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EDIÇÃO INFORMATIVA DA CNT

CNT

ANO XVIII NÚMERO 202 JULHO 2012

T R A N S PO R T E A T U A L

Muito por fazer Balanço dos 4 anos da Lei Seca mostra avanços no comportamento dos motoristas, porém ainda há quem admita beber e dirigir

ANDERSON CORREIA, PROFESSOR DO ITA, ANALISA O SETOR AÉREO


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CNT

REPORTAGEM DE CAPA O balanço dos 4 anos da Lei Seca, completados em junho, mostra avanços no comportamento dos motoristas, mas ainda há muito o que fazer. Especialistas apontam medidas para tornar a legislação mais eficiente Página 24

TRANSPORTE ATUAL ANO XVIII | NÚMERO 202 | JULHO 2012

ENTREVISTA

Anderson Correia, professor do ITA, analisa os aeroportos PÁGINA

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MEDALHA JK • CNT faz entrega da Ordem do Mérito do Transporte a personalidades do setor que se destacaram durante o ano de 2011

CAPA istockphoto

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TAXISTA NOTA 10

AVIAÇÃO

EDIÇÃO INFORMATIVA DA CNT CONSELHO EDITORIAL Bernardino Rios Pim Bruno Batista Etevaldo Dias Lucimar Coutinho Tereza Pantoja Virgílio Coelho

FALE COM A REDAÇÃO (61) 3315-7000 • imprensa@cnt.org.br SAUS, quadra 1 - Bloco J - entradas 10 e 20 Edifício CNT • 10º andar CEP 70070-010 • Brasília (DF)

Vanessa Amaral [vanessa@sestsenat.org.br] EDITOR-EXECUTIVO Americo Ventura [americoventura@sestsenat.org.br]

Setor privado aguarda Cursos preparam a abertura de novas profissionais para concessões no país receber turistas PÁGINA

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EDITORA RESPONSÁVEL ATUALIZAÇÃO DE ENDEREÇO:

atualizacao@cnt.org.br Publicação da CNT (Confederação Nacional do Transporte), registrada no Cartório do 1º Ofício de Registro Civil das Pessoas Jurídicas do Distrito Federal sob o número 053. Tiragem: 40 mil exemplares

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RODOVIAS

As dificuldades do transporte nas rodovias do Sul

Os conceitos emitidos nos artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da CNT Transporte Atual

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cnt.org.br

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FERROVIAS • Concessionárias desenvolvem vários programas de conscientização para prevenir e reduzir o número de acidentes na malha ferroviária brasileira PÁGINA

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AQUAVIÁRIO

COMANDOS DE SAÚDE

Tecnologia realiza o monitoramento de portos com eficiência

Sest Senat e PRF avaliam a saúde dos motoristas

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MEDALHA JK

E MAIS

A CNT homenageou lideranças do transporte que se destacaram com o trabalho a favor do desenvolvimento do setor em 2011. Elas receberam a Medalha JK Ordem do Mérito do Transporte Brasileiro, honraria concedida há 20 anos pela entidade. Confira, na Agência CNT de Notícias, a galeria de fotos da cerimônia e conheça os agraciados nos graus Grã Cruz, Grande Oficial e Oficial. http://www.cnt.org.br/Paginas/ Agencia_Fotos.aspx?f=35

Programa Despoluir

VÍDEOS SEST SENAT

Seções Alexandre Garcia

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Ações combatem a exploração sexual infanto-juvenil

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Mais Transporte

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Boletins

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PRESERVAÇÃO

Debate

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Opinião

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Cartas

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Dia do Meio Ambiente é lembrado com plantio de árvores

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A Agência CNT tem um canal no Youtube com dezenas de reportagens sobre as principais ações da entidade. Os últimos vídeos destacam como foi a entrega da Medalha JK, a participação dos motoristas no Comandos de Saúde nas Rodovias e a inauguração das unidades do Sest Senat de Luziânia, Lavras, Araxá e Guarulhos. Assista, compartilhe e divulgue: http://www.youtube.com/user/ transportecnt

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Canal de Notícias • Textos, álbuns de fotos, boletins de rádio e matérias em vídeo sobre o setor de transporte no Brasil e no mundo

Escola do Transporte • Conferências, palestras e seminários • Cursos de Aperfeiçoamento • Estudos e pesquisas • Biblioteca do Transporte

Sest Senat • Educação, Saúde, Lazer e Cultura • Notícias das unidades • Conheça o programa de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

O portal disponibiliza todas as edições da revista CNT Transporte Atual

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“A busca pelo transporte individual é uma visão enganosa de que o comprador vai se livrar das agruras do transporte coletivo” ALEXANDRE GARCIA

Gol contra

B

rasília (Alô) - As concessionárias paulistanas que ficaram abertas no fim de semana venderam 2.000 veículos. Quase três vezes o que vinham vendendo nos sábados e domingos. Vendas sem entrada, em 60 prestações de R$ 415. Resultado dos incentivos que o governo deu para as montadoras desovarem seus estoques. Com pátios cheios, falava-se em paralisação da produção, férias coletivas e, a meia-voz, demissões. O Sindicato dos Metalúrgicos – do qual Lula é membro nato – mobilizou-se e não se descarta o dedo do ex-presidente nas medidas adotadas pelo governo: redução do IPI, dos juros, do Imposto sobre Operações Financeiras e bancos oficiais ampliando prazos – tudo para acudir as montadoras. Isso seria atual se estivéssemos no fim dos anos 50, com a política de incentivos à indústria automobilística, promovida pelo presidente Kubitscheck, para estimular a industrialização do país e substituir as importações de veículos. Mas hoje parece loucura estimular o transporte individual. À medida que esvazia o pátio das montadoras, aumenta o congestionamento urbano, onde já não há lugar para estacionar, nem mesmo nas cidades menores. Isso sem falar no crescimento da poluição – bem às vésperas da Conferência do Meio Ambiente Rio+20. Os produtores de álcool combustível estão preocupados, porque já não há combustível suficiente para os veículos existentes. É como uma pessoa obesa, avisada dos perigos da gordura, que se mete a comer mais e mais.

A falta de pagamento dos endividados por compra de automóvel preocupa e vão empurrar com a barriga, sem resolver o problema. Como aos bancos não interessa tomar os veículos, que já estão desvalorizados e não há lugar para guardá-los, a saída foi renegociar as dívidas. Que vão aumentar, porque quem compra carro a R$ 415 por mês, por 60 meses, em geral não sabe quanto vai gastar de combustível, de multas, de oficina, de acidente, de IPVA, de bateria e de pneus novos, isso sem contar as outras prestações que o consumismo desenfreado induz. Dando o passo maior que as pernas, corre-se o risco de rasgar as calças. Os compradores de carro também são grandes pagadores de impostos. No preço de um carro, quase metade é imposto. E só a outra metade é o carro mesmo. Também no combustível vão pagar metade de imposto. Por isso que os carros custam o dobro aqui no Brasil. A busca pelo transporte individual é uma visão enganosa de que o comprador vai se livrar das agruras do transporte coletivo. Nas grandes cidades, apenas vai estar parado no mesmo congestionamento dentro de um carro, e não dentro de um ônibus. Ou o Brasil constrói supervias, como Los Angeles, para poder ter muito carro, ou opta por planejamentos e investimentos maciços em transporte urbano de massa, como metrô e ônibus articulado. Ou mobilidade urbana vai se chamar de paralisia urbana – do país burro que não planeja e tem como esporte favorito não o futebol, mas chegar atrasado quando a bola já está entrando no gol contra.


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“As maiores necessidades estão relacionadas à manutenção de uma movimento previsto. O número de aeroportos é insuficiente e incom ENTREVISTA

ANDERSON RIBEIRO CORREIA - PROFESSOR DO ITA

Faltam aeroportos POR

ais do que investir na melhoria da infraestrutura aeroportuária existente, o Brasil precisa de novos aeroportos. A afirmação é do professor e coordenador do curso de engenharia de infraestrutura aeronáutica do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Anderson Ribeiro Correia. De acordo com ele, como a construção desses locais leva de 5 a 15 anos, em função da necessidade de planejamento, estudos de impacto ambiental, desapropriações, consultas públicas e outros procedimentos, torna-se necessário pensar nesse plano desde já. Doutor em engenharia de transportes pela University of Calgary, do Canadá, Correia foi superintendente de Infraestrutura Aeroportuária da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), entre 2007 e 2009, e presidente da

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LIVIA CEREZOLI

Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo, entre 2006 e 2007. Acompanhe a seguir os principais trechos da entrevista que ele concedeu à CNT Transporte Atual. Quais são os principais gargalos existentes hoje no setor aéreo? Como solucioná-los? As maiores necessidades estão relacionadas à manutenção de uma rede aeroportuária equilibrada e adequada ao movimento previsto. O número de aeroportos com voos regulares é insuficiente e incompatível com o tamanho do país. Serão necessárias vultosas expansões para os aeroportos existentes e também para a construção de novos aeroportos em todo o Brasil. É necessário providenciar acesso adequado aos aeroportos. Os serviços de tráfego aéreo precisam de significativos investimentos em tecnologia e

pessoal para se adaptarem ao futuro da aviação brasileira. Em termos de movimentos de carga, o setor precisa de um banho de desburocratização. Os elevados tempos de liberação são totalmente inadequados para o desenvolvimento de uma cadeia eficiente de suprimentos para a indústria e para o comércio brasileiros. Onde precisamos de novos aeroportos? Guarulhos precisa de uma nova pista urgentemente para se consolidar como um hub internacional. Um novo aeroporto se mostra necessário para São Paulo, tanto para processar voos comerciais mais curtos, de forma a receber o excedente de Congonhas, como para aeronaves executivas. Viracopos, em Campinas, precisa de uma nova pista imediatamente e de uma enorme ampliação dos terminais de passageiros e de car-

gas. É inseguro termos um aeroporto daquele porte sem uma pista alternativa. O Galeão, no Rio de Janeiro, logo precisará de uma terceira pista, caso a demanda futura na cidade cresça no ritmo dos últimos cinco anos. Brasília precisará também de ampliações em longo prazo, e uma terceira pista já seria necessária no final do período de concessão. Há problemas ainda de pistas curtas sem possibilidade de ampliação porque as cidades já engoliram o aeroporto, como em Ilhéus (BA), Vitória da Conquista (BA), Ribeirão Preto (SP), Mossoró (RN), Caxias do Sul (RS), entre outros municípios. Para eles, será necessário pensar em novos locais. Qual o impacto da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 para o setor aéreo no Brasil? A Copa trará um elevado movimento operacional concentrado a


ARQUIVO PESSOAL

rede aeroportuária adequada ao patível com o tamanho do país”

no Brasil uma rede de aeroportos, que já se encontra limitada. Além disso, teremos um número elevado de clientes com uma expectativa de serviço de primeiro mundo, quando nossos aeroportos estão aquém de um padrão de serviço internacional. Os aeroportos não estão preparados tecnologicamente para prevenir ameaças em termos de atos de interferência ilícita. No entanto, como já estamos muito próximos do evento, provavelmente não teremos muitas melhorias significativas até lá. Provavelmente não haverá caos, mas vamos contar com uma situação longe da ideal. O modelo de concessão de aeroportos adotado no país é vantajoso para as empresas, governo e sociedade? A história das privatizações na Europa e na América Latina tem demonstrado alguns problemas,

como atrasos nos investimentos, inadimplência e queda na qualidade de serviço. A fiscalização da Anac deverá ser muito bem trabalhada. Apesar disso, como a agência não tem experiência na regulação econômica de aeroportos, existe um risco para a sociedade. O governo adiou demais a decisão sobre as concessões, e todo o processo acabou ficando um pouco apressado, sem muito planejamento prévio e preparação, seja do governo ou dos operadores. A transição entre a Infraero e as empresas vencedoras, assim como a definição dos papéis dos sócios, até hoje ainda não estão bem resolvidas. O alto preço de compra vai gerar novos impostos para os passageiros? Esse risco é muito alto. Será muito difícil pagar as parcelas do governo, os custos operacionais e

realizar os investimentos necessários. A exploração comercial tem seus limites, em função do perfil dos passageiros e das áreas disponíveis para a construção de novas edificações comerciais. Muito ainda pode ser feito para aumentar a rentabilidade dos aeroportos, mas uma pressão sobre as tarifas aéreas será inevitável. Os ágios não se pagam somente com melhoria da eficiência operacional e comercial, principalmente em Brasília e São Gonçalo do Amarante (aeroporto inteiramente concedido à iniciativa privada e que ainda está sendo construído no Rio Grande do Norte). Nos dois, a lucratividade só poderia ser alcançada com o estabelecimento de um hub internacional (de car-

gas e de passageiros). Para Brasília, isso até poderia ser factível, mas para São Gonçalo, isso dependeria da criação de uma Zona Franca, como a de Manaus (AM), o que não é muito fácil de criar e desenvolver. Para financiar os investimentos em aeroportos menores e menos rentáveis foi criado o Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil). Essa estratégia de captação de recursos é viável? O Fnac, hoje, é parcialmente inviável, pois o governo precisa contar com a colaboração dos Estados e municípios e, infelizmente, não existe prioridade ou expertise nesses locais para construir e operar aeroportos. Na reali-


dade, os Estados que possuem maior expertise são aqueles que já possuem uma malha regional relativamente desenvolvida. Vai levar algumas décadas até que nossas prefeituras e Estados assumam esse serviço com competência. A arrecadação prevista pelo Fundo será suficiente para o financiamento dos aeroportos menores do país? Talvez sim. Porém, a experiência dos últimos dez anos demonstra que boa parte dos recursos do Profaa (Programa Federal de Auxílio a Aeroportos) é devolvida ao Tesouro. Não basta disponibilizar recursos quando não existe uma estrutura logística nos governos para desenvolvimento da infraestrutura. São raros os Estados que possuem departamentos aeroviários, como é o caso de São Paulo. Na maioria, os projetos são desenvolvidos por secretarias de obras ou departamentos de estradas e contam com pouco pessoal qualificado. Além disso, sem uma política clara do governo federal e sem uma definição de prioridades, há o risco de investimentos com critérios políticos. Há aeroportos regionais que investiram em pistas e pátios, mas não têm terminais de passageiros, equipamentos de proteção contra incêndio, auxílios à navegação, balizamento noturno e controle de acesso. Nesses casos, a Anac dificilmente

autorizará voos regulares, por questões de segurança. Qual a importância de investir em aeroportos regionais? Um país com a dimensão e a população do Brasil carece de uma rede de aeroportos para atendimento completo e integral aos seus cidadãos. Essa rede de aeroportos regionais conta com a aquiescência das empresas aéreas, que demonstrou interesse em operálos, caso houvesse infraestrutura, equipamentos e uma gestão profissional. Além disso, com a precariedade de nossas estradas e uma malha ferroviária focada no transporte de commodities, os aeroportos são praticamente a única solução para o transporte de longas distâncias. Em algumas regiões, o cancelamento de voos leva a população a viajar de três a cinco dias de barco para chegar às capitais. Investir nesses locais seria uma solução viável para o problema do esgotamento nos grandes terminais? Uma coisa não substitui a outra. Os aeroportos regionais são complementares, e os investimentos precisam ser desenvolvidos ao mesmo tempo em que investimos nos grandes aeroportos. É meio utópico dizermos que aeroportos como Ribeirão Preto (SP), Chapecó (SC), Maringá (PR) ou Juazeiro do Norte (PE) teriam voos diretos para a Europa e América do Norte.

IMPEDIMENTO Aeroporto de Viracopos, em Campinas, não pode

No entanto, vários voos domésticos para diversos destinos relevantes já são uma realidade nesses aeroportos. O Brasil perdeu rotas de voos importantes, principalmente pelo esgotamento de Guarulhos. É possível, depois do processo de concessão, o país voltar a ser um hub importante para a América Latina? O tamanho de Guarulhos é completamente incompatível com a realidade de São Paulo. Hong Kong, por exemplo, está estudando aterrar o mar pela segunda vez para construir sua terceira pista. Frankfurt, recentemente, inaugurou sua quarta pista. Os Estados Unidos têm vários aeroportos com três, quatro ou até sete pistas. Pequim está planejando um aeroporto de nove pistas. Na contra-

mão desses países, Guarulhos tem duas, que na verdade operam como uma só, já que são muito próximas e não permitem operações simultâneas. A não ser que a terceira pista seja construída, vamos sofrer severamente por falta de logística internacional em São Paulo. Viracopos é muito importante, mas não pode substituir Guarulhos pela distância do centro financeiro. Não temos acesso de qualidade até Campinas e isso deve piorar nos próximos dez anos. Mesmo um novo aeroporto em São Paulo não seria a solução, pois não existem mais locais disponíveis. Infelizmente, desde 1985, data da inauguração do aeroporto, não se faz nenhuma adição de novas pistas em Guarulhos e estamos mirando 2032 sem novas pistas também, segundo os estudos para as concessões desenvolvidos


INFRAERO / DIVULGAÇÃO

substituir Guarulhos devido à distância

pelo governo. São raras as metrópoles de países relevantes que possuem um aeroporto principal tão limitado em termos de capacidade aérea como Guarulhos.

“São raras as metrópoles que possuem um aeroporto tão limitado em termos de capacidade aérea como Guarulhos”

Brasil são muito elevadas, principalmente quando comparadas com os serviços e a infraestrutura disponível. As restrições atuais dos aeroportos também provocam impactos nas operações das empresas, reduzindo a lucratividade. Os preços dos combustíveis e, principalmente, os impostos são muito elevados. E com a carência de mão de obra qualificada, os custos derrubam os lucros. Há muitos pilotos e técnicos indo trabalhar na Ásia e no Oriente Médio com salários diferenciados e excelentes condições de trabalho.

Tem se discutido que as empresas vencedoras do leilão não possuem experiência internacional para gerir aeroportos do porte dos brasileiros. As regras deveriam ser alteradas para as novas concessões? Não é adequado fazer concessão sem uma etapa de qualificação técnica dos concorrentes. Portanto, duas novas ações seriam necessárias para as próximas concessões: reduzir ou eliminar a participação da Infraero, conforme sugeriu o TCU, e realizar uma etapa de qualificação dos concorrentes, com critérios técnicos e transparentes.

Companhias brasileiras se fundiram com outras empresas nacionais e mesmo internacionais, casos da TAM e da Lan, da Gol e da Webjet e recentemente a Azul e a Trip. Que impacto isso pode trazer para o setor aéreo nacional? Isso pode provocar a queda da concorrência, forçando o aumento do preço dos bilhetes. O Brasil lutou tanto para estimular novas empresas e agora está vendo exatamente o oposto. A aviação é estratégica para o país e precisa de companhias saudáveis para investir em frota, pessoal e tecnologia. As alianças internacionais são inevitáveis para competir com os grandes players, mas em termos de empresas que se especializam em voos domésticos e regionais, é importante a con-

A concessão deveria ser aberta a outros aeroportos? Conceder os aeroportos foi uma decisão estratégica, já que a alternativa de abrir o capital da Infraero foi relegada a segundo plano. Nesse sentido, é provável que o governo faça a concessão gradativa dos aeroportos que tenham interesse privado. Hoje, há pelo menos uns 20 possíveis. E a Infraero deverá se especializar em administrar aeroportos de interesse social, estratégico e regional, o Por que mesmo com a incluque é uma atividade extremamen- são de tantos passageiros, as te nobre, principalmente para as empresas, TAM e Gol especialregiões que não possuem Estados mente, estão tendo prejuízo? com muitos recursos. As tarifas aeroportuárias no

corrência, e a viabilização de novas iniciativas é muito bemvinda. No caso mais recente da fusão entre a Azul e a Trip, notase a concentração dos voos regionais nas mãos de uma empresa única, o que não é muito interessante para consumidor. Porém, abre-se uma oportunidade para que essas empresas ganhem musculatura para competir com as grandes empresas domésticas, TAM e Gol. Outro ponto favorável é que Azul e Trip estão entre os maiores clientes de aviões da Embraer na América Latina, favorecendo a indústria aeronáutica nacional. Hoje, a participação do capital estrangeiro é limitada a 20%. Esse percentual poderia ser aumentado? Qual o impacto na manutenção das empresas brasileiras no mercado? A ideia de elevar para 49% seria muito importante para capitalizar as empresas. Isso dá segurança ao investidor e ajuda as empresas, principalmente nesse momento em que os recursos são necessários. Mas de nada adianta capitalizar as empresas se os aviões não têm espaço para operar. As empresas já estão fazendo voos praticamente vazios no final do dia para as aeronaves pernoitarem nos poucos aeroportos que ainda possuem capacidade de pátio disponível. l


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GOLDEN CARGO/DIVULGAÇÃO

MAIS TRANSPORTE Dois milhões produzidos A fábrica da Ford instalada em Camaçari (BA) atingiu 2 milhões de veículos produzidos. Um Fiesta RoCam Hatch 1.0 Pulse, completo, na cor vermelho Arpoador foi o modelo a registrar a marca, ao sair da linha de montagem. Do total de carros montados na unidade, 825.961 foram do Fiesta RoCam Hatch. Dos modelos

EcoSport e Fiesta RoCam Sedan, foram produzidos 727.289 e 443.985 veículos, respectivamente, além de 2.765 picapes Courier. O marco histórico da fábrica de automóveis foi alcançado depois de dez anos e meio de operação. De acordo com a montadora, serão aplicados, até 2015, R$ 2,8 bilhões para a ampliação da produção.

AQUISIÇÃO Golden Cargo amplia frota de caminhões

FORD/DIVULGAÇÃO

Frota incrementada

PRODUÇÃO Ford atinge marca expressiva em Camaçari (BA)

A Golden Cargo, empresa especializada em soluções logísticas para o agronegócio, adquiriu 61 novos caminhões. São 48 do modelo VM-Euro 3, da Volvo, e 13 da linha Atego 1719, fabricados pela Mercedes-Benz. Foram investidos na ampliação R$ 15 milhões. “Com a nova aquisição, a frota da companhia será composta por 340 veículos próprios

e uma capacidade mensal de transporte de 20 mil toneladas”, afirma Oswaldo Castro Júnior, diretor-geral da empresa. De acordo com ele, os novos caminhões vão percorrer as principais áreas agrícolas do Brasil e acompanhar o crescimento contínuo do agronegócio nacional.

Volume recorde

Nova cor no óleo diesel

A ALL (América Latina Logística) registrou volume recorde de cargas transportadas no primeiro trimestre de 2012, com 9,2 milhões de TKUs (toneladas por quilômetro útil). A geração operacional de caixa consolidada atingiu R$ 320,8 milhões no primeiro trimestre deste ano, com crescimento de 6,4% frente aos três primeiros meses de 2011. Segundo a empresa, o crescimento

A partir de 1º de julho, o óleo diesel A S500 receberá corante vermelho e ficará proibida a adição de corante ao diesel S1800. Essa disposição consta da Resolução ANP nº 65/2011, que estabelece as especificações e as obrigações quanto ao controle da qualidade a serem cumpridas para todo o óleo diesel comercializado no Brasil.

foi impulsionado pelo maior volume transportado na operação ferroviária no Brasil e pelos resultados das novas empresas criadas pela concessionária, a Brado e a Ritmo, dedicadas a logística de contêineres e rodoviária, respectivamente. Para este ano, a ALL espera investir R$ 650 milhões para viabilizar o crescimento em seu negócio ferroviário.

Atualmente, o óleo diesel S1800 possui coloração vermelha e o óleo diesel S500 é ligeiramente amarelado. Com a nova Resolução, o óleo diesel S500 receberá corante vermelho e o óleo diesel S1800 exibirá sua cor amarela natural. A medida visa evitar que o óleo diesel S500 possa ser desviado para venda como óleo diesel S50 ou S10, de coloração semelhante.


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TECNOLOGIA

Novo sistema para as balsas de São Paulo Consórcio Ergos Brasil venceu a licitação realizada pela Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) para o desenvolvimento de um novo sistema integrado de comunicação, gerenciamento e informações para as travessias litorâneas do Estado de São Paulo. A Dersa é responsável pela operação das balsas paulistas desde 1989. O projeto, orçado em R$ 5,19 milhões, deve entrar em operação no segundo semestre deste ano. De acordo com a empresa, a partir do novo sistema, os usuários vão ter acesso ao tempo de espera antes do embarque em todo o conjunto de travessias litorâneas de São Paulo, além das condições de navegação, clima e quantidade de embarcações em operação. A informação será exibida em painéis instalados nas avenidas de chegada aos bolsões

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de acesso às balsas. Nas áreas de embarque e nas embarcações também serão implantadas câmeras de segurança para o controle de navegação. No total, 62 câmeras serão implantadas.

“O Estado vai contar com o que há de mais moderno em termos de tecnologia no mundo para fazer o monitoramento das balsas”, afirma Maxwell Rodrigues, gestor do consórcio. Os sete sistemas

de travessia a receber o novo sistema são: São Sebastião/ Ilhabela, Santos/Guarujá, Vicente de Carvalho/ Praça da República, Cananeia/Ilha Comprida, Iguape/ Jureia e Cananeia/Continente.

ARMANDO AUGUSTO FILHO/SECRETARIA ESTADUAL DE LOGÍSTICA E TRANSPORTES DE SP/DIVULGAÇÃO

TRAVESSIA Com novos equipamentos, o sistema de travessias terá informações em tempo real

TIPLER/DIVULGAÇÃO

Ferramenta para economizar A Tipler, fabricante de borrachas com foco no setor de recapagem, criou o hotsite “Calculadora de economia”. Por meio da ferramenta, motoristas e proprietários de frotas conseguem calcular o quanto podem economizar ao utilizar a série de bandas pré-moldadas fabricadas pela empresa, chamada Ecomais. O internauta preenche uma tabela com o número de veículos da frota, o consumo médio

de combustível de cada um e o seu preço, além da quantidade de pneus recapados mensalmente e o valor que costuma pagar nas recapagens. Em seguida, a calculadora apresenta quanto pode ser economizado com o uso da Ecomais. Segundo a fabricante, as bandas da marca têm escultura e profundidade otimizadas para reduzir a resistência ao rolamento e maior resistência à abrasão.

NOVIDADE Sistema permite fazer economia de pneus


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MAIS TRANSPORTE RENAULT/DIVULGAÇÃO

Logística Urbana: Fundamentos e Aplicações Conjunto de artigos escritos por especialistas de diferentes áreas, que discutem como resolver os problemas urbanos. De: Vários autores, Ed. CRV, 286 págs., R$ 44,90

Globalização, logística e transporte aéreo Faz uma reflexão sobre o grande desafio do governo brasileiro em dotar o país de estratégias e políticas para a aviação civil. De: Josef Barat, Ed., Senac/SP, 268 págs., R$ 49,90

Homenagem à esportividade A Renault lançou na Europa a série limitada do modelo Twingo R.S. em comemoração ao título mundial de construtores da Fórmula 1 de 2011. A Red Bull, que foi campeã, usa motores Renault. Com uma concepção bastante esportiva, o carro traz uma faixa no teto que remete à bandeirada que encerra os GPs de F-1.

Brasil perde posição O Brasil caiu de posição no ranking mundial de desempenho em logística para o comércio, de acordo com pesquisa do Banco Mundial. O país passou do 41º lugar na avaliação anterior, em 2010, para o 45º na atual.

O levantamento foi feito com aproximadamente mil operadores internacionais do setor. A pesquisa contém informações sobre 155 países. O Brasil foi mal no quesito "alfândega", um dos indicadores que

compõem o ranking. Nesse segmento, o país ocupa o 78º lugar. Entre os dez países de "renda média-alta" com melhores performances em logística, o Brasil ficou na 9ª colocação, à frente do México.

Logística - Um Enfoque Prático Voltado para os que necessitam de conhecimentos básicos em logística, a obra traz exemplos práticos, estudos de caso e exercícios. De: Fabiano Caxito, Ed. Saraiva, 360 págs., R$ 55


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IVECO/DIVULGAÇÃO

Novo caminhão foca supermercados A Iveco apresentou o novo Daily Truck, de sete toneladas. Segundo a fabricante, o veículo foi projetado com foco nas operações de distribuição em centros urbanos. O modelo tem capacidade de carga de até 4.520 quilos, motor com 170 cavalos de potência e caixa de câmbio de seis marchas. De acordo com a montadora, comparado à versão anterior, o novo Daily ficou 9% mais econômico no consumo de combustível. A Iveco também apresentou ao mercado nacional a nova geração do caminhão Tector, equipado com motor Euro 5, menos poluente, mais potente e econômico. O modelo é disponibilizado em 41 versões.

NISSAN/DIVULGAÇÃO

São Paulo testa táxi elétrico A capital paulista recebeu no início de junho dois veículos Nissan LEAF, que serão testados em um programa piloto para avaliar a viabilidade de veículos elétricos operarem como táxi na cidade. O projeto vai contar com dez unidades do modelo, primeiro veículo 100% elétrico comercializado em larga escala no mundo. Os carros serão conduzidos por taxistas treinados pela Nissan, por circuitos pré-estabelecidos, que terão cinco unidades de carregamento

rápido, com baterias de íon-lítio com carga em até 30 minutos, e outros dez carregadores para o reabastecimento, em até 8 horas. A previsão é de que os demais carros elétricos sejam entregues na metade do segundo semestre. O programa foi viabilizado por meio de uma cooperação firmada entre a Prefeitura de São Paulo, a Aliança Renault-Nissan, AES Eletropaulo, e a Adetax (Associação das Empresas de Táxi de Frota do Município de São Paulo).

PILOTO Carro em teste pelas ruas de São Paulo


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MAIS TRANSPORTE PORTO DE PARANAGUÁ/DIVULGAÇÃO

Soja é destaque em Paranaguá O porto de Paranaguá exportou 3 milhões de toneladas de soja no primeiro quadrimestre deste ano. O volume é 68% superior ao exportado no mesmo período de 2011. Também foram escoados 1,6 milhão de toneladas

de farelos de soja, 23% acima do registrado no ano passado, no mesmo intervalo. O preço da saca de soja em Paranaguá é considerado o melhor da história, ultrapassando os R$ 60.

SÉGIO COELHO/CODESP/DIVULGAÇÃO

Tecondi muda de mãos O grupo EcoRodovias adquiriu 41% de participação do Tecondi (Terminal para Contêineres da Margem Direita) do porto de Santos. Fechado por R$ 540 milhões, o negócio inclui a opção de compra dos 59% restantes em um ano. A estratégia da companhia é assumir o controle total até o fim de 2012. A compra foi feita com 30% de capital próprio e 70% por meio de emissão de

dívida. A aquisição inclui ainda a Termares (armazém alfandegado) e a Termlog (de transporte e logística), que dão apoio às operações do Tecondi, o único dos três com saída para o mar. O terminal tem três berços de atracação privativos, com extensão de 703 metros e cinco pátios de armazenagem, com retroárea total de 181 mil metros quadrados.

ESTRATÉGIA EcoRodovias adquire participação


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LOGÍSTICA

Galeão é o segundo do país

Maratona de supply chain

O Aeroporto Internacional do Galeão (RJ), que vinha operando com quase 20% de ociosidade até o ano passado, passou a ser um dos principais eixos do crescimento da aviação civil no primeiro trimestre deste ano, tornando-se o segundo maior do país. O terminal subiu duas posições e

m dos maiores eventos do segmento de logística e supply chain da América Latina aconteceu nos dias 22 e 23 de maio, no Cenesp (Centro Empresarial de São Paulo), na capital paulista. Organizado pelo Inbrasc (Instituto Brasileiro de Supply Chain), a oitava edição da maratona de supply chain apresentou diversas atrações ligadas à área de logística, compras e cadeia de suprimentos, reunindo mais de 400 participantes. A palestra inicial, ministrada por Alexandre Cotrim, diretor de Supply Chain do Comitê Rio-2016, deu ênfase aos desafios que o grupo terá que enfrentar nos próximos meses, principalmente no que diz respeito à terceirização dos serviços a serem contratados para a realização das Olimpíadas. No primeiro dia, o diretor de abas-

superou os aeroportos de Congonhas (SP) e de Brasília (DF), que seguiam Guarulhos na lista dos mais movimentados do sistema nacional. O aeroporto do Galeão registrou aumento de 19,8% no primeiro trimestre, com 4,3 milhões de passageiros, quase 500 mil a mais que Congonhas. INFRAERO/DIVULGAÇÃO

VICE Galeão registrou aumento de passageiros

U

tecimento do Grupo Pão de Açúcar, Paulo Leonidas, destacou a complexidade que está por traz das ações de abastecimento, pontuando itens que garantem o fornecimento de todas as lojas do grupo. As discussões sobre S&OP (Sales and Operations Planning ou, vendas e planejamento das operações) fecharam o primeiro dia da maratona com um painel moderado por Ana Paula Tozzi, professora titular do Inbrasc. O segundo dia foi marcado pelo painel sobre a sustentabilidade, ministrado pelo moderador Eduardo Multari, gerente regional da Merck. “No instituto, ensinamos conceitos, e a maratona ofereceu a oportunidade de vê-los traduzidos em práticas”, afirmou o presidente do Inbrasc, João Fábio.

Acervo ferroviário INBRASC/DIVULGAÇÃO

O acervo centenário de documentos que conta a história da ferrovia no interior de São Paulo foi recuperado por nove professores das Fatecs (Faculdades de Tecnologia) de Jundiaí e Itu e 22 alunos do Centro Paula Souza. Cerca de 19 mil itens já foram recuperados e catalogados. Entre o material restaurado estão desenhos de locomotivas, relatórios e outros documentos produzidos entre

1869 e 1971. A partir de agora, o acervo será digitalizado e, em breve, estará disponível na Internet para pesquisa. O projeto, denominado Memória Ferroviária, é coordenado por Eduardo Romero de Oliveira, da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), e tem apoio da Fatec Jundiaí e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

MARATONA Evento reuniu mais de 400 participantes

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MEDALHA JK

CNT homenageia lideranç POR

ROSALVO STREIT

Confederação Nacional do Transporte homenageou, no final de maio, lideranças do transporte que se destacaram pelo trabalho e dedicação em prol do desenvolvimento do setor em 2011. Em cerimônia realizada em Brasília, a entidade entregou aos profissionais a Medalha JK – Ordem de Mérito do Transporte Brasileiro. O vice-presidente da CNT, Meton Soares Júnior, representou o presidente da entidade, senador Clésio Andrade, na solenidade. Ele destacou a importância da medalha para exprimir o reconhecimento a todos os que contribuíram com a melhoria e o progresso da área de transporte no país. “Juscelino Kubitschek (patrono da homenagem) promoveu o crescimento de nossa atividade. O transporte é importante para a nação, diminui diferenças, movimenta pessoas e riquezas, aproxima a população e integra o país. Contribui de maneira decisiva com a prosperidade econômica e com o desenvolvimento social do Brasil”, destacou Meton.

A

Meton Soares e José Fioravanti

Marcos Soares e Luiz Ivan Janaú Barbosa


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as do setor de transporte FOTOS JÚLIO FERNANDES/CNT

Luiz Wagner Chieppe e Carlos Augusto de Faria Féres

Rodrigo Vilaça e Marcelo Perrupato e Silva

O principal homenageado, na categoria Grã-Cruz, foi o fundador e atual presidente da Federação dos Taxistas Autônomos do Estado de São Paulo, José Fioravanti. Grande defensor da categoria, ele disse que receber a condecoração “é uma honra muito grande, um reconhecimento a muitos anos de luta a favor da categoria que muitos gostariam de receber”. Marcelo Perrupato e Silva, um dos cinco agraciados na categoria Grande Oficial, falou em nome dos outros homenageados. “A Medalha JK é mais alta insígnia conferida pelo setor privado. Por meio dela, imagino quantos brasileiros foram lembrados e fazem parte dessa congregação de servidores que trabalham pelo país”, agradeceu. Perrupato rendeu um tributo ao ex-presidente de honra da CNT, Thiers Fattori Costa, falecido no início de maio. Segundo ele, “outra liderança que sempre cumpriu com os seus deveres a favor do setor de transporte”.


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Luiz Maldonado Marthos e Moacir da Silva

Pedro Lopes e Ivanor Araldi


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Éder Dal'Lago e André Luiz Costa

Marcos Soares e Claudomiro Picanço Carvalho Filho

Marco Antonio Gulin e Jair Araújo Filho

Glen Gordon e José Carlos Ribeiro Gomes


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Edgar Ferreira de Sousa e Maria do Bonfim Pereira de Santana

Newton Gibson e Marinês Todescatto Kerller

Luiz Anselmo Trombini e Sérgio Luiz Malucelli

Rodrigo Vilaça e Silvana Alcântara Oliveira de Sousa


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VEJA OS AGRACIADOS GRÃ-CRUZ • José Fioravanti – fundador e atual presidente da Federação dos Taxistas Autônomos de São Paulo

GRANDE OFICIAL • Carlos Augusto de Farias Feres – engenheiro civil e ex-secretário-executivo da Abrati; • Moacir da Silva – caminhoneiro autônomo e defensor da categoria • Luiz Ivan Janaú Barbosa – empresário de transporte fluvial e grande transportador da região amazônica • Marcelo Perrupato e Silva – ex-secretário de Política Nacional de Transportes do Ministério dos Transportes

OFICIAL Otávio Cunha e Paulo Alencar Porto Lima

• Jair Araújo Filho – atua no transporte rodoviário de passageiros no Paraná • Paulo Alencar Porto Lima – empresário do setor de transporte rodoviário de passageiros • Marinês Todescatto Kerller – segunda vice-presidente do Setcema e diretora secretária da Fetracan • Ivanor Araldi – empresário do transporte rodoviário de cargas em Santa Catarina • Sérgio Luiz Malucelli – diretor-executivo da Fetranspar • Maria do Bonfim – forte atuação em defesa dos taxistas • André Luis Costa – criador e idealizador do projeto Casa do Caminhoneiro • José Carlos Ribeiro Gomes – forte atuação no setor marítimo e portuário • Claudomiro Picanço Carvalho Filho – presidente do Sindarma e liderança no setor fluvial • Silvana Alcântara Oliveira de Souza – líder em assuntos regulatórios de transporte ferroviário e marítimo

“POST MORTEM” – GRANDE OFICIAL • José Alvarez Rebelo – grande empreendedor da navegação fluvial da Amazônia

Marcos Soares e Paulo Rebelo


Legislação amplia debate e traz outros resultados positivos, mas especialistas apontam medidas para maior eficiência

4 anos de Lei Seca

Muito a e


LUIZ GUARNIERI/FUTURA PRESS

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MATÉRIA DE CAPA

POR

Lei Seca completou quatro anos no mês de junho. Mudou o comportamento de algumas pessoas, colocou mais blitze com bafômetros nas ruas, mas ainda há muito a evoluir para levar realmente maior segurança ao trânsito de todo o Brasil. A Polícia Rodoviária Federal avalia que o balanço dos quatro anos é positivo. O Ministério da Saúde afirma que onde a fiscalização é mais rigorosa tem havido redução de acidentes. Mas, na prática, há uma percepção geral de maior relaxamento de muitos condutores e também das blitze dentro de algumas cidades brasileiras. Muitos motoristas ainda bebem e dirigem. E hoje, nesse quarto ano em vigor, a legislação passa por um momento importante. Propostas tramitam no Congresso Nacional com a promessa de ajudarem a coibir mais a mistura irresponsável de álcool e volante. Alguns pontos da lei foram discutidos recentemente em audiência pública no STF (Supremo Tribunal Federal), que deverá julgar em breve a constitucionalidade da legislação. Para alguns profissionais da área de direito e do trânsito, se não houver uma mudança básica na legislação anterior, as contribuições que uma “nova Lei Seca” poderá trazer para a redução de acidentes não serão tão eficientes. Atualmente, quem for pego dirigindo depois de beber comete, primeiramente, uma infração administrativa, paga multa de R$ 957 e pode ter a carteira suspensa por um ano. Se aceitar soprar o bafômetro e for atestado um nível superior a 0,6 decigramas de álcool por litro de sangue (ou 0,3 miligramas por litro de ar expelido, no caso de uso de etilômetro), deve responder a processo criminal. Para atingir esse teor depende de uma série de fatores, mas, geralmente, um único copo de cerveja é suficiente. Um novo projeto passou pela Câmara e ainda deve ser aprovado pelo Senado. O projeto indica que a

A

voluir

CYNTHIA CASTRO


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verificação se o motorista está ou não alcoolizado pode ser feita mediante teste de alcoolemia. Mas a proposta também inclui a possibilidade de a embriaguez ser atestada por meio de exame clínico, perícia, vídeo, prova testemunhal e outros meios. O projeto também prevê a ampliação da multa, de R$ 957 para R$ 1.915. No caso de condutores reincidentes, o valor dobra (R$ 3.830). A proposta continua citando o limite de álcool no organismo como um dos meios de se constatar a infração. Na avaliação do advogado especialista em legislação de trânsito, no Estado de São Paulo, Marcos Arantes Pantaleão, a citação desse fator quantitativo na lei impede que o cidadão seja criminalizado se não houver prova material. E essa prova, explica o advogado, é feita por dois instrumentos: o etilômetro (ou bafômetro) e o exame de sangue. Como o motorista pode se recusar a se submeter a esses testes, o indiciamento por crime de trânsito continua comprometido. “Se houver realmente o interesse em punir a pessoa que beber e dirigir, é necessário retirar esse fator quantitativo. A estipulação desse valor impede a prova, se o motorista não aceitar fazer os testes. E é isso que tem acontecido em muitos casos, desde o início da Lei Seca”, afirma o advogado, que participa de diversas dis-

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TESTE Exame do bafômetro (etilômetro) indica qual o nível

cussões sobre legislação de trânsito e álcool ao volante. No início deste ano, uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) causou polêmica porque vinculou a necessidade de o condutor fazer exame de sangue ou teste do bafômetro para que pudesse ser criminalizado pelo ato de dirigir alcoolizado. Na avaliação do advogado Marcos Pantaleão, a decisão obedece ao que está colocado na lei: a indicação de um índice mínimo de alcoolemia no organismo para haver criminalização. O advogado considera que o simples fato de beber qualquer

quantidade, o que poderia ser atestado por um exame clínico, já deveria ser suficiente para que o condutor respondesse por crime de trânsito. Pantaleão defende ainda que o índice de teor alcoólico no organismo seja estipulado como uma segunda medida para o agravamento das penalidades. Quem tiver bebido mais deve ter uma pena maior. De qualquer forma, o advogado especializado em legislação de trânsito considera que a Lei Seca trouxe benefícios porque vem contribuindo nesses quatro anos para modificar o comportamento

de muitos motoristas. “O objetivo é diminuir os acidentes gravíssimos decorrentes da ingestão de bebida alcoólica. Mas para que a Lei Seca seja eficaz, o texto não pode deixar margem para questionamentos. Tem que ser um texto que permita ao aplicador da lei – o delegado, o promotor, o juiz – não ter qualquer dúvida na hora de aplicar”, afirma o advogado. Com a experiência diária de trabalho atendendo ocorrências de acidentes e outros problemas no trânsito, o delegado Fabiano Contarato, titular da Delegacia de Delitos de Trânsito no Espírito


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LUIZ GUARNIERI/FUTURA PRESS

SAÚDE

Não há limite seguro para álcool e volante Profissionais da área médica que estudam há vários anos os efeitos do álcool no organismo são incisivos ao afirmarem: não há limite seguro de álcool e direção. Para aqueles condutores que acham que estão aptos a conduzir um veículo depois de ingerir uma cerveja, uma taça de vinho ou qualquer outra bebida, especialistas afirmam que o álcool, em qualquer quantidade, interfere negativamente em vários aspectos necessários à direção segura. “Já realizamos inúmeros estudos. Revisamos anos da literatura internacional sobre o assunto. E a única concentração segura de álcool no organismo é realmente zero. Em pequenas quantidades, o álcool já tira a percepção,

prejudica a visão, reduz o tempo de reação para frear. Quando se chega ao índice de 0,6 decigramas, previsto na lei, o risco de acidente se torna dez vezes maior”, afirma o diretor científico da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), Flávio Emir Adura. Adura diz que o efeito vai variar de uma pessoa para outra: o peso, o estado emocional, o costume de beber. Tudo isso influencia no efeito da bebida no organismo. Mas o diretor da Abramet garante que em qualquer pessoa há efeitos que não combinam com a direção segura. Na opinião de Adura, a Lei Seca tem tido um efeito muito benéfico para a população brasileira. “Não tenho dúvidas de que é uma lei que salva vidas.”

Além dos riscos de beber e dirigir, o uso de drogas também contribui para aumentar a possibilidade de acidentes nas vias, conforme destaca a professora de medicina legal da USP (Universidade de São Paulo), Vilma Leyton, que tem formação em farmácia e bioquímica. Vilma comenta que a Lei Seca aborda o uso de substâncias entorpecentes. Ela considera que deveria haver uma especificação das drogas para que a coibição possa ser mais eficaz. “Os artigos que tratam das substâncias psicoativas, além do álcool, precisam ser revistos. Da forma como está dificulta muito a produção de provas pelas autoridades competentes”, considera Vilma.

de álcool no organismo do motorista

Santo, é um crítico da Lei Seca. “Penso que o Brasil não tem o que comemorar nesses quatros anos. A Lei Seca é um engodo aplicado na sociedade. Da forma como está, há somente um fortalecimento da indústria da multa. Não impede de fato as pessoas de beberem e dirigirem”, avalia o delegado. Contarato também considera que a legislação não deveria citar limites de concentração de álcool no organismo para que o ato seja ou não considerado crime de trânsito. Segundo ele, na prática, da forma como está colocado hoje há uma diferenciação entre classes sociais

em relação a quem realiza e a quem se recusa a fazer os testes com etilômetro ou o exame de sangue. “Essa estipulação do valor impede a criminalização. Enquanto estiver na lei essa unidade de medida, não haverá prova, porque o condutor pode se recusar a fazer o teste. Tudo isso fere o princípio da isonomia. Na prática, a classe rica, com formação acadêmica, não aceita soprar o bafômetro. Já os motoristas das classes menos favorecidas são, geralmente, aqueles que aceitam a se submeter aos testes e que irão responder criminal-

mente”, diz o policial, ao relatar que essa é a rotina vivida por ele na delegacia. O titular da Delegacia de Delitos de Trânsito no Espírito Santo afirma que a legislação precisa trabalhar em função do “principal bem jurídico, que é a vida humana”. “É importante destacar que a segurança no sistema viário tem de se sobrepor a qualquer direito individual. O motorista só vai mudar o comportamento no momento em que tiver certeza de que o Estado está presente. No Rio de Janeiro, a coibição do ato de beber e dirigir tem funcionado

porque o motorista sai de casa com a certeza de que será parado nas blitze. No Espírito Santo, temos agora blitz de segunda a segunda e é isso que tem que ser feito”, afirma Contarato. Efeito positivo Ao comentar sobre os efeitos concretos da Lei Seca nas estradas brasileiras, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) considera que a legislação tem trazido muitos benefícios para a segurança no trânsito de todo o Brasil. De junho de 2008 a dezembro de 2011, foram realizados 2,7 milhões


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PRF

Frota cresce mais que acidente grave As estatísticas da PRF (Polícia Rodoviária Federal) mostram que, desde o início da Lei Seca, o número geral de acidentes tem aumentado em um percentual maior do que o crescimento da frota do país. Mas ao considerar as ocorrências mais graves, com mortes, esse aumento tem sido menor, comparativamente. Em 2007, foram registrados 128.450 acidentes nas rodovias federais. Em 2011, 192.188 um aumento de 49%. No mesmo período, a frota cresceu 42%. Já os acidentes com vítimas fatais

tiveram um aumento de 24%. E o número de vítimas fatais cresceu 22%. Mas mesmo com um aumento de acidentes graves inferior ao crescimento da frota, milhares de pessoas morrem no trânsito no país a cada ano. Foram 8.661 mortos em 2011, somente nas rodovias federais. “Estamos trabalhando, principalmente, para reduzir a gravidade dos acidentes, para diminuir o número de mortos no trânsito”, diz o inspetor Fabiano Moreno, assessor nacional de comunicação social da PRF. BLITZ Operação policial contra o ato de beber e dirigir,

RISCO AO VOLANTE 128.450

Acidentes com vítimas fatais 5.762

Mortos em acidentes 7.063

Evolução da frota 46.572.168

2008

141.122

5.627

6.950

51.200.130

2009

158.641

5.944

7.340

55.937.035

2010

183.417

7.083

8.623

62.648.221

2011

192.188

7.149

8.661

66.563.500

49%

24%

22%

42%

Ano

Acidentes

2007

Aumento de 2007 para 2011

Fonte: Polícia Rodoviária Federal

de testes de embriaguez. Foram 84,9 mil autuações e 36 mil prisões pela PRF. “A Lei Seca pegou, e esses números mostram isso. São mais de 80 mil motoristas embriagados tirados de circulação, o que aumenta, e muito, a segurança nas rodovias”, avalia o inspetor Fabiano Moreno, assessor nacional de comunicação social da PRF. Segundo ele, em torno de 25% a 27% dos motoristas parados nas blitze se recusam a soprar o etilômetro. A PRF conta com 1.978 etilô-


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WESLEY SANTOS/FUTURA PRESS

NAS RODOVIAS FEDERAIS

DESRESPEITO

Motoristas assumem beber e dirigir Mesmo com a Lei Seca vigorando há quatro anos, muitos motoristas ignoram o que manda a legislação e continuam bebendo e dirigindo. Uma pesquisa do Ministério da Saúde aponta que 4,6% dos condutores entrevistados admitiram beber qualquer quantidade de bebida alcoólica antes de assumir o volante. A pesquisa Vigitel 2011 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) entrevistou 54.144 pessoas no ano passado. O levantamento, feito em todo o país, mostra que a faixa etária que mais comete a infração está entre 35 e 44 anos, seguida dos condutores entre 25 e 34. Os idosos, acima

de 65 anos, são os que mais respeitam a Lei Seca. Entre as capitais, Florianópolis, em Santa Catarina, é onde se concentra o maior percentual de motoristas que assumem beber e dirigir (9,6%). Em seguida, estão Palmas (8,9%) e Curitiba (6,8%). Entre as capitais, o hábito entre os homens é mais comum em Florianópolis (16,5%), Palmas (15,9%), Curitiba (12,9%), Goiânia (12%) e Porto Velho (11,8%). As capitais com os menores percentuais para o sexo masculino são Belém (5%), Rio de Janeiro (5%), Manaus (6,3%), Rio Branco (6,7%) e Recife (7%). Entre as mulheres, a capital com maior percentual também é Florianópolis (3,3%). Em segundo lugar está o Distrito Federal (2,4%), seguido por Vitória (2,1%).

Índice de pessoas que afirmaram ter consumido bebida alcoólica e dirigiram depois 2011 Cidade Belém Rio de Janeiro Manaus Recife Rio Branco Fortaleza Maceió São Luís Salvador João Pessoa São Paulo Porto Alegre Aracaju Natal Teresina Vitória Belo Horizonte Macapá Cuiabá Campo Grande Boa Vista Goiânia Distrito Federal Porto Velho Curitiba Palmas Florianópolis

Percentual 2,5 2,6 3,3 3,5 3,5 4,2 4,3 4,3 4,5 4,6 4,6 5,4 5,5 5,6 5,6 5,6 5,7 5,8 5,9 6,1 6,3 6,4 6,5 6,6 6,8 8,9 9,6

Fonte: Ministério da Saúde

realizada no centro de Porto Alegre

metros, número que, segundo Moreno, é suficiente. Outro ganho importante desde que a Lei Seca entrou em vigor, na avaliação do assessor nacional de comunicação social, é ter trazido para todos os níveis de governo e para a sociedade a discussão sobre o risco de se misturar bebida alcoólica com o ato de dirigir. Esse ganho também é citado pelo autor da Lei Seca e da nova proposta aprovada na Câmara neste ano, deputado Hugo Leal (PSC-RJ). Na avaliação do parla-

mentar, nesses quatro anos, a legislação tem avançado exatamente porque o debate continua permeando a sociedade em geral. “Em qualquer ambiente, de qualquer nível social – desde o botequim da esquina a uma festa da classe alta, essa matéria está em discussão. E essa discussão ativa é importante para se criar a conscientização. A sociedade participa, e os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – também têm debatido o tema. Tudo isso tem um excelente signi-

ficado”, diz o deputado, ao reforçar que não tem dúvidas de que muitas pessoas mudaram o comportamento nesses quatro anos. Sobre o questionamento de alguns profissionais em relação à manutenção do índice de teor alcoólico na lei, Hugo Leal afirma que esse índice é necessário para poder diferenciar a punição administrativa (multa) do crime de trânsito. Ele destaca como uma importante inovação da proposta de sua autoria que tramita no Congresso a possibilidade de,

além do resultado do etilômetro ou do exame de sangue, haver outras provas de embriaguez. “O notório sinal de embriaguez pode ser atestado, como a fala, o hálito. Há várias formas de fazer essa detecção. Os índices continuam sendo mencionados como uma alternativa”, diz o deputado. Ele afirma que antes da Lei Seca a situação era pior. “A constatação de 6 gramas por litro de sangue era necessária mesmo para a penalidade administrativa. E só podia responder por crime


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NAIR BUENO/FUTURA PRESS

BLITZ

Fiscalização favorece segurança O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que os Estados onde a fiscalização é mais forte apresentam melhores resultados. Segundo o Ministério da Saúde, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina têm se destacado, mas não foram apresentados os dados. Em Minas, a Secretaria de Estado de Defesa Social afirma que houve aumento no rigor das fiscalizações a partir de julho de 2011, com a campanha “Sou pela Vida. Dirijo sem Bebida”. Os acidentes com vítima reduziram 15,66% ao comparar julho de 2011, no lançamento da campanha, com

janeiro deste ano. “BH é a capital nacional dos bares. Buscamos pontos estratégicos para fiscalizar”, diz o subsecretário de Promoção da Qualidade e Integração do Sistema de Defesa Social, Robson Lucas da Silva. A coordenadora-geral de qualificação do fator humano no trânsito, do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), Cristina Hoffmann, defende o aumento da fiscalização. “No Rio de Janeiro, onde diariamente tem blitz, as pessoas sabem que vão ser paradas. Muitas deixam de dirigir depois de beber e buscam alternativas como o táxi.” ETILÔMETRO PRF tem quase 2.000 equipamentos

OS EFEITOS DO ÁLCOOL Para a performance do condutor • Reduz a capacidade de percepção da velocidade e dos obstáculos • Reduz os reflexos e a habilidade de controlar o veículo (manutenção da trajetória, curvas etc) • Diminui a visão periférica. O embriagado não se interessa pelo que acontece lateralmente • Prejudica a capacidade de dividir atenção • Aumenta o tempo de reação Para o comportamento do condutor • Inibe barreiras morais e faz perder a autocrítica. A euforia e a empolgação se refletem no descontrole do pé, “que fica mais pesado” • Faz com que o alcoolizado negligencie riscos • Incrementa a agressividade • Causa sono, fadiga, depressão e desatenção • Estimula tendência autodestrutiva Fonte: Abramet

aquele que estivesse dirigindo de forma perigosa, em zigue-zague, e colocando a vida das pessoas em risco”, diz o deputado. O projeto de Hugo Leal ainda passará pelo Senado. Na avaliação do parlamentar, se for aprovado, será um avanço, pois permitirá a ampliação das provas. Uma iniciativa popular que ganhou as redes sociais, como o Facebook, está coletando assinaturas para enviar ao Congresso Nacional, pedindo maior rigor na punição de motoristas que bebem e dirigem. O movimento “Não foi acidente” quer que seja retirada da nova proposta de Lei Seca a indicação do índice de alcoolemia. “Por ser um número exato, é necessária a medição técnica/científica. Mas o sujeito pode dizer não na hora de qual-

quer exame, alegando que ninguém é obrigado a produzir prova contra si. Por isso, mesmo que o motorista esteja visivelmente embriagado, ninguém conseguirá atestar embriaguez”, diz o trecho de uma carta ao povo, publicada no blog do movimento. De acordo com a justificativa do movimento, embora o projeto de lei que tramita no Congresso tenha incluído outras formas de provas, se for mantida a indicação do índice mínimo para a classificação de crime no trânsito, a Lei Seca não será eficaz. “Nossas leis, especialmente na esfera penal, exigem provas objetivas, ou seja, o processo judicial morre se não houver um teste científico que prove a quantidade de álcool. E com ele, novamente morrerá a Lei Seca”, diz a carta do movimento.


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ENTREVISTA - ALEXANDRE PADILHA

"Em 2011, foram mais de 155 mil internações por acidentes no SUS” ERASMO SALOMÃO/ASCOM-MS

Além das mortes no trânsito, os acidentes causam prejuízos ao SUS (Sistema Único de Saúde). Em 2011, o valor gasto com as mais de 155 mil internações chegou a R$ 204 milhões. E como a mistura álcool e volante é responsável por grande parte dessas ocorrências, a Lei Seca também é tratada dentro do Ministério da Saúde. Em entrevista à CNT Transporte Atual, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirma apoiar todas as iniciativas que contribuam para consolidar e fortalecer a fiscalização mais rígida estabelecida pela legislação. O ministro reforça a informação de que para reduzir acidentes e mortes, é necessário também aumentar a fiscalização. Leia a entrevista a seguir. Qual avaliação o senhor faz desses quatro anos de Lei Seca? Em quais pontos evoluímos e onde precisamos avançar? Investir em leis mais rígidas que inibam o consumo de bebidas alcoólicas por pessoas que estejam dirigindo é investir em saúde pública. Acidentes de trânsito são onerosos ao SUS (Sistema Único de Saúde), sem contar as perdas não mensuráveis a milhares de famílias que perderam um ente querido. Em 2010, mais de 40 mil pessoas morreram em acidentes. A aprovação da Lei Seca levou o tema ao centro do debate político, ganhou relevância, e a expectativa é de que haja maior conscien-

tização da população sobre os perigos de beber e dirigir. Os números do Vigitel mostram que 4,6% da população pesquisada assume beber e dirigir. É um índice que indica gravidade? É possível que esse percentual seja ainda maior, pois muitos motoristas podem não assumir que bebem e dirigem? Não existe consumo de bebida alcoólica seguro para quem vai dirigir, assim como não existe frequência segura. Qualquer indicativo é preocupante. Trabalhamos para que haja leis mais severas que inibam a combinação do álcool com direção. O Vigitel é um importante instrumento para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde preventiva nesse sentido. O levantamento, realizado por telefone, traz a vantagem do completo anonimato: a pessoa que responde ao questionário não se identifica nem por nome nem visualmente à pessoa que faz o questionário. Portanto, não há constrangimentos ou receio que o entrevistador julgue o seu comportamento. O ato de beber e dirigir é um assunto tratado dentro do Ministério da Saúde como fator de risco à população. Qual o custo da saúde com os acidentes de trânsito? Hoje, o Brasil vive uma epidemia de acidentes de carros e motos. Só em 2011, foram registradas mais de 155 mil interna-

AÇÃO Ministro defende rigidez na fiscalização

ções por acidentes de trânsito no SUS. O valor gasto chegou a R$ 204 milhões, sem contar o investimento necessário na reabilitação dos pacientes, sobretudo a reabilitação física. Esse valor poderia ter sido investido em outras áreas da saúde, como na construção de 145 Unidades de Pronto Atendimento (Upas) com capacidade para atender a mais de 43 mil brasileiros por dia. O que está faltando para coibir esse hábito de beber e dirigir? Acreditamos que aumentar o rigor da fiscalização contribuirá para a redução das estatísticas negativas no trânsito. Nossos dados mostram que aqueles Estados que apertaram a fiscali-

zação sobre a Lei Seca foram os únicos que reduziram o número de acidentes de carro e moto. Como o senhor avalia a possibilidade de o motorista alcoolizado se recusar a soprar o bafômetro? Isso contribui para que as pessoas se sintam mais à vontade para beber e dirigir? Apoiamos todas as iniciativas que contribuam para consolidar e fortalecer a fiscalização mais rígida estabelecida pela Lei Seca, como a medida já aprovada pela Câmara que dobra o valor da multa – passando para R$ 1.915,40 – e permite o uso de testemunhos, exame clínico, imagens e vídeos como meios de prova para confirmar a embriaguez de motoristas. l

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AVIAÇÃO

POR

Aeroporto do Galeão

LETICIA SIMÕES

epois do leilão que concedeu à iniciativa privada o direito de explorar três grandes aeroportos do país – Viracopos, em Campinas, Guarulhos, em São Paulo, e o aeroporto de Brasília, muito se fala no mercado sobre a próxima licitação e quais terminais deverão fazer parte do processo. Especialistas apostam que Galeão e Confins devem ser os escolhidos para o novo pregão, ainda sem data confirmada. Com relação às exigências feitas pelo Executivo nacional para a administração dos terminais, eles acreditam que pouca coisa mude nos editais das demais concessões. As ofertas do leilão ocorrido em fevereiro deste ano somaram R$ 24,535 bilhões, segundo a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). O governo exigiu valor mínimo de R$ 5,477 bilhões pelos três aeroportos. O ágio total foi de 347%. A Infraero terá 49% de participação na administração de cada um dos terminais licitados. Para os especialistas, repassar os principais aeroportos à iniciativa privada foi a forma encontrada pelo governo para acelerar as obras de ampliação e de melhoria da infraestrutura, que se tornaram imprescindíveis com o crescimento da demanda por voos domésticos. De acordo com dados da Infraero, em 2010, foram transportados 155.363.964 passageiros. No ano seguinte, o aumento foi de mais de 24 milhões, com 179.949.252 passageiros em voos domésticos.

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Compas


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FOTOS INFRAERO/DIVULGAÇÃO

Após as concessões de Viracopos, Guarulhos e Brasília, mercado aguarda por definições sobre a licitação de novos terminais

so de espera


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SAIBA MAIS Confira as características do leilão dos primeiros aeroportos no país • Total de ofertas recebidas pelo leilão: R$ 24,535 bilhões • Valor mínimo exigido pelo governo pelos três terminais: R$ 5,477 bilhões • Ágio total: 347% • Os consórcios participantes da licitação deveriam contar com sócio estrangeiro • Pelo menos um dos parceiros dos consórcios participantes deveria, obrigatoriamente, ter experiência na administração de aeroportos com movimento superior a 5 milhões de passageiros/ano • Os vencedores foram os consórcios que apresentaram a maior oferta • A Infraero terá uma participação de 49% em cada um dos três consórcios vencedores • Os prazos de concessão são 30 anos em Viracopos, 25 anos em Brasília e 20 anos em Guarulhos • Os valores oferecidos pelas concessões vão ser pagos em parcelas anuais, durante o prazo de concessão de cada aeroporto, corrigidos pelo IPCA • As concessionárias vão repassar, anualmente, um percentual da receita bruta ao governo: 10% para o aeroporto de Guarulhos, 5% para o aeroporto de Viracopos e 2% para o aeroporto de Brasília

Uma das exigências do edital de fevereiro era que os consórcios interessados na licitação contassem com sócio estrangeiro. De acordo com o documento, pelo menos um dos parceiros deveria, obrigatoriamente, ter experiência na administração de aeroportos com movimento superior a 5 milhões de passageiros por ano. O consórcio Invepar (composto pela Invepar Investimentos e Participações e Infraestrutura e a operadora Airport Company South Africa) arrematou o aeroporto de Guarulhos por R$ 16,213 bilhões. O ágio foi de 373,5% sobre o valor mínimo estabelecido pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A concessão do aeroporto de Brasília foi vencida pelo Inframérica Aeroportos (com a Infravix Participações e a Corporación America, da Argentina), por R$ 4,501 bilhões, com ágio de 673,89%. O

consórcio também foi o vencedor do leilão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN), ocorrido em agosto de 2011. Já Viracopos será administrado pelo consórcio Aeroportos do Brasil (composto pela Triunfo Participações e Investimentos, pela UTC Participações e pela francesa Egis Airport Operation), que vai pagar R$ 3,821 bilhões, com ágio de 159,75%. O escritório FHCunha Advogados, com atuação nos setores de transporte e logística, participou do pregão de fevereiro e pretende apresentar proposta para o próximo. O advogado Marlon Shigueru Ieiri, especialista em contratos de construção e infraestrutura, espera que as regras para as concessões seguintes sejam revistas pelo governo. “As normas estabelecidas não eram claras, pois a Infraero forneceu poucos detalhes sobre o plano de outorga para os

VIRACOPOS Consórcio Aeroportos do Brasil vai pagar

terminais e sobre os estudos de viabilidade técnica e econômica dos aeroportos envolvidos. Isso dificultou o trabalho dos investidores, pois as informações não eram suficientes para a elaboração das propostas financeiras.” A Infraero, por meio de sua assessoria de imprensa, diz que as regras foram elaboradas pela SAC (Secretaria de Aviação Civil). Para a advogada Cristiane Cordeiro von Ellenrieder, também do escritório FHCunha e especia-

lista em contratos de construção e infraestrutura, para que o próximo leilão seja mais satisfatório para os investidores, é preciso que se aumente a exigência dos operadores que pretendem assumir os terminais. “Acredito que a prioridade deva ser pelo operador mais experiente e com maior volume de passageiros. Outro ponto que dificultou a presença de outros interessados no último pregão foi a forma de participação, que licitou, de uma só vez,


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ADMINISTRAÇÃO

Contratos de concessão são assinados Os três consórcios vencedores do leilão de Guarulhos, Viracopos e Brasília assinaram no dia 14 de junho os respectivos contratos de concessão para ampliação, manutenção e exploração dos aeroportos internacionais. De acordo com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), os três terminais respondem juntos pela movimentação de, aproximadamente, 30% dos passageiros do país, 65% dos passageiros dos voos internacionais e 57% da carga aérea transportada. Em Brasília, será construído um novo terminal com capacidade para, no mínimo, 2 milhões de passageiros por ano. Também consta dos planos um pátio de aeronaves para 24 posições, acesso viário e estacionamento de veículos.

Em Viracopos, a previsão é de que o novo terminal receba pelo menos 5,5 milhões de passageiros por ano. O terminal terá um pátio de aeronaves para 35 aviões, acesso viário e estacionamento. Guarulhos também vai contar com um novo terminal. A capacidade será para 7 milhões de passageiros ao ano, além de obras para ampliação de pistas, pátios, estacionamentos e vias de acesso. De acordo com José Antunes Sobrinho, sócio do grupo que controla a Infravix, empresa que compõe o Consórcio Inframérica, serão investidos, em Brasília, aproximadamente, R$ 400 milhões na primeira fase do projeto, para atender uma demanda total de 6,2 milhões de passageiros por ano, já contando com o novo termi-

nal. “As ampliações e os demais investimentos, além do inicial, serão realizados conforme a necessidade, ao longo da concessão.” Sobrinho afirma que o aeroporto de Brasília vai atender a todas as especificações da Anac para um aeroporto de médio porte, com cinco terminais de embarque e desembarque em dois níveis, além de estacionamento e acessos internos ligando o local ao sistema viário da cidade. “A Inframérica trabalha com um projeto moderno, prático e de rápida construção”, diz o empresário. O consórcio Aeroportos do Brasil, que vai controlar Viracopos, e a Invepar, que vai administrar Guarulhos, não se manifestaram sobre o plano de negócios previsto para os terminais.

R$ 3,821 bi pela concessão do terminal

três aeroportos com características e demandas diferentes.” José Márcio Mollo, presidente do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias), concorda que o ideal é que fossem escolhidos operadores mais experientes, como os que operam aeroportos com movimento de passageiros e aeronaves igual ou semelhante aos que foram concessionados. “Os grandes operadores, com seu know-how, têm condições de contribuir melhor para o país. No

entanto, os consórcios vencedores têm expertise para gerenciar os terminais.” Segundo Mollo, as companhias aéreas esperam que os consórcios tenham uma gestão mais eficiente do que a atual. “Uma administração deficitária reflete nos custos das empresas. A expectativa das companhias é que os gestores não pratiquem preços exorbitantes para as organizações, como ocorreu em quase todos os aeroportos concessionados no exterior.”

O especialista em projetos e consultorias especiais aeroportuárias Mozart Mascarenhas Alemão, exsuperintendente de Viracopos, diz que, com a licitação dos três aeroportos, o governo federal pôde comprovar o grande interesse das empresas privadas em administrar os terminais brasileiros. “O governo tinha dúvidas se iria dar certo repassar os aeroportos à iniciativa privada. Agora, sabe que pode colocar outros terminais na lista, sem nenhum receio”, afirma.

Alemão acredita que os próximos serão os aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Minas Gerais. “Com o sucesso do último leilão, o governo vai licitar outros. Confio que sejam cinco ou seis, com necessidades de investimento mais urgentes.” Para ele, também devem ser concedidos à iniciativa privada os aeroportos de Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Manaus. “Dentro da atual realidade brasileira, concessionar os


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EDITAL

Secretaria defende processo A Secretaria de Aviação Civil afirma, por meio de sua assessoria, que o governo federal publicou no dia 30 de setembro do ano passado, em edição extra do “Diário Oficial da União”, a minuta dos editais dos três aeroportos concedidos à iniciativa privada e que o texto seguiu para consulta pública por um mês, com o objetivo de permitir o levantamento de questionamentos e sugestões para o aperfeiçoamento do edital e do contrato de concessões. A SAC ratifica ainda que as minutas do edital e do contrato, bem como os estudos preliminares de viabilidade técnica, econômica e ambiental, foram

submetidos à audiência pública. Em outubro, foram realizadas sessões presenciais em Brasília e em São Paulo, para garantir um processo transparente e participativo. De acordo com a secretaria, foram registradas mais de 700 manifestações e realizados diversos ajustes nos documentos da concessão, como, por exemplo, a inclusão da obrigatoriedade de os consórcios participantes contarem com um operador aeroportuário com experiência comprovada. Desse modo, diz a assessoria, edital e contrato ficaram mais claros e alinhados com os interesses da sociedade. NA FILA Confins pode ser o próximo a ser licitado

terminais é o caminho. Existe lentidão nas decisões, em virtude das legislações. A administração atual não tem agilidade suficiente para fazer frente aos desafios que os aeroportos apresentam, com o aumento constante da demanda.” Alemão afirma que a iniciativa de concessão deveria ser pensada também para novos terminais. “Existem empresas privadas interessadas na concessão de aeroportos que ainda serão construídos. É hora de o Brasil aprovar empreendimentos do tipo.” O engenheiro aeronáutico Jorge Eduardo Leal Medeiros,

professor da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), diz que a concessão dos aeroportos é fundamental para que o setor consiga atingir uma administração que faça frente à demanda concentrada nos principais terminais. “O aumento no transporte regular de passageiros ultrapassou as expectativas, principalmente nos últimos cinco anos. Para gerir esses aeroportos de maneira eficiente, é necessário investimento elevado e com demandas altas de mercado.” Medeiros afirma que o modelo de leilão feito pelo governo federal

para Viracopos, Guarulhos e Brasília atingiu ágio muito elevado, o que afastou da concorrência grandes empreiteiras. O ponto positivo, de acordo com o professor, foi o fato de que um mesmo consórcio não venceu as propostas em um único Estado, já que Guarulhos e Viracopos estavam no pregão. “É mais sensato dividir a gestão e assegurar a competição. Assim, o passageiro é privilegiado.” Ele acredita que os aeroportos de Manaus e Recife correm por fora para estarem presentes no próximo leilão, que deve mesmo contar com a concessão do Galeão e de Confins.

“O aeroporto do Galeão necessita de investimentos, pois tem maior capacidade disponível, com duas pistas independentes e dois terminais, sendo um inacabado. Serão precisos R$ 800 milhões para recuperá-lo. É uma aplicação vultosa.” Medeiros acredita que a tendência é que o governo conceda os principais terminais, como vem fazendo com as rodovias. “Será necessário um controle muito apurado do que vai acontecer nos terminais concedidos. Espera-se que a Anac consiga fiscalizar e cobrar a especialidade no serviço, com o cumprimento das metas estabelecidas.” l


MERCADO

POR LIVIA

CEREZOLI

aber falar uma segunda língua é essencial para inúmeras profissões e, para os taxistas, não é diferente. Com os grandes eventos esportivos – Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 – que o Brasil vai receber, o volume de turistas estrangeiros deve aumentar e, com isso, a demanda pelos serviços de táxis. Por isso é é tão importante qualificar esses profissionais. Taxistas bem preparados oferecem um melhor atendimento aos clientes e têm melhores níveis de lucratividade e de rentabilidade. E os cursos de idiomas (inglês e espanhol) e de gestão oferecidos pelo programa Taxista Nota 10, uma parceria do Sest Senat, da CNT, da Escola do Transporte e do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), pode proporcionar melhores oportunidades de trabalho para a categoria em todo o país. Lançado em 2011 e totalmente gratuito, o programa tem por objetivo aprimorar os conhecimentos e aumentar a qualidade dos serviços prestados pelos taxistas, sejam eles empreendedores individuais, autônomos ou membros de cooperativas. A meta é qualificar 80 mil taxistas,

S

Para ser um Cursos de idiomas e de gestão melhoram os serviços sendo 40 mil no curso de línguas (20 mil em espanhol e 20 mil em inglês) e 40 mil no curso de gestão. As cidades-sede da Copa de 2014 e aquelas com maior apelo turístico são o foco principal do Taxista Nota 10, mas os cursos estão sendo oferecidos em unidades do Sest Senat e mais de 90 postos de atendimento do Sebrae.

Segundo as entidades envolvidas no programa, a expectativa é que o taxista esteja mais preparado para gerenciar seu próprio negócio e se tornar um autêntico cartão de visitas das cidades brasileiras, não só durante os grandes eventos, mas em todas as ocasiões que o Brasil recebe turistas. São esses profissionais que dão as

boas-vindas e deixam aquela primeira impressão da cidade. Todo o programa educacional foi desenvolvido na modalidade a distância para facilitar o acesso dos taxistas. Apostilas, CDs de áudio e jornais impressos permitem que os profissionais estudem em casa e até mesmo nos pontos de táxi, entre uma corrida e outra.


ARQUIVO PESSOAL

Da esquerda para a direita: Sandro, Danielli, Débora e Renato, família de taxistas de São Paulo

taxista nota 10 e ampliam as oportunidades de trabalho desses profissionais pelo país Para Djalma Francisco de Souza, taxista há 15 anos em Recife (PE), foi essa facilidade que o motivou a participar do programa. Inscrito no curso de inglês, ele afirma que os gestos, antes usados para a comunicação com os passageiros durante as viagens, já foram substituídos por algumas frases no outro idioma. “Recebemos muitos turistas

estrangeiros aqui no Recife, e eu tinha muita dificuldade para me comunicar com eles. Agora, com o que estou aprendendo no curso, tenho certeza que já consigo conversar pelo menos o essencial para as corridas”, afirma ele. Segundo Souza, para ser taxista não basta apenas ter carteira de habilitação e conhecer os caminhos

das cidades. É preciso também saber tratar bem os passageiros e gerenciar o negócio para obter os melhores resultados, por isso é tão importante a qualificação. Depois de concluído o primeiro curso, ele deve estudar espanhol e ainda fazer o de gestão. Os taxistas interessados podem participar dos três cursos oferecidos pelo programa. Os cursos

de idiomas não podem ser realizados simultaneamente. Apenas o de gestão pode ser cursado junto com o de inglês ou o de espanhol. Os conteúdos dos cursos de idiomas, com 120 horas/aula cada, abordam o vocabulário utilizado nos diálogos e nas situações vividas diariamente pelos profissionais. O prazo de conclu-


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TAXISTA NOTA 10 Saiba mais sobre o programa CURSOS OFERECIDOS Língua estrangeira (inglês ou espanhol) • Modalidade a distância, com material didático impresso e CD de áudio • Carga horária de 120 horas • Período de até 1 ano para conclusão • Avaliação presencial para obtenção de certificado Gestão de negócios para taxistas • Modalidade a distância • Estruturado em formato de edições de jornal • 15 edições, mensais, acompanhadas de selos colecionáveis • Certificado de conclusão será entregue mediante a apresentação de todos os selos que acompanham as publicações COMO PARTICIPAR Curso de língua estrangeira • As inscrições podem ser feitas pessoalmente em uma das unidades do Sest Senat participantes do programa Curso de gestão • As inscrições podem ser feitas pessoalmente em uma das unidades do Sest Senat participantes do programa ou nos pontos de atendimento do Sebrae ou nas centrais de atendimento: Sest Senat - 0800 728 2891 Sebrae - 0800 570 0800 Fonte: Escola do Transporte, Sest Senat

“Você pode estudar nos intervalos do trabalho ou no horário que for melhor para você” DANIELLI NOGUEIRA MAJELA, TAXISTA

são pode variar de três meses a um ano, dependendo do ritmo de estudo adotado pelo profissional. Para a obtenção do certificado, o taxista deve passar por uma avaliação presencial na unidade do Sest Senat onde fez a sua inscrição. Na profissão há apenas seis meses, Danielli Nogueira Gonçalvez Majela concluiu o curso de espanhol e já se inscreveu no de inglês. “Eu quero ser uma taxista com algum diferencial, foi por isso que procurei o curso. Para o meu trabalho, é importante conhecer outras línguas, principalmente porque trabalhamos com turistas e, aqui em São Paulo,

EXPECTATIVA O taxista Wolney Flávio do Carmo Campos, de Belo Horizo

com a Copa, o volume deve aumentar ainda mais”, afirma ela. Danielli vem de uma família de taxistas. Ela, o marido, a irmã e o cunhado estão na profissão e se inscreveram no programa. “É muito bom, porque um incentiva o outro. Queremos fazer as duas línguas e ainda o curso de gestão”. De acordo com Danielli, por ser um curso a distância, ele possibilita ainda mais a participação desses profissionais, já que não obriga a presença com horários fixos em salas de aula. “Você pode estudar nos intervalos do trabalho ou no horário que for melhor para você”, ressalta a taxista.

O programa educacional de gestão está baseado na distribuição de material informativo em formato de jornal impresso. Dentro do conteúdo disponibilizado estão assuntos relacionados aos diversos temas que fazem parte do cotidiano do taxista, como gerenciamento de serviços de táxi, empreendedorismo, pontos turísticos e informações locais, marketing pessoal, planejamento financeiro, administração do tempo, situações interessantes sobre a Copa de 2014, novas tecnologias para o serviço por táxi etc. O material também apresenta jogos e


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LILIAN MIRANDA

ARQUIVO PESSOAL

nte, prepara-se para a prova de inglês

“O curso me deu uma visão ampla do que é o serviço do taxista e como ele deve ser gerenciado” WOLNEY FLÁVIO CAMPOS, TAXISTA

FACILIDADE Djalma Francisco de Souza, taxista de Recife, aprovou o curso a distância

outras atividades de passatempo como meio de fixação do conteúdo aprendido, espaço destinado ao humor e dicas de turismo. O jornal tem periodicidade mensal com a circulação de 15 edições. Todas elas têm uma parte destacável para que o taxista possa, ao final, fazer a troca do material pelo adesivo de participação no programa. O mesmo pode ser fixado no táxi, identificando o profissional como um Taxista Nota 10. “O conteúdo desse material nos dá uma visão bastante ampla do que é o serviço do taxista e como ele deve ser

gerenciado. O curso só deve terminar no próximo ano, mas eu já consigo aplicar no meu dia a dia o que estou aprendendo. Com certeza meus passageiros estão sendo atendidos com mais qualidade”, afirma Wolney Flávio do Carmo Campos, taxista há 17 anos em Belo Horizonte (MG). De olho no crescimento da demanda de passageiros que a Copa do Mundo de 2014 pode gerar, ele já concluiu o curso de espanhol e agora estuda inglês. “O material fica no meu carro e, sempre que estou no ponto, aproveito para estudar. Espero fazer a prova em breve e ser aprovado também”, diz ele.

As inscrições para o programa continuam abertas em todo o país. Os interessados no curso de gestão podem se inscrever nas unidades do Sest Senat participantes do programa, nos postos de atendimento do Sebrae em todo o país ou pelos telefones 0800 728 2891 (Sest Senat) e 0800 570 0800 (Sebrae). Para os cursos de línguas, as inscrições somente podem ser feitas nas unidades do Sest Senat. Nos dois casos, é necessário preencher um cadastro com os dados dos documentos pessoais (RG, CPF e Carteira de habilitação) e o documento de registro de taxista. l


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RODOVIAS DO BRASIL – SUL

Transporte internacional Rodovias do Sul são importantes para o comércio entre países do Mercosul, para as exportações e o turismo; pesquisa aponta 39,6% de trechos pavimentados com problemas POR

ota fundamental para o transporte rodoviário internacional, ponto de saída para vários produtos de exportação e região com atrações turísticas visitadas o ano inteiro, o Sul do país precisa de mais investimentos em suas rodovias para resolver situações, como a necessidade de duplicação e melhor sinalização, entre outras intervenções. A região apresenta o menor índice do Brasil de rodovias com algum tipo de problema no

R

CYNTHIA CASTRO

pavimento, na sinalização e na geometria. Ainda assim, em aproximadamente 39,6% dos trechos avaliados na última Pesquisa CNT de Rodovias – todos pavimentados – foram constatadas deficiências. No Paraná, as pistas duplas com canteiro central estão presentes somente em 12,6% dos trechos avaliados. No Rio Grande do Sul, o índice é de 5,1%. Em Santa Catarina, somente 29,6% da extensão avaliada apresenta condições de superfície totalmente per-

feita. O Sul é a segunda região mais desenvolvida do Brasil, com destaque para a produção de trigo, soja, arroz, milho, feijão, tabaco e também para a extração de madeira de pinho. Nesta última reportagem da série sobre os dados regionalizados da Pesquisa CNT de Rodovias 2011, a revista CNT Transporte Atual mostra a opinião de especialistas, transportadores e de profissionais do turismo sobre o que a região precisa para se desen-

volver mais. Na avaliação do presidente da ABTI (Associação Brasileira de Transportadores Internacionais), José Carlos Becker, no Sul há duas “artérias fundamentais” que estimulam as atividades comerciais do Mercosul (Mercado Comum do Sul) e precisam ser totalmente duplicadas: a BR290 e a BR-472. “O Brasil está muito aquém do que poderia estar em relação à malha rodoviária. O país precisa buscar oferecer condições logísticas para que o


PESQUISA CNT DE RODOVIAS/DIVULGAÇÃO

BR-392: Rio Grande do Sul registra grande movimento de veículos que fazem transporte internacional do Mercosul

Rio Grande do Sul Classificação geral das rodovias

RIO GRANDE DO SUL Condição de superfície totalmente perfeita:

54,8% Rodovias com algum tipo de problema:

38,1% transporte avance. O transporte rodoviário internacional acaba sendo prejudicado por falta de condições das rodovias. Falta de duplicação, de sinalização”, afirma Becker. Ele lembra que essas duas rodovias fazem a ligação da Argentina com os outros Estados do Brasil, em direção a São Paulo. Por mês, segundo Becker, são mais de 30 mil caminhões que operam no transporte internacional, cruzando somente essas rodovias nos dois sentidos.


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AVALIAÇÃO DAS RODOVIAS Veja o resultado da Pesquisa CNT de Rodovias 2011 em relação aos Estados do Sul ESTADO GERAL (EM %)

PAVIMENTO (EM %)

SINALIZAÇÃO (EM %)

BR-283 Santa Catarina precisa

GEOMETRIA (EM %)

Ótimo

Bom

Regular

Ruim

Péssimo

Em todas as fronteiras do Brasil com a Argentina, a cada mês são 55 mil caminhões, conforme a ABTI. José Carlos Becker reclama que, além da necessidade de duplicação total dos trechos, há dificuldade de trafegabilidade em muitos pontos. “Essas e outras rodovias precisam oferecer melhores condições. Primeiro, para a maior segurança de nossos motoristas e de outros usuários das vias. E também porque transportamos muitas mercadorias


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Santa Catarina Classificação geral das rodovias

de boas rodovias para incentivar o turismo

SANTA CATARINA Condição de superfície totalmente perfeita:

29,6% Rodovias com algum tipo de problema:

46,4%

sensíveis, da área de informática, que precisam de estradas em boas condições para não serem prejudicadas”, diz Becker. A melhoria da sinalização é uma importante reivindicação para o Sul, na opinião do presidente da Fetransul (Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Estado do Rio Grande do Sul), Paulo Vicente Caleffi. Ele cita, por exemplo, a RS-020, que apresenta problemas, como o mato das margens da rodovia

cobrindo totalmente as placas em alguns trechos. O estado geral dessa rodovia e também o pavimento e a sinalização receberam classificação regular na pesquisa da CNT. O estudo apontou que a geometria é considerada péssima. Com isso, torna-se ainda mais imprescindível uma boa sinalização. “Durante o período de chuvas, a situação fica perigosa. Há muita neblina aqui. Essa RS-020 liga a serra gaúcha à capital. Se não houver uma

boa sinalização, o risco é maior”, considera Caleffi. Ele também afirma que as rodovias estaduais estão em pior estado do que as federais. Muitas rodovias estaduais do Rio Grande do Sul, pesquisadas pela CNT, tiveram a geometria classificada como péssima. Estado geral Em relação ao estado geral, 38,1% das rodovias do Rio Grande do Sul e também do Paraná apresentaram algum tipo de problema no


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ATRATIVIDADE

Incentivo ao turismo A boa qualidade das rodovias também é essencial para incentivar a atividade turística na região Sul. O Paraná tem uma das principais atrações do país, as Cataratas do Iguaçu, no oeste do Estado. As praias de Santa Catarina e a Serra Gaúcha também levam milhares de pessoas a cada ano para o Sul. Na opinião do diretor de relacionamento com o mercado da Abav (Agência Brasileira de Viagens) do Paraná, Geraldo Rocha, a duplicação de toda a extensão da BR-277, que liga Paranaguá e Curitiba a Foz do Iguaçu, é uma obra de extrema importância para o turismo. “Se o trecho for todo duplicado, vai oferecer mais segurança e contribuir para atrair mais turistas”, diz Rocha. O presidente da Fepasc (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros dos Estados do Paraná e Santa Catarina), Marco Antonio Gulin, ressalta que a reivindicação para se duplicar a BR-277 até Foz do Iguaçu é antiga. “Esse

é um eixo importantíssimo tanto para o transporte de passageiros como para o de cargas. Toda safra de grãos passa por ali. Além disso, Foz do Iguaçu é conhecida mundialmente e precisa oferecer toda infraestrutura necessária para os turistas.” O vice-presidente da Abav do Rio Grande do Sul, João Augusto Machado, diz que no Estado não são oferecidos muitos voos regulares para as cidades do interior. Com isso, o transporte de passageiros pelas rodovias se torna ainda mais fundamental. “Acredito que cerca de 90% do turismo dentro do nosso Estado ocorre pelas rodovias. As concessionadas estão em condições melhores, apesar do preço do pedágio. É importante investir sempre na conservação das rodovias”, avalia Machado. Ele comenta também que o Sul atrai turistas argentinos e de outros países. Mas as rodovias em boas condições são fundamentais para garantir a presença desses visitantes.

PARANÁ Condição de superfície totalmente perfeita:

34,9% Rodovias com algum tipo de problema:

38,1%

BR-280/PR-446 No Paraná, 65,1% dos trechos avaliados têm

“Não podemos nos contentar. Precisamos exigir melhores condições” PAULO CALEFFI, PRESIDENTE DA FETRANSUL

pavimento, na sinalização ou na geometria. Santa Catarina tem um índice mais elevado, 46,4%, e a média do Sul é de 39,6%. Apesar de outras regiões do país apresentarem uma situação mais precária em suas rodovias, Paulo Caleffi fez questão de ressaltar que o Sul não pode se conformar. “Realmente, não podemos nos contentar. E precisamos exigir melhores condições.” Em Santa Catarina, o presidente da Fetransesc (Federação


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PESQUISA CNT DE RODOVIAS/DIVULGAÇÃO

Paraná Classificação geral das rodovias

algum problema nas condições de superfície

das Empresas de Transportes de Cargas e Logística no Estado de Santa Catarina), Pedro Lopes, destaca a necessidade de se duplicar vários trechos de rodovias e também melhorar a sinalização, acostamentos, entre outras medidas importantes. Na BR-163, que liga o extremo oeste ao porto seco de Dionísio Cerqueira, é necessário alargar a pista e corrigir outros problemas, na avaliação de Pedro Lopes. “As cidades cresceram e começaram a se envolver

muito no trânsito. Vários locais passaram a ser passagem urbana. A pista é simples, e há necessidade de alargamento e de se colocar terceira faixa”, diz o presidente da federação. Ainda no extremo oeste do Estado, ele considera que é necessário duplicar alguns trechos da BR-282, especialmente na ligação de Xanxerê a Chapecó, que tem grande fluxo de veículos, e falta sinalização adequada. Em direção ao litoral cata-

“Tem que melhorar os acostamentos, eliminar pontos críticos” PEDRO LOPES, PRESIDENTE DA FETRANSESC

rinense, também é preciso melhorar a BR-282 até a BR101. Há muitas curvas perigosas, conforme destaca Pedro Lopes, e o fluxo de veículos aumentou muito nos últimos anos. “Tem que melhorar os acostamentos, eliminar pontos críticos que levam aos acidentes. No inverno, aumenta a nebulosidade, e a rodovia fica ainda mais perigosa.” Outra necessidade do Estado citada pelo presidente da Fetransesc é a BR-470, entre a BR-116 e os portos de


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EADI SUL/DIVULGAÇÃO

URUGUAIANA (RS) Porto seco na divisa com Argentina registra grande movimento de caminhões

“Além da ampliação, tem de haver investimento na manutenção” LUIZ ANSELMO TROMBINI, PRESIDENTE DA FETRANSPAR

Itajaí e Navegantes. “Essa rodovia é muito utilizada para o agronegócio e é importante pensar em um novo projeto de duplicação e melhoria”, diz Pedro Lopes, que também destaca a importância de obras na BR-101 e BR-116. No Paraná, há uma necessidade de ampliação das rodovias, tanto para a duplicação de alguns trechos como para a construção de outros, na avaliação do presidente da Fetranspar (Federação das

Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná), Luiz Anselmo Trombini. Ele cita a BR-277, que chega ao porto de Paranaguá. “Essa rodovia é pedagiada e está em ótimo estado. Mas, devido ao grande movimento do agronegócio, precisa de ampliação”, considera Trombini. O presidente da federação comenta que o Estado do Paraná é passagem de toda carga que segue do Rio

Grande do Sul e de Santa Catarina em direção aos outros Estados do Brasil, especialmente do Sudeste. Ele lembra também que o fluxo de carros de passeio nas rodovias tem aumentado nos últimos anos, o que indica a necessidade de investimento em melhorias. “As rodovias têm que ser olhadas com carinho. Além da ampliação, tem de haver muito investimento na manutenção. Não dá para nos conformar com tantos acidentes sempre que há um feriado prolongado ou mesmo em dias comuns.” A melhoria da sinalização e a duplicação de grande parte das rodovias do Sul do país também são reivindicadas pelo presidente da Fecam (Federação dos Caminhoneiros Autônomos dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina), Eder Dal'Lago. Ele cita que um dos melhores trechos, no Estado do Rio Grande do Sul, são os cerca de 90 km da BR-290 entre Porto Alegre e Osório. “É um trecho concessionado, duplicado, com terceira faixa. O motorista se sente seguro”, comenta. Entretanto, na opinião de Dal´Lago, para oferecer mais segurança aos usuários das rodovias do Sul, é necessário duplicar e melhorar a sinalização.


ENTREVISTA

“A região Sul tem papel importante no transporte de cargas” ARQUIVO PESSOAL

Duplicar toda a extensão da BR-101, BR-116 e BR-290, no Sul do país, é fundamental para incentivar tanto o transporte rodoviário internacional, entre o Brasil e outros países da América do Sul, como para estimular o desenvolvimento do país. A opinião é do engenheiro civil e doutor em transporte João Fortini Albano, membro do Lastran (Laboratório de Sistema de Transportes) da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Ele reforça a ideia de que é preciso investir nas rodovias do Sul para estimular o transporte de cargas e de passageiros, incentivando também a atividade turística na região. Qual a importância da malha rodoviária da região Sul do país para estimular o comércio internacional? A comercialização de mercadorias do Brasil com a Argentina, Uruguai e Chile pelo modal rodoviário acontece, principalmente, pelas seguintes rodovias federais: BR-101, BR-116 e BR-290. Por esse motivo, o estado de conservação do pavimento, a sinalização e a geometria das vias devem estar em boas condições para que o fluxo de veículos de carga ocorra de forma rápida. Aumentando assim a produtividade dos fretes e diminuindo os custos de transportes. O Sul tem um papel importante no transporte de cargas. Liga o Brasil aos países do Mercosul e ao Chile. Essas rodovias (BR-101, BR-116 e BR-290) são eixos importantes para o transporte interna-

cional, permitindo a ligação de Buenos Aires com os outros Estados importantes que não estão no Sul, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro. O senhor citaria algum problema que precisa ser resolvido para melhorar as relações comerciais do Mercosul? Julgo que as obras de conclusão da BR-101 estão muito atrasadas. As instalações e os procedimentos burocráticos de alfândega, principalmente no município de Uruguaiana (RS), devem ser reavaliados. Os dados da última Pesquisa CNT de Rodovias mostram que 39,6% dos trechos pesquisados (todos pavimentados) no Sul apresentam algum tipo de deficiência. Outras regiões têm índices piores. De qualquer forma, que tipo de prejuízos isso pode levar para o Sul e para o país? Rodovias que apresentam esses problemas (em relação à sinalização, ao pavimento e à geometria) prejudicam a circulação de matérias-primas e produtos acabados. Os custos finais dos produtos transportados são maiores. Muitos investimentos privados ficam aguardando melhor oportunidade ou procuram outros locais com maior garantia de infraestrutura adequada. Além do comércio internacional, como o senhor definiria a importância das rodovias do Sul do país? A região Sul se destaca, entre outras necessidades, para o

João Fortini Albano, da UFRGS

escoamento de safras agrícolas aos centros de consumo ou portos para exportação. Boas rodovias também estimulam a circulação de turistas entre os países do Mercosul. As praias de Santa Catarina são tão boas como as praias do Nordeste. Em algumas delas, o idioma predominante é o espanhol, pela quantidade de estrangeiros. Os argentinos não têm praias. Ou têm praia de água muito ruim e de água fria. Na avaliação do senhor, qual o principal gargalo das rodovias do Sul? Entre os maiores garga-

los e também entre as obras mais urgentes, está a duplicação da BR-101 Sul, em Santa Catarina, entre Palhoça e a divisa com o Rio Grande do Sul. Essa rodovia está em obras, mas precisa ter mais urgência. No Rio Grande do Sul, as duplicações da BR-290, de Porto Alegre até Cachoeira do Sul (RS), e da BR-116, entre Porto Alegre e Pelotas. A BR-116 está saturada. Há um tráfego muito intenso de caminhões. Essas rodovias precisam de duplicação integral. l


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FERROVIAS

Campanhas de prevenção Ações desenvolvidas por concessionárias têm conseguido reduzir o índice de acidentes POR

conscientização da comunidade que vive às margens das linhas férreas, dos colaboradores e de quem trafega pela malha é fundamental para a garantia da segurança das operações ferroviárias. Cientes disso, as concessionárias vêm desenvolvendo variadas campanhas de prevenção com vistas à diminuição dos acidentes, no âmbito interno e externo. O índice de ocorrências envolvendo trens de carga, de acordo com levantamento da ANTF

A

LETICIA SIMÕES

(Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), apresenta reduções, desde 1997, quando a malha brasileira foi privatizada. Os dados da ANTF revelam queda de mais de 80% no total de ocorrências registradas pelas operadoras, desde 1997. Naquele ano, foram computados 75,5 acidentes por milhão de trens.km (quantidade de acidentes em relação ao percurso realizado pelo trem na prestação do serviço). Em 2010, o índice foi de 14,2.

A FCA (Ferrovia CentroAtlântica) realizou uma grande ação durante o feriado da Semana Santa deste ano. “O objetivo foi atingir pessoas que viajam de carro e que procuram algum lugar de descanso durante um feriado prolongado. Por isso, o foco foram cidades estratégicas ao longo da linha, onde o alerta sobre a importância de obedecer às leis de trânsito foi trabalhado pela equipe”, diz Wellington Amaral, coordenador de segurança operacional da concessionária.

A campanha foi realizada em 41 municípios. “O alcance foi grande e satisfatório. O material elaborado continha atividades, como jogos, o que tornava a leitura do encarte de segurança interessante tanto para os motoristas como para as crianças.” Segundo Amaral, a FCA realiza campanhas semelhantes sempre que avalia ser prudente efetuar os alertas de segurança. “Em geral, essas ocasiões são marcadas por feriados prolongados, como Carnaval, Semana


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FCA/DIVULGAÇÃO

PREVENÇÃO A concessionária FCA realizou campanha de conscientização em 41 municípios durante o Feriado da Semana Santa

Santa ou festas de fim de ano. Durante a última ação, não houve nenhuma ocorrência.” A próxima campanha de segurança da concessionária será executada durante o feriado da Independência, em setembro. O coordenador afirma que, além das ações durante os feriados, a FCA mantém o seu registro de ocorrências sempre atualizado. “A empresa atua de modo permanente na melhoria de sinalização, roçadas, procedimentos operacionais, como uso de faróis, buzinas e contro-

le de velocidade, entre outros aspectos que primem pela segurança da atividade.” A MRS foca seus procedimentos de segurança em campanhas diversificadas. O “Fique de Olho” é direcionado aos colaboradores. Anselmo Matias de Araújo é maquinista da empresa há 23 anos. Segundo ele, os funcionários gostam e recebem bem todas as ações preventivas. “As informações estão diretamente ligadas à vida de todos os colaboradores e da comunida-

de. Elas chamam a atenção para eventos importantes, que podem passar despercebidos no dia a dia de trabalho.” Larissa Furtado, gerente de segurança operacional da MRS, diz que estão programadas, ainda para este ano, 11 campanhas para o público interno. Uma delas se chama “Uma Vida Leva a Outra”. “A estratégia é trabalhar a consciência do colaborador para a segurança, com o objetivo de mostrar os laços que envolvem as vidas das pessoas e quais con-

sequências a falta de atenção durante o trabalho podem acarretar, com impactos na família, nos colegas, nos vizinhos e nos amigos. A receptividade foi excelente.” Outra ação contempla os familiares dos colaboradores. “O programa ‘Parceiros em Segurança’ leva as famílias de maquinistas e mecânicos para conhecerem o ambiente de trabalho e ver os riscos da atividade. Assim, os parentes também contribuem para a conscientização dos funcionários.”


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ÍNDICE DE ACIDENTES Ocorrências por milhão de trens x km 75,50 80 69,30 70 64,90 60 53,10 50 35,50

40

33,60

39,40

30

32,90 30,40 14,40

20

14,70

15,60

2008

2009

16,07

14,20

14,70

10 0 1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2010

2011 Fonte: ANTF

Para a comunidade atingida pelas atividades da concessionária, a MRS elaborou uma série de blitze educativas nas escolas dos municípios localizados ao longo da malha. “Uma situação comum são estudantes brincando e trafegando ao longo da linha. Por isso, a importância da campanha nas escolas”, diz Karla Roberta Oliveira, gerente de segurança patrimonial da empresa. Em apenas uma semana do ano passado, a MRS registrou 16 ocorrências de acidentes. De acordo com Karla, os atropelamentos estavam entre os mais

frequentes. “Na maioria das ocorrências, a causa principal foi a negligência dos pedestres com a sinalização.” Essa realidade levou a concessionária a investir em uma dupla de motociclistas que percorrem, diariamente, trechos com maior concentração de ocorrências. “Eles trafegam pela linha minutos antes de a composição passar. São responsáveis pela abordagem com a comunidade, retirando as pessoas das margens da ferrovia.” Segundo a gerente, a comunidade tem sido receptiva às

ações. A campanha recebeu o nome de “Limpa Trilhos”. Durante todo o segundo semestre de 2011, a MRS registrou nove ocorrências nos trechos onde a ação é realizada. A FTC (Ferrovia Tereza Cristina) desenvolve, desde 1997, o programa “Paz na Linha”. De acordo com Abel Passagnolo Sérgio, gerente da divisão de Transporte e Manutenção da empresa, os investimentos realizados na campanha possibilitaram a redução no indicador de acidentes ferroviários. “O programa visa orientar crianças,

motoristas e pedestres quanto à prevenção de acidentes na linha férrea.” Sérgio diz que as campanhas são divididas em duas vertentes. Uma voltada para a conscientização dos alunos de escolas públicas e privadas, com foco na prevenção e nos riscos do transporte ferroviário, e a outra direcionada aos condutores rodoviários, realizada por meio de panfletagem com dicas de segurança para o motorista. A campanha voltada às crianças alerta para os cuidados a serem tomados quando


ALL/ DIVULGAÇÃO

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SEGURANÇA A FTC desenvolve, desde, 1997 o programa “Paz na Linha”

se está próximo à linha férrea. “São ministradas palestras e concursos de redação e desenho com temas relacionados à segurança. As crianças levam para casa um gibi com história e brincadeiras que reforçam o conteúdo transmitido nas apresentações”, afirma o gerente. Os motoristas são orientados em blitze realizadas nos principais cruzamentos rodoferroviários, nos 13 municípios por onde passa a FTC. “São entregues kits do programa, com sacola de lixo para carros, adesivo e folder com dicas preventivas.”

Sérgio avalia positivamente o efeito das ações da concessionária, mas reconhece que o trabalho ainda deve ser intensificado para atingir os motoristas. “Os condutores rodoviários insistem em transitarem ou cruzarem a linha férrea sem respeitar a sinalização. Por esse motivo, a FTC investe cada vez mais em segurança e na prevenção de acidentes.” Ele admite que os números ainda não são os desejados pela concessionária. “As cidades têm crescido, e o número de veículos que trafegam às margens da malha cresce ainda

mais. Não fossem os efeitos do programa, as ocorrências certamente seriam maiores.” Os registros da FTC variam de ano para ano. Em 1997, foram 17 ocorrências, entre colisões por abalroamento e atropelamentos. Nos últimos três anos, foram registrados 22 acidentes em 2009, 18 no ano seguinte e 24 em 2011. Para a professora aposentada Nelsa de Souza Schneider, moradora do bairro Passagem, em Tubarão (SC), comunidade lindeira da concessionária, as ações de prevenção da empresa têm sido eficientes. “As crianças aprendem desde cedo os cuidados que devem ter ao se aproximarem da linha férrea.” A ALL (América Latina Logística) investe em palestras nas escolas e em campanhas específicas para o público jovem e para condutores rodoviários. Fernanda Tonet, gerente de responsabilidade corporativa da empresa, ressalta que as ações são desenvolvidas durante todo o ano. “A seleção das instituições de ensino é feita em conjunto com os comitês da companhia, que identificam as áreas onde existe um fluxo maior de estudantes atravessando a via para ir à escola.” A campanha dirigida aos jovens alerta sobre os riscos do surfe ferroviário. “São distribuí-

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dos folhetos específicos em locais onde há concentração de jovens. O material alerta sobre os riscos desse tipo de ação, que, muitas vezes, é fatal.” Segundo Fernanda, o fato de a abordagem ser feita também por jovens, na maioria das vezes voluntários, contribui para a aceitação da campanha. A gerente acredita que, apesar do esforço coletivo das concessionárias em alertar a sociedade sobre os riscos pertinentes à operação ferroviária, ainda falta consciência por uma parcela considerável da população. “Como o modal ficou por anos estagnado, as pessoas se distanciaram dos cuidados fundamentais.” Luiz Carlos Gomes Diniz, supervisor de manutenção de locomotivas da ALL, afirma que, a partir das campanhas de segurança, os colaboradores passaram a se monitorar. “Todos repassam as informações apreendidas para os colegas e levam para o dia a dia os alertas.” Para ele, as ações realizadas corpo a corpo têm maior alcance. “Dessa maneira, a companhia demonstra que se importa de verdade com a segurança dos funcionários e da comunidade. Mídias eletrônicas são muito rápidas. Feitas pessoalmente, as informações têm um entendimento maior.” l


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AQUAVIÁRIO

Auxílio para a segurança Portos testam nova tecnologia para tornar o monitoramento marítimo mais amplo e eficaz POR LETICIA

s principais portos brasileiros terão a possibilidade de contar com um sistema de monitoramento marítimo mais amplo e eficaz. Trata-se do VTMS (Sistema de Gerenciamento do Tráfego de Embarcações, na tradução para o português). Autoridades portuárias de alguns terminais já fazem o uso isolado de sensores e recursos que compõem o equipamento para atender suas necessidades de monitoramento e controle. Mesmo que na prática o VTMS ainda não esteja sendo aplicado em sua totalidade, existem projetos para a implantação integral da tecnologia, prevista para os próximos anos. O VTMS teve origem na Europa,

O

SIMÕES

no período pós-Segunda Guerra Mundial. O capitão de mar e guerra Walter dos Santos Duarte Júnior, diretor do CAMR (Centro de Sinalização Náutica Almirante Moraes Rêgo) da Marinha do Brasil, explica que em função do aumento do comércio marítimo entre as nações e a consequente ampliação do movimento nos portos e terminais, àquela época, ficou evidente que os auxílios audiovisuais de curto alcance não eram suficientes para permitir a total utilização das facilidades dos portos sob todas as condições de visibilidade e densidade de tráfego. De acordo com ele, os atrasos gerados pelas condições ambien-

tais adversas e os congestionamentos no fluxo de navios representaram sérios problemas às operações, com consequências em outros modais de transporte. “Nesse sentido, iniciou-se a instalação de um sistema de radar com fins exclusivos de controle do tráfego, denominado VTS (Serviço de Tráfego Marítimo, na tradução para o português), que foi rapidamente adotado por diversos portos e terminais do continente europeu.” Júnior diz que, com o passar do tempo, outros módulos foram sendo acrescidos à tecnologia do VTS, dando origem aos conceitos de dois sistemas mais amplos, o VTMS e o VTMIS (Sistema de Gerenciamento e Informação do

Tráfego de Embarcações). “Atualmente, tal diferenciação não é mais necessária, e os nomes se confundem. As referências de VTS cabem tanto ao sistema original quanto àquele acrescido de outros recursos que permitem o compartilhamento das informações com agências interessadas na operação do porto.” O VTMS, define o capitão, é uma ampliação do VTS, na forma de um sistema integrado de vigilância marítima, que incorpora outros recursos de telemática, a fim de permitir o compartilhamento direto dos dados ou o acesso a determinados subsistemas. “Dessa forma, a efetividade das operações portuárias ou da atividade marítima, como um todo, é potencializada.” O porto de Paranaguá, no Paraná, vem testando um sistema de controle desenvolvido pela autoridade portuária do terminal, que utiliza isoladamente sensores que fazem parte do VTMS. De acordo com a assessoria do porto, pelo fato de o programa ainda estar na fase inicial, não há informações a respeito que possam ser divulgadas. Os requisitos de funcionamento do VTMS são de responsabilidade da IMO (Organização Marítima Internacional). No Brasil, cabe à Marinha, por meio do CAMR, a responsabilidade técnica em autorizar, licenciar e inspecionar a operação do sistema.


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SÉRGIO COELHO/CODESP/DIVULGAÇÃO

TECNOLOGIA Porto de Santos utiliza aplicativos do VTMS no gerenciamento de tráfego do terminal

Segundo o capitão Júnior, o VTMS é um auxílio eletrônico à navegação. O sistema é capaz de prover monitorização ativa do tráfego aquaviário, ampliar a segurança da vida humana no mar e da navegação, além de proteger o meio ambiente nas áreas em que existe intensa movimentação de embarcações ou risco de acidente de grandes proporções. “O serviço guarda semelhança com o de controle de voos, presente em todos os aeroportos.” O VTMS é composto por um sistema de identificação automática, conhecido pela sigla AIS, por um conjunto de radares, pela comunicação em VHF via circuito fechado de TV e por um sistema que integra

e disponibiliza as informações necessárias ao operador em um centro de operações, onde são monitoradas as condições de navegabilidade na área do porto e do deslocamento das embarcações. O capitão afirma que a tecnologia vai favorecer a vigilância do tráfego marítimo em vários aspectos, como na supervisão contínua da área de fundeio (local onde a embarcação lança âncora), na rota principal aos terminais portuários e na identificação de navios na área de espera. “Além disso, o VTMS traz outras vantagens, como informações aos navios durante condições de mau tempo referentes à situação de

tráfego, regulação do fluxo de acesso aos portos e terminais e melhoria do planejamento das atracações e meios de comunicação com as embarcações, de modo a prevenir encalhes acidentais e colisões nos canais de ingresso aos portos e terminais, entre outros benefícios.” O custo de implantação do VTMS depende das características do porto em que o sistema será implantado. “Ele é modular. O investimento depende também dos recursos de operação desejados pela autoridade portuária de cada terminal”, diz Júnior. O oficial ressalta que outros portos irão fazer testes com alguns sensores do VTMS, isoladamente. A

adoção total do sistema, segundo ele, depende unicamente da autoridade portuária ou do operador portuário do terminal, devendo ser implementada de acordo com o movimento de embarcações dos locais. “Os sistemas de controle utilizados por diversas autoridades portuárias podem ser considerados como embriões do sistema VTMS no Brasil. A experiência adquirida certamente será valiosa para a fase inicial da implantação do serviço nos portos brasileiros”, afirma Júnior. Procurada para fornecer detalhes sobre a implantação do VTMS nos portos brasileiros, a SEP (Secretaria de Portos) não se pronunciou. l


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COMANDOS DE SAÚDE

uidar da saúde é fundamental para garantir maior bem-estar e também para aumentar a segurança no trânsito, especialmente no caso dos motoristas profissionais. Os números do projeto Comandos de Saúde, realizado pelo Sest Senat e pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), mostram que é preciso aumentar os cuidados. Em 2011, mais da metade (63,09%) dos motoristas de caminhão atendidos pelas ações nas rodovias de todo o Brasil estava acima do peso. Sonolência foi constatada em 13,53%, e 27,19% apresentaram pressão alta. Para alertar os caminhoneiros sobre a necessidade de tomar atitudes que previnam algumas doenças, a primeira etapa do programa, em 2012, teve como tema “A Importância da Atividade Física para a Saúde”. Foram cerca de 2.400 atendimentos nas ações, em todas as regiões. Os motoristas fizeram testes de glicemia, colesterol, porcentagem de gordura no organismo e pressão. Também foram avaliadas a acuidade visual e auditiva, a

C

Contra o sedentarismo Ação do Sest Senat e da PRF alerta sobre atividade física; 63% dos caminhoneiros atendidos em blitze educativas estão acima do peso POR

frequência cardíaca, entre outras questões de saúde. São cerca de 30 testes, e os caminhoneiros receberam ainda um alerta sobre os cuidados para evitar doenças sexualmente transmissíveis. Na maioria dos Estados brasileiros, a blitz educativa foi realizada no dia 23 de maio. No Distrito Federal, a ação ocorreu na BR-070, região administrativa de Ceilândia, a cerca de 20 quilômetros de Brasília. A médica Maria Aparecida Narciso Murr, do Ambulatório de Saúde do Homem do DF, destacou a importância da

CYNTHIA CASTRO

atividade física e a necessidade de se buscar uma alimentação balanceada. Um dos problemas constatados entre os caminhoneiros atendidos no último Comandos de Saúde era o quadro de hipoglicemia, ou baixo nível de glicose no sangue. Segundo a médica, esse fato se deve, em grande parte, à falta do café da manhã, pois muitos motoristas disseram estar em jejum antes do almoço. Além de ser prejudicial à saúde, o motorista pode sentir tontura na direção e ficar mais desatento, aumentando assim o risco de acidente,

explicou. “Antes de sair para a viagem, é necessário tomar pelo menos um café com leite e pão com margarina. Se puder acrescentar uma fatia de queijo e uma fruta, é o ideal”, disse Maria Aparecida. Fazer a opção por alimentos leves durante as refeições também é fundamental. Não só para estar mais saudável, como também para reduzir a sonolência no período da tarde. A médica alerta que, se escolher uma massa, o motorista não deve comer batata. Farinha aumenta o triglicerídeos (um dos compo-


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FOTOS JÚLIO FERNANDES/CNT

ALONGAMENTO Motoristas fizeram exercícios durante o Comandos de Saúde; foram mais de 2.000 atendimentos


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“Prefiro cozinhar minha própria comida. Em CÉLIO BOENG, MOTORISTA

CUIDADO Depois dos exames, motoristas receberam orientações

Desde

2006, Sest Senat e PRF desenvolvem programa juntos

nentes gordurosos do sangue que podem elevar o risco de doenças cardiovasculares), então é preciso haver moderação. Carne de porco e pimenta também não devem ser ingeridas com excesso. “E é importante sempre tentar comer alguma verdura”, alertou a médica. Sonolência A sonolência ao volante está presente entre as causas de acidentes graves registrados pelo país, conforme alerta o inspetor Lejandre Monteiro, chefe da

PARADA PARA A SAÚDE O motorista Célio Boeng viajava de Belém

RESULTADOS Conheça alguns números das operações do projeto Comandos de Saúde nos últimos anos Motoristas acima do peso (%) 2006 49,52%

2007

2008

2009

2010

2011

50,38%

63,42%

65,43%

63,20%

63,09%

Motoristas com pressão alta (%) 2006

2007

2008

2009

2010

2011

40,17%

36,27%

37,92%

28,01%

25,43%

27,19%

Motoristas com sonolência 2006

2007

2008

2009

2010

2011

1,70%

4,52%

8,92%

14,86%

15,07%

13,53%


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alguns lugares, o tempero é muito forte e há pouca opção”

para o Rio de Janeiro

CONSCIENTIZAÇÃO Projeto incentiva a prevenção de problemas de saúde

Divisão de Saúde e Assistência Social da PRF. Em 2011, o índice geral de sonolência registrado nos Comandos de Saúde ao longo do ano foi de 13,53%. “É um índice muito alto. Se considerarmos que há mais de 1 milhão de caminhoneiros no país e se esse mesmo percentual estiver dirigindo com sono, aumenta muito o risco de acidentes.” O coordenador-geral de recursos humanos da Polícia Rodoviária Federal, Adriano Furtado, acredita que a regulamentação da profissão de moto-

rista, prevista na lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff no início de maio, deve contribuir para que os motoristas tenham mais conforto no trabalho. “Esperamos que essa lei resolva o problema da carga horária em excesso, entre outras situações. Vai ser muito positivo”, considera Furtado. Sest Senat O Sest Senat desenvolve o programa Comandos de Saúde com a Polícia Rodoviária Federal. Ao serem parados nas blitze edu-

“Antes de sair, é necessário tomar o café da manhã” MARIA APARECIDA NARCISO MURR, MÉDICA

cativas, os motoristas profissionais podem conhecer mais o trabalho das unidades para que possam utilizar os atendimentos em saúde, área de lazer e também fazer algum curso de qualificação em diferentes áreas do transporte. “Temos unidades do Sest Senat em todo o país, e esse trabalho do Comandos de Saúde é muito importante. Os motoristas gostam de participar”, disse o coordenador de promoção social da unidade de Samambaia, cidade administrativa do Distrito Federal, Geraldo Ângelo. Valdivino Souto de Araújo, 38, passou por todos os exames. Preocupado com a saúde, ele disse que joga futebol pelo menos três vezes por semana. “Faço viagens mais curtas, de cerca de 300 quilômetros. Então, fica mais fácil jogar o futebol toda semana. Para quem viaja para mais longe, é mais difícil. De qualquer forma, é importante tentar cuidar da saúde.” Uemblei Lopes da Silva, 33, descobriu no Comandos de Saúde que precisará mudar alguns hábitos. O exame de sangue apontou que o triglicérides está muito elevado. A pressão também estava um pouco alterada. “Já estou saindo daqui com encaminhamento médico para ser atendido no Distrito Federal. Quando a


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PREVENÇÃO

Cuidados com a coluna Para evitar problemas na coluna e melhorar a circulação sanguínea, os motoristas profissionais devem praticar alguns exercícios de alongamento antes, durante e depois do trabalho. Alguns exercícios rápidos podem fazer grande diferença para o maior conforto e saúde desses profissionais do transporte. Conforme lembra o presidente da CNT e do Sest Senat, o senador Clésio Andrade, “a prevenção para se ter uma coluna saudável é essencial. Cuidados mínimos com os movimentos e levantamentos de pesos podem evitar diversos problemas”. Clésio Andrade alerta que conhecer algumas informações simples sobre a melhor postura pode garantir a saúde da coluna. Durante as blitze do Comandos de Saúde, os motoristas receberam orientações

sobre quais exercícios simples podem fazer. Eles também participaram de uma atividade de alongamento ao lado da rodovia. “É importante reservar um tempinho. Esses alongamentos podem aliviar dores na coluna, e o motorista passa muitas horas assentado. Muitas vezes, de forma incorreta, com o banco reclinado. Fazer alguns exercícios rápidos é muito positivo”, disse a promotora de esportes e lazer do Sest Senat de Samambaia (DF), Daiane Pimentel. No momento em que estiver na direção, uma dica importante é retirar a carteira do bolso traseiro. E, à noite, dormir deitado de lado, com as pernas levemente dobradas, é mais saudável. Para aumentar o conforto, ajuda o uso de um travesseiro pequeno entre as pernas. ATENDIMENTO Programa faz exame de vista

“A prevenção para se ter uma coluna saudável é essencial” SENADOR CLÉSIO ANDRADE, PRESIDENTE DA CNT E DO SEST SENAT

doença decide chegar, ela não espera nada. Então, a gente tem que se prevenir mesmo.” A dificuldade de conseguir um horário para cuidar da saúde é uma reclamação constante de muitos motoristas. No dia do Comandos de Saúde, Célio Boeng, de Ituporanga, em Santa Catarina, parou rapidamente na blitz montada na BR-070. “É um projeto muito importante, mas nossa vida

é muito corrida.” Para se alimentar de forma mais saudável e também para conseguir gastar menos dinheiro, Boeng prefere cozinhar sua própria comida. “Em alguns lugares, o tempero é muito forte e há pouca opção.” Neste ano, pelo menos mais duas ações do Comandos de Saúde devem ser realizadas nas rodovias brasileiras. O coordenador-geral de recursos huma-

nos da Polícia Rodoviária Federal fez questão de ressaltar que o projeto tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida de um profissional tão importante para o Brasil. “O motorista de caminhão transporta as riquezas do país. E o Brasil fez a opção pelo transporte rodoviário de cargas. Então, esse profissional precisa estar bem”, diz Adriano Furtado.” l


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CAMPANHA

Conscientização nacional Unidades do Sest Senat de todo o país promovem ação contra exploração sexual de crianças e adolescentes POR

aminhadas, gincanas, palestras, distribuição de material informativo e exibição de filmes marcaram as atividades realizadas pelas unidades do Sest Senat de todo o país durante o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data, instituída em 1998 pela lei nº 9.970, é uma referência ao caso da garota Araceli Cabrera Sanches, que em 18 de maio de 1973, aos 8 anos de idade, foi sequestrada, drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família de Vitória, no Espírito Santo. O Sest Senat apoia a campanha

C

LIVIA CEREZOLI

nacional e, anualmente, vem realizando diversas atividades de conscientização sobre o tema. “Nosso objetivo é alertar a população sobre esse tipo de crime que vem sendo cometido contra as nossas crianças e adolescentes. O Sest Senat se mantém atuante nessa campanha por acreditar na importância do assunto”, afirma o presidente da CNT e do Sest Senat, senador Clésio Andrade. Em Araxá (MG), aproximadamente mil pessoas estiveram envolvidas nas ações organizadas pelo Sest Senat. Uma carreata reuniu centenas de veículos no trajeto entre a unidade e o Estádio Municipal Fausto Alvim. De lá, os participantes seguiram a

FLORIANÓPOLIS Centenas de pessoas participaram da atividade na ave


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FOTOS SEST SENAT

ARAXÁ Participantes da campanha formaram um banner humano no dia de combate à exploração sexual

nida Beira Mar Norte

BARRA MANSA Mais de 2.000 cartilhas educativas sobre o tema foram distribuídas

pé até o centro da cidade distribuindo material informativo sobre o tema. Eles também formaram um banner humano com a data 18 de maio no pátio do Sest Senat. De acordo com a diretora da unidade, Sílvia Márcia Mazeto, o evento foi uma excelente oportunidade para unir forças por uma causa tão nobre. Na unidade de Poços de Caldas, também em Minas Gerais, a programação foi realizada durante todo o mês de maio. No dia 11, alunos de 15 a 18 anos do programa Jovem Aprendiz e de mais cinco escolas municipais assistiram a palestras sobre os aspectos jurídicos do abuso e da exploração sexual, as modificações ocorridas no corpo, e como aprender a se valorizar e a se respeitar. No dia 18, o assunto foi levado para a praça Pedro Sanchez, área central da cidade. Em parceria com a Polícia Militar e o Conselho Tutelar, quem passava pelo local recebia orientações sobre o tema. O evento foi encerrado com uma caminhada que reuniu aproximadamente 400 pessoas. As atividades em Florianópolis (SC) foram realizadas durante toda a semana e contaram com a participação dos alunos dos diversos cursos do Sest Senat. Além de palestras e distribuição de folders, o filme “Mudança de Rumo”, que relata um caso de


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POÇOS DE CALDAS As orientações foram levadas para o centro da cidade

“O Sest Senat se mantém atuante por acreditar na importância do assunto” SENADOR CLÉSIO ANDRADE, PRESIDENTE DA CNT E DO SEST SENAT

exploração sexual de uma adolescente, produzido pela entidade, em 2009, também foi exibido. Na sexta, dia 18 de maio, uma caminhada pela avenida Beira Mar Norte encerrou as atividades. Mais de 2.000 cartilhas elaboradas pelo Sest Senat para alertar a população sobre o tema da exploração sexual de crianças e adolescentes foram distribuídas pela unidade de Barra Mansa (RJ). Uma tenda foi montada na Praça da Matriz e, com o apoio da Secretaria de Promoção Social da cidade, todas as pessoas que passaram

pelo local receberam orientações sobre as maneiras de denunciar esse crime. O tema da violência sexual praticada contra crianças e adolescentes ganhou destaque em 1990 com a criação do Eca (Estatuto da Criança e do Adolescente). Porém, foi só a partir de 2000, com a inclusão do artigo nº 244-A no documento, que a prática da exploração sexual infanto-juvenil passou a ser considerada crime, com pena de quatro a dez anos de reclusão e multa. Pelo artigo, também “incorrem nas mesmas

TERESINA A caminhada organizada pelo

penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifique a submissão de criança ou adolescente às práticas referidas”. Em Teresina (PI), uma caminhada organizada pelo Sest Senat com o apoio da prefeitura reuniu mais de 650 pessoas. Elas levaram mensagens de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes a quem passava pelo trajeto entre o Shopping Riverside e a Ponte Estaiada. As atividades do Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes do


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Sest Senat reuniu mais de 650 pessoas

Foram recebidas

34.142 denúncias entre janeiro e abril deste ano

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SANTARÉM Blitz educativa conscientizou motoristas sobre a necessidade de se combater o crime

Sest Senat de Santarém (PA) começaram no dia 18 de maio, com exibição de filme e uma palestra ministrada por psicólogos do Iespes (Instituto Esperança de Ensino Superior) para alunos do programa Jovem Aprendiz e da Escola Wilson Fonseca. No sábado, dia 19, em parceria com a Secretaria Municipal de Transporte, a Polícia Militar e o Sistema Tapajós de Comunicação, a unidade realizou uma blitz educativa na avenida Curua Una. Mais de 300 motoristas foram abordados e receberam orientações sobre o tema.

Todos os casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes devem ser denunciados. Desde 2003, a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com a Petrobras e o Cecria (Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes), mantém o Disque 100. O serviço recebe e encaminha denúncias de violência contra crianças e adolescentes para a rede de proteção e responsabilização do local onde a vítima se encontra. A ligação é gratuita e o usuário não precisa se identificar.

Desde março deste ano, o atendimento foi ampliado e agora é realizado durante 24 horas, inclusive aos domingos e feriados. De janeiro a abril deste ano, foram recebidas 34.142 denúncias, o que representa 71% de aumento em relação ao mesmo período do ano anterior. Relatos de abuso, exploração e outros tipos de violência sexual estiveram presentes em 22% do total de denúncias. A Bahia é o Estado com o maior número de denúncias de abuso e exploração sexual. Foram 962 e 250 casos denunciados, respectivamente. l


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JULHO 2012

SEST SENAT

Preservação ambiental O Dia Mundial do Meio Ambiente também foi lembrado pelo Sest Senat; unidades realizaram ações em todo o país POR

om o objetivo de alertar os trabalhadores do setor de transporte e toda a sociedade sobre a importância da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável, o Sest Senat desenvolveu diversas atividades para lembrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado desde 1972 em todo o mundo.

C

LIVIA CEREZOLI

Entre os dias 4 e 22 de junho, as unidades promoveram concursos de redação em parceria com escolas públicas, realizaram palestras, plantio de árvores nativas de cada região e ainda distribuíram materiais educativos sobre atitudes e práticas que, incluídas no dia a dia do cidadão, contribuem para a preservação do meio ambiente.

Um dos temas abordados foi a utilização correta dos veículos para evitar o crescimento dos índices de emissão de CO2 na atmosfera. São práticas simples que muitas vezes deixamos passar, como não andar com os vidros abertos em velocidades superiores a 80 km/h, abastecer sempre todo o tanque para evitar vários deslocamentos ao

posto de combustível, além de dar preferência para o transporte coletivo e compartilhar o carro com outras pessoas sempre que possível. E dirigir de forma consciente significa não só preservar o meio ambiente, mas evitar gastos com combustível e manutenção. Ao trabalhar o tema, o Sest Senat espera contribuir para a preservação dos espaços verdes, a transformação das pessoas e o desenvolvimento econômico sustentável, melhorando, simultaneamente, a qualidade de vida de seu público-alvo, de seus colaboradores e da sociedade em geral. “Há alguns anos, abraçamos a causa em nossas unidades com a implantação da coleta seletiva e de outras práticas ambientalmente corretas. E neste ano, em que o Brasil sedia um dos maiores eventos ambientais do mundo, a Rio +20, não poderia ser diferente”, afirma o presidente da CNT e do Sest Senat, senador Clésio Andrade. Acompanhe a seguir as atividades desenvolvidas pelas unidades.


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FOTOS SEST SENAT

LONDRINA (PR)

iversas atividades às margens do lago Igapó, em Londrina, marcaram o início das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, no domingo, dia 3 de junho. Realizado em parceria com o Lyons Clube da cidade, o evento reuniu aproximadamente 1.200 pessoas. O Sest Senat apresentou as ações do Despoluir – Programa Ambiental do Transporte, desenvolvido pela CNT

D

desde 2007. Durante toda a semana, técnicos do programa realizaram aferições para medir o índice de poluição emitido pelos veículos de cinco empresas de transporte de passageiros da cidade. Ao todo, foram vistoriados 230 ônibus. No dia 5, quem passou pelo Sest Senat Londrina também recebeu material com orientações sobre a maneira correta de dirigir o veículo e assim reduzir a poluição do ar.

TRÊS LAGOAS (MS) Sest Senat de Três Lagoas desenvolveu atividades focadas na importância do recolhimento e do manejo adequado do lixo durante o evento em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Mais de 250 pessoas participaram de um arrastão de limpeza na praça Ramez Tebet. O evento, que teve como tema “Meio ambiente, meio de vida”, contou com a parceria da prefeitura municipal e da Polícia Florestal do Estado. Foram recolhidos papéis, copos plásticos, bitucas de cigarros e outros materiais que deveriam ser jogados diretamente no lixo, mas poluíam uma área de lazer da população. Para encerrar as atividades, no dia 11 de junho, 40 mudas de espécies variadas de árvores foram plantadas na área da unidade do Sest Senat pelos alunos do programa Jovem Aprendiz.

O


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SETE LAGOAS (MG) ais de 700 pessoas participaram do evento realizado, no dia 5 de junho, pela unidade do Sest Senat na praça Dom Carmelo Mota, em Sete Lagoas. Em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o Sesc de Belo Horizonte (MG), a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e o posto de combustível Três Poderes, foram distribuídos panfletos informativos sobre a maneira correta de dirigir e assim reduzir a emissão de poluentes pelos veículos, e distribuídas mudas de árvores. Também foram realizados exames de aferição de pressão arterial, medição de glicose, rua de lazer para crianças, torneio de pingue-pongue e exposição de artesanato reciclável.

M

DICAS AMBIENTAIS Veja como usar o automóvel de maneira mais consciente • Evite usar o carro em horários e locais de maior congestionamento • Evite usar o automóvel para trajetos curtos. Dê preferência ao transporte coletivo ou vá a pé, ou de bicicleta • Procure, sempre que possível, compartilhar o carro com outras pessoas • Utilize transportes coletivos, pois eles são menos poluentes • Procure abastecer sempre utilizando todo o tanque para evitar vários deslocamentos ao posto de combustível • Mantenha os pneus sempre com a pressão interna correta • Procure não andar com os vidros abertos quando transitar em velocidades superiores a 80 km/h • Procure reduzir o uso do ar-condicionado • Procure eliminar cargas desnecessárias no interior do veículo: quanto maior o peso, maior o consumo • Evite utilizar os freios bruscamente • Arranque suavemente. Os momentos de maior consumo são aqueles quando o veículo é colocado em movimento • Desligue o veículo em paradas prolongadas • Troque de marcha sempre dentro da rotação indicada pelo fabricante – geralmente entre 2.500 e 2.800 rpm (rotações por minuto) • Faça manutenções constantes • Não jogue lixo pela janela, isto não reduz o consumo de combustível, mas o meio ambiente agradece Fonte: Despoluir – Programa Ambiental do Transporte da CNT

FEIRA DE SANTANA (BA) elo menos 20 mudas de pau-brasil, doadas pelo Horto do Louro, foram plantadas durante as atividades do Dia Mundial do Meio Ambiente desenvolvidas pelo Sest Senat em Feira de Santana. Algumas delas foram distribuídas entre os alunos vencedores de um concurso de desenhos sobre a preservação ambiental realizado nas escolas Lima Barbosa e Maria Antonia da Costa. Outras foram plantadas na própria sede da unidade pelos participantes do curso de Condutores de Passageiros. Além disso, o Sest Senat também realizou oficina de confecção de cestas de coleta seletiva de lixo, palestras e distribuição de material informativo para os visitantes da instituição.

P


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MANAUS (AM) alestras e plantio de árvores também fizeram parte das atividades desenvolvidas pelo Sest Senat de Manaus. No dia 5 de junho, a ação “Plante uma planta” contou com a participação dos alunos do programa Jovem Aprendiz. Eles levaram mudas variadas para serem plantadas no jardim da unidade. No mesmo dia, o Sest Senat também realizou palestra na sede do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para apresentar medidas simples que devem ser adotadas tanto em casa como no trabalho e que fazem a diferença na preservação ambiental. No dia 6, os integrantes do programa Vida Ativa na Melhor Idade participaram de um projeto de limpeza da área ao redor do Sest Senat, recolhendo o lixo que muitas vezes é jogado na rua.

P

PATOS DE MINAS (MG) ais de cem crianças do projeto Bombeiro Mirim, desenvolvido pelo Sest Senat, pelo Corpo Bombeiro, pela empresa DB Agricultura e Pecuária e pela prefeitura visitaram, no dia 4 de junho, a sede da Polícia Militar de Meio Ambiente e Trânsito para rece-

M

ber orientações sobre os cuidados com a fauna e os problemas causados pelos desmatamentos. Os bombeiros mirins também participaram de uma blitz educativa, distribuindo material aos motoristas sobre direção verde, e do plantio de árvores na avenida em frente à unida-

de. O Sest Senat também realizou um concurso de redação em três escolas municipais. Os alunos vencedores foram homenageados com o plantio de árvores na área da escola, identificada com placa contendo o nome do aluno e do projeto Sest Senat pelo Meio Ambiente.


Estat铆stico, Econ么mico, Despoluir e Ambiental


FERROVIÁRIO MALHA FERROVIÁRIA - EXTENSÃO EM KM Total Nacional Total Concedida Concessionárias Malhas concedidas

BOLETIM ESTATÍSTICO

MAIO - 2012

RODOVIÁRIO MALHA RODOVIÁRIA - EXTENSÃO EM KM TIPO

PAVIMENTADA

Federal Estadual Coincidente Estadual Municipal Total

30.051 28.614 11 12

NÃO PAVIMENTADA

63.966 17.073 106.548 26.827 214.414

TOTAL

12.975 76.941 5.234 22.307 113.451 219.999 1.234.918 1.261.745 1.366.578 1.580.992

MALHA RODOVIÁRIA CONCESSIONADA - EXTENSÃO EM KM Adminstrada por concessionárias privadas 15.365 Administrada por operadoras estaduais 1.195 FROTA DE VEÍCULOS Caminhão Cavalo mecânico Reboque Semi-reboque Ônibus interestaduais Ônibus intermunicipais Ônibus fretamento Ônibus urbanos Nº de Terminais Rodoviários

2.303.961 467.101 888.839 682.334 16.136 40.000 25.120 105.000

FROTA MERCANTE - UNIDADES Embarcações de cabotagem e longo curso HIDROVIA - EXTENSÃO EM KM E FROTA Rede fluvial nacional Vias navegáveis Navegação comercial Embarcações próprias

11.738 8.066 1.674 7.136 28.614

MATERIAL RODANTE - UNIDADES Vagões Locomotivas Carros (passageiros urbanos)

100.924 3.045 1.670

PASSAGENS DE NÍVEL - UNIDADES Total Críticas

12.289 2.659

VELOCIDADE MÉDIA OPERACIONAL Brasil EUA

25 km/h 80 km/h

AEROVIÁRIO AEROPORTOS - UNIDADES Internacionais Domésticos Pequenos e aeródromos

32 35 2.498

173

AQUAVIÁRIO INFRAESTRUTURA - UNIDADES Terminais de uso privativo misto Portos

MALHA POR CONCESSIONÁRIA - EXTENSÃO EM KM ALL do Brasil S.A. FCA - Ferrovia Centro-Atlântica S.A. MRS Logística S.A. Outras Total

122 37

AERONAVES REGISTRADAS NO BRASIL - UNIDADES Transporte regular, doméstico ou internacional Transporte não regular: táxi aéreo Privado Outros Total

MATRIZ DO TRANSPORTE DE CARGAS MODAL

152

44.000 29.000 13.000 1.148

505 918 5.749 6.711 13.883

MILHÕES

(TKU)

PARTICIPAÇÃO

(%)

Rodoviário

485.625

61,1

Ferroviário

164.809

20,7

Aquaviário

108.000

13,6

Dutoviário

33.300

4,2

Aéreo

3.169

0,4

Total

794.903

100


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JULHO 2012

BOLETIM ECONÔMICO

INVESTIMENTOS FEDERAIS EM INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES*

R$ bilhões

Investimentos em Transporte da União (dados atualizados maio/2012)

20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0

Investimentos em Transporte da União por Modal (total pago acumuldado - até maio/2012) (R$ 2,94 bilhões)

17,66

0,235 (8%) 0,180 (6,1%)

2,72

2,519 (85,5%)

2,94

0,011 (0,4%)

0,22

Autorizado Valor Pago do Exercício Total Pago Restos a Pagar Pagos Obs.: O Total Pago inclui valores pagos do exercício atual e restos a pagar pagos de anos anteriores

CIDE - 2012

(R$ Milhões)

Arrecadação no mês Abril/2012 437 Arrecadação no ano (2012) 1.688 Investimentos em transportes total pago* em 2012 (com recursos de 2012 e de anos anteriores)1 785 Investimentos em transportes total pago* em 2012 (apenas com recursos de 2012)2 769 CIDE não utilizada em transportes (2012) 919 Total Acumulado CIDE (desde 2002) 74.961 * O Total Pago inclui valores pagos do exercício atual e restos a pagar pagos de anos anteriores. 1 - inclui investimentos realizados com recursos da CIDE arrecadados no exercício corrente e em anos anteriores. 2 - Inclui investimentos realizados com recursos da CIDE arrecadados apenas no exercício corrente. valores pagos em infraestrutura (CIDE) não utilizado (CIDE)

54%

46%

Obs: são considerados todos os recursos não investidos em infraestrutura de transporte.

Rodoviário

Aquaviário

Ferroviário

Aéreo

CONJUNTURA MACROECONÔMICA - MAIO/2012

PIB (% cresc a.a.)1 Selic (% a.a.)2 IPCA (%)3 Balança Comercial4 Reservas Internacionais5 Câmbio (R$/US$)6

2011

acumulado em 2012

últimos 12 meses

expectativa para 2012

2,7 11,00 6,50 29,79

0,2

1,9

2,9 8,00 5,17 20,00

8,50 1,87 3,31

352,01

4,15 28,11 372,43

1,87

2,00

1,90

Arrecadação X Investimentos Pagos: Recursos da CIDE Observações:

90 74,9

1 - Expectativa de crescimento do PIB para 2012. 2 - Taxa Selic conforme Copom 30/05/2012

54

3 - Inflação acumulada no ano e em 12 meses até maio/2012

34,0

36

4 - Balança Comercial acumulada no ano e em 12 meses até maio/2012 (US$ bilhões). 5 - Posição dezembro/2011 e maio/2012 em US$ bilhões

18

6 - Câmbio de fim de período 30/05/2012, média entre compra e venda.

0

9 6 8 7 5 4 2 3 1 0 200 200 200 200 200 200 200 200 201 201

2 201

Fontes: Receita Federal (abril/2012), COFF - Câmara dos Deputados (maio/2012), IBGE e Focus - (Relatório de Mercado 25/05/12), Banco Central do Brasil.

Arrecadação Acumulada CIDE

Investimento Pago Acumulado

CIDE - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Lei 10.336 de 19/12/2001. Atualmente é cobrada sobre a comercialização e importação de gasolina (R$ 0,091/liltro) e diesel (R$ 0,047/litro) conforme Decreto nº 7.591 (out-2011). Os recursos da CIDE são destinados ao subsídio e transporte de combustíveis, projetos ambientais na indústria de combustíveis e investimentos em infraestrutura de transporte.Obs: Alteração da alíquota CIDE conforme decretos vigentes.

8

R$ bilhões

72

* Veja a versão completa deste boletim em www.cnt.org.br

NECESSIDADE DE INVESTIMENTO DO SETOR DE TRANSPORTE BRASILEIRO: R$ 405,0 BILHÕES (PLANO CNT DE TRANSPORTE E LOGÍSTICA 2011)


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BOLETIM DO DESPOLUIR DESPOLUIR

PROJETOS • Redução da emissão de poluentes pelos veículos • Incentivo ao uso de energia limpa pelo setor transportador • Aprimoramento da gestão ambiental nas empresas, garagens e terminais de transporte • Cidadania para o meio ambiente

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) lançou em 2007 o Programa Ambiental do Transporte - DESPOLUIR, com o objetivo de promover o engajamento de empresários, caminhoneiros autônomos, taxistas, trabalhadores em transporte e da sociedade na construção de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

RESULTADOS DO PROJETO DE REDUÇÃO DAS EMISSÕES DE POLUENTES PELOS VEÍCULOS ESTRUTURA

NÚMEROS DE AFERIÇÕES 2012

2007 A 2011 590.469 Aprovação no período 87,50%

TOTAL

ATÉ ABRIL

MAIO

67.871

15.814

89,21%

674.154 87,74%

90,54%

Federações participantes

21

Unidades de atendimento

73

Empresas atendidas

8.507

Caminhoneiros autônomos atendidos

9.865

PUBLICAÇÕES DO DESPOLUIR

INSTITUIÇÕES PARTICIPANTES Para participar do Projeto Redução da Emissão de Poluentes pelos Veículos, entre em contato com a Federação que atende o seu Estado.

Carga

Passageiros

FEDERAÇÃO FENACAM FETRANSPORTES FETRABASE FETCESP FETRANCESC FETRANSPAR FETRANSUL FETRACAN FETCEMG FENATAC FETRANSCARGA FETRAMAZ FETRANSPORTES FETRABASE FETRANSPOR FETRONOR FETRAM FEPASC CEPIMAR FETRAMAR FETRANORTE FETRASUL FETERGS

UFs ATENDIDAS PR e MG ES BA e SE SP SC PR RS AL, CE, PB, PE, PI, RN e MA MG DF, TO, MS, MT e GO RJ AC, AM, RR, RO, AP e PA ES BA e SE RJ RN, PB, PE e AL MG SC e PR CE, MA e PI MS, MT e RO AM, AC, PA, RR e AP DF, GO, SP e TO RS

TELEFONE 41.3347-1422 27.2125-7643 71.3341-6238 11.2632-1010 48.3248-1104 41.3333-2900 51.3374-8080 81.3441-3614 31.3490-0330 61.3361-5295 21.3869-8073 92.2125-1009 27.2125-7643 71.3341-6238 21.3221-6300 84.3234-2493 31.3274-2727 41.3244-6844 85.3261-7066 65.3027-2978 92.3584-6504 62.3598-2677 51.3228-0622

O governo brasileiro adotou o biodiesel na matriz energética nacional, através da criação do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel e da aprovação da Lei n. 11.097. Atualmente, todo o óleo diesel veicular comercializado ao consumidor final possui biodiesel. Essa mistura é denominada óleo diesel B e apresenta uma série de benefícios ambientais, estratégicos e qualitativos. O objetivo desta publicação é auxiliar na rotina operacional dos transportadores, apresentando subsídios para a efetiva adoção de procedimentos que garantam a qualidade do óleo diesel B, trazendo benefícios ao transportador e, sobretudo, ao meio ambiente.

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SETOR Autônomo

Conheça abaixo duas das diversas publicações ambientais que estão disponíveis para download no site do DESPOLUIR:

Para saber mais: www.cntdespoluir.org.br

Em Janeiro de 2012, entrou em vigor a fase P7 do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) para veículos pesados. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) considera que este fato tem impactos significativos no setor, uma vez que novos elementos fazem parte do dia a dia do transportador rodoviário. Nesse contexto, a CNT elaborou a presente publicação, com o objetivo de disseminar informações importantes a respeito do tema. O trabalho apresenta ao setor as novas tecnologias e as implicações da fase P7 em relação aos veículos, combustíveis e aos ganhos para o meio ambiente.


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CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS NO BRASIL

BOLETIM AMBIENTAL

CONSUMO DE ÓLEO DIESEL POR MODAL DE TRANSPORTE (em milhões de m3)

2009 EMISSÕES DE CO2 NO BRASIL (EM BILHÕES DE TONELADAS - INCLUÍDO MUDANÇA NO USO DA TERRA) CO2 t/ANO 1.202,13 140,05 136,15 48,45 47,76 1.574,54

SETOR

Mudança no uso da terra Industrial* Transporte Geração de energia Outros setores Total

(%) 76,35 8,90 8,65 3,07 3,03 100,00

PARTICIPAÇÃO

(ATÉ JUNHO)

Rodoviário

38,49

% 97%

Ferroviário

0,83

2%

1,08

3%

0,55

3%

Hidroviário

0,49

1%

0,14

0%

0,06

0%

35,68 100%

17,87

100%

MODAL

EMISSÕES DE CO2 POR SETOR

2011

2010

VOLUME

Total

VOLUME

34,46

% 97%

17,26

% 97%

VOLUME

39,81 100%

CONSUMO TOTAL POR TIPO DE COMBUSTÍVEL (em milhões de m3)*

*Inclui processos industriais e uso de energia

TIPO

2008

2009

2010

2011

2012

Diesel

44,76

44,29

49,23

51,78

12,83

Gasolina 25,17

25,40

29,84

35,45

9,44

Etanol

16,47

15,07

10,71

2,30

(MARÇO)

EMISSÕES DE CO2 POR MODAL DE TRANSPORTE CO2 t/ANO 123,17 7,68 5,29 136,15

MODAL

Rodoviário Aéreo Outros meios Total

(%) 90,46 5,65 3,88 100,00

PARTICIPAÇÃO

EMISSÕES DE POLUENTES - VEÍCULOS CICLO OTTO* - 2009**

EMISSÕES DE POLUENTES - VEÍCULOS CICLO DIESEL - 2009**

80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0%

CO2 NOx NMHc CO CH4

13,29

* Inclui consumo de todos os setores (transporte, indústria, energia, agricultura, etc)

60% 50% 40% CO2 NOx CO NMHc MP

30% 20% 10% 0%

Automóveis GNV Comerciais Leves (Otto) Motocicletas * Inclui veículos movidos a gasolina, etanol e GNV ** Dados fornecidos pelo último Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários – MMA, 2011.

Ônibus Urbanos

Caminhões Pesados

Brasil

Caminhões Leves

NÃO-CONFORMIDADES POR NATUREZA NO ÓLEO DIESEL - ABRIL 2012

QUALIDADE DO ÓLEO DIESEL TEOR MÁXIMO DE ENXOFRE (S) NO ÓLEO DIESEL (em ppm de s)* Japão EUA Europa

Ônibus Caminhões Comerciais Leves Rodoviários (Diesel) médios

10 15 10 a 50

2,6%

1,5%

15,0%

CE: Fortaleza, Aquiraz, Horizonte, Caucaia, Itaitinga, Chorozinho, Maracanaú, Euzébio, Maranguape, Pacajus, Guaiúba, Pacatuba, São Gonçalo do Amarante, Pindoretama e Cascavel. PA: Belém, Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara do Pará, Benevides e Santa Isabel do Pará. PE: Recife, Abreu e Lima, Itapissuma, Araçoiaba, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Moreno, Camaragibe, Olinda, Igarassu, Paulista, Ipojuca, Itamaracá e São Lourenço da Mata. Frotas cativas de ônibus dos municípios: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Porto Alegre e São Paulo. RJ: Rio de Janeiro, Belford Roxo, Nilópolis, Duque de Caxias, Niterói, Guapimirim, Nova Iguaçu, Itaboraí, Paracambi, Itaguaí, Queimados, Japeri, São Gonçalo, Magé, São João de Meriti, Mangaratiba, Seropédica, Maricá, Tanguá e Mesquita. SP: São Paulo, Americana, Mairiporã, Artur Nogueira, Mauá, Arujá, Mogi das Cruzes, Barueri, Mongaguá, Bertioga, Monte Mor, Biritibamirim, Nova Odessa, Caçapava, Osasco, Caieiras, Paulínia, Cajamar, Pedreira, Campinas, Peruíbe, Carapicuíba, Pindamonhangaba, Cosmópolis, Pirapora do Bom Jesus, Cotia, Poá, Cubatão, Praia Grande, Diadema, Ribeirão Pires, Embu, Rio Grande da Serra, Embuguaçu, Salesópolis, Engenheiro Coelho, Santa Bárbara d’ Oeste, Ferraz de Vasconcelos, Santa Branca, Francisco Morato, Santa Isabel, Franco da Rocha, Santana de Parnaíba, Guararema, Santo André, Guarujá, Santo Antônio da Posse, Guarulhos, Santos, Holambra, São Bernardo do Campo, Hortolândia, São Caetano do Sul, Igaratá, São José dos Campos, Indaiatuba, São Lourenço da Serra, Itanhaém, São Vicente, Itapecerica da Serra, Sumaré, Itapevi, Suzano, Itaquaquecetuba, Taboão da Serra, Itatiba, Taubaté, Jacareí, Tremembé, Jaguariúna, Valinhos, Jandira, Vargem Grande Paulista, Juquitiba e Vinhedo.

9,8%

50** 11,3% 59,8%

500 ou 1800***

Demais estados e cidades * Em partes por milhão de S – ppm de S ** Municípios com venda exclusiva de S-50 *** Consultar a seção Legislação no Site do DESPOLUIR: www.cntdespoluir.org.br

Teor de Biodiesel Outros

Pt. Fulgor Enxofre

Corante Aspecto

ÍNDICE TRIMESTRAL DE NÃO-CONFORMIDADES NO ÓLEO DIESEL POR ESTADO - ABRIL 2012

Trimestre Anterior Trimestre Atual

25

% NC

20

14,2

15

12,6

7,3

10

8,9

5

0,0

0,0

0,5

1,2

0,0

AP 0,0 0,0

BA 0,5 0,5

CE 1,2 1,4

DF 0,0 0,0

2,4

3,7 1,4

0,2

GO 1,4 0,0

MA 0,2 0,2

6,9

5,6

4,8 1,5

0,7

0,6

1,7

2,2

2,7

PI 0,6 0,6

PR 1,7 1,2

RJ 2,2 1,4

RN 2,7 1,7

4,5 2,0

0,0

3,2

4,2

3,2

SP 3,2 3,0

TO 4,2 0,0

Brasil 3,2 2,7

0

AC 0,0 0,0

AL 7,3 8,7

AM 14,2 13,6

ES 2,4 2,6

MG 3,7 2,2

MS 0,7 1,2

Percentual relativo ao número de não-conformidades encontradas no total de amostras coletadas. Cada amostra analisada pode conter uma ou mais não-conformidades.

MT 4,8 3,8

PA 1,5 1,5

PB 8,9 6,6

PE 6,9 6,7

RO 0,0 0,0

RR 5,6 5,1

RS 2,0 1,8

SC 4,5 3,9

SE 12,6 14,0


EFEITOS DOS PRINCIPAIS POLUENTES ATMOSFÉRICOS DO TRANSPORTE POLUENTES

PRINCIPAIS FONTES

EFEITOS CARACTERÍSTICAS

SAÚDE HUMANA

MEIO AMBIENTE

Monóxido de carbono (CO)

Resultado do processo de combustão de fonte móveis1 e de fontes fixas industriais2.

Gás incolor, inodoro e tóxico.

Diminui a capacidade do sangue em transportar oxigênio. Aspirado em grandes quantidades pode causar a morte.

Dióxido de Carbono (CO2)

Resultado do processo de combustão de fonte móveis1 e de fontes fixas industriais2.

Gás tóxico, sem cor e sem odor.

Provoca confusão mental, prejuízo dos reflexos, inconsciência, parada das funções cerebrais.

Metano (CH4)

Resultado do processo de combustão de fontes móveis1 e fixas2, atividades agrícolas e pecuárias, aterros sanitários e processos industriais3.

Gás tóxico, sem cor, sem odor. Quando adicionado a água torna-se altamente explosivo.

Causa asfixia, parada cardíaca, inconsciência e até mesmo danos no sistema nervoso central, se inalado.

Compostos orgânicos voláteis (COVs)

Resultado do processo de combustão de fonte móveis1 e processos industriais3.

Composto por uma grande variedade de moléculas a base de carbono, como aldeídos, cetonas e outros hidrocarbonetos leves.

Causa irritação da membrana mucosa, conjuntivite, danos na pele e nos canais respiratórios. Em contato com a pele pode deixar a pele sensível e enrugada e quando ingeridos ou inalados em quantidades elevadas causam lesões no esôfago, traqueia, trato gastro-intestinal, vômitos, perda de consciência e desmaios.

Óxidos de nitrogênio (NOx)

Formado pela reação do óxido de nitrogênio e do oxigênio reativo presentes na atmosfera e queima de biomassa e combustíveis fósseis.

O NO é um gás incolor, solúvel. O NO2 é um gás de cor acastanhada ou castanho avermelhada, de cheiro forte e irritante, muito tóxico. O N2O é um gás incolor, conhecido popularmente como gás do riso.

O NO2 é irritante para os pulmões e Causam o aquecimento global, diminui a resistência às infecções por serem gases de efeito estufa. respiratórias. A exposição continuada ou frequente a níveis elevados pode provocar Causadores da chuva ácida4. tendência para problemas respiratórios.

Ozônio (O3)

Formado pela quebra das moléculas dos hidrocarbonetos liberados por alguns poluentes, como combustão de gasolina e diesel. Sua formação é favorecida pela incidência de luz solar e ausência de vento.

Gás azulado à temperatura ambiente, instável, altamente reativo e oxidante.

Provoca problemas respiratórios, irritação aos olhos, nariz e garganta.

Dióxido de enxofre (SO2)

Resultado do processo de combustão de fontes móveis1 e processos industriais3.

Provoca irritação e aumento na produção de muco, desconforto na Gás denso, incolor, não inflamável respiração e agravamento de e altamente tóxico. problemas respiratórios e cardiovasculares.

Causa o aquecimento global, por ser um gás de efeito estufa. Causador da chuva ácida4, que deteriora diversos materiais, acidifica corpos d'água e provoca destruição de florestas.

Resultado da queima incompleta de combustíveis e de seus aditivos, de processos industriais e do desgaste de pneus e freios.

Conjunto de poluentes constituído de poeira, fumaça e todo tipo de material sólido e líquido que se mantém suspenso. Possuem diversos tamanhos em suspensão na atmosfera. O tamanho das partículas está diretamente associado ao seu potencial para causar problemas à saúde, quanto menores, maiores os efeitos provocados.

Altera o pH, os níveis de pigmentação e a fotossíntese das plantas, devido a poeira depositada nas folhas.

Material particulado (MP)

Incômodo e irritação no nariz e garganta são causados pelas partículas mais grossas. Poeiras mais finas causam danos ao aparelho respiratório e carregam outros poluentes para os alvéolos pulmonares, provocando efeitos crônicos como doenças respiratórias, cardíacas e câncer.

Causam o aquecimento global, por serem gases de efeito estufa.

Causa destruição e afeta o desenvolvimento de plantas e animais, devido a sua natureza corrosiva.

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1. Fontes móveis: motores a gasolina, diesel, álcool ou GNV. 2. Fontes fixas: Centrais elétricas e termoeléctricas, instalações de produção, incineradores, fornos industriais e domésticos, aparelhos de queima e fontes naturais como vulcões, incêndios florestais ou pântanos. 3. Processos industriais: procedimentos envolvendo passos químicos ou mecânicos que fazem parte da fabricação de um ou vários itens, usualmente em grande escala. 4. Chuva ácida: a chuva ácida, também conhecida como deposição ácida, é provocada por emissões de dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de nitrogênio (NOx) de usinas de energia, carros e fábricas. Os ácidos nítrico e sulfúrico resultantes podem cair como deposições secas ou úmidas. A deposição úmida é a precipitação: chuva ácida, neve, granizo ou neblina. A deposição seca cai como particulados ácidos ou gases.

Para saber mais: www.cntdespoluir.org.br


“Mas os veículos continuarão andando em estradas esburacadas, em cidades congestionadas e em horários que só aumentam custos” DEBATE

Qual o impacto da queda nas taxas de juros sobre o financiamento

Baixa o valor e encomprida o prazo dos financiamentos NELSON BARRIZZELLI

edução nas taxas de juros são sempre bemvindas. Principalmente em país campeão mundial nessas taxas. Como a inflação continua nos rondando como alma penada, baixamos para o 3º lugar nas taxas reais depois da Rússia e da China, mas acima da Colômbia, Chile e México, para citar apenas os latino-americanos. Tivesse essa taxa caído como consequência de fatores macroeconômicos, deveríamos saudá-la como um fator impulsionador do PIB. Ocorre que nos últimos 50 anos nosso crescimento comportou-se como o eletrocardiograma dos brasileiros: cheio de picos e vales e sem a esperança de que venha a se estabilizar em níveis capazes de nos colocar na rota do verdadeiro desenvolvimento. De 2004 a 2010, surfamos na crista do crescimento mundial com a China à frente. Enchemos o peito com os 7,5% de 2010 esquecidos de que, no ano anterior, tínhamos caído 0,2%. Fazendo uma simples conta de somar e dividir, aprendemos facilmente que os 7,5% foram apenas figura estatística.

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NELSON BARRIZZELLI Economista, professor da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo)

Apesar desse fato, quando a economia mundial afundou no ano passado, o dinheiro que faltava na Europa e nos Estados Unidos pareceu estar chegando ao Brasil em volumes impensáveis. Deve-se somar a isso o crescimento fundado apenas em consumo, baseado no crédito fácil, nos programas sociais e no aumento real do salário mínimo. Ficou-se com a falsa sensação de que nossos problemas seculares tinham acabado. Esses fatores criaram uma sinergia tal que, mesmo uma parte dos cérebros pensantes do país, acreditou que estava surgindo uma nova era para nossa economia. Ocorre que, mais uma vez, por razões muito mais políticas do que econômicas, deixamos de pensar o Brasil do futuro e aproveitamos o “aqui e agora”. A infraestrutura completamente sucateada podia ser tratada depois. O importante era dar ao povo a sensação de que eles podiam consumir à vontade. O primeiro sinal de que estávamos no caminho errado veio com o PIB pífio de 2011, e o segundo, e mais grave, está

vindo com a possibilidade de que 2012 também está perdido. O governo, pego de surpresa, culpou o câmbio, a crise internacional e “descobriu” que o brasileiro estava comprando menos. E o que fez? Aumentou a dose do “remédio” que nos colocou nessa situação. A queda da taxa de juros, portanto, é parte de uma tentativa de incentivar o brasileiro, já muito endividado, a se endividar mais. Para o setor de transportes, essa queda é positiva num primeiro momento, porque baixa o valor e encomprida os financiamentos na renovação das frotas. Pode parecer bom. Mas os veículos novos ou velhos continuarão andando em estradas esburacadas, em cidades congestionadas e em horários que só aumentam custos. Além disso, nada muda na burocracia de enlouquecer para pagar os impostos mais escorchantes do mundo, entre outros desajustes estruturais e econômicos. Infelizmente estamos aprendendo que baixar juros por exercício de vontade não funciona, mesmo em países onde essa baixa é fundamental.


“Estimativas do BNDES apontam que o investimento no setor de transportes no Brasil, entre 2012 e 2015, pode chegar a R$ 131 bilhões”

do setor de transportes?

Investimento não depende apenas da taxa de juros ROBERTO ELLERY JR.

setor de transporte é de fundamental importância para a economia de um país continental como o Brasil. Devida a sua importância e as carências observadas nesse setor, não é de surpreender que nos próximos anos ocorra um fluxo significativo de investimento para os transportes. Estimativas do BNDES apontam que o investimento no setor de transportes no Brasil, entre 2012 e 2015, pode chegar a R$ 131 bilhões. O BNDES pretende financiar quase um terço desse total. A maior parte desses investimentos será destinada a rodovias. Porém, de acordo com os planos do governo, parte significativa deve ir para o setor ferroviário, que deverá se expandir nos próximos anos. Desta forma é extremamente pertinente avaliar como a recente redução da taxa de juros pode afetar o financiamento desse investimento. A política de redução da taxa de juros está inserida em esforço coordenado do governo para evitar que a economia brasileira entre em uma recessão. Apesar desse esforço, as previsões de cresci-

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mento da economia vêm caindo nos últimos meses. Vários analistas falam que o Brasil deve crescer menos que 3% em 2012. O governo espera que, ao reduzir a taxa de juros, os empresários tenham mais disposição de investir. Cabe então perguntar: até que ponto o investimento responde à taxa de juros. Em primeiro lugar, é necessário ter em mente que o investimento não depende apenas da taxa de juros. Tome como exemplo a construção de uma rodovia. A decisão de construíla ou não dependerá dos custos de construção e manutenção da rodovia durante toda a sua vida útil e das receitas que essa rodovia propiciará. Como esses valores serão desembolsados e recebidos no decorrer de vários anos, a taxa de juros acaba de fato tendo um papel importante na decisão de construir ou não a rodovia. Deve ficar claro que a taxa relevante é a taxa real de juros que vai vigorar durante toda a vida útil da rodovia. Por tratarse de uma taxa real, ela dependerá das expectativas de inflação e de juros nominais no

decorrer de vários anos. Porém, não basta conhecer as taxas de juros reais dos próximos anos para tomar a decisão de construção da rodovia. Será preciso conhecer as receitas geradas por essa rodovia. Essa receita dependerá dos preços dos pedágios e do fluxo de veículos que passarão pela rodovia. Por sua vez, esse fluxo depende do funcionamento de vários mercados. Do exemplo é possível observar que a decisão de financiar um investimento depende fundamentalmente da capacidade de prever o comportamento futuro de uma série de variáveis. No caso de transportes, esse futuro pode ser várias décadas. Se a redução dos juros não for sustentável em longo prazo ou se aumentar as dúvidas sobre o futuro é possível que não venha a ter efeitos significativos sobre o financiamento do investimento no setor de transportes. Tão importante quanto reduzir os juros é manter um ambiente previsível na economia, buscar um objetivo a custas do outro pode acabar em frustração.

ROBERTO ELLERY JR. Doutor em economia pela Universidade de Brasília. Mestre em economia pela Universidade da Pensilvânia (EUA) e pela FGV-RJ.


CNT TRANSPORTE ATUAL

JULHO 2012

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“O Despoluir incentiva a educação ambiental. Dessa forma, o transporte brasileiro se conduz em direção à sustentabilidade” CLÉSIO ANDRADE

OPINIÃO

Economia verde e transporte sustentável

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eunir líderes representantes das principais nações em torno de um único tema é uma oportunidade incomum para o almejado bem coletivo da humanidade. Especialmente nos dilemas ambientais contemporâneos, esperamos dos desdobramentos da Conferência Rio+20 soluções globais para um mundo ambientalmente sustentável. Desde 2007, a CNT promove um dos mais importantes programas setoriais de natureza ambiental em nosso país. O Despoluir Programa Ambiental do Transporte desenvolve diversas ações em prol de uma segurança ambiental no meio, mitigando os efeitos da poluição ambiental residual da atividade. O programa também incentiva a gestão e a educação ambiental em todo o setor. Dessa forma, o transporte brasileiro se conduz ambientalmente em direção à sustentabilidade. A experiência da conscientização ambiental do Despoluir foi exposta na Conferência Rio+20, em estande da CNT e do Sest Senat em um dos ambientes do evento, no Píer Mauá. Com sua participação na conferência, os transportadores entram numa etapa efetiva de compartilhamento internacional de conhecimentos e experiências sobre autossustentabilidade no transporte. Iniciativas importantes para as atividades econômicas baseadas na sustentabilidade, estimulando o uso de energia renovável e as práticas

sustentáveis na indústria, nos transportes e na agricultura, são acompanhadas sistematicamente pela ONU e têm sido espalhadas pelo mundo. Parte-se de pressupostos da viabilidade da realização dessas atividades econômicas com impactos cada vez mais reduzidos no meio ambiente. A Conferência Rio+20 é, portanto, um marco para que a humanidade adote outro caminho pelo bem do planeta. Dela, esperamos uma nova orientação mundial na direção de uma economia verde. Não apenas por sediar o encontro, mas por assumir uma posição de vanguarda na convocação de uma nova ordem mundial ecologicamente correta, o Brasil tem o dever de se voltar mais incisivamente para as ações. Após 20 anos da realização da ECO-92, no Rio de Janeiro, e dez anos depois da Cúpula de Joanesburgo, na África do Sul, os olhos do mundo se voltam para um futuro limpo para nosso planeta, mas com um firme propósito de transformar o que está sendo devastado no presente. Os debates da conferência seguiram duas vertentes: na primeira, buscam-se alternativas para uma economia verde como forma de se atingir um desenvolvimento sustentável. A segunda visa a ampliação de uma coordenação internacional para a sustentabilidade econômica. Engajada que está na causa ambiental, a atividade transportadora brasileira está preparada para colaborar com as duas vertentes.


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CNT TRANSPORTE ATUAL

CNT CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPORTE PRESIDENTE Clésio Andrade VICE-PRESIDENTES DA CNT TRANSPORTE DE CARGAS

JULHO 2012

José Severiano Chaves Eudo Laranjeiras Costa Antônio Carlos Melgaço Knitell Eurico Galhardi Francisco Saldanha Bezerra Jerson Antonio Picoli João Rezende Filho Mário Martins

Escreva para CNT TRANSPORTE ATUAL As cartas devem conter nome completo, endereço e telefone dos remetentes

DOS LEITORES

Newton Jerônimo Gibson Duarte Rodrigues TRANSPORTE AQUAVIÁRIO, FERROVIÁRIO E AÉREO

Meton Soares Júnior TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

Jacob Barata Filho TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS, DE PESSOAS E DE BENS

José Fioravanti PRESIDENTES DE SEÇÃO E VICE-PRESIDENTES DE SEÇÃO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

Marco Antonio Gulin Otávio Vieira da Cunha Filho TRANSPORTE DE CARGAS

Flávio Benatti Pedro José de Oliveira Lopes TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS, DE PESSOAS E DE BENS

José da Fonseca Lopes Edgar Ferreira de Sousa

TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

Luiz Anselmo Trombini Urubatan Helou Irani Bertolini Pedro José de Oliveira Lopes Paulo Sérgio Ribeiro da Silva Eduardo Ferreira Rebuzzi Oswaldo Dias de Castro Daniel Luís Carvalho Augusto Emílio Dalçóquio Geraldo Aguiar Brito Viana Augusto Dalçóquio Neto Euclides Haiss Paulo Vicente Caleffi Francisco Pelúcio

TRANSPORTE AQUAVIÁRIO

TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS, DE PESSOAS E DE BENS

Glen Gordon Findlay Paulo Cabral Rebelo

Edgar Ferreira de Sousa José Alexandrino Ferreira Neto José Percides Rodrigues Luiz Maldonado Marthos Sandoval Geraldino dos Santos Éder Dal’ Lago André Luiz Costa Diumar Deléo Cunha Bueno Claudinei Natal Pelegrini Getúlio Vargas de Moura Bratz Nilton Noel da Rocha Neirman Moreira da Silva

TRANSPORTE FERROVIÁRIO

Rodrigo Vilaça Júlio Fontana Neto TRANSPORTE AÉREO

Urubatan Helou José Afonso Assumpção CONSELHO FISCAL (TITULARES) David Lopes de Oliveira Éder Dal’lago Luiz Maldonado Marthos José Hélio Fernandes CONSELHO FISCAL (SUPLENTES) Waldemar Araújo André Luiz Zanin de Oliveira José Veronez Eduardo Ferreira Rebuzzi

TRANSPORTE AQUAVIÁRIO, FERROVIÁRIO E AÉREO

Hernani Goulart Fortuna Paulo Duarte Alecrim André Luiz Zanin de Oliveira Moacyr Bonelli George Alberto Takahashi José Carlos Ribeiro Gomes Roberto Sffair

DIRETORIA TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PASSAGEIROS

Luiz Ivan Janaú Barbosa José Roque

Luiz Wagner Chieppe Alfredo José Bezerra Leite Lelis Marcos Teixeira José Augusto Pinheiro

Fernando Ferreira Becker

Victorino Aldo Saccol

Eclésio da Silva

Raimundo Holanda Cavacante Filho Jorge Afonso Quagliani Pereira Alcy Hagge Cavalcante

RADIOGRAFIA DAS HIDROVIAS Como morador do Norte do país, compreendo a importância das hidrovias para o desenvolvimento da nossa região. Os rios são as nossas estradas, por isso espero que o projeto do Dnit apresentado na edição 201 da revista CNT Transporte Atual seja mesmo concluído. Precisamos utilizar a potencialidade da nossa região para prejudicar menos o meio ambiente e garantir melhores preços aos nossos produtos.

POLTRONAS DE AVIÕES Muito boa a reportagem sobre o espaço existente entre as poltronas dos aviões. Sem dúvida nenhuma, é a maior insatisfação dos clientes. Realizo viagens aéreas frequentemente a trabalho, e o desconforto é muito grande. Não faço questão dos lanches que ainda são oferecidos em algumas companhias, mas espaço é essencial. Sempre observo a etiqueta na entrada da aeronave, porém nunca viajei em nenhuma da categoria A. Patrícia Malta da Rocha Ribeirão Preto/SP

Manaus/AM SEST SENAT RODOVIAS DANIFICADAS Realmente falta ao Brasil um plano de manutenção eficiente de rodovias, como retratou a reportagem da revista CNT Transporte Atual em junho. Não podemos sempre culpar os desastres naturais. Não é possível que a chuva seja a responsável por todos os buracos que encontro durante as minhas viagens entre o Sul e o Nordeste do Brasil. Isso prejudica a economia do país, porque encarece os produtos, aumenta os acidentes e faz com que as viagens sejam mais longas. Clóvis Peixoto Santa Maria/RS

A nova unidade do Sest Senat, em Araxá (MG), vai contribuir, e muito, com o desenvolvimento da nossa cidade. Precisávamos de uma estrutura como essa para qualificar os profissionais do transporte da região. Além dessa, tenho certeza que as unidades inauguradas em Lavras (MG) e Luziânia (GO) também vão oferecer um serviço de qualidade. Mauro Antunes Araxá/MG

CARTAS PARA ESTA SEÇÃO

SAUS, quadra 1, bloco J Edifício CNT, entradas 10 e 20, 10º andar 70070-010 - Brasília (DF) E-mail: imprensa@cnt.org.br Por motivo de espaço, as mensagens serão selecionadas e poderão sofrer cortes



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