importante na estratégia, ao divulgar informações, segundo o documento, obtidas por meio de espionagem russa. Em entrevista recente à rede norte-americana Fox, concedida na embaixada do Equador em Londres, onde está refugiado desde 2012, Assange reafirmou que a Rússia não estava por trás dos e-mails da candidata democrata derrotada Hillary Clinton vazados. CRUZEIRO POR REAL Em discurso no Rio Grande do Sul, durante a cerimônia de entrega de ambulâncias a prefeitos, Michel Temer cometeu uma gafe daquelas ao trocar a moeda corrente do Brasil. Segundo ele, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, “em pouquíssimo tempo, anunciou a economia de 800 milhões de Cruzeiros, que significam novas UPAs, novas UBSs e também novas ambulâncias”, causando um burburinho no local. O Real substituiu o Cruzeiro como moeda corrente no Brasil em 1993. A gafe foi minimizada pelas autoridades presentes ao evento. Do lado de fora, fora do Parque de Exposições, sindicalistas protestavam contra o governo quando foram dispersados pela polícia mediante o uso de spray de pimenta.

BETO BARATA

Presidente Temer é acusado por Julian Assenge, do WikiLeaks de repassar informações de inteligência política para os EUA

ESTADOS EM CRISE

STF e AGU discutem caos financeiro ROSINEI COUTINHO

Após o encontro do sábado passado entre o presidente Michel Temer e a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, ficou definido que haverá uma reunião entre as equipes técnicas do Advocacia-Geral da União (AGU) e do STF para tratar da crise financeira dos Estados e discutir soluções. Ainda sem data marcada, a reunião deve ter a presença da Advogada-Geral da União, Grace Mendonça, e da presidente do STF, o que ainda não está confirmado. EFEITO DOMINÓ

Presidente do STF, Carmen Lúcia deve se reunir com a AGU para tratar sobre dívidas dos Estados

BARBÁRIE

Deputado pede que presos de Bangu promovam chacina O deputado federal Major Olímpio (SD), que em 2016 disputou a prefeitura de São Paulo, usou as redes sociais no sábado, 7, para “estimular” uma chacina de presos no Complexo de Bangu, na Zona Norte do Rio. O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, está preso no local. “Placar dos presídios: Manaus 56 X 30 Roraima . Vamos lá Bangu, vocês podem fazer melhor”, escreveu o parlamentar no Facebook. Ligado a Polícia Militar, Olímpio disse ao Estado a intenção do post foi “fazer uma ironia”. “Não incitei a violência.

Não estou torcendo por uma nova chacina. Só usei a ironia para mostrar o tamanho da tragédia”, disse Olímpio. Quatro detentos foram mortos na madrugada de domingo, 8, na cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no Centro de Manaus. Três deles foram decapitados. Com as novas vítimas, o número de presos mortos no Amazonas por conta dos desdobramentos da guerra entre as facções FDN e Primeiro Comando da Capital (PCC) sobe para 64. Em Boa Vista (RR), na semana passada, houve mais 33 mortos. Na semana passada, o

secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio, pediu demissão após dar uma declaração polêmica sobre as chacinas nos presídios de Roraima e Manaus. Filiado ao PMDB, ele afirmou que mais precisos devia ter morrido e que deveria haver uma chacina por semana. Na sexta-feira, ao comentar o massacre cometido pelas facções em Manaus, o secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio (PMDB), demitido disseque “tinha era que matar mais”, “Eu sou meio coxinha sobre isso. Sou filho de polícia, né? Tinha era que matar mais. Tinha que fazer uma chacina por semana.”.

SENADO

EDUCAÇÃO

Entre os 81 senadores brasileiros, apenas um compareceu a todas as sessões no Senado em 2016: José Reguffe (DF). Segundo levantamento publicado pela revista Congresso em Foco, o senador sem partido foi a todas as 91 reuniões para votação de projetos, medidas provisórias ou propostas de emenda constitucional (PECs) no plenário da Casa. Waldemir Moka (PMDB-MS), José Pimentel (PT-CE) e Eunício Oliveira (PMDB-CE) tiveram apenas uma falta cada, enquanto os senadores Alvaro Dias (PV-PR), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Simone Tebet (PMDB -MS), Wellington Fagundes (PR-MT), Dalirio Beber (PSDB-SC), Fátima Bezerra (PT-RN) e Lasier Martins (PDT-RS), três ausências cada um.

O governo Temer quer fazer uma auditoria em alguns programas que oferecem bolsas de estudo a professores, com o objetivo de economizar até R$ 1 bilhão por ano do Ministério da Educação (MEC), hoje capitaneado por Mendonça Filho (DEM). Segundo informações do Painel da Folha de ontem, o MEC “vai contratar uma auditoria externa para avaliar a eficiência e os gastos de programas da pasta. Estão na mira a Universidade Aberta do Brasil, o Programa de Bolsas de Iniciação à Docência e o Projovem, que dá auxílio financeiro para que pessoas de 18 a 29 anos concluam o ensino fundamental.

José Reguffe compareceu a todas as sessões

MEC vai cortar bolsas para os professores

Um dos motivos que levam à realização de uma reunião é discutir a situação do Rio de Janeiro, que, em estado de calamidade, conseguiu na semana passada liminares para evitar que a União sacasse dos cofres estaduais recursos a que tinha direito. Uma preocupação do governo federal é impedir que haja um “efeito dominó”, ou seja, decisões do STF atendam a eventuais pedidos de Estados na linha do que foi feito pelo Rio. Havia ainda uma expectativa de que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), fossem se reunir com Cármen Lúcia na quarta-feira. Pezão e Meirelles já se reuniram na manhã desta segunda-feira, 9, no gabinete ministerial da Fazenda na capital fluminense e, por conta dos avanços nas negociações, a reunião de conciliação no STF do governo federal com o Estado do Rio não deve mais acontecer.

Edição número 2813 - 10 de janeiro de 2017  

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