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TRIBUNAINDEPENDENTE

AÍLTON VILLANOVA ailton.vilanova@gmail.com

MACEIÓ - TERÇA-FEIRA, 10 DE JANEIRO DE 2017

CIDADES

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Casos de zika cresceram quase 3.000% em 2016

Infectologista diz que medo da doença é justificável e que mulheres devem estar atentas

SANDRO LIMA

ANA PAULA OMENA REPÓRTER

O Mas que obra prima!

A

inteligente e sempre elegante professora Glayde Lucidi, residindo atualmente em Salvador, onde atua com reconhecida competência, no Tribunal Regional Eleitoral, continua mantendo a sua banca de Português, para a alegria dos soteropolitanos. Tive o prazer e a honra de ser seu colega de trabalho, em determinado matutino da cidade – ela como chefe da revisão e eu como repórter e redator. Um amor de criatura, a Glayde. Um dia, quando lecionava em prestigiado estabelecimento de ensino de Maceió, justo a véspera da abertura do período de férias de meio de ano, Glayde chegou para uma de suas classes e avisou: - Meninos, na volta do mês de férias que inicia amanhã, eu gostaria que vocês me trouxessem um trabalho de redação, tá combinado? O melhor de todos terá algo mais, além da nota, ouviram? - Obáááá! – vibrou a garotada. Foram-se as férias, os meninos voltaram às aulas, cada um com o trabalho pronto. Todos entregaram uma folhinha escritada, no máximo duas. Somente o garoto Carlos Roberto, o Cacá, apareceu com um calhamaço de papel encadernado parecendo mais um livro. A professora espantou-se: - Isso tudo é o seu trabalho de redação, Cacá? - É, professora! A senhora não imagina o trabalho que eu tive! - Pelo volume, posso imaginar. Certamente é um romance. - Mais ou menos, professora. Cheia de curiosidade, Glayde Lucidi tomou aquele autêntico livro nas mãos, abriu na primeira página e leu: “A Grande Arrancada”. Era o título da obra. - Que emocionante, Cacá! – suspirou a mestra, algo emocionada. E virou a segunda folha. Estava lá escrito: “Vrrruuummm, vrruumm, vrruumm...” Na terceira folha: “vrrruuummm, vrrruuummm, vruuummm...” Na quarta, mais vvvrrruuuummm...” Na quinta, idem. A sexta a mesmíssima coisa. E assim sucessivamente. Na medida em que virava as páginas, professora Glayde só lia “Vrruuummm.” Seiscentas e cinquenta paginas de “Vrruuummm”. É mole? Até que chegou a última: - “Vruuummm, Vruuummm, Vruuummm... Rrrruuuuuuu... Vabei!”

Mil gentes

Ele já nasceu com o olhar trocado, quer dizer, estrábico. Seus pais fizeram o possível e o impossível para consertar o defeito ocular do menino. Nenhum oftalmologista de fama neste Brasil conseguiu desentortar o olhar da criança. Mais uma tentativa: dessa vez, com a ajuda de um generoso senador, o garoto foi levado aos Estados Unidos. Ele voltou mais zarolho do que o antes. Seu nome, afinal: Nabucodonozor Neto, o Neto Nabuco. Depois dessa viagem à América do Norte, Neto Nabuco desencantou de vez. Uma vez zarolho, sempre zarolho. Outro dia, caminhando na orla marítima ele teve a certeza de que não era o único zarolho complicado na face da terra. Foi quando cruzou com o sujeito chamado Pluraldo, e o cumprimentou, pensando que eram quatro: - Oi turma! E Pluraldo, respondendo na batata: - Oi, pessoal! Tudo bem com vocês? Neto Nabuco foi em frente, sorrindo de satisfação.

A porta do armário, também?

Cansada de lidar com empregadas domésticas citadinas, a jornalista Ana Márcia, caríssima esposa do nosso editor-geral Ricardo Castro, resolveu buscar uma criada no interior do Estado. Viajou com o marido à Quebrangulo e apanhou Delzuíta, uma baixinha do olhinho vivinho. Assim que chegaram em casa, Ana Márcia foi logo dando as coordenadas: - Olha Delzuíta, antes de abrir qualquer porta, você bate, ouviu? E ela: - Inté as porta do armaro, patroa?

Só no peito

Estimulada pelos Jogos Olímpicos, a lourinha Valdetrudes inventou de participar de uma competição de natação em determinado clube social da cidade, e se inscreveu na modalidade peito. No dia da prova, lá estava ela acompanhada da mãe, dona Eudábia. Todas as garotas caíram na água e mandaram o peito pra frente. No fim da competição, Val não se conformava com a sua desclassificação: - Não é que eu queira reclamar, mas eu acho que as outras meninas usaram os braços!

Queria beber até o dono!

O tal de Lourinaldo Bezerra é o tipo do cara que só abre a boca pra dizer besteira. Ainda por cima, é boçal. Aos 45 aos de idade continua solteiro. Mulher nenhuma sai com ele mais de uma vez. Noite dessas, arrumou uma loura e a levou pra jantar num restaurante bacana. Para impressioná-la, pegou o cardápio e ficou reparando nele por alguns minutos até que, finalmente decidiu, e chamou o maitre: - Primeiro, vamos tomar um bom vinho... - Perfeitamente, doutor. Qual vai querer? O boçal apontou para o cardápio e falou, cheio de empáfia: - Me veja aí esse “Giuseppe Spondalucci”. E o maitre, todo encabulado: - Desculpe, doutor, mas esse é o dono do restaurante!

Receita bem guardada

Gordinha simpática, mas bastante atrapalhada, dona Gorgelina entrou apressada na clínica do médico Ptolomeu Arruda, espalhando gordura pra todo lado. - Olhe eu aqui de novo, meu santo! – anunciou, toda contente. – Eu não prometi que voltava? Voltei! O médico olhou pra ela, desconfiado: - A senhora em certeza de que guardou rigorosamente a dieta que lhe prescrevi? E ela, bem convicta: - Mas é claro, doutor! Tá pensando que eu sou alguma irresponsável? - Bem... eu só queria saber... - Sou nenhuma irresponspavel, não, doutor! Ela está muito bem guardadinha na gaveta da cômoda!

s números divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) Alagoas são assustadores envolvendo o zika vírus no Estado. Dados surpreendem indicando um crescimento de quase 3.000%, enquanto em 2015 foram registrados 272 casos da doença, no ano passado o quantitativo desconcertou para 8.026. Fernando Andrade, médico infectologista, percebeu que a preocupação das mulheres aumentou, e elas têm chegado ao consultório com o receio de engravidar. As dúvidas são semelhantes, segundo ele, na maioria das vezes elas querem saber se quem teve zika pode engravidar. “O medo é justificável”, lembrou. “A gente sabe que o zika é um vírus que pode transmitir microcefalia, entre outras alterações. Enfim, sabemos que na prática a pessoa que é infectada fica por alguns meses com o vírus circulando no organismo, então é preciso tomar esse cuidado de não engravidar quando exista a possibilidade da mulher ter tido zika há pouco tempo”, observou. O infectologista disse também que é não se deve deixar de engravidar por causa do receio, mas é necessário tomar cuidado, se for o caso até adiar um pouco para não correr risco. “Até onde se sabe, quem teve zika

Segundo Fernando Andrade, recomendação para mulher que contraiu zika é aguardar pelo menos seis meses para engravidar

não corre o risco de ter novamente. Se a mulher estiver grávida e tiver o zika vírus na gestação afeta diretamente o bebê, o que pode provocar o abortamento, microcefalia, retardamento mental da criança, entre outros que podem acontecer”, explicou. Conforme Fernando Andrade, não se sabe ao certo depois de quanto tempo que a mulher teve zika é possível tentar uma gravidez. A recomendação atual é de que a mulher aguarde pelo menos seis meses. “Embora não se tenha uma certeza disso, porque o vírus é uma doença nova que não é co-

nhecida na sua totalidade ainda. Na prática, já que a doença não apresenta tantos sintomas é que a mulher caso suspeite, faça o exame que detecta se ela teve zika ou não”. “A mulher que comprovadamente nunca teve zika e queira engravidar que se tente, mas deve-se ter extremo cuidado para que não seja picada pelo mosquito durante a gestação. A que teve zika tem que observar o período para não engravidar”, completou. De acordo com a Sesau, a ação mais efetiva para combater o mosquito aedes aegypti é, sem sombra de

dúvidas, a eliminação dos focos. Por isso, é importante descartar corretamente todo e qualquer recipiente que possa acumular água parada. Pratinhos com vasos de planta, ralos, baldes, garrafas, calhas, pneus e até brinquedos podem ser os vilões e servir de criadouros para as larvas do mosquito. É importante verificar se a caixa d’água está vedada, a calha totalmente limpa, pneus sem água e, em lugares cobertos, garrafas e baldes vazios e com a boca virada para baixo, entre outras pequenas ações que podem evitar o nascimento de larvas do mosquito.

ESTRATÉGIA

Sesau atua na capacitação dos agentes Saúde Estadual presta assistência técnica as 102 secretarias municipais Além destas medidas que todos devem colocar em prática em suas residências, nos locais de trabalho e repassar para os vizinhos, a Sesau tem atuado na capacitação sistemática dos agentes de endemias municipais, prestando assistência técnica as 102 Secretarias Municipais de Saúde. Também tem investido em mecanismos para combater os focos do mosquito, como o aplicativo Juntos pela Saúde, onde é possível denunciar locais onde há proliferação do aedes aegypti.

Outra estratégia adotada é a utilização de drones que começaram a ser utilizados há poucos dias. A tecnologia tem sido uma grande aliada no combate ao mosquito em Maceió. Nos locais de difícil acesso, como coberturas de prédios, casas fechadas e terrenos abandonados, as equipes de agentes de combate a endemias contam com a ajuda desses equipamentos com uma câmera para fazer o monitoramento. A principal orientação é combater o aedes aegypti, que é transmissor do zika

vírus, que pode provocar a microcefalia. Para isso, é necessário eliminar os focos do mosquito. Paralelo a essa medida primordial, as gestantes devem utilizar repelentes para evitar picadas do mosquito vetor e também é recomendado utilizar roupas que protejam todo o corpo. Os riscos de se contrair uma das três doenças transmitidas pelo aedes aegypti é igual para todos, sejam gestantes ou não, dependendo da exposição ao vetor. Estudos têm demonstrado que

o zika só afeta os humanos uma vez. Informações sobre a forma de como o zika vírus afeta os bebês estão ocorrendo desde a vinculação com a microcefalia, mas já existe uma tese que mostra que o vírus afeta os bebês quando contrai a doença durante a gravidez. É importante ressaltar que a microcefalia também pode estar associada a outros problemas durante a gravidez, como o uso de drogas pela gestante e a sua exposição a agrotóxicos, por exemplo. (Com assessoria)


Edição número 2813 - 10 de janeiro de 2017