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A VIDA Qual sombras de um passado As lembranças reticentes Um dia fui feliz, andei entre reis Naveguei nos altares da riqueza.. Hoje, hoje só lembranças Maltratado pelo tempo , Uma doença que não me deixa seguir Dores constantes, expressão do abandono total . Estou triste, nada é como dantes, Os sofrimentos são como parte de meu ser Meus cabelos outrora negros, Já demonstram a brancura do tempo Não sei mais o que faço da vida, onde estou Migalhas me são ofertadas, amor de favor Decadência desta alma mortal Eu quero a vivencia, As garras da depressão sufocam meu ser A vivencia nesta vida já não faz mais sentido Morte...chego a desejar-te Chego a pedir que bata a minha porta , dama da noite Leve-me para as profundezas da sepultura Onde por certo encontrarei a paz Encontrarei por certo o repouso tranqüilo Anjo da morte, quero a tua companhia Quero estar com os vermes que habitarão Este corpo outrora sadio Estou nas sombras, meu espírito aguarda a chegada final . Não temo a morte, eu a quero, Quero o silencio de minha derradeira morada. Não mais ouvirei, já não falarei, não sentirei mais a dor..

Gilmar Soares Franco

QUEM EXISTE EM MIM ?

Ano 1— Nº 10

Quem é que habita em mim Que eu não consigo entender A sucessão cíclica de vidas Um vaivém de gerações Que como tantas outras acabam Nessa repetição de criar E recriar ? Onde encontrar a verdade A essas dúvidas que incomodam Dentro de mim ? que mexem Intrinsicamente o meu ego Levando-me a pensar que verdade E verdadeiro são coisas palpáveis E visíveis aos olhos humanos Achando que só eu tenho o código de existir ? Que a vida é um grande enigma. Eu creio nisso ? Nem todos em tantos conseguimos responder A questão difícil de compreender : Quem somos ? Quem sou eu ? Onde estamos ? Para onde vamos ? De onde viemos ???? “QUEM EXISTE EM MIM ?”

INFORMATIVO DE POESIA

Os miseráveis , os rotos, são as flores dos esgotos, são espectros implacáveis, os rotos, os miseráveis, são os grandes visionários dos abismos tumul tuários, as sombras das sombras mortas

CEGOS, A TATEAR NAS PORTAS PROCURANDO O CÉU, AFLITOS E VARANDO O CÉU DE GRITOS FARÓIS A NOITE, APAGADOS

Laércio Zaramela R Dr Francisco M. Oliveira, 520 Pres Prudente– SP - 19023.080

POR VENTOS

Augusto de Campos

r. Nancy Silva Cabral, 57 – P Continental II – Guarulhos _ SP – 07084-000

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ovo. novelo novo no velho o filho em folhos na jaula dos joelhos infante em fonte feto feito dentro do centro.

DESESPERADOS. INÚTEIS, CANSADOS BRAÇOS PEDINDO AMOR AOS ESPAÇOS, MÃOS INQUIETAS, ESTENDIDAS. AO VÃO DESERTO DAS VIDAS

Nosso êxodo Se fez entre lutas Pela história da história. Tornamo-nos melhores Fortificados E merecedores de sermos O que nos tornamos Djanira Pio Caixa Postal 11161-São Paulo – SP – 05422.970 )

V E R S OS L I V R E S

FIGURAS QUE O SANTO OFÍCIO CONDENA A FEROZ SUPLICIO PERDIDAS NA CORRENTEZA, Arrancadas amarguras do fundo das sepulturas

DAS CULPAS

BANDEIRAS ______ Rotas sem nome nas

DA NATUREZA Ó POBRES ! SOLUÇOS FEITOS DOS PECADOS IMPERFEITOS !

BARRICADAS________ da fome

CRUZ E SOUZA


MANIFESTO LITERÁRIO DE CHAPECÓ Nós queremos a loucura que há em nós ! Nela, reside a sabedoria

da embriaguez artística, longe dos ranços daqueles que, salvo raríssimas exceções, só têm olhos voltados para uma e única direção, e vivem de costas para nós não fazendo o menor gesto na direção daquilo que aqui se faz no campo das Letras. É PRECISO QUE OS VELHOS CANONES, os medalhões, os insensíveis, os discriminadores, ou seja lá o que for, afeitos ao status quo de privilegiar sempre os mesmos, saiam dessa pasmaceira, mais conhecida como “panelinha” e não se esqueçam que debaixo das cinzas da distância e do abandono pode haver a audácia da brasa à espera do sopro. É só trocar as “panelinhas” por “caçarolas” CONCLAMAMOS, POIS, AO COMBATE ! À guerra ! quem for guerreiro, que se alinhe ! queremos que a nossa postura seja surpreendente e reconhecida, ainda que, aos olhos de alguns, inútil.Não aspiramos à imortalidade. Queremos apenas ser reconhecidos como mortais capazes de se apaixonarem pela vertigem da alucinação, pela febre que ignora os medos. NÃO QUEREMOS E NÃO ACEITAMOS SER CADÁVERES AMESTRADOS

Estamos cansados de cativeiros ! . Não queremos devorar ninguém (que viva o antropofagismo !) mas não deixaremos que nos devorem. Página 2

INFORMATIVO PARA DIVULGAÇÃO DA POESIA ANO 1 - GUARULHOS - SP EDITOR - Antonio Luiz Lopes ( Touché )

Amor Como A Vida

CORRESPONDÊNCIA - R. Francisco Antunes, 687 Vila Augusta - Guarulhos - CEP 07040 010

Essencial

Aceitamos colaboração, independente de solicitação . Acuse o recebimento para envio de novos exemplares . MANDE SELOS, DÊ UMA FORÇA ! DISTRIBUIÇÃO GRATUÍTA

pertencemos, para depois acabarmos frustrados, desiludidos e esquecidos ? É claro que em tudo isso se propaga o cheiro do conformismo, inato nos humanos, mas que uma vez repudiado, como agora, traz outras alternativas. Os seres humanos são contraditórios por natureza, é este o nosso maior argumento contra as opiniões formadas. É necessário perceber este repúdio às sensações esperadas. Não estamos revoltados, apenas conscientes de direito de sermos diferentes.. ou iguais, mas acima de tudo por escolha própria , sem sermos forçados a agradar a velhas chinelas. A nossa bandeira é a idiossincrasia e, portanto, a liberdade sem fronteiras.

Texto de Silvério da Costa e Ilana Boava.

Ache.Associação Chapecoense de Escritores R. Norberto Matte, 160-D – Bairro SAIC – Chapecó –SC – 89801.380

Saudades de quem se foi. a chuva traz consigo marcas do destino pensamento peregrino. voando nas asas do tempo com o vento em movimento . Tânia Schwab R.. Antonio de Almeida Lemos, 103Elizabeth- Ijuí- RS – 98700-000 V E R S OS L I V R E S

Sim, o meu amor é alma e é o corpo É esse ato de dor que faz o encanto Que ultrapassa o livro do viver e absorto vai singrando renovando o Mar Morto ... Sim, o meu amor, é astro iluminando, iluminado É do canto o eco do mais lúcido ensaio Que monta e desmonta, sacia sem ser saciado A taça da avidez de amo e lacaio Sim !..ora !! o meu amor traz e traga o fio da faca Que lhe sangra o mais fundo da insanidade E no entanto é tão racional como uma estaca Fincada no peito da dualidade.. Não, não o condeno, o aprecio, uso-o e abuso Como um seminarista pudico e buliçoso Pois o meu amor, em ângulo reto ou obtuso Entrega-se, nega-se, fugaz e adiposo Ah, o meu amor , esse tímido suicida Que galanteador é tirano e ciumento Faz parte de mim e como acre-doce alimento Extasia, aborrece, sustenta a minha vida

Raimundo de Magalhães Cidade Nova III, SN13, nº 62, BE-PA – CEP 67130-000

VERSOS LIVRES : as flautas dos pastores, que bem que soam, como estão cadentes ! ( Bocage ) A NO 1— Nº 10

Traumas Não tem jeito para remover os traumas da alma Calejada sem abertura plena da alma, o amor morre sem abrirmos nosso coração derramar amores e mágoas selar o perdão Parecem irreversíveis os traumas desse amor longo, breve, que ficou sem resolução , firme de nada Porque o essencial não tocou Maria do Socorro Xavier R. Nevinha Cavalcante,260 - Miramar João Pessoa - PB - 58043.000

Versos Inválidos Vago vagaroso Pelos becos da cidade vazia Leio outdoors ! Viajo vadio Escrevo versos... Inválidos Faço rimas Pálidas Navego pensamentos Profano Enquanto o horizonte Me parece sorrir Observo atentamente O balançar das nuvens No silencio rumoroso das horas

Welington de Sousa R Olavo Lamego, 516 – Covanca- S Gonçalo –RJ – 24412-040

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Território Infinito Tenho sonhos facilmente identificáveis Traço planos com quem me ajuda a sonhar Mas sonhos, são como trajetórias de estrelas Há um espaço enorme entre nós ! O imaginário, contado por uma poetisa, Cimenta idéias.. Cada segundo mais emergentes E ganham charme especial. Tenho sonhos... vêem de longe... Saltam através de virgulas e pontos Que nunca são finais. Seguem dominando razões. São como o mar. Ninguém pode pisar..

Cecília Fidelli R. Antonio Olívio Araújo, 135 Itanhaem - SP 11740.000

Eras Eu não acredito em nada Eu tenho a alma antiga Olhos que nos guardam eras ; erros que só se repetem... Antes caminhos unidos Agora sós : paralelas Touché R. Francisco Antunes, 687 V. Augusta - Guarulhos

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Poema Perverso Detesto limites Gosto de mim, bêbado , Bebendo água de Nagasaki Meu coração de ferro tritura diamantes Por isso sou febril. Não tenho beleza, só despudor e desatino Se me der na telha, faço sexo. Escândalo , não economizo. Se é pra vadiar, tem que ser ao extremo Sou perverso, mundano, endiabrado. Homens pedantes como em motéis baratos com desaforo ; Homens comuns dou o merecido trato. Tenho preferência pelos barbados , os peludos que choramingam pouco. Traço meu destino no fogo E tanto faz que os dias não tenham pedigree Existir é o suficiente para o desdém com a vida, Essa coisa frouxa, murcha, manquitolante, A nós presenteada, Como choque térmico.

Rede Se sou feliz é porque tenho amigos Que tendo compreensão São incapazes de piedade. Acalentam nossa amizade registrando fístulas Se sou feliz é porque amo alguém que tendo-me amor não desdenha da verdade. Amplia nossa unidade apontando frinchas. Se sou feliz é porque quero bem amigos e amada e confio na humanidade. Pelo caminho da paridade não titubeio funções .

Sidnei Schneider In Plano de Navegação Washington Luiz, 630/402 P.Alegre . RS . 90010.460

Tom.

Tudo é trova : a flor, a onda a nuvem que passa ao léu.. E a lua.... Trova redonda que a noite canta no céu

J.G. de Araújo

QUANDO NOSSAS ALMAS SE ENCONTRAM

Quando nossas almas se encontram Há uma canção , uma melodia, Um lugar que nunca vi antes... Uma expressão diferente : Um sentimento vazio e confuso, e tudo gira em redor dessa morada. Dois corpos suados no leito : Dançam a última valsa. A lua da passagem e o céu vira festa, pula alegria. Quando nossas almas se encontram nosso desejo desfalece no sonho, e o sonho se torna real. Pra que entreter a razão se o gozo da vida está na fantasia ? Meu corpo cansado perde os sentidos e adormece Quando nossas almas se encontram . Renato Gonçalves.

Na calçada, Roberto, de terno, Pasta marrom, gel no cabelo. Na calçada, Maria, morena, Guarda no ventre uma rosa. Na calçada, Cíntia, de mini saia, oferece sua calma ao operário sem pressa. Na calçada, Carlos, quinze marcos, vende pedaços de sonhos. Na calçada, Antônia, setenta anos, reclama do outono. Uma criança na calçada, Pés descalços, olha a lua, É madrugada. É inverno. O mundo continua Miseravelmente Belo Lari Franceschetto R. João L. Carvalho, 98- VeranopólisRS – 95330.000

PSICOLOGIA DA COMPOSIÇÀO Não a forma encontrada Como uma concha perdida Nos frouxos areais Como cabelos : não a forma obtida Em lance santo ou raro Tiro nas febres de vidro Do invisível;mas a forma atingida Como a ponta do novelo Que a atenção, lenta, Desenrola, Aranha, como o mais extremo Desse fio frágil , que se rompe Ao peso, sempre, das mãos enormes.

Jorge V E R S OS L I V R E S

PAISAGEM

A NO 1— Nº 10

espio por entre seus olhos, amigo. e crio a minha imagem fundida na sua, somos os mesmos, somos iguais. Somos criaturas queridas e divinas Beijo-te irmão. Beijo-te amigo , Você é o que eu sinto . Você é o meu querer Somos dois, um só poder

R O S E

D E

A R R U D R Espírito Santo,c.17 q 101,cpa2,78055 A -410, Cuiabá- MT

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Sentimentos imos Se pudesse revoar e satisfazer caprichos . Me aventurar no passado da alma donzela numa vida sórdida . Certamente perderia-me na sedução, entregando-me suavemente ao tostado e tórrido corpo que nos olhos turvos envolve turbilhões de gozos... Ah, Sonhos, que nas noites vivo-os. Visionando sobre meu peito a febre feroz e no rosto o fogo corando toda a minha face...

um imenso deserto Na sala, visões

SERTÃO

PERMANENTES DA SOLIDÃO

O sol é uma grande fornalha Vermelha como um tição Quando não chove Assim é o sertão ... A fonte seca Seca a vegetação A terra fica calcinada Morre a plantação .. Os negros pássaros da morte Rondam a região Para eles não falta Alimentação .. O maioral aproveita A triste situação De miséria do sertanejo Para aumentar a riqueza E construir sua mansão... Infelizmente ! Assim é o sertão !

e eu ! Fantasias imaginárias de vidas sem mais sentidos, infelicidades amargas.. Saudades, dos afagos junto o focalizar dos olhos de ser e estar lado a lado Tudo, não mais importa a não ser que me ame, No coração, o vibrar do ardor, em meus lábios o que me introduzem o encanto da vida, murmurar de frases sem pudor com sabor de paixão Súplicas, da necessidade de ser e estar lado a lado entre os delírios profundos Tudo, não mais importa e sussurros doces a não ser que me ame, como o próprio mel sempre e a cada instante puro e vivificante... eternamente me complete. É isso que tanto almejo ! Mundo desapercebido Magia dos devaneios pelo calor do momento Suspiros tremendos plenos, que alivia ao tempo que entorpece e atormenta. apenas por te querer Suas sensuais mãos que deslizam percorrendo meu corpo seminu e que num afago delicioso abriga o âmago. que no aroma tentador do perfume Mergulhei na piscina conduz ao paraíso Das lembranças amargas com leveza de uma pluma, E fui parar no mais inspiração recente e profundo dos mundos delicada de volúpias Estava morto ! constantes na qual respiro Estava vivo ! e revivo diversidades de acordo palpitante... Estava sufocado Desperto impetuosamente Nas tristezas clamando em meio do meu pranto às lágrimas que banha Nas alegrias minha face seu nome, , de meu riso ! suspiro num gemido Estava lá ! Estava aqui à ilusão do nada , Em prantos a chorar ! ... implorando ao vento na sua ausência , No silêncio perdida revejo simplesmente no leito ao lado,

Prantos

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Segunda Feira Quando deito nos braços da Poesia Eu me mudo para um mundo diferente , Onde os seres são todos namorados, Onde os dias são todos feriados, E onde as tardes são quentes. Quando eu acordo , sempre está chovendo, Sempre é segunda feira, a barriga doendo, E eu saio a trabalhar, A Poesia vai comigo, lado a lado, Me acompanha nos ônibus lotados, E segue sussurrando aos meus ouvidos, palavras sem sentido. E eu peço pra Ir embora, pra não me atrapalhar. Um dia eu fico são, e enlouqueço, E peço a conta, e saio por aí , E gasto o meu dinheiro , muito pouco, Bebendo como um louco, Comendo doces e lendo gibi. Eu e a Poesia, sempre nos amando, No asfalto da avenida, nos jardins, Cavalgando nas nuvens, abraçados, Vamos fazer a vida sempre assim. E eu peço pra Poesia, companheira, Ficar sempre comigo, a vida inteira, E não me abandonar! Desculpe , gente, eu sonhei novamente, É hora de acordar ! !!

Castelo Hanssen

Hai Cai Tirado de Uma Falsa Lira de Gonzaga Quis gravar “Amor” No tronco de um velho freixo : “Marília” escrevi Manuel Bandeira V E R S OS L I V R E S

Do livro “Canção pro Sol Voltar “ R. Petrósia, 11-C– Jd. Silvia– Guarulhos 07000-000 - SP

Poeta, em sonhos imersos Vendo o que a noite insinua Não sei mais se escrevo versos Ou se fico olhando a lua .

ARCO ÍRIS Fadas e gnomos Todos os duendes de todas as matas Todas as pedreiras, fios d’água, cachoeiras As outras cores do íris. São segredo nosso Quisera falar das coisas que não posso Do que faz do ar, a brisa, e a brisa do vento E o vento de ventania. Essa magia que comanda cada elemento É a poesia de se recriar e de escolher o momento De ser uma rosa e de ser o elfo que mora na rosa Ter um brilho intenso como o sol e como o ouro no final do arco-íris.

Fátima Guedes

A Cigana Favos de mel Desprendem-se Destes lábios, Roubados dantes Por Frans

Hals

Humberto Del Maestro Trovas, Haicais e outros poemas Caixa Postal 45006—Laranjeiras 29165.250 - Serra - ES A NO 1— Nº 10

Ari Lins Pedrosa Caixa Postal 339 – Maceió- AL – 57000.000

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Versos livres dez  

a edição nº 10, da folha cultural Versos Livres, destinada à divulgação de poemas