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D de DIFÍCIL

BS Daggers no ditch

S K AT E EDIÇÃO 253 MAIO E JUNHO R$ 12,90

WWW.TRIBOSKATE.ATIVO.COM

DIEGO GARCEZ AL ÁFIA FERNANDO GOMES DANIELONE

JEAN SPINOSA A caminhada do amador de Piracicaba que tem origem e destino certos

MIAMI Com Paulo Galera, Lucas Xaparral e Danilo do Rosário

POLE JAM Uma diversão portátil para lugares incomuns e incríveis


TIAGO LEMOS

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THE PLAZA TC

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ÍNDICE

S K AT E ANO 26 • MAIO/JUNHO DE 2017 • NÚMERO 253

ESPECIAIS 18. Jean Spinosa 28. Pole Jam 36. Miami 44. Luz Salvador 54. Bs Daggers no Ditch

SEÇÕES Editorial......................................................................8 Zap............................................................................. 12 Casa Nova............................................................. 66 Traços e Rabiscos..............................................72 Hot Stuff..................................................................74 Áudio (Aláfia)........................................................76 Coluna Visual.......................................................78 Coluna Saúde...................................................... 80 Skateboarding Militant................................... 82 CAPA: Humberto Peres teve a ideia maluca de usar o pole jam pra pular de cima do pier de Rio das Ostras. Pedro Macedo foi de moto com o monte de ferro, na estrada, ao encontro dele, para registrar a maluquice. Acordaram às 4h da manhã para pegar o sol nascendo. Um amigo com prancha ficou na água, Humberto criou uma espécie de boia para o skate, secaram o pier e colocaram a rampa para dar acesso ao pole jam. Assim que o sol saiu no horizonte, Humberto se jogou nos 15 metros de altura. E ele ainda fez uma linha antes de saltar. Ocean Pole Jam FOTO: Pedro Macedo


VOTAN MOLOSSI, POR JOVANI PROCHNOV Esse pico em Caxias do Sul pedia uma manobra no estilo montanha-russa! Bastou o Jovani ouvir a ideia do skatista para que o bs noseslide entrasse em cena.

TRIBO SKATE • 7


ADRIANO RABELO

EDITOR IAL

GYRÃO, ROCK'N'ROLL

A GAVETA

N

a véspera de embarcar para a cobertura do STU

estilo "mata-barata", estava saindo na boa. Faltava apenas esticar mais

Open no Rio de Janeiro, sofri um acidente no bowl da

e voltar mais bonito, mais estiloso. Já tava cansado, mas normalmente,

Costeira, em Floripa. Quebrei o braço direito em duas

quando assistimos ou participamos de gravações ou sessões de fotos

partes e passei por duas cirurgias, tudo por causa do

com profissionais ou amadores, a gente sempre exige o máximo dos

desejo de registrar o melhor rock'n'roll naquele lugar

sujeitos, fazendo com que voltem no melhor estilo, com as quatro ro-

"x" que entrou na linha. Nos últimos tempos tenho sido exemplo para

das batendo juntas no chão, para que mereçam real destaque. O limite

alguns amigos que ficam muito ansiosos ao voltar andar de skate,

está ali pra ser desafiado e não custava tentar melhorar um pouquinho.

justamente por ter me mantido bem fisicamente ao longo dos anos

O impacto de ver o braço partindo, na hora, é algo indescritível. Todos os

ininterruptos em cima do carrinho. O controle da ansiedade é um

questionamentos do mundo vêm na hora a sua cabeça. E agora, José?

dos caminhos para não se criar situações perigosas e evitar o pior.

Na hora você só entende que tem que fazer tudo com calma e contar

Desta vez, no entanto, deixei a vontade de sair melhor numa filmagem,

com o apoio dos amigos. Agora, do quarto do hotel do STU Open, só

me trair. Já havia registrado algumas vezes a manobra, mas queria ter um

consigo pensar que as limitações de hoje devem ser encaradas como

rock'n'roll "engavetado", com o shape melhor colocado na borda. Dias

passageiras e que a recuperação será focada em digerir mais essa lição.

antes dessa sessão, eu lancei a foto acima no Instagram, justamente

Nada é bom o suficiente que não possa ser melhorado, mas às vezes

falando desse meu desejo. Quando saí pra filmar com o JM para o The

o nosso bom é aquilo que temos, aquilo que conseguimos fazer.

Best Daggers IV, a sua série de vídeos, com a sua cara, todo filmado em

Aceitar esses limites não vai rebaixar ninguém. Pelo contrário, novos

VX1000, o objetivo era dar o meu melhor, dentro de minhas possibilida-

caminhos e possibilidades vão surgir.

des. Estava me sentindo muito bem nas transições de um dos melhores bowls do Brasil, fluindo como nunca. Depois de uma hora de sessão praticamente sozinho, já havia gravado umas boas linhas e a lente grande angular foi adaptada para registrar duas manobras isoladas: o invert e o rock. O invert não saiu nas primeiras 20 tentativas e eu senti que estava ficando perigoso. Declinei. Não seria desta vez. A memória corporal da manobra até que voltou, mas o esqueleto de 55 anos de idade não permitiu a volta desta vez. Já o rock'n'roll no meu 8

•TRIBO SKATE

CÉSAR GYRÃO

Skatista desde 1975, fez fanzines, associações, correu campeonatos, atuou na Overall de 88 a 90 até comandar a criação da Tribo Skate em 1991


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AQ U EC IMEN TO

S K AT E

ANO 26 • MAIO / JUNHO DE 2017 • NÚMERO 253 DIRETOR-EXECUTIVO E PUBLISHER

Felipe Telles

DIRETORA DE CRIAÇÃO

Ana Notte

GERENTE DE CONTEÚDO

Renato Pezzotti EDITOR

Junior Lemos SITE

Sidney Arakaki DIRETOR DE ARTE

Huan Gomes

EDITORA DE ARTE

Renata Piai Montanhana EDITOR DE FOTOGRAFIA

Ricardo Soares PRODUTORA

Carol Medeiros CONSELHO EDITORIAL

Cesar Gyrão e Fabio Bolota REDAÇÃO

triboskate@triboskate.com.br COLABORARAM NESTA EDIÇÃO: TEXTO

Edu Andrade, Eduardo Ribeiro, Fernando Gomes, Guto Jimenez, Pedro Macedo, Rodrigo K-b-ça, Sidney Arakaki e Thiago Pino. FOTO

Adriano Rebelo, Bruno Rocha, Célia Santos, Eduardo Braz, Edu Pimenta, Fernando Gomes, João Eduardo Pat, Jovani Prochnov, Marco Marquesi, Michael Henrique, Octavio Scholz, Pedro Macedo, Raphael Kumbrevicius, Robson Sakamoto, Rodrigo K-b-ça, Sidney Arakaki, Vinicius Branca e Wanderley Vieira. COMERCIAL

Fabio Bolota (fabio.bolota@nortemkt.com) DISTRIBUIÇÃO: DINAP TELEFONES

LEO SPANGHERO BS BLUNTSLIDE FOI ACORDAREM A BORDA ADORMECIDA QUE AS MANOBRAS VOLTARAM PRAQUELE LADO DO VALE DO ANHANGABAÚ EM SP. E O LÉO DEIXOU A SUA, PRA COMEÇAR BEM A SESSÃO DE RUA! FOTO RAPHAEL KUMBREVICIUS

Belo Horizonte: 31 4063-9044 Brasília: 61 4063-9986 Curitiba: 41 4063-9509 Florianópolis: 48 4052-9714 Porto Alegre: 51 4063-9023 Rio De Janeiro: 21 4063-9346 Salvador: 71 4062-9448 São Paulo: 11 3522-1008 ASSINATURAS

www.assinenorte.com.br/faleconosco

Endereço: R. Estela Borges Morato, 336 Limão – CEP 02722-000 – São Paulo – SP IMPRESSÃO

Leograf

www.triboskate.com.br

A revista Tribo Skate é uma publicação bimestral da Norte Marketing Esportivo As opiniões dos artigos assinados nem sempre representam as da revista.


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TRIBOSK ATE. ATIVO.CO M

PEDRO BARROS

JUNIOR LEMOS

Fs air no Santo Bowl, Serra Negra

GAME, VPS E STU

PAMELA ROSA

embaixadora e campeã do Oi STU Open, double flip

Etapa brasileira do circuito mundial de Park, o Vans Park Series aconteceu em Serra Negra, interior de São Paulo, e Pedro Barros não deixou dúvidas sobre o domínio da pista. Pedro venceu pela segunda vez o evento realizado no Brasil. Nesse ano o Park Series estreou o National Championships, um campeonato qualificatório para brasileiros. Luizinho Francisco e Dora Varella ganharam viagens e vagas garantidas para a etapa continental do Park Series, que acontecerá entre os dias 26 de julho e 6 de agosto em Huntington Beach, na Califórnia. No Rio de Janeiro, o campeonato de street Oi Skate Total Urbe Open reuniu 224 skatistas. No

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•TRIBO SKATE

PABLO VAZ

NO MÊS DE ABRIL O BRASIL RECEBEU DUAS COMPETIÇÕES INTERNACIONAIS DE PESO, O VANS PARK SERIES E O OI STU OPEN.

masculino o campeão foi o japonês Yuto Horigome e feminino a paulista Pamela Rosa. As disputas tiveram participações de skatistas amadores e profissionais de diversos países e foram marcadas por distribuir a maior premiação oferecida na América Latina: 400 mil reais em dinheiro. Outro campeonato profissional que rolou em abril foi o Game of SKATE para promover um condomínio com pista de skate que será inaugurado no segundo semestre de 2017, em frente à estação Brás, zona central da capital paulista. Mike Dias ficou com a primeira colocação entre os 34 inscritos.


WHAT'S UP Informe-se e tenha argumentos para discutir nas redes sociais!

◉ O paulistano cidadão do mundo Thaynan Costa agora tem seus pro-models sendo vendidos em lojas de todo mundo. A enjoi CELIA SANTOS

Skateboards profissionalizou o skatista com uma surpresa em pleno Macba, em Barcelona.

A marca mineira Hyve contratou os skatistas

SKATE NA CARAVANA DO ESPORTE

profissionais Diego Garcez e Jarbas Jay. A dupla foi apresentada com vídeos de boas-vindas.

A feira de negócios Urb Trade Show fechou

A CARAVANA DO ESPORTE, um dos maiores projetos sociais do Brasil, conta agora com Sandro Soares, o Testinha, como seu professor de skate. A parceria estreou em abril, na cidade baiana de Lauro de Freitas, e nesse ano o skate é uma das atividades fixas do projeto itinerante de ação social do Instituto Esporte Educação e Instituto Mpumalanga, em parceria com o Unicef, ESPN e Disney. Nascida em 2005, a Caravana do Esporte foi criada pela jornalista Adriana Saldanha e já visitou centenas de cidades pelo interior do Brasil e até fora do país. Somando à Caravana da Música - criada em 2007 -, e posteriormente a Caravana das Artes, o projeto já atendeu dois milhões de crianças e jovens direta e indiretamente, capacitando 30 mil para multiplicar as metodologias da Caravana. As metodologias da Caravana do Esporte e Caravana das Artes atendem comunidades com infraestruturas precárias e proporcionam às crianças experiências por meio de atividades físicas e artes. Leia no site, entrevistas com Sandro Dias e Sandro Soares sobre suas participações na Caravana do Esporte em Lauro de Freitas.

parceria com o grupo alemão NürnbergMesse e confirmou sua sexta edição. Em 2017 a feira acontecerá nos dias 22 e 23 de setembro no São Paulo Expo.

O skatista paulista Diego Maradona bateu o recorde brasileiro de ollie. Diego pulou 105 cm durante um evento realizado pela Nike em São Paulo, ultrapassando a marca de Marcos Morto registrada 17 anos atrás.

A LRG encerrou parcerias com os skatistas de seu time global. Mas no Brasil, a operação é independente e as ações com skate estão cada

Convidado especial em Lauro de Freitas

CELIA SANTOS

vez mais sólidas, agora com Rogério Mancha

SANDRO DIAS

na direção. Os contratos com os skatistas foram renovados, produtos assinados já estão desenvolvidos e programados para serem lançados em 2018 e turnês com Rodrigo Gerdal, Cezar Gordo e Lucas Rabelo movimentam as cenas por onde visitam. Além de trabalhar em conjunto com artistas que andam de skate, como Marcus Vinicius “Kamau”, Fabio Luiz “Parteum” e Caio Beraldo “YOka”.

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VINICIUS BRANCA

ZAP

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JOÃO EDUARDO PAT

LIN H A VE R M ELH A

DIEGO GARCEZ ELE É DETERMINADO. ABSORVEU A MELHOR ESCOLA DO SKATE DE GUARULHOS PARA DESENVOLVER SEU ESTILO PELO MUNDO. ESCOLHEU PORTO ALEGRE PARA VIVER COM A FAMÍLIA E TORNOU-SE MAIS UM ELO ENTRE OS CENTROS DO ESPORTE. SUA PRODUÇÃO EM VÍDEOS E FOTOS É ENORME TRIBUTO AO LEGÍTIMO SKATE DE RUA.

(FERNANDO GOMES) Como foi filmar pro Duotone e qual a importância

que a participação nesse vídeo teve pra você? O Duotone foi muito importante para a minha evolução e carreira. Foi um vídeo entre amigos e com grandes skatistas que sempre me inspiraram, então eu tive que me puxar pra conseguir uma parte boa ao lado de TX, Chupeta, Gordo, Alex. Além de ter sido em uma época que não estava rolando muitos vídeos de skate e foi filmando pra este projeto que eu conheci o Rodrigo; logo na sequência já rolou a oportunidade de ir pra LA pela primeira vez. Só tenho a agradecer ao Granja pela confiança e oportunidade! (JOVANI PROCHNOV) O ano está iniciando e ainda tem muita coisa pra

rolar, o que você planeja para 2017? Viagens? Partes? Business? Este ano estou começando muito bem. Consegui novos patrocínios, estou com um projeto de ir para Barcelona e também na caminhada de lançar dois pro models de

shape, que em breve estarão nas ruas e nas lojas. Além disso, tenho outros projetos sendo desenvolvidos com meus patrocinadores e também estou focado com a KDC. Ainda não tenho nada fechado pra algum projeto grande de vídeo, mas continuo com a produção diária de vídeos para as redes sociais, o que é importante também hoje em dia. (THIAGO PINO) Salve Chaveiro, o skate de Guarulhos vem crescendo

gradativamente nos últimos anos, hoje temos vários skatistas profissionais aqui na cidade. Você, James Bambam, Mario Hemani e o Marquinhos sem contar o nosso eterno Laurence Reali. Quem você acha que serão os próximos skatistas da cidade a chegar ao profissionalismo e qual a importância que os irmãos Gemas têm para os skatistas daqui? Esses manos são inspiração para todos skatistas de Guarulhos, cada um deles tem sua história e sua importância, cada um no seu tempo e com seu estilo. Bambam, Mario, Marquinhos e o eterno Laurence, bases TRIBO SKATE• 15


VINICIUS BRANCA

ZAP

“ANTIGAMENTE ACHAVA SÃO PAULO PEQUENO E HOJE SEI O QUANTO É GRANDE E BOM PRA NÓS, SKATISTAS"

DIEGO GARCEZ

28 anos, 17 de skate De Guarulhos, SP (Matriz Skate Shop,  Hammer, Hyve Artfact, Dual Footwear, Sigilo SP e KDC)

HARDFLIP fortes pro skate da minha cidade! Além de vários outros que não conseguiremos enumerar. Sobre os moleques novos, tem muitos deles surgindo por aqui. E o que eu imagino que pode vir a ser profissional é o Gustavo Geraldo. Guarulhos tem muito moleque bom no skate. Agora os Gemas não tem nem o que falar, né? Além de serem gente boa, são muito bons com o skate e como videomakers. Vivem fazendo a cena se movimentar, com ações e vídeos. Ter os Gemas conterrâneos é um privilégio.

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(RODRIGO K-B-ÇA) Em que momento você decidiu que passar

um tempo morando em Porto Alegre seria legal pra você? Em comparação a São Paulo, a cena lá te ajudou? Decidi morar em Porto Alegre depois que meu filho nasceu. Com certeza morar lá me ajudou muito a expandir meu nome na região Sul, além de conhecer os skatistas que são de lá. A cena de Porto é bem forte e como sou da Matriz, isso me ajudou bastante nessa caminha por lá. E ficar esse tempo fora também me fez enxergar São Paulo com outros olhos. Antigamente achava São Paulo pequeno e hoje sei o quanto é grande e bom pra nós, skatistas.


DOUBLE TAP POR @FERNANDOGOMESFT

A SELEÇÃO DE INSTAS QUE FERNANDO GOMES FEZ PARA ESTA EDIÇÃO DO DOUBLE TAP MOSTRA MUITO BEM O QUÃO VARIADOS SÃO OS TEMAS PUBLICADOS POR ELE. SUAS FOTOS CARREGAM AS CORES E A ENERGIA DE UMA DAS CIDADES MAIS QUENTES CULTURALMENTE DO BRASIL, SALVADOR.

1 RELIGARE

2 JARDS MACALÉ

3 FELIPE NA PACIÊNCIA

4 FORA TEMER!

5 MOBBIU NO MIC

6 POÇO AZUL

PE RFIL

FERNANDO GOMES Colaborador e colunista da Tribo Skate, o baiano Fernando Gomes tem trazido para as páginas da revista fotografias e textos que, em sua maioria, retratam o cenário do skate nordestino, sempre a partir de um ponto de vista global. Em suas fotos, busca tratar o skate como forma de interação com a cidade e seus elementos naturais

e arquitetônicos. E foi através do skate que, no começo da adolescência, entrou em contato com diversas áreas da arte e campos de conhecimento que hoje fazem parte do seu trabalho e da sua vida, como a música e artes visuais. Circulando com naturalidade entre esses meios, tem na fotografia sua principal ferramenta de expressão. TRIBO SKATE • 17


ENT R E V ISTA A M

JEAN

SPINOSA

DE ONDE VEM, PRA ONDE VAI! BS WALLRIDE

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ROBSON SAKAMOTO

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É DA MINIRRAMPA DA RUA DO PORTO E DA SKATEPLAZA PIRACICAMIRIM QUE VEM SUA BASE E FOI COM SEUS CONTERRÂNEOS QUE ESCREVERAM PIRACICABA NA HISTÓRIA DO SKATE BRASILEIRO QUE ELE DIRECIONA SUA EVOLUÇÃO. A CAMINHADA DO AMADOR JEAN SPINOSA TEM ORIGEM E DESTINO CERTOS, PORQUE SEU ESTILO É LIVRE E FEITO DE MANOBRAS COMPLEXAS, SEJA NO RUA OU NA TRANSIÇÃO!

ROBSON SAKAMOTO

ENT R E V ISTA A M

TEXTO JUNIOR LEMOS

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FS LIPSLIDE

Faz tempo que você está em São Paulo? Duas semanas que estou rendendo aqui. Tô lá na casa do Pankrage, um amigo do skate que faz tempo que eu conheço.

Vi umas imagens suas no Rio, estava por lá fazendo o que?

Fui com o Tuca e o Rodrigo Zeni, ver o mundial de bowl em Madureira. O Tuca teve que trabalhar lá e a gente foi junto, pra pegar uma praia.

Rendeu algo lá?

Rendeu um pouco; fizemos vários vídeos com o Tuca. Mas foi só um final de semana, três dias!

Há quanto tempo você está fora de casa? Faz duas semanas e alguns dias que estou viajando.

Piracicaba tem uma rapaziada firmeza do skate que fez o nome da cidade, né? Danilo Diehl, Jhony Melhado, Rafael Cabral, Stanley Inácio, Cristiano Pira.

E como você via o skate no começo? Meus tios sempre foram muito punk rock, tipo foda-se tudo! Eles andavam porque curtiam, bem por diversão mesmo, e eu vivi um pouco dessa experiência. Mas depois fui vendo o outro lado e gostei também - o lado artístico e cultural que o skate oferece, e abracei isso.

Sim, muita gente e que eu curto pra caralho. Os caras são inspiração pra mim desde moleque.

A cidade proporciona essa diversidade: tem a tradicional minirrampa da Rua do Porto, depois veio a primeira skateplaza do Brasil. Você chegou a andar lá?

O que a cidade tem que revela tantos nomes fodas assim?

Quando inaugurou eu só ficava lá. Aprendi várias manobras ali na verdade, meu skate evoluiu bastante.

Acho que faz parte da história da cidade. Os skatistas ajudaram bastante também, como o Cabral e o Cristiano Pira, milianos atrás. Inclusive meus tios andavam de skate e na verdade foi por causa deles que comecei a andar. 20•TRIBO SKATE

Suas manobras misturam transição com street, qual veio primeiro? A Rua do Porto sempre foi o berço, comecei a andar na transição e na real eu colava na minirrampa e sempre tinha


ROBSON SAKAMOTO

muito streeteiro, então eu comecei a ter amizade dos caras e saíamos muito pras ruas e me apaixonei pelo street. Eu sempre gostei mais do skate de rua do que de transições, que eu também acho da hora.

Eu te vi pela primeira vez em uma etapa do Circuito Paulista em Ribeirão Preto. Competição pra você sempre foi uma escolha? Essa época eu gostava, porque via o skate de outra forma. Comecei a enxergar um skate diferente há cinco anos e mudei um pouco minha cabeça, nesse aspecto de campeonato. Eu gosto de competição, mas depende: quando é uma celebração, aquela parada que une a galera. Mas aquela coisa de rivalidade eu acho zoado!

Qual sua rotina em Pira? Eu ajudo minha mãe em casa, tento pagar umas contas. Mas eu tô pensando em vir morar em Sampa, só que minha mãe não quer muito que eu saia de lá.

E o que ela acha do skate?

FAST PLANT

EDUARDO BRAZ

Ela já brigou muito comigo por causa do skate, eu abandonava a escola pra viajar, ficar com os amigos, jogando e andando de skate. Mas eu consegui terminar os estudos e ainda fiz alguns cursos, tudo por causa dela que ficava em cima. Agradeço muito a ela, mãe é foda!

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ROBSON SAKAMOTO

ENT R E V ISTA A M

Por que você escolheria São Paulo para morar? Porque aqui tem gente de tudo quanto é lado do mundo e eu gosto daqui pra caralho. Mas eu adoro o interior também, pra você esclarecer a mente, relaxar e ficar com a família.

Você começou a andar de skate muito cedo? Comecei com 10, 11 anos. Na verdade eu comecei antes disso, mas meu pai me incentivava no futebol. Inclusive eu tenho repulsa pela bola hoje por causa disso.

Ele nunca imaginou que você seria um bom skatista. Acho que não! Inclusive foram meus tios que me influenciaram, irmãos dele. A minha avó cuidava de mim e sempre tinha skate na casa. Eu pegava, brincava e nisso fui ganhando amor.

Hoje em dia é você acha que é diferente? Muitos pais estimulam os filhos a andarem. Pois é! Quando eu era criança, nem sabia o que era competição; pra mim nada disso era importante. Eu só andava porque era um brinquedo. Hoje virou moda, né? É outra visão.

Você acha que isso foi bom ou ruim pro skate? Essa popularização.

ROBSON SAKAMOTO

Tem o lado bom e o ruim, como tudo na vida.

FS WALLRIDE 22•TRIBO SKATE

SWITCH HEELFLIP


EDUARDO BRAZ

FS BLUNTSLIDE

Qual seria o lado bom? Seria que o skate está quebrando barreiras, cada vez mais. Ganhando cada vez mais projeção, chegou até nas Olimpíadas; uma coisa que eu nunca imaginava que aconteceria.

Você sofreu muito preconceito? Já sofri bastante em Piracibaba, interiorzão, né? Vários policiais arrogantes. Tem de tudo. Já me chamaram de delinquente, vagabundo.

Hoje em dia é diferente?

“M E U S TIO S S E M PR E F O R A M M UITO P U N K R O C K, TIP O F O D A-S E TU D O!”

Alguns gostam, outros não. Mas tem gente que ainda olha com olhos esquisitos! Quando o cara é antigão, conservador, com a mente fechadona; aí não tem jeito, é foda.

Você acha que é por causa das tatuagens? O lifestyle transparece, daí os caras já olham diferente.

tatuagem, inclusive eu quero praticar porque pode ser uma profissão pra mim mais pra frente.

Quando você fez sua primeira tattoo? Foi aos 17 anos, depois que eu ganhei uma tatuagem num campeonato de skate. Eu fui e escrevi nas costas skate and destroy. Minha mãe não queria, mas ela acabou assinando a autorização e eu fiz. Daí eu conheci uma galera envolvida com tatuagem e nisso comecei a ter patrocínios de estúdios também. Fiz ainda mais quando eu entrei na Sick Mind, tinha um estúdio junto com a loja. Eu sempre gostei de

E quais talentos você tem além do desenho? Eu escrevo vários bagulhos loucos, na minha cabeça; umas paradas que podiam virar música talvez. Eu sempre quis formar uma banda de punk rock. (risos)

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EDUARDO BRAZ

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JEAN LUCAS SPINOSA

ROBSON SAKAMOTO

23 anos, 16 anos de skate Piracicaba, SP Patrocínios: Édem Skateboards, 55 Footwear Apoios: Crail Trucks, Deadless, Sheep Killer

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POLE JA M

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DIVERSÃO PORTÁTIL Ter um obstáculo de skate portátil e levá-lo para uma pista ou um lugar onde todos os seus amigos costumam andar, estimula mais a todos em uma sessão, não é mesmo? Agora imagina se levarmos este obstáculo para rua, a lugares incomuns e incríveis. Isto foi o que aconteceu na minha última aventura com foto e skate em minhas andanças por aí.

TEXTO E FOTOS PEDRO MACEDO

Raphael Índio: Índio acabou aprendendo na hora a mandar pole jam… haha. Foi engraçado! Ele usou o obstáculo na nova ponte estaiada de fundo, na Barra da Tijuca. Uma paisagem pouco vista em revistas de skate ainda. TRIBO SKATE • 29


POLE JA M A IDEIA Tudo começou quando confiei ao Marcelo Marbal, o desafio de criar um pole jam portátil para carregar pelas ruas do Rio de Janeiro. O cara é tão inteligente e sagaz que criou um desmontável, facilitando ainda mais carregá-lo na moto (única forma que tenho de levá-lo). A ideia principal não era usar em picos de skates difíceis, mas sim levar para qualquer lugar que alguém sentisse vontade de andar. O legal era que além das fotos que fazíamos, acabávamos nos divertindo e fazendo um rolé super descontraído também. No fim destas divertidas sessões com amigos, o pole jam não poderia ter outro lar que não fosse a Praça XV, onde com certeza os criativos skatistas cariocas se encarregarão de criar novos usos para este obstáculo.

Vitor Gonzaga: Vitor veio de Angra dos Reis e, passando pela Zona Sul, se empolgou com a ideia de pular a mureta do monumento Estácio de Sá. Ali percebi que o lance era mais que uma session descontraída, ele queria muito elevar o seu nível de skate. 30•TRIBO SKATE


MAURICIO NAVA: Pole jam pra ele é um playground! O pole jam one foot foi ele que escolheu mas acabou que quem escolheu o lugar fui eu. E é claro que onde tem luz eu levanto logo o dedo. Prédio da Petrobrás e sua iluminação. TRIBO SKATE•31


POLE JA M

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Yago Pivete: Saímos juntos com o pole jam pelo centro até a Praça Mauá. Ficou escuro e ele não conseguiu usá-lo onde queria. Foi então que ficamos andando próximo a um monumento temporário de Santos Dumont. Fizemos uma fotografia de um simples pole jam switch com o 14Bis ilustrando. TRIBO SKATE•33


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V IA GE M

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@mia

@=Em mia=Miami @mia=Em Miami

VOCÊ PENSA EM SKATE QUANDO OUVE FALAR DE MIAMI? UNS PENSAM NO PARAÍSO DAS COMPRAS, OUTROS NOS PARQUES DA FLÓRIDA E OS MAIS VELHOS, CERTAMENTE LEMBRAM DO SERIADO DA DÉCADA DE 1980, MIAMI VICE E ATÉ MESMO DO JOGO GTA VICE CITY, AMBIENTADO NA MESMA ÉPOCA. OU SEJA, A CIDADE MÁGICA, COMO É CONHECIDA, É SEMPRE CONHECIDA COMO UMA MECA DA DIVERSÃO E POR SER UMA DAS POUCAS CIDADES AMERICANAS NA QUAL O VERÃO REINA PRATICAMENTE O ANO TODO.

TEXTO, FOTOS E VÍDEO RODRIGO K-B-Ç-A LIMA

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VIA GE M

POUCA GENTE ASSOCIA UMA DAS maiores cidades do estado da Flórida e que está localizada no condado de Miami-Dade com manobras. Mas olhares mais atentos, num simples passeio por alguns bairros da Cidade Mágica, irão reparar em um ou outro spot famoso. No final das contas, o que era apenas um ou outro, acaba se tornando uma sucessão de memórias relacionadas a vídeos de skate mais antigos, principalmente à vídeoparte do Arto Saari no clássico Sorry, da Flip. Nessa hora que Miami passa a se tornar ainda mais interessante para quem anda de skate. Esse foi um dos motivos que levaram a Danilo do Rosário, Lucas Xaparral e Paulo Galera, que já conheciam a cidade, além do novato em terras americanas que vos escreve, a passarem uma semana andando de skate na cidade fundada em 1825. O que deveriam ser sete dias de sessões, acabaram se transformando em cinco dias por causa da chuva. Tempo suficiente, mesmo que a gangue estivesse um pouco desfalcada, já que o Xapa estava meio contundido e resolveu não se arriscar muito. Claro que chegar em muitos dos picos não é tarefa fácil. Mesmo percorrendo distâncias menores do que nos picos californianos, é sempre bom ter um bom guia ou alguém que, pelo menos possa te

passar algumas coordenadas. Nesse aspecto fomos ajudados pelo brasileiro Iago Carrasco e, principalmente, pelo skatista chileno Danny Fuenzalida, que mora em Miami faz alguns anos e conhece praticamente todos os picos e cantos da cidade. Pela região é possível encontrar todo tipo de pico: desde os clássicos picos para slap grinds, até transições, corrimãos, gaps e bordas. Claro que nem todos os picos são liberados e pode ser que um policial seja menos educado do que você espera. Chegamos a ser convidados a nos retirar de um spot sob a acusação de sermos imigrantes ilegais. Tudo bem seu guarda, a gente vai embora! Caso você 38•TRIBO SKATE


PAULO GALERA, FS FLIP TRIBO TRIBOSKATE SKATE••39


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DANILO DO ROSÁRIO, SS FS CROOKED

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MULHERES E SEUS TWERKS INSANOS SOBRE BÓLIDOS DE MUITOS MILHARES DE DÓLARES SÃO CENAS BEM CORRIQUEIRAS. viaje para Miami, mas só queira fazer uma sessão bem tranquila e não esteja empenhado em alguma missão, vale a pena conhecer algumas pistas, como a Lot 11, que fica bem no centro da cidade. Miami também pode ser uma boa opção caso você queira economizar um pouco em uma viagem internacional. Geralmente as passagens são mais em conta. Alugar um carro é uma ótima pedida, afinal o transporte público não é uma das melhores coisas na terra do Tio Sam. Os preços tendem a ser mais justos na Flórida e mesmo os inúmeros pedágios que você passa mesmo sem se dar conta, não chegam a tornar o valor do aluguel do carro algo proibitivo. Comer em Miami também é algo que, no final, não chega a afetar tanto o bolso. Isso, claro, se você optar a testar seu estômago comendo praticamente todos os dias em restaurantes mais baratos. Na rede de fast food mexicano Chipotle, nossa primeira opção sempre, já estava achando que os atendentes iriam nos chamar pelos nossos nomes. Um prato bem recheado em locais como esse, custam em torno de US$ 7,00 com a bebida incluída (peça sempre o copo para água!). Fora isso você também pode optar por outros lugares com lanches rápidos. Nunca esqueça que os preços mostrados nas vitrines e cardápios sempre são acrescidos de taxas. E se for em algum lugar no qual será atendido na mesa, não esqueça de deixar gorjeta. Miami, como toda cidade de praia e com forte influência latina (praticamente todo mundo fala espanhol), também tem uma vida noturna bem agitada. Um simples rolê noturno por Miami Beach vai render muitas surpresas e risadas. Ostentação em forma de carros e motos caros, diversão sem limites. Mulheres e seus twerks insanos sobre bólidos de muitos milhares de dólares são cenas bem corriqueiras. Muitas cores e algumas pessoas extravagantes te fazem entender porque, geralmente, a cidade é retratada em produções cinematográficas ou de televisão com cores saturadas (o que inspirou inclusive o vídeo produzido nessa viagem). No final, tudo lembra um pouco os anos 1980, mesmo que a cidade não tenha parado de crescer e evoluir. Falando em cores e pessoas extravagantes, nada como uma passada por Wynwood, a área que deixou de ser cabreira para se transformar em uma galeria de arte gigante, com grafites e arte urbana por todos os cantos. Mesmo com uma cena muito menor que a californiana, por exemplo, Miami pode ser uma boa porta de entrada para uma viagem internacional rumo à terra do Tio Sam. A facilidade na comunicação, preços mais acessíveis e bons spots, tornam a cidade uma boa opção, seja para uma missão de skatetrip ou apenas para alguns rolês de skate após passeios familiares. TRIBO SKATE•41


VIA GE M

42•TRIBO SKATE


LUCAS XAPARRAL, SS FS HEELFLIP

TRIBO SKATE•43


LUZ

CÉLIO KODAI, NO COMPLY

44 • TRIBO SKATE


POR FERNANDO GOMES

E S P E C I A L

S A L V A D O R TRIBO SKATE • 45


LUZ ESP

FELIPE OLIVEIRA, WALLRIDE

46 • TRIBO SKATE


WESLEY DENTE, SS 180 FS GRIND

RODOLFO GABRIEL, WALLIE CANNONBALL

TRIBO SKATE • 47


LUZ

RODRIGO PEREIRA, BS GRIND

ÁLVARO KORINGA, HARDFLIP

GABRIEL MATOS, 360 FLIP 48 • TRIBO SKATE


MICKE VELOZO, DROP TRIBO SKATE • 49


LUZ

50 • TRIBO SKATE


JEFERSON SANTOS, CROOKED TRIBO SKATE • 51


B S DA GGER S

D

de difícil

PISCINÃO, VALETA, CANAL! TRADUZA DO JEITO QUE ACHAR MAIS FÁCIL PORQUE ESSA É A ÚNICA COISA QUE SE PODE FAZER SEM MUITO ESFORÇO QUANDO FALAMOS EM ANDAR DE SKATE EM UM DITCH. FOTOS E TEXTO JÚNIOR LEMOS

54 • TRIBO SKATE


BIANO BIANCHIN, fakie crooked TRIBO SKATE•55


BS DA GGER S

RICARDO DEXTER, fs ollie

56•TRIBO SKATE


O PLANO A notícia da versão brasileira desse tradicional spot da cultura do skate de rua norte-americano chegou em SP com o Gian Naccarato, que conheceu o dito-cujo ao apresentar em São Carlos o doc ‘Maioridade Profissional’, em dezembro passado, a convite de uma skateshop local. Ele foi levado ao pico sem seu skate e a chuva abortou o rolê de reconhecimento do dia seguinte. Desde então sua mente não parou de trabalhar a possibilidade de uma trip até a cidade do interior paulista, para explorar o interessante e inédito terreno. E para tentar convencer algum louco a pegar estrada sentido ao desconhecido, fotos de celular serviriam para ilustrar o tamanho da encrenca. Mas com a ideia vindo de um skatista como o Gian, suas palavras são suficientes para saber que seria uma sessão de skate recheada de manobras. Assim como eu, Marcelo Formiga, Paulinho Barata, Marcos Noveline, Ricardo Dexter e Biano Bianchin, um dos skatistas mais experientes e ativos atualmente no Brasil quando o assunto são picos DIY (do it yourself ), também se sentiram privilegiados pelo convite de estarem na intrusa missão. O videomaker Bruno Rocha e Valter Gimenez, operador de drone, completaram comigo a tarefa das captações de imagens. (O vídeo está lá no triboskate.com.br) BS Crew em uma barca, Daggers na outra, seguimos o plano de encarar o peculiar ditch de São Carlos com apenas três informações: “o pico é foda, ficaremos em uma chácara ao lado e teremos o suporte de uma rapaziada local muito firmeza”, dizia o Gian.


BS DA GGER S

MARCELO FORMIGA, bs flip


O ALVO São Carlos é um importante centro regional (centro-leste) do interior paulista, fica próxima de Araraquara e tem sua base econômica em indústrias relevantes, na agricultura e no intenso fluxo de estudantes que frequentam diversas faculdades e universidades ali instaladas (entre elas USP e UFSCar). A cidade tem uma cena de skate ativa, com uma pista pública no Jardim Santa Felícia e a tradição de ter recebido nos anos 2000 eventos memoráveis na unidade local do SESC. Só que nossa missão era deslocada de toda essa história e com prazo curtíssimo para render ao máximo possível: somente três dias. Chegamos no começo da tarde em São Carlos e o plano era conferir o que era preciso para melhorar as adaptações já feitas

no pico, ir até um depósito de materiais e voltar pra fazer as intervenções. Construído em um imenso terreno particular e ao lado de um dos condomínios de luxo mais conceituados do interior de SP, o ditch fica muito bem escondido no centro de um matagal, que na verdade é um imenso tanque que recebe o acúmulo de chuva. E para chegar até o pico se faz uma caminhada de alguns minutos no meio do nada, desenhando sua própria trilha na vegetação e imaginando o cenário de paredes de concreto que nos espera. Uma invasão de propriedade privada que poderia nos render algum problema com as autoridades, como alertado por um morador que nos viu adentrar pelo único buraco aberto na cerca de arame. Movimentação ainda mais suspeita no primeiro dia, com toda a parafernália para as adaptações: carrinho de mão, saco de areia, pedras, enxada, pás e vassouras.

TRIBO SKATE•59


BS DA GGER S

MARCOS NOVELINE, fs feeble


TRIBO SKATE•61


BS DA GGER S


PAULO BARATA, bs tail

TRIBO SKATE•63


BS DA GGER S

O RESULTADO Mas a nossa intenção era saudável! Acordar cedo, andar de skate e com o senso coletivo do skate reinando. Seja na hora de colocar a mão na massa, preparar as refeições, ou dar um gás no momento em que passa pela cabeça se render à dificuldade do nativo terreno. O que fica de tudo isso é que poder acompanhar os BS Daggers nessa trip me mostrou que a melhor coisa que se pode fazer com seu skate – também bastante valiosa e divertida, é sair de sua zona de conforto. É ir atrás de novos picos, encarar as dificuldades de de novos terrenos, independente se eles estão muito bem escondidos. Porque quanto mais difícil e mocado, mais imprevista é a diversão!

GIAN NACCARATO, switch 180 fs grind 64•TRIBO SKATE


TRIBO SKATE•65


C A SA NOVA

HEEL FLIP

MARCELO MOURA

20 ANOS, 11 DE SKATE DE JACAREÍ, MORA EM ITUPEVA, SP FOTOS MICHAEL HENRIQUE Skate e roupas atuais: Shape, lixa e rolamentos Hondar, eixos Metallum e rodas HWC. Boné do Wu Tang, camiseta e tênis NikeSB, Calça RVCA. Não suporta mais ver no skate: A superioridade de alguns. Manobra que pretende acertar: Fakie heelflip pivot reverse. Principal rede social: Instagram (@_marcelomoura1) Dificuldade em ser skatista na sua área: A falta de visibilidade. Profissional em quem se espelha: Caleb Rodrigues. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô: Beats by Dre. Atual melhor equipe de skate brasileira: Öus. Amador que gostaria de ver pro: Mauricio Nishihara.

"HOPE WE CAN"


AUGUSTO MOREIRA ‘PEDREGULHO’ 24 ANOS, 11 DE SKATE DE CONTAGEM, MORA EM BETIM, MG FOTOS WANDERLEY VIEIRA

Skate e roupas atuais: Shape, rodas e rolamentos Skate é o Bicho, eixos Thunder, lixa Cupim. Camiseta e calça Skate é o Bicho, boné Veneration e tênis Axs. Não suporta mais ver no skate: Desunião e o espírito de soberba. Manobra que pretende acertar: Switch flip bs tail. Principal rede social: Instagram (@augusto_pedregulho) Dificuldade em ser skatista na sua área: Às vezes a falta de união, mas hoje a galera tá muito individualista. Profissional em quem se espelha: Luan Oliveira. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô: Gatorade. Atual melhor equipe de skate brasileira: Öus. Amador que gostaria de ver pro: João Miguel. (Apoio: Skate é o Bicho, Cupim e Verenation)

LIPSLIDE

"O SENHOR É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ"


JOÃO EDUARDO PAT

C A SA NOVA

RAFAEL PINHEIRO

18 ANOS, 7 DE SKATE DE DOURADOS, MS, MORA EM SÃO PAULO FOTO BRUNO ROCHA BS FIFTY

Skate e roupas atuais: Eixos Indy, rodas Ricta e camiseta Colletividade. Não suporta mais ver no skate: Oportunistas. Manobra que pretende acertar: Fakie crooked arrancando. Principal rede social: Instagram (@_rafael.pinheiiro) Dificuldade em ser skatista na sua área: Falta de grandes referências e reconhecimento. Profissional em quem se espelha: Carlos Iqui. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô: Gol. Atual melhor equipe de skate brasileira: Brasanation. Amador que gostaria de ver pro: Rafael Eduardo.

"RESPEITO É PRA QUEM TEM"


Skate e roupas atuais: Shape Kronik, eixos Crail e rodas Bones. Calça, camiseta e tênis Nike. O que não suporta mais ver no skate: Pessoas desistirem antes de tentar. Manobra que ainda pretende acertar: 270 tail. Rede social que usa: Insta @roboticflip Maior dificuldade em ser skatista na sua área: A qualidade da pista de São Caetano. Skatista profissional em quem se espelha: Cris Fernandes. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô: Dolly. Atual melhor equipe de skate brasileira: DC Shoes. Amador que gostaria de ver pro: Pedro Biagio. (Apoio: Youth Groove)

360 FLIP

MARCOS VINICIUS NOGUEIRA ‘LEITÃO’ 17 ANOS, 4 DE SKATE DE SÃO CAETANO DO SUL, MORA EM SÃO PAULO FOTOS RODRIGO K-B-ÇA

"PERSISTA EM BUSCA DE SEUS SONHOS"


C A SA NOVA

MARCELO BATISTA

18 ANOS, 5 DE SKATE DE RECIFE, PE, MORA NO RIO DE JANEIRO FOTOS FERNANDO GOMES FS SMITH

Skate e roupas atuais: Rodas Bones, shape Boulevard e eixos Crail. Camiseta e bermuda Sakapraia, tênis Converse. Não suporta mais ver no skate: Falta de incentivo. Manobra que pretende acertar: Fs 50-50 no corrimão da XV. Principal rede social: Instagram (@ marcello_batiista) Dificuldade em ser skatista na sua área: Não ter peças decentes pra andar todos os dias. Profissional em quem se espelha: Tiago Lemos. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô: Apple. Atual melhor equipe de skate brasileira: Converse. Amador que gostaria de ver pro: Victor Bob. (Apoio: Sakapraia)

"VAI DAR CERTO!"


NO COMPLY

CEZANNE HENRIQUE TEIXEIRA 21 ANOS, 8 DE SKATE SÃO PAULO FOTOS OCTAVIO SCHOLZ

Skate e roupas atuais: Shape Oui, trucks Independent, rodas Oddz e rolamentos Darkstar. Calça Starter e tênis Nike SB. Não suporta mais ver no skate: Panela. Manobra que pretende acertar: Invert. Principal rede social: Instagram (@thcezanne) Dificuldade em ser skatista na sua área: Falta de pistas. Profissional em quem se espelha: Leonardo Spanghero. Marca fora do skate que gostaria de ter patrô: Apple. Atual melhor equipe de skate brasileira: Öus. Amador que gostaria de ver pro: Nicolau Trimano. (Apoio: Oui)

"SÓ FÉ"


T R A ÇOS E R ABISCOS

PER F IL D O A RTISTA

DAN IELON E DANIEL CACCIATORE AKA DANIELONE É UM ARTISTA PAULISTANO QUE NÃO PARA. UMA HORA FAZENDO GRAFITE, OUTRA PINTANDO TELA OU ATÉ MESMO CANTANDO EM ALGUMA DE SUAS BANDAS DE HARDCORE. PROVA DE QUE SEUS MÚLTIPLOS TALENTOS SE ENCAIXAM EM VÁRIOS CAMINHOS DA ARTE DE RUA.

TEXTO EDU REVOLBACK X FOTOS INSTAGRAM.COM/MARQUESI FOTO ACIMA: Além das telas e muros, Danielone também tem seus desenhos em camisetas e placas de ônibus

Apresente-se, por favor? Daniel Cacciatore (aka Danielone), nasci em 20 de janeiro de 1982 no bairro do Brooklin em São Paulo. Sou um só, mas poderia ser vários: desenhista, grafiteiro e vocalista das bandas de hardcore/grindcore/crossover: Presto? e R.H.D. (raça humana destrói). Sou formado em desenho industrial pela FAAP e faço graffiti desde 1995.

Quando você começou a se interessar por arte e como o rock atravessou o seu caminho? Desde criança eu gostava muito de gibis, álbuns de figurinhas e meu pai e os irmãos dele gostavam de Kiss, Black Sabbath, Deep Purple, T.Rex e desde pequeno eu já gostava tanto da música como da estética do Rock.

Fora a arte, quais sua principais produções na área musical? Sou vocal do Presto?, que já toca há 18 anos, e do R.H.D., que já está 14 anos na ativa. Juntando as duas bandas já gravamos oito discos: a.q.n.p. (2000), Ódio Puro Concentrado (2001), Atentado Sonoro (2004), Inferno na Terra (2006), Comportamento Macabro (2009) e Foice 13 (2013); com o RHD gravei dois discos: Xô Governo (2003) e RHD (2009).

Quais artistas te inspiram na arte, música e skate? Jim Phillips, Pushead, Tim Kerr, Marcatti, Billy Argel e muitos outros. Na música também tem muitas bandas, de All até Napalm Death (risos). E no skate aquele vídeo da Santa Cruz: Streets on Fire, me fez conhecer muitas bandas.

Você é uma pessoa que se envolve muito na cultura undergroung, o que você está fazendo atualmente e quais os planos futuros? Eu desenho pra algumas marcas de skate e surf. Faço graffiti, pinto alguns quadros e painéis e toco com as bandas. Os planos futuros são continuar desenhando, grafitando e tocando até quando for fisicamente possível. (risos)

Pra finalizar, qual o melhor skatista de todos os tempos? Natas Kaupas!

→ CONHEÇA MAIS:

INSTAGRAM.COM/DANIELONEPRESTO 72 • TRIBO SKATE


SKATE SUB TITLE O skate punk hard core sempre esteve presente em suas artes

MELTING FACES Quando expressões faciais se encontram em desenhos despretenciosos

EDU ANDRADE, AKA REVOLBACK

Vegetariano, vocalista da banda Questions e um dos mais conceituados artistas urbanos da cena brasileira TRIBO SKATE • 73


HOT STUF F

VESTIR E USAR

PRODUTOS PARA INCREMENTAR SEU ROLÊ, NO CORPO OU NO BOARD

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CARTEIRA DC / R$ 100 BONÉ QUIKSILVER / R$ 270

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RODAS BONES / R$ 260 CONJUNTO DE PARAFUSOS DIAMOND / R$ 100 74 • TRIBO SKATE


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TRIBO SKATE • 75


Á UDIO

E NTR EVISTA

ALÁFIA

CALDEIRÃO FERVENTE TEXTO EDUARDO RIBEIRO

// FOTO EDU PIMENTA

EM SEU TERCEIRO ÁLBUM, A BANDA REFLETE SOBRE QUESTÕES POLÍTICAS, SOCIAIS E RACIAIS NO MAPA DA CAPITAL PAULISTA. SP NÃO É SOPA MISTURA POESIA, FUNK, CANDOMBLÉ, ELETRÔNICA, PORÉM EXIBE UMA VEIA MUSICAL MAIS SUJA E URBANA DO ALÁFIA, DE MALAS PRONTAS PARA TOCAR NA EUROPA. CONVERSAMOS COM O VOCALISTA E GUITARRISTA EDUARDO BRECHÓ, PRODUTOR DA OBRA, SOBRE A NOVA FASE.

76 • TRIBO SKATE


A BANDA É ESPIRITUALIZADA, MAS NÃO RELIGIOSA. É DIFERENTE. NÃO TEM NECESSIDADE DE DOUTRINAR NINGUÉM, TODOS SÃO BEM-VINDOS

Fale sobre a ideia por trás do nome do novo álbum de vocês. ALÁFIA: Esse disco se chama SP Não é Sopa, Na Beirada Esquenta, e o significado é isso mesmo: uma piada com a ideia de que a sopa esfria primeiro pelas beiradas. Já São Paulo não é assim: quanto mais você se afasta do Centro, mais quente, mais tenso, mais difícil ficam as coisas. É uma metáfora, meio que falando sobre a cidade, colocando essas questões todas, a dificuldade que é viver em São Paulo. Esteticamente, ele é um pouco diferente dos outros no sentido da inclusão do ruído da cidade e de mais elementos eletrônicos. A parte eletrônica desse é mais suja. Tem loops, samples, filtros, bateria eletrônica e tal.

Como você percebe as transformações musicais na sonoridade do Aláfia de um álbum para o outro desde 2013, quando saiu o primeiro? ALÁFIA: O primeiro disco foi mais espontâneo. Partiu do que estava aparecendo ali, com a banda se formando e tal. Estava nascendo um som. O Corpura foi de caso pensado, a banda já tinha se consolidado. É o aprofundamento daquela sonoridade, de relacionar os ritmos de candomblé com funk e soul. SP Não é Sopa busca outras direções possíveis, pra não ficar na zona de conforto. Então, quando fomos pensar o disco, já colocamos uma direção estética.

O grupo trabalha muito bem a coisa da presença de palco, com uma expressividade bastante teatral, não? ALÁFIA: A expressividade da banda é consciente, mas ao mesmo tempo natural. O nosso show tem esse viés teatral desde sempre. A gente preza muito pelo show, a apresentação ao vivo. É importante que o show desperte um interesse próprio nas pessoas, para além do que elas vão encontrar no disco.

diferente, nós estamos vindo de uma derrota. Em dois anos as coisas mudaram muito. O trabalho traz essa amargura.

Você coleciona ideias de letra e música mesmo quando não está no processo de um álbum? ALÁFIA: Às vezes vem uma ideia ou outra. Se ficar alimentando... deixar crescer, vira.

As versões das músicas no álbum são muito diversas do que fora concebido nos ensaios? ALÁFIA: Esse álbum é bem de estúdio. Poucos ensaios. As músicas não foram feitas no estúdio, mas, os arranjos, sim. Corpura não, tinha uma coisa mais de banda, teve ensaio pra gravar todo mundo junto... O processo todo de gravação durou uns dois meses. Os nossos discos sempre partem de um repertório já guardado, rascunhado.

Os elementos do candomblé vieram para mostrar que o Aláfia é uma banda espiritualizada? ALÁFIA: A banda é espiritualizada, mas não religiosa. É diferente. Não tem necessidade de doutrinar ninguém, todos são bem-vindos. Não tem dogma, a busca é coletiva. O que eu acredito não vai me separar das pessoas que têm crenças diferentes, a ideia não é essa.

Como vai ser a turnê que vocês farão agora em maio pelo Velho Continente? ALÁFIA: Nós já saímos lá em alguns blogs, revistas e rádios, na França, na BBC da Inglaterra... Sempre tem, né? Sempre pinta revista de world music, aí tem os festivais, na Dinamarca, em Istanbul, na Turquia, onde a gente vai tocar, junto com artistas do mundo inteiro, de milianos, Tony Allen, caras do afrobeat e tal.

Gostaria de mandar um recado pros nossos leitores? Vocês são uma banda politicamente militante? ALÁFIA: Acho que sim, porque a nossa sociedade está se radicalizando e nós somos fruto desse processo também. É o cidadão que está ali falando, independente do artista. E é natural hoje que os cidadãos se coloquem cada vez mais. Mas a gente também paga um preço por isso. Acho que esse álbum é um pouco mais ácido. O Corpura veio num momento feliz, de vitória do movimento. Agora, a reação é

ALÁFIA: Eu queria dar o toque pra galera escutar Gil Scott-Heron e Paulinho da Viola. Abraços!

→ VEJA E OUÇA: YOUTUBE.COM/ALAFIATV

SOUNDCLOUD.COM/ALAFIA TRIBO SKATE • 77


COLUNA VIS UAL

DIVERSIDADE RIMA COM LIBE R DADE A liberdade ainda é algo tão complexo ao entendimento do

Gonzales aparece andando sentado em cenas do Away Days,

ser humano que nós a dificultamos até mesmo em atividades

um vídeo super produzido de uma marca gigante. Eu não sei

e sentimentos essencialmente livres, como o amor, as artes

se o Gonz tinha algo especial em mente quando fez isso mas

e até mesmo o nosso querido skateboard. Seja por culpa das

minha interpretação é que essa é uma performance que traz uma

influências mercadológicas ou pela chegada da idade e as

mensagem importante: o skate continua sendo um brinquedo

mudanças trazidas por ela, muitos skatistas se esquecem da

com o qual você pode fazer o que quiser, inclusive, andar sentado

primeira impressão que esse objeto tem em nossas vidas, que é

como você fazia quando não conseguia se equilibrar em pé.

a de um brinquedo livre, com o qual você pode interagir da forma

A evolução e pluralidade hoje são tão gigantes que nem

que quiser, se expressar da forma que lhe convém. Há alguns meses, vi numa mídia especializada a triste cena

conseguimos mais nomear direito todas as manobras que aparecem diariamente em vídeos, fotografias ou sessões

de um skatista profissional se referindo de forma pejorativa aos

cotidianas. Me parece então bastante ultrapassada a ideia de

skatistas de estilo tido como moderno. E quem está presente nas

desdenhar de determinado estilo de skate, de julgar o jeito que

conversas que rolam nas sessões pelas ruas e pistas sabe que,

qualquer skatista ande. Acredito que temos mais é que celebrar

infelizmente, esse ainda é um tipo de pensamento/comentário

essa infinidade de formas de interação e vivências que o skate nos

comum quando se fala em estilos variados de skate, o que me

proporciona e aproveitar essa liberdade para ir sempre além com

parece totalmente sem sentido. Não seria a diversidade de

nossos corpos e mentes quando estamos com os pés na lixa.

estilos, manobras, roupas e tudo mais o aspecto mais legal do skate atualmente? Repetição, monotonia e homogeneidade não

Que o skate atue em nossas vidas como uma ferramenta que nos ajude a respeitar as diversidades e experimentar a liberdade!

parecem ser coisas que estão na contramão da essência do skate? Para mim, sim. Se puxarmos pela memória, vamos lembrar que, nas primeiras vezes em que tivemos contato com o skate, muitos de nós andamos nele sentados, geralmente pela falta de equilíbrio para ficar de pé. Depois de décadas de skate e de se tornar um dos mais revolucionários nomes da história da parada, Mark 78 • TRIBO SKATE

FERNANDO GOMES

Vivedor do skate soteropolitano, é fotógrafo e jornalista


O INCLASSIFICÁVEL RAFAEL FERREIRA, STREETEIRO LIVRE DE ARACAJU, NO BOWL DE SALVADOR MANDANDO UMA TRICK QUE PODE SER DESCRITA COMO FRONTSIDE FINGER FLIP COM AS DUAS MÃOS TO TAIL. SKATE NEM SEMPRE É PRA SE ENTENDER, É SEMPRE PRA SENTIR.

TRIBO SKATE • 79


COLUNA S K AT E S AÚ DE

T H I AGO PI NO

BIANO BIANCHIN: PREPARADO PRO DIY A frase "vou andar de skate até quando minhas pernas aguentarem"

agravar a lesão e diminuir sua vida útil sobre o skate. Antes de

é muito comum dentro do skate e passa a ideia de que, enquanto

começar a andar, Biano praticava BMX e competia no Bicicross,

nosso corpo aguentar, seguiremos firmes e fortes nos divertindo

o que provavelmente lhe deu um ganho de força muito grande

sobre o skate. Mas até quando nossas pernas aguentarão?

em membros inferiores. Paralelo a isso, ele treinava ginástica

Essa pergunta não tem uma resposta pronta, mas um conjunto

olímpica, um dos esportes mais completos para desenvolver

de variáveis pode ajudar e muito a aumentar sua longevidade sobre

consciência corporal, potência e força, que são grandes pilares

o skate, e não é como um passe de mágica como muitos imaginam.

para qualquer skatista.

É comum em muitos esportes vermos atletas de ponta jogando

O fruto da prática dessas outras atividades físicas são colhidos

em alto nível, mesmo com uma idade mais elevada! Roger Federer

até hoje na carreira dele, mas não é só isso que faz com que ele se

no tênis é um grande exemplo e isso é o resultado do avanço da

mantenha com o skate no pé. Atualmente Biano segue pedalando

fisiologia e da multidisciplinariedade no esporte, quando nutrição,

e fora isso faz natação, uma excelente atividade cardiorrespiratória

preparação física e medicina esportiva trabalham juntos em torno

muita indicada para quem anda de skate, já que não tem impactos,

do mesmo objetivo: prolongar a carreira de muitos atletas.

é majoritariamente uma atividade aeróbia; diferente do skate que concentra suas linhas de manobras no sistema anaeróbio. Além disso, ele faz treino funcional que, quando prescrito e executado de forma correta, tem uma grande importância dentro da preparação física já que trabalha as valências na qual o skatista tem mais dificuldade, potencializando e garantido uma melhora da performance e uma diminuição no número de lesões. Outro ponto importante está na sua alimentação, onde segue uma dieta vegetariana e não consome nenhum tipo de bebida alcoólica, o que faz aumentar o gás nas sessões e com a qual que ele se recupere muito mais rápido das lesões.

BIANO, na função do Ditch BS DAGGERS.

Não é por acaso que Biano segue voando nas sessões e mostrando um alto nível de skate há tantos anos. Aliar preparação física, alimentação, descanso e o tratamento correto das lesões é a

No skate brasileiro também temos um skatista que representa

fórmula de sucesso de um dos maiores nomes do skate brasileiro.

muito bem essa questão. Trata-se de Biano Bianchin, que com 42

Os bons exemplos estão aí para serem seguidos, e você o que tem

anos de idade, sendo que 24 deles como profissional, segue cheio

feito para andar de skate até quando as pernas aguentarem?

de gás e manobrando muitos nas sessões. E olha que seu estilo de skate exige muito do corpo, mostrando que ele precisa estar muito bem preparado para aguentar o impacto das sessões. Biano começou a andar de skate em uma época em que as informações sobre a prevenção e o tratamento de lesões não existiam. Por causa disso, era muito comum ver skatista lesionado andando de skate, o que é um prato cheio para 80 • TRIBO SKATE

THIAGO ZANONI: Skatista, pai de gêmeos, educador físico, idealizador do Skate Saúde e fisioterapeuta especialista em fisiologia do esporte e do exercício


ANUNCIOS.indd 1

20/04/17 17:41


COLUNA G U TO J IMEN E Z

SK ATE BOA RD I NG M I LI TANT

MAINSTREAM & UNDERGROUND A pérola acima foi escrita por um skatista veterano num dos

Daí a dizer que o skate “deixou de ser underground” vai uma

grupos que eu participo no Whatsapp. Não importa quem tenha

distância enorme, um distanciamento não só conceitual, mas de

pensado e expressado tamanha bobagem, isso não faz a menor

percepção da realidade daquilo que acontece nas ruas, pistas

diferença aqui. A importância da frase se dá diante da análise

e ladeiras mundo afora. É preciso estar muito desconectado da

que ela merece, mesmo que demonstre uma total dissociação

alma do skate, e muito fixado no tal “status olímpico”, pra sequer

com o que acontece na real.

pensar uma coisa dessas. Basicamente, uma possibilidade não

É nítido que o skate atingiu um patamar diferenciado há quase um ano. Quem é skatista e está participando na cena de alguma forma - seja iniciante ou há anos na estrada, esteja competindo

exclui a outra, ou seja, dá pra fazer parte do mainstream e estar ligado às raízes ao mesmo tempo. O street é modalidade olímpica? Sim, e sempre haverá

ou andando for fun, seja do ramo industrial ou do comércio,

streeteiros fazendo das cidades os seus playgrounds, enxergando

seja um ativista ou esteja fazendo algo na mídia - percebe que

a urbe com aquele olhar diferenciado de quem sempre procura

o skate adquiriu uma maior aceitação por parte da sociedade

uma borda, um corrimão, um gap, um piso liso ou uma parede

como um todo. Evidentemente que não é só por causa do tal

inclinada em todos os lugares. Skate em transições de concreto

“status olímpico”, pois já há algum tempo temos skatistas se

também virou disputa de Olimpíadas? Sensacional, assim como

transformando em ídolos mundiais e sendo admirados até por

todos os fissurados que não podem ver uma transição, seja

gente que nunca pisou num carrinho na vida.

num half, num quarter ou em alguma parede idealizada por um

O lado bom da aceitação como esporte foi virar a página do preconceito de vez, pelo menos das cabeças da maioria

arquiteto e executada por algum engenheiro pelas cidades mundo afora. Falar nas piscinas com transições chega a ser covardia, já que foi dessa forma que surgiu o próprio vert em si. Aí estão o

O LADO BOM DA ACEITAÇÃO COMO ESPORTE FOI VIRAR A PÁGINA DO PRECONCEITO DE VEZ

mainstream e o underground andando de mãos dadas. E nas ladeiras? Raras são aquelas que são fechadas ao trânsito ou que estejam disponíveis pro rolé a qualquer momento. É preciso achar o pico e também saber o momento certo de dropar, analisar os horários em que as estradas têm menos movimento ou quando o trânsito das cidades o permite. Aí é só gastar o uretano das rodas, seja em dropes de speed e free ride, em sessões de slide ou ziguezagueando entre os cones num slalom veloz. Arrume uma superfície lisa e plana, e você terá o paraíso do freestyle tanto em carrinhos quanto em longboards.

das pessoas. Aquelas babaquices de “skate é brincadeira de

Nenhuma das modalidades citadas acima vai fazer parte dos

criança”, “isso daí é distração de adolescente” ou “é coisa de

Jogos Olímpicos, mas e daí? Ninguém vai deixar de caçar e achar

maloqueiro” perderam a validade. A massificação do skate na

lugares pra praticá-las só por causa disso.

mídia, os circuitos mais populares sendo transmitidos por canais

Andar de skate é fazer o inesperado num local inusitado e num

de tevê a cabo e/ou via streaming online pra milhões de pessoas

momento surpreendente. Essa sim é a alma da coisa e isso é o

no mundo inteiro, o interesse de cada vez mais anunciantes

que mais importa, tanto quanto andar pra se divertir. Nada jamais

de fora do cenário: todos esses são os sinais mais evidentes.

irá mudar isso, portanto viva o underground!

A participação nas Olimpíadas atende a demandas esportivas e, principalmente, comerciais; basta comparar os índices de audiência da maioria das disputas olímpicas com os dos circuitos mundiais. Chega a ser até covardia. 82 • TRIBO SKATE

GUTO JIMENEZ: Carioca que está no Planeta Terra desde 1962 e sobre o skate desde 1975


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Tribo Skate #253  

Bs Daggers, Pole Jam, @Mia, Jean Spinosa, Diego Garcez, Aláfia, Luz especial Salvador, Danielone http://triboskate.ativo.com/edicoes/revista...

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