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economia

Domingo | 30 de dezembro de 2012

Tribuna do Norte | Natal | Rio Grande do Norte |

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ENTREVISTA: YURI CHAIN / DIRETOR COMERCIAL DA MRV PARA A REGIONAL NORDESTE DIVULGAÇÃO

A MRV enfrentou uma série de dificuldades em 2012,sobretudo no Rio Grande do Norte: atraso em obras, protesto de consumidores,pressão do Procon. Que balanço a construtora faz destes episódios? O balanço é positivo. Apesar de todos os problemas que tivemos, em nenhum momento deixamos de atender às demandas de nossos clientes. Procuramos manter um diálogo aberto e construtivo com o Procon, buscando o entendimento e ressarcindo os clientes que efetivamente tivessem sido prejudicados com os atrasos das obras. Isto mostra que a MRV honra seus compromissos e tem uma postura de muito respeito aos clientes. Não atrasamos as obras intencionalmente, mas reconhecemos que isto ocorreu. Ressarcir aos clientes por este atraso era o mínimo que tinha de ser feito.

do potiguar.A construtora realizou algum tipo de pesquisa ou coletou informações com outras construtoras antes de projetar tantos empreendimentos para a capital? Por que os erros? Quando se inicia uma atividade em um mercado novo para uma empresa é natural que haja uma curva de aprendizado e que, num primeiro momento, esta curva se desenvolva numa velocidade menor quando comparada a um mercado aonde se está instalado há mais tempo. Quando iniciamos nossas atividades em Natal e Parnamirim sofremos sim um pouco por este aprendizado e que hoje está absolutamente superado e incorporado no dia a dia de nossas atividades no Rio Grande do Norte, tanto é que continuamos investindo no mercado e lançando novos empreendimentos.

Como pretendem melhorar a imagem da empresa? Trabalhando e mostrando ao mercado potiguar a nossa seriedade no trato com nossos negócios. Não adianta fazer promessas; temos que fazer entregas consistentes. É isto que vamos fazer em 2013 e nos anos que virão, porque os planos da MRV para o RN são grandes e de longo prazo. Quanto a MRV investiu nos últimos cinco anos,ano a ano,no Brasil e no Rio Grande do Norte? Lançamos pouco em 2012 no RN, mas para 2013 temos grandes projetos em desenvolvimento. Quais os projetos para 2013 e 2014? Quanto será investido a nível de Brasil e RN e quantas unidades serão lançadas? Não divulgamos metas de lançamento e consequentemente de investimentos, o que podemos adiantar é que em 2013, a ideia é não reduzir o volume de lançamentos em nenhuma das praças onde estamos presentes como outras empresas tem feito. Em Natal, posso adiantar que estamos trabalhando para lançar dois projetos diferenciados, um na Zona Norte e outro na Zona Sul. Quanto do mercado nacional e estadual está nas mãos da MRV? O Mercado Imobiliário é muito pulverizado e não dispomos de informações de Market Share com um mínimo de confiabilidade. Como nosso negócio é completamente direcionado para o programa Minha Casa, Minha Vida, acompanhamos a nossa participação no volume de negócios do Programa e em 2012 estamos representando 12% de toda a contratação do Programa na Faixa de 3 a 10 salários mínimos. Somos a construtora que mais contratou nesta faixa, no Brasil. Até quanto a construtora quer ampliar esta participação e quando espera chegar neste novo percentual? Este ano construiremos cerca de 40 mil apartamentos, o que nos coloca como uma das empresas que mais constrói no mundo. O nosso grande objetivo, a longo prazo, é construir 70 mil unidades habitacionais ano. A Copa mexe,de alguma maneira, com os negócios do grupo, mais voltado ao segmento residencial? Não estamos sendo afetados pela proximidade da realização da Copa do Mundo no Brasil. Especulou-se muito que faltaria mão de obra, que os custos dos materiais subiria, mas não verificamos isto no nosso caso. Até porque a MRV tem uma tradição de formar sua própria mão de obra. Em que áreas do Brasil, do Nordeste e do Rio Grande do Norte, particularmente, a empresa está de olho? A MRV tem uma política de prospecção constante e inteligen-

‘OS PLANOS PARA O “ RN SÃO GRANDES E DE LONGO PRAZO’

Não adianta fazer promessas; temos que fazer entregas consistentes. É isto que vamos fazer em 2013 e nos anos que virão no mercado potiguar”

ANDRIELLE MENDES Repórter

governo federal não para de incentivar a construção civil. Primeiro foi o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que queria estimular o crescimento da economia brasileira, através do investimento em obras de infraestrutura. Depois o Minha Casa Minha Vida, programa habitacional que já atingiu a marca de 1 milhão de imóveis construídos. Depois a desoneração da folha de pagamento dos trabalhadores da construção civil e redução de impostos dos materiais de construção. Todo esse esforço tem um objetivo: fazer com que o segmento cresça e puxe, consigo, o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas produzidas por um país. O esforço parece já surtir efeito. Segundo o Banco Central, o setor da construção civil deverá crescer 3,8% nos quatro trimestres encerrados em setembro de 2013. O setor cresceu 2,3% no mesmo período de 2012. Uma das empresas que deverão aproveitar este movimento é a MRV. O grupo é considerado o maior do segmento econômico no país e espera se manter forte no programa Minha Casa Minha Vida. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o diretor comercial da MRV para a regional Nordeste, Yuri Chain, faz um balanço do ano, comenta as medidas adotadas pelo governo e anuncia novos investimentos. “Estamos de olho no Brasil todo”, avisa. Confira os principais trechos da entrevista:

O

te de áreas potenciais para investir. Estamos presentes em 18 estados brasileiros, mais o Distrito Federal e continuamos num total de 117 municípios. Temos um banco de terrenos que nos garante negócios no ritmo atual ainda por diversos anos e continuamos avaliando oportunidades. É tudo uma questão de encontrar a área certa numa região que tenha demanda para o produto que a MRV fabrica por um preço competitivo. Resumindo, estamos de olho no Brasil todo. A MRV tem um novo empreendimento na zona Norte de Natal. Quanto está sendo investido na construção do residencial? Estamos lançando na Zona Norte neste mês de Dezembro, o Parque Nova Aurora. Ao todo serão 456 apartamentos disponíveis para venda dentro do programa Minha Casa Minha Vida e em parceria com a Vivex, uma empresa do grupo Moura Dubeux, empresa que já era nossa parceira em Pernambuco. Investiremos cerca de R$ 34 milhões neste lançamento. Por que optaram pela zona Nor-

te? Qual o potencial da região para a área imobiliária? Definimos por prospectar áreas e desenvolver lançamentos na Zona Norte por visualizarmos a região como um dos mais promissores vetores de crescimento em Natal. E esse desenvolvimento se dá pelos investimentos que estão sendo feitos uma coisa vai puxando a outra - Ponte Nova, Norte Shopping, Novo Aeroporto. Em 2010, nós lançamos nosso primeiro empreendimento na região – o Parque Nova Europa, que foi totalmente comercializado em apenas dois meses. Esse sucesso nos deu a segurança que precisávamos para intensificar os investimentos na região. A economia brasileira, de uma forma geral, cresceu num ritmo mais lento. Aqui, no RN, alguns empreendimentos demoraram para ser vendidos.Qual a relação existente entre baixo crescimento da economia e vendas de imóveis? O fato da economia crescer abaixo do esperado afeta,de alguma maneira, os negócios da MRV e das outras construtoras? É fato que a economia brasi-

leira cresceu num ritmo mais lento em 2012. Todavia, a MRV não sentiu uma redução expressiva no ritmo de suas vendas. Na faixa que atuamos, que é a de imóveis econômicos, há uma grande demanda reprimida e com a oferta interessante de crédito promovida pelo Governo Federal através do Programa “Minha Casa, Minha Vida” não estamos experimentando nenhuma queda, ao contrário do que aconteceu no segmento de imóveis voltado para o público de maior poder aquisitivo. A empresa, que ostenta o título “maior construtora do segmento econômico no país”,vai se manter focada no Minha Casa Minha Vida ou vai apostar em outros segmentos? A MRV já nasceu focada no segmento de imóveis econômicos e assim pretende permanecer. Temos uma parceria de décadas com a Caixa e iniciamos recentemente o mesmo com o Banco do Brasil. O governo federal reduziu o IPI de vários materiais de construção. Essa desoneração impac-

Temos grandes projetos em desenvolvimento para o Estado. Em Natal, estamos trabalhando para lançar um na zona Norte e outro na zona Sul”

Não estamos experimentando queda, ao contrário do que aconteceu no segmento de imóveis voltado para o público de maior poder aquisitivo”

tou nas compras da MRV? Reduziu preços,aumentou o volume comprado? A redução é repassada para o consumidor final? A redução dos impostos no setor da construção civil foi uma decisão importante e inteligente do Governo Federal. A construção civil é a indústria que mais gera emprego no Brasil e movimenta diversos outros setores da economia. Esta redução de IPI nos materiais de construção foi compensada pelo crescimento expressivo que houve nos salários dos trabalhadores que são, por sua vez, outra significativa despesa que compõe os custos de um imóvel. Por outro lado, como estamos muito focados no Minha Casa, Minha Vida, os preços de venda são definidos a partir de avaliações rigorosas da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil e não temos como fugir disso. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE,o gerente de Relações Institucionais da MRV Construtora, Sérgio Lavarini, afirmou que os ‘erros’ cometidos em Natal (os atrasos) eram fruto da inexperiência no merca-

A MRV enfrentou restrições por causa de problemas trabalhistas identificados pelo Ministério do Trabalho, em São Paulo. Trabalhadores a serviço da construtora estariam atuando em condições análogas à escravidão.A construtora reconhece o problema? Fomos surpreendidos este ano com a inclusão temporária de nosso nome na lista de empresas que se utilizam de trabalho escravo. Reagimos prontamente a esta injustiça e obtivemos a retirada em pouco mais de 30 dias do nosso nome deste cadastro do Ministério do Trabalho, o que prova que a nossa inclusão foi uma arbitrariedade. A MRV nunca fez uso de práticas trabalhistas que colocassem nossos trabalhadores em condições análogas à escravidão e nossos canteiros de obra por todo o Brasil estão à disposição de qualquer autoridade pública para a comprovação disto que aqui afirmo. Por que isso aconteceu? Houve um equívoco de avaliação durante uma inspeção de alojamento de um empreiteiro no interior de São Paulo que trabalhava para a MRV mas também para outras construtoras da região. Todos os trabalhadores que procuraram o Ministério Público do Trabalho reclamando que não haviam recebido seus direitos trabalhistas tiveram toda sua rescisão contratual corretamente homologada junto ao sindicato e receberam inclusive recursos para que voltassem aos seus lares, pois a maioria era do Nordeste. Ninguém foi prejudicado. Todavia, o Ministério Publico do Trabalho entendeu que deveria encaminhar ao Ministério do Trabalho um pedido de inclusão da MRV na lista, o que foi aceito num primeiro momento e retirado posteriormente. O que foi feito para solucionar este problema e o que está sendo feito para que isso não se repita? Como te disse, o problema não existia na forma como foi colocado. Independentemente disto a MRV reforçou seus controles sobre os alojamentos de empreiteiros bem como nas áreas de vivência nos canteiros de obra além de um rigoroso acompanhamento dos pagamentos aos trabalhadores, garantindo assim excepcionais condições de trabalho nas nossas obras. Estamos muito tranquilos com relação a este assunto e posso afirmar que nossos canteiros de obra são hoje uma referência de gestão no mercado brasileiro. Em razão desse problema,a construtora ficou impedida de pegar crédito com a Caixa Econômica Federal, principal financiadora do programa habitacional Minha Casa,MinhaVida.Quanto tempo durou a suspensão e que prejuízos isso trouxe? Não houve nenhum impedimento da Caixa Econômica Federal para a obtenção de crédito pela MRV. Como ficamos pouco mais de 30 dias no cadastro do Mistério do Trabalho não houve tempo para que esta situação se configurasse e nenhum cliente da MRV foi impactado.

Tribuna do Norte - 30/12/2012  
Tribuna do Norte - 30/12/2012  
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