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FA B I O S L E I M A N * P AV I L H Ã O 9 * A N T H O N Y A C O S TA

EDIÇÃO 200

A EVOLUÇÃO DA ESPÉCIE // FELIPE NERY 19 ANOS, AMADOR // PAULO GALERA 25 ANOS, PROFISSIONAL // ÁLVARO PORQUE? 45 ANOS, LEGEND

SWELL OLD IS COOL

TODOS CHEGARÃO LÁ! DROP DEAD CONCRETE WEEK

Fabrizio Santos, fs nosegrind Ano 21 • 2012 • # 200 • R$ 8,90

www.triboskate.com.br


índice // 200 junho 2012 // Edição 200 a evolução da espécie

EspEciais> 044. o amador Em plEna Explosão fElipE NEry, 19 aNos 056. o profissional consolidado paulo galEra, 25 aNos 068. lEgEnd aqui E lá fora Álvaro porquE?, 45 aNos 094. swEll old is cool a loNgEvidadE EM quEstÃo sEçõEs> Editorial...................................................................... 014 Zap ................................................................................... 022 luZ.................................................................................... 074 Casa Nova ................................................................... 082 Hot stuff ..................................................................... 088 Áudio - pavilHÃo 9 ................................................... 090 MaNobra do bEM .................................................... 092 skatEboardiNg MilitaNt.................................... 098 Capa: para comemorar essa edição histórica de uma publicação de skate no Brasil, convidamos Fabrizio Hora santos, o “cara de sapo”, “The Breeze”, para estampar sua primeira capa na edição de número 200, no melhor estilo. em um ditch perto de sua casa em lake elsinore, na califórnia, terreno esse cultural do skate, mandou esse frontside nosegrind embaçadíssimo, na perfeição de sempre. Foto: Fellipe Francisco ÍndiCe: os rastas representam nestes nobres espaços da edição 200. vitor sagaz tinha essa guardada na manga há um bom tempo, reservada para a ocasião certa. poucas tentativas e um rastro de telhas para seu belo drop. Foto: Fellipe Francisco

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2012/junho TRIBO SKATE | 13


MARCELO MUG

editorial // 200

Paulo Galera, feeble sobre o caveirão.

A evolução da espécie

D

e amador à legend é um longo caminho a ser percorrido. Numa época em que muitos começam a andar de skate muito criancinhas, assim que começam a andar sozinhos, a peneira natural tem gerado grandes talentos que perduram no tempo. Felipe Nery é filho de skatista. Embalado pelo pai, precocemente ele apareceu no “mercado”. As aspas servem para realçar uma situação, digamos, assim não muito comum para garotos de 5, 6, 7 anos: fazer parte de uma equipe e representar uma marca. No caso, a Son, da família do André Genovesi, vizinho de Marcelo e Felipe, enquanto morava no Brasil. Enquanto André e a marca estavam atuantes no país, Felipe fazia parte de apresentações e corria campeonatos vestindo sua camiseta. Um tremendo empurrão para o início de uma carreira no esporte. Com a mudança do amigo e patrocinador para os Estados Unidos, rolou um afastamento do skate e Felipe foi “brincar” com outras coisas. Ainda muito novo, voltou a vontade de andar de skate e a reinserção na cena foi tranquila. Um grande salto foi mudar para a Califórnia, para aprender o inglês e aprimorar suas habilidades. E que habilidades! A história deste garoto de Itape-

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cerica da Serra é bem diferente da de outro personagem desta edição especial, o Paulo Galera, de Canoas, Rio Grande do Sul. Galera está em plena atividade como profissional do skate, com carteira registrada, salário, compromissos e models de shape e tênis com sua assinatura. Isso tudo aos 25 anos! Assim como Nery vai fazendo seu nome crescer e atraindo novos patrocinadores, Galera vai mantendo sua imagem em alta com grandes performances em revistas, eventos e vídeos. Álvaro Porque?, aos 45 anos, já não tem mais aquela necessidade de provar nada pra ninguém. Já passou por tudo isso que o Felipe e o Galera estão passando, mas mantém o skate no pé, simplesmente porque ama a parada. O que ele construiu é mérito dele, mas também patrimônio do skate brasileiro, com suas lutas e grandes conquistas. Os caminhos da evolução passam por toda esta gama de aprendizados e experiências que os melhores skatistas sabem compartilhar com seus semelhantes. Esta é a mensagem nada subliminar da edição 200 da revista Tribo Skate: dividir o conhecimento é o nosso papel. Deguste com prazer, porque fizemos com muito bom gosto. (Gyrão)


ANO 21 • JUNHO DE 2012 • NÚMERO 200

Editores: Cesar Gyrão, Fabio “Bolota” Britto Araujo Conselho Editorial: Gyrão, Bolota, Jorge Kuge Arte: Edilson Kato

Sleiman, Michele, Apelão.

Texto: Marcelo Durigan de Freitas Almeida “Mug”, Guto Jimenez, Junior Lemos, Sandro Soares “Testinha”, Helinho Suzuki, Antonio dos Passos Jr. “Thronn, Carlos Niggli Fotografia: Shin Shikuma, Marcelo Mug, Caetano Oliveira, Fellipe Francisco, Heverton Ribeiro, Junior Lemos, René Junior, Camilo Neres, Daniel de Souza, Antonio dos Passos Jr. “Thronn, Otavio Neto, Marcos “Kbça” Moreira, Beto Carvalho, Masterson Magrão, Fabio Cabreira, Edilson Grão

Luiz Apelão, fs ollie.

JB Pátria Editora Ltda Presidente: Jaime Benutte Diretor: Iberê Benutte Administrativo/Financeiro: Gabriela S. Nascimento Circulação/Comercial: Patrícia Elize Della Torre Comercial: Daniela Ribeiro (danielaribeiro@triboskate.com.br) Fone: 55 (11) 3583 0097 www.patriaeditora.com.br Empresa filiada à Associação Nacional dos Editores de Publicações - Anatec

Arame, rocket air roll out.

INTERVENÇÃO III Arame e Apelão em São Bernardo do Campo

Impressão: Ibep Bancas: Fernando Chinaglia Distribuidora S.A. Rua Teodoro da Silva, 907, Grajaú Rio de Janeiro/RJ - 20563-900

Distribuição Portugal e Argentina: Malta Internacional

POR REDAÇÃO // FOTOS SHIN SHIKUMA O maior skatepark da América Latina recebeu no final de abril, a Intervenção III, desta vez com os convidados Vanderley Arame e Luiz Apelão. Na faixa de horário dedicada ao skate, os profissionais deram aquele rolê de gala com os usuários do parque, trocaram ideia e conseguiram dar a primeira folheada na nova edição 199 da Tribo Skate, recém chegada da gráfica. Vanderley “Arame” Faria de Oliveira Junior, patrocinado pela HD e Qix, tem uma longa história na pista de SBC, com vitórias homéricas em campeonatos amadores, antes de se tornar profissional. Apesar de morar em Santo André, ele nasceu nesta cidade e cresceu andando de skate nesta área. Luiz Fernando Martins “Apelão” (Lost, Globe, Skate Até Morrer, J. Riders), não mora tão próximo ao parque, mas nem por isso tem menos experiência nesta pista. A sessão de fotos com Shin Shikuma rendeu um double no caixote e outros bons momentos, comemorados pelos demais skatistas presentes. Entre eles, outro profissional, o Fabio Sleiman, um dos primeiros escalados para a Intervenção, em fevereiro. A próxima parada da Tribo Skate e skatistas convidados pode ser na sua pista. Fique antenado, você pode estar mais perto de grandes personagens do esporte e da comunicação. Agradecimentos ao Carlos Pretto, do Parque Escola Cittá di Maróstica, ou simplesmente pista pública de São Bernardo. Obrigado, prefeitura, por apoiar as iniciativas neste centro de referência do skate no Brasil!

Deus é grande! São Paulo/SP - Brasil www.triboskate.com.br E-mail: triboskate@triboskate.com.br

A Revista Tribo Skate é uma publicação da JB Pátria Editora. As opiniões dos artigos assinados nem sempre representam as da revista. Dúvidas ou sugestões: triboskate@patriaeditora.com.br


O skatista overall Luciano PT está com patrocínio da CrazynBoard, direcionada para skates de ladeira e longs. PT também se desdobra como apresentador de um programa de tv via internet chamado Slide.TV, da AllTV. • (01) Em nova jornada profissional, Ari Bason está em uma nova distribuidora, a IOD, que administra no Brasil as marcas americanas Black Label, Emergency, Dog Town, Fury Trucks entre outras. O coquetel de lançamento da distribuidora foi no dia 13/04. • (02) Direto da Rua TV é o novo programa de skate transmitido pela internet. Além de muito skate, a programação também tem música e arte. Acesse o site e veja os arquivos dos programas: http://diretodarua.tv/ • O skatista Fabio Pires, residente nas terras da Finlândia, não está mais com patrocínio da Posso. • Como divulgamos aqui na edição passada, a definição sobre a liberação da prática do skate na Ladeira da Preguiça, no Parque do Ibirapuera, ficou assim: ladeira liberada durante a semana, mas aos sábados, domingo e feriados, a prática é das 06h00 às 12h00. Depois desse horário, apenas a partir das 18h00. • A Pony, marca norte-americana que nasceu no Brooklin em 1972 e produz tênis estilosos, contrata o pro paulista Mario Marques. Lembrando que Mario conta também com o suporte das marcas Live e Vextor. • Nova marca de óculos na área, a italiana Vulke Eyewear (www.vulkeeyewear.com) • Com a expansão da prática do longboard em todo o país, rolou em abril o Longboard Day. O ponto de encontro foi no MASP, na Avenida Paulista, descendo em seguida até o estádio do Pacaembu. Aproximadamente 500 long riders participaram da skateata. • (03) O skatista de Guaratinguetá, Felipe Foguinho, estampa capa da revista europeia Limited Skateboarding. • A Arqua Skateboard está de volta com esta equipe: Herníogenes Microfone, Rodrigo Berta, Ricardo de Oliveira e Jonatan Felipe. Mais no www. arqaskateboards.com. • (04) Preda Skateboards é o nome da marca do pro carioca Raphael “Índio” Felipe, que desde o início do ano está na rua e em algumas lojas do Rio e SP. A sociedade com sua esposa, Katleen Eyer já rendeu uma série de models de shapes com o título Aggressive e um patrocínio à skatista Bia Sodré. Entre amigos que usam os decks, estão Igor Rodrigues e Wallace Belo. (FB)

Programa Grito da Rua de volta? Pois é! O programa de skate mais famoso dos anos 80, o Grito da Rua, que passava ao vivo em canal aberto e ajudou muito na divulgação e expansão do skate no período, está de volta. Mas calma, a proposta é utilizar a internet como plataforma para reapresentar os diversos programas que foram ao ar na ocasião. O bom e velho Badeco está na apresentação novamente, revisitando esses vídeos e saciando os saudosistas de plantão. Por enquanto, os primeiros programas foram apenas apresentações desse precioso arquivo, mas prometem incluir cenas atuais do que tem acontecido no Brasil e no mundo. O programa vai ao ar todos os sábados, às 19 horas, no site www.gritodarua.com.br… Vai máfia!!! (FB)

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Masterson Magrão

zap // 200

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Missão: Salvar a praça do skate Alguns picos para a prática do skate no Brasil são tão tradicionais e históricos, que acabam se tornando “patrimônios públicos” para o esporte. A pracinha do skate no bairro do Sumaré, em São Paulo, é um desses locais. Há décadas ela abrigou importantes conquistas do skate em ladeira no Brasil, tanto no slide, quanto para o longboard. Mas em abril, o local passou por mais uma ação arbitrária, quando a prefeitura começou a instalar faixas de paralelepípedos para coibir o skate na ladeira! Em uma rápida e eficaz manobra, os skatistas locais conseguiram brecar a conclusão da obra. Uma reunião na subprefeitura da Lapa contou com skatistas e moradores do Sumaré, representantes da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo, um diretor da CBSK, o presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Sumaré (Somasu) e o subprefeito da Lapa, que decidiu a favor do skate! Pelo menos por 60 dias. Durante esse tempo, será feita uma campanha educativa para mostrar que o skate no local é positivo para a maioria das pessoas. Se depois deste prazo for realmente visto que sua prática no local não apresenta contraindicações, a obra será interrompida em definitivo e a faixa de pedras, que ficou pronta apenas pela metade, será retirada! Para que isto aconteça, seguem algumas orientações para todos: - horário de prática de skate somente das 08h00 às 21h00; - é recomendável o uso de equipamentos de segurança; - não pegar “rabeira” nos carros; - respeitar os outros frequentadores; - não jogar lixo no chão; - não fazer barulho à toa. Contamos com sua colaboração! (FB)


Renatinha fatura vertical na Alemanha

Sumemo: coleção inverno e novo show room

A Sumemo, marca do skatista Alexandre Poisé, lançou no começo de maio, a coleção inverno 2012 com muitos convidados, djs, cerveja e a presença da família Miranda, Seu Aroldo e Dona Carmem. Entre pessoas ilustres e amigos, a marca aproveitou para apresentar também o novo show room, que agora fica no bairro do Sumaré, na Rua Alfonso Bovero, próximo à MTV. Com muitas novidades e a diversidade de estampas de sempre, os moletons dão o tom da coleção… Tendeu? (FB)

eDilson grão

Nos últimos segundos do segundo tempo, Renata Paschini, a Renatinha, compra sua passagem para um evento de vertical feminino em Berlim, na Alemanha para participar do evento Suck my Trucks. No ano em que estreia como profissional, Renatinha mais uma vez representou o vertical brasileiro e levantou o título do evento. “Eu não posso acreditar. É minha primeira vez em Berlim. Tive a minha primeira vitória aqui, e eu adoro isso. Além disso, vi neve pela primeira vez na minha vida.” Renata venceu com vários aéreos e até um 360º! Você pode conferir o vídeo nesse link: http://vimeo.com/40175611. Parabéns! (Carlinhos Niggli/Niggli Pads)

Spiro Raziz.

Allan de volta à Qix Pouco mais de um ano afastado da Qix, o skatista Allan Mesquita volta a representar a equipe profissional da marca. E o cara retorna para desenvolver novas ideias, entre elas uma parceria em um projeto para televisão. “A ideia é, junto ao videomaker Henry Saltz, explorar melhor o mundo do skate através de produções audio visuais, desenvolvidas com boa fotografia e, principalmente, com boas histórias”, explica Allan. Também fruto dessa nova fase do skatista e da Qix, outro reforço chega pra representar a nova geração. Pupilo de Allan Mesquita, o nome dele é Zene Sachs, de Florianópolis, integrante da crew Red River Boys e agora também parte do flow team amador da marca. (FB)

Till The End

Os profissionais Fabio Sleiman e Sandro Dias “Mineirinho” formaram uma parceria pra lançar a marca Till The End. Com vários modelos de shapes já produzidos e em comercialização, a marca foi lançada no dia 17 de abril, na loja Skate Center, zona leste de São Paulo. Com tarde de autógrafo, o público prestigiou em peso, lotando a loja o dia inteiro, com direito a demo na mini ramp. Parabéns à iniciativa dos dois e boa sorte nessa nova jornada. (FB)

skate Center

Divulgação

Depois de vários anos especulando sobre a volta dos X Games no Brasil, finalmente a ESPN Internacional fez o pronunciamento que o país será um dos cinco países escolhidos para sediar etapas do Global X Games. Mais de 50 cidades ao redor do mundo concorreram para ter este grande evento esportivo. A estrutura será as mesmas dos X Games Los Angeles, que acontecem por lá há 18 anos com os melhores competidores do mundo. O evento acontecerá em 2013, entre os dias 18 a 21 de abril, na cidade de Foz do Iguaçu. Parabéns ESPN Brasil e esportes de ação brasileiros, que agora terão uma ótima vitrine para mostrar ao mundo o nível dos nossos competidores. Os últimos X Games realizados por aqui foram em 2008, no sambódromo de São Paulo. (FB)

otavio neto

X Games no Brasil em 2013

// zap arquivo Pessoal

Fabio Cabrera

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Agent Orange A banda californiana Agent Orange tocou em diversas cidades do Brasil. E para mostrar que é um time que cravou trilhas sonoras de sessões e vídeos de skate desde os anos 80, foi até o evento old school da Swell em Viamão/RS, passou pela Pousada Hi Adventure, em Floripa e tocou pra várias gerações de skaters em São Paulo, no Inferno Club. Skate rock na veia! (FB) 2012/junho TRIBO SKATE | 23


zap // 200

A guerra de Adesivos no Instagram Aquela máxima “uma imagem vale mais que mil palavras” ganhou nova dimensão com o instagram. Sua popularização o transformou em um território onde mensagens correm instantâneas e livres, e o skate vem ganhando espaço e respirando novos ares. A ideia mais recente envolvendo skate tenta resgatar a paixão em colecionar adesivos e está fazendo muito skatista buscar na memória as boas lembranças das décadas de 70, 80 e 90. A parada se resume em tirar seus raros exemplares da caixa de tênis, fotografá-los e publicar no insta com a referência #stickerwars na legenda. Os gringos estão dominando, mas já tem brasileiro mostrando seu arsenal! A ‘guerra dos adesivos’ surgiu faz um ano sem esse objetivo e foi o skate entrar na história que a ideia pegou. Em menos de 24 horas, a guerra somava mais de 2 mil fotos, mostrando uma variedade tão grande de adesivos antigos que até pode ser usada como referência de estudo, tão rica quanto o livro gringo ‘Skateboard Stickers’. A regra (adesivo/antigo/skate) foi respeitada até um certo ponto, mas modelos inéditos também aparecem. Tanto que algumas marcas aproveitaram o sucesso da ideia para mostrar suas novas levas de stickers. Mas, a maioria deles continua sendo de relíquias, como os gordon & Smith, powell peralta, dog Town, h-Street e Santa Cruz, ou exemplares nunca antes vistos. Essa é uma guerra em que ninguém sai perdendo! ficou curioso pra conferir a guerra de Adesivos? Então digita lá na web: http://web.stagram.com/tag/stickerwars/, ou faça uma pesquisa da referência #stickerwars no seu instagram e seja bem vindo ao mundo colorido e cheio de histórias dos adesivos de skate. // PoR JuniOR LEMOS

‘‘

‘‘

Tá na hands!!! #stickerwars #brasil #revistayeah

Os novos adesivos estão de saída para skateshops em todos os lugares, agora.

SidnEy ARAkAki (@skataholic)

kROOkEd (@krooked)

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#stickerwars ás dos ases, certamente o vencedor

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(@daggerchuck @swiftomatic @ burnout @ratt_ray @cubepdx)

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que você vai gostar ‘‘penso disso @lancemountain @tempster_returns #stickerwars ’’ TOMMy guERRERO (@tommyguerrero)

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#stickerwars dogtown Micke Alba dAvE SWifT (@swiftomatic)

‘‘

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Tive que entrar nessa #stickerwars RiCki BEdEnBAugh (@rickithedude)

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zap // 200

os velhos guerreiros no Brasil Skate Camp // TeXTo e foToS JuniOR LEMOS Reservado apenas pra garotada da nova geração ou convidados, desta vez o Brasil Skate Camp abriu seus portões pra galera veterana do skate nacional, no primeiro domingo de maio, dia 6. É porque rolou por lá o Desafio Old School de Mini Ramp, uma competição exclusiva para skatistas acima de 30 anos. A disputa aconteceu na mais nova rampa do espaço, feita em madeira especial, com duas extensões e totalmente coberta, mas a mini não foi o único alvo das manobras dos skatistas que passaram por lá. Durante toda a manhã, enquanto rolavam as baterias de reconhecimento, a galera também curtiu o acampamento, manobrou muito na área de street e aproveitou toda recreação que o espaço oferece. Mas as atenções estavam mesmo voltadas para a minirrampa! E foi após o almoço que a galera se reuniu pra competir. Os mais velhos (legends) iniciaram e os mais novos (masters) finalizaram a parada, com baterias correndo voltas individuais e depois jam sessions ordenadas, para mostrar aos juízes André Hiena e Thyago Ribeiro quem faria as melhores linhas do dia. Pouco antes de entregar a premiação, Cris Fernandes agradeceu a presença de todos, ressaltando que muitos influenciaram as novas gerações do skate nacional, e até lembrou de uma passagem que marcou sua infância, quando viu pela primeira vez o Flávio Ascânio descer a Ladeira da Morte sem equipamento. Mas como todos estavam ali para competir, os vencedores do 1º Desafio Old School de Mini Ramp foram: Jorge Zunga, do Rio de Janeiro/RJ, Armando Rolamento, de Santos/SP, e Alexandre Xandi, de São Bernardo do Campo/SP, respectivamente nas categorias master, grand master e legend.

Classificação master (30 a 34 anos): 1º Alexandre “Xandi” Cavalcante 2º Celso Galani 3º Humberto Beto 4º Binho Sakamoto 5º Demian Coleto 6º Francisco Kendy Classificação grand master (35 a 39 anos): 1º Armando Rolamento 2º Rubens Sunab 3º Fabio Pen 4º Felipe Rato 5º Adriano Theodoro Classificação (legend) acima de 40 anos: 1º Jorge Zunga 2º Ed Scander 3º Flávio Ascânio 4º Cleber Silva 5º Marcos “ET” Ribeiro 6º André Peixe

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Alexandre Xandi, lien air.

Jorge Zunga, campeão legend, fs smith.


zap // 200

MarCelo Mug

anthony acosta

TALvEZ O ROSTO ACiMA nãO SEJA fAMiLiAR pARA vOCê, MAS O TRABALhO dO AMERiCAnO AnThOny ACOSTA COM CERTEZA Já fOi ESCAnEAdO pELAS SuAS RETinAS. COnSidERAdO uM dOS gRAndES nOMES dA fOTOgRAfiA dE SkATE ATuAL, AnThOny é fOTógRAfO OfiCiAL dA vAnS inTERnACiOnAL, ALéM dE fAZER pARTE dO STAff dA REviSTA ThE SkATEBOARd MAg, AO LAdO dE nOMES COMO ATiBA JEffERSOn E gRAnT BRiTTAin. ApROvEiTAMOS SuA RECEnTE pASSAgEM pELO BRASiL pARA TROCAR uMA idEiA COM ACOSTA E SABER COMO é ROdAR O MundO ATRáS dO MOMEnT pERfEiTO. // TeXTo e foTo MARCELO Mug Você se lembra da sua primeira câmera fotográfica? Foi uma “point and shoot” qualquer que minha irmã me deu de presente de aniversário. Eu devia ter uns quinze, dezesseis anos. E do seu primeiro contato com uma revista de skate, você se recorda? Sim! Foi com uma Thrasher que nós compramos e minha mãe ficou brava, pois tinha um monte de palavrões e pessoas bebendo, coisas desse tipo. Ela fez a gente pegar uma caneta e riscar todos os palavrões. Isso faz um bom tempo, deve ter sido em 1991. Qual foi a manobra mais insana que você já teve o prazer de fotografar? Eu já vi um monte de coisas insanas acontecendo na minha frente: presenciei sessões com Keith Richard, Geoff Rowley, caras desse tipo, então você pode imaginar o que eu já vi. Uma das mais impressionantes foi o backside flip do Keith Richard pulando a rua, a última manobra da parte dele no Mind Field (Alien Workshop, 2009). Foi insano porque nós chegamos lá bem cedo pela manhã e ele acertou

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em cinco minutos, muito fácil. Você já rodou boa parte do mundo durante esses anos como fotógrafo de skate. Você sabe em quantos países já pisou? Hum, acho que eu não consigo contar. Foram muitos. Mais de dez? Mais. Mais de vinte? Talvez uns vinte, talvez mais. Eu estou viajando muito nos últimos oito anos, todo mês faço pelo menos uma viagem. Já estou no meu segundo passaporte. Preciso pegar um mapa e espetar uns alfinetes em todos os lugares que eu já fui. Ainda estou na aventura, não tive tempo de olhar para trás e contar os lugares que eu já visitei. Talvez quando eu ficar mais velho, vejo quantos são. E qual a cidade mais louca que você conheceu? Talvez a Nicarágua, estive lá algumas vezes com o Chico Brenes. Fomos para uma pequena cidade onde o Chico cresceu e não havia eletricidade, nem água encanada. Eles ainda vivem de um jeito bem old school. É muito louco ver como a vida ainda é nos dias de hoje, foi uma experiência bem diferente. Qual foi a última vez que um skate bateu na sua lente? Alguns anos atrás. Você se lembra do primeiro anúncio do Eric Koston para a Nike, um pole jam to pole jam? Então! Estava fazendo a foto de fisheye, quando o skate veio direto na lente e a partiu no meio. O Koston se sentiu muito mal por ter quebrado a lente, mas para nossa sorte o videomaker Jason Hernandez estava com a gente e tinha outra fisheye para emprestar. Nós conseguimos fazer a foto e o Koston ainda me ajudou a comprar uma lente nova. Ele me deu um cheque com metade do valor do produto! Essa é a primeira vez que eu ouço falar que um skatista ajudou a pagar uma lente ou flash atingido por um skate.

Sim. Ninguém tem dinheiro para pagar, só o Koston mesmo! (risos) Teve alguma foto que demorou dias e dias para dar certo? Não vou falar, porque sei que você vai me perguntar quem e qual manobra. Se eu falar, depois o skatista vai reclamar: “hey, porque você contou para todo mundo?”. Eu juro, todo mundo acerta de primeira! (risos) Conta uma! Tá bom vai, vou contar uma. Eu fui numa missão com o Jim Greco, uns dois anos atrás, quando nós estávamos fazendo a entrevista dele para a The Skateboard Mag. Ele estava tentando uma manobra no big four em Chino, você já deve ter visto esse lugar em fotos e vídeos. Nós fomos lá nove dias diferentes. Com um calor de 40 graus, ele tentou pelo menos 120 vezes em cada um dos nove dias. Ele foi outras vezes com outros fotógrafos, no total foram uns quatorze dias. Eu estava fazendo a sequência e no último dia o obturador da minha câmera quebrou de tanto uso. De longe essa foi a missão mais demorada. E o pior é que ele não voltou a manobra. Qual equipamento você usa hoje em dia? Basicamente Canon, tanto para câmeras como para as lentes. Flashes eu uso Quantum. Nada muito extravagante, prefiro coisas simples. Quem te inspira hoje em dia, entre os fotógrafos de skate? Mike O'Meally é muito bom. Gosto do trabalho do Rhino, Seu Trinh, Atiba Jefferson, Brian Gaberman, Jon Humphries, enfim, os clássicos. Qual a melhor e a pior parte do seu trabalho? A melhor parte é poder viajar o mundo fotografando, andando de skate e ainda ser pago para isso. A pior parte é deixar minha família e estar sempre fora de casa, essas coisas. Mas tudo bem, esse é o melhor trabalho do mundo! Então dê alguma dica para quem está começando a fotografar skate? Primeiro aprenda a usar seu equipamento. Em segundo, faça o que você acha que é legal. Sempre procure por inspirações em toda parte e tente incorporar isso no que você estiver fazendo. Essa é a melhor parte da fotografia! Eu não posso falar o que você deve fazer, o professor não pode falar o que você deve fazer: você faz o que quiser. Mantenha sua mente aberta, tente sempre coisas novas. Mande um recado para os leitores da Tribo Skate. Vai andar de skate. Larga essa revista, vai viver a aventura e leve uma câmera com você! // Anthony AcostA 32 anos Los angeLes, caLifórnia www.anthonyacosta.com


zap // 200

Ratos.

iggor Cavalera.

Lo-fi.

feijoada emergente na Weird Company PoR hELiO SuZuki // foToS i hATE fLASh Alguns meses atrás, a Weird Company teve seu QG furtado e um grande prejuízo. Se foram computadores, roupas, etc... Ao invés de ficarem se lamentando, já começaram a planejar algo para tentar cobrir esse rombo. Depois de pensar em diversas saídas, resolveram juntar alguns dos elementos que compõem o lifestyle da marca: música, cerveja, suor, sangue, e claro, tudo com uma bela feijoada para forrar o estômago. Foi então

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que nasceu a ideia da “Feijoada emergente”: levar o Ratos de Porão para tocar na sala de seu QG, reunir os amigos, tomar uma cerveja e comer uma feijoada. Para os vegetarianos rolou um arroz com feijão e farinha esperto! Tudo num esquema total “do it yourself”, com a ajuda dos amigos. A venda dos 70 ingressos limitados e bebidas foram revertidas para sanar o prejuízo e quem esteve lá curtiu uma verdadeira festa hardcore, com o Lo-Fi começando o caos e depois o Ratos de Porão cuspindo clássicos do Feijoada Acidente (disco de covers

de bandas brasileiras e gringas que eles gravaram nos anos 90 que inclui nada menos que Poison Idea, GBH, The Saints, Olho Seco, Lobotomia, Psykoze, entre outras) e outras velhas conhecidas como Beber até Morrer, Crianças sem futuro, Morrer e Aids, Pop, Repressão. A festa reuniu a nata do underground paulista como os músicos das bandas Questions, Dead Fish, O Inimigo, Presto?, Leptospirose, diversos tatuadores e fotógrafos, Iggor Cavalera e sua trupe, além de muita gente estranha! Que venham mais feijoadas por aí...


gabriel vitor, fs crailslide.

pedro, karla, Leopoldina e André.

vinicius Barbosa, fs grind tail grab.

Skate em outro patamar Arte Radical no Ecco PoR JuniOR LEMOS // foToS CAMiLO nERES Brasília sempre chamou a atenção do skate pela sua arquitetura, pela revelação de skatistas conhecidos nacionalmente e também, é claro, por ser a capital do nosso país. Mas, entre os dias 16 de fevereiro a 13 de maio, o Distrito Federal viu o skate ser elevado a outro patamar com a exposição “Arte Radical”, que rolou no Espaço Cultural Contemporâneo (ECCO), para mostrar ao público em geral as representações de arte urbana que estão atuantes no Distrito Federal. E para poder mostrar o skate com maior fidelidade, uma minirrampa foi montada entre os desenhos dos 43 artistas urbanos, onde rolaram oficinas para alunos de escolas públicas, session livre para os skatistas locais e também demonstrações de peso com os monstros Wagner e Gugu Ramos, Nego Bala, Pedro Barros e Vi Kakinho. Inclusive, o pai do Pedrinho, André Barros, é natural de Brasília e foi um dos grandes apoiadores da curadora da expo, Karla Osorio. Mas o incentivo que a exposição deu ao skate da capital não parou por aí! Rolou ainda dentro da “Arte Radical” duas competições para as categorias de base, consideradas as cerejas do bolo, porque reuniram toda a galera do skate brasiliense, resultando em uma interessante leitura: o movimento das manobras do skate com as manifestações dos grafites e desenhos.

RESuLTADOS: 1º CAMPEOnATO (04 de março) Mirim: 1º Ariel Araujo Alves Iniciante: 1º Enrico Vidal Amador: 1º Iago Magalhães 2º CAMPEOnATO (15 de abril) Mirim: 1º Pedro Perez Iniciante: 1º Hebertt Johnatan Gomes Feminino: 1º Liliane Sá Amador: 1º Vinicius Barbosa


zap // 200

o bom humor de Homer simpson conferindo o Banx do alto neste frontside ollie de Felipe Foguinho.

ode aos diferentes Por Cesar Gyrão // Fotos Daniel De souza

Não, hater, não estou falando ódio! O grande barato desta ação de uma semana da Drop Family na Grande Porto Alegre, incluindo a capital e o sítio de Viamão, onde fica a Swell, foi uma verdadeira poesia com os skates diferentes da Santa Cruz e Independent. Isso não é pra quem fica reclamando, mas sim para aqueles que gostam de experimentar novas maneiras de andar de skate, com diversão e sem bitolação. Alguns mais antigos vão se lembrar de cara de um artista americano que criava skates e situações bizarras com eles, um tal de Simon Woodstock. No entanto, esta linha de modelos que assombrou as sessions antes e durante o Swell Old Is Cool, em lugares como o Banx, o The Complex e as três pistas da Swell, pela equipe da Drop Dead e marcas da distribuidora, serve para quebrar um pouco a mesmice, mas também são peças de arte para ressaltar a cultura dos tempos atuais. O Homer Simpson, pai do moleque Bart (skatista), rendeu um model muito style e skatável. Marcelo Kosake andou num lindo skate de rodas transparentes vermelhas, voltando suaves liens. Murilo Peres e Marlon Silva detonaram o “chave de boca”, Vi Kakinho outro bem old school, Rodolfo Gugu e Pedro Barros, entraram na bateria especial da Swell para mostrar como se atira com a AK 47, ops, o skate metralhadora concebido pelo Jesse Martinez. O DJ Luciano Peixoto mandou ver nas ações e o artista Bizarte, nos live paints, em cada uma das paradas. A Drop Dead Concrete Week agitou o Rio Grande do Sul. Quem disser o contrário, pode tomar uma na canela ou então entrar na brincadeira.

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a preciosidade em forma de skate ornou com o lien air do Kosake no swell.


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gugu Ramos calibra a mira do skate Ak-47 com esse grind durante o Old is Cool.

Murilinho encontra nesse nosepick a polegada certa para encaixar o skate “chave de boca” na pista velha da Swell...

...e Marlon Silva não espana no Banx com esse blunt to fakie milimétrico.

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zap // 200

fabio sLeiman pAi nOvO dE uM BEBê SARAdO, fABiO SLEiMAn pARTE nESTE MEiO dE AnO pARA MAiS uMA TEMpORAdA dE EvEnTOS nA EuROpA. uM dOS pROfiSSiOnAiS BRASiLEiROS MAiS RESpEiTAdOS nO EXTERiOR, SLEiMAn TEM uM LOngO EnvOLviMEnTO COM A REviSTA. fOi CApA QuATRO vEZES, TEvE EnTREviSTAS, divERSAS fOTOS E idEiAS puBLiCAdAS AO LOngO dE TAnTOS AnOS! pARTiCipOu dE “n” TOuRS pELAS MARCAS QuE dEfEndEu, MAS TAMBéM fOi uM dOS pRinCipAiS COnTERRÂnEOS A ESpALhAR O “BRAZiLiAn CRAZy STyLE” nA EuROpA E ESTAdOS unidOS. dEiXOu SuA MARCA COM OS MAiS inSAnOS dROpS dOS LugARES MAiS iMpROvávEiS. nO CiRCuiTO BRASiLEiRO SE MAnTéM SEMpRE COMpETiTivO E figuROu EnTRE OS TOp 10 divERSOS AnOS nO STREET pROfiSSiOnAL. fABiO gOSTA dE dESAfiOS E nãO pERdE uMA OpORTunidAdE dE CRiAR gRAndES iMAgEnS. TAnTO QuE SE TORnOu ATOR dE fiLMES E COMERCiAiS dE Tv. nO CinEMA, SuA pARTiCipAÇãO MAiS LEMBRAdA é EM duRvAL diSCOS. nA Tv, ATuOu EM COMERCiAiS dE CARROS, BEBidAS, OpERAdORAS dE TELEfOnE E MAiS uMA SéRiE dE pROduTOS. SLEiMAn AindA COMEMORA O nASCiMEnTO dO pRiMEiRO fiLhO E ESTá nuMA nOvA EMpREiTAdA EMpRESARiAL COM SuA MARCA TiLL ThE End, JunTO COM SAndRO diAS, MAS nãO QuER dESACELERAR TãO CEdO E MARCARá pRESEnÇA EM MAiS uMA viAgEM pARA A EuROpA.

// FAbio sLeimAn hyPPoLito 35 anos, 25 de sKate PatrocÍnios: tiLL the end sKateboards, stand uP, vans, conexxion wheeLs, Power baLance, academia comPanhia athLÉtica sÃo PauLo, sP

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sHin sHikuMa

• E aí, Fabio! Tudo bem? Primeiramente queria dizer que sou um grande fã do seu trampo e de sua postura com o skate. Queria saber se você continua invicto com relação a fraturas, como disse em sua entrevista pra Tribo Skate em 2006? Valeu! (Gabriel Augusto dos Santos, São José dos Campos/SP) – Tudo bem, Gabriel? Graças a Deus nunca sofri nenhuma fratura, até hoje. Acredito que os treinos que eu faço fora do skate acabam me ajudando de certa forma! • Você e o Mineirinho estão com uma marca, a Till The End. Qual o significado da marca e como dois skatistas de estilos tão diferentes, que são o street e o vert, ficaram sócios no negócio? (Tiago de Albuquerque, Mogi/SP) – Olá Tiago! O sonho de qualquer skatista é ter sua própria marca. Estamos trabalhando sério e dando importância ao skateboard brasileiro. Eu e o Sandro Dias somos amigos há muitos anos e a parceria vai render muita coisa boa para todos. O skate nos fez o que somos e o nome da marca surgiu de uma frase que sempre falo, pois para nós é “skate até o fim!” • Seu estilo de skate não é muito técnico, mas sempre foi de se jogar em grandes corrimãos, gaps e escadas. Você é um skatista das antigas, continua com esse crazy style e é um dos poucos que não se machucou sério. Como você faz pra manter sua carreira de skatista, modelo e ator de propagandas e filmes? (Tiago de Albuquerque, Mogi/SP) – Eu sou uma pessoa muito ativa. Se tem trabalho para fazer, pode contar comigo. Andando de skate se pode fazer muitas outras coisas, basta o skater estar disposto a encarar tudo que aparecer. Os comerciais não aparecem sempre, mas estou sempre disposto em fazer casting! • O que passa pela sua cabeça, quando está prestes a descer um daqueles corrimãos gigantes? (Josué Santos, Vargem Grande/SP) – Oi, Josué! Não vem nada na minha cabeça, além do corrimão. Não gosto muito quando vou descer um cano e ouço vozes, barulho de carro ou outras coisas que me desconcentram. Só imagino eu voltando a manobra. • Curto muito o seu rolê e quando você anda de skate parece não temer nada. Por isso eu pergunto: você tem medo de

alguma coisa, quando está andando de skate? (Felipe, Ponta Grossa/PR) – Olá Felipe! Eu não tenho medo não. Se algum tipo de medo passar pela minha cabeça na hora de uma manobra cabulosa, eu não faço e me preparo psicologicamente para retornar ao pico quando estiver preparado. • Sleiman, em campeonatos você planeja as suas manobras com antecedência ou você inventa na hora? Qual foi o seu melhor campeonato até agora? (Maria Carla Assis, Uberlândia/MG) – Maria Carla, com certeza eu programo tudo, faço linhas e penso as manobras também. Dou as manobras que sei que vou acertar, aquelas que estão no pé, realmente. Fui campeão da etapa da LG em Rimini, na Itália; campeão da etapa da LG em Berlim, na Alemanha; terceiro colocado na etapa da LG em Amsterdam, na Holanda. • Grande satisfação falar com você, um dos defensores do skate hardcore em todos os tempos. De todos os lugares que você já andou de skate, qual foi o que mais marcou? Por que? (Rogério Sávio, Porto Alegre/RS) – Rogério! O que não sai e nunca vai sair da minha cabeça é Praga (República Tcheca). Aquele skatepark é perfeito e o público é animal. Tem também o corrimão El Toro, que eu desci na California e que entrou pra história. Fui o primeiro a fazer de switch. • Sou amarradão em street e você é um dos meus skatistas brasileiros preferido. Gostaria de saber como você faz para manter o ritmo no skate? Onde busca tanta força de vontade? (Lúcio Andrade Rios, Rio de Janeiro/RJ) – Olá, Lúcio! Eu amo skate, vivo plenamente o carrinho. Ele me fascinou e vou com ele até o fim. Para manter o ritmo, eu faço academia todos os dias, não bebo, não fumo, nunca usei nenhum tipo de droga, como e durmo bem. Esse é o conjunto que eu tenho comigo, há vários anos, e tenho certeza que faz total diferença. • Você deve estar entre os brasileiros que mais viajou para a Europa, tendo visitado e competido em países como Alemanha, Dinamarca, França, Itália e Espanha. O que é pra você representar o Brasil em competições fora do país? É verdade que você sempre volta com o bolso recheado de grana? (Carla Albuquerque, Campinas/SP) – Oi, Carla! Além de representar o Brasil em outros países, o que é de mais, o mais legal é ver vários skaters de vários países num só lugar para uma única finalidade: andar de skate, curtir a vibe de estar viajando por causa dele. Não tem dinheiro que pague isso! Estou indo minha 17ª vez para a Europa. Eu sempre sou um dos primeiros skatistas


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fabio sLeiman

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Vejo sempre a Velocidade certa que preciso pegar para dar a manobra, sem pressa e só Vou realmente no momento em que estou pingando de suor e bem adrenado.

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do Brasil a chegar lá e fico um pouco mais, depois. Então, acabo participando de mais eventos e com isso, acabo tendo mais oportunidades. • Uma vez vi você arrepiando no antigo skatepark de São Caetano do Sul, no Buracão da Cerâmica. Você já era atirado e usava a pista inteira. Nunca mais vou me esquecer daquele campeonato. Minha pergunta é: Como você definiria seu estilo de andar, levando em consideração a diversidade que existe hoje no meio do skate? (André Azevedo, Curitiba/PR) – Olá, André! Nossa, São Caetano era muito style. Foi o skatepark que me deu mais base para descer corrimãos. Eu me definiria ao estilo mais agressivo, pelo fato de eu gostar da velocidade, de aéreos, gaps e corrimãos. Hoje, a maioria dos skatistas andam todos iguais, tudo no mesmo estilinho. Tá faltando mais skatistas como o Nilton Neves, o Biano, o Wolnei, Ricardo Pinguim, Rogério Troy, Alberto Dantas, Marcio Tarobinha, o Mauro Mureta, John Cardiel, Tim Brauch, Chris Senn, Mike Vallely, Chet Childress, etc. • Como você trabalha o lado psicológico na hora de encarar um cano gigante, como da vez que você desceu o El Toro de switch? (Alberto de Arruda, Salvador, BA) – Olá, Alberto. Foco total! Concentração e consciência do que eu vou fazer. Assim, o risco já diminui muito. Por isso que nunca me machuquei feio! Vejo sempre a velocidade certa que preciso pegar para dar a manobra, sem pressa e só vou realmente no momento em que estou pingando de suor e bem adrenado. • Quais skatistas da nova geração você gosta de ver andando? (Pedro de Almeida Junior, Santos/SP) – Olá, Pedro! Esta pergunta eu sempre respondo perguntando para a pessoa: “O que é um skatista da nova geração?” Para mim, não existe skatista da nova geração e sim um skatista de verdade, real skater. Isso sim é verdadeiro! Conheço vários que nunca sequer participaram de um campeonato e tem na veia muito mais skate do que estes que se taxam de nova geração. Às vezes, aquele que desce uma ladeira ou faz um carving, ou apenas um grind, tem muito mais skate na veia do que aquele que está cheio de manobras e talvez, no final de tudo, acaba nem agregando nada ao mundo do skateboard. • Aconteceu alguma coisa com a sua pistola quando você caiu naquela grade, de perna aberta, pulando da plataforma do half no Mundial do Ibirapuera? (Vicky Oliveira, Valinhos/SP) – Ahahahah…. No Ibirapuera eu também pulei do half, mas este acontecimento foi em Copenhagem, na Dinamarca. Não aconteceu absolutamente nada! Quem estava lá viu que depois daquilo eu peguei meu skate, fui novamente e caí em cima, mas acabei quebrando o shape. • Lembro de você desde a época da Sims, marca que você representou muitos anos. Parabéns pelo recente nascimento de seu filho. Como é a sua nova vida de pai? (Guilherme Saraiva, São Paulo/SP) – Obrigado, Guilherme. Eu estou muito feliz com o nascimento do meu filho. Só quem é pai sabe como é bom sentir o cheiro do seu filho. Pegar ele no colo tem me feito muito bem. Estou mais focado, as coisas parecem estar cada vez mais no caminho certo, meu skate ficou mais ainda no pé. Fazer uma session nervosa e chegar em casa e ver o meu filho é algo inexplicável, um presente de Deus. Próximo enfocado: mArcio tArobinhA envie suas Perguntas Para triboskAte@triboskAte.com.br, com o tema LinhA vERMELhA – mArcio tArobinhA. coLoque nome comPLeto, cidade e estado. manda ver!

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Alto fakie to fakie, sem qualquer sombra de medo.


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Heverton ribeiro

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entrevista amador // felipe nery

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FELIPE NERY

SK8 NO DNA cerro san crist贸bal, com santiago ao fundo.

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entrevista amador // felipe nery DesDe que se conhece como gente, Felipe se consiDera skatista. ele Faz parte Da geração que tem o skate no Dna, pois seu pai é skatista e DesDe ceDo apresentou este munDo para ele. embalaDo pelo pai, marcelo, Felipe Foi crescenDo sem pressa e aproveitanDo o ambiente para Desenvolver um skate técnico, limpo e De pressão nas manobras. conquistou aDmiração nas sessions, Fotos e Filmagens, mas também muito respeito ao levantar por Dois anos seguiDos o Dc king oF são paulo, uma verDaDeira batalha entre alguns Dos 80 melhores amaDores Do país e também uma granDe vitrine para o mercaDo. POr cesar gyrão // FOtOs caetano oliveira

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amador de Itapecerica da Serra iniciou 2012 com o pé direito. Com o valor da premiação do evento da DC, investiu na viagem para o Chile, unindo o útil com o agradável: além de produzir as imagens desta matéria, ficou uns bons dias na casa da namorada, Nicole. A exposição deste início de ano também pesou em sua entrada na Element, somando aos seus vínculos anteriores com a Official Crown of Laurel e a Cerezini Skate Shop. Ele ainda reservou parte dos R$ 6 mil para mais duas viagens este ano: Londres (Inglaterra) e Barcelona (Espanha). Muitos ainda se surpreendem com o poder do skate do Nery, mas ele tem uma folha corrida repleta de grandes momentos. De partes nos vídeos da BS Crew, família que o adotou há longa data, a vídeos em sites gringos, como o da revista Transworld Skatebording. Lá, bem atrás, aos 8 anos de idade, ele integrava o vídeo Open Your Mind, da Son, marca da família do André Genovesi, que também morava nesta cidade do estado de São Paulo e também o video magazine Chiclé. Como um menino que destruia no street skate, ele foi um dos enfocados numa reportagem da Tribo Skate em 2000, com o sugestivo título “O Futuro É Agora”. Em texto e fotos do Fabio Bolota e fotos do Otavio Neto, ele já demonstrava um vínculo estreito com o carrinho e que, um dia, viria a se tornar uma grande força do esporte. Aos 13, ele voltou a integrar nossas páginas, na então seção Carne Nova. Pouco depois disso, Felipe passou um período meio afastado da cena, com a mudança do parceiro André Genovesi para os Estados Unidos. Foi uma época de “passar uns venenos” para andar de skate, com as tradicionais dificuldades de equipamentos, transporte, motivações. A situação mudou com a entrada de outro personagem de Itapecerica na vida do Felipe. Douglas Arruda, da crew Classe D, passou a chamá-lo novamente para as sessions e a incentivá-lo a investir em seu dom. Com isso, surgiu a sua inclusão na BS Crew, através do Paulinho Barata e do Gian Naccarato e a situação mudou completamente. Com partes nos vídeos da crew, como o Underground Style, ele somava ali com os amigos de sempre, incluindo o Genovesi. Para aprender inglês e andar bastante de skate, Felipe foi passar uma temporada na Califórnia, em princípio na casa do André, depois dividindo a morada com o Diego Garcez “Chaveirinho”. Três anos que passaram voando, quando aproveitou para produzir material para revistas e vídeos locais, além do que direcionava para o Brasil, para orgulho de todos que acompanham o moleque. A conquista da coroa no DC King por dois anos consecutivos é decorrência deste estágio de controle de suas emoções. “O DC King é um evento maravilhoso, com um for-

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o pico é bem mais difícil do que parece: o banco é estreito e tem que voltar para fora dos degraus. nos 40 minutos que levou pra voltar a manobra, juntou uma multidão que comemorou com aplausos a volta de seu bs nosegrind. valparaíso.

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entrevista amador // felipe nery

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este banco de santiago ĂŠ bem a cara do nery: alto e comprido. backside tailslide shovit out.

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entrevista amador // felipe nery

mato que nos deixa mais livres para fazermos o que pudermos fazer. Por mais que seja mais cansativo, a gente pode desenvolver melhor o skate sem a pressão do um minuto, que nem animais adestrados.” Na viagem para o Chile, onde encontrou com o fotógrafo Caetano Oliveira, o ponto de encontro para as sessions era o bairro de Bustamante, na capital Santiago. Outras boas sessões foram as de Vina del Mar e Valparaiso. Desde que se aproximou da Nicole pelo Facebook e surgiram os interesses comuns, parece que agora o Chile faz parte do roteiro e da vida do Felipe. Segundo ele, Santiago é bem parecido com São Paulo, apenas um pouco mais limpo e com aquele espírito europeu. “E tem muito pico bom pra andar!” Por onde passa, Felipe encara as coisas sobre um olhar cristão. Há poucos anos o seu pai, Marcelo, tornou-se pastor da Assembleia de Deus Betesda, religião que o filho absorveu mais como estilo de vida. “Sou bem liberal, tomo minhas cervejas, mas considero importante seguir um caminho de paz.” Os olhos do Felipe Nery estão focados para uma outra paixão que logo mais ele vai encarar, a faculdade de moda, para atuar no mercado ou mesmo na alta costura. Admirador do estilista Alexandre Herchcovitch, no área do skate ele considera muito a Diamond Supply e a Supreme. Por enquanto, seu lado artístico ele desenvolve em fotos que publica no Facebook, relembrando a velha Polaroid que ganhou de uma tia e tirou de baixo da cama para fazer suas primeiras fotos, quando era menor. Assim como o primeiro amigo a filmar e editar suas linhas em vídeo, foi mesmo o seu pai, ele também participa atualmente das filmagens de seus amigos da BS Crew, quando isso se torna necessário. Das competências atuais de um skatista engajado, saber filmar e ser filmado é natural para o Felipe. Tanto que ele tem duas ou três partes prontas para vídeos como o próximo da Element ou da BS Crew. Com todo este histórico, belo currículo e a boa visão de mercado, Felipe Nery ainda não pensa em se tornar profissional. Espera fazê-lo em pelo menos mais uns dois anos, porque não quer se “autointitular”. Ele quer sentir mais pessoas querendo que ele seja pro, além dos patrocinadores, para entrar neste universo com mais méritos. Mentaliza em conquistar um espaço ao lado de profissionais como o Gian (Naccarato), o André (Genovesi), o Lucas Xaparral e o Klaus Bohms. Não quer simplesmente o título de profissional, mas sim estar entre a elite do esporte. Credenciais para isso ele tem. // Felipe Augusto MAxiMiniAno nery 19 anos, 17 de skate Patrocínios: element, official, cerezini skateshoP itaPecerica da serra, sP

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o centro de santiago reserva excelentes picos para quem tem o skate no pé. switchstance flip.


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felipe nery // entrevista amador

em viña Del mar a brisa ajuda no fôlego para esticar ao máximo suas manobras. para dificultar, Felipe vai de switch: ss bs tailslide 270 out.

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entrevista pro // paulo galera

PAULO galera // TEXTOS E FOTOS MARCELO MUG

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O Sol escaldante e o chão tosco são meros detalhes. O que importa é cravar o frontside tailslide.

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paulo galera // entrevista pro

EDIÇÃO ESPECIAL MERECE UMA ENTREVISTA DE PESO. PAULO GALERA TEM APENAS 61 QUILOS, MAS SUAS MANOBRAS ESTÃO NO PATAMAR DAS TONELADAS. SETE ANOS DEPOIS DA SUA ÚLTIMA ENTREVISTA PARA A TRIBO SKATE, PG VOLTA COM OS DOIS PÉS NAS COSTAS ESTAMPANDO 12 PÁGINAS AVASSALADORAS.

// HEBREUS X PAULO Eu deveria me chamar Hebreus, um nome bíblico, minha mãe é evangélica e escolheu esse nome. Mas na época meu pai não era evangélico e me registrou como Paulo, mas toda minha família, minhas tias e avós me chamam pelo nome que minha mãe gostaria, Hebreus. // FAMÍLIA Minha família é muito importante, ela é minha vida: minha esposa, minha filha, minha mãe, meu padrasto, meus irmãos são a base de tudo; é quem está comigo sempre, me apoiando e me incentivando independente do que acontecer, seja nos momentos bons ou ruins. É por isso que eu  prezo a minha família, muitas vezes tem pessoas que não dão valor para suas famílias. Quem não tem uma, quer ter. Valorize a sua!

A missão para executar esse transfer nosegrind em São Leopoldo incluiu dois potes de massa plástica, uma discussão com o segurança do metrô no primeiro dia e o acerto em 10 minutos no segundo dia.

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paulo galera // entrevista pro

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Minha faMília é Muito iMportante, ela é Minha vida. é queM está coMigo seMpre, Me apoiando e Me incentivando independente do que acontecer.

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Heelflip under the bridge.

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paulo galera // entrevista pro

// MODELS ASSINADOS A Drop Dead acabou de lançar meu sexto model de shape e a Freeday está lançando em junho meu segundo model de tênis, o PG 10, que é uma série comemorativa dos 10 anos da minha parceria com a marca. O PG 10 é um tênis que eu tive total liberdade para desenvolver, testar e escolher os materiais, desde a sola, as cores, tudo. Ele tem a minha cara, eu espero que todos gostem! É raro ver um skatista permanecer uma década em uma marca no Brasil. São 10 anos de fidelidade, 10 anos de comprometimento de ambas as partes, não poderíamos deixar essa data passar em branco. // PRÓXIMAS PARTES DE VÍDEO Minha primeira parte em vídeo foi para o The Best Daggers II, produzido pelo JM. Esse ano começamos a filmar para o The Best Daggers IV, The True Provide. Estou com uma parte pronta no Identidade, o vídeo do Léo Coutinho em conjunto com Rafael Torres, de Campo Grande. Filmamos durante muito tempo e o vídeo está previsto para sair em julho. Assim que eu melhorar de uma lesão no ombro, volto a filmar para o vídeo de lançamento do meu model de tênis pela Freeday.

Flipão de back na sua cidade natal, Canoas.

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paulo galera // entrevista pro

// SKATE X REPREESSÃO A repressão contra o skate está muito forte em algumas cidades do Rio Grande do Sul. É um exagero, quase um batalhão de polícia da cidade para lidar com quatro skatistas que estavam trabalhando, por pura falta de informação e cultura da parte de quem deveria proteger, dar tranquilidade e segurança para nós andarmos de skate. Em 10 dias de sessão para as fotos da entrevista no Rio Grande do Sul, fomos enquadrados no mínimo oito vezes. Quando não era a polícia, vinha algum segurança do metrô, padre, pessoas que não entendem o trabalho de filmar e fotografar o skate na rua. // CANOAS: DIFICULDADES X VANTAGENS As dificuldades de morar em Canoas são a falta de uma pista pública e estar longe dos grandes pólos do skate, como São Paulo. As vantagens são estar perto da minha família e dos meus amigos. Ah, tem também uns picos de rua bons para andar aqui. // INFLUÊNCIAS Minha principal influência é minha mãe. E tem os caras que eu admiro, respeito e me inspiro: um deles é o JM, dagger que dispensa comentários!

A arquibancada do samba vira gap: 360 flip, kick, kickão, como você preferir.

// PAULO CORREA VENTURA 25 ANOS,14 DE SKATE PATROCÍNIOS: FREEEDAY E DROP DEAD CANOAS, RS

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paulo galera // entrevista pro

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é raro ver uM skatista perManecer uMa década eM uMa Marca no Brasil. são 10 anos de fidelidade, 10 anos de coMproMetiMento de aMBas as partes.

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Passa a régua e fecha a conta. Frontside fifty correndo tudo e mais um pouco.

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Antonio dos PAssos Jr. “thronn”


porque? // entrevista legend

Álvaro José Miranda

Porque?

Quase 35 anos sobre o skate com a mesma pegada de andar pesado, agressivo e determinado, como sempre! Já falamos da longevidade Que o skate tem apresentado nos últimos anos, onde skatistas seguem andando por muito mais tempo, Quebrando as barreiras da idade e do tempo. e se for pra falar de alguém Que realmente nunca saiu de cima do carrinho por mais de três décadas, mantendo até hoJe o mesmo vigor de um Jovem skatista, álvaro porQue? é o cara. ele foi e é um dos melhores skatistas de vertical do brasil. campeão brasileiro nos famosos eventos de guaratinguetá, nos anos 80, participou das melhores eQuipes de skate do brasil e do mundo, morou por duas vezes na califórnia, andou em piscina, tubo, half, banks, street e até hoJe continua andando em tudo isso. voltando de sua segunda e longa temporada em terras americanas, pegamos porQue? pra falar de uma das coisas Que ele mais ama e se dedica na vida: andar de skate!  Por fabio bolota e antonio dos passos “thronn”

V

ocê está com quantos anos e quantos de skate? Eu tenho 45 anos de idade e ando de skate desde meus 11. São 34 anos em cima do skate. Indo para o começo de tudo! Você direcionou o seu skate andando em pistas da época, como a Wave Park, etc. Como foi seu início no vertical e quais pistas andava? O que te influenciou a andar em vertical? Eu comecei na verdade andando na rua e depois no Círculo Militar, onde eu e meu irmão éramos sócios. Colocávamos uma madeirite apoiado na grade da quadra de basquete e dávamos batidas tirando três rodas. Quando fui na Wave Park pela primeira vez, não acreditei! Os snake runs paralelos, cada um levando a um bowl... O da esquerda bem apertado, com uma curva chamada skatecross, baseada em uma famosa pista americana, acabando em um bowlzinho com coping, azulejo e com um wall ride na linha. O da direita mais aberto, com uma bacia e um calombo pra pular, acabando no bowl médio. Na saída dele tinha que pular o calombo no lado esquerdo, ou usar uma mureta com uma escada do lado direito. Por último o bowlzão lá no fundo, que pra época já tinha paredes de 4 m, com extensões de 94 graus! Já era over vert! Eu comecei a andar e já me arriscava no bowlzão. Carving grinds no over vert de back, de front e depois ia pro shallow end... A cena era muito forte e o skate estava na moda. Os Wave Boys detonavam e eu, ainda criança, ficava observando e tentando aprender com eles. Tinha também a pista de Alphaville, a Franete na Mooca, etc. Uma época muito legal de descobrimento e aperfeiçoamento.

Era o começo de uma época de skateparks e de manobras cada vez mais arriscadas.  No começo dos anos 80, o skate e principalmente o vertical praticamente morreram com o fechamento das pistas. Surgiu o street skate, que você também praticou bastante. Como foi na época começar em uma nova modalidade até então desconhecida? Foi uma época de transição, de mudanças. Era o início do fechamento quase que simultâneo das pistas americanas por causa de seguro: as pessoas se machucavam e processavam as pistas, causando suas falências. O surgimento do street skate como opção foi muito interessante! Levar para as ruas as manobras antes feitas nas pistas foi bem divertido. Os campeonatos de Guará iniciaram a modalidade street skate, ollies flip, rockslides em canos e muretas. As gangues de skatistas estavam por toda a cidade, anarquia e rebeldia eram as palavras. Revolução no esporte, música e modo de se vestir andavam lado a lado... Depois de ganhar o campeonato de banks de Guaratinguetá, fui pra Califórnia... Lá em Venice Beach posso dizer que reaprendi a andar de skate, a me divertir cada vez mais. Jump ramps, wall rides e slappy's nas guias americanas era o lema! As festas todas sextas-feiras à noite no M.C.O., que era um prédio de estacionamento no bairro de Westwood, em Los Angeles, no qual se reunia a galera de Venice, em sua maioria. Nos encontrávamos no topo do prédio, descíamos até embaixo todos juntos, lado a lado, num puta gás! Lá embaixo entrávamos no elevador e começava tudo de novo. O que eu posso dizer sobre essa época, apesar de preferirmos as pistas, é que a

nova modalidade foi muito divertida e foi muito importante para a evolução do skate. Os campeonatos brasileiros de Guaratinguetá foram muito importantes pra manter o skate vivo no começo dos anos 80 e você foi campeão brasileiro na época. Quais foram os eventos que ganhou e qual foi a importância desses eventos pra você? Realmente, foi muito importante essa época! Não rolava nada de evento até então, daí começou a ter o campeonato brasileiro no Itaguará, grande iniciativa dos skatistas locais e da organização do clube de Guará. Skatistas apaixonados de todo o Brasil se reuniam e os finais de semana que antecediam o campeonato eram para a prática. Os skatistas lotavam os hotéis da cidade e causavam histeria. Todos esperavam como loucos para mostrar suas habilidades e trocar experiências. Esses eventos foram responsáveis por manter a chama viva do bowl riding, dos calombos do banks, variação de plants e aéreos, manobras de borda, etc. Andar de skate nas três últimas décadas sem parar é para poucos! Como você conviveu com essas várias mudanças no esporte e nunca se afastou? Fale um pouco dessa fases difíceis e boas do skateboard. Como foi ver tantas mudanças e evoluções no skate durante esses anos? Ter sobrevivido a todas essas mudanças, alterações do mercado e carência de equipamentos de qualidade, antes do presidente Collor abrir a importação, foi no mínimo excitante e cheio de altos e baixos. Mas o amor ao skate sempre foi mais forte. Superamos todas as adversidades com persistência e perseverança naquilo que acreditáva2012/junho TRIBO SKATE | 69


Antonio dos PAssos Jr. “thronn”

entrevista legend // porque?

um bom vert de concreto com coping block é sempre inspiração para os mais estilosos grinds.

mos! Quando comecei, não havia equipamentos importados de qualidade. Era muito difícil comprá-los. Comprávamos de segunda mão de outros skatistas. Só quem tinha um pai piloto de avião conseguia bons equipamentos! Fazíamos nossas próprias joelheiras à mão, era muito sofrimento. Hoje em dia é muito mais fácil: é só ir na loja e comprar financiado. Quase ninguém tinha uma câmera fotográfica, era difícil registrar as sessões. No começo, as revistas de skate americanas não tinham nem sequências. Tínhamos que imaginar o movimento todo da manobra, simplesmente olhando uma foto. Era muito mais difícil! Nos anos 80, você se mudou pra Califórnia e ficou um bom período morando por lá. Saíram matérias e fotos de você andando em picos como o tubo de Mt. Baldy, rampa de Venice e até apelidou um secret spot com seu nome. Como foi esse período e essa experiência de morar fora do Brasil? Eu acho que foi a melhor experiência que eu pude ter tido na vida! Fui pra lá em 1987, aos 19 anos de idade e me joguei. Fui com um grupo que andava de skate juntos no QG e, chegando lá, ainda na Flórida, nenhum deles queria saber de andar de skate. Só ficar em hotel caro e nada de andar... Cheguei em Los Angeles já quase sem

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grana e me instalei em Long Beach com meu amigo Eddie Reategui, profissional da equipe da Alva. Fiquei com sua família por um tempo! Ele me levou à Upland e Mt. Baldy pela primeira vez, depois fui pra Venice e comecei a trabalhar do lado do warehouse da Alva. Em seguida comecei a morar com o meu grande amigo Chris Cahill, que faleceu há pouco tempo (que Deus o tenha), um shaper californiano que eu já conhecia daqui do Brasil. Morava a uma quadra do boardwalk de Venice Beach e andava todos os dias com os locais de lá: Cesario Block, Pat Ngoho, Christian Hosoi, Eric Dressen, Aaron Murray, Scott Oster, Joe Tran, Jesse Martinez, Chris Cook, Jeff Hartsel, John Thomas, Tim Jackson, Eric Britton (Tuma), Little Man, Masao Miashiro, entre outros. Eles faziam a cena local e arrepiavam muito! Estilo é fundamental em Venice e foi uma época em que a cena local se destacava muito em Los Angeles, sendo base de grande parte da indústria de skate como a Alva Skates, a qual era patrocinado, Dogtown, Santa Monica Airlines, Z-Flex, Bronze Age (começo da Grind King), Zephir, etc... Tinha também um secret spot que foi apelidado com meu nome porque eu que o descobri, na Marina Del Rey: um ditch com um curb na borda. Mas sem dúvida foi morando em Venice que mudou meu conceito em relação

ao skate. Meu jeito de andar se aprimorou com a regra fundamental de lá: andar de skate exclusivamente para se divertir. Morar sozinho em um país diferente, aprender a língua, sobreviver! Foi uma experiência muito boa e me tornou no que sou agora. Quais foram os melhores picos que você já andou, no Brasil e fora dele e, se for possível, qual foi a session que mais te marcou, aquela que ficou cravada na sua memória? Os melhores picos foram as pistas de Venice, Santa Monica, Vans, Culver City, Hawaii Kai, em Oahu, e fazer street nas ruas de Los Angeles. Foram as melhores experiências que já tive! Uma sessão marcante dentro de muitas foi quando eu tinha acabado de chegar em Venice, em 1987. Fui até a praia e conheci o Chris Cook, John Thomas, Jeff Hartsel e saímos fazendo street de Venice até Santa Monica, depois voltando para Venice... Aí acabamos na casa do Ray Flores, que tinha uma rampa no seu quintal. Foi uma maratona de 5 horas andando sem parar, uma overdose de skate! Você está morando atualmente na Califórnia, mas tem vindo bastante para o Brasil. Depois de praticamente 13 anos morando por lá, quais são os pontos positivos e negativos de morar nos Estados Unidos?


JAir Borelli/A ondA durA

flavinho, kim, bolota e porque?

layback air, 1982, Wave cat.

frontside ride, mt. baldy, por volta de 88.

Antonio dos PAssos Jr. “thronn”

AnniBAl neto

Arquivo Jorge kuge

shin shikumA

porque? era rei nos campeonatos brasileiros de guaratinguetá. campeão pro em 1987, com fs smiths cravadões.

method, eua.

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Eu acho que o ponto negativo de morar fora é, principalmente, ficar longe da família. Os positivos são a qualidade das pistas e a facilidade de se ter equipamentos bons. Depois da crise econômica mundial em 2008, os Estados Unidos passaram por uma recessão que muitos americanos nunca viram. Como você sentiu essa crise pessoalmente e o que mudou no seu dia a dia por lá? Você acha que isso vai influenciar sua volta definitivamente para o Brasil? A crise por lá pegou sim! Todos sofreram com isso, de uma forma ou de outra. Eu, gracas a Deus, nunca fiquei sem trabalho por lá, mas ficou mais difícil de se conseguir um para se manter. O fato de eu querer fazer a base aqui no Brasil agora é pra ficar mais perto da minha família e das pessoas que amo. O Brasil passa por uma fase muito boa e chama a atenção mundial no momento. Torço muito pra que as coisas realmente mudem para melhor por aqui e que o povo brasileiro finalmente desfrute de uma vida mais próspera. Como você compara a cultura dos dois países? Quais as maiores dificuldades: acostumar-se com a cultura ou o comportamento dos americanos, comparados com o nosso jeito de ser? Quais as coisas positivas? Culturalmente os dois países se diferem muito! As maiores dificuldades são a língua, no começo, e a falta do calor humano que existe no Brasil. O  brasileiro é mais flexível e se adapta às situações. Lá é tudo mais estável e conveniente. O positivo é que você é quem faz a sua. Se você estiver bem, estará bem em qualquer lugar! É só difícil ficar tantos anos longe da família, sem parâmetros... Eu acho que os dois lugares têm seus pontos positivos e negativos, mas ficar perto da família é mais importante no momento. Seu irmão, Alexandre Pois É, criou a marca Sumemo, que está indo muito bem e crescendo. Como você vê essa evolução? Você tem ajudado diretamente na marca? Sim, o conceito da Sumemo está aí pra ficar! É uma marca nova que está indo muito bem, gracas à grande sacada que eu irmão teve: a deficiência no Brasil de roupas nesse segmento; e também ao carisma que o meu irmão tem, que todos já sabem. Estou junto, ajudando desde o começo, fazendo o marketing em Los Angeles e também ajudando por aqui. Qual sua maior satisfação em andar de skate e quais as maiores motivações? O sentimento de liberdade que dá ao pisar no skate é imcomparável, o vento na cara, de colocar seu corpo naquelas posições de equilíbrio e controle... Tudo está bem quando eu estou em cima do skate... Minha maior motivação sou eu mesmo. Ando porque gosto, estou na melhor fase da minha vida porque ando por prazer. Não ganho porra nenhuma com isso, só faço porque me faz bem. Só isso! Quais as pessoas que te influenciaram no skate, quando começou e hoje? No começo diria que minhas influências foram os Wave Boys: Jun Hashimoto, Luis Roberto Formiga, Adherbal Billy Argel, Bruno Brown, Kao Tai, Ralph, etc... De americanos, posso citar o Tony Alva. Hoje em dia, quem me influencia e gosto muito de ver andar é o Pedro Barros, com seu estilo forte e agressivo. É assim que eu gosto de andar de skate, com muita velocidade!  Tem um skatista novo, da nova geração, que tem o mesmo nome que o seu e o pai dele colocou esse nome em sua homenagem. Como se sente com isso? Parece que você já andou de skate com ele. É o Álvaro Rodrigues, filho do Tiago, muito gente fina. A gente sempre se encontra na pista do

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Arquivo PessoAl

entrevista legend // porque?

fs bonelles, venice beach, ca, 88.

com o irmão, pois é.

Sumaré. Quando estou por aqui no Brasa, damos um rolê juntos. Ele anda muito bem. Eu fico muito honrado com a homenagem, sem palavras! Você tem algum projeto de uma marca sua pro futuro? Tenho sim. Eu e meu irmão temos projetos, aguardem! Ainda vale a pena a Califórnia? O “Americam dream” é uma realidade? Vale sim. Eu estou lá desde 1999, agora é hora de ficar mais por aqui no Brasa. A minha missão lá já cumpri, mas recomendo pra quem quiser se aventurar a viajar pra lá. O “californian lifestyle” sempre irá ditar regras e tendências. Update yourself!

Qual foi a importância de sua família no desenvolvimento do seu skateboard? Muito grande! Minha família sempre me apoiou no que eu quisesse fazer. Liberdade e respeito mútuo. Saí de casa cedo, rumo aos EUA e me joguei. Eles sempre me apoiaram. Deixo esse espaço para seus agradecimentos e considerações finais: Gostaria de agradecer minha família: meu pai e minha mãe, meu irmão Pois é!, a Sumemo e minha namorada, Giuliana Talamini, que cuidou de mim quando eu estava machucado. Thank you all... Mais pistas altas e boas em São Paulo! SK84LIFE!!! SUMEMO!!!


shin shikumA Antonio dos PAssos Jr. “thronn”

layback, são bernardo, 2010.

fs grind nosegrab.

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luz

> rafael sevilha, bs wallride foto caetano oliveira 74 | TRIBO SKATE junho/2012


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luz

> marcelo formiga, feeble foto caetano oliveira 76 | TRIBO SKATE junho/2012


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luz

> henrique crobellati, smith grind foto caetano oliveira 78 | TRIBO SKATE junho/2012


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luz

> leo fagundes, drop foto caetano oliveira 2012/junho TRIBO SKATE | 81


casanova // 200

Hardflip.

alexandre chaveirinho // Fotos Marcelo Mug Onde nasceu: Canoas, Rio Grande do Sul. Onde mora atualmente: Canoas. Primeiro skate: Não lembro, era um bem zuado! Skate atual: Shape Drop Dead, rolamentos Bones, trucks Royal e rodas Type-S. Som pra ouvir na sessão: Notorious B.I.G. e Rick Ross. Uma parte de vídeo de skate: Rodrigo TX no Flip. Três amigos pra compartilhar a sessão: PG, Madruga e Juninho. Comida: Pizza. Bebida: Coca-Cola. Balada: Não gosto. Melhor pista: IAPI. Sonho: Ir para Barcelona. Para ler: Revista. Viagem: Barcelona. Um salve: Para todos os skatistas! // AlexAndre SilvA “ChAveirinho” 18 anos, 5 de skate Canoas, Rs

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“um salve pra galera de canoas!”


casanova // 200

Backside noseslide shovit.

Karina Muñoz Onde nasceu: Macaé, RJ. Onde mora atualmente: Cidade do México, México. Primeiro skate: Meus amigos do Canela montaram um skate, que eu dividi com minha irmã por um ano. Skate atual: Shape Beat, trucks Thunder, rodas Iron Horse e rolamentos Pig. Som pra ouvir na sessão: O som do meu skate. Uma parte de vídeo de skate: Eric Koston no Yeah Right da Girl. Três amigos pra compartilhar a sessão: Tacio Alves, Camila Muñoz e Vinicius de Oliveira. Comida: Lasanha. Bebida: Água. Balada: Garibaldi, no México.

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// Fotos rené Jr. Melhor pista: Águas Espraiadas, em São Paulo. Sonho: Que o skate feminino cresça mais e mais. Para ler: Nietzsche, Zaratustra. Viagem: Barcelona. Um salve: Maristela, minha mãe. Saudades! E para minhas amigas de São Paulo, Badel e Xuxa. // KArinA AndreA PAivA Muñoz 27 anos, 8 de skate PatRoCínios: FesPoRte MaCaé, Beat skateBoaRding, gRaFit WeaR e ansa skateshoP. aPoios: Calles de la Mente. MaCaé, RJ

“errando é como se aprende.”


hot stuff // 200

// URGH Pioneira em tudo que se propõe a fazer desde 1982, a Urgh lança a coleção inverno 2012 baseada nas experiências de anos suprindo o skate brasileiro com materiais de qualidade. A coleção está com visual clean, modelagem atual e serve muito bem para enfrentar o frio que está aí. As peças podem ser vistas em ação com a equipe da marca (uma das mais completas do skate nacional) e agora também nas melhores skateshops em todo Brasil. Urgh – (11) 3226 2233 www.urgh.com.br

// ALTERNA Destruidor de picos mundo afora, o profissional do interior paulista Wolnei dos Santos aplica nos shapes da marca Alterna toda a insanidade que ele já fez e ainda faz em cima do skate. Por isso, os três modelos assinados pelo Wolnei são adequados para o skatista que tem o estilo de vida “sangue, suor e poeira”. E também é indicado para aquele skatista que não é tão atirado assim, afinal, os shapes foram desenvolvidos para suportar as marretadas do “terror dos corrimãos”. Alterna – (14) 3206 7674 www.facebook.com/alternaskateboards

// C1RCA O modelo de tênis Maxson da C1rca foi desenhado pelo pro skater norte-americano Jon Allie, um dos peso pesados que confere credibilidade à equipe internacional da marca. Entre as características do tênis, destaque para a sola no formato de espinha de peixe, feita com borracha especial desenvolvida pela C1rca, que possibilita um melhor controle na hora de executar as manobras. Além, é claro, do tênis ser feito em couro e contar ainda com elástico na língua, para proporcionar maior durabilidade e melhor conforto aos pés dos skatistas. Circa – www.netshoes.com.br

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// DEVOTION O skate do Rio de Janeiro vem vivenciando uma excelente fase e a Devotion é uma das marcas que faz parte dessa nova realidade. Criada pelo fluminense Allan Mesquita, experiente conhecedor das mais variadas transições do Planeta Terra, a Devotion lança nova linha de shape, camisetas e o carro-chefe da marca, as já conhecidas calças jeans, que acompanham o skatista em qualquer situação. Devotion – (51) 8162 3137

// VEGETAL Foi manobrando nas selvas do centrão de SP, da pista da Saúde e das ruas de Itajaí/SC que os shapes Vegetal foram testados e desenvolvidos pela equipe de profissionais da marca, antes de chegarem às lojas. E para defender e valorizar ainda mais o trabalho feito pelos skatistas André Hiena, Humberto Beto e Jean Duarte (visto por aqui na entrevista da edição 198), a marca lança os três pro models assinados por eles. Agora é montar seu skate com um Vegetal e sair para a caça dos picos de sua cidade! Vegetal – (11) 9182 3189 www.facebook.com/vegetalskate

// WEIRD Desde 2003 sendo influenciados diariamente pela poluição visual e sonora de São Paulo, os caras da Weird fazem uma mistura cerebral das mensagens que os rodeiam para criar novas ideias, ou apenas restabelecer as já existentes. Baseada no quartel-general que fica no Morumbi, a marca estampa em suas camisetas a temática metal/punk/skate, com garantia de vestir a galera apenas com peças exclusivas. A Weird é feita para quem respira o ar denso das grandes cidade. Weird – (11) 3742 3231 www.weird.com.br

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áudio // 200

Muito cartucho para gastar Depois De 5 anos longe Dos holofotes, o pavilhão 9 retornou em granDe estilo no festival lollapalooza. esses velhos conheciDos Da casa, rhossi e marinho falaram Do passaDo, presente e o futuro Do p9. fiquem ligaDos que a banDa ainDa tem muito cartucho para gastar! Por helinho suzuki // Fotos beto carvalho Como rolou essa volta do Pavilhão? Já estava sendo arquitetada ou o Lollapalooza foi o responsável por trazer a banda de volta? [Marinho] O Fernando (baterista) tinha um conhecido que estava na organização do evento e acabou rolando o convite, virando assim um momento para retornar o P9. E como foi encarar logo de primeira um festival como o Lollapalooza, depois de tanto tempo sem pisar no palco? [Marinho] Acho que encarar o palco não foi problema, pois todos sempre trabalharam com música e fazem som há muito tempo, mas o ponto era

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a responsabilidade de fazer um show com peso e energia, como sempre foram os shows do P9. A sensação de tocar neste festival foi a mesma de quando vocês tocaram no Rock in Rio 3, para mais de 200 mil pessoas? Quais são as memórias que vocês têm desse show? [Marinho] São emoções e sentimentos muito parecidos. O Rock in Rio foi um dos dias mais importantes para o P9. Fizemos um show que teve muitos elogios por parte do público e crítica; isto trouxe uma satisfação muito grande para a banda e está gravado em nossa memória. Depois que a banda acabou em 2005 e cada

um seguiu seu caminho, o que vocês andaram fazendo nesse meio tempo? [Rhossi] Desde 2008, quando a banda parou, dei início a minha carreira solo. Lancei até aqui um EP em 2008, três singles em 2010, 2011 e 2012, três vídeo-clipes e estou me preparando para lançar o meu primeiro álbum solo. [Marinho] Eu continuei com alguns projetos de músicas. Tive um projeto com o João Gordo e o Munari (F.A.U.T.), de mambo e cha cha cha; retornei o Yo-Ho-Delic e trabalho fazendo produção técnica de bandas. O Munari toca em outros projetos musicais (Instituto e outros). O Fernando


DJ eb.

fernando.

ortega.

munari.

marinho e rhossi.

Doze e rhossi.

também tem vários projetos que ele toca (Treta, Worst, The Silence e outros). E o Piveti? Vocês ainda têm contato com ele? [Rhossi] Faz tempo que não o vejo; perdemos contato há um tempo. Em 22 anos de carreira vocês vivenciaram todo tipo de moda, passaram por grandes gravadoras, lançaram seis discos, ganharam diversos prêmios e agora estão independentes. O que mudou de lá pra cá? [Marinho] A cena da música mudou. O mercado ficou diferente, a divulgação está mais próxima da própria banda, todos têm muitas ferramentas para divulgar seu trabalho. A crise do mercado fonográfico não foi um bom momento, mas a internet facilitou para as bandas que fazem um bom trabalho de divulgação e isto levou mais lugar ao sol para mais gente. O Pavilhão é uma banda que sempre teve diversas participações em seus discos, de Max Cavalera a Rodolfo Abrantes (ex-Raimundos). Como rolaram essas parcerias? [Rhossi] As parcerias na banda sempre foram naturais. Para nós é uma forma de trocarmos experiências musicais. Gravamos com muita gente: Marcelo D2, Falcão (O Rappa), Veiga e Salazar, Xis, Billy (Biohazard), etc... Todas as parcerias vieram através de amizade e contatos que temos com os músicos. Tem alguém ou alguma banda que vocês ainda gostariam de trabalhar? [Rhossi] Na minha opinião, Rage Against the Machine. Vocês participaram da trilha sonora do filme “O Invasor”, em 2001. Voltariam a fazer algo parecido? De repente instrumental... [Marinho] Seria muito bom fazer uma trilha de um filme, eu ia gostar muito deste trabalho. Assim como a maioria dos grupos de rap da sua geração, as letras de vocês sempre tiveram um contexto social bem claro, de cutucar a ferida mesmo. Qual a opinião de vocês sobre essa nova cena do rap nacional, como Criolo, Emicida, Projota? Eles fogem um pouco dessa temática, não? [Rhossi] Tudo tem o seu tempo. Acredito que a mensagem que mandamos nos anos 90 se aplica para hoje ainda. Os assuntos e alguns problemas continuam. As letras do Pavilhão 9 são para fazer pensar. Gosto do trabalho da nova geração. Agora é um novo momento, não acho que eles fogem do protesto, apenas têm uma forma diferente de escrever. É um novo ciclo, um novo bom momento no rap.  Semana passada o rap mundial teve um grande perda, MCA dos Beastie Boys. O que eles representam para vocês? [Rhossi] Sem sombra de dúvidas foi uma grande perda para a música mundial. Conhecemos o produtor Mario Caldato em Los Angeles. Cresci ouvindo Beastie Boys, influência direta nas músicas do Pavilhão 9. Qual o futuro do P9? Vocês já tem alguns planos ou o futuro é incerto? [Marinho] O futuro é amanhã; hoje pensamos em fazer shows e compor músicas, divulgá-las e seguir com nossos projetos, que incluem o P9.

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manobra do bem // 200 por sandro soares "testinha"*

Inimigo público número 1

M

uito antes das 200 edições da Tribo Skate, feito histórico em se tratando de uma publicação especializada em skate no Brasil, um problema já acompanhava o skate e o acompanha até hoje; aliás, esse problema apareceu assim que se criou o brinquedinho. Estou falando da convivência do esporte e dos skatistas com a população que não anda de skate, principalmente com uma parcela que definitivamente não gosta do carrinho e não aprova seu comportamento, seu estilo de vida, seus hábitos e costumes. Quem viveu ou estudou sobre o skate nos anos 80, viu ou ouviu falar da famosa proibição do skate em toda capital paulista; através de decreto do então prefeito e maluco de plantão, Jânio da Silva Quadros. Passado esse período, houve outras tentativas de proibir o skate em lugares com atrativos excelentes para quem o pratica: teve o caso do Museu do Ipiranga e o de duas ladeiras em São Paulo, muito utilizadas pelos praticantes do downhill. Uma delas hoje se encontra com faixas de paralelepípedos que impedem essa prática, e a outra, que devido à intervenção organizada de skatistas e representantes do poder público, teve a mesma colocação de paralelepípedos temporariamente interrompida. Com certeza, vale a pena lembrar do famoso caso da tentativa de proibição do uso de skate nas calçadas da Avenida Paulista, sugerida por um vereador, duramente criticada por milhares de praticantes e simpatizantes de skate. A tentativa foi rapidamente tirada de discussão, acredito que por causa do então vereador ser candidato à reeleição na capital (o qual acabou não sendo reeleito, para alívio de todos). Em alguns casos, onde os interessados se reúnem para defender cada um seu ponto de vista, de forma civilizada, geralmente chega-se a um ponto em comum. A solução, às vezes, não agrada a todos, pois criam-se horários para o skate e (ou) uso obrigatório de equipamentos de proteção; no mínimo um capacete. Olhando por esse lado, essas soluções podem parecer chatas e acabam tirando um pouco daquele espírito de liberdade que sempre acompanhou o skate; mas por outro lado, pode ser observado também que não é de todo ruim, pois se estivéssemos nos anos 80, poderíamos novamente passar por uma proibição do skate em toda São Paulo ou em qualquer outra cidade do Brasil, coisa que hoje é praticamente impossível de acontecer, tamanha visibilidade que tem o skate no país. Eu acho que precisa ficar claro para todos que andam de skate em locais públicos onde transitam pedestres, ciclistas, crianças e animais, que é preciso respeitar a integridade física de todos ali. No caso em que você esteja próximo de acertar uma manobra desejada em uma borda de mármore na Paulista, com seu amigo filmando tudo, se no momento de mandar a trick aparecer no caminho aquela simpática senhora andando em sua direção a um por hora, não pense duas vezes: pare, volte ao ponto de partida e comece tudo de novo. Não corra o risco do seu skate escapar e acertar a canela dessa senhora e a partir daí surgir uma encrenca que pode tomar consequências enormes, causando até mesmo a proibição do uso do skate nesses lugares públicos, afinal, o nosso direito termina quando começa o do outro, não é? Já nos casos dos condomínios fechados que possuem pistas de skates, os quais preocupam os pais que temem o uso indevido por parte de seus filhos, podendo gerar acidentes por falta de uso de equipamento de proteção ou mesmo por falta de prática e técnica do “pretendente a skater”, a solução pode ser a contratação de um profissional qualificado para orientar a garotada. Sempre lembrando que acidentes podem acontecer na maior parte das modalidades esportivas, sendo elas amadoras ou profissionais. Para finalizar, hoje, com a idade que tenho e com tudo o que já vi e vivi graças ao skate, o meu melhor e mais verdadeiro argumento em favor da prática do skate é o de que, entre tantos males que assolam nossa sociedade nos dias de hoje, tais como a violência, a criminalidade, a corrupção em todos os níveis sociais e, principalmente, a grande doença sem cura chamada crack, eu não creio que o skate possa ser tratado como inimigo público número um; muito pelo contrário - eu creio e trabalho para que o skate seja apresentado à sociedade como uma das soluções para os verdadeiros inimigos públicos.

* Sandro Soares “Testinha”, agora com 34 anos de idade e 20 junto do skate.

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APOIO CULTURAL


swell old is cool // a longevidade

Vida longa ao skatista!

Lá estamos nós, novamente! o prazer iniguaLáveL de participar de um encontro anuaL da famíLia. abraços apertados, sorrisos Largos, gritos de entusiasmo, brincadeiras e, por que não, broncas. o espírito do sweLL oLd is cooL ganha “novos veLhos” adeptos. os argentinos em peso, os campeonateiros de sempre, os desencanados, os fiLhos, sobrinhos, as sessões espaLhadas nas superfícies skatáveis mas também nas cabeças de cada um presente. Por cesar gyrão // Fotos petronio viLeLa // A provA dos nove Com o passar dos anos, as primeiras gerações do skate vão perdendo contingente. No entanto, aqueles que conseguem se manter em cima do skate por alguns segundos no newLove bowl, estão esticando a vida útil do skatista em situações de maior risco. Trata-se de vertical, de coping block, de tentar encaixar as manobras e montar linhas. Nada fácil para alguns, mamão com açúcar para outros. O peso da idade pega mesmo, mas o fato é que mais skatistas continuam na ativa por mais tempo e tudo indica ser essa a tendência para o futuro. Por enquanto, são quatro categorias, mas novas devem ser criadas para juntar elementos da mesma época, grau de habilidade parecido, idades próximas. Desde a criação das categorias pro master e pro legend no recente Red Bull Skate Generation, em Floripa, onde apenas ex-profissionais estavam qualificados para competir, a padronização dos últimos tempos passou a ser questionada e esta versão do Swell Old Is Cool já introduziu novos parâmetros. A partir de agora, as faixas de idade serão válidas para quem estiver completando “x” anos, no ano corrente. Então, bau-bau para os masters de 30. Vocês enfrentarão caras com 29, que estejam completando 30 em 2012. Bau-bau para você que tem 45 e estava lá na base da pirâmide! Agora seus parceiros de 44 irão lá roubar suas chances de classificação! Exageros à parte, foi lamentável não ter a participação do Cesinha Chaves este ano em Viamão. O mestre tem 57 anos e não achou justo que caras mais novos mais de 10 anos que ele estivessem naquela que representa a categoria da primeira geração do skate brasileiro. Isso porque ele também marcou posição em favor do evento colocar cinco juízes para trabalhar e não apenas três. Com certeza o julgamento com cinco é bem mais justo que o de três juízes, aque-

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la forma traduzida por Cesinha do regulamento da CASL e NSA (antigas entidades do skate dos Estados Unidos) nos anos 70 e aplicado nos melhores eventos. Muitos podem lembrar que o objetivo maior de um evento como o Swell Old Is Cool é a festa, a diversão, mas a gente gosta também de brincar sério, medir nossos limites, criar estratégias para, justamente, alongar a vida útil do skatista e mostrar até onde se pode ir em competições. Logo após o evento, cabeças pensantes da organização (irmãos Tesch), Cesinha, André Barros, CBSk (Ed Scander), Juarez Mascarello, Jorge Kuge e outros, discutiram os novos padrões de idades, inspirados em outros esportes que já têm categorias masters a mais tempo que o skate e pode ser que mais uma categoria seja criada, a partir de agora, que pode quebrar a faixa dos cinco anos até então usada. Não acho que deva

ser assim, mesmo considerando-se que alguns skatistas de 48 anos são da primeira geração do skate e começaram a andar no início dos anos 70. Por que não estabelecer aqueles que ultrapassaram os 50, ou que estejam fazendo 50 este ano? Bom, ainda tem muito pano pra esta manga, até a configuração desta nova faixa. Enquanto isso, outra discussão vai entrando na pauta: Skatistas com 30 anos ainda estão em pleno vigor de suas grandes performances, principalmente aqueles profissionais que entram nestes eventos abertos (open) apenas para brincar, sem direito a premiações em dinheiro a que teriam direito. Então quer dizer que a categoria master pode ser extinta? Menos, amigo, menos. A grande maioria que atinge os 30 e continua andando de skate, merece todo o respeito e pode acreditar que nunca mais vai parar de andar. Assim seja.

// pincelAdAs • Ninguém derruba o Tomás “Tomate” Guedes entre os legends. Desde que atingiu esta faixa, ele está sempre na ponta mais alta. E, sempre mandando aquelas manobras mais doidas de todas. • Pedro Tibau estreou com vitória entre os grand legends. Ele está entre aqueles que completarão 45 este ano e conseguiu superar as linhas mais completas do Jorge Zunga, outro que ainda tem 44, mas que é assíduo frequentador e agitador dos eventos old school. • Sinuhe Ferreira, de Curitiba, foi o campeão master desse ano, seguido do argentino Santi Reinas. Esta foi a categoria menos numerosa deste ano, mas não menos competitiva. • A grand master foi a categoria disputada em mais alto nível, pelo volume de pros inscritos. Allan Mesquita disparou na eliminatória, mas perdeu o posto para Cris Mateus na final. Na jam final, Rafael Pingo se superou e desbancou Henrique Banana e Affonso Muggiati, que sempre estiveram bem nas finais. • James Bigo, apesar de completar 45 este ano, optou por correr entre os legends. Derrubar o Tomate seria impossível, mas ele não contava com o bom rolê do argentino Damian Pico. • Durante estes dias, a Drop Dead, as marcas de sua distribuidora e sua equipe de skatistas realizaram vários eventos com modelos diferentes de skate (ver mais no Zap). • A semana do Old Is Cool contou com uma série de atrações, no bar Banx e em outros picos de Porto Alegre. O show do Agent Orange foi o fecho de ouro e os caras da clássica banda de skate rock compareceram na Swell pra interagir com seus pares, skatistas e músicos.


a longevidade // swell old is cool

o grand master henrique banana, não perdeu a fama de destruidor de bowls. fs smith.

as manobras e linhas mais doidas, mantêm o tomás tomate na cabeça entre os legends. Layback air.

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swell old is cool // a longevidade

pedro tibau foi a grande surpresa entre os grand legends, em sua primeira participação no swell. fs grind.

agent orange com paulinho davi.

a reunião para debater a padronização.

a categoria mais forte foi vencida por cris mateus. smith do campeão grand master.

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cesinha.


RICARDO AZOURY

skateboarding militant // 200 por guto jimenez*

N

25 e 50

Foto para Revista Domingo (JB), 1986.

esse mês de junho de 2012, completo duas datas significativas na minha história de vida. Há 25 anos, no cada vez mais distante ano de 1987, tornei-me o primeiro brasileiro a competir no então chamado “Mundial da Alemanha”, o Münster Monster Mastership na antiga e simpática cidade bávara. O evento já era tradicional no cenário de skate europeu e, naquele ano, abriu inscrições pra amadores e pros de países dos outros continentes. A maior expectativa, como não poderia esperar de ser, era pela presença de profissionais norte- americanos competindo na Europa com os melhores do continente, e alguns representantes de outros países no mundo. Eu era um amador no máximo esforçado na época, e vi na Thrasher uma nota sobre o evento com um endereço pra enviar uma carta – sim, era assim que se fazia naquela época... Escrevi pros caras, eles me responderam e fui correr atrás de viabilizar a viagem. O maior problema já tinha solução: eu trabalhava pra uma empresa aérea e poderia voar pra onde quisesse pagando no máximo 100 dólares. Faltava a verba pra viagem, que consegui com meu patrocínio na época, a No Limits: 10 tábuas e mais 10 pares de joelheiras, cotoveleiras e wrist guards. Bem, era levar isso e tentar a sorte junto com as merrecas que eu tinha, e vamos que vamos pois o uretano não pode parar. Só pra resumir uma longa história: virei pro na fila de inscrição. Os caras se enganaram e colocaram meu nome como um dos “destaques profissionais internacionais”, ao lado dos caras da Bones Brigade, da Vision e de Christian Hosoi, e eu fiquei com receio de pagar mico. Quando dei por mim, estava na mesma área de imprensa ao lado de Steve Caballero, Lance Mountain, Mark Gonzales, Claus Grabke, Rob Roskopp e Kevin Staab – e não tinha nem meia hora que eu tinha virado pro! Dizer que era brasileiro tinha o mesmo significado do que “marciano” na época, e a ficha da responsa só caiu quando vi o ginásio lotado (era uma quinta-feira ainda!) e uma bandeira do Brasil ao lado de várias outras. A hora das eliminatórias foi o momento da verdade, pensei nos meus amigos e de-

tonei na primeira volta, e só fui sentir a pressão no início da minha segunda volta quando caí e me machuquei. Isso não seria muito bom porque o critério era a soma das duas voltas, mas nem esquentei porque estava vendo alguns dos melhores do mundo quebrarem tudo na minha frente. E nem foi tão ruim assim no final das contas, já que acabei em 14º no street pro! Eu fui mais pra curtir o que pudesse da Europa com pouco dinheiro do que pra competir a sério no Mundial, mas pode-se dizer que abri a fechadura de uma porta pra que outros brazucas pudessem brilhar. Dois anos depois, Lincoln Dyo Ueda mostrou o que o talento brasileiro era capaz e terminou em quarto lugar no vert pro com apenas 14 anos de idade! Orgulho maior foi ter visto ao vivo o Digo Menezes conquistar o planeta em 1995, calando a boca de tudo e todos com a regularidade de suas manobras, na mesma Münster e meros 8 anos depois de minha aventura pelo Velho Continente. Nem parece que já se passaram 25 anos. Outras aventuras se seguiram àquela: naquele mesmo evento, comecei a minha carreira de fotógrafo de skate com a Olympus Pen emprestada de minha irmã. No ano seguinte, virei locutor de eventos de skate e acho que sou o único por aí que já fez etapas de todas as entidades mundiais de skate. Mais adiante, tornei-me um jornalista de verdade, radialista ocasional e eterno militante do skate. Eu falei lá em cima que tinha duas datas em junho que eu tinha a comemorar. A outra, que sem dúvida é a mais importante, tem a ver com meus 50 anos de vida. Não sou só eu, é uma verdadeira tropa de skatistas veteranos que fazem meio século em 2012, sente o naipe: Cesar Gyrão, Bruno Brown, Juarez Mascarello, Júlio Tio Verde, Luis Come-Rato... Vamos que vamos, que o uretano não pode parar!

APOIO CULTURAL * Guto Jimenez está no planeta desde 1962, sobre o skate desde 1975.

98 | TRIBO SKATE junho/2012



Tribo Skate Edição 200