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OS 9 FILMES QUE TODO jovem PRECISA ASSISTIR!


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Ituverava, 10 de fevereiro de 2018

CNA

Desde 1960 presente no dia a dia das pessoas proporcionando facilidade e agilidade

Via Anhangueram km 410 Ituverava-SP Telefones: (16) 3830-8000 (16) 3830-8008


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cinema

Conheça nove filmes incríveis sobre o período da adolescência

A transição entre a infância e a vida adulta raramente é tranquila. Com tantas mudanças biológicas e comportamentais, os adolescentes muitas vezes não sentem que são compreendidos. Alguns filmes, no entanto, conseguem captar a essência e as complexidades desse momento da vida, mostrando que a adolescência pode sim ser subestimada pelos adultos. Conheça alguns deles: 1 - Curtindo a Vida Adoidado (1986) “Como esperam que eu encare a escola num dia como esse?”, questiona o adolescente Ferris Bueller ao abrir as janelas do quarto e se deparar com um dia ensolarado. Tanto que, há mais de 30 anos, o ator Matthew Broderick, que viveu o personagem no início da carreira, ouve diariamente de pessoas na rua: “Ei, Ferris, esse é o seu dia de folga?”. Dirigido por John Hughes, o clássico da década de 1980 conta a história de Ferris, um jovem que finge estar doente para cabular aula e aproveitar o dia em várias aventuras com a namorada e o melhor amigo. O trio entra em várias confusões, mas, ao mesmo tempo, acaba refletindo sobre quem são, o que significa ser adolescente e o que mudará quando chegarem na idade adulta. 2 - Clube dos Cinco (1985) Você já deve ter visto essa fórmula em outras séries e filmes, como Lizzie McGuire, Dawson’s Creek, Community, Lemonade Mouth e o mais recente filmes dos Power Rangers: adolescentes bem diferentes uns dos outros são confinados e obrigados a trabalhar juntos em prol de algum objetivo. O pioneiro é Clube dos Cinco, outro clássico do roteirista e diretor John Hughes, no qual estudantes de diferentes grupos do colegial passam o sábado na detenção escolar. A maior parte do filme se passa dentro de uma biblioteca, onde os jovens se conhecem melhor e percebem que a vida é muito mais do que os estereótipos nos quais tentam encaixá-los na escola. 3 - Digam o Que Quiserem (1989) Lloyd Dobler acaba de se formar no colegial, mas tem dois problemas: não sabe o que fazer com seu futuro e está perdidamente apaixonado por Diane, a garota mais inteligente de sua turma. Com roteiro de Cameron Crowe (Quase Famosos e Tudo Acontece em Elizabethtown), o longa acompanha o casal descobrindo o amor e a si mesmos em seus últimos meses antes de começar a faculdade — além de tornar o ato de segurar um rádio na janela da pessoa amada um gesto clássico que virou referência em outros filmes e séries. 4 - 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999) No filme estrelado por Heath Ledger e Julia Stiles, o jovem Cameron precisa encontrar um pretendente para a difícil Cat para que ele próprio consiga sair com a irmã mais nova dela, Bianca. A comédia mostra como as aparências raramente correspondem à realidade e que, apesar de não parecer durante a adolescência, a vida vai

muito além do que acontece dentro dos quatro muros da escola. 5 - Meninas Malvadas (2004) Após anos sendo educada em casa, a adolescente Cady começa a estudar em um típico colegial norte-americano. Ela faz amizade com as garotas mais populares do colégio, que acabam sendo bem diferentes do que imaginava. Escrito pela comediante Tina Fey com base no livro Queen Bees and Wannabes, o longa discute a forma como mulheres, principalmente adolescentes, são ensinadas a competir umas com as outras em vez de apoiarem e como isso muda a percepção que elas têm de si mesmas e do mundo que as rodeia. 6 - As Vantagens de Ser Invisível (2012) A adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome conta a história de Charlie, um adolescente depressivo que ainda está se recuperando do suicídio de seu melhor amigo. Ao conhecer uma dupla de veteranos na escola, o jovem introvertido se abre para um novo mundo cheio de experiências, amizades, amores e decepções. O filme fala sobre amadurecimento, a tomada de conhecimento da realidade do mundo e amor próprio. Como diria o próprio Charlie: “A gente aceita o amor que acha que merece”. 7 - O Maravilhoso Agora (2013) Sutter acredita ter uma vida ótima: entre festas, bebidas e um namoro com uma das garotas mais bonitas da escola, ele está aproveitando o máximo possível antes da formatura do colegial. É então que ele conhece Aimee, cujas prioridades são bem diferentes do rapaz e, acima de tudo, incluem a busca por uma vida melhor do que a que vive. O choque de realidades traz muito aprendizado para ambos, que com novas experiências chegam ao momento no qual devem decidir se querem ou não amadurecer.

Cena do Filme “O Clube dos Cinco”.

Cena do Filme “10 Coisas que odeio em você” Cena do Filme “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho ”

8 - Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014) Finalista do GLAAD Awards, um dos prêmios mais importantes de representação LGBT, a produção nacional acompanha Leonardo, um adolescente cego que vive servindo às preocupações de seus pais. Quando um novo estudante chamado Gabriel entra na escola, os dois se tornam amigos e, logo, novos sentimentos começam a surgir entre eles. O filme aborda a busca por independência, amizade, amor e, claro muita representatividade.

Cena do Filme “O Maravilhoso Agora ”

9 - Quase 18 (2016) O filme marca a estreia da roteirista Kelly Fremon Craig na direção. Nele, a protagonista Nadine incorpora todas as partes mais estranhas da adolescência: o desconforto com o próprio corpo, a tendência a se achar o centro do universo e a vontade avassaladora de fazer parte de algo.

Esses fatores são elevados à potência máxima quando a garota descobre que seu irmão está namorando com sua melhor amiga: a mistura entre drama e comédia ressalta as tensões desse período da vida em que tudo parece estar ao alcance e distante ao mesmo tempo.

Cena do Filme “As Vantagens de Ser Invisível ”

Cena do Filme “Quase 18 ”


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comportamento

Entenda quais podem ser as consequências do bullying

MARAS DO BULLYING A primeira vez que Fernanda Brzezinski fez uma dieta foi aos seis anos. A avó cobrava dela um corpo dentro dos padrões. E a menina absorvia toda aquela cobrança. Na escola, as piadas dos colegas também a estimulavam a perder peso. “Eu ainda era peluda, então começaram a dizer que eu parecia uma foca quando ria”, relembra. Não comprava roupas justas ou do tamanho certo; preferia camisetas e calças largas, na tentativa de esconder o corpo. Na adolescência, quando frequentava a casa de uma amiga bem magra, na hora do lanche da tarde ela era proibida de comer. Fernanda só perdeu peso perto dos 30 anos, quando teve seus dois filhos: Felipe, hoje com 14 anos, e Sofia, com 10. Os filhos passaram pelas mesmas dificuldades que a mãe. No ano passado, Felipe entrou em um papo sobre política no grupo de WhatsApp da sala de aula. Apaixonado pelo assunto, ele e os amigos discordaram de uma colega, que pediu para encerrar a discussão. Ela argumentou que aquela conversa era coisa para adultos e não para adolescentes como eles — como resposta, tomou uma invertida: “Mas idade para beijar na boca você tem, né?”. A briga não parou ali. Chateada, a garota adicionou amigos mais velhos no grupo para defendê-la. E foi o que fizeram. Só quem continuou na conversa foi Felipe — e ele foi ofendido de todas as formas por causa do peso. “Você vai morrer virgem”, ouviu. Aos prantos, mostrou a mensagem à mãe e perdeu a vontade de ir à escola. Só superou parcialmente o trauma com a ajuda de psicólogos. Outra história Com a irmã, Sofia, a história foi outra. Ela começou a apresentar sintomas fortes

Na sua época — e na de seus pais, avós, bisavós — isso já existia, só não era chamado de bullying. Diziam que era brincadeira e não tinha nada demais, afinal, você (ou eles) cresceu saudável e forte. Certo? Não exatamente. Fernanda sabe bem as marcas que o bullying deixou e que o tempo não apagou. “Como eu fui gorda, sempre avisei meus filhos: ou vocês emagrecem ou aceitam que serão chamados de gordos, como eu fui”, conta. “E errei nisso. Não estimulei a autoestima deles.” Mas não é só isso. Pesquisas recentes mostram ainda que o bullying aumenta os riscos de depressão e transtornos de ansiedade durante a vida toda da vítima, não apenas na infância. Uma coisa, no entanto, é certa: bullying existe (e causa dor às vítimas) desde sempre. de ansiedade — mordia a parte interna da bochecha até sangrar — e a adotar uma postura mais agressiva com todos, inclusive em casa, com os pais. Uma das professoras comentou com a mãe que a menina comia duas vezes durante os intervalos. Só não contou que ela havia se afastado dos amigos e que a única pessoa com quem conversava era a atendente da livraria da escola. Até que um dia Sofia não aguentou mais e pediu desesperadamente para mudar de colégio. Fernanda atendeu, e só depois da mudança se deu conta de que a filha sofria bullying.

ais — os pais não disseram o motivo, mas deixaram um convite aos agressores. “Se as pessoas que pensaram que se tratava apenas de piadas e que se sentiam superiores com o bullying constante virem esse post, por favor, venham ao funeral para testemunhar a completa devastação que criaram”, escreveu Tick Everett, pai da garota, no Facebook. Sofrimento em silêncio Só tem um detalhe: histórias extremas como essas são exceções. Em geral, os adolescentes sofrem em silêncio — normalmente não tomam atitudes tão drásticas — e, por isso, os casos crescem fora das estatísticas, despercebidos. Ainda assim, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizada em 2015 com mais de 70 mil alunos, um a cada três adolescentes brasileiros já sofreu bullying. Outros 20% admitem praticá-lo. A maior parte dos agressores e das vítimas têm, em média, 14 anos. É a fase da puberdade, das conquistas amorosas, e quem não se enquadra nos padrões de beleza é quase sempre alvo. Não à toa, de acordo com a pesquisa, os principais motivos das zoeiras são a aparência do corpo e do rosto.

Difícil reconhecimento É que reconhecer o bullying não é fácil. Em geral, todo mundo percebe que não era uma simples “brincadeira de criança” só quando a história atinge seu desfecho mais trágico — e não faltam casos nos últimos tempos. A Polícia Civil trabalha a hipótese de que o adolescente que atirou nos colegas numa escola em Goiânia, em outubro do ano passado, foi motivado pelo bullying. Chamado de fedorento, ele teria ganhado um desodorante de presente de um colega dias antes. Outra história, mais recente, que virou notícia no mundo todo em janeiro, é a da adolescente australiana Ammy “Dolly” Everett, de 14 Como identificar anos. Ex-garota-propaganda O problema persiste porde uma marca de chapéus, a jovem se suicidou depois que pais e professores ainda de constantes ataques virtu- têm muita dificuldade até em

nomear o que é bullying — até porque o termo surgiu e começou a ser estudado com afinco recentemente, em 1999. É definido como o desejo consciente e deliberado de maltratar uma pessoa e colocá-la sob tensão. A origem vem da palavra inglesa “bully”, e remete a valentões, tiranos e brigões. Mas nem todo bullying envolve briga física — as agressões podem ser verbais, como aconteceu com Felipe, ou psicológicas (isolar um colega, como fizeram com Sofia). “Há pouco tempo, o conceito era rejeitado por não ser bem definido. E hoje é um pouco deturpado, tudo a gente diz que é bullying. ‘Ai, a professora não gostou do meu trabalho, sofro bullying’”, explica a psicoterapeuta Quézia Bombonatto. É justamente para não transformar tudo em bullying que os pesquisadores definiram critérios para descrever o problema: comportamento agressivo ou propositalmente doloroso ao outro, repetido várias vezes ao longo do tempo e caracterizado por um desequilíbrio de poder entre pessoas. Essas situações envolvem sempre três atores, não apenas um ou dois. Há o agressor, a vítima (mais frágil e, em geral, com baixa confiança e autoestima para se defender) e o

público. Sem a plateia para rir ou repassar as piadinhas, nenhuma brincadeira tem vida longa.

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comportamento

Mario Kart será lançado para smartphones Android e iOS

Embora inicialmente

Se inicialmente a mar-

a Nintendo se recusasse ca nipônica se recusava a lançar jogos para os a lançar os seus títulos dispositivos móveis, esta para os dispositivos móopinião mudou nos últi- veis, a verdade é que mos tempos.

esta visão tem sido alte-

Depois de ter lançado rada nos últimos tempos. alguns jogos em Portu-

O ano de 2017 foi

gal, a Nintendo anunciou palco de alguns lançaagora que se prepara mentos neste segmento, para lançar o Mario Kart tendo sido apresentados para Android e iOS.

o Super Mario Run, o

A Nintendo é ainda Fire Emblem Heroes, o uma das marcas fortes Animal Crossing: Pocket no mundo dos smar- Camp e a app social Miitphones e tem debaixo tomo. Além destes títulos da sua alçada algumas havia também rumores consolas e jogos emble- do desenvolvimento de máticos que marcaram uma versão mobile do gerações e que continu- Legend of Zelda, mas que am a conquistar muitos ainda não se confirmou a jogadores.

sua existência.

ANDROID E IOS Depois de anunciar os números de vendas da sua consola Nintendo Switch, num total de 14.86 milhões de unidades, e das vendas do seu jogo Mario Kart 8 Deluxe, que totalizou um total de oito milhões, a Nintendo tinha uma outra supresa guardarda. Como já era esperado há imenso tempo pelos fãs dos jogos da Nintendo, a marca japonesa anunciou que está a desenvolver o jogo Mario Kart Tour, uma versão para dispositivos móveis do seu famoso jogo de corrida que estará disponível para Android e iOS. A data de lançamento deste jogo não foi apresentada, no entanto sabe-se que irá ser lançado no próximo ano fiscal, ou seja, entre abril de 2018 e março de 2019. Esta é uma grande novidade para quem é fã deste jogo nas consolas, que poderá jogá-lo agora nos smartphones. Resta agora a Nintendo incluir também o modo multiplayer para que seja possível jogar contra outros jogadores e amigos.


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games

Ministério da Cultura lança curso para empreendedores de games

Foi lançado na última semana, na modalidade de Educação à Distância (EAD), o curso O setor de games no Brasil: panorama, carreiras e oportunidades. Esse é o primeiro de uma série de três cursos para a capacitação de empreendedores do mercado de jogos eletrônicos. O curso é gratuito e foi desenvolvido por meio de uma parceria entre Ministério da Cultura, a Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames) e o Núcleo de Estudos em Economia Criativa e da Cultura da Universi-

dade Federal do Rio Grande do Sul (Neccult-UFRGS). As aulas serão realizadas pela plataforma de cursos Lúmina - https://lumina.ufrgs.br/ - da UFGRS. O material de apoio reúne guias de estudo, vídeos e atividades. Cada curso tem duração de 30 horas. Ao final de cada um, os participantes receberão certificado da universidade gaúcha. Os demais cursos - Dicas e desafios para empreendedores e Internacionalização no setor de games - serão lançados ainda neste mês.

SOLENIDADE Durante o Brazil’s Independent Game Festival (BIG Festival) 2018, que será realizado nos dias 27 e 29 de junho em São Paulo, haverá uma solenidade de entrega de certificado para as dez primeiras pessoas que completarem os três cursos. Dados do Ministério da Cultura apontam que o faturamento do setor de games no Brasil em 2017 alcançou R$ 1,3 bilhão. O faturamento mundial no mesmo ano foi R$ 116 bilhões. A estimativa é que em 2020 este valor chegue a US$ 143,5 bilhões, um crescimento médio de 7,3% ao ano. A maioria das empresas de games no Brasil estão nas regiões Sudeste e Sul (78%). O Estado de São Paulo concentra a maior parte dos desenvolvedores de games, seguido por Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. A metade das empresas do setor (50%) já funciona há mais de três anos e mais de 70% têm até cinco colaboradores. Mais da metade tem até três jogos lançados e atua tanto no mercado brasileiro quanto internacional.


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conto Bruno Inácio Os mais de dois mil livros ocupavam a grande sala quase que inteiramente. A exceção era uma pequena mesa rústica, que vez ou outra era usada para acomodar alguns exemplares durante uma rápida consulta ou uma breve leitura. Havia também uma cadeira, mas tão desconfortável que ninguém se sentava ali há anos. Embora os três – pai, mãe e filho – sempre utilizassem aquela biblioteca, era o garoto que a visitava como maior frequência. Passava horas selecionando cuidadosamente que livro leria dessa vez. No momento da escolha, não era somente a sinopse do livro que contava. Aliás, isso não contava quase nada. Era preciso que existisse uma ligação entre o menino e o livro. Ele sentia a textura da capa, sentia o cheiro envelhecido das páginas e o folheava rapidamente. “É esse”, ele dizia logo em seguida. E nunca se arrependeu de uma escolha sequer. Poucos dias depois, descia as escadas de sua casa e retornava à biblioteca. Colocava o livro que acabara de ler em seu devido lugar e selecionava outro. Sua mãe, uma professora universitária, era quem lia os livros mais grossos. Em geral, eram sobre romances e compilações de contos, crônicas e poemas. Também lia sobre assuntos que garoto ainda não fazia ideia do que se tratava: linguística, semiótica e semântica. O pai, um sociólogo, adorava ler sobre a indústria cultural, mas o que o realmente fascinava era a literatura moderna. Lamentava internamente pelo fato de não ter se arriscado como escritor. Quando jovem, escrevia contos e crônicas, contudo o hábito se tornou cada vez mais raro, até que deixou de existir. Certa vez, a mãe sugeriu que o

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A BIBLIOTECA

garoto lesse Alice no País das Maravilhas. Ele se negou, disse que havia lido há dois anos. Ela então insistiu e argumentou que um livro nunca é o mesmo se for lido novamente. O garoto cedeu e entendeu o que a mãe quis dizer. Dessa vez, embora o enredo tenha permanecido o mesmo, a linguagem estava mais poética e sofisticada. “Eu não sou mais o mesmo que há dois anos. Minha mente mudou, então é absolutamente normal que a minha visão sobre o livro também tenha mudado”, pensou o garoto. Ele não estava errado, contudo, não estava tão certo quanto pensava. A questão é que aquela biblioteca era mágica. Bom, todas as bibliotecas são, na verdade. Só que aquela possuía uma característica que a tornava ainda mais especial. De certa forma, os livros se comunicavam. Claro que eles não conversavam em

voz alta, mas possuíam o seu próprio sistema de comunicação. E ele era extremamente eficiente... Os livros colocados lado a lado trocavam informações. Absorviam fragmentos do outro e davam um pouco de si. Alice no País das Maravilhosas estava posicionado ao lado de O Pequeno Príncipe, o que explicava porque a sua linguagem agora estava mais poética. Ele havia se transformado! O exemplar de O Pequeno Príncipe também já não era mais o mesmo. Se o menino o relesse, notaria que agora os personagens estavam um pouco mais psicodélicos e interessados em brincadeiras que desafiavam o cérebro. Os livros, entretanto, possuíam livre arbítrio. Só se modificariam se permitissem que isso ocorresse. Mas na maioria das vezes, eles permitiam. Então o existencialismo de Sartre se juntava às metáforas de Oscar Wilde;

a delicadeza de Cecília Meirelles se encontrava com o humor de Manoel de Barros; e os demônios imaginários de Stephen King se encontravam com o vampiro real de Bram Stoker. Porém, em alguns casos, a troca entre os livros era mínima. Às vezes nem aconteciam. O Capital (Karl Marx) e A Riqueza das Nações (Adam Smith) estavam entre as obras que continuaram exatamente iguais mesmo após terem tido contato uma com a outra. O mesmo aconteceu com a Bíblia, que estava colocada ao lado de Deus, um delírio, obra do ateu Richard Dawkins. O posicionamento desses livros, colocados um do lado do outro, soa como piada de mau gosto (tanto para religiosos quanto para ateus), mas estavam assim dispostos porque a religião é uma das principais áreas de pesquisa do pai do garoto. Por outro lado, algumas influências se tornam tão grandes que fica até difícil escondê-las. Uma vez, a mãe do garoto lembra que estava relendo um livro do Fernando Pessoa e então se deparou com versos extremamente politizados. Ela sabia que aquela não era a mesma escrita de Pessoa que lera anos antes. Então observou que ao lado do livro do poeta português estava um de Maiakovski, autor russo conhecido como o poeta da revolução. Ela comprou um livro do Fernando Pessoa igual ao que tinha em casa, comparou os dois exemplares e entendeu que algo realmente tinha se modificado. Ela entendeu o que havia acontecido e passou a se divertir com isso. Passou a fazer combinações óbvias, como Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft, mas também combinações improváveis, como Leminski e Neil Gaiman. Manteve isso em segredo, embora vez ou outra desse algumas dicas ao marido e ao filho. Mais do que nunca, passou a adorar reler livros, pois agora ela entendia que não era somente ela que se modificava entre uma leitura e outra. Os livros também faziam isso. E como faziam bem...

Bruno da Silva Inácio é jornalista da Tribuna de Ituverava, especialista em Gestão Cultural, Literatura Contemporânea e em Cultura e Literatura. Cursa pós-graduação em Filosofia e Direitos Humanos e em Política e Sociedade. É autor dos livros “Gula, Ira e Todo o Resto”, “Coincidências Arquitetadas” e “Devaneios e alucinações”, além de ter participado de diversas obras impressas e digitais. É colaborador dos sites Obvious e Superela e responsável pela página “O mundo na minha xícara de café”.

Raio-x Nome: Edval Pereira da Cunha Neto Apelido: Neto Data de Nascimento: 25 de setembro de 1998 Idade: 19 anos Nome dos pais: Adilson Roberto Rodrigues da Cunha e Eliana Rosa Cunha Série/Ano: Cursinho Escola: Colégio Objetivo Futura Profissão: Internacionalista/diplomata Signo: Libra Altura: 1,76 m Peso: 57 Kg Cor Preferida: Preto Prato Preferido: Feijoada Esporte Preferido: Futebol Livro Preferido: Discurso do Rei (Peter Conradi) Arte Preferida: Música Filme Preferido: Paranoia (D.J. Caruso)

por exemplo, seja ouvindo podcasts, assistindo documentários ou lendo matérias Melhor amiga: Lisandra Eleutério Assunto preferido em roda de amigos: Séries, filmes e política Qual sua opinião política do país: Situação caótica, muito complicada. Ao eleitor que está lendo está matéria, veja o que já testamos e deu errado, aposte no novo e no que ainda pode dar certo! Drogas: Nunca utilizei, ninguém precisa de entorpecentes para se divertir ou realizar alguma atividade de forma mais produtiva Qual notícia gostaria de ler nos jornais: Que o Brasil está entre as maiores potências mundiais, e que tem uma das melhores realidades sociais já vistas

Música Preferida: AC/DC Back in black Qualidade: Persistente Defeito: Egocêntrico O que mais admira nas pessoas: A capacidade, muitas vezes não explorada de ajudar o outro O que mais detesta nas pessoas: A ignorância, a falta de paciência e de compreensão Hobby: Estudar sobre assuntos que gosto, história

Apoio Cultural

Cartório de Notas e Protesto de Ituverava Rua Cel. Dionísio Barbosa Sandoval, 614

Telefone: (16) 3729-2233 Atendimento das 8h30 às 18h

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