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EDIÇÃO INFORMATIVA DO SISTEMA CNT

CNT

ANO XV NÚMERO 172 DEZEMBRO 2009

T R A N S P O R T E

A T U A L

Referência urbana Uberlândia, no Triângulo Mineiro, promove alterações no transporte coletivo que proporcionam maior agilidade e comodidade para os usuários

LEIA ENTREVISTA COM HELIO MATTAR, DO INSTITUTO AKATU


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CNT

REPORTAGEM DE CAPA

TRANSPORTE ATUAL

Município de Uberlândia (MG) promove alterações no transporte coletivo que proporcionam maior agilidade e comodidade aos usuários. Sistema conta com corredores exclusivos de ônibus e atende 4,5 milhões de usuários por mês Página 34

ANO XV | NÚMERO 172 | DEZEMBRO 2009

ENTREVISTA

PESQUISA

Helio Mattar, do CNT e Anpet Akatu, fala sobre premiam trabalhos consumo consciente sobre transporte PÁGINA

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PRÊMIO CNT • A reportagem “A tropa do Zé Merenda”, do jornalista da TV Globo (DF) Fábio Ibiapina e equipe, foi a grande vencedora deste ano PÁGINA18

CAPA VALTER DE PAULA

EDIÇÃO INFORMATIVA DO SISTEMA CNT CONSELHO EDITORIAL Almerindo Camilo Bernardino Rios Pim Etevaldo Dias Lucimar Coutinho Virgílio Coelho

FALE COM A REDAÇÃO (61) 3315-7000 • revista@cnt.org.br SAUS, quadra 1 - Bloco J - entradas 10 e 20 Edifício CNT • 11º andar CEP 70070-010 • Brasília (DF)

FGTS

NAUFRÁGIOS

Recursos devem financiar obras em transporte urbano

Mergulhadores exploram as velhas embarcações

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ESTA REVISTA PODE SER ACESSADA VIA INTERNET:

www.cnt.org.br | www.sestsenat.org.br

GASTRONOMIA

EDITOR RESPONSÁVEL

Almerindo Camilo [almerindocamilo@sestsenat.org.br] EDITOR-EXECUTIVO Ricardo Ballarine

ATUALIZAÇÃO DE ENDEREÇO:

cnt@cnt.org.br Publicação da CNT (Confederação Nacional do Transporte), registrada no Cartório do 1º Ofício de Registro Civil das Pessoas Jurídicas do Distrito Federal sob o número 053. Tiragem: 40 mil exemplares

Norte-americana posta em blog as dicas dos taxistas

Os conceitos emitidos nos artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da CNT Transporte Atual

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cnt.org.br

BIBLIOTECA CNT A Biblioteca do Transporte oferece à comunidade acadêmica da Faculdade de Tecnologia do Transporte um acervo de livros, periódicos e obras de referência nas áreas de administração, logística, trânsito e transporte e em outras áreas relacionadas ao setor de transportes.

GÊNIO PRECOCE • Rodrigo Castro de Aquino, aluno de escola pública do Distrito Federal cria filtro automotivo e vence o prêmio Jovem Inventor PÁGINA

AVIAÇÃO

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ASSEMBLEIA DA CIT

Embraer prevê queda Renovação de frota de 10% nas receitas foi um dos temas no próximo ano em destaque PÁGINA

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QUALIFICAÇÃO Para atender as necessidades dos profissionais do setor de transporte, o Sest/Senat desenvolveu vários cursos On-line voltados para o setor. São dez cursos ao todo, sendo três gratuitos. Acesse o site do Sest/Senat e confira os cursos oferecidos pela instituição.

E MAIS Despoluir • Projeto do programa • Noticiário sobre meio ambiente

Canal de Notícias • Premiações e Sala de Imprensa •Noticiário sobre Brasil e mundo

FERROVIAS

Seções Humor Alexandre Garcia Mais Transporte Biocombustíveis Sest/Senat Boletins Debate Opinião Cartas

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Situação econômica do Brasil favorece a implantação do TAV PÁGINA

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EDUCAÇÃO

Fórum Mundial reúne participantes de 16 países em Brasília PÁGINA

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PRODUTOS PERIGOSOS O Sest/Senat coloca à sua disposição e da sua empresa o Programa de Formação Especializada. O programa visa preparar os condutores de produtos perigosos em especialistas nesse transporte de complexa atuação.

Escola do transporte • Cursos • Estudos e pesquisas

Sest/Senat • Cursos e palestras • Voluntariado e colocação no mercado de trabalho

O portal disponibiliza todas as edições da revista CNT Transporte Atual

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“Portos, rodovias, ferrovias e hidrovias estão à espera do dinheiro abundante dos impostos que sufocam” ALEXANDRE GARCIA

Congestionamento geral rasília (Alô) - A indústria automobilística cancelou folgas de Natal porque o mercado está aquecido, tanto de automóveis quanto de caminhões. A Câmara dos Deputados aprovou em comissão mudanças que impõem mais severidade ao Código de Trânsito, por causa das “35 mil mortes anuais”. Enquanto isso, os governos vão enxugando gelo com medidas de engenharia para aliviar o trânsito, mas quando elas são aplicadas, já chegaram tarde. Rodar pelo asfalto brasileiro fica cada vez mais difícil. Por que não é difícil rodar pelo asfalto estadounidense, onde há dez vezes mais veículos? Vamos começar pelo ônus maior do nosso trânsito: as mortes. A estatística de 35 mil é uma ficção. Há pouco, em Brasília, um acidente típico: um pequeno Celta, com sete jovens a bordo e motorista alcoolizado, capotou e bateu num poste. Os dois da frente, com cinto, saíram ilesos. Os cinco jovens empilhados atrás, sem cinto, morreram todos. Dois morreram na hora. Três, dez dias depois. A estatística só contou dois mortos dos cinco. O professor de engenharia de trânsito Mauri Panitz, da PUC/RS, faz o cálculo de quem morre até 90 dias após o acidente e de quem morre nas estradas municipais, vicinais, nas ruas dos municípios pequenos e dos não registrados, e chega a 80 mil mortos/ano, 219 por dia! É como se um grande avião caísse todos os dias no Brasil. Agora o desacerto entre a produção de veículos e a possibilidade de eles circularem ou estacionarem. Do jeito que vai – entrando 10 mil, 20 mil carros por mês no tráfico das grandes cidades – vai parar tudo. Aliás, já está parando. Não adiantou

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fazerem grandes anéis ou acessos. A Linha Vermelha está quase sempre congestionada; o anel de Belo Horizonte idem; as marginais paulistanas, nem pensar. Caminhões que têm a sorte de passar por boas estradas acabam por perder mais tempo na saída ou no acesso das cidades. As mudanças na lei tentam agora enquadrar as motos. A proposta proíbe ultrapassagem entre os veículos. Isso já está proibido desde 1997, no código, mas a leniência tropical foi deixando acontecer. Os veículos estão proibidos de ultrapassar pela direita. Mas isso nunca se aplicou às motos, que foram se multiplicando geometricamente. E seus pilotos estão morrendo geometricamente também. Mas criou-se uma atividade de entrega que movimenta milhões de reais e outro tanto de pessoas. E agora? Outro dos nós do trânsito. Se não houvesse o nó principal, o congestionamento causado pela falta de vias e de transporte coletivo, as pequenas entregas seriam feitas por furgonetas, como acontece no primeiro mundo, aonde a carga vai mais por trilho e água e menos pelo asfalto. Nos Estados Unidos, o país do automóvel, o país sobre rodas, vias expressas, viadutos, rodovias amplas, grandes estacionamentos, resolvem a circulação de quase 250 milhões de veículos. Aqui, ainda se discute para onde vai o dinheiro da Cide, imposto sobre os combustíveis, e por que crescem tanto os gastos correntes e se encolhem os investimentos. Portos, rodovias, ferrovias e hidrovias estão à espera do dinheiro abundante dos impostos que sufocam. Se recebessem os investimentos necessários, o sufoco na circulação da riqueza seria menor.


“Se não houver mudança nos padrões de consumo, em menos necessários mais de dois planetas Terra para atender nossas

ENTREVISTA

HELIO MATTAR

Os impactos do POR

sinal de alerta no quesito consumo já foi aceso há algum tempo. Hoje, a quantidade de produtos consumidos pela humanidade já é 30% maior do que a capacidade de renovação dos recursos naturais existentes no planeta. Por isso, é preciso agir antes que seja tarde demais. A constatação é do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, uma organização não governamental criada em 2001, dentro do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. A palavra Akatu tem origem tupi e significa “semente boa” e “mundo melhor”. O instituto surgiu depois da percepção de que as empresas só aprofundariam, no longo prazo, suas práticas de responsabilidade social na medida em que os

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LIVIA CEREZOLI

consumidores passassem a valorizar essas iniciativas em suas decisões de compra. Com ações educacionais e de publicidade, o Akatu conseguiu atingir no último ano um público indireto de mais de 500 mil pessoas. De acordo com o diretor-presidente da organização, Helio Mattar, “é nítido o crescimento da proporção de consumidores que usam seu poder de compra e de comunicação para premiar empresas que tenham práticas adequadas de responsabilidade social e ambiental”. Mattar trabalhou durante 22 anos como executivo em empresas nacionais, multinacionais e dele próprio. Foi secretário de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, um

dos fundadores do PNBE (Pensamento Nacional das Bases Empresariais), co-fundador e membro do Conselho do Instituto Ethos e diretor-presidente da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente. Ele conversou com a revista CNT Transporte Atual por e-mail. Confira a entrevista. O que é consumo consciente? Como ser um consumidor consciente? Todo consumo causa impacto (positivo ou negativo) na economia, nas relações sociais, na natureza e em cada indivíduo. Nesta medida, ao ter consciência desses impactos na hora de decidir por que comprar e o que comprar, o consumidor pode buscar aumentar os impactos positivos e

diminuir os negativos e, assim, contribuir para um mundo e uma sociedade mais sustentáveis. Isso é consumo consciente. Em poucas palavras, é um consumo com consciência de seus impactos, voltado à sustentabilidade da vida no planeta. O consumo consciente pode ocorrer nos gestos mais simples do cotidiano, como fechar a torneira ao escovar os dentes; apagar a luz ao sair de um ambiente; desligar um aparelho eletrônico quando não está sendo necessário; ler um rótulo atentamente antes da compra; usar integralmente os alimentos; optar por detergentes biodegradáveis; usar os produtos até o final de sua vida útil; dar preferência a produtos com selos de certificação e separar o lixo para reciclagem.


SERGIO ZACCHI/VALOR/DIVULGAÇÃO

de 50 anos já serão necessidades”

consumo Qual o maior problema gerado pela falta de conscientização na hora de adquirir produtos? Hoje, a humanidade já consome 30% mais recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra. E isso ocorre quando apenas 25% da humanidade consomem acima de suas necessidades. Os outros 75% consomem o mínimo ou abaixo do mínimo necessário a uma sobrevivência digna. Se o atual modelo de consumo dos habitantes mais ricos do planeta viesse a ser praticado por toda a humanidade, quatro planetas Terra não seriam suficientes para suprir todo esse consumo. Se não houver mudança nos padrões de consumo e produção, em

menos de 50 anos já serão necessários mais de dois planetas Terra para atender nossas necessidades de água, energia e alimentos. Não é preciso dizer que essa situação certamente ameaçará a vida no planeta, inclusive a da própria humanidade. As escolhas de consumo têm muito a contribuir para a solução dessa situação. Quais os outros prejuízos que o consumo sem controle pode trazer? Quando adquirimos um produto, não compramos apenas o que vemos, mas todo o ciclo de produção daquele bem, que exigiu matéria-prima, água, energia, transporte e trabalho. Assim, ao se desperdiçar um dado bem,

como é o caso dos alimentos, se está desperdiçando ao mesmo tempo tudo aquilo que foi usado em seu processo de produção. O brasileiro já é um consumidor consciente? O que falta fazer para que isso se torne uma prática em nosso país? Em 2003, o Akatu desenvolveu uma maneira de medir a consciência do cidadão brasileiro no consumo. De acordo com essa pesquisa, o consumidor pode ser categorizado em quatro grupos quanto à sua consciência a partir da prática ou não de cada um dos 13 comportamentos principais de consumo. O primeiro grupo envolve os comportamentos de economia, como fechar a torneira para escovar os dentes e apagar a luz ao sair de um ambiente, pratica-

dos por 75% da população brasileira. O segundo envolve os comportamentos de planejamento planejar a compra de alimentos e a compra de roupas, e ler os rótulos antes de comprar, praticados por 45% da população. O terceiro grupo envolve os comportamentos de compra sustentável - comprar produtos orgânicos e compartilhar informações sobre empresas e produtos, praticados por 28% dos brasileiros. E, finalmente, o quarto envolve os comportamentos de reciclagem, como fazer a separação do lixo e usar o outro lado da folha de papel, praticados por 31% da população. Esses resultados revelam uma característica importante: quanto mais imediatos e mais individuais os impactos dos comportamentos de consumo, maior


a proporção da população que os praticam. Quanto mais distantes no tempo e mais coletivos os impactos dos comportamentos de consumo, menor a proporção da população que os praticam. Aqueles consumidores que praticam entre 11 e 13 dos comportamentos analisados na pesquisa são considerados “conscientes” e representam 5% da população brasileira. Os que praticam entre 8 e 10 comportamentos são considerados “engajados” e representam 28% da população. Os que praticam entre 3 e 7 comportamentos são considerados “consumidores iniciantes” e representam 59% da população. E os que praticam entre 0 e 2 comportamentos são considerados “consumidores indiferentes” e representam 8% da população. O que diferencia os consumidores mais conscientes incluindo os conscientes e os engajados - do restante da população? Pode-se dizer que conscientes são consumidores que não se preocupam apenas com os impactos sobre si próprios, mas também com os impactos sobre os outros. É interessante também analisar o grupo de consumidores mais conscientes quando comparados à população em geral em outros comportamentos não incluídos nos 13 comporta-

mentos do teste. Como exemplo, 51% dos consumidores mais conscientes já fizeram alguma compra tendo como principal critério seus efeitos (positivos ou negativos) sobre o meio ambiente, enquanto que esse número é de 41% na população em geral. Podemos concluir então que a decisão de compra do consumidor brasileiro já está baseada, mesmo que de forma um pouco tímida, nas ações ambientais praticadas pelas empresas? Segundo outra pesquisa do Akatu, cresceu em 7 pontos percentuais - de 36% em 2005 para 43% em 2006 - a proporção de consumidores que usam seu poder de compra e de comunicação para premiar empresas que tenham práticas adequadas de responsabilidade social e ambiental. O que mostra que a consciência no consumo é também levada à apreciação das empresas sob critérios sociais e ambientais e não apenas os tradicionais critérios de preço, qualidade, inovação e design. Esse cenário indica uma clara tendência, que, felizmente, vem para ficar, a de uma atenção crescente às questões ambientais e sociais pelos consumidores. Reduzir o volume de resíduos produzidos diariamente

RESPONSABILIDADE Cresce o número de consumidores que preferem

“O consumo consciente pode ocorrer nos gestos mais simples, como fechar a torneira ao escovar os dentes”

também faz parte das práticas do consumo consciente. No Brasil, tratamento dado ao lixo é correto? Para se ter uma ideia, o montante de lixo produzido no Brasil todos os dias daria para “pavimentar”, com 11 centímetros de lixo, as duas pistas de uma estrada com 500 km de extensão. É um volume imenso de lixo. Naturalmente, esse lixo precisa ser coletado, transportado e destinado pelo poder público, o que custa grande quantidade de dinheiro, que poderia ter uma destinação mais nobre como a educação e a saúde da população. Em geral, mesmo tendo conheci-


JÚLIO FERNANDES/ASCOM/CNT

Hoje, a humanidade já consome

30%

empresas com preocupação ambiental

mento dos problemas derivados do consumo, as pessoas consideram que, individualmente, seu consumo faz pouca diferença e, por isso, não consideram que valha a pena mudar a sua forma de consumir. Para exemplificar que isso não é verdade, tomando como exemplo o caso do lixo, o Akatu fez um cálculo que mostra que uma única pessoa, ao longo de sua vida (72 anos, em média, no Brasil), produz lixo suficiente para encher até o teto um apartamento de 50 metros quadrados. Se isso parece pouco, basta fazer esse cálculo para cinco famílias de quatro pessoas, que

mais recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra precisarão de um prédio inteiro de dez andares, com dois apartamentos de 50 metros quadrados por andar, para colocar o lixo que produzirão durante a sua vida. É importante lembrar que, no longo prazo, o impacto dessas pequenas atitudes multiplicado por um número cada vez maior de indivíduos que vivem cada vez mais tempo, define o futuro do planeta em que vivemos. Apesar de gestos simples de consumo, tais atos causam uma reação em cadeia, levando os impactos a percorrerem a sociedade e o meio ambiente e fazendo sentir seus efeitos sobre todos.

A crise financeira que se instalou no mundo desde o fim de 2008 pode ser uma boa aliada do consumo consciente? A baixa financeira pode ser um instrumento de educação para se evitar desperdícios? O consumo consciente pode ser exercido sempre, independentemente da crise econômica. Contudo, a crise é uma oportunidade de repensar e de educar o consumo, planejar suas compras e usar os produtos até o final de sua vida útil, só comprando um novo quando for realmente necessário. Isso vale para qualquer produto, de alimentos a eletrodomésticos, de roupas a automóveis. E é também uma oportunidade de perceber que, com mudanças simples em atitudes do cotidiano, podemos economizar e evitar o desperdício. É um bom momento, portanto, para pensar sobre o consumo consciente. A utilização do transporte público pode ser uma forma de consumo consciente. Mas no Brasil, ele nem sempre é de qualidade. Além disso, são poucas as opções de trens urbanos e até mesmo de ciclovias no país. Qual seria o modelo de transporte ideal para o Brasil? A solução passa por um conjunto de ações. Em cada cidade, seria preciso identificar alternativas para a própria organização

espacial das atividades naquele local. Esse planejamento inclui induzir a população a residir em locais mais próximos de onde se localizam suas atividades, criar alternativas de qualidade para o uso do automóvel, como é o caso do transporte coletivo e das ciclovias e fazer campanhas de conscientização sobre os benefícios da mudança do padrão de uso do automóvel em termos da redução dos impactos negativos causados pelo uso do transporte individual. É importante ressaltar que as campanhas de conscientização apenas não bastam se não forem oferecidas condições para que os habitantes da cidade optem por outra forma de transporte além do automóvel. O transporte público tem de ser seguro, rápido e confortável para que as pessoas se disponham a deixar o carro em casa. Da mesma forma, as pessoas só usarão bicicletas como meio de transporte se forem oferecidas condições básicas, como ciclovias ou ruas em que seja possível pedalar sem correr o risco de acidentes, além de bicicletários onde as bicicletas possam ser deixadas com segurança. Para que as pessoas andem a pé, é preciso que os caminhos sejam seguros e agradáveis, que as calçadas não tenham buracos e nem sejam invadidas por carros ou motos. ●


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MAIS TRANSPORTE Cartão no frete ORDEM DO MÉRITO

Medalha JK será entregue em 2010 A cerimônia de homenagem às personalidades ligadas ao setor de transportes em suas diversas modalidades está marcada para março do próximo ano. A 17ª edição da Ordem do Mérito do Transporte, conhecida como “Medalha JK”, vai ser realizada no Memorial JK, em Brasília. Instituída em 1992, a honraria tem como patrono o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. A condecoração é um reconhecimento do trabalho desenvolvido por pessoas físicas e jurídicas que se destacaram durante o ano de 2009 por relevantes serviços prestados e contribuíram para o desenvolvimento da atividade transportadora no país. Serão agraciados 14 dirigentes de entidades patronais e sindicais ligados ao transporte de carga e de passageiros. Bernardo

Cabral, ex-ministro da Justiça e ex-senador do Amazonas, será homenageado com a medalha Grã-Cruz, a mais alta categoria da Ordem do Mérito. Também serão entregues as medalhas de Grande Oficial e Oficial. No evento ainda serão prestadas homenagens póstumas a Manoel Ferreira de Azevedo, fundador da primeira entidade classista patronal - a Associação dos Empresários de Ônibus de Fortaleza (CE), hoje, Sindiônibus - e empresário do setor de transporte de passageiros, e Mariano Costa, que exerceu os cargos de vicepresidente da seção de passageiros da CNT e de presidente da Fecavergs (Federação dos Taxistas e Transportadores Autônomos de Passageiros do Estado do Rio Grande do Sul), ambos falecidos em 2008.

CONHEÇA QUEM SERÁ AGRACIADO GRÃ-CRUZ Bernardo Cabral GRANDE OFICIAL Martinho Ferreira Moura Luiz Wagner Chieppe Salomão Pereira da Silva Silvio Campos Eduardo Bartolomeo Maria Claudia O. Amaro OFICIAL Lélis Marcos Teixeira Edgar Ferreira de Azevedo Eduardo Carvalho Lira Natal Aparecido Brunholi George Takahashi Marcello Spinelli José Roque POST MORTEM Manoel Ferreira Azevedo Mariano Costa (Grande-Oficial)

Ônibus híbrido reduz consumo e poluição A Siemens e a Agrale desenvolveram em conjunto o ônibus híbrido Hybribus, capaz de reduzir em até 30% as emissão de CO2 devido a

uma redução equivalente no uso de combustível. O novo veículo conta com o sistema de tração elétrica Elfa, que pode ser usado

em motores de combustão que utilizem combustíveis como etanol, GNV, gasolina, biodiesel e/ou célula de combustível.

O cartão multiaplicativo Visa Cargo, desenvolvido no Brasil, tornará os pagamentos mais eficientes, rápidos e econômicos. O modelo permite às embarcadoras e transportadoras carregar o valor do frete diretamente no cartão para que caminhoneiros autônomos possam efetuar despesas durante a viagem. Além disso, o cartão possui a funcionalidade do Visa Vale Pedágio. O Visa Cargo é aceito em mais de 1,6 milhão de estabelecimentos, como postos de gasolina, restaurantes, oficinas e borracharias.

Carro elétrico O consórcio israelense Better Place vai investir nos próximos seis anos US$ 1,1 bilhão para viabilizar seu modelo de carro elétrico. Esse montante irá para a compra de baterias e montagem de pontos de troca e recarga em Israel. Uma análise do Deutsche Bank concluiu que o modelo israelense é econômico pela diferença entre o preço da eletricidade e o da gasolina. O banco estima que, à medida que os preços globais do petróleo estão subindo e os governos incentivam a fabricação de carros livres de emissões de dióxido de carbono, a diferença em favor do carro elétrico se ampliará ainda mais, tornando o modelo do Better Place mais atrativo.


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RALCOH/DIVULGAÇÃO

Combustível renovável

AGILIDADE Macaco elétrico levanta carro em 3 minutos

Ao toque de um botão A loja virtual Timevision está comercializando o macaco elétrico Car Jack, um acessório que levanta o veículo em apenas 3 minutos, dispensando esforços físicos. De fácil manuseio, o Car Jack pode ser usado tanto por profissionais quanto por iniciantes no mundo automotivo. Para acioná-lo

basta ligá-lo ao acendedor de cigarros do carro ou utilizar uma extensão e plugá-lo em uma tomada de 12 volts. Com dimensões de 12 cm de largura x 41 cm de altura, o Car Jack pesa 4,1 kg e suporta automóveis de até 1 tonelada. Disponível para venda pela loja virtual www.timevision.com.br.

Entregas urgentes pelo ar Está cada vez mais difícil para as empresas que trabalham com entregas cumprirem os seus objetivos a tempo, devido ao trânsito caótico que motoristas e caminhoneiros enfrentam em São Paulo. A Helimarte, empresa de taxi aéreo de São Paulo com dez anos de operação, sugere uma solução: criou o pacote “Helicargo” para transportar cargas de pequeno e médio portes para todo o Brasil e

exterior. A companhia, localizada no Campo de Marte, é a única que mantém tripulação e aeronaves 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana, e ainda busca a carga onde o cliente estiver, contando com a comodidade dos seus helicópteros ou veículos de apoio sem que ele precise se locomover. Os preços variam de acordo com o destino do produto e o modelo da aeronave solicitada.

Embraer, General Electric e Amyris anunciaram, no dia 18 de novembro, a assinatura de um Memorando de Entendimento (Memorandum of Understanding) para avaliar os aspectos técnicos e de sustentabilidade do combustível renovável da Amyris para jatos, denominado No CompromiseTM. A iniciativa pode resultar em um voo de demonstração de um E-Jet da Embraer de propriedade da Azul Linhas Aéreas, utilizando motores GE no início de 2012. O objetivo dessa parceria é acelerar a introdução de um combustível renovável para jatos capaz de reduzir

significativamente as emissões de gases de efeito estufa e oferecer uma alternativa sustentável de longo prazo para combustíveis para jatos derivados de petróleo. O combustível renovável para jatos desenvolvido pela Amyris é feito com base na cana-deaçúcar. A proposta é oferecer segurança no fornecimento, estabilidade no preço e significativa redução das emissões de gases de efeito estufa em comparação à atual base de combustíveis para jatos. O governo brasileiro, via Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) já está contribuindo financeiramente com o programa.

Programa Motorista Nota 10 Duas novas turmas do Programa Motorista Nota 10 tiveram início em novembro, em Minas Gerais, nas unidades do Sest/Senat de Contagem e de Belo Horizonte. O programa, que é desenvolvido com o apoio da Fetcemg (Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais), execução do Sest/Senat e da Sedese-MG (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social), com recursos do

Programa Usina do Trabalho, tem por objetivo formar novos profissionais para o mercado de transporte de cargas. Os motoristas participantes possuidores da CNH E, todos desempregados, passam por uma seleção e, se aprovados, entram para o programa e recebem uma bolsa, paga em etapas, ao final de cada módulo do curso, que possui uma carga horária total de 184 horas/aula.


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MAIS TRANSPORTE AIRSHIP DO BRASIL/DIVULGAÇÃO

A história de Lula, o Filho do Brasil Nova edição da biografia que inspirou o filme sobre a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com estreia programada para janeiro. De Denise Paraná. Objetiva, 144 págs, R$ 24,90

O dono da midia Biografia de Rupert Murdoch, chamado de “magnata das comunicações”, dono de jornais como “Wall Street Journal” e de canais de TV como Fox News. O livro mostra como ele construiu seu império. De Michael Wolff. Campus, 448 págs, R$ 89,90

O retorno dos dirigíveis A Airship do Brasil desenvolve projeto pioneiro no mundo na produção de dirigíveis cargueiros com capacidade de 20 a 500 toneladas. O modelo ADB-1 tem 4 m de comprimento e meta de ser um testbed (plataforma para experimentação) para ensaios de configurações, propulsão, estabilidade e controle.

Radiografa do trânsito brasileiro Foi lançado no dia 18 de novembro, em Curitiba (PR), o livro “20 anos de lições de trânsito – desafios e conquistas do trânsito brasileiro de 1987 a 2007”, do jornalista J. Pedro Corrêa, estudioso do tema, tanto no Brasil como em outros países. A obra é

patrocinada pela Volvo, por meio da Lei Rouanet. Corrêa é o idealizador do Programa Volvo de Segurança no Trânsito e examina os elementos cruciais na área: desde a educação de trânsito e a inspeção veicular, passando pela participação

do setor privado na fiscalização eletrônica e a engenharia de tráfego, até a responsabilidade nas propagandas de bebidas alcoólicas e as dificuldades que municípios pequenos enfrentam para aderir ao Sistema Nacional de Trânsito.

Apesar de vocês Com o subtítulo “Oposição à Ditadura Brasileira nos Estados Unidos, 19641985”, o livro analisa a relação entre os dois países no período militar e como o regime foi combatido nos EUA. De James Naylor Green. Companhia das Letras, 568 págs, R$ 72


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ALL/DIVULGAÇÃO

Livro conta a história da Varig

RENOVAÇÃO ALL moderniza a frota de locomotivas

ALL compra dez locomotivas A ALL (América Latina Logística) adquiriu dez locomotivas de modelo AC 44, primeiras máquinas novas compradas pela ALL. Produzidas na fábrica da GE, em Contagem (MG), as máquinas têm corrente alternada e 4400 HP, além de um aumento de 86% na capacidade de tração, o que viabilizará algumas vantagens operacionais, entre elas, transportar com uma única

locomotiva o trem de 8.000 toneladas, que segue de Alto Araguaia (MT) a Santos (SP). Os ativos começam a chegar neste mês e serão incorporados à frota de bitola larga. O investimento faz parte do plano da companhia com vistas à safra 2010, com início em fevereiro. O plano prevê ainda investimentos em tecnologia, além da aquisição de vagões e melhorias em via permanente.

Aviação brasileira aprovada Uma auditoria do órgão regulador da aviação civil nos Estados Unidos, a FAA (Federal Aviation Administration), nas áreas de aeronavegabilidade, segurança operacional e habilitação da Anac (Agência Nacional de Aviação), não levantou nenhuma recomendação ou não conformidade nos processos

regulatórios e de fiscalização dessas áreas, concedendo 100% de aprovação à aviação brasileira. Isso significa a manutenção do Brasil na categoria 1 dos países que mantém tráfego aéreo com os Estados Unidos, habilitando as empresas brasileiras a voarem para aquele país sem restrição da FAA.

A 55ª Feira do Livro de Porto Alegre, realizada em novembro, foi escolhida para o lançamento do livro “Varig – Eterna Pioneira”, escrito por Gianfranco Beting, especialista em aviação e atual diretor de marketing da Azul Linhas Aéreas Brasileiras, com supervisão editorial do jornalista Joelmir Beting. O projeto consumiu dois anos de trabalho e resgata a história da Varig. Dezenas de ex-colaboradores foram entrevistados, inclusive a maioria dos ex-presidentes ainda vivos, pilotos-chefe, diretores e comissárias. A obra tem 276

páginas e centenas de imagens, entre fotos e ilustrações, a maioria delas inéditas.

Biocombustíveis para a Gol A Gol Linhas Aéreas anunciou sua entrada ao Safug (Sustainable Aviation Fuel Users Group - Grupo de Usuários de Combustível de Aviação Sustentável, em português). O programa reúne empresas aéreas e provedores de tecnologia, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de novas fontes sustentáveis de combustível para aviação, alcançando seu uso comercial. Inicialmente, o grupo está trabalhando em dois projetos preliminares de pesquisa sobre sustentabilidade.

O primeiro prevê a revisão extensiva sobre a sustentabilidade do cultivo do pinhão manso como alternativa para geração de combustível sustentável, o que inclui seu ciclo de vida, emissão de CO2 e o impacto socioeconômico para produtores de nações em desenvolvimento. A outra frente de estudos é relacionada ao uso de algas, com o objetivo de certificar que seus processos produtivos e também seu emprego atendam aos rígidos critérios de sustentabilidade.


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MAIS TRANSPORTE AQUAVIÁRIO

Anvisa recebe documento com problemas do setor JÚLIO FERNANDES/ASCOM/DIVULGAÇÃO

epresentantes da Fenamar (Federação Nacional das Agências de Navegação Marítima) e da Fenavega (Federação Nacional das Empresas de Navegação Marítima, Fluvial, Lacustre e de Tráfego Portuário) entregaram no dia 1º de dezembro a diretores da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) levantamento dos problemas enfrentados por agentes do setor e sugestões para aperfeiçoar o relacionamento das empresas privadas com o órgão de regulação. A reunião foi realizada na sede da CNT, em Brasília. As queixas dos empresários vão desde a aplicação de multas aos critérios utilizados pela fiscalização da Anvisa na definição do valor das penalidades aplicadas. Agências e empresas de navegação cobraram do órgão regulador a normatização de procedimentos para que não haja margem para diferentes interpretações por parte dos fiscais. Para os empresários, falta também padronização das normas aplicadas por órgãos intervenientes como a própria Anvisa, a Receita Federal, a Polícia Federal, a Marinha, o

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PROPOSTAS Reunião na sede da CNT, em Brasília, com diretores da Anvisa

Ministério da Agricultura e a Autoridade Portuária. Para o presidente da Fenamar, Glen Gordon Findlay, algumas situações verificadas na atuação da fiscalização da agência reguladora, como o aumento do número de vistorias, a cobrança de taxas em todos os portos e a aplicação de penalidades por infrações constatadas em embarcações, dificultam a atuação das agências de navegação.

Luiz Rebelo, presidente da Fenavega, pediu maior flexibilidade na análise de situações que envolvem empresas que atuam na região Amazônica, onde as condições de operação são diferenciadas do restante do país. José Agenor da Silva, diretor da Anvisa, destacou o papel da agência na regulação e na proteção dos interesses da sociedade, nas questões relacionadas à saúde da população. “Estamos

saindo da Anvisa para escutar o setor regulador e a sociedade.” Ele admitiu problemas na fiscalização devido ao reduzido número de profissionais disponíveis nas regiões mais críticas, mas explicou que a instituição está impedida legalmente de fazer a transferência compulsória de servidores para esses locais. Garantiu porém, que a diretoria da Anvisa não abre mão de flexibilizar e de aperfeiçoar o processo burocrático.


MÍDIA

Jornalismo CNT premia sete trabalhos que valorizaram o setor transpor POR

LIVIA CEREZOLI

história de um tropeiro que garante o sustento das crianças de uma escola na zona rural de Cavalcante, no interior de Goiás, foi a grande vencedora do Prêmio CNT de Jornalismo 2009. A reportagem “A tropa do Zé Merenda”,

A

do jornalista da TV Globo (DF) Fábio Ibiapina e equipe, recebeu R$ 30 mil, além do troféu e do diploma correspondentes à premiação. A solenidade de entrega do prêmio, comandada pelo jornalista Chico Pinheiro, da TV Globo, aconteceu no último dia 2 de dezembro, no Clube do Exército, em Brasília.

Outros seis trabalhos também foram premiados. A série “Amazônia BR-163”, da TV Globo (DF), venceu na categoria Televisão; “Cartel das Vans”, publicada pelo jornal “O Dia” (RJ), foi a vencedora na categoria Mídia Impressa (jornal e revista); o especial “Ônibus no Morro”, do “JC Online” (PE), foi premiado na categoria

Internet; a imagem “Perigo no Ar”, do jornal “O Globo”, recebeu o prêmio na categoria Fotografia; a reportagem “Vivendo no passado”, da rádio Jornal do Commercio (PE), venceu na categoria Rádio; e a série de reportagens do “Correio Braziliense”, intitulada “A morte lenta da floresta do mar”, recebeu o


FOTOS JÚLIO FERNANDES/ASCOM/CNT

de destaque tador. Reportagem da TV Globo do DF foi a grande vencedora prêmio especial de Meio Ambiente. Para os vencedores de cada uma das categorias, o prêmio foi de R$ 10 mil. Durante a solenidade de entrega em Brasília, o presidente da CNT, Clésio Andrade, destacou a importância da premiação e lembrou que comunicação e transporte sempre andaram juntos. “A

comunicação só existia através do transporte. Só chegava carta e informação no interior através do transporte.” O Prêmio CNT de Jornalismo tem por objetivo estimular as redações dos veículos de imprensa brasileiros a produzir pautas a respeito da atividade transportadora, para que a sociedade reflita

sobre a importância do setor no processo de desenvolvimento social e econômico do Brasil. Este ano, os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada pelos jornalistas Adalberto Piotto (rádio CBN), Ascânio Seleme (editorexecutivo do jornal “O Globo” e primeiro vencedor do Prêmio

CNT, em 1994), Celso Freitas (TV Record), José Marques de Melo (professor da Universidade Metodista) e pelo engenheiro de transportes e professor da Universidade Federal do Ceará, Felipe Granjeiro. Ao todo, 356 trabalhos foram inscritos em todas as categorias. Conheça a seguir os trabalhos premiados.


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GRANDE PRÊMIO

Equipe da TV Globo recebe o Grande Prêmio das mãos do presidente da CNT, Clésio Andrade

Merenda entregue no lombo de burro A reportagem “A tropa do Zé Merenda”, exibida em março deste ano pelo Fantástico, da TV Globo, e vencedora do Grande Prêmio CNT de Jornalismo 2009, conta a história do tropeiro José Pereira das Virgens que viaja três dias no lombo de um burro para levar merenda até uma escola na zona rural de Cavalcante, interior de Goiás, um dos municípios mais pobres do país. O trabalho tem reportagem de Marcelo Canellas, imagens de Lúcio Alves e edição de Fábio Ibiapina. Segundo o editor, no começo, a história soou mirabolante. Porém, depois

de algumas checagens, foi confirmado que bem perto da capital federal existe um Brasil teimosamente parado no século 19, sem telefone, sem eletricidade, com um índice de analfabetismo alto e escolas caindo aos pedaços, mas que, apesar disso, mantém todas as crianças na escola graças ao esforço de um homem que entrega merenda no lombo de um burro. “Tanto o repórter, quanto a direção do Fantástico, não tiveram a menor dúvida: estavam diante de uma grande reportagem”, explica Ibiapina. Os jornalistas acompanharam todo

o trajeto percorrido para a entrega da merenda. Depois de quase cinco horas de viagem de carro de Cavalcante à região Kalunga, a equipe entrou no cerrado em uma área que não havia mais estrada. Em seguida, cavalgaram no meio do mato por mais três dias até chegar à escola, em Vão de Almas. “O reconhecimento da CNT fomenta o debate sobre os temas abordados na matéria e nos motiva a continuar lutando por um Brasil mais justo. Temos como grande vencedor do prêmio o Zé Merenda. Nosso ofício é apenas contar histórias”, diz Ibiapina.


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TELEVISÃO

Viagem pela Santarém-Cuiabá Trinta e dois anos depois da inauguração da BR-163, entre os Estados do Mato Grosso e Pará, os repórteres Júlio Mosquéra e Laércio Domingues, da TV Globo (DF), refizeram todo o trajeto de 1.767 km para contar histórias construídas em torno da estrada. A viagem de 21 dias entre Cuiabá (MT) e Santarém (PA), realizada em novembro e dezembro de 2008, deu origem à série “Amazônia – BR-163”, vencedora do prêmio CNT na categoria Televisão. As reportagens foram exibidas no Jornal Nacional, em abril. “A parte da rodovia no Pará ainda é de terra. Dá para ver claramente a diferença entre as duas regiões. Onde o asfalto não chegou, falta médico e professor”, conta Mosquéra. Na bagagem, além dos objetos pessoais, de câmeras e microfone, os repórteres tinham enxada e os equipamentos necessários para passar a noite na estrada. “Existem trechos em péssimas condições. Chegamos a gastar sete horas para percorrer 80 km. Corríamos o risco de ficar pelo caminho caso chovesse muito ou o carro quebrasse”, revela.

Júlio Mosquéra (TV Globo) é premiado por Otávio Cunha, presidente da seção de transporte de passageiros da CNT

IMPRESSO

Esquema milionário das vans

João Antônio de Barros e Thiago Prado (jornal “O Dia”) recebem o prêmio de Flávio Benatti, presidente da seção de transporte de cargas da CNT

A denúncia feita pelo jornal “O Dia”, do Rio de Janeiro, sobre as milícias que dominam o transporte coletivo feito por meio de vans na capital fluminense recebeu o prêmio na categoria Impresso. O trabalho de investigação de um mês e meio dos jornalistas João Antônio de Barros e Thiago Prado deu origem à série de reportagens “Cartel das vans”, publicada entre 5 e 13 de julho de 2009. “Depois de muita investigação, descobrimos que as milícias também acabaram dominando esse tipo de transporte na cidade”, conta Barros. A série revelou a existência de um monopólio no transporte alternativo do Rio de Janeiro, construído por quatro grupos. De acordo com a reportagem, juntos, eles dominam mais da metade do mercado de 2 milhões de passageiros diários e movimentam quase R$ 60 milhões por mês. O trabalho dos jornalistas ainda apresenta denúncias de coação, ameaças e mortes envolvidas na fusão de cooperativas de transporte.


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FOTOGRAFIA

A ameaça dos pássaros Um dia depois de a imprensa do mundo inteiro noticiar o pouso de emergência realizado com perfeição pelo piloto norte-americano Chesley Sulemberger, no rio Hudson, em Nova York (EUA), devido à colisão entre a aeronave e pássaros no ar, o jornal “O Globo” mostrava, em imagem, que o mesmo pode acontecer em qualquer outro lugar do planeta. A imagem “Perigo no ar”, de autoria de Domingos Rodrigues Peixoto, foi a vencedora da categoria Fotografia no Prêmio CNT de Jornalismo. Publicada na capa da edição de 17 de janeiro de 2009, a fotografia mostra um avião sobrevoando o aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, cercado de biguás, uma espécie de ave aquática. “Precisava retratar o fato da melhor maneira possível. Escolhi o mirante do Morro Dona Marta, que fica na direção da cabeceira da pista do aeroporto e fui lá pela manhã, período de maior tráfego aéreo e também de migração dos pássaros”, conta Peixoto.

Domingos Rodrigues Peixoto (jornal “O Globo”) é premiado por Rodrigo Vilaça, presidente da seção de transporte ferroviário da CNT

RÁDIO

Estradas sem pavimentação

Fábio Mendes (rádio Jornal do Commercio) recebe o prêmio de José Fioravanti, vice-presidente da CNT

Os vencedores da categoria Radiojornalismo também fazem parte do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, de Pernambuco. As dificuldades da população que vive em cidades onde o acesso ainda é feito por estradas sem pavimentação foi o tema do especial “Vivendo no passado”, dos jornalistas José Roberto de Souza e Fábio Mendes, da rádio Jornal do Commercio AM 780, de Recife (PE). Em agosto deste ano, a reportagem viajou, por três dias, cerca de 1.500 km, entre cinco cidades do agreste e sertão pernambucanos. O objetivo principal foi conhecer a realidade da população que além de sofrer com os problemas de má qualidade de estradas, ainda convive com a falta de desenvolvimento da região. A série foi produzida e veiculada pela rádio durante o mês de agosto de 2009. “Com a viagem, nós conseguimos vivenciar o drama desses moradores. Chega a ser quase impossível imaginar como é difícil chegar a esses lugares. Lá, falta de tudo”, revela Souza.


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INTERNET

Difícil acesso ao transporte coletivo Pelo segundo ano consecutivo, o “JC Online”, de Pernambuco – empresa integrada ao Sistema Jornal do Commercio de Comunicação – venceu a categoria Internet do Prêmio CNT de Jornalismo. O especial multimídia “Ônibus no morro”, dos repórteres Gustavo Belarmino (reportagem e edição de áudio), Inês Calado (reportagem) e Isabelle Figueirôa (reportagem), com design de Sidclei Sobral, relata o serviço do transporte público em áreas de morro da cidade do Recife. As histórias foram contadas por meio de textos, vídeos e fotos em uma edição multimídia, que traz entrevistas coletadas ao longo de duas semanas. “Usamos uma ferramenta de Internet (slide show) que permite ao leitor ouvir os depoimentos dos moradores do morro ao mesmo tempo em que vê as imagens das situações relatadas por eles. Isso permitiu uma reflexão maior sobre o tema abordado na reportagem”, afirma Isabelle. Em 2008, o “JC Online” foi premiado com o especial “Ônibus que quero”.

Isabelle Figueirôa (JC Online) recebe o prêmio das mãos do vice-presidente da CNT, Newton Gibson

MEIO AMBIENTE

Em defesa dos corais

Leonardo Cavalcanti (jornal “Correio Braziliense”) recebe o prêmio das mãos do presidente de honra da CNT, Thiers Fattori Costa

Denunciando como o descaso ambiental provoca a degradação dos recifes de corais e compromete a qualidade de vida do homem, a série “A morte lenta da floresta do mar”, do jornalista Leonardo Cavalcanti, publicada no jornal “Correio Braziliense”, conquistou o prêmio especial na categoria Meio Ambiente. Durante uma semana (de 3 a 10 de maio de 2009), as reportagens apresentaram relatos da degradação da costa nordestina do litoral brasileiro. “A ideia inicial desse trabalho era falar dos ataques dos tubarões no Recife (PE). Acabei ampliando o assunto porque o próprio ataque do tubarão também ocorre em decorrência da degradação ambiental no mar”, conta Cavalcanti que, além de jornalista, também é mergulhador. Ele percorreu, em 20 dias, 7.180 km de Brasília (DF) até o Rio Grande do Norte, passando por Fernando de Noronha e descendo ao sul da Bahia. O trabalho de edição e finalização do material foi realizado por uma equipe de 12 profissionais do jornal. ●


PAULO TAKASHI/DIVULGAÇÃO

PESQUISA

POR

CYNTHIA CASTRO

s dez trabalhos científicos vencedores do Prêmio CNT Produção Acadêmica 2009 foram divulgados em novembro, cuja premiação ocorreu no dia 12, em solenidade em Vitória, no Espírito Santo. São iniciativas que envolvem professores e alunos pesquisadores, abordando várias áreas ligadas ao transporte, como logística, tráfego, planejamento, gestão e meio ambiente. Essa foi a 14ª edição do prêmio criado em 1996, por meio de uma parceria da CNT e Anpet (Associação Nacional de Pesquisa e Ensino em Transportes). A proposta é incentivar a pesquisa e estimular a descoberta de tecnologias e formas de gestão que contribuam para a melhoria da produtividade e da competitividade do setor. Os trabalhos premiados serão publicados no livro “Transporte e Transformação XIV”, que será lançado em 2010 – o volume com os vencedores de 2008 já está disponível. As propostas inscritas devem ser de fácil implementação e abordar questões como soluções de problemas na operação e planejamento de transporte, alternativas para se chegar à redução de custos, iniciativas que envolvam responsabilidade social e também ambiental. Confira os vencedores no quadro. Em relação à questão do meio

O

Inovação ac Trabalhos científicos na área de transporte são ambiente, foram destacados em um dos trabalhos vencedores os benefícios em decorrência da implantação do sistema de transporte rápido e de alta capacidade de ônibus (TransMilênio), em Bogotá, na Colômbia. Conforme o estudo, o desenvolvimento de sistemas eficientes e sustentáveis de transporte público deve constituir prioridade em cidades altamente urbanizadas, congestionadas e com problemas de poluição. A análise dos impactos ambientais gerados por corredores exclusivos de ônibus mostrou que esses sistemas de transporte acarretam redução de emissões de gases de efeito estufa e de poluentes locais.

Também proporciona outros benefícios como melhor aproveitamento de energia, diminuição do consumo de combustíveis e redução de acidentes. Há trabalhos premiados voltados para todos os modais de transporte. Na solenidade de entrega dos certificados dos vencedores, a CNT foi representada pelo vice-presidente da Fetransportes (Federação das Empresas de Transportes do Estado do Espírito Santo), Jerson Antonio Picoli. “É muito importante que sejam realizados esses trabalhos no meio acadêmico. São pesquisadores, jovens, muito interessados em desenvolver pesquisas que podem vir a ser colocadas em prática pelo setor. É

uma iniciativa que deve ser mantida”, diz Picoli, ao destacar também a importância de os artigos abordarem os diferentes modais. Um dos artigos trata do planejamento da movimentação de contêineres vazios ao longo de uma cadeia de portos, buscando o balanceamento entre as demandas e ofertas, ao menor custo. Para isso, é proposto um modelo de fluxo em rede. Outro trabalho apresenta o resultado de uma pesquisa com clientes do terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Campinas/Viracopos, que busca identificar a importância do serviço oferecido no terminal. Os resultados mostraram que é


14º Prêmio CNT Produção Acadêmica Conheça os trabalhos vencedores Trabalho: Um problema de roteirização dinâmica de veículos Autores: Antonio Galvão Novaes, Paulo Juliano Burin (Universidade Federal de Santa Catarina) Trabalho: O problema de roteamento de veículos com coleta e entrega simultânea: uma abordagem via interated local search e genius Autores: Márcio Tadayuki Mine, Matheus de Souza Alves Silva, Luiz Satoru Ochi (Universidade Federal Fluminense), Marcone Jamilson Freitas Souza (Universidade Federal de Ouro Preto) Trabalho: Uma heurística baseada em busca em vizinhança variável para o problema de agrupamento de entregas em veículos de uma frota heterogênea Autores: Jorge Von Atzingen dos Reis, Claudio Barbieri da Cunha (Universidade de São Paulo) Trabalho: Modelo de decisão para o planejamento da movimentação de contêineres vazios Autores: Nathalia de Castro Zambuzi, Claudio Barbieri da Cunha (Universidade de São Paulo)

adêmica premiados pela CNT e Anpet muito importante o tempo de processamento. Também foi desenvolvido um artigo científico que apresenta um modelo de otimização para auxiliar o planejamento ferroviário com visão integrada da rede (operação em linha e pátios). Esse modelo foi aplicado ao transporte de minério de ferro de uma ferrovia brasileira. O objetivo é facilitar o planejamento da rede de serviços, desde a origem das cargas até o destino. Com a premiação, a CNT reitera seus esforços para aproximar o meio acadêmico aos empresários do setor de transporte. E o desenvolvimento desses trabalhos fornece importantes subsídios para que os transportadores de diferentes

modais possam se preparar melhor para enfrentar os desafios do setor. A diretora científica da Anpet, Maria Alice Prudêncio Jacques, afirma que a premiação tem sido um estímulo para a realização de pesquisas ligadas ao transporte de carga e passageiros. Segundo ela, o prêmio é bastante valorizado pela comunidade acadêmica. “A concessão de um prêmio pela CNT reflete o potencial de aplicação prática das pesquisas realizadas. Há então um estímulo maior ao desenvolvimento de novos trabalhos”, diz Maria Alice, que é engenheira civil e professora do programa de pós-graduação em transporte da UnB (Universidade de Brasília). ●

Trabalho: Modelo para avaliação do desempenho da segurança viária através da simulação microscópica Autores: Flávio José Craveiro Cunto (Universidade Federal do Ceará), Frank Saccomanno (Universidade de Waterloo, no Canadá) Trabalho: Modelo integrado de apoio ao planejamento da rede de serviços no transporte ferroviário de cargas: aplicação para transporte de minério de ferro Autores: Marta Monteiro da Costa Cruz, Luciano Bandeira Campos (Universidade Federal do Espírito Santo), Fabiano Mezadre Pompermayer (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Trabalho: Estudo comparativo da análise hierárquica com multiobjetivo para seleção de projetos públicos de investimento em infraestrutura de transporte Autores: Cristianne da Silva Macedo, Joel Castro do Nascimento, Nelson Kuwahara (Universidade Federal do Amazonas) Trabalho: Análise da importância relativa de atributos de nível de serviço em um terminal de cargas aeroportuário Autores: Luiz Antonio Tozi, Anderson Ribeiro Correia, Carlos Müller (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Davi dos Santos Mendes, Liu Chia Feng (Faculdade de Tecnologia de São José dos Campos) Trabalho: Metodologia para quantificar o impacto da duplicação da BR-392/RS no equilíbrio econômico-financeiro da Ecosul Autores: Felipe Freire da Costa, Cristiano Della Giustina (Agência Nacional de Transportes Terrestres) Trabalho: Benefícios ambientais em decorrência da implantação do sistema de transporte rápido e de alta capacidade de ônibus em Bogotá – o caso do TransMilênio Autores: Renata Almeida Motta, Adrianna Andrade de Abreu, Suzana Kahn Ribeiro (Universidade Federal do Rio de Janeiro)


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MOBILIDADE

Decisão importante Recursos do FGTS devem financiar investimentos em transporte urbano nos próximos anos REUNIÃO Wellington Moreira Franco

POR SUELI MONTENEGRO

uas novas linhas de crédito com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), destinadas a investimentos em transporte urbano, prometem alterar nos próximos anos o perfil da mobilidade nas principais regiões metropolitanas do país. A mais recente delas foi aprovada em outubro pelo Conselho Curador do Fundo e formalizada no mês passado pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em cerimônia na sede da CNT (Confederação Nacional do Transporte), em Brasília. São R$ 2 bilhões disponíveis para projetos de melhoria da infraestrutura e para investimentos em tecnologia

D

de transporte público coletivo urbano sobre trilhos, pneus e hidroviário em todo o país. A outra linha de financiamento, lançada em março deste ano após aprovação do conselho, prevê a aplicação de R$ 1 bilhão na aquisição e na renovação da frota de ônibus urbanos. A expectativa do setor é de que, em ambos os casos, os recursos do FGTS destinados ao transporte público tornem viáveis intervenções necessárias à realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016. “Nós teremos que enfrentar a Copa de 2014 e o Rio-2016, e o Brasil

vai ter de estar com as cidades preparadas. Eu acho que o recurso chega em boa hora”, afirmou o presidente da CNT, Clésio Andrade, após participar da solenidade de assinatura simbólica da resolução do Conselho Curador pelo ministro. O evento contou com as presenças do vice-presidente da CNT e presidente da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), Otávio Cunha, e dos vicepresidentes da Caixa Econômica Federal nas áreas de Fundos de Governo e Loterias, Wellington Moreira Franco, e de Ativos de Terceiros, Bolívar Tarragó. Otimista em relação ao cenário econômico, Carlos Lupi citou as

obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e a meta de construção de moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida como justificativa para a aplicação de recursos do FGTS na melhoria da infraestrutura viária. “É estratégico que você tenha investimento em infraestrutura de transporte. Para fazer a interligação das regiões, ajudar o trabalhador na acessibilidade entre seu trabalho e sua residência e também para escoar a produção das empresas, da indústria e da agricultura.” Lupi também destacou a premência de investimentos que atendam às exigências internacionais em relação à infraestrutura urbana


JÚLIO FERNANDES/ASCOM/CNT

(vice-presidente Caixa), Carlos Lupi (ministro do Trabalho) e Clésio Andrade, presidente da CNT, na sede da entidade

das cidades-sede da Copa e da Olimpíada. Do ponto de vista do trabalhador, lembrou que a aplicação dos recursos do fundo é positiva porque eles são remunerados e geram novos empregos. “Quanto mais o trabalhador tiver carteira assinada, mais contribuição vai ter para o FGTS. É o efeito cascata que se multiplica”, disse. As operações envolvem a emissão, pelo tomador dos recursos, de cotas de FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios), de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) ou de debêntures voltados para a infraestrutura de transporte coletivo urbano ou de

característica urbana. Esses papéis serão incorporados ao patrimônio do FGTS e terão prazo de resgate e remuneração previamente definidos pela empresa e negociados com a Caixa Econômica Federal, administradora do fundo. O presidente da NTU, Otávio Cunha, informou que R$ 150 milhões dos R$ 2 bilhões aprovados agora poderão ser destinados ao financiamento de projetos de reforma de terminais urbanos em Goiânia (GO), onde o setor já se prepara para a implantação de serviços baseados no conceito internacional de ITS (Sistemas Inteligentes de Transportes, na tradução para o

português), como informatização de atividades e adoção de instrumentos de acesso dos usuários a informações sobre linhas, horários e rotas em tempo real. Para o diretor-superintendente da NTU, Marcos Bicalho, o momento atual é uma boa oportunidade para que o setor aposte em projetos que possam trazer ganhos de qualidade para o transporte coletivo urbano, como o do BRT (Bus Rapid Transit), que consiste na implantação de corredores exclusivos para veículos com maior capacidade de transporte e melhor acessibilidade para os usuários. “Já temos projetos de BRTs em cidades como Recife, Salvador, Belo

Horizonte, Curitiba e Brasília, o que vai criar demanda por esses recursos”, afirma Bicalho. O dirigente lembra que, além do setor privado, os projetos viários para melhoria da mobilidade urbana deverão contar com investimentos públicos, que usarão recursos de fontes como o Pró-Transporte (Programa de Infraestrutura de Transporte e da Mobilidade Urbana), entre outros. Marcos Bicalho acredita que, embora os recursos para renovação da frota de ônibus urbanos estejam disponíveis há mais tempo, os projetos da linha de crédito para infraestrutura e tecnologia tendem a ser aprovados mais rapidamente porque os papéis podem ser emitidos pelos próprios operadores de transporte. No caso da aquisição de ônibus novos, o acesso ao crédito será feito por intermédio de instituições financeiras, responsáveis pelo lançamento desses papéis. O consultor José Colombo de Souza Netto, representante da CNT no Conselho Curador do FGTS, acredita que tudo é questão de tempo, já que a Caixa Econômica Federal está em fase de finalização dos instrumentos financeiros que vão possibilitar a contratação de financiamento para a modernização da frota. Além da Caixa, outras instituições poderão promover o lançamento de papéis com essa finalidade. ●


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AVENTURA

Mergulho no passado Mergulhadores são atraídos pelos encantos guardados entre os destroços de velhas embarcações no litoral de Pernambuco POR

erritório vasto de beleza e atrativos naturais, o litoral brasileiro encanta turistas de todo o mundo. O Nordeste, rota de navios estrangeiros que chegavam de todos os cantos da Europa em busca das riquezas da região, guarda, no fundo de suas águas, lembranças permeadas de aventuras. Os naufrágios, principalmente em Pernambuco e Fernando de Noronha (antigo território da União e hoje parte do Estado pernambucano), são procurados por mergulhadores habilitados e iniciantes sedentos pelos encantos guardados

T

RARIDADE beleza e ri

LETICIA SIMÕES

entre os destroços de velhas embarcações e a vida marinha que surge, dia após dia, nos fragmentos da história. Em Recife, capital pernambucana, mergulhadores e turistas encontram opções variadas de centros de mergulho que oferecem pacotes turísticos para os naufrágios. Os naufrágios com maior frequência de são Vapor mergulho Pirapama, Taurus, Servmar 10 e Servmar 1. Algumas das embarcações estão naufragadas há mais de cem anos. A localização, próxima à costa, facilita o deslocamento até as áreas onde eles acontecem. O primeiro naufrágio em

“Existem estudos que mostram que algumas espécies de peixes têm reproduzido nos naufrágios” MÚCIO LUIZ BANJA, BIÓLOGO E PROFESSOR DE ECOLOGIA E ZOOLOGIA DA UPE

território pernambucano data de 1503. Segundo o arqueólogo subaquático e mergulhador Carlos Celestino Rios e Souza, a costa de Pernambuco teve aproximadamente 3.000 naufrágios. “Apenas 232 são conhecidos e 31 embarcações foram localizadas.” O arqueólogo explica que Pernambuco, entre os anos de 1500 e 1800, possuía 22 portos de grande vulto. “Em cada rio que desembocava no mar havia de um a dois portos para o escoamento do açúcar.” Embarcações francesas, inglesas e holandesas são os naufrágios mais comuns. Os europeus, segundo ele, chegavam a


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FOTOS ATLANTIS DIVERS/DIVULGAÇÃO

Em Fernando de Noronha, a Corveta Ipiranga (V17) afundada em 1983, atrai pela queza das espécies, como pode ser conferido nessas tiradas imagens no local


“Um mergulho legal é aquele onde se tem água EDISIO OLIVEIRA ROCHA, SÓCIO-DIRETOR E INSTRUTOR DE MERGULHO DO AQUÁTICOS CENTRO DE MERGULHO

HÁ 150 ANOS Imagem do naufrágio do Vapor 48

Pernambuco por diversos motivos. “Ingleses e franceses praticavam o escambo com os índios. Já os holandeses travaram guerrilhas territoriais nessa região.” Para Souza, a dificuldade em localizar antigas embarcações deve-se ao tipo de material aplicado em suas estruturas. “A maioria é embarcações de madeira. Esse material vai sendo carcomido por um tipo de molusco. Se essas embarcações estivessem em meio à lama, estariam preservadas.” De acordo com ele, esses naufrágios estão localizados em regiões de estuário (parte de rio que se encontra com o mar)

e não oferecem condições de mergulho. “É difícil de enxergar, pois essas regiões não proporcionam visibilidade. Alguns desses naufrágios estão concentrados próximos aos portos do Recife e de Suape. “Eram embarcações à vela e ficavam vulneráveis às condições climáticas e às correntes oceânicas.” No início dos anos 2000, uma alternativa para ampliar as opções turísticas de naufrágios começou a ser concretizada. Navios rebocadores que seriam sucateados foram afundados na costa, propositalmente, para incentivar o turismo de mergulho e produzir recifes

ESPÉCIES Parú Real (azul) e Dentão (vermelho) no Vapor 48

artificiais. Os primeiros naufrágios artificiais de Pernambuco contaram com o apoio da empresa Wilson Sons, que doou embarcações desativadas à Aempe (Associação das Empresas de Mergulho do Estado de Pernambuco). O mergulhador Joel Calado, diretor do projeto Mar Centro de Mergulho, participou de algumas operações de naufrágios artificiais. “Em fevereiro de 2002, foram afundados três rebocadores para formação de recifes artificiais. Todo o material nocivo ao meio ambiente marinho foi retirado”, diz Calado. O trabalho teve a avaliação do Ibama (Instituto

Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e da CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Pernambuco), que é o órgão licenciador. O Ibama possui uma instrução normativa para naufrágios artificiais. Além da entidade, esse tipo de operação deve ter também autorização da Capitania dos Portos, pois estão localizados em rota de embarcações e situados em carta náutica. O biólogo e professor de ecologia e zoologia da UPE (Universidade do Estado de Pernambuco) Múcio Luiz Banja afirma que não é permitido


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limpa e muita vida marinha” CENÁRIO FOTOS JOEL CALADO/PROJETO MAR/DIVULGAÇÃO

ANTIGO Caraúna azul nos corais do Pirapama, naufragado em 1889

afundar embarcações em locais onde existem recifes naturais. “Há uma pesquisa anterior para conhecer a área. Um diagnóstico com o estudo das correntes oceânicas, tipos de espécies e todas as características do local, é produzido para a avaliação das entidades competentes.” Edisio Oliveira Rocha, sóciodiretor e instrutor de mergulho do Aquáticos Centro de Mergulho, diz que para um bom mergulho nos naufrágios deve haver boa visibilidade no fundo do mar. “Um mergulho legal é aquele onde se tem água limpa e muita vida marinha. Em Recife, a água é transparente,

com média de 27º C de temperatura. Tem-se boa visibilidade com até 20 metros de profundidade e a temperatura da água pode chegar aos 40º C com 20 metros.” As escolas chamam o primeiro mergulho de “batismo”, quando o iniciante deve passar por um curso com aulas teóricas e práticas. A duração varia conforme a carga horária oferecida pelo centro de mergulho. As aulas práticas são realizadas em piscinas e o primeiro mergulho é sempre acompanhado por um instrutor que mergulha em dupla com o “batizado”. A maioria dos centros reali-

Uma paisagem à parte Fauna variada e flora diversificada. Assim, Múcio Luiz Banja, biólogo e professor de ecologia e zoologia da UPE, define a biota (fauna e flora) marinha de Pernambuco. Representantes de todos os tipos de algas e as tradicionais tartarugas verdes vistas com frequência no litoral pernambucano são algumas espécies que embelezam o cenário dos naufrágios. Banja diz que há uma variação de espécies animais e vegetais entre a temporada de mergulhos e a baixa estação. “No período de maior atividade turística há uma fauna muito rica. Já no período de chuvas verifica-se um maior desequilíbrio. Sem exploração, na baixa temporada, o ambiente por si só se recupera, há uma autorregulação natural”. O professor enaltece a importância das orientações repassadas pelos centros no que se refere à preservação da fauna e flora marinhas. “Os centros de mergulho orientam os alunos para não tocar e não nadar próximos ao fundo. Corais, por exemplo, morrem ao toque. Outra preocupação são as bolhas do oxigênio emitidas pelos mergulhadores, que aceleram o processo de oxidação do ferro, além do risco de acidente com o desmoronamento do recife. Por isso, não se pode entrar nos navios”, diz Banja. O biólogo da UPE afirma que os naufrágios artificiais se tornaram um grande acervo

para pesquisas científicas e, mais que isso, transformaramse em um novo habitat para os animais. “Existem estudos que mostram que algumas espécies de peixes têm reproduzido nos naufrágios. Passou a ser um criatório natural. Animais que crescem nos naufrágios formam um ponto de apoio para espécies que fazem migrações, como as lagostas.” Segundo Banja, os ouriços são um dos seres que vivem nos recifes dos naufrágios. “Em Pernambuco, os recifes naturais estão muito agredidos pela ação antrópica (interferência do homem) no meio ambiente marinho. Os recifes artificiais estão servindo de ‘albergue’ para esses seres e podem aumentar a dispersão e a distribuição das espécies.” Tubarões também são encontrados no fundo das águas pernambucanas. Contudo, o biólogo garante que a espécie que ronda os naufrágios é dócil e não agride. “Existe a oportunidade de encontrar com tubarões. Raias e tubarões lixa dormem dentro dos naufrágios. É um tubarão pacífico, não apresenta risco. A orientação dada é para não tocar nos animais.” A presença do tubarão lixa nas áreas dos naufrágios auxilia na estabilização da biota. “Faz parte do equilíbrio alimentar, pois há uma população enorme de peixes menores, e o tubarão lixa é o topo dessa cadeia”, afirma Banja.

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No período de junho a agosto, o mar fica JOEL CALADO, ODIRETOR DO PROJETO MAR CENTRO DE MERGULHO

GUIA DO MERGULHO Naufrágios mais visitados Vapor Pirapama Data do afundamento: 1889 Local: Recife Nacionalidade: brasileira Condições: desmantelado Taurus Data do afundamento: 2006 (artificial) Local: Recife Nacionalidade: brasileira Condições: inteiro Servmar 10 Data do afundamento: 2002 (artificial) Local: Recife Nacionalidade: brasileira Condições: inteiro Servmar 1 Data do afundamento: 2004 (artificial) Local: Recife Nacionalidade: brasileira Condições: semi-inteiro

CENTROS DE MERGULHO Aquáticos Centro de Mergulho Tel.: (81) 3424-5470 www.aquaticoscentrodemergulho.com.br Scuba Rec www.scubarec.com.br Tel.: (81) 3325-4568 Projeto Mar Tel.: (81) 3326-0162 www.projetomar.com.br Atlantis Divers Tel.: (84) 3206-8840 www.atlantisdivers.com.br

PREFERIDO Imagens de mergulho no naufrágio Taurus, em Recife, uma das opções de mergulho mais procuradas

za os mergulhos de batismo nos finais de semana. Instrutores e alunos saem, geralmente, do porto do Recife a bordo de um catamarã – embarcação com capacidade para até 40 tripulantes. Rocha define o catamarã como sendo ideal para o deslocamento da costa até os pontos de naufrágio. “A embarcação é confortável, espaçosa e balança muito pouco.” A alta temporada de mergulhos vai de setembro a maio. A escolha do naufrágio a ser visitado é feita de acordo com as condições climáticas. “No período de baixa, de junho a agosto, o mar fica muito agita-

do e a prática do mergulho não é aconselhável”, diz Calado. Para o instrutor de mergulho e um dos proprietários do Centro de Mergulho Scuba Rec, Luiz Neves, conhecido no segmento como Caballero, naufrágios acima de 30 metros de profundidade só são recomendáveis para mergulhadores certificados, ficando o “batismo” para embarcações afundadas abaixo dessa média. “Naufrágios com maior profundidade ficam longe da costa. A distância dificulta a ida a essas embarcações, já que aumenta o custo operacional.” Por esse motivo, explica, o turismo de naufrágio, seja para mergulha-

“Esses naufrágios possuem uma combinação única de sensações para quem nunca mergulhou” PATRICK MÜLLER, RESPONSÁVEL PELO ATLANTIS DIVERS


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muito agitado e a prática de mergulho não é aconselhável” FOTOS SCUBA REC/DIVULGAÇÃO

dores certificados ou não, é feito em embarcações afundadas próximas à costa. Em Fernando de Noronha, o mergulhador encontra três opções de mergulho em naufrágio: os chamados Navios do Porto, afundados na década de 20, o Navio do Leão (1926), localizado na enseada da Praia do Leão, e a Corveta Ipiranga (V17) afundada em 1983, com profundidade de 60 metros. O Atlantis Divers é um dos centros de mergulho que atua na região de Fernando de Noronha. Patrick Müller, responsável pelo centro, diz que os Navios do Porto são ideais para o

“batismo” em Fernando de Noronha. “Esses naufrágios possuem uma combinação única de sensações para quem nunca mergulhou. Têm uma fauna muito rica, corais maravilhosos, fundo de areia e todo o mistério que envolve os naufrágios.” Para ele, explicar o que se encontra nas regiões de naufrágios é quase impossível. “Cada naufrágio possui suas características. Alguns têm mais vida, com fauna abundante. Outros são mais misteriosos. Existem naufrágios quase inteiros ou desmantelados. Mas todos têm uma história e fazem funcionar a imaginação de quem os visita.”

As belezas dos recifes e a rica fauna que se formam nos naufrágios arrebatam até mesmo instrutores já acostumados com a prática do mergulho. “Todo mergulho é diferente do outro, mesmo que seja em um naufrágio já visitado. A cada dia há possibilidades de atrativos diferentes. A vida marinha se transforma cotidianamente”, afirma Joel Calado. Caballero tem uma preferência pessoal. “O Flórida, localizado a aproximadamente 20 km da costa de Recife, é um dos meus preferidos. A beleza do naufrágio em si já é linda. As operadoras não vão com frequência em virtude da dis-

tância e, por isso, a vida marinha desse naufrágio é mais abundante,” diz. Os centros de mergulho orientam os alunos quanto à preservação da biota (fauna e flora) marinha. “Desde o curso para formação de mergulhadores ou para o ‘batismo’, a preservação ambiental é sempre destacada. Alertamos para que os alunos não toquem e não alimentem os animais. Também é ratificado que não se pode levar nenhum objeto dos naufrágios. A única recordação que se deve trazer do fundo do mar são lembranças, fotos e filmagens”, afirma Edisio Rocha. ●


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REPORTAGEM DE CAPA

Revolução urbana Município mineiro de Uberlândia promove alterações no transporte coletivo que proporcionam maior agilidade e comodidade aos usuários POR

O Sistema Integrado de Transporte atende

4,5 mi de passageiros por mês

econhecida pela eficiência de seu transporte urbano, Uberlândia fez, em agosto, uma importante transformação que mexeu com o dia a dia dos usuários do sistema. O município, localizado na região do Triângulo Mineiro, alterou a operação do transporte coletivo para oferecer maior agilidade e comodidade. Inspirado no projeto de Curitiba (PR), o SIT (Sistema Integrado de Transporte), implantado em

R

LETICIA SIMÕES

1997, conta com corredores exclusivos de ônibus e atende 4,5 milhões de usuários por mês. A partir da nova licitação, o sistema passou a ser operado por três empresas: Autotrans, Viação São Miguel e Sorriso de Minas. Hoje, o SIT permite que o usuário se desloque para qualquer ponto da cidade e mude de ônibus nos terminais quantas vezes forem necessárias pagando somente uma tarifa, no valor de R$ 2,20. Com as exigências do edital,

as empresas operantes tiveram de se adaptar. A atual frota de Uberlândia faz parte de uma das de menor idade média do país (seis meses) e é 100% adaptada para pessoas com deficiência física ou com mobilidade reduzida. As novas regras entraram em vigor no dia 30 de agosto. O SIT recebe investimentos desde sua implantação. O monitoramento semafórico, a partir de 2000, e o monitoramento da frota via GPS, em 2004, são alguns dos aspec-


FOTOS VALTER DE PAULA


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ADAPTAÇÃO

Acessibilidade aprovada A frota de Uberlândia se adaptou e hoje pode atender com mais eficiência as pessoas com deficiência física ou com mobilidade reduzida. Antes da licitação em vigor, apenas algumas linhas de ônibus contavam com veículos adaptados ou adequados (sem elevador, com espaço interno para cadeirantes). A frota atual é 100% adaptada com elevadores, o que proporcionou maior mobilidade e conforto aos cadeirantes do município. Os cobradores das empresas que operam no SIT passaram por treinamentos para acionar o elevador dos veículos e acomodar os cadeirantes devidamente. Esse treinamento, de acordo com a Settran, será contínuo. “As empresas devem manter uma rotina permanente de treinamentos de seus colaboradores, para que eles possam atender a população da melhor maneira possível. A intenção é humanizar o sistema”, afirma o secretário de Trânsito e Transporte de Uberlândia, Paulo Sérgio Ferreira. O aposentado Jonas da Silva diz que as mudanças beneficiaram as pessoas com deficiência física de

toda a cidade. “A adaptação valeu demais. Antes era muito ruim. Para o meu bairro só havia um ônibus adaptado. Era bastante demorado, pois tinha de ficar no ponto aguardando o veículo passar. Agora, todos têm adaptação. Facilitou muito.” Ele é paraplégico e utiliza o sistema de transporte coletivo praticamente todos os dias. “Uso para ir à terapia. A viagem é confortável, tranquila e nos acomodamos bem no espaço reservado aos cadeirantes.” A cadeirante Marli Fraga, que também depende do transporte coletivo para se deslocar, diz estar satisfeita com a adaptação da frota. “A situação dos deficientes está bem melhor. Eu pego ônibus quase a semana inteira. A maior dificuldade era ficar por muito tempo nos pontos aguardando o carro adaptado passar. Agora, isso mudou.” Para Jamilda Cândido Ferreira, vítima de paraplegia, a adaptação é tida como uma vitória. “Uso o transporte público todos os dias. Essa adaptação da frota é muito importante para os portadores de deficiência. Sempre reivindicamos essa adaptação.

Acredito que o próximo passo deva ser o constante treinamento dos cobradores e motoristas.” A lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Para Marcelo Vassalli, presidente da Abene (Associação Brasileira de Estudos e Necessidades Especiais), as cidades caminham para o cumprimento pleno da lei. “Alguns municípios já começam a adaptar veículos públicos e vias, como o Rio de Janeiro, até porque a legislação obriga. Acho que deveria haver uma cobrança maior para que a lei fosse determinantemente cumprida.” Na opinião de Vassalli, Uberlândia, ao adaptar sua frota, coloca-se à frente de outros municípios brasileiros. “Com essa ação, ganham todos. A iniciativa de Uberlândia vem ao encontro das necessidades do deficiente. Essa realidade tem mudado vagarosamente no Brasil. A acessibilidade sempre esteve em segundo plano, mas acredito que esse processo tende a mudar”, afirma.

EXCLUSIVO Cidade possui o

tos tecnológicos que impulsionaram a expansão do sistema. Em 2006, com a implantação do Corredor Estrutural da avenida João Naves de Ávila, Uberlândia consolidou-se como referência do transporte urbano. Entre suas características, o corredor possui faixas exclusivas para ônibus, e a abertura das portas para embarque e desembarque é acionada pelo condutor, de dentro do veículo. Os usuários passam pela catraca e aguardam os ônibus dentro das


“Realizamos constantes reuniões para melhorar o sistema em Uberlândia” RUBENS LESSA, DIRETOR DA AUTOTRANS

único sistema de transporte público do Brasil dotado de estações fechadas

estações. Todas têm entrada exclusiva para cadeirantes. Responsáveis pelo projeto arquitetônico e urbanístico do corredor, os arquitetos Zied Sabbagh e Tânia Souza afirmam que a concepção teve suas diretrizes apoiadas na demanda projetada para a avenida. “O objetivo foi fazer uma estação que não chamasse muito a atenção. Pensamos em 13 edifícios que se colocassem discretamente na paisagem urbana e que tivessem uma linguagem moderna”, diz

“Existe uma comunicação estabelecida entre as empresas e o poder concedente” JOSÉ DUARTE CARVALHO, DIRETOR DA VIAÇÃO SÃO MIGUEL

Sabbagh. “A ideia foi criar uma estrutura de qualidade para estimular o transporte coletivo”, completa Tânia. O corredor estrutural possui, aproximadamente, 8 km de extensão, com 13 estações, ligando o terminal central ao terminal do bairro Santa Luzia. Os arquitetos pesquisaram outros modelos para chegar à concepção das estações do corredor. “Fomos a São Paulo, Curitiba, Santiago, no Chile, e Bogotá, na Colômbia para conhecer o TransMilênio. O projeto não podia ser estruturado tipo ‘gaiola’, como vimos em São Paulo, e tampouco uma obra que não fosse apropriada ao clima de Uberlândia, como as estações-tubo de Curitiba”, afirma Sabbagh. O conforto e a acessibilidade dos usuários foram itens importantes. “Os telhados das estações são termoacústicos e todas elas têm boa ventilação natural, pois é cruzada”, diz o arquiteto. Imagens da antiga ferrovia Mogiana, que passava pelo local onde hoje é a avenida João Naves de Ávila, complementam a comunicação visual das estações. Uberlândia possui o único sistema de transporte público do Brasil dotado de piso baixo

e estações fechadas. As estações foram implantadas com distância média de 500 metros entre si. O projeto adotou duas tipologias, com 18 e 36 metros, para atender até dois ônibus articulados em cada estação. O desenho das estações, ao longo do corredor estrutural, possui cinco subtipologias, necessárias para atender as características de cada local, como o desnível entre uma faixa e outra. Para o prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão (PPMG), as mudanças mais significativas do SIT, a partir das novas exigências, foram a operação do sistema por três empresas e a tarifa única. “O usuário pode ir de um extremo a outro da cidade pagando apenas uma tarifa. Isso é uma grande virtude do SIT. Também decidimos dividi-lo em três lotes para incentivar a concorrência e, consequentemente, proporcionar um serviço cada vez melhor para o usuário.” A licitação em vigor, segundo Leão, levou três anos e meio para ser concluída. “O foco principal é o usuário. A partir do momento em que foi decidida a implantação do novo sistema ficou determinado que o passageiro deve


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GEOSIT

Monitoramento e comodidade

ALERTA Sandra Barbosa da Silva Silva acompanha todo o sistema

ser tratado como ‘cliente’. O SIT tem de oferecer a ele atendimento de qualidade e toda a comodidade”, afirma. O prefeito destaca que as intervenções no SIT se fizeram necessárias em virtude do constante crescimento de Uberlândia. “O terminal central da cidade, quando projetado, foi para uma população de 250 mil a 300 mil habitantes. Uberlândia tem hoje 634 mil habitantes. Portanto, são integrações indispensáveis.” O secretário municipal de Trânsito e Transporte de Uberlândia, Paulo Sérgio Ferreira, afirma que outros investimentos serão feitos no

SIT. “O próximo investimento será a implantação dos quatro corredores estruturais, com faixas exclusivas, para atender a todas as regiões da cidade. Os projetos de elaboração estão em andamento. Vamos revitalizar todos os terminais também. A previsão é que tudo seja concluído nos próximos três anos.” Veículos novos e menos poluentes foram, de acordo com Ferreira, algumas das exigências da atual licitação do SIT.“A questão ambiental foi levada a cabo pelo edital. A frota é menos poluente, pois todos os veículos possuem motor eletrônico, o que

O SIT conta com uma ferramenta de fiscalização e operação denominada GeoSit. O programa disponibiliza, em tempo real, via GPS, informações acerca de toda a frota em circulação. “O GeoSit foi desenvolvido para o usuário e para o operador das empresas”, afirma o secretário de Trânsito e Transporte de Uberlândia, Paulo Sérgio Ferreira. Segundo o secretário, 100% da frota de Uberlândia é monitorada por GPS e até o fim de 2009 toda a frota terá câmeras de monitoramento instaladas no interior dos ônibus. Desde setembro, o GeoSit – utilizado anteriormente pelos servidores da Settran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes) para administração, gerenciamento e fiscalização do transporte – está disponível para os usuários. Por meio do portal da prefeitura é possível acessar o programa e escolher a rota que deseja pesquisar. O usuário também pode acompanhar o deslocamento dos veículos em tempo real. A assessora municipal de

Transportes, Denise Labrea, afirma que o sistema aperfeiçoou a fiscalização do SIT, além de oferecer uma comodidade a mais para o usuário. “Não é possível colocar um fiscal no ponto final de cada linha. Com o GeoSit, a administração do sistema consegue controlar o tempo de parada de cada ônibus em suas paradas finais.” Para o pleno funcionamento e manutenção das estações e terminais, o SIT conta com um departamento exclusivo. Sandra Barbosa da Silva, coordenadora do núcleo de terminais e estações do sistema, transita por todos os pontos diariamente. “Acompanho o dia a dia de toda a estrutura do SIT, por isso, os motoristas também colaboram com meu trabalho. Questões relativas à limpeza de um terminal ou à troca de lâmpadas de alguma estação são levadas aos fiscais, que me repassam tais necessidades”, diz. “Se há algo errado com a estrutura de algum terminal ou estação, sou acionada para tentar solucionar o problema”, afirma Sandra.


“Esperamos crescer com a cidade, que tem um foco arrojado para o transporte coletivo” LEANDRO GULIN CRIVELLARO, DIRETOR DA SORRISO DE MINAS

NOVOS Idade média da frota de ônibus é seis meses

diminui as emissões. Antes da licitação, a frota tinha idade média de oito anos, hoje a idade média é de seis meses.” A Autotrans é uma das companhias vencedoras. Para o diretor da empresa, Rubens Lessa, o constante crescimento do município foi um dos fatores preponderantes para a entrada do grupo na cidade. “Uberlândia é uma cidade promissora, com grande desenvolvimento, topografia muito boa e alto investimento em infraestrutura de transportes. As três empresas do SIT trabalham com a Settran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes) e a

prefeitura. Realizamos constantes reuniões para melhorar o sistema”, afirma Lessa. Outra empresa que também iniciou suas atividades a partir de agosto em Uberlândia foi a Viação São Miguel, empresa do Grupo Duarte. O diretor José Duarte Carvalho diz que o diálogo entre as empresas e a prefeitura é primordial para o bom funcionamento do SIT. “Existe uma comunicação estabelecida entre as empresas e o poder concedente. A necessidade dessa interlocução é grande. Ninguém conhece melhor os problemas do que quem opera o sistema direta-

REPERCUSSÃO Sistema é destaque internacional

“Essa adaptação da frota é muito importante para os portadores de deficiência” JAMILDA CÂNDIDO FERREIRA, VÍTIMA DE PARAPLEGIA

mente.” Ele destaca que a experiência das empresas operantes do SIT em transporte de passageiros agrega ainda mais qualidade ao sistema. “Todas as empresas têm experiência de liderança no transporte. Temos absoluta tranquilidade de que o SIT vai se aperfeiçoar bastante por meio dessa interlocução entre as empresas e o poder concedente.” A Sorriso de Minas opera no SIT desde 2008. Participou da licitação e permanece como uma das empresas operadoras. O diretor Leandro Gulin Crivellaro confia na evolução do sistema. “Esperamos


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SAIBA MAIS SOBRE O SIT Frota: 395 veículos Linhas: 108 Idade média da frota: 6 meses Total de usuários: 250 mil/dia Tarifa: R$ 2,20* * O usuário do SIT pode se deslocar para qualquer ponto da cidade e mudar de ônibus nos terminais quantas vezes forem necessárias pagando somente uma tarifa ESTRUTURA • Terminais de integração: Central, Umuarama, Santa Luzia, Planalto e Industrial • Interligação: linhas troncais (ônibus amarelos), interbairros

ACESSIBILIDADE A atual frota é 100% adaptada para pessoas com defici

(ônibus vermelhos), alimentadoras e distritais (ônibus verdes). • Corredor Estrutural João Naves de Ávila • Número de estações: 13 • Frota operante: 51 veículos e 12 linhas • Tempo embarque/desembarque: 30 segundos (horário de pico) • Número de viagens ofertadas: 841/dia útil PESQUISA DE OPINIÃO • Encomendada pela Settran, em novembro de 2006 Avaliação do Corredor Estrutural João Naves 4% Ótimo 14% Bom: 24% 58% Regular: Péssimo/Ruim: Fonte: Settran

crescer com a cidade. O prefeito mostra seu interesse constante em desenvolver o transporte de Uberlândia. A cidade tem um foco arrojado para o transporte coletivo.” Uma das exigências da Settran é que as empresas apliquem treinamentos constantes para condutores e cobradores. A unidade do Sest/Senat de Uberlândia tem participado ativamente do processo. “Entre janeiro e novembro, foram qualificados 900 motoristas para o curso de condutores de veículos de passageiros”, afirma Roberta Micaele Lopes,

coordenadora de desenvolvimento profissional do Sest/Senat de Uberlândia. De acordo com ela, a unidade planeja aplicar um novo curso em 2010 para todas as empresas do SIT. “Vamos agendar uma reunião para janeiro com as empresas do SIT e com a prefeitura para apresentar o conteúdo programático do curso Itinerário Formativo de Transporte, dirigido ao transporte de passageiros.” Enio Marcos Vasconcelos, diretor da unidade, afirma que o Sest/Senat de Uberlândia tem todas as condições de


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ência física ou com mobilidade reduzida

Entre janeiro e novembro, o Sest/Senat de Uberlândia capacitou

900 motoristas

META Sest/Senat local projeta capacitar 80 fiscais em 2010

cooperar com as empresas do SIT, bem como com todo o setor de transportes da cidade. “A unidade também oferece um curso para fiscais do transporte urbano, funcionários da Settran. Cinquenta fiscais efetivos serão capacitados até o fim de dezembro. No início de 2010, outros 80 serão qualificados.” O geógrafo e mestre em transportes William Rodrigues Ferreira, coordenador de Geografia da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), auxiliou a equipe de implantação do SIT e atual-

mente é membro do Conselho de Transporte Urbano do Município. Segundo Ferreira, todo o projeto estrutural teve como base o modelo curitibano. “O plano diretor do município foi assessorado pelo escritório do Jaime Lerner, que idealizou o modelo de Curitiba. Ele trouxe essa ideia de estruturar a organização da cidade via sistema de transporte”, diz. Para ele, a implantação do SIT significou uma importante transformação para a cidade. “Quando se muda uma estrutura e se modifica todo o sistema de circulação de um município,

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a população altera suas orientações. A meu ver, o maior benefício do SIT foi o avanço que o sistema passou nesses 12 anos desde sua implantação.” Ferreira destaca as evoluções do SIT. “A tecnologia em operação, como o corredor da avenida João Naves de Ávila, foi um avanço. O SIT precisa ser constantemente repensado e uma das melhorias mais importantes foi a implantação do corredor. Ele dá suporte ao sistema.” O geógrafo considera o SIT um exemplo para outros municípios. “O SIT de Uberlândia avança e melhora aceleradamente em relação a outras cidades de maior porte. Permanecer em constante evolução é muito importante.” O SIT já foi destaque em publicações internacionais e, em outubro, Uberlândia recebeu o troféu Mérito Municipalista pelo projeto Melhor Transporte do Brasil, oferecido pela ABM (Associação Brasileira de Municípios). “Foi um avanço e um orgulho para a cidade ter recebido esse prêmio”, afirma Odelmo Leão. O SIT também foi considerado referência em transporte público pela Câmara dos Deputados, por meio da Frente Parlamentar de Transporte Público, com os sistemas de Curitiba e Bogotá. ●


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GASTRONOMIA

no banco de passageiro dos tradicionais táxis amarelos da maior metrópole norte-americana que Layne Mosler, escritora de gastronomia, ouve dicas preciosas sobre onde comer bem, com originalidade e a preços geralmente acessíveis. Toda semana, ela entra em algum táxi nas ruas de Nova York e, em vez de já ter um destino definido, pede ao motorista para levá-la a um lugar favorito dele para um lanche, almoço ou jantar. As dicas que saem desses encontros são postadas em um blog (www.taxigourmet.com). Além de endereços de restaurantes, bares, lanchonetes e cafés da famosa Big Apple, lá estão descritas histórias variadas que surgem na vivência com os taxistas. “No caminho, eu pergunto sobre a vida deles, o que fazem quando não estão dirigindo, por que gostam do restaurante indicado, o que há de especial e qual o prato favorito”, diz Layne, que se autodefine

É

Dicas de taxistas Norte-americana Layne Mosler posta em blog bares e restaurantes sugeridos pelos profissionais POR CYNTHIA

como “freelance food writer”. A cada aventura, uma diferente surpresa. Antes de dar o sinal para o táxi, ela nunca sabe onde nem o que irá comer. Em grande parte dos restaurantes indicados, a comida é barata e há peculiaridades. “São lugares que eu nunca iria encontrar por conta própria. Restaurantes com alma, de grandes sabores e preços muitas vezes baixos. Somente de vez em quando é indicado um lugar de preço mais moderado.” No blog, estão muitos restaurantes que fogem ao roteiro convencional. As indicações são bem variadas e pas-

CASTRO

sam por churrasco, massas e até comidas vegetarianas. Também é possível encontrar dicas de estabelecimentos que oferecem comidas típicas de diferentes países. A tradicional feijoada brasileira é tema de um texto postado no último dia 7 de setembro. Depois de visitar o restaurante brasileiro Favela Grill, no distrito de Queens, Layne escreveu até sobre a origem do prato. Citou que Minas Gerais é um centro gastronômico no Brasil, com o seu típico pão de queijo, e também comentou sobre a caipirinha. “As pessoas de Minas sabem cozinhar e cer-

tamente sabem comer bem.” Fez ainda elogios ao país. “O Brasil é onde África, Europa e América nativa se encontraram e se misturaram por séculos. É onde tem gente bonita, música bonita, futebol bonito e, como rescaldo, surgiram belos guisados.” O projeto Táxi Gourmet teve início em maio de 2007, em Buenos Aires. Natural de Bellflower, na Califórnia (EUA), Layne morou na Argentina e durante dois anos realizou o projeto em Buenos Aires. A ideia surgiu quando ela fazia aulas de tango e pegava táxi regularmente. “Sempre conversava com os motoristas.


FOTOS PABLO MEHANNA/DIVULGAÇÃO

Depois de alguns meses, percebi que eles estavam me ensinando mais do que qualquer pessoa sobre a cidade. Decidi então combinar o meu fascínio pelos taxistas e seus conhecimentos à minha busca para encontrar lugares excepcionais para comer”, diz. Layne também se aventurou em outras cidades da América do Sul, como Colonia del Sacramento (Uruguai), e dos Estados Unidos, como São Francisco, na Califórnia. Em junho de 2009, mudou-se para Nova York. Desde 2007, reuniu mais de cem restaurantes recomendados por motoristas de táxis desses três países (Argentina, Uruguai e Estados Unidos). Ela também trabalha como freelance para as revistas “Time Out” e “South American Explorer”. E para escrever sobre gastronomia para essas e outras publicações, visitou centenas de restaurantes em vários países do mundo. Na busca pelas dicas inusitadas, Layne já teve de driblar situações embaraçosas. Em uma delas, vivida na capital portenha, um taxista argenti-


PALAVRA DE ESPECIALISTA

Críticos relatam experiência no Brasil No Brasil, a reportagem da CNT Transporte Atual conversou com quatro críticos gastronômicos para saber se eles ouvem a opinião dos taxistas antes de descobrir onde há interessantes restaurantes, bares ou lanchonetes. As respostas foram variadas. Mas alguns disseram que depende do tipo de estabelecimento do qual se pretende falar. O editor de arte da “Folha Online”, Marcelo Katsuki, que tem um blog sobre gastronomia e escreve para a revista “Prazeres da Mesa”, diz que costuma pegar algumas dicas com os taxistas quando ele está fora da cidade de São Paulo. “Sempre há dicas interessantes, de alguns lugares que as pessoas não costumam ir, às vezes por preconceito”, afirma Katsuki, ao dizer que o blog tem uma parte focada em restaurantes mais populares. Segundo ele, as boas indicações que já recebeu vão desde um bom espetinho na praia a casas

no insistiu em tentar seduzila. No momento em que perguntou a ele sobre o restaurante preferido, a resposta veio logo com outra proposta. “Ele insistiu em querer jantar comigo, antes de me levar à sua pizzaria favorita. E ficou ainda me contando sobre todas as mulheres que ele havia seduzido em seu táxi”, lembra Layne. Em um dos textos postados em 2009, em Nova York, ela fala sobre um taxista que tra-

especializadas em asa de frango frito. O jornalista Bruno Albertim, especializado em gastronomia, considera que o taxista pode contribuir com boas dicas, apesar de não ser a primeira fonte para se descobrir um bom restaurante. “Principalmente em relação a restaurantes que ficam em bairros mais afastados, eles podem ter boas indicações.” Albertim é editor de gastronomia do “Jornal do Commercio”, em Recife (PE), tem um quadro sobre gastronomia na rádio CBN e escreve para a revista “Prazeres da Mesa”. A colega dele, Flávia de Gusmão, também crítica de gastronomia, concorda que os taxistas podem dar algumas dicas, mas ressalta que depende muito do tipo de restaurante do qual se pretende falar. No dia a dia de trabalho, ela comenta que não costuma pedir indicações e alerta que é preciso ter um certo cuidado. “Na realidade, aqui de

balhou durante 16 anos em tempo integral e depois passou a ministrar aulas de yoga e tai chi para outros taxistas. “Quando se trata de aprender sobre uma cidade e encontrar os seus sabores, os taxistas são os meus maiores professores. Mas de vez em quando me encontro com algum deles cuja sabedoria vai ainda mais longe”, diz Layne. Em seu blog, a norte-americana também reproduz algumas histórias curiosas,

Recife, alguns restaurantes dão gorjeta para o taxista indicar.” Luciana Barbo, colunista de gastronomia do caderno Brasília do jornal “Hoje em Dia” e da rádio CBN, também diz que não costuma ouvir as dicas dos taxistas e reforça o alerta sobre as gorjetas. “Algumas barracas de praia, por exemplo, ou restaurantes costumam dar dinheiro (aos taxistas) para serem indicados. Então, fico meio desconfiada sobre a indicação.” Ela comenta que sempre antes de viajar faz um roteiro dos locais que pretende visitar. Mas lembra uma dica que deu certo. Durante uma viagem a Fortaleza, Luciana já estava com uma lista sobre as melhores barracas da praia do Futuro. No caminho, pediu uma dica do taxista e ele indicou um nome que fazia parte da lista. Daquela vez, a sugestão deu certo. “A barraca era realmente muito boa, com uma estrutura bem grande.”

contadas por outras pessoas. É possível, por exemplo, ler uma reportagem sobre uma agência especial de táxi em Teerã (Irã). Motoristas e clientes são mulheres. As passageiras relatam que preferem motoristas do sexo feminino por se sentirem mais seguras. Muitas taxistas são divorciadas ou viúvas e outras trabalham para complementar a renda familiar. “Um grupo de 700 mulheres em Teerã começou seu

FEIJOADA Layne visitou o


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“Quando se trata de encontrar os sabores de uma cidade, os taxistas são os meus maiores professores” LAYNE MOSLER, JORNALISTA

restaurante brasileiro Favela Grill e depois escreveu texto sobre a iguaria no blog

próprio serviço de táxi, por mulheres e para mulheres. É quase o suficiente para me fazer querer entrar em um avião”, diz Layne, ao dizer ainda que talvez essas taxistas mulheres ignorariam as dicas de restaurantes e a levariam para um jantar em casa. Por enquanto, o Táxi Gourmet não tem patrocinadores. Mas a proposta de Layne para 2010 é conseguir algum apoio para levar o projeto a outras cidades de todos os continentes. E, se a ideia der certo, o Brasil deve entrar na lista de países visitados. “Fui ao Rio de Janeiro duas vezes, de férias, e amei a comida, a música e o jeito à vontade das pessoas. Gostaria de explorar mais o país e falar com taxistas de diferentes regiões. É um país tão diverso e sei que encontraria uma comida e um povo diferente em cada lugar que eu fosse.” Em 2010, o site do Táxi Gourmet será atualizado para que os internautas encontrem as dicas mais facilmente. Layne também pensa em escrever um livro com todas as histórias ouvidas no banco de passageiro dos táxis que já utilizou e quer transformar o blog em uma série de televisão. Outro projeto para 2010 é

conseguir trabalhar também como taxista. No final de novembro de 2009, ela estava em processo de obtenção de licença para dirigir táxi em Nova York. “Tenho de ir à ‘escola de táxi’ e passar no exame. Depois disso, espero poder compartilhar meus restaurantes favoritos com os meus passageiros.” Em seu blog, há um longo relato sobre o primeiro dia na escola de táxi. Ela comenta com entusiasmo que o instrutor, um ex-programador de computador de Wall Street, nascido no Canadá, ensinou os segredos que existem por trás do sistema de numeração de prédios da ilha de Manhattan. Também citou que adorou um vídeo sobre como se tornar um profissional motorista de táxi, no qual um homem mostra a um taxista mal-humorado como encantar os passageiros. Sobre o motivo que a levou a querer atuar na profissão, Layne responde que é poder entender melhor como se sente o motorista de táxi e por que tantas pessoas fazem a opção por esse trabalho. Mas afirma que continuará a ser usuária dos táxis de Nova York para poder relatar suas aventuras a partir do banco do passageiro. ●


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DESPOLUIR

Genialidade precoce Aluno de escola pública do Distrito Federal cria filtro automotivo e vence prêmio Jovem Inventor POR

O invento consegue reter até

80% dos poluentes

CYNTHIA CASTRO

indignação com a fumaça preta que sai dos ônibus serviu de estímulo à criatividade e levou à vitória em uma premiação para estudantes no Distrito Federal. Ricardo Castro de Aquino, 17 anos, aluno de uma escola pública da cidade-satélite de Santa Maria, venceu o prêmio Jovem Inventor, concedido pela FAPDF (Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal). Ele tirou o primeiro lugar da categoria estudante do ensino médio, técnico ou fundamental,

A

por criar um filtro automotivo separador de poluentes. Os testes realizados em ônibus mostraram que o invento consegue reter até 80% dos poluentes emitidos por veículos movidos a diesel. O projeto vencedor foi apresentado durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Brasília, no final de outubro. “Fiquei muito feliz com o resultado. Eu telefonava todo dia para a fundação para saber se o nome do vencedor já havia saído”, diz Aquino. Durante a conversa com a reportagem da CNT

Transporte Atual, no pátio do CEM 404 (Centro de Ensino Médio), escola do governo do Distrito Federal, o vencedor do Jovem Inventor falou um pouco de sua trajetória de sucesso nos estudos ao longo dos ensinos médio e fundamental. Na rotina diária, que começa por volta das 6h e só termina depois da meia-noite, o estudante percorre aproximadamente 130 km de ônibus. Sai cedo de Santa Maria e vai para o Plano Piloto (Brasília) fazer estágio no TST (Tribunal Superior do Trabalho). São mais de 30 km.


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FOTOS JÚLIO FERNANDES/ASCOM/CNT

À tarde, ele volta a Santa Maria para assistir as aulas no CEM 404. E à noite, mais uma ida ao Plano Piloto para fazer aulas de inglês e espanhol. O ônibus só retorna para Santa Maria por volta da meia-noite. “Sou dependente do transporte público e sempre me irritei com a fumaça excessiva que sai dos ônibus. Passo muitas horas no trânsito, no mínimo quatro por dia”, diz. Nos últimos dois anos, essa poluição começou a incomodar mais e surgiu a ideia do invento. Aquino conta que as primeiras dúvidas foram em relação

aos males causados à saúde. “Queria saber quais são os componentes da fumaça e o que eles podem provocar quando o ser humano respira esse ar poluído.” Ele começou a pesquisar o assunto e hoje fala com naturalidade de problemas que agravam a questão ambiental no Brasil e também reduz a qualidade de vida das pessoas. “Nosso diesel é um dos piores do mundo. O teor de enxofre é altíssimo e isso leva a uma maior emissão de poluentes.” No período de pesquisa, Aquino também estudou como a idade da frota de veículos inter-

fere no agravamento da questão ambiental. “Quanto mais velhos são os ônibus, maior será a poluição causada por eles.” O filtro criado por Aquino é de metal, com aproximadamente 26 cm. Dentro, há um feltro específico e um gel. Assim, grande parte dos poluentes que saem na fumaça do cano de descarga fica retida no filtro, com a ajuda do gel. Uma das preocupações do estudo foi dar uma destinação ao resíduo. O estudante encaminhou a amostra para uma empresa que trabalha com pneus. “O pó dessa fumaça pode

ser usado no reaproveitamento de pneus. Não queria simplesmente descartar esse produto no meio ambiente. A destinação é importante”, diz. A elaboração do invento começou há aproximadamente um ano e meio. O estudante obteve a ajuda de um professor do CEM 404 e dedicou horas a estudos nos departamentos de química e física da UnB (Universidade de Brasília), com muita leitura. Lá, recebeu sugestões de professores da área de engenharia. Aquino não teve um professor orientador durante todo o período do projeto. A maior parte dos estudos foi feita mesmo por conta própria. Na premiação para a categoria que ele concorreu, estavam previstos R$ 10 mil para o professor orientador, R$ 10 mil para o aluno e R$ 10 mil para a escola. Como não houve um orientador de fato, somente ele e a escola ganharam o dinheiro. Durante a fase de pesquisa e construção do filtro, o estudante também contou com o incentivo dos colegas do TST, onde faz estágio na Coordenadoria de Segurança e Transporte. Os testes foram feitos em ônibus da frota do TST e demonstraram a eficácia do equipamento na contenção de


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OPORTUNIDADE

Incentivo aos novos talentos O prêmio Jovem Inventor busca estimular a inovação, revelar talentos e investir em estudantes e profissionais que procuram alternativas para problemas que podem ser sanados com ciência, tecnologia e inovação. Em 2009, foi a segunda edição da premiação, que destinou, no total, R$ 100 mil aos trabalhos vencedores no Distrito Federal. “Queremos dar a oportunidade dos candidatos mostrarem o seu trabalho. O invento do Ricardo (Aquino) é muito importante porque demonstra uma preocupação, que é mundial, em relação ao meio ambiente. Apresenta uma alternativa para despoluir”, diz o diretor de inovação e capacitação tecnológica da FAPDF, Paulo Socha. A fundação é vinculada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Distrito Federal. O Jovem Inventor abrange três categorias distintas, com premiações para o primeiro, segundo e terceiro lugares (veja o quadro). Também são premiados professores orientadores de algumas categorias. De acordo com o diretor de inovação e capacitação tecnológica, após a premiação não ocorre um encami-

nhamento dos projetos vencedores por parte da fundação. Mas há uma orientação para que o vencedor busque proteção para seu invento por meio de patente. “Nosso intuito é trabalhar o prêmio, é incentivar as novas ideias. Os projetos são embrionários e a partir daí deve começar uma sucessiva busca por melhorias”, diz. Socha destacou também outras premiações oferecidas pela fundação: Pesquisador, Empresário Inovador e Jornalismo Científico. No Pesquisador, há seis diferentes categorias para as áreas de ciências da saúde, cerrado e meio ambiente, ciências humanas, ciências sociais aplicadas, ciências exatas e da terra, engenharias e tecnologia. No Empresário Inovador, são contemplados os profissionais que desenvolveram produtos ou processos de inovação nas suas empresas, com relevantes impactos para o desenvolvimento do Distrito Federal. E no Jornalismo Científico, que pode concorrer na categoria instituição, o veículo que tenha tornado acessível ao público conhecimentos sobre ciência, tecnologia e inovação. Na categoria individual, concorre o jornalista que produziu o material.

EFICÁCIA Testes do filtro em ónibus do TST comprovaram a eficiência

parte da poluição que sai dos veículos. Em uma semana, foram retirados aproximadamente 800 g de poluentes de um ônibus. O primeiro protótipo do filtro teve um custo maior, R$ 60. Os outros dois seguintes custaram R$ 20 cada. O estudante foi orientado pelos profissionais da fundação de pesquisa a providenciar o pedido de patente do invento. Segundo Aquino, o pedido já está em andamento e ele tem tido apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Ao comentar sobre a aplicabilidade do invento, o diretor técnico científico da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, Pedro Sadi Monteiro, diz que “a criação foi feita”. Agora, o segundo passo é aprimorar esse invento. “A ciência é assim. Primeiro, gera (um invento, por exemplo) e vai sendo aprimorada”, diz o pesquisador, doutor em ciências da saúde e professor da UnB. Segundo o pesquisador, a iniciativa de Aquino mostrou que o filtro funciona. Agora, pensando


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O filtro É um sistema simples que tem como função principal reter poluentes (material particulado) emitidos por veículos movidos a diesel (ônibus e caminhões) Instalação É colocado no fim do cano de descarga do veículo Eficiência Retém até 80% dos poluentes (material particulado) emitidos. Outros filtros comerciais conseguem reter apenas a metade do pó Custo O custo médio de cada protótipo foi de R$ 20

do filtro desenvolvido pelo estudante

em uma fase mais avançada do possível lançamento do produto no mercado, Monteiro diz que serão necessários mais testes, com diferentes tipos de veículos e combustíveis. “A própria indústria pode vir a apoiar novos testes.” De acordo com Monteiro, em fevereiro de 2010, a FAPDF lançará editais em várias áreas, como meio ambiente e saúde, para oferecer apoio financeiro a projetos de pesquisa. E o invento do estudante do CEM 404 poderá ser ins-

Manutenção Deve ser feita de 3 a 4 semanas. Basta retirar o filtro e bater com um martelo de borracha para a fuligem sair. A cada manutenção, são retirados mais de 2 kg de fuligem

crito para concorrer com outros projetos a receber um montante de recurso. “Esse é um invento que temos grande interesse em continuar apoiando”, diz. O diretor técnico científico da fundação destaca que “o mais fantástico” da premiação é a possibilidade de descoberta de novos pesquisadores. “É um aluno que teve a oportunidade. Temos centenas de milhares de talentos que estão aguardando uma oportunidade para mostrar seu potencial.”

Essa não foi a primeira vez que ele venceu um concurso. Aquino conta que há dois anos obteve destaque, entre os estudantes do Distrito Federal, nas Olimpíadas de Matemática. Ganhou então uma bolsa de estudos na área de ciências exatas na UnB. Membro da Igreja Batista Internacional, ele diz que no ano passado foi o vencedor de um concurso de redação em todo o Brasil, com tema aberto. Escolheu falar sobre as religiões no mundo. O prêmio era uma

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bolsa de estudos nos Estados Unidos, em Nova Jersey, mas ele acabou não indo. Quando estava na oitava série, chegou a estudar árabe por seis meses em um curso oferecido pela Embaixada da Arábia Saudita. E esse curso foi um motivador para a escolha da profissão que ele pretende seguir. No final deste ano e início de 2010, Aquino fará vestibular. O histórico da trajetória escolar dele pode até levar a pensar que a escolha será por alguma área das ciências exatas. Mas ao ser questionado sobre a profissão que pretende seguir, o estudante é enfático. “Quero ser um dia embaixador do Brasil. Poder defender o país em algum lugar do mundo, de preferência no Oriente Médio. Vou seguir a carreira diplomática.” Ele vai prestar vestibular para o curso de relações internacionais. “Neste momento, esse é o meu objetivo. É o que eu quero. Por enquanto, não tenho vontade de seguir carreira nas ciências exatas. Pode até ser que no futuro eu mude de ideia. Mas agora o caminho que quero é esse.” ●

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SAIBA MAIS

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Para saber mais sobre o prêmio Jovem Inventor e outras categorias de pesquisa, acesse www.fap.df.gov.br


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AVIAÇÃO

Vagarosa recuperação Embraer prevê queda de 10% nas receitas em 2010 ainda como reflexo da crise financeira POR

epois do baque econômico de 2008 que fez a Embraer rever os planos e os custos de produção, as perspectivas da fabricante brasileira de aeronaves para 2010 ainda permanecem negativas. Mesmo com a recuperação econômica registrada no segundo semestre deste ano, a empresa prevê queda de 10% nas receitas para os próximos 12 meses. Segundo balanço divulgado em outubro, a receita líquida da empresa no terceiro trimestre de 2009 totalizou R$ 2,327 bilhões, R$ 250 milhões a menos que os R$ 2,577 bilhões registrados no mesmo período de 2008, quando teve início a crise econômica que

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abalou os mercados mundiais. A queda de 9,7% deve-se principalmente ao mix de produtos entregues no período. Houve redução na entrega de aeronaves com maior valor de mercado utilizadas na aviação comercial (de 37 em 2008 para 29 em 2009) e alta nas de jatos para aviação executiva, com menor valor de venda (de nove para 27). No segmento de defesa, a variação foi pequena, passando de duas para uma. No total, a empresa entregou 57 aeronaves entre julho e setembro, nove a mais do que no mesmo intervalo de tempo de 2008. No fechamento financeiro anual, mesmo que mantida a estimativa de alcançar receita líquida

de R$ 3,23 bilhões, o valor ainda é menor do que os R$ 3,70 bilhões de 2008. Porém, a projeção de investimentos de R$ 205 milhões está confirmada. Em fevereiro deste ano, 4.200 funcionários da empresa foram demitidos no Brasil. De acordo com Luiz Carlos Siqueira Aguiar, vice-presidente-executivo de relações com investidores da Embraer, as demissões fizeram parte de um plano de reestruturação iniciado em 2008, o que permitiu reduzir em 17% as despesas operacionais, passando de R$ 300,5 milhões no terceiro trimestre de 2008, para R$ 249,2 milhões em 2009. “Mesmo assim, não foi possível compensar as perdas. As

despesas ainda são mantidas em padrões elevados”, afirma Aguiar. O custo de produção teve redução de apenas 1,4 ponto percentual, passando de 21,4% no início do ano para 20% atualmente. Com a valorização do real frente ao dólar, a empresa mantinha até setembro uma margem operacional de 7%. O mesmo índice deve ser verificado no fechamento anual, ficando abaixo de 2008, que teve margem de 8,5%. Aguiar afirma que a fabricante tem trabalhado durante todo o ano de 2009 para manter a saúde econômico-financeira da companhia. “Este foi um ano difícil porque nos deparamos com uma redução no volume de pedidos e adiamento de


FOTOS EMBRAER/DIVULGAÇÃO

entregas. Fomos obrigados a rever os custos da nossa produção”, diz. Mesmo com a expectativa de perdas futuras, o vice-presidente garante que não existe previsão de uma nova reestruturação no quadro de funcionários da empresa e ainda deixa em aberto a possibilidade de recontratação dos que foram dispensados. “Se existir encomenda, precisaremos de mão de obra. No momento de volta das vendas, é natural que haja contratações.” Hoje, a empresa mantém 16.986 funcionários contratados em todas as 15 unidades mundiais – seis no Brasil, três nos Estados Unidos, duas na França, duas na China, uma em Portugal e uma em Cingapura.

Do total de funcionários, 94,7% estão no Brasil. Dona de uma abalada (desde 2005, a canadense Bombardier tornou-se uma ameaça), mas ainda confortável terceira posição na aviação comercial, atrás apenas de Boeing e Airbus, a Embraer sustenta a liderança na fabricação de aeronaves com até 120 assentos, como os modelos integrantes da família 170 a 195, carro-chefe da empresa. As aeronaves respondem por 65% das receitas mundiais da fabricante, que deve ampliar a linha de montagem desse tipo de jato fora do Brasil. A empresa não confirma, mas há notícias de um possível fechamento da fábrica em Harbin, na

China, que desde 2003 monta os jatos ERJ-145 (50 lugares) e há três anos não recebe novas encomendas. Para evitar que isso aconteça, a Embraer negocia a instalação de uma nova linha de montagem das aeronaves 190 naquele mercado – o modelo já é exportado para a região. “Temos sim claras intenções de expandir nossos negócios na China e em qualquer outro lugar, mas isso não está relacionado à ameaça de fechamento de nenhuma de nossas unidades”, afirma Aguiar. A China é mesmo um mercado promissor, de acordo com o mestre em administração de empresas e coordenador do curso de aviação civil da Universidade Anhembi

Morumbi, Edson Luiz Gaspar. Segundo ele, por lá, o governo tem investido de forma pesada em infraestrutura aeroportuária, o que dá ao país perspectivas de crescimento ainda maiores no setor. No mundo, a Embraer estima que em 2009 sejam entregues 115 aeronaves comerciais, 17 Legacy 600 e Lineage 1000 e aproximadamente 100 Phenom 100, o menor modelo da companhia. As vendas da Embraer estão divididas em quatro grandes regiões. Em média, a América do Norte responde por 40% das vendas, seguida pela Europa, com 20%, e Ásia e região do Pacífico (incluindo a China) com 18%. A América Latina, excluindo o Brasil, tem participação de 10%. Sozinho, o mercado brasileiro responde por 4% das receitas da Embraer com duas companhias aéreas operando aviões da fabricante. A Azul Linhas Aéreas deve fechar 2009 com 14 aeronaves 190 e 195 (com capacidades entre 98 e 114 e 102 e 122 passageiros, respectivamente) operando em 16 destinos. Para 2010, estão mantidos os planos de expansão e aquisição de outras sete aeronaves Embraer. A Trip, que atua no mercado de aviação regional, recebeu as quatro primeiras aeronaves Embraer 175 (com capacidade entre 78 e 88 passageiros) entre junho e julho deste ano. Um quinto avião deve ser integrado à frota da companhia ainda em 2009. Outros quatro já estão


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“Ainda não foi possível compen LUIZ CARLOS SIQUEIRA AGUIAR, VICE-PRESIDENTE-EXECUTIVO DA EMBRAER

CENÁRIO

Crise afeta fabricantes no mundo Os efeitos da crise financeira não respingaram apenas sobre a brasileira Embraer. Outras três grandes fabricantes mundiais de aeronaves – Airbus, Boeing e Bombardier – também foram atingidas e buscam recuperação num cenário ainda conturbado. Mesmo com resultados negativos até o terceiro trimestre de 2009, as empresas mantêm o otimismo para 2010 e aguardam uma nova alta dos mercados em 2011. A Bombardier, que reduziu em 10% seu quadro de funcionários no início de 2009, prevê queda de receitas de 10% entre 2009/2010 em relação ao ano fiscal 2008/2009, período que já registrou entrega de 232 jatos. Boletim de resultados divulgado em setembro pela fabricante canadense mostra que o lucro líquido do segundo trimestre, encerrado em 31 de julho, totalizou US$ 202 milhões – em 2008, o total do mesmo período foi de US$ 259 milhões. “Estamos tomando as medidas necessárias para enfrentar o difícil contexto econômico que continua a ter impacto em nossos resultados”, disse Pierre Beaudoin, presidente e chefe-executivo da Bombardier durante a apresentação do documento.

A Boeing registrou, no terceiro trimestre deste ano, perda líquida de US$ 1,6 bilhão. A empresa teve 32 encomendas canceladas. No entanto, as receitas subiram 9% acima do registrado no mesmo período do ano passado, chegando a US$ 16,7 bilhões. Segundo relatório apresentado em outubro, “os números refletem a continuação da fraqueza na economia global, que está começando a se estabilizar. O mercado de financiamento de aeronaves continua a ser um desafio, mas já mostra sinais de melhoria gradual”. A francesa Airbus não divulgou os resultados das receitas de 2009. Reconhecendo as dificuldades enfrentadas pela indústria da aviação, especialmente no financiamento de novas aeronaves, a empresa diz que “continua no bom caminho para conseguir mais um ano recorde de entregas de aeronaves”. Até 31 de outubro, 399 haviam sido entregues e outras 151 estavam encomendadas. Além disso, a fabricante prevê alta na demanda para aeronaves de grande porte nos próximos 20 anos. Até 2029, 25 mil aeronaves, com valor estimado em US$ 3,1 trilhões, deverão ser entregues.

EXPECTATIVA Operários em linha de montagem da Embraer,

encomendados para 2010. Todos os negócios foram fechados antes da explosão da crise. Além da manutenção desses contratos, o executivo da Embraer espera que o processo de retomada de vendas tenha início a partir do segundo semestre de 2010. No entanto, a expectativa de reação positiva do mercado deve acontecer somente em 2011, devido ao intervalo de alguns anos entre o momento em que as companhias aéreas fazem pedidos de aviões e a

entrega dos mesmos. A reportagem da edição 169 da CNT Transporte Atual, sobre a Labace 2009, considerada a maior feira da aviação executiva da América Latina, realizada em agosto na capital paulista, já apresentava a expectativa da Embraer para a retomada dos contratos. E a recuperação não é um privilégio só do mercado brasileiro. Em todo o mundo, espera-se uma alta nas encomendas de aviões nos próximos dois anos. “No segundo


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sar as perdas. As despesas estão em padrões elevados”

PERFIL DA EMBRAER Tempo de mercado: 40 anos Atuação mundial: Brasil (6 unidades), EUA (3 unidades), Portugal (1 unidade), França (2 unidades), Cingapura (1 unidade) e China (2 unidades) Área de negócios e mercado: Aviação comercial, executiva e mercado de defesa Número de funcionários: 16.986, 94,7% no Brasil (até set./09) • Resultados (R$ milhões) 3º trim./08 Receita líquida 2 .577,9 Lucro bruto 580,9 • Aeronaves entregues (3º trim./09) Segmento Aviação Comercial Defesa Aviação Executiva TOTAL

2º trim./09 3.019,3 665,8

3º trim./09 2 .327,5 411,2

Quantidade 29 1 27 57

PRINCIPAIS PRODUTOS Embraer 170 • Capacidade entre 70 e 80 passageiros

Embraer 190 • Capacidade entre 98 e 114 passageiros

Embraer 175 • Capacidade entre 78 e 88 passageiros • Operado pela Trip Linhas Aéreas no Brasil

Embraer 195 • Capacidade entre 102 e 122 passageiros • Ambos operados pela Azul Linhas Aéreas no Brasil

que convive com redução dos pedidos

semestre de 2009, os pedidos pararam de cair e se estabilizaram. Agora, prevemos que o mercado volte aos mesmos patamares do período antes da crise, ou até superiores”, afirma Gaspar. Pensando no futuro, a Embraer mantém a meta de “sair da crise mais forte do que entrou” e, por isso, divulgou projetos de novos produtos que já começam a chegar ao mercado este ano. Na aviação comercial, devem ser entregues duas aeronaves Phenom 300. No

NOVIDADES Phenom 300 • Jato executivo com capacidade para 6 passageiros • Primeiras unidades entregues este mês Legacy 500 • Jato executivo de médio porte

com capacidade para até 12 passageiros • Deve chegar ao mercado entre 2012 e 2013 KC 390 • Avião militar cargueiro • Chega ao mercado em 2015 Fonte: Embraer

total dos novos pedidos, incluindo os Phenom 100, 800 unidades já foram vendidas. Para Gaspar, da Anhembi Morumbi, na retomada da crise, a Embraer acerta em investir em aeronaves do tipo VLJs (jatos leves, na sigla em inglês), como o Phenom, porque existe uma tendência mundial para a aquisição de jatos pequenos com elevado nível de tecnologia e automatização. “Eles precisam de apenas um piloto e, por isso, têm custo de compra e operação bem menores”, diz o professor. Entre 2012 e 2013, devem chegar ao mercado os novos Legacys 450 e 500 e, para 2015, a Embraer mantém a previsão de lançamento do cargueiro militar KC 390. Após a crise, para recuperar a imagem abalada pelas demissões, a Embraer também passou a investir em comunicação. Um novo site de relações com investidores (www.embraer.com.br) foi desenvolvido pela RIWeb, divisão de RI do Comunique-se. A nova ferramenta de comunicação adotou o conceito da Internet 2.0, integrando os serviços mais populares da web, permitindo que o conteúdo da Embraer seja encontrado mais facilmente. Segundo a empresa, “o site proporciona facilidade de comunicação, o que permite uma maior transparência nas decisões tomadas pela empresa e nos resultados obtidos”. ●


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ASSEMBLEIA DA CIT

Chances de cooperação Renovação de frota foi um dos temas em destaque em encontro nos Estados Unidos POR

12ª Assembleia da CIT (Câmara Interamericana de Transportes), realizada nos dias 4 e 5 de novembro na sede da OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington, Estados Unidos, contou com a presença de diversas entidades brasileiras ligadas ao transporte e com mais de cem líderes do setor de transportes de 12 países do continente americano. O encontro abriu novas perspectivas de cooperação entre CIT, OEA e governos das Américas do Norte, Central e Sul.

A

OPORTUNIDADES Assembeia em

LETICIA SIMÕES

Um dos temas que mereceu atenção especial no encontro diz respeito à renovação de frota. Para o secretário-geral da CIT, Paulo Caleffi, a idade avançada da frota de caminhões é notória em todos os países, com exceção de Canadá e Estados Unidos. “Um exemplo que merece destaque é o da Colômbia, onde foi criado um fundo compulsório que indeniza a retirada de circulação dos caminhões velhos. Em relação aos ônibus, além de Canadá e Estados Unidos, mais países têm renovado suas frotas, entre os quais está o Brasil.”

Segundo Caleffi, três propostas relativas à renovação da frota brasileira foram aprovadas durante a 12ª Assembleia da CIT. “O término da exigência da tradução juramentada da carteira de motorista de estrangeiro que queira alugar um automóvel no Brasil foi uma delas. O país será sede da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 e receberá turistas do mundo inteiro. Outra refere-se ao tempo de direção dos motoristas em trânsito rodoviário.” Para o dirigente, essa questão preocupa os transportado-

res de todo o continente americano. “Alguns projetos de lei tramitam no Brasil e as restrições podem afetar os interesses internacionais.” De acordo com Caleffi, a apresentação da legislação vigente nos Estados Unidos serviu de exemplo para outros líderes. “A ATA (American Trucking Association, entidade que representa a indústria de caminhões) apresentou a legislação dos Estados Unidos, que estabelece dez horas de descanso para 14 horas trabalhadas, sendo 11 horas para o tempo de direção.” A terceira proposta foi um


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OEA/DIVULGAÇÃO

Washington abriu novas perspectivas de cooperação entre CIT, OEA e governos das Américas do Norte, Central e Sul

pedido das entidades brasileiras presentes na Assembleia. A rogativa é para que se mantenha o reconhecimento da atividade de transportador autônomo de cargas para os caminhoneiros sem vínculo com as empresas. Outros temas debatidos foram as medidas tomadas com relação à segurança no transporte de pessoas e bens nas diferentes nações das Américas e o fortalecimento das relações comerciais entre os países americanos. O encontro resultou em um documento denominado Carta

de Washington, uma declaração dos países-membros presentes à 12ª Assembleia da CIT. “A Carta de Washington será endereçada às autoridades dos governos dos países que tenham relações diretas com os interesses de todos os modais de transporte de pessoas e de cargas”, diz Caleffi. Segundo ele, o documento foi o primeiro do tipo elaborado durante as assembleias da entidade e “marca a presença da CIT na OEA, sede de todos os governos dos países do continente.” O documento propõe aos

governos o apoio aos programas de renovação de frota e de combate à informalidade no setor. À OEA, a CIT recomendou a ampliação da atuação do organismo em outros modais do transporte, como o terrestre e o aéreo. A área de atuação da OEA no setor de transportes está, atualmente, restrita ao setor marítimoportuário. “O setor marítimoportuário, por sua atuação eminentemente internacional, sempre manteve ativa a CIP (Comissão Interamericana de Portos) no âmbito da OEA. Os demais modais, somente

agora, por meio da CIT, estão sendo representados perante a Organização”, afirma Caleffi. A necessidade de integração de navios e portos aos outros modais foi considerada durante o encontro. “Por parte da CIP/OEA houve a manifestação de que navios e portos necessitam integrar-se com os demais modais e, como evidência, está a prestação de serviços dos sistemas ferroviários, rodoviários e fluviais”, diz o secretário-geral da CIT. Para Caleffi, a 12ª Assembleia da CIT teve como grande resultado a relação estabelecida com a OEA e as sugestões propostas para o setor de transportes. “Foi uma assembleia marcada pela solenidade. As propostas foram aprovadas por unanimidade. Além disso, o reconhecimento por parte da OEA de nossos propósitos foi muito significativo para todos os países-membros da Câmara.” A próxima Assembleia da CIT está marcada para os dias 13 e 15 de maio de 2010, em Medelín, Colômbia. Segundo Caleffi, o México será sede da segunda assembleia de 2010. No encontro programado para a Colômbia, o dirigente adianta que a OEA planeja realizar simultaneamente a reunião de sua Comissão Interamericana de Portos. ●


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FERROVIÁRIO

Cenário propício A atual situação econômica do Brasil favorece a implantação do Trem de Alta Velocidade POR

LIVIA CEREZOLI

mbora a instalação de um TAV (Trem de Alta Velocidade) entre as duas maiores metrópoles do Brasil - São Paulo e Rio de Janeiro - já tenha sido discutida em épocas anteriores, só agora o país trabalha de forma definitiva para a implantação do projeto. As razões para o adiamento da decisão são muitas e passam pela falta de recursos existentes em décadas passadas e a inexistência de uma tecnologia avançada o suficiente para transpor as barreiras naturais que cortam o traçado da linha e provocam menos impactos ambientais. Em meados da década de 60, além dos

E

pontos econômicos e tecnológicos, a tomada de decisões políticas estratégicas, que permitiu a substituição do modal ferroviário pelo rodoviário, pode ter sido o fator determinante por atrasar a construção de uma linha de trem de passageiros ligando o Rio a São Paulo em um curto espaço de tempo, segundo especialistas consultados pela CNT Transporte Atual. De acordo com Paulo de Tarso Resende, doutor em logística e professor da Fundação Dom Cabral, a influência política da indústria do petróleo e a decisão tardia em privatizar as ferrovias brasileiras são os grandes fatores que impediram o Brasil


TAV BRASILEIRO Extensão: 510,8 km Número de estações: 8 Velocidade média: 280 km/h Linhas: Expressa e regional Tempo de viagem: 93 minutos (Rio-São Paulo direto) - 171 minutos (com escalas) Preço da passagem: R$ 200 (econômica) e R$ 325 (executiva) Estrutura: 8 carros (200 m) em 2014. Projeção para 16 carros em 2024 Número de assentos: 458 (expressa) e 600 (regional) Custo total: R$ 34,62 bilhões 2.739,80 * Custos 3.409,90 Tipo de obra em R$ milhões 3.894,10 Obras civis Desapropriações e medidas socioambientais Sistemas e equipamentos Material rodante * A engenharia Tipo Extensão (km) Túnel Ponte Superfície

107,8 90,9

KM 0 Rio de Janeiro/Barão de Mauá KM 15,2 Aeroporto Galeão KM 118,3 Barra Mansa/Volta Redonda KM 328,7 São José dos Campos

KM 0

KM 15,2

24.583

KM 118,3

KM 328,7

312,1

KM 390,4 Aeroporto Guarulhos KM 412,2 São Paulo/Campo de Marte KM 487,6 Viracopos KM 510,7 Campinas

KM 390,4

KM 412,2

KM 487,6

KM 510,7

Fontes: ANTT/TAV Brasil

de pensar em trens de alta velocidade ainda na segunda metade do século 20. Segundo ele, mesmo que não sejam concorrentes diretos – o TAV compete com o transporte aéreo pelo tempo e pela distância percorridos –, se o Brasil não tivesse substituído o modal ferroviário pelo rodoviário, o país poderia estar 30 anos à frente e já seria até possível ligar os corredores Vitória-Belo Horizonte-Brasília e Belo Horizonte-Rio de Janeiro-São Paulo. Na visão de Resende, hoje, o interesse repentino por esse

sistema de transporte está relacionado a três fatores principais: crescimento da frota de veículos e consequente esgotamento das vias urbanas e rodovias, saturação de aeroportos e experiência positiva com a privatização das ferrovias de cargas. “Até 1996, a malha ferroviária nacional era administrada pela RFFSA (Rede Ferroviária Federal) com altíssimos prejuízos. Há pelo menos 12 anos, a realidade é outra. Isso gera uma aceitação melhor do modal, que agora passa a transportar, de forma eficiente, passageiros além de cargas.”

ALCANCE Transporte de passageiros em trens

O primeiro estudo sobre o transporte de passageiros entre Rio e São Paulo foi desenvolvido em 1981, de forma preliminar, pelo extinto Geipot (Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes), órgão ligado ao Ministério dos Transportes. Outras iniciativas, também sem sucesso, foram apresentadas em 1986 e 1987. Porém, foi só na década de 90 que surgiu o primeiro estudo de viabilidade de implantação do trem de alta velocidade. O mesmo só ganhou corpo em 2007, com a publicação do decreto 6.256/07, que concedeu ao Ministério dos

Transportes a responsabilidade pela execução e acompanhamento do processo de licitação da concessão do direito de exploração do serviço de transporte ferroviário de passageiros por sistema de alta velocidade. No mundo, o Japão colocou o primeiro trem de passageiros com velocidade superior a 250 km/h nos trilhos em 1964. Na Europa, a primeira linha surgiu na França, entre Paris e Lyon, em 1981. Para Fábio Tadeu Alves, mestre em engenharia de sistemas e integração para ferrovias pela Universidade


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THIAGO HENRIQUE/FUTURA PRESS

no Brasil praticamente se limita à área urbana das capitais e seu entorno

“Aumentar aeroportos não é uma medida sustentável a longo prazo” BERNARDO FIGUEIREDO, DIRETOR-GERAL DA ANTT

de Birmingham, no Reino Unido, cinco características precisam ser preenchidas para que a construção do TAV seja justificada: demanda suficiente de usuários, custo adequado, interesses públicos e sociais, tecnologia e cuidado ambiental. “No passado, não existia demanda suficiente de passageiros para um projeto desse tipo nem tecnologia desenvolvida o bastante para reduzir os impactos ambientais de uma obra como essa”, afirma ele. O amadurecimento econômico e político do país também é

apresentado como uma das justificativas para a implantação do projeto. “O Brasil não era atraente economicamente para os detentores da tecnologia do TAV. Hoje, a visibilidade conquistada e a segurança que ele transmite a outros países permitem que o dinheiro estrangeiro seja aplicado aqui”, afirma Marcus Quintella, doutor em engenharia de produção e professor do IME (Instituto Militar de Engenharia) e da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Embora lembre que o sistema de transporte de passageiros de longa distância não seja rentável em nenhum lugar do mundo, Quintella, que também é diretor-técnico da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), ressalta a importância de um projeto desse tipo. “O lucro é social, pois permite a redução dos níveis de poluição e emissão de CO2, reduz o volume de tráfego e de acidentes e ainda aproxima cidades de grande importância econômica.” O governo federal também engrossa o argumento. De acordo com Bernardo Figueiredo, diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), a situação econômica e a política regulatória existentes no Brasil criam um

ambiente favorável ao projeto que não existia em anos anteriores. Para ele, muito mais que a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, o esgotamento dos principais aeroportos e rodovias brasileiras motivou a implantação do TAV. “O trem de alta velocidade alivia as pressões que existem para a expansão da infraestrutura aeroportuária. Aumentar aeroportos não é uma medida sustentável a longo prazo”, diz. O TAV vai ligar pelo menos quatro terminais aeroportuários (Cumbica, em Guarulhos; Viracopos, em Campinas; Campo de Marte, em São Paulo; e Galeão, no Rio de Janeiro) e, em longo prazo, pode permitir que outras cidades sejam integradas à malha aérea nacional por meio da expansão da rede de trens. “É uma estratégia correta a que está sendo considerada porque quando for possível ampliar a rede de trens de passageiros, também vai ser possível ampliar o acesso ao transporte aéreo”, afirma Alves, mestre em engenharia de sistemas e integração para ferrovias. O diretor-geral da ANTT acredita ainda em uma maior integração da malha aérea do país. “O trem vai tornar Viracopos uma alternativa viável para ser integra-


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VAGNER CAMPOS/FUTURA PRESS

da na malha nacional”, acredita Figueiredo. Segundo Vicente Abate, diretor do comitê ferroviário do Congresso SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade), pelo menos 70% do transporte de passageiros entre Rio e São Paulo é realizado por veículos de passeio e ônibus que circulam pela via Dutra, rodovia próxima da saturação, segundo estimativas da Polícia Rodoviária Federal. “O índice de mobilidade está sendo reduzido a cada ano. A chegada de grandes eventos esportivos e a experiência negativa do caos aéreo vivenciada há dois anos, ampliaram as possibilidades de novas alternativas ao sistema de transporte existente. O TAV é a resposta para isso”, diz Vicente Abate, que também é presidente da Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária). Pelos estudos iniciais apresentados pela ANTT, o custo do projeto é de R$ 34,6 bilhões. Recursos públicos serão aplicados no projeto por meio de financiamento direto (60%), pagamento de desapropriações referentes às áreas do traçado, estações, oficinas e pátios (6,53%) e por meio da Etav (Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S.A.), que permiti-

OPÇÃO Metrô tem se mostrado um sistema eficiente para o transporte nas capitais

rá a União por R$ 1,13 bilhão no capital do concessionário com isenção de PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços). O TAV brasileiro deve ter oito estações em seus 510,8 km de extensão, operadas por duas linhas: uma expressa (Rio-São Paulo direto) e outra regional (com paradas nas demais estações). A viagem entre as duas capitais deve ter duração máxima de 93 minutos. O preço das passagens pode variar entre R$ 200 e R$ 325, dependendo da classe - econômica ou executiva, segundo a ANTT.

O prazo de exploração da concessão é de 40 anos. A ANTT espera que o contrato seja assinado até julho do próximo ano. O início das obras depende de licenciamento ambiental e está previsto para 2011, segundo a agência. O governo federal trabalha com um horizonte de cinco anos para que o projeto seja executado e concluído só seria inaugurado após a Copa do Mundo de 2014. Resende, da Fundação Dom Cabral, não acredita nessa possibilidade. Para ele, 2018 é o prazo mínimo para que o TAV esteja em funcionamento. “Não é por questões de engenharia, mas simplesmente pelas licenças ambientais que ainda não foram requeridas e

pela enorme quantidade de áreas densamente ocupadas presentes no traçado. Desapropriações geram disputas judiciais que levam tempo para serem resolvidas.” Quintella, do IME, também acredita em pelo menos oito anos de prazo entre elaboração de projetos básicos e executivos e operação do sistema. “Isso se tudo correr bem e existir a continuidade de liberação de recursos e uma blindagem política que não transforme o projeto em uma Transamazônica ou numa Ferrovia do Aço, que nunca chegaram a ser concluídas.” ● Leia mais sobre o TAV na pág. 78


JÚLIO FERNANDES/ASCOM/DIVULGAÇÃO

ENSINO

PROCURA Fórum, realizado em Brasília, contou com a presença de 15 mil pessoas

POR

LETICIA SIMÕES

ntre os dias 23 e 27 de novembro, Brasília sediou pela primeira vez o FMEPT (Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica), um desdobramento dos fóruns Mundial de Educação e Social. Mais de 15 mil pessoas circularam pelos pavilhões do Centro de Convenções Ulysses Guimarães durante os cinco dias do evento, que recebeu participantes de 16 países e caravanas estudantis de todo o Brasil. A programação do FMEPT contemplou discussões acerca da educação profissional, atrações culturais e oficinas diversas. A cerimônia de abertura aconteceu na noite do dia 23, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Educação, Fernando Haddad. “O FMEPT irá proporcionar um debate crítico para buscar soluções que o Brasil e o mundo precisam para alterar a maneira como vivemos”, disse o ministro na oportunidade.

E

Definindo prioridades Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica reúne participantes de 16 países Ao todo foram apresentadas 195 atividades culturais, 755 pôsteres (mostra de projetos científicos) com projetos de todo o país e 19 oficinas gastronômicas abertas ao público. A mostra estudantil de inovação tecnológica contou com 34 trabalhos, e as entidades convidadas, entre elas o Sest/Senat, realizaram outras 164 atividades entre painéis, mesas, oficinas e palestras.

Para o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Eliezer Pacheco, o FMEPT pode fazer parte do rol dos eventos mais relevantes do mundo na área da educação. “Além da organização impecável, o Fórum Mundial apresentou debates e palestras de alto nível e reuniu os mais renomados especialistas para discutir temas de interesse da educação profissio-

nal e tecnológica.” Segundo Pacheco, o grande diferencial do evento foi a participação expressiva dos estudantes. A Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) esteve presente no FMEPT por meio do debate “As ações dos organismos e associações internacionais nos processos de integração, pesquisa e formação de redes de apoio ao desenvolvimento da educação profissio-


PARTICIPAÇÃO

Sest/Senat marca presença O Sest Senat esteve presente no FMEPT (Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica) oferecendo diversas atividades aos participantes como debates, oficinas e mostra de vídeos. A entidade também expôs em seu stand os produtos e cursos oferecidos pelas unidades de todo o Brasil. Inscrições para os cursos on-line e técnicos puderam ser efetuadas no próprio stand. Segundo Cláudia Moreno, coordenadora de promoção social e desenvolvimento profissional do Sest/Senat, o convite para que a entidade participasse do FMEPT partiu do Ministério da Educação. “O Sest/Senat foi convidado para integrar o comitê organizador do evento, auxiliando no seu desenvolvimento e formatação.” Cláudia diz que os temas levados ao fórum foram selecionados de acordo com o público do FMEPT. “Na seleção, a equipe do Sest/Senat buscou temas da atualidade, que oportunizassem a reflexão dos participantes e que agregassem conhecimento à formação profissional desse público.” O Sest/Senat mobilizou quatro equipes para o FMEPT: uma para o comitê organizador do evento; outra

para a coordenação das atividades apresentadas; uma terceira para a orientação dos participantes no stand e uma quarta para acompanhar as palestras e debates do fórum. Para Cláudia Moreno, o resultado foi positivo tanto para o Sest/Senat quanto para os participantes. “O Sest/Senat se sente honrado por ter composto o comitê e ter auxiliado na organização do fórum. A entidade participou ativamente do evento, o que reforça o compromisso com a formação profissional dos trabalhadores em transporte e com o desenvolvimento das políticas e diretrizes da educação profissional técnica e tecnológica no Brasil,” afirma. Durante o FMEPT, o Sest/Senat promoveu um debate para discutir o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes; a oficina “O ser humano é trans. Por que não o profissional?”, que contemplou conceitos de multi, inter e transdisciplinaridade; a mostra Sest/Senat de curtas-metragens, com exibição dos filmes “Sest/Senat pela Vida nas Estradas”, “Álcool e Drogas”, “Doação de Órgãos” e “Como Manter a sua Empregabilidade”.

ATUAÇÃO Stand do Sest/Senat no Fórum Mundial

“O Fórum Mundial reuniu os mais renomados especialistas” ELIEZER PACHECO, SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA DO MEC

nal”. A Unesco tem como um de seus eixos estratégicos a educação profissional e tecnológica, com metas a serem cumpridas de 2010 a 2015. Uma das propostas da organização é promover a cooperação técnica com políticas prioritárias e articulação entre educação geral e profissional. No dia 26, a grande atração do fórum foi o julgamento de anistia do educador brasileiro Paulo Freire, perseguido e, posteriormente, exilado pela ditadura militar. Sua viúva,


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A mostra estudantil de inovação tecnológica contou com

34 trabalhos apresentou os produtos e os cursos oferecidos nas unidades em todo o país

Ana Maria Freire, encaminhou o requerimento exigindo a anistia do educador à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça em 2007. A declaração de anistia foi concedida durante o FMEPT. “Resolvi fazer o requerimento para resguardar a cidadania de meu marido e atestar que ele é um verdadeiro brasileiro. Como muitos, ele lutou por um país mais bonito e mais justo”, disse Ana Maria. O relator do processo, Edson Pistori, pediu desculpas publicamente pelos

atos criminosos cometidos pelo Estado durante o regime. “Esse pedido de perdão se estende a cada brasileiro que, ainda hoje, não sabe ler sua própria língua.” Na opinião do relator, a perseguição a Paulo Freire significou o impedimento à alfabetização de milhares de cidadãos e, mais que isso, “um empecilho à conscientização de cada um deles acerca de sua condição social.” Aproximadamente 3.000 pessoas acompanharam o anúncio da anistia.

As delegações-membro da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) também tiveram espaço durante o fórum. Cada delegação apresentou seu sistema de educação profissional e tecnológica para a troca de experiências. O debate também marcou a celebração de projetos de integração entre os países da CPLP. O encerramento contou com uma homenagem a Augusto Boal, teatrólogo brasileiro criador do teatro do oprimido. Quarenta alunos

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participantes de uma oficina baseada nas metodologias desenvolvidas por Boal e realizada durante o fórum subiram ao palco para mostrar o que aprenderam. Temas como família, violência, corrupção, fome e preconceito foram escolhidos para a encenação. A ideia dos instrutores da oficina foi trabalhar os eixos temáticos do FMEPT. A organização do fórum elaborou uma carta contendo as principais discussões e propostas do evento. O documento resume as contribuições oferecidas pelos participantes e defende a união entre os trabalhadores. Durante o encerramento do FMEPT e a apresentação da carta, o filósofo Leonardo Boff proferiu a frase “outro mundo não é possível, é necessário”. As palavras de Boff são o prólogo do documento. A carta propõe ainda um novo paradigma mundial, fundamentado na cooperação, e não no mercado de trabalho. O documento estabelece também uma agenda, com compromissos públicos, como o de aumentar o alcance da educação profissional e promover ações que reconheçam na ciência e na tecnologia instrumentos fundamentais para uma educação melhor. ●


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BIOCOMBUSTÍVEIS

Questões essenciais Discussão sobre marco regulatório questiona tecnologia e qualidade do diesel POR

SUELI MONTENEGRO

lei que vai traçar as diretrizes regulatórias para os biocombustíveis no país terá que levar em conta duas questões fundamentais para o cumprimento do compromisso de redução das emissões proposto pelo governo: a necessidade de adaptação tecnológica dos motores às novas possibilidades de uso dos combustíveis renováveis e a qualidade do produto ofertado no mercado. A combinação entre esses dois fatores foi discutida em novembro por representantes dos setores automobilístico,

A

de transportes e de distribuição de combustíveis, durante reunião do grupo de trabalho da Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado que discute o marco legal dos biocombustíveis. O grupo, criado por iniciativa do presidente da Comissão, Fernando Collor (PTB-AL), tem organizado uma série de painéis de discussão para subsidiar o anteprojeto de lei do marco regulatório dos biocombustíveis. Entre os temas já abordados estão a produção agrícola e de combustíveis renováveis e a participação do etanol na matriz energética brasileira. A intenção é que a proposta seja

apresentada aos senadores até o final dos trabalhos legislativos deste ano. Baseada nos testes realizados em motores com diferentes misturas de biodiesel e diesel comum, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) concluiu que o sucesso do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel estará condicionado à existência de diesel de qualidade. A entidade participou ativamente de testes com as misturas B5 (5% de biodiesel no diesel comum, que entrará em vigor em janeiro de 2010) e B20 (20% de biodiesel), esta última em máqui-

nas agrícolas e motores estacionários. “Esse binômio veículocombustível é uma coisa que tem de caminhar absolutamente junta. Tem que ter um veículo bem desenvolvido, mas com combustível de qualidade”, afirmou Laerte Graner, que representou a Anfavea no painel sobre “Tecnologia de Motores e Combustíveis”. Para o engenheiro, é possível garantir o bom funcionamento dos motores na mistura de até 5% de biodiesel ao diesel comum. Essa garantia vale tanto para os modelos atuais quanto para novos veículos de carga que as montadoras preten-


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DEBATE Alísio Vaz, Laerte Graner, senador Inácio Arruda e Bruno Batista, diretor-executivo da CNT

dem lançar a partir de 2012, com tecnologia capaz de reduzir o nível de emissões de poluentes e adequá-lo às exigências da fase 7 do Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores). O diretor-executivo da CNT, Bruno Batista, lembrou que é necessário não apenas capacitar os motoristas para operar caminhões com novas tecnologias adequadas à fase 7 do Proconve como também garantir um combustível mais limpo. “Nossa preocupação é que durante algum tempo o país vai conviver com quatro diferentes tipos de óleo diesel no país: o S10, o S50, o S500 e

o S1800”, disse o dirigente. Cada uma dessas escalas representa o teor de enxofre no diesel em parte por milhão (ppm). Ou, em outras palavras, quanto maior o número associado ao diesel, maior o grau de impureza do óleo e o nível de emissões de poluentes emitido pelos veículos que circulam com o combustível. Batista reacendeu o debate sobre a necessidade de uma política pública específica para a renovação da frota de caminhões no país, com a reciclagem dos veículos antigos. Disse que será necessário retirar gradualmente de circulação aproximadamente 270 mil caminhões com mais de 30

anos de vida útil do mercado – 50 mil a cada ano – concentrados, basicamente, nas mãos de caminhoneiros autônomos. Essa frota, na opinião do diretor, tem alto índice de emissão de poluentes, contribui para aumentar as estatísticas de acidentes nas estradas e representa “acréscimo de custos desnecessários”. Coordenador do grupo de trabalho da Comissão de Infraestrutura, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) acredita ser necessário um programa especial direcionado aos motoristas autônomos, com vantagens fiscais que permitam a substituição dos veículos antigos. Arruda

afirma que é preciso também compatibilizar a capacidade produtiva da indústria de biocombustíveis com a garantia de preços aos produtores de matéria-prima para que o país avance na questão dos combustíveis renováveis. Os prováveis impactos no mercado da regulamentação dos biocombustíveis pelo Legislativo despertam cautela no segmento de distribuição. Alísio Vaz, vice-presidente-executivo do Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes), defende o fortalecimento do papel regulador e fiscalizador da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e diz ser necessário preservar o modelo atual de produção, distribuição e revenda, além de estimular investimentos em dutos, ferrovias, navegação e outros meios de escoamento da produção. “É um produto novo e estamos ainda em uma curva de aprendizagem.” Vaz citou as distorções no segmento de etanol e afirmou que, apesar da fiscalização, é difícil coibir a atuação de empresas associadas ao crime organizado que adulteram combustíveis e sonegam impostos. ●


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EDUCAÇÃO

Capacitação profissional Sest/Senat lança novos itinerários formativos do Programa de Formação Especializada em Transporte POR

omo meio de oferecer formação profissional completa ao transportador brasileiro, o Sest/Senat lançou três novos cursos voltados para o transporte de cargas, de passageiros e taxistas, além de incluir no programa de transporte de produtos perigosos e em todos os outros o Módulo de Gestão, voltado para transportadores autônomos. Chamados de itinerários formativos, em que o profissional percorre um caminho até sua capacitação completa, os cursos fazem parte do Programa de Formação Especializada em

C

LIVIA CEREZOLI

Transporte, que visa construir elementos de aperfeiçoamento das práticas didático-pedagógicas, disponibilizando cursos de formação e qualificação comprometidos com os interesses dos trabalhadores do setor de transporte. O conteúdo didático dos novos itinerários está disponível em módulos – básico, intermediário, especialização e gestão –, com cargas horárias pré-estabelecidas, possibilitando ao transportador percorrer as etapas do processo formativo da maneira mais adequada à sua realidade profissional. “A forma modular permite

ENSINO Programa de

que o profissional planeje a conclusão do seu curso conforme a sua disponibilidade de tempo”, diz Cláudia Moreno, coordenadora de promoção social e desenvolvimento profissional do Sest/Senat. A cada etapa concluída, o aluno recebe um selo referente àquele conteúdo – bronze para o básico, prata para o intermediário e ouro para a especialização. Os selos são afixados no certificado de conclusão do programa. De acordo com Cláudia, essa foi a forma encontrada pelo Sest/Senat para valorizar a qualificação dos profissionais. “Os selos mostram ao mercado de trabalho que o

transportador é um profissional diferenciado”, diz ela. O itinerário formativo de transporte de cargas apresenta carga horária variável entre 148 e 208 horas, conforme a especialização escolhida. Ao todo, o transportador pode escolher entre 12 diferentes tipos de cargas (veja quadro). Nos módulos básico e intermediário, são abordadas questões de segurança, postura profissional, qualidade do serviço, operação do veículo e tecnologia embarcada. Para o transporte de passageiros, o Sest/Senat disponibiliza quatro opções de especialização


SAIBA MAS SEST/SENAT/DIVULGAÇÃO

Módulos dos cursos Básico: Postura profissional, segurança e relacionamento interpessoal Intermediário: Qualidade do serviço, tecnologia embarcada, condução econômica Especialização: Voltada para áreas específicas do setor Gestão: Para autônomos. Aborda conhecimentos em associativismo e cooperativismo, gestão financeira e administrativa do negócio

Por área específica Itinerário Formativo de Produtos Perigosos Carga horária: Entre 172 e 246 horas Especialização: Em nove tipos de produtos (explosivos, corrosivos, gases, líquidos inflamáveis, sólidos inflamáveis, substâncias oxidantes, sustâncias tóxicas, substâncias radioativas e perigosas diversas) Itinerário Formativo de Transporte de Cargas Carga horária: Entre 148 e 208 horas Especialização: Em 12 tipos de cargas (viva, cana-de-açúcar, grãos, mudanças, frutas, verduras e hortaliças, veículos, lixo urbano, produtos farmacêuticos, valores, geral, frigorificada e líquida) Itinerário Formativo de Transporte de Passageiros Carga horária: Entre 162 e 222 horas Especialização: Em quatro tipos de transporte (urbano, rodoviário, turismo e escolar) Itinerário Formativo para Taxistas Carga horária: Entre 104 e 128 horas Especialização: Em duas áreas (inglês ou espanhol instrumental para o turismo) Matrículas Procure a unidade Sest/Senat mais perto de você pelo site www.sestsenat.org.br ou pelo telefone 0800-7282891

Formação Especializada do Sest/Senat contempla quatro áreas de atuação

de acordo com o tipo de transporte realizado: rodoviário, urbano, turismo e escolar. No módulo básico, são abordados assuntos referentes à resolução 168/04 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que dispõe sobre a habilitação do condutor, e ainda questões sobre legislação de trânsito, direção defensiva, noções de primeiros socorros e atendimento interpessoal. O curso tem carga horária variável entre 162 e 222 horas. Para Cláudia Moreno, um profissional com formação especializada garante mais profissionalismo aos serviços da empresa onde

ele atua e, consequentemente, mais rentabilidade para o negócio. “Profissionais bem preparados dirigem de forma mais econômica, reduzem os riscos de acidentes e avarias nas cargas. Isso só pode gerar mais lucro para a empresa.” Os taxistas podem optar pela especialização em inglês ou espanhol instrumental voltado para o turismo. O itinerário formativo para esses profissionais ainda oferece conhecimentos em manutenção do veículo, direção preventiva e qualidade – módulo básico – e condução econômica, segmentos e pontos turísticos, além de transporte de passagei-

ros com necessidades especiais – módulo intermediário. No Módulo de Gestão, para os transportadores autônomos, o conteúdo está voltado para o associativismo e cooperativismo com noções de empreendedorismo, gestão administrativa e financeira, além de custos operacionais nas diversas áreas abordadas pelos programas formativos. “O curso cria oportunidades ao autônomo. Ele pode enriquecer seus conhecimentos e obter mais lucratividade e maior rentabilidade se souber gerir de forma adequada o seu negócio”, afirma a coordenadora.

O primeiro itinerário voltado para o transporte de produtos perigosos foi lançado em 2008. A especialização é oferecida em nove tipos de produtos como explosivos, corrosivos, gases, líquidos e sólidos inflamáveis, entre outros. A carga horária total é de 246 horas. Todos os conteúdos estão disponíveis nas 133 unidades do Sest/Senat no país. Em 15 anos, o sistema já formou mais de 3,2 milhões de alunos em pelo menos 250 cursos. Até setembro deste ano, 282.670 profissionais foram capacitados nas diversas áreas de atuação. ●


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TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS - TOTAL

IDET

Milhões de Toneladas

110 105 100 95 90 85 80 jan

fev

mar

abr

mai

jun

jul

ago

set

2007

Fonte: IDET CNT/FIPE-USP

out

nov

2008

dez

2009

Voos mais altos Cresce a importância do transporte aéreo de passageiros TRANSPORTE DE PASSAGEIROS - COLETIVO URBANO 1.050 Milhões de Passageiros

C

990 930 870 810 jan

fev

mar

abr

mai

jun

jul

ago

2007

Fonte: IDET CNT/FIPE-USP

set

out

2008

nov

dez

2009

TRANSPORTE INTERESTADUAL DE PASSAGEIROS 7,5 Milhões de Passageiros

ontinua o crescimento na movimentação total do transporte de cargas rodoviárias, que em outubro deste ano aumentou 3,9% em relação ao mês anterior. Contudo, comparando o bimestre de setembro a outubro de 2009, observa-se que este ano a movimentação foi 5,3% menor do que o ocorrido no mesmo bimestre do ano passado. De forma desagregada, no mês de outubro ocorreu alta de 7,3% no transporte de cargas industriais por terceiros, o que reflete a reativação da produção industrial no país. Enquanto isso, o transporte de outras cargas apresentou certa estabilidade com variação positiva de 0,5% em relação ao mês anterior. O transporte rodoviário de passageiros apresentou elevação em todos os modais neste mês de outubro. Observou-se aumento de 2,2% no transporte coletivo urbano de passageiros, alta de 3,5% no transporte intermunicipal e elevação de 4,4% no transporte interestadual. Na comparação do bimestre setembro-outubro deste ano com o mesmo período de 2008, constata-se queda de 2,1% no coletivo urbano e aumentos de 4,7% e 5,4% nos transportes rodoviários intermunicipal e interestadual, respectivamente. O transporte ferroviário de cargas apresentou elevação de 1,8% em setembro, em relação ao mês anterior. Porém, o total de carga transportada no acumulado do ano até este mês está 18,1% abaixo do realizado no mesmo período de 2008, refletindo o impacto da crise mundial na demanda de commodities brasileira. Em setembro, o transpor-

7 6,5 6 5,5 5 jan

fev

Fonte: IDET CNT/FIPE-USP

mar *abr *mai

jun

jul

ago 2007

set

out 2008

nov

dez 2009


CNT TRANSPORTE ATUAL

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VALE/DIVULGAÇÃO

TRANSPORTE FERROVIÁRIO DE CARGAS Milhões de Toneladas

50 45 40 35 30 25 20 jan

fev

mar

abr

mai

jun

*jul *ago

*set

2007

Fonte: IDET CNT/FIPE-USP / *dados da ALL não fornecidos

out

nov

2008

dez *2009

TRANSPORTE AQUAVIÁRIO DE CARGAS

Para a versão completa da análise, acesse www.cnt.org.br. Para o download dos dados, www.fipe.org.br

65 60 55 50 45 40 35 30 25

jan

fev

mar

abr

mai

jun

jul

ago

2007

Fonte: IDET CNT/FIPE-USP

set

out

2008

nov

dez

2009

TRANSPORTE AÉREO DE PASSAGEIROS 5 Milhões de Passageiros

8

te metroferroviário de passageiros apresentou elevação de 1,9% em relação ao mês anterior. Observou-se queda de 8,8% na movimentação de cargas no modal aquaviário no mês de setembro, em relação ao mês anterior. Cabe lembrar, contudo, que alguns portos não informaram o total de cargas transportadas e que oportunamente será feita uma retificação dos valores apresentados. O transporte aéreo de passageiros continua a apresentar crescimento, sinalizando a movimentação de passageiros em um patamar médio superior ao observado nos últimos dois anos. Em outubro, a movimentação aérea de passageiros foi 10,1% maior do que a do mês de setembro. Além disso, no bimestre setembro-outubro deste ano, a quantidade de passageiros foi 30,3% maior do que a observada no mesmo período de 2008. O Idet CNT/Fipe-USP é um indicador mensal do nível de atividade econômica do setor de transporte no Brasil. ●

Milhões de Toneladas

QUEDA Transporte ferroviário está 18,1% menor em 2009

4.5 4 3,5 3 jan

fev

mar

Fonte: IDET CNT/FIPE-USP

abr

mai

jun

jul 2007

ago

set 2008

out

nov 2009

dez


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FERROVIÁRIO MALHA FERROVIÁRIA - EXTENSÃO EM KM Total Nacional Total Concedido Concessionárias Malhas concedidas* Fonte: ANTT(relatório 2007)

BOLETIM ESTATÍSTICO

MALHA RODOVIÁRIA - EXTENSÃO EM KM

Federal Estadual Coincidente Estadual Municipal Total

TOTAL

13.773 75.580 6.230 23.490 113.451 219.999 1.234.918 1.261.745 1.368.372 1.580.814

Fonte: PNV-2008 - DNIT

Malha Rodoviária Concessionada Adminstrada por concessionárias privadas* Administrada por Operadoras Estaduais

13.810 12.746 1.064

Fonte: ABCR(2009)* e ANTT (jul/06)

FROTA DE VEÍCULOS - UNIDADES Caminhão Cavalo mecânico Reboque Semi-reboque Ônibus interestaduais* Ônibus intermunicipais Ônibus fretamento* Ônibus urbanos**

1.969.495 348.998 645.953 563.296 13.907 40.000 25.120 105.000

Fonte: Denatran (maio/2009), *ANTT(2007) e **NTU(regiões metropolitanas)

Nº de terminais rodoviários

9.863 1.674 7.304 9.473 28.314

Fonte: ANTT(relatório 2007)

NÃO PAVIMENTADA

61.807 17.260 106.548 26.827 212.442

*VALEC é operacionalizada pela Vale do Rio Doce

MALHA POR CONCESSIONÁRIA - EXTENSÃO EM KM Companhia Vale do Rio Doce/FCA MRS Logística S.A. ALL do Brasil S.A. Outras Total

RODOVIÁRIO

PAVIMENTADA

29.817 28.314 11 12

173

MATERIAL RODANTE - UNIDADES Vagões Locomotivas Carros (passageiros urbanos)

87.150 2.624 1.670

Fonte: ANTF(2007) e Min. Cidades 2003

PASSAGENS DE NÍVEL - UNIDADES Total Críticas

12.273 2.611

Fonte: ANTF 2007

VELOCIDADE MÉDIA OPERACIONAL Brasil EUA

25 km/h 80 km/h

Fonte: AAR - Association of American Railroads

AEROVIÁRIO AEROPORTOS - UNIDADES Internacionais Domésticos Pequenos e aeródromos

33 33 2.498

Fonte: INFRAERO(2008) e ANAC (2006)

AERONAVES - UNIDADES A jato Turbo Hélice Pistão Total

Fonte: ANTT 2006

AQUAVIÁRIO

778 1.638 9.204 11.620

Fonte: ANAC (2009)

INFRAESTRUTURA - UNIDADES Terminais de uso privativo Portos FROTA MERCANTE - UNIDADES Embarcações de cabotagem e longo curso

42 40

141

Fonte: ANTAQ (2009)

HIDROVIA - EXTENSÃO EM KM E FROTA Rede fluvial nacional Vias navegáveis Navegação comercial Embarcações próprias Fonte: ANTAQ (2009)

MATRIZ DO TRANSPORTE DE CARGAS MODAL

44.000 29.000 13.000 1.148

Rodoviário Ferroviário Aquaviário Dutoviário Aéreo Total Fonte: *TKU - tonelada quilômetro útil ANTT(relatório 2007)

MILHÕES

(TKU)* 485.625 164.809 108.000 33.300 3.169 794.903

PARTICIPAÇÃO

(%) 61,1 20,7 13,6 4,2 0,4 100


CNT TRANSPORTE ATUAL

75

DEZEMBRO 2009

BOLETIM ECONÔMICO

INVESTIMENTOS FEDERAIS EM INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES

R$ bilhões

Investimentos Federais em Transportes (janeiro a outubro/2009)

14 12 10 8 6 4 2 0

Investimentos Liquidados por Modal (R$ 2,7 bilhões) - Governo Federal (janeiro a outubro/2009)

12,6 6,8

R$ 208,3 mi (8%)

2,7 R$ 2,0 bi (76%)

R$ 418,3 mi (16%)

Autorizado Total pago Investimento liquidado Obs.: O Total Pago inclui valores pagos do exercício atual e restos a pagar pagos do ano anterior.

Rodoviário Ferroviário

(R$ MILHÕES)

Arrecadação no mês (outubro) Arrecadação no ano (2009) Total acumulado desde 2002 Investimentos em transportes pagos com CIDE (desde 2002) CIDE não utilizada em transportes (desde 2002)

618* 3.556 55.339 22.199,5 (40,1%) 33.139,5 (59,9%)

R$ bilhões

Arrecadação X Investimentos Pagos: Recursos da CIDE

60 50 40 30

55,3

22,2

20 10 0 2 200

3 200

4 200

Arrecadação Acumulada

5 200

6 200

7 200

8 200

9 200

Investimento Pago Acumulado

CIDE - Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Lei 10.336 de 19/12/2001. Atualmente é cobrada sobre a comercialização de gasolina (R$ 0,23/liltro) e diesel (R$ 0,07/litro) e a destinação dos recursos engloba o subsídio e transporte de combustíveis, projetos ambientais na indústria de combustíveis e investimentos em transportes.

Aquaviário

CONJUNTURA MACROECONÔMICA - OUTUBRO/2009 Valores Expectativa 2008 acumulados Nos últimos para 2009 12 meses em 2009 Inflação IPCA (%) Câmbio (R$/US$) Selic (%a.a.) PIB (% cresc. ao ano) Balança Comercial (US$ bilhões)

5,9

2,97(1)

4,17(1)

2,34

1,74(2)

13,75

(3)

1,7 8,75

8,75 (4)

4,27

(4)

5,08

-1,46

1,26

0,2

24,7

22,6(5)

26,5(5)

25,5

Observações: 1 - Inflação acumulada no ano e em 12 meses até outubro/2009. 2 - Câmbio de fim de período outubro/2009, média entre compra e venda. 3 - Meta Taxa Selic conforme Copom 21/10/2009. 4 - PIB acumulado em 12 meses, até junho/2009. 5 - Balança Comercial acumulada no ano e em 12 meses até out/2009. Fontes: Receita Federal, COFF - Câmara dos Deputados (acumulado até 04/11/2009), IBGE e Focus - Relatório de Mercado (06/11/09), Banco Central do Brasil.

8

CIDE

* Veja a versão completa deste boletim em www.cnt.org.br

NECESSIDADES DE INVESTIMENTOS DO SETOR DE TRANSPORTES BRASILEIRO: R$ 280 BILHÕES (PLANO CNT DE LOGÍSTICA BRASIL - 2008)


76

CNT TRANSPORTE ATUAL

DEZEMBRO 2009

EMISSÕES DE CO2 NO BRASIL (EM MILHÕES DE TONELADAS - INCLUÍDO MUDANÇA NO USO DA TERRA) EMISSÕES DE CO2 POR SETOR CO2 t/ANO 776,33 94,32 74,07 42,51 25,60 16,87 1.029,71

SETOR

BOLETIM AMBIENTAL DO DESPOLUIR

Mudança no uso da terra Transporte Industrial Outros setores Energia Processos industriais Total

RESULTADOS DO PROJETO DE REDUÇÃO DAS EMISSÕES DE POLUENTES PELOS VEÍCULOS

(%) 75,4% 9,2% 7,2% 4,1% 2,5% 1,6% 100%

PARTICIPAÇÃO

EMISSÕES DE CO2 POR MODAL DE TRANSPORTE NÚMEROS DE AFERIÇÕES JANEIRO A SETEMBRO 2007 E 2008 DE 2009 100.837 Aprovação no período 83,87 %

CO2 t/ANO 83,30 6,20 3,56 1,26 94,32

MODAL

OUTUBRO DE 2009

TOTAL

95.549

11.185

207.571

86,81 %

88,36 %

Rodoviário Aéreo Marítimo Ferroviário Total

(%) 88,3% 6,6% 3,8% 1,3% 100%

PARTICIPAÇÃO

EMISSÕES DE CO2 NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO POR TIPO DE VEÍCULO

ESTRUTURA DO DESPOLUIR Federações participantes Unidades de atendimento Empresas atendidas Caminhoneiros autônomos atendidos

CO2 t/ANO 36,65 32,49 8,33 5,83 83,30

VEÍCULO

21 66 3.903 3.900

Caminhões Veículos leves Comerciais leves - Diesel Ônibus Total

(%) 44% 39% 10% 7% 100%

PARTICIPAÇÃO

Fonte: Sistema de Informações do Despoluir, Confederação Nacional do Transporte - CNT, 2009. Fonte: Inventário de Emissões, Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT, 2006.

QUALIDADE DO ÓLEO DIESEL TEOR MÁXIMO DE ENXOFRE (S) NO ÓLEO DIESEL*

CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS NO BRASIL

Japão EUA Europa

CONSUMO DE ÓLEO DIESEL POR MODAL DE TRANSPORTE 3 MILHÕES DE m PARTICIPAÇÃO (%) Rodoviário 32,71 96,6% Ferroviário 0,69 2% Hidroviário 0,48 1,4% Total 33,88 100%

10 ppm de S 15 ppm de S 50 ppm de S

Frotas cativas de ônibus urbanos das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba e regiões Brasil metropolitanas de Belém, Fortaleza e Recife Diesel metropolitano (grandes centros urbanos) Diesel interiorano

MODAL

50 ppm de S 500 ppm de S 1.800 ppm de S

* Geração de eletricidade. Fonte: Balanço Energético Nacional - BEN, Ministério de Minas e Energia - MME, 2008.

CONSUMO POR TIPO DE COMBUSTÍVEL (EM MILHÕES m3) TIPO 2006 2007 2008 2009 (ATÉ OUTUBRO) Diesel 39,01 41,56 44,76 36,62 Gasolina 24,01 24,32 25,17 20,64 Álcool 6,19 9,37 13,29 13,54

* Em partes por milhão de S - ppm de S Fonte: International Fuel Quality Center - IFQC, 2008.

NÃO-CONFORMIDADES POR NATUREZA NO ÓLEO DIESEL - SETEMBRO 2009 10% Teor de Biodiesel 17,8% Enxofre 7,2%

17,8%

Pt. Fulgor 26,7% aspecto 36,7%

7,2%

1,7%

Fonte: Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - ANP, 2009

corante 1,7% Outros 10%

8

36,7%

26,7%

Para saber mais: www.cntdespoluir.org.br Fonte: Boletim Mensal da Qualidade dos Combustíveis Líquidos Automotivos Brasileiros. ANP-2009.

Trimestre Anterior

3,4 SP

3

1,2 SE

Brasil

1,7 SC

TO

1,7 RS

5,6

4,3 RJ

RR

1,9 PR

2,2

3,2 PE

RO

2,9 PB

1,7

1,4 PA

RN

2,2 MT

0

0,6 GO

Fonte: Boletim Mensal da Qualidade dos Combustíveis Líquidos Automotivos Brasileiros. ANP-2009.

MS

1,1 ES

7,6 0 DF

MG

1,6 CE

2,7

0,6 BA

MA

2,7

0,6 AM

AP

6,6 AL

14,3

Trimestre Atual

0

25 20 15 10 5 0

AC

% NC

ÍNDICE TRIMESTRAL DE NÃO-CONFORMIDADES NO ÓLEO DIESEL POR ESTADOS - SETEMBRO 2009


“Creio que talvez caiba outra pergunta: o que seria da economia do Brasil e das grandes cidades sem o Trem de Alta Velocidade?” DEBATE

Qual a importância do TAV para a economia nacional?

Trem-bala impulsionará a economia brasileira DOMINGOS JOSÉ MINICUCCI

uando falamos em TAV (trem de alta velocidade), estamos nos referindo a transporte de passageiros de alta eficiência, confortável e seguro. O Brasil entra finalmente nessa era e, desse modo, revitaliza o esquecido e sucateado transporte de passageiros por trem, que sucumbe diante da preferência pelo modal rodoviário e está morrendo na obsolescência de nossos trilhos e na quase extinção da indústria ferroviária nacional. Os meios e a infraestrutura de transporte são as principais veias por onde circulam a economia de qualquer país. E quanto mais eficientes são esses meios, com mais velocidade a economia se movimenta e mais o país cresce. É muito difícil imaginar o Brasil, país de dimensões continentais, sem transporte de passageiros de média distância sobre trilhos. Em todos os países onde o TAV foi adotado, houve uma mudança da população dos grandes centros para cidades no entorno

Q

DOMINGOS JOSÉ MINICUCCI Vice-diretor do Comitê Ferroviário da SAE Brasil

da ferrovia, levando desenvolvimento e descentralização das atividades econômicas nos grandes centros urbanos, como irá acontecer com as cidades do Vale do Paraíba. A economia se faz com pessoas e produtos, e quanto mais rápido for o deslocamento dessas pessoas e desses produtos, mais a economia irá se beneficiar. O TAV irá fazer o percurso entre Rio de Janeiro e São Paulo em 1 hora e 33 minutos; já entre Campinas e São Paulo, esse trajeto será feito em 30 minutos, e transportará 409 passageiros por composição – enquanto o avião transporta 190. Além desse ganho no transporte de passageiros, muitos projetos que trarão desenvolvimento, geração de empregos e movimento para as indústrias locais estão atrelados ao TAV, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O Brasil terá, obrigatoriamente, que formar técnicos, engenheiros e mão de obra especializada nesse modal, já que o projeto exige transferência

de tecnologia, uma oportunidade única para nossas universidades. É muito difícil imaginar toda a abrangência desse projeto na economia nacional, mas não há dúvidas de que será grandiosa. E já sentimos essa movimentação a favor. Empresas multinacionais da área ferroviária estão se instalando no Brasil, organizações brasileiras que não atuam no setor ferroviário começam a olhar esse modal como grande oportunidade de negócio e empresas nacionais da própria área ferroviária estão modernizando-se para acompanhar esse salto tecnológico. Contando um pouco da minha experiência como executivo da indústria ferroviária nacional, tive o privilégio de usar esse modal em vários lugares da Europa e sinto que, finalmente, chegou a vez do Brasil e do nosso povo terem o direito de usufruir desse meio de transporte. Creio que talvez caiba outra pergunta: o que seria da economia do Brasil e das grandes cidades sem o TAV?


“A sociedade, carente de um planejamento integrado, normalmente enxerga as soluções pontuais como ‘panaceia para todos os males’”

Projeto conseguirá recolocar Brasil de novo nos trilhos? ROBERTO SIMÃO

á poucos meses, o pronunciamento do governo federal da implantação de um TAV (Trem de Alta Velocidade) interligando as duas maiores capitais do país, São Paulo e Rio de Janeiro, fez ressurgir um debate de importância ímpar para o Brasil. Olhando-se isoladamente para o TAV podemos reconhecer inúmeras vantagens. Na comparação com o automóvel, estudos demonstram que ele transporta mais pessoas e de maneira mais segura, resultando em um alívio tanto no sistema viário quanto no tráfego aéreo. No quesito ambiental ele também possui vantagens comparativas consideráveis, entre as principais a utilização de menor área de terreno e a baixa emissão de poluentes atmosféricos, provocando o menor impacto ambiental entre os meios de transporte. Por outro lado, o que não se pode admitir num projeto dessa magnitude é que, no futuro, como tem ocorrido em outras grandes obras, que

H

se culpe o processo de licenciamento ambiental ou qualquer outra condição técnica ou política pelo atraso das obras, quando na verdade o que pode atrasá-las são processos malfeitos, mal discutidos e sem a participação da sociedade, especialmente de suas instituições representativas. Com certeza, aspectos importantes deverão ser discutidos e deveremos tratálos com responsabilidade e com preparo, a exemplo de como o TAV irá se integrar a um planejamento da mobilidade no país? Qual tecnologia será utilizada (MagLev, TSV, Shinkansen)? Como se dará a obrigatoriedade de nacionalização? Como se dará a integração intermodal? Como os municípios serão compensados pelos impactos ambientais e as consequências negativas da barreira que o TAV ira criar em seus territórios? Entre outros. Porém, nessa discussão o mais importante não é a necessidade ou não do transporte ferroviário, disso todos

já sabemos. O cerne da questão está em como recolocar o Brasil “nos trilhos”. Devemos começar pelo TAV ou haveriam outros caminhos? Devemos perguntar o que de fato queremos para o transporte no Brasil, em especial num momento em que a sustentabilidade é posta como estratégica para a sobrevivência não só dos países, como de toda a humanidade. Não podemos nos esquecer que a sociedade, carente de um planejamento integrado e desesperada pelo colapso do transporte nas cidades de médio e grande porte, normalmente enxerga as soluções pontuais como “panaceia para todos os males”. Mais do que ser a favor ou contra o TAV, devemos estar cientes de que sua lógica e seus enormes interesses financeiros e políticos podem colocar os “detalhes” como menos importantes, quando não como empecilhos, frente a “grandiosidade das intenções”. Os detalhes, nesse caso, referem-se ao futuro do Brasil e, com ele, de nossos filhos e netos.

ROBERTO SIMÃO Mestre em engenheira ambiental, presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de São José dos Campos (SP)


CNT TRANSPORTE ATUAL

DEZEMBRO 2009

81

“Nos dias atuais, quem pensar que seus estudos estão finalizados poderá ser rotulado de desatualizado ou despreparado”

CLÉSIO ANDRADE

OPINIÃO

Educação, o verdadeiro transporte para o futuro sociedade em que vivemos estende ao mundo do trabalho seus diferentes graus de complexidade, de tal sorte que se exige de cada indivíduo crescentes níveis de escolaridade, além de atuação produtiva, eficaz, eficiente e o exercício pleno de múltiplas competências e habilidades, esses requerimentos são tão fortes que resultam em condicionar o sucesso profissional e pessoal. Penso que está longe o tempo em que se afirmava com muito orgulho, tendo nas mãos um diploma: “terminei meus estudos”. Nos dias atuais, quem pensar que seus estudos estão finalizados poderá ser rotulado de desatualizado ou despreparado. Inapto, portanto, a fazer frente aos novos e crescentes desafios da vida pós-moderna. Cada vez mais a educação se faz necessária, ganha força e maior importância para o futuro das nações, das empresas, para qualidade de vida das famílias, para se obter emprego e se manter empregado. Estou me referindo e defendendo a necessidade de educação ao longo da vida para todos. O perfil dos empregos formais mudou muito. Não mais se busca um perfeito conhecedor ou um especialista. O mercado laboral busca pessoas com conhecimentos e habilidades que permitam um alto desempenho na realização de múltiplas tarefas e para solucionar problemas complexos correlacionados a diferentes vertentes da atividade principal das organizações. Os novos colaboradores devem ser capazes de fazer frente a contínuos desafios.

A

A educação nesse contexto precisa preparar o indivíduo para a vida, para o mundo do trabalho e dos negócios, para empreender, para buscar ou criar conhecimento, encontrar soluções e respostas aos desafios diários. Como fazer isso? Seria a pergunta a fazer considerando que as escolas, de uma maneira geral e com algumas exceções, estão entre as instituições mais conservadoras de nossa sociedade. Se o mundo mudou, a escola deve mudar junto. A formação de jovens e adultos em todos os níveis de escolaridade precisa se abrir para a sociedade, para o mundo real, juntar a academia às empresas, somar a teoria à prática, levar às crianças e aos jovens questões relevantes e significativas, retiradas na vida social e do mundo do trabalho, preparando-os, desde as primeiras séries, para saber viver e a conviver com pró-atividade, gerando círculo virtuoso de pessoas preparadas para enfrentarem qualquer tipo de situação com desenvoltura. Defendo ensino para a vida e para o trabalho, desde a mais tenra idade até os vários graus de educação técnica e superior. Estou convicto que a educação formal deve estar aliada à educação profissional, e esta em interação com o setor produtivo, a exemplo de como é ministrado o ensino nas sociedades nórdicas – em especial na Finlândia –, na Alemanha, Irlanda, Coreia do Sul, entre outros países pós-industriais e da sociedade do conhecimento. Nosso Brasil precisa fazer com que a educação de qualidade para todos seja o verdadeiro transporte para o futuro.


82

CNT TRANSPORTE ATUAL

CNT CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO TRANSPORTE PRESIDENTE Clésio Soares de Andrade PRESIDENTE DE HONRA DA CNT Thiers Fattori Costa VICE-PRESIDENTES DA CNT

DEZEMBRO 2009

Marcus Vinícius Gravina Tarcísio Schettino Ribeiro José Severiano Chaves Eudo Laranjeiras Costa Antônio Carlos Melgaço Knitell Abrão Abdo Izacc Francisco Saldanha Bezerra Jerson Antonio Picoli José Nolar Schedler Mário Martins

Escreva para CNT TRANSPORTE ATUAL As cartas devem conter nome completo, endereço e telefone dos remetentes

DOS LEITORES revista@cnt.org.br

TRANSPORTE DE CARGAS

Newton Jerônimo Gibson Duarte Rodrigues TRANSPORTE AQUAVIÁRIO, FERROVIÁRIO E AÉREO

Meton Soares Júnior TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

Marco Antonio Gulin TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS, DE PESSOAS E DE BENS

José Fioravanti PRESIDENTES DE SEÇÃO E VICE-PRESIDENTES DE SEÇÃO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

Otávio Vieira da Cunha Filho Ilso Pedro Menta TRANSPORTE DE CARGAS

Flávio Benatti Antônio Pereira de Siqueira

TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

Luiz Anselmo Trombini Eduardo Ferreira Rebuzzi Paulo Brondani Irani Bertolini Pedro José de Oliveira Lopes Oswaldo Dias de Castro Daniel Luís Carvalho Augusto Emílio Dalçóquio Geraldo Aguiar Brito Viana Augusto Dalçóquio Neto Euclides Haiss Paulo Vicente Caleffi Francisco Pelúcio

TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS, DE PESSOAS E DE BENS TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS, DE PESSOAS E DE BENS

José da Fonseca Lopes Edgar Ferreira de Sousa TRANSPORTE AQUAVIÁRIO

Glen Gordon Findlay Hernani Goulart Fortuna TRANSPORTE FERROVIÁRIO

Rodrigo Vilaça TRANSPORTE AÉREO

Urubatan Helou José Afonso Assumpção CONSELHO FISCAL (TITULARES) David Lopes de Oliveira Éder Dal’lago Luiz Maldonado Marthos José Hélio Fernandes CONSELHO FISCAL (SUPLENTES) Waldemar Araújo André Luiz Zanin de Oliveira José Veronez DIRETORIA TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PASSAGEIROS

Luiz Wagner Chieppe Alfredo José Bezerra Leite Jacob Barata Filho José Augusto Pinheiro

Edgar Ferreira de Sousa José Alexandrino Ferreira Neto José Percides Rodrigues Luiz Maldonado Marthos Sandoval Geraldino dos Santos Dirceu Efigenio Reis Éder Dal’ Lago André Luiz Costa José da Fonseca Lopes Claudinei Natal Pelegrini Getúlio Vargas de Moura Braatz Nilton Noel da Rocha Neirman Moreira da Silva

SACO É UM SACO Parabenizo a revista CNT Transporte Atual pela reportagem “O Saco é um saco”, veiculada na edição de novembro. É imperativo que se reduza o uso das sacolas plásticas, e o primeiro passo é a conscientização do consumidor. Além disso, é preciso que os governos municipais, estaduais e federal façam a sua parte, abraçando a iniciativa com campanhas na mídia e nas escolas, mostrando, especialmente para as crianças, os malefícios que o uso indiscriminado do produto pode trazer para as próximas gerações. E é também muito importante que seja estruturada uma coleta efetiva dos produtos recicláveis. Diariamente, e não uma vez por semana, como ocorre em algumas cidades. Fez muito bem a publicação ao abordar esse tema.

TRANSPORTE AQUAVIÁRIO, FERROVIÁRIO E AÉREO

Luiz Rebelo Neto Paulo Duarte Alecrim André Luiz Zanin de Oliveira Moacyr Bonelli José Carlos Ribeiro Gomes Paulo Sergio de Mello Cotta Marcelino José Lobato Nascimento Ronaldo Mattos de Oliveira Lima José Eduardo Lopes Fernando Ferreira Becker Pedro Henrique Garcia de Jesus Jorge Afonso Quagliani Pereira Eclésio da Silva

Gleides Beroni Piracicaba (SP)

Continuem fazendo este belo trabalho. Jonas Curi Salvador (BA) CAMINHÕES Ainda é muito difícil para o trabalhador comprar um caminhão novo. Mesmo com a redução dos juros e a implantação de programas como o Procaminhoneiro. As despesas são muitas com a manutenção do veículo e os impostos são elevados. É preciso também destravar a burocracia e facilitar a troca por um modelo mais novo, mesmo que não seja zero quilômetro. Os ganhos ambientais da medida também precisam ser levados em conta. Menos caminhão velho circulando, menos poluição. A revista CNT Transporte Atual acerta ao tratar do assunto na edição de novembro. Espero que continuem com reportagens sobre o assunto.

MAIS TRANSPORTE Muito interessante a seção Mais Transporte. Com textos curtos, mas informativos, apresenta um panorama variado do que acontece no Brasil no segmento transportador, de forma clara e objetiva. A CNT Transporte Atual merece elogios pela iniciativa.

Bráulio Aquino Florianópolis (SC)

CARTAS PARA ESTA SEÇÃO

SAUS, quadra 1, bloco J Edifício CNT, entradas 10 e 20, 11º andar 70070-010 - Brasília (DF) E-mail: revista@cnt.org.br Por motivo de espaço, as mensagens serão selecionadas e poderão sofrer cortes


Revista CNT Transporte Atual - Dez/2009  
Revista CNT Transporte Atual - Dez/2009  

Município de Uberlândia (MG) promove alterações no transporte coletivo que proporcionam maior agilidade e comodidade aos usuários. Sistema c...

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