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Domingo | 30 de dezembro de 2012

Tribuna do Norte | Natal | Rio Grande do Norte |

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Política econômica é o alvo dos dois políticos que despontam como os mais cotados para concorrer ao Palácio do Planalto contra uma provável candidatura à reeleição da presidenta Dilma Rousseff

[ RUMO A 2014 ]

Presidenciáveis ‘miram’ na economia ANTÔNIO CRUZ/ABR

Dilma Rousseff: preocupação com o PIB

ão Paulo (AE) - Principais nomes para uma eventual disputa pela Presidência da República em oposição à reeleição da presidente Dilma Rousseff, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) começam a afiar seus discursos, contrapondo-se à política econômica do atual governo. Economistas de formação, Campos e Aécio estão convencidos de que a economia do País será um dos principais temas da sucessão presidencial de 2014 e já discutem o assunto com especialistas mais próximos. No início de dezembro, Campos - que hoje é aliado do governo disse que falta “rumo estratégico” ao Brasil. “Não é que o consumo perdeu importância como motor do crescimento. Vai continuar tendo importância para ganharmos 2013, mas ele, por si só, não é suficiente. Temos que ganhar esse momento, na perspectiva do rumo estratégico. Esse (rumo) estra-

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ANTÔNIO CRUZ/ABR

WALDEMIR BARRETO

Aécio Neves: discurso de oposição

tégico às vezes parece ao País que está faltando”, frisou o governador à imprensa. Aliados próximos afirmam que a situação econômica de 2014 poderá ser um fator determinante para uma eventual candidatura própria do pessebista. Campos mantém estreitas relações com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, com a especialista em economia regional Tânia Bacelar (ex-secretária de Planejamento e da Fazenda do governo do avô de Campos, Miguel Arraes, na década de 80, e ex-funcionária da Sudene) e com o prefeito eleito de Recife, Geraldo Júlio, que foi seu secretário estadual de Planejamento. Segundo aliados próximos, o governador também costuma trocar ideias com os economistas do Instituto de Estudos de Política Econômica (Casa das Garças), como André Lara Resende e Pérsio Arida, economistas que participaram da elaboração do Plano Real. “Ele acompanha muito a questão macroeconômica porque isso in-

Eduardo Campos: base aliada

terfere muito no humor do mercado e também nas contas públicas A gente sempre faz muita discussão”, afirmou Geraldo Júlio. De acordo com Geraldo Júlio, Campos está preocupado com os rumos da economia em 2013. “Neste momento, vivemos uma situação de apreensão com o que vai acontecer em 2013. Ele compartilha da visão de que precisamos de um crescimento diferente. Não dá para repetir o ano de 2012. Resultados do PIB que mostram a formação bruta de capital fixo com crescimento negativo nos preocupam muito. A curva do crescimento dos investimentos é uma curva que está em declínio há muitos semestres. E nós estamos apreensivos com 2013”, afirmou. O governador, que se autodenomina desenvolvimentista, foi recentemente citado pela revista britânica “The Economist” como uma possível “ameaça” a Dilma. Entre as razões apontadas pela revista para a ascensão de Campos, estão o “su-

cesso” de sua política industrial em Pernambuco. “Enquanto o resto do Brasil se preocupa com a desindustrialização, Pernambuco não: desde que Campos tornou-se governador, em 2007, a fatia da indústria na economia do Estado aumentou de 20% para 25% e vai atingir 30% em 2015, segundo dados do próprio governador”, afirmou a revista. “Esse ‘boom’ trouxe praticamente o pleno emprego àquele Estado, ao mesmo tempo que também trouxe escassez aguda de mão de obra”, ressaltou a publicação. Já em recente entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Campos fez vários elogios a Dilma Rousseff, mas mostrou um claro descontentamento com pontos nevrálgicos da política econômica da presidente. Ele criticou, por exemplo, o enfrentamento da crise “com menos diálogo, menos discussão do que deveria, talvez pela pressa, pela quantidade de assuntos ou por falta de iniciativa do governo e falta de iniciativa dos empresários”.

Governador de Pernambuco critica crescimento ‘pífio’do PIB O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem criticado as previsões públicas do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). “As previsões de receita que a Fazenda faz para municípios e Estados estão inteiramente fora do repasse dos tributos da União. Começaram o ano dizendo que era crescimento de 14% e vai terminar com menos 2%”, disse. “É óbvio que uma previsão como essa deixa os parceiros em sobressalto”, afirmou. Um desses parceiros, um prefeito do PSB que pediu para não ser identificado, reclama das dificuldades de caixa por conta do repasse menor, após a série de desonerações feitas pela presidente para incentivar a economia e que diminuíram a receita do governo federal. “Por conta disso, o repasse direto para a prefeitura por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) despencou este ano”, disse o prefeito. “Na desoneração de 2009 e 2010, o País cresceu mais 7%, o que compensou a queda na receita. Mas agora o País não vai crescer”, afirmou. “É preciso olhar para um crescimento do PIB de 5% ao ano em 2013, em vez dos 3,7% previstos”, cobrou o vice-presidente nacional do PSB e ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral. Ele avalia que para atingir a meta “é preciso aumentar o investimento público e também privado”, mas minimiza: “O governo fez a parte dele, com o câmbio e o crédito.”

Para Amaral, a linha macroeconômica para o crescimento do Brasil deve priorizar o investimento em logística, “para facilitar a circulação interna e diminuir o custo Brasil”, em educação, “para qualificar a mão de obra e investir no ensino fundamental universalizado e gratuito”, e ainda “investimento na retomada do crescimento do PIB”, reafirmou. Já o tucano Aécio Neves vem se aproximando de antigos colaboradores do governo Fernando Henrique Cardoso para construir um discurso que atraia o eleitorado em 2014. Assim como o possível adversário Eduardo Campos, Aécio tem como “orientadores” Lara Resende e Arida. Mas o tucano toma ainda conselhos de Armínio Fraga (tido como um dos mais próximos do senador), Edmar Bacha, Pedro Malan, Mansueto Almeida e José Roberto Afonso. “Para um projeto vitorioso de candidatura presidencial, pressupõe-se uma nitidez muito clara de proposta. As pessoas precisam perceber que o País pode ser melhor com o PSDB e com o Aécio”, propõe o deputado federal Marcus Pestana, presidente estadual da sigla em Minas Gerais. Pestana explica que a economia será um dos temas centrais da candidatura de Aécio, lançada em dezembro pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra.

Tribuna do Norte - 30/12/2012  
Tribuna do Norte - 30/12/2012  
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