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14.000 EXEMPLARES – DISTRIBUIÇÃO GRATUITA ÓRGÃO MENSAL DE DIVULGAÇÃO ESPÍRITA – ARARAQUARA, BAURU, MARÍLIA E MATÃO/SP – SETEMBRO DE 2014 – ANO 1 – Nº 12

Deveres com a Pátria Exemplos não faltam de amor ao país. Voto consciente é instrumento de construção da democracia.

páginas 6 e 10

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de da pr ática mediú nica Pág ina 12

Fechamento autorizado Pode ser aberto pela ECT

Mais parcerias de distribuição

Hospital Espírita de Marília

Setembro de Herculano e Cairbar

USEs de Bauru e Marília unem-se à distribuição do Tribuna do Espiritismo.

Cidade traz histórico de pioneirismo na divulgação e vivência espíritas.

Mês marca o aniversário de nascimento de dois ícones da divulgação espírita.

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Setembro de 2014

Editorial

Edição especial

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tingimos 12 edições do Tribuna do Espiritismo. Um ano de trabalho que se iniciou com iniciativa do Grupo de Espíritas Anônimos de Araraquara (em setembro de 2013), depois assumido pelo Instituto Cairbar Schutel em janeiro de 2014. Ao esforço de divulgação de patrocinadores e instituições, somou-se a parceria com a Associação Chico Xavier, de Bauru, em fevereiro deste ano. Agora, na edição especial de um ano de circulação, duas novidades: as USEs Bauru e Marília, no interior do estado, somam-se conosco na edição e distribuição do jornal. Por isso o leitor tem em mãos a edição com 14.000 exemplares e com 16 páginas. Havendo apoio de novos patrocinadores poderemos manter as 16 páginas, lembrando que o jornal já é nacional e também está disponível virtualmente no site do Instituto. E tudo isso coincide com setembro, quando comemorase os nascimentos de Cairbar Schutel e Herculano Pires, quando se realiza o EAC e também se centralizam as comemorações pelos 150 anos de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Motivo de júbilos intensos para todos nós! r

Setembro de Herculano e Cairbar Ambos nasceram em setembro e trazem expressivo vínculo pessoal Orson Peter Carrara

orsonpeter92@gmail.com

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stamos em 2014 comemorando o centenário de nascimento de José Herculano Pires, que nasceu em Avaré, no interior paulista, em 25 de setembro de 1914. Filho do farmacêutico José Pires Corrêa e da pianista Bonina Amaral Simonetti Pires, foi jornalista, filósofo pela USP, educador, parapsicólogo, escritor e tradutor brasileiro. Foi também repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário dos Diários Associados. Chamado o Apóstolo de Kardec, foi considerado o espírita que mais compreendeu a obra da Codificação. Deixou imenso legado de dezenas de livros e sua linha de pensamento era forte e racional, combatendo os desvios e mistificações, sendo a maior característica do conjunto de suas obras a luta por demonstrar a consistência do pensamento espírita e defender a valorização dos aspectos crítico e investigativo originalmente propostos por Kardec. Interessante pensar ainda que no mês em que integramos mais ampla distribuição do Tribuna em Marília, também verificamos que Herculano viveu em Marília-SP, de 1940 a 1946, quando dirigiu o Diário Paulista. Na edição de abril de 2014, do Tribuna do Espiritismo, publicamos entrevista com Adriano Runho – de Arara-

quara-SP, abordando o centenário de Herculano e que o leitor pode acessar pelo site do Instituto, em PDF ou visualização on line. Mas setembro também é aniversário de Cairbar Schutel, que nasceu em 22 de setembro de 1868. Natural do Rio de Janeiro, fixou-se em Matão, onde fundou o Centro Espírita Amantes da Pobreza, o jornal O Clarim – e por consequência a editora –, a Revista Internacional de Espiritismo, tendo sido pioneiro na divulgação espírita por rádio, publicou inúmeros livros e igualmente

Sua vida inspirou inúmeras obras que abordam seus exemplos, sua dedicação, sua coragem, suas lutas e, claro, os benefícios que espalhou com sua conduta e firmeza de propósitos. Pois foi Cairbar que proporcionou a estreia de Herculano na imprensa espírita, publicando na edição da RIE, de fevereiro de 1938 – que Cairbar deixou preparado, mas não chegou ver a circulação, pois sua desencarnação ocorreria em 30 de janeiro do mesmo ano –, o primeiro artigo do então jovem Herculano, que Cairbar não conhe-

deixou imenso legado de conhecimentos, recebendo os cognomes de Bandeirante do Espiritismo, o Apóstolo de Matão e Espírita número 1 do Brasil, este especialmente pela sua conduta de amor e solidariedade, com sua postura sempre pronta de acolhimento aos necessitados do corpo e da alma, sem desprezo ou discriminação a quem quer que fosse. Enfrentando uma época de imensas dificuldades e muito preconceito, foi homem de fibra na luta pelo ideal espírita, consolidando seu nome e seu trabalho, que influencia gerações. Seu trabalho inspirou o surgimento do Instituto Cairbar Schutel, que assumiu a presente publicação, depois do surgimento por iniciativa anônima.

cia. O artigo abordava o último livro do célebre escritor Paulo Setúbal (consagrado autor de romances históricos, à época). E como citou Jorge Rizzini: “Fato assaz significativo: dias depois da desencarnação do insigne jornalista de Matão, sua bela revista apresentava aos leitores o jovem estreante Herculano Pires, o qual viria a ser um dos mais lídimos representantes do jornalismo profissional brasileiro e, a exemplo do próprio Schutel, um denodado e brilhante defensor dos postulados espíritas! Quase diríamos que houve nesse gesto derradeiro de Schutel uma sutil intenção premonitória, que passou despercebida pelos seus biógrafos”. r


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O telefone somente toca de lá para cá Qual o sentido da frase atribuída ao médium? Marildo Campos Brito

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sta afirmação tem levantado e causado entre a classe espírita muita polêmica e ambigüidade, no sentido de que o médium estaria contrapondo aos ensinamentos de Allan Kardec conforme descreve

36odliram@gmail.com

o capítulo XXV de O Livro dos Médiuns, intitulado Das Evocações, o que não é verdade. Está bem claro ao estudarmos principalmente no item 274 da citada obra, que todos os espíritos podem sim ser evocados,

qualquer que seja o grau da escala a que pertençam os bons como os maus, os que deixaram a vida recentemente, como os que viveram em tempos mais recuados, os homens mais ilustres como os mais obscu-

ros, nossos parentes, nossos amigos, como os que nos são indiferentes; mas, isso não quer dizer que queiram ou possam sempre atender ao nosso chamado; independente da sua própria vontade, ou da permissão que lhes pode ser recusada por um poder superior, podendo para isso, estar impedido por motivos que não nos são sempre dado penetrar. Portanto o argumento de Chico Xavier é totalmente lógico e plausível quando ao se referir que “o telefone somente toca de lá para cá”; pelo simples fato de que os Espíritos muita das vezes estão investidos por ocupações e missões particulares; da qual, não podem estar vinte e quatro horas a nossa disposição e ao sabor de nossos desejos imediatos. Portanto o trabalho deste notável e admirado médium, sempre esteve em consonância com os postulados codificados por Allan Kardec, sem deixar jamais de entreter um participativo intercâmbio com os espíritos necessitados e amigos, objetivando oferecer na sua abençoada e relevante missão, fidedignas mensagens confortadoras aos que o procuravam por noticias de seus familiares desencarnados premidos pela dor da saudade. Cônscio de seus deveres e responsabilidades como disciplinado e dedicado homem de bem, Chico Xavier pautou incondicionalmente sua vida nas tarefas do labor mediúnico sempre tutelado sob a régia direção e determinação do plano espiritual; como ele próprio preferia dizer ao ser interpelado “Sou apenas um carteiro, um mensageiro de Deus”. r


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Boas-vindas à USE Bauru! Instituição de unificação intermunicipal na cidade soma-se ao Tribuna. Redação

redacao@institutocairbarschutel.org

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USE – União das Sociedades Espíritas – Intermunicipal Bauru, órgão de unificação do movimento espírita, soma-se ao Tribuna nos esforços da divulgação espírita. Com adequação de seu conteúdo para os leitores de seu órgão oficial – o jornal Olhar Espírita –, a instituição igualmente firmou parceria com o Instituto Cairbar Schutel na edição e distribuição desse veículo informativo, o jornal Tribuna do Espiritismo, o que amplia o raio de ação e divulgação da própria USE Bauru, pela expansão via Tribuna. É muito significativo e para o Instituto Cairbar Schutel motivo de imensa satisfação que a nova parceria, agora com a USE Bauru – pois que existe parceria com a Associação Chico Xavier, também da mesma cidade –, que referida soma de esforços com o mesmo objetivo ocorra em setembro (mês de nascimento de Cairbar Schutel e também mês indicado pela USE ESTADUAL para comemoração dos 150 anos de O Evangelho Segundo o Espiritismo), além de ser o mês de realização do Encontro Cairbar Schutel. E mais: somado também ao apoio da USE MA-

RÍLIA, onde igualmente se firma parceria para distribuição do jornal, com ajuda de muitos amigos. Por isso as nossas boas-vindas à USE Bauru.

Atualmente estamos com 32 Instituições, e duas solicitando adesão, em processo de análise, com um raio de atuação em doze cidades.

Entrevistamos compactamente seu Presidente, Eduardo Pereira – servidor público aposentado e Presidente do Grupo Espírita Paulo de Tarso, na mesma cidade, com mandato no triênio 2012/2015, que nos respondeu:

2 - Que benef ícios podemos visualizar na parceria entre as instituições na edição e distribuição do jornal? Sempre quando falamos em parceria, lembramos de união em torno da divulgação da Mensagem Espírita, que se fortalecerá, permitindo uma abrangência das informações do Movimento no interior de São Paulo.

1 - Quantas cidades e instituições estão abrangidas pela USE BAURU?

No meio Espírita, devemos salientar que é mais um passo visando as propostas de Unificação, bem como estreitar nossos laços. 3 - O jornal anterior foi incorporado pelo TRIBUNA. Como se chamava o antigo periódico da USE? Quando foi fundado? O Jornal chamava-se Olhar Espírita, com tiragem de 2.500 exemplares. Por muitos anos circulou um periódico mensal chamado Boletim Informativo. Em Novembro de 2009 nascia o Olhar Espírita. 4 - Quais as realizações futuras da USE já em planejamento? Em Setembro, em comemoração aos 150 anos de lançamento de O Evangelho Segundo o Espiritismo, uma semana de palestras com temas do Evangelho, e nos dias 20 e 21, o fechamento com José Carlos de Lucca, de São Paulo. Em Novembro, dias 8 e 9, a Feiramor, Feira que reúne todas as Casas que são adesas á USE, com praça de alimentação e artesanatos, e outras atividades. Em dezembro, a Feira do Livro Espírita em, praça pública, sem data ainda fixada. Os dias 20 e 21 de setembro foram escolhidos pela USE Estadual para comemorar no estado todo os 150 anos da citada obra da Codificação. Em nossa região teremos um ciclo de palestras em todas as 32 casas adesas, com palestrantes de Bauru e região. A ideia é refletir o trabalho feito pelos discípulos de Jesus divulgando o Evangelho de Jesus. r


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Marília, no interior paulista, soma também! Apoio da USE local e de vários amigos viabilizam distribuição do TRIBUNA na cidade. Redação

redacao@institutocairbarschutel.org

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leitor verificou na página ao lado a adesão da USE Bauru na parceria para edição e distribuição do Tribuna. Em Marília, para nossa alegria pela expansão do movimento espírita e para fortalecimento da unificação das instituições, também se soma nesse esforço, na cidade e região. Transcrevemos parcialmente – com atualização do entrevistado – respostas da entrevista concedida em 2009 à revista eletrônica O Consolador, (www.oconsolador.com) pelo atual vice-presidente da USE local, Donizete Pinheiro da Silveira. Autor de vários livros, palestrante muito conhecido, magistrado aposentado, espírita desde os 9 anos de idade, reside em Marília vinculando-se a instituição espírita daquela cidade. (...) Como é a Marília espírita? O movimento espírita em Marília vive uma fase muito boa, graças ao dinamismo que ganhou há mais ou menos oito anos, quando um grupo de companheiros bastante interessados assumiu a diretoria da USE Intermunicipal, tendo à frente Mara Virgínia Moreira Rocha. (...) Quantas instituições espíritas existem na cidade? Temos notícia de pelo menos 27 instituições espíritas, sendo uma de acolhimento de crianças e adolescentes, dois abrigos de idosos, um hospital psiquiátrico, uma escola de ensino primário e fundamental e um centro univer-

sitário. As demais casas são centros espíritas. A USE Intermunicipal tem procurado aproximar as casas espíritas e a cada quatro meses realiza um encontro entre os seus presidentes, o que tem contribuído para um maior entrosamento e troca de experiências. Com isso, temos percebido uma maior participação dos frequentadores das casas nos eventos promovidos pela USE. Quais são os eventos mais expressivos do movimento espírita atual? A USE Marília realizou seminários, encontros, fóruns doutrinários e incluiu no seu calendário a realização do Mês Espírita, em anos alternados com a Feira do Livro Espírita Chico Xavier, já na sua quarta edição. Também já foi realizada a segunda Semana da Unificação, com um ciclo de pa-

lestras com a participação de expositores da cidade falando em vários centros espíritas. Os marcantes eventos ocorridos no passado em Marília exerceram influência no movimento espírita atual da cidade? Marília sempre teve um papel relevante no movimento espírita, e a própria USE nasceu de um congresso regional aqui realizado. Marília sediou a única Confraternização de Jovens do Brasil e também Confraternizações Estaduais e Regionais. O Clube do Livro Espírita nasceu em Marília, por iniciativa de José de Oliveira Reis Filho, que tinha uma livraria, e se popularizou com o trabalho dos companheiros da cidade de Bauru. No entanto, somente os espíritas daquela época, já idosos, guardam disso as boas lembranças. Quem está à frente do movimento, na maioria, são companheiros diversos, muitos originários da mocidade espírita, e outros que ingressaram só posteriormente no movimento de nossa cidade. Q uais os mecanismos de divulgação espírita existentes na cidade para o grande público? Há clube do livro, coluna em jornal, programa de rádio?

Temos um clube do livro, mantido pelo Centro Espírita Luz e Verdade, o programa de televisão “Luz e Vida”, transmitido por televisão comunitária a cabo e apresentado por um grupo de espíritas. (...) O Consolador: Há algo mais que gostaria de acrescentar? Que nestes tempos difíceis da grande transição sejamos capazes de manter a serenidade e a paz, tendo Jesus como nosso guia e Kardec como nosso Mestre. Que, quanto possível, levemos a mensagem espírita adiante, na certeza de que estamos todos necessitados de suas lições de esperança e consolação. r Nota da Redação: Sugerimos aos leitores visitarem o portal da USE Marília: www.mariliaespirita.jor.br onde também estão disponíveis edições do jornal Ação Espírita, fundado em julho de 1990. Trata-se de um jornal independente a serviço do Espiritismo e dos órgãos de unificação. A publicação atualmente é trimestral, com 2.000 exemplares, distribuídos, graciosamente, em Marília e região e também para várias instituições espíritas e pessoas do Brasil. r


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Pense no conjunto, e vote Voto é expressão que delega e deve ser consciente. Cláudio Bueno da Silva

klardec1857@yahoo.com.br

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conversa era sobre política. A certa altura o amigo me disse: – As relações humanas se globalizaram a tal ponto que hoje, em sã consciência, não se pode tomar decisões importantes como o voto, por exemplo, tendo por base unicamente os fatos e ocorrências que dizem respeito à vida individual. Embora o voto seja uma escolha pessoal, de foro íntimo, para que ele seja consciente, precisará ser o resultado de uma reflexão ampla. Ainda mais quando se trata de escolher os governantes de um país com dimensões continentais como o nosso, cheio de particularidades regionais e desigualdades socioeconômicas ainda bem acentuadas.

– Onde é que a globalização entra nisso? – perguntei um tanto afoito. – Se entendermos que os princípios universais da caridade, da solidariedade e da fraternidade são a base da conduta cristã, precisamos pensar, para decidir sobre o voto, não apenas nas coisas que nos tocam pessoalmente, mas no conjunto das ações políticas e sociais que podem interferir na vida de todos, para melhor ou para pior. – Aonde você quer chegar? – insisti. – Se o candidato é novato para o cargo precisará mostrar que seu programa de governo atenderá minimamente a todas as regiões e a todos os brasileiros; se pleiteia reeleger-se, terá de se submeter ao

julgamento popular que avaliará o trabalho já realizado. – Preciso então ser um expert em política para poder votar? – provoquei. – Não propriamente, mas sua escolha deverá ser pautada no máximo de conhecimento e informações que possa obter dos candidatos. – Eu estava pensando em não votar desta vez – comentei, sem muita convicção. – É um direito seu, mas que não ajuda a resolver problemas. Ao eleger um governante, por mais que o julguemos capaz, não podemos achar que ele irá corresponder plenamente a tudo e a todos. Primeiro porque as questões são muitas e variadas e, resolvidas umas, aparecem outras; segundo porque as

demandas de certos segmentos de pessoas e grupos descontentes são sempre muito difíceis de atender satisfatoriamente. O voto obrigatório em nosso país nos impõe cumprir o dever, mas não é só isso. A escolha refletida, amadurecida, nos dá a tranquilidade de termos votado segundo a nossa consciência. Ao contrário, o voto negligente, e mesmo a abstenção, podem nos fazer carregar o peso da responsabilidade de uma escolha equivocada. – Como saber se a escolha foi certa? – Só o tempo dirá. Não conhecemos os desígnios de Deus e o que Ele prepara para esta ou aquela nação, este ou aquele povo. Apenas sabemos que cabe aos homens construir a verdadeira democracia, de que o voto é o principal instrumento, e procurar encontrar, sem descanso, os caminhos da liberdade, da paz e do real progresso. – Admito nunca ter encarado uma eleição sob estes aspectos – confessei. – “A priori, nenhum sistema político ou de governo será ideal, no sentido de sua grandeza em servir ao povo, se governo, políticos e o povo não agirem moralmente com correção”¹. Se muitos ainda não se preocupam em viver os valores éticos no seu dia a dia, sejamos nós a quebrar essa rotina e mostrar que isso é plenamente possível. E estaremos fazendo a nossa parte. r 1. Em Pensamentos sobre a humanidade, pelo espírito Pirandello, médium Elifas Alves, Lúmen editorial, 1995.

O voto obrigatório em nosso país nos impõe cumprir o dever, mas não é só isso. A escolha refletida, amadurecida, nos dá a tranquilidade de termos votado segundo a nossa consciência.


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apenas o antigo “Juquery” - hoje “Franco da Rocha”, a “Casa de Saúde Allan Kardec”, na cidade de Franca, e o “Mariano Dias”, na cidade de Barretos, em vias de formação. Os doentes com poucos recursos financeiros ficavam, até se conseguir lugar no conhecido Juquery, quando violentos, retidos nas cadeias públicas, oferecendo, não raro, espetáculo deprimente nas

convocando assembleia para aprovação, o que se fez a 23 de abril daquele ano. Depois se agregaram muitos outros seareiros, entre eles Eurípides Soares da Rocha. Aprovados os estatutos, fez-se o registro e iniciou-se o serviço de assistência médica aos necessitados, aos fundos do Centro Espírita Luz e Verdade, com a participação de vários médicos. Os medicamentos

Marilia. O associado Manoel Pinto Ribeiro conseguiu do Sr. Francisco Cavalieri, cuja propriedade agrícola confinava a rua Santa Ernestina (hoje rua Dr. Joaquim de Abreu Sampaio Vidal), por vinte contos de réis (R$ 20.000,00), uma área de 24.200 metros quadrados, ocupada com cafeeiros. Através do agrimensor Octávio Falcão, Hygino Muzzy Filho confeccionou a planta, que logo mais tratou de executar, e o Hospital se inaugurou em 18 de julho de 1948, com a presença do então Governador do Estado Dr. Adhemar de Barros. (Em texto adaptado extraído da obra “Marilia sua Terra sua Gente”, 1a Edição, do historiador e fundador Paulo Corrêa de Lara)

grades localizadas nas vias públicas. Assim a proposta daquele médico encontrou apoio imediato nos presentes àquela inauguração, que logo nomearam uma Comissão para tratar do assunto, que a 29 do mesmo mês e ano, se reuniu e elaborou o primeiro estatuto,

eram fornecidos pelos médicos locais, como amostras. Vendo, entretanto, que a finalidade era o atendimento ao doente mental, procurou-se logo um terreno para a construção do hospital. Por esse tempo já se modificara o nome do hospital para Hospital Espírita de

Por outro lado, o dinamismo do movimento espírita da cidade, há décadas, contou ainda com a participação pioneira de Eloy Alves da Silva e sua esposa, Maria Nunes de Souza, fundadores de várias instituições espíritas na cidade. r

Uma cidade espírita no interior paulista Fatos históricos importantes e pioneiros nasceram em Marília (SP). Halumi Saito

halumisaito@hotmail.com

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m Marília nasceu o clube do livro espírita – consagrada modalidade de divulgação do livro espírita –; na mesma cidade foi realizada a única Confraternização de Jovens Espíritas do Brasil e também, entre outros fatos, em Marília está o conhecido e respeitado Hospital Espírita de Marília. Com informações colhidas junto a amigos contemporâneos de vários fatos históricos, a registros em livros, fotos e documentos, agora que o jornal Tribuna do Espiritismo também está sendo distribuído na cidade que mantém mais de duas dezenas de instituições em ativo funcionamento, colhemos alguns fatos para apreciação dos leitores. O próprio site www.mariliaespirita.jor.br da USE local contém inúmeras informações das instituições na cidade e a dedicação de inúmeros tarefeiros aqui reunidos fazem da cidade um polo importante de trabalho em prol do estudo e da divulgação espírita. Hospital Espírita de Marília* Em 8 de janeiro de 1939, quando da inauguração do prédio do Centro Espírita “Luz e Verdade”, sito à rua XV de Novembro nº 1.146, nesta cidade, o médico Dr. Antônio Pereira Manhães, por sugestão do Sr. Hygino Muzzy Filho, proprietário da Alfaiataria Carioca, sito à rua Prudente de Moraes, propôs que se fundasse em Marília um hospital destinado ao tratamento dos doentes mentais, sob a denominação de “Hospital Espírita Deus”. Tal proposição devia-se à falta de hospitais para tal fim no Estado de São Paulo. Por esse tempo, existiam


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16º Congresso Estadual de Espiritismo Evento paulista ocorre em Santos. Coordenação do Congresso 16congresso@usesp.org.b

definida para o período de 18 a 21 de abril de 2015. Com os oradores Antonio Cesar Perri de Carvalho, Adalgiza Campos Balieiro, Sandra Maria Borba

todo o evento, com apresentações artísticas na abertura e no início de cada um dos módulos que integram o tema central. A Comissão Organizadora fixou em R$120,00 o valor do Bônus de Inscrição, mantendo valor de congressos anteriores. O bônus dará direito a compra de livros, CDs, DVDs e outros produtos que estarão sendo comercializados no local.

Imagem: http://www.wikipedia.org

Cidade de Santos vista do Monte Serrat.

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om o tema Para onde caminha a humanidade – Amor, Educação e Ética, ocorre em Santos-SP, a 16ª. edição

do Congresso Estadual de Espiritismo – promovido pela USE – União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, com data

Pereira, Célia Maria Rey de Carvalho, Tiago Cintra Essado, Marlene Nobre, André Luiz Peixinho, Anete Guimarães, Alberto Almeida e Richard Simonetti, em especialíssima programação e temática abrangente, o evento contará ainda com um coral de 500 vozes, formada por dezenas de corais, que deverá fazer um dos momentos artísticos do Congresso. A arte, aliás, vai pontuar

O evento terá suas cerimônias de abertura e encerramento no Ginásio de Esportes Arena Santos e as 25 oficinas (estudo e prática) serão realizadas nas instalações da UNIP de Santos. As inscrições deverão ser efetivadas pelo site www.16congressouse.org.br e informações adicionais podem ser obtidas pelo e-mail: 16congresso@usesp.org.br r


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Encontro Cairbar Schutel alcança 4ª edição Centenas de inscritos, de dezenas de cidades, encontram-se em Araraquara

No mesmo fim de semana... 150 anos de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” trazem De Lucca para Bauru. Depto. de Eventos USE Bauru josylene.padilha@terra.com.br

Instituto Cairbar Schutel www.institutocairbarschutel.org

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vento realizado pela primeira vez em 2011, em Matão (SP) – cidade que o acolheu também no ano seguinte – congrega os espíritas para estudo e confraternização, pela segunda vez em Araraquara. Com dezenas de cidades representadas, os participantes encontram amplo espaço físico e didático em atividades motivadoras ao despertar das próprias potencialidades. Muito mais que palestras, as oficinas aproximam e interagem com os participantes que, da arte à reflexão, da alegria espontânea

e contagiante, acolhendo crianças, jovens e famílias inteiras. Em 2014, motivado pelos 150 anos de O Evangelho Segundo o Espiritismo, o tema central Faça o bem sempre leva os inscritos ao despertar dos talentos pessoais na dinâmica do COMO FAZER? Seja bem-vindo. Ainda há tempo para inscrever-se. Acesse o site www.institutocairbarschutel.org , onde estão todas as informações, faça sua inscrição e venha participar desse encontro de alegrias! Dias 20 e 21 de setembro na UNIP-Araraquara. r

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osé Carlos de Lucca é Juiz de Direito em São Paulo, capital, escritor e palestrante espírita, com 15 livros publicados, e estará presente em Bauru para jornada de dois compromissos que apresentamos aos leitores. Pedimos que compareçam e divulguem: Sábado, 20 de setembro de 2014, 19h – Palestra no Centro Espírita A Serviço do Mestre, lo-

calizado à Alameda Três Lagoas, 4-28, Vila Dutra. Domingo, 21 de setembro de 2014, às 9h – Atividade artística e palestra em homenagem pelos 150 anos de O Evangelho Segundo o Espiritismo, seguida de autógrafos e diálogos fraternos, das 10h30 às 11h10, no Centro Espírita Amor e Caridade (CEAC), localizado à Rua 7 de Setembro, 8-30, Centro, em Bauru. r


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Os deveres dos cristãos com a Pátria nas eleições Nem todos os candidatos são descompromissados com o bem. Alessandro Viana de Paula

vianapaula@uol.com.br

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Frise-se que o clímax da democracia é o processo eleitoral, quando poderemos atuar como eleitores e candidatos. O cristão tem que estar consciente dessa participação no processo eleitoral, pois, como eleitor, irá eleger os representantes dos poderes executivo e legislativo, nas

promissados com o bem, pois certamente haverá aqueles que desejam colaborar com o melhoramento da sociedade. Tenhamos paciência para ouvir as propagandas políticas e conhecer melhor os candidatos. Penso que o cristão consciente não deve anular ou votar em bran-

três esferas de atuação (municipal, estadual e nacional). Temos que nos informar acerca dos candidatos, de suas propostas, e votarmos naqueles que atendam às nossas aspirações de um mundo melhor, jamais vendendo nossos votos ou permitindo que outros interesses norteiem as nossas escolhas. Não podemos afirmar que todos os candidatos são descom-

co, desperdiçando a oportunidade de trabalhar pela Pátria. Caso não encontre nenhum candidato, pelo menos vote na legenda partidária, porque haverá partidos políticos que mais se aproximem das nossas ideologias. Refletindo um pouco sobre o outro lado – o do candidato – muito se fala que não se deve misturar política com religião.

Imagem: http://peregrinacultural.files.wordpress.com

negavelmente, a democracia é uma das grandes conquistas do processo evolutivo, tendo sua origem na Grécia, em 508 a.C., quando Clístenes propôs que cada cidadão tivesse direito a um voto nas questões políticas a serem deliberadas. Infelizmente, ainda vemos a tirania e a ditadura em alguns países, que são filhas do orgulho e do egoísmo, mas com o melhoramento moral da humanidade, já que vivenciamos a transição planetária, notaremos que a democracia, quiçá mais aprimorada, atingirá, gradativamente, todas as nações. Anote-se que à medida que o indivíduo amadurece moral e intelectualmente, ele se torna um cidadão consciente e nobre, preocupado com a sociedade onde vive, saindo da indiferença para a ação construtiva na área do bem e da paz. Poderemos, por exemplo, participar das denominadas “Associações de Bairro”; criar ou participar de ONG´s que visem o bem comum; participar de entidades que fiscalizem o uso da verba pública; integrar os Conselhos Municipais, que ajudam nas políticas públicas do município; etc. Atuar na cidade onde se vive é trabalhar pela Pátria, pelo nosso querido Brasil.

PÁGINA 10 Particularmente, interpreto essa frase como o dever de não fazermos propagandas políticas dentro dos templos religiosos. Todavia, isso não significa que o cristão não possa ser candidato. Alguns dizem que há tanta corrupção na política que não vale a pena se infiltrar nesse meio. Certa feita, ouvi a seguinte frase de um amigo espírita: “Os maus ocupam os espaços que os bons deixam”. Essa frase aplica-se à política. Se as pessoas de bem optarem por não se envolver na política, os maus políticos preencherão esses espaços. Outros dirão, serei apenas um no meio de muitos corruptos, de forma que nada poderei realizar. Jesus disse que enviava os cristãos para as tarefas do bem como cordeiros no meio de lobos. Cabenos, como candidato eleito, sermos cordeiros do bem, usando dos meios éticos e lícitos para combater as ilegalidades vigentes, sem temer qualquer represália. Na seara espírita, tivemos notáveis candidatos, que não se omitiram na tarefa de dar suas contribuições pessoas na área da política. Citamos Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti (Vereador e Deputado Provincial) e Cairbar Schutel (Vereador e Prefeito). Contagiados pelo evangelho do Cristo e imbuídos da tarefa de construirmos um mundo mais moralizado e digno, não nos furtemos às responsabilidades com a Pátria. Atuemos com coragem e ousadia, seja no processo eleitoral, seja nas ações nobres, tendo Jesus como modelo e guia, e o amor como alimento da alma. r


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Leia, distribua, divulgue o TRIBUNA Esta edição especial, de primeiro aniversário, está com 16 páginas. Com sua ajuda podemos mantê-lo neste formato. Chegamos aqui com a ajuda de muita gente e o jornal está indo para todo Brasil, também com remessa gratuita. Distribua-o amplamente! Solicite informações: institutocairbarschutel@gmail.com

Acesse nosso site: www.institutocairbarschutel.org


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Complexidade da prática mediúnica Atividade é estudada em obra de referência. Instituto Cairbar Schutel

institutocairbarschutel@gmail.com

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ivro lançado pela FEB estuda mediunidade com profundidade, desde os aspectos históricos e seus fundamentos à complexidade de sua prática. Fruto de intensa pesquisa das orientações espirituais e das fundamentações de O Livro dos Médiuns, seu autor, Waldehir, nosso entrevistado, é espírita há 52 anos, nasceu em Recife-PE e reside no Distrito Federal. Professor de História e Presidente do Grupo Espírita Casa do Caminho, no Guara II-DF, é autor de vários livros e palestrante espírita. Suas lúcidas respostas trazem dimensão dos desafios que essa faculdade humana apresenta, exigindo conhecimento, disciplina e atitude caritativa para seu êxito. 1 - Dada a complexidade mesmo da prática mediúnica, que dá título ao livro, o que você diria ao estudioso e pesquisador espírita sobre o tema, como primeira pergunta? Que eles continuem no estudo e na pesquisa e ofereçam os resultados do seu empenho ao público, que necessita de livros didáticos para lhe despertar o interesse pelo estudo. Sabe-se que a comunicação mediúnica não se faz por um processo simples como imagina a maioria dos espíritas. Diz André Luiz: “A operação da mensagem não é nada simples, embora os trabalhadores encarnados não tenham consciência de seu mecanismo intrínseco, assim como as crianças, em se fartando no ambiente doméstico, não conhecem o custo da vida ao sacrifício dos pais.” Na comunicação humana, onde adotamos o mesmo

vocabulário e fazemos uso da voz, se não observarmos determinados princípios não nos comunicaremos plenamente, gerando desentendimento. Os conceitos que alimentam a conversação entre os humanos são extremamente diferentes daquele no mundo espiritual, tornando o entendimento entre nós e eles muito restrito. A senhora Yvonne do Amaral, respeitadíssima médium, autora do antológico Recordações da mediunidade, diz que “A mediunidade não implica tão Waldehir Bezerra de Almeida

só o intercâmbio com entidades desencarnadas, mas também um complexo de fatos e acontecimentos ainda não devidamente estudado e classificados”. 2 - O que mais lhe chama atenção na prática mediúnica? O pouco conhecimento que têm a maioria dos que com ela lidam. Uma enquete feita pela FEB em 2012, com a ajuda dos centros espíritas de todo o Brasil, buscando saber quem leu e quem não leu O

PÁGINA 12 livro dos médiuns, apresentou um resultado lamentável, chegandose à conclusão que ele é um ilustre desconhecido. Lamentamos o que se passa em muitas reuniões mediúnicas denominadas de “desobsessão”, onde práticas exóticas são realizadas, contrariando as orientações de Allan Kardec e dos Espíritos que deram continuidade ao seu projeto, destacando-se naquela atividade o livro Desobsessão, de André Luiz, que deve ser lido analiticamente, para melhor se apreender a amplidão e profundidade dos ensinamentos e conceito nele ofertados. 3 - Qual o principal fator que te levou a organizar a obra, considerando a extensão que o tema comporta? Foi o de cooperar um pouco mais com aqueles que praticam a mediunidade, chamando-lhes a atenção para seus meandros. Sabemos que existem muitos livros que tratam do assunto, mas como a mediunidade ainda não é plenamente conhecida por nós, os encarnados, é sempre oportuno fazer-lhe novas considerações. À medida que pesquisamos vamos percebendo que as informações proliferam e, frustrado, temos que optar por esse ou aquele conteúdo, desprezando outros, prometendo aproveitá-los em outra ocasião. 4 - Você foi muito feliz no título da obra e no conteúdo da pesquisa, pois o próprio índice já demonstra esse esforço de pesquisa. Como foi organizar a obra de tamanha complexidade? Ao longo de três anos recolhemos material que nos chamava a atenção para os mecanismos diversos adotados pelos Espíritos para trazerem a mensagem até nós e as dificuldades encontradas, tanto no plano material quanto no espiritual. A organização da obra obedeceu um critério didático: um esboço


PÁGINA 13 histórico da mediunidade, fazendo justiça a Allan Kardec, que a identificou como uma faculdade natural que serve ao progresso do homem e do mundo; os fundamentos necessários para que se conheça as leis que regem o fenômeno mediúnico e, finalmente, exemplos de sua complexidade, chamando a atenção daquele que deseja exercitá-la ou administrá-la, chamando-lhe a atenção para o uso do bom senso na avaliação da produção mediúnica, considerando os médiuns pessoas comuns, que lutam como todos nós para vencer suas inferioridades.

Setembro de 2014 7 - Qual o principal recado ou sugestão a integrantes de uma reunião mediúnica? Que se aprofundem no estudo das obras de Allan Kardec, da médium Yvonne do Amaral Pereira, dos Espíritos Bezerra de Menezes, André Luiz e Manoel Philomeno

dentro de um amplo hospital de dimensão espiritual. 8 - O que você diria da seriedade e preparo para a prática mediúnica? Em O livro dos médiuns Allan Kardec nos ensina que para se obter uma reunião séria é necessário que

5 - O que você diria aos veteranos e aos novatos? Aos veteranos, que continuem pesquisando e transferindo seus conhecimentos de forma clara e segura aos novatos, como fez o codificador. Que os novatos comecem pelo começo e jamais releguem a leitura das obras básicas do Espiritismo e a Revista Espírita, editada por Allan Kardec. A leitura da Revue Spirite nos dá uma visão tridimensional da história do Espiritismo: o momento da codificação, a reação da sociedade parisiense e de outras capitais, as dificuldades encontradas pelo médium da Terceira Revelação com os psicógrafos que o auxiliavam. 6 - Como estamos no movimento espírita brasileiro, em generalidade, em termos de maturidade com a prática mediúnica, considerandose os vícios e deturpações ainda existentes? Após o livro Desobsessão, de André Luiz, meio século atrás, sentese que houve um alinhamento com os princípios doutrinários no que diz respeito às reuniões mediúnicas. No entanto, observa-se que há muitos desvios resultantes da falta de estudo dos que dirigem aquelas reuniões destinadas ao atendimento aos desencarnados sofredores e equivocados por meio do diálogo inteligente e amoroso.

de Miranda. Nelas encontramos todo o ensinamento de que necessitamos para a realização do encontro com os desencarnados, de forma inteligente, segura e caritativa, devendo-se entender que a tarefa é de cunho científico, já que os Espíritos consideram a sala onde se realizam as reuniões de desobsessão um verdadeiro laboratório, contido

seja banido dos seus participantes todo sentimento de orgulho e de personalismo, e deve reinar entre eles uma mútua cordialidade. No entanto, necessário se faz o conhecimento dos postulados da Doutrina e dos mecanismos da mediunidade para melhor se cooperar com os Espíritos que dirigem os trabalhos. O “amai-vos e instruí-vos” é ensina-

mento crucial para toda e qualquer atividade que se faça em nome do Espiritismo. A desobsessão não prescinde daquele axioma. 9 - E como despertar efetivamente o público espírita para a necessidade continuada de estudo da mediunidade para a prática mediúnica? Esse esforço teve início a mais de meio século com o codificador, ao publicar O livro dos médiuns a Revista espírita. A FEB e as federativas vêm realizando trabalhos significativos nessa direção. Sabemos, no entanto que um dos grandes desafios para quem se dedica ao ensino de qualquer matéria é vencer a inércia mental do aprendiz. É oportuno lembrar aqui o que nos revelou o Espírito Ignácio Bittencourt, no livro Seareiros de volta, na mensagem A conclusão da Pesquisa: “[...] Excelsos Dirigentes do Espiritismo, nas Esferas superiores, que, após minuciosa pesquisa, chegaram à conclusão de que, junto com as calamitosas quedas morais e às deserções deploráveis de numerosos companheiros responsáveis pelo serviço libertador, entre todas as causas que dificultam a marcha da Nova Revelação na Terra, destaca-se, em posição de espetacular e doloroso relevo, a preguiça mental.” Diante dessa verdade, contentemonos que o que já alcançamos até então (grifamos). 10 - Algo marcante que gostaria de relatar de suas experiências? Foram enriquecedores nossos contatos com a Espiritualidade durante esse meio século de vida no Movimento espírita. Somente lamentamos que não soubemos multiplicar devidamente os valores recebidos. Agimos como aquele trabalhador avaro da parábola dos talentos. No entanto, como nos ensina André Luiz, o que nos dá esperanças é que sempre podemos recomeçar. r


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O Despertar da Consciência “Ó tu, que dormes, desperta e levanta-te de entre os mortos, que Cristo te iluminará.” Da USE BAURU

Departamento doutrinário

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ncontramos em muitas passagens do Novo Testamento as expressões “despertar”, “acordar”, “levantar”, todas se referindo à questão do “adormecimento” característico dos seres humanos. O processo da evolução se faz da inconsciência para a consciência, do estar para o ser, da razão para a intuição, do transitório para o permanente. O eminente Léon Denis afirmou que o ser dorme no mineral, sonha no vegetal, move-se no animal, desperta no hominal e sublima-se no angelical. Esse pensamento filosófico, relacionado com evolução/eternidade, é de fundamental importância para a compreensão de nosso progresso espiritual. As admoestações de Jesus Cristo, aos que não ouviam nem enxergavam, para que tivesse olhos de ver e ouvidos de ouvir, nada mais era do que a mensagem do despertamento para a Vida Maior. Quando Paulo disse aos efésios “Ó tu, que dormes, desperta”, não estava apenas conclamando as criaturas ao erguimento do corpo físico, mas também ao da visão interior de todas as almas imortais, com vistas a expansão da consciência de cada uma delas. Não podemos exigir que todos tenham a mesma visão, que todos tenham a mesma audição, porque entendemos a diversidade de compreensão humana. Somos alma com traços de caráter ainda diminutos em relação à autoconsciência, porém destinadas a uma lucidez interior

Comentários do Departamento Doutrinário: Ainda estamos profundamente condicionados a procurarmos as soluções para nossos conflitos no mundo exterior. Mas já fomos informados que todas as soluções, todas, estão apenas e exclusivamente em nosso interior.

O eminente Léon Denis afirmou que o ser dorme no mineral, sonha no vegetal, move-se no animal, desperta no hominal e sublima-se no angelical. Esse pensamento filosófico, relacionado com evolução/eternidade, é de fundamental importância para a compreensão de nosso progresso espiritual.

cada vez maior rumo aos mundos superiores espalhados pelo Universo. Não nos esqueçamos, todavia, de que no homem se encontra o microcosmo que, em síntese, é o retrato do macrocosmo. Tudo está em tudo, e todas as partes unidas fazem o todo. “Levanta-te de entre os mortos, que Cristo te iluminará”, quer dizer: não devemos voltar nossa atenção para modificar as coisas de fora, mas para acordar e aprimorar as coisas de dentro. Saiamos, portanto, do estado de dormência, inconsciência e imobilidade espiritual em que transitamos e despertemos nossos potenciais internos. Quando despertarmos nossa consciência, transformaremos o mundo em nós e,

então, perceberemos que não eram propriamente nossos conflitos que nos incomodavam, e sim a nossa maneira de vê-los. Livro: Um Modo de Entender uma nova forma de viver. Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed.

Compreender isso de tal forma que causa verdadeira transformações em nós é o despertar indicado no excelente texto de Hammed. Nosso esforço precisa estar mais voltado às modificações interiores pois tudo o que importa é o que estamos fazendo de nós mesmos. O que você está fazendo de você mesmo? r


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Emoções e hormônios: instrumentos definidores da doença ou saúde É preciso cuidado e seleção com sentimentos e comportamentos. Jorge Luis Salomão

D

ata de longos anos a preocupação em se descobrir a causa das doenças que tanto afligem a humanidade. E também não é nova a ideia segundo a qual muitas doenças têm origem nas emoções descompensadas. Na remota antiguidade, o grego Hipócrates (460-370), considerado o pai da Medicina, preconizava que a personalidade do ser desempenhava um papel fundamental no equilíbrio ou desequilíbrio orgânico. Isso significa que ele não descartava a influência das emoções como elemento definidor da saúde ou da doença. Tanto é verdade, que ele elaborou a chamada Teoria dos Quatro Humores Corporais: fleugma, sangue, bílis amarela e bílis negra. Ele dizia que a saúde ou a doença estava na dependência direta da existência, em maior ou menor quantidade, dessas substâncias no corpo. Segundo essa teoria, eram essas substâncias que determinavam o temperamento do indivíduo. Há, como se pode ver, uma nítida tendência de se explicar a presença dos distúrbios físicos através da interação mente-corpo. Com a evolução da Ciência, especialmente com o surgimento da Biopsicologia, aliada a Psiconeuroimunologia, hoje se tem pleno conhecimento de que os

advocaciasalomao@aasp.org.br

hormônios estão intimamente relacionados ao humor e este, por sua vez, como elemento determinante da saúde ou doença. O estado de humor, portanto, é responsável pela liberação de substâncias bioquímicas, a exemplo dos hormônios e neurotransmissores que, liberados na corrente sanguínea, inundam

ou a biologia das emoções, ocupando a glândula pineal ou epífise, destacado papel nesse particular. Esclarece André Luiz, na obra Missionários da Luz, capítulo 2, que a glândula pineal ocupa posição de supremacia em relação a todo o sistema endócrino, que o comanda por intermédio da

todas as células corporais, “pigmentando-as” de conformidade com a coloração do humor manifestado. Então, se a pessoa estiver angustiada ou aflita, muito certamente o coração, o cérebro, o estômago, os rins e demais órgãos dessa pessoa também estarão angustiados ou aflitos! Aqui se aplica a célebre máxima de Juvenal, o poeta romano: Mens sana in corpore sano. É a inexorável integração mente-corpo

complexa rede nervosa. Mantendo estreita conexão como o corpo etéreo, funciona a semelhança de um acumulador de energias psíquicas que são segregadas sobre a cadeia de glândulas físicas. Vivências multimilenária da alma em trânsito contínuo pelas infinitas rotas da evolução ficaram indelevelmente gravadas na pineal em forma de emoções a influenciar, implacável, a embriogênese e psicogênese do

ser. Daí a causa das teratologias e das psicopatias deformantes da personalidade a desafiar os sistemas científicos na difícil tarefa de estabelecer a verdadeira natureza desses processos idiopáticos. Psicoterapeuta por excelência, Jesus, já havia asseverado em seu recuado tempo acerca do elemento responsável pela produção de vidas abençoadas ou submetidas ao império das expiações dolorosas: o comportamento! Por essa razão advertiu que “A cada um será dado segundo as suas obras”. Quer dizer, a cada um será dado segundo o seu comportamento, segundo as suas emoções... Aí está, portanto, a explicação racional e lúcida sobre a causa fundamental dos males existenciais que tem afligido tanta gente. Comportamentos de ontem a projetar seus reflexos no dia de hoje e comportamentos de agora a repercutir, fatalmente, no inevitável amanhã. Cada qual é herdeiro das próprias criações fomentadas nas urdiduras do passado remoto ou próximo. Essa é a lei suprema do universo da qual não se pode esquivar. Então, se há essa biologia das emoções que influencia, inclusive, na anatomia do ser, como um todo, indiscutível que se aprenda a viver sob rigoroso padrão de regras morais. Que a Medicina aprenda a Medicina de Jesus e ensine os pacientes que a doença, a priori, é decorrência de vidas mal vividas e de emoções descompensadas nos desvarios das paixões tresloucadas, dos ódios incontidos, das perversões brutalizadas, das vinganças desenfreadas, dos desequilíbrios da libido, das corrupções vergonhosas. r


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REMETENTE: Instituto Cairbar Schutel Caixa postal 2013 15997-970 - Matão-SP

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Escola do Sentimento no RJ Uma iniciativa que todos devemos apoiar. Instituto Brasileiro de Educação Moral www.educacaomoral.org

em Marília-SP

U

m grupo de educadores e idealistas trabalha há quinze anos junto a escolas, secretarias de educação e professores um projeto de educação moral, defendendo o desenvolvimento das virtudes ou valores humanos das novas gerações. Desse esforço surgiu em 1999 o Instituto Brasileiro de Educação Moral, mais conhecido pela sua sigla: IBEM. Segundo o educador Marcus De Mario, um dos fundadores e atual diretor geral, somente a educação moral pode transformar um país, e para isso o Instituto tem desenvolvido várias ações no objetivo de despertar, sensibilizar e conscientizar o professorado da importância da escola, em conjunto com a família e a comunidade e ir além das matérias curriculares, trabalhando o desenvolvimento do senso moral e a ética nos relacionamentos humanos. É nesse sentido que o IBEM desenvolveu projeto para aplicação da Pedagogia da Sensibilidade e da Escola do Sentimento, além do Programa Vivendo Sempre em Paz. Essas são as principais ações, acrescidas dos cursos de capacitação promovidos na chamada educação a distância, e a publicação digital mensal da revista Reconstruir.

Campanha pela Escola do Sentimento Agora o IBEM está em campanha para construção da Escola do Sentimento na cidade do Rio de Janeiro. Será uma escola modelo, inclusive servindo para estágio e visitação de educadores nacionais e internacionais, onde o desenvolvimento cognitivo e emocional andará lado a lado, promovendo o ser integral numa visão espiritualista do ser e da vida, tendo como modelo e filosofia, as ideias e o trabalho de Pestalozzi no Instituto de Iverdon. Para conseguir esse objetivo, está divulgando pela internet o Clube Amigos do IBEM, que é o fundo mantenedor do instituto. Como participar Para conhecer o trabalho do IBEM é só acessar o site www.educacaomoral.org, onde estão todas as informações sobre o instituto, e de como se associar ao Clube e ser um mantenedor da Escola do Sentimento. Contribuições avulsas também podem ser feitas, ou através do site pelo sistema PagSeguro, ou através de depósito no banco Bradesco, agência 0663-7, conta 74393-3. Mais informações com Marcus de Mário: marcusdemario@gmail.com r

Tribuna do espiritismo set2014  
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