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Ano 1. Nº 01. Dezembro 2013. R$4,99

facebook.com/toursp

Tradição Encontre diversidade de artigos e preços populares na Lapa

Fantasmas Conheça as histórias malassombradas da cidade

Happy Hour

Bares temáticos marcam presença na noite paulistana

Refúgios

Explore a Ilha do Bororé e outros patrimônios históricos e naturais da zona rural da cidade


DIVISA | TourSP

#SP

metrópole da América Latina por 55 estações de metrô, 43 estações de trem e cerca de 1300 linhas de ônibus. O que você acabou de ler é um breve (e modesto) perfil de SP. Diversidade, diversão, beleza, aprendizado, inovação, alegria e lealdade. Esses atributos da cidade são os valores da revista TourSP, que a partir deste mês vai trazer para você as riquezas culturais, históricas e naturais de São Paulo. Nesta edição, nossa equipe te mostra o cotidiano e as atrações turísticas da zona rural da metrópole, com direito a uma ilha, um solo sagrado, uma cratera ocasionada por um meteoro (ou seria um cometa?) e um museu florestal. Você também vai saber mais os locais mal assombrados da cidade e conhecer um bar dedicado ao futebol-arte. Não custa reafirmar: essas são apenas gotículas sobre a terra da garoa. Bom Tour SP! Equipe de redação.

Perfil - Parque Ecológico do Tietê

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SABORES - 06

Lugares malassombrados

HISTÓRIAS ESPORTIVAS-12 Turismos MOSAICO -13 TRÊS TOQUES - 14

Juliana Salles

Agitos noturnos

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Por SP - Zona Rural

LAPA - 05 Compras

RIQUEZAS RELIGIOSAS 11 Turismos Tales Baptista

Ana Paula Silva

VIAS

Juliana Salles

Belas paisagens da maior floresta urbana do mundo e mansões que convivem com residências simples e inacabadas. 110 museus, 280 salas de teatro, sete estádios de futebol e 64 parques e áreas verdes. 240 mil lojas, 59 ruas especializadas em mais de 50 segmentos e 12.5 mil restaurantes. O charme e as múltiplas faces de uma avenida que não poderia ter outro nome senão “Paulista”. Centros empresariais, prainhas de água doce, um autódromo internacional, uma ilha e paisagens tipicamente rurais. Para completar o pequeno raio-X dos 1530 km² da cidade de São Paulo: a maior bolsa de valores da América do Sul, 90 mil eventos por ano e cinco centrais de informações turísticas. Para dar vida, mais de 11 milhões de habitantes oficiais e outros oito milhões “adotados” de cidades vizinhas, que entram e saem diariamente da maior

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PERFIL | Parque Ecológico do Tietê

Lago do pedalinho e pátio do museu de rio Tietê são algumas das atrações do parque

MÚLTIPLOS USOS

Com 31 anos, núcleo do Parque Ecológico do Tietê é considerado um dos maiores parques urbanos do mundo Texto e fotos: Ana Paula Silva O Núcleo Engenheiro Goulart do Parque Ecológico do Tietê fica localizado no Cangaíba, bairro da zona leste. Considerado um dos maiores parques urbanos do mundo, o local possui cerca de 15 mil metros quadrados e chega a receber 20 mil pessoas no final de semana. Projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake, o parque conta com um teatro de Arena, academia, espaço cultural, pedalinhos, palco para eventos, trenzinhos para passeio, equipamentos para ginástica ao ar livre. No parque também há três campos de futebol, pista de atletismo, cinco quadras poliesportivas, conjunto aquático com piscinas para crianças e adultos, centro de recepção de animais silvestres, local para alugar bicicletas, quiosques e churrasqueiras

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que podem ser reservadas com antecedência, sem nenhum custo. Para completar o cenário, arredores do parque também abrigam os Centros de Treinamento de Corinthians, Palmeiras e Portuguesa. No local, há um Museu com a história do rio Tietê, além de um centro de educação ambiental, onde alguns quatis passeiam livremente em um pequeno pátio, em busca de alimentos deixados nas mochilas dos visitantes. Mesmo com os avisos espalhados pelo parque advertindo as pessoas a não alimentarem os animais, os quatis ficam bem próximos das pessoas, que chegam a dar comida na boca. As antas podem ser vistas apenas por funcionários à noite, já que possuem hábitos noturnos.

O parque funciona até às 18hs para respeitar a fauna local. Existe também um centro de recuperação para animais silvestres, onde recebem tratamento e são devolvidos ao habitat natural. Há também viveiro de mudas e área de reflorestamento, com mais de 1,5 mi de mudas plantadas. Na grande área verde, nas copas das árvores vivem pássaros como anu-preto, beguá, gavião carcará, chupin, sabiá-poca, irerê e joão-de-barro, entre outros. Segundo Fernando Santos, 40, que trabalha no centro de educação ambiental, ninguém chegou a calcular a quantidade total de árvores, mas algumas espécies como goiabeira, jabuticabeira, pitangueira e maracujazeiros podem ser vistas no parque.


COMPRAS | Lapa

GASTAR E CONTEMPLAR Além das opções comerciais, fazer compras na Lapa é sinônimo de um passeio turístico e histórico

Texto e foto: Victória Grimello

O comércio popular da cidade de São Paulo atrai muita gente que busca produtos baratos. Há quem percorra todas as lojas da 25 de março ou do Brás. Outro local pouco falado, porém bem conhecido, é a Lapa. O bairro encontra-se entre os rios Pinheiros e Tietê. A antiga estrada de ferro Santos/Jundiaí o dividiu como Lapa de cima e de baixo. A Lapa de Baixo, mais conhecida e tradicional, transformou-se no distrito da Lapa, uma área com 40 km².

O COMÉRCIO

A Lapa é conhecida pelas suas ruas de lojas comerciais com preços populares. O fácil acesso atrai pessoas de todas as regiões. As Ruas Doze de Outubro, Afonso Sardinha, Nossa Senhora da Lapa e Albion são as mais famosas no quesito comércio. Maria do Carmo, 37, comerciante da Lapa há 4 anos, considera o bair ro um local privilegiado. “O local é ótimo para as lojas. É uma preferência por aqui”, diz. Os investimentos no bairro renderam muitas melhorias e o comércio cresceu cada vez mais para atender as pessoas. Os moradores da Lapa se orgulham de morar ali.

passar por dentro do mercado para pegar o ônibus. Nele há opções de carnes, frutas, legumes, doces entre outros. O mercadão é completo para todos os tipos de gostos. A Igreja Nossa Senhora da Lapa, fundada em 1911, é uma das seis paróquias do setor da Lapa. O setor divide-se em: Cristo Jovem, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora da Lapa, São João Batista, São João Maria Vianney e São Pedro Apóstolo. Com aspectos góticos, a paróquia foi construída de trás para frente. As torres do templo foram construídas por último. A igreja realiza missas e os sinos soam todos os dias às seis horas da tarde. A paróquia cresceu juntamente com o bairro. Depois das compras, aprecie a vista do lago de carpas, em frente ao Corpo de Bombeiros da Lapa. O local fica em uma rua paralela a 12 de outubro, a Martim Tenório.

SUGESTÕES: Livraria e Papelaria Supercap: encontre clássicos da literatura a menos de 10 reais. Rua Doze de Outubro, 677 Rota 99 : uma das mais completas lojas de R$1,99 de SP. Unidades na Lapa possuem brinquedos variados, além de utensílios domésticos. Rua Doze de Outubro, 686 Shopping Center Lapa: Já foi o segundo maior shopping de SP. Hoje em dia, é uma excelente opção para quem procura roupas, serviços e até cursos. Rua Catão, 72 (em frente a estação Lapadalinha8-DiamantedaCPTM)

PONTOS TURÍSTICOS

O mercado da Lapa, inaugurado em 24 de agosto de 1954, foi construído em cima de um campo de terra, onde se realizava a maior feira livre da capital. No passado, o local era ponto de passagem entre a estação de trem e o terminal de ônibus, dessa forma, era preciso

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Rua Doze de Outubro é a mais movimentada da Lapa


PALADARES | Cantinas

SABORES EM SÃO PAULO Capital oferece vários tipos de comidas do mundo em seu cardápio

São Paulo não é rica apenas financeiramente. No quesito gastronomia, a cidade também é uma das mais conhecidas do mundo. Há comida de diversas partes: do típico cuscuz paulista às mais saborosas carnes do “Applebees”, rede norte americana. A cidade também abriga locais sofisticados, como o “D.O.M”, do renomado chef Alex Atala, eleito recentemente um dos 50 melhores restaurantes do mundo. Miscigenação é uma caraterística paulistana. Essa mistura de povos traz, por consequência, comidas típicas de cada um deles. É o caso do Centro de Tradições Nordestinas (CTN), espaço que apresenta a cultura da região, como danças e festas, mas cujo principal atrativo é a gastronomia local. Carne-de-Sol com queijo coalho, lasanha de carne seca com abóbora, tapioca de presunto e queijo, vatapá, cocada de forno e maria-mole com coco queimado são algumas das delícias oferecidas. A cultura oriental também está presente com mais de 600 restaurantes japoneses, que oferecem os tradicionais sushis, sashimis e temakis. O temaki é tão adorado que originou restaurantes específicos, as famosas temakerias. Esse restaurante especializado é uma invenção

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Cantina Roperto, onde são servidos 20 tipos de massas brasileira e hoje conta com quatro lojas. A primeira unidade da rede Makis Place nasceu em Moema e hoje tem franquias em outros países. A cultura italiana é a mais conhecida e tradicional. São mais de 6 mil pizzarias espalhadas pela cidade. Muitos dizem que algumas delas servem pizzas melhores que na Itália. Há também as famosas cantinas com massas diversas, principamente no do Bixiga. Um dos mais conhecidos é o “Roperto”, com mais de meio século de existência. Lá são servidos mais de 20 tipos de massas, que podem ser combinadas com diversos molhos. Afonso Roperto, da quinta geração da família de fundadores, é um dos atuais donos do restaurante. Roperto conta que a massa mais tradicional do restaurante é o fusilli, um tipo de Spaghetti grosso feito um a um na mão. O prato mais pedido é

DIVULGAÇÃO

Tales Baptista

a típica lasanha à bolonhesa. O ambiente é para toda a familia. “Toda noite aqui na cantina contamos com música ao vivo, geralmente as italianas antigas e serestas. Os músicos vão nas mesas cantar para o cliente, se ele quiser”, é o que garante o dono sobre as noites animadas. Outra cantina muito conhecida no Bixiga é a “C... que sabe!”. Inaugurado em 1931, o restaurante é muito conhecido por artistas e clientes apaixonados pelas massas e pela perna de cabrito assado. O “Villa Tavola”, também no Bixiga, conta com 22 ambientes entre bares, restaurantes, sala de jogos para crianças e sala de eventos. No cardápio, comida que abrange todas as regiões da Itália Tantas opções transformam São Paulo em um polo gastronômico mundial, com comida para todos os tipos de gostos.


POR SP | Vida Noturna

Futebol, filé à Oswaldo Aranha e chopp são atrações do Bar São Cristóvão

AGITOS NOTURNOS

Vida noturna oferece lazer, diversão, esportes e cultura Texo e fotos: Tales Baptista São Paulo, a maior cidade da América do Sul, é conhecida pela rotina apressada de seus moradores, pela vida caótica no trânsito e pelo aspecto solitário de quem nela reside. A cidade é famosa também por oferecer a seus moradores e visitantes inúmeras opções de lazer, diversão, esportes e cultura. Enquanto a vida matutina é caracterizada pelo trabalho, a vida noturna paulistana se torna bastante agitada, e o que menos falta são coisas para fazer. Um dos lugares mais conhecidos como point da vida noturna é a Vila Madalena. A opção é para quem gosta de agito, com bares, baladas e restaurantes. As ruas desse charmoso bairro de São Paulo fervem durante a noite, e isso ocorre todos os dias da semana. Em plena segunda-feira, bares funcionam até a madrugada para atender clientes que querem aproveitar uma boa noite agitada. É o caso do bar “Genial”, com ambiente mais ao estilo boteco. Ele leva esse nome por conta de sua característica interna, decorado com quadros de gênios da música

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como Noel Rosa e Frank Sinatra. Outro local preferido por muitos frequentadores de botecos da Vila Madalena é o tradicional “São Cristóvão”. O bar é uma homenagem ao tio do proprietário do local, que torcia para o time de futebol com o nome homônimo do Rio de Janeiro. É decorado com flâmulas de outros times e recortes de jornais com fotos históricas do futebol arte de antigamente , relembrando Pelé, Garrincha e outros gênios do futebol brasileiro. “As pessoas vêm aqui muito por causa do futebol, mas até mesmo as pessoas que não curtem muito, vêm por conta do chopp de qualidade e da comida”, é o que garante a gerente do estabelecimento Patrícia Abreu. Um dos pratos mais pedidos é o bolinho de bacalhau e o filé à Oswaldo Aranha, coberto por alho frito e servido com arroz, fritas, couve e farofa. “Servimos diversos tipos de pratos, mas o tradicional filé à Oswaldo Aranha é sem dúvidas o prato mais pedido da casa”, completa a gerente. Aos sábados, feijoada é a es-

colha certa para quem quer apreciar uma boa comida. Para beber, chopp Brahma servido sempre gelado. Apesar de um ser um espaço pequeno, o São Cristóvão está sempre lotado. Um dos bares que mais chamam a atenção em São Paulo é o D4, inaugurado em agosto de 2013. O boteco, que fica na região dos Jardins, é o preferido para quem gosta de combinar obras de arte com uma boa noite descontraída com os amigos. O bar tem uma proposta artística que mantém objetos inusitados na decoração e que promete ser alterada a cada quatro meses. Um dos objetos que mais chamam a atenção é a caveira formada por peças de Lego. Peças de roupas também ficam expostas e à venda, caracterizando o sentido de galeria que o ambiente possui. O ambiente é dividido em dois andares: no superior, uma pista com DJ dá o tom de balada ao local. A D4 se destaca por conta dessa variedade de ambientes, um local que mistura galeria, bar e balada, atraindo diversos tipos de público ao local e proporcionando aos seus clientes uma divertida noite cultural.


iago Gonçalves

POR SP | Zona Rural

Paraísos Paulistanos

Trilhas, locais sagrados e uma ilha são verdadeiros refúgios dentro da cidade Juliana Salles Balsas, sítios, garças, barcos, ruas de terra, vegetação nativa da Mata Atlântica e uma igrejinha centenária. “Bem-vindos ao extremo sul de São Paulo”, fala um dos moradores ao entrar em um barzinho localizado às margens da Represa Billings. Sem as características normalmente atribuídas à cidade de São Paulo, a Ilha do Bororé é um refúgio de tranquilidade em plena capital. A música sertaneja transmitida pelas ondas do rádio misturava-se com as histórias do aposentado Osvaldo Cruz, 65. “Aqui é muito sossegado, um verdadeiro paraíso”, destaca Cruz, que mora na ilha há 12 anos. O bairro faz parte da Área de Preservação Ambiental Bororé-Colônia, que também abriga parte da Colônia Paulista, fundada em 1829 por imigrantes alemães.

Geograficamente, o Bororé é classificado como península, já que é possível chegar ao local através da Avenida Paulo Guilguer Reimberg. Como o acesso é difícil via asfalto, moradores e turistas utilizam as balsas para chegar à ilha. Na última curva da da Belmira Marin, avenida que dá acesso a primeira balsa, o contraste entre bairros periféricos e a beleza do Bororé surpreende os visitantes. Daquele ponto, já é possível avistar a Estrada de Itaquaquecetuba, principal via da ilha que leva o nome indígena de “veneno que os índios levam nas flechas”. Além de cicloturistas, curiosos e amantes da natureza, o bairro também atrai devotos de São Sebastião. Em janeiro, romeiros visitam a Igreja centenária erguida em homenagem ao santo. Inaugurada em 1904,

a igreja foi construída por moradores do antigo município de Santo Amaro, independente da cidade de São Paulo até 1935. HISTÓRIAS E ENCANTOS Na área de preservação ambiental Capivari-Monos, vestígios da colonização alemã transformaram-se em pontos turísticos. O local abriga, por exemplo, o mais antigo cemitério da cidade, o Colônia. Construído em 1842, o cemitério está localizado em uma área doada por D. Pedro I ao primeiro grupo de 200 alemães que chegou naquele território. A região conta ainda com a Cratera da Colônia, fenômeno geológico ocorrido há cerca de 36 milhões de anos. No mundo inteiro, só existem 170 crateras como essa. Em direção ao leste, é possível encontrar duas

Passeio de balsa em plena capital paulistana, pescaria e natureza em abundância são atributos da Ilha do Bororé, no extremo sul.

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Zona Rural |POR

SP

Thiago Gonçalves

aldeias indígenas: Tenondé Porã e Krukutu. Rumo ao extremo sul da Capivari-Monos, encontram-se duas estações ferroviárias da antiga Estrada de Ferro Mairinque-Santos: Engenheiro Marsilac e Evangelista de Souza. Atualmente, a ferrovia serve para a passagem de trens cargueiros. A 6 km da estação de Marsilac, é possível nadar e praticar tirolesa aos finais de semana na Cachoeira SABESP. Fora da área de preservação am-

biental, no extremo norte do distrito de Parelheiros, também se encontram paisagens paradisíacas. Com o objetivo de harmonizar belezas naturais e artificiais, o Solo Sagrado de Guarapiranga existe desde 1991 e foi criado pela Igreja Messiânica do Brasil. Logo na entrada, o visitante depara com bambus e guaxinins a beira da antiga estrada do Jaceguai. Com 327 mil m² de extensão, o local já abrigou missas católicas, apresentações de corais e seminários sobre meio ambiente. Apenas quatro cida-

des no mundo todo abrigam solos sagrados.

Juliana Salles

Paraíso do extremo sul, o Solo Sagrado harmoniza belezas naturais e artificiais

O OUTRO LADO Nada menos que uma das maiores florestas urbanas do mundo. O extremo norte de SP abriga parte da Serra da Cantareira. A porta de entrada é o o Horto Florestal. Além da beleza natural, desenhada por lagos, exemplares de pau-brasil, capivaras e tucanos, o Horto também abriga o Museu Florestal, o Palácio de Verão do Governo do Estado, o marco do Trópico de Capricórnio e sedes da Polícia Militar e Polícia Florestal do Estado. O espaço foi criado a partir da desapropriação do Engenho da Pedra Branca, no final do século 19. “Aqui tudo me atraí: a vegetação, o sossego e os animais tornam este lugar maravilhoso e excelente”, explica o torneiro mecânico Ademar Domingues, 58. Morador do Jaçanã, Domingues frequenta o Horto há mais de 20 anos e já presenciou cenas curiosas, como a caminhada de quatis em uma das trilhas do parque. Antes que você se esqueça qual cidade foi retratada até aqui, vale relembrar: isso também é SP.

Tales Baptista

MEMÓRIAS DAS MADEIRAS

Local de pesquisa e exposição de madeiras. Essas são duas das funções do Museu Florestal Octávio Vecchi, instalado dentro do Horto. Fundado em 1931, o local possui amostras de madeiras nativas de SP e atrai cerca de 2000 pessoas por mês. Xilogravuras, mobiliário confeccionado com madeira nativa, airunas (pedaços de árvores suavemente para se transformarem em esculturas) e entalhes (pranchas de madeira que reproduzem flores, folhas, frutos e sementes de suas árvores originárias) são algumas das atrações do museu. O nome oficial é explicado por Roselaine Barros, atual diretora do local: “Octávio Vecchi, idealizador do museu, faleceu logo após a inauguração do espaço. Para homenageá-lo, acrescentou-se o nome do engenheiro agrônomo ao título “museu florestal”.

Casa onde o Museu Florestal foi instalado não foi ocupada por ninguém até 1931 TourSP |9 DEZEMBRO 2013


CURIOSIDADES | Locais mal-assombrados

São Paulo e seus mistérios

Victória Grimello

Locais popularmente conhecidos como mal-assombrados são atrações turísticas para simpatizantes dos ambientes macabros.

Juliana Salles

A cidade que não para tem eventos para todos os tipos de gostos e vai muito além das baladas, shoppings e museus. São Paulo tem a história de suas ruas e prédios marcada por diversos acontecimentos históricos, muitos deles ocorridos de forma trágica. Essas histórias deixam um tom de espanto para pessoas que circulam próximo a essas áreas. Locais conhecidos como malassombrados despertam curiosidade e atraem pessoas que se interessam por histórias assustadoras. Prédios ativos e abandonados tornamse pontos de referência para os simpatizantes de lugares macabros. “Já ouvi falar sobre o castelinho da Rua Apa e sobre o Teatro Municipal como locais mal-assombrados de SP. Eu não acredito e nem desacredito, Vozes nos camarins e sons de piano são ouvidos durante mas não teria coragem de visitar a noite no Teatro Municipal esses locais,” afirma Georgina Sônia sou a morte dos dois. Após ver lícia investigou o sumiço das Fernandes, 61, aposentada. que ambos estavam mortos, mulheres e descobriu os corpos Álvaro suicidou-se. Pessoas que enterrados. Após o arquivamento do OS PRÉDIOS O Teatro Municipal, localizado passaram pelo Castelinho, que está crime, a casa permaneceu fechada no centro da cidade, é marcado por abandonado, já relataram que é até a demolição e construção do relatos de funcionários e seguranças possível ouvir vozes e pedidos de Edifício Joelma. Há quem acredite que o fato deu origem a uma do prédio que ouvem sons de pianos ajuda. O Edifício Praça da Bandeira, maldição no local. e vozes nos camarins durante a noite. Igualmente misterioso, o Museu Há quem acredite que espíritos de também localização no centro da cantores que já passaram por ali cidade e conhecido como Edifício do Ipiranga também entra na Joelma, foi cenário de uma das lista dos pontos turísticos malpermanecem presos no prédio. Na Rua Apa, o famoso Castelinho tragédias que marcaram a capital. assombrados da cidade. Visitantes também guarda histórias sinistras. Três anos após sua inauguração, e funcionários relatam a presença O local é marcado por um crime em 1° de fevereiro de 1974, um de fantasmas nas bibliotecas e familiar na década de 30, não curto circuito provocou um grande salas de visitação pública. “Muitos esclarecido até os dias de hoje. incêndio causando mais de 170 visitantes acreditam que o local é Acredita-se que uma disputa por mortes e cerca de 300 feridos. Muitas mal assombrado. Lá tem uma sala negócios entre irmãos ocasionou pessoas acreditam que as almas dos subterrânea que só foi aberta na decada de 1990. Sempre que vamos um assassinato. Álvaro Reis teria mortos ainda vagam pelo local. “Joelma” também foi marcado para lá alguém pergunta se tem atirado em seu irmão, Armando pelo crime do poço. Na década de algo assombroso. Não existe nada Reis. Sua mãe, Maria Cândida, entrou na frente para protegê-lo, 1940, um professor assassinou suas demais ali, mas muitos pensam ficando na linha de tiro, o que cau- duas irmãs e sua mãe e enterrou-as nessas coisas,” relatou Pedro Rittner, no poço que havia em sua casa. A po 22, ex-educador do Museu.

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Religião | TURISMOS

O centro e suas riquezas

Construções religiosas são verdadeiras obras de arte a céu aberto Texto e foto: Ana Paula Silva

sua distância da região central. Moradora do bairro Vila Maria, Juscilene Santos, 35, auxiliar de faturamento, além de participar das missas na Catedral da Sé, sempre visita a igreja por considerar o local bonito e espaçoso. José Roberto dos Santos, 60, veio do Nordeste para São Paulo quando tinha 14 anos. Santos trabalha na região do Pacaembu, sempre visita a Catedral e participa das missas. “Esta igreja é uma das mais bonitas do Brasil. E olha que conheço muitas”, diz. A arquitetura realmente chama a atenção. Presente em praticamente todos os bairros paulistas, elas chamam a atenção. Nos bairros centrais são ainda maiores e mais belas. Impressionam pela arquitetura antiga, vitrais, pinturas e esculturas nas fachadas, paredes e no teto. As igrejas possuem estilos arquitetônicos variados, que vão do neogótico ao romântico. As estruturas antigas proporcionam aos visitantes e fiéis uma viagem ao passado.

GRANDEZA E BELEZA

A Catedral da Sé é uma imponente construção neogótica localizada no centro. É possível participar das missas e ouvir os cantos gregorianos

nas celebrações. Aos domingos ocorrem visitas monitoradas das 12h às 13h. A catedral começou a ser construída em 1913, projetada pelo alemão Maximilian Emil Hehl, mas só foi concluída em 1954, data de aniversário de 400 anos da cidade. O local passou por várias reformas. A última foi concluída em 2002. Em frente à igreja, entre palmeiras e sobre uma estrela desenhada no chão, há um monumento hexagonal revestido de mármore com o nome dos estados em volta de São Paulo: o Marco Zero. Foi o primeiro do gênero da América do Sul, e serve de referência inicial para as placas espalhadas pela cidade, informando

ESPIRITUALIDADE

O Mosteiro de São Bento existe há mais de 400 anos. A ordem dos Beneditinos levantaram uma modesta igreja em 1598, dedicada a São Bento. O terreno foi doado aos monges em 1600, data que começou a ser construído o mosteiro com quatro celas. Antes havia a casa do cacique Tibiriça no local. De lá para cá, o prédio sofreu várias reformas. A construção segue o estilo alemão da escola de Beuron, com projeto feito por Richard Berndl. No local existe uma biblioteca com mais de 100 mil títulos que são utilizados apenas por religiosos ou alunos da instituição. TourSP DEZEMBRO 2013

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TURISMOS | Esportes

HISTÓRIAS ESPORTIVAS Museu do Futebol e Centros Pró-Memória guardam curiosidades sobre o esporte paulistano e nacional Três grandes clubes de futebol, um Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, mais de 330 espaços públicos para a prática esportiva, cinco estádios com capacidade superior a 20 mil pessoas e outras centenas de espaços poliesportivos particulares. Em uma cidade com a estrutura esportiva de São Paulo, o turismo nesta área também oferece boas opções. Se o conhecimento do Brasil passa pelo futebol, o Museu do Futebol é um espaço obrigatório. Inaugurado em 2008, o museu está instalado embaixo das arquibancadas do Estádio do Pacaembu. O espaço é o único local no mundo com acervo voltado a esse esporte e sem ligação com nenhum clube específico. Com recursos audiovisuais interativos e 14 exposições permanentes, os visitantes podem explorar espaços como o Jogo de Corpo, onde é possível dar chutes a gol e conhecer mais sobre as equipes que disputam o Campeonato Brasileiro. Para os apaixonados pelo rádio, o museu tem narrações feitas entre 1934 e 2006. Para o editor de vídeo Raul Nerici, 28, a exposição “Exaltação” tem um significado especial: “A sensação é de que você está no meio da torcida gritando e vibrando”, explica 12| TourSP DEZEMBRO 2013

Interatividade é marca registrada do Museu do Futebol Nerici, que já visitou o local cinco vezes. Já na exposição “números e placas”, é possível conhecer as táticas e técnicas básicas do futebol. A área também relembra apelidos de atletas que marcaram época neste esporte. “O museu é inusitado e bem interativo”, afirma o estudante Thiago Gonçalves, 19. Apesar de não ser fã de futebol, Gonçalves pretende voltar ao museu mais vezes. A parte que mais lhe chamou a atenção foi a exposição “Origens”, com 430 fotografias sobre o início da história do esporte no Brasil.

DIVULGAÇÃO

Juliana Salles

quer conhecer mais sobre a história esportiva de SP. Um deles fica no Esporte Clube Pinheiros, na zona oeste. O museu abriga troféus, documentos, vídeos e exposição permanente em 3D. Atletas como João do Pulo, Gustavo Borges, César Cielo, Tiago Camilo e Leandro Guilheiro fazem parte da história do Pinheiros. O Club Athletico Paulistano, localizado nos Jardins, também possui um centro pró-memória. Conhecido por atividades ligadas a pesquisa, o acervo tem mais de 45 mil peças, como fotos e edições da revista mensal do clube, veiculada desde 1927. O clube é conhecido pela pasMEMÓRIA ESPORTIVA sagem de atletas como o jogador de Centros pró-memória instala- basquete Marcelo Huertas e Arthur dos em clubes privados também são Friedenreich, considerado o primeiatrações obrigatórias para quem ro craque do futebol nacional.


A única da América Latina

As férias estão chegando e você quer proporcionar uma tarde diferente para a criançada? Então não deixe de conhecer a Biblioteca Infantil Multilíngue Duda Porto de Sousa, na Vila Mariana, zona sul. Com 11 mil exemplares em dez línguas diferentes, o local também funciona como brinquedoteca. Pelúcias, instrumentos musicais e cadeiras coloridas completam o ambiente. É possível retirar cinco obras de uma vez e o prazo de devolução é de 15 dias. O espaço é a única biblioteca infantil multilíngue da América Latina.

Tales Baptista

DIVULGAÇÃO

MOSAICO

Olhares

DIVULGAÇÃO

Sempre dá pra enxergar os 1530 km² de SP de uma forma diferente. Um dos passeios mais interessantes para esse exercício é o Prédio Altino Arantes, símbolo da cidade. Conhecido como Prédio do Banespa, foi por 20 anos considerado o maior edifício da cidade. Construído a partir de 1939, no centro antigo da capital, tem sua arquitetura inspirada no edifício Empire State Building de Nova York. Tem 161,22 m de altura, 35 andares, 14 elevadores, 900 degraus e 1119 janelas. No ponto alto de sua torre, é possível ter um raio de visão de 360º e 40 km de distância. Atualmente, o prédio possui um museu que reúne mais de 2000 objetos que contam a história de quase 100 anos do Banco Banespa, da era Para os apaixonados, São Paulo é cheia de locais boni- cafeeira do país até os dias atuais. tos e gostosos. Para curtir um momento a dois, restaurantes, praças e parques compõem o cenário paulista que combinam com os casais. Para fugir do tradicional é possível passear por ambientes agradáveis e bonitos. A Praça Pôr do Sol, na Vila Madalena, tem uma visão privilegiada nos fins de tarde. O Parque Ibirapuera também é uma boa opção para passeios românticos.

Romantismo

Conheça o Sítio Mirim O local abriga fragmentos de uma casa com características do século XVI. Apesar das divergências quanto a data, um estudo arqueológico feito na década de 1980 pela Universidade de São Paulo, provou a veracidade da informação. A propriedade pertenceu ao guarda-mor Francisco de Godoy em 1750, um homem de consideráveis posses. Nas terras do sítio plantava-se mandioca e cana-de13|TourSP -açúcar. O local foi tombado como patrimônio histórico federal em 1973. DEZEMBRO 2013


TRÊS TOQUES | O Melhor de SP em Dezembro “SER” IMIGRANTE – O MESMO E O OUTRO A exposição propõe discutir de forma sensorial as definições dos termos relacionados ao processo de migração como “imigrante” e “estrangeiro”. O registro histórico da história imigrante é apresentado através de imagens, depoimentos, notícias de jornais e trechos da legislação.

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Confira todas as atrações apresentadas na TourSP em nosso mapa.

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NATAL NO SHOPPING MORUMBI

Quer sair do tradicional? O Shopping Morumbi preparou para esse ano uma decoração especial para o uma decoração especial para o Natal. Na entrada principal, foi montado um bosque com fadas e animais como Expediente: formigas e guaxinins que ficam em movimento. Árvores e flores suspensas enfeitam o interior do shopping. Diretora de Redação: Lilian Crepaldi Diretor de Arte: Maurício Gasparotto Editora-chefe: Juliana Salles Editora de arte: Victória Grimello Editora fotográfica: Exposição que retrata as transformações ocorridas Ana Paula Silva BOM RETIRO E LUZ: UM ROTEIRO Editor Web: Tales Baptista Repórteres: Ana Paula Silva, Essa exposição que retrata as transformações Juliana Salles, Tales Baptista e ocorridas nos bairros do Bom Retiro e Luz, de 1976 até hoje. Victória Grimello São mais de 50 fotografias que ilustram o cotidiano em Colaboraram nessa edição: diferentes épocas. O objetivo é transformar esses bairros em Gabriela Almeida e Thiago verdadeiras galerias a céu aberto. A exposição ocorre no lado Gonçalves externo da Pinacoteca.

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O clima será de festa na próxima edição da TourSP. 14| OTourSP motivo? DEZEMBRO 2013 As 460 velinhas de São Paulo. Não perca!


TourSP - Dezembro/2013  

Ano 1. Nº01

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