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“O emprego dessa ferramenta é uma possibilidade de reciclagem segura, com especial foco nos condutores profissionais”

de motoristas profissionais”

Contribuição direta para um trânsito mais seguro FRANCISCO GARONCE

ão dez horas da noite, saio de São Paulo levando um caminhão com o qual trabalho há anos. Estou com apenas meia carga, o que me garante acelerar até a velocidade máxima permitida do trecho. A noite vai passando, a garoa vai se tornando chuva e sou obrigado a reduzir a velocidade, pois a visibilidade começa a ficar comprometida. De repente, parece que o caminhão ganhou vida e já não responde aos comandos. O giro do volante não muda a direção para a qual estou avançando e pisar no freio já não surte efeito. Demoro a perceber que estou aquaplanando. Acabo girando na pista e colidindo com outro caminhão. Ver a tela reproduzindo o para-brisas quebrado é uma cena marcante. Mas iremos reiniciar o percurso. O instrutor do simulador no qual estou fazendo o treinamento precisa voltar à situação para me mostrar as ações que devo tomar para impedir que esse tipo de acidente volte a acontecer. Há alguns anos, a situação que acabamos de descrever era um dos pesadelos mais temidos pelos motoristas de caminhão, pois, ainda que soubessem, na

S

teoria, quais eram os procedimentos corretos para sair de uma situação complicada, era impossível treinar na prática, com segurança, a saída de uma aquaplanagem. Hoje, o risco de entrar nessa situação continua sendo praticamente o mesmo. Mas a grande diferença está na possibilidade de treinar os motoristas para que possam superar a situação e saiam ilesos, com o apoio dos simuladores veiculares. Devo admitir que sou um entusiasta no assunto. Mas isso não se dá apenas pelo aspecto teórico que fundamenta essa tecnologia. Além de trabalhar com desenvolvimento de sistemas educativos on-line e de treinamento, sou piloto de aeronaves a jato e de helicóptero, o que fez do simulador um elemento marcante na minha vida. A simulação com objetivo pedagógico envolve uma combinação de ciência, tecnologia e arte para criar uma realidade que permita o treinamento de todas as situações, desde as mais básicas, que sedimentam o conhecimento teórico, até as mais complexas e arriscadas. Para os futuros condutores, a obtenção da primeira CNH exige um míni-

mo de 5 horas/aula em simuladores. O emprego dessa ferramenta educativa é um avanço para nossos futuros condutores e uma possibilidade de reciclagem segura, com especial foco nos condutores profissionais. Sou um defensor da utilização séria e com sólida base pedagógica dos simuladores veiculares de direção, pois tenho a convicção de que esta tecnologia ainda tem muito a evoluir e elevar, ainda mais, a qualidade dos treinamentos de todos os condutores no Brasil. Enxergo nesta tecnologia um dos pilares da ponte que irá nos conduzir a um futuro no qual o trânsito será mais seguro e, assim, teremos cada vez menos acidentes, menos feridos, menos mortos. Teremos mães e pais de família voltando vivos para suas casas no final de cada dia, mantendo suas capacidades produtivas e ajudando a construir a riqueza do nosso país. Teremos filhos voltando vivos para suas casas no final de cada dia, íntegros, garantindo uma nova geração que será capaz de levar adiante este legado de segurança no trânsito, cujo objetivo final é salvar vidas.

FRANCISCO GARONCE Coordenador-geral de qualificação do fator humano no trânsito do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito)

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Infraestrutura para crescer  

Investimento em infraestrutura de transporte é a chave para a retomada do desenvolvimento econômico do Brasil

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