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Edição 3.328

TRIBUNA DE ITUVERAVA

Ituverava, 13 de abril de 2019

ECONOMIA

Preços de ovos de Páscoa podem ter grande variação Consumidores devem ficar atentos e fazer pesquisas antes de comprar os chocolates

C

om a proximidade da Páscoa, o consumidor deve ficar atento à variação de preços do principal produto comercializado nesta época do ano: o ovo de Páscoa. Embora o Procon-SP ainda não tenha divulgado a pesquisa anual que avalia a variação dos valores de produtos iguais em estabelecimentos diferentes, não é novidade que ela existe e, é bem grande. No ano passado, por exemplo, pesquisa do Procon-SP apontou que, em um dos casos, a diferença no preço do ovo chegou a 91,24%. Em um mercado da Zona Oeste da capital paulista, ele saía por R$ 22,48. Em outro, no Centro, custava R$ 42,99. Segundo o levantamento, uma caixa de bombom cereja poderia custar R$ 5,98 em um supermercado da Zona Norte de São Paulo, enquanto, na Zona Sul, a mesma caixa custava R$ 12,99.

Variedades de ovos de Páscoa em supermercado: fique atento na variação de preços

Produtos estão com preços mais baixos em 2019, segundo FGV A tendência para 2019 é que o varejo venda ovos de Páscoa a preços mais baixos do que no ano anterior. É o que afirma o professor de MBA da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Ulysses Reis. Ele afirma que de 2014 a 2016 o mercado brasileiro sofreu um aumento exagerado nos preços dos ovos de Páscoa, o que afetou o poder de compra. Em 2016, as vendas caíram 5,8% em comparação ao ano anterior. Em 2017, as empresas entenderam que era necessário adaptar os preços, registrando aumento de 2,2% nas vendas. Em 2018, o crescimento foi de 3,2% e estima-se que ultrapasse os 3% em 2019. Neste ano, a melhora da economia e a data da comemoração são fatores que devem impulsionar a venda dos ovos. “A Páscoa cai no dia 21 de abril e os impostos de fevereiro e março já passaram. As famílias estão com mais dinheiro no bolso”, explica Reis.

PRODUÇÃO Dados da Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados) apontam que, em 2015, a produção de ovos chegou a 19,7 mil toneladas. Houve quedas em 2016 (14,3 mil toneladas) e 2017 (9 mil toneladas), com recuperação em 2018 (11 mil toneladas). Devido aos resultados nas vendas, o setor contrata cada vez menos funcionários. Em 2016, foram empregadas 29 mil pessoas no mercado de Páscoa. Em 2019, o número caiu e chegou a 18 mil. “Esta queda com certeza vai refletir no preço. Os fabricantes já perceberam que aumentar o valor estava acabando com o mercado deles”, explica Reis. Já os ovos que não forem vendidos, podem ser devolvidos ao fabricante, segundo o economista da Apas (Associação Paulista de Supermercados) Thiago Berka. “A iniciativa de retirar, veio da [atitude] do próprio consumidor, que parou de consumir, e das lojas que ficavam com os ovos encalhados”, afirma.

Procon orienta consumidores na compra de ovos de Páscoa Com a Páscoa cada vez mais perto, cresce também a procura pelos ovos de chocolate e as propagandas com lançamentos e ofertas no mercado. Pensando nisso, o Procon-SP divulgou algumas dicas para que o consumidor aumente as chances de fazer um bom negócio. Algumas delas são bem conhecidas das famílias. A primeira é que comprar chocolates em barra e caixas de bombom sai bem mais em conta que os ovos de Páscoa. Além disso, as famílias não devem levar as crianças às compras, já que elas preferem sempre os produtos que vêm com brinquedos, que são os mais caros do mercado. Escolhido o produto o consumidor deve verificar se a embalagem está em boas condições de armazenamento e evitar os amassados ou com furos na embalagem. Preços devem ser pesquisados

PRODUTO SAZONAL “O que está acontecendo é que, à medida que se aproxima da Páscoa, as lojas começam a entrar em desespero, porque o ovo é um produto sazonal. Não vendeu, acabou, ninguém mais quer”, explica o professor de MBA da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Ulysses Reis, que lembra que nesta época, os preços caem consideravelmente. Os ovos caseiros, que costumam ser melhores e mais baratos, além de terem menor incidência de impostos, estão ganhando mais espaço. “É a tendência dos próximos anos. As indústrias vão ter que se adaptar e ganhar no volume de vendas, porque os consumidores também estão mudando os hábitos”, afirma. Estes seguem as mesmas regras de produção e cuidado que os de mercado. O Procon pede que o consumidor solicite uma degustação do produto e visite a cozinha onde são produzidos os ovos. Quando houver inclusão de brinquedos, a orientação é observar se a embalagem contém o selo com a idade recomendada para seu uso. Os rótulos devem trazer, além da identificação do fabricante, a data de validade, peso e a composição. Outra dica é pesquisar pre-

ços, já que há grande variação entre os estabelecimentos. Acompanhar os preços ao longo dos dias, pesquisar em mais de um estabelecimento e esperar para comprar mais perto do feriado podem ser estratégias que garantem bons preços aos consumidores.

Uberaba Em Uberaba, a cerca de 80 km de Ituverava, a Fundação Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) este ano pesquisou 43 marcas e tamanhos diferentes de ovos de Páscoa em sete lojas da cidade. Foram listados produtos da

Arcor, Garoto, Lacta, Nestlé e Kinder. A variação dos itens foi de 3% a 83%, com o Ovo Lacta Favoritos de 614 gramas, o Lacta Diamante Negro/Laka de 575 gramas e o Nestlé Supresa Lol de 150 gramas entre as opções mais caras. Na cidade mineira, o valor médio de um Ovo Lacta Favorito é R$ 75,22, enquanto um Ovo Diamante Negro/Laka é R$ 66,22 em média, e o Nestlé Supresa Lol custa R$ 63,53 em média. O ovo de páscoa mais barato foi o Arcor Tortuguita de 45 gramas, com preço máximo de R$7,99. Tradição O hábito de presentear com ovos já existia mesmo antes do cristianismo. Em várias antigas culturas espalhadas no Mediterrâneo, no Leste Europeu e no Oriente, o fato ocorria quando a primavera chegava. Neste período, ovos eram pintados com gravuras que tentavam representar algum tipo de planta ou elemento natural. Em outras situações, o enfeite desse ovo festivo era através do cozimento junto a alguma erva ou raiz impregnada e algum corante natural. Com o passar do tempo, este costume ainda se manteve vivo entre as populações pagãs que habitavam a Europa durante a Idade Média.

PINTURA Muitos destes povos antigos pintavam coelhos nos ovos, como símbolo da fertilidade. Em 325 D.C., como forma de atrair novos fiéis, os cristãos começaram a distribuir ovos com as imagens de Jesus Cristo e Maria. Com o passar dos séculos, a distribuição de ovos foi incrementada, até que os franceses criaram o ovo de chocolate, comum até hoje nesta data. O coelho, símbolo de fertilidade entre os pagãos, passou a ser adotado como um dos símbolos da Páscoa, sendo o responsável pela distribuição dos ovos.

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