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TRE Lasca

125 ao nepal

sibéria e Ásia central

ursos e icebergues

expedição Nepal

4,50€ (Continente) IVA Inc.

a

TREVL#11 | Outono-Inverno 2016 — Quadrimestral

Vladivostok-Lisboa

Alasca • Argentina • Chile • nepal • Sibéria


06

Primavera 2015

05

04

OutonoInverno 2014

verão 2014

03

Primavera 2014

Não há

mais

02

01

Outonoinverno 2013

primaveraverão 2013

Não há

mais

Verão 2015

Lisboa — Pequim — Lisboa

Timor-Leste

Lisboa—Ásia Central

Outono-Inverno 2015

Amazonas

Ásia Central

Rússia e Mongólia

Não há

mais

07 08 Primavera 2016

África Ocidental

Timor-Leste

África Oriental

Verão 2016

Sri Lanka

Alto Douro

América do Sul

09 10 Assina

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Editorial Ásia central

Ásia oriental

+4

América do Norte

21

+

68

+

América do sul

64

+

médiooriente

50

-

-

35

Ásia do Sul

Atractividade dos destinos usando o nosso «barómetro», publicado na edição 7.

O

Mais Desejado — era assim que introduzíamos os resultados do inquérito nacional de mototurismo, publicado nas edições 7 e 8 da TREVL. Falávamos então dos Estados Unidos da América que reunira a preferência declarada dos portugueses como próximo destino das suas viagens. Confesso que, na altura, fiquei surpreso com os resultados — relegada a Escandinávia para 3.º e negado o pódio à América do Sul, um destino que esteve presente em todas as edições da TREVL, fora o número inaugural. Para não parecermos teimosos, decidimos ir ver como é então a terra do Tio Sam. Escolhemos o Alasca para começar, atraídos pela desolação do Ártico e a fauna selvagem, num estado no qual cabem os 2.º e 3.º maiores dos EUA — tratam os demais estados pelos Lower 48, relembrando que são uma classe à parte. Pensamos em ursos, alces, águias-careca, salmões campeões de longa distância e salto com obstáculos. Desenhámos um plano e ignorámo-lo. Fizemos as contas e desdenhámo-las. De que qualidades se veste um Alasca selvagem num país

sanitizado e nação do copy-paste? Haverá nele ainda alguma aventura para o viajante de moto? No mapa acima destacamos os destinos cujas histórias de viagem honram esta edição Outono-Inverno — a 11.ª. Aos intrépidos viajantes da VladivostokLisboa e ao Artur Brito não assustaram os números negativos do inquérito para os destinos que atravessariam — Médio Oriente e Ásia do Sul. Neste número ampliamos a família dos TREVLers, dando as boas-vindas aos sorrisos do Jorge e da Anabela Valente, enquanto nos oferecem as suas histórias pela América do Sul. Mais que tudo, esta edição relembra que as preferências de viagens e destinos de cada um são suas e de mais ninguém. Que o viajante português pensa pela sua cabeça, que ainda procura a aventura de moto. Encontra-a nestas páginas que preparámos para ti José Bragança Pinheiro Director — jbpinheiro@trevl.pt

Capa Uma edição com destinos como Argentina, Alasca, Sibéria e Nepal pede uma capa invernal, de paisagens cobertas de branco — como esta — não fora ser sal no lugar da neve e o calor de Uyuni a pintar de azul o céu boliviano. Foto Anabela, «Poderosita» e Jorge Valente no Salar de Uyuni (@Bolívia) Autor — Jorge Valente, «Diaries Of»

3


Índice Director e Revisão José Bragança Pinheiro jbpinheiro@trevl.pt

Neste número... página

TREVLers Anabela e Jorge Valente Viajantes Artur Brito Alberto Gaioso Carlos Monte Pegado Hugo Ramos Mário Frazão Nuno Melo João Rodrigues João Golegã Prazeres Paulo Marques

O Artur Brito decidiu que a sua pequena PCX o levaria até às vítimas do terremoto no Nepal. Turquia, Irão, Índia, Nepal A Anabela e o Jorge Valente são os novos TREVLers, estreando-se aqui com o artigo da sua viagem pela América do Sul. América do Sul (“DiariesOf”)

Editor Geral Hugo Ramos Arte Rita Pereira José Bragança Pinheiro

O Paulo marques conta como foi a grande viagem «Vladivostok—Lisboa». Rússia, Ásia Central, Europa

Publicidade António Albuquerque

A TREVL ouviu os leitores — a maioria diz que gostaria de viajar de moto nos EUA. O José Bragança Pinheiro foi ver como era. Alasca, EUA

antonio.albuquerque@fast-lane.pt

Telefone: (+351) 939 551 559 Assinaturas: assinaturas@trevl.pt

BMW R1200 GS Adventure

@Vladivostok—Lisboa, por Paulo Marques Proprietário e editor

FAST LANE - Media e Eventos, Lda.

Administração, Redacção e Publicidade:

BMW R1150 GS Adventure

@Vladivostok—Lisboa, por Mário Frazão

Av. Infante D. Henrique, Ed. Beira Rio, Fracção T 1950-408 Lisboa Telefone: (+351) 218 650 244

BMW F650 GS «Dakar»

Depósito Legal: 357231/13 ISSN: 2182-8911

@América do Sul, por Jorge Valente

Impressão e acabamento: LGS Impressores, Lda Rua Alfredo da Silva, 12 2600-016 Alfragide

CSC «Cyclone» RX3 250

@Alasca, EUA, por José Bragança Pinheiro

Distribuição:

VASP – Distribuidora de Publicações, Lda. Quinta do Grajal – Venda Seca 2739-511 Agualva-Cacém

Periodicidade Quadrimestral (3x por ano)

Honda PCX 125

@Faro—Nepal, por Artur Brito

Todos os direitos reservados de reprodução fotográfica ou escrita para todos os países. Estatuto Editorial TREVL é uma revista lúdica e informativa sobre a temática do motociclismo nas suas vertentes de lazer, mobilidade e transporte, desportiva, cultural e, especialmente, turística. TREVL dará especial relevo ao rigor da escrita e à componente artística do desenho gráfico e da fotografia. TREVL empenhar-se-á num jornalismo apaixonado e comprometido com a temática que é seu objecto. TREVL é independente do poder político, económico e de quaisquer grupos de pressão. TREVL defende e respeita o pluralismo de opinião sem prejuízo de assumir as suas próprias posições. TREVL assumirá uma postura formativa. TREVL respeita os direitos e deveres constitucionais da liberdade de expressão e de informação e cumpre a Lei de Imprensa.

Honda CRF 1000L «Africa Twin» @Gales, por Hugo Ramos

Suzuki V-Strom 650 (XT)

@Alasca, EUA, por José Bragança Pinheiro


Índice Katmandu, Nepal

«Da 125 ao Nepal numa 125»

@Turquia, Irão, Índia, Nepal, por Artur Brito

«—Tenho que sair da Índia, o mais rápido possível. Procuro guardar para mim o estado de exaustão, não preocupando todos quantos seguem a viagem, mas os sinais são evidentes.»

Os novos TREVLers

Anabela e Jorge Valente («diariesof»)

«diariesof... SudAmerica»

@América do Sul, por Anabela e Jorge Valente

Montevideo, Uruguai

«No único cadeirão almofadado, atrás de uma pesada secretária, o chefe do serviço conversa ao telefone, enquanto aguardamos os três que termine. Inteirado ao que vínhamos, explicou-nos que não nos podia ajudar a tirar a mota — todos os funcionários públicos estavam em greve.»

«Cymru»,

@Gales, por Hugo Ramos

«Vladivostok—Lisboa»

@Rússia, Ásia Central, Europa, por Paulo Marques «Quando não havia obras encontrávamos rios, montes e vales a perder de vista, colinas com dezenas de marcas de passagem de outros veículos que desapareciam nas encostas ou no horizonte tornando a navegação mais complicada.»

«Um gesto na estepe»

@Mongólia, por Mário Frazão

Vladivostok, Rússia

Prudhoe Bay, Alasca, EUA

o acotard it r esc a

«Última Fronteira — as estradas no Alasca»,

Revis uguês. t em Por ÃO foi N , o g Lo ordo do o ac adopta ráfico. or tog

@Alasca, EUA, por José Bragança Pinheiro

«TREVLasca»

@Alasca, EUA, por José Bragança Pinheiro

«Uma vaga de calor esquimó — era assim que Jonathan, índio nativo do Alasca, se referia à invulgar temperatura quando o encontramos perto do oceano Ártico. As expectativas falharam neste aspecto — não passáramos frio em toda a viagem no Alasca.» Anchorage, Alasca, EUA

Índice de Destinos 5 página


Para Prudhoe Bay Fairbanks

5

Terra

O Parque Nacional de Denali é uma área protegida selvagem («Wilderness») na qual se procura evitar o contacto humano com os animais. Por isso, apenas se permite entrar na Denali Park Road de autocarro por uma estrada de terra que nos oferece uma envolvência de excepção.

6

Canyon 5

A Denali Highway, fechada durante o duro Inverno do Alasca, é uma das candidatas a ficar no topo das preferências dos viajantes de moto. Connosco, foi vítima do mau tempo, com um piso enlameado e paisagem toldada.

Pavimentada Excepcional Boa Razoável Indiferente Paisagem

Estado do piso Péssimo Mau Bom Excelente 0

50

100km

Monte Denali (6190 m) 6 A George Parks Highway atravessa uma das zonas mais densas populacionais do Alasca, ligando as suas principais cidades, Anchorage e Fairbanks, excluída a capital Juneau no sudeste e sem ligação por estrada.

0

16 0

Em Turnagain Arm, um braço de mar força a Seward Highway a contorná-lo antes de chegar à impressionante península de Kenai. Batida por fortes ventos, segue colada à linha de costa avistando na outra margem as montanhas da floresta de Chugach e a aldeia de Hope.

9

Caswell Camp

Antes de se transformar a sul de Glenallen, a Richardson Highway não encanta, excepção feita à folhagem outonal da floresta de cedros.

7

Rebecca em Caswell Camp recomendou-nos o desvio por Hatcher Pass, para ela uma das mais lindas estradas do Alasca. Começando na zona alpina que lhe dá o nome, desce num caminho de terra que acompanha o rio e a floresta de cedros, atingindo as expectativas que Rebecca criara 2 semanas antes.

7

Glenallen Monte Blackburn (4996 m)

8 16 14 Palmer

8

A Glen Highway mantém os glaciares à vista, numa sucessão incrível de montanhas e vales brancos — imperdível. Valdez

Anchorage

Chitina 15 13 15

9 Whittier 12 Katmai Peninsula

11 10 Kenai Peninsula

McCarthy

Golfo do Alasca

A velha McCarthy Road corre sobre a antiga linha de caminho-de-ferro das minas de cobre, hoje soterrada para dar vida à estrada de terra batida, por entre destroços de pontes de madeira e lagos azuis que reflectem as montanhas de Wrangell.

Seward 12 Homer 11 10

16

A Sterling Highway fizemo-la debaixo de chuviscos enquanto as obras decorriam durante muitas milhas. Talvez por isso não nos tenha impressionado, cientes que do outro lado do canal, já ali, se avistam as montanhas do Chigmit Aleutian Range.

A Seward Highway atravessa a Floresta Nacional de Chugach bem perto do lago que dá nome à península de Kenai. 13

Esta ligação não é uma estrada para motas. Isso não impede a ligação de 5 horas feita no «ferry» Aurora (reserva aconselhada) desde a pequena aldeia de Whittier até à movimentada Valdez de ser um ponto alto da viagem, navegando entre glaciares que beijam o A Richardson Highway segue ao longo do vale entre as montanhas de Chugach. Junto à estrada começamos a adivinhar as cores do Outono nas folhas das árvores.

14

A Edgerton Highway termina em Chitina, mas é no seu início, saindo da Richardson com a cordilheira de Wrangell à nossa frente, que a magia acontece. Recebem-nos três dos seus guardiões de longos cabelos brancos —Sanford, Wrangell e Blackburn.


Raio-X Suzuki V-Strom 650 (2015) — edição «MotoQuest»

pág. seguinte: Esquerda: O terreno começa a desafiar a V-Strom, revelando a opção correcta por uns pneus mistos para terra. (@Dalton Highway) Direita: As V-Strom regressam a casa, onde nas paredes se contam as histórias das viagens em postais, recortes de revista, mapas e fotografias. (@Loja da MotoQuest, Anchorage)

18 14

15

13

3

1

16 2 9

6 11 8 7 A Suzuki V-Strom 650 foi uma surpresa agradável, um modelo bem escolhido para o percurso realizado, combinando um comportamento fiável e previsível do motor e da ciclística nos vários tipos de piso, com um conforto imaculado. A viagem foi feita com dois em cada mota, carregando material de campismo e depósitos auxiliares de gasolina para cobrir as distâncias maiores sem qualquer alternativa de abastecimento intermédia. Com uma etiqueta leve no preço — posicionamento claro da Suzuki — a qualidade do conjunto é muito boa não perdendo para modelos de outras marcas que custam bem mais do dobro.

5

1 consumos O depósito de 20 L permite uma autonomia de 340 km (205 milhas). Para fazer os 390 km de Coldfoot a Deadhorse convém levar um pequeno jerricã de 4 L para um consumo médio de 5,8 L/100 km, carregada com passageiro e bagagem. 2 Malas Laterais Um sinal distintivo das motos da MotoQuest são as malas laterais. Feitas à medida, lembram malas técnicas de material de filmagem, num termo-plástico preto, com um autocolante branco da MotoQuest. São estanques e com a dimensão certa. 3 Suportes das malas O aperto aos suportes metálicos é feito por uma maçaneta que convém verificar com frequência quando o piso é duro e as vibrações abundantes. 4 Roda dianteirA A jante de liga leve (de raios na versão XT, ambas versões «tubeless») vinha equipada com um Michelin Anakee Wild (110/80 R19), com um piso misto para fora-de-estrada. Óptimo comportamento

22

4

12 10 17

Na viagem usámos duas variantes da Suzuki V-Strom 650 — uma normal e a XT, percorrendo uma distância total de 3100 km na viagem de ida-e-volta de Anchorage a Prudhoe Bay, no norte do Alasca. Suzuki V-Strom 650 0 3 1 0 0 km

nos três mil quilómetros das estradas duras até Prudhoe Bay. No pavimento não é desconfortável, ruidoso nem inseguro, mesmo em pavimento molhado. No final, a borracha começa a mostrar falhas nos tacos, roídos pelas pedras do caminho. 5 Roda traseira Mais duros que os Michelin dianteiros, os Shinko Adventure Trail E805 (150/50 R17) aguentaram bem a carga, sem nunca perderem a compostura e mantendo a frente equilibrada. 6 Pré-carga Comportamento muito bom com ajuste (manual) de pré-carga no máximo, ainda que o terreno fosse regular, excepção nos troços pavimentados com depressões feitos em velocidade. 7 MOTOR O V-Twin de 645 cc foi uma agradável surpresa, suave, reforçando a ideia que as cilindradas médias se adequam às viagens. 8 Transmissão Este foi o pior aspecto da moto utilizada. A corrente, atacada pelo cloreto de

cálcio nas estradas de terra, degradou-se bastante, sensível a mínimos descuidos na manutenção ou revisão. 9 «bico» O «bico» frontal — introduzido pela Suzuki em 1988 com a DR 750 S —, apenas está incluído na versão XT, única diferença a par das jantes de raios, ambas «tubeless». A diferença de preço nos EUA são apenas $100 no preço base. 10 protecção de cárter Essencial nas estradas de terra e gravilha, esta protecção da SW-Motech é composta por duas peças de alumínio, bastante eficazes. 11 Protecções do quadro A protecção tubular metálica (extra da Suzuki na versão XT, SW-Motech na versão normal), deixa exposta a caixa de velocidades. 12 descanso central A sua ausência no modelo XT foi sentida nas frequentes lubrificações da corrente, difíceis de fazer sem ajuda.


Estátua equestre de Gengis Khan com 40 m de altura e 250 ton. Autor: João Golegã Prazeres (@Kathmandu, Mongólia)

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Em viagem

de

Vladivostok aLisboa Paulo Marques

Seis viajantes apontam a Lisboa, levando as suas motos desde a costa leste da Ásia.

S

ão 06h30 da madrugada, aqui no extremo oriental da Rússia. O despertador toca em Vladivostok e levanto-me sem esforço, apesar da noite mal dormida. O sol já se me antecipara há mais de meia hora e, como ele, sinto-me cheio de energia e vontade de começar — a preparação dos últimos dois anos e meio trouxera-me a este momento, aquele em que partíamos em direcção a Lisboa de moto. — Vamos precisar de 80 dias — avançava-nos — e temos que partir na Primavera, no fim do Inverno russo. — Foi assim que o Mário nos apresentava, ao Alberto e a mim, a primeira ideia de ligar Vladivostok a Lisboa de moto. — Enviamos as motas até lá e regressamos a rolar — concluía então, enquanto nós sorríamos perdidos na ideia. A viagem de dois meses de Luanda a Maputo acabara há pouco, atravessados oito países da África Austral. Este novo projecto apesar de me parecer na altura ainda distante, fez-me sentir um formigueiro. Volveram seis meses até começarmos a preparação da viagem com um primeiro esboço da rota, as cartas de estradas, os vistos, a importação temporária e o transporte até Vladivostok das motas e o orçamento. Distribuímos trabalho, decidindo aprender russo, língua entendida — quando não falada — numa boa parte dos países incluídos. Optámos por aulas particulares — uma excelente decisão, comprovar-se-ia na estrada. O grupo completava então a meia dúzia com o João, o Nuno e o Carlos.

Upgrade de RAM Vladivostok, Rússia — Dia 01

Estamos prontos, mais do que preparados — não encontro nada que falte ou que não tenha sido pensado. Ontem, retiradas as motos do contentor onde habitaram durante dois meses, todo o dia foi dedicado às últimas afinações — verificar níveis, pontos de fixação da bagagem e dos pneus-extra, distribuir o peso na mota, ensaiar rádios e luzes, verificar capacetes, botas, luvas, fatos e protecções, reapertar parafusos e extras instalados e colar os autocolantes. Pontual, o trio russo — Alexey, Serguey e Vassili — chega ao volante do Dodge RAM que nos acompanhará até Irkutsk, nas margens do lago Baikal. Alexey é um bom exemplo de como a sorte em projectos que à primeira vista parecem muito ambiciosos acabam por atrair outros aventureiros. Amigos em comum juntaram-nos, precisados de contactos na Rússia para ajudar com vistos e importações temporárias das motos. Prestável desde o início, interessou-se pela nossa viagem tendo contribuído com diversas sugestões de rota e locais a visitar na Sibéria, acolhidas com entusiasmo. Um dia disse-nos que, em conversa com outros amigos russos, se perguntava como é que um grupo de portugueses tinha decidido fazer uma viagem por territórios do seu país, e eles com vontade de conhecer essa mesma região sem tempo para o fazer — tomaram a decisão de nos acompanhar, seguindo depois para a Mongólia por um caminho diferente, usando uma fronteira reservada a locais, russos e mongóis. Decidimos fazer os 720 km até Vladivostok — Lisboa

33


linha da floresta.

Topo Toda a experiência no gelo obriga a reaprender a andar. (@Glaciar de Matanuska) Centro e base Os espelhos gelados das águas glaciares. (@Glaciar de Matanuska)

60

Onde as montanhas de Chugach encontram o vale de Mat-Su (Matanuska-Susitna), encontrámos o glaciar Matanuska — afinal, está ali há uns largos milhares de anos. Cedemos ao impulso de dedicar um dia para uma caminhada sobre o gelo, de certa forma recordando um dos últimos desejos na bucket list de James. Lizzie e Rebecca são as nossas guias para a incursão no glaciar, depois de um curto trajecto na carrinha da MICA Guides. Ambas norte-americanas, adoptam o estilo neozelandês de caminhada no gelo onde os guias vão reagindo às constantes alterações que o glaciar vivo vai fazendo, intervindo directamente esculpindo degraus onde são necessários, por oposição ao estilo norte-americano que visa não alterar nada. Chegando ao gelo calçamos os crampons

sobre as botas e, como numa escola de modelos, reaprendemos a andar com calçado especial — à John Wayne, calcando cada pegada para cravar na superfície dura do gelo. É um território inóspito e perigoso, onde as rachas podem significar quedas de dezenas de metros. Lizzie vai alternando entre anedotas infantis que conta com alguma ironia e factos curiosos, como a utilização de abutres para detectar fugas no oleoduto, usando a sua capacidade de detectar um etil adicionado ao gás que tem um cheiro semelhante a carne putrefacta.

Onze por cento portuguesa

A Portage Glacier Road parecia terminar num pequeno buraco negro escavado numa enorme parede de pedra de onde emergem duas linhas curvas cintilantes. O buraco é na verdade o túnel Anton Anderson Memorial (ver «As


Oceano Ártico Prudhoe Bay 5

Deadhorse 0 1 4 0 0 km

4

B

B

Boi-almiscarado

Através dos binóculos de Jonathan vemos o nosso primeiro boi-almiscarado («musk ox»), apesar de estar perto, a meia centena de metros das motos.

Gates of the Artic National Park and Preserve

Artic National Wildlife Refuge

U

3

Urso-pardo

Não há como o primeiro. Levantámos a tenda uma dúzia de milhas atrás quando, na berma da estrada, uma figura ergue-se sobre os pés — não parece real, mas é — um jovem-adulto urso pardo.

Coldfoot U Círculo Polar Ártico

2

1

Yukon River Camp

Alasca (EUA)

Fairbanks O guia da Lonely Planet e os conselhos da MotoQuest são uma combinação vencedora, temperada sempre à conversa com locais.

Eielson

U

Alce

Uma alce (N.E. Não era giro que se dissesse «Alça»?) corre ao lado da moto do João durante uma dezena de metros. Depois, faz o que se temia — corta a direito na estrada para regressar à floresta.

Canyon A

Cantwell 6

Monte Denali «ex-McKinley» (6190 m)

Wrangell — St. Elias National Park and Preserve

M

Anchorage

Marmota

0 0 0 0 0 km

7 Hatcher Pass A

0 3 1 0 0 km

McCarthy 0 4 3 0 0 km

Matanuska

E Chitina

Columbia Glacier Valdez S Whittier

0 4 9 5 0 km

Hope

Península de Kenai Homer

Nelchina

Palmer

F

S E

M

Seward

L

Golfo do Alasca

Kennicott

E

Águia-careca

A apenas dois metros, a enorme ave de rapina levanta vôo e, enquanto o tempo pára, vemos o bater de asas em câmara lenta.

Cordova Prince William Sound S

F L Península de Katmai

Canadá

A

Nenana

Denali National Park and Preserve

Junto ao cais de Homer, os mexilhões repousam sobre a barriga peluda da marmota, antes de serem quebrados e comidos.

A vida selvagem no Alasca parece ter encontrado um equilíbrio com um Homem-caçador que se recusa a baixar as armas. Para o viajante, são frequentes os encontros com ursos, alces, bois-almiscarados, caribus, águiascarecas e douradas, marmotas, salmões, focas ou leõesmarinhos, para citar apenas alguns. No mapa assinalamos alguns destes momentos.

Focas e leões-marinhos Num dia de Sol, os leõesmarinhos aquecem-se sobre uma bóia, enquanto as focas espreitam à tona da água gelada dos icebergues de Columbia, intrigadas com os caiaques.

Salmão

Aqui, quem os viu nascer testemunha agora o suicídio colectivo que é, na verdade, uma celebração de Alasca

57


Sérvia

Bulgária

Rússia

Mar Negro 4

FYROM Albânia

Cazaquistão

Geórgia

Mar Cáspio

Istambul Monte Ararat (5137 m)

Turquia

Alexandria 0 2 4 6 5 km

Dogubayazt 0 4 6 7 6 km

Azerbeijão

5

Ancara (Mine Aydemir)

Grécia

Turquemenistão Tatvan

Oceano atlântico

Van Urmia

Alepo

6

Síria Mar Mediterrâneo

Usbequistão

Líbano

Os planaltos desertos intermináveis desafiam a minha resistência.

6

Bagdade

Isfahan Iraque Cairo

Israel

Irão

Jordânia

Harat 5

Líbia Egipto 4 Seria Istambul onde chegaria o passaporte com o visto do Irão e o seguro actualizado, junto com algum dinheiro para atravessar o Irão.

Kuwait

Em Tatvan, faço «turismo hospitalar» para pôr um problema para trás das costas.

Mar Vermelho

Arábia Saudita

Bandar Abbas 0 6 7 7 2 km

Qatar Riad

Golfo pérsico

7

Dubai (Wissam) EAU

7

Omã

A continuação da viagem periga. — «Gorilla, anda cá que precisamos de ajuda.»

a Turquia e chegada a Istambul, lamentando a falta de tempo para explorar a bonita costa grega. A chegada a Istambul é simbólica. Atravessei esta cidade bonita e imensa, num trânsito caótico que me levava ao ferry que cruza o estreito de Bósforo depositando-me «Onde a Ásia Começa». Para os amigos turcos, esta verdadeira Ásia não começa antes de Ankara — dali em diante, avisam-me, a realidade é outra. Em Kodikoy, Mine Aydemir, uma turca bem-disposta, acolhe-me de braços abertos como convidado especial no seu restaurante, com direito a fotografia no quadro de honra. É na sua casa que ficarei abrigado durante a curta estada de três dias em Istambul. Fora para lá que pedira o envio do passaporte — com o tão desejado visto do Irão —, o seguro actualizado e dinheiro suficiente para cruzar o Irão, onde não é possível levantar dinheiro. Sendo aceites ambos, dólar

74

ou euro, o primeiro é preferível. Antes de entrar no Irão aconselho instalar uma VPN para ter livre acesso à internet. Já no Dubai, o uso destas deu problemas, apenas resolvidos depois de desinstalar. Mine organiza um jantar para mim, reunindo amigos para me ajudarem a cruzar a Turquia. Convida os membros fundadores do EMOK — maior moto-clube da Turquia— e o presidente do AKUT, uma organização de busca e salvamento, com intervenções em cenários de catástrofe em diferentes partes do mundo. Juntos traçam-me uma nova rota de passagem pela Turquia, até ao Irão — estranhamente mais a sul, por sugestão de um elemento dos Serviços Secretos do Exército, amigo de um dos presentes. Daí em diante, teria abrigo quase todos os dias ou a quem recorrer se necessário. Pelo AKUT foi-me dado um contacto de

emergência, sendo-me assegurado que em duas horas estariam perto de mim. Estes turcos não brincam em serviço. Aliás, coisa que aprendi, foi que por essas paragens e nos países seguintes, quando alguém te diz que podes contar com o seu apoio, di-lo de coração e não hesitará cumprir essa promessa.

Onde as costas mudam de nome

Sigo então rumo a Ankara onde mais uma vez o acolhimento é fantástico. No dia seguinte, pela primeira vez, abasteço de combustível o jerricã após um susto. Começo a ter problemas em viajar devido a uma fístula implantada no pior sítio possível — onde me sento. Após dias terríveis de dor e algumas lágrimas derramadas, acedo aos pedidos dos amigos e mulher para que procurasse ajuda. Recorro aos amigos turcos que me levam ao hospital em Tatvan, onde


Raio-X Honda PCX 125 (2011) — «Burrinha», edição «Expedição Nepal» — 4 8 5 9

2

10 3

1 7 6

6

1 Malas laterais Os alforges laterais da Givi são expansiveis e com boa capacidade, não são impermeáveis sem as capas em caso de chuva. 2 Saco Impermeável Com 80 litros de capacidade, o saco «Givi Waterproof» era o único disponível na partida, algo grande para o que precisava. Nunca deixou entrar água. 3 Mala frontal Da Kappa e com 15 L de capacidade, revelou-se muito útil para arrumação do material informático e de fotografia, ou mesmo de alguma comida.

Servia para uma muda de roupa à chegada ao local de dormida, evitando transportar as malas traseiras para o quarto. 4 Vidro «touring» O vidro alto da Givi deu-me muito protecção de chuva e vento — uma boa opção. 5 Haste de bandeiras A mochila «Wiz Mount Cue2» tem uma haste extra para instalação da câmara de filmar. Oferece múltiplas possibilidades de posição e de muito fácil fixação com elásticos. Permitiu hastear as bandeiras do Nepal e Portugal que me acompanharam.

A escolha A Honda PCX 125 confirmou o que esperava — fiável e com uma mecânica simples, factor valioso em viagem. Não preparada inteiramente — por desenho —para este tipo de viagem, a falta de conforto após algumas horas de condução

Para poder circular no Irão, Índia e Nepal precisei de me fazer acompanhar do «Carnet de Passage». Hoje o processo está bastante mais facilitado, não sendo necessário deixar uma garantia bancária.

6 Pneus Os Michelin foram uma boa escolha, mantendo o piso e as boas condições para lá das expectativas durante toda a viagem.

8 Câmara de filmar A máquina «Bandit» da «TomTom», apesar da boa qualidade de imagem, merecia melhores suportes de fixação, algo frágeis.

7 Variador Em Barcelona, ao 3.º dia de viagem e depois de sentir um comportamento estranho em Valencia e sem ter garantias da sua longevidade, decido substituir o variador J. Costa por um de origem.

9 Sistema de navegação O GPS «Rider 400» da TomTom revelou-se fiável e intuitivo, assegurada uma prévia introdução e validação dos mapas.

torna-se evidente. Com mau piso ou onde nos nega tracção, o comportamento é estranho e de difícil manusamento. A suspensão — talvez o seu calcanhar de Aquiles — merecia atenção. Já os consumos são excelentes, apesar da versão utilizada por mim ter visto a capacidade do depósito aumentada

10 Equipamento pessoal O fato «Arrow» da «Rainers» tem boa ventilação mas, em caso de chuva, os forros precisam de um reforço para serem eficazes.

nas edições mais actuais. Os Michelin utilizados revelaram-se de excelente duração, com muito boa resistência aos maus pisos. O pneu traseiro, inclusivé, rodou com um furo lento cerca de 5000 km por impossibilidade de encontrar substituto disponível nos países atravessados a partir do leste turco

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Raio-X BMW F650 GS Dakar (2004) «Poderosita» — edição «diariesof»

Escolher uma mota usada, com alguns anos e bastantes quilómetros feitos, torna mais fácil a decisão no final da viagem — a «Poderosita» ficou na América do Sul, vendida em Iquique. BMW F650 GS Dakar 2 2 0 0 0 km

3

2

4

5 1

5

3

2 4

1 6

1

1 Malas laterais De termoplástico, com 25 L de capacidade cada. 2 Mala «Top-Case» De termoplástico da Givi com 31 L de capacidade. 3 Saco de Depósito Para levar o material fotográfico, sempre à mão. 4 «SPEED BAG» Queimou-se por duas vezes no escape, reparado com a fita americana «duct tape».

1 Descanso lateral O sensor do descanso lateral foi mais uma das vítimas da vibração, causando falhas no arranque e que o motor se desligasse em andamento. 2 Falta de oxigénio A falta de oxigénio entre os 3500 e 4090 m de altitude em Potosí leva-nos a precisar de deixar a moto ao Sol de manhã para aquecer um pouco e assim conseguir arrancar o motor.

A escolha Alugar uma mota por seis meses saía do orçamento, comprar uma colocava ainda mais tempo entre nós e a viagem. A nossa Poderosa — uma BMW F650 GS Dakar — estava ali e a decisão foi fácil. Transportála de avião parece, à primeira vista, mais caro que por barco. Mas as complicações da via marítima, as imprevisíveis taxas

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3 Bateria Os terminais da bateria oxidaram no Peru, problema evidente quando a moto deixou de pegar. 4 Carenagem Um após outro, começámos a dar como perdidos para a dureza das estradas os parafusos da carenagem.

6 Correias Tivemos duas correias partidas. A de origem — com 20 mil km — cedeu numa das estradas mais difíceis da viagem no Chaco, Paraguai, substituída por uma não indicada para este modelo o que causou parar com frequência para a recolocar durante 50 km.

5 Suporte das malas Partiu-se um apoio da mala e os quatro suportes de plástico das malas – aí decidimos que as próximas malas seriam de metal.

de alfândega e os trâmites complicados chegam rápido ao custo do avião.

Bagagem Pensávamos que íamos leves, mas fomos aprendendo a viajar com cada vez menos. Na Argentina juntámos o excesso e expedimos por correio. Levámos apenas duas malas laterais nas quais levámos a

tenda, colchões, sacos de cama e roupas. A mala traseira servia também de encosto à Anabela. O saco de depósito era para o material fotográfico. O «speedbag» seguiu sobre uma das malas laterais, num contacto demasiado próximo do escape, derretendo por duas vezes, lembrando que é sempre bom ter «fita americana» por perto em viagem


Lima 2 0 0 0 0 km 9

Peru

A entrada na Bolívia está nas mãos de um único guarda que granjeou a reputação de imprevisível.

Bolívia

Nasca La Paz

Santa Cruz de la Sierra

Arequipa

8 Iquique 11

Potosi

2 2 0 0 0 km

Vendida a mota em Iquique, separamo-nos dela.

Uma estrada má e buracos atrevidos danificam a correia que insiste em saltar a cada 5 km.

Mariscal

Uyuni

Filadelfia

11

9 CHILE

paraguai

8

Foz de Iguaçu

Assunción 10

ARGENTINA

Não é preciso ser religioso para fazer o esforço de ir até à Ilha da Páscoa.

Brasil

1

(Boston, EUA)

Uma greve paralisa a Alfândega chilena, mas há sempre uma maneira.

10

URUGUAI

1 Santiago do Chile 0 0 0 0 0 km

(Ilha da Páscoa)

Rosario Buenos Aires 7

Montevideo 1 3 0 0 0 km

7 As «parrilladas» e as conversas de Mariano, intervaladas pelas «milongas» aprendidas nas ruas, deixam saudades de Buenos

2 Apesar dos relatos falarem da escassez de gasolina e postos de combustível, os jericãs adicionais nunca foram precisos.

2 Mar del Plata Bahia Blanca 6 San Carlos de Bariloche Puerto Madryn

Chaitén

Peninsula Valdez

3 3

Ventos fortes anunciam o frio sul americano.

Oceano Atlântico

6 Debaixo do «calor aparente» argentino, Aníbal surpreende-nos.

Los Antíguos

Oceano Pacífico

São muitas as soluções para colocarmos no mapa as nossas viagens.

El Chalten El Calafate «Perito Moreno»

El Calafate

Torres del Paine

Rio Gallegos

Rio Grande

Punta Arenas Terra do Fogo

5 Ushuaia 0 6 5 0 0 km

4

A diariesof usou o Tripline.net, o qual permite seguir passo-a-passo toda a rota, ilustrada com imagens e comentários a gosto. Gostámos, por isso aqui fica o endereço desta viagem.

Ilhas Malvinas

4

5 O frio e a neve atacam forte antes de Ushuaia.

(Antártida)

Estar ali «tão perto» e não dar um pulinho até à Antártida parecia pecado. Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru

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Destinos

África

África do Sul Angola Argélia Botswana Congo (R. D.) Egipto Etiópia Gâmbia Malawi 6 Marrocos 1 Mauritânia Moçambique Namíbia Quénia Ruanda Sahara Ocidental São Tomé e Príncipe Senegal (Dakar) Sudão Sri Lanka Tanzânia Victoria Falls Zâmbia

3 9 4 9 1 3 9 10 9 9 9 4 10 14 10 2 14 9 4 9 3 4 4 9 9 10 1 14 9 5 2 9 2 9 10 9 3 4 4

Ásia

Arménia Azerbeijão Burma (Myanmar) Cambodja China Georgia Índia Indonésia Irão Iraque Japão Malásia Mongólia Nepal Paquistão Quirguistão Tailândia Tajiquistão Timor-Leste Turquemenistão Usbequistão Vietname

3 6 7 9 7 8 9

5 7 8 4 7 8 9

Oceânia Austrália

América

Conheça aqui quais os destinos de viagem de moto sobre os quais já publicámos, tanto na TREVL, como na REV.

Nesta edição

Os destinos incluídos nesta edição estão destacados com um fundo amarelo.

Edições passadas

Cada entrada nas tabelas seguintes tem a indicação de qual o número onde foi publicada (a amarelo na TREVL, a azul na REV).

Interactivo

Para uma experiência mais interactiva com visualização sobre o mapa-mundo, sugerimos visitar o nosso site na secção «TREVL no Mundo».

98

Alasca (EUA) 4 6 13 Argentina Belize 4 Bolívia 4 Brasil Canadá Chile 4 Colômbia Costa Rica El Salvador Equador E. Unidos da América Guatemala Nicarágua Panamá Paraguai 6 5 Peru 6 4 Uruguai Venezuela

8 8 9 7 7 8 11 9 11 9 9 9 11 11 9 11 9

8 9 9 9 11 9 11 9 7

7

Europa

Albânia Alpes Balcãs Bielorússia Bósnia e Herzegovina Bulgária Córsega Croácia Dinamarca 1 Espanha 1 Escócia Eslovénia Gales Grécia Inglaterra Irlanda Islândia Itália Letónia Kosovo Montenegro Noruega Pirenéus Polónia 3 Rússia Sérvia 2 Turquia

Portugal 5 11 7 10 11 5 11 7 11 6 7 8 5 4 10 11 5 7 8 5 8 5 8 4 7 6 5 7 2 5 8 5 8 5 8 6 11 4 7 11 7 10 11 4 8

7 10 11 1 2 3 7 9 7 7 1 7 8 4 5 7 5 6 12 7 2 7 11 2 6 2 1 3 5 7 9 2 7 7 1 8 1 5 7 9 7 8 11 2 7 7 8 11

Açores Alto Alentejo Alta Estremadura Alto Douro Serra Algarvia Serra da Arrábida S. de Aires e Candeeiros Tejo dos Castelinhos

Espanha

Deserto de Bardenas Picos de Europa Ruta de la Plata Sierra Norte

12 7 3 2 10 1 1 7 10 1

5 1 5 4 7 7

Profile for TREVL de moto pelo mundo

TREVL 11 — Outono Inverno 2016 (amostra)  

Uma selecção de páginas da TREVL de Outono-Inverno 2016. Lá dentro, destinos como Sibéria, Nepal, Andes, Ushuaia e Alasca.

TREVL 11 — Outono Inverno 2016 (amostra)  

Uma selecção de páginas da TREVL de Outono-Inverno 2016. Lá dentro, destinos como Sibéria, Nepal, Andes, Ushuaia e Alasca.

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