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douro tribuna

vinhos | Quinta do Crasto descubra o património religioso da Régua

número 79 | dezembro 2010

onde o douro tem mais encanto quinta do portal

entrevista | Mário Daniel

reportagem | Museu do Douro celebra 2ºtribuna Aniversário

douro


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O Laborat贸rio Douro deseja a todos os clientes e amigos um

Feliz Natal e um Bom Ano Novo!

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Editorial Após seis anos a editar a Revista Tribuna Douro em papel, a Garça Editores decidiu inovar, acompanhando assim a tendência do sector da comunicação. Neste Natal, oferecemos ao Douro e ao mundo uma Tribuna Douro totalmente renovada. Para além do restyling do logótipo, a revista apresenta-se com novo formato, sendo exclusivamente publicada on-line. Com este novo formato, estaremos na palma da mão e à distância de um click; estaremos junto dos milhares de emigrantes espalhados pelo mundo; estaremos junto aos principais mercados globais de turismo e de vinhos; estaremos aqui e ali, a todo o tempo. Para os nossos parceiros, a publicidade efectuada na revista Tribuna Douro terá agora uma maior visibilidade, um maior retorno, permitindo que as marcas e empresas se posicionem junto de públicos abrangentes que, certamente, se fidelizarão à Revista. Queremos afirmar-nos como a principal revista de Turismo e de Vinhos do Douro, sem contudo deixar de comunicar o nosso património, as nossas empresas e as nossas principais instituições. Teremos sempre espaço reservado para as pessoas que dedicam a sua vida a este nosso território: o DOURO. Neste número de relançamento da revista, a Quinta do Portal, uma referência de enoturismo com dimensão internacional, abre-nos as suas portas. São apresentados sugestões de locais turísticos com programas especiais para as Festas de Fim de Ano. Na secção dos vinhos, deitamos um olhar profundo à Quinta do Crasto. Em entrevista, temos o mágico Mário Daniel, um jovem duriense que está a conquistar o país e não só. Estes são alguns dos temas desta renovada Tribuna Douro. Esta primeira edição é um teste ao que pretendemos. Esperemos que gostem. Feliz Natal e um excelente 2011 para todos. Por Mário Mendes

Índice

de portões abertos | Quinta do

vinhos | Quinta do Crasto 16

tome nota garfos e pratos | Douro In escapadinha aldeias eternas | Poiares vinhos & blogs breves inovação e vinhos inovação e vinhos | Douro Vs Douro 2.0 o que não dispenso | David Mendes solidariedade social | Associação Bagos D’Ouro empresa D’Ouro | Vindimar Portal 4 património | Concelho e Cidade de Régua gente das letras | O Natal na Voz dos Poetas gente das letras | João Araújo Pereira no douro , pelo douro | Um sonho para 2011 novos horizontes | de braços abertos na primeira pessoa | Consoada de Esperança na primeira pessoa | Lucrar na crise : com fruta e peru na primeira pessoa | Desafios do Turismo

entrevista | Mário Daniel 26

ficha técnica Director: Mário Mendes Redacção: Mário Mendes Cronistas: Mário Mendes, Jorge Almeida, Paulo Costa, Nuno Pires,Jaime Portugal, Frederico Lucas, Jack Soifer e Manuel Igreja Colaboração: Paulo ��������������������������������� Costa, Manuel Igreja, Cláudia Borges, Nuno Pires e Micaela Cruz

Design e Paginação: Global Sport – eventos, marketing e comunicação Publicidade Direcção Financeira 968 210 504 Tel.:254 321 020 Fax.:254 321 180 marketing@tribunadouro.com Periodicidade Mensal

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reportagem | Museu do Douro 28

Edições, Marketing e Publicidade, Lda Avenida da Galiza Centro Comercial do Eifício Miradouro Loja BM 5050-273 Peso da Régua PORTUGAL

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Título Registado (ICS) nº 12463 ISSN: 9771645791004

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de portões abertos

QUINTA DO PORTAL

todo o encanto do Douro num local único Localizada em pelo Património Mundial da Humanidade, a Quinta do Portal é um local privilegiado onde se pode desfrutar das magníficas paisagens do Vale do Rio Pinhão e apreciar os vinhos que aí são produzidos. Produtora de vinhos desde tempos imemoriais, na Quinta do Portal respira-se história. A história do vinho. Por isso, abraçou de forma entusiástica o enoturismo, lançando um projecto único que reúne num só local a dupla essência do Douro: a Vinha e o Vinho. Assim, é possível descobrir a Casa das Pipas e a Casa do Lagar que são as propostas de enoturismo que a Quinta do Portal apresenta a todos os que prezam o descanso e simultaneamente o convívio em ambientes ligados ao vinho e à terra. A Casa das Pipas está situada por entre os vinhedos que se encontram à distância de um abraço. Permite ainda vislumbrar o Douro montanhoso que recorta o horizonte, desafiando os céus.

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A Casa das Pipas é uma unidade cuja matriz se faz de xisto e que vive o vinho e a vinha a cada detalhe de decoração. A qualidade deste espaço foi já distinguida com o prémio «Best of Wine Tourism» e, mais recentemente, com o galardão «Chave Verde», atribuído pela Associação Bandeira Azul da Europa graças à sua gestão ambientalmente responsável. Também recentemente, a Quinta do Portal foi considerado um dos 10 melhores destinos enoturísticos do mundo.

Eleita pela revista norte-americana Forbes como um dos dez melhores destinos vinhateiros de todo o mundo. A beleza campestre das suas salas, a harmonia cromática dos seus quartos, a calma que nos acolhe e envolve, quase que nos permite ouvir a seiva, ou seja o vinho a cruzar o xisto, a caminho do lagar de granito.

Também situada na Quinta do Portal, está a Casa do Lagar, local único que resulta da recuperação de um lagar de azeite tradicional. Os seus hóspedes são logo à chegada convidados a usufruírem de todas as áreas comuns da Casa das Pipas.


de portões abertos Armazém de Estágio e Envelhecimento

o toque de Siza Vieira O sonho dos proprietários da Quinta do Portal, Eugénio Branco e os seus dois filhos, João e Pedro Mansilha Branco, era oferecer à Região do Douro e ao Mundo uma obra-prima da arquitectura. Esse sonho tornou-se realidade quando concluído o Armazém de Estágio e Envelhecimento de vinhos «Cellar Portal», um notável e impressionante projecto da autoria de Siza Vieira. Inovador e sofisticado, nasce nas vinhas do Douro, fundindo-se e transformando-se em paisagem, através da própria metamorfose dos materiais naturais utilizados, como o xisto e a cortiça, que acompanham as cores e o estado de espírito de cada estação do ano. O xisto e a cortiça são assim a pele de uma estrutura faraónica e fascinante de 3 mil metros quadrados de betão e aço, onde vão repousar os vinhos do Porto e Douro da Quinta do Portal. tornando-se num autêntico templo em honra do Vinho e do Tempo. O mesmo Tempo que tem moldado e enriquecido os vinhos da Quinta do Portal, transformando-os nos mais distintos e requintados néctares, como o Melhor Vinho Tinto do Mundo no seu primeiro ano de produção (Quinta do Portal Auru 2001), o Melhor Vinho Fortificado do Mundo (Quinta do Portal Vintage 2003), o Melhor Vinho do Douro (Quinta do Portal Grande Reserva 2006) ou o vencedor de uma Medalha de Ouro no concurso Muscats du Monde 2008 (Quinta do Portal Moscatel Reserva 2000), entre tantas outras distinções. O património agrícola é composto por quatro quintas (Quinta do Portal, Quinta dos Muros, Quinta do Confradeiro e Quinta da Abelheira) que se estendem por mais cem hectares nas encostas do Vale do Rio Pinhão. Como enólogo residente e à frente deste projecto, encontra-se Paulo Coutinho.

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de portões abertos a Casa das Pipas Com 13 quartos, três dos quais para uso exclusivo da família, a Casa das Pipas foi reconvertida e aumentada para ser um local capaz de potenciar o que o Douro tem de melhor. Os quartos são agradáveis surpresas nas cores, bem como nas próprias camas em dossel que nos transportam para tempos desconhecidos. A sala de estar panorâmica, localizada no primeiro andar, dá a agradável visão de vinhas a perder de vista com cachos de uvas a ornamentá-las e pequenos jardins verdejantes, onde crescem rosas e outras espécies de rara beleza.

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O aconchego sentido cria um local indispensável para quem valoriza o descanso e uma plena confraternização com a atmosfera bucólica e romântica, características, também, da região duriense. A Casa das Pipas, para além da vista soberba, oferece um excelente serviço de restauração. A sua Gastronomia própria é capaz de despertar os sentidos mais apurados. Os apreciadores da Cozinha Gourmet facilmente são conquistados com um excelente menu cujas sugestões gastronómicas podem e devem ser acompanhadas pelos melhores vinhos produzidos na Quinta do Portal.

Na Casa das Pipas é ainda possível realizar eventos sociais, reuniões de trabalho, bem como actividades relacionadas com o processo de criação do vinho. Um mundo de experiência é colocado à disposição de todos. Há programas para toda a família que vão desde a prova de vinhos da Quinta do Portal, passando por visitas guiadas à adega ou até mesmo a possibilidade de participar nos trabalhos vitícolas. Os mais curiosos podem ficar a saber um pouco mais sobre os segredos do processo de criação do vinho, bem como experimentar novos aromas e sabores. O Centro de Visitas da Quinta do Portal está sempre disponível organizar uma prova de vinhos do Douro ou do Porto. Para aqueles que preferem usufruir da beleza paisagística da região, estão disponíveis programas de passeios pelos caminhos naturais da região, assim como travessias de barco pelo Rio Douro. Há ainda passeios a cavalo ou de charrete. Pensada ao pormenor, a Quinta do Portal é sem dúvida uma referência de excelência na oferta turística do Douro e está de portões abertos…


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tome nota

Nas encostas do Douro, encontram-se lugares idílicos para passar o Natal em Família e dar as boas vindas a 2011. Descubra-os. Deixamos algumas sugestões…

AQUAPURA DOURO VALLEY Divirta-se, dance, desfrute e descanse num fim de ano memorável! Beleza, sedução, ritmo e glamour. Passe em estilo os últimos momentos de 2010, numa grande festa organizada pelo Aquapura Douro Valley, revista Lux e M80 rádio.

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O Aquapura Douro Valley oferece um programa de fim de ano inesquecível pelo preço de 645€ p/pessoa em quarto duplo. O pacote inclui 2 noites em quarto standard com pequeno-almoço incluído, Festa de Fim de Ano dedicada aos 70’s & 80’s, Cocktail e Jantar de Gala com 5 pratos e degustação de vinhos, champanhe à meia-noite, seguido de Ceia, Brunch de ano novo, um tratamento SPA de ano novo de 55 minutos (sujeito a disponibilidade) e uma prova de vinhos temática na Quinta do Seixo. Informações e reservas: Quinta do Vale Abraão | 5100-758 Lamego Telefone: +351 254 660 660 E-mail: reservas@aquapuradouro.com Site: www.aquapurahotels.com

SOLAR DOS CANAVARROS Festividades em dose dupla. Descubra as sugestões do Solar dos Canavarros. A todos os que procuram um Natal diferente em família, o Solar dos Canavarros sugere um programa completo de dois dias/uma noite por 75€ por pessoa. No dia 24, à chegada ao hotel, são dadas as boas vindas com um welcome drink, com direito a tratamento vip no quarto. Este programa contempla ainda o Jantar de Natal, Missa do Galo, chocolate quente, chá e doces de Natal. Para o fim de ano, hotel preparou programas para todos os gostos, com disponibilidade de alojamento entre uma a três noites. É possível optar apenas pelo Reveillon. Os preços variam entre 100€ e 299€ por pessoa. São várias as sugestões de actividades gastronómicas e de lazer que o Solar dos Canavarros apresenta aos seus hóspedes. No dia 31 de Dezembro, será oferecido um Jantar de fim de ano no restaurante do hotel, seguido de Baile de Ano Novo e de Ceia. Informações e reservas: Avenida dos Combatentes da Grande Guerra | 5060-302 Sabrosa Telefone: +351 259 937 400 E-mail: reservas@solardoscanavarros.pt Site: www.solardoscanavarros.pt


QUINTA DO PORTAL Receber 2011 na Casa das Pipas com a paisagem deslumbrante do Douro como cenário A Casa das Pipas e a Casa do Lagar, unidades de enoturismo da Quinta do Portal, criaram programas verdadeiramente inesquecíveis para o fimde-ano que vai ser marcado pelo conforto, boa gastronomia e vinhos de qualidade superior. O programa pode ter apenas uma noite ou ser alargado a três, aproveitando assim o fim-de-semana prolongado. No primeiro caso, os hóspedes chegam no dia 31 e são recebidos com um vinho do Porto, um excelente aperitivo para o jantar confeccionado pelo chef Milton Ferreira, que será acompanhado por vinhos de excepção criteriosamente seleccionados, como é o caso dos néctares da Quinta do Portal. À meia-noite a despedida de 2010 é feita com passas e Espumante Mural. As primeiras horas de 2011 têm um buffet de doces e frutas, acompanhado por Moscatel e Vinho do Porto da Quinta do Portal. À 1h é servida uma ceia, chocolate quente e mignardises. Para a estada há duas opções: a Casa das Pipas, com quartos standard, single ou superior, ou a Casa do Lagar, com quartos quádruplos, para dois adultos e duas crianças até aos 12 anos. No dia 1 de Janeiro, os visitantes podem optar por fazer o check-out após o pequeno-almoço ou por ficar mais algumas horas, usufruindo tranquilamente de um almoço buffet (40 € por pessoa), de uma visita às adegas e caves de envelhecimento de vinhos e de uma prova dos melhores néctares da Quinta do Portal. Os preços deste programa variam entre os 133,75 € e os 200 € por pessoa. Informações e reservas: Celeirós do Douro | 5060-909 Sabrosa Telefone: + 351 259 937 000 Site: www.quintadoportal.pt

tome nota DOURO PALACE HOTEL RESORT & SPA Deixe-se levar pela magia do Natal e pelo brilho do Reveillon. O Douro Palace Hotel Resort & SPA propõe para esta quadra natalícia um programa especial, a partir de 106€ por pessoa em quarto duplo. O pacote base (1 noite) inclui alojamento, ritual de boas vindas e Jantar de Consoada. Há ainda a possibilidade de desfrutar no dia 25 de Dezembro do almoço de Natal. Para dar as boas vindas ao Ano Novo, o Douro Palace preparou um pacote especial a partir de 282€ por pessoa em quarto duplo. Com estadia variável entre uma a quatro noites, o programa de fim de ano inclui alojamento, ritual de boas vindas, Jantar Reveillon com música ao vivo, Festa de Reveillon com animação da “Banda Douro Palace” e fogo-de-artifício, Ceia e Brunch no dia 1 de Janeiro de 2011.

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A pensar nos mais pequenos, o hotel disponibiliza gratuitamente um programa de animação infantil/juvenil, com diversas actividades a decorrer a partir das 17h00 do dia 31 de Dezembro. Informações e reservas: Lugar do Carrapatelo, Santa Cruz do Douro | 4640-423 Baião Telefone: + 351 254 880 000 E-mail: reservas@douropalace.com Site: www.douropalace.com

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garfos e pratos DouroIn Espaço moderno e sofisticado com vista sobre o rio Douro, onde os sabores da gastronomia local são servidos num ambiente jovem e requintado.

ESPECIALIDADES Crista de galo recheada com presunto e camarão com cesta de parmesão guarnecida com rúcula Vieiras marcadas ao momento em azeite extra virgem sob cama de batata doce Bacalhau gratinado com queijo chevre sobre brandade de bacalhau e azeite preto Rolo de Dourada recheado com salmão e espinafres em cama de legumes grelhados ao molho de gengibre com coentros Sela de coelho com manjericão sobre risoto de costelinhas em vinha de alhos ao molho de queijo da serra Naco de vitela grelhado com cebola caramelizada sobre batata gratinada e presunto ao molho de foie gras

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Pêra bêbada com vinho do porto e espuma suave de pêra Sopa fria de morangos com frutos vermelhos ao gelado do mesmo Com a notória evolução qualitativa dos vinhos do Douro nos últimos anos, nomeadamente os de mesa, a falta de um espaço requintado e cosmopolita, à medida da elegância e refinamento alcançada pelos produtores, foi a principal razão que levou a família Ribeiro investir neste projecto. Localizado no Peso da Régua, capital da primeira região demarcada do mundo, o DouroIn combina os sabores tradicionais com uma estética acolhedora e moderna. DouroIn resultou da recuperação integral de um velho edifício na belíssima Marginal da Régua, debruçada sobre o Rio Douro. O restaurante e o wine-bar tem uma decoração Philippe Stark, harmoniosa e acolhedora. Uma contemporaneidade que contrasta bem com o estilo clássico da fachada.

Demiqui de chocolate branco e amêndoa tostada com gelado de citrinos

CARTA DE VINHOS Niepoort Tiara | Branco Douro DOC Fagote | Branco Douro DOC Duas Quintas | Tinto Douro DOC Quinta Vale D. Maria | Tinto Douro DOC Quinta do Vallado Reserva | Tinto Douro DOC Quinta do Vale Meão | Tinto Douro DOC Quinta do Crasto Reserva | Tinto Douro DOC Chryseia | Tinto Douro DOC Rozès Porto Douro 10 anos


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www.arbol.pt

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Rua Jaime Campos - Ed. Jalema - Bl E R/c 5000 - 431 Vila Real Tel: 259 378940 || Fax: 259378942 || Email: comercial@arbol.pt tribuna


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escapadinha

Descubra alguns dos locais mais significantes da Região do Douro Vinhateiro...

Covelinhas

É na margem esquerda do rio Douro que encontramos a aldeia de Covelinhas. Uma magnífica localidade onde se respira História e Romantismo. Covelinhas nasceu e cresceu com vista para o rio Douro, um majestoso espelho de água onde reflecte toda a sua simplicidade. Junto à margem passa a linha de caminho de ferro, que possibilita, saindo da Régua e indo até ao Pocinho, um dos mais belos itinerários ferroviários de sempre.

Bisalhães

Bisalhães é sem dúvida uma referência nacional. A tradição na aldeia é intrínseca à terra. Em Bisalhães, a olaria é uma arte ancestral. De geração em geração, transmitiu-se o conhecimento do material e do equilíbrio das formas. As louças negras são hoje um estandarte da localidade e do artesanato de Vila Real. O barro, proveniente de localidades próximas como Telheira ou Parada de Cunhos, ganhou forma e beleza nas mãos dos aldeãos.

Palácio de Mateus

O Palácio, Casa ou Solar de Mateus é uma das obras mais emblemáticas da Região. Localizado em Vila Real, é um dos expoentes máximos da arquitectura civil portuguesa do período barroco. Actualmente, a Casa de Mateus é administrada pela Fundação com o mesmo nome, fundada em 1971, e dirigida pela família, organizando diversas actividades de âmbito cultural (cursos de música e concertos, exposições, o prémio literário D. Dinis, congressos e seminários), para além de conservar a biblioteca e o museu. Os magníficos jardins oferecem uma verdadeira viagem no tempo.

Provesende

Provesende é uma encantadora freguesia localizada no belo concelho de Sabrosa, em pleno Douro Vinhateiro. Situada num pequeno planalto, com vista para o belo rio Pinhão, esta é uma região de grande beleza natural, pautada pela forte tendência rural que tem subsistido ao longo dos séculos, sobretudo desde a criação da região demarcada do Douro, no século XVIII. Vale a pena percorrer as típicas e calmas ruas de Provesende, onde se encontram o antigo Pelourinho, a barroca Igreja Matriz, a Fonte do século XVIII e as várias casas senhoriais e brasonadas, como as Casas da Praça, de Santa Catarina, do Campo, do Santo, dos Ribeiros, entre tantas outras que atestam o poderio económico dos férteis 13 terrenos da região, que vêm na vinicultura a sua maior subsistência.

Miradouro de São Leonardo de Galafura

Este miradouro, a meio caminho entre a Régua e Vila Real oferece um dos mais extraordinários panoramas sobre o rio Douro e os socalcos. Em baixo, o Douro corre azul e sereno, beijando as margens, as quintas e as casas solarengas. Foi local amado por Miguel Torga, poeta tantas vezes indigitado para o Prémio Nobel. Dizia ele que São Leonardo era como um barco de quilha para o ar, que a Natureza voltara a meio do vale. Situado a cerca de 640 metros de altitude, é uma janela privilegiada onde é possível contemplar a beleza da região, avistando-se daqui as regiões de Armamar, Sabrosa, Tabuaço, Fontelo ou Valença do Douro, entre tantos outros lugares que emolduram a paisagem.

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aldeias eternas | Poiares

ONDE FICA

8 km do Peso da Régua – Concelho 24 km de Vila Real – Distrito Coordenadas: 41° 10' 44" N 7° 43' 33" O

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Bela e histórica aldeia do Concelho do Peso da Régua. Enquadrada na paisagística duriense, abrangida pela área do verdadeiro generoso, vulgo Vinho do Porto, a Freguesia de Poiares fica localizada no Douro Vinhateiro, Património da Humanidade. Poiares, aldeia que dá nome à freguesia que acolhe ainda outras duas aldeias, Vila Seca de Poiares e Ceara, está situada na parte mais elevada de um planalto acidentado a cerca de 700 metros de altitude e é circundada por sucessivos montes cujas encostas vão descendo até ao Rio Corgo, por um lado, e ao Douro, por outro. Com a magnífica Serra do Marão por um lado e Avões pelo outro, a aldeia fica ainda situada próxima de várias serranis da qual faz parte a Serra de São Domingos, cuja capelinha alvinitente se avista de todos os lados destas redondezas. O panorama que desfruta de qualquer ponto da aldeia é lindíssimo! Terra de largos horizontes, são inúmeras as aldeias, lugares e lugarejos que se avistam de Poiares. De cidades avistam-se a da Peso da Régua e a de Lamego. Nesta última distingue-se nitidamente o vetusto Santuário de Nossa Senhora dos Remédios cuja escadaria em noites de romaria, a 7 de Setembro, lembra um das mil e uma noites, tal o deslumbramento de luzes que a emolduram.

TERRA REPLETA DE HISTÓRIA

A fundação da povoação de Poiares remonta ao século XII. De facto, em 1193 D. Sancho I fez a doação de um casal de terras, no actual lugar de Poiares, aos jograis Bonamis e seu irmão Acompaniado, os dois actores mais antigos portugueses, como forma de pagamento do espectáculo de arremedilho que realizaram. Entretanto, foi nestes tempos que começou a haver representações litúrgicas por ocasião das principais festividades católicas, pelo que desde muito cedo Poiares começou a sua actividade na religião católica, ficando desde 28 de Junho de 1205 a pertencer à Ordem Hospitalar de São João de Jerusalém, também conhecida por Ordem dos Hospitalários, a qual a partir do ano de 1530 passou a ter a designação de Ordem de Malta. Não esquecendo a grande Comenda que foi desta Ordem, é assim que esta freguesia ostenta nos seus Brasão e Bandeira a insigne Cruz de Malta. Como testemunhos da sua história, guarda na sua Igreja Matriz uma cruz processional em prata, chamada "Santa Cruz de Poiares", datada de 1225 e mandada fazer por Afonso Mendes - Prior da Ordem do Hospital, como também abreviadamente era conhecida esta Ordem. Tem também vestígios da referida grande Comenda de São Miguel de Poiares, a qual tinha ainda anexas as Vigararias de Freixiel e Abreiro, pertencentes que foram à sagrada religião da Ordem dos Hospitalários.


CURIOSIDADES

aldeias eternas | Poiares

- O étimo de Poiares é “Podiales”, de origem romana. - Poiares foi terra de grandes comendadores na idade média, como o Frei Lopo Gil, havendo resenhas históricas sobre esta povoação já no século XI. - A comenda de Poiares produzia em 1532 cinco mil alqueires de azeite, dez mil alqueires de castanha, dez mil de vinho e cinquenta mil de pão, sendo considerada uma comenda riquíssima. - Poiares teve um convento pertencente à Ordem dos Templários, Permanecendo as paredes deste convento ainda hoje intactas junto à igreja de Poiares, no lugar principal da comenda, onde sobressai a Cruz dos Templários à entrada desta. - D. Pedro V esteve em Poiares, a tratar-se de uma doença de pele, visto esta povoação ter uma à altura uma afamada Casa de Saúde especializada neste tipo de tratamentos. - Foi em Poiares que nasceu o eminente Arcebispo de Braga D. Manuel Vieira de Matos, figura cintilante da Igreja Católica. - Foi também em Poiares que nasceu o célebre D. Lourenço Vieira, “O ESPADEIRO”, filho de Egas Moniz e companheiro de luta e grande amigo de D. Afonso Henriques. - A grande relíquia desta aldeia, adorada por todos, é a SANTA CRUZ DE POIARES, cruz processinal, de grande valor histórico, datada de 1225, mandada fazer por Afonso Mendes, Prior da Ordem do Hospital do Convento dos Templários. A SANTA CRUZ DE POIARES é uma cruz em prata fina e esteve já exposta em grandes exposições mundiais e é um orgulho deste povoado.

PRINCIPAL TRADIÇÃO

Bodo do arroz Todos os anos, por altura da celebração da Festa em Honra de São Miguel, Poiares celebra uma tradição centenária.

Assim, tal como antigamente, antes da festa recolhem-se todos os potes da aldeia, depois alguém oferece uma ou duas vitelas e os mordomos com o dinheiro do povo compram o arroz. No dia terceiro da festa, segunda-feira, pelas seis da manhã, as mulheres dos mordomos, após estes acenderem uma grande fogueira junto ao largo da Capela da Senhora da Graça, cozinham ali centenas de quilos de arroz de carne, que pelas 16 horas é benzido durante uma missa especial perante todo o povo e ao ar livre, já com os potes todos dispostos em fila. Depois é ver milhares de pessoas de prato na mão para recolher um pouco de “arroz dos pobres”, como lhe chamavam antigamente, pois para muitas famílias era efectivamente uma das poucas vezes no ano em que comiam arroz com carne de vitela.

OS SALESIANOS

Desde 1924 que Poiares acolhe um dos Colégios Salesianos da Província Salesiana Portuguesa. Nele estudam alunos das aldeias cir15 cundantes, mas também alunos de toda a Região de Trás-os-Montes e Alto Douro, assim como do Interior Norte de Portugal, sendo que estes ficam em regime interno. Com um ensino de excelência, o Colégio Salesianos de Poiares é um marco na história da Aldeia e da educação de toda a Região.

A NÃO PERDER

Largo da Feira Capela Nossa Senhora da Graça Igreja Matriz Colégio Salesiano de Poiares Restaurante Repentina – famoso pelo cabrito Os miradouros da aldeia

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vinhos | Quinta do Crasto Localizada no coração do vale do rio Douro, na sua margem direita, entre a Régua e o Pinhão, a Quinta do Crasto é propriedade da família de Leonor e Jorge Roquette há mais de um século. Com uma àrea de 130 hectares, dos quais 70 são ocupados por vinhas predominantemente orientadas a sul, estende-se desde o leito do rio até cerca dos 600 metros de altitude. Tal como as grandes Quintas da Região Demarcada do Douro, a sua origem remonta a tempos longínquos (o nome CRASTO, deriva do latim castrum, que significa Forte Romano), e com uma vista priveligiada sobre o rio, não será muito dificil imaginar porque é que os romanos terão escolhido esta localização. Os importantes investimentos realizados nos últimos anos permitiram modernizar as vinhas e instalações de vinificação com as mais avançadas tecnologias, sendo hoje conjugadas com os métodos mais antigos e tradicionais, nomeadamente a pisa a pé nos velhos lagares de pedra. De acordo com o plano de crescimento previsto, foi adquirida a Quinta da Cabreira que está situada no Douro Superior com 120 hectares, dos quais 16 100 hectares são ocupados por vinhas, que significam um complemento muito importante à produção dos vinhos da Quinta do Crasto. A concretização de todos os investimentos associada à paixão que é colocada na elaboração dos seus vinhos, levou nos últimos anos ao reconhecimento da Quinta do Crasto no panorama dos mercados vinícolas Nacional e Internacional. Na Quinta do Crasto são produzidas anualmente diversas categorias de Vinhos de Mesa e de Vinhos do Porto. Com a dedicação e o esforço dos enólogos e de todos os que fazem parte da sua equipa, a Quinta do Crasto, produz ano após ano vinhos únicos, com as características típicas do Douro, num processo de grande respeito pela tradição e simultaneamente, de permanente aprendizagem, aperfeiçoamento e inovação.


Um olhar sobre a História As primeiras referências conhecidas referindo a Quinta do Crasto datam de 1615, tendo sido posteriormente incluída na primeira Feitoria juntamente com as Quintas mais importantes do Douro. Um Marco Pombalino datado de 1758 pode ser visto na Quinta. Logo no início do século XX, a Quinta do Crasto foi adquirida por Constantino de Almeida, fundador da casa de vinhos Constantino. Em 1923, após a morte de Constantino de Almeida foi o seu filho Fernando de Almeida que se manteve á frente da gestão da Quinta dando continuidade á produção de Vinho do Porto da mais alta qualidade. Em 1981, Leonor Roquette (filha de Fernando de Almeida) e o seu marido Jorge Roquette assumiram a maioria do capital e a gestão da propriedade e com a ajuda dos seus filhos Miguel e Tomás deram início ao processo de remodelação e ampliação das vinhas bem como ao projecto de produção de vinhos de mesa pelos quais a Quinta do Crasto é hoje amplamente conhecida.

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vinhos | Quinta do Crasto Crasto Superior Crasto Tinto Como o nome sugere, este vinho é feito com uvas provenientes da região Na elaboração deste vinho são utilizadas as castas tradicionais do Douro - Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca e Touriga Franca. Sem estágio em madeira, pretendemos que seja um vinho fresco, frutado e “fácil” de beber. Cor rubi intenso, aroma a frutos vermelhos muito maduros. Na boca a fruta está bem presente, com boa estrutura e taninos equilibrados que o tornam um vinho muito agradável.

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Crasto Branco Na elaboração deste vinho são utilizadas castas brancas tradicionais do

Douro – Gouveio, Roupeiro e Rabigato. Através de uma selecção das melhores uvas, o Crasto Branco apresenta um estilo moderno de grande frescura e expressão aromática. Aroma de fruta citrina, espargos silvestres e elegantes notas florais encontram-se na perfeição, com um bom equilibrio, vibrante frescura e agradável persistência.

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa A Vinha Maria Teresa com cerca de 100 anos é uma das mais antigas

da Quinta do Crasto. Apesar da baixa produtividade de uma vinha velha, conseguimos com as uvas desta vinha niveis elevadíssimos de concentração que nos permitem obter um vinho muito complexo. Grande volume, com taninos muito finos e compactos, tudo em perfeito equilíbrio. A sua fantástica estrutura e persistência conferem-lhe um elevado potencial de envelhecimento.

do Douro Superior, da nossa quinta localizada junto a Castelo Melhor com o nome de Quinta da Cabreira onde plantamos nos últimos anos 100 hectares de vinha. Tem um ataque fresco, evoluindo em grande harmonia, para um volume compacto composto por taninos maduros e firmes. Boa sensação de frescura aromática com notas de excelente complexidade entre frutos silvestres do Douro, esteva e cacau, que proporcionam um final agradável e de excelente persistência.

Quinta do Crasto Tinta Roriz Apenas engarrafado nos anos em que se atinge um alto nível de qualidade, este vinho é feito com 100% de uvas da casta Tinta Roriz. Cor viva e concentrada, aroma intenso a fruta madura com notas de boa madeira. Grande presença na boca, macio e redondo com taninos muito estruturados, tudo muito bem equilibrado. Final longo e prolongado.

Quinta do Crasto Touriga Nacional Apenas engarrafado nos anos em que se atinge um alto nível de quali-

dade, este vinho é feito com 100% de uvas da casta Touriga Nacional. Cor viva e concentrada, aroma intenso a fruta madura com notas de boa madeira. Grande presença na boca, macio e redondo, tudo muito bem afinado. Final longo e especiado.


vinhos Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas Este vinho é feito com uvas de vinhas velhas com uma média de idade de

aproximadamente 70 anos onde podemos encontrar mais de 30 castas diferentes. Estagia em barricas de carvalho francês e americano cerca de 18 meses. Aroma complexo com fruta muito bem integrada com a madeira revelando notas de especiarias. Na boca mostra-se intenso e profundo, bem equilibrado pela firme estrutura de taninos, grande complexidade e um longo e persistente final.

Quinta do Crasto Vintage Porto Mantendo a tradição de muitos anos, continuamos a pisar as uvas nos

velhos lagares de pedra, seleccionando as melhores uvas das vinhas velhas. Os nossos Vintage são engarrafados após dois anos de estágio em madeira de carvalho português e são engarrafados sem filtração. Normalmente têm uma côr muito escura, quase opaca, aromas intensos a fruta muito madura o que os torna vinhos muito complexos e persistentes com uma notável longevidade.

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Quinta do Crasto Vinha da Ponte Quinta do Crasto LBV Porto A Vinha da Ponte tal como a Vinha Maria Teresa tem cerca de 100 anos de O LBV é um vinho de uma só colheita, engarrafado após 4 a 6 anos idade. O vinho proveniente desta vinha velha é vivo e concentrado na cor, aroma rico e intenso a fruta madura, que revela a excelência e que domina de uma forma elegante sobre as notas de madeira. Na boca a grande estrutura dada por uvas provenientes de uma vinha velha integra-se na perfeição com os taninos da madeira, resultando um vinho persistente, muito complexo e com elevado potencial de envelhecimento.

depois de estágio em toneis de Carvalho Português. Os LBV da Quinta do Crasto caracterizam-se por uma cor rubi escura, e aromas a frutos vermelhos com uma boa concentração e persistência na boca, são engarrafados sem qualquer filtração o que lhes mantém as suas caracteristicas permitindo uma boa evolução na garrafa, devendo ser decantados sempre que possivel.

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vinhos & blogs Corria o ano de 1885, o Imperador Napoleão III pedia um sistema que classificasse os melhores vinhos de Bordéus a serem expostos durante e Exposição Universal de Paris, deste pedido iria nascer a famosa Classificação Oficial de Bordéus de 1855... milhares de quilómetros ao sul, no Douro pré-filoxérico era produzido um tawny ali bem perto da Régua, mais propriamente nas caves de uma família ligada ao Douro, em Prezegueda. 20 Passados 155 anos, com duas Guerras Mundiais pelo meio, é no ano de 2008 que David Guimaraens, enólogo da Taylor’s “encontra” e prova este vinho, uma relíquia de família que tinha vindo a passar de geração em geração. Um vinho tão bom que das 3 barricas fala-se que uma teria sido vendida a Winston Churchill, e que após 155 anos de envelhecimento em barrica apresentou-se em perfeitas condições, com uma “complexidade mágica”. A história completa-se quando em 2009 a Taylor´s compra as duas barricas restantes, e segundo palavras de Adrian Bridge: “A Taylor’s reconheceu de imediato a qualidade absolutamente notável deste vinho e a sua importância histórica pelo que decidiu não o lotar, mas lançá-lo como um vinho de colecção,” pelo que apenas 1.400 garrafas de Scion estarão disponíveis para venda, cada uma delas rondará os 2500 euros, num conjunto luxuoso onde todos os detalhes foram tidos em conta, até uma caixa de madeira que imita os estojos utilizados no século XIX. “Scion may be one of the last great representatives of a lost viticultural era, the Douro vineyards in pre-Phylloxera days were ungrafted and a different mix of varieties planted from those used today. This Port represents a rare piece of history and is an exciting and very unique offer for consumers.”, Adrian Bridge, Taylor´s Chief Executive Officer O poder privar com um vinho desta natureza torna-se um momento inesquecível na vida de qualquer apreciador de vinho, é algo que nos faz

sentir pequeninos, um momento que dificilmente se repetirá tal a raridade do vinho em causa o que por si só faz com que a sua prova seja um momento a não esquecer... ali foi provado, honrado e brindado à memória de todos aqueles que o fizeram, guardaram e trouxeram até nós. PS: A palavra Scion tem dois significados: o descendente ou herdeiro de uma família nobre e garfo de uma planta, especialmente utilizado para a enxertia. Taylor´s Scion: Na garrafa é escuro como o breu, largado no copo recorda aromas a caramelo, âmbar, conjunto de impacto completamente arrebatador... tudo pára à nossa volta como se fosse uma máquina do tempo, e que tempo. Tudo o que é bom de encontrar mora ali, tal é a concentração e complexidade, apesar da delicadeza e finura com que tudo se mostra neste vinho que parece que vamos sendo acompanhados por várias camadas de aromas e de sabores, a cada página... perdão, a cada vez que o levamos ao nariz ou à boca é como se algo novo se fosse juntando ao conjunto já de si bastante complexo e profundo. Sente-se muita frescura no aroma com toques de algum vinagrinho e fruta cristalizada misturada, café, especiarias diversas, tabaco enrolado na forma de charuto, conjunto com tudo muito limpo bem definido, quase como um mostruário de ourives. Boca com enorme frescura, um corpo na medida certa, o vinho parece que não acaba de se despedir, perdura e perdura, tudo o que encontramos no nariz é transferido de maneira subtil para o palato, sempre guiado por uma acidez excepcional, num vinho em que não consegui dizer que lhe falta mais disto ou daquilo, ou que peca no fim de boca, nada... será isto o vinho perfeito?

Por João Carvalho


breves inovação e vinhos Guia de vinho Rui Falcão 2011 Demorou… mas chegou! A edição do Guia de Vinho do Rui Falcão 2011 acaba de sair para o mercado. São cerca de 4.200 vinhos classificados que, para além de vinhos nacionais de todas as regiões, congregam ainda apreciações sobre vinhos alemães, argentinos, australianos, austríacos, chilenos, espanhóis, franceses, gregos e italianos.

Porto e Douro Wine Show Os milhares de visitantes que marcaram presença na 5ª edição do Porto e Douro Wine Show, no Convento do Beato, em Lisboa, comprovaram que a aposta do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) resultou. O evento ultrapassou o êxito dos anteriores e a ligação com a Moda foi, realmente, um dos pontos altos e, sem dúvida, a grande novidade desta edição, organizada em parceria com a No More/DMP-Aso. Mais de 70 expositores presentes contactaram com um público, maioritariamente jovem e interessado. Reinventar o conceito do vinho e o seu consumo é o objectivo do IVDP que tem no Porto e Douro Wine Show a principal aposta de promoção dos vinhos da Região Demarcada do Douro no mercado nacional.

Decanter Soirée chega ao mercado

Já está disponível no mercado português o decantar Soirée. Trata-se de um produto único e inovador, com aplicação directa na garrafa, e que promete revolucionar a forma de consumir o vinho. Inventado nos Estados Unidos da América, onde obteve um crescimento de vendas de 100% entre 2008 e 2009 (30 mil para 60 mil garrafas), chega agora à Europa, através de Portugal, com PVP de 25€. Pode ser encontrado nos espaços Clube del Gourmet do El Corte Inglês e em várias lojas de vinhos espalhadas pelo país.

Jamie Goode comenta vinhos da DFE

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O jornalista e crítico de vinhos britânico Jamie Goode provou e avaliou vinhos das quatro quintas pertencentes à Douro Family Estates. “Os vinhos da Douro Family Estates. Uma nova forma de colaboração no Douro, envolvendo a Quinta do Soque, a Quinta das Bajancas, Brites de Aguiar e a Quinta dos Poços” é o título do artigo que o jornalista e crítico de vinhos exibe no seu blogue http://www.wineanorak. com/douro/dourofamilyestates.htm

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inovação e vinhos Douro Vs Douro 2.0

Segundo estudos recentes, um em cada três portugueses está presente nas redes sociais. A entrada nestas plataformas coloca Portugal como 3º País Europeu mais presente nas Redes Sociais. Contrariamente à maior parte das indústrias que seguem uma tendência de queda nas taxas de rentabilidade, o mercado da internet continua a crescer, quer em número de utilizadores quer em termos de investimento publicitário. A leitura destes dados e tendências de mercado é um dos maiores desafios do marketing. Parafraseando Maxwell Maltz*, “A vida está cheia de desafios que, se aproveitados de forma criativa, se transformam em oportunidades.” As crescentes mudanças que ocorrem no mundo empresarial obrigam as empresas a estarem inseridas no contexto das novas tecnologias, que é uma das premissas básicas para aquele que deseja estreitar relações 22 com o seu público-alvo. Actualmente as marcas conquistam o seu posicionamento em grande parte através da sua reputação na Internet, esta realidade é inevitável,

sendo que os Marketeers e os gestores não podem ignorar a relevância das redes sociais, dos fóruns de discussão e do e-commerce. É esta oportunidade que a Web 2.0 nos trouxe. Deverá ser amplamente aproveitada e potenciada de forma a rentabilizar todos os valores da Região. É de suma importância que as nossas pequenas e médias empresas ligadas aos mais variados ramos de actividade despertem para esta nova era e se actualizem de forma a adaptarem-se ao mercado e a gerarem riqueza. Neste momento, estão eliminados uma série de receios relativos ao comércio electrónico. Neste sentido, os negócios “digitais”, inevitavelmente, vão deixar de ser “Business as usual” para passar a constar no ”Core Business” das empresas. Esperemos que o tecido empresarial duriense e as instituições estejam sensibilizadas para esta nova maneira de “fazer negócios”. Não podemos ficar atrasados nas áreas do Turismo e dos Vinhos relativamente aos nossos “competidores” mais próximos. *Maxwell Maltz (1899-1975) foi um psicólogo que desenvolveu a Psicocibernética - um sistema que pretendia melhorar a auto-imagem e a autoconfiança, de modo a conduzir a uma vida mais bem sucedida. Por Nuno Pires facebook.com/nunosobralpires


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marketing & comunicação A nossa missão é levar a marca Douro até Mercados Internacionais. Somos uma equipa especializada exclusivamente dedicada à promoção externa de produtos de excelência do Douro.

Os nossos serviços: Relações Institucionais Relações Públicas Assessoria de Imprensa Eventos Vitivinícolas Gestão de Redes Sociais Design em Comunicação • Criação de Website • Anúncios de imprensa • Criação de Imagem Corporativa • Criação e produção de suporte de comunicação • (Cartazes, Rótulos, Flyers, Banners, etc.) • Newsletters

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o que não dispenso

Iphone

É uma ferramenta incrível que me permite estar actualizado ao segundo e ter acesso a emails e internet em qualquer lado.

Portátil

Hoje em dia um portátil é uma empresa e a nossa morada começa por www ou @.

Viajar

Em Portugal ou no estrangeiro, viajar é sempre uma forma de aprender e de recuperar baterias.

Máquina Fotográfica

Não posso ficar sem registar todos os locais por onde passo.

Cinema / Filmes / Series

Ir ao cinema no mínimo uma vez por semana e ver dois ou três filmes em casa. As séries também fazem parte dos meus serões.

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DAVID MENDES Realizador | 25 anos

DOURO Peso da Régua

O realizador do programa Minutos Mágicos, da SIC, é inseparável do seu iphone, adora viajar, gosta tanto de comer como de cozinhar e de namorar.

Sporting

Gosto de acompanhar regularmente as notícias do meu clube. Desde que esteja disponível, vejo os jogos ao fim de semana.

Fazer desporto

Desde miúdo que sempre pratiquei desporto regularmente. Comecei no Basquete, passei pelo Andebol, Ténis, BTT e actualmente jogo Futebol 2 vezes por semana.

Cozinhar

Adoro cozinhar. Para mim é uma actividade relaxante que me permite descomprimir do dia-a-dia.

Sushi

Estou rendido aos sabores orientais... Já não passo sem esta arte da cozinha japonesa!

Namorar

É sempre bom partilhar bons momentos com a pessoa que amamos.


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entrevista | Mário Daniel

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TD - Não se poderá afirmar que a actividade que abraçou é algo muito comum, pois como sabemos trata-se, ou pelo menos assim é visto, de coisa para muito poucos. O que o levou a entrar para o mundo da magia?

Mário Daniel (MD), o mágico que o Douro há muito conhece, estreou-se em Setembro (foi ontem), na SIC, no horário nobre das 21.15 horas de sábado, num programa que produziu com o seu irmão David Mendes e que este realizou através da equipa da Ideias com Pernas. Impunha-se ouvir o artista. Assim, a Tribuna Douro (TD) decidiu entrevistá-lo para que os nossos leitores possam saber um pouco mais da personalidade deste artista duriense, nascido, há trinta anos, no Peso da Régua Aqui fica o seu depoimento às questões que lhe colocámos.

MD - Eu considero que a magia é uma arte para todos, tal como a música, o teatro, a pintura ou o cinema… há bastantes ilusionistas, ainda que poucos profissionais, a apresentarem os seus espectáculos, mas também haverão poucos pintores, face ao número de pessoas que pintam, que vivam única exclusivamente da pintura… É normal o interesse por esta arte mas poucos “investem” o suficiente para se profissionalizarem por razões diversas. Enquanto criança era um apaixonado por ela, via e revia tudo o que lhe estava associado. Quando tinha 12 anos um colega (Alberto Mesquita) levou um livro para a escola que me despertou o interesse pelo estudo mais aprofundado desta arte. De seguida é o sonho e a paixão que movem a continuidade e, da perseverança, surge qualidade…


entrevista

“Eu considero que a magia é uma arte para todos...” TD - Qualquer pessoa pode desenvolver um trabalho deste género, ou são necessárias capacidades mais próprias, para não dizermos especiais? MD - Acho que existem aspectos da personalidade de cada um que podem fazer a diferença: capacidade de comunicação, de expressão física, interpretação e compreensão. Tive a sorte de ter, no meu ambiente familiar, uma excelente formação que potenciou imenso o meu percurso. Os aspectos técnicos são uma questão de estudo, tempo, dedicação e repetição. Considero que, aprender magia, é como aprender musica… qualquer pessoa pode aprender mas os resultados variam imenso de indivíduo para individuo. TD - A Magia e o Ilusionismo aparecem no nosso imaginário sempre a par. Quando é que se pode falar de um ou de outro? MD - Os mágicos recorrem a ilusões para criar magia na mente dos espectadores… Por isso o termo magia é o que gosto mais para descrever o que faço. Não acredito em magia que não esteja fundamentada em ilusões… TD – O programa televisivo “ Minutos Mágicos”, que tem vindo a ser exibido na SIC, é o seu grande ponto de viragem, no sentido em que é a consolidação da sua carreira? MD - O meu percurso iniciou-se aos 14 anos e tenho agora 30… Vivi sempre, e de forma confortável, da Magia. Ao longo de todos estes anos estive em centenas de eventos/espectáculos privados, muitos deles, para grandes empresas. Esse enquadramento artístico é fantástico pois trabalhamos para bons públicos e com excelentes condições! Uma das grandes vantagens desse “mercado” é que tendo qualidade continuamos a trabalhar. O do grande público, os teatros e auditórios, funcionam mais em função de “modas”. Há excelentes peças de teatro que não têm público… O programa vem realmente trazer a minha magia para o grande público e é excelente sentir o reconhecimento a essa escala. Foi um pro-

jecto no qual eu e o meu irmão David Mendes (realizador do programa) investimos muitos anos de trabalho. Era uma meta gigante que foi atingida e o impacto na sociedade foi muito maior do que poderíamos imaginar! TD - Em termos de futuro. Tem já algo delineado, existem projectos, ou fica-se, por ora, por um dia de cada vez?

MD - Ser apoiado por uma grande marca e realizar um espectáculo como a Gala da Magia Coca-Cola no Campo Pequeno era outro sonho… que se concretizou de forma perfeita… Não podia desejar um ano mais mágico! TD - A Magia anda de braço dado com o sonho. Qual é o seu sonho? MD – Estou, neste momento, a viver o sonho… agora “é só” não acordar… Uma coisa é entrar na televisão, outra, é mantermo-nos lá du-27 rante muito tempo… a gestão do tempo em que estamos nessa exposição é muito importante. Por exemplo: espero não produzir nenhuma série para o início do próximo ano. Penso que, se for para o final do ano, será uma melhor opção estratégica. Temos que continuar a trabalhar da mesma forma humilde e dedicada com que chegámos até aqui… Por Manuel Igreja

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reportagem

MUSEU DO DOURO CELEBRA 2º ANIVERSÁRIO

Um Museu do tamanho do território O Museu do Douro é um importante pólo de desenvolvimento e intervenção sócio-cultural na região duriense. A sua sede, que ocupa um dos edifícios mais emblemáticos da história do Douro, a antiga Casa da Companhia, é o local por excelência de acolhimento dos turistas que visitam o Douro vinhateiro. O Museu do Douro comemora o seu segundo aniversário. É um dos maiores e mais ambiciosos investimentos dos últimos anos no concelho da Régua e na Região Demarcada do Douro. A sede do Museu do Douro, um projecto de desenvolvimento regional, âncora para o Alto Douro vinhateiro, inaugurou a 20 de Dezembro 2008, sete anos depois desta região de vinhedos construída a pulso por milhares de homens grandiosos ter sido consagrada pela UNESCO como Património Mundial. A sede do Museu do Douro ocupa um dos edifícios mais emblemáticos da história do Douro, a antiga Casa da Companhia. Conjugando tradição e modernidade, este projecto para a sede do Museu do Douro procurou exceder as expectativas de um investimento ambicioso para a região, corporizando a missão da instituição - ser guardiã do legado cultural da Região Demarcada do Douro, uma herança que está em constante diálogo com o presente.

Casa da Companhia: história de um edifício cujo início de construção data de 1783 Edifício verdadeiramente emblemático do Douro setecentista, o edifício da Casa da Companhia foi fruído ao longo de mais de um século como centro de vinificação e armazenamento, além de sala de audiências para julgamento pontual de infracções perpetradas contra a principal actividade da região: a vinícola. A Casa da Companhia renasceu para voltar a servir a região duriense, mas com uma nova vocação, desta vez, turístico-cultural, passando a albergar a sede do Museu do Douro, que passou também a ser o local por excelência de acolhimento e de apresentação da memória, cultura e tradição da mais antiga região demarcada e regulamentada do mundo. É o melhor local para qualquer visitante perceber a história e a grandiosidade do Douro e sentir o imperativo de partir à sua descoberta.


Serviço educativo Eu sou Paisagem

reportagem

O Serviço Educativo do Museu do Douro tem como principal missão a criação de contextos criativos para a participação de crianças, adolescentes e jovens em actividades de educação, de conhecimento e de entretenimento, com base na paisagem que importa conhecer para cuidar. Eu sou Paisagem. A acção deste serviço articula actividades para diferentes tipos de público, destacando-se os projectos com escolas, as oficinas sazonais, as rogas, os percursos pedestres e as visitas guiadas às exposições do Museu. O Serviço Educativo está aberto a colaborar com outras instituições e pessoas para o desenvolvimento de projectos comuns em todo o território. O Serviço Educativo promove visitas guiadas nas áreas de exposição do Museu do Douro, gratuitas para grupos escolares. O programa de oficinas e percursos é sazonal. Realiza-se durante o período não escolar e visa proporcionar a crianças e jovens o contacto directo com a natureza, com diferentes materiais e técnicas para a criação orientada, bem como sensibilizar estes públicos para a percepção da paisagem. Através do contacto directo com a paisagem e ao longo de trajectos ferroviários e pedestres, os percursos permitem que crianças, jovens e adultos conheçam de perto a diversidade paisagística do território duriense. As rogas acompanham os ciclos sazonais e humanos na paisagem e permitem o contacto de crianças e jovens com as actividades que envolvem a vindima.

Exposição permanente “Memória da terra e do vinho” Descobrir e conhecer a magia de uma região Na cidade da Régua, o Museu do Douro também é polinucleado, estando a Exposição Permanente aberta no Armazém 43, um espaço 29 de memória do Douro vinhateiro. É o melhor ponto de partida para quem quer descobrir e conhecer a magia de uma região de vinhedos plantados em socalcos. A exposição permanente do Museu do Douro tem como espaço de representação a Região Demarcada do Douro e a cultura da vinha e do vinho, principal elemento da sua identidade. Instalada no antigo Armazém 43, junto ao Solar do Vinho do Porto, esta mostra propõe percursos diversos de descoberta e interpretação do Alto Douro vinhateiro, região classificada como Património Mundial.

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reportagem Exposições temporárias

“Colecção Ernst Lieblich” A “Colecção Ernst Lieblich” é uma colecção de arte portuguesa reunida por Ernst Lieblich, constituída por 47 obras de 22 artistas, sendo que o seu núcleo vital é formado por 44 obras de 19 artistas. Em todas estas obras predominam os óleos e os acrílicos, como técnicas, dando assim uma expressão interessante ao desenho, enquanto que a gravura e a serigrafia existem em pequeno número. Data de abertura: 15 de Outubro de 2010

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“Ode à Vinha”, de Necas Nicolau de Almeida Esta mostra reflecte-se em muitos anos de trabalho e de investigação. Os quadros apresentam uma qualidade de execução rara, ricos em cor, motivos e movimentos. Estes trabalhos são produzidos sobre fundo de aguarela, utilizando colagens, folhas de videira, cachos de uvas, gavinhas, rolhas, entre outros materiais. A toda esta produção junta-se uma sensibilidade própria de Necas Nicolau de Almeida, tornando as suas obras em objectos de grande valor. De referir que o produto do seu trabalho é sempre dedicado à educação das crianças deficientes auditivas. Data de abertura: 15 de Outubro de 2010 Balbina Mendes O Museu do Douro expõe as últimas obras da pintora Balbina Mendes. Os trabalhos têm como tema as máscaras rituais do Douro e Trás-osMontes e chegam sensivelmente a meio de uma itinerância pelo país e pelo estrangeiro que já leva um ano e meio. As 40 telas abordam um dos aspectos mais enigmáticos e atraentes da antiquíssima cultura do interior Norte de Portugal. Aquando da inauguração foi também apresentado o livro “Máscaras Rituais do Douro e Trás-os-Montes”, em que este mundo é visto por escritores e investigadores como Adriano Moreira e A.M. Pires Cabral. Data de abertura: 30 de Outubro de 2010 Data de encerramento: 31 de Dezembro de 2010

“Altares do Douro” de José Rodrigues São mais de 20 peças esculturais que estão patentes ao público no Museu do Douro, da autoria de José Rodrigues. Altar, altare, mais alto, lugar de busca. Lugar onde o homem dedica aos deuses as suas acções, as suas promessas, pedindo apoio e abrigo. Local onde procura forças que estão para além de si próprio para atingir metas mais longínquas. Mas também onde busca calma e serenidade. Este “altar” de José Rodrigues está recriado pela primeira vez aos pés do Alto Douro vinhateiro, onde a obra conjunta da natureza e do homem se apresenta num incomensurável trabalho. Gerações após gerações, os homens transformaram a pedra em terra, tornando esta região produtora de um dos melhores vinhos do mundo. Curva após curva, os socalcos em escadaria elevam-se aos céus, significando um sonoro hino à natureza e ao esforço do homem. Em “Altares do Douro”, José Rodrigues deixa evidente o poder do território. Para o artista, no Douro sente-se, como em poucos lugares do mundo, a universalidade e a espiritualidade que a terra é capaz de transmitir na sua grandiosidade. Data de abertura: 26 de Novembro de 2010 Data de encerramento: 20 de Fevereiro de 2011 “A Arte da Luz” A exposição “A Arte da Luz” une dois Patrimónios Mundiais: Vale do Côa e Siega Verde. Extensão do Vale do Côa, a arte rupestre de Siega Verde (Vale do Águeda, Espanha) foi recentemente classificada pela UNESCO como Património Mundial. “A Arte da Luz” é exposição que pretende divulgar e promover os dois sítios com arte paleolítica de ar livre no interior peninsular. Pensada para circular em ambiente urbano, esta exposição é promovida pela Junta de Castilla y León em parceria com o IGESPAR, tendo sido organizada pela APDARC Arte e Cultura no Douro e Côa, em colaboração com o Parque Arqueológico do Vale do Côa. Data de abertura: 26 de Novembro de 2010 Data de encerramento: 31 de Dezembro de 2010 INFORMAÇÕES ÚTEIS

Morada: Rua Marquês de Pombal 5050-282 Peso da Régua Telefone: 254 310 190 Fax: 254 310 199 E-mail: geral@museudodouro.pt Site: www.museudodouro.pt

Área de Exposições do Museu do Douro - “Memória da Terra do Vinho” Rua da Ferreirinha, 43 5050-256 PESO DA RÉGUA Telefone: 254 324 177 Horário de Abertura ao público: 10h00 às 18h00

Horário de Abertura ao público: 10h00 às 18h00 (horário de Inverno) 10h00 às 19h00 (horário de Verão) Encerra às Segundas-Feiras

Preço dos bilhetes: 5€ (bilhete único, que dá acesso à exposição temporária e à exposição permanente do Museu do Douro)


solidariedade social

Novo projecto de Solidariedade Social ASSOCIAÇÃO BAGOS D’OURO AJUDA CRIANÇAS DE SABROSA E S. JOÃO DA PESQUEIRA A sede do Museu do Douro, situada na Régua, foi pequena para acolher as pessoas que quiseram participar no lançamento da Associação Bagos d’Ouro, no dia 26 de Novembro. Para que “as graínhas de hoje sejam os bagos d’ouro de amanhã”, foi a frase que deu o mote à noite de solidariedade promovida pela Associação Bagos d’Ouro, no Museu do Douro. Cerca de 200 pessoas marcaram presença no evento que começou com a apresentação do projecto Associação Bagos d’Ouro, liderada por Luísa Amorim, administradora da Quinta Nova de Nossa Senhora, em Sabrosa, e por Amadeu Castro, pároco da freguesia de Trevões, S. João de Pesqueira. Para Luísa Amorim, o projecto nasceu da necessidade de “apoiar crianças vítimas de problemas relacionados com o alcoolismo e consequente instabilidade familiar”, através de “iniciativas que permitam o acesso à educação e facilitem a inserção social na região duriense”. Luísa Amorim foi mais longe e apelou à solidariedade de todos os presentes: “Ser solidário é ajudar. É desenvolver o espírito de solidariedade e não ficar indiferente aos que necessitam de ajuda. Ajudar não custa nada, muito pelo contrário, fica-se mais rico e promovemos um mundo melhor”. A Associação Bagos d’Ouro foi criada em 2010, não tem fins lucrativos e

centra-se na ajuda às crianças dos concelhos de Sabrosa e S. João da Pesqueira. Durante a apresentação do projecto, foi também lançado o livro “Receitas Bagos d’Ouro”, a primeira iniciativa desta associação. Uma obra que conta com receitas de 54 chefes portugueses, elaboradas com produtos tradicionais do Douro, como o azeite, os doces, as tisanas. O livro “Receitas Bagos d’Ouro tem um custo de 9.5 euros, revertendo o valor na totalidade para a ajuda às crianças. “A Região do Douro não é só vinha e vinho, é também pessoas e famílias que a tornaram única no mundo, contribuindo com o trabalho árduo nos campos, por vezes com inegáveis efeitos negativos nas crianças ao longo de gerações, enquanto elo mais frágil da estrutura familiar”, rematou Luísa Amorim. A Associação Bagos d’Ouro vai continuar a vender o seu livro “Receitas Bagos d’Ouro”, bem como a promover jantares “Bagos d’Ouro”, 31 que incluem a venda e leilão de Magnuns de Vinho. Para o próximo ano vai desenvolver eventos vínicos, bem como outras actividades. Tudo para e pelas crianças desfavorecidas.

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empresa D’ouro

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Vindimar Sedeada na cidade do Peso da Régua, a Vindimar foi fundada em Março de 1994. O objectivo principal da sua actividade foi, numa primeira fase, a prestação de serviços de consultoria económica e enológica e paralelamente a comercialização de produtos de Higiene Profissional. Com o evoluir do mercado, o core business da empresa alterou-se, passando a ser a área da Higiene Profissional a assumir total protagonismo na actividade da empresa, conseguindo um crescimento constante da sua carteira de clientes e tornando-se uma das principais referências regionais

neste sector de negócio. Actualmente, a Vindimar fornece a maioria das unidades hoteleiras da sua área de influência, apostando continuamente na inovação e na qualidade dos produtos. Posicionando-se como especialista no mercado onde actua, a empresa tem como principal arma de negócio a representação de produtos dos líderes de mercado na área de higiene profissional, nomeadamente JohnsonDiversey, Vilêda Profissional, Kimberly-Clark, Rubbermaid, GomaCamps.


A SUA MISSÃO…

Proporcionar as melhores soluções de Higiene de acordo com realidade dos diversos sectores de negócio, mantendo uma posição competitiva, inovadora e sustentável. Para além de comercializar produtos, sistemas e equipamentos de higiene e limpeza, a Vindimar destaca-se por prestar um serviço de consultadoria procurando sempre dar as melhores soluções para cada caso, de forma de satisfazer todas as necessidades dos clientes.

CERTIFICAÇÃO

Líder na região do Alto-Douro na área da higiene e limpeza, a Vindimar concretizou um dos dos seus objectivos definidos para 2010 ao obter pela APCER a Certificação de Qualidade pela Norma NP EN ISO 9001:2008, no âmbito da comercialização e distribuição de produtos de higiene industrial e desinfecção.

empresa D’ouro “APOSTAMOS NUMA POLITICA DE QUALIDADE”

“No nosso dia-a-dia, preocupamo-nos com a melhoria contínua do serviço que prestamos como forma de melhorar a eficácia das nossas actividades, assim como com a legislação relevante, regulamentos e requisitos obrigatórios”, refere Francisco Padua. O responsável pela Vindimar orgulha-se de poder afirmar que são definidos objectivos e metas da qualidade, medindo a “performance” para assegurar o cumprimento da política de sustentabilidade da empresa. “Apostamos numa política de qualidade”, reitera Francisco Pádua Com um volume de negócios que ronda os 1,2 milhões de euros anuais, a Vindimar conta com uma equipa especializada de 8 elementos, com capacidade de resposta às necessidades do mercado. 33

DESTAQUES

É imperial cumprir prazos de entrega. Encomendas completas . Capacidade de resposta. Colaboradores com formação apropriada para desenvolvimento das suas competências.

FRANCISCO PÁDUA Sócio Gerente Valores de liderança Organização Seriedade Qualidade Satisfação Regularidade Competência

A Vindimar tem nas suas representações oficiais um dos seus pontos fortes JohnsonDiversey | Vilêda Profissional | Kimberly-Clark | Rubbermaid | Goma-Camps

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património

PATRIMÓNIO RELIGIOSO CONCELHO E CIDADE DA RÉGUA Pode dizer-se que o património histórico e religioso do concelho do Peso da Régua é bastante vasto e digno de admiração e visita. Separados por pequena distância, o cemitério mouro de Galafura e o palácio romano da Fonte do Milho, em Canelas, são marcos quer de ocupação muçulmana quer da romana. Galafura onde se encontra um dos miradouros mais lindos do Douro, local de peregrinação e inspiração de Miguel Torga, do qual, um poema que lhe dedicou, figura hoje inscrito, em azulejos, na parede leste de capela aí existente. A permanência dos romanos é testemunhada pelos restos de um castro e a presença muçulmana na encosta do monte de S. Leonardo, lugar ainda hoje denominado como Fonte dos Mouros, está assinalado pela existência de uma necrópole árabe onde existem os únicos túmulos de crianças mouras na Península. A villa romana da Fonte do Milho mostra-nos que, já nessa época, se plan34tava vinha no Douro justificado pela existência no local de um lagar de vinho. Escavações no local feitas em 1939 por Carlos Teixeira foram, mais tarde retomadas, entre 1947 e 1949 pelo arqueólogo Russell Cortez ao serviço do IVP. Deixadas ao abandono durante décadas foram gravemente danificadas e destruídas pela ignorância dos homens e o desleixo das instituições que as deviam preservar e estudar. A partir de 2009 a actual autarquia sensibilizou as entidades competentes e actualmente procede-se à re-escavação, recuperação e musealização. Foram encontrados no local restos arqueológicos do Séc.I DC aos séc. IV e V DC, como mosaicos com figuras de peixes. O património religioso é muito vasto, podendo dizer-se que cada capela existente em cada freguesia ou lugar do concelho tem a sua história e o seu interesse, desde a talha dourada ás pinturas de grande valor artístico e cultural. No entanto pensamos serem dignas de realce as mais emblem��ticas, existentes nas duas freguesias que constituem a cidade: Peso da Régua e Godim.

A CAPELA DO SENHOR DA AGONIA DO CRUZEIRO No local onde hoje se encontra a actual capela existia a Igreja Matriz de S. Faustino, que consta ter sido erigida pelo imperador romano Constantino Magno. Contudo, em 1734, uma grande cheia destruiu este templo, transitando a Matriz para a Capela do Espírito Santo, situada no Largo do Poeiro. Quando se quis dar início a reconstrução da igreja de S. Faustino, em 1743, isso não foi possível por todos os pedreiros terem sido levados à força para a construção do Mosteiro de Mafra. Obrigados a esperar, os habitantes da vila reflectiram melhor e resolveram construir a matriz no local da Capela do Espírito Santo. Contudo, os moradores da freguesia de S. Faustino resolveram levantar ali uma capela para abrigar a imagem de Cristo, Senhor Nosso Crucificado, com o título de Senhor da Agonia do Padrão da Régua, a quem quiseram agradecer a sua abastança e os favores que diariamente recebiam da imagem, colocada no adro da então Igreja Matriz. A sua construção teve início em 1744 e ficou concluída em 1747. Esta capela muito bonita na sua simplicidade artística possui um altar-mor em estilo jónico, consagrado ao Senhor do Cruzeiro e outros dois altares laterais, consagrados a Nossa Senhora das Necessidades, e a Santo António, em estilo gótico-florida, revelando mais antiguidade, que faz crer que a sua construção não foi simultânea. Mais recentemente foram construídas duas peanhas, uma de cada lado, onde foram colocadas as imagens de S. José e Nossa Senhora de Fátima.

O PADRÃO DO SENHOR DA AGONIA Encontra-se colocado no adro da Capela do Senhor do Cruzeiro. É constituído por uma coluna, sustentando no ábaco o capitel formado por volutas jónicas, rematado em acanto coríntio encimado por um tosco crucifixo. Muito antigo e de grande valor histórico, esteve primeiro debaixo de um modesto alpendre, depois esteve num canto da sacristia, passou para a entrada da capela até que foi definitivamente colocado no lugar onde se encontra: no adro da capela.


património A CAPELA DAS SETE ESQUINAS

A IGREJA MATRIZ DE S. FAUSTINO

A Capela de Nossa Senhora do Desterro, popularmente conhecida como a Capela das Sete Esquinas, pela sua forma hexagonal, foi construída, em 1752, no Lugar das Fontainhas. Abandonada e sem que ninguém com isso se importasse, foi durante anos promessa eleitoral de vários candidatos e objecto do desejo das populações mais próximas de a ver reconstruída. A actual vereação camarária candidatou a sua recuperação ao Ministério da Cultura restaurando-a e dando-lhe a dignidade merecida para satisfação da população reguense.

A sua demorada construção é bastante posterior à construção da capela do Senhor do Cruzeiro. A confirmação dos estatutos da sua irmandade do Santíssimo Sacramento foi pedida a 22 de Julho de 1760. Sem ser grandioso, é um templo amplo, de grandes dimensões para a época, condizentes com o seu estatuto de Igreja matriz. Além do altar-mor, onde estão colocadas as imagens de S. José e S. Faustino, a igreja possui mais seis altares, dois dos quais preenchem cantos formados pelo arco cruzeiro, consagrados ao Coração de Jesus e a Nossa Senhora do Socorro. Os outros quatro, dois de cada lado, são dedicados a S. Miguel e a Nossa Senhora de Fátima no lado direito e a Nossa Senhora de Lurdes e à Santíssima Trindade, no lado esquerdo. O altar-mor é ornamentado por uma tela, representando a Última Ceia de Cristo, pintada por Pedro Alexandrino de Carvalho. 35 A torre da Igreja é de construção mais recente. Em 27 de Setembro de 1852 foi colocada a primeira pedra de cantaria mas, por dificuldades financeiras, a obra só se iniciou em 1879 e só foi concluída em 1888.

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património IGREJA DE S. JOSÉ DE GODIM A mais antiga igreja da cidade foi construída em 1743, tendo como santo padroeiro S. José, para que o povo desta freguesia pudesse facilmente ter acesso à oração e a todos os actos religiosos. Ao tempo, era uma igreja ampla, muito bonita e com a sua torre sineira ao centro. Em 1906 sofreu obras de restauro sobretudo ao nível da capela-mor. Nessa época, a igreja possuía cinco altares incluindo o da capela do Santíssimo Sacramento, tendo ao lado as imagens de S. José e Santo António. Os restantes altares pertenciam ao Senhor Crucificado, Nossa Senhora da Conceição, S. Sebastião e Sant’Ana, que só lá foi colocada já após essas obras. Em 1958 sofreu novas obras de remodelação. Nessa data a torre é deslocada para o lado nascente, ficando o corpo da igreja mais espaçoso. De 1988 a 1993, o seu pároco, Padre José Pinto de Carvalho, e o Conselho da Fábrica da Igreja, voltaram a restaura-la pondo à vista os seus interiores primitivos em granito e procederam ao arranjo do seu adro onde 36 foi colocado Cristo Redentor do lado nascente e Nossa Senhora, Mãe da Misericórdia, do lado poente. Na comemoração do seu 250º aniversário, em 19 de Dezembro de 1993, foi inaugurado um monumento do lado poente, em ferro e granito, registando a efeméride. Esta igreja, das mais bonitas do concelho, é uma construção de granito, espaçosa e de grande luminosidade interior. O seu tecto é decorado com uma enorme tela representando a Ascensão de Jesus ao Céu, tendo em cada um dos seus cantos os quatro evangelistas. A capela-mor é toda em talha dourada, com um altar ao centro, onde em dias festivos é colocada a imagem de S. José, e que se encontra tapado com uma bonita cópia de um quadro de Rafael que representa os esponsais de Nossa Senhora com S. José, e dois altares onde estão colocadas as imagens de S. José e Nossa Senhora de Lurdes. De cada lado do seu arco cruzeiro estão os dois altares frontais e em talha dourada do Senhor da Misericórdia e de Nossa Senhora de Fátima. Nas paredes laterais estão colocados mais seis altares, três de cada lado, dedicados a Santa Teresinha, ao Sagrado Coração de Jesus, a Santa Maria Goreti, do lado esquerdo, e à Imaculada Conceição, ao Sagrado Coração de Maria e ao Menino Jesus de Praga, do lado direito. Por Mário Mendes / À Descoberta da Terra Nova (Fotomonografia da Régua)


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festas felizes R. Madame Brouillard 5000 - 573 Vila Real tel. 259 322 143


gente das letras O NATAL NA VOZ DOS POETAS É Natal É Natal e por esse Mundo, Quantos Corações sem Esperança Quantas Lágrimas Rolando Num Rostinho de Criança Quanta Criança Descalça, Rotinha, Magra, Faminta, Apelando para o Mundo Na Rua Estende a Mãozita...

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Ah se eu fosse Poderosa Bem Mais do que um Simples Ser, Não Haveria no Mundo Uma Criança a Sofrer Por isso meu Bom Jesus Quando o Sino Badalar Vou fazer uma Oração Tua Imagem Adorar Pedirei Paz para o Mundo Muito Amor para os Pequeninos Alegria para os que Choram E Pão para os Pobrezinhos E Ajudando os que Sofrem A Cada um Dando a Mão Passaremos um Natal Com mais Paz no Coração. Maria da Luz Pedrosa

NATAL Se considero o triste abatimento Em que me faz jazer minha desgraça, A desesperação me despedaça, No mesmo instante, o frágil sofrimento. Mas súbito me diz o pensamento, Para aplacar-me a dor que me trespassa, Que Este que trouxe ao mundo a Lei da Graça, Teve num vil presépio o nascimento. Vejo na palha o Redentor chorando, Ao lado a Mãe, prostrados os pastores, A milagrosa estrela os reis guiando. Vejo-O morrer depois, ó pecadores, Por nós, e fecho os olhos, adorando Os castigos do Céu como favores. Manuel Maria Barbosa du Bocage

A NOITE DE NATAL Em a noite de Natal Alegram-se os pequenitos; Pois sabem que o bom Jesus Costuma dar-lhes bonitos. Vão se deitar os lindinhos Mas nem dormem de contentes E somente às dez horas Adormecem inocentes. Perguntam logo à criada Quando acorde de manhã Se Jesus lhes não deu nada. – Deu-lhes sim, muitos bonitos. – Queremo-nos já levantar Respondem os pequenitos. Mário de Sá-Carneiro

LITANIA DO NATAL A noite fora longa, escura, fria. Ai noites de Natal que dáveis luz, Que sombra dessa luz nos alumia? Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…» Sem bem saber, sequer, porque o dizia. E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!» Na cama em que jazia, De joelhos me pus E as mãos erguia. Comigo repetia: «Meu Jesus…» Que então me recordei do santo dia. E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!» Ai dias de Natal a transbordar de luz, Onde a vossa alegria? Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…» E a tarde descaiu, lenta e sombria. E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!» De novo a noite, longa, escura, fria, Sobre a terra caiu, como um capuz Que a engolia. Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…» E assim, mais uma vez, Jesus nascia José Régio

PRELÚDIO DE NATAL Tudo principiava pela cúmplice neblina que vinha perfumada de lenha e tangerinas Só depois se rasgava a primeira cortina E dispersa e dourada no palco das vitrinas a festa começava entre odor a resina e gosto a noz-moscada e vozes femininas A cidade ficava sob a luz vespertina pelas montras cercada de paisagens alpinas David Mourão-Ferreira


JOÃO DE ARAÚJO CORREIA “Filho de pais remediados, nasci em Canelas do Douro, concelho do Peso da Régua, na madrugada de 1 de Janeiro de 1899”. Assim se apresenta o escritor a quem Aquilino Ribeiro, um dos mais puristas escritores da língua portuguesa, chamou de “mestre de nós todos”. Em 1910 concluiu o ensino primário na vila do Peso da Régua e em 1912, fez exames singulares de francês e inglês no Liceu de Vila Real. Em três anos concluiu o curso dos liceus na Escola Académica do Porto e, com dezasseis anos, matriculou-se em medicina na Universidade do Porto, que interrompeu em 1918 por doença. Em 8 de Outubro de 1922, já curado, casa com Maria da Luz de Matos, de quem terá cinco filhos, e volta ao Porto para concluir o curso de medicina em 1927. De regresso à Régua, com mais dois amigos, funda, em 1935, a “Imprensa do Douro”, onde a sua obra irá ver a luz do dia. A sua primeira obra de reflexão literária “Linguagem Médica Popular Usada no Alto Douro” é publicada em 1936, para em 1938 escrever o “Sem Método – Notas Sertanejas”. Em 1951 vê editada uma das muitas conferências que proferiu “Ricardo Jorge, o Portuense” e publica a sua principal novela “Casa Paterna”. A Sociedade Portuguesa de Escritores, presta-lhe homenagem em 1960 na Casa da Imprensa de Lisboa e, em 1969, é-lhe atribuído o prémio nacional de novelística. Em 1985, com a presença do Presidente da Assembleia da República e do Ministro da Cultura, entre outras entidades, é homenageado na Casa de Trás-os-Montes, que vai ter como consequência o louvor, publicado em Diário da República, que lhe foi dado pelos serviços prestados à cultura portuguesa na defesa da língua pátria. Nesse ano, pela primeira vez, a Escola Secundária do Peso da Régua, que tem o seu nome, atribui o Prémio João de Araújo Correia. Em 31 de Dezembro de 1985 faleceu na sua casa, na Rua Maximiano Lemos, sendo sepultado em Canelas do Douro onde nasceu e onde foi erigido um mausoléu com o seu busto. Em 3 de Junho de 1986, a Câmara Municipal do Peso da Régua deliberou, por unanimidade, dar o seu nome a uma das ruas da cidade e em 1999, por subscrição pública, um grupo de amigos e admiradores a que se associou a autarquia, erigiram-lhe uma estátua, da autoria do escultor Laureano Ribatua, na Avenida do Douro, à entrada da cidade. Por Mário Mendes / À Descoberta da Terra Nova (Fotomonografia da Régua)

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Do livro: Sem Método LXXI - 1938 A Raquel tem dezoito anos perfeitos de graça nos olhos um pouco estrábicos, dezoito anos cheios de divina beleza no corpo ma39 gro, feito pelas mãos de Deus num dia de inspiração. A Raquel não sofre que nenhum homem lhe dirija a palavra ou o olhar. É como se um pé-de-vento agitasse desde a raiz uma planta esguia. Alonga-se e treme. Depois sorri. A bondade de Raquel é quase lasciva. Há pouco tempo tive o inefável gozo de atravessar o Marão num Fiat com esta rapariga. A vertente ocidental das serras, com as árvores novas, à luz da manhã, deslumbra. Eu procurava esse deslumbramento nos olhos de Raquel. Mas ela fechava-os, inclinava a cabeça sobre o ombro esquerdo e sorria. Vai extasiada, pensava eu silenciosamente. Para lá de Penafiel, quando o Fiat voava numa recta, pareceume que Raquel, em vez de despertar, caía em maior torpor. - Tem gostado da viagem, Raquel? - Muito… - E o Marão? Já conhecia? Gostou? - Assim, assim… Já com os olhos fechados, a cabecinha de ave inclinada sobre o ombro esquerdo, ainda murmurou: - Que me importa o Marão? Tanto me faz que a estrada seja linda como feia. O que me tenta, o que me impressiona e me mata é a velocidade… João de Araújo Correia

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no douro, pelo douro Um sonho para 2011… Noite de vinte e quatro para vinte e cinco de Dezembro. A família junta-se à volta da lareira que aquece a casa pintada com as cores do amor natural, a doçaria tradicional preenche todos os móveis da sala, cheira a bacalhau cozido (chamam-lhe roupa velha mas tudo é novo nesta noite santa), provam-se matizadas pingas, do Douro claro, moscatel, tinto, branco, espumante e generoso, os catraios foliam, os tios vibram com jogos e risos junto à lareira, a avó já dorme sobre as mãos, as tias falam do passado… e em família pedimos ao Menino Jesus. Sim O Menino Jesus, não o pai natal, essa invenção moderna que autoriza as mercas desmesuradas e ilusões impossíveis… Na nossa linhagem penduramos as meias junto à lareira e perduramos em “pedir” ao Menino Jesus coisas tão simples como saúde, união na família ou força para trabalhar, “coisas” despretensiosas sim, mas que só Ele pode dar. Ao apreciar a minha família, invado o meu mundo interno, adormeço e… sonho. Idealizo que O Menino permitirá ao nosso Douro um 2011 melhor, bem melhor, e sonho que… …em 2011 o Douro Vinhateiro vai finalmente ter nos rótulos dos nossos DOC, a marca DOURO em relevo, com o produtor ou marca em subtítulo, capacitando a marca DOURO de escala e dimensão de forma a que esta se posicione no mercado global como uma verdadeira referência. …em 2011 vamos ter uma grande campanha de promoção de Vinho do Porto a nível interno, que todos os restaurantes, cafés, bares e discotecas da Região Norte, pelo menos, terão Vinho do Porto (branco, Ruby, Tawny, LBV ou Vintage) nos seus expositores e menus e que, em resultado será raro ver alguém pedir vodkas, uísques ou conhaques e ainda que todas estas bebidas que abundam nestes estabelecimentos comerciais serão delegadas para segundo plano. …em 2011 o Douro, no Douro Vinhateiro, irá finalmente ter a sua grande FEIRA DE VINHOS, com prestígio e atractividade, atraindo público de todo o mundo, profissional e geral, para uma grande acção dedicada aos vinhos e actividades complementares, como o enoturismo ou a animação

turística regional. …em 2011 o DOURO não irá ter cento e cinquenta eventos, mas os seus dezanove municípios irão agrupar-se e desenvolver apenas uma dúzia de acções com dimensão nacional (ou global), que projectem a marca Douro e consigam atrair milhares de pessoas externas à Região. …em 2011 as Adegas da Região irão unir-se e desenvolver plataformas comuns, permitindo ganhar em notoriedade de marca e em força de combate no mercado mundial, apresentando uma cada vez melhor relação qualidade/preço. …em 2011 o turismo fluvial, que utiliza a nossa água, as nossas paisagens e os nossos recursos naturais, irão finalmente oferecer retorno 41 à Região, encaminhando turistas para os nossos museus, para o turismo rural, para os restaurantes, para as lojas de vinhos das Quintas e Adegas ou para os serviços complementares. …em 2011 o Douro Vinhateiro continuará a ter a mais bela corrida do mundo, a Meia Maratona do Douro Vinhateiro, e não deixará morrer as Corridas de Vila Real, o mais mítico circuito automóvel de Portugal. Para 2011 podia pedir muito mais ao Menino Jesus, mas sei que Ele tem outras preocupações, tão legítimas como as minhas e algumas bem mais graves. Contudo, é sobejamente reconhecido que O MENINO tem um coração único e uma alma imensa… Será que quando sair do sono profundo, no dia vinte e cinco, verificarei que mais valia ter pedido um daqueles sonhos impossíveis a um tal de pai natal!? 2011 permitirá verificar se O Menino nos deu tudo isto e o soubemos aproveitar… Feliz Natal. E um excelente 2011 a todos! Por Paulo Costa paulo.costa@globalsportdouro.com

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novos horizontes de braços abertos!

O mercado chinês Recentemente uma missão do Douro esteve na Expo Xangai, na China, mostrando no pavilhão central da Exposição vinhos e azeites da região. A missão foi um sucesso porque sem ela milhares de pessoas que visitaram o stand não teriam tido a oportunidade de conhecer e provar os nossos vinhos. Mas esta missão confirmou que a China é um mercado de futuro para os nossos produtos, especialmente o vinho que tanto interessa à região escoar. De facto, a China é actualmente uma grande potência económica mundial, com uma população de 1,3 mil milhões de habitantes e o terceiro maior importador do planeta. Vastas camadas da população têm já um grande poder de compra e consomem os melhores produtos do Ocidente. Existe assim um amplo mercado de consumidores, onde os produtos portugueses e especialmente os vinhos podem ser comercializados. Para os próximos anos, a China prevê um crescimento da importação de vinhos de aproximadamente 15% ao ano. Ora este crescimento não 42 se verifica em outra parte do mundo, pelo que as entidades e empresas ligadas à vitivinicultura devem apostar na promoção dos seus produtos naquele mercado. Infelizmente, as principais instituições que têm a responsabilidade de promover os vinhos portugueses tardam em se aperceber desta realidade e futuro, pelo que urge convocá-las para que estabeleçam como prioridade o investimento para descoberta e exploração do mercado chinês. Consultando as estatísticas disponíveis sobre importação de vinho pela China, verifica-se que Portugal é o único país produtor, entre os principais países produtores, que não figura nas listagens. Mais uma vez fomos ultrapassados e não se vislumbra ainda planos em curso para alterar essa triste realidade. Os produtores através dos seus representantes devem exigir que se tomem medidas urgentes para alcançar tão grande mercado em expansão. Vislumbram-se novos horizontes na economia mundial e Portugal faz neste momento um grande esforço para promover as exportações e assim conseguir equilibrar a sua balança de pagamentos tão deficitária. Somos possuidores de vinhos e azeites, premiados em todo o mundo. Para quando uma grande acção de marketing para promoção destes produtos na China? Ficamos a aguardar. Por jaime Portugal Economista Centro de Emprego e Formação Profissional de Vila Real

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As férias da minha vida! Todos temos férias que jamais esqueceremos. São momentos especiais, marcados por novas experiências... :-) Deveria ter 11 anos quando rumei, uma vez mais, com os meus pais para o Algarve. Na época, para uma criança alfacinha, o verão era marcante: Pelos novos aromas, pelas novas gentes e por um equilíbrio entre a ruralidade e o turismo existente naquela época. Foi nessa altura que questionei-me sobre “onde queria viver quando crescesse”! E, naquele instante, fascinei-me pela primeira vez pelo meio rural num processo que me conduziu muito mais tarde a uma ruptura com o ambiente metropolitano. Hoje, quando observamos o Algarve, não encontramos a mesma harmonia entre o turismo e a ruralidade. Atrevo-me a dizer que pouco restou da identidade algarvia em boa parte da sua região. E é esta constatação que me faz lutar por um interior equilibrado. O turismo é importante mas não deve ser sobrevalorizado como o “remédio para todos os males”. Multiplicar por dez o turismo no interior, coeficiente necessário para o reequilibrio económico nestas regiões, significaria ceder ao fish and chips dos destinos de massas. E essa não é, por certo, a ambição das gentes de Trás os Montes e Alto Douro. Mas, e existe sempre um “mas”, os comércios desta região precisam de mais consumidores, as escolas de mais crianças, os centros de saúde de mais utentes. Em suma, este território precisa de mais gente. Num momento em que 30% dos trabalhadores desenvolvem a sua actividade online - sejam contabilistas, tradutores, gestores de clientes ou ilustradores, para dar alguns exemplos - isso significa que muitas familias metropolitanas podem migrar para onde lhes convier. É aqui que reside um grande factor de competitividade dos territórios rurais mas conectados à banda larga: Captar essas familias! E esse é o desafio: Convidar as familias metropolitanas para residir nos nossos territórios menos povoados, com mais qualidade ambiental, social e económica. Para que isso aconteça, é importante que saibamos receber essas gentes “de braços abertos”! (*) Crónica mensal da responsabilidade dos autores do projecto Novos Povoadores


na primeira pessoa CONSOADA DE ESPERANÇA A tarde estava muito fria e prestes a terminar. João Martins sentado num banco de madeira, que ele próprio fabricara, mexia as brasas do lume que crepitava ao redor de duas panelas de ferro onde a sua Miquelina preparava a ceia do Natal, envolta no manto das suas preocupações que também eram as do marido. Aquele jantar seria passado por eles sem a alegria que aquela casa já sentira noutros tempos, quando os filhos eram pequenos e havia saúde. João Martins pensava na sua sorte enquanto ia avivando o fogo, brincando distraído com o braseiro. A um canto da lareira o fumeiro de casa farta alinhava-se ao longo da chaminé. João Martins, triste, pensava na vida que lhe tinha levado os filhos para longe. A Maria Leonor e a Maria de Fátima viviam em França com as respectivas famílias e, embora não vivessem perto, passariam o Natal juntas. O Jorge estava na Suiça e passaria o Natal com os sogros. O Miguel é que era o fruto das suas preocupações. Há cinco anos que não visitava os pais. Tudo porque a mulher, nascida na grande cidade, achava a aldeia deprimente e, sempre que os visitava, mostrava-se enfadada. João Martins, na sua sinceridade de homem simples, dissera-lhe, no último Natal que passaram juntos, que, para estar ali sem vontade, melhor seria que não os visitasse e ficasse por Lisboa. Joana sentira-se ofendida, assim como o marido, e não voltaram mais à aldeia. O tempo foi passando e as saudades dos filhos e dos netos foram aumentando. Por amigos e familiares que residiam em Lisboa soube que Miguel tinha perdido o emprego. Tentou contactá-lo mas foi em vão. Miguel não deu sinais de querer ouvir os pais. Desempregado, começou a viver de biscates na área dos computadores. Há poucos dias João Martins soubera, por um sobrinho, que o ordenado da mulher não chegava para pagarem a prestação do apartamento e que o haviam vendido. Joana fora morar com os pais e pediu-lhe o divórcio. Miguel vivia agora num quarto alugado que ia pagando com o subsídio de desemprego e pouco lhe sobrava para comer. João Martins não entendia porque Miguel não vinha para a aldeia. Felizmente que, pelo menos, não passaria fome. Só pensar que o seu filho poderia estar sem comer tirava-lhe o apetite para a ceia simples, constituída pelo habitual bacalhau cozido com as trouxas da sua horta e as batatas do lameiro, tudo regado com azeite das suas oliveiras, acompanhado com

um tinto da sua produção e completada por um arroz doce delicioso da sua Miquelina, as rabanadas feitas com ovos das galinhas da sua capoeira e umas filhós de se lhes tirar o chapéu. Miquelina, com um olhar triste, movimentava-se lentamente pela cozinha observando o marido, tão triste como ela. Não dizia nada. Ela sabia no que ele pensava. Além do mais, o Miguel era o seu filho predilecto. Porque foi que, aquele homem, há cinco anos, dissera o que dissera. Mais valia ter ignorado o feitio da nora. Hoje, talvez o seu filho estivesse ali e aquela ceia iria, com certeza, saber muito melhor. Miquelina deixou cair duas lágrimas de saudade e dor. Que saudades ela tinha dos filhos pequenos e dos Natais ruidosos de outros tempos. Se ao menos o Miguel estivesse bem… O pai tinha pedido ao primo que lhe dissesse para vir passar o Natal à aldeia. Ainda acreditou que isso pudesse acontecer. Contudo, agora, já noite, a hora da ceia aproximava-se, a tristeza aumentava, a angústia apertava-lhe o 43 coração no peito onde a esperança morrera. Porque teria de ser assim? João Martins continuava a mexer o lume. - Então João? Vais buscar vinho para irmos para a mesa? O bacalhau já está cozido e a mesa posta. - Olha mulher, não sei se conseguirei comer. O Miguel não me sai do pensamento. - Tu julgas que eu não sei? E, dito isto, entrou em pranto, abraçada ao marido que, por sua vez, não conseguiu impedir as lágrimas de lhe aflorarem aos olhos. Foi quando bateram á porta. - Vai lá ver João. Quem será a esta hora? - Miguel! – Gritou o pai num soluço enquanto o abraçava feliz. Miquelina agarrou-se ao filho a chorar. João Martins foi à adega buscar o melhor vinho e, entrando na sala, apenas conseguiu dizer: - Deixem-se disso e vamos jantar. A ceia cheira tão bem e eu estou com tanta fome… Por Mário Mendes

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na primeira pessoa

LUCRAR NA CRISE: COM FRUTA E PERU

O lóbi da indústria alimentar criou o mito da economia de escala. Nós consultores, sabemos que para cada sector e nicho há uma faixa de escala ideal, dinâmica, consoante variações de custos dos materiais. Conservas de peru e frutos são rentáveis, se especializados. A agro-indústria para alguns alimentos deve ficar próxima ao produtor rural, ser flexível para atender demandas específicas de distintos nichos e poder integrar diferentes processos industriais para aproveitar ao máximo a matéria-prima recebida. É o caso das packing-house de frutos que, após classificar os melhores para exportação, depois para mercados exigentes e locais, aproveita os demais para a indústria de sumos, depois de doces e ainda faz rações. Da casca obtêm-se extractos ou mesmo, já com tecnologia, mas sem grandes dimensões, refinam-se-os para fármacos ou essências aromáticas. O óleo de amêndoa é um exemplo. O investimento é muito limitado, mas pode exigir técnica. Precisam es44 paço? Actualmente há muitos armazéns vazios que podem ser recuperados e arrendados. Outro exemplo: os enchidos com porco ou carne de vaca exportarão menos por não serem saudáveis. Os de peru são mais desejados hoje na Europa do Norte, por limitar gorduras, conservantes, emuldorantes, etc. Os de maior valia são os semi-industrializados, que necessitam uma autorização da UE para assim serem classificados. Cabe aos clusters locais solicitar e ao Ministério da Agricultura agilizar a aprovação em Bruxelas. Por exemplo, defumar peito de peru quase nada exige em capital, mesmo a máquina de embalar a vácuo é barata. Já a linha de congelação e conservação exige algum. Há dezenas destas linhas recém-abandonadas na Europa do Norte, que, com limitado custo, podem ser actualizadas e aqui instaladas. Estas indústrias, alem de trazer maior renda ao agricultor, oferecem emprego para as suas esposas e filhos nas aldeias e vilas, que assim não precisam ir trabalhar para as capitais. Ao exportar, deve haver uma central, para baratear o frete internacional. Os clusters devem vender directamente aos restaurantes, refeitórios industriais e catering nas 50 cidades com baratas ligações aéreas do Porto. Ver os detalhes nos livros. Por Jack Soifer Autor de Empreender Turismo de Natureza e Como Sair da Crise


DESAFIOS DO TURISMO

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Com alguma frequência, a comunicação social fala do turismo do Douro, e fala bem. Das novas unidades, da restauração, da hotelaria, das casas em espaço rural, das quintas. Estamos num momento em crescendo da oferta turística da região. Invariavelmente, todos aqueles que nos procuram e usufruem destes encantos, manifestam a intenção de voltar e divulgar toda esta “boa nova” a amigos e conhecidos.

dos e aproveitados, assim como a criação de eventos de carácter desportivo, cultural, recreativo, gastronómico, etc. com carácter fixo para aquelas épocas, podiam de certa maneira minimizar a falta de procura. Os trabalhos agrícolas, os passeios pedonais a sítios com valor histórico e arqueológico, a caça, a pesca, a gastronomia, são apenas alguns dos elementos que usados com criatividade, poderão ser motivo de atracção para muito visitante.

A paisagem, a paz, a simpatia, o conforto, a alta qualidade da gastronomia e da hotelaria, a especificidade do ambiente social e das diferentes soluções no âmbito da oferta, fazem hoje do Turismo do Douro um caso à parte no panorama nacional. Turismo de qualidade. Foi sempre este o modelo conceptual escolhido, e creio que estamos no bom caminho. Mas, para além da necessária expansão controlada da oferta, o Turismo Douro enfrenta dois importantes desafios, cruciais para o seu crescimento e consolidação.

A internacionalização. A imprescindibilidade de aumentar o fluxo turístico estrangeiro. Não só pelo seu poder de compra, pelo perfil dos seus consumidores, bem de encontro à qualidade Douro, mas também pelo volume potencial de clientes. A promoção externa, junto dos grandes 45 mercados, deverá constituir uma das principais linhas de trabalho do Turismo Portugal e do Norte e Douro. Investir fortemente na promoção, criar pacotes integrados de visitas ao Norte e Douro, a preços apetecíveis quando comprados em Londres, Manchester, Nova Iorque, Xanghai ou Montreal. Ganhar mercados de forma paulatina e sustentada. A crise económicofinanceira está em todos nos países ocidentais, e nós ainda temos que construir a nossa internacionalização. Temos que a fazer com muito trabalho externo, e com uma política adequada segundo o melhor estado da arte.

A sazonalidade e a internacionalização. O primeiro destes desafios, sentido aliás por todas as outras regiões turísticas, constitui de facto, um significativo constrangimento para todos aqueles que se dedicam a esta actividade. Embora mais reduzidas, as despesas fixas da chamada época baixa, continuam a ser um problema, em termos de sustentabilidade económica das unidades, a exigir um tratamento especial. Estou em crer que os “Montes Pintados” de Novembro não estão suficientemente divulga-

Temos que cumprir a visão de Joâo Araújo Correia. Há 50 anos, este mestre da língua portuguesa, preconizava que vendêssemos ao visitante um pouquinho do nosso Douro, da nossa paisagem, dos nossos Montes Pintados, e fizéssemos desta actividade, uma outra vindima. Meio século depois, aqui temos o desafio. Por Jorge Almeida

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imagem do mês «O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta.» Miguel Torga

foto Nuno Ramos

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Tribuna Douro nº79