Page 1

澳 門 論 壇 日 報

Jornal

www.jtm.com.mo ao serviço de macau desde 1982

Tribuna de Macau Director José rocha Dinis | Director Editorial executivo Sérgio Terra | Nº 3894 | sexta-feira, 04 de Novembro de 2011

Dossier

10 Patacas

UMA VIAGEM PELA ILHA DA MONTANHA

A terra de todas as promessas • Como vivem as pessoas em Hengqin • Quais as perspectivas de futuro • O negócio da criação de ostras • A presença dos portugueses PáGS 2 A 5

raquel carvalho com Viviana Chan

Macau pode ter 700 mil habitantes em 2020

China é o primeiro país a unir naves não tripuladas

Daqui a nove anos, Macau pode chegar aos 700 mil habitantes, segundo um estudo elaborado por um grupo de trabalho afecto às novas zonas urbanas. Por outro lado, a pirâmide etária vai começar a ficar modificada, devido ao envelhecimento da população. Sem contar com os trabalhadores não residentes, a população com idade superior de 65 anos pode vir a constituir 15 por cento da população em 2020. O novo relatório baseia-se nos dados estatísticos do final de 2009, e que previam a situação populacional entre 2010 e 2020, já tendo como referência o anteprojecto para as novas zonas urbanas. Os imigrantes ocupam a maior fatia do aumento da população em Macau. O relatório indicou ainda que a procura de casa vai continuar a subir devido ao maior número de casais que casam entre os 25 e os 39 anos.

A China tornou-se ontem o primeiro país a realizar com sucesso o acoplamento de dois vaivéns espaciais nãotripulados. A técnica pioneira uniu a nave Shenzou 8 com o módulo Tiangong-1, a uma velocidade de 28 mil quilómetros por hora e a 343 quilómetros acima da superfície da Terra. A operação durou meia hora e é considerada um passo decisivo para que a China possa vir a ter uma estação espacial permanente, no futuro. A nave Shenzhou (que significa “Barco Divino”) tinha descolado na terça-feira, da base de Jiuquan, enquanto o módulo Tiangong-1 (significa “Palácio Celeste”) partiu a 29 de Setembro. Em 2012, os responsáveis pelo programa espacial chinês esperam enviar pelo menos uma missão comandada. As missões Shenzhou 9 e 10 também vão realizar testes de aproximação e acoplagem com o Tiangong-1 no próximo ano.

Reforço de capital é “primeiro passo” para mudança na Air Macau

Pág 7

Pesquisa sobre famílias macaenses poderá ser actualizada

Pág 9

DSSOPT encontra solução para problema histórico em Coloane

Pág 12

Grécia deixa cair referendo que lançou pânico na zona euro

Pág 15


Dossier

local

“Há cerca de dois anos isto não era nada assim. As casas térreas foram demolidas para dar lugar a estes prédios” – Li

PELAS ALDEIAS DA ILHA DA MONTANHA

“O que vem há-de ser melhor” Querem o melhor para os filhos, netos e para aqueles que hão-de nascer. O desenvolvimento que rompe toda a Ilha da Montanha é coisa megalómana e para outros pedais, mas pode ser que ajude a ter comida na mesa, acreditam os habitantes. Visitámos as promessas que crescem aqui ao lado, espreitámos algumas aldeias e conhecemos rostos que em breve perderão as casas construídas com as próprias mãos raquel carvalho*

H

oje há mais quilómetros, sobra poeira e o silêncio já não é silêncio. Aqueles que habitam a ilha por onde já passaram missionários portugueses, nada sabem desse passado e muito pouco do que aí vem. O homem do café tem as suas ideias, o vizinho faz das inovações tema de conversa, a televisão lança novidades. Enquanto uns dizem que as mudanças ainda vão permanecendo longe, outros sentem na pele a intromissão. Trabalho para o dia-a-dia e um melhor futuro para os que hoje ainda gatinham é tudo o que esperam colher dos planos que começam a moldar a nova Hengqin. Uma árvore, grande, frondosa, com um pequeno altar no início do tronco, surge como resquício mais antigo do que um dia foi a aldeia Yang Huan, na Ilha da Montanha. O senhor Zheng, 60 anos, afiança que tudo está muito diferente menos aquela árvore, rodeada por galinhas e a poucos passos de um conjunto de casas em ruínas. Nascido ali, lembra-se de quando a água batia no início da aldeia. “Não havia casas como agora. E aqui era praia”, descreve, enquanto aponta para um longo cobertor de terra. A pele do senhor Zheng brilha ruída pelo sol e os olhos esverdeados sobressaem em dois montes de olheiras. Da boca sai uma voz rouca e invulgar. Tudo começou a mudar na década de ’90, com a reforma política e a abertura económica a atingirem a região do Delta do Rio da Pérolas, recorda. As transfigurações têm sido muitas, sobretudo em folhas de calendário recentes. “Há cerca de dois anos isto não era nada assim. As casas térreas foram demolidas para dar lugar a estes prédios”, acrescenta Li, morador desde 1998, com o guardião da aldeia a acenar afirmativamente com a cabeça. Yang Huan é, actualmente, um recalque a cimento e azulejos, que cresceu em altura. Casas, mercearias e cafés tropeçam nas vielas desorganizadas. Há mesas de majhong espalhadas um pouco por todo o lado, enquanto muitas mãos se agitam ao ritmo das pedras. A antiga aldeia de moradias rasas deixa saudades, mas Zheng não critica o presente. “Não tenho nada a apontar. É bom. Pode dizer-se que está melhor”. Quando lhe perguntamos se sabe o que aí vem, as palavras são substituídas por silêncio. “São planos do Governo. Não tenho nada a dizer”. A ILHA QUASE CIDADE Na chegada a Hengqin, depois de atravessar a Ponte Flor de Lótus, não há táxis nem autocarros, existem sim pessoas a oferecerem carros em troca de umas centenas de renminbis por um dia. É Li, o morador de que falávamos umas linhas antes, que nos acompanhará durante uma manhã e uma tarde em viagem pela Ilha da Montanha. A primeira incursão foi a mais evidente para quem vai de Macau até à outra banda. Bastam cinco minutos de carro em terra batida para chegar ao novo “campus” da Universidade de Macau, que ocupa cerca de um quilómetro quadrado. Perante dezenas de máquinas que esmagam o horizonte, o nosso guia improvisado indica a localização do túnel subaquático, apontando para os edifícios do lado direito cujas formas já despontam. Um contador marca os dias – cerca de 400 - que faltam para que as maquetas sejam uma réplica menor da realidade. Dois militares avisam que não é

Apartamentos para residentes desalojados

Vista para Coloane

“Campus” da Universidade de Macau

Centro da Ilha da Montanha

permitido fotografar o relógio plantado em frente ao edifício onde os planos se discutem, com a bandeira da República Popular da China a rasgar o vento. A objectiva fica guardada por segundos e avançamos em terra batida. Passamos por um conjunto de prédios, todos a terminarem bem lá nas alturas. Segundo Li, aqueles andares vão albergar algumas famílias que perderam as suas casas porque o Governo tem outros planos para as terras. Já a estrada vai sofrer o milagre da multiplicação e estender-se-á por doze faixas ao invés das duas actuais. Hengqin, três vezes maior do que Macau, chegou a ter 11 aldeias, contabiliza Li. Nos dias que correm sobram nove. As outras duas desapareceram depois da passagem de retroescavadoras. “Uma tem agora um jardim zoológico”, conta o jovem na casa dos 30 anos, oriundo de Cantão. É ao centro da ilha que Li nos quer levar por ser a zona que maior desenvolvimento já ostenta. Restaurantes de asseio, “chiques” - como lhes chama o nosso guia -, estão quase todos no centro, uma espécie de vila ainda com muito cimento em carne viva. As ruas são largas e a maior parte alcatroadas, contrastando com o resto da ilha, mas enquanto que numa face das avenidas rompe a modernidade, com cadeias de bancos a multiplicarem-se, noutra facilmente vemos sinais do antigamente. Há gente empoleirada em cadeiras a jogar majhong, gente que olha com curiosidade para quem passa de carro. Li vai-nos dizendo onde estão os edifícios do Governo, a polícia, o parque eólico que não pode visitar. Hoje em dia, Hengqin tem entre quatro a cinco mil habitantes e um hospital. “Existiam dois antigamente, mas um acabou por fechar, porque não ia lá muita gente”. Escola também há só uma: para crianças do primeiro ano ao ensino secundário. Paramos junto ao porto, a partir do qual o olhar se cola à vila de Coloane. Há barcos a balouçar sobre a água, especialidades de Macau e pedras do mar à venda em terra, ali do lado da Montanha. Voltamos a abandonar o horizonte da RAEM e lançamo-nos à estrada feita de solavancos. Uma mulher vende laranjas na rua, enquanto dezenas de camiões roncam entre pressas. “Os residentes estão muito ansiosos e cheios de esperança. Acreditam que tudo isto vai ficar muito bonito”, afirma o nosso guia de ocasião, alheio aos buracos e nuvens de pó constantes. Espreitamos ainda o pavilhão de exposições onde os projectos que estão a ser gizados para aquele braço de terra podem ser vistos, paredes-meias com uma urbanização, já muito “moderna” aos olhos do nosso guia. “O preço destes novos condomínios é pouco superior ao de uma habitação económica em Macau”, indica, assegurando que dava bom negócio. FUGIR À POBREZA Quando Liu Shi Hao, 59 anos, e Yang Liu Jiao, 56 anos, chegaram à Ilha da Montanha ganhavam 20 a 25 renminbis por dia. Desde então, passaram 13 anos e as carteiras engordaram. “Actualmente, o salário diário pode chegar aos 120 yuans”. O trabalho nunca é certo e sempre cansativo, mas o que interessa é que vá havendo, diz a senhora Yang, de malga de arroz na mão e televisão a acompanhar. Até na construção da Ponte Flor de Lótus participaram, embora nunca tenham pisado Macau. Da pobreza de Hunan à vida que hoje têm na aldeia Yang Huan vão muitos quilómetros de distância. “Aqui vivemos numa boa casa e temos comi-

jornal tribuna de macau Propriedade: Tribuna de Macau, Empresa Jor­na­lística e Editorial, S.A.R.L. • Administração: José Rocha Dinis • Director: José Rocha Dinis Director Editorial Executivo: Sérgio Terra • Grande Repórter: Raquel Carvalho • Redacção: Fátima Almeida, Paulo Barbosa e Viviana Chan • Editor Multimédia: Pedro André Santos • Colaboradores: José Luís Sales Marques, Miguel Senna Fernandes, Rogério P. D. Luz (S. Paulo) e Rui Rey • Colunistas: Albano Martins, António Aresta, António Ribeiro Martins, Daniel Carlier, Henrique Manhão, João Guedes, Jorge Rangel, Jorge Silva, José Simões Morais, Luis Machado e Luíz de Oliveira Dias • Grafismo: Suzana Tôrres • Serviços Administrativos e Publicidade: Joana Chói (jtmpublicidade@yahoo.com e jtmagenda@yahoo.com) • Agências: Serviços Noticiosos da Lusa e Xinhua Impressão: Tipografia Welfare, Ltd • Administração, Direcção e Redacção: Calçada do Tronco Velho, Edifício Dr. Caetano Soares, Nos4, 4A, 4B - Macau • Caixa Postal (P.O. Box): 3003 • Telefone: (853) 28378057 • Fax: (853) 28337305 • Email: jtmagenda@yahoo.com (serviço geral) pág 02 sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 jornal tribuna de macau


“Vão chegar aí muitas empresas estrangeiras. Acho que é bom. Também vai haver turismo” - Liu Shi Hao

local

r e i s s o D Aldeia Yang Huan

algures em Guangdong. Raramente se encontram. “As mulheres chinesas pertencem à família do marido”, lamenta Yang, confessando temer falta de amparo na velhice. “Só há quarta vez é que tivemos um homem”, afirma, bem humorada. O rapaz de 17 Infografia por antónio vale da conceição

da todos os dias”, explica a mulher de mãos muito gastas, lembrando tempos de escassez em que da terra não saía alimento. A família dividiu-se, entretanto. Duas filhas vivem em Fujian com os maridos e outra também por ter dado o nó está numa aldeia

anos, ainda em casa dos pais, deixou de estudar por não ter “jeito para os livros”. Quer trabalhar mas não pode, porque ainda espera receber o cartão de residente de Zhuhai. É nos planos que ouve falar na televisão que a senhora Yang deposita as expectativas quando pensa no futuro do filho. “Está tudo muito melhor do que era antes. Com esses projectos vai haver mais postos de trabalho e salários mais elevados”, acredita. O senhor Liu também diz não ter preocupações com as mudanças que batem à porta. “Vou para onde houver trabalho”, responde, entre a mesa e a pequena oficina em que se divide a sala de estar. A velhice vai estando assegurada. Já compraram uma casa na aldeia onde nasceram em Hunan e pagam 500 renminbis de aluguer pelo tecto que os abriga em Hengqin. “Quando já não podermos trabalhar voltamos para a nossa terra natal”. Mas antes disso ainda vão assistir às mutações da Montanha. Muito do que sabem ouviram da “boca de algum vizinho” ou no noticiário que passa no pequeno ecrã. “Vão chegar aí muitas empresas estrangei-

ras. Acho que é bom. Também vai haver turismo”, espera Liu. A senhora da mercearia, uns passos mais à frente, acrescenta que a “escola que está a ser construída é de Macau”. Porém, também ela nunca passou o Rio das Pérolas até ao lado onde os casinos se erguem. “Nem posso, porque não tenho documentos para isso. Fico ali a olhar. Acho que deve ser bonito, mas não sei se será bom para mim”. Na aldeia não acredita que vá haver muitas novidades. “Acho que para aqui não há nenhum projecto. A construção da escola vai ser do outro lado [zona leste da Ilha da Montanha], daqui até lá ainda são uns 15 minutos de carro”. No entanto, a concorrência pode aumentar. “É claro que mais habitantes vão fazer surgir outros negócios”, prevê a mulher que antes vendia tofu e que tem uma mercearia desde 1993. Já da zona de finanças que está a crescer ao lado da povoação e cujo nome aparece içado bem alto “Zhuhai Shizimen Central Business District” não tem nenhuma ideia. “Isso não cocontinua na página seguinte >

jornal tribuna de macau sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 pág 03


Dossier < continuado da página anterior nheço bem”, responde. Os rostos daqueles que estão à frente dos planos ou outras intenções do Governo para a Ilha são igualmente uma perfeita incógnita. “Não sei nem me preocupa”, diz a comerciante proveniente de Meizhou, encolhendo os ombros. MAIS LOJAS E SÍTIOS PARA PASSEAR Dos buracos que nascem na terra e das gruas que tombam no ar, Jiang Jiangyuan, 22 anos, torce para que nasçam lojas e parques onde possa passear. “Precisamos de mais zonas de lazer”. Discotecas ou bares são, porém, locais que não lhe despertam curiosidade. “Não tenho vontade de ir a esses sítios”, afirma, sem nunca ter viajado para além da terra onde Hengqin termina. “Não conheço outra cidade, nem Macau. Se no futuro tiver dinheiro talvez vá”. As expectativas sobre o que há-de vir no local onde cresceu são grandes e Jiang sabe que não faltam planos. “Acho que ficará tudo mais cómodo e bonito. Além disso, a deslocação pela ilha vai tornar-se mais simples”, prevê o rapaz. “O desenvolvimento ali da zona de finanças e negócios deve ser o mais importante. Depois, a universidade e algumas instalações básicas, para além das ruas ficarem diferentes”. E se a Montanha vai mudar de figura, muitas caras chegarão de fresco. “Sei que a população vai aumentar muito. Haverá mais pessoas e um ambiente agradável para os negócios”, crê Jiang, lembrando as notícias que viu na televisão e as “informações que o Governo distribuiu”. Depois de ter parado os estudos no nono ano, por falta de “boas notas”, porque a competição no Continente é grande, Jiang salta de trabalho temporário em trabalho temporário como a maior parte das pessoas que habitam Hengqin. Desenvolto nas palavras e à porta de uma sala onde se juntam adolescentes a idosos em jogadas de majhong, explica que as circunstâncias em que vive não são de estranhar. “Há muita gente na mesma situação que eu, nomeadamente jovens. Muitos trabalham em restaurantes de ostras”, relata, embora não conheça rapazes de idade semelhante à dele noutras povoações. À ESPERA DE COMPENSAÇÕES Jiang Jiangyuan vive a dez ou quinze quilómetros de carro dos vizinhos de Baishalan. Todavia, guarda apenas uma vaga memória de ter ouvido ecos de protestos na zona. “Penso que foram poucas as pessoas a manifestarem-se. Aqui não houve nada disso”, afiança. Longos terrenos à espera de máquinas, camiões de um lado para o outro e algumas motas povoam a estrada até Baishalan. De quando em quando passa um veículo de alta cilindrada, ao volante estarão “engenheiros ou homens de negócios”, aponta Li, enquanto vemos ao longe a ponte que liga a Ilha da Montanha a Zhuhai. Cerca de 20 minutos depois, guinamos à esquerda. O pórtico que anuncia Baishalan parece uma moldura de casas vazias. Aquela entrada deixa apenas antever uma paisagem de esqueletos de betão com um pano verde a servir de fundo. “Algumas são construções ilegais que esperam a compensação do Governo e que depois vão abaixo. Está a acontecer o mesmo noutros locais”, explica Li. Vamos por ali a dentro em busca de vozes. O senhor Zhang, chamemos-lhe apenas assim, recebenos na casa acabada de construir. Contudo, poderá não permanecer durante muito tempo entre os tijolos que ele próprio juntou. “Não queremos mudar para o alojamento de habitantes, porque não estamos satisfeitos com essa compensação”, desabafa o homem que já ultrapassou os 30 anos. O alojamento a que Zhang se refere são os prédios que vimos no início da viagem, perto da “campus” da Universidade de Macau. A família de Zhang recebeu há cerca de dois meses o aviso de que terá de abandonar a propriedade. “O Governo disse que nos vai dar uma habitação. Mas é claro que ninguém quer mudar para lá, essa compensação nem chega para as despesas que tivemos na construção desta casa”. A fórmula usada pelo Governo para calcular pág 04 sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 jornal tribuna de macau

local a recompensa devia ser outra, entende Zhang. “Não falam em metro quadrado, mas sim em número de pisos, ou seja, há um preço fixo para o andar independentemente do tamanho. Não queremos uma compensação elevada, apenas razoável”. Mais de 60 mil renmibis por piso seria aceitável, sugere. Na década de 90, muitos habitantes daquela aldeia trocaram as terras que possuíam, algumas já cultivadas, pelo cartão de residente e um local para construir casa, recorda Zhang. “Há promessas que não foram cumpridas. Nunca nos chegaram a dar essa terra, por isso nós construímos e agora dizem que é ilegal. Actualmente, querem que saíamos e em troca vamos para um apartamento. Para que isso aconteça quero uma compensação justa!”. O que é que vai surgir no lugar da casa onde vive, Zhang não faz ideia. Nem ele nem os outros moradores. “Estamos todos na mesma situação”. Aquela povoação nasceu graças a 17 famílias com o apelido Zhang que ocuparam a zona na década de 80. Nessa altura, foram alugados ao Governo cerca de 200 mil metros quadrados de terra para cultivo e construção. O compromisso foi-se, no entanto, desfazendo devido à voracidade do desenvolvimento. E com ela também o desagrado dos habitantes cresceu. Em Outubro de 2008 e em Janeiro de 2009, dois protestos violentos na aldeia Baishalan preencheram as capas dos jornais da região. Os habitantes revoltaram-se contra a intenção de demolir obras consideradas “ilegais” pelo Governo e alguns chegaram mesmo a ser presos. “O Governo queria deitar abaixo as casas da aldeia e nós protestámos. Cinco pessoas foram para a prisão. Estiveram lá cerca de um ano, mas já estão de volta”, conta Zhang. As querelas entre autoridades e residentes chegaram mesmo à barra dos tribunais de Zhuhai, com a decisão a pender sempre para o lado do Governo. O MAPA DO TESOURO Entre Baishalan e Yang Huan as diferenças são fáceis de encontrar. Enquanto na segunda os prédios cheiram a novo, embora envoltos em lixo, a primeira parece um projecto inacabado, de edifícios vazios, pequenas casas e algumas barracas. As galinhas andam à solta, tal como os cães de pêlo maltratado. Entre vegetação que cresce espontânea e madeira acumulada em desordem, os mais pequenos correm descalços ou somente de chinelos. Apenas alguns apanham o autocarro amarelo e de caracteres vermelhos que os leva até ao infantário mais próximo, em Zhuhai. É no café da aldeia que vizinhos e alguns negociantes se juntam. Um homem com uma mota carregada de bananas ainda muito verdes conta que as arrancou numa terra abandonada. “As bananas começaram a crescer em terras que não estão a ser aproveitadas. Fui buscá-las para vender”. Na Ilha da Montanha, “muitas pessoas vivem ainda da criação de ostras, peixe, caranguejo e muitos trabalham ocasionalmente na construção civil. Poucos são os que tentam a sorte em Macau”, descreve Li. Antigamente existia também muita gente a plantar bananas, porém este deixou de ser negócio lucrativo. “Há empresas que ainda vêm comprar, mas já não é tanto”. Zhang Shangxuan, outro habitante com quem nos cruzamos na aldeia, tem um pequeno rebento ao colo. Quase um ano completo já o faz querer saltar dos braços do pai e acreditar que consegue andar. Tal como muitos homens e mulheres daquela povoação, Zhang aguarda pelo próximo trabalho temporário e recorda o que o fez abandonar a sua cidade natal. “Sonhei que esta era uma terra de ouro”, uma espécie de mina que lhe mudaria a vida. Assim não foi. “Afinal, ninguém enriqueceu aqui”. No entanto, os Zhang – aqueles com quem falámos e todos os outros - foram casando, tiveram filhos, plantaram e colheram. Naquela terra. E continuam a aguardar pela alquimia do futuro. “O que vem há-de ser melhor. Já não é por nós, é pelas gerações vindouras”. Como o filho que carrega ao colo e que nunca se lembrará da Ilha da Montanha de bananais e poucos prédios. *com Viviana Chan

“O Governo disse que nos vai dar uma habitação. Mas é claro que ninguém quer mudar para lá, essa compensação nem chega para as despesas que tivemos na construção desta casa” - Zhang

Aldeia Baishalan


“De certo modo, o desenvolvimento está a prejudicar-nos o negócio. Já não há tanto espaço para criar as ostras. E a água agora está parada, o que também não é bom” – Shi Ying

local

r e i s s o D

NEGÓCIO SOFRE COM DESENVOLVIMENTO NA ILHA DA MONTANHA

Menos espaço para criar ostras Dos habitantes de Macau que já foram à Ilha da Montanha, quase todos cruzaram o rio com a mesma motivação: uma boa refeição de ostras. Este sempre foi dos negócios mais rentáveis tanto em Hengqin como noutras ilhas de Zhuhai. Porém, já viu dias melhores. Com o desenvolvimento a galgar terreno, há cada vez menos espaço para a criação do apetitoso molusco raquel carvalho*

Á

Infografia por antónio vale da conceição

guas calmas, temperatura e salinidade adequadas, muitos nutrientes e pouca poluição. São estes os ingredientes que fazem da Ilha da Montanha um viveiro propício à reprodução de ostras. Não se sabe é até quando durará. Segundo Shi Ying, no negócio há cerca de duas décadas, os projectos que brotam em Hengqin estão a roubar cada vez mais espaço à criação de ostras. Enquanto que em alguns países do mundo um prato de ostras pode ser uma verdadeira loucura gastronómica (e também monetária), a Ilha da Montanha torna-se num paraíso para os apreciadores do molusco. Tsigntao e ostras é combinação bem frequente e acessível no delta do Rio das Pérolas. Os restaurantes a anunciarem o pitéu multiplicam-se pela ilha e ainda são muitos os que fazem da criação de ostras o ganha-pão. Shi Ying anda nessas lides desde os anos 90. Com o negócio junto a uma estrada, vende cerca de 200 a 500 quilos diariamente. Por cada quilo já sem

casca recebe 30 renminbis. Os cestos a abarrotar de ostras viajam até diferentes locais: “vendo para muitos sítios como o Mercado de São Lourenço em Macau, para Zhuhai e até para o Norte da China”. Embora passem cada vez mais carros nem por isso as vendas têm aumentado, afirma. “O negócio foi piorando ao longo do tempo”, explica, rodeada pelo marido e dois ajudantes. “De certo modo, o desenvolvimento está a prejudicar-nos o negócio. Já não

há tanto espaço para criar as ostras. E a água agora está parada, o que também não é bom”. O marido confirma as reclamações da esposa, apontando para o fundo de uma estrada, de onde vêm as ostras. “Vamos buscá-las cada vez mais longe. E se antes isto aqui era um rio, agora é um caminho”, retoma Shi Ying. Os montes de cascas acumulamse numa espécie de muro, enquanto dois jovens usam uma pequena picareta para arrancarem o molusco à dura

concha calcificada. Num minuto são muitas as ostras que saltam para bacias a transbordar de água. “Antes vendíamos só aqui, à borda da estrada. Em 1999 é que alargámos o negócio e começámos a mandar para outros sítios”. Shi Ying, habituada ao cheiro intenso e às dezenas de moscas que rodeiam as ostras que ainda não saltaram da casca, vai aguardando o futuro tranquila. “Vamos ver. Enquanto houver ostras ficamos por aqui”. * com Viviana Chan

Os portugueses também passaram por lá Não são muitos os documentos históricos nem os estudos académicos sobre o assunto. Certo é que missionários e soldados portugueses fizeram incursões esporádicas pela Ilha da Montanha e Ilha de D. João (hoje em dia unidas), tendo permanecido de modo mais efectivo na Ilha da Lapa. Leonor Seabra, docente da Universidade de Macau e a integrar o Centro de Investigação de Estudos Luso-Asiáticos, explica que a Ilha da Lapa foi a que teve uma presença real por estar mais próxima geograficamente de Macau. “Os jesuítas tinham a Ilha Verde e depois a Ilha da Lapa. Por esta ilha passaram ainda agostinianos”, descreve a académica. Já as restantes, à semelhança da Taipa e de Coloane, eram um “ninho de piratas”. Vicent Ho, professor na mesma instituição e especialista em História de Macau, confessa não ter um conhecimento profundo sobre o tema. Contudo, há registo de que “o Governo português nomeou alguns oficiais macaenses ou chineses para irem receber os impostos” àquelas zonas, anota. Até meados do século XX, os limites territoriais e marítimos de Macau estiveram quase sempre no centro da conflitualidade latente entre Portugal e a China, aspecto que não ficou resolvido com o tratado de 1887, refere a obra de António Vasconcelos de Saldanha, “A ‘Memória sobre o estabelecimento dos portugueses em Macau’ do Visconde de Santarém (1845)”. Os militares portugueses terão mesmo ocupado a Ilha da Montanha, a Ilha D. João e a Ilha da Lapa entre 1938 e 1941. Todavia, os japoneses ameaçaram a força lusa e só no final da 2ª Guerra Mundial é que a China recuperou definitivamente as três ilhas. jornal tribuna de macau sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 pág 05


FURTO EM APARTAMENTO. Um residente de Macau foi lesado em 20 mil patacas e um relógio, avaliado em 50 mil patacas, após a residência onde habita, na Avenida da Praia Grande, ter sido assaltada enquanto estava ausente.

Breves 200 trabalhadores da SJM voltam a pedir aumentos Mais de 200 trabalhadores do Hotel Lisboa reuniram-se junto ao escritório da zona norte de Angela Leong, deputada e administradoradelegada da Sociedade de Jogos, para insistirem nos pedidos de aumentos salariais. Na sua maioria, o grupo de queixosos integrou seguranças e funcionários da área do hotel. Os trabalhadores alegam que, entre os hotéis Lisboa e Grand Lisboa, as diferenças de salários para o mesmo cargo chegam a atingir 25%. A SJM já designou um representante para recolher as opiniões dos trabalhadores.

Chefe renova apoio à Marcha da Caridade A “Marcha da Caridade para Um Milhão” reveste-se de “grande significado cívico e altruísta”, salientou ontem o Chefe do Executivo num encontro com os novos dirigentes do Fundo de Beneficência dos Leitores do Jornal Ou Mun, que o convidaram a partir na próxima edição do evento, em Dezembro. Segundo uma nota do seu Gabinete, Chui Sai On fez um apelo à “participação activa” dos jovens na Marcha e prometeu continuar a apoiar o evento e o referido Fundo. Na reunião, o presidente da assembleia-geral do Fundo, Fong Chi Keong, destacou que está em curso a revisão do estatuto do Fundo, por forma a permitir a canalização de verbas para o “apoio aos compatriotas afectados por calamidades e catástrofes naturais”. Actualmente, o dinheiro angariado é utilizado no apoio à camada mais desfavorecida, ensino e formação de quadros.

Menos empresas, obras e trabalhadores na construção O sector da construção em Macau contraiu-se em 2010, em comparação com o anterior, revelam dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), divulgados ontem. Em 2010, havia 1.178 empresas que se dedicavam a actividades de construção, menos 115 face ao ano anterior. Já o número de trabalhadores era de 15.284 pessoas, o que significa uma descida 18,4%. O valor das obras construídas também desceu, fixando-se nos 22,27 mil milhões de patacas, uma redução de 28%. No total, em 2010, realizaram-se 1.757 projectos de construção, 1.295 dos quais eram de construção privada. Já o valor das obras da construção do sector privado também desceu, fixando-se nos 17,84 mil milhões de patacas, uma queda de 32,3%. O valor de construção de instalações de turismo, de jogo e de hotéis desceu 36% para 13,31 mil milhões de patacas.

Empresários querem políticas para produtos “made in Macau” O Governo deve apoiar o sector industrial com a adopção de políticas que contribuam para promover os produtos fabricados em Macau, defendeu o presidente da AssembleiaGeral da Associação Industrial, Ho Iat Seng, acrescentando que os empresários locais estão a enfrentar problemas como a competitividade de países da Ásia e a perda de poder de compra a nível mundial. O apelo foi feito num encontro que juntou o Chefe do Executivo, Chui Sai On, e dirigentes da Associação Industrial, durante a qual foram trocadas opiniões sobre as linhas de acção governativa, o desenvolvimento sustentável das indústrias e promoção dos bens produzidos em Macau. Na ocasião, Chui Sai On sublinhou que, com o apoio da Delegação da RAEM em Pequim, poderá ser ponderada a venda de produtos fabricados em Macau nalgumas cidades da China Continental. pág 06 sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 jornal tribuna de macau

local

TELEMÓVEL ROUBADO DE MOTO. Um telemóvel, avaliado em 5.600 patacas, foi roubado de uma moto enquanto o dono se ausentou durante cerca de meia hora junto à rotunda da Torre de Macau. O caso ocorreu no final de tarde de quarta-feira.

DETIDO CASAL DE NAMORADOS EM OPERAÇÃO “STOP”

“Narcóticos” sob rodas Durante uma operação “stop”, um casal de namorados foi detido por estar na posse de uma série de drogas e até alguns medicamentos. Parte estaria destinada ao consumo próprio, mas face às quantidades envolvidas as autoridades acreditam que seriam também para venda pedro andré santos

A

s autoridades deverão estar sempre preparadas para o pior quando realizam as habituais operações “stop” e desta vez acertaram num verdadeiro “jackpot” no combate à droga quando pararam um casal de namorados que seguia num motociclo na Rua de Luís Gonzaga Gomes. A conduta suspeita evidenciada de início pelo condutor, residente da RAEM, com 47 anos de idade e que trabalha como relações públicas num casino, alertou as autoridades, que decidiram realizar uma busca ao veículo. Vieram a encontrar, na bagageira, um lenço de papel com 9.93 gramas de ketamina, papel de alumínio com 1.77 gramas de uma droga utilizada comummente em casos de violações, e ainda 21.77 gramas de heroína e 2.59 gramas de marijuana. Na frente do motociclo foram encontrados três sacos de plástico com “ice” (45.02 gramas) e “ecstasy”, em comprimidos e em pó, num total de 5.120 gramas. No saco do condutor foram ainda descobertos três comprimidos de viagra (2.44 gramas), enquanto que a namorada tinha 2.9 gramas de FIVE (diazepam) e “ice” (45.02 gramas).

Autoridades encontraram um verdadeiro “arsenal” de drogas

As autoridades descobriram ainda que a mulher, uma cidadã do Vietname de 19 anos, estava ilegal no território dado que o seu visto de permanência já tinha expirado. Terá confessado que o “ice” encontrado na sua posse foi adquirido por 1240 patacas a um amigo, e estaria destinado ao consumo numa festa. Uma outra operação “stop”, realizada na madrugada de quinta-feira no Istmo Ferreira do Amaral, detectou 4.5 gramas de ketamina na posse de um homem de 25 anos, residente de Macau, que terá confessado à polícia a aquisição do estupefaciente em Gongbei, na véspera.

Apanhado com o frigorífico Um homem foi detido pelas autoridades após ter sido apanhado a roubar um frigorífico junto ao mercado de Toi San. Segundo as autoridades, o suspeito foi visto, juntamente com outro indivíduo que o estava a ajudar a carregar o frigorífico nas imediações do mercado, por um funcionário do IACM que prontamente participou o caso a um polícia que estava nas imediações. O alegado cúmplice entretanto colocou-se em fuga. O frigorífico pertence a um talhante do mercado e está avaliado em 3600 patacas.

A “missão oficial” que incomoda Coutinho Para Pereira Coutinho, Florinda Chan deveria ter-se deslocado à AL para responder a uma interpelação sobre a reforma jurídica, em vez de se fazer representar por uma sua subordinada

P

ereira Coutinho volta a criticar a Secretária para a Administração e Justiça (SAJ), desta vez por considerar que Florinda Chan não compareceu na Assembleia Legislativa para responder à interpelação oral relacionada com “a reforma jurídica e com o atraso na entrega e conclusão dos diplomas anunciados pelo Governo nas Linhas de Acção Legislativa”. Em interpelação escrita, o deputado alega que as perguntas eram “directamente dirigidas a esta entidade tutelar” e considera insuficiente a substituição da governante pela “directora de um dos Departamentos da área da Justiça, que justificou a ausência da SAJ dizendo que estava em missão oficial de serviço”. Nas perguntas dirigidas ao Governo, o deputado pede respos-

tas quanto à “missão oficial que fez com que a SAJ não comparecesse na AL para responder a uma interpelação oral dos deputados”. “Que assuntos foram tratados nessa reunião? Porque motivos essa missão oficial não foi adiada? A decisão da SAJ não comparecer na AL foi autorizada pelo Chefe do Executivo? A SAJ justificou os motivos para não comparecer e para não adiar a participação na referida missão oficial? Foi solicitado ao presidente da Assembleia Legislativa o adiamento da interpelação oral, com a devida justificação?”, questiona Pereira Coutinho. No documento ontem divulgado, o também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau quer ainda saber “qual a norma legal, da Lei Básica, do Regimento ou de qualquer outro

diploma, em que a SAJ fundamentou a sua decisão de se fazer representar pela directora do Serviço que esteve presente na AL”. Segundo advoga Pereira Coutinho, “como a SAJ sabia com antecedência que ia ser feita uma interpelação oral e sendo ela a responsável pelas área sectorial da acção governativa objecto da interpelação, não se compreende que tenha decidido não comparecer e que não tenha adiado a referida missão oficial de serviço para poder esclarecer os deputados e a população sobre as questões colocadas pelos deputados”. O tribuno considera que a “decisão afecta também o Chefe do Executivo que é responsável pelo Governo e que devia ter assegurado a participação da SAJ na interpelação oral feita na AL”.


SUSPEITA DE ALICIAR À PROSTITUIÇÃO. Uma mulher de Sichuan, de 30 anos, foi detida pela PJ por suspeita de crime organizado, aliciamento à prostituição e falsificações. Segundo a TDM, a suspeita terá aliciado duas mulheres do Continente para a prostituição, algo que terá acontecido num apartamento nos últimos seis meses. O caso foi entregue ao Ministério Público.

WYNN PAGA DIVIDENDOS. O grupo Wynn Resorts aprovou a distribuição pelos accionistas de dividendos especiais no valor de cinco dólares por cada acção comum. Os dividendos serão distribuídos a 21 de Dezembro.

local

APROVADA INJECÇÃO DE 700 MILHÕES NA OPERADORA

Air Macau espera mais lucros em 2011 Reunidos em Assembleia Geral Extraordinária, os detentores da Air Macau aprovaram uma reestruturação de capital que fará com que o Governo injecte 700 milhões na operadora, da qual passa a ser o segundo maior accionista. O dinheiro vai ser usado principalmente para renovar a frota, mas é apenas “o capital inicial para sustentar e acelerar a mudança”, segundo Zheng Yan. A transportadora deverá voltar a fechar o ano financeiro com lucros paulo barbosa

E

ste ano, a Air Macau espera obter resultados um pouco superiores aos de 2010, quando registou lucros de 231,8 milhões de patacas, invertendo uma tendência para os prejuízos sucessivos contabilizados em anos anteriores. “Penso que vamos ter lucro e resultados semelhantes aos do último ano, talvez um pouco mais altos”, avançou ontem Zheng Yan, presidente da Comissão Executiva da Air Macau, no final da Assembleia Geral Extraordinária da empresa. A frota de 14 aeronaves da Air Macau já tem uma idade média superior a 10 anos, pelo que a companhia pretende utilizar o dinheiro injectado pelo Governo para substituir, pelo menos, os dois aviões mais antigos, através de aquisições de novos aparelhos ou de aluguer em regime de contrato de “wet lease” [no qual uma companhia disponibiliza o avião, a tripulação e assegura as despesas de manutenção, recebendo um pagamento em contrapartida]. Zheng Yan explicou aos jornalistas que a troca dos aviões mais antigos torna-se uma neces-

Segundo Zheng Yan, a Air Macau necessita de substituir alguns aparelhos

sidade em transportadoras de dimensão reduzida, dado que “as companhias maiores têm suficientes recursos para a manutenção”. Para operadoras aéreas como a Air Macau “é melhor renovar os aviões”, resumiu. O responsável revelou que há dois aviões da Air Macau cujo aluguer a outras companhias termina em 2013 e que nessa data terão, respectivamente, 17 e 18 anos. “Estes dois aviões precisam definitivamente de ser substituídos. Por isso, no próximo ano temos que encontrar um ‘slot’ [um lugar na linha de montagem do fabricante] e os recursos para os novos aviões”, afirmou Zheng Yan, sublinhando que a data concreta para a substituição está também dependente da disponibilidade do fabricante Airbus, até porque a procura tem sido muita e, “nos últimos anos, todos estavam a tentar renovar ou expandir as suas frotas”. No entanto, a Air Macau “não tem planea-

Saída de pilotos “é bastante normal” Zheng Yan considera que a saída de alguns pilotos da Air Macau “é bastante normal”, devido à recuperação do sector da aviação a nível mundial, que tem levado “muitas companhias a expandir as frotas e a necessitar de pilotos”. Segundo o presidente da Comissão Executiva da Air Macau, o alargamento das rotas, com dois novos destinos na China ao longo deste ano, e a prevista renovação da frota fazem com que a Air Macau “tenha que ir à procura dos pilotos no mercado”. O responsável avançou que a Air Macau pretende avançar com mais rotas no próximo ano, mas não quis revelar quais, referindo apenas que estas se encontram “a ser pesquisadas”.

das mudanças no tamanho da frota” e pretende apenas substituir os aparelhos mais antigos. Os 700 milhões serão também utilizados para “implementar a transformação organizacional, modernizar os equipamentos tecnológicos e reforçar a formação interna”, referiu a Air Macau em comunicado. Depois dos procedimentos legais, o dinheiro deverá ser disponibilizado ainda antes do fim deste ano. AIR MACAU É PARTE DA ESTRATÉGIA DO GOVERNO. Na reunião de ontem, os accionistas da companhia aprovaram por unanimidade uma reestruturação de capital, que vai permitir ao Governo a injecção de 700 milhões de patacas na Air Macau. A operação será realizada através da emissão de 420 mil novas acções, que serão todas adquiridas pelo Governo da RAEM. Com esta capitalização, o Governo passa a ser o segundo maior detentor de acções da companhia aérea local, apenas superado pela Air China. No já referido comunicado, a Air Macau explica que a primeira operação de reestruturação de capitais, realizada em 2009, permitiu que “a nova equipa gestora reposicionasse a estratégia da companhia, remodelando os padrões operacionais e intensificando a colaboração comercial com a Air China”. Zheng Yan admite que aquela operação aconteceu “numa altura em que a Air Macau estava próxima da bancarrota, o que levou a que todos os accionistas resgatassem a

companhia de uma situação muito embaraçosa”. Depois de “transformações e de tentativas de travar a hemorragia”, a Air Macau voltou a apresentar lucros no ano passado, obtendo o que o presidente da Comissão Executiva da empresa considera ser “um recorde histórico”. Em meados de 2010, o Governo anunciou a intenção de aumentar a sua quota na companhia e, no início deste ano, o Conselho de Administração contratou empresas de consultoria legal e financeira para estudar a forma de proceder à segunda operação de reestruturação de capitais, que foi ontem aprovada. Zheng Yan considera que o investimento na companhia significa que o Governo encara a operadora de bandeira da RAEM como “uma plataforma para concretizar a sua visão de Macau como um centro global de turismo e entretenimento”. “A companhia aérea é uma das plataformas para construir a ponte e fazer com que os passageiros cheguem ao território. Eles querem apoiar a Air Macau porque, depois de muito tempo a perder dinheiro, há vários aspectos que têm que ser abordados, como a renovação da frota, questões infraestruturais e sistemas de telecomunicações. Para tudo isso, é necessário dinheiro para desenvolver esta companhia”, complementa o presidente da Comissão Executiva. O presidente argumenta que a Air Macau pode apresentar resultados positivos, como tem acontecido, “mas a renovação da frota levará muito tempo, especialmente quando o valor dos aviões pode rondar os 50 milhões de dólares americanos”. Ora, segundo Zheng Yan, “ganhando o que se tinha perdido não possibilita que se faça este grande desenvolvimento, porque os aviões e os níveis do serviço – tal como a pontualidade e o estado da cabine – precisam de dinheiro, para que possa ser mudada a imagem da companhia e aumentado o conforto dos passageiros”. Nesse sentido, o Conselho de Administração da Air Macau encara o investimento do Governo como “inicial”, sendo necessárias mais capitalizações no futuro: “Não penso que os 700 milhões sejam suficientes, este é o capital inicial para sustentar e acelerar a mudança. A Air Macau tem que ganhar dinheiro, e talvez obter um empréstimo, para mais tarde, gradualmente, mudar a sua frota, de aviões mais velhos para recentes”, aponta Zheng Yan.

CHUI SAI ON VISITOU OBRAS NA TAIPA E SEAC PAI VAN

Habitações públicas avançam “a bom ritmo” O Chefe do Executivo visitou ontem de manhã as maiores obras de habitação pública que estão em curso na RAEM

C

hui Sai On deslocou-se ontem ao lote TN27, na Taipa, e à obra de habitação Pública de Seac Pai Van, em Coloane. O Chefe do Executivo verificou que as obras “estão a decorrer a bom ritmo” e os responsáveis dos serviços envolvidos acreditam que as mesmas estarão concluídas dentro do prazo previsto.

De acordo com um comunicado do Gabinete do Chefe do Executivo, as visitas tiveram como principal objectivo “dar a conhecer, em detalhe, o planeamento e a construção dos dois projectos”. As deslocações foram contextualizadas com apresentações feitas pelo coordenador do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI), Chan Hon Kit, que referiu as preocupações e dificuldades encontradas durante o processo de construção. Ambos os projectos estão incluídos no planeamento das anunciadas 19 mil habitações públicas. Iniciado no terceiro trimestre de 2008, o lote TN27 foi o

primeiro projecto financiado pelo Executivo e inclui a construção de 2.703 fracções autónomas residenciais. Já no terreno de Seac Pai Van está a ser edificado o maior projecto de habitação pública construído até ao momento. As obras decorrem desde Maio do corrente ano e, quando estiveram concluídas, irão ser disponibilizadas 8.649 fracções autónomas residenciais. Nas visitas, Chui Sai On esteve acompanhado pelo chefe do seu Gabinete, Alexis Tam, pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io e pelo presidente do Instituto de Habitação, Tam Kuong Man. jornal tribuna de macau sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 pág 07


publicidade

pรกg 08 sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 jornal tribuna de macau


SANDS OFERECE 600 EMPREGOS. A Sands China anunciou ter oferecido contratos laborais a mais de 800 dos cerca de 2.600 residentes, com idades superiores a 21 anos, que compareceram a uma feira de emprego realizada entre quinta-feira e sábado. A próxima acção de recrutamento está agendada para o período de 15 a 17 de Novembro.

QUEBRA DE 70% NOS ESTACIONAMENTOS. A venda de locais para estacionamento desceu 70% em Outubro, face ao mesmo mês de 2010, segundo fontes do sector citadas pela imprensa de língua chinesa. Já no domínio do aluguer, a procura duplicou.

local

JORGE FERRAZ DISPONÍVEL PARA CONTINUAR PESQUISA

Obra “Famílias Macaenses” pode ser actualizada O autor, Jorge Ferraz, mostrou ontem disponibilidade para actualizar a pesquisa, se houver ajuda. O director-geral do Albergue da Santa Casa da Misericórdia, Carlos Marreiros, confirmou o interesse

A

os 15 anos de existência, surge agora a possibilidade de ser actualizada a obra “Famílias Macaenses”, a mais completa pesquisa que reúne 440 famílias de Macau, do historiador e genealogista Jorge Ferraz. Foi o próprio autor a afirmar esta possibilidade, e vontade, ontem à tarde, no final da palestra que deu no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, se para tal “tiver a ajuda de uma pequena equipa”. Porém, “ainda nada foi falado, nem há qualquer plano, pois só neste momento pensei que esta ideia pudesse ir para a frente”, disse ao JTM. O director-geral do Albergue, Carlos Marreiros, que fez a apresentação da palestra, confirmou também este interesse ao JTM. “Não depende só dele nem de mim. Mas é possível conseguir reunir uma pequena equipa que ajude

Jorge Ferraz referiu que algumas famílias não foram abrangidas pela investigação

a actualizar a obra”. Outra vontade é a de publicar os três volumes de “Famílias Macaenses” em chinês e em inglês, avançou. A necessidade de actualização “surge logo quando a obra é publicada, porque pessoas morreram e outras nasceram”, explicou ontem o historiador à audiência. Por outro lado, o autor tem “consciência que houve algumas famílias que escaparam à investigação,

NaTerra alerta para a sustentabilidade No sábado, o Albergue acolhe o “SustainAbility 2011”, uma iniciativa da NaTerra que procura aumentar a sensibilização sobre a importância da sustentabilidade em Macau. Este evento junta grupos locais, organizações e particulares para expressarem a sua visão sobre a ecologia e sustentabilidade em Macau. As actividades começam de manhã com uma mini-maratona fotográfica e workshops para crianças. Destaca-se ainda um workshop sobre permacultura, a abertura de uma exposição de arte e a apresentação de um vídeo sobre o projecto da NaTerra, em Timor-Leste. Ao início da noite há música ao vivo.

mesmo sendo uma obra muito abrangente”. Da investigação realizada por Jorge Ferraz, fica a certeza de que “Macau tem uma grande comunidade espalhada pelo mundo”. As maiores ficam em locais tão distantes como São Paulo e Rio de Janeiro, no Brasil, São Francisco, nos EUA, Toronto e Vancouver, no Canadá, Sydney, na Austrália e Lisboa. Mas há famílias de descendentes em locais como Banguecoque, na Tailândia, ou Singapura. “Ainda hoje os descendentes do dr. [José d’] Almeida [Carvalho Silva, médico], em Singapura, assinam o nome da mesma forma que o antepassado. E nos Estados Unidos falei com uma americana, descendente de macaenses, que assina Jacqueline d’Eça, mesmo não tendo os americanos o ç”, explicou Jorge Ferraz. Mas ao contrário do que se pode-

ria pensar, muitas das “famílias com apelidos portugueses espalhadas pelo mundo já não têm qualquer vestígio de sangue português, mas tão só o nome”, explicou o historiador. “Isto acontece porque mesmo depois de não haver presença portuguesa, os padres baptizavam as crianças de acordo com os dias em que se estava. Em dia de Anunciação, por exemplo, era frequente as crianças serem baptizadas com esse nome”. Toda a documentação que serviu de base ao autor para concluir a obra está agora na Universidade do Estado da Califórnia, que mostrou todo o interesse em receber e catalogar os mais de 300 livros e outras tantas cartas, trocadas com as várias famílias macaenses espalhadas pelo mundo. “Na biblioteca de Angra de Heroísmo, onde vivo, não havia espaço para este espólio”, disse. H.A.

JOCKEY CLUB SOLIDÁRIO COM VÍTIMAS DAS CHEIAS

100 mil patacas para a Tailândia O Jockey Club de Macau vai doar 100 mil patacas ao Governo da Tailândia para ajudar as vítimas das cheias que nos últimos meses têm afectado o país. A par disso, irá ainda apoiar, pela sexta vez, a celebração do aniversário do Buda das Quatro Faces, no local de culto instalado na Taipa

P

ara ajudar as vítimas do desastre natural que tem vindo a provocar avultados estragos na Tailândia, a Sociedade de Jogos de Macau (SJM), proprietária do “Jockey Club de Macau, vai fazer uma doação de 100 mil patacas ao Governo tailandês, naquela que promete ser a primeira de muitas acções de caridade realizadas neste sentido. “Decidimos fazer uma primeira do-

ação. Mais tarde, planeamos desenvolver mais acções de caridade, fazer alguns eventos lúdicos para que, de forma gradual, possamos dar mais dinheiro para os cidadãos tailandeses”, disse ao JTM Ilidia Ku, do departamento de Marketing da SJM. “O Jockey Club de Macau desenvolve imensos

eventos todos os anos, temos um dia especial de caridade em que temos muitas actividades e distribuímos coisas pela sociedade”, acrescentou. As cheias que assolam a Tailândia desde Julho já provocaram 427 mortos, para além de terem afectado a vida de 2,5 milhões de pessoas. Cerca de 113 mil

habitantes perderam as suas casas e há ainda mais 720 mil pessoas que necessitam de cuidados médicos. Num ano difícil para a população tailandesa, o Jockey Club de Macau participará ainda, pela sexta vez, nas comemorações do aniversário do Buda das Quatro Faces, no Altar do Brahma, local de culto próximo do hipódromo da Taipa. Este evento deverá voltar a atrair inúmeros elementos da comunidade tailandesa, bem como crentes budistas locais e turistas. Na próxima quarta-feira, a cerimónia vai começar por volta das 16 horas, por ser considerada uma hora de sorte, e irá prolongar-se até às 22 horas. O responsável pela cerimónia vai proferir leituras dos livros sagrados, utilizando linguagem antiga. De acordo com Lino Ho Weng Cheong, membro da Câ-

mara de Comércio da Tailândia em Macau e responsável pelo comité de organização do evento, já passaram pelo templo na Taipa cerca de dez mil pessoas, vindas de várias regiões. “Vêm pessoas de propósito da Tailândia, mas também de Hong Kong, China Continental e também de Macau”. O responsável acrescentou ainda que esta cerimónia é semelhante à celebração do Natal para os cristãos. “Na Tailândia, o Buda das Quatro Faces é muito famoso, muitas pessoas vão rezar e vêm-no como um Deus. A maioria dos residentes e muitos dos tailandeses que vivem em Macau também o veneram”, explicou Lino Ho Weng Cheong. Para além desta cerimónia, está ainda prevista a realização de outro evento para lembrar as vítimas das cheias na Tailândia. A.S.S.

jornal tribuna de macau sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 pág 09


(...) “Fundado em 28 de Outubro de 1871, o Hospital Kiang Wu começou por ser de Medicina Tradicional Chinesa e no início, aí apenas se preparavam e cozinhavam os medicamentos, que eram distribuídos gratuitamente. Só em 1874 foi criado no local o departamento de Medicina” (...) - José Simões Morais

l

Ainda se lembra de ouvir fado?

Associação do Hospi

O Hospital Kiang Wu celebrou os seus 140 anos e homenageou o doutor Or

JOsé simões morais*

O

Hospital Kiang Wu recebeu a visita do Chefe do Executivo, Chui Sai On e de outros membros do Governo de Macau, assim como de Edmund Ho, na qualidade de vice-presidente da Comissão Nacional da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês, para prestarem homenagem à Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu. Em 21 de Junho de 1870, o Governo de Macau aprovou a instalação do Hospital Kiang Wu, que fora requerida pela comunidade chinesa de Macau, representada pelos senhores Sam Wong, Chou Iao, Tak Fong e Wong Lok. O Governo estipulou o foro anual de uma pataca e autorizou a angariação de fundos necessários para a construção do Hospital. Fundado em 28 de Outubro de 1871, o Hospital Kiang Wu começou por ser de Medicina Tradicional Chinesa e no início, aí apenas se preparavam e cozinhavam os medicamentos, que eram distribuídos gratuitamente. Só em 1874 foi criado no local o departamento de Medicina. Assim, a comunidade chinesa de Macau fez a Associação do Hospital Kiang Wu, cuja finalidade era ajudar os chineses mais desfavorecidos. Tinha projectos de abrir escolas gratuitas, dar de comer a quem tivesse fome, socorrer os necessitados e enterrar os mortos cujas famílias eram pobres ou sem ninguém para cuidar deles. O Hospital foi instalado em San pág 10

Kiu, um dos locais mais doentios de Macau, onde os mortos mal enterrados, muitas vezes com partes do corpo a descoberto e sem sepulturas, se encontravam espalhados pela encosta do monte. O primeiro hospital Kiang Wu, cuja arquitectura era semelhante à do templo de Kun Iam Tong, tinha três pavilhões centrais, servindo o da entrada como lugar de reuniões da Associação e o terceiro era um templo. Nele havia altares aos deuses, Hua Tuo, Guang Gong, Bao Gong, Liu Zu e Hong Sheng. Os cuidados médicos eram realizados apenas numa casa situada no lado direito dos três pavilhões. Contava o Hospital com um total de 60 quartos, localizados ao redor do terreno, prestando gratuitamente serviços clínicos aos doentes,

sexta-feira, 04 de Novembro de


local

(...) “Trabalhando em regime de voluntariado, o doutor Or Lun foi 38 anos director do Hospital e durante 55 anos ajudou a Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu. Tornou-se assim numa das figuras com maior prestígio de Macau, tanto a nível social, como político e sobretudo profissional” (...) - Idem

(...) “Em 1941, a Associação fundou um asilo para crianças abandonadas, que fechou em 1946, com o fim da Guerra do Pacífico, assim como deu um grande apoio aos refugiados chineses” (...) - Ibidem

ital Kiang Wu completa 140 anos

r Lun, uma das figuras com maior prestígio em Macau a nível social, político e sobretudo médico

servindo de asilo e casa mortuária. Inicialmente o Hospital era dirigido por uma Comissão Administrativa, em que havia quatro directores. Em 1892, a Associação do Kiang Wu criou em Macau cinco escolas, dando início à instrução gratuita para crianças chinesas. Na ala direita do Hospital foi construída a Escola do Kiang Wu. Quando Sun Yat-sen como médico serviu no Hospital Kiang Wu, em regime de voluntariado entre Setembro de 1892 e Setembro de 1893, aí criou uma secção de Medicina Ocidental. No ano de 1919, já com um novo edifício, os pacientes tratados pela Medicina Ocidental passaram a poder ficar aí internados. A Escola de Enfermagem do Kiang

e 2011 jornal tribuna de macau

Wu foi montada em 1923 e funciona num edifício próprio, dentro do espaço do Hospital. Desde 1994, os cursos de enfermagem e obstetrícia ficaram com as habilitações oficialmente reconhecidas. O doutor Or Lun (1900-1991) estudou na Universidade Zhongshan de Guangzhou e aí leccionou, atingindo o grau de professor. Mais tarde passou por Xiaman onde criou um hospital e depois foi abrir uma farmácia em Hong Kong. Chegou a Macau em 1935 e um ano mais tarde começou a trabalhar gratuitamente como professor na Escola de Enfermagem e médico no hospital. Em 1940, passou a membro da farmácia do Hospital Kiang Wu, conselheiro sobre assuntos de Medicina Ocidental e responsável pelo trabalho da Escola de Enfermagem. Em 1943

tornou-se director da Escola, superintendente do Hospital e vice-Presidente da Associação do Hospital Kiang Wu. Em 1979 tornou-se o presidente honorário do Directório dos Directores. Trabalhando em regime de voluntariado, o doutor Or Lun foi 38 anos director do Hospital e durante 55 anos ajudou a Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu. Tornou-se assim numa das figuras com maior prestígio de Macau, tanto a nível social, como político e sobretudo profissional. Em 1941, no Hospital deixou-se de praticar Medicina Tradicional Chinesa e só nos finais dos anos 70 do século XX, esta regressou, providenciando actualmente tanto serviços de Medicina Ocidental como da Tradicional. Em 1941, a Associação fundou um asilo para crianças abandonadas, que fechou em 1946, com o fim da Guerra do Pacífico, assim como deu um grande apoio aos refugiados chineses. Pela Portaria nº 3/341 de 12 de Setembro de 1942 a instituição, formada em 1870 para a criação do Hospital Kiang Wu, tornou-se na Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu e foram aprovados os seus Estatutos, já que devido à grande diversidade de organismos que a instituição geria, a designação de Hospital Kiang Wu, criava grandes confusões. Pela Portaria nº 4/321, de 31 de Dezembro de 1947 passou a Associação a ser considerada de utilidade pública. Em 1950 foi a Escola do Kiang Wu ligada com a escola primária Peng Man, a actual escola Kiang Peng, e agora conta também com uma escola secundária. Se desde a fundação do Hospital havia dentro do seu recinto um temporário armazém de caixões, em 1933 este passou para a colina de Mong Há (Colina de

Lótus), permitindo ao hospital expandirse. Ainda hoje se encontra na Avenida Lacerda, no sopé da colina de Mong Há, a casa funerária da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu. Em 1999, o Hospital foi remodelado e passados dez anos voltou a crescer com a construção de mais um prédio com 14 andares. A Associação do Hospital Kiang Wu, organizada pela elite chinesa de Macau, nasceu para servir gratuitamente a comunidade chinesa mais desfavorecida e como meio para ter voz perante o governo colonial português. Actualmente trabalham no Hospital 1.700 pessoas, sendo 700 enfermeiros e mais de 300 médicos. Tem como pacientes chineses e portugueses de Macau, tal como vêm muita gente da China para as consultas, tratamentos e para serem operados pois é um hospital que goza de boa reputação. Por fim, visitamos o museu da História da Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu, que se encontra instalado na Casa Memorial e está aberto todos os sábados das 15 às 18 horas. Ao sair pelo portão principal do Hospital, cruzamo-nos com a estátua de Sun Yat-sen. Dezoito anos depois de aqui ter trabalhado como médico e percebido não ser nesta profissão que iria ajudar o seu povo, Sun Yat-sen tornouse Presidente da República da China. Quanto ao doutor Or Lun foi pela Associação de Beneficência do Hospital Kiang Wu, como médico e director Clínico do Hospital Kiang Wu e como responsável pela Escola de Enfermagem, que deu um valioso auxílio social e humanitário à consolidação da República Popular da China. * Investigador. Colaborador regular do JTM. pág 11


GANHOU DIAMANTES NO MGM. Um residente de Macau levou para casa diamantes da marca Damiani, avaliados em um milhão de dólares de Hong Kong, e cupões de entretenimento no valor de 38 mil dólares de Hong Kong, após ter conquistado o primeiro prémio da campanha “Diamonds Are Forever”, promovida pelo MGM Macau.

VOX POPuli

local

OPERADORA “JUNKET” EM ALTA. A “Asia Entertainment & Resources Ltd” (AERL), operadora “junket”, registou um crescimento de 84% para 2,11 mil milhões de dólares no volume de “turnover” apurado em Outubro, face ao mesmo mês de 2010, noticiou o “site” da revista Macau Business. A AERL opera salas VIP nos casinos Galaxy, StarWorld e Venetian

Três anos para aproveitar terrenos na vila de Coloane Foi a solução encontrada pelo Governo para resolver um problema que já vem de longe: os proprietários de dois terrenos têm agora um prazo de três anos para construir, caso contrário o contrato de concessão pode ser rescindido

O Rose Marie Demessa (Trabalhadora não residente)

“Se querem importar empregadas domésticas é porque é algo prioritário” -Há quanto tempo é que reside em Macau? -Vivo aqui há 15 anos. Vim das Filipinas para trabalhar em Macau por causa da minha família, para dar apoio aos meus filhos, para os seus estudos. Trabalho como empregada doméstica e pretendo ficar aqui até ter emprego, porque o meu patrão actual ajuda-me bastante. -Quais são os principais problemas que encontra na RAEM e que na sua opinião poderiam ser resolvidos? -Para mim, o maior problema neste momento é que Macau é uma cidade muito populosa e o nível de vida é muito caro. Quando cheguei não era assim. Hoje, há uma grande diferença. -Considera que o Governo deveria ajudar mais as pessoas no que diz respeito à inflação? -Penso que sim. As pessoas que vivem em Macau continuam a ter muita sorte porque têm ajuda do Governo, mas ainda é necessário continuar com esse apoio. Ainda há pessoas que são muito pobres e que precisam de ajuda. Esta é uma diferença em relação à altura em que cheguei. -Ao nível da Saúde sente que falta de médicos em Macau? -Penso que precisamos de mais médicos aqui, porque nos dias de hoje, com tantas pessoas, há cada vez mais doenças no território. O facto de haver tantas pessoas também não é muito bom para a qualidade do ar. -O Governo anunciou também um plano para a importação de mais empregadas domésticas do Continente. Acha que fazem falta mais pessoas nesse sector? -Depende da situação. Se é algo que o Governo vai implementar, se querem importar mais empregadas de lá, é porque é algo prioritário. Não podemos fazer nada quanto a isso. A.S.S. pág 12 sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 jornal tribuna de macau

aproveitamento de dois terrenos destinados à construção de um prédio de três pisos para habitação, na vila de Coloane, deve ser feito no prazo máximo de três anos. A Administração pretende, mediante a concessão dos terrenos, permitir que os moradores que antes do estabelecimento da RAEM já residiam na Vila de Coloane possam continuar a residir, ou a residir e a explorar uma actividade comercial no local, de modo a que se resolva de forma gradual e programada um problema que já tem vários anos. No Boletim Oficial de ontem foram publicados os despachos que titulam o contrato de concessão de ambos os terrenos situados no Beco do Campo, com áreas de 23m2 e 24m2. Aos proprietários dos terrenos foi concedido um prazo de arrendamento de 25 anos, podendo ser renovado. Mas não é permitida a prorrogação do prazo de aproveitamento do terreno. Para além do desconto no valor do prémio de concessão que lhes foi concedido, o concessionário deve proceder à liquidação integral do prémio de concessão. Foram ainda definidas cláusulas contratuais diferentes em relação aos contratos de concessão de terreno para habitação em geral. O aproveitamento destes terrenos deve operar-se no prazo global de três anos, contado a partir da data da publicação do despacho que titula o contrato de concessão no Boletim Oficial da RAEM, não havendo lugar a prorrogação do prazo de aproveitamento. O prazo de aproveitamento definido pela Administração nestas situações já ultrapassa os critérios gerais de aproveitamento, por isso a Administração acredita que este prazo “é o suficiente” para o concessionário proce-

der à construção numa área de terreno superior a 20m2 de um edifício de três pisos. A par disso, a Administração define ainda que o concessionário não pode, no prazo de cinco anos, alterar a finalidade ou modificar o aproveitamento do terreno. Esta concessão é somente destinada à finalidade de habitação ou mista (habitação e comércio), não podendo, assim, servir exclusivamente para uma finalidade comercial. O concessionário deve ainda, dentro do prazo contratualmente estipulado, concluir a construção do edifício. E não pode, dentro do prazo definido, alterar a finalidade ou modificar o aproveitamento do terreno, caso contrário corre o risco da Administração declarar a caducidade da concessão, ou mesmo rescindir o contrato, revertendo por conseguinte o terreno e as construções nele edificadas. Por outro lado, caso o prédio se destine a arrendamento, a Administração tem de ser obrigatoriamente avisada pelos proprietários dessa intenção.

Oportunidades a “Metro” O sector local da construção queixou-se de ter sido afastado das obras do Metro Ligeiro. Os responsáveis do Governo dizem que uma obra com esta especificidade nunca foi feita em Macau, assegurando, contudo, que as empresas locais têm participação garantida

O

Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT) garante que o Governo vai estabelecer uma plataforma na qual as empresas locais na construção trabalhem em conjunto com empresas de construção de transporte ferroviário estrangeiras, nas obras do Metro Ligeiro. Em comunicado, que serve de resposta às críticas das associações do sector locais que se queixavam de estar a ser postas de lado neste trabalho, os responsáveis do GIT argumentam que a “obra em causa é diferente das de engenharia civil em geral”. Segundo referem, “o sistema de Metro Ligeiro consiste num projecto de alta tecnologia e elevada complexidade, implicando várias especialidades técnicas, sendo que o método de construção dos viadutos a adoptar nunca foi utilizada em Macau”. Por outro lado, é dito que “o local de execução da empreitada situase em zonas de alta densidade populacional, com segmentos do traçado

no centro da cidade, o que restringe as condições de execução”. A garantia de segurança da população, durante a execução, dos trabalhos, é uma das principais premissas do Governo, que exige “altos requisitos de segurança na execução e no controlo de qualidade” das empreitadas. Consultores técnicos da China Continental, de Portugal, Hong Kong e Singapura trabalham em coordenação com a empresa de consultadoria do projecto de nível internacional, de forma a executar os trabalhos de construção e fiscalização. Empresas locais foram consultadas para a apresentação de propostas de execução de obras de construção civil, segundo o GIT, “sendo a maioria dos adjudicatários empresas locais”. O projecto global do Metro Ligeiro está dividido em oito segmentos que implicam no total 11 empreitadas. Há dois centros modais de transportes que vão repartidos, no mínimo, em três empreitadas. Para a concepção e a construção de cada

segmento foram lançados concursos, de forma independente e a envergadura da obra dos segmentos detalhada. No processo de concurso das empreitadas de construção civil tem-se procedido ao lançamento de concursos públicos de acordo com a legislação vigente, refere o GIT. E, após a auscultação de opiniões recolhidas junto do sector da construção civil, o Governo garante que tem “ajustado em conformidade com as especificidades próprias e a complexidade técnica” as regras dos concursos. É ainda assegurado que as opiniões apresentadas por algumas associações vão ser “estudadas” pela Administração. Em Maio deste ano, o GIT organizou uma sessão de apresentação sobre as obras do sistema de Metro, tendo então apresentado ao sector a exigência das tecnologias de execução dos viadutos e das fundações, tendo sido também recolhidas opiniões sobre a estratégia de contratação que deveria ser seguida.


TEATRO DE FANTOCHES. No próximo dia 8, a Fundação Macau vai realizar um espectáculo de fantoches, no Teatro de Clementina Leitão Ho Brito, com a participação de vários grupos de artistas do Interior da China. Os bilhetes vão ser distribuídos gratuitamente.

local

SEMANA DOS SERVIÇOS CONSULARES. Exposições, concursos e seminários, entre outras actividades, vão preencher o programa da “Semana de Sensibilização de Protecção e Serviços Consulares”, que decorrerá entre 28 de Novembro e 3 de Dezembro. Organizada pelo MNE chinês e Governo da RAEM, a iniciativa visa divulgar os serviços prestados por embaixadas e consulados chineses acreditados no estrangeiro.

PSICÓLOGA MINISTRA WORKSHOPS BASEADOS NA PROGRAMAÇÃO NEURO-LINGUÍSTICA

Como trabalhar uma mente de sucesso É sabido que o sucesso não cai do céu, mas os objectivos podem ser alcançados com maior facilidade se conhecermos como funciona a nossa mente, observa Goreti Lima. A psicóloga vai ministrar “workshops”, tendo por base a Programação Neuro-Linguística, uma disciplina que estuda comportamentos de excelência, e analisou, por exemplo, como Gandhi, Da Vinci ou Freud alcançaram os seus resultados fátima almeida

Q

uantas vezes se tenta alcançar o sucesso, mas os dias acabam com um aperto no peito? Não desanime. É possível trabalhar a mente para conseguir alcançar a realização pessoal e aliviar a pressão do dia a dia. Tendo por base a Programação NeuroLinguística (PNL), uma disciplina que estuda o comportamento humano de excelência, Goreti Lima, psicóloga clínica, vai ministrar um ciclo de “workshops” que permite “abordar técnicas para o desenvolvimento pessoal” a fim de se alcançarem resultados específicos. Segundo explicou ao JTM “ao alargarmos o conhecimento em relação ao funcionamento da mente e às suas consequências no comportamento humano teremos uma compreensão mais ampla dos sistemas de comunicação interna (representações, linguagem e manifestação) (...) e isso poderá ajudar a fazer as mudanças necessárias para alcançar os nossos objectivos, metas, desejos com maior facilidade”. Ou seja, a pensar melhor antes de agir e fazê-lo de acordo com os nossos objectivos. Durante os “workshops”, com um total de seis módulos, que começam na próxima segunda-feira e decorrem até Dezembro, serão abordados o compor-

tamento e a comunicação em diversas áreas. Se no primeiro módulo se começa por conhecer como funciona a mente humana e de que forma a relação estreita entre pensamento e fisiologia pode influenciar o nosso comportamento, no último já se toma consciência dos factores que impedem a auto-confiança e se aprende a contorná-los. A psicóloga portuguesa a residir em Macau começou a estudar esta disciplina em Hong Kong e depois na Califórnia, cidade em que surgiu a PNL há cerca de 30 anos, com “a intenção de ajudar de forma mais eficaz as pessoas” que a procuravam. Como o estudo desta disciplina “entra nos nossos músculos” e todo o “processo de aprendizagem é a reprodução e experimentação do próprio aluno”, Goreti Lima, através da sua própria experiência, percebeu que o conhecimento destas técnicas “dão liberdade para escolher” o estado emocional. A Programação Neuro-Linguística surgiu na Universidade de Califórnia,

quando John Grindler, professor de linguística e o seu aluno de psicologia Richard Bandler, começaram a analisar comportamentos e pensamentos de pessoas altamente bem sucedidas na área da psicologia e da comunicação, como Fritz Pearls, psiquiatra fundador da terapia de Gestalt ou Milton Erickson pai da hipnose. Posteriormente foram analisados outros comportamentos de excelência. Por exemplo, Roberts Dilts estudou aprofundadamente “génios” como Freud, Leonardo da Vinci, Gandhi, John Kennedy, para padronizar e reproduzir “como é que estes indivíduos fazem o que fazem e como é que realizam, produzem, e alcançam os resultados e quais os processos que utilizam”. Ao ter por base este modelo, a PNL “tem vindo a ampliar poderosos instrumentos e técnicas e a contribuir para o enriquecimento de comunicação eficiente e de mudanças no comportamento” para que se atinjam resultados específicos, reforçou a psicóloga. Ou seja, se observarmos uma pessoa bem

sucedida, que admiramos, e vermos a maneira como ela posiciona o corpo e como o utiliza durante a sua interacção, estivermos atentos às suas palavras e o uso que faz delas e adoptarmos e adicionarmos essas características ao nosso próprio ser, através da reprodução continuada, essas características vão tornar-se parte de nós, explicou. Nesta disciplina falamos na reprodução de comportamentos e não em “cópia”, porque segundo os estudos realizados, o ser humano é bombardeado com 2.000 bits de informação por segundo, mas só tem capacidade para processar 134. Como estes bits entram no nosso sistema “através dos cinco sentidos e vão passar por filtros internos até termos consciência da informação que assimilamos”, cada pessoa escolhe 134 bits de informação de uma maneira diferente. Mas é também o conhecimento deste processo, dos filtros, das influências, das interacções que vai permitir “gerir e agir com conhecimento de causa”. Isto é, em “vez de reagirmos a situações, temos a opção de agir e responder de forma adequada, ou pelo menos em conformidade com os nossos objectivos”, observou Goreti Lima, acrescentando que, pelo facto da aquisição destas técnicas proporcionar uma melhoria na vida das pessoas, o Governo de Hong Kong começou a reembolsar aos residentes parte do dinheiro gasto nestes cursos. Assim as técnicas desenvolvidas pela PNL podem ajudar, por exemplo, desde a gerir os nervos de uma apresentação, através da reprodução dos comportamentos de uma pessoa que é segura a desempenhar aquela tarefa, até resolver conflitos, através dessa capacidade de gerir e adaptar cada momento ao que desejamos, exemplificou. Os workshops terão lugar na Taipa e os pormenores dos conteúdos de cada módulo estão disponíveis “online”, no endereço http://goretilima.com.

Desfile de moda na Casa Garden A designer Ana Cardoso vai realizar o seu primeiro desfile de moda em Macau no próximo dia 12, pelas 18 horas, no exterior da Casa Garden. Organizado pela “Vereda das Artes - Design & Event Production”, com o patrocínio da Fundação Oriente, o programa do desfile “Macau Fusion-Fashion Performance by Anna Noir” vai contar ainda com a presença de Paulo Valentim, na guitarra portuguesa, e Wong Kin Wai, no piano chinês “GuZheng”. Natural de Macau, Ana Cardoso é licenciada em Design de Moda pela Faculdade de Arquitectura – Universidade Técnica de Lisboa. Em 2010 obteve um mestrado em Design de Moda, pela mesma faculdade. Ana realizou vários desfiles em Lisboa e no Porto, participou nos bastidores da Moda Lisboa e trabalhou no atelier do Designer Nuno Baltazar. Em finais de 2010, regressou a Macau, onde trabalhou para a “Lines Lab”, atelier de Design de Moda da Clara Brito, participou na exposição “Signature” organizado pela Macau Creative com uma instalação de Moda, e foi assistente de moda no desfile “In Praise of White Dream” de Venessa Cheah. Ana Cardoso é professora de Moda e Desenho no Centro de Produtividade e de Transferência de Tecnologia. jornal tribuna de macau sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 pág 13


SLATER GANHA 11º TÍTULO MUNDIAL. O surfista norte-americano Kelly Slater, de 39 anos, venceu pela 11ª vez o título Mundial, ao garantir pelo menos o nono lugar no Rip Curl Pro Search, em São Francisco, da 10ª e penúltima etapa do Circuito Mundial ASP.

desporto

CHELSEA QUER LEWANDOWSKI. O Chelsea está muito perto de assegurar a contratação de Robert Lewandowski, avançado do Borussia Dortmund. O agente do polaco de 23 anos confirmou que o clube orientado por André Villas Boas quer garantir a contratação do jogador na reabertura do mercado.

BASILEIA TRAVOU BENFICA NA “CHAMPIONS”

Real Madrid com nota 100 Cristiano Ronaldo bisou frente ao Lyon e passou a somar uma centena de golos com a camisola do Real Madrid, que garantiu presença nos “oitavos” da Liga dos Campeões com 100% de aproveitamento. Já o Benfica cedeu um empate frente ao Basileia e foi ultrapassado pelo Manchester United

C

ristiano Ronaldo voltou a ter “nota mais”, ao apontar os dois golos do Real Madrid em Lyon, atingindo oficialmente o 100º golo pelos “merengues”, em 105 partidas, apesar de ontem ter prontamente afirmado “são 101”, aludindo ao golo atribuído a Pepe na temporada passada, em que um remate seu foi ligeiramente desviado pelo seu companheiro na selecção portuguesa. Os dois golos de Cristiano Ronaldo foram assinados aos 24 e 69, este de grande penalidade, e mantiveram o Real Madrid na liderança do grupo D, com 12 pontos e só com vitórias. Atrás do Real Madrid está o Ajax com sete pontos, depois de golear por 4-0 o Dinamo de Zagreb. O Lyon tem quatro pontos e ainda luta pelo apuramento, enquanto que os croatas já estão virtualmente eliminados da “Champions”. O Benfica causou a maior surpresa na Liga dos Campeões de futebol, ce-

Golos de Cristiano Ronaldo voltaram a ser decisivos

dendo um empate na Luz ao Basileia, que adia o apuramento no grupo C da prova para uma das últimas jornadas da fase de grupos. O vice-campeão português dominou o jogo, sobretudo no primeiro tempo, mas não foi além da marcação de um golo, através de Rodrigo, aos quatro minutos de jogo. O Basileia, que começou por arriscar muito pouco em Lisboa, chegaria ao empate por Huggel,

aos 64 minutos - um resultado que deixou o clube suíço ainda na corrida para o apuramento, se bem que dependendo dos resultados de terceiros. Em Old Trafford, o Manchester United, com Nani a titular, bateu o Otelul Galati por 2-0 - golos de Valencia e Sarghi, este na prória baliza - e lidera agora o grupo com oito pontos, tal como o Benfica (que tem pior diferença de golos), seguindo-se o Basileia com cinco e

o Otelul Galati, ainda sem pontos. No grupo A, o Bayern chegou aos 3-0 ante o Nápoles, mas sofreu para sair de campo com uma vitória por 3-2. No entanto, os três pontos permitem aos bávaros somar já 10 e ficar a somente um ponto de garantir a passagem. O Manchester City foi a Villarreal ganhar por 3-0 e relança-se na luta pelo apuramento, disputando uma das vagas com os napolitanos e os germânicos. O Bayern tem 10 pontos, contra sete do City e cinco do Nápoles, enquanto o Villarreal ainda não pontuou. Na próxima ronda, o Nápoles-City pode ser decisivo. No grupo B, ainda ninguém está apurado, mas o Inter deu um passo decisivo nesse sentido, ao ganhar por 2-1 ao Lille. Soma agora nove pontos e basta-lhe um empate num dos jogos que ainda tem, contra CSKA ou Trabzonspor. Em Trabzon, os dois clubes empataram sem golos e estão igualmente juntos na classificação, com cinco pontos. Se o Inter perder os dois jogos e ambos ganharem os compromissos que faltam, até podem passar os dois. Das contas do apuramento nem sequer está de fora o Lille, com os seus dois pontos. Recebe o Trabzonspor e vai a Moscovo, bastando-lhe duas vitórias, tangenciais que sejam, para o apuramento.

4 de Novembro de 2011

Aviso Tendo por objectivo de melhorar a qualidade do serviço da rede móvel, a CTM irá efectuar a actualização da rede no dia 5 de Novembro de 2011 das 02h00 às 05h00. Durante o referido período, alguns utilizadores poderão ter o seu serviço de banda larga móvel eventualmente interrompido permanecendo em normal funcionamento os serviços de móvel. Caso se verifique falhas na cobertura móvel durante o período de actualização, a CTM sugere aos seus utilizadores que desliguem e liguem novamente o seu aparelho móvel permitindo assim a conexão à rede móvel da CTM. Para informações detalhadas queira por gentileza de contactar a Linha de Serviço da CTM: 1000. Agradecemos a atenção dispensada e apresentamos as nossas desculpas por qualquer inconveniente que venha porventura a causar. Companhia de Telecomunicações de Macau, S.A.R.L.

pág 14 sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 jornal tribuna de macau


SISMOS MATARAM 780 mil NUMA DÉCADA. Os terramotos mataram mais de 780 mil pessoas na década passada, o que corresponde a quase 60% de todos os óbitos relacionados com essas catástrofes, segundo um estudo que será publicado na edição de hoje da revista científica The Lancet.

actual

volta ao MUND

PAPANDREOU NEGOCEIA COM A OPOSIÇÃO

Grécia pode deixar cair referendo Georgios Papandreou afirmou-se ontem pronto a retirar o seu projecto de referendo sobre o Euro, a fim de garantir o plano de salvamento europeu da Grécia

O

Primeiro-Ministro grego, Georgios Papandreou, caiu em si e reconheceu que não é possível realizar um referendo, à medida que a saída do país da zona euro coloca em perigo o futuro do país. “Mesmo que não vamos para um referendo, que nunca foi um fim em si mesmo (…) saúdo a posição do partido da oposição da direita” que se disse pronto a ratificar no parlamento o acordo de 27 de Outubro da Zona Euro, indicou Papandreou ao conselho de ministros, citado por um comunicado. Anteriormente, uma fonte do gabinete do PrimeiroMinistro tinha indicado que a proposta de realizar um referendo sobre o novo plano de assistência internacional à Grécia poderia ser abandonada, se fosse alcançado um acordo entre o Governo grego e o Nova Democracia [o principal partido da oposição conservadora], para resolver a crise política do país. Um membro veterano do Pasok, Kostas Yeitonas, explicou a uma estação de televisão grega que ontem aconteceram duas coisas muito importantes na Grécia: “Papandreou recuou e disse que não vai realizar o referendo, e Antonis Samaras [líder da oposição] acordou em apoiar o pacote de resgate, o que é algo muito bom para nós no parlamento. Também ele, recuou e deu um passo atrás”. Samaras tinha condenado anteriormente o resgate para Grécia, e disse que este “condenava a Grécia a uma maior recessão”. Ontem, Papandreou convocou uma reunião de emergência do Governo, na sequência de críticas de ministros contra o referendo ao resgate internacional da Grécia. O anúncio do gabinete de Papandreou surgiu pouco depois do ministro grego do Desenvolvimento ter pedido para que o plano de resgate seja rapidamente aprovado pelo Parlamento, opondo-se à realização do referendo ao acordo europeu. “O que se impõe é a ratificação pelo Parlamento do acordo [europeu] que tire a Grécia do impasse”, declarou Michalis Chryssohoïdis,

de acordo com as televisões. O membro do Governo de Papandreou juntou assim a sua voz ao homólogo das Finanças, Evangélos Vénizélos, opondo-se ao referendo na véspera da votação de uma moção de confiança ao Governo crucial, no parlamento grego, onde o apoio ao Executivo é cada vez menor. Esta conquista “não pode ser colocada em causa e não pode depender de um referendo”, argumentou Vénizélos através de um comunicado, citado pela AFP e difundido após o encontro de Papandréou, com os líderes europeus e representantes do Fundo Monetário Internacional, em Cannes, reunidos para a cimeira do G20. Também a deputada do Partido Socialista da Grécia (Pasok), Eva Kaili, pediu a Papandreou para reverter a sua decisão de convocar um referendo, o que fragiliza a posição do Primeiro-Ministro num Parlamento onde os socialistas detêm a maioria. GOVERNO DE TRANSIÇÃO. Entretanto, o Executivo grego disse estar preparado para discutir uma proposta da oposição para constituir um governo de transição que aprove a sexta tranche de ajuda financeira e garanta um novo resgate do país, disse um porta-voz do executivo. Ilias Mossialos afirmou que o Governo “está pronto para uma discussão séria” sobre a proposta da oposição conservadora. O líder da oposição Antonis Samaras tinha apelado à constituição de um governo de gestão para gerir a crise política provocada pela decisão de Papandreou de avançar com um referendo. Esta administração de transição não seria constituída por elementos de partidos políticos.

Crise grega abala bancos portugueses Os quatro grandes bancos privados portugueses estão a pagar uma factura elevada com a crise da dívida soberana. Segundo o Diário de Notícias, o BCP foi de todos o que obteve menos lucros nos primeiros nove meses do ano, em parte devido à sua exposição à dívida grega. O BCP viu os seus resultados caírem 73%. As quatro maiores instituições nacionais tiveram perdas de 68% e cada vez dão menos crédito.

Israel cancela verbas para Unesco O Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou ontem o congelamento das contribuições do seu país para a UNESCO, em resposta à admissão da Palestina como estado membro de pleno direito na organização. O apoio israelita ascendia a dois milhões de dólares. A nota acrescenta que a medida responde “à decisão da organização de admitir a Autoridade Palestiniana”, em referência à votação da segunda-feira passada na qual os palestinianos foram admitidos como estado de pleno direito. Tal como Israel, os EUA votaram contra a admissão palestiniana, e no mesmo dia eliminaram os fundos que entregariam à organização, neste caso uma quantia superior a 60 milhões dos 80 milhões que destina anualmente.

Obama, o mais poderoso do mundo O Presidente dos EUA é a pessoa mais poderosa do mundo, segundo o ranking anual da revista “Forbes”. Na lista, Barack Obama surge à frente do Primeiro-Ministro da Rússia, Vladimir Putin, do Presidente chinês Hu Jintao e da chanceler alemã, Angela Merkel. Outros nomes que figuram entre os dez mais poderosos deste ano são Bill Gates, fundador da Microsoft, o Papa Bento XVI e o jovem empresário Mark Zuckerberg, um dos fundadores do facebook. A lista das 70 pessoas mais poderosas do mundo da publicação “Forbes” inclui personalidades do mundo político, empresarial, desportivo e artístico.

China reduz investimento no Brasil A China reduziu em 25% os seus investimentos directos no Brasil entre Janeiro e Setembro deste ano, segundo dados do Banco Central brasileiro. Segundo o site de notícias G1, a China fez investimentos directos no Brasil no valor de 333 milhões de dólares entre Janeiro e Setembro, um montante inferior em 25% ao registado no mesmo período de 2010, quando investiu 444 milhões de dólares. Entre os motivos apontados por especialistas para a diminuição do volume investido pela China este ano estão as medidas proteccionistas que estão a ser adoptadas pelo Governo brasileiro, como as taxas sobre a importação de calçados chineses e sobre os automóveis, para proteger a indústria local. O agravamento da crise europeia, que faz o investidor avaliar os seus planos de negócios, também é um dos motivos apontados.

Estado fica nos bancos até cinco anos PORTUGAL

Polícias querem penas agravadas O presidente do Sindicato Nacional de Polícia (Sinapol) defendeu ontem a necessidade de aumentar os salários dos polícias e as penas de quem os agride como forma de motivar as forças de segurança contra a crescente criminalidade em Portugal

O

Governo tem que verificar que o fenómeno da agressão aos polícias tem que ter uma alteração da moldura penal e que as condições e vencimentos da Polícia de Segurança Pública não devem ser reduzidos, mas sim aumentados”, afirmou à Lusa Armando Ferreira. O apelo torna-se ainda mais urgente face a várias notícias de polícias feridos e agredidos, como a que

aconteceu na madrugada de ontem em Matosinhos, sublinhou, referindo-se a um agente que foi baleado e sofreu ferimentos múltiplos quando surpreendeu assaltantes de uma loja de bicicletas. “Acho lamentável que continue a haver todos os dias polícias feridos e que o Estado português não verifique que, ao cortar subsídios, ao não reposicionar [os vencimentos] dos polícias, só está a agravar a situação”, alegou. Para Armando Ferreira, é preciso que a polícia esteja “bem preparada, bem financiada e com moral elevada” para que possa combater “com toda a eficácia” o aumento esperado da criminalidade em 2012. Sublinhando que já nem pede a criação do subsídio de risco – “porque é uma promessa tão antiga que vai ser eterna” -, o presidente do

Sinapol alertou contra os cortes já planeados. “Por exemplo, está previsto que, em 2012, o suplemento de serviço em forças de segurança que é o subsídio principal e faz com que os ordenados dos polícias não sejam tão miseráveis - seja aumentado de 18% do vencimento (e recordo que o vencimento de um polícia em início de carreira é de 751 euros) para 20%. Contudo, o Governo já decidiu e comunicou aos sindicatos que não”, disse, acrescentando que também o subsídio da unidade especial de polícia “está para ser cortado”, uma situação que o sindicalista considera dever ser analisada com cuidado “numa altura em que a criminalidade e a revolta em Portugal vão agudizar-se”. “Depois, directa ou indirectamente, esses cortes têm um resultado na segurança”, concluiu.

jornal tribuna de macau sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 pág 15

A presença do Estado português no capital dos bancos que recorram ao fundo de capitalização de 12 mil milhões de euros durará no máximo cinco anos, aprovou o Governo, que defende que este seja o último recurso das instituições para se capitalizarem. O Conselho de Ministros aprovou “uma proposta de lei que estabelece medidas de reforço da solidez financeira das instituições de crédito no âmbito da iniciativa para o reforço da estabilidade financeira e da disponibilização de liquidez nos mercados financeiros”, lê-se no comunicado deste órgão. O comunicado afirma, ainda assim, que a decisão dos bancos recorrerem à linha de capitalização pública para aumentarem os fundos próprios deve ser o último recurso.

Berlusconi em “queda livre” As quotas de popularidade do Primeiro-Ministro e do Governo italiano continuam em queda livre, enquanto a esquerda apresenta uma vantagem de 10 pontos percentuais face à direita, indicou uma sondagem ontem publicada. Silvio Berlusconi atingiu um novo mínimo de 22% de inquiridos que afirmam ter “muita” ou “bastante” confiança no líder do Executivo, contra 24% em Setembro.


Dito

(....) “Já conheço a desculpa de que não há tradutores suficientes. E também já conheço as ferramentas disponíveis na Internet para fazer traduções instantâneas – geralmente de qualquer língua para o português com sotaque brasileiro, o que é compreensível...” (...) Pu Yi in “Hoje Macau”

opinião

Há 20 anos In “Jornal de Macau” e “Tribuna de Macau” 04/11/1991

FESTIVAL DE MÚSICA ENCERROU EM BELEZA Um público entusiasta encheu ontem a vasta sala em que foi transformado o Forum, encerrando assim em beleza o V Festival de Música que terá sido o mais participado, em termos de assistência. A orquestra sinfónica e o coro da Radiodifusão da China, dirigidos por uma maestrina, deram ontem um contributo importante para o êxito do concerto dedicado à ópera e que contou com a actuação de todas as grandes vozes trazidas a este festival: Leila Cuberli (soprano), Liliana Bizineche (mezzo-soprano), Julius Best (tenor) e Ferrucio Furlanetto (barítono). Todos receberam prolongadas ovações pelas suas interpretações de conhecidas árias de óperas, com repetidas chamadas ao palco, num ambiente de entusiasmo que contagiou os próprios artistas e levaria a orquestra e coro a interpretar ainda duas peças extra-programa. EMBAIXADORES NA ÁSIA REUNIRAM-SE EM MACAU A promoção cultural de Macau na Ásia e o apoio aos serviços culturais das embaixadas portuguesas na região foi um dos objectivos da reunião entre o Governador e os embaixadores no Japão, Tailândia e China. Os embaixadores em Tóquio, Melo Gouveia, em Pequim, José Vilas-Boas e em Banguecoque, Sebastião Castelo Branco, que se deslocaram ao território para assistir ao V Festival Internacional de Música, debateram com Rocha Vieira questões de promoção turística, captação de investimentos e divulgação de oportunidades de negócio em Macau através das representações diplomáticas.

mami na cozinha

Comida rápida C

omida não é prémio nem castigo, por isso sempre que vejo comportamentos efusivos relativamente aquela casa de comida com a 13ª letra do alfabeto, fico de pele arrepiada. E infelizmente vejo-o mais frequentemente do que desejaria. O fenómeno do Ronaldo e afins, chega a provocar alguma crispação celular, pois revela a maior hipocrisia da nossa sociedade: criámos, desenvolvemos, e (ainda por cima) fomentamos, aquilo que comprovadamente leva à maior corrupção da saúde e do bem-estar dos dias de hoje – o fast food. Chamam-lhe fast food porque se come rapidamente, sem perder segundos preciosos desta nossa vida agitada. Mas é fast também porque nos aproxima rapidamente do fim da linha. Se duvida das minhas palavras, veja o filme – SUPER SIZE ME, em que o protagonista demonstra o que acontece ao nosso corpo, de forma rápida e exponencial, quando nos alimentamos desta matéria plástica de consumo rápido. E, quando digo matéria plástica, quero dize-lo de forma literal mesmo. Conheço também outra experiencia em se tentou “conservar”, tanto os alimentos que estão na origem destes produtos, como os que nos são servidos nestes “restaurantes/ espaços berrantes e coloridos”… Ou seja, de um lado batata frita a sério; do outro lado batata frita proveniente do dito local. Por incrível que pareça a batata real apodreceu, seguindo o seu processo natural, e as outras “emplastificaram”, ou seja, transformaram-se numa matéria borrachona sem ponta de deterioração natural. Estranho, não? Portanto, na próxima vez que tiver a tentação de compensar os pequenos, por uma boa conduta ou ocasião festiva, escolhendo este lugar de perdição nutricional, pense duas vezes… É que eu não fico chocada que se entre neste antro de gordura e bebidas borbulhantes… às vezes tem mesmo que ser… e até, como já aqui referi, proibir é o pior caminho para a formação de hábitos saudáveis. Mas, se tiver

TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE ANÚNCIO

Execução Sumária de Sentença nº PC1-11-0042-COP-A Juízo de Pequenas Causas Cíveis Exequente: BANCO NACIONAL ULTRAMARINO, S.A., com sede em Macau, na Avenida Almeida Ribeiro, n.º 22. Executado: 盧振業 Lu CHAN Ip, residente em 澳門東北大馬路保利達花園第6座 25樓AV. Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos do executado para, no prazo de quinze dias, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto dos bens penhorados sobre que tenham garantia real e que são os seguintes: Bens penhorados Dinheiro I Saldo: MOP18,35 (Dezoito patacas e trinta e cinco avos), que se encontra depositado actualmente no Banco Industrial e Comercial da China (Macau), S.A., à ordem dos presentes autos. II Saldo: HKD2,91 (Dois Hong Kong dólares e noventa e um centavos), e MOP183,50 (Cento e oitenta e três patacas e cinquenta avos), que se encontram depositados actualmente no Banco Comercial de Macau, S.A., à ordem dos presentes autos. III Saldo: MOP122,09 (Cento e vinte e duas patacas e nove avos), e HKD12.555,45 (Doze mil, quinhentas e cinquenta e cinco Hong Kong dólares e quarente e cinco centavos), que se encontram depositados actualmente no Bank of China, Limited, à ordem dos presentes autos. IV Saldo: MOP6.107,36 (Seis mil, cento e sete patacas e trinta e seis avos), que se encontra depositado actualmente no Banco Nacional Ultramarino, S.A., à ordem dos presentes autos. Para constar se lavrou este e outros de igual teor, que serão fixados nos lugares designados pela Lei. R.A.E.M., aos 12 de Outubro de 2011.

pág 16 sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 jornal tribuna de macau

TORTILHA DE VEGETAIS E LINGUIÇA

Use: ½ cebola picada, 2 colheres de sopa de azeite, 1 linguiça mini às rodelas, 1 ramo de brócolos, 1 batata e 1 cenoura cozida picadas grosseiramente, 3 ovos, 1 dl de leite, sal, pimenta, noz-moscada, ervas aromáticas a gosto. Refogue a cebola, junte a linguiça e de seguida os legumes. Refogue ligeiramente. Bata os ovos com o leite e os temperos, verta por cima dos legumes. Deixe alourar a base e leve a frigideira ao forno para cozer a superfície. * Colaboradora. Escreve neste espaço às sextas-feiras.

TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE Juízo Cível ANÚNCIO

Processo: Execução Ordinária nº CV3-07-0065-CEO 3° Juízo Cível

Exequente: BANK OF CHINA LlMITED, com sede em Pequim e sucursal em Macau, na Avenida Dr. Mário Soares, n.º 323; Executado: NG, HON LEUNG, também usa como romanização NG, HON LEONG, com domicílio profissional em Hong Kong, Room 1709, 17/F, Office Tower, Convention Plaza, 1 Harbour Road, Wanchai; Faz-se saber que, nos autos acima indicados, são citados os credores desconhecidos do executado para, no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de VINTE DIAS, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamarem o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real, e que é o seguinte: BEM PENHORADO Fracção autónoma designada por: “AR/C”, do rés-do-chão “A”, para comércio, com sobreloja, com entrada pelo n.º 7-A da Rua do Volong, do prédio sito em Macau, com os n.ºs 7 a 7-A da Rua do Volong, inscrito na matriz predial sob o artigo nº 03208, descrito na Conservatória de Registo Predial sob o nº 8948 do Livro B25, fls. 289, com o regime da propriedade horizontal inscrito sob o n.º 22897 do livro F19 e inscrita em nome do executado sob o n.º 116409 do livro, GM 117. Macau, 14 de Outubro de 2011.

Autos de Curadoria dos Bens do Impossibilitado nº CV2-10-0208-CPE 2° Juízo Cível Requerente: Ministério Público. Requerido: KAM KAM IEONG, solteiro, impossibilitado, nascido em 07/06/1980 na China interior, filho de Kam Chi Pang e de Leong Im Im, residente em Macau, na Avenida 1º de Maio, Edf. U Wa, Bloco 11, 7º andar E. Curadora: LEONG IM IM, casada, mãe do requerido, nascida em 10/05/1953, residente em Macau, na Avenida 1º de Maio, Edf. U Wa, Bloco 11, 7º andar E Faz-se saber que pelo 2° Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M. correm éditos de trinta (30) dias, contados da segunda e última publicação do respectivo anúncio, dando publicidade à sentença proferida em 27 de Setembro de 2011, nos autos supra identificados, que julgou provada e procedente constituído o regime da curadoria dos bens ao requerido KAM KAM IEONG e, em consequência, foi nomeada a LEONG IM IM como curadora do mesmo, nos termos do disposto nos art°s. 89° e 91° do Código Civil de Macau e art° 1212° do Código de Processo Civil de Macau. Macau, 20 de Outubro de 2011. O Juiz, Jerónimo Alberto Gonçalves Santos O Escrivã Judicial Auxiliar, Cheong Lai Lam

A Juiz, a) Ip Sio Fan O Escrivão Judicial Principal, a) Aníbal Gonçalves

O Juiz, Chan Chi Weng A Escrivã Judicial Auxiliar, Lei Veng Si

“JTM” - 4 de Novembro de 2011

que ser, que você já não se lembre sequer da última vez que lá esteve, e que, sobretudo, não faça da ocasião uma festa; mantenha um ar sisudo e enfadado que transmita claramente a ideia: desculpem meus queridos, mas hoje temos que comer esta porcaria... Se quiser mesmo uma comida rápida, rapidamente, experimente preparar uma tortilha:

TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE Juízo Cível ANÚNCIO

Juízo de Pequenas Causas Cíveis

2ª Vez

Manuela Nunes *

2ª Vez

“JTM” - 4 de Novembro de 2011

2ª Vez

“JTM” - 4 de Novembro de 2011


(...) “Para começar um “novo ciclo”, é preciso fechar o anterior. O que os portugueses exigem, mais do que o milagroso aparecimento de um “novo PS”, é simplesmente isto: um PS responsável” (...) - Manuel Maria Carrilho

opinião

tribuna

(...) “Hoje sabemos que foi um erro entrarmos no euro a correr. Mas sairmos dele a correr seria igualmente precipitado. Já gastámos o dinheiro que não tínhamos, não desperdicemos o tempo que nos resta” (...) - André Macedo

Manuel Maria Carrilho

Opções inadiáveis T

antas dúvidas, porquê? Se a aprovação do Orçamento do Estado para 2012 está garantida pela maioria parlamentar PSD/CDS, porque é que o sentido de voto do PS é importante? A razão é simples, e resume-se numa palavra: Responsabilidade. Não tanto a responsabilidade pela assinatura do Memorando com a troika, mas a responsabilidade pelas opções que o tornaram incontornável e inegociável para Portugal. A prolongada negação da crise e das suas consequências, em 2008, e a total desvalorização do endividamento do País e dos seus efeitos, em 2009 e 2010, fizeram o País perder tempo precioso. Foram erros nacionais, que a crise internacional não explica. E os portugueses não esquecerão tão cedo estas opções - nem o líder que as tomou, nem o Partido em nome do qual governava. Não há como contornar ou relativizar esta questão. Ela exige um sério exame de consciência e uma tão humilde como clara assunção de responsabilidades perante o País. Como já dizia Montaigne, a in-

tegridade é a capacidade de se assumir a responsabilidade pelos actos. E a responsabilidade, por sua vez, é o vínculo que liga a nossa palavra e os nossos actos, bem como as nossas opções e as suas consequências. Sem responsabilidade não há integridade e, sem esta, a credibilidade esfuma-se. Sabe-se bem que não há futuro para quem foge do seu passado. E que o ressentimento tanto bloqueia a lucidez como distorce a ética. Mais do que apontar o dedo a quem quer que seja, para dentro ou para fora (deixemos isso para a História), o que é hoje vital para o PS é um gesto de desassombrada integridade política e ética, que abra caminho a uma (certamente longa e difícil) reconquista da credibilidade perdida. Sem este gesto, o PS continuará indefinidamente na posição em que o deixaram: encurralado. Para começar um “novo ciclo”, é preciso fechar o anterior. O que os portugueses exigem, mais do que o milagroso aparecimento de um “novo PS”, é simplesmente isto: um PS responsável. E a votação do Orçamento é (pense-se o que se pensar deste Orçamento) o momento ideal para fazer esse gesto, que

tribuna

só pode ser o da abstenção. O voto a favor daria uma incompreensível caução a Passos Coelho, que infelizmente preferiu o fanatismo ultraliberal à “legislatura patriótica” que se impunha nesta fase da vida nacional. O voto contra seria visto pelo País como uma fuga ao mais elementar sentido de responsabilidade (e, além disso, deixaria o novo secretário-geral do PS refém de um previsível e interminável folhetim de baixa política...). O País precisa de um PS credível, capaz de fazer uma oposição que se anuncia tão espinhosa como imperativa, e capaz de olhar para o futuro de um modo construtivo, propositivo e criativo. Atento ao presente, inquieto com o futuro, mas em paz com o passado. O lance de Papandreou A tensão entre as exigências da democracia e a construção europeia é um dado de partida do projecto europeu, que teve - no que isso pode ter de melhor e de pior - uma génese inequivocamente elitista. Também aqui se apostou que, com o tempo, essa tensão se atenuaria, mas nada se fez realmente por isso. A cri-

André Macedo

O Belmiro sou eu á perguntas tão simples, tão simples que H só conseguem respostas complicadas. Sabe qual é a vantagem de Portugal fazer

parte do euro? Não foi apenas a agilização das trocas comerciais e nem sequer a maior proximidade com um mercado de 320 milhões de pessoas. Tudo isso é verdade, mas a resposta à pergunta - o que ganhou Portugal ao aderir ao euro? - é a seguinte: passámos a ter juros tão baratos como os alemães. Saiunos a sorte grande sem termos acertado no número. Em certo sentido, era como se eu tivesse passado a ser o Belmiro de Azevedo - não tinha o que ele tem, mas tinha acesso a juros tão baixos como ele. Essa bizantinice acabou e, portanto, hoje somos confrontados com a pergunta impossível: faz sentido continuarmos no euro se já não conseguimos pedir dinheiro emprestado a um preço parecido ao da maioria dos nossos parceiros? Faz sentido insistirmos na moeda única se ela dificulta as exportações (encarece os produtos) e trava o crescimento de uma economia à procura de vocação? Ora bem, para sairmos do euro com o menor custo possível só haveria uma saída: os credores de Portugal aceitarem um perdão substancial da dívida pública e, talvez, atribuírem um prémio de saída. Uma coisa do género: como nos vamos ver livres de vocês, gastadores compulsivos, além de perdoarmos parte da dívida, ainda vos ajudamos financeiramente na transição para que o ajus-

tamento seja menos sangrento - sendo que seria sempre de uma dureza inquantificável, apesar de continuarmos na União Europeia. O debate, pelos vistos, acaba de ser lançado pela Grécia. Ainda bem que Portugal não está confrontado com esta decisão radical. Há um factor que não deve em caso algum ser desprezado: o tempo. Hoje, os alemães não estão dispostos a passar mais cheques. Mas se acreditam no euro é inevitável que surja um compromisso. Qual? Obrigações europeias que cubram parte da dívida pública de cada Estado (30%?), o que, não resolvendo tudo - a dívida acima deste valor seria negociada nos mercados -, resolveria parte do problema. Haveria responsabilização para quem se endivida, mas também solidariedade entre os mais ricos e os mais pobres. No entanto, para chegarmos aqui há condições obrigatórias. Os países endividados têm de cumprir um plano de austeridade penoso (o que não significa cego) e terão de ceder soberania. Estas condições precisam de ser absorvidas pelas pessoas, negociadas pelos políticos e concretizadas nos tratados. Precisam de fazer caminho. Hoje sabemos que foi um erro entrarmos no euro a correr. Mas sairmos dele a correr seria igualmente precipitado. Já gastámos o dinheiro que não tínhamos, não desperdicemos o tempo que nos resta. Mais do que nunca, tempo é dinheiro. Aproveitemo-lo. JTM/DN

se do euro mostrou bem, nos últimos dois anos, as proporções que tomou a arrogância burocrática europeia e a desvalorização, às vezes até ao irrisório, do imperativo democrático. Cansado de cimeiras inúteis, empurrado até à beira do abismo, G. Papandreou lembrou-se do exemplo de Sólon, o fundador da democracia, e decidiu ouvir o povo grego em referendo, sobre o seu destino. Dada a extrema gravidade da situação e das suas implicações, quem melhor se podia pronunciar? Ao fazê-lo, não só alterou todos os dados da situação (abrindo caminho a imprevistos de todo o género, é certo), mas também alargou o campo das possibilidades políticas. E colocou na mesa a questão central que tem sido tabu em toda esta crise, e que é simplesmente a de saber o que pensam os povos do transe austeritário que atravessa a Europa. Todos os dias somos bombardeados, de hora em hora, com informação sobre o que “pensam” os mercados. Se calhar está na hora - na Grécia mas não só - de saber o que pensam os povos! JTM/DN

um ponto é tudo

Ferreira Fernandes

Não há como fugir aos gregos á aqui falei de Herman Jempresa Cain, antigo patrão de uma de fast food com

o nome extraordinário de Godfather’s Pizza (Pizas do Padrinho) que, com sucesso, está a reconverter-se na política americana. Então, era porque as sondagens o davam como o mais popular dos pré-candidatos republicanos, o que a confirmar-se anunciava um curioso confronto para as presidenciais de 2012 entre dois negros, Obama e Cain. Volto ao personagem porque ele se mantém no topo das preferências dos conservadores, já há um mês, e porque o desconhecido se revelou um tipo esquisito. Cain gosta de oxímoros - vocês sabem, a figura de estilo que junta duas ideias diferentes. Negro e conservador, já ele é todo um oxímoro, mas é por aí, pelo paradoxo, que também ele faz campanha.

Há dias, um vídeo seu fez rir a América bem pensante. O seu chefe de campanha, Mark Block, apareceu a fazer propaganda em contrapropaganda: sem maquilhagem, com má iluminação e com bigode tingido pelo tabaco. No fim desse vídeo de publicidade (?) Block sacou do cigarro, deu um trago e atirou o fumo aos telespectadores. Mais politicamente incorrecto não se podia ser, não é? Pois, mas na semana seguinte a campanha de Herman Cain recebeu mais dinheiro do que nos três meses anteriores... - o povo gostou. Eu sei que só devia escrever sobre assuntos domésticos - dívida grega, referendo grego, Papandreou... A minha desculpa é que estou em casa: oxímoro é um palavrão de origem grega. JTM/DN

jornal tribuna de macau sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 pág 17


“LAN FA” ABERTO HÁ SEIS MESES NA RUA NOVA À GUIA

Comida tailandesa num ambiente acolhedor fátima almeida

Restaurante “LAN FA”

Rua Nova à Guia nº 138 r/c Aberto diariamente (tirando por vezes um dia de folga por semana) entre as 12h e as 15h e as 18h e 23h Telefone: 28354356

O restaurante “Lan Fan” serve pratos típicos da Tailândia num espaço pensado ao pormenor. Ao almoço é possível provar as iguarias por 38 patacas e até desfrutar de um pequeno recanto com vista para o céu

D

esde a entrada, com fotografias que contam a História de um reinado, até aos mais ínfimos pormenores nas mesas, o restaurante “Lan Fa” acolhe os clientes numa atmosfera característica da Tailândia. Aberto há seis meses, na rua Nova à Guia, parece escondido entre os diversos prédios de cimento, mas se o olhar percorrer a rua com atenção logo dará conta da sua fachada em madeira branca trabalhada e com algumas orquídeas suspensas. O espaço pertence a Orapan Rundech e ao marido desde o tempo em que forneciam produtos tailandeses para Macau, mas a ideia de abrir um restaurante só surgiu depois de virem viver para o território com a família, há quatro anos. “O meu marido disse-me: temos o nosso espaço, porque não o decoramos? Então, há dois anos trouxemos algumas ornamentações da Tailândia para criar um ambiente tailandês”, contou ao JTM Orapan Rundech, acrescentando que estiveram também à espera das quotas para conseguir trazer os chefes da Tailândia. Até agora são dois os cozinheiros que brindam os clientes com as iguarias características da Tailândia, mas o restaurante espera outro chefe, que ainda

pág 18 sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 jornal tribuna de macau

não chegou por causa das cheias que têm assolado aquele país. Quando a cozinha contar com mais um elemento, o restaurante ficará aberto todos os dias, até porque os clientes não param de entrar num espaço acolhedor que ainda disponibiliza uma pequena sala com vista para o céu a grupos de seis pessoas. “Há clientes que nos perguntam se é preciso pagar alguma taxa extra para ocupar o espaço, mas claro que não, se forem seis pessoas po-

dem usufruir do espaço”, refere enquanto a água cai de uma espécie de cascata dentro daquela sala. Ao almoço os clientes encontram sopa, bebida (chá vermelho da Tailândia ou de Crisântemo) e oito pratos à escolha, como carne de porco picada com arroz e ovo estrelado ou arroz de caril ao estilo tailandês, por 38 patacas. Todos os dias entre as 12.00 e as 15.00 está disponível este “set lunch”. Já a carta apresenta os mais diversos pratos, entradas e sobremesas. Há por exemplo arroz de ananás (68 patacas), cozinhado com caril e camarões, espetadas de porco para a entrada (58 patacas), ou peixes e outras espécies de carnes trabalhadas com os sabores tailandeses. No restaurante as mesas são muitas vezes um cordão de amizade. Dia após dia um amigo puxa outro e todos acabam por experimentar os pratos do “Lan Fa”, acenando com a cabeça que é para repetir. “Tinha vindo cá antes com um amigo, porque me disse que a comida é boa”, referiu Vicent Tang que naquele dia deu a conhecer o espaço a outra colega. “Ele fez a escolha certa. Gosto da comida e da decoração e daquele espaço aberto para estar com amigos. Acho que vamos voltar e trazer mais amigos”, disse Natalie Chin.


HBO 19:30

The Last Samurai tdm 13:00 13:30 14:30 18:30 19:00 19:30 20:35 21:00 21:30 22:15 23:00 23:30 23:45 02:05 02:30

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO That 70’s Show TDM Talk Show (Repetição) Amanhecer Telejornal Ásia Global Desperate Housewives Passione TDM News Resumo Liga Europa Sling Blade Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

(LIVE) Wgc - HSBC Champions 2011 Day 2 Stihl Timbersports Series Atlantic Coast Conference Football Florida State vs Boston College (LIVE) Sportscenter Asia Football Asia 2011/12 Global Football 2011 Winter X Games Sportscenter Asia Wgc - HSBC Champions 2011 Day 2

31 Star Sports 13:00 13:30 14:30 15:30 16:30 17:30 21:30 22:00 23:00 23:30

13:45 15:30 17:20 19:20 21:05 22:55

Did Last Summer All About Steve Treasure Guards The Net The Crazies The Walking Dead Avatar

41 HBO 13:00 14:40 16:10 18:00 19:30 22:00 23:50

The Running Man Wayne’S World Trading Places Joe Dirt The Last Samurai Cirque Du Freak The Other Guys

42 Cinemax

30 ESPN 11:00 16:00 16:30 19:30 20:00 20:30 21:00 22:00 22:30

Roteiro

Rebel TV Series Rolex FEI World Cup Jumping 2011/12 Alpe D’huez Triathlon London Triathlon Hot Water 2011/12 (LIVE) Commonwealth Bank Tournament Of Champions (Delay) Score Tonight Le Mans Series 2011Year End Review Score Tonight Sea Master Sailing 2011

40 star movies 12:00 I Know What You

12:15 14:00 16:00 17:20 19:30 21:45 22:00 23:25

Money Talks Creepshow 20 Million Miles To Earth Stalag 17 Funny People Epad On Max Cyborg Candyman: Farewell To The Flesh

43 MGM 13:00 15:00 17:30 19:15 21:00 23:00 00:30

Assassination Tango Callie & Son Pascali’s Island Chance of a Lifetime Tom Jones Joe Dancer III New York Mounted

50 Discovery 13:00 14:00 14:30 15:00 16:00 17:00 18:00 18:30 19:00 20:00

Mythbusters Dirty Money Auction Hunters American Chopper Heartland Thunder Rampage! How It’s Made How Do They Do It? How Stuff Works How The Universe Works

21:00 22:00 23:00 00:00

Mythbusters On The Case With Paula Zahn Anatomy Of A Takedown Mythbusters

51 NGC 13:00 14:00 15:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 23:00 00:00

Truth Files Don’t Tell My Mother The Truth Behind Ancient X Files Bug Attack Dog Whisperer Most Amazing Moments Bite Me With Dr. Mike Leahy The Truth Behind Search For The Giant Octopus Taboo The Truth Behind

54 History 13:00 14:00 16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 00:00

Modern Marvels Sniper: Deadliest Missions Kings Of Restoration Ice Road Truckers Modern Marvels Life After People Food Tech Kings Of Restoration Gates Of Hell Ice Road Truckers

55 Biography Channel 13:00 14:00 15:00 17:00 18:00 18:30 19:00 20:00 21:00 22:00 23:00 00:00

Intervention Road to Hajj Private Chefs Of Beverly Hills Flip This House Sell This House Caesars 24/7 Road to Hajj My Ghost Story Cory Aquino Tycoons Of Asia Road to Hajj Intervention

CSI: Ny Wipeout Australia The Amazing Race Justified Wipeout Australia Leverage CSI: Ny The Voice The Challenger Muaythai Sony Lifestyle Tv Magazine Ebuzz The Kitchen Musical The Defenders The Voice House

63 Star World 12:10 13:05 14:00 14:55 15:25 17:15 18:10 19:05 19:30 20:00 20:55 21:50 22:45 23:40 00:05

Junior MasterChef Australia Off The Map Royal Pains Happy Endings Castle America’s Next Top Model Junior MasterChef Australia How I Met Your Mother Happy Endings Off The Map Royal Pains Greek Junior MasterChef Australia How I Met Your Mother Off The Map

82 RTPi 15:00 15:37 16:11 17:00 17:58 18:40 20:09 21:00 22:16 23:15 23:42 02:00

Serviço de atendimento a clientes

28822866

22:55

Avatar

www.macaucabletv.com

cinema

62 AXN 12:20 13:10 14:00 14:55 15:45 16:35 17:25 18:15 19:10 20:05 20:35 21:05 22:00 22:55 23:50

STAR Movies

Telejornal Madeira Com Ciência Documentário Bom Dia Portugal Velhos Amigos A Balada Da Praia Dos Cães Estado De Graça Jornal Da Tarde O Preço Certo O Humor E A Cidade Portugal No Coração Portugal Em Directo

Cineteatro Sala 1 in time Um filme de: Andrew Niccol. Com: Justin Timberlake, Amanda Seyfried.

14:30H 16:30H Cineteatro Sala 2 the three musketeers 3d

Um filme de: Paul W.S. Anderson. Com: Logan Lerman, Mila Jovovich.

14:30H 16:30H 19:30H 21:30H Cineteatro Sala 3 tower weist

Um filme de: Brett Ratner. Com: Ben Stiller, Eddie Murphy e Matthew Broderick.

14:15H 16:00H 17:45h 19:45h Torre de macau Bridesmaids

Um filme de: Paul Feig. Com: Kristen Wiig, Maya Rudolph.

Clube Militar de Macau

Avenida da Praia Grande, 975, Macau Tel: 28714000 Telefones Úteis

Número de Socorro 999 Bombeiros 28 572 222 PJ (Linha aberta) 993 PJ (Piquete) 28 557 775 PSP 28 573 333 Serviços de Alfândega 28 559 944 Centro Hospitalar Conde S. Januário 28 313 731 Hospital Kiang Wu 28 371 333 CCAC 28 326 300 IACM 28 387 333 DST 28 882 184 Aeroporto 88982873/74 Táxi (Amarelo) 28 519 519 Táxi (Preto) 28 939 939 Água - Avarias 2990 992 Telecomunicações - Avarias 1000 Electricidade - Avarias 28 339 922 Directel 28 517 520 Rádio Macau 28 568 333

anima Sociedade Protectora dos Animais Sociedade de Macau Sociedade Protectora Protectora dos Animais Telefone: dos Animais de Macau de Macau 28715732 / 63018939 Telefone: fax: fax: 28715732 / 63018939 28703224

ICQ dental team is a group of dental specialists with internationally recognized qualifications. We provide all range of dental services: − − − −

Oral examination and radiology investigation Restorative and Cosmetic Dentistry Children Dentistry Orthodontic Treatment

− Oral and Dental implant Surgery – Endodontic Treatment − Periodontal Treatment − Emergency Treatment We are committed to deliver high quality dental services with personalized care. We ensure the highest level of infection control.

Website: www.icqoral.com

Consultation by appointment:

Mon to Sat: 10:30am - 7:30pm Sun: 10:30am - 2:00pm Tue and public holidays: closed

Avenida da Praia Grande, Nº 665, Edifício Great Will, 2º Andar A Tel: 28373266 Fax: 28356483 Email: appoint@icqoral.com Web:www.icqoral.com

Novo Abrigo da Anima Altinho de Ká Hó- Coloane junto ao Reservatório * Sem adopções a Anima não pode socorrer outros animais * Nunca abandone o seu animal de estimação

Contacto da Anima: 63018939 (Bernardo) Ajude-nos a Ajudá-los jornal tribuna de macau sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 pág 19


jornal tribuna de macau www.jtm.com.mo Administração, Direcção e Redacção: Calçada do Tronco Velho, Edifício Dr. Caetano Soares, Nos4, 4A, 4B - Macau Caixa Postal (P.O. Box): 3003 Tel.: (853) 28378057 Fax: (853) 28337305 • Email: jtmagenda@yahoo.com e jtmpublicidade@yahoo.com

última

tempo

fonte: serviços meteorológicos e geofísicos www.smg.gov.mo

hoje

amanhã 23 C 270C 0

23 C 280C 0

câmbios - indicativos Pataca Compra US Dólar 7.95 EURO 10.93 yuan (rpc) 1.209

fonte: bnu

Venda 8.05 11.07 1.268

CRISE NA ZONA EURO MARCA CIMEIRA DO G20

VINHOS PORTUGUESES PROMOVIDOS EM HK

A União Europeia já deu alguns “passos importantes” para combater a crise das dívidas soberanas, mas ainda falta definir “detalhes” do plano de resgate da zona euro, disse ontem o Presidente dos EUA. “Aqui no G20 vamos ter de definir os detalhes de como [o plano de resgate da zona euro] poderá ser implementado total e decididamente”, disse Barack Obama em Cannes, numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo francês, Nicolas Sarkozy. Os dois líderes estão em Cannes para uma cimeira de dois dias do G20 (grupo de 19 grandes economias mais a União Europeia, que em conjunto representam 80% do PIB mundial), que está a ser dominada pela crise das dívidas soberanas europeias. Sarkozy assegurou que Washington e Paris partilham “uma análise comum sobre como fazer o mundo financeiro contribuir” para uma solução para a crise. O Presidente francês disse também estar satisfeito com a “compreensão” de Obama relativamente a “questões como um imposto sobre as actividades financeiras”. A criação de uma taxa internacional sobre transacções financeiras é reivindicada pela França e pelos governos de outros países europeus, nomeadamente o português. Os EUA e o Reino Unido têm-se mostrado relutantes perante esta ideia. Apesar da gravidade da situação financeira na Europa, o Presidente norte-americano teve mesmo assim ânimo para saudar o nascimento de Giulia, filha de Sarkozy e da companheira do chefe de Estado francês, Carla Bruni. “Estou confiante de que a Giulia herdou a beleza da mãe e não a do pai”, disse Obama.

Cerca de 30 empresas portuguesas estão a promover vinhos de 12 regiões do país na Feira Internacional de Vinhos e Bebidas Espirituosas de Hong Kong, que é um dos principais certames da especialidade da Ásia. A 4.ª edição da feira, que arrancou ontem, conta com 930 expositores de 37 países e regiões, correspondendo a um aumento de 37 por cento face a 2010, dos quais mais de 250 são de França e Espanha. Itália é este ano o país convidado e a Geórgia, Israel, Letónia, Malta, Eslováquia e Suécia participam pela primeira vez. Portugal conta com um espaço de representação 50% superior ao do ano passado, quando marcou presença com 21 empresas, pois o “mercado de Hong Kong está a ganhar importância” para o país, disse à agência Lusa Miguel Nora, gestor de área para a Europa e Ásia da ViniPortugal. Até Agosto, a RAEHK importou vinho no valor de 6,7 mil milhões de dólares de Hong Kong, mais 65% face a igual período de 2010. Mas Hong Kong, como Macau, são cada vez menos, “e ainda bem, plataformas” para os produtores portugueses chegarem à China continental, alertou o responsável ao realçar que aqueles “estão a entrar directamente com parceiros locais ou representantes” próprios. Portugal aumentou as exportações de vinho para o interior da China em cerca de 80% em valor no primeiro semestre para 2,6 milhões de euros, estando a “aumentar a sua quota de mercado, embora ainda seja reduzida para os objectivos” traçados, acrescentou. Brasil e Estados Unidos “têm sido e continuarão a ser no próximo ano” os mercados prioritários da ViniPortugal por considerar que “vão ser os grandes motores de alavancagem para se conseguir uma melhor promoção dos vinhos portugueses”, seguindo-se a “China, Reino Unido, Canadá, Angola, Alemanha e Norte da Europa”, disse ainda o gestor.

“INDIGNADOS” fecharam porto de Oakland Milhares de manifestantes fecharam o porto de Oakland, na Califórnia, o quinto mais movimentado dos Estados Unidos, depois de um dia de greve ao qual aderiram centenas de trabalhadores. “As operações marítimas estão encerradas”, confirmaram, em conferência de imprensa, as autoridades do porto localizado na baía de São Francisco, garantindo que aquelas “serão retomadas quando for seguro”. De acordo com a polícia de Oakland, cerca de 3.000 pessoas concentraram-se naquele porto na quarta-feira e 4.500 pessoas manifestaram-se por toda a cidade. Durante a noite de quarta-feira, grupos de manifestantes mascarados arremessaram pedras e garrafas no centro da cidade, ocuparam um imóvel vazio e incendiaram uma barricada. A força de choque da polícia reprimiu os manifestantes com gás lacrimogéneo e prendeu dezenas de pessoas.

MALÁSIA PROIBIU GUIA DAS ESPOSAS OBEDIENTES As autoridades da Malásia decidiram proibir a publicação do guia sexual do Clube das Esposas Obedientes, associação islâmica que incita as mulheres à submissão ao marido e ao sexo em grupo nos casamentos polígamos. O ministério do Interior impôs uma pena até três anos de prisão para qualquer pessoa ou entidade que publique a obra intitulada “Sexo islâmico, combatendo os judeus para devolver o sexo islâmico ao mundo”, um manual de 115 páginas que foi distribuído entre as seguidoras do clube na Indonésia, Malásia e Singapura, de acordo com o diário “The Star”. A divisão de controlo de publicações do ministério justifica a proibição com o facto do livro pertencer a uma organização vinculada com a seita herética Al-Arqam e dos seus conteúdos violarem as normas da censura oficial. O guia foi escrito por Hatijan Aam, fundadora do Clube das Esposas Obedientes, que luta para “mudar a percepção que as pessoas têm da poligamia e para que a entendam como algo belo”.

Hospedeiras despem-se para ajudar crianças A Ryanair lançou o seu “Calendário de Hospedeiras” para 2012, com o objectivo de angariar até 100 mil euros para apoiar as “Crianças Borboleta” da associação DEBRA. Escolhida pelas hospedeiras fotografadas, entre mais de 400 associações de caridade que se candidataram, a DEBRA vai permitir que 50 famílias (em toda a Europa) com crianças que padeçam da doença de pele EB (epidermólise bolhosa) td12_JTM_banner4.pdf 1 6/15/11 3:11 PM tenham uma semana de descanso nas instalações especialmente adaptadas pela DEBRA em Málaga.

LIVRO DE DAMIÃO DE GÓIS ROUBADO NA FEIRA DE FRANKFURT A polícia alemã está a recorrer à Internet e a editoras especializadas para tentar recuperar um valioso livro de Damião de Góis roubado na Feira do Livro de Frankfurt. A obra, uma edição original escrita no século XVI, com valor estimado de 18500 euros, desapareceu do pavilhão do alfarrabista holandês Asher Rare Books a 16 de Outubro - último dia da edição deste ano da maior mostra livreira mundial. “Alguém levou o livro enquanto os funcionários do pavilhão estavam a conversar com o público. A polícia foi avisada rapidamente e foram feitas buscas nas imediações mas não se encontrou nada”, disse à Lusa um porta-voz da polícia de Frankfurt. A obra de 30 páginas, redigida em 1542 pelo humanista Damião de Góis, uma importante figura do Renascimento, nascido em Portugal, em 1502, intitulava-se “Hispania damiani a goes equitis lusitani” e foi originalmente impressa em Lovaina, na Bélgica.

“SKYFALL” LEVA JAMES BOND À CHINA O 23º filme da série James Bond, mais uma vez protagonizado pelo actor Daniel Craig, chamarse-á “Skyfall” e deverá chegar às salas de cinema britânicas em Outubro de 2012, foi ontem anunciado. Segundo a BBC, “Skyfall” contará com as actrizes Berenice Marlohe e Naomie Harris como as protagonistas femininas. A realização do filme está a cargo de Sam Mendes. De acordo com o realizador, a história levará o espião 007 a Londres, Escócia, China e Turquia. Do elenco fazem também parte Judi Dench, mais uma vez no papel de M, Ralph Fiennes, Albert Finney e Javier Bardem, que interpreta o vilão.

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

pág 20 sexta-feira, 04 de Novembro de 2011 jornal tribuna de macau

fecho desta edição jtm - 00:30horas


JTM 4-11-2011  

Jornal Tribuna de Macau

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you