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dama antiga SudAmerica Em Viagem

Técnica

4,50€ (Continente) IVA Inc.

TREVL#6 | Primavera 2015 — Quadrimestral

contacto

Fotografia

Japão • Índia • shetlands • Egipto • EUa • Brasil • Venezuela


poupe22% até

assinando ESGOTADA!

Primavera 2013

Inverno 2013

Primavera 2014

1

Verão 2014

Outono-Inverno 2014

2

ano (3 revistas)

anos (6 revistas)

(poupe 2.00€)

(poupe 6.00€)

11.50€

tade a a Esgão o #3, ond

A ediç a, in fez cap Africa Tw ara não P esgotou. elhor é m o r, a arrisc ão aos m a r a it de asados tr a números ar :-) e assin

21.00€

Primavera 2015

Preencha o formulário no nosso site (www.trevl.pt) Alternativamente, envie-nos um email para assinaturas@trevl.pt Pode incluir edições passadas (sujeito a disponibilidade de stock) 34


Editorial

Gente Somos muitos. Demasiados. E seremos cada vez mais gente no Mundo. Em cada viagem, os destinos serão menos remotos, as aventuras mais partilhadas. E onde há gente, haverão encontros. Uns mais desajeitados, outros apaixonantes e alguns marcantes. Perguntámos a Alicia Sornosa o que a havia marcado mais nas suas viagens de moto pelo mundo. A resposta é a que muitos globetrotters dão: as pessoas. De moto temos oportunidade de ir onde a maioria não vai. Se lhe juntarmos uma compulsão em apontar aos destinos menos escolhidos, há uma responsabilidade imensa que temos de assumir: a do respeito. Qual é a imagem que queremos deixar naquela pessoa que nunca antes vira um alienígena de cores espanpanantes, de cara escondida por um capacete? A de alguém que partiu mais rápido do que chegara? De quem lhe “roubou” fotos e retratos pessoais? Não podemos simplesmente dizer que o melhor são as pessoas: temos de agir como tal. Isso implica que lhes dediquemos tempo e cultivemos o respeito por elas. Que não sejamos condescendentes nem paternalistas, julgando aos nossos olhos e à nossa imagem. Viajar num novo país é também perceber como é essa cultura, das quais as pessoas são os seus embaixadores. Mesmo quando a língua

é uma barreira, há que fazer o esforço de a derrubar. Inscrevi-me no workshop de fotografia do TREVLer Tiago Figueiredo a pensar que aprenderia a técnica da fotografia. Mas a maior lição foi perceber a importância do retrato, porventura a mais forte das fotografias. Aquela que faz “capa” das nossas memórias e deixa marca em quem a viveu. Porque tem profundidade e uma história: da relação que se construíu; dos mundos que nos abriu e explicou na primeira pessoa. Porque tem vida. E não queremos ter vergonha de contar essa história; não pode ser simplesmente “alguém”, mas um “nome”. Um nome que conseguíramos dando por troca algo nosso, pessoal, que todos temos: o nosso nome. E isso vale mais do que Tshirts, “argent”, “monnaie” ou “stylos”... tem de valer. Enquanto escrevo estas linhas tenho a meu lado um mapa da Quirguízia. Nos noticiários ensinam-nos que por aquelas bandas andam criminosos, assassinos, terroristas. Nem eu nem nenhum outro viajante se pode demitir da sua responsabilidade ao decidir ir até lá. Mais do que preciso, é urgente aproveitar e mostrar que “deste lado” também damos valor ao mesmo sorriso, que estamos dispostos a ouvir e aprender. Que não deixamos apenas

Alicia encontrou no Japão a nobreza que se sente em cada relação. Entregouse e sentiu-se bem recebida, acolhida num país cujo estereótipo é o da

uma cortina de poeira turva que não mostra quem somos. Talvez no âmago de dramas como o “Charlie Hebdo”, que nos toca fundo na liberdade de imprensa, esteja a indisponibilidade para vermos o mundo pelos olhos dos outros, por preferirmos falar a escutar. Alicia faz tudo isto muito bem. Leva consigo uma chave universal: um sorriso delicioso que deixa em todas as portas onde bate. E, como em tudo na vida, recebe-se aquilo que se dá. Traz consigo histórias em cada sorriso. Viajar sozinho é duro, mas encoraja o encontro pessoal, não importa onde nem com quem. Ouvir os grandes viajantes que se demoram nos lugares é importante porque nos marca. Não pelas paisagens de postal ilustrado, mas pela forma como sentimos que viveram cada contacto. Neste número da TREVL passamos à acção, também. Dedicamos as nossas páginas aos encontros, aos contactos e às histórias que cada um conta. Desafiamos os viajantes a abrir a viseira ou tirar mesmo o capacete, a sorrir, a sair da moto. E a perder a vergonha do contacto, mesmo que trapalhão e atabalhoado. Porque para a TREVL importa ser genuíno. José Bragança Pinheiro jbpinheiro@trevl.pt @trevlmag

frieza, do rosto duro e da língua desafiante. Nesta capa da TREVL, Alicia coloca-se na pele de uma japonesa, num sentido mais literal. E sorri, sempre.

3


Director José Bragança Pinheiro jbpinheiro@trevl.pt

TREVLers André Braz Fátima Ropero Gonçalo Luz Jorge Serpa Paulo Sadio Rui Nuno Tiago Figueiredo Colaboradores Alicia Sornosa Bruno Andrez Hugo Ramos João Rebelo Martins Joana Sarmento Marco Miguel Rita Tavares Romão Tiago Braz

A TREVL é a primeira e única revista portuguesa a tornar-se Media Partner da Ted Simon Foundation. Em cada número semeamos sugestões para prolongar e melhorar a experiência da leitura de cada TREVL, para que seja ainda melhor. Utilizamos QRCodes para permitir ao leitor desenvolver determinado conteúdo ou obter mais informação na forma de vídeos, sites ou sons. Os novos dispositivos móveis (smartphones, tablets e afins) permitem interpretar estes códigos e levar-nos ao conteúdo pretendido, onde quer que esteja.

Há histórias que estão mesmo a pedir uma banda sonora à altura. Quando vir este símbolo, é porque temos uma sugestão de música para acompanhar a leitura (normalmente associada a um QRCode).

Para que possa melhorar, analisamos a técnica da fotografia e da escrita, explorando vantagens e desvantagens das opções tomadas, com dicas de fotógrafos e viajantes.

Editor Geral Hugo Ramos Arte Rita Pereira José Bragança Pinheiro Publicidade António Albuquerque

antonio.albuquerque@fast-lane.pt

Telefone: (+351) 939 551 559 Assinaturas: assinaturas@trevl.pt

página

BMW R1200GS Adventure

56

@EUA, América do Sul Jorge Serpa, Marco Miguel, Paulo Santos 26

BMW F650GS

8

BMW F800GS

72

@Brasil, Joana Sarmento “Zarpando p’las Américas” @Shetlands, Tiago Figueiredo

44

Proprietário e editor

FAST LANE - Media e Eventos, Lda.

Administração, Redacção e Publicidade:

Yamaha XT600E @África, Rui Nuno

Impressão e acabamento:

Fernandes e Terceiro, S.A. Rua Nossa Senhora da Conceição, 7, 2794-014 Carnaxide

Sym Fiddle 150

Royal Enfield 500 Bullet Machismo @Índia, Gonçalo Luz

Honda NX4 Falcon

@Perú André Braz; Fátima Ropero

63

22

Honda VFR Xrunner

Raio-X, Hugo Ramos

Periodicidade Quadrimestral (3x por ano)

Yamaha MT09 Tracer Raio-X, Hugo Ramos

20

12

Todos os direitos reservados de reprodução fotográfica ou escrita para todos os países.

BMW F700GS

@Japão, Marrocos

37 Alicia Sornosa

Estatuto Editorial TREVL é uma revista lúdica e informativa sobre a temática do motociclismo nas suas vertentes de lazer, mobilidade e transporte, desportiva, cultural e, especialmente, turística. TREVL dará especial relevo ao rigor da escrita e à componente artística do desenho gráfico e da fotografia. TREVL empenhar-se-á num jornalismo apaixonado e comprometido com a temática que é seu objecto. TREVL é independente do poder político, económico e de quaisquer grupos de pressão. TREVL defende e respeita o pluralismo de opinião sem prejuízo de assumir as suas próprias posições. TREVL assumirá uma postura formativa. TREVL respeita os direitos e deveres constitucionais da

@Brasil, Bruno Andrez “Zarpando p’las Américas”

@Egipto João Rebelo Martins 55

Distribuição:

VASP – Distribuidora de Publicações, Lda. Quinta do Grajal – Venda Seca, 2739-511 Agualva-Cacém

BMW R1200GS

6

65

Rua Vitor Hugo, 4D 1000-294 Lisboa Telefone: (+351) 218 650 244

Depósito Legal: 357231/13 ISSN: 2182-8911

Por vezes apetece saber mais sobre um assunto, destino ou personagem. Quando vir este símbolo quisemos convidá-lo a seguir esse apelo.

Honda Africa Twin

@América do Sul Paulo Sadio

85


“A Dama Antiga”

@Portugal, Goa, Japão Alicia Sornosa “Com a sesta a ameaçar fechar-me os olhos na sombra do sol de Espanha, recordo a comida, a costa e as

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conversas de Portugal, sentidas também com força junto das suas anciãs amigas Índia e Japão.”

“Um brinde no nevoeiro”

@Ladakh, Índia Gonçalo Luz

“4L”

@Dadès, Marrocos Rita Tavares Romão “Para fazer de moto o percurso fora de estrada, seguindo trilhos demarcados por entre os vales, há duas coisas que só

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“Shaqti enche agora os copos. Pelas portas encostadas da ante-câmara, entra o sacerdote da aldeia que todos os dias ao

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Fotos de viajantes

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“Aroma a Jazmin”

anoitecer sobe os degraus até ao topo da torre para realizar uma cerimónia de fogo dedicada à Deusa.”

@Turquia, Nepal, América do Sul

do acotarescrita

@Egipto João Rebelo Martins

Revis uguês. t em Por ÃO foi N , o g o L ordo do o ac a t p o d a fico. or tográ

50

atrapalham: as malas e a pendura. Não fora eu uma senhora, e o Miguel um cavalheiro, e poderia dizer-se que éramos peso a mais.”

“The Americas: Top2Bottom” @E.U.A. Jorge Serpa

56

65

“IncaRível”

@Peru André Braz, Fátima Ropero

“[...] são recebidos de forma calorosa por algumas crianças. Como é diferente chegar a uma

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“Do Lado Esquerdo da Estrada”

@Shetlands, Highlands (UK) Tiago Figueiredo

“Acordo com uma pressão no meu ombro esquerdo. Entreabro os olhos. Um vulto está debruçado sobre a

povoação de mota. As pessoas sabem que não se lhes pode dar boleia, não se lhes pode comprar nada. “

“Rahmente único”

@Egipto, por João Rebelo Martins

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minha cama. A mão direita traz uma taça de vinho. Da boca sopra um cheiro azedo a destilaria.”

“A taberna do Baleeiro”

@Pescadero, Califórnia Jorge Serpa

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“SudAmerica”: 2013 @América do Sul Paulo Sadio

“Fomos abordados pela Polícia, fortemente armados. Reuniram todos no convés e, após terem revistado o

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barco, levaram 2 passageiros, suspeitos de terem morto à facada um professor em Porto Velho.”

Índice de Destinos 5

página


36


Contacto

A Dama Antiga

O

caminho ao longo da costa revela o grande Oceano Atlântico e estivera comigo desde que comecei no Norte. Ali estava. Era bonita, de figura alongada. Sigo-lhe a costa onde centenas lhe penteiam os cabelos com as suas pranchas de surf. Uma dama antiga, bonita de feições, sábia. A moto leva-me, curva após curva, numa terra que o mar golpeia sem descanso. Molda-lhe a silhueta que recordo das aulas de geografia em miúda na escola. Portugal sempre havia estado ali, parte da península onde vivi, a sábia que ninguém escuta. Morena, as casas coloridas contrastam com as madeixas cinza que o mar pintara no Norte. Ao seu lado sempre teve por companhia grandes embarcações. Falam-lhe de conquistas maiores em distantes lugares e confessam-lhe como muitos não voltaram. Pergunto-lhe pelos filhos corajosos aventureiros que vira partir há centenas de anos. Aqueles que partiram para ver outros mundos, outras damas e mares em tempos de conquistas. Responde-me com os gestos das curvas e envolve-me no calor que as estradas para Sul me trazem desde o Porto a Lisboa, para parar no Estoril onde se lhe secam os olhos depois da chuva do Norte. Acompanharam-me as praias de areia dourada esculpidas na pedra das falésias. Quis saber mais e continuei à conversa pelos montes. Cantou-me em versos as canções de desamores e dos tristes fados. Adormeço embalada, aninhada nas paredes de um Castelo quase deserto, rodeado de gentes que

lhe cultivam as terras. De manhã acordou-me o aroma do café negro, servido em doses concentradas de energia. Retomamos a conversa, entre gentes educadas e corteses, irmãos de terra e amigos de alma. O motor continuou rugindo pelos caminhos para Sul, até que atinjo o Alentejo, o interior caiado de branco. Invejo-lhe a figura, quando me recordo da minha Espanha desfigurada por tijolos e asfalto. E pensando nela, Portugal, perguntolhe com a frontalidade de uma mulher para outra: “Como consegues estar tão bonita nessa idade?” Responde-me olhando a espuma da rebentação do mar por todo o Algarve, apontando os faróis costeiros e a ternura dos filhos que vivem nela, que a estimam como ninguém. Portugal recebera-me bem, demasiado porventura, com as suas gentes singulares.

Passadas no Mundo

Na minha viagem de Volta ao Mundo apercebi-me que também ela por lá estivera. No percurso que fiz, dois marcaram-me especialmente. O primeiro é a Velha Goa, nobreza distante, capital do império a Oriente em 1510. Daí para chegar ao segundo é preciso fazer-se ao mar desconhecido então nos anos de 1542, quando desembarcava Portugal na ilha japonesa de Honsu, para assentar em Tanegashima. Imaginando Portugal ansiosa por notícias da velha amiga indiana, fantasio a conversa: “Na bela Índia, dama colorida de sari brilhante entre cultivos de arroz, como se lembram hoje de mim?” Responde lembrando o tesouro na costa poente, ornamentada de igrejas em povoações que lembram

São as gentes desta Terra, Portugal, que também já deram voltas ao Mundo. Ouvir Marisa na emocionante actuação ao vivo acompanha bem as palavras de Alicia.

Por ocasião do 4º aniversário do BMW Motorrad Fans, Alicia é convidada de honra e junta-se à celebração. Traz como oferendas as histórias que recolheu na sua viagem à volta do Mundo e um sorriso que lhe abriu as portas por toda a parte. Sentindo que é uma mulher que aceita os desafios e cresce com eles, a TREVL convida-a a imaginar como seria uma conversa com Portugal se fora uma personagem, e como por esse mundo fora, se recordam dela. De Ela, sim, porque para Alicia Portugal é uma mulher, forte, sábia e que, como ela, sabe a força de um sorriso.

37


Contacto

4

L

Rita Tavares Romão

S

ão muitas as estradas que ligam as Gorges du Dadès a Tinghir. A mais comum e fácil desde Boulmane é a N10, que deve a beleza aos planaltos ocre pintados no horizonte. Para fazer de moto o percurso fora de estrada, seguindo trilhos demarcados por entre os vales, há duas coisas que só atrapalham: as malas e a pendura. Não fora eu uma senhora, e o Miguel um cavalheiro, e poderia dizerse que éramos peso a mais. Je suis “Chez Pierre”, o nosso hotel junto à pequena cidade de Boulmane no final do vale do Dadès. À porta do

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quarto ficam as 3 malas de viagem da R1200GS, o meu capacete e blusão. Decidira aliviar a moto e opto por chegar a Tinghir de táxi. E, por aqui, os táxis são marroquinos, consta. Na minha ocidental ingenuidade, entendi que, havendo táxis, haveria uma alternativa para mim. O hotel já me havia conquistado pela simpatia, numa localização com vista sobre o vale e a comida marroquina. Desço à recepção do “Chez Pierre” e peço um táxi para o dia seguinte. Depois de negociar o preço e confirmar as horas, imagino um jipe preto, como aqueles que se avistava frequentemente, na estrada, com turistas.


Il faut aller

A manhã acorda no Reino de Marrocos e, como uma construção de adobe nas primeiras chuvas fortes no Atlas, desmoronam-se os planos da véspera. Acordo com um “Il fault aller”: a hora marcada havia sido antecipada. Do jipe preto não havia sinal. Desde a porta do hotel apenas se avista uma Renault 4L, tão nova quanto eu, mas pior conservada. Mergulho a cabeça na janela aberta e descubro um condutor vagamente familiar. Sob um chapéu preto, o nosso olhar centra-se no seu farto bigode negro, aparado com aprumo, bem no centro da cara morena. Por momentos lembra-me o nosso Vitorino, cantor. Não estamos sozinhos no carro. No banco do meio senta-se um rapaz novo. Antes que me aperceba, as malas da mota e o meu equipamento já estão na parte traseira da velha Renault, envelhecida no exercício das nobres funções de táxi comunitário.

Pas de problème

A bordo fala-se muito, sempre em árabe. O motorista, sentindo-me algo inquieta, dedica-me um sorriso ocasional, e, como que tranquilizandome, repetia “pas de problème, Madame… pas de problème”. Não teríamos percorrido 5 km quando parámos. A burca que veste, revela apenas o olhar do que me parece ser uma rapariga nova. Entrou pela porta de trás e, por assento, adopta uma das malas da mota. Apesar de achar que o seu peso

4L (Boulmane) ma selfie na U

não estava a dar anos de vida à mala, não encontrei a coragem para mencionar algo. Começa uma discussão a bordo, que apenas termina com o condutor resignado a dar meia volta. “Pourquoi, pourquoi on tourne?” pergunto-lhe, incrédula. “Vitorino” procura encontrar na voz a tranquilidade que lhe faltara na conversa em árabe com os demais: “Parce qu’ il fault chercher la dame por aller au médicin”. Aos 4 companheiros de viagem juntarse-ia “La dame”, uma senhora de meia idade. Trazia com ela uma seringa como quem se esforça por confirmar a ida ao médico. Mordo o lábio e guardo para mim a preocupação quando percebo que escolhera a segunda mala da GS como assento. Invertemos a marcha para retomar a direcção inicial na estrada. Entretenho-me nos tons esverdeados que irrompem no vale ocre. Ainda estamos nas imediações de Boulmane. Descubro, num descampado de trilhos desafiantes, outras motos em movimento, com as montanhas em fundo. Deduzi que seriam do “Raid de l’Amitié”, confirmando mais tarde que assim era. Continua animada a conversa. O condutor confessa-se “en retard”. Sentada ao lado dele, sinto a mão de “la Dame” no ombro. Insiste em mostrarme a bula do medicamento. Aponta-me com os olhos o papel para que o leia. Recuso sorrindo, por não saber ler a posologia. Em jeito de desculpa, segurolhe as mãos nas minhas. Desviamo-nos da estrada e seguimos agora num trilho pouco diferente do percurso do pelotão do Raid de há pouco. Inclinação a pique, sem alcatrão e piso onde nascem crateras que nos obrigam a desviar constantemente. De quando em onde, avistam-se casas isoladas. É numas dessas que deixamos a paciente sair. O motorista explica: “ici le médecin”. Todos os passageiros me agradecem, como se eu fosse o próprio “médecin”. Resolvo sair para amparar “la dame” desde o carro até à entrada. Despeço-me. A gratidão é evidente no seu olhar, e regresso ao interior do táxi com a sensação calorosa de

Os táxis comunitários em Marrocos são uma constante em qualquer parte do Reino. Os modelos mais frequentes parecem ser todos antigos: Mercedes, Peugeot ou Transit. Preferemnos por permitirem autonomia na manutenção e reparação mecânica, sem envolver eletrónica complicada. Reconhecemos estas razões quando falamos com viajantes de moto de longo curso em autonomia. O funcionamento é simples: se tiver lugar apanha quem precisa pelo caminho, seja em pista ou estrada. A rota, essa é adaptada e muda tantas vezes quanto necessário pra acomodar os novos clientes. A hora de chegada é flexível. É espantoso como são uma opção de baixo custo e eficiente.

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Curtinhas

parte

II Americas The

É território de teimosos, crentes que a promessa de paisagens e reclusão suavizará as dores que o caminho infligira no corpo. Jorge Serpa

S

t. George é um pequeno ponto no grande estado de Utah, bem lá no canto sudoeste. Fica no meio do nada, se o “Nada” for o epicentro de vários parques nacionais., como aquele que conhecemos por Grand Canyon National Park. No Maritime National Historic Park em San Francisco, um ranger do parque explica-me tudo sobre aquelas embarcações com nomes portugueses: são baleeiros. Mais tarde cedo ao roteiro turístico: curvo na torcida rua de Lombard Street, reencarno James Stewart em Fort Point no filme “Vertigo” de Hitchcock. Escapa-me Alcatraz cujas reservas apenas se conseguem com semanas de antecedência. Almoço no Duarte’s Tavern em Pescadero onde descendentes açorianos honram a cozinha portuguesa, colocando-a nos píncaros. Tim Duarte assegura o legado, já na 4ª geração de Duartes.

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Big Sur, Califórnia

Para chegar a Morro Bay fizera a ligação desde San Francisco pela costa. O Big Sur californiano, em especial a ligação entre Monterey e San Simeon é de um campeonato à parte. As encostas da cadeia montanhosa de Santa Lúcia despenham-se lá bem em baixo no mar, forradas com vegetação densa, recortadas por ribeiros. Na água entrevêem-se as caudas de baleia e em Ragged Point os elefantes-marinhos na praia aproveitam os raios de Sol. Não se vê muita gente por aqui e até pouco antes da WWII era inacessível . Hoje um pequeno troço da CA-1 atravessa-a para revelar as vistas costeiras ao longo de um traçado que a catapultou para a ribalta.

Alentejo na Califórnia

Quando se deixa a costa mergulhamos no interior californiano, encaixado entre o mar e a primeira linha de Sierras. São inúmeras as paisagens que lembram o nosso Alentejo.


A 1ª parte da América do Norte (a verde no mapa) foi publicada na edição anterior. A preto seguimos a rota do Jorge na fase final antes de meter a moto no barco em Baltimore rumo ao Chile, com 25.5mil kms a mais no odómetro.

Deadhorse

Mar de Bering

Wiseman

Alaska (EUA)

Fairbanks

Whittier Golfo do Alaska Canadá

Hudson Bay

Edmonton

OCEANO PACÍFICO

Bellingham

OCEANO Atlântico

Estados Unidos da América Washington DC 2 5 5 0 0 kms

Baltimore

Yellowstone N.P.

Grand Canyon N.P.

St. George 1 6 7 0 0 kms

San Francisco Las Vegas 1 5 0 0 0 kms Los Angeles Death Valley San Diego

Santiago, CHILE River Ridge 2 3 3 0 0 kms

Tijuana, MEXICO

New Orleans Cuba

México Mar das Caraíbas

Mexico City

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Magníficos estradões de terra na região de Arequipa são um paraíso para motas de Trail.


Em viagem

Inca-rível

“La flor de la canela” interpretada por Caetano Veloso. A música original é da cantora peruana Chabuca Granda, em homenagem a uma amiga limeña nos anos 50.

André Braz, Fátima Ropero (TREVLers)

O

voo do Condor é majestoso. No entanto, é daqueles bichos que de perto, parados, são tão feios que até dói. Quando abrem as suas enormes asas e começam a planar, fazem esquecer a sua fealdade e passa-se a sentir em câmara lenta. Depois de alguns minutos a olhar para o ar, boca involuntariamente aberta, a Fátima e o André começam de novo a fervilhar. O que será que se segue?

Sob as asas do condor

Voltam aos estradões de terra ao longo do vale do rio Colca. O sol brilha com força por cima dos Andes e a tranquilidade de não haver mais veículos motorizados ajuda a pensar. À medida que se vão afastando do ponto turístico – onde a meia centena de pessoas que por lá havia continua, ainda de boca aberta e olhos no céu, à espera do toque de recolher para voltar à carrinha que os levou até lá – o Condor dá-lhes que pensar: transição que faz de animal feio, que em boa verdade é um abutre, para o animal belo e altivo que têm no imaginário, não deixa de ser uma metáfora interessante... E é por estas e por outras divagações que saem definitivamente dos estradões e, por caminhos fora-deestrada, vão descobrindo outros pontos de vista sobre o canyon, em miradouros naturais extremamente vertiginosos. O som do vento ecoa nas enormes paredes naturais andinas. Observam as pequenas povoações

que, a mais 4.000m de altitude, sobrevivem às hostilidades naturais. O único acesso a elas é feito, a passo lento mas determinado, por caminhos milenares em acentuados ziguezagues. Sentem-se pequenos, minúsculos e insignificantes mas privilegiados e satisfeitos por ali estarem.

De mota, com ovo a cavalo

À aldeia de Cabanaconde chegam praticamente já sem gasolina. É lá que aprendem que o facto de não haver nenhuma bomba de gasolina nas duas ou três ruas que compõem esta aldeia não quer dizer que não haja onde abastecer. Uma das características de viajar de mota, em oposição a viajar de carro, é a forma como se é recebido pelos locais. Talvez por ser fisicamente mais exigente, ou por não haver barreiras físicas entre o viajante e o local é-se recebido na grande maioria dos casos de forma respeitosa, e facilmente se estabelece uma relação de confiança mútua. Foi assim que, apesar de não falarem a língua local, rapidamente um velhinho foi chamado para lhes abrir umas portas de metal que escondiam uma pequena loja onde havia de tudo quanto era preciso por aquelas bandas. Com um cântaro de metal, também ele velhinho, lá foi enchendo os depósitos das motas com um sorriso daqueles que nos ficam marcados para sempre. Da panóplia de produtos expostos na loja lá se decidiram pelo que acharam mais indispensável: uns sacos de plástico grandes para usarem como impermeáveis. Valiosíssimos.

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Em viagem

do lado

Esquerdo da estrada Tiago Figueiredo (TREVLer)

A

s belezas da estrada que atravessa de um lado ao outro a costa norte de Norfolk desaparecem aos olhos do viajante inexperiente que apanha a primeira chuva ao fim de duas semanas de uma viagem de mota. Os dias de sol de um verão que se deixou ficar mais de um mês para lá do que o calendário anunciava acabaram abruptamente nesta manhã, encontrando-me demasiado acomodado ao conforto da temperatura e à sensação de leveza de uma estrada seca. Por baixo do casaco tenho apenas uma t-shirt, até aí mais do que suficiente para fazer os quase 2.400km de Lisboa a Sheringham. Ao ritmo de cada gota que me entra pelo pescoço e me encharca os punhos, cresce a estranha sensação de estar finalmente a começar a viagem que projectara, procurando condições meteorológicas mais extremas. O cinzento escuro do céu avisa-me que não é um aguaceiro fugaz. Páro a mota, tiro da mala o impermeável e troco as luvas. As paragens previstas ao longo da costa vão sendo riscadas das boas intenções desse dia. As vilas

72

piscatórias, os moínhos históricos, as colónias de focas, as falésias escavadas pelo mar, os campos de alfazema. Todas as razões que me levaram a fazer o desvio para leste na subida ao norte da Grã-Bretanha tornam-se irrelevantes quando se veste apenas uma t-shirt por baixo do casaco e do impermeável e se tem uma incessante chuva fria como parceira de caminho. Em vez da viagem prazenteira e saboreada dos dias anteriores, experimento agora uma necessidade prática de fazer sem detalhe os cerca de 250km de caminho até à pousada. A paragem em Hunstanton, apenas 60km depois da partida, é feita em estado de choque. Entro num pub à beira-mar, peço um café americano e fico dez minutos agarrado à chávena a aquecer os dedos. A experiência do viajante é ganha à custa do próprio sacrifício, pelas provações do percurso e do que os deuses lhe vão reservando. Chego a Beverley sete horas depois. Insisto em fazer o trajecto por estradas nacionais, apesar da chuva não parar. Pelo meio fica uma tentativa gorada de encontrar uma pousada da juventude e algum pub para me aquecer e recuperar energias. Avisto um café, onde tento secar

Espanha, Inglaterra, Escócia, Irlanda Tiago escolheu os meses mais duros para apontar a Norte, na sua primeira viagem de moto. Destino: Reino Unido até às Ilhas Shetlands. A chuva e o frio

seriam no final apenas alguns dos desafios. A solidão e a falta de Sol, essas sim, tornaram-se as suas companheiras, caprichosas e de humores.


as luvas num aquecedor, enquanto volto a usar uma chávena de chá para recuperar a circulação nas mãos. Ao mesmo tempo que eu, chegam à pousada quatro caminhantes. Todos a rondar os 50 anos, percorrem o pátio do antigo mosteiro em fila indiana, com passo determinado e enérgico como se tivessem começado agora a jornada e sem a desaceleração normal de quem chega. Vestem calções, meias de lã até ao joelho e botas. Trazem casacos impermeáveis. Estacam à porta segundos antes de mim.

Pergunto se já tocaram à campaínha, com dificuldade em articular as palavras com o frio que me paralisa. - “A pousada abre às cinco, faltam dois minutos”, responde um deles. A porta abre e o zelador dá-nos as boas vindas. - “Quem é o primeiro a inscrever-se?”, pergunta. - “Atenda este jovem, está mais necessitado que nós”, responde um dos caminhantes. A chuva teve consequências: apanhei uma gripe que levei comigo até

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84


Em viagem

Twin &Solo 2013

America

Paulo Sadio Jorge (TREVLer)

Brasil, Argentina, Paraguai, Venezuela

D 1

epois do vôo na TAP até Porto Alegre “peguei um ônibus” para Santana do Livramento onde me juntava ao Luís Lourenço. Já desde há alguns dias que estava junto das motos, na casa do Marcelo Mena, volvido mais de um ano desde que as largaramos aí, apesar de legalmente as motos ainda estarem no Uruguai. No calendário marcava 24 de Outubro. Estávamos prontos para reatar a viagem. Partíamos os 3 até à fronteira com a Argentina, onde o Marcelo nos deixaria, para prosseguirmos até à Venezuela. Precisou de apenas alguns metros para que a mota do Luís começasse a falhar. Passou-se um dia numa oficina Honda, onde depois de desmontarem o motor da Africa Twin, resolvem o problema na injecção de combustível (câmara de combustão). O tratamento pela Honda foi excepcional. 4 Provara-se outra vez que há vantagem em viajar em motas com concessionários por toda a parte.

Um veículo estrangeiro só pode permanecer 90 dias no Brasil. No Uruguai o limite é um ano.

Percorremos 300km nas planícies do Rio Grande do Sul para chegar às ruinas Jesuítas-Guaranis de São Miguel das Missões. Encontramos grandes fazendas com culturas de cereais e rebanhos de vacas e cabras. Decidiramos passar a noite e

85


Destinos

Índice

de

Viagens

Conheça aqui quais os destinos de viagem de moto sobre os quais já publicámos, tanto na TREVL como na REV. Cada entrada nas

Açores 12

Na terra do Anticiclone, o verde domina apenas intercalado pelo azul das lagoas. O tempo é instável e incerto, mas nada que um bom impermeável não resolva.“É difícil errar na escolha dos caminhos em Açores.”

3

Batalha, Leiria, Marinha Grande, Ourém e Porto de Mós foi a escolha do projecto “Pela Estrada Fora” para que não se esqueça este Portugal. “Em pleno areal improvisam a lota e cercam o peixe como se fossem gaivotas.”

3

Numa viagem numa R1200GS com a MotoXplorers na sua “Africa Adventure Tour”, percorremos as montanhas de Cederberg, a Cidade do Cabo e o Orange River.

Angola

4

Argélia

1

A II Expedição “Menina da Lua” regressa a este país, para visitar alguns dos locais memoráveis e a hospitalidade que ainda vive em Angola. O José Paulo Matias leva a sua Africa Twin pelo deserto da Argélia em pleno Agosto e as temperaturas quase o cozinham em lume brando: 57ºC.

Botswana

3

Numa viagem numa R1200GS com a MotoXplorers na sua “Africa Adventure Tour”, encontramos o ritmo calmo e compassado numa África segura e com um rumo definido.

Malawi

4

A visita ao Malawi é curta mas deixa memórias nos 4 viajantes da II Expedição “Menina da Lua” depois de se encantarem com o Lago Niassa.

Ásia Índia

6 3 7

5

O deserto do Gobi e o Orkhon Valley, património mundial da UNESCO, levam duas pequenas motos a conhecer porque razão este País é grande em mais de uma forma.

96

Alto Douro

2

De Barca de Alva em pleno Alto Douro ao charme de Vimioso no coração da Terra Fria transmontana, enchemos a vista e a alma. “Degustação e gastronomia fazem parte de um bom passeio”

Serra Algarvia

1

De Sagres a Alcoutim, na serra do Algarve conheça o Algarve onde quase nada está escrito em inglês, nem mesmo os menus do restaurante. “Surpreenda-se com a N124 entre Barranco do Velho e Cachopo.”

Marrocos

6 10 14

Marrocos revela-se nas estrada de montanha do Atlas, nas cidades imperiais, no deserto e zonas costeiras e, assim de tudo, um país cheio de gente afável. “Pare de inventar desculpas: parta já!”

Mauritânia

1 2 14

Não tão longe vão os tempos onde questões de segurança na Mauritânia ditaram que o Paris-Dakar migrasse para as Américas, numa terra que pertence ao deserto. “Não esquecer de levar: água, combustível e bons amigos.”

Moçambique

4

O Matej viaja na sua XT660R atraído pela cena musical de Maputo, entrando pelo Rio Lurio quando todos lhe dizem que não seria possível. Afinal, era. E A II Expedição “Menina da Lua” também se apaixonou por este país.

namíbia

3 4

Provavelmente, as mais longas e melhores autoestradas de terra batida do Mundo.“Encurralado entre o laranja do Soussvlei e o azul do céu.”

quénia

4

Do Tsavo são originários os míticos leões comedores de homens. Talvez por isso o guarda do parque que segue à pendura com o Matej na sua XT660R esteja apavorado e de cabeça perdida.

Não há escola de condução em Portugal que prepare um viajante para o que é rolar no trânsito das estradas asiáticas. É o preço a pagar para viajar por um dos continentes mais enigmáticos.

O Francisco e o Gonçalo viajam pela Índia e cada um conta uma história diferente, partilhando o fascínio pela cultura hindu e o encanto hipnotizante dos Himalaias. Ambos numa Royal Enfield Bullet, uma moto fabricada hoje com um desenho dos anos 50.

Mongólia

experiência mais interactiva com visualização sobre o Mapa Mundi, sugerimos visitar o nosso site na secção “TREVL no Mundo”.

Serra da Arrábida

1

Num dia limpo a costa alentejana adivinha-se em cada curva junto às antenas. Lá em baixo, a baía do Portinho da Arrábida desenha-se em estradas e mergulhos na praia. “Curvas, paisagem, peixo fresco e banhos.”

Tejo dos castelinhos

1

Seguir o Tejo desde Castelo de Bode, passando por Constância, Almourol e a Golegã, depois de um almoço de abades em Tomar. “ Há uma estradinha que desce a jusante da barragem de Castelo de Bode até bem lá abaixo.”

A palavra África pode derivar do Grego aphrike que significa “O oposto de Frio e Terror”. É imediato associar Calor a África, mas está longe de ser uma terra livre do Terror. E isso faz os viajantes que atrai, sentirem-se aventureiros.

África África do sul

descrevendo o tipo e conteúdo do artigo. Os destinos cobertos nesta edição estão destacados com um fundo amarelo. Para uma

Não fica longe e tem muito para ver. Entre estradas de serra a marginais recortando a costa, há muito para escolher.

PORTUGAL

ALTa estremadura

tabelas seguintes tem a indicação de qual o número onde foi publicada (a amarelo na TREVL, a azul na REV), junto a um pequeno texto

Nepal - Kathmandu valley

4

Com a FreeSpirit Adventures viajamos numa Royal Enfield pelo vale de Kathmandu, onde as estradas desafiam a integridade física da moto indiana, apenas para chegar lá bem acima e espreitar o Everest, ou descer até à selva e subir para cima de um elefante no meio de rinocerontes brancos.

Vietname

9

Num país onde 95% dos veículos registados no Vietname são motociclos, só pode ser um bom destino para viajar de moto, certo? “Escolha uma moto pequena e ágil e muita calma.”

Sahara Ocidental

1 14

Um destino que é injustamente visto muitas vezes como uma travessia a caminho do Sul, da Mauritania, Senegal, Guiné…“Plage Blanche… … não preciso dizer mais nada, certo?”

São Tomé e Príncipe

5

Num pequeno arquipélago esconde-se uma beleza que se pensa perdida, num país onde a influência portuguesa é forte e recordada com saudade.

SENEGAL (DAKAR)

2

O nome Dakar vive há muito tempo no imaginário do aventureiro de moto. Mais do que de areia, é feita de sonhos. “Vai haver areia”

SUDÃO

2

O viajante e autor de vários livros Sam Manicom conta-nos um dos episódios durante a sua travessia do Sudão, aos comandos da sua boxer antiga.

Victoria falls

3 4

Um cenário único algo comprometido pela ávida procura do negócio.“$140 cada actividade, $25 o souvenir”

Zâmbia

4

Água, muita água, quer seja no Zambeze e Victoria Falls ou na estrada a cair do céu: nada disto impede os 4 viajantes da “Menina da Lua” de se enamorarem desta parte da Antiga Rodésia.

Oceânia

Overlander que se preze tem de ter este continente no arsenal, mesmo nas antípodas de Portugal

Austrália

7

Uma terra imensa de contraste cultural e paisagístico. Uma riqueza e variedade que é difícil igualar em qualquer outra parte do planeta.“Great Ocean Road e Kangaroo Island”


Entre as muitas teorias, preferimos uma onde Europa significa Terra da Vista Ampla, do grego eurus. Faz-nos sentir que há muito para percorrer no velho continente.

Europa Alpes

1 2

(Aústria-França-Itália-Suiça) Desde a Route Napóleon até aos mais altos Pass de montanha (Stelvio, Grand-Saint Bernard, Saint Gottard) a densidade de motos não engana: é aqui. “Os Alpes são uma caixa de chocolates; cada curva deve ser degustada.”

balcãs

3

Uma Europa que não parece a nossa, cravejada pela guerra e probreza, mas rica na história.

Calmúquia (rússia)

3

Um povo duro que mantém as distâncias, encurtadas apenas por uma garrafa de vodka. “Cada condutor é um acidente à espera de acontecer.”

Córsega

1

Mare i Monti numa ilha onde só há estradas boas, entre as costeiras e as serranas. Boa comida, hospitalidade e praias para repousar da condução. “Não perder a D84 que liga a vila costeira de Porto a Aitone bem no meio da Serra, passando por Evisa.”

Escócia

6 5 1 12

Se conduzir debaixo de uma chuva ocasional não é problema, a Escócia é um paraíso para andar de moto. Os 3 dias de distância começam a tornar apelativo optar pelo Fly&Ride. “Para um escocês, um impermeável é considerado um casaco de Verão!”

Espanha

4

(Ruta de la Plata) Entre Hérvas e Carmona, revelam-se as estradas de serra e as tapas de final de dia, para terminar o dia num dos magníficos Paradores de España.

América central-Sul Belize

5

Espanha

1 5

2

Brecon Beacons e Snowdonia estão pejados de estradas para rolar, e florestas para explorar. “Encontre palavras de origem celta que não diferentes das nossas”

Inglaterra

6 2

Tiago escolhe os meses frios do Inverno para atravessar a Inglaterra numa F800GS.

Irlanda

2

Reencontrar a memória celta num país pintado a verde, onde pinceladas cinza de mestre desenham estradas feitas para andar de moto.“Leve o equipamento de caminhada. Relaxe num pub e soltese em cantorias.”

Islândia

5

(Toscânia) “As grandes viagens são feitas de coisas pequenas. Como a pequena vespa que olha o horizonte e deseja ir para além do prado que já conhece. Destino: Toscânia”

KOSOVO

(picos de europa) As estradas e paisagens dos Picos de Europa são demasiado boas para não fazer parte do roteiro da vida de um viajante de motos. “Levar equipamento de caminhada.”

Gales

Itália

1 3

Nos curtos meses que o gelo aceita visitantes, a Islândia deslumbra entre cascatas, glaciares, geisers e lagoas quentes. “Não há muito sítios onde se recomenda levar umas luvas quentinhas e um fato de banho.”

2

Na terra onde os portugueses da KFOR mantiveram a paz, descubra as serras e vales selvagens. “Levar pneus para uma ou outra picada pelas serras”

Noruega

1 8

Pirinéus

5 1

O Cabo Norte é daquelas coisas que parecem estar ali só para desinquietar os viajantes de moto. Se há um cabo, é para ir lá de moto.“Sabia que nos ferries da Noruega as motos não pagam? É de aproveitar.”

(Andorra, Espanha, França) As estradas de montanha normalmente não desiludem entre curvas, passos e amplas vistas. Juntar a isto 3 idiomas diferentes e sentimos que viajámos para longe.“Tourmalet, Somport, Col d’Aubisque e Col de Peyresourde deviam ser carimbos no seu passaporte.”

SÉRVIA

2

Talvez o que mais impressione em toda a exJugoslávia é a proximidade do conflito e quão semelhantes estes povos são aos demais europeus.”

TURQUIA

2

Um gigante híbrido, euro-asiático, que desperta para o turismo a passos largos. É uma corrida contra o tempo. “Para o ano pode ser demasiado tarde”

6 4

Colômbia

4 5

Os tempos duros dos cartéis e violência parecem esvanecer-se enquanto Paulo percorre desde o ponto mais a Norte da América do Sul, Punta Gallinas, até “Nueva Granada” (Bogotá) e as maravilhas de Medellin.

panamá

5

A travessia do Darien Gap tornou-se um negócio para os capitães de veleiros entre o Panamá e a Colômbia. Carlos viaja num catamaran com a sua DR a bordo.

Patagonia (Argentina)

4 13

Paulo percebe as virtudes de ouvir os conselhos de quem já viveu os locais que visita. Entra no país das Pampas de ferry num lago fascinante desde Puerto Fuy.

Rodeado da beleza da Costa Rica, Carlos tem uma epifânia e interioriza a sorte que tem por estar ali, a aviajar de moto.

De há algum tempo para cá tornou-se sinónimo de aventura, imortalizada em livro do Chatwin ou Theroux. É um destino clássico para o viajante de moto também. “Não gosta de conduzir com vento forte lateral? Err… então é melhor escolher outro”.

Bolívia

El salvador

Paraguai

4 11

A riqueza deste país devia medir-se em beleza natural, sendo um dos mais pobres em termos de PIB. “A segurança tem sido uma preocupação recente das autoridades.”

Salar de uyuni

brasil

6 4

Pela mão de Francisco, Paulo conhece o sul do Brasil tirando partido da acolhedora rede de viajantes “Brazil Riders”. O Zarpando p’las Américas anda apaixonado pelo Brasil, sentindo-se Descobridores.

Chile

4

Aqui, Paulo Sadio percorre o Deserto de Atacama na sua Africa Twin, atravessa o Trópico de Capricórnio, mergulha nas minas de Chuquicamata, visita o Deserto e o Altiplano, a magnificiência dos Vales de la Muerte e de la Luna e os géisers de El Tatio.

América do Norte Alaska (E.U.A.)

costa rica

5

5

A pequena cidade de Sushitoto surpreende Carlos, depois de fazer uma estrada pintada em cones de vulcões.

Equador

4

(Bolívia) O silêncio e o vazio que se estende para lá do que se consegue ver. Onde se pode fechar os olhos e enrolar o punho sem nada temer.

4

O vulcão Pichincha dá as boas vindas a Paulo, enquanto chega a Quito, depois de atravessar desde Norte a linha imaginária que dá o nome ao País.

GUATEMALA

2 5

A violência ainda mantém a Guatemala no grupo de destinos de aventura. Mas a beleza atira-nos para a frente. “Vulcões activos não são raros”

nicarágua

5

Por entre vulcões, Carlos viaja demoradamente até às margens do lago onde Granada levantou os seus edifícios e praças, hoje património da Humanidade.

6

O Paulo emociona-se ao encontrar brasões portugueses em Colonia del Sacramento, perto de Montevideo, longe de Portugal.

Peru

6 5 4

Titicaca, Chachapoyas, Kuélap, Tucume, Punta Parinas, Nazca... e a lista continua e, em cada local, o Paulo deixa cair o queixo um pouco mais. O André e a Fátima trocam a moto pela “totora”.

uruguai

6 4

O Paulo emociona-se ao encontrar brasões portugueses em Colonia del Sacramento, perto de Montevideo, longe de Portugal.

venezuela

4

Com uma vizinhança de respeito, a Venezuela inspira respeito e cautela e surpreende o Paulo no arranque da sua viagem pela América do Sul.

EUA ou Canadá, não há muito mais. Mas entre os dois há fauna que vai dos Alces às cascavéis do deserto.

5

São muitas as estradas do Alaska que enchem as páginas de livros de aventura e de grandes viagens. Entre ursos e alces, muito há para descobrir.

98

5

(Deserto de Bardenas) “Sentado no poial da porta do corral de Sanchicorrota imagina a troca de tiros de mosquetes e arcabuzes e o cheiro da pólvora no ar. Ouve as palavras de inssurreição no derradeiro grito de Sancho, bandolero.”

No continente sul-americano os destinos são de sonho e aventura. Num mercado crescente de empresas de viagem de moto, as opções são inúmeras. Escolher uma é apenas o primeiro dos desafios.

O overlander Carlos Azevedo regressa à América Central com a sua DR600 e encanta-se com as ruínas, os vales verdejantes e, mais que tudo o resto, as pessoas.

argentina

Espanha

Canadá

5

O Jorge atravessa a British Columbia para norte na sua R1200GSA para regressar num dos percursos mais impressionantes para fazer de ferry, junto à costa Oeste canadiana.

E. Unidos América

6 5 7

Um país onde cabem mais de 100x Portugal não se pode resumir numa frase. As míticas estradas que ligam as duas costas são um bom sítio para começar. “A viagem de Costa-a-Costa permite ver um pouco de tudo e não faltam motos para alugar”


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Amostra - TREVL 6 Edição "Primavera 2015"  

Espreite uma selecção desta edição Destinos: Japão, Shetlands, Venezuela, Brasil, USA, Egipto, Índia e muitos outros.

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