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semeando sonhos | seeding dreams a eco-pintura de Totonho | the eco-painting of Totonho

exposição | exhibition

de 1-31 dezembro de 2006 | from 1-31 December 2006 Galeria Geraldes da Silva Rua St.º Ildefonso 225 Porto, Portugal t +351 22 340 3906




detalhe detail p. 22 deus não está longe god is not far



A eco-pintura de Totonho

The eco-painting of Totonho

Ao longo da minha vida ainda não me foi dada a possibilidade de experienciar olhos nos olhos, a beleza sublime da mãe natureza na sua exuberância tropical. Deve ser uma experiência inolvidável. Em contacto com a pintura transbordante de Antonio de Araújo Pereira (Totonho) também dificilmente ficamos indiferentes. Um regalo para os olhos, um motivo de preocupação para a mente. Se por um lado se nos revela como um hino e um cântico de louvor às origens matriciais da natureza mãe, por outro lado impõe-se-nos como um pungente grito de alerta face ao desvario, loucura e irracionalidade humana. As suas telas são um exemplo vivo da beleza das matas virgens assim como da deprimente devastação da mata atlântica. Vivemos num tempo marcado pela destruição acelerada dos ecossistemas e da biodiversidade. A exploração irracional dos recursos naturais, principalmente os mais escassos ou frágeis pode levar à sua degradação ou mesmo ao seu esgotamento, com consequências imprevisíveis. Há quem apelide e bem, esta nova realidade de desequilíbrio crescente gerador de recorrentes irracionalidades, de terrorismo ecológico-ambiental. A natureza que outrora a ciência clássica identificava como uma estrutura de equilíbrio, de ordem, é hoje vista como um sistema dinâmico, aberto, instável e imprevisível. O ‘efeito borboleta’ é o modelo inteligível da nova ciência do ‘caos determinista’. Nesta fase de transição paradigmática de desequilíbrios acrescidos, não podemos deixar de nos questionar. Precisamos de repensar o mundo, aprendendo a olhar a biodiversidade como subtil harmonia das parte do todo, respeitando o universo tal como ele é: uni/verso, unidade na diversidade. Os recursos naturais, sendo uma componente essencial à actividade económica, são hoje mais do que nunca factores de capital importância e de profundo significado político e humano. No dizer do sociólogo Boaventura de Sousa Santos, “a única utopia realista é a utopia ecológica e democrática”, a utopia do eco-desenvolvimento, do desenvolvimento sustentado. Ao questionar-se a ruptura homem/natureza estão criadas as condições de superação da desumanização da

During my live, I haven’t been given the possibility to experience, face to face, the sublime beauty of Mother Nature in her tropical exuberance. It must be an amazing experience. Coming into contact with the overflowing painting of Antonio de Araújo Pereira (Totonho) it is difficult for us to stay indifferent. It is pleasant to the eyes, a reason of preoccupation for the mind. If, on the one hand, it reveals itself to us as a hymn and a song of praise to the matriarchal origins of Mother Nature, on the other hand, it imposes itself on us like a pungent scream of alert to the insaneness, madness and irrationality of Man. His works are a living example of the beauty of virgin bushes as well as de depressing devastation of the bushes of the Atlantic. We live in a time marked by the accelerated destruction of the ecosystems and biodiversities. The irrational exploration of natural resources, mainly the most scarce or fragile resources, could lead up to its degradation or even to its end with unexpected consequences. There are people who name (and well) this new reality of increasing unbalance, creator of reoccurring irrationalities as ecological-environmental terrorism. Nature that once the classic science identified as a structure of equilibrium, of order, is seen today as a dynamic system, open, unstable and unexpected. The ‘butterfly effect’ is the intelligible model of the new science of ‘determinant chaos’. In this phase of paradigmatic transition of increased disequilibrium, we must question ourselves. We need to rethink the world, learn how to look at the biodiversities as a whole with a subtle harmony, respecting the universe just as it is: uni/verse, unity in diversity. Natural resources, being of an essential component to the economic activity, are today, more than ever, factors of capital and profound importance and political and human significance. According to the sociologist Boaventura de Sousa Santos, “the only realistic utopia is the ecological and democratic utopia”, the utopia of eco-development, the sustained development. Questioning ourselves about the rupture man/nature is enough to create the condition of overcoming the dehumanization of nature and the consequent 




natureza e a consequente desnaturalização do homem. Com a emergência da ecologia, a humanidade está vivendo uma verdadeira revolução coperniciana mas agora de sentido contrário. As grandes questões com que hoje nos debatemos recentram-se e ganham sentido ora polarizando-se por um lado em torno do homem e dos seus valores essenciais, ora por outro lado em defesa da natureza na sua visão global. Tudo isto só foi possível graças ao desafio ecológico levado a cabo por artistas (eco-arte), filósofos (eco­filosofia), políticos (eco-política) e muitos, muitos cientistas de especialidades várias (eco-ciência). Fhilippe Descola, discípulo do antropólogo Claude Lévy-Strauss nomeia este novo olhar de Antropologia da Natureza. O homem não é um ser singular, uma espécie à parte da natureza, dissociado do vasto contexto em que está mergulhado. Como disse Edgar Morin, esse olhar é um paradigma perdido. Passado. Com a nova visão ecológica, o homem deixou de olhar só para si próprio e passou a ocupar-se também dos problemas da natureza ou melhor da inter-relação homem-natureza. Como nos diz o filósofo contemporâneo Alan Watts (1915-1973) “o nosso verdadeiro corpo não é só aquilo que está dentro da pele”. Tudo são relações, e nenhum limite é mais do que uma convenção. Como posso eu dizer quem sou, omitindo tudo o resto à minha volta? Como é fácil de ver, Totonho é um ecologista militante. É um amante e admirador da natureza. A pintura luxuriante de Totonho insere-se neste grande movimento de renascimento da filosofia da natureza fortemente marcada por uma nova ética, uma ética ecológica à maneira de S. Francisco de Assis (1182-1226), na transição da Idade Média para o Renascimento.

denaturalization of Man. With the emergence of ecology, humanity is living a true Copernican revolution, but in the opposite direction. The great questions which we debate center themselves and gain sense, however they polarize themselves, on the one hand, around man and his essential values, and on the other hand, in defense of nature in its global view. All this was possible thanks to the ecological challenge taken on by artists (eco-art), philosophers (eco-­philosophy), politicians (eco-politicians) and many, many scientists of various specialties (eco­science). Fhilippe Descola, disciple of the anthropologist Claude Lévy-Strauss, nominates this new point of view as Anthropology of Nature. Man is not a singular being, a species apart of nature, dissociated from the vast context he is part of. Edgar Morin once said that “that point of view is a lost paradigm: of the past.” With the new ecological view, Man has stopped looking just at himself and started occupying himself with problems of nature or better, with the inter-relationship ManNature. As said by the contemporary philosopher Alan Watts (1915-1973) “our true body is not just that what is inside our skin”. Everything is related and no limit is more than a convention. How can I say who I am, omitting everything that is around me? It is very easy to see that Totonho is a militant ecologist. He is a nature lover and admirer. The luxurious painting of Totonho fits into this great movement of the renaissance of the philosophy of nature that is strongly marked by a new ethic, an ecological ethic to the way of St. Francisco of Assis (1182-1226), in the transition from the Middle Ages to the Renaissance.

Abílio Afonso Ferreira Prof. de Estética e de Teoria da Comunicação Galeria Geraldes da Silva Porto - Portugal, setembro 2006

Abílio Afonso Ferreira Professor of Aesthetic and Theory of Communication Galeria Geraldes da Silva Porto - Portugal, September 2006

cicatrizes scars 110 x 90 cm 2004




Com sua obra artística, Totonho, um dos pintores brasileiros mais internacionais, nos transporta a um mundo de sonhos e mistérios, a um lugar apaixonado e apaixonante, sobre o qual a existência do nosso planeta se desliza: “a floresta amazônica e o mato”. Com sua técnica, Totonho revolucionou a pintura naïf brasileira, criando um estilo pessoal e diferenciador, que recebeu vários nomes da crítica: neo-naïf, Totonismo, pós-naïf ou hiper-realismo naïf. Apresentando extremo domínio e arrojo do desenho e colorido, a obra de Totonho explora com sutileza e elegância as entranhas de uma floresta de emoções, enchendo a tela com uma Amazônia cheia de matizes e beleza, assim como denunciando com um grito de angústia o desmatamento brutal do Amazonas. Deste modo Totonho nos sensibiliza e nos faz refletir sobre as limitações deste modelo de sociedade de “usar e jogar fora”, incontrolável na sua voracidade sobre a natureza e o equilíbrio do planeta.

With his artistic work, Totonho, one of the most internationalized Brazilian painters, takes us to a world of dreams and mystery, to passionate and impassioned places that are essential for our planets’ existence: “the Amazon rainforest and the jungle”. Totonho changed Brazilian primitive painting. With his technique he created a personal and unique style that was given many names by the critics: neo-naïve, Totonism, post-naïve or super-realistic naïve. With an extremely refined design and coloring, Totonho’s work subtly and elegantly explores the inside of a forest of emotions, filling the canvas with an Amazon rainforest full of shades and beauty. But it also proclaims with a scream of anxiety, the brutal deforestation of the Amazon region. In that way, Totonho shows us and lets us reflect on the limitations of the ‘use and throw’ society model which, in its greed for nature, is incompatible with our planets’ balance.

Luís López ‘Gabu’ pintor | fotógrafo Corunha, Espanha, agosto 2006

Luís López ‘Gabu’ painter | photographer A Coruña, Spain, August 2006

detalhe detail p. 11 semeando caos seeding chaos

coração da mata heart of the forest 80 x 100 cm 2004






mais um lugar assim another place like this 80 x 60 cm 2006



Quando vista pelos olhos do amador, a natureza é simples na sua beleza ‘natural’. Natureza, em si, é a verdadeira definição da beleza intrínsica. Entretanto, examinando-se melhor, esta beleza revela uma miríade de intricados padrões fractais e complexidades que implicam o labor manual de alguma fonte criativa que é muito maior do que nós mesmos. Esta analogia encapsula as expressões artísticas de Totonho. Eu tive o imenso prazer e a grande felicidade de passar uma tarde inteira observando Totonho pintar. No seu trabalho, ele não se valeu de fotografias ou representações do seu intricado tema. Ao ver o produto final de Totonho, o amador vê apenas a beleza geral das maravilhosas cenas que jorram do seu ser. Eu observei fascinado como se a essência da natureza por ele capturada fosse uma extensão dele mesmo. Sua técnica revelou anos de experiência quando preparava matizes de cor para o que se tornaria o fundo dos elementos principais de grande detalhe. Sua óbvia sensibilidade e compreensão a respeito da forma, luz e sombra realizaram majestosamente mais uma outra obra-prima, transformando a tela lisa numa oniropaisagem da natureza onde pudéssemos entrar andando. Como se fosse um canal para a própria Mãe Terra, as pinturas de Totonho são repletas do mesmo esplendor comensurável que a própria Terra possui. Sendo eu próprio um artista interdisciplinar, tenho me engajado há muitos anos pela causa da preservação dos recursos do planeta que chamamos de nossa casa. Admiro o comprometimento corajoso de Totonho pela transmissão artística da verdade sobre a devastação do nosso planeta, em juxtaposição com a beleza da natureza. Responsabilidade artística como esta é considerada impopular ou políticamente sensível. Mas a verdade, não importa o quão inconveniente que seja, é que o nosso planeta está sofrendo de tal forma, que a própria existência de futuras gerações está em sério perigo. Arte e música devem continuar manifestando este fato, pois são estes os meios de expressão que históricamente têm refletido a alma da sociedade. A arte de Totonho dá um passo além, e efetivamente

When viewed from the eyes of the layman, nature is simple in its ‘natural’ beauty. Nature, itself, is the true definition of intrinsic beauty. However, upon closer examination, this beauty reveals a myriad of intricate fractal patterns and complexities, which implicate the handiwork of some creative source that is much larger than ourselves. This analogy encapsulates the artistic expressions of Totonho. I had the expressed pleasure and great fortune to spend an entire afternoon watching Totonho paint. He did not work from photographs or depictions of his intricate subject matter. When viewing his finished work, the layman sees only the overall beauty of the wonderful scenes that pour from his being. I watched fascinated as if the essence of nature, which he captured, was an extension of himself. His technique revealed years of experience as he prepared layers of color for what would become the backdrop of principle elements of great detail. His obvious sensitivity to and understanding of form, light and shadow majestically actualized yet another masterpiece, transforming a flat canvas into a dreamscape of nature that one could walk into. Like a channel for the Earth Mother herself, Totonho’s paintings are replete with the same commensurate splendor as Earth herself possesses. As an interdisciplinary artist myself, I have for many years been a strong proponent of the preservation of the resources the planet we call home. I commend Totonho’s valiant commitment to the artistic conveyance of the truth about the devastation our planet in juxtaposition to the beauty of nature. Artistic responsibility in this way is sometimes thought of as being unpopular or as being of a politically sensitive nature. However, the truth, no matter how inconvenient it may be, is that our planet is suffering to such a degree that the very existence of future generations is in serious jeopardy. Art and music cannot restate this enough as these mediums of expression have historically reflected the heart of society. Totonho’s art goes a step further and effectively reflects the heart of nature as it wrestles with the




reflete a alma da natureza na sua luta contra a aparentemente desalmada natureza humana quando se trata da preservação da Terra. Claro que há muitas exceções e muitas pessoas excepcionais que compreendem a importância desses fatos. Se outras vierem a sentir desconforto perante essas desafiadoras manifestações artísticas, então Totonho e outros artistas corajosos como ele se sucederam no seu trabalho.

seemingly heartlessness nature of humanity with regards to the preservation of the Earth. Of course there are many exceptions and many exceptional persons who understand the importance of these matters. If others are made to feel uncomfortable by such challenging artistic statements then Totonho and other such courageous artists have done their job well.

Robert Irving III compositor | produtor, artista plastica Chicago - EUA, setembro 2006

Robert Irving III, composer | producer, visual artist Chicago - USA, September 2006

semeando caos seeding chaos 98 x 78 cm 2006

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ruína do paraguaçu ruin at paraguaçu river 100 x 80 cm 2006

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além do silêncio beyond silence 60 x 80 cm 2004

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jardim dos namorados lovers’ garden 100 x 80 cm 2005

guardiĂŁo guardian 120 x 100 cm 2006

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patriota patriot 100 x 120 cm 2006

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ipĂŞs II ipe trees II 100 x 80 cm 2006

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Ao passar uma estreita ruela em Amsterdã, minha filha gritou detrás da bicicleta: “Papai, olha…Brasil!!!” Ela tinha razão! Ao entrar na pequena galeria situada no coração de Amsterdã, vi as pinturas de Totonho e me senti levado a um lugar de emoção e beleza. Para ser mais preciso, as pinturas da floresta amazônica - uma das regiões mais biodiversas do planeta e habitat para um surpreendente 10% dos mamíferos do mundo e 15% das espécies de plantas terrestres conhecidas mundialmente, apresentando até 300 espécies de árvores num único hectare - me mostraram a maneira muito pessoal e intensa de Totonho de proteger este lugar único. A região também serve de habitação para 220.000 pessoas de 180 diferentes povos indígenas. Estes povos habitam as profundezas da floresta, junto a muitas outras comunidades tradicionais da floresta. A floresta amazônica proporciona-lhes tudo, da alimentação e habitação a instrumentos e remédios, e exerce uma função crucial na vida espiritual dos indígenas. Mas tudo isso está sendo ameaçado pelo desmatamento e por crimes relacionados. As pinturas de Totonho articulam, de modo bastante individual, a responsabilidade artística pela proteção desses bens comuns globais maiores. O visitante será gratificado por uma viagem fantástica não só à floresta amazônica mas também aos seus próprios sonhos. E se surpreenderá pela imediata e profunda compreensão do porquê a destruição criminosa desta floresta globalmente vital tem que levar um fim.

As we were passing through a tiny road in Amsterdam, my little girl suddenly shouted from the back of my bike: “Papa, look... Brazil!!!” Right she was! I saw Totonho’s paintings in the small gallery in the heart of Amsterdam, and I felt carried away into a place of emotion and beauty. To be more precise, Totonho’s paintings of the Amazon rainforest - one of the most biodiverse regions on earth and home to a staggering 10% of worlds mammals and 15% of the worlds known land-based plant species with as many as 300 different species of tree in a single hectare - showed me his very own and intense way to protect this unique place. The region is also home to 220.000 people from 180 different indigenous nations. They live deep in the rainforest, along with many more traditional forest communities. The rainforest provides these people with everything, from food and shelter to tools and medicines, and it plays a crucial role in the spiritual life of indigenous people. All this is threatened by deforestation and related crimes. Totonho’s paintings, in their very own way, articulate the artistic responsibility to protect this bigger global common. The viewer will be rewarded with a fantastic journey not only to the Amazon rainforest, but also to his own dreams. And he will be struck by an immediate and deep understanding of why the criminal destruction of this globally vital rainforest needs to be stopped.

Ulrich von Eitzen Greenpeace International Amsterdã - Holanda, outobro 2006

Ulrich von Eitzen Greenpeace International Amsterdam - The Netherlands, October 2006

as marcas de dois poderes the marks of two powers 80 x 60 cm 2006

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detalhe detail p. 24 o homem está perto man is near

p. 20-21 uma luz na escuridão a light in the darkness 200 x 100 cm 2004

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deus não está longe god is not far 190 x 140 cm 2006

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detalhe detail p. 23 deus nĂŁo estĂĄ longe god is not far

o homem estĂĄ perto man is near 190 x 140 cm 2006

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colheita de bananas banana harvest 100 x 120 cm 2006

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hora do almoรงo lunch time 120 x 100 cm 2006

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o cortador de cana the sugarcane cutter 50 x 70 cm 2006

sonhando com reforma agrรกria dreaming of an agricultural reform 190 x 140 cm 2006

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o pescador e o tucano the fisherman and the toucan 90 x 110 cm 2006

beija-flor hummingbird 190 x 140 cm 2006

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lua de mel honeymoon 98 x 78 cm 2006

solitรกrio ao entardecer lonely at sunset 100 x 80 cm 2004

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todo cuidado é pouco! all caution is little! 190 x 140 cm 2006

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Pintura naïf brasileira Joaquín Lens La Voz de Galicia, 25 maio 2005

Brazilian naive painting Joaquín Lens La Voz de Galicia, May 25, 2005

“Sou daqueles que acham que a única pintura brasileira que possui caráter realmente nacional e se expressa numa forma decorrente de nossa cultura mestiça é a pintura naïf, ingênua, primitiva - cada um escolha a designação que lhe pareça melhor.” Essas palavras do escritor Jorge Amado são bem reveladoras não só da maneira como a pintura ingênua, independente de sua origem francesa, infiltrou-se com intensidade singular em países como o Brasil, mas também da projeção internacional que alcançaram alguns de seus cultivadores como Chico da Silva e Clovis Rossi que, na mesma linha que o autor de Gabriela, Cravo e Canela afirma: “Eu considero a mais brasileira das artes porque a gente vê a nossa cultura nela. A pintura naïf representa muito bem os nossos povos, nossos costumes, nossas festas folclóricas, quer dizer, tem uma identidade e força muito grande porque representa diretamente os movimentos que acontecem no país.” Uma trajetória similar às acima citadas é a que Totonho (Bahia, Brasil, 1958) está seguindo. Ele é um pintor naïf interessantíssimo que, na sua exposição Discurso Ecológico que pode ser vista agora em Corunha, desprega toda a beleza colorista e ingênua típica deste estilo pictórico. Uma natureza selvática de intensa beleza e brilhante colorido povoa seus quadros nos quais o vermelho ou o amarelo das aves se destaca sobre o verde esmeralda de árvores e plantas que povoam e até transbordam de suas telas. No entanto, o Paraíso pictórico de Totonho é de certa maneira um paraíso perdido ou que, pelo menos, está em perigo de extinção. E esta dramática situação não é absolutamente alheia aos interesses do pintor. Obras como Cicatrizes destacam a agressão que suportam os bosques da Amazônia. “Pintura cheia de matizes e beleza que também denuncia com um grito de angústia, o desmatamento brutal dos bosques”, como escreve Luís López no catálogo da exposição.

“I belong to those who think that the sole Brazilian painting that really has a national character and expresses itself in a form originated from our mixed culture, is naïve, ingenuous, primitive painting - it is up to each of us to choose his or her favorite terminology.” These words by Jorge Amado (Brazilian writer - ed.) reveal so well not only how the ingenuous painting, independent from its French origin, has infiltrated with singular intensity into countries like Brazil, but also the international projection which some of its cultivators, like Chico da Silva and Clovis Rossi have achieved. Rossi, like the author of Gabriela, Clove and Cinnamon affirms: “I consider it the most Brazilian of the arts, because we see our culture in it. The primitive painting represents our people, our customs, and our folkloric feasts so well. I mean, it has a strong identity and power because it directly represents the tendencies that take place in our country.” A trajectory similar to those above mentioned, is the one Totonho (Bahia, Brazil, 1958) is following. He is a very interesting primitive painter, who in his exhibition Discurso Ecológico (Ecological Discourse) that can be seen in A Coruña, unfolds all the colorful and ingenuous beauty typical for that picturesque style. A jungly nature of intense beauty and shiny colors inhabits his works, in which the red or the yellow of the birds stand out on the emerald green of trees and plants that fill up, and even overtake his canvases. Yet, Totonho’s picturesque Paradise is in some way a Paradise Lost or, at least, in danger of extinction. This dramatic situation is absolutely not remote from the artists’ interests. Works like Cicatrizes (Scars) emphasize the aggression suffered by the woods in the Amazon. “Paintings full of shades and beauty, but that also proclaim with a scream of anxiety, the brutal deforestation of the woods”, as Luís López states in the exhibition folder.

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Totonho expõe sua obra na galeria corunhesa Arte Imagen Ánxeles Penas El Ideal Gallego, 6 junho 2005

Totonho shows his work at gallery Arte Imagen in A Coruña Ánxeles Penas El Ideal Gallego, 6 June 2005

Totonho (Bahia, 1958) trouxe à galeria Arte Imagen todo o esplendor e a exuberância da floresta amazônica, numa mostra intitulada Discurso Ecológico, que implica uma dupla finalidade: a de nos mostrar a beleza e o poder natural do meio em que nasceu e a de nos conscientizar sobre o drama que suporia o desaparecimento de tal prodigalidade genesíaca. Viajamos por este conjunto de quadros de cor esmeralda vibrante, de intensos azuis turquesa, celeste e anil, como o faríamos através daqueles de Henri Rousseau (1844-1910) o Aduaneiro, um dos muitos artistas contemporâneos que quis entoar um canto exaltado ao paraíso perdido. A diferença se baseia em que Rousseau - além de recriar a partir do mito um mundo que não era o dele - sentia que ainda havia na Terra cantinhos intocados, e a floresta era um deles. Totonho, ao contrário, nos traz vivências diretas e a surpreendente mensagem que o inconcebível pode acontecer: que milhares de hectares de vegetação virgem e que milhões de espécies sucumbam à mania destrutiva e genocida do homem de hoje. Informando-nos no entanto da força vital tremenda do seu país, o otimismo plástico e o vigor cromático se impõem sobre o discurso do lamento ou da denúncia, que aparece claramente especificado sómente no quadro Cicatrizes onde deixa entrever um futuro terrível de chaminés de fábricas e de tubos metálicos substituindo os troncos retos de árvores altas. Também se transparentam aí, fantasmas de possíveis arranha-céus, disputando às copas culminantes o domínio do céu. Porém, não é este o melhor quadro de Totonho; já que o amor e o entusiasmo herdados se expressam de modo natural, com ímpeto majestoso, e se impõem como por necessidade. É claro que não escolhemos o lugar onde nascemos nem as nossas paixões: somos escolhidos por essa energia, por esse nume pânico e exultante que nossos genes ditam. Do mesmo modo, a verdade profunda deste artista de sobrenome português (Antonio de Araújo Pereira), talvez galego, se desperta na policromia do olhar, no encanto

Totonho (Bahia, 1958) has brought the entire splendor and exuberance of the Amazon jungle to gallery Arte Imagen, with an exhibition entitled Discurso Ecológico (Ecological Discourse). The title implicates a double purpose: show us the beauty and the natural power of the environment in which he was born, and bring to consciousness the drama that the disappearance of such genetic wealth would mean. We travel through a collection of paintings of vibrant emerald green, intense turquoise, sky and indigo blue, in the way we would through the paintings of Henri Rousseau, also known as le Douanier (the customs officer, 1844-1910) one of the many contemporary artists who wanted to intone an exalted song to the lost paradise. The difference lies in the fact that Rousseau - beyond recreating from the myth a world that wasn’t his - felt that there were still untouched places on earth, and that the jungle was one of them. Totonho, on the contrary, brings us direct experiences and the surprising message that the inconceivable may happen: that thousands of acres of virgin vegetation and millions of species may succumb to the destructive and genocidal mania of today’s man. Yet, by informing us about the tremendous vital force of his country, the optimistic painting and the chromatic power overcome the discourse of lament or denouncement. This is only clearly specified in the painting Cicatrizes (Scars), which let us glimpse at a terrible future of factory chimneys and metal tubes, replacing the trunks of tall trees. Moreover, ghosts of possible skyscrapers appear transparently, competing with the treetops for the dominion of the sky. But this is not his best work, since inherited passion and enthusiasm express themselves naturally and with majestic impact, and impose as a need. It is evident that no one chooses his place of birth or his passions: we are elected by that energy, that panic and ecstatic numen, dictated by our genes. In the same way, the deep truth of this artist with a Portuguese, maybe Galician, surname (Antonio de Araújo Pereira)

enraizado, no humanismo amável e, por fim, na fé incólume de ter nascido num lugar privilegiado, numa geografia prodigiosa que ainda pode ser salva. O paisagismo, no qual poderia ser encaixado, fica assim submetido a uma motivação mais profunda, mais transcendente, e a percepção inocente e poética da vegetação portentosa, das aves exóticas e dos vilarejos encantadores que se estendem pelas ribeiras do Amazonas transcende com graça o que poderia incidir num repetitivo naturalismo. E isso nasce, sem dúvida, da vitalidade da paixão. Portanto, um sonho bucólico e idílico que nos traz à memória o mito do ‘bom selvagem’ do outro Rousseau: o filósofo Jean-Jacques, se balança em cima destas frondes azuis que se tornam quase numa cabeleira acetinada, aveludada. Entre elas floresce o encontro amoroso, o arrulho doce de dois pássaros do paraíso, a expectante espera dos tucanos com sua plumagem vermelha e preta, o vôo elegante da garça branca à busca de seu par. Muitas outras aves: louros, araras se movem nas lianas musgosas entre um colóquio de palmeiras, próximas de águas refrescantes. Porém, a graça alcança o seu auge nos quadros de estilo naïf onde recria cenas populares, como em Voltando da Feira, Vale do São Francisco ou Procissão dos Navegantes. São nessas composições deliciosas que a representação do mundo campestre que Totonho conheceu alcança seus acentos mais pastorais, mais virgilianos e também mais pessoais. Uma paisagem doce e comovedora de meandros serpeantes de um azul transparente, de casinhas policromas, de colinas ondulantes pontuadas de plantações, de veleiros navegando as águas calmas, de barcos decorados para a festa, de igrejas coloniais, de pessoas que trabalham no campo com afinco ou caminham pelas trilhas rumo a suas casas ou se divertem e rezam, nos transmite a emoção sincera de uma alma sensível que consiste na condição ‘sine qua non’ para se tornar artista. Obrigado, Totonho, por estes privilégios esquecidos.

awakes through the polychromatic sight, rooted enchantment, kind humanism and the unaffected faith of having been born in a privileged place, in a prodigious geography, that still can be saved. The genre landscape, in which he could be placed, is thus subjected to a deeper and more transcendent motivation, and the innocent and poetic perception of the wonderful vegetation, the exotic birds and the lovely villages spread along the Amazons’ banks, surpass gracefully what could have turned into a repetitive naturalism. And, no doubt, all this was born from the vitality of passion. Hence, a rural, idyllic dream that reminds us of the myth of the ‘good savage’ by that other Rousseau: the philosopher Jean-Jacques, swinging on these blue fronds that almost turn into satin, velvet hair. In the midst of all this flourishes the love encounter, the sweet singing of two birds of paradise, the expectant waiting of the toucans with their red and black plumage, the elegant flight of the white heron searching for its mate. Many other birds: parrots, macaws move on the mossy lianas between a ‘colloquium’ of palm trees near refreshing waters. But grace reaches its climax in the primitive paintings with popular scenes, such as in Voltando da feira (Returning From the Market), Vale do São Francisco (San Francisco Valley) or Processão dos navegantes (Procession of the Seafarers). It is in these delicious compositions that the representation of the rural world he has known reaches a more pastoral, more Virgilian and more personal touch. A sweet and moving landscape with snakelike meanders of transparent blue, polychromatic little houses, undulated hills dotted with plantings, sailing boats floating on calm waters, boats decorated for a feast, colonial churches, hard working people in the fields or walking home on barren trails or having fun and praying, pass on the sincere emotion of a sensitive soul, the ‘sine qua non’ for becoming an artist. Thank you Totonho, for these forgotten privileges.

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Totonho, o artista da capa CEPA. Círculo de estudo pensamento e ação. no. 25, ano XIX, mai-ago 1995, p. 2

Totonho, the cover artist CEPA - Círculo de Estudo Pensamento e Ação (Thought and Action Study Circle) no. 25, 1995, p. 2

Artista plástico autodidata, com várias exposições nacionais e internacionais, Totonho cedeu uma de suas obras, denominada Discurso plástico ecológico, para capa da revista CEPA no. 25. A obra foi exposta, com sucesso, no African American Caribbean Center (EUA) em Dezembro de 94. Homenageado por Jean Marie Pelt, diretor do Instituto Europeu de Ecologia e conselheiro do presidente François Miterrand e da Comunidade Européia, que adquiriu algumas das suas obras, Totonho foi entrevistado pela artista plástica e ilustradora Maira Cristina, também colaboradora da Revista CEPA.

Totonho, a self-taught visual artist with various national and international expositions, has lent his work Discurso plástico ecológico (Ecological Plastic Discourse) to the cover of CEPA magazine no. 25. This painting was successfully exhibited in the African American Caribbean Center (USA) in December 1994. Totonho has also been honored by Jean Marie Pelt, director of the European Institute of Ecology and counselor of President François Miterrand and the European Community. Pelt also acquired some of Totonho’s works. Visual artist and illustrator Maira Cristina, who also works for CEPA magazine, interviewed the painter.

CEPA: O que inspirou a obra Discurso plástico ecológico, capa RC no. 25? Totonho: A relação diplomática Brasil-EUA, que não me convence. Há falta de patriotismo e dignidade por parte dos governantes do terceiro mundo, que dão acesso irrestrito aos países do que convencionou chamar de primeiro mundo. Estes não respeitam devidamente o território alheio, e no caso do Brasil, esse desrespeito é gritante. No fundo, a culpa maior não é dos espoliadores estrangeiros, e sim dos que fazem, no Brasil, uma política predatória, com a fome afetando a população, fomentando marginalidade em todas as partes do país. CEPA: Como você definiria o seu trabalho a nível de estilo? Totonho: Não estou preocupado com linhas ou estilos, ou mesmo numa definição nesse sentido. Busco no meu trabalho um sentido e uma razão para minha vida, e através dessa razão passar às pessoas a minha visão do mundo.

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CEPA: What inspired the work Discurso plástico ecológico on the cover of CEPA magazine no. 25? Totonho: The diplomatic relations between Brazil and the United States of America that do not convince me. There is lack of patriotism and dignity from the side of the leaders of the third world, who grant unrestricted access to countries which conventionally are called the first world. These countries do not properly respect the territory of others, and in case of Brazil, this disrespect is alarming. Essentially, it is not the foreign plunderers that are to be blamed, but those who make predatory politics in Brazil, with hunger affecting the population, fomenting marginalization everywhere in the country.

CEPA: Qual o seu artista plástico predileto, no sentido da obra como um todo? Totonho: Salvador Dalí. O gênio surrealista me impressiona muito. O mistério, o volume, a plasticidade.

CEPA: Who is your favorite visual artist considering his or her entire work? Totonho: Salvador Dalí. This surrealistic genius impresses me very much. The mystery, the volume, the plasticity.

CEPA: Como foi para um autodidata, num universo fechado como o das artes plásticas, abrir as portas para internacionalização da sua arte? Totonho: Primeiro, a falta de reconhecimento no país crio a necessidade de cruzar as fronteiras. Fiz isso com recursos próprios, mas valeu o esforço, primeiro pela boa aceitação, depois por ter entrado no mercado pela porta da frente.

CEPA: How was it for an autodidact in a closed universe such as that of the visual arts, to open the doors towards internationalization of your art? Totonho: First, because of a lack of recognition in my own country, I felt the need to cross borders. I did this using my own resources, but it was worthwhile, first because of the positive reactions and also because I entered the market through the front door.

CEPA: Como você vê a devastação do planeta, no que tange às gerações futuras? Totonho: Preocupo-me mais com as crianças, procuro através do meu dia-a-dia e do meu trabalho, conscientizá-las para que sejam pessoas de bem. Sem consciência ecológica, as crianças nascem puras e vão perdendo essa pureza no seu contato com o mundo. Por isso, Ecologia é a preocupação essencial do meu trabalho, alertando contra a devastação do planeta.

CEPA: How do you see the devastation of our planet in relation to future generations? Totonho: I’m more concerned with the children. Through my day-to-day life and my work, I try to make them aware of the importance of being a good person. The children are born pure, but they lose this purity in their contact with the world. That’s why ecology is the main preoccupation of my work, alerting against the devastation of our planet.

CEPA: How would you define the style of your work? Totonho: I’m not preoccupied with lines and styles, or even with a definition in this sense. In my work I am looking for a meaning and a reason for living, and through this reason I try to pass my vision of the world.

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Agradecimento

Acknowledgements

Biografia

Biography

a Deus que me concedeu o dom da arte, que uso como arma em defesa da natureza, e com o qual também tenho extraído dignamente, o sustento meu e da minha família; aos meus pais que me deram a liberdade de voar, mesmo sem saber o rumo; aos meus irmãos, em especial a Eugenio pelo senso crítico, e acima de tudo, porque dispôs seu pequeno salário para patrocinar minha primeira exposição; a Roxo que cedeu as paredes do seu Bar Rouxinol para a exposição das minhas obras; ao escultor Palito Bahia que me indicou as tintas apropriadas para pintura; ao grande pintor e amigo Gil Abelha que me acompanhou na ocasião do movimento sociocultural no centro histórico de Salvador nos anos 80; a Evaldo Oliveira que nos apoiou durante esse acontecimento; ao mestre das artes sacras Edval Rosas que me passou confiança e incentivo em momentos difíceis em que até pensei em desistir; ao pintor espanhol Enrique Vilches que me convidou para expor fora do Brasil pela primeira vez; aos meus filhos Eduardo, Esther, Natan, Fernanda e Sophia que me proporcionam alegria e inspiração; à minha namorada Eva pelo carinho e respeito pela minha luta;

to God, who granted me the artistic gift that I use as a weapon to defend nature, and from which I also honorably earn my living and that of my family; to my parents who gave me the freedom to fly, even without knowing my destination; to my brothers, specially Eugenio who stimulated me with his critiques and most of all, supported me putting his modest salary at my disposal to make my first exposition possible; to Roxo who emptied the walls of his Bar Rouxinol for the exhibition of my works; to the sculptor Palito Bahia who pointed out the right paint to me; to the great painter and friend Gil Abelha, who stood by me during the time of the socio-cultural revolution in to the historic center of Salvador in the 80s; to Evaldo Oliveira who supported us on that occasion; to the master of the sacred arts Edval Rosas who helped raise my self-confidence and motivation in difficult times when I even thought of giving up; to the Spanish painter Enrique Vilches who invited me to exhibit outside Brazil for the first time; to my children Eduardo, Esther, Natan, Fernanda and Sophia for providing me with joy and inspiration; to my sweetheart Eva for her love and respect for my aspirations;

Antonio de Araújo Pereira, mais conhecido como Totonho, nasceu em 1958, na Bahia, Brasil. Ele enveredou pelo caminho das artes ainda criança e realizou sua primeira exposição em 1973, no Bar Rouxinol em Capoeiruçu, vila onde passou parte de sua adolescência. Em1974 foi morar em Salvador, capital do estado da Bahia, e iniciou sua carreira artística participando de exposições coletivas. Em 1982 Totonho conhece o artista plástico Gil Abelha. Este encontro significou o começo de um grande movimento artístico, cultural e social no Pelourinho. Juntos com outros artistas, fundaram a Associação dos Artistas Populares do Centro Histórico de Salvador. Artista de formação autodidata, Totonho é um ecologista por convicção e sua obra reflete toda sua sintonia e sensibilidade com a natureza. Suas telas revelam-se meticulosas, mostrando simultaneamente a beleza das matas virgens e a deprimente devastação do planeta. Totonho é muito mais que um típico artista naïf brasileiro, já que a sua técnica vai de par com motivos nem sempre tradicionais que o têm levado desde há muito para além das fronteiras. Assim, no seu currículo constam participações em vários salões, workshops e exposições em diferentes países como Brasil, Portugal, França, Espanha, Inglaterra, Bélgica, Suíça, Alemanha, Holanda, Canadá e os Estados Unidos.

Antonio de Araújo Pereira, better known as Totonho, was born in 1958 in the state of Bahia, Brazil. He started painting as a child and exhibited his paintings for the first time in 1973 at Bar Rouxinol in Capoeiruçu, a village where he spent part of his adolescence. In 1974 he moved to Salvador, capital of the state Bahia, and started off his artistic career participating in collective exhibitions. In 1982 Totonho met plastic artist Gil Abelha. This encounter was the start of an important artistic, cultural and social movement in Pelourinho. Together with other artists, they founded the Association of Popular Artists of the Historic Center of Salvador. Totonho is a self-taught artist and a person of nature by heart. His work reflects his strong love and sensibility for the environment. Moreover, he is a meticulous and masterful artist whose paintings not only show the beauty of the overwhelming Brazilian nature, but also his concern for the depressing reality of the destruction of the Amazonian rainforest. Although Totonho is primarily a primitive painter, his technique and subjects are hardly traditional and his work defies classification. There lies the essence of his long and worldwide success, which includes participation in numerous salons, workshops and expositions in many different countries such as Brazil, Portugal, France, Spain, Great Britain, Belgium, Switzerland, Germany, The Netherlands, Canada and the USA.

a Abílio Afonso Ferreira, Luís López ‘Gabu’, Robert Irving III, Ulrich von Eitzen, Yaemi Natumi, Marjon Kooyman, Chris Hoefsmit e Marlies Visser pelas suas contribuições para realização deste catálogo. Totonho

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to Abílio Afonso Ferreira, Luís López ‘Gabu’, Robert Irving III, Ulrich von Eitzen, Yaemi Natumi, Marjon Kooyman, Chris Hoefsmit and Marlies Visser for their contributions in the making of this catalogue.

Totonho

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Exposições 2006 - Galeria Geraldes da Silva - Porto, Portugal

1990 - Canning House - Londres, Inglaterra

2006 - Gallery Geraldes da Silva - Porto, Portugal

1990 - Canning House - London, Great Britain

- Galeria TopArt - Neuss, Alemanha

- Gallery TopArt - Neuss, Germany

- Sala de Exposição do Monumental - Lisboa, Portugal

1989 - Hotel Le Meridien - Salvador, Brasil

- Exhibition Center Monumental - Lisbon, Portugal

1989 - Hotel Meridien - Salvador, Brazil

- Galerie Bagnorea - Annecy, França

- SENAC - Salvador, Brasil

- Gallery Bagnorea - Annecy, France

- Atelier 9 - Amsterdã, Holanda

- Centro Cultural - Brasília, Brasil

- Atelier 9 - Amsterdam, The Netherlands

1989 - Cultural Center - Brasília, Brazil

- Casa dos Artistas - Ilhéus, Brasil

- Casa dos Artistas - Ilhéus, Brazil - SENAC - Salvador, Brazil

2005 - Galeria Het Kunstbedrijf - Heemstede, Holanda

1988 - Galeria Iris Riman - Marbella, Espanha

2005 - Gallery Het Kunstbedrijf - Heemstede, The Netherlands

1988 - Gallery Iris Riman - Marbella, Spain

- Maison du Patrimoine - Gravelines, França

- Galeria Andalucia - Torremolinos, Espanha

- Town Hall - Gravelines, France

- Gallery Andalucia - Torremolinos, Spain

- Sala de Exposição da Prefeitura de Caudry, França

- Palácio de Congressos e Exposições de Córdoba, Espanha

- Municipal Exhibition Center - Caudry, France

- Congress and Exhibition Center of Córdoba, Spain

- Sala de Exposição da Prefeitura de Bapaume, França

1986 - II Festival Latino-Americano de Arte e Cultura - Brasília, Brasil

- Municipal Exhibition Center - Bapaume, France

1986 - II Latin-American Arts and Culture Festival - Brasília, Brazil

- Centro de Cultura Pouso da Palavra - Cachoeira, Bahia, Brasil

1985 - Galeria Anizia - Salvador, Brasil

- Cultural Center Pouso da Palavra - Cachoeira, Bahia, Brazil

1985 - Gallery Anizia - Salvador, Brazil

- Galeria Arte Imagen - Corunha, Espanha

- Gallery Arte Imagen - A Coruña, Spain

- Gallery Flexa - Salvador, Brazil - Latin-American Arts and Culture Festival - Brasília, Brazil

- Galeria Flexa - Salvador, Brasil

2004 - Nassauer Stall, Castelo Wickrath - Mönchengladbach, Alemanha

- Festival Latino-Americano de Arte e Cultura - Brasília, Brasil

2004 - Nassauer Stall, Wickrath Castle - Mönchengladbach, Germany

- Galeria The Doors - Alkmaar, Holanda

1984 - Museu Afro-Brasileiro - Salvador, Brasil

- The Doors Gallery - Alkmaar, The Netherlands

1984 - Afro-Brazilian Museum - Salvador, Brazil

- Sala de Exposição do Altis Park Hotel - Lisboa, Portugal

1982 - Clube do Desembanco - Salvador, Brasil

- Exhibition Center of the Altis Park Hotel - Lisbon, Portugal

1982 - Desembanco Club - Salvador, Brazil

2003 - Centro de Diagnóstico Oral - Maia, Portugal

2003 - Center Diagnóstico Oral - Maia, Portugal

- Galeria do Picoas Plaza - Lisboa, Portugal

1973 - Bar Rouxinol - Capoeiruçu, Bahia, Brasil

- Picoas Plaza Gallery - Lisboa, Portugal

1973 - Bar Rouxinol – Capoeiruçu, Bahia, Brazil

- Sala de Exposição da Fundação Araguaney -

- Exhibition Center Fundação Araguaney -

Santiago de Compostela, Espanha 2002 - Hotel Tivoli - Lisboa, Portugal

- Galeria 13 - Salvador, Brasil

Prêmios

Santiago de Compostela, Spain

- Gallery 13 - Salvador, Brasil

Awards

2002 - Hotel Tivoli - Lisbon, Portugal

- Sala de Exposição do Forum Picoas - Lisboa, Portugal

1994 - Menção especial no 23o. Concurso Suíço e Europeu de

- Exhibition Center Forum Picoas - Lisbon, Portugal

1994 - Honorable mention at the 23rd European and Swiss Contest for

- Galeria Casa del Arte - Aschaffenburg, Alemanha

- Gallery Casa de Arte - Aschaffenburg, Germany

Primitive Modern Painting in Morges, Switzerland

Pintura Primitiva Moderna - Morges, Suíça

2001 - Casa da Bica - Braga, Portugal

1986 - Medalha de ouro, V Salão Nacional de Arte Plástica

2001 - Casa da Bica - Braga, Portugal

1986 - Gold medal at the 5th National Salon of Plastic Art Presciliano

Silva - São Paulo, Brasil

- Clube Fenianos Portuenses - Porto, Portugal

Presciliano Silva - São Paulo, Brasil

2000 - Centro de Turismo - Porvoa do Varzim, Portugal

2000 - Tourist Center - Porvoa do Varzim, Portugal

Carvalho, Salvador, Brasil

- Clube Britanha - Carcavelos, Portugal

- Medalha de bronze, IV Salão Nacional de Arte Plástica

- Club Fenianos Portuenses - Porto, Portugal

Genário de Carvalho, Salvador, Brasil

1985 - Medalha de prata, IV Salão Nacional de Arte Plástica

1999 - Town Hall - Vila do Conde, Portugal

1985 - Silver medal at the 4th National Salon of Plastic Art Presciliano

1998 - Galeria Open Art - Munique, Alemanha

Presciliano Silva - São Paulo, Brasil

1998 - Gallery Open Art - Munich, Germany

Silva - São Paulo, Brasil

1996 - Banco CGER - Bruxelas, Bélgica 1994 - Centro Africano Americano Caribenho -

Diversos

1997 - Gallery ADI - Minneapolis, Minnesota, USA 1996 - CGER Bank- Brussels, Belgium

Miscellaneous

1994 - African American Caribbean Center - Fort Lauderdale, Florida, USA

Fort Lauderdale, Flórida, EUA

2006 - Quadros no Leilão de Arte Moderna e Contemporânea,

- Inauguração Atelier Portal da Cor - Salvador, Brasil

- Club Britanha - Carcavelos, Portugal

- Bronze medal at the 4th National Salon of Plastic Art Genário de

1999 - Câmara Municipal - Vila do Conde, Portugal 1997 - Galeria ADI - Minneapolis, Minnesota, EUA

- Opening Atelier Portal da Cor - Salvador, Brazil

2006 - Paintings at the Auction of Modern and Contemporary Art, Palácio

Palácio do Correio Velho - Lisboa, Portugal

1993 - European Institute for Ecology - Metz, France

do Correio Velho - Lisbon, Portugal

1993 - Instituto Europeu de Ecologia - Metz, França

2005 - Poema Acreditar em Amor sem Fronteiras. Antologia

- Gallery Thermelle - Nancy, France

2006 - Poem Acreditar (Believing) in the literary anthology Amor sem

- Galeria Thermelle - Nancy, França

literária da Letteris Editora - Rio de Janeiro, Brasil

- Escola de Belas Arles - Dijon, France

Fronteiras (Love without borders) edited by Letteris Editora - Rio

- Escola de Belas Artes - Dijon, França

1995 - Capa da revista CEPA. Círculo de Estudo Pensamento e

- Gallery Kasper - Morges, Switzerland

de Janeiro, Brazil

- Galeria Kasper - Morges, Suíça

Ação no. 25 - Brasil

1992 - Gallery Chagall - Santurse, Spain

1995 - Cover CEPA magazine no. 25 - Brazil

1992 - Capa da revista El Monte - Expo de Sevilha, Espanha

1992 - Cover El Monte magazine - Expo de Sevilla, Spain

1992 - Galeria Chagall - Santurse, Espanha

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Exhibitions

- ECO 92 - Rio de Janeiro, Brazil

- ECO 92 - Rio de Janeiro, Brasil

- Gallery of the Alliance Française - Curitiba, Brazil

- Galeria da Aliança Francesa - Curitiba, Brasil

- Gallery of the Alliance Française - Brasília, Brazil

totonhoarte@yahoo.com.br

- Galeria da Aliança Francesa - Brasília, Brasil

totonhoarte@yahoo.com.br

- Othon Palace Hotel - Salvador, Brazil

www.totonho.com

- Othon Palace Hotel - Salvador, Brasil

www.totonho.com

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semeando sonhos | seeding dreams

exposição | exhibition de 1 a 31 dezembro de 2006 | from 1 to 31 December 2006 Galeria Geraldes da Silva Rua St.º Ildefonso 225 Porto, Portugal www.galeriageraldesdasilva.com Todos os quadros são acrylico sobre tela. All paintings are acrylic on canvas.

produção gráfica e impressão | design and printing: Gravo Groep, Purmerend - Holland [www.gravogroep.nl] projeto gráfico da capa | cover design: Marlies Visser, Haarlem - Holland [www.marliesvisser.nl] fotos | photography: Chris Hoefsmit, Haarlem - Holland [www.chrishoefsmit.nl] produção | production: Eva Bomans, Haarlem - Holland [www.alfabetprodukties.nl] tradução e revisão de texto | translation and proofreading: Yaemi Natumi, Amsterdam - Holland Esta publicação foi generosamente apoiada por Gravo Groep, Purmerend - Holland. This publication has been generously supported by Gravo Groep, Purmerend - Holland. Copyright © 2006 Antonio de Araújo Pereira, Salvador, Bahia, Brazil [www.totonho.com] Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reimpressa ou reproduzida ou utilizada em nenhuma forma ou por nenhum meio, eletrônico, mecânico ou qualquer outro, atualmente conhecido ou a ser inventado no futuro, incluindo fotocópia e gravação, ou em nenhum sistema de armazenagem ou recuperação de informação, sem a autorização escrita do possuidor dos direitos autorais. All rights reserved. No part of this publication may be reprinted or reproduced or utilized in any form or by any electronic, mechanical, or other means, now known or hereafter invented, including photocopying and recording, or in any information storage or retrieval system, without permission in writing from the copyright holder.

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semeando sonhos | seeding dreams