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OPINIÃO

TRIBUNAINDEPENDENTE

MACEIÓ - QUARTA-FEIRA, 4 DE ABRIL DE 2018

Opinião Visto eletrônico

O

visto eletrônico tem se mostrado uma inciativa de sucesso para a atração de turistas estrangeiros. Em fevereiro e março, os dois primeiros meses que a medida entrou em vigor nos quatro países beneficiados – Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão –, a solicitação de vistos para o Brasil apresentou crescimento de 48,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O número de autorização de entrada no país, de acordo com levantamento do Ministério das Relações Exteriores (MRE), saltou de 29.697 para 44.007. Dos 44.007 vistos emitidos em fevereiro e março, 32.035 (72,8%) foram eletrônicos, os chamados e-Visas. Os americanos foram os que mais aproveitaram a facilidade, 23.472, seguidos dos australianos com 3.707 e-Visas. No terceiro lugar, aparecem os canadenses, com 3.161 vistos, e o Japão com 1.695.

TADEU PORTO

Segundo projeção do Ministério do Turismo com base na média de gastos dos turistas desses quatro países, o crescimento identificado apenas em fevereiro e março deve injetar US$ 16,4 milhões a mais na economia brasileira na comparação com 2017. O primeiro beneficiado com a medida foi a Austrália, em novembro de 2017. Em janeiro deste ano foi a vez de Japão, Canadá e Estados Unidos contarem com a facilidade. A política de facilitação de vistos faz parte do Brasil + Turismo, programa criado pelo Ministério do Turismo para estimular o setor de viagens no país e que pretende chegar a 12 milhões de turistas estrangeiros em 2022. Com o visto eletrônico, o processo de solicitação e emissão da autorização para entrada no país dura, em média, 72 horas contra os 40 dias necessários anteriormente.

Diretor da Federação Única dos Petroleiros

Encontro bizarro Que a República Nova ruiu em 2016 eu já suspeitava, só não sabia que o velório ia ser tão vergonhoso e aterrorizante. (Pelo menos não podemos condenar a história ou o acaso, afinal, nesse período horripilante da nossa trajetória, cada figura que se destaca parece ter saído direto de um filme de terror.) Com ou sem a direção do Zé do Caixão, as instituições estão funcionando normalmente, dizem os golpistas no primeiro microfone que aparece na sua frente. E é natural que os usurpadores do poder argumentem assim, afinal, golpes de Estados precisam necessariamente afastar o povo das tomadas de decisões – como, por exemplo, cancelar eleições, fechar o congresso ou reprimir atos de rua – para que a elite, disfarçada de mídia e burocracia, defina o rumo do país. Portanto, dizer que “as instituições estão funcionando” é, nada mais nada menos que explicitar para a sociedade: “deixa a gente resolver as coisas aqui e fiquem fora dessa”. Obviamente, tal afirmação não tem ancoragem nenhuma

com a realidade nacional. As Instituições sequer estão funcionando – vejam a paralisia do STF, por exemplo – e, quando resolve funcionar adotam uma postura egoísta e totalmente fora o escopo ético que, teoricamente, justifica a existência institucional. Um grande exemplo dessa aberração foi o encontro fora da agenda entre a presidenta do Supremo – Carmen Lúcia – e aquele que usurpou a presidência da República, Michel Temer. Dentro da lógica institucional, o primeiro presidente a ser investigado no mandato e ainda a ter seu sigilo fiscal quebrado (se estivéssemos numa democracia eu seria contra esse absurdo, mas já que Temer começou esse jogo de vale tudo é difícil sentir empatia por ele) não pode ter encontro fora da agenda com a representante maior do Judiciário. Aliás, não é a primeira vez que Carmen faz isso: ela já esteve reunida com o “PIB brasileiro” e participou de jantares com a Shell, aquela petrolífera acusada de corrupção pelo mundo todo. A pergunta que nos vem na mente, nesse momento, é

quantos setores da sociedade civil, inclusive aqueles que sofrem de verdade com a crise do país, conseguem uma reunião com a presidente do STF, como conseguiram empresários bilionários, empresas de petróleo e um presidente golpista? Essa é a cara do Brasil do golpe: meia dúzia de pessoas com zero identificação popular e que quase não passaram pelo crivo do voto direto estão ditando as regras – quando querem e da maneira que querem – sem respeito algum ao pacto popular, seja eleitoral, seja constitucional. Por isso, quando a Presidenta do STF acenou e sorriu para a câmera que registrou o momento em que ela recebia o presidente golpista não foi a simpatia de quem gostaria de demonstrar que “as instituições funcionam” mas sim um deboche de quem sabe que não vai sofrer nem um pouco pela crise que o país vive. O “baile” Temer-Lúcia se torna, assim, a materialização do Brasil pós-golpe: o encontro de uma casta que tem a absoluta certeza de que não medirá esforços para manter seus privilégios.

JORGE LUIZ SOARES MELO Médico e membro efetivo das academias alagoanas de Medicina, de Letras, de Cultura, da Academia Maceioense de Letras e da SOBRAMES-AL.

Avanços tecnológicos ANTONIO ARNALDO CAMELO Médico aposentado

Mulher, médica e gestora Participamos, como convidado, na manhã de dia 15/03/18, de uma belíssima solenidade de homenagens alusivas ao dia internacional da mulher, por iniciativa da Secretaria Estadual de Cultura, que foi comandada pela competente médica e escritora Dra. Roseane Rodrigues, subsecretária executiva daquela pasta. A apresentação musical ficou por conta da voz canora de Leureny Barbosa, que encantou a plateia, interpretando canções da “velha guarda”. Dez mulheres escritoras foram criteriosamente selecionadas e homenageadas com o Troféu Dia Internacional da Mulher, onde se observa a silhueta, em alto relevo, de uma flor, e o dístico Mulheres que Escrevem Alagoas. Fiquei deveras gratificado, pois, entre as mulheres agraciadas, estava a escritora Petrucia Camelo, minha esposa, autora do poema “Flor de Estufa: Mulher, flor de estufa, / Quebre a vidraça e olhe para o sol. /Lá fora estão o vento, a chuva, as estrelas.../Mesmo que lhe queimem as pétalas, /Não lhe torrarão as raízes”. Além de outras homenageadas, cujas manifestações tiveram dois objetivos: reconhecer e

valorizar as escritoras alagoanas, e prestar um tributo na oportunidade em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, que, sem dúvida, é um símbolo de força, carinho, doçura, determinação, altruísmo, capacidade, inteligência e intelectualidade. Personalidades de várias áreas culturais e educacionais estiveram presente; o senhor governador do Estado foi representado pelo Secretário de Comunicação Jornalista Ênio Lins. Entre as mulheres homenageadas, a uma particularmente, quero dirigir o meu simples, porém sincero depoimento e reconhecimento pelo seu valor, intelectual, seu caráter, singeleza, dignidade, determinação, liderança, honestidade, ética, além de sua sensibilidade, como esposa, mãe, avó, médica, professora, escritora, gestora, administradora, provada sua capacidade em todos os cargos públicos que exerceu durante toda a sua vida, leia-se: Secretária Municipal de Educação em várias gestões e atualmente titular; Magnífica Reitora da Universidade Federal de Alagoas em dois mandatos. Sua conduta ilibada, emoldurada por

sua personalidade, simplicidade e liderança, discreta, saber ouvir e decidir, sem que jamais se tivesse notícia de qualquer denúncia em relação ao seu comportamento à frente desses órgãos públicos, por onde passou. Sem dúvida, sua presença, enriquece qualquer quadro de assessoramento na composição de qualquer governo. Política por vocação na área de educação, belíssimo currículo digno de referência e parâmetro para um servidor público em qualquer escalão hierárquico deste país. Sou testemunha do seu caráter irretocável, porque fomos gestores num mesmo período de governo em órgãos diferente, mas afins, e guardo dela a melhor lembrança da convivência que o cargo público pode nos proporcionar. Fico totalmente à vontade para fazer essas afirmações porque durante todo esse tempo, raríssimas foram as vezes em que estive em seu gabinete. Creio que, pela descrição acima, já podemos concluir que estamos a falar da mulher, médica e gestora Dra. Ana Dayse Rezende Dorea. Parabéns à Secretaria de Cultura de Alagoas, pelos merecidos reconhecimentos!

É inegável que há um grande progresso nas ciências médicas, as doenças são detectadas por aparelhos modernos, as bactérias e os vírus são exterminados com eficácia e eficiência por antibióticos cada vez mais atuantes. As novas tecnologias, principalmente, na área de imagem, trouxe, os mais importantes avanços na medicina nas últimas décadas. Cito por exemplo: A Ressonância Magnética, A Tomografia Computadorizada, a Ultrassonografia e os métodos da medicina nuclear revolucionaram a medicina. Voltemos ao passado, não podemos esquecer que em suas bases, a Medicina era uma atividade humanística e social. A meta da Medicina era o bem estar daqueles que vinham ao nosso consultório, daqueles que se encontravam internados nos hospitais. O Paciente era tratado como um ser biopsicossocial. A história clínica era o ponto mais valorizado da consulta médica. Permitia ao médico tomar conhecimento de fatos, suposições e medos. Criava as condições para uma perfeita relação médico-paciente. Dava ao médico, as condições necessárias, 90% de se chegar a várias hipóteses diagnósticas. Os custos eram baixos, até

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porque os exames complementares de alto custo não existiam, mas, principalmente porque havia um profundo cuidado do médico ao solicitar esses exames para não onerar quem quer que fosse o pagante, fosse ele o paciente ou o estado. O mesmo acontecia em relação aos medicamentos e, nessa época, não havia os materiais dispendiosos hoje existentes. Aprendíamos que medicamentos são uma parte da cura e que outras situações como hábitos de vida e conscientização do paciente, podiam levar a remissão dos sintomas. Como docente do curso de medicina da Uncisal, sempre ensino aos meus alunos, que a clínica é soberana, que os erros acontecem, por não se examinar o paciente, de que por não saber. A Tecnologia deve bem utilizada, reforçar nosso raciocínio e ao confirmar nossas hipóteses diagnósticas, reforçar nossa relação médico-paciente. O que não podemos, e, infelizmente para muitos se tornou rotina, é substituirmos a investigação por análise laboratorial e ou de imagem. A história é única pois o paciente e a relação com o mesmo também é única. O Tempo passou rápido e métodos mudaram, o raciocínio

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clínico foi substituído pelo pedido de exames complementares. A anamnese tornou-se um questionário e a história natural da doença desapareceu. A pessoa virou paciente, que virou doença, que virou sinais e sintomas, que viraram exames. As reflexões se tornaram meros reflexos, os meios se tornaram fins e, quando isso acontece, os princípios desaparecem. Mesmo com essas mudanças, continuo mostrando aos meus alunos da medicina, que apesar dos progressos tecnológicos, a Anamnese será sempre o ponto mais importante de uma consulta médica e a complementação com um exame físico bem feito, seguido da solicitação de exames complementares, do mais simples ao mais complexo, faz o médico chegar a hipóteses diagnósticas corretas. A tomografia computadorizada não dá vida ao fígado e a ressonância magnética não exprime sentimento e ou pensamento do cérebro. Não podemos jamais substituir o livro por tecnologias informatizadas, mecânicas e desatualizadas.. Um Médico humano, ético e competente possui o maior de todos os desígnios, que é a sua capacidade de prevenir doenças e a arte de curar os enfermos.

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Edição número 3116 - 4 de abril de 2018  

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