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RTMF NuMbeR 1 * GP bRasil de slaloM * RaFael Russo * eMaNoel eNxaqueca * sliM RiMoGRaFia

O bOwl dO SandrO diaS

Nova luz No horizoNte

SilaS ribeirO NuNca desiste

Gabriel FOrtunatO Garoto ilumiNado

Matriz SpOt

só para coNvidados

Silas ribeiro, fakie nosegrind ano 22 • 2013 • # 213 • r$ 8,90

www.triboskate.com.br


índice // julho 2013 // edição 213

eSpeciaiS> 38. o bowl do Sandro diaS Nova luZ No HoriZoNtE 44. pro - SilaS ribeiro NuNCa dEsistE 56. am - Gabriel Fortunato CENtrado E ilumiNado 66. luz eSpecial 14 pÁgiNas dE puro skatE 80. matriz Spot só para CoNvidados SeçõeS> Editorial .....................................................................................12 Zap ...................................................................................................16 Casa Nova ..................................................................................86 Hot stuff ....................................................................................92 Áudio: slim rimografia......................................................94 maNobra do bEm ...................................................................96 skatEboardiNg militaNt ..................................................98

Capa: Este pico fica na praça Saens peña, na Tijuca, Rio de Janeiro. É uma “sobra” da construção do metrô e a dificuldade de encaixar qualquer manobra no cano é o pouco espaço pra se dar impulso. Isso não foi problema para Silas “Bisteca” Ribeiro, que complicou ainda mais a falta de espaço dando impulso de fakie. Não precisou de muitas tentativas para mandar seu preciso fakie nosegrind. Base é base! Foto: René Junior NESTa págINa: Quando esta foto chegou na redação e o Junior Lemos abriu pela primeira vez para me mostrar, de cara passou o filme da minha vida na cabeça. Claro, porque esta esquina da praça do Congresso, em Criciúma, fica na frente da casa da minha família, onde cresci e que agora virou o prédio ao fundo. Backside noseblunt nos pés do Ricardo porva. Vida de editor tem surpresas como esta… (gyrão) Foto: Thiago da Luz

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Na internet o que saiu ontem já é antigo, na revista não: você fica eternizado nas páginas dela pra sempre!

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(Silas Ribeiro) 10 | TRIBO SKATE julho/2013


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editorial //

Velhos picos, novos dias por Cesar Gyrão // Foto adriano Kurosu

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escadaria no Centro é velha conhecida dos skatistas de rua de São paulo. Alexandre “Nicolau” Grecco, linha de frente da atual geração de profissionais da capital, acrescentou um grau a mais na história desse mobiliário urbano. Seu fs ollie to fakie nosegrind reverse foi uma leitura nova sobre um pico velho. Assim vive o skate, com o eterno conflito de gerações, a experiência enfrentando a inovação, seguindo o DNA revolucionário do skateboarding. Dentro desta grande máquina de nosso mercado, é função da tribo Skate traduzir as correntes que estão iluminando os horizontes de todos aqueles que produzem e amam o skate. por isso nossas edições sempre procuram contextualizar o que está acontecendo agora com informações importantes das origens, seja dos skatistas, das modalidades, dos regionalismos, do antigo e do recente. Um experiente skatista de vertical, aos 38 anos, Sandro Dias, tem o prazer de inaugurar mais um pedaço de seu sítio com vocação para centro de treinamento, no interior de São paulo. Já em porto Alegre, uma das galeras mais antenadas do street brasileiro, o pessoal da Matriz, abre um novo pico com características bem diferentes: um lounge com área de street. Concreto projetado e madeira de reflorestamento (e madeira plástica, vai vendo!). Definitivamente, de degrau em degrau, o skate brasileiro se tornou muito rico. Não falo apenas de dinheiro, mas sim de realizações. Viva a escada!

Alexandre Nicolau, fs ollie to fakie nosegrind reverse.

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Promoção

ANO 22 • JuLhO DE 2013 • NÚMERO 213

Editores: Cesar Gyrão, Fabio “Bolota” Britto Araujo Conselho Editorial: Gyrão, Bolota, Jorge Kuge Arte: Edilson Kato Redação: Chefe de redação: Junior Lemos Marcelo Mug, Guto Jimenez Fotografia: Marcelo Mug, Junior Lemos

Curta a página da Vegetal no FaCebook Compartilhe o link da promo e ConCorra a CinCo shapes pro models da marCa FaCeBOOK.COM/VegetalSKate

Colaboradores: Texto: Sandro Testinha, Fernando Gomes, Filipe Maia, Fernanda Spinoza Fotografia: René Junior, Thiago da Luz, Adriano Kurosu, Eduardo Braz, Diego Sarmento, Fernando Gomes, Camilo Neres, Thomas Teixeira, Flavio Gomes, Fellipe Francisco, Leandro Moska, Robson Sakamoto, Kubo Krížo, Rodrigo Kbça, Raphael Kumbrevicius, Cauã Csik, Paulo Macedo, Marcelo Mug, Pablo Vaz, Leonardo Laprano, João Brinhosa, Daniel Souza, Allan Carvalho, Ricardo Kafka

JB Pátria Editora Ltda Presidente: Jaime Benutte Diretor: Iberê Benutte Administrativo/Financeiro: Gabriela S. Nascimento Circulação/Comercial: Patrícia Elize Della Torre Comercial: Daniela Ribeiro (daniela@patriaeditora.com.br) Eduardo Câmara (eduardo@patriaeditora.com.br) Cibele Alves (cibele@patriaeditora.com.br) Tiago Rezende (tiago@patriaeditora.com.br) Fone: 55 (11) 2365-4123 www.patriaeditora.com.br www.facebook.com/PatriaEditora Empresa filiada à Associação Nacional dos Editores de Publicações - Anatec

Impressão: Gráfica Oceano Bancas: Fernando Chinaglia Distribuidora S.A. Rua Teodoro da Silva, 907, Grajaú Rio de Janeiro/RJ - 20563-900

Distribuição Portugal e Argentina: Malta Internacional

Deus é grande! São Paulo/SP - Brasil www.triboskate.com.br E-mail: triboskate@triboskate.com.br

O resultado será no dia 20 de agosto no facebook.com/triboskate e facebook.com/vegetalskate

A Revista Tribo Skate é uma publicação da JB Pátria Editora. As opiniões dos artigos assinados nem sempre representam as da revista. Dúvidas ou sugestões: triboskate@patriaeditora.com.br


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Augusto Akio dos Santos, fs feeble cravado na curva da extensão.

Number One: Extrapolando, no bom sentido POr CEsar Gyrão // FOtOs MarCos Kbça A primeira versão do RTMF Number One foi em 2010 e, de lá pra cá, o evento só cresce. Este ano, foram 113 competidores com uma infraestrutura ainda melhor na Hi Adventure: arquibancadas, dois bares, lounge Drop Dead, transmissão ao vivo pela ESPN (web cast). No mais desejado canto de Floripa, mais uma vez o skate extrapolou seus limites. Os amadores que estão com um pé no profissionalismo, correram baterias com novos integrantes que chegaram na “febre” de detonar cada milímetro do clássico bowl ver-

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melho (cor resgatada recentemente, depois da reforma). Vi Kakinho liderou mais uma vez, numa disputa acirrada na principal categoria. Para se ter uma ideia da bronca, o filtro para a final apontou apenas nomes bem conhecidos: Fabinho Junqueira, Allan Resende, Matheus Mello, Caique Silva e Marlon Silva (que apesar do sobrenome, não são irmãos). Uma renomada bancada de juízes teve trabalho em todas as categorias, com o alto nível de skate e empolgação. Pedro Barros, Marcelo Kosake, Felipe Foguinho, Rony Gomes e Murilo Peres não ficaram apenas na função das notas e também aumentaram o brilho da festa andando de skate.


Vi Kakinho, mais um caneco. Bs air.

ResultAdos Mirim 1º Ian Poleto 2º Guilherme Silva 3º Gabriel Penteado Feminino 1º Yndiara 2º Emily Antunes 3º Vitória Iniciante 1º Pedro Quintas

2º Miguel Oliveira 3º Gabriel Speck Amador 1º Vinicius Kakinho 2º Fabio Junqueira 3º Allan Resende 4º Matheus Mello 5º Caique Silva 6º Marlon Silva Ian Poleto, boardslide.

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(02) Flavio NascimeNto

Kelvin Hoefler volta a integrar a equipe dos também profissionais leonei Mart, diego oliveira e sandro sobral. O bicampeão mundial é o mais novo reforço da Wood light decks e já usou as madeiras made in Mogi Guaçu/ SP nas disputas que rolaram na Europa. • O ativista social e também colunista da tribo skate, sandro soares testinha, foi o responsável por incluir pela primeira vez o skate no Prêmio trip transformadores, realizado pela renomada revista trip. Testinha foi um dos 10 homenageados destacados como pessoas que investem seu tempo e talento para transformar vidas. Este ano o prêmio direcionou suas luzes para o tema educação e Sandro foi descrito como “O skatista que ensina as manobras da vida.” Nada mais adequado para caracterizar o seu incansável trabalho de inclusão social com base no bairro de Calmon Viana, em Poá/SP. Não é à toa que sua coluna na revista foi batizada de “Manobra do Bem”. Confira todos os detalhes no: revistatrip.uol.com.br/ transformadores • (01) O profissional tulio oliveira se uniu ao também skatista e artista de rua Giuliano Alemão pra lançar uma coleção exclusiva de confecções com tags e a carranca que caracteriza o Alemão e está grafitada em diversos muros da zona sul paulistana. E pra apresentar o collab pra galera, os dois organizaram na pista de skate da Águas Espraiadas uma sessão de skate free com disputas de best trick no sistema jam session, ação que também serviu pra mostrar o quanto a área fará falta se for realmente demolida. • A Nike sB lançou a sétima geração do tênis pro model do Paul Rodriguez, novidade que chega ao mercado brasileiro com a tecnologia de absorção lunarlon 2.0. O tênis já vem pronto pro impacto! • Foi aberta na região de Florianópolis/SC o trio skate Park, espaço coberto - com pista de madeira, lanchonete e skate shop - que fica aberto de segunda a segunda. A pista particular fica na rua Maria Manchen de Souza, n.º 108, bairro Kobrasol, São José/SC. • (02) E a skate shop que fica dentro do Trio Skate Park é a primeira loja da Crystalgrip, onde você também encontra toda a linha de produtos da marca. • O skatista de Brasília lehi leite (Kronik, Legitime Wheels e New) conquistou a 10ª posição no evento damAm, que rolou em Amsterdã em julho. A disputa acontece em várias cidades do mundo e classifica para o campeonato amador do Skate Park of Tampa (EUA), que acontece no final do ano • (03) William damascena é o mais novo integrante da equipe a usar os produtos da Hordem distribuidora, empresa do profissional André Hiena que representa as marcas Vegetal e MetalluM. A notícia foi anunciada com um vídeo onde Damascena anda apenas com os rolamentos até o momento em que recebe as rodas pro model do Marcos Hiroshi. Vale conferir no facebook.com/hordem-distribuidora • (04) Phibra é o nome da agência criada por Gui labiak em Curitiba/PR que tem o objetivo de gerir a carreira de skatistas e artistas, também com opções de pacotes que facilitam na montagem de portfólio para diversos tipos de público e empresas. A iniciativa começa com o agenciamento do profissional Rodrigo lima, o amador John Anderson, dJ Bill e o MC/Produtor Hurakán. O lema da agência resume muito bem a ideia: “Só talento não basta, você precisa mostrá-lo para o mundo”. Confira mais em agenciaphibra.com.br • O Brasil está entre os 24 países que recebem eliminatórias do Red Bull skate Arcade, disputa virtual de manobras que vai levar um finalista de cada nacionalidade para uma final que acontece em Barcelona. A definição do representante brasileiro acontece no Rio de Janeiro. • (05) A Narina lança uma série de moletons styles, pra aquecer a galera neste inverno de temperaturas baixas. O skatista leandro Almeida veste um dos vários modelos disponíveis. • Filipe ortiz foi apresentado como rider do time de skate da Arnette. • eduardo Braz e Wagner Profeta uniram forças em torno da 6 View Video Produtora. (facebook.com/6View) • A distribuidora Junk3, iniciativa de Ari Bason e luiz Herzberg, está com marcas bem styles em seu catálogo. São elas: AtM, Iron Horse, BoardCast, Black smith, Vagrant, stacks e a própria 1968. • (06) Allan Mesquita, Vanderley Arame e diego Korn são os personagens do documentário skate na Amazônia, filmado pelo multi Jerri Rossato lima em visita à região. E entre as belas imagens captadas, a mais inusitada foi de um rolê de minirrampa em uma balsa no encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós. Em breve na tv e internet. • (07) #CRPACK Project 2013 é um projeto da Converse skateboard em parceria com o CONSrider Carlos Ribeiro que resultou em três modelos clássicos da linha de skate da marca, adaptados à realidade do skate brasileiro. Cada modelo foi inspirado em três cidades brasileiras que representam o país com sua originalidade e singularidade.

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Livre e valorizado // textO e FOtOs Junior LEMos Reunir skatistas amadores de todo Brasil para uma tarde de muitas manobras na Praça Roosevelt em SP é o resumo do Skate Livre Crail Trucks. Mas a parada vai além daquilo que os olhos viram na praça naquele sábado nublado! O conceito por trás da liberdade de tricks em um espaço público tem o objetivo principal de mostrar ao skatista a importância de se conviver em harmonia com os demais moradores da cidade e também mostrar aos governos (municipal/estadual/federal) a força do skate e a necessidade de mais espaços para a sua prática, evitando a superlotação dos picos que já existem. Pensando nisso, a Crail elaborou ainda um plano que direciona o skatista sempre que for solicitar algo da administração pública, um caminho que facilita bastante a vida da galera nessas horas. Confira o plano e muito mais no skatelivre.com // ResultAdos Best Grind: 1º Samuel Jimmy, fs 180 ss 50-50 / 2º Thiago Lemos, ss bs smith / 3º Lindolfo, overcrooked Best Trick: 1º Elvis Rafael, ss bs board / 2º Felipe Augusto, cabalerial / 3º Lucas Marques, bs tailslide reverse

Elvis Rafael, switch bs lipslide.

Lindolfo Oliveira, overcrooked na ‘bazuca’.

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Foi a GEntE FaLar dE insta CoM soM quE o apLiCativo ‘EvoLuiu’ E aGora Conta taMbéM CoM vídEos dE até 15 sEGundos. aLGuns CurtiraM, outros não, Mas o instaGraM Continua sEndo o prinCipaL MEio dE divuLGação das idas E vindas dos sKatistas. E CoMo passaMos pELo Mês dE Férias, nada CoMo vEr ondE os brasiLEiros GastaraM o urEtano, a MadEira E o MEtaL dE sEus rEspECtivos sKatEs.

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A. @ carlinhoszodi: E assim encerramos os nossos trabalhos pela Europa pra quarta temporada do Pela Rua! B. @cezargordo: Rolê na #ZamboRamp com meu mano @yurifacchini obrigado @helgasimoes pelo convite! C. @rubenssunab: Fim de tarde no Brasil Skate Camp! Vovô Gepeto dando um fs nose grind na borda. D. @_manjo: M.S.P. “Movimento dos sem Plaza em Curitiba” ManifestÖUS. E. @carlosribeiro91: @danicerezini nollie front crooks straight from the plane. F. @luanomatriz: Essa é a parte boa de poder viajar e conhecer lugares novos. Turistando em Copenhagen; esse lugar é lindo demais! G. @futureskateboards: @jncharlesdossantos do começo ao fim de frontside rockslide. Foto de @ joaoedupat. H. @marcosavino: Finally we arrived in Kiev from Warsaw after 18 long hours! #Ukraine #olhodepeixe @fabiocristianobr #danielmarques

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Diego sarmeNto

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raFaeL russO Nada mais adequado pra acompanhar o rolê desse skatista profissional do que a sonzeira pesada que está entre as mais tocadas em seu player. Sem esquecer que a música também acompanha Rafael Russo nos momentos de profissional do skate, quando está à frente da Liga Trucks. Mobb deep, Speakin So Freely Mobb deep, Capital P Capital H Mobb deep, The Infamous the Alchemist feat Prodigy, Nina sky & Illa Ghee, Hold You Down Big l, Furious Anger (feat. Shyhiem) Big l, Deadly Combination (feat. 2Pac & Notorious B.I.G.) Big Pun, So Hard Big Pun, I’m not a player Wu-tang Clan, C.R.E.A.M. dJ Kay slay & the Alchemist, D Block To Queensbridge damian Marley, Welcome to Jam Rock the Fugees, Fu-Gee-La Criolo, Grajauex Rappin Hood, Segundo Ato sabotage, Um Bom Lugar don Carlos, Summer Holiday don Carlos, My Brethren Party Mato seco, Não Adianta Correr Barrington levy, Bounty Hunter Gui Boratto, Like You (Supermayer Mix)

Love CT Exibição do filme Nunca Desista de Seus Sonhos (Cesar Prod.) no CEU Inacio Monteiro, extremo leste da capital SP. A galera da Love CT e o responsável pelo vídeo, representando todo mundo que colou na comemoração: Denis Silva, Tristan Zumbach, Anderson Lucas, Daniel Feitosa e Elton Melonio, representado pela sua foto na edição 212.

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*Rafael Russo (Liga Trucks, Hagil Wheels)

thomas teixeira

Varial heel flip.

errata

Ao contrário da legenda, na sequência da página 43 da edição 212, Jonathan Mentex entra de switch lipslide e finaliza de backside noseblunt slide. Outro dedo a menos na mão do responsável pela troca de base!


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Dery x Gardenal. Bateria final.

GP Brasil de slalom 2013 POR Guto JIMeNez // FOTOS eduARdo BRAz Mais uma vez, o autódromo de Interlagos serviu de palco pro evento de slalom mais estiloso realizado no país: o GP Brasil de Slalom rolou no feriadão paulista de 9 de Julho. Parafraseando aquele antigo lema dos carteiros, nem o frio inclemente, a garoa intermitente ou o asfalto áspero impediram os bravos competidores de darem aquilo que eles têm de melhor. Alguns dos melhores do país estiveram presentes e detonaram o rápido circuito híbrido montado pelos masters Bruno Brown, Rogério Sammy e Márcio Natividade – e aí, é aquilo: com tanta autoridade junta, não tinha como dar errado. A área lateral de acesso foi o cenário nesse ano, e nem mesmo o piso rude impediu que os competidores fizessem as suas melhores performances possíveis. O mais interessante nos eventos da modalidade é observar os diversos tipos de estilos utilizados, desde o clássico pêndulo (no qual o movimento dos braços faz a base do balanço) até o chamado “esgrimista”, quando o skatista parece estar empunhando uma espada, passando pelo “louva-a-deus” (mãos unidas à frente)... Isso, e mais a incrível variedade de equipamentos disponível atualmente, faz com que qualquer campeonato seja uma verdadeira aula de evolução de técnicas e materiais. Uma opção acertada foi a de criar uma só categoria que englobasse a todos e, sendo assim, pudemos ver disputas entre veteranos como o próprio Sammy, o gaúcho Márcio Benevides e Edu Fujihara, a “slalom girl” Heloísa Akemi e “garotos” como César Lufti e Thiago Gardenal. Esse último, que já se sagrou campeão mundial amador em 2010, foi vencendo gradativamente as suas baterias até a grande disputa final contra Dery Sprovieri, e mais uma vez levou um troféu estiloso e mais um monte de premiações pra casa. Esse evento foi mais uma homenagem ao eterno Willans “Indião”, um mito imortal do skate brazuca que foi um dos maiores entusiastas da modalidade e um dos realizadores que mais fez eventos de slalom no país. Em algum lugar naquela Grande Ladeira, ele com certeza deve ter curtido bastante... Muito obrigado por tudo, Big!

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// ResultAdos 1º Tiago Bacchi “Gardenal” 2º Dery Sprovieri 3º Fernando Camargo 4º Rogério Nogueira “Sammy” 5º Ricardo “Mikima” 6º Cesar Lufti 7º José Carlos “Birinha” 8º Dacio “Toco” 9º Cristiano “Indinho” 10º Valmir “Alemão”

11º Márcio Benevides 12º Renato Serra 13º Marcelo Vergara 14º Carlos Alberto Sales 15º Caio Esmeraldo 16º Heloísa Akemi 17º Rogério Antigo 18º Ramon Oliveira 19º Alex Ferro 20º Henrique “Tocha”


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Luiz Nagaroshi, stale fish.

skate alive day punk POr FErnanda spinoza // FOtOs riCardo KaFKa A comemoração dos 5 anos da Estação Jovem de São Caetano do Sul, no final de junho, marcou a história do espaço que abriga o skatepark local com um longo dia de muitas sessions, shows, live paint, expo de fotos, expo de decks e uma bela social. O evento começou às 12 horas com a presença de artistas de diversas áreas. No live paint, NinoGraph e Higor representaram a equipe Supreme. Augusto “Ueny” entrou com suas obras em estêncil no estande do Estúdio Puros Cabrones Tattoo. No mesmo espaço Tiago Herman desenhava pessoas que passavam pelo local. Uma sala foi destinada à Exposição Terror Coffin Decks, com exibição de vídeos de skate da Sick Mind e Deadless. A partir das 14 horas, a banda Dance of Days abriu a sequências de shows, agitando a galera. Na sequência, entrou a banda Instinto e Cenizas (Chile). Enquanto isso o couro comeu no skatepark, com as equipes da Deadless e Sick Mind interagindo com os skatistas locais. Para finalizar, o Hateen tomou conta do palco, já ao anoitecer. Os fãs cantavam a plenos pulmões letras e refrões. Tudo finalizou com sorteio de brindes. Um dia memorável no aniversário da estação!

Dance of Days.

Circuito banco do brasil O skate vertical brasileiro tem bastante para comemorar neste segundo semestre. Isso porque a partir do último fim de semana de agosto, estará inserido no Circuito Banco do Brasil, uma série de seis eventos que envolverá também música e cultura. A primeira edição do evento está confirmada nas cidades salvador (31/08), Curitiba (12/10), Belo Horizonte (02/11), Rio de Janeiro (09/11), Brasília (07/12) e são Paulo (14/12). Serão dois palcos e espaço com música eletrônica, em um total de nove atrações por dia. Além disso, a Copa Brasil de skate Vertical será realizada em todas as etapas e uma galeria interativa de esporte e cultura vai relembrar as exposições mais importantes já patrocinadas pelo Banco do Brasil e o apoio da instituição ao vôlei brasileiro. Realizado pela Planmusic, o skate será comandado pela CBSk (Confederação Brasileira de Skate), com a estreia do aguardado novo half pipe que chegou ao Brasil no início deste ano e R$ 40.000,00 por etapa. Entre as atrações musicais, Red Hot Chili Peppers, Stevie Wonder, Jason Mraz, Joss Stone, Simple Minds e Yeah Yeah Yeahs; Jota Quest, Skank, Paralamas do Sucesso, O Rappa, Titãs, Capital Inicial e A Banca; Monobloco, Rodrigo Amarante, Tom Zé, Simoninha e Max de Castro e Criolo. Apresentado pelo Banco do Brasil, o Circuito Banco do Brasil tem patrocínio da BB Mapfre, Dotz, Ourocap e Ourocard.

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FerNaNDo gomes

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Praça Itaquera em reforma

camilo Neres

Fábio Castilho, fs fity.

Devassa Session Entre os vários eventos de skate que o Centro-Oeste brasileiro recebeu nos últimos meses, o Devassa Session Rock Jam reuniu uma galera no Centro Cultural Oscar Niemeyer em Goiânia. Inseriram uma área de street e uma mini ao espetacular ambiente, que foi complementado pelos shows animais que rolaram.

Ragueb, bs smith.

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A Praça de Itaquera em SP está em reforma, para ampliação da avenida que passa ao lado. Três dias antes do início da obra, Fábio Castilho registrou algumas no palco que foi destruído. O profissional acredita que o pico vai ficar ainda mais style quando terminada a obra!


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emaNOeL eNxaqueCa o sanGuE nobrE da vEz é uM CarioCa quE nasCEu no paraná. CoMo assiM? ELE Foi tão novinho para o rio, quE CrEsCEu no aMbiEntE Mais CarrEGado dE JoGo dE Cintura do brasiL E ForMou sua pErsonaLidadE Lá. CoM basE na iLha do GovErnador, EManoEL é dE uMa GEração dE proFissionais do sKatE Criada EM transiçõEs, Mas taMbéM na rua. tEM aquELa FaCiLidadE EnorME dE doMinar as triCK-triCKs EM quaLquEr tipo dE borda, EM CoMbos CoMpLExos ou no EstiLo sobrE EstiLo, EstiCando ao MáxiMo as Manobras Mais CabELudas. CoM inCEntivo dirEto dE sKatistas antiGos CoMo o JorGE zunGa EM sEu iníCio, EMbaLou uMa CarrEira rEpLEta dE bons MoMEntos, prinCipaLMEntE ao Lado do aMiGão LaurEnCE rEaLi, aquELE quE abrEviou sua vida há uM ano ao Cair da Moto. da praça xv à pista do atErro do FLaMEnGo, das tEMporadas EM Casas dE aMiGos EM porto aLEGrE ou Curitiba, EM todos os LuGarEs ondE CirCuLa, dEixa o LEGado dE sEu sKatE Criativo E EspontânEo. uM bELo dia Foi Convidado pELo MarCELo santos, hoJE prEsidEntE da CbsK (ConFEdEração brasiLEira dE sKatE) E outrora dirEtor dE MarKEtinG na drop dEad, a FazEr partE da MarCa. dEpois dE uns 12 anos, passou a rEprEsEntar a santa Cruz, Continuando sEu LonGo vínCuLo CoM a drop FaMiLy. uM Cara CoM baGaGEM, E CoMo todo boM CarioCa, CoM Muito JoGo dE Cintura. (GyRãO)

// FOtOs rEné Junior • E aí, Enxaqueca, qual foi aquele rolê (seja campeonato, trabalho, session informal) que se tornou inesquecível pra você e por que? (Felipe Calixto, Campo Grande/MS) – São tantos que precisaria de um grande livro para escrever. Pra mim, andar num pico que eu gosto junto de meus amigos sempre será inesquecível. • Legal seu model de rodinhas Moog. Quem fez o desenho, e de onde você tirou inspiração? (Felipe Thiago de Albuquerque, Mogi/SP) – Gratidão por gostar da roda. A arte foi de um grande amigo meu de infância, que a desenhou inspirado em uma procriação da natureza. Este meu amigo é o Emanuel Marinho, conhecido como Bilson. Além de designer é grafiteiro e fotógrafo. • Quem ou o que inspira o Emanoel Enxaqueca a andar de skate? (Lucas Neinas, Lageado/RS) – São meus amigos, os videomakers e fotógrafos que gostam do meu rolê. E os skatistas brasileiros que representam muito bem a nossa bandeira mundo afora. • Meu nome é Renato Zani, sou skatista local da Pista da Saúde, faço filmagens e vídeos dos meus amigos, por enquanto só por diversão, para adquirir conhecimento e ser um videomaker de qualidade. Sou grande fã do rolê do Enxaqueca, na melhor oportunidade espero poder filmá-lo. E seguem minhas perguntas: Qual o maior desafio que você já enfrentou na vida do skate? E qual o desafio hoje, com o mercado aquecido e as marcas crescendo e investindo? (Renato Zani, São Paulo/SP) – Fico feliz em saber que existe mais uma pessoa interessada em filmar o skate e torço para que você continue nesse belo trampo. Meu desafio é diário, todos os dias andar de skate é um desafio e eu enfrento sempre da forma mais positiva e prazerosa. O skate vem crescendo muito e, por ser um estilo de vida, os vídeos e fotos retratam melhor esse fantástico mundo, por isso estão cada vez sendo mais valorizados. • No Brasil ainda há poucos eventos de skate e quase nenhum reconhecimento aos skatistas que trabalham EmAnoEL RIBAS 28 AnoS, 17 DE SkATE PATRôS: SAnTA CRuz, CRAIL TRuCkS, RoDAS mooG nASCEu Em CuRITIBA, moRA no RIo DE JAnEIRo

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sério, por parte das marcas. Com o crescimento atual do mercado e a valorização do nosso estilo de vida, o que te tira do sério? E o que mais lhe satisfaz? Grande abraço! Respeito e admiração total ao seu trabalho, sucesso aí guerreiro. (Rome Elton, Engenheiro Caldas/MG) – Por mais que o skate cresça ainda existe muita ingratidão do mercado. Nós, skatistas, precisamos ser bem mais valorizados, com bons salários e eventos decentes pra correr, e, principalmente a valorização dos pro models. • Ribas, você é um skatista que tá sempre fazendo conexões: RJ, SC, RS, PR, SP e conhece uma pá de gente. Nesses estados brasileiros que sempre circula, qual deles você sente que está em maior ascensão no skate atualmente? Qual deles tem uma força consolidada e qual poderia ter um maior incentivo? (Pedro Silveira, Lageado/RS) – Minha vida é viajar e amo isso! Vejo que o skate é possível em vários lugares por aí, mas o mercado e a mídia do skate se concentram em SP e na região Sul do país. O RJ tem muito que crescer nos próximos anos e precisa de um valor maior com a molecada e os profissionais daqui. • Qual é a sensação de estar em umas das marcas pioneiras do skateboard no mundo, a Santa Cruz? (Felipe Beccari, São Paulo/SP) – Tive o maior orgulho de fazer parte da Drop Dead por longos anos e essa transição de ir para Santa Cruz foi muito legal para ajudar a introduzir a marca no mercado brasileiro. Pelo nome e histórico do que a marca já fez pelo skate, ela vem tendo uma grande aceitação e admiração pelos skatistas daqui, da antiga e nova gerações.

o maior orgulho de ‘‘fazerTiveparte da Drop Dead por longos anos e essa transição de ir para Santa Cruz foi muito legal para ajudar a reforçar a marca no mercado brasileiro.

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emaNOeL eNxaqueCa

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Meu desafio é diário; todos os dias andar de skate é um desafio e eu enfrento sempre da forma mais positiva e prazerosa.

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• Enxaqueca, segundo o dicionário Michaelis é: “Cefalalgia hemicrânica, acompanhada, às vezes, de distúrbios digestivos e oculares”. Na linguagem popular é uma dor de cabeça incessante. No seu caso, por quê Enxaqueca? (Frederico Assis, Petrópolis/RJ) – Assim que comecei a andar de skate existia um desenho de vinheta da MTV que se chamava “Garoto Enxaqueca” e a galera local aqui da Ilha do Governador, RJ, me achou parecido com o personagem e daí pegou. Apelido não se escolhe, se conquista! Kkkkk… • Em algum momento você ja pensou em desistir? Qual foi seu primeiro patrocínio e como você conquistou? (Vitor Nogarolli, Curitiba/PR) – Desistir jamais, mas desanimar algumas vezes! Nossa vida, tanto pessoal e profissional, fica entre altos e baixos, daí temos que ser fortes, pacientes e com sabedoria para lidar com esses momentos. Meu primeiro patrocínio foi de uma marca de um grande amigo meu, o Jorge Zunga, que me incentivou muito no começo. A marca se chama Vertical. • Uma vez vi uma entrevista sua para o canal ESPN, era em 2005 se não me engano, você era amador e disse que “era pra passar pra pro, mas não rolou”! O que houve que impediu isso? (Leandro Barsotti, Campo Limpo Paulista/SP) – Momento certo... Aquele não era um bom momento e quando surgiu a hora certa eu me tornei profissional, o que foi uma das maiores conquistas da minha vida. • Fala Enxaqueca, esse cara grafitado no seu shape (lixa), é o seu grande inspirador? Quem é ele? (Gustavo Chagas, Vitória/ES) – Laurence Reali, meu amigo, irmão, conselheiro, anjo, eterno. Ele tem sido meu maior inspirador e que vem me fazendo acreditar cada vez mais nessa profissão de skateboarder, que é muito difícil de se manter. Ele se foi, mas sempre estará presente em nossos corações e memórias. Tenho pura gratidão, de ter conhecido e feito parte de sua vida, tanto como skatista quanto como amigo. #LReterno * Ganhador do kit com produtos Santa Cruz, Moog e Crail: Gustavo Chagas

PRóxiMo EnFoCaDo: THIAGo GARCIA EnViE SUaS PERGUnTaS PaRa TRIBoSkATE@TRIBoSkATE.Com.BR CoM o TEMa LInHA VERmELHA – THIAGo GARCIA. ColoqUE noME CoMPlETo, CiDaDE E ESTaDo PaRa ConCoRRER ao PRoDUTo oFERECiDo PElo PRoFiSSional.

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Wallie fs 180, Centro do Rio/RJ.


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sandro dias // bowl

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Fernando Frewka

Fernando Frewka

Fernando Frewka

Fernando Frewka

Sandro Dias, fs tailgrab.


Nova luz no horizonte

O bowl do Mineirinho O municípiO de Vargem, próximO à Bragança paulista, nO interiOr de sãO paulO, cOmeça a ser cOnhecidO cOmO O cantO dO sandrO dias, nãO apenas para O uniVersO dO skate. em julhO deste anO, mineirinhO chamOu a cOmunidade para cOnhecer O mais nOVO e maiOr BOwl dO Brasil, parte da estrutura que já tinha um galpãO cOm O mOnstruOsO e nOVO half pipe (O que chegOu este anO aO país, sucedendO O antigO que tantOs serViçOs prestOu aO skate naciOnal), chalés para receBer cOnVidadOs e OutrOs ítens em cOnstruçãO. inVestimentO pesadO, num lugar cOm um tremendO pôr dO sOl, num sítiO de 76 mil metrOs quadradOs. cOnVersamOs cOm sandrO sOBre sua mais nOVa cOnquista e cOm O fernandO frewka, da flyramp, respOnsáVel pela execuçãO da OBra. POR CESAr Gyrão // FOTOS FlAVio GomES

estar iniciando no aprendizado. Também aconselho a quem não tem experiência, coragem e base de começar da plataforma, a iniciar o seu aprendizado de dentro da pista até adquirir experiência e confiança para começar de cima; lembrando que não é uma pista pública e que nenhuma criança estará usando a pista sem o auxílio de algum skatista experiente. Acredito, sim, que é um lugar adequado para o aprendizado e, pensando mais além, quem aprender a andar de skate numa pista dessas, não terá dificuldades de andar em nenhuma outra no mundo, até então. A ansiedade tomou conta de todos nessa inauguração e ninguém queria parar de andar (alguns até se machucaram, por isso). Como será o funcionamento do espaço no dia a dia? O complexo num todo ainda não está pronto. Ainda não concluí a ideia de um formato ideal para quando eu finalizar e abrir, mas por enquanto as sessões estão rolando direto. É uma pista construída para beneficiar o skate e para todos desfrutarem e se divertirem da melhor forma possível; portanto, quem quiser andar é só entrar em contato que farei o possível para atender e marcar a sessão. Você frequentou muitas temporadas de Woodward Camp nos Estados Unidos e acho que até no da China. Podemos esperar alguma coisa neste sentido para o seu sítio? A ideia é, sim, fazer algo parecido: um centro de esportes radicais destinado para eventos e colônia de férias para que ajude na evolução dos esportes envolvidos no complexo, com pistas da melhor qualidade num lugar muito legal, e que sirva Fernando Frewka

Fernando Frewka

Fernando Frewka

// SAnDro Desde quando você tem este sítio e quando decidiu sua finalidade? Tenho o sítio há 6 anos. Morei lá por 2 anos e, desde quando comprei, já tinha a ideia de fazer tudo que estou fazendo. No entanto, desde o princípio sabia que não iria ser fácil ($$$), mas que poderia demorar o quanto fosse preciso para que as coisas ficassem bem feitas, tanto que ainda não está pronto por completo. Aos poucos está tomando forma da maneira como sempre sonhei. Quem foram seus parceiros na construção do bowl? No bowl tive a parceira da Red Bull, Flyramp e Geoconcret. Com a união dessas empresas que acreditaram no projeto, foi possível realizá-lo, caso contrário seria quase que impossível, ou talvez bem mais demorado para concretizar. Seu bowl foi concebido para o alto rendimento, com uma parte rasa não tão rasa assim e o outro lado bem profundo. Por enquanto não pensou nas crianças? Sim, é um bowl diferente do que estamos acostumados a ver no Brasil, grande, com três níveis de altura, canyon, over vert, diferentes tipos de transição, corners, etc, mas muito bem pensado e discutido com várias pessoas antes da execução. Tentei projetar uma pista que pudesse agradar todos os níveis de skate com uma qualidade de concretagem e finalização talvez não muito comum comparada ao que sempre tivemos no Brasil. Sim, pensei nas crianças também, pois ele tem uma parte mais baixa ou até mesmo o canyon para que eles possam

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sandro dias // bowl

como um laboratório para os praticantes. A ideia é ter os seguintes esportes: skate vert, bowl, street, mountain board, BMX dirt, wake board, wake skate, stand up e o que mais for surgindo de ideias que couberem no espaço.

Masterson Magrão, bs disaster.

allan Carvalho

// FrEWkA Há tempos a Flyramp tem essa parceria com o Sandro. A primeira obra com assinatura dele foi aquele resort em Búzios? Somos amigos há muitos anos e sempre nos respeitamos! O Sandro é um exemplo de pessoa e atleta, e em alguns projetos especiais o cliente nos procura e quer uma avaliação de um “campeão” para dar a garantia que vai dar tudo certo. Para a Flyramp isso é ótimo, pois traz mais credibilidade ao nosso trabalho e acredito que para o Sandro, relacionar o nome dele a um bom equipamento, também é legal. o acabamento desta nova obra agradou a todos que a experimentaram. Quais foram as principais armas que você usou na construção? Utilizamos esse acabamento nas últimas 10 pistas que construímos. Isso se deu devido ao intercâmbio que fizemos com o Geth Noble e outros gringos que vieram nos ajudar nessas obras. Ferramentas são muito importantes para se chegar a este acabamento. Investimos e hoje temos tudo o que precisamos para fazer uma boa pista. Mas ainda acredito que a principal arma é se dedicar de corpo e alma. É um trabalho difícil! Para enxertar este bowl na montanha, foi necessário um enorme corte no terreno. Como foi mexer nesta parte? Fizemos algumas reuniões no local e, após definirmos a área, entramos na parte técnica de estudo planaltimétrico, drenagem, etc... Daí pra frente foi máquina, movimento de terra, escavação e trabalho (risos). A Flyramp está chegando à sua obra de número 200. Qual é o número do bowl? Quais são suas características principais, dimensões, área? A pista do Sandro é a de número 188, mas já estamos executando a 194, e em breve chegaremos a 200. O bowl tem exatos 792 m2 e profundidades que variam de 2,00 m no pocket, à 3,70 m no deep end. É muito grande! o coping block utilizado é o mesmo que você usou no skate park de madureira? Sim, o mesmo. Raios e paginação sob medida. Últimas considerações? Tento fazer sempre o melhor quando estou trabalhando e acho que estou colhendo os frutos de não ter medo de errar! No entanto, esse tipo de trabalho não se faz sozinho e todos que participaram contribuíram para um todo. Agradeço a todo o time Flyramp desta obra: Romeu, Devan, Leandro, Dudu, Edu, Beto, Porque, Josh Johnson, John Paul e Geth Noble. E ao Sandro pela oportunidade e credibilidade de estarmos nesse projeto único.

allan Carvalho

Mauricio Chileno, layback.

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Dan Cezar, bs smith.

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arquivo pessoal

arquivo pessoal

Josil Mandacaru. arquivo pessoal.

Alexandre Maia.

Zecão, Abud, Rafael e esposa. Gustavo, Ascânio, Lalau no Brasileiro de Snow 2012.

André Cywinski, São Sebastião.


Lalau no Valle Nevado, Chile.

arquivo pessoal.

Neymar com Felipe e Tiago

Alex Atala no jantar com a CS Team.


entrevista pro // silas ribeiro

Silas Ribeiro

nunca desiste! SkatiSta braSileiro é reconhecido peloS várioS puloS neceSSárioS pra garantir o rolê, por Se virar com o que tem e andar no pico que eStiver rolando pra voltar aS manobraS. não deSiStimoS! SilaS ribeiro Simplifica muito bem eSSa realidade. batalhador em diverSaS frenteS, biSteca comemora doiS anoS como profiSSional braSileiro e 20 anoS de muito corre pra Se manter no Skate até hoje. Por Junior Lemos // Fotos FeLLipe Francisco, rené Junior e Leandro moska

Q

uem foi o skatista responsável por incentivar o silas a andar de skate? No meu tempo, minhas influências eram os caras lá da minha área, do Jardim Paulista. tem até dois profissionais de lá de Barueri, que são bem das antigas: Julianco Felix e Jackson Gelinho, os caras que foram minha influência no começo. Quando rolaram os primeiros eventos, foram esses caras que me colocaram pra iniciar minha vida no skate. De lá até hoje estou seguindo com isso! como você define sua escola de skate? eu assisto muito vídeo de skate, então eu gosto de andar de skate com estilo! eu acho que o skatista tem que ser estiloso pra andar de skate - os vídeos me influenciam desta forma – por isso eu tento andar em tudo: transições, manobras técnicas, agressivas. Quero ser um skatista completo! o que significa pra você ter o patrocínio de uma marca que surgiu fazendo vídeo de skate? explica um pouco pra gente sobre a marca. ela surgiu como Alfa VM (video magazine). o skatista Josué tomé, de santa Catarina, começou fazendo vídeos ensinando manobras, mostrando a galera. ele vinha pro Centro e filmava todo mundo, ajudava todo mundo a aparecer na mídia! De uns tempos pra cá ele foi se dedicando a criar a marca, viu que o nome Alfa era legal, começou a fazer lixas, me chamou pra fazer um trampo e eu comecei a usá-las sem compromisso. De lá pra cá ele foi se empenhando cada vez mais porque viu que dava pra fazer um

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trampo legal. Hoje em dia fazemos um trabalho em conjunto. o Josué fez da Alfa uma marca bem legal, totalmente focada só no carrinho e apoia como pode a galera. o mais importante: é um ajudando o outro a crescer. Faz quanto tempo que você está na alfa? Vai fazer dois anos. Desde que eu passei pra pro, no final de 2011. Mas antes disso eu usava as lixas dele. e o seu pro model, como surgiu a ideia? o Josué me perguntou se era interessante fazer o meu pro model, eu gostei da ideia e hoje me orgulho disso, porque foi feito dentro de uma marca de skate mesmo. Isso daí, pra mim, é o mais importante. Quanto shapes assinados você lançou? Dois pro models, vai sair um terceiro e também começamos a vender o meu model de rodas. A gente está trampando para que cada vez mais a marca cresça e desta forma eu evolua junto. Antes disso, lancei também um pro model pela Believe. Foi o shape que me lançou como profissional; agradeço aí o (ronaldo) Formigão pela ajuda. Qual a importância de um pro model pro skatista profissional? Acho que o pro model é um reconhecimento dos anos de dedicação ao skate, pelos longos 20 anos de evolução. Acho que é a maior satisfação do skatista ter seu nome escrito no shape! Acho que todo mundo que inicia uma carreira de skatista pensa em um dia chegar a isso. Você tem retorno financeiro com pro model?


René JunioR

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René JunioR

Fakie five-O grind, Rio de Janeiro, RJ.

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Fellipe FRancisco

silas ribeiro // entrevista pro

Ss bs heelflip, California, EUA.

Vou te falar que é mais pela satisfação própria do que pelo dinheiro porque o mercado no Brasil tá nas mãos de quem não pensa no skate. É bem difícil mudar isso, mas com os skatistas montando e tomando conta das marcas tomara que dê certo porque as que não têm os caras do skate, infelizmente só estão pelo dinheiro. por ter esse patrô de uma marca do sul do país, você tá sempre por lá? estava indo pouco, mas há dois meses, quando lançamos o meu pro model de shape, comecei a ser solicitado a colar pra lá e fazer o trampo nas lojas e pistas da região. e isso é importante porque a molecada que tá começando precisa dessa assistência, de me conhecer pessoalmente. sem esquecer que o sul é style para andar de skate também! na sua época de amador, você se destacava nos campeonatos?

Meu tempo de amador, tinha que trampar de todas as formas pra me destacar. Filmando, fazendo fotos e participando de campeonatos. tinha que dar os pulos! tinha os campeonatos grandes que deram a oportunidade pra muita gente aparecer. Nunca fui bom de campeonato; já me dei bem em alguns mas nunca foi meu forte. estava lá apenas para marcar presença. Você hoje consegue viver só do skate? Não vivo só do skate. tanto é que quando passei pra profissional, não só eu mas muitos aí. eu achava que poderia viver do skate mas não é do jeito que a gente quer. como skatista profissional brasileiro, você precisa de ter um trabalho fora do skate pra se manter? A minha rotina é acordar de madrugada duas vezes na semana, pra ajudar 2013/julho TRIBO SKATE | 47


entrevista pro // silas ribeiro a minha mina. A gente tem uma banca de roupas no Centro de Carapicuíba e temos que colar feira do Brás, em são Paulo, às 3h30 da madrugada, duas vezes por semana pra repor mercadoria. Voltamos de lá umas 6 da manhã, durmo até 8h30, ajudo ela a montar a banca, dou uma força pra ela, de lá faço meus compromissos e se sobrar tempo ando de skate. Nos finais de semana tem que dar um rolê com a gata e andar de skate. ela me apoia demais, é a pessoa que mais me apoia, tanto é que ela anda de skate, e se não fosse a força dela eu não teria o que tenho hoje. o que falta pro profissional brasileiro ser valorizado? o erro é do skatista ou de quem comanda as marcas? o grande erro é do pessoal que está comandando o mercado porque os caras estão muito pelo dinheiro e não investem da forma como deveria ser. Não voltam o dinheiro pro skate! Quando ele te dá uma camiseta, acha que está dando muito. Quanto mais você faz pela marca: faz foto, faz vídeo, vai pra gringa, faz o que tem que fazer; tudo colocando dinheiro do seu bolso e a gente nunca é reconhecido, nunca está bom. Aí, do nada, o cara vira as costas e fala que não dá mais! Você não tem um registro em carteira, não tem benefício e tudo aquilo que você acaba fazendo por satisfação não tem reconhecimento nenhum, acaba como se nada tivesse acontecido. algumas fotos da entrevista foram feitas na califórnia. como foi a experiência de manobrar nos picos gringos pela primeira vez? Vou levar pro resto da minha vida! Como todo skatista, também sonhava em ir pra gringa ou europa. Dei preferência de ir pros eUA, tentar e visto e ir pra lá logo, conhecer a essência do skate, ver os picos que só via em vídeo. Poder ir no tampa Pro foi uma experiência bem style, não tenho palavras pra descrever. Conheci vários lugares e um pouco da cultura do skate de lá, que é bem diferente da nossa! e os picos? A gente pensa que é só chegar e dar manobra; como o Gerdal mesmo fala a gente acha que é só chegar lá e dar manobra, mas não é. Lá, tudo é um obstáculo no seu caminho, fiquei meio travado, não sei se foi por causa de ser a primeira vez ou os picos que nós fomos eram monstros. A gente olha no vídeo e pensa que dá pra voltar aquela, chega lá você não consegue nem se aquecer pra manobrar (risos). É totalmente diferente daqui! e a próxima viagem dos sonhos? tenho vontade de conhecer Barcelona; se der certo quero ir ano que vem, pra conhecer um pouco da cultura de lá, os lugares e andar de skate, claro! Quando começou a andar de skate imaginou que chegaria a ser profissional? Quando a gente se dedica em alguma coisa, temos que nos esforçar para que dê certo. eu me dediquei, ainda não consegui da forma que queria, mas sou feliz andando de skate. Você divide a casa com outros skatistas. como é viver com essa galera? É família, mano! eu, Korn, David, Neia, Maizena, a galera que cola em casa. A gente anda de skate junto; agora nem tanto pois o Maizena tá com uma loja e morando com a mãe dele novamente. Mas é bem da hora porque um ajuda o outro! skatista brasileiro se vira como pode: anda com o skate e no espaço que tem. a galera que você anda costuma dar o talento nos picos pra andar? Como a gente nunca teve um palquinho da hora e as pistas de Barueri são todas umas ‘cacas’, nós começamos a fazer acréscimos na pista do Centro, a do são Pedro. Fizemos dois palcos e se a gente não fizesse isso, não teria. Construímos do jeito que deu e foi lá que a gente começou a andar em borda, porque até então só tinha rampa e quarter. Não que isso seja ruim, mas se não tivéssemos feito o palco não ia rolar de ter! agora a realidade parece um pouco melhor? tem novos lugares que apareceram. o parque novo de Carapicuíba tem várias bordas, tem até uma foto que fizemos lá. o lugar tem vários picos pra

‘‘Hoje em dia eu penso duas vezes

antes de pular um gap. Prefiro andar de skate de baixo pra cima do que de cima pra baixo. Ao invés de pular, prefiro subir!’’ 48 | TRIBO SKATE julho/2013

Bs flip, Parque de Carapicuíba, SP.


leandRo Moska

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entrevista pro // silas ribeiro

‘‘Construímos o palco do

jeito que deu e foi lá que a gente começou a andar em borda, porque até então só tinha rampas e quarters das pistas.’’ andar, saiu a matéria no olho de Peixe lá. tem que aproveitar ao máximo porque o chão já está se desgastando e isso zoa ainda mais o skate. Qual foi sua primeira impressão quando colou na nova roosevelt a primeira vez? Melhor pico de skate no Brasil, na minha opinião. e tomara que continue assim! Pro cara que está iniciando no skate, o solo é perfeito. As bordas vão se transformando, onde se quiser passar vela e começar a andar, vai escorregar. É muito perfeito: tem escada, corrimão. se um cara quiser fazer uma parte de vídeo é só vir pra são Paulo e andar aqui! mudando um pouco de assunto! Você foi pras ruas durante as manifestações? Não! Mas um amigo meu foi, tava lá no protesto pra ver se baixam o preço da passagem pra vir pro Centro. o que você achou destes movimentos? eu concordo, acho que tem que lutar pelos direitos; tá tudo muito caro, não só as passagens. Pra tudo que se vai comprar tem algo que se paga a mais! tem que ter a manifestação, só não dou razão pros que colam pra quebrar coisas de quem não tem nada a ver. na sua opinião, qual equipe de marca brasileira é a mais pesada? A marca que eu acho pedrada mesmo é a equipe da DC Brasil. os caras manobram, fazem um pouco do skate brasileiro acontecer. tipo, eles não ficam fazendo naipe igual vejo uma galera de outras marcas atuando! Você usa boné? por que? eu uso! Gosto porque é estiloso, faz parte do contexto do skate, das ruas. Às vezes coloco uma roupa e um boné style pra combinar com o tênis, faz parte do kit. eu acompanho os lançamentos, inclusive recebo caps da official, um mais louco que o outro, e eles mandam modelo pequeno, no tamanho que serve em mim, o que é um pouco difícil. Você tem vários vídeos na internet. Qual deles você considera a parte mais sólida? A parte de vídeo que mais me dediquei pra fazer foi meu ‘this Is New Pro’, lançado pela Alfa. Foi o que mais me empenhei, porque ele foi feito pra mandar pros caras de tampa e tentar correr o evento. Para eles me conhecerem e eu poder correr! mas não rolou, é isso? Infelizmente não rolou porque eu tinha que ter corrido algum evento internacional como amador. Como não tive essa oportunidade não rolou. Mas teve o lado positivo e é isso que interessa. Qual a importância da música no vídeo de skate? o som é tudo, é o foco da parte! se o som não for da hora, a galera não vai nem ver o vídeo porque só dar manobras é fácil, tem que ter todo o conjunto pra ficar completo. o cara que vai aparecer no vídeo tem que sentar com o que vai editar e fazer o trabalho em conjunto, levando em consideração também a opinião de alguém de fora. essa é a fórmula pra ser ter uma parte de vídeo bem legal!

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Gap to bs tailslide, California, EUA.


Fellipe FRancisco

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entrevista pro // silas ribeiro e quando o ritmo de rolê e a evolução diminuírem, vai continuar ligado ao skate? eu quero estar envolvido com o skate sempre! Dediquei minha vida toda ao skate; são quase 20 anos e vou parar só porque vou completar 40 anos? então, se é pra fazer 40 anos que seja andando de skate. Vou estar focado em tudo: eu e o skate, o skate e eu. o que eu puder fazer pelo skate do Brasa, vou fazer acontecer. Você passou pra pro no final de 2011, teve chance de correr alguma etapa do circuito cBsk? Corri sim, na verdade a etapa do Mundial de Fortaleza em 2012, promovida pela CBsk e a WCs. e como foi? Foi uma experiência nova pro meu skate! Fui lá, andei, aproveitei ao máximo. Não fui só pelo skate mas também pra conhecer a galera de lá, que nos recebeu muito bem. Conheci os picos da região. Na verdade é isso que o skate me proporciona: novas amizades, conhecer novos lugares! esse foi o primeiro evento de pro que participei... Não, não: na real o primeiro que corri como profissional foi

‘‘Na internet o

que saiu ontem já é antigo, na revista não: você fica eternizado nas páginas dela pra sempre!’’

Fellipe FRancisco

Tipo de som? anda escutando som na session, ou só em casa? Não, eu escuto som em casa. escuto de tudo, só não escuto brega e axé. Pouco funk também, mas escuto: é só do Brasa, né! Mas não tem um som certo que eu gosto, o que estiver tocando eu curto. Não tem tempo ruim. Você encara obstáculos que estão pertos do chão, como palcos, mas também manobra de lugares mais altos, que têm bastante impacto. Qual a técnica pra não ficar muito tempo de molho? eu já pulei bastante gap, mas estou com o tornozelo um pouco zoado; dei uma força a mais e cai errado. tô precisando fazer uma ressonância, mas ainda não tenho condições pra isso. Hoje em dia eu penso duas vezes antes de pular um gap. Prefiro andar de skate de baixo pra cima do que de cima pra baixo. Ao invés de pular, prefiro subir! Já me machuquei bastante e isso vai limitando um pouco o skate porque o corpo não aguenta muito tempo. Mas se precisar, a gente pula! se tiver que encarar, a gente vai pra cima.

Fs flip, CA, EUA.

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Fellipe FRancisco

Fs ollie to ss crooked, CA, EUA.

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entrevista pro // silas ribeiro

o Fix to ride da Converse, em Belo Horizonte. Me dei bem, fiquei em quarto lugar. Foi mó da hora porque consegui me puxar na final e depois desse que eu fui pra Fortaleza. Viagem style que fiz com o Korn! preparado pras etapas que estão pra vir em 2013? sempre estive preparado! Quando tiver eventos e eu estiver envolvido, vou estar presente andando de skate. Qual a importância pra um skatista profissional ter entrevista em revista de skate?

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A revista é importante porque antes de vir essa parada de internet, video part, a revista que nos deixava informados. Hoje em dia com a internet a galera posta qualquer coisa sem critério e por isso eu valorizo ainda mais a revista. Você leva ela pro trem, lê no banheiro, dá ideia no cara. e na internet o que saiu ontem já é antigo, na revista não: você fica eternizado nas páginas dela pra sempre! A revista representa muito para um profissional; ela tem mais importância do que uma video part porque a revista você pode guardar, está impresso e com você. onde você for pode levar! Parte de vídeo também


leandRo Moska

Bs bluntslide flip out, Praça Dina, São Paulo, SP.

é importante, você mostra pro mundo todo, mas a revista eu levo comigo e consigo mostrar na hora. agradecimentos! Minha mãe, minha irmã, minha namorada Neia; o pessoal da casa: Korn, David e Maizena; meu amigo Darlan; os caras que andam de skate comigo no dia a dia. Agradecer o pessoal da Alfa, que anda de skate comigo. Agradecer o pessoal que me ajuda: Crail, official. Pra todo mundo!

// SilaS RibeiRo “biSteca” NAsCeu em BArueri e morA em CArAPiCuíBA/sP 28 ANos, skAte desde 1993 PAtrô: AlfA Video mAgAziNe APoio: offiCiAl, CrAil

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gabriel fortunato // entrevista am

Centrado e iluminado Quem vê o Gabriel Fortunato andando de skate sabe Que ele tem potencial. o estilo leve de andar e a Facilidade na execução das manobras, até das mais diFíceis, deixam QualQuer um de olhos atentos no Garoto. a pista de suzano é o habitat natural do skatista de 15 anos de idade, mas ele é do tipo Que se adapta rapidamente a QualQuer terreno novo. picos Grandes ou peQuenos, Gabriel Gosta de enFrentá-los com a mesma vontade de Ganhar Que tem Quando joGa FiFa no videoGame com os amiGos. são os primeiros passos de Gabriel em uma caminhada Que parece reservar coisas muito bonitas para ele, Que tenta se manter sempre centrado, Fazendo o melhor para seu Futuro e para sua Família. Por Filipe Maia // Fotos ThoMas “Toddy” Teixeira

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C

omo você conheceu o skate? Conheci através do meu irmão. Ele começou a andar de skate primeiro. Eu era bem pequeno e ele, um dia, me comprou uma papete, aquelas sandálias de criança, que vinha com um skate de plástico, bem pequenininho e eu comecei a andar com esse skate. só que um dia meu irmão tentou dar um ollie nele e quebrou. Ele jogou fora e nem me falou nada, sendo que eu estava procurando o skate igual um doido! Ele estava me fazendo uma surpresa: quando voltamos para casa, nesse dia, vi um skate montado, todo da hora e meu irmão falou: “ó, presente pra você!”, e eu fiquei super feliz! Minhas primeiras sessões com esse skate foram com meu irmão na pista de suzano, que na época era perto de casa. Eu lembro que a primeira vez que tentei descer a 45 eu consegui e meu irmão ficou todo orgulhoso. Depois disso, todo dia eu andava de skate com ele.

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e essa ligação sua com seu irmão? Quem te conhece sabe que é muito forte, mas explica melhor como é o seu relacionamento com ele. Meu relacionamento com ele é suave! todo dia depois da escola eu trombo ele, a gente almoça junto, anda de skate junto, sai pras sessões juntos... Minha família é bem unida, a gente sempre sai para almoçar ou jantar, eu, minha mãe, minha irmã e meu irmão. só de vez em quando que saem umas briguinhas, mas, normal, né (risos)? Como sua família enxerga o skate na sua vida? eles apoiam? Quando eu comecei a andar de skate, minha mãe e minha irmã ficavam preocupadas, achavam que eu ia me machucar, até um dia que meu irmão deu a ideia de elas irem me ver andar de skate no parque, para elas verem que não tinha perigo. Elas foram e eu estava andando de boa, nem estava vendo onde elas estavam. Elas me viram descendo as rampas e gostaram! Quando saiu mi-

“Eu lembro que a primeira vez que tentei descer a 45 eu consegui e meu irmão ficou todo orgulhoso. Depois disso, todo dia eu andava de skate com ele.”


gabriel fortunato // entrevista am

Fakie flip bigspin.

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entrevista am // gabriel fortunato

“Quando saiu minha primeira foto na Tribo Skate minha mãe curtiu muito e começou a me levar para alguns campeonatos.”

Bs ollie 180º.

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nha primeira foto na tribo skate minha mãe curtiu muito e começou a me levar para alguns campeonatos, junto com meu irmão e às vezes minha irmã vai também. todo mundo me apoia, sim. Você é novo, mas já está em evidência. existe uma pressão ou é mais forfun? Eu ando de skate para me divertir, desde pequeno. o primeiro campeonato que corri, ganhei. Depois disso, meu irmão começou a me levar para todas as competições mas nada sério, sem pressão, a gente corria para se divertir, estar com os amigos. Eu ando de skate para me divertir, ponho um som e vou andando por aí. e os estudos? Como você concilia os estudos e o skate? Eu estudo de manhã e à tarde ando de skate. Vou para a escola e na volta, se tem alguma lição para fazer, faço rapidinho para poder andar de skate. Eu ando de skate todo dia, mas sem tirar nota baixa na escola, porque, senão, já sabe, né? o chicote estrala! Minha mãe não gosta que eu tire nota baixa nem que eu falte muito, então tento faltar o menos possível e tirar o menor número de notas baixas para ela não ficar brava comigo; ela pode até me bater ou tirar meu videogame! Você faz parte de times de marcas grandes e precisa sempre viajar. Como é na escola quando você precisa ficar uns dias fora? Quando eu vou viajar, peço uma carta para o patrocinador, explicando o porquê de eu estar fal-

tando e levo na diretoria da escola para eles me liberarem numa boa. Como é na escola? o assédio é grande? A maioria das pessoas sabe que eu sou skatista e sempre quando sai alguma novidade minha, principalmente na televisão o pessoal comenta: “te vi na tevê!”, mas é muito tranquilo, o pessoal é bem de boa. Na escola sou igual no skate, suave com todo mundo. Falo gírias, ensino umas gírias de skate pros moleques, jogo futebol... e as meninas? (risos) Ah, às vezes elas gritam meu nome no corredor, pedem pra tirar foto comigo no intervalo, mas é normal, é a fase, né, mano? Como os patrocinadores veem isso, você estudar e andar de skate? eles apoiam? Na real, meus patrocinadores falam bastante para eu não faltar e não tirar nota baixa porque eu posso me prejudicar depois. se eu repetir de ano, é capaz que eu perca alguma cota, ou algum benefício. É um incentivo a mais para estudar, além de andar de skate. o negócio é focar nos estudos. Você é de suzano, certo? Conta um pouco do seu dia-a-dia. Com quem e onde você costuma andar de skate? Levanto cedo, vou para a escola, volto na hora do almoço, como, assisto a um vídeo de skate, jogo um videogame e passo na minha madrinha para dar um salve para ela, tomar um suquinho, que é de lei, né, não pode faltar! Depois disso


Fs noseslide.

vou andar de skate na pista perto da minha casa. Ando sempre com meus amigos, o Fabricio, Gabriel Gonçalves, o Johnny, Amaral, Allan, entre outros. Chega a noite, vou para casa descansar, assistir novela junto da família (risos) e aí começa a rotina toda de novo. ser de um local mais afastado do Centro de são paulo é mais fácil ou mais difícil pra fazer o corre? Dou graças a Deus que não moro no interior, o corre ia ser dobrado. Moro em suzano e pegando o trem você já está em são Paulo. Em menos de uma hora e meia já estou no centro. Não é longe e não atrapalha em nada. Eu e meu irmão estamos sempre fazendo o corre, filmando, indo para vários lugares, então é tranquilo morar por lá. o que você faz quando não está andando de skate? Jogo bola com meus amigos, jogo bastante videogame, tiro um contra de FIFA com meus amigos e de vez em quando, jogo basquete, mas isso quando meus primos vão me visitar. e a viagem que você fez pro Tampa, no fim do ano passado, como foi? Com quem você foi? e como foi o campeonato? Fui com meu irmão. Na real, ele estava planejando essa viagem há uns três anos e nunca deu para nós irmos. Até que em 2012 rolou uma oportunidade da hora e a gente se jogou! A viagem em si, para mim foi tranquila. Para o meu irmão foi meio tensa; ele ficou nervoso com o voo e as turbulências, estava sempre apertando minha mão, com frio na barriga. A única emoção foi antes da gente ir, no aeroporto, quando a família foi desejar boa viagem, mas foi tudo tranquilo. Era uma sensação muito boa; a gente não parava de pensar “caramba, a gente está indo pra gringa!” e deu tudo certo, no final. A gente se virou no inglês básico que eu e meu irmão temos. Chegando em tampa, parecia um sonho. saímos para dar um rolê na cidade que era muito style. No campeonato eu fiz meu rolê bem tranquilo, sem entender nada do que os narradores falavam. Eu só precisava entender meu nome e em que bateria eu iria correr (risos)! o pessoal de lá era bastante humilde, qualquer mano-

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Ss fs big spin.

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gabriel fortunato // entrevista am

“Era uma sensação muito boa; a gente não parava de pensar ‘caramba, a gente está indo pra gringa!’ e deu tudo certo, no final.” 2013/julho TRIBO SKATE | 63


“Eu ando de skate todo dia, mas sem tirar nota baixa na escola, porque, senão, já sabe, né? O chicote estrala!” bra que você dava, todo mundo aplaudia. Foi legal porque eu não fiquei com frio na barriga, me senti bem confortável. Foi suave! Tem outras viagens em mente? Esse ano, pretendo ir de novo para tampa. Queria ir para a Europa mas não vai rolar porque tem outras coisas para fazer nas férias. Ano que vem pretendo me jogar para os campeonatos de amadores dos Estados Unidos e é isso aí, viajar o máximo que posso. e pro futuro? Quais os planos? Andar de skate com meu irmão até minhas pernas e as dele não aguentarem mais! Continuar estudando porque, caso aconteça alguma coisa, tenho os estudos para me garantir. Quero viajar bastante, conhecer vários lugares e levar minha família junto, também. o que você mais gosta no skate? o que eu mais gosto é sair remando, dando umas manobras. Gosto quando minhas manobras saem perfeitas, andar com meus amigos e quando aquela sessão é da hora mesmo e dá tudo certo, quando nada de ruim acontece. algum salve final? Quer deixar algum recado? Primeiramente agradeço a Deus e à minha mãe por ter me colocado nesse mundão. Meu irmão porque sem ele eu não sei o que eu seria, não sei se estaria andando de skate. Agradeço ao skate, porque se não fosse ele eu não estaria aqui e não saberia o que eu ia estar fazendo agora. Acho que eu iria estar dormindo em casa (risos). Agradeço à minha irmã, minha madrinha, meu padrinho. Ao irmão da minha madrinha, o ronaldo, que andava de skate há milianos e dava um incentivo pro meu irmão na época em que eu ainda não andava, mas sei que isso influenciou muito nas nossas vidas. Meus amigos de suzano que andam sempre comigo: o Allan, o Amaral, Fabricio, Gabriel, Carlão, Kinho, Johnny, os que vêm em mente... Meus amigos da escola, também. Quero agradecer também ao roger Mancha, o thomas toddy pela parceria nas fotos. Aos amigos Felipe Caetano, Bruno Dent, Bruno Maranhão, Leticia Calmona, Fernando Granja, tulio oliveira, Wacson e Luciano Mass, a galera de são José dos Campos. Agradeço aos meus patrocinadores por sempre darem suporte ao meu rolê e acreditarem em mim. A tribo skate por ter dado esse espaço para mim. Valeu! E vai Corinthians! se eu esqueci de alguém, podem me cobrar depois (risos).

// Gabriel Fortunato SoareS 15 anos, 6 de skate Patrocínios: element skateboards, monster energy drink e sPace skate shoP suzano, sP

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Fs feeble.


gabriel fortunato // entrevista am

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luz Wilton Souza, fS crooked to fakie, centro de S達o Paulo. foto robSon Sakamoto

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RodRigo PeteRsen “geRdal”, ss fs nose blunt slide, los angeles. foto Pablo Vaz

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luz

caio PaStel, fS noSegrind tranSfer, Vila formoSa, S達o Paulo. foto raPhael kumbreViciuS

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JéSSica florêncio, hard fliP, Stalin Square, Praga. foto kubo krížo

Peter VolPi, imPoSible tailgrab, Praça dina, São Paulo. foto carloS henrique doS SantoS

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luz

marcoS noVeline, bS Smith Stall, São JoSé doS camPoS. foto rodrigo kbça

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luz raPhael gibSon, bS tailSlide, rio de Janeiro. foto cau達 cSik

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diego laurindo marqueS, SS crooked, guarulhoS. foto flaVio gomeS

luz

oSeiaS borgeS, fS fifty, el Prat de llobregat, barcelona. foto rodrigo kbรงa

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thaynan coSta, fS hurricane, barcelona. foto Paulo macedo

rogĂŠrio febem, ollie, SĂŁo caetano do Sul. foto rafael niShiura

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luz

antonio Juneka, manual to noSe manual Varial. fotoS marcelo mug

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luz alex carolino, SS bS blunt tranSfer, curitiba. foto Pablo Vaz

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matriz // street indoor

Matriz Spot

S처 para convidados Por Junior Lemos // fotos ALex BrAnd찾o, Jo찾o BrinhosA e dAnieL souzA

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Alex BrAnd達o

Cezar Gordo, overcrooked.

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dAniel souzA

matriz // street indoor

o

oão BrinhosA

terceiro andar de um conjunto esportivo em Porto Alegre. Uma pista de skate toda feita de madeira, lugar perfeito pra se andar de skate, com o bônus de se ter uma vista privilegiada da cidade, certamente o pico que todo skatista brasileiro sonha hoje manobrar. Materialização de um projeto que leva o selo Matriz de qualidade, iniciativa de Cezar Gordo e Luan de oliveira, com projeto da empresa skate Parks otimizados (spot) e o objetivo principal de servir como pista para os skatistas da marca se divertirem. Por isso o endereço é mantido entre eles já que o park é para sessões entre amigos, convidados, parceiros e ações da Matriz skate shop. e como é feito de skatista pra skatista, todo a sua execução foi planejada em todos os detalhes. A área foi construída com madeira de reflorestamento, utilizando um novo material nas bordas e no corrimão: a madeira plástica, inovação que trouxe maior resistência e menos atrito para o deslizar de shapes e eixos. Além disso, alguns obstáculos são móveis, o que possibilita a variação do espaço, de acordo com a imaginação do skatista. A pista é perfeita e foi revelada ao mundo do skate no dia 5 de julho. e quando perguntamos de projetos futuros, por enquanto Gordo diz querer apenas andar bastante no spot, mas com certeza já está pensando nos próximos passos da Matriz porque inspiração não vai faltar!

João BrinhosA

Douglas Molocope, ss heelflip.

Gordo, Luan, Cida.

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Jo達o BrinhosA

Luan de Oliveira, 360 flip.

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dAniel souzA

Daniel e Rafael Dias.

dAniel souzA

Careca e Cae Matte.

Jo達o BrinhosA

Patrick Vidal.

Narciso e Marcinho.

dAniel souzA

dAniel souzA

Samir e Iqui.

Jo達o BrinhosA

dAniel souzA

matriz // street indoor

Felipe Oliveira, hardflip.

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casa nova //

Heel flip drop em Várzea Paulista/SP.

Michael Douglas // Fotos Leonardo Laprano Ser skatista: É ser humilde, aprender e crescer a cada momento. Quando não está andando de skate: Estou trabalhando. Skatista profissional brasileiro em quem se espelha: Lucas Xaparral. Skate atual: Shape Eleven, trucks V8, rodas e rolamentos Bones. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô: Coca-Cola. Som pra ouvir na sessão: Um bom rap. Parceiros de rolê de skate: Renato Oliveira, Gerson Jr, David Black, Leandro Barsotti, Rafael Oroco e Maximiliano Pancho.

Melhor viagem: Buenos Aires, Argentina. Melhor pico de rua: Praça Roosevelt, São Paulo. Melhor pista: C-Vida. Sonha alcançar com o skate: O profissionalismo. Aquele salve: Pra toda a rapaziada do skate que fortalece e faz acontecer. // Michael Douglas 22 anos, 13 De skate Várzea Paulista/sP Patrocínio: eleVen aPoio: arena concePt

‘‘Vencer é nunca desistir.’’ 86 | TRIBO SKATE julho/2013


casa nova //

Emanoel Enxaqueca pediu atenção ao garoto. Ele foi lá e voltou este no comply na Praça XV e mostra que é linha de frente da nova geração.

renato riguetti // Fotos rené Junior Ser skatista: É ser skatista. Quando não está andando de skate: Estou pensando em que horas vou andar. Skatista profissional brasileiro em quem se espelha: Rafael Gomes. Skate atual: Shape maple Diet, trucks Crail, rodas Legitime e rolamentos diversos. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô: Sadia. Som pra ouvir na sessão: Jazz. Parceiros de rolê de skate: Pedro Ventura, Eduardo Dinheiro é Papel, Fred Arruda, André Mogli, Léo Rodrigues, Léo Lopes, Antônio, Rodrigo Almeida, Pedro Minidead, Tácio Alves,

Raphael Gibson, Thiago Gorgon, Jonatha Alexandre, Carlos Choco, Geoffrey e por aí vai. Melhor viagem: Campinas/SP. Melhor pico de rua: Praça XV e Largo da Segunda-feira. Melhor pista: Lagoa. Sonha alcançar com o skate: Ter mais liberdade que no dia anterior. Aquele salve: A todos meus amigos citados aí em cima. // Renato FeRnanDes Riguetti 19 anos, 5 De skate De niterói, Mora no rio De Janeiro

‘‘inspire others to inspire themselves.’’ 88 | TRIBO SKATE julho/2013


casa nova //

Hurricane, Clube 12, Jurerê, em Floripa.

zene sachs // Fotos João Brinhosa Ser skatista: É um estilo de vida! Quando não está andando de skate: Fico vendo vídeos de skate, estudando inglês... O porquê do apelido: Até hoje não sei, hahah. Desde que nasci tenho esse apelido, criado por minha mãe. Skatista profissional brasileiro em quem se espelha: Allan Mesquita, Pedro Barros entre outros. Skate atual: Shape Devotion, rodas Bones, trucks Ace e rolamentos Red Bones. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô: Apple. Som pra ouvir na sessão: Rock’n roll. Parceiros de rolê de skate: Lucas Sachs,

‘‘

Marcos Gabriel, Allan Mesquita, Caique Silva, Migs Silveira. Melhor viagem: Cabo Frio/RJ. Melhor pico de rua: Ando mais em transições. Melhor pista: Konig House. Sonha alcançar com o skate: Viver profissionalmente dele. Aquele salve: A todos skaters de verdade! // luís sachs ceRa coRaDin 18 anos, 7 De skate nasceu eM curitiba/Pr, Mora eM FlorianóPolis/sc Patrocínio: Qix, DeVotion aPoio: konig, swell, estação saúDe

’’

Vivendo e aprendendo.

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// + zap

Cloverdale 2013 Por Cesar Gyrão // Foto Jim GoodriCh O 2° World Round Up em Cloverdale, Canadá, durante o feriado da rainha, reúne os melhores freestylers do mundo em seu rodeio e feira anuais. Mais uma vez Per Canguru é o melhor brasileiro entre os pros, desta vez com a quinta colocação, mas um amador da nossa terra emplacou o segundo em sua categoria. O time brazuca foi o mais completo dos últimos anos. Saiba um pouco mais sobre nossos representantes nas três perguntas para Per Canguru: Mais uma vez deu Guenter Mokulys entre os pros, mas desta vez os japoneses vieram com tudo. Eles foram a grande novidade deste ano? Na verdade eu apostava muito no Mike Osterman, um grande talento de Chicago/ EUA. Eu estava em segundo lugar na semi final, mas infelizmente não fiz uma boa volta no dia seguinte. No terceiro dia de evento a novidade foi o Seya, que andou muito e merecia a vitória. O novo campeão mundial é Sebastian Heupel que não competiu em Cloverdale, mas venceu o Mundial no NASS (Inglaterra) e depois levou também Padderborn (Alemanha). O julgamento melhorou muito nos últimos anos. A categoria profissional está se renovando e trazendo skatistas muito bons. Você falou em seu blog que o time brasileiro foi 30% dos top 10. Além do sempre presente Rene Shigueto, quem nos representou? Também estavam lá: Kauê, Thomas, Tai Tai, Lucas Gomes e Lúcio. Ano que vem o número será ainda maior. Apesar de não assumir o título de “Campeonato Mundial” é o maior e mais importante evento da modalidade, nenhum outro reúne tantos países, um premiação de 10.000 dólares, um local perfeito e um público tão grande. O Brasil é considerado a “Terra do Freestyle” desde 2005 e cresce a cada dia; a modalidade se fortalece, o mercado de produtos vai se especializando, mas falta muito trabalho e divulgação por aqui. Seguindo seu raciocínio sobre o atual estágio da modalidade no Brasil, como podemos fazer para o freestyle ser maior do que parece? A maior carência hoje está na divulgação, na mídia especializada ou não em todos os segmentos - é uma modalidade ainda pouco conhecida fora do cenário. São poucas marcas que enxergam o potencial do freestyle e de como esses skatistas podem representar sua marca. Isso impede que muitos não tenham condições de competir lá fora.

Double flip 180º. Poucas aparições em programas de TV e sabemos que o mercado consumidor está diretamente ligado à informação. Se hoje estamos entre os melhores do mundo tendo essas dificuldades, provavelmente é o mérito de quem aproveita cada oportunidade de divulgar e fazer coisas positivas pelo freestyle. Somos hoje muito maiores que há 10 anos atrás, acho que para sermos realmente maiores do que parecemos falta valorização do que fazemos, investimento e reconhecimento.

// RESultAdoS Amador: 1º Ryan Brynelson / 2º Kaue Araujo / 3º Andy Anderson / 4º Jacob Whitt / 5º Thomas Nascimento Profissional: 1º Guenter Mokulys / 2º Seya Nakano / 3º - Mike Osterman / 4º Masahiro Fujii – 279 / 5º Per Canguru – 278 / 7º Lucio Lima – 267 / 8º Rene Shigueto – 265 Best trick: 1º Dan Garb 360 spin-off: 1º Russ Howell / 2º Kevin Harris / 3º Guenter Mokulys


hot stuff // julho

// Globe A Globe apresenta seu novo cruiserboard: Geminon. Ótima opção para o freeriding e o downhill que apresenta a fixação dos trucks feita sobre o shape para um centro de gravidade mais baixo, tornando o skate estável independentemente da velocidade do skatista. Além disso, conta com rodas dureza 83a. (11) 3525-0624 / sac@bigbrands.com.br

// Mormaii Seguindo as tendências de fones de ouvidos grandes (retrô), tipo DJ, a segunda geração do Bombastic é um super fone de ouvido com espuma de poliuretano envolta de um couro macio e flexível, deixando o fone super leve e confortável, com alta qualidade de som e fidelidade. 0800 644 7711 / www.mormaii.com.br

// Converse Parte do time internacional da Converse, Rune Glifberg é um skatista dinamarquês que marca uma geração com seu estilo peculiar e ousado. E pra valorizar toda essa história, a Cons desenvolveu dois modelos em colaboração com o profissional, que receberam reforço para a prática de skate. Os sneakers serão vendidos apenas em lojas especializadas! (54) 3285-2800 / converseskateboard.com.br

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// Spitfire Uma das marcas de rodinhas mais requisitadas prepara o lançamento de sua nova fórmula, que resulta em uma roda mais dura, de maior durabilidade e resistente a enquadrar. A Plimax recebe a novidade para venda exclusiva no Brasil. Dentro da ‘formula-four’ as redondas são divididas em vários tamanhos e em duas durezas: 99 e 101. (11) 3251-0633 / edgar@plimax.com

// Zoo York O relógio com maior identidade urbana dentro do universo skate, em um modelo casual para os momentos de lazer e descontração, que encaram tranquilamente também um rolê de street. (11) 3251-0633 / edgar@plimax.com

// SK8Mafia Em parceria com a marca de seda RAWthentic, a Sk8Mafia lança uma série limitada de shapes com a temática cannabis em cinco modelos: um com estampa tradicional e quatro com desenhos dos skatistas da marca sendo embalados para o consumo. No Brasil a série já está disponível na Plimax! (11) 3251-0633 / pira@plimax.com

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Fernando Gomes

Slim Rimografia

Aumenta o volume

Um dos principais nomes do rap brasileiro, slim rimografia lançoU este ano a mixtape aUmente o VolUme, qUarto registro da carreira do rapper qUe já conta com mais de dez anos de experiência nas rimas. nesse trabalho (disponíVel para download gratUito em http://mokado.com.br/), o rapper traz mais Uma proVa da sUa eVolUção, com Um conjUnto de rimas criatiVas sobre temas diVersos e instrUmentais bem prodUzidos. mais qUe Um mc, slim também é conhecido por seU trabalho como beatmaker e é ele mesmo qUem assina a maioria dos instrUmentais de sUas músicas, além dos trabalhos de prodUção mUsical qUe faz em seU estúdio mokado records. o bom trabalho qUe Vem fazendo no mUndo da música e do hip hop já é motiVo bastante para trazermos nessa edição Uma entreVista com ele, mas pra completar o cara também é skatista. descUbra mais sobre o slim rimografia na conVersa abaixo, onde ele faloU sobre a mixtape, hip hop, próximas ações e, claro, do seU enVolVimento com skate. // POr FernandO GOmeS

O

skate te mostrou o rap ou o rap te mostrou o skate? Há quanto tempo você está envolvido com essas duas atividades? Comecei a andar de skate em 1994. O skate me mostrou o rap pois lembro que ouvia alguns raps nos primeiros vídeos de skate que tive acesso, como Silly Society, Plan B 01 e as edições do 411VM. Um desses sons que me marcou muito

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na época foi A Tribe Called Quest, com a música “Can I Kick It”, que foi usada na parte do Bob Burn­ quist, acho que no Silly Society. Mas só comecei a fazer alguns versos mesmo no ano de 2001 e depois disso nunca mais parei. O que você costuma ouvir como trilha para as sessões de skate? Escuto um pouco de tudo que gosto, alguns álbuns clássicos de rap dos anos 90, jazz e o ori­

ginal funk, mas depende muito do meu estado de espírito no dia. Comente sobre a faixa “Session” – música que fala sobre skate na sua mixtape mais recente. Essa é uma letra bem autobiográfica, a maio­ ria das pessoas citadas são amigos que sempre andaram de skate comigo, como o Formigão, da Nail Skate, e outros dois amigos que infelizmen­ te acabaram falecendo: Alberto Pires, conhecido


TiaGo rocha

// áudio como Betinho Pires, que era skatista profissional e o rodrigo Toro, amador que era meu vizinho. Os sons das manobras de skate presentes na música eu mesmo fiz a captação, alguns na rua e outros em meu home studio. O que faz de “aumenta o Volume” uma mixtape e não um álbum? Acho que a forma que desenvolvi o projeto em minha mente. O disco é algo mais complexo que envolve um processo como se fosse um livro, sabe?! Em minha opinião, algo que precisaria de mais estrutura pra fazer. Mixtape é uma compila­ ção de canções que podem ser mixadas ou gra­ vadas de modo sequencial, antigamente gravadas em fitas cassete por alguns DJs que mixavam as músicas e vendiam de modo informal; é como um cartão de visitas, uma forma mais rápida e barata de divulgar seu som. dos tempos do clássico “Falido” (presente no primeiro disco, Financeiramente Pobre) para “aumenta o Volume”, o que você acha que mudou no seu trabalho? Mudou tudo, menos o meu amor e respeito pela Cultura Hip Hop. Os tempos são outros e nossa mente já não funciona como 10 anos atrás, acho que até a minha voz já não é mais tão aguda e nem as canelas tão finas (risos)! Como foi a produção dessa mixtape? Quais as parcerias presentes nela? Grande parte da produção é minha, mas tam­ bém tem beats do Filiph Neo e beats do Coyote, de Belo Horizonte. A captação dos áudios foi feita no Estúdio Preto Velho Produções, pelo Diego Dália, e a mixagem e masterização fui eu mesmo que fiz no meu studio Mokado records. A capa é do meu par­ ceiro Adolfo Pereira, que arregaçou na ilustração. Nas rimas contei com alguns artistas e amigos que admiro muito, como rael, Criolo, Coruja e o zica dos beatbox, Thiago Beats. O Seu Jorge também participa numa faixa, mas ele não sabe ainda (ri­ sos). Os scratchs foram feitos pelo DJ Willian. O que você enxerga de melhor e de pior no hip hop hoje? Não vejo nada de ruim no hip hop no verdadeiro hip hop. O maior problema são os que não são e não conhecem realmente a cultura e se utilizam dela pra benefício próprio. Cite cinco skatistas e cinco nomes da música que te influenciaram ou que você mais admira. Skatistas: Tom Penny, Eric Koston, Guy Mariano, Luan de Oliveira e rodrigo TX. Na música: Parteum, Mano Brown, Jay­z, Chico Buarque e Jorge Ben. após ter lançado essa mixtape, quais as próximas ações que o público pode esperar? O projeto agora é fazer shows, vídeos, lançar ca­ misetas e bonés. Também estou num projeto cuja ideia é fazer uma edição limitada de alguns shapes com a arte da capa da mixtape “Aumenta o Volume”, estou estudando possíveis parcerias com algumas marcas pra fechar esse projeto até agosto. O que você aprendeu no skate que leva pra vida? No skate não existe preconceito, ninguém está preocupado com a cor, a classe social ou o gosto musical do outro. É tudo junto e misturado, unidos pelo amor ao esporte. Isso é uma lição que eu levo pra vida!

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manobra do bem // por sandro soares “testinha”*

Cuidado com a minoria

N

os últimos meses, vimos um fenômeno muito bom acontecendo no Brasil e com brasileiros espalhados por alguns países do mundo. Muitas pessoas indo para as ruas protestar contra um monte de coisas erradas que acontecem no nosso Brasil. A principal queixa era a do mau serviço oferecido pelos setores públicos brasileiros, serviços esses custeados pelo dinheiro de nossos impostos, ou seja, pagos por nós. O valor das tarifas dos transportes públicos, levando em consideração o péssimo serviço oferecido - principalmente nos horários de picos, aqueles em que noventa por cento da população que faz uso desse serviço “público” são formados por trabalhadores - foi considerado o estopim da “revolta”. O estopim sim, mas não o único motivo para milhões de pessoas irem para as ruas em todo Brasil. No início as manifestações foram covardemente reprimidas pelas forças policiais, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, o que só fez aumentar a quantidade de pessoas nas ruas. Por causa de divergências políticas entre governos estaduais, municipais e até mesmo o federal, onde uns tentavam mostrar que a revolta não era com sua jurisdição e sim com outra instância, as respostas demoraram dias para ser divulgadas à população. Enquanto isso, as manifestações passaram a contar com a presença de vândalos, criminosos e queima filmes em geral. A partir daí o que se viu foram atos isolados que não representam a maior parte de nossa população: indícios de pessoas infiltradas nas manifestações a fim de provocar as forças policiais, que se viram impedidas de usar violência contra manifestantes legítimos que estavam exercendo seu livre direito de se manifestar; criminosos saqueando lojas de comerciantes que assim como a maior parte da população não veem o retorno de seus impostos, e olha que pequenos empresários, vítimas dos saques, pagam impostos absurdos e ainda geram alguns empregos; até falsos skatistas depredando veículos e comércios usando nosso “objeto sagrado”, instrumento de trabalho para alguns, único momento divertido e até mesmo razão de viver para muitos de nós. O que passou batido mas não despercebido foi notícias de pessoas utilizando o skate para depredar e (ou) tentar agredir alguém durante as manifestações, atos esses que na minha opinião são algo inadmissível. Depois de décadas lutando para o skate deixar de ser considerado sinônimo de drogas e vagabundos, não podemos permitir que uma minoria sem noção coloque tudo a perder. Recentemente ficou claro a união da maior parte dos praticantes quando uma revista semanal, através de uma foto de capa preconceituosa, insinuou que o skate estava ligado ao universo de jovens infratores das leis. Com a publicação nas bancas, aconteceu uma verdadeira manifestação virtual nas redes sociais repudiando a publicação. Milhares e milhares de skatistas dos mais conhecidos: de campeões ao mais anônimo de nós, todos demonstraram ser contra a associação do skate a qualquer ato violento. Deu um orgulho danado ver a união de nossa nação.

* Sandro Soares “Testinha” é o cabeça da ONG Manobra do Bem, em Poá, SP.

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Portanto, amigos, passada a euforia dos protestos e tendo em vista uma nova onda de manifestações que podem rolar no ano que vem, por causa da realização de uma das copas do mundo (de futebol) mais caras da história em um país onde os serviços públicos deixam muito a desejar, não podemos permitir que uma minoria de queima filmes cometam atos que comprometam todos que estavam lá com seus skates ao alto e até mesmo o utilizando como meio de transporte para fuga da violência policial. Agradeço a todos que se manifestaram de forma correta e que conseguiram mostrar que essa história de que a política é corrupta e que não há nada a fazer é balela. Quando o povo se junta e mostra sua força, as piores coisas podem mudar, e que o skate esteja nas próximas manifestações.

APOIO CULTURAL


skateboarding militant // por guto jimenez*

“A Pirâmide”, o pico mais antigo do Brasil Arquivo PessoAl FlAvio BAdenes

N

esse ano de 2013, o pico de skate mais antigo do Brasil completa longos 40 anos de bons serviços prestados à comunidade skatística nacional. Em todo esse tempo, acompanhou silenciosamente a todas as mudanças ocorridas no carrinho, desde seus primórdios no país até os dias frenéticos de hoje em dia. De terreno ideal pra treinos de slalom e solo fértil pro freestyle a pico obrigatório de filmagens e fotos de street, o local já viu de tudo um muito. Estou falando do Monumento a Estácio de Sá, também conhecido como a “Pirâmide”, uma obra completada em 1973 pra homenagear o navegador português que foi o primeiro a “descobrir” a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Repare só no naipe da construção: piso de mármore, muretas de pedra, degraus, rampa inclinada de subida, curb e a pirâmide em si. Um local que parece ter sido feito pra andar de skate, não é verdade? Foi isso que os pioneiros do local logo descobriram, ao se aventurarem com seus skates primitivos naquele monumento insólito erguido no Aterro do Flamengo. Na época, não havia nada em termos de skate em nosso país, e os picos eram as ruas, quadras e um ou outro local onde se pudesse andar sem ser incomodado pela polícia ou por moradores. Esses nada podiam fazer, já que a Pirâmide ficava longe dos prédios e a reclamação de barulho e/ou alguma bagunça provocada pelos skatistas não procederia de jeito nenhum – quer dizer, isso se não fosse a época da ditadura... Por muitas e muitas vezes, as “joaninhas” e os “camburões” da PM carioca interromperam as sessões simplesmente por implicância, naquela coisa típica de policiais não conseguirem ver ninguém se divertindo. E não tinha conversa naquela época: era parar de andar e procurar outro pico pra se divertir, isso quando os “homi” não cismavam de apreender os perigosos skates. Tempo ruim que não volta mais! Como falei acima, o pico viu de tudo: os OGs (Original Gangsters) desbravando o local, tentando sobreviver ao terreno liso com suas rodas primitivas da era pré-uretano. Depois, outros moleques da região começaram a migrar pro local pra aprender as bases e depois levar o que aprendiam ali pras ladeiras de um bairro próximo, já que o Flamengo é um bairro desprovido de terrenos inclinados. Mais adiante, nos anos “skate-punk”, era

Gangue da Pirâmide, em 1975.

parada obrigatória pros primeiros praticantes de street na cidade e pico de passagem certa pros skatistas de fora do Rio, devido ao cenário de cartão postal, bem de frente ao Pão de Açúcar. Com a consolidação do street como modalidade mais popular, passou a ser cenário fundamental de fotos e filmagens de vídeos; nos dias de hoje, voltou a reunir homens e mulheres de várias idades que desejam começar a pegar as bases dos carrinhos. Eu fui parte da segunda geração do pico, que reunia nomes como Ernani “Taitai”, Edu Bersan, Hélvio, Urso, Sérgio Peixe, Bruno “Bobeira”, Falcon e Bocão, entre outros. Fora isso, diversos skatistas de toda a cidade costumavam bater ponto no local quando as sessões de freestyle no MAM eram proibidas pelos seguranças. Mais adiante, ao lado dos “moleques” Maurice, Speedo e Márcio “Sting”, fui também um dos streeteiros pioneiros da modalidade no Rio e no pico, e foi nas paredes inclinadas que aprendemos a fazer wallrides de todos os tipos. Ainda nos dias de hoje, vou dar um rolé descompromissado na Pirâmide, e é inevitável que eu tenha lembranças de todos os tipos do pico. Algumas dessas lembranças incluem “filmar” tudo o que o OG Flávio Badenes fazia no local, ele que depois se sagraria campeão brasileiro de freestyle em 1979. A Pirâmide foi meu ponto de partida pra encarar outros picos, como a ladeira do Parque Guinle em Laranjeiras, a rua São Sebastião na Urca e a histórica ladeira da rua Maria Angélica, no Jardim Botânico – e todos os outros que surgiram desde o ano em que comecei a andar. Olhe bem a foto dessa coluna, tirada em 1975 e gentilmente cedida pelo próprio Flávio. Nela, você pode ver os OGs da Pirâmide: em pé, Ricardo Guise (com seu Bahne), Bob, Gilberto Kelsh, Claude Cabral (RIP), os dois Fernandos e o próprio Flávio; agachados na frente, os irmãos Evan e Peter Wheeler. Posso garantir que nenhum deles se importava com a moda ou o hype, apenas com a diversão que só o skate é capaz de proporcionar. Parabéns, Pirâmide!

APOIO CULTURAL * Guto Jimenez está no planeta desde 1962, sobre o skate desde 1975.

98 | TRIBO SKATE julho/2013


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Tribo Skate Edição 213  

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