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TOTH CIÊNCIA E EDUCAÇÃO


ISSN 2595-1866

TOTH CIÊNCIA E EDUCAÇÃO

FUPAC


EXPEDIENTE

CORPO EDITORIAL Editor: Rogério Vieira Primo Secretária administrativa: Fernanda Aparecida Gomes Corrêa Normalização / Formatação: Mônica Machado Messeder Equipe técnica: Revisão: Mônica Machado Messeder Diagramação - Paulo Roberto Júnio Campos Pereira Criação gráfica - Iris T. das Virgens Moreira Criação gráfica - Warley Vasconcellos da Cunha Corpo Editorial Científico: Amilton Quintela Soares Júnior Ana Paula Campos Fernandes Fenícia H. C. O. Lopes Jane Rabelo Almeida Vargas José Roberto Passos Júnior Leandro da Silva Medrado Marcos Rosa Chaves Rodlon Andrade Valadares de Almeida Rogério Vieira Primo Sandra Maria Perpétuo Simone de Magalhães Martins Walther Anastácio Júnior Autor Corporativo: Fundação Presidente Antônio Carlos Endereço eletrônico: E-mail: academicogv@unipac.br Rua Jair Rodrigues Coelho, 211 – Vila Bretas – Governador Valadares – MG Telefone: (33) 3212-6700 - CEP – 35.032-200 http://www.unipacgv.com.br

TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019 Governador Valadares: Fundação Presidente Antônio Carlos - FUPAC Periodicidade: Semestral ISSN 2595-1866 158p. 1 Administração . 2 Periódicos. 3 Educação. CDD 21. ed. 658 Mônica Machado Messeder – Bibliotecária CRB 6 – 3149


SUMÁRIO AS CARACTERÍSTICAS REQUERIDAS DO LÍDER EM AMBIENTES DE MUDANÇAS CONTÍNUAS ........................................................................................................................................10 Rogério Vieira Primo  Marcos Rosa Chaves  Walther Anastácio Júnior    A UTILIZAÇÃO DOS MÉTODOS DE GAMIFICAÇÃO PARA PROCESSO DE ENSINO E INCLUSÃO NAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE GOVERNADOR VALADARES ......................27 Alexandre Almeida de Siqueira  Amilton Quintela Soares Júnior  Fenícia Helena Coelho Oliveira Lopes  Rogério Vieira Primo    A IMPORTÂNCIA DA LIDERANÇA NAS ORGANIZAÇÕES: CARACTERÍSTICAS, HABILIDADES E COMPETÊNCIAS EXIGIDAS DOS LÍDERES NA ATUALIDADE ............43 Adriana Silva de São Joaquim  Amilton Quintela Soares Júnior  Fenícia Helena Coelho Oliveira Lopes  Rogério Vieira Primo  Walther Anastácio Júnior    EMPREENDEDORISMO ...................................................................................................................56

José Roberto Passos Júnior Fenícia Helena Coelho Oliveira Lopes Marcos Rosa Chaves Priscilla Martins Ramos Walther Anastácio Júnior LIDERANÇA E PRODUTIVIDADE: A INFLUÊNCIA DA LIDERANÇA CARISMATICA NA AÇÃO PRODUTIVA DO COLABORADOR ...................................................................................66

José Roberto Passos Júnior Marcos Rosa Chaves Simone Alves de Souza Simone de Magalhaes Martins Walther Anastácio Júnior O SENTIDO DA DIGNIDADE NO ÂMBITO DAS RELAÇÕES ENTRE EMPRESA E COMUNIDADE: A PERSPECTIVA DOS GESTORES DA ORGANIZAÇÃO ...........................77

José Roberto Passos Júnior A GERÊNCIA BANCÁRIA E OS DESAFIOS DA GESTÃO DE PESSOAS PARA MANUTENÇÃO DA MOTIVAÇÃO .................................................................................................92

Rogério Vieira Primo Ana Paula Campos Fernandes Leandro da Silva Medrado Rodlon Andrade Valadares de Almeida


Simone de Magalhães Martins EFEITOS DA GESTÃO PARA A ESCOLA DE MAIOR ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA NO PERÍMETRO URBANO DO MUNICÍPIO GOVERNADOR VALADARES .....................................................................................................................................107

Gedison da Silva Bessa Larissa Kelly Campos Rocha Samantha Barbosa Sandyla Gonçalves Castinho Ana Paula Campos Fernandes Sandra Maria Perpétuo Simone de Magalhães Martins O PAPEL DO PEDAGOGO EM AMBIENTES NÃO ESCOLARES: ÊNFASE NA PEDAGOGIA SOCIAL NA PENITENCIARIA DE GOVERNADOR VALADARES – MG .............................119

Fernanda Brito Do Santos Lilian da Silva Ludimila Miranda Damascena Márcia Silva Lopes Arruda Sandra Maria Perpetuo PROCESSO DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM COMO FOCO DA ATUAÇÃO DO PEDAGOGO ......................................................................................................................................128

Kamila Gonçalves Rocha Mariane Souza Gomes Silva Priscila Martins Flora Kátia Cristina Abelha Ana Paula Campos Fernandes Sandra Maria Perpétuo ESTUDO DE CASO SOBRE O APROVEITAMENTO ESCOLAR EM CIÊNCIAS DE ALUNOS DO SEXTO ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL DE UMA ESCOLA MUNICIPAL EM GOVERNADOR VALADARES / MINAS GERAIS ......................................................................136

Jane Rabelo Almeida Vargas O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL EM GOVERNADOR VALADARES ...............................................................................148

Ana Claudia Pereira da Silva Andreia Luiza Ribeiro Beatriz Patrício Freitas Cristien Pereira de Oliveira Ana Paula Campos Fernandes Edmara Carvalho Novaes Sandra Maria Perpetuo


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EDITORIAL O lançamento de uma revista científica é sempre algo a ser saudado com entusiasmo, principalmente por ser mais uma contribuição ao trabalho intelectual dos que se dedicam à acumulação e difusão de conhecimento. Em sua essência, uma revista desta natureza é, sobretudo, um convite à exposição de resultados e pesquisas, para debate público, no sentido de realização da finalidade maior da academia que é disseminação do conhecimento bem como estimular a produção científica e o debate discente e docente. TOTH – Ciências e Educação - Nome escolhido entre muitas sugestões, pois expressa o significado real da sua intenção: - promover cultura e educação no meio acadêmico, fomentando nos alunos a busca pelo saber. TOTH deus da mitologia egípcia da escrita e da sabedoria. Os egípcios acreditavam que esse deus tinha criado os Hieróglifos. TOTH era também conhecedor da matemática, astronomia, magia e representava todos os conhecimentos científicos. A ideia pode ter demorado em processo de amadurecimento, mais valeu muito tê-la e desenvolve-la. Ela nasce em consequência, refletida, debatida, como esforço intelectual coletivo dos docentes e discentes da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. Com periodicidade semestral, é um espaço multidisciplinar e que a mesma seja reconhecida pela qualidade dos trabalhos a ela submetidos, o que esperamos garantir por meio do rigor científico resultante da somatória da qualidade de sua Equipe Editorial e de diretrizes para Autores fundamentados no que é estabelecido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio de documentos elaborados por esta importante entidade na área da normatização e normalização de artigos científicos e tudo o que esteja a eles relacionado acadêmica e cientificamente. Finalmente, é com grande satisfação que estamos lançando a primeira edição da Revista de Ciência e Educação da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares, agradecendo aos autores que acreditaram na seriedade desta proposta, que hoje se concretiza com a expectativa de que seja apenas a primeira de muitas edições que irão ao mesmo tempo divulgar e contribuir para que o conhecimento científico produzido para que sejam compartilhados com pesquisadores, professores, alunos e todos os que buscam conhecimento. Prof. Me. Rogério Vieira Primo Diretor Geral

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AS CARACTERÍSTICAS REQUERIDAS DO LÍDER EM AMBIENTES DE MUDANÇAS CONTÍNUAS

Rogério Vieira Primo1*, Marcos Rosa Chaves2**, Walther Anastácio Júnior3** Resumo O artigo trata da definição de liderança e a importância do líder dentro da organização. Todas as organizações tem potencial para o crescimento, e o sucesso, muitas vezes, depende de uma liderança eficaz. Só é possível manter os colaboradores engajados numa organização se a liderança entender que seu papel é extrair da equipe o que cada um tem de melhor, ter um bom relacionamento com seus liderados, pois liderança não se busca, constrói-se. O estudo surgiu devido à preocupação de ter pessoas qualificadas na liderança. O objetivo principal é mostrar através da pesquisa bibliográfica o que é liderança e a importância do líder dentro de uma organização. Palavras-chave: Liderança. Motivação. Gerenciamento de Equipamento 1 Introdução

O modelo de liderança tem mudado gradativamente e para acompanhar tais mudanças, cada líder tem que se adequar às novas estruturas organizacionais, uma vez que trabalhar com diversos tipos de pessoas não é uma tarefa fácil, pois as pessoas são dotadas de uma diversidade de comportamentos e motivações que exigem uma percepção apurada. Com a conscientização dos funcionários em relação às suas responsabilidades nas organizações para opinar sobre métodos de operacionalização e os processos decisórios, deixaram muitos líderes sem saber como administrar este novo cenário, uma vez que eles estavam habituados com a liderança tradicional e acreditavam que o único responsável pelo direcionamento da equipe era o líder.

                                                            1*

Professor de Graduação e Pós graduação da FUPAC. Mestre em Administração. Especialista em Gestão Financeira de Empresas, Gestão Escolar, Gestão Empresarial e Educação Matemática. E-mail: rogerioprimo@unipac.br; 2** Professor de Graduação e Pós graduação da FUPAC. MBA em Gestão Financeira e Controladoria e Gestão Estratégica de Pessoas. E-mail: marcoschaves.adm@outlook.com; 3** Professor de Graduação e Pós graduação da FUPAC. MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria, Especialista em Gestão Escolar. E-mail: waltheranastacio@hotmail.com

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Com isto, o mundo empresarial constantemente alvo de intensas transformações, demanda adaptações rápidas e eficazes dos líderes e das organizações. Em meio a esse ambiente, a pergunta problema proposta é estudar quais são as características desejadas para a capacitação de líderes nas organizações. Com a abertura do mercado promovido pela globalização, as transformações estão acontecendo de forma rápida e uma organização que possui profissionais altamente capacitados irá se sobressair diante de um quadro competitivo onde a concorrência se faz presente nos mínimos detalhes. Atualmente, os programas de capacitação visam o desenvolvimento de competências para contribuir com os objetivos organizacionais e propiciam o aperfeiçoamento das habilidades indispensáveis para os líderes realizarem com sucesso seu papel, aumentarem seu desempenho e se tornarem mais dinâmicos e capazes de alcançarem suas metas. A hipótese para a problemática proposta é que as características para a capacitação de líderes é uma decisão estratégica e envolve a definição das habilidades técnicas, humanas e conceituais do perfil do líder. As organizações perceberam ao longo do tempo que, para serem bem sucedidas, precisam investir no capital humano por meio de capacitações, visando fortalecer os conhecimentos e trazer novas estratégias para resolução de problemas nos processos gerenciais ou operacionais. O objetivo deste artigo é ressaltar a importância de capacitar às lideranças, estudar as habilidades que definem as características desejadas para a capacitação e as vantagens estratégicas deste processo. Este artigo Está divido nas seguintes partes: Conceito de Liderança; O Papel do Líder nas Organizações; Capacitação; Programas de Capacitação e Vantagem Competitiva de um Líder Capacitado.

2 Conceituando liderança

De acordo com Bergamini (2009, p. 88) o conceito de liderança pode variar de autores e dentro das organizações podem ter alguns significados diferentes, "constata-se que a maior parte dos autores conceitua liderança como processo de influência de um individuo sobre outro individuo ou grupo, com vistas à realização de objetivos em uma situação dada". TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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As organizações são constituídas por pessoas, com sentimentos e motivos racionais diferentes, sujeitos a força do ambiente que influenciam a motivação, os relacionamentos e a liderança, entre outras dinâmicas que motivam o comportamento do ser humano e do grupo onde ele se situa. Portanto, a liderança é necessária em todos os tipos de organização humana, principalmente nas empresas. O gestor precisa conhecer a motivação humana e as ferramentas de gestão de pessoas que poderão auxiliar o líder na tomada de decisões em relação ao aproveitamento e valorização dos talentos que integram as equipes de trabalho. A principal ferramenta da gestão de pessoas é o aprendizado contínuo que direciona o líder para o aprendizado organizacional. Ou seja, é preciso que ele devolva a capacidade de promover educação/desenvolvimento com serviço de alta qualidade e dar abertura para a transmissão de informação, tanto no ambiente interno, quanto no externo, de maneira a permitir a participação dos colaboradores na tomada de decisões, atuando como educador, negociador, incentivador e coordenador. Quando se pensa em liderança, ocorrem alguns pensamentos que, muitas vezes, tentase defini-la, tais como chefe, comandante ou autoridade. É comum também, sermos tentados a entender que liderar é tarefa daquelas pessoas com QI elevado, mais autoconfiantes ou bastante ambiciosas, ou ainda aquelas que têm sutis habilidades sociais. Contudo, observa-se que atualmente o conceito de liderança é colocado da seguinte forma: “Liderança representa a sua capacidade

de

influenciar

pessoas

a

agir”.

(TESTA,

2018,

p.

105)

Para Robbins (2014), liderança e administração são dois termos que costumam ser confundidos. Administração diz respeito ao gerenciamento da complexidade. Uma administração eficiente traz ordem e consistência por meio de elaboração de planos formais, do projeto de estruturas organizacionais rígidas e da monitoração dos resultados. No entanto, liderança, diz respeito ao gerenciamento de mudanças. Nesse sentido, líderes estabelecem direções por meio do desenvolvimento de uma visão de futuro, e tão somente engajam as pessoas, comunicando-lhes essa visão e inspirando-as a superar obstáculos. Liderança é a capacidade de influenciar um conjunto de pessoas para alcançar metas e objetivos. A origem dessa influência pode ser formal, como que é conferida por um cargo de direção em uma organização. (ROBBINS, Stephen P. Pg 359)

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Segundo Oliveira (2010), liderar é exercer alguma forma de poder. O poder é a capacidade de influenciar alguém. A liderança é o estilo de se exercitar esse poder. Uma pessoa “exerce liderança” quando influencia o comportamento de outras. Chiavenato (2015) complementa o conceito de liderança enfatizando a necessidade das empresas em tê-la em cada um de seus departamentos. O administrador precisa conhecer a natureza humana e saber conduzir as pessoas para que seja um líder bem sucedido. MaxwelL (2018) define a liderança como “a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum”. Para o autor, a liderança deve estar a serviço, ou seja, o líder deve ser empático com os seus liderados, para que obtenha o empenho máximo de todos. De acordo com Vergara (2016) a liderança é uma das principais buscas da sociedade. Em todos os processos, até nas mais antigas civilizações como os homens da Pré-história, já era verificada a existência de um líder, de alguém que tentava controlar, dividir as tarefas, como, por exemplo, quem iria cuidar das crianças ou quando deveriam se mudar por causa do frio para sobreviverem. Enfim, o destino de uma família, de uma organização, de um país, tudo está ligado e associado à capacidade de liderança. Ainda que nessa nova Era a liderança busque por novas atuações, e por quebra de novos paradigmas, ela também busca que as pessoas sejam lideradas por quem consiga extrair o melhor de cada uma delas, e que as mobilize a fim de que se comprometam com alguma causa ou objetivo.

3 Liderar e a possibilidade de realização

O papel do líder é fundamental no gerenciamento do capital humano e é por esse motivo que existe uma expectativa muito grande quanto ao desempenho desse profissional. Com os avanços tecnológicos, o abandono da verticalização caracterizado pelo modelo de produção Taylorista e os clientes cada vez mais exigentes, as empresas vão buscando dia após dia o aprimoramento em áreas impactantes como meio ambiente, robótica, automatização, benchmarking, entre outros. Porém, traz como consequência no ambiente interno das organizações um grande desgaste mental e físico de todos os colaboradores da organização independente da posição hierárquica defendida.

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Os colaboradores mesmo em ação são seres vivos sujeitos a razões e emoções, pois da mesma maneira que um funcionário é advertido e absorve e sente o impacto negativo desse contestamento por parte de seu superior, pode e é capaz de sentir a satisfação, eficiência e eficácia da concretização de um grande negócio para a organização. Por isso, as organizações vem mudando o pensar empresarial de funcional para sistêmico ou por processos, onde cada departamento ou setor será importante na etapa seguinte. Com isso, o bem mais valioso das organizações – as pessoas deixam de serem classificadas como meros robôs, programados para agir e assumem um papel fundamental e decisivo no cenário mercadológico. Outro fator relevante nesse cenário globalizado e de inovações tecnológicas constantes é considerar o indivíduo como principal agente de mudança nas organizações. Assim, a preocupação que ocupa o centro das atenções dos gestores em obterem resultados dos investimentos realizados pelos acionistas sem perceber como são desenvolvidos os processos na empresa, ou sem se preocupar com a satisfação de seu colaborador, pode ser canalizada para atividades que, em logo tempo, torna-se mais significativa para empresa e empregados. O conceito de gestão das organizações evoluiu, e elas admitem que o líder está indiretamente ligado ao sucesso ou fracasso de uma organização, uma vez que são eles que devem motivar e orientar suas equipes a alcançarem níveis mais elevados de produção, oferecendo-lhes direção e apoio para o alcance das metas. “Portanto, uma capacidade de previsão mais acurada pode ser valiosa para a melhoria do desempenho do grupo.” (ROBBINS, 2014, p. 270). Segundo Chiavenato (2015), mais do que motivar, o líder é o indivíduo capaz de dirigir a atenção para o objetivo comum e ajustar os interesses individuais. Lidar com os problemas rotineiros, receber as críticas dos diretores e filtrá-las passando para equipe de uma forma que seja construtiva, são algumas das funções que trazem um valor significativo à liderança. O líder se torna cada vez mais a peça fundamental para que os colaboradores desempenhem seus papéis com êxito e ofereçam estímulos para realizarem bem suas funções. Mais do que dinheiro, eles precisam de motivação e reconhecimento, de impulsos e direções que mostrem os caminhos para que as metas sejam alcançadas. Ainda que diferentes teorias foram desenvolvidas no aspecto da liderança, as definições encontradas, na sua grande maioria, guardam um denominador comum, isto é, tratam de um fenômeno grupal que envolve interação entre duas ou mais pessoas, tendo em vista a chegada a objetivos comuns. Nesse sentido, o líder consegue um comprometimento espontâneo TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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e entusiástico de todos aqueles que fazem parte do grupo que o segue. Depende de o líder harmonizar esses objetivos individuais com aqueles que persegue a organização da qual é representante. O grande desafio já́ não é mais provar se o líder nasce líder ou se ele pode ser preparado para tanto. O mais importante é conseguir isolar tipos de comportamentos que favoreçam o desempenho bem-sucedido do líder enquanto tal. As empresas precisam de pessoas que deem inicio às mudanças substanciais dos mais diferentes tipos para que possam manter-se vivas e, por isso mesmo, buscam configurar, da melhor forma possível, o perfil do líder de que precisam. Para um grande número dessas empresas, o líder passa a ser considerado como um agente de mudança e como aleguem capaz de levar seus seguidores a identificar-se com ela. O líder naturalmente seguido é aquele que prioriza sua capacidade de mostrar aquilo que as pessoas, no geral, não conseguem ver tão facilmente, e se convencer da sua importância. Para Celestino (2018) o papel do líder é usar a estrutura, o apoio e a recompensa para criar um ambiente favorável em que ajude os liderados a atingirem os objetivos da organização. Ainda de acordo com o mesmo autor, “os dois papéis principais que estão em jogo são criar a orientação para o objetivo e desenvolver o caminho em direção aos objetivos de tal modo a que sejam atingidos”. Este processo resulta em satisfação no trabalho, maior motivação e melhor aceitação do líder. De acordo com Hoskisson, Hitt e Ireland (2012), a liderança é a capacidade de antecipar, vislumbrar e manter flexibilidade e delegar poderes para criar mudança estratégica quando necessário. As empresas de pequeno porte, que são direcionadas por seus fundadores, e embora acreditem possuir conhecimentos para administrar seu empreendimento, são pessoas que, muitas vezes, não possuem características empreendedoras necessárias para o sucesso do negócio. Normalmente tomam decisões baseadas no empirismo e no senso comum, estabelecendo formas de gerenciar que pode colocar em risco a sobrevivência da organização. É comum nestas organizações o estabelecimento de uma relação ora autoritária, ora paternalista com seus funcionários, dificultando o desenvolvimento e crescimento do seu pessoal. Atitudes como falta de confiança nos subordinados, muita reprovação e menos orientação, são formas de relacionar e agir que geram insatisfação e frustração sendo prejudiciais à organização.

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Para essas empresas, a contratação ou a capacitação de um líder se torna uma forma estratégica de mostrar ao mercado que a organização está investindo em profissionais com visão estratégica. Capacidade de antecipar, vislumbrar e manter flexibilidade e delegar poderes para criar mudança estratégica quando necessário, multifuncional por natureza, liderança estratégica envolve administrar por meio dos outros, administrar uma empresa inteira em vez de subunidade funcional e lidar com uma mudança que parece estar cada vez mais, de maneira exponencial, na atual paisagem competitiva. (HOSKISSON, HITT e IRELAND e, 2005, p. 489).

Com isto, o principal papel do líder nas organizações é motivar, ser capaz de criar uma sinergia entre as pessoas e equipes, ser o guia e o facilitador do desenvolvimento de pessoas, por meio de feedback, conversas e reuniões periódicas com sua equipe promovendo seu melhor desempenho. 4 Desenvolvimento de pessoas

O desenvolvimento profissional, neste cenário mudanças e inovações tecnológicas, passa a ser vista como fator determinante para o futuro daqueles que se preocupa em construir uma carreira profissional e se estabelecer na posição ocupada, alimentando chances reais de crescimento nas empresas. Muito além, de experiência, adquirir e renovar conhecimento tornase cada vez mais inevitável. Desenvolver o capital humano para as empresas, em uma sociedade onde o conhecimento ocupa um lugar de destaque, significa oferecer aos clientes um produto de melhor qualidade. Em um mercado consumidor cada vez mais exigente, oferecer um produto de maior qualidade significa ser mais competitivo. Dessa forma a capacitação de pessoal se tornar um diferencial no mundo atual, não só para os trabalhadores, mas também para as empresas. O futuro é muito promissor para aqueles que se reciclam, pois a velocidade das informações exige profissional ágil atento às mudanças. Os clientes têm mudado suas necessidades, criando a expectativa de que as empresas precisam prover melhor qualidade, com melhores serviços e com garantia de responsabilidade social (CHIAVENATO, 2016). A capacitação é um processo de longo prazo e propõe o desenvolvimento de habilidades e competências por meio de novos hábitos, atitudes, conhecimentos e destrezas, o TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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que resulta em uma mudança de comportamento dos líderes perante seus liderados e dentro da organização e “seus objetivos perseguem prazos mais longos, visando dar ao homem aqueles conhecimentos que transcendem o que é exigido no cargo atual, preparando-o para assumir funções mais complexas”. (CHIAVENATO, 2015, p. 29) De acordo com Bitencourt (2011) “o treinamento é apenas um dos componentes do processo de desenvolvimento que inclui todas as experiências que fortalecem e consolidam as características desejáveis”. As organizações integram o treinamento dentro de um conjunto sistemático de capacitações que é vista hoje como um fator primordial para a gestão de pessoas, onde o capital humano é o maior patrimônio da organização e o principal diferencial competitivo, uma vez que, a capacitação é o desenvolvimento de recursos humanos, ou seja, desenvolvimento de talentos. Segundo Robbins (2014, p. 400) “líderes competentes não permanecem competentes para sempre. As habilidades se deterioram e podem se tornar obsoletas”. Sendo as pessoas que conduzem e impulsionam os negócios, é imprescindível que as organizações promovam capacitações e as vejam como investimento e não como despesas. Dentre as habilidades citadas por Robbins (2014), três tipos destacam-se sendo habilidade técnica, habilidade humana e habilidade conceitual. A habilidade técnica está ligada diretamente com a atividade peculiar e compreende a aplicação de conhecimentos ou técnicas específicas adquiridas por meio de educação formal e exercício de suas funções. Um exemplo desta habilidade são os diretores comerciais que, além das técnicas de vendas, têm conhecimento sobre os produtos ou serviços, preços de venda, canais de distribuição, clientes e mercado. Habilidade humana é a capacidade de lidar com pessoas, comunicar-se de forma clara e abrange a compreensão das necessidades, interesses e atitudes. Esta habilidade implica na delegação e motivação das pessoas resultando o alcance dos objetivos da organização ou de um departamento específico. Habilidade conceitual refere-se à capacidade de lidar com a complexidade da organização como um todo, ter uma visão sistêmica dos processos e de suas interações com o ambiente externo. Consiste em saber diagnosticar os problemas e propor soluções utilizando as habilidades técnicas e humanas de forma coesa.

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Os líderes devem possuir as três habilidades para usá-las nos momentos necessários com sua equipe, uma vez que assumem uma variedade de papéis, inerentes à sua função, para levar a organização e seus liderados aos objetivos estabelecidos. De acordo com Marras (2016), para que os líderes se capacitem, as organizações incentivam a participação em eventos, workshops, sessões de brainstorming e seminários que os façam refletirem sobre temas atuais e diversos propiciando uma visão macro dos negócios. Para Chiavenato (2003), antigamente quando surgiam vagas nas organizações para qualquer função e em especial para cargos de liderança, pensava-se em captar do mercado, profissionais com educação formal ou experiências adquiridas em outras organizações. Atualmente as empresas que acreditam que seus funcionários são seus maiores ativos, preocupam-se em capacitá-los de forma constante e permanente, haja vista que, agregando valores a eles incrementam qualidade e produtividade. Ultimamente as organizações continuam investindo em capacitações, no entanto, diante das novas exigências do mercado criadas pela sua internacionalização, os profissionais desenvolveram uma atitude pró-ativa buscando capacitações além das propostas pelas organizações.

5 Programas de desenvolvimento de pessoas

Algumas organizações têm adotado alguns programas de capacitação de acordo com as necessidades percebidas em seus líderes uma vez que, o valor dessas capacitações é considerado um alto custo, se torna imprescindível à realização de pesquisas para identificar a melhor técnica de capacitação tendo em vista proporcionar um aproveitamento satisfatório. De acordo com Chiavenato (2015), devem ser feitos levantamentos para identificar quais habilidades precisam ser desenvolvidas e quais técnicas se encaixam melhor para cada tipo de líder. O levantamento de necessidades de treinamento pode ser feito em quatro níveis, análise organizacional, análise de recursos humanos, análise da estrutura de cargos e analise de treinamento como demonstrado na figura 1. A análise organizacional parte do pressuposto que se deve ter um diagnóstico de toda a organização visando estabelecer a missão, visão e os objetivos que a capacitação devem alcançar. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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A análise dos recursos humanos determina quais os comportamentos, atitudes, conhecimentos e competências necessários para contribuir com o objetivo da organização. A análise da estrutura de cargos especifica quais habilidades e competências que deverão ser desenvolvidas de acordo com cada cargo. A análise de treinamento tem por objetivo verificar a eficiência e eficácia dos treinamentos desenvolvidos. Figura 1 - Os passos no levantamento de necessidades de treinamento

  Análise Organizacional       

Análise dos Recursos Humanos 

Análise dos Cargos 

Análise do Treinamento 

Diagnóstico organizacional  Determinação da missão e visão e dos  objetivos estratégicos da  organização    Determinação de quais os  comportamentos, atitudes e  competências necessários ao  alcance dos objetivos organizacionais    Exame dos requisitos exigidos pelos  cargos,  especificações e mudanças nos cargos       Objetivos a serem utilizados na avaliação  do programa   de treinamento    

.Fonte: Chiavenato, Idalberto (2015, p. 345).   

Segundo Robbins (2014), devemos reconhecer que as pessoas têm formas diferentes de assimilar os conteúdos das capacitações e, para tenham resultados favoráveis, devem ter certo grau de auto-monitoramento, com isto terão facilidade de mudar seu comportamento. Por meio dos levantamentos e das capacitações aplicadas conforme as necessidades observadas podem-se desenvolver habilidades de melhor compreensão dos assuntos, maior confiança e melhor posicionamento diante das funções atribuídas. Segundo Milkovich e Boudreau (2018), há no mercado várias técnicas de capacitação e ele explica algumas delas: TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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A palestra tem um preço mais acessível, fácil de ser desenvolvida e pode ser baseada em fatos tendo resultado eficaz para os ouvintes. Contudo, há uma desvantagem devido ao direcionamento para muitas pessoas, haja vista que, não são considerados as diferenças e os interesses de cada ouvinte, embora o problema possa ser sanado se o palestrante disponibilizar um período para esclarecimentos. A instrução programada oferece uma série de tarefas que podem ser desenvolvidas por meio de livros que contém perguntas que, depois de respondidas, podem ser corrigidas com as respostas corretas encontradas no próprio livro. Esta técnica pode ser associada com métodos de multimídia e possibilita ao aluno a definição do seu ritmo de aprendizagem. O áudio, o vídeo e as teleconferências são técnicas que permitem difundir o conhecimento para pessoas independente de tempo e espaço. Na vídeo teleconferência os alunos ficam em salas com TV e microfone em locais diferentes dos instrutores e por meio de equipamentos interligados via satélite poderão realizar perguntas e obter respostas. A áudio teleconferência faz uso apenas de conexões de áudio, o que faz desse método mais barato. O computador e a multimídia juntos trazem vantagens relevantes com o intuito de agregar técnicas audiovisuais e instrução programada, embora sejam caros se considerar que a capacitação pode ser realizada sem o deslocamento de instrutores e alunos. Evitam-se despesas com hospedagem, passagem, alimentação e inscrição em instituições de capacitação, entre outras. A técnica de simulação traz elementos que fazem parte de um cenário real e permite que os alunos desenvolvam estratégias para resolução dos problemas e posteriormente recebem um feedback da eficácia percebida em sua decisão. A gamificação se baseia nos jogos de estratégias onde há competições entre equipes e trazem situações que acontecem no mundo dos negócios. O estudo de caso utiliza textos com histórias reais que devem ser estudados e em seguida apresentar soluções que poderão ser discutidas. Para se ter melhor dinamismo nas respostas o ideal é que o instrutor não faça parte do processo decisório. A dramatização determina que os alunos interpretem papéis e se coloquem no lugar de alguns personagens para que eles tenham outra visão da situação que outrora era vista por outra perspectiva. A modelagem comportamental encoraja o aluno a transcrever um comportamento conveniente. Algumas vezes inspira-se em personagens da TV ou quadrinhos e contribuiu com

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o processo que se baseia na teoria de que as pessoas podem construir modelos mentais dos comportamentos desejados. Algumas organizações preferem fazer parcerias com instituições de ensino, e algumas já desenvolvem cursos técnicos nos padrões determinados pelas necessidades encontradas na organização. Atualmente, tem se ouvido falar de treinamento ao ar livre, este consiste em subir em árvores, balançar no ar, atravessar desfiladeiros segurando em cordas, entre outros, o que para muitos é desperdício de tempo e dinheiro, para alguns que participaram, dizem que há grandes resultados na comunicação com a equipe e desenvolvem o companheirismo. Outro exemplo de capacitação é o citado por Hoskisson, Hitt e Ireland e (2005), o programa de desenvolvimento administrativo da General Eletric (GE), que visa à capacitação de funcionários para ascensão a cargos dentro da organização e, conforme seu desempenho pode se tornar os futuros CEOS e sucessores de Jack Welch. A GE acredita que dessa forma os gerentes são desenvolvidos de tal maneira que, por fim, um deles estará preparado para ascender ao topo, e uma vantagem importante é que trazem consigo conhecimentos específicos e valiosos da organização.

6 Vantagem Competitiva de um Líder Capacitado

Preparar tecnicamente o líder, oferecendo-lhes apenas educação superior e especializações não é o suficiente. O mundo corporativo requer líderes qualificados em relações humanas, gestão de pessoas, comunicação interna e externa. Para alcançar o sucesso, as organizações precisam de líderes capacitados, envolvidos, dispostos a correr riscos e promover mudanças para conduzir seus liderados e motivá-los aos objetivos da organização. A estratégia organizacional deve ser compreendida por todos os membros da organização, de modo que todos saibam o sentido único que os une, uma vez que, quanto maior a mudança organizacional, maior será necessária à ação estratégica. De acordo com Oliveira (2015), para obtenção da vantagem competitiva, as organizações diferenciam-se da concorrência por meio do estabelecimento de prioridades e dimensões competitivas que se referem a um conjunto de capacitações que visam a descentralização e delegação das responsabilidades com seus liderados.

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Nesse processo de descentralização das atividades de recursos humanos, cabe bastante atenção à capacitação dos gerentes de linha ou de negócios, no que tange à gestão de recursos humanos. Nesse contexto, os gerentes precisam capacitar-se para melhor compreender a complexidade dos negócios para, dessa forma, integrar efetivamente as competências e tecnologias de recursos humanos às inovações empresariais. (OLIVEIRA, Djalma. 2015, p. 46).

Esses profissionais estão envolvidos em contínuas capacitações e desenvolvimentos que possibilitam seu crescimento profissional e da organização e aplicam os novos recursos adquiridos na tarefa da elaboração da estratégia com base na criatividade. O sincronismo entre as várias competências desenvolvidas e suas aplicações em planejamentos, fazem com que as organizações obtenham a vantagem competitiva proposta pelas capacitações realizadas pelos seus líderes, uma vez que a estratégia da capacitação visa as mudanças na estrutura organizacional, assim como o desenvolvimento de cultura e clima organizacional. Para Robbins (2014), entender o comportamento organizacional nunca foi tão importante devido às rápidas mudanças que estão acontecendo nas organizações e no ambiente macro que envolve o mercado. Os líderes, para se manterem no mercado de trabalho e para conduzirem as organizações, terão que se adequar às novas tendências como à abertura das fronteiras dos países. A importância de se ter líderes capacitados está ligado ao fato da instalação de fábricas em outros países e a concorrência acirrada, portanto é indispensável que as habilidades de conduzir e motivar pessoas estejam bem desenvolvidos. As lideranças, mesmo sem sair de seus países de origem, podem lidar com diferentes culturas e para ser eficaz em seu trabalho se faz necessário o entendimento das culturas e o que motiva os funcionários. É importante ressaltar que além de liderar pessoas de diferentes raças, etnias, sexo e idades o líder pode responder a superiores estrangeiros com essas diversidades. Por isso, o líder carrega o peso de definir e tornar executáveis as estratégias de competitividade que a organização irá utilizar para garantir a sustentação de seus resultados ao longo do tempo. Para Chiavenato (2015), a internacionalização dos mercados sugere que se tenha uma visão global, para visualizar a posição da organização com relação à concorrência e como estão sendo avaliados seus produtos ou serviços. Os desafios que precisam ser vencidos são: liderança de pessoas, a conquista e ampliação da clientela, diferenciar os produtos e serviços, ter TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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conhecimentos voltados para o ramo de atividade e outros que estiverem ligados a ele, a melhoria da qualidade visando melhores resultados e a importância de extrair o máximo das tecnologias. Para estar à frente em todos os itens citados, a capacitação da liderança e liderados é essencial para o desenvolvimento de habilidades e competências que resultarão na eficiência e eficácia dos planos e metas traçados, haja vista que toda orientação para mudanças são feitas por pessoas e estas são as bases de qualquer organização. De acordo com Hoskisson, Hitt e Ireland e (2012), com a capacitação, os líderes tornam-se estratégicos e adquirem as habilidades necessárias para ajudar a desenvolver o capital humano em suas áreas de responsabilidades. 7 Considerações finais

Este artigo não visa esgotar o assunto e nem apresentar uma conclusão para o mesmo, mas sim mostrar que mesmo os que são promovidos à liderança de uma equipe sem as devidas qualificações podem, por meio da capacitação e prática, corresponder ao desafio que lhes foram imputados. Com as constantes mudanças e exigências de um mercado cada vez mais competitivo, funcionários desmotivados, sem perspectiva nenhuma em relação às organizações, baixa produtividade e a grande rotatividade de funcionários, as mudanças que ocorrem nas organizações são, acima de tudo, culturais e comportamentais. Com isto, torna-se imprescindível o desenvolvimento constante de habilidades e competências dos líderes da organização, uma vez que é possível, por meio de capacitações, desenvolver as habilidades técnicas, humanas e conceituais e as competências necessárias para liderar com sucesso e tornar-se um líder desejável, que sabe conduzir e motivar seus liderados. Os recursos financeiros, tecnologia, definições estratégicas ou acesso a determinados fornecedores, já não sustentam a competitividade das organizações. O que de fato diferencia é o jeito de o líder articular a estratégia, os processos, a estrutura e as pessoas, que é sustentada pela cultura organizacional. Este é o papel do líder, articular e movimentar de forma integrada essas diferentes dimensões organizacionais, criando desta forma vantagens competitivas sustentáveis. A nova gestão estratégica requer a constituição de um trabalho baseado em equipe, aprendizagem organizacional e gestão da cultura organizacional para que seja possível a TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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renovação das competências essenciais para sua vantagem competitiva, para que assim sejam alcançados os objetivos propostos. A capacitação é fundamental para gerar e garantir uma ação baseada em fundamentos sólidos para o alcance do objetivo. A aprendizagem e crescimento profissional não dependem somente das organizações. Nesse sentido, a busca pelo próprio desenvolvimento está atrelada à permanência do líder no mercado e ao seu reconhecimento, sabe-se que para isso é necessário ter autodisciplina. As organizações que promovem capacitações devem estar dispostas a conceder um espaço para que se coloquem em prática os conteúdos das capacitações. Essa abertura é primordial para verificar se o investimento realizado em capacitação terá o resultado almejado. O líder pode contribuir fortemente para que as pessoas se desenvolvam, se fazendo mentores e capacitando-as de forma que elas transcendam seus limites. As pessoas seguem voluntariamente um líder e permitem que ele as lidere quando se identificam com seus conceitos, aspirações e expectativas. A essência da liderança é a capacidade de construir e sustentar esse relacionamento, por meio da influência e persuasão. Não existe líder sem liderados que o sigam de forma voluntária. Portanto, a confirmação da liderança vem dos liderados. Quando a organização se depara com um líder capacitado, o mesmo transmite credibilidade e age de forma a fazer ascender à vontade de seus liderados para o alcance das metas. Abstract This article is about the definition of leadership and the importance of a leader within organizations. All organizations have potential to grow and the success, many times, depends on an efficient leadership.It is only possible to keep the team engaged in an organization if the leadership understands that its function it to extract the best from each one in the team, to have a good relationship with them as we do not look for leadership but we build it. The study came up due to the need of having qualified people in the leadership. The main goal is to show through bibliographic research what is leadership and the importance of leader within the organization. Key-words: Leadership. Motivation. Team Management

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A UTILIZAÇÃO DOS MÉTODOS DE GAMIFICAÇÃO PARA PROCESSO DE ENSINO E INCLUSÃO NAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE GOVERNADOR VALADARES Alexandre Almeida de Siqueira4*,Amilton Quintela Soares Júnior5**, Fenícia Helena Coelho Oliveira Lopes6**, Rogério Vieira Primo7** Resumo Existe uma necessidade de competição inerente a todo ser humano onde muitas vezes é demonstrado através da experiência em gamificação, pois, proporciona feedbacks instantâneos, possibilidade de evolução rápida, superação, além da busca por recompensas e prêmios. Neste contexto, o presente artigo traz à luz da discussão a possibilidade de utilização dos métodos de gamificação para processo de ensino inclusivo nas Escolas Municipais de Governador Valadares. As metodologias aplicadas neste estudo científico foram as pesquisas descritiva, bibliográfica e pesquisa de campo e os resultados tiveram caráter quantitativo. Assim, entendeuse que a escola e principalmente o professor tem papel determinante para a inclusão do educando, pois, tais métodos voltados para a área do ensino possui um campo em potencial a ser considerado e explorado, podendo vir a ser uma ferramenta eficaz para o ensino e aprendizado inclusive daqueles que apresentarem algum transtorno global de desenvolvimento – TGD. Palavras-chave: Métodos de Gamificação. Ensino Inclusivo. Papel do Professor. Escolas. Governador Valadares. 1. Introdução O cenário educacional contemporâneo é marcado por constantes transformações e desafios na atuação do professor. Cada vez mais, esse profissional necessita ser flexível e criativo para que possa adaptar-se e consiga lidar com as alterações tecnológicas, transitórias e adversas proporcionadas por essa contemporaneidade. O desafio é ainda maior no referente à escola inclusiva, essa tem que ser capaz de educar com sucesso todas as crianças incluindo as que apresentam graves incapacidades, o                                                             4

Pós Graduando em Docência do Ensino Superior da Fundação Presidente Antônio Carlos – FUPAC – Governador Valadares - MG – E-mail: alexxandresiqueira@mail.com 5 Mestre em Gestão Integrada do território. MBA em Gestão Empresarial. Professor de graduação e Pós graduação da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. 6 Mestrado em MA Social Policy. Graduada em Ciências Econômica. Professora de graduação da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. 7 Professor de Graduação e Pós graduação da Fupac. Mestre em Administração. Especialista em Gestão Financeira de Empresas, Gestão Escolar, Gestão Empresarial e Educação Matemática. E-mail: rogerioprimo@unipac.br

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mérito destas escolas não consiste somente no fato de serem capazes de proporcionar uma educação de qualidade a todas as crianças, a sua existência constitui um passo crucial na ajuda da modificação das atitudes discriminatórias na criação de sociedade acolhedora e inclusiva (Declaração de Salamanca, 1994). A oferta de educação inclusiva no Brasil, segundo Mendes (2001), tomou proporções substanciais no século XlX, mais especificamente no ano de 1854 o Instituto dos meninos cegos hoje Instituto Benjamin Constant em 1857 instituiu-se o Instituto Nacional de Educação dos surdos ambos na Cidade do Rio de Janeiro, porém, essas escolas ditas de educação especial se mostraram eminentemente excludente, pois, separavam os alunos da educação especial da educação pública regular. Em meados do século XX surgem às primeiras políticas de educação especial que tinham como meta a inclusão da educação especial para todas as escolas no Brasil. Nessa época surge Associação Pestalozzi e APAE. O artigo 208 da constituição brasileira de 1988, além da lei de diretrizes e bases da educação especial lei 9.394 publicada em 1996, traz que a educação especial deve ser introduzida dentro da rede regular de ensino e deve haver serviço de apoio especializado. Assim a educação inclusiva tem como objetivo acolher promover o desenvolvimento e aprendizagem de todos. (CAPELLINI, 2016) Assim, de acordo com Pimenta (2000), define-se que o professor no espaço da escola, de sua formação inicial e de sua formação continuada torna-se aquele sujeito que assume a responsabilidade ética com todo o processo formativo sob o qual a humanidade se atualiza e se reatualiza, pois esse deixa de ser um sujeito que reproduz a informação para tornar-se aquele ser que elabora, permanentemente, uma hermenêutica do mundo fazendo descortinar-se diante de si e da humanidade o vislumbramento de querer sempre saber mais, pois compreende que o saber, resultante desse processo investigativo, é constitutivo da humanidade. Nesta acepção, a atuação do professor e da escola frente à formação do educando, é o objeto deste estudo, mas especificamente, aqui será apresentado a estes profissionais a relação entre os métodos de gamificação e educação inclusiva perante a realidade da educação municipal de Governador Valadares. Em fevereiro de 2010, a Secretaria Municipal de Educação de Governador Valadares - SMED alterou o horário da jornada escolar de quatro horas e trinta minutos para oito horas diárias de atendimento para todos os alunos das cinquenta e três escolas sob sua responsabilidade, no perímetro urbano e rural da cidade. A ação foi justificada pela urgência da TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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necessidade da proteção social, haja vista, naquele ano, fora divulgado o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência, de 2008, a cidade ocupava o quinto lugar no ranking nacional para municípios com mais de cem mil habitantes (SMED, 2010). Ainda, de acordo com a lei orgânica do município em seu artigo 175, é dever do Município para com a Educação que o ensino fundamental seja obrigatório, gratuito e assegurado, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiverem acesso na idade própria, destaca-se ainda o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, com garantia de recursos humanos capacitados e qualificados, material e equipamentos adequados, bem como transporte escolar ou em instituições próprias existentes no município, através de convênios ou qualquer instrumento legal de cooperação. Desta forma, percebe-se que a escola de tempo integral foi uma das intervenções mais importantes a qual ocorreu na realidade educacional dos últimos anos, pois trouxe consigo o desígnio de corresponder às necessidades e interesses, o sucesso dos processos de análise e a reflexão sobre a prática pedagógica e avanços ou dificuldades dos educandos além de propiciar a formação continua dos professores neste cenário educacional do município. Diante desta perspectiva, o presente artigo se faz pertinente, pois, tem como objetivo verificar junto aos professores sobre a possibilidade de utilizar dos métodos de gamificação como alternativa de ferramenta de ensino inclusivo nas escolas Municipais de Governador Valadares. 2 Metodologia

O presente estudo terá uma abordagem de hipótese dedutiva partindo do geral para específico. Serão utilizados os métodos de pesquisa descritiva que consiste em observar, interrogar, coletar, analisar, registrar e interpretar, sem, todavia, interferir no objeto estudado e pesquisa bibliográfica com o objetivo de reunir as informações e dados que servirão de apoio com a finalidade de analisar a gamificação e sua pertinência como ferramenta de ensino inclusivo, baseando-se em autores, como por exemplo, Teixeira, Alves, Ehresmann, Kapp, Fardo entre outros pensadores que elaboraram trabalhos eloqüentes ao assunto (GIL, 2008). Ainda, este artigo se fundamentará no método de pesquisa de campo com o intuito de extrair dados e informações diretamente da realidade do objeto de estudo. Essa se fará através de entrevistas com questionários avaliativos, que darão respostas para a situação ou problema abordado na pesquisa. A apresentação do resultado terá caráter quantitativo que por TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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definição são técnicas estatísticas para quantificar opiniões e informações para o determinado estudo (GIL, 2008). Diante disso, será feito a pesquisa de campo através de formulários utilizando o aplicativo googleforms, com questionário estruturado, emitidos por email ou whattsapp para cerca de 125 professores da rede municipal de educação de Governador Valadares, de forma sistemática aleatória e a amostra para esta pesquisa teve como ferramenta o método estatístico simples. Compreende-se que rede municipal de educação há 2309 profissionais atuantes. Conforme Battisti (2008) utilizou-se uma Calculadora Amostral do sítio comentto.com onde obteve os seguintes parâmetros para pesquisa onde: n = O tamanho da amostra que queremos calcular N = Tamanho do universo Z = É o desvio do valor médio que aceitamos para alcançar o nível de confiança desejado. Em função do nível de confiança que buscamos, usaremos um valor determinado que é dado pela forma da distribuição de Gauss. Os valores mais frequentes são:

● Universo: 2309 professores ● População: 230,9 professores  ● Amostra: 125 Professores  ● Margem de erro: 5%  ● Nível de confiabilidade: 95%  Os resultados levantados serão cruzados com toda a pesquisa descritiva e bibliográfica anteriormente feita e dessas serão apresentadas as conclusões.

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A utilização dos métodos de Gamificação para processo de ensino inclusivo e o papel do professor nesse contexto Diante do atual rumo que vem tomando a educação na denominada sociedade da

informação é evidente a necessidade de se propor novas alternativas para que os educandos, incluindo os com deficiência ou transtorno, sejam atendidos em sala de aula regular, aprendam melhor e desenvolvam ao máximo suas potencialidades. Embora os objetivos sejam os mesmos para todo o método que se utiliza para apresentação do conteúdo a ser ensinado, as atividades TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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a serem desenvolvidas e as estratégias didáticas precisam de adaptações, respeitando as peculiaridades de cada um. O Plano Nacional de Educação – PNE, lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014com vistas ao cumprimento do disposto no art. 214 da Constituição Federal traz entre suas diretrizes e metas para melhoria da educação no Brasil, destaca-se aqui a meta 4: Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou super dotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados. Nesse sentido de acordo com Cunha (2012), o lúdico, proporcionado pelo método de gamificação, pode ser uma ferramenta eficaz para o ensino e a aprendizagem do educando com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade - TDAH, pois minimiza os problemas de desatenção, inquietude, irritabilidade e comportamentos hiperativos. Em Viana (2013), sugere que recursos didáticos devem ser utilizados por contribuírem para a manutenção da atenção do educando com transtorno, estimularem a capacidade de criatividade, a participação ativa e efetiva, além de promoverem o prazer de brincar e a interação com os demais. Conforme Schmitz, Klemke e Specht (2012), o processo de aprendizagem através da gamificação contribui tanto para a motivação como para o desenvolvimento cognitivo do estudante. Sua utilização colabora na criação de um ambiente ímpar de aprendizagem, com a eficácia na retenção da atenção do aluno. Não obstante, em Kapp (2012), a utilização dos métodos de gamificação pode vim a ser utilizado, pois, sua mecânica, estética e pensamentos dos games para envolver pessoas, motivar a ação, promover a aprendizagem e resolver problemas. Conforme Cherry (2012), a gamificação tem ganhado cada vez mais espaço nas organizações e parece ser uma ferramenta promissora em todas as esferas de gestão. Corroborando ainda com isso, Vianna (2013), gamificação tem como base a ação de se pensar como em um jogo, utilizando as sistemáticas e mecânicas do ato de jogar em um contexto fora de jogo, pois abrange a utilização de mecanismos de jogos para a resolução de problemas e para a motivação e o engajamento de um determinado público. Para Zichermann e Cunningham (2011), a gamificação explora os níveis de engajamento do indivíduo para a resolução de problemas. A esse respeito, os principais benefícios da utilização dos métodos de gamificação na educação é de promover uma solução viável para resolver um dos maiores problemas da TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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educação atualmente, que é o desinteresse dos estudantes, segundo o senso realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com dados da Pnad – IBGE. Do ponto de vista emocional, Hamari, Koivisto, Sarsa (2014) compreendem que gamificação é um processo de melhoria de serviços, objetos ou ambientes com base em experiências de elementos de jogos e comportamento dos indivíduos. Conforme Vianna et al. (2013), a gamificação tem como princípio despertar emoções positivas e explorar aptidões, atreladas a recompensas virtuais ou físicas ao se executar determinada tarefa. Por isso é aplicada em situações e circunstâncias que exijam a criação ou a adaptação da experiência do usuário a um produto, serviço ou processo. Diversas abordagens de aprendizagem são utilizadas como alternativa a métodos tradicionais. Um exemplo é Aprendizagem Baseada em Questionamento (Inquiry-based Learning - IBL), definida como uma abordagem de aprendizagem guiada pelo processo de elaboração de questionamentos pelos próprios estudantes BARRET (2005). Segundo Lee (2004), a Aprendizagem Baseada em Questionamento (ABQ) pode ser definida como um conjunto de práticas a serem aplicadas em sala de aula proporcionadas pelos métodos de gamificação. Práticas que promovem a aprendizagem dos alunos através da investigação orientada e que, cada vez mais independente, aborda questões e problemas complexos, a abordagem de ABQ tem sido empregada em diferentes ambientes e comunidades virtuais de aprendizagem, como, por exemplo, o ambiente SMILE (Stanford Mobile Inquiry-based Learning Environment), desenvolvido na Universidade de Stanford. Ainda, existem outros ambientes virtuais, como do Khan Academy e Google for Education. Essas plataformas englobam diversas ferramentas educacionais gratuitas tanto para escolas como universidades com o objetivo de aperfeiçoar o ensino e envolver ainda mais os estudantes, principalmente, crianças e adolescentes.Não obstante, existe a plataforma Moodle,que muito utilizado no sistema de ensino a distância (EAD) ou ambiente virtual de aprendizagem (AVA), que permite habilitar a gamificação para as tarefas cadastradas pelo professor (TEIXEIRA, 2016). Contudo, sabe-se que nem sempre é possível utilizar tecnologia nas escolas. Nesse contexto, de acordo com Cristiano Sieves (2018), especialista em Ludo pedagogia, a ludicidade proporcionada através dos métodos de gamificação tem papel importante na educação e na socialização de educandos, em destaque aquelas com necessidades especiais, mas existe um grande desafio em definir quais as melhores formas de incluir essas na dinâmica da sala de aula. Conforme o autor veja três exemplos de métodos de gamificação que podem ser implantados: TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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a) Primeiro exemplo é Clube da Leitura: A gamificação nas escolas não precisa

necessariamente usar a tecnologia. Que tal promover um Clube da Leitura, onde durante um mês os alunos fazem a leitura de livros e compartilham com a turma o aprendizado? O estudante pode fazer uma resenha, gravar um vídeo ou encenar a história lida, cada formato pode acumular uma quantidade de pontos, quanto mais ler e mais compartilhar, mais pontos ele irá acumular. O vencedor do mês pode ganhar uma recompensa, algo que favoreça o engajamento dos pequenos. b) O segundo exemplo é o Desenvolvimento de Jogos: Outra dica de gamificação nas escolas é dividir a turma em grupos e propor que cada equipe desenvolva um jogo educativo. O jogo pode reunir conhecimentos de história, geografia, ciências e matemática, por exemplo. Os professores dessas disciplinas ficam responsáveis por orientar e acompanhar o desenvolvimento dos protótipos. Crie um cronograma, de modo que o projeto seja desenvolvido por etapas. Ao final do ano letivo, a equipe que obtiver o melhor desempenho pode ter o seu projeto executado por profissionais. Imagine como as crianças se sentiriam tendo desenvolvido um jogo que depois pode ser usado pela escola toda!   c) O terceiro exemplo seria o Ranking de Aprendizagem: A escola também pode usar suas próprias ferramentas de ensino e aprendizagem para promover a gamificação. A mesa digital, por exemplo, possui diversos jogos e aplicativos educativos, que servem para reforçar o aprendizado. Os professores podem promover interações entre os alunos, cronometrando o tempo de jogo e salvando o ranking de cada aluno. A brincadeira pode ser feita diariamente, estimulando inclusive a frequência das crianças às aulas, pois quem falta deixa de pontuar. Ao final de cada mês, identifique os vencedores de cada categoria e ofereça uma recompensa. Crie um mural para apresentar os vencedores de cada mês e estimule que todos participem. Se julgar necessário, defina categorias, para que todos tenham chance. Enquanto para as crianças o objetivo será brincar e jogar, para os professores a proposta é que todos desenvolvam suas habilidades e aprendam efetivamente.   Neste contexto o Professor no atual cenário educacional, ganha ênfase, reconhecendo sua importância no sistema educacional.De acordo comTardif (2011), o professor não exerce influência direta sobre as finalidades da educação, mas, ele pode controlar os meios que são o ensino e o aprendizado. Para Paulo Freire (2005) o educando precisa ser o protagonista de seu processo de aprendizagem e ao professor cabe a tarefa de despertar a curiosidade epistemológica. Outros teóricos como Dewey (1950), Rogers (1973), Novack (1999) já apontavam a importância de avançar na educação tradicional e priorizar a aprendizagem no educando. É necessário novas abordagens e estratégias para influenciar os estudantes, devido os esses se mostrarem desanimados e desmotivados em relação as metodologias de aprendizagem utilizadas na maioria das instituições de ensino (FARDO, 2013). TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019   

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Conforme retrata o Ross (2006 ,p.177), É mais do que tempo de nos livrarmos do apreço as velhas formas e facilitarmos o voo da mente humana liberta. Liberta de repetições, liberta de cópias no primeiro, segundo, terceiro e quarto graus da escolaridade, liberta da ignorância que acredita saber de tudo, liberta da necessidade de anulação do outro, digo, da diversidade humana.

Segundo Libâneo (2003), torna-se indispensável o preparo do professor para trabalhar com seus educandos utilizando a tecnologia como instrumento eficaz na aprendizagem e para despertar a necessidade de buscar o conhecimento por si mesmo, de fazer descobertas, de ser crítico e transformador da sua condição e da sociedade. Mais do que em qualquer outro tempo da história, o professor precisa ser visto como um facilitador do processo ensino aprendizagem. Para Braga (2006) a escola e o professor devem refletir novos métodos, pois, é sabido que a prática educativa acontece em vários lugares e por meio de vários segmentos como a família, os meios de comunicação. Assim, os métodos de gamificação no âmbito escolar do município de Governador Valadares não tem o intuito de acumular mais tarefas ou funções, ao contrário, esses podem vir a ser uma nova metodologia de ensino, por isso é necessário por parte dos professores preparo, dinamismo e o espírito investigativo, que consiga desenvolver novas estratégias de ensino que motive os educandos, seja qual for sua capacidade cognitiva, no seu processo de ensino, pois, este método vem proporcionar uma maior absorção e retenção do conteúdo pelos estudantes, a troca de conhecimento, entre educando e professores, maior facilidade para transmissão de conhecimento, diversão, desafios, aventura e desenvolvimento de habilidades e competências que podem ser úteis para toda a vida.

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Resultados e Discussões

Diante dos resultados obtidos da pesquisa de campo através de coleta de dados referentes a temática gamificação e inclusão educacional, foi feito a pesquisa através de formulários utilizando o aplicativo googleforms, com questionário estruturado, emitidos por email ou whattsapp para cerca de 125 professores da rede municipal de educação de Governador Valadares, de forma sistemática aleatória e a amostra para esta pesquisa teve como ferramenta o método estatístico simples. À análise e interpretação desses dados, baseou-se em fundamentação teórica consistente como intuito de verificar a aceitação desta ferramenta

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didática como alternativa a ser utilizada com a finalidade de uma educação mais inclusiva, nada mais coerente do que discutir tal hipótese com os professores. Os resultados coletados serão apresentados mediante os gráficos a seguir: Gráfico 01 - Idade

FONTE: Elaborado pelo autor, 2019. Gráfico 02 -Formação acadêmica

QUAL SUA FORMAÇÃO ACADÊMICA? 14% NORMAL SUPERIOR 10%

PEDAGOGIA LICENCIATURA EM OUTRAS AREAS.

52% 24%

PÓS GRADUADA(O)

FONTE: Elaborado pelo autor, 2019. Gráfico 03 - Tempo de formação

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QUANTO TEMPO TEM DE FORMADA(O)?

24%

24% DE 1 A 5 ANOS DE 6 A 10 ANOS E 11 A 15 ANOS

14%

MAIS DE 16 ANOS 38%

FONTE: Elaborado pelo autor, 2019. Gráfico 04 - Métodos didáticos

VOCÊ ACREDITA SER IMPORTANTE A UTILIZAÇÃO DE NOVOS MÉTODOS DIDÁTICOS? 0% 0% SIM,POIS, NOVOS MÉTODOS AGREGAM NO ENSINO APRENDIZADO

16%

SIM, PORÉM NEM SEMPRE TENHO TEMPO PARA PESQUISAR NOVOS MÉTODOS NÃO, OS LIVROS DIDÁTICOS JÁ SÃO O SUFICIENTE 84%

FONTE: Elaborado pelo autor, 2019.

Gráfico 05 – Conhecimento sobre Gamificação

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VOCÊ TEM ALGUM CONHECIMENTO SOBRE O MÉTODO DE GAMIFICAÇÃO? SIM, POIS, JÁ OBTIVE TREINAMENTO DESSA METODOLOGIA SIM, PORÉM, NÃO ENCONTREI NENHUMA PERTINÊNCIA NESTE MÉTODO

38%

52%

5%

NÃO, POIS SE TRATA DE UMASSUNTO TOTALMENTE NOVO NÃO,PORÉM ME INTERESSO POR ME INFORMAR MELHOR

5%

FONTE: Elaborado pelo autor, 2019. Gráfico 06 – Utilização do método

VOCÊ UTILIZARIA OS MÉTODOS DE GAMIFICAÇÃO COMO FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA? 0% 5%

SIM, TENHO TODO INTERESSE EM MÉTODOS QUE ENVOLVAM A TODOS OS EDUCANDOS

5%

SIM, ALIÁS EU JÁ UTILIZO TAIS MÉTODOS

90%

NÃO, POIS ENCONTREI OUTROS MÉTODOS PARA INCLUSÃO EDUCACIONAL

FONTE: Elaborado pelo autor, 2019.

Gráfico 07 – Atualização profissional

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COMO VOCÊ TEM SE ATUALIZADO EM SUA FORMAÇÃO PROFISSIONAL? TRAVÉS DE CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO,, MESTRADO E DOUTORADO 29% 43%

ATRAVÉS DE CURSOS DE APERFEIÇOAMENTO, CURSOS LIVRES PELA INTERNET ATRAVÉS DE CURSOS OFERECIDOS PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

0%

ATRAVÉS DE CURSOS OFERECIDOS PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO E TAMBÉM CURSOS DE PÓS GRADUAÇÃO

28%

FONTE: Elaborado pelo autor, 2019. Gráfico 08 – Importância do Professor

QUAL É A RESPOSTA QUE MAIS DESCREVE O GRAU DE IMPORTÂNCIA O PROFESSOR HOJE PARA VOCÊ? 0%

PROFESSOR É DE SUMA IMPORTÂNCIA PARA CONTEMPORANEIDADE

5%

PROFESSOR É IMPORTANTE MAS NÃO RECONHECIDO

33%

62%

PROFESSOR JÁ FOI IMPORTANTE, HOJE NÃO MAIS PROFESSOR NÃO É TÃO IMPORTANTE, ESTÁ PARA FINDAR

FONTE: Elaborado pelo autor, 2019.

Conforme os resultados supra-apresentados, pode-se perceber 52% dos profissionais entrevistados têm mais de 36 anos, 38% tem entre 6 e 10 anos de formados, ou TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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seja, são profissionais que tem ampla experiências de vida e também de atuação; 43%buscam aperfeiçoarem através de cursos de pós graduação e 52% já são pós-graduados, o que nos remete a concluir que estão atualizados e bem preparados para suas funções. No que se refere a hipótese sobre a utilização dos métodos de gamificação como processo pedagógico de ensino aprendizado conciliando o conhecimento e inclusão dos educandos das escolas municipais de Governador Valadares aqui levantada, os resultados se demonstraram favoráveis, pois, 84% acreditam e utilizam métodos que agregam e abranjam a todos seus educandos; 52% já obteve treinamento sobre os métodos de gamificação; 90% utilizaria tais métodos para uma educação inclusiva; 62% dos entrevistados entendem que o professor é de suma importância à contemporaneidade, ou seja, entendem sua importante função na formação dos educandos e com responsabilidade para uma cidadania mais plena. Importante salientar que o presente estudo não abordou as dificuldades em implantar nas escolas municipais os métodos de gamificação, não abordou também a aceitação dos educandos sobre tais métodos, e nem as formas de acesso a formação em gamificação por parte dos professores, pois, entende-se que são assuntos e temas para continuidade desta pesquisa. Assim, baseado nos resultados obtidos, conclui-se que os professores concordam em está sempre em busca de se aperfeiçoarem e estão abertos a possibilidade de utilizar a ferramenta gamificação como métodos didáticos de educação inclusiva contribuindo de forma mais efetiva no ensino aprendizado dos educandos das escolas municipais de Governador Valadares.

5 Considerações Finais Diante do atual cenário da educação brasileira, percebe-se uma necessária redefinição dos processos pedagógicos frente às novas tecnologias, pode-se supor que novos métodos didáticos sejam instrumentos de transformação, tendo foco no currículo base para qualquer disciplina, mas de maneira transversal e interdisciplinar a ética e a moral e visão multidimensional para formação dos cidadãos. Neste contexto, o professor mais do que qualquer outro profissional deve está sempre se atualizando, uma formação contínua, seja por meio de livros, artigos, sites, vídeo aulas, cursos EAD certificados ou mesmo cursos presenciais. É ele o profissional que por excelência traz a responsabilidade de transformar meras informações em conhecimento. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Portanto, seja pelos métodos de gamificação aqui trazidos neste artigo, ou outros métodos, o professor tem que está se renovando, buscando sempre novas maneiras, reinventando, superando dificuldades como as encontradas na realidade da educação municipal de Governador Valadares, pois, em outras palavras, o papel deste profissional hoje é de ensinar seu educando a aprender a aprender, a pesquisar, a questionar e ser livre para buscar conhecimento sobre o mundo em sua volta e sobre o universo em cada um de nós. Abstract There is a need for competition inherent in every human being where it is often demonstrated through experience in gamification, as it provides instant feedback, possibility of rapid evolution, overcoming, and the search for rewards and prizes. In this context, the present article brings to the light of the discussion the possibility of using gamification methods for inclusive education process in the Municipal Schools of Governador Valadares. The methodologies applied in this scientific study were descriptive, bibliographical and field research, and the results were quantitative. Thus, it was understood that the school and especially the teacher have a determining role for the inclusion of the learner, since such methods directed to the area of education have a potential field to be considered and explored, and can be an effective tool for teaching and learning, including those with some global developmental disorder (PDD). Keywords: Gamification Methods. Inclusive Education. Teacher's Role. Valadares Governor's Schools Referências ALVES,Flora Gamificação: Como criar experiências de aprendizagem engajadoras. DVS Editora – São Paulo, 2014. ALVES, Lynn Rosalinaet al. Gamificação: diálogos com a educação. In: FADEL, Luciane Maria et al (Org.). Gamificação na educação. São Paulo: Pimenta Cultural, 2014. BATTISTI, Iara Denise Endruweit. Métodos estatísticos / Iara Denise Endruweit Battisti, Gerson Battisti. – Ijuí: Ed. Unijuí, 2008. BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. ConferênciaNacional de Educação: Construindo o Sistema Nacional Articulado de Educação: O plano Nacional de Educação, Diretrizes e estratégias de ação, de 27 de maio de 2010. CAPELLINI, Vera Lúcia Messias Fialho, Tecnologia Assistiva na Educação Inclusiva(UNESP/Bauru) MENDES, Enicéia Gonçalves - 2016 CUNHA, A. C. T. Importância das atividades lúdicas na criança com hiperatividade e défice de atenção segundo a perspectiva dos professores. 2012. 101f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Educação) - Escola Superior de Educação João de Deus, Lisboa, 2012. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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A IMPORTÂNCIA DA LIDERANÇA NAS ORGANIZAÇÕES: CARACTERÍSTICAS, HABILIDADES E COMPETÊNCIAS EXIGIDAS DOS LÍDERES NA ATUALIDADE Adriana Silva de São Joaquim*8, Amilton Quintela Soares Júnior9**, Fenícia Helena Coelho Oliveira Lopes10**, Rogério Vieira Primo11**, Walther Anastácio Júnior12** Resumo Este artigo aborda sobre a liderança nas organizações destacando as características, habilidades e competências exigidas dos líderes na atualidade, mostrando que a liderança é ato crucial na motivação da equipe de trabalho, sendo elemento efetivo para o processo de gestão de pessoas. O objetivo desse estudo é abordar a importância da liderança nas organizações, como vantagem competitiva no mercado atual. No contexto de gestão de pessoas, liderar é preciso, uma vez que o gestor precisa estabelecer uma relação direta com sua equipe e motivar cada membro para que consiga alcançar as metas impostas pela empresa, no entanto, a liderança deve estar em sintonia com a natureza do negócio em questão. Dessa forma, a liderança deve ser desenvolvida em uma organização tendo como base as mudanças contextuais de mercado, estas que exigem de seus gestores uma postura perceptiva e motivadora, ou seja, além de entender os passos necessários a serem dados para o alcance de metas, também é preciso levar em consideração a motivação de sua equipe de trabalho. Palavras-Chave: Liderança. Gestão de Pessoas. Características. Habilidades. Competências. Vantagens Competitivas. 1 Introdução

O presente estudo versa sobre a importância da liderança nas organizações destacando as características, habilidades e competências exigidas dos líderes na atualidade. A liderança é ato crucial na motivação da equipe de trabalho, sendo elemento efetivo para o processo de gestão de pessoas.

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Graduada em Administração de Empresas pela Faculdade de Administração de Governador Valadares ‐ MG.  Pós‐graduanda do Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Gestão de Pessoas da Universidade Presidente  Antônio Carlos – FUPAC Governador Valadares ‐ MG  9 Mestre em Gestão Integrada do território. MBA em Gestão Empresarial. Professor de graduação e Pós  graduação da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares.  10 Mestrado em MA Social Policy. Graduada em Ciências Econômica. Professora de graduação da Faculdade  Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares  11 Professor de Graduação e Pós graduação da Fupac. Mestre em Administração. Especialista em Gestão  Financeira de Empresas, Gestão Escolar, Gestão Empresarial e Educação Matemática. E‐mail:  rogerioprimo@unipac.br;  12 MBA Gestão Financeira e Controladoria. Especialista em Gestão Escolar. Professor de Graduação e Pós  graduação. Email: waltheranastacio@hotmail.com 

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A metodologia de estudo pauta-se em uma pesquisa de revisão bibliográfica onde foram consultados autores que discutem os tipos e modelos de liderança, bem como as características, habilidades e competências exigidas dos gestores atuais. O objetivo geral desse estudo é abordar a importância da liderança nas organizações, bem como as características, habilidades e competências exigidas dos gestores atuais para maior vantagem competitiva. Como objetivos específicos destacam: definir conceito de liderança; sua importância nas organizações; as vertentes de pensamentos sobre liderança; pesquisar sobre as características, habilidades e competências exigidas dos líderes gestores atuais. O problema de pesquisa parte do questionamento: quais são as características, habilidades e competências exigidas aos líderes na atualidade como vantagem competitiva para as organizações? As organizações que possuem líderes dedicados, as suas metas e motivadores da equipe de trabalho, poderão ter melhor desempenho que aquelas que não investem na formação de gestores com habilidades de liderança. O tipo de liderança estabelecido em uma organização está relacionado com seu modelo de gestão, por isso, a visão hierárquica ou vertical de administração precisa ser superada para que o processo participativo seja efetivado, ou seja, os colaboradores precisam assumir uma atitude ativa e não passiva na busca de melhores resultados para a organização. A importância do tema da liderança na gestão de pessoas se justifica pela necessidade das empresas em investirem na formação de seus líderes, bem como na valorização dos processos que motivam seus colaboradores. A discussão do presente tema também poderá motivar futuras pesquisas que tem como proposta entender a gestão de pessoas e os processos de liderança. 2 Conceito de Liderança

A liderança deve ser entendida desde o contexto no qual ela está sendo aplicada, por isso, aqui a referência é o âmbito organizacional no que tange a gestão de pessoas. Nesse sentido, Liderança é a influência interpessoal exercida em um determinado contexto. Tratase de um fenômeno social, uma capacidade de influenciar as pessoas por meio de ideias, exemplos e ações e fazer com que atinjam metas propostas ou passem a acreditar em crenças ou conceitos. (KNAPIK, 2011, p.83).

Segundo Chiavenato (2010), a liderança também é um fenômeno social que ocorrerá exclusivamente em grupos sociais e nas organizações. Outro ponto a ser levado em conta é que TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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a liderança é exercida como uma influência interpessoal em dada situação e dirigida através do processo de comunicação humana para a consecução de objetivos específicos. A liderança como processo social no qual se estabelecem as relações de influências entre as pessoas, passa pelo processo de interação humana entre o líder e seus liderados, por isso é um fato dentro de um contexto social. (LIMONGI-FRANÇA & ARELLANO, 2002). A administração em geral exige liderança, uma vez que é preciso gerir processos grupais, coletivos em busca de determinados objetivos ou fins. “Liderança é um processo de influência ao desempenho de uma função coletiva orientada para a obtenção de resultados, que é apoiada pelo grupo.” (BULCÃO, 2012, p.18). A liderança está relacionada à força e o poder, nesse sentido, todo líder é capaz de exercer certo tipo de domínio sobre um determinado grupo. Liderar é relacionar com o fenômeno do poder. A palavra poder vem do latim potere, posse, poder, ser capaz de. Refere-se basicamente à faculdade, capacidade, força ou recurso para produzir certos efeitos. Assim, dizemos: o poder da palavra, o poder do remédio, o poder da polícia, o poder do presidente. (COTRIM, 2007, p.265).

O poder mostra-se como uma capacidade inerente a um indivíduo ou grupo. Nessa mesma direção, Aranha; Martins (2010, p.267), afirmam que: O poder é capacidade ou a possibilidade de agir, de produzir efeitos desejados sobre indivíduos ou grupos humanos. O poder supõe dois polos: de quem exerce o poder e o daquele sobre qual o poder exercido. (ARANHA; MARTINS, 2010, p.267).

Nesse sentido, quem exerce o poder é o líder e aquele sobre o qual o poder é exercido é o liderado. O poder aqui é entendido como a influência que líder exercer sobre seu grupo e não como imposição autoritária. Nessa perspectiva a “liderança e poder são elementos interligados no processo de influenciar pessoas. O poder é a força no direcionamento dos sistemas e das situações sociais através dos recursos organizacionais.” (LIMONGI-FRANÇA & ARELLANO, 2002, p.261).

A liderança está intimamente ligada ao poder, influenciar o outro exige a gestão do poder que pode ser classificado como poder legítimo, de recompensa e coercitivo, de especialização, de referência e de informação.

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3 A importância da liderança nas organizações

No contexto de gestão de pessoas, liderar é preciso, uma vez que o gestor precisa estabelecer uma relação direta com sua equipe e motivar cada membro para que consiga alcançar as metas impostas pela empresa, no entanto, a liderança deve estar em sintonia com a natureza do negócio em questão. “O estilo de liderança deve estar de acordo com o momento da empresa, a maturidade da equipe e qualificação dos profissionais, entre outros fatores.” (KNAPIK, 2011, p.85). Ainda segundo Knapik (2011), a liderança é necessária para orientar o controle e a tarefa a ser realizada pela equipe de trabalho, bem como gerir manutenção e o fortalecimento do grupo. Os lideres precisam buscar o desenvolvimento de seus liderados através de estratégias que os transformem em equipes de alto desempenho, prontos a assumir tarefas importantes e competências para executá-las. Nesse sentido, O líder empresarial deve ser capaz de alcançar os objetivos por meio dos liderados e, para isso, conforme o tipo de liderado e a ocasião, age de diferente maneiras: ele ordena, comanda, motiva, persuade, dá exemplos pessoais, compartilha os problemas e ações, ou delega e cobra resultados, alterando a forma de agir de acordo com a necessidade de cada momento e com o tipo de liderado, visando a alcançar os objetivos da organização. (LACOMBE & HEILBORN, 2002, p.261).

A liderança é vista na atualidade como elemento necessário para o sucesso da gestão de pessoas. “Hoje em dia vivemos numa época que mudanças ocorrem a todo o momento, e a liderança nas organizações se torna cada vez mais um ponto crucial.” (ROQUE, 2014, p.1). A gestão de pessoas está relacionada com liderança, uma vez que ela será a mediadora para que o gestor e seus liderados (equipe de trabalho) consigam chegar às metas propostas pela organização, pois nesse processo é preciso adquirir confiança do grupo através das competências do líder ao longo de sua jornada de trabalho. (ROQUE, 2014). O processo de liderança funciona na empresa como uma espécie de catalisador que transforma o potencial em realidade. Em suma, a liderança é o ato do gestor de pessoas que por excelência identifica, desenvolve, canaliza e enriquece o potencial já presente em uma organização e seus membros. (SOTO, 2002, p.216).

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As organizações atuais contam com o líder para chegar a seus objetivos e metas, uma vez que os colaboradores precisam ser motivados para desempenhar suas tarefas utilizando todo o seu potencial, bem como comprometidos com o plano de estratégia que está sendo traçado pela organização. (ROQUE, 2014). Os lideres, no contexto atual, encontram sérios desafios frente a permanência de todo o seu quadro de pessoal, uma vez que anualmente as empresas passam pelo problema da rotatividade de pessoal, nesse sentido o diálogo participativo pode ser um aliado imprescindível com os colaboradores, por isso cabe o gestor delegar funções de coordenação do trabalho a ser desenvolvido, dessa forma pode-se concluir então que a gestão de RH não fica a cargo apenas do administrador, mas sim de todos os indivíduos que estão envolvidos com a empresa. (SIMCSIK, 2003). O processo de liderança traz consigo a complexidade da relação de gestão de pessoas, por isso, há diferentes abordagens que procuram tratar sobre as diferentes formas que um líder irá gerir um grupo. (GIL, 2010).

4 As vertentes de pensamentos sobre liderança A liderança quando entendida como fenômeno no campo da gestão de pessoas, pode ser entendida a partir de quatro vertentes, estas são modos interpretativos que procuram esclarecer as grandes questões relacionadas à liderança. (BRASIL, 2013). Segundo Brasil (2013), as duas primeiras vertentes focalizam os traços e os comportamentos de um líder, tendo como objeto as situações, culturas, clima organizacional e a subjetividade dos liderados. A terceira vertente versa sobreas variáveis situacionais à análise do fenômeno da liderança. A quarta e última vertente aborda a liderança transformacional.

4.1Primeira Vertente: abordagem dos traços

Essa primeira vertente traz consigo a primazia das características de um líder, estas que fazem que o mesmo tenha sucesso no processo de liderança de seu grupo. Nesse sentido, A teoria dos traços tem a premissa de que os líderes possuem traços de personalidade que os auxiliam em seu papel. Essa teoria não enfatiza outras variáveis que podem interferir na relação líder/liderado, como o contexto em que está inserido e as próprias necessidades do grupo em

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que atua. De acordo com esse enfoque, o indivíduo já nasce líder. (LIMONGI-FRANÇA &ARELLANO, 2002, p.263). .

De acordo com Gil (2010), inúmeros estudos realizados apontaram os traços ou características comuns aos grandes líderes tais como visão orientadora, paixão, integridade, confiança, curiosidade e ousadia. Também são apontados atributos pelos quais pode-se identificar um grande líder em uma organização, podendo destacar: vitalidade física e energia; inteligência e capacidade de julgamento; disposição para aceitar responsabilidades; aptidão para as tarefas; compreensão dos seguidores e suas necessidades; habilidade para lidar com pessoas; necessidade de conquista; capacidade de motivar; coragem, resolução e perseverança; capacidade de conquistar e manter confiança; capacidade de administrar, decidir e estabelecer prioridades; confiança; ascendência, domínio e afirmação, e adaptabilidade. (GIL, 2010).

4.2 Segunda Vertente: abordagem do comportamento e os estilos do líder

A segunda vertente tem como marco a abordagem do Comportamento, esta que estuda a Teoria dos Estilos de Liderança. Os comportamentos de um líder são decisivos para o sucesso da sua liderança. Desse modo, Quando ficou claro que a eficácia dos líderes não estava ligada substancialmente aos traços pessoais, os pesquisadores passaram a identificar os comportamentos que tornariam os líderes mais eficazes. A principal consequência prática dessa abordagem foi a ênfase que passou a ser conferida ao treinamento. Como, segundo ela, os comportamentos podem ser aprendidos, ficou fácil admitir que as pessoas treinadas nos comportamentos de liderança seriam capazes de obter melhores resultados. (GIL, 2010, p. 221-222).

A abordagem comportamental se difere da vertente de traços em termos de aplicabilidade, uma vez que as teorias dos traços pressupõem que os líderes nascem com suas características de liderança, seriam uma espécie de liderança inata, por isso, não há que de falar de formação de novos líderes. Na comportamental há a defesa do ensinamento dos comportamentos específicos que identificamos líderes, a liderança poderia ser formada por meio de programas – em que se implementam padrões comportamentais nos indivíduos que desejassem torna-se líderes eficazes. Este seria um caminho muito mais estimulante, já que se

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presume que o grupo de líderes poderia estar sempre em expansão. Se o treinamento funcionasse, teríamos um celeiro inesgotável de líderes eficazes. (ROBBINS, 2005, p.260). Os estilos de liderança dependem de padrões recorrentes de comportamentos do líder, os quais repercutem na dinâmica de interação com a equipe de trabalho. Observa-se três tipos básicos de liderança: a autocrática, a democrática e a liberal ou laissez-faire.

4.3Terceira Vertente: abordagem situacional e contingencial

A terceira vertente defende a abordagem situacional ou contingencial, esta entende que a liderança é um conjunto de fenômenos que podem ser traduzidos na relação do líder, dos seguidores e da situação. Não há, portanto, um enfoque de passividade do liderado, a ação do líder está relacionada com as características comportamentais dos liderados, da situação e do objetivo do processo como um todo. (LIMONGI-FRANÇA &ARELLANO, 2002). Na abordagem situacional há uma afirmativa de que a liderança e sua consolidação, eficácia ou sucesso pressupõe a relação entre o líder e o estilo de seu grupo, nesse caso, a liderança depende da identificação contingencial entre líder e liderado. Nesse sentido, O enfoque contingencial propõe que a eficácia de um estilo de liderança seja um aspecto situacionalmente contingente. Isso significa que um estilo padrão particular de comportamento é eficaz em algumas circunstâncias (como quando a tarefa traz satisfação intrínseca ou quando as personalidades dos subordinados os predispõem a um estilo particular), mas não em outras. (BRYMAN, 1992, apud. LIMONGIFRANÇA & ARELLANO, 2002, p.267).

Segundo Knapik (2011), a liderança situacional ou contingencial se define na habilidade e na competência em saber utilizar os estilos de liderança, dependendo da situação, da equipe e das tarefas, ou seja, o líder deve conhecer e entender o contexto da identificação de seu grupo e utilizar esse conhecimento de acordo com as situações que irão definir os rumos da sua liderança. De acordo com Chiavenato (2010), as teorias situacionais de liderança levam em conta o contexto ambiental em que a mesma ocorre, tendo como foco o líder, os liderados, a tarefa, a situação, os objetivos etc. Constituem um avanço em relação às teorias baseadas exclusivamente no estilo de liderança. As principais teorias situacionais são: a escolha de padrões de liderança, modelo contingencial e teoria do caminho-meta.

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Os padrões de liderança devem ser escolhidos pelo líder a partir do contexto em que se encontra. A liderança é um fenômeno situacional que baseia em três aspectos: as forças no gerente, ou seja, a motivação interna do líder e outras forças que agem sobre ele. As forças nos subordinados, ou seja, a motivação externa fornecida pelo líder e outras forças que agem sobre os subordinados. As forças na situação, ou seja, as condições dentro das quais a liderança é exercida. (CHIAVENATO, 2010). O modelo contingencial é desenvolvido a partir da ideia de que não existe um estilo único e melhor de liderança, que seja válido para toda e qualquer situação. Pelo contrário, os estilos eficazes de liderança são situacionais: cada situação requer um diferente estilo de liderança. (CHIAVENATO, 2010). A teoria caminho-meta é uma teoria contingencial que se preocupa em estudar como o líder influencia a percepção das metas dos subordinados, suas metas de auto desenvolvimento e os caminhos para atingir tais metas. A teoria do caminho-meta afirma que a responsabilidade do líder é aumentar a motivação dos subordinados para atingir objetivos individuais e organizacionais. (CHIAVENATO, 2010).

4.4 Quarta Vertente: abordagem transformacional

A liderança transformacional surgiu na década de 1980 em meio a aceleração das mudanças do mercado, bem como ao novo cenário de pouca estabilidade e muita complexidade que se instalou desde aquela década. (BRASIL, 2013). Nessa abordagem a liderança é compreendida como um processo que provoca um engajamento mútuo do líder e do liderado. Sob essa perspectiva, a natureza da liderança genuína se funda na adesão dos liderados a uma visão e um conjunto de valores comuns inspirados pelo líder. Nesse contexto, os liderados são empoderados e capacitados para realizar as tarefas que permitem o alcance dos objetivos partilhados. Um aspecto importante na liderança transformacional, conforme Burns,relaciona-se a determinados traços particulares do líder. Essas características conferem um “carisma” que lhe permite obter a adesão voluntária dos liderados sem promessas de recompensa. (BRASIL, 2013, p.20).

Na abordagem transformacional há um incentivo de uma liderança que motive seus liderados, estes que precisam superar seus limites e interesses particulares para o sucesso da organização. Sendo assim, TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Existe também o tipo de líder que inspira seus seguidores a transcender seus próprios interesses para o bem da organização e que é capaz de causar um efeito profundo e extraordinário sobre seus liderados. É o caso dos lideres transformacionais. Eles prestam atenção às preocupações e às necessidades de desenvolvimento de cada um de seus liderados; modificam a maneira de seus seguidores verem as coisas, ajudando-os a pensar nos velhos problemas de uma nova forma; e são capazes de incitar e inspirar as pessoas a darem o máximo de si na busca dos objetivos do grupo. (ROBBINS, 2005, p.285).

A liderança como foco transformacional, tem como proposta a gestão de mudança da própria organização, estimula os padrões ideais a serem alcançados, isto diz respeito a valores, metas de produção e modos de entender o papel da empresa no mercado. Por isso, Um líder transformador começa por criar uma visão do que deveria ser o ideal de sua organização, departamento ou grupo de trabalho. A visão guia o administrador na busca do melhor caminho para conseguir os resultados desejados, como a qualidade, o desempenho e a produtividade. (SOTO, 2011, p.229).

Por fim, os líderes transformacionais são motivadores, ou seja, incentiva seus liderados a fazerem mais do que originalmente esperam realizar elevando o sentimento da importância e do valor das tarefas. (STONE & FREEMAN, 1999) 5

Caracterizando o líder

5.1 Habilidades e competências essenciais aos líderes As habilidades e competências essenciais para um líder são abordadas por vários autores, no entanto, aqui para título de delimitação, aquelas apresentadas por Tozzi& Vieira (2015), servirão de caracterização do líder na atualidade, estas são: inteligência social, pensamento adaptativo e inovador, competência cross cultural, alfabetização em novas mídias, interdisciplinaridade, mentalidade lógica, gerenciamento da carga cognitiva, colaboração virtual. A inteligência social está na capacidade de se relacionar uns com os outros de maneira pontual e direta. (TOZZI & VIEIRA, 2015). O verdadeiro trabalho em equipe precisa ser estimulado desde o primeiro momento da formação acadêmica. Na atualidade as equipes que trabalham de forma unida e articulada conseguem resultados mais satisfatórios em relação aquelas que há divisão rígida de tarefas e não há colaboração entre os profissionais. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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O pensamento adaptativo e inovador versa sobre a coragem para propor novas ideias e experimentar nossas ações. (TOZZI & VIEIRA, 2015). Essa habilidade provem da criatividade, esta que ao ser estimulada nos cursos superiores forma profissionais mais dinâmicos e que tenham posturas mais críticas para propor mudanças e lançar-se em novos projetos. A competência cross cultural diz respeito, a saber, trabalhar e desempenhar atividades em diferentes contextos culturais. (TOZZI & VIEIRA, 2015). Na atualidade as empresas têm investido seus esforços em projetos sociais variados e por isso, requer de seus profissionais o dinamismo para colaborar em tais investimentos. O pensamento computacional requer do profissional conseguir traduzir grandes quantidades de informação. (TOZZI & VIEIRA, 2015). O exercício da leitura atenta e descodificação da mensagem por meio da interpretação assídua é uma exigência para uma formação superior por excelência. Na atualidade há comodismo geral quando o assunto é leitura e interpretação de dados, por isso, os cursos superiores precisam incentivar tal comportamento computacional. A alfabetização em novas mídias está em entender as novas formas de comunicação e utilizá-las de maneira eficiente. (TOZZI & VIEIRA, 2015). Na era da informação multiplicamse as possibilidades de comunicação por meio das novas tecnologias, saber como funcionam e operá-las torna o profissional diferenciado e atualizado. A interdisciplinaridade é o entendimento dos conceitos de várias áreas do conhecimento e sua aplicação no trabalho. (TOZZI & VIEIRA, 2015). A super especialização fragmenta o conhecimento e pode formar profissionais limitados a suas áreas de atuação. A interdisciplinaridade permite a discussão contínua entre os campos do saber e torna o pensamento do profissional mais complexo e crítico para lidar com os novos desafios do mercado. A mentalidade lógica é desenvolver o trabalho em etapas lógicas, ou seja, requer do profissional uma atitude centrada em seu trabalho e que seja consciente de todo o processo a ser realizado. (TOZZI & VIEIRA, 2015). O gerenciamento da carga cognitiva por sua vez, sugere que o profissional seja capaz de filtrar a informação e o aumento da compreensão dos dados. (TOZZI & VIEIRA, 2015). Essa competência está relacionada com o pensamento computacional, uma vez que há tradução de número elevado de informação, torna-se necessário a seleção das mesmas para que haja aplicação direta ao objetivo a ser alcançado. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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A colaboração virtual está na habilidade de trabalho em uma equipe virtual. (TOZZI & VIEIRA, 2015). Com o uso das novas tecnologias os profissionais podem desempenhar várias de suas tarefas fora da empresa ou mesmo enquanto estão em trânsito, por isso, a colaboração virtual é extremamente necessária na atualidade.

6 Considerações Finais

Durante este estudo foram realizados levantamentos sobre os tipos de liderança, bem como abordagens que deram origens as vertentes do fenômeno estudado sobre o ato de liderar. Na gestão de pessoas a liderança é fundamental para o sucesso da organização, uma vez que irá articular a ação de seus colaboradores em relação a metas e valores propostos pelo mercado, este que se pauta na competitividade e qualidade de produtos e serviços. Os tipos de liderança que foram discutidos apontam para o esforço do líder e os meios utilizados para manter a coesão de seu grupo, assim, os modelos de gestão e liderança irão responder a cada contexto o que reforça a necessidade de estudo sobre as exigências do mercado atual. As características de um líder podem variar de acordo com a natureza da empresa em que ele atua, no entanto, há habilidades e competências específicas exigidas dos gestores e que precisam ser trabalhadas nas organizações para que as mesmas tenham vantagem competitiva, com destaque para a inteligência social, pensamento adaptativo e inovador, competência cross cultural, alfabetização em novas mídias, interdisciplinaridade, mentalidade lógica, gerenciamento da carga cognitiva, colaboração virtual. Os líderes também podem ser caracterizados a partir de qualidades necessárias exigidas de um gestor de pessoas. Assim, pode-se destacar a humildade como capacidade de reconhecer suas próprias falhas, saber ouvir e reconhecer os esforços das pessoas, saber delegar funções e responsabilidades aos seus liderados, ser motivador do grupo e ter visão global de negócios. Dessa forma, a liderança deve ser desenvolvida em uma organização tendo como base as mudanças contextuais de mercado, estas que exigem de seus gestores uma postura perceptiva e motivadora, ou seja, além de entender os passos necessários a serem dados para o alcance de metas e objetivos, também é preciso levar em consideração a motivação de sua equipe de trabalho. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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The importance of leadership in organizations: characteristics, skills andcompetencies required of leaders today Abstract This article focuses on leadership in organizations highlighting the characteristics, skills and competencies required of today's leaders, showing that leadership is a crucial act in the motivation of the work team, being an effective element in the process of managing people. The objective of this study is to address the importance of leadership in organizations as a competitive advantage in the current market. In the context of people management, leadership is necessary, since the manager needs to establish a direct relationship with his team and motivate each member to achieve the goals imposed by the company, however, leadership must be in tune with nature of the business in question. Thus, leadership must be developed in an organization based on contextual changes in the market, which require its managers a perceptive and motivating posture, that is, in addition to understanding the necessary steps to be taken to achieve goals, you also need to take into consideration the motivation of your work team. Keywords: Leadership. People Management. Features.Skills. Skills. Competitive Advantages Referências ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2009. BRASIL. Liderança Educadora: Um Caminho Necessário – 2013.

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LIMONGI-FRANÇA, Ana Cristina;ARELLANO, Eliete Bernal. Liderança Poder e comportamento Organizacional. 2002FLEURY, Maria Tereza Leme. As pessoas na organização. Editora Gente, 2002. ROBBINS, Stephen P. Comportamento Organizacional. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. ROQUE, Fábio Aparecido. Liderança: o diferencial das empresas de sucesso. Revista InterAtividade, Andradina, SP, v.2, n. 1, 1º sem. 2014. Disponível em:<http://www.firb.br/editora/index.php/interatividade/article/download/110/160.>Acesso em 10 set. 2015. SOTO, Eduardo. Comportamento Organizacional: O impacto das emoções São Paulo: Cengage Learning, 2011. STONER, Jame A. F., FREEMAN, R. Edward.Administração. São Paulo: LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora S.A, 1999 SIMCSKI, Tibor. Adequação de recursos humanos. São Paulo: Futura, 2003. TOZZI, Eliza; VIEIRA, Vanessa. Em desvantagem. Revista Você S/A, Edição 201, Março 2015.

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EMPREENDEDORISMO

José Roberto Passos Júnior13*, Fenícia Helena Coelho Oliveira Lopes14**, Marcos Rosa Chaves15**, Priscilla Martins Ramos**, Walther Anastácio Júnior16**. Resumo Neste trabalho foi abordado a importância do curso de administração de empresas, e tendo em vista como as pessoas devem se preparar antes de começar no mercado com seus pequenos negócios, sendo uma tendência que está crescendo cada dia mais em nosso meio e se desenvolvendo riquezas que acabam gerando empregos e acabando tendo mais conhecimentos, obtendo uma visão de como lidar com as situações como fazer, como fazer, despertando nele em si sua paixão pelo que faz e tendo sempre a vontade de crescer e descobrindo suas características empreendedoras. Sendo assim de suma importância que nos graduados saiam das instituições de ensino superior sabendo elaborar técnicas e habilidade e funções administrativas que foram ensinadas no decorrer do curso e que serão utilizados dentro de uma empresa ou próprio negócio. Sendo alcançado o objetivo da pesquisa que apontou que a característica que predomina no distrito e motivação e superação e se tornou fonte de conhecimento na área empreendedora. Palavras-chave: Empreendedorismo, História do empreendedorismo, Perfil Empreendedor. 1. Introdução Neste trabalho será apresentado o termo empreendedorismo com objetivo de identificar o perfil empreendedor com ênfase no distrito de Vargem Grande que passou a ser um grande pólo industrial de lingerie por ter um grande ramo de confecções. Com base neste argumento torna-se possível apresentar a relevância do tema escolhido para está pesquisa cientifica, uma vez que se trata de um assunto que envolve o cotidiano das empresas, da economia e da própria rotina de vida dos brasileiros, sendo objetivo principal demonstrar as características que definem os empreendedores sendo analisado experiências ao longo do tempo. Sendo utilizado uma pesquisa de estudo de caso, pois busca aprender sobre a realidade empírica, sendo selecionados 10 empresas no ramo de confecção para que obtenha o resultado da pesquisa.                                                             Mestre em Administração. Especialista em Empreendedorismo, Marketing e Finanças. Professor de Graduação e Pós graduação. E-mail: juniorjrpj@hotmail.com 14 Mestrado em MA Social Policy. Graduada em Ciências Econômica. Professora de graduação da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. 15 MBA em Gestão Estratégica de Pessoas. MBA em Gestão Financeira e Controladoria. Professor de graduação e Pós graduação. E-mail: marcoschaves.adm@outlook.com 16 MBA Gestão Financeira e Controladoria. Especialista em Gestão Escolar. Professor de Graduação e Pós graduação. Email: waltheranastacio@hotmail.com 13

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Ao final do trabalho será construído a partir da pesquisa e justifica-se por levar em consideração o aprendizado do acadêmico, uma vez que permite vivenciar o conjunto de teorias estudadas com ênfase no empreendedorismo e no perfil empreendedor e toda sua relevância para empresário e empreendedor. Por fim contribuir para pesquisadora pois ira ampliar seu conhecimento sobre o tema e se torna fonte de pesquisa. 2. Conceitos sobre Empreendedorismo O conceito de Empreendedorismo tem sido um assunto tratado já algum tempo, pois na década de oitenta, sua prática passou a assumir seu lugar em políticas econômicas com ações de indivíduos compostas por um conjunto de práticas capazes de garantir a geração de riquezas impulsionada pela motivação, criatividade e iniciativa sendo capaz de obter uma percepção de oportunidades e para construir um projeto de vida. Pode se dizer que: Empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução de entrepreneurshipe utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividade, seu universo de atuação e é antes de tudo, aquele que se dedica à geração de riquezas em diferentes níveis de conhecimento, inovando e transformando conhecimento em produtos ou serviços em diferentes áreas (DOLABELA, 1999, p. 68).

A palavra Empreendedorismo tem origem francesa que quer dizer aquele que assumi riscos e começa algo novo, conforme (DORNELAS, 2001). Para Este autor, empreendedor é “aquele que assumi riscos de forma ativa, físicos e emocionais” (DORNELAS, 2008 p.14). Nesse mesmo sentido Ducker (1974; p.25) argumenta que empreender é prática, visão de mercado, evolução, para ele: O trabalho específico do empreendedor numa empresa de negócios e fazer os negócios de hoje serem capazes de fazer o futuro, transformando-se em um negocio diferente. [...] Empreendedorismo não e nem ciência, nem arte. É uma prática.

A prática empreendedora está se tornando cada dia mais evidenciada devido o desenvolvimento econômico. Esse exercício parte de iniciativas a partir das relações com as pessoas, em que o empreendedor procura adaptar-se às exigências do mercado, de forma criativa e inovadora. Timmons (1994) trata está pratica da mesma forma, dizendo que o empreendedor é aquele que cria e constrói algo de valor a partir de praticamente nada. Na visão desse autor, o processo de criar e aproveitar uma oportunidade e persegui-la a despeito dos recursos controlados. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Para o empreendedor, há a necessidade de criar relações entre clientes e possíveis clientes, pela iniciativa de desenvolver negócios em determinados tipos de lugares, necessário para isso a obtenção de conhecimentos sobre pessoas e também sobre as mudanças culturais, nesse sentido, Dolabela (1999, p.31), argumenta que o empreendedorismo pode ser assim visto como: [...] fruto dos hábitos, práticas e valores das pessoas. Existem famílias mais empreendedoras do que as outras, assim como cidades, regiões, países. Na verdade aprende-se a ser empreendedor pela convivência com outros empreendedores [...] o empreendedor aprende um clima de emoção e é capaz de assimilar e experiência de terceiros.

Diante disso compreende-se que o empreendedorismo, segundo Dolabela (1999), é um fenômeno cultural, ou seja, é fruto dos hábitos, práticas, e valores das pessoas. Considerado pelo mesmo como arte e ciências. Levando os indivíduos a serem mais eficazes, a fazer e acontecer com criatividade e motivação proporcionando prazer de realizar projetos tanto pessoais como organizacionais, gerando comportamentos proativos diante das questões que precisam ser resolvidas, pois, desperta o indivíduo para a prática de novas experiências, e ciência porque exige experiência diária através da prática. Nesse contexto o empreendedor é impulsionado a transformar mercados e ter a capacidade de desenvolver novos conceitos, pois a essência do empreendedorismo está na mudança, nessa premissa, pode-se remeter ao conceito de “destruição criativa”, elaborado por Schumpeter (1988), ao qual denota um processo a partir da destruídos e substituídos de produtos ou métodos de produções existentes por novos produtos e novos processos, gerando dessa forma novos modelos, novos mercados, nova concorrência e uma oportunidade de inovação. Para Chiavenato (2004), o espírito empreendedor pode ser entendido como a energia da economia, alavancando recurso e impulsionando talentos, sendo um motivador para a dinâmica de novas ideias. Mediante o entendimento do autor, para ser um empreendedor se faz necessário o exercício diário de transformar ideias em realidades, de materialização do intangível, do abstrato e, acima de tudo, ter paixão pelo que faz. Além disso, conhecimento para utilizar os recursos disponíveis e habilidade de aceita assumir riscos e possibilidade de fracassar. Para Dolabela (2010, p. 25), “o empreendedor é alguém que sonha e busca transformar seu sonho em realidade.” Portanto empreendedorismo é habilidade de identificar alguns produtos e serviços, novas oportunidades de negócios dentro de uma organização ou na dinâmica social, buscando formas de gerenciamentos para transformá-los em negocio de sucesso. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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3 A história do Empreendedorismo O empreendedor surge como uma figura capitalista sendo um profissional que trabalha com seu próprio pensamento e atitudes, sem que ninguém interfira, um profissional que possui habilidades técnicas, planejamento que colabora com desenvolvimento lucrativo. O empreendedorismo se desenvolveu com a criação de serviços diferenciados e valorizados, pois envolvia tempo e esforço e assumia riscos sempre buscando sempre satisfação.(HISRICH, 2004) Percebe-se que no Brasil o empreendedorismo tornou-se mais debatido e difundido como tendência do mercado durante a década de 1990, quando as entidades do SEBRAE e SOFTEX foram criadas, pois antes não se falavam empreendedorismo é em criação de pequenas empresas, pois os ambientes não eram propícios após um tempo passou a optar por um recurso sendo o SEBRAE um órgão que era mais conhecido para dar suporte as pequenas empresas através de consultorias resolverem pequenos problemas em seu negócio. Foi estabelecido programas parar facilitar gestão de tecnologia e assim ampliar o mercado para desenvolver que os empresários estejam capacitados na área da informática. A empresa SOFTEX (Sociedade Brasileiro para Exportação de Software) foi responsável por desenvolver esse programa que aperfeiçoarem o plano de negócios que era pouco explorada por empresários. Através desses programas e junto com as empresas, universidades /curso de ciência da computação/informática o tema empreendedorismo começou a desperta na sociedade. Pode-se dizer que por mais de 20 de anos o Brasil encontra-se com grande potencial, pois se passou ser aplicados nas escolas em todo o mundo. Sendo assim podemos perceber alguns exemplos de ações históricas que foram desenvolvidas para essa direção. Dornelas (2015, p.15), traz alguns exemplos de ações em prol do empreendedorismo:

 Os programas Softex e Geração de Novas Empresas de Software, Informações e serviços (Genesis), criados na década 1990 que tem o objetivo de apoiar atividades empreendedoras e estimular o ensino em da disciplina em universidades e a geração de novas empresas de Software. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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 Ações voltadas para capacitação do empreendedor, com o programa Empretec e Jovem Emprededor do SEBRAE, e o Programa Brasil Empreendedor dirigido a capacitação de empreendedores em todo mundo, sendo vigorado ate de 1999 ate 2002.  Diversos cursos e programas foram criados nas universidades brasileiras para o ensino de empreendedorismo e criação de negócios.  Houve um evento pontual que depois se eliminou, mas contribui para espalhar o empreendedorismo, tratando de uma criação de empresa ponto com motivando o surgimento de várias empresas de Startup de Internet, desenvolvidas por jovens empreendedores.  Em especial o crescimento de movimento de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (Anprotec). Apesar de novos programas e manifestações em consolidação do empreendedorismo no país, ainda faltam políticas públicas pelo governo para colaborar com essa consolidação, por esse fator muitas pessoas adota essa movimentação pela falta de emprego fixo. Outro fator que tem maior atenção de acordo com Dornelas (2015), e que esclarecer a figura do empreendedor que trabalha mediante a sociedade contribuindo para o desenvolvimento da sociedade. O objetivo do autor e a quebra de um paradigma cultural, pois não valoriza os indivíduos que tem construído o país e gerado riquezas que dificilmente são reconhecidos e admirados. Com essa observação de Dornelas essas pessoas por muitas vezes vistos como pessoas de sorte ou que venceram por outros meios alheios pela sua competência. 4 Perfil Empreendedor O empreendedor é definido por Schumpter (1883-1950) como um indivíduo dotado de um perfil específico, capaz de transformar a ordem existente em uma determinada região, através da introdução de novos produtos e ideias. Nesse sentido Timons, (p.61) argumenta que esse indivíduo possui a habilidade de identificar, agarrar e aproveitar uma oportunidade, buscando e gerenciando recursos para transformá-la em um negócio de sucesso. O perfil empreendedor pode ser entendido como um conjunto de características que definem a forma como este encara o mundo bem como suas ações mediantes aos eventos que ocorrem no ambiente em que ele esta inserido, alguém que por meio de produtos e serviços procura superar os existentes no mercado. Diz Degen (2009). Segundo Dornelas (2003) o perfil empreendedor pode ser entendido através de 4 características: TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Comprometimento e determinação;

Tolerância ao risco, ambigüidades e incertezas;

Criatividade, confiança e habilidade de adaptação

Motivação e superação.

Para ele o empreendedor de destaque possui em seu comportamento e valores tais características com certo grau de influencia. Tais características podem são entendidas das seguintes formas: Em relação ao comprometimento e determinação. Comprometimento é a ação de comprometer a tal ato, definir e elaborar metas, já determinação é quando um grupo de pessoas se une e torna-se uma equipe. O comprometimento e a determinação nas organizações ocorrem quando os colaboradores acreditam na sua empresa, nos seus gestores fortalecendo os laços e as relações. No que tange a tolerância ao risco, ambigüidades e incertezas. Tolerância ao risco é o montante de risco que você se sente confortável em assumir quando está selecionando seus investimentos, quanto estará disposto a perder para alcançar ganhos. No âmbito da criatividade, confiança e habilidade de adaptação. A inovação é fundamental para atingir os objetivos trilhados diante da organização, a mesmice nunca foi e nunca será algo a ser abordado em planejamentos estratégicos, mudar é essencial. Com isso ser criativo é fundamental para se diferenciar dos demais concorrentes, obtendo uma confiança maior e habilidades essenciais de desempenho. Acerca da Motivação é superação. Um excelente administrador tem que estar motivado no seu trabalho, à motivação é a trabalhar com uma boa auto-estima e confiança nas atividades desempenhadas superando seus objetivos para alcançar a meta almejada. Para identificar o perfil empreendedor nos indivíduos, foi elaborado por Dornelas (2003) um questionário, que define a influência nos indivíduos de cada uma dessas características, indicando qual o nível esse individuo se encontra no quesito empreendedorismo. A pesquisa foi realizada em um polo industrial de lingerie no interior de Minas Gerais. O polo tem aproximadamente 50 empresas familiares sendo que grande parte dos empreendedores da cidade não possui graduação superior. A grande parte dos empreendedores são nascidos na região e comercializam seus produtos para os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo dentre outros.

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O SEBRAE-MG atende as empresas da região com consultorias nas áreas de gestão financeira, produção e design de moda além de palestras e outros treinamentos. Os produtos são para classe média C e D e as vendas priorizam o atacado. Para entrevista foi selecionado as principais empresas no quesito número de funcionários e longevidade (tempo de funcionamento) conforme tabela 1. Tabela 1: Informações complementares. EMPRESA

Nº Funcionários

Empreendedor nível superior

Longevidade da empresa

E1

09

Sim

09

Utiliza dos serviços do Sebrae-MG -

E2

10

Não

21

-

E3

12

Não

08

-

E4

13

Sim

06

-

E5

14

Não

06

-

E6

23

Não

18

Sim

E7

23

Não

10

-

E8

24

Não

24

Sim

E9

58

Não

30

E10

109

Não

14

Sim

Fonte: Dados da Pesquisa

Após a aplicação do questionário, a pesquisa apresentou as seguintes características conforme pode ser observado no gráfico 1.

Grafico1: Resultados obtidos por questionário.

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Perfil empreendedor

44,9; 37%

36,4; 30%

Comprometimento e determinação

18,9; 16%

Tolerância ao risco, ambigüidade e incertezas

19,9; 17% Fonte: Dados da pesquisa, Outubro 2016.

Considerando as informações complementares e analisando o gráfico pode se perceber que os dados se resultam em valores podendo encontrar o perfil do empreendedor, considerando podemos afirma que: Em relação características pode se dizer que: Comprometimento e determinação obteve a média de 36,4.Tolerância ao risco, ambiguidade e incerteza 18,9. Criatividade, autoconfiança e habilidade de adaptação 19,9. Motivação e superação 44.9. Podendo assim observar que a principal característica adotada foi Motivação e Superação, com maior número de notas. 5 Resultados Para consolidar o resultado foi feita a média das notas de todas as características é obteve a nota igual a 120,01 afirma Dornelas (2003) que na média de 120 a 150 já é um empreendedor, possui as características comuns aos empreendedores e tem tudo para se diferenciar em sua organização. A pesquisa realizada enquadra-se no âmbito da pesquisa qualitativa descritiva segundo Gil (2008) descrever as características de determinadas populações ou fenômenos. Uma de suas peculiaridades está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática sendo utilizado questionário estruturado como fonte de coleta de dados. Sendo realizada no distrito de Vargem Grande na cidade de São João do ManteninhaMG, sendo considerado um polo industrial do ramo de Lingerie, com cerca de 90 empresas distribuídas entre fabricas, lojas, supermercados, farmácias, mercearias e etc., com média de 960 assalariados, o Produto Interno Bruto – PIB corrente per capita da região é de 8.399,87 (IBGE). 90% Dessas empresas trabalham com Lingerie e podem gerar até R$ 60 milhões/ano.

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A partir da análise desses dados, destacando o número de empresas e o fluxo de capital que gira dentro do distrito de Vargem Grande é considerado um polo industrial do ramo de Lingerie, com cerca de 90 empresas distribuídas entre fabricas, lojas, supermercados, farmácias, mercearias e etc, com média de 960 assalariados, o Produto Interno Bruto – PIB corrente per capita da região é de 8.399,87 (IBGE). 90% Dessas empresas trabalham com Lingerie e podem gerar até R$ 60 milhões/ano. A partir da análise desses dados, destacando o número de empresas e o fluxo de capital que gira dentro do o distrito de Vargem Grande possui uma cultura familiar baseada em princípios e costumes passados de geração em geração em grandes famílias da região, importante ressaltar que o que deu início a confecção de Lingerie e/ou moda íntima, hoje a maior fonte de renda do distrito, foi o costume de costura de uma pequena dona de casa que resolveu levar esse trabalho adiante. 6 Considerações finais O objetivo principal dessa pesquisa foi de analisar o grau de desempenho dos empreendedores em relação ao ramo de confecções, surgindo a seguinte problemática: qual o perfil do empreendedor que atua no ramo de confecções no distrito de Vargem Grande. A partir questionário aplicado pode-se analisar o desempenho de cada características. A presente pesquisa apresentou importantes resultados, onde o gráfico houve uma semelhança entre um deles. Assim sendo em questão as características acima a 1º recomenda se que ele tenha mais comprometimento sendo mais participativo determinar algumas decisões que cabe somente ao empresário tomar. O 2º precisa melhorar em tolerar incertezas, podendo ajudar seus colaboradores nos momentos de incertezas. O 3º Precisa ser mais criativo em questão a alguns processos centrados no planejamento que resultem uma visão diferenciada no meio. É o 4º por fim mostra que através de sua motivação eles podem alcançar seus objetivos, se sente com mais autoconfiança para que consiga superar suas dificuldades.

Abstract

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In this work the importance of the course of business administration was discussed, and considering how people should prepare themselves before starting with their small businesses, a tendency that is growing more and more in our environment and developing wealth that end up generating jobs and end up having more knowledge, obtaining a vision of how to deal with the situations how to do, how to do, awakening in him his passion for what he does and always having the will to grow and discovering his entrepreneurial characteristics. It is therefore of paramount importance that graduates leave higher education institutions knowing how to elaborate techniques and skills and administrative functions that were taught during the course and that will be used within a company or business. Being reached the objective of the research that pointed out that the characteristic that predominates in the district and motivation and overcoming and has become source of knowledge in the entrepreneurial area. Keywords: Entrepreneurship, History of entrepreneurship, Entrepreneur Profile. Referências CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo: Dando asas ao espírito empreendedor. São Paulo: Saraiva 1999. 278p. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo corporativo: Como ser empreendedor, inovar e se diferenciar na sua empresa. 2. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. xii, 166 p. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: Transformando idéias em negócio. 5 ed. Rio de janeiro.:Empreende/ LTC, 2015. DORNELAS, José Assis. Empreendedorismo Corporativo: Como ser empreendedor, inovar e se diferenciar em organização estabelecida. Rio de Janeiro, Campus 2003. Material da Escola de Empreendedores da Unitecne. 2004. DOLABELA, Fernando. O Segredo de Luísa. São Paulo: Cultura Editores Associados 1999, Ed.14. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. Ed. São Paulo: Atlas, 2008. RAC, Curitiba, v. 13, n. 3, art. 6, p. 450-467, Jul./Ago. 2009. THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa - ação. 2. Ed. São Paulo: Cort

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LIDERANÇA E PRODUTIVIDADE: A INFLUÊNCIA DA LIDERANÇA CARISMATICA NA AÇÃO PRODUTIVA DO COLABORADOR José Roberto Passos Júnior17*, Marcos Rosa Chaves18**, Simone Alves de Souza**, Simone de Magalhaes Martins19** Walther Anastácio Júnior20**

Resumo A habilidade de influenciar pessoas para o alcance de bem comum é denominada de liderança. Considerando as constantes mudanças vivenciadas pelas organizações, a figura do líder tem se tornado fundamental para ao desenvolvimento e alcance dos objetivos das organizações. Esta pesquisa objetiva analisar o impacto da liderança carismática na produtividade dos seus liderados. Para tal proposta utilizou se do método descritivo e bibliográfico, com análise de dados qualitativos. Concluí- se que a liderança carismática contribui significamente para a produtividade dos seus liderados, pois através a visão estratégica do líder carismático ele alcança confiança e admiração dos seus liderados, conquistando assim cada vez mais seguidores, estes sentem motivados a produzir e alcançar o objetivo da organização. Palavras-chave: Liderança. Produtividade. Liderança carismática. Eficiência. 1 Introdução As organizações contemporâneas atravessam um momento de mudanças que as levam a otimizar suas operações, reduzirem as equipes enxugando a mão de obra existente, de modo que o modelo de controle, gerente-subordinado, não funciona de forma isolada, necessitando assim do envolvimento das pessoas para que as estratégias da organização sejam alcançadas. Nessa perspectiva, o papel da liderança torna-se crucial dentro das organizações. (CONGER, 2011) Seguindo esta premissa a pesquisa em questão tem por objetivo discutir a influência do líder carismático na ação produtiva do colaborador. Para tanto, esse trabalho se propõe a: a) compreender o conceito de liderança; b) evidenciar os estilos de liderança existentes; c)                                                             17

Mestre em Administração. Especialista em Empreendedorismo, Marketing e Finanças. Professor de  Graduação e Pós graduação. E‐mail: juniorjrpj@hotmail.com  18  MBA em Gestão Estratégica de Pessoas. MBA em Gestão Financeira e Controladoria. Professor de graduação  e Pós graduação. E‐mail: marcoschaves.adm@outlook.com  19  MBA em Gestão Empresarial. Especialista em Consultoria para Micro e Pequenas Empresa. Coordenadora de  Extensão e Professora de graduação da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. E.mail:  extensãogv@unipac.br  20  MBA Gestão Financeira e Controladoria. Especialista em Gestão Escolar. Professor de Graduação e Pós  graduação. Email: waltheranastacio@hotmail.com   

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conceituar liderança carismática; definir produtividade; d) distinguir eficiência de eficácia; e) relacionar estilos de liderança e produtividade. O estudo é classificado como qualitativo pois conforme argumenta Flick (2009), tal metodologia é relevante nos estudos das relações sociais e busca compreender os fenômenos que envolvem os seres humanos e suas intrincadas relações sociais, estabelecidas em diversos ambientes (GODOY, 1995). Como forma de interpretação dos dados o estudo será de raciocínio dedutivo, com fins explicativos, tendo como meio de investigação o bibliográfico, que é utilizado quando seu desenvolvimento se dá por meio de material já publicado como livros e artigos. (GIL, 2002) O trabalho é relevante para a sociedade pois a adoção do estilo carismático gera uma identidade coletiva dos seus membros o que reflete no contexto em que estes estão inseridos que é a própria sociedade em questão (GOMES; CRUZ, 2007). É relevante para academia uma vez que o tema liderança cada vez mais alcança espaço em estudos relacionados aos contextos das organizações (OLIVEIRA; DELFINO,2013). No âmbito organizacional o trabalho é relevante pois, o estilo carismático beneficia o cumprimento dos objetivos das organizações conforme argumenta Fiol, Harris e House (1999) influenciando diretamente na eficiência produtiva no trabalho. (GOMES; CRUZ, 2007) 2 Liderança De acordo com Day & Antonakis (2012), a liderança é um dos fenômenos mais estudados nas Ciências Sociais, trata-se de temática que já acumula mais de um século de pesquisas científicas, tópico de interesse multidisciplinar, estando presente nos mais diversos tipos de organizações sejam elas, escola, empresas, quarteis, comunidades e quaisquer outros grupos sociais. Dentre as literaturas que discutem liderança, algumas destacam liderança como sendo o ato e a capacidade de influenciar pessoas que estão a sua volta a exercerem atividades propostas, da melhor forma possível, garantindo assim a cooperação, bem como o alcance dos objetivos previamente estabelecidos (WRIGHT, 2011; HUNTER, 2004). Partindo desse pressuposto, o papel principal do líder é de fornecer suporte imediato aos seus subordinados, para que estes se sintam acolhidos, seguros e possam desenvolver suas atribuições com qualidade e comprometimento (LIDEN; WAYNE; SPARROWE, 2000).

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O líder e sua forma de atuar vão refletir diretamente na construção da cultura organizacional, ou seja nos valores, crenças, hábitos, normas e condutas que dão identidade, sentido e destino a organização para que esta realize seus objetivos. (SOTO,2002) O estilo de liderança predominante nas organizações tem reflexo direto no ambiente, nas relações de trabalho e no desempenho do trabalhador, e pode-se concluir que o tipo de relação estabelecida entre líder e liderados contribui para a harmonia no ambiente organizacional. Ao longo dos anos ocorreram mudanças relevantes no ambiente organizacional, tornando as empresas mais complexas e exigindo de seus gestores novas metodologias de gestão e de relacionamento interpessoal, o que resultou em diferentes estilos de liderança. 2.1 Estilos de liderança existentes Para Wright (2011), os estilos de liderança não são, via de regra, rígidos e imutáveis, mas, podem ser aperfeiçoados conforme o tipo e características das organizações. estilos de liderança dizem respeito do comportamento do líder no exercício da sua função. São vários estilos de liderança existente, tais como: afetiva, autoritária, liberal, autocrática democrática, diretiva, participativa, carismática, transacional e transformacional dentre outras. O entendimento da visão do líder, bem como sua capacidade de assumir riscos calculados, ou de apresentar um comportamento inerte frente a situações indesejáveis, torna-se possível apoiado no conhecimento dos estilos de liderança. Cada estilo de liderança demonstra o tipo de comportamento do líder frente aos seus liderados dentro de uma organização (MARQUES,2016). Sendo que aqui focaremos no estilo de liderança carismático. De forma a abordar como o líder carismático tem influenciado na produtividade dos seus liderados. (MAXIMIANO 2010; MARQUES 2016) 2.2 Liderança carismática Carisma é uma palavra, originada na Grécia, que significa “dom de Inspiração divina”, tal como a habilidade de realizar milagres ou predizer acontecimentos futuros (YUKL, 1997). O conceito de carisma foi atribuído aos líderes a partir da década de 1980, através de Max Weber, primeiro pesquisador a contextualizar liderança carismática correlacionando-a líderes TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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religiosos e políticos que detinha do poder para curar aconselhar e profetizar sobre as pessoas que o seguiam. (CONGER, et al 1997) O líder carismático possuí personalidade distinta que atrai um contingente significativo de seguidores pelas ideias que defende (CONGER,2011).Para Fiol; Harris; House (1999) é através dos valores compartilhados pelo líder, que os seus liderados manifestam motivações intrínsecas para o cumprimento dos objetivos, expressam ainda autoestima, sensação de autorrealização e identificação com o propósito da organização. Com a partilha desses valores os líderes carismáticos criam geralmente, um vínculo emocional único com seus seguidores, baseado, essencialmente, em valores compartilhados. 2.3 Produtividade eficiência e eficácia; Ao abordar acerca da produtividade, deve-se ter claros os conceitos sobre eficiência e eficácia, bem como da diferença que tais conceitos possuam dentro de uma organização. Para Chiavenato (2003), a organização deve ser analisada

de forma que a eficiência e eficácia,

estejam interligadas. A eficiência não se preocupa com os fins, mas apenas com os meios, ela se insere nas operações, com vista voltada para os aspectos internos da organização, mais importante que o simples alcance dos objetivos estabelecidos é deixar explícito como esses foram alcançados. Existe claramente a preocupação com os mecanismos utilizados para obtenção do êxito da ação, ou seja, é preciso buscar os meios mais econômicos e viáveis, fazer o melhor com menores custos, utilizando a racionalidade econômica que busca maximizar os resultados e minimizar os custos. (TORRES, 2004, p. 175) Partindo desse pressuposto, a eficácia é quem se preocupa com os fins, em atingir os objetivos, que se insere no êxito do alcance dos objetivos, com foco nos aspectos externos da organização. Quando o gestor utiliza os instrumentos fornecidos por aqueles que executam para avaliar o alcance dos resultados, isto é, para verificar se as coisas bem-feitas são as que realmente deveriam ser feitas, então ele está se voltando para a eficácia, alcance dos objetivos através dos recursos disponíveis. (CASTRO, 2006) Pode-se dizer que eficácia mede a relação entre os resultados obtidos pelo empregado mediante os objetivos apresentados pela liderança, almejados pela organização, uma liderança efetiva deve saber alinhar os dois conceitos, alcançando assim resultados satisfatórios para a organização.

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2.4 Estilos de liderança e Produtividade 2.4.1 Liderança transacional Em conformidade com Maximiano (2010) a liderança transacional é um estilo de liderança cujo foco seja a obediência ao líder, associada à oferta de recompensa financeira ao colaborador por obedece-lo, caso contrário será punido. O estilo de liderança transacional contrapõe-se ao estilo carismático: pois, o

líder

transacional utiliza da negociação, manipulação e promessa de recompensas para tentar induzir as pessoas sob seu comando, enquanto o líder carismático cativa os seus liderados. 2.4.2 Liderança Carismática Conger (2011) nos diz que este estilo São líderes com alto poder de cativar, estrategicamente fazem uso de seus atributos para agregar um maior número de seguidores. Envolve os liderados a se motivarem para resolver situações complexas de forma visionária e inspiradora, ao passo que os seguidores observam no líder a imagem de alguém que está disposto a resolver qualquer situação conflitante, que consiga manter o foco e direcionar os liderados (CONGER,2011). Seguindo esse pensamento um componente visível no comportamento do líder é a visão estratégica, pois, consegue perceber o ambiente interno e externo com mais facilidade. Conger (1997) afirma ser essa característica essencial para as organizações que tem por objetivo sustentar uma vantagem competitiva no mercado. 2.4.3 Liderança transformacional Estilo de liderança em que o líder tem habilidades de transformar o ambiente e a realidade dos lugares por onde passa, possui capacidade para solucionar problemas de qualquer complexidade (MARQUES 2016). De acordo com Wright (2011) este modelo de liderança está cada vez mais presente nas organizações.

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2.4.4 Liderança Situacional Silva e Kovalesski (2006) destacam que o fator chave da liderança situacional é a necessidade de o líder desenvolver sua sensibilidade e percepção, pois em qualquer situação em que uma equipe possa estar a liderança sempre deverá realizar suas funções básicas de gerir com atenção concentrada nos objetivos e resultados. Trata-se de liderança mais conveniente para o desenvolvimento, e também, indica a probabilidade de sucesso de acordo com a capacidade do líder de diagnosticar e estabelecer parceria para o desempenho da equipe liderada. 3 Metodologia A identificação dos procedimentos metodológicos é de suma importância para elaboração de um trabalho científico, pois se fazem necessárias indicações e instruções que dirigirão esta pesquisa, que se trata de um estudo teórico da relação entre o estilo de liderança carismático e a produtividade, quanto ao raciocínio lógico, é dedutivo por fazer análise da relação do impacto da liderança na produtividade. Quantos aos objetivos é de caráter descritivo com utilização de meios de investigação bibliográfica com abordagem qualitativa. A pesquisa bibliográfica reúne informações acerca de obras já publicadas, proporcionando ao leitor a base de tudo o que foi escrito sobre determinado assunto. Os autores Lakatos e Marconi afirmam que: a pesquisa bibliográfica, também conhecida como fontes secundarias, tem a finalidade de colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto, de forma a abranger toda bibliografia já publicada em relação ao tema de estudo. (LAKATOS E MARCONI, 2002, p.71).

Segundo GIL (2002) a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. E acrescenta que há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Quanto aos fins, o estudo é classificado como descritivo neste tipo de pesquisa não há interferência do pesquisador nos fatos, ele analisa, classifica e interpreta-os sem manipular a ideia central do autor (ANDRADE, 2010). TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Quanto ao raciocínio lógico é o de dedução, o propósito deste raciocínio é de explicitar o conteúdo das premissas. Argumentos dedutivos falam de algo que estão corretos ou incorretos, não sustentam intermediários (LAKATOS E MARCONI, 2011). Quanto a abordagem da pesquisa, usou-se os métodos qualitativo. De acordo com Lakatos (2002, p.64) “a metodologia qualitativa preocupa-se em analisar e interpretar aspectos mais profundos, descrevendo a complexidade do comportamento humano.” De acordo com Godoy (1995) a pesquisa qualitativa busca compreender os fenômenos que envolvem os seres humanos e suas intrincadas relações sociais, estabelecida em diversos ambientes. 4 Apresentação de dados e análise de resultados As organizações têm percebido cada vez mais a necessidade de adoção de estilo de liderança adequados as tendências contingências tanto interna quanto externas, os motivos internos tendem a ocupar um maior direcionamento por parte da liderança, pois cabe ao líder manter o nível de satisfação e motivação dos funcionários elevados, de maneira que estes sintam-se valorizados e com isso reflitam positivamente estes aspectos no relacionamento e produtividade (WRIGHT,2011). Dornelas (2007) afirma que um fator preponderante para o melhor desempenho dos funcionários e, como consequência maior rendimento organizacional é trabalhar em conjunto com pessoas carismáticas. Portanto alguém com carisma provavelmente será mais capaz de influenciar os outros do que alguém sem essa característica” (RICKY W. GRIFFIN

e

GREGORY MOORHEAD,2007) De acordo com Conger (1997) os líderes carismáticos apresentam suas ideias de modo visionários, neste sentido a visão estratégica é um componente evidente no comportamento do líder carismático, poia consegue perceber o ambiente interno e externo com mais facilidade. A influencia baseada no carisma pessoal do líder em um ambiente igualitário cria em seus liderados confiança, de forma que estes aumentam seu rendimento e para que isto de fato ocorra é necessário que as organizações estejam constantemente abertas às mudanças tanto no seu ambiente organizacional interno quanto no ambiente esterno de forma que continue fortes e competitivas no mercado. (DORNELAS,2007) Segundo Gomes; Cruz (2007) a liderança carismática exige alguns atributos de personalidade, como: níveis elevados de autoconfiança, tendência para dominar as relações com TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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os outros, necessidade de influenciar o pensamento das outras pessoas e uma grande convicção acerca da virtude das suas idéias e padrões morais.

Líder carismático apresenta maior

capacidade de disseminar uma visão inspiradora em suas organizações, pois, através da propagação da sua missão de vida conquista a admiração e atenção dos liderados. Possuem alto poder de cativar e fazem uso estratégico de seus atributos comportamentais para agregar um maior número de seguidores (CONGER, et al,1997). A liderança carismática dá ao líder a certeza de que os outros vão desempenhar corretamente seus papéis, cumprir suas tarefas e compromissos, portanto, a alquimia do talento, pressupõe integridade e transparência, no relacionamento entre líder e liderados, com vínculos sólidos de confiança. Seguindo essa premissa, a oferta de maior autonomia por meio deste estilo de liderança, resulta em trabalhadores mais satisfeitos e consequentemente, na redução de absenteísmo, em uma melhor produtividade com qualidade. (YULK,2011) Liden; Wayne; Sparrowe (2000) afirma que é visível que a relação de apoio e orientação do papel do líder carismático para com seus liderados influenciam diretamente nos resultados individuais. De forma a deixar claro que o papel do líder impacta na motivação, satisfação, desempenho e principalmente na produtividade dos seus liderados. 5 Considerações finais Retomando o objetivo principal deste estudo de descrever a influência da liderança carismática na produtividade e eficiência do trabalhador, e considerando o cenário atual que as organizações estão vivenciando, evidencia-se que é fundamental que o estilo de liderança adotado pelo líder seja capaz de influenciar o comportamento de outro individuo ou grupo, para que em conjunto possa alcançar com eficiência uma melhor produtividade dentro da organização. Segundo os autores Liden; Wayne; Sparrowe (2000) é importante considerar que a liderança carismática contribui significamente no estado emocional dos seus liderados, ao provocar sentimentos de autoestima, autodeterminação, valorização e satisfação nestes. Seguindo os autores supracitados pode se concluir que há casos em que apenas a presença de um líder carismático leva a aumentos substanciais de produtividade em uma organização, pois o carisma da liderança gera respostas positivas a seus liderados e, consequentemente, maiores dedicação obtendo, assim, melhores resultados e produtividade.

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Abstract The ability to influence people to reach the common good is called leadership. Considering the constant changes experienced by organizations, the figure of the leader has become fundamental for the development and achievement of the organizations' goals. This research aims to analyze the impact of charismatic leadership on the productivity of its leaders. For this proposal we used the descriptive and bibliographic method, with qualitative data analysis. It is concluded that charismatic leadership contributes significantly to the productivity of its leaders, because through the strategic vision of the charismatic leader it reaches the confidence and admiration of its leaders, thus conquering more and more followers, they feel motivated to produce and reach the goal of organization. Key Words: Leadership. Productivity. Charismatic leadership. Efficiency.

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O SENTIDO DA DIGNIDADE NO ÂMBITO DAS RELAÇÕES ENTRE EMPRESA E COMUNIDADE: A PERSPECTIVA DOS GESTORES DA ORGANIZAÇÃO José Roberto Passos Júnior21 Resumo O objetivo deste estudo foi identificar quais são os sentidos da dignidade no relacionamento entre empresa e comunidade na perspectiva dos gestores da empresa. Trata-se de uma pesquisa qualitativa através da construção de mapas de associações de ideias e árvores associativas desenvolvida no âmbito da psicologia social. As perspectivas teóricas que orientaram o estudo foram o interacionismo simbólico e o construcionismo social. O resultado da pesquisa revela que os sentidos de dignidade são identificados nas práticas estabelecidas e normatizadas pela empresa ocorrendo por meio de um processo de interação social no relacionamento entre empresa e comunidade. Palavras-chave: Dignidade. Interacionismo simbólico. Construcionismo social. Mapas de associações de ideias. Árvores associativas. 1 Introdução O conceito de dignidade humana encontra-se em permanente processo de construção, evolução e desenvolvimento (ROCHA, 2001; SARLET, 2009), assumindo uma natureza heurística e sendo despojado de qualquer contexto e definição absoluta (HUGHES, 2011). Para Mattson e Clark (2011), o termo dignidade é amplamente entendido como uma consequência, um princípio, um valor e uma experiência, sendo estes devidamente orientados com base nas perspectivas filosófica, jurídica, pragmática, psicológica, comportamental e cultural. Por ser manifesta de forma dinâmica, a esfera jurídica torna-se incapaz de promover e garantir as relações de dignidade entre indivíduos e coletividades, tonando o interacionismo simbólico uma perspectiva que tem se mostrado útil para compreender relações de dignidade entre os atores sociais (SARLET, 2009; ARAUJO, 2011). Sendo utilizado como uma perspectiva teórica para o estudo de relações de dignidade humana no contexto organizacional (HILGARTNER e BOSK, 1988; MAINES, 1977; STRAUSS, 1982; OVERINGTON e MANGHAM, 1982; CAVALCANTE, 2008; CARVALHO, 2010; SAUERBRONN e AYOROSA, 2010; ARAUJO 2011).

                                                            Mestre em Administração. Especialista em Empreendedorismo, Marketing e Finanças. Professor de Graduação e Pós graduação. E-mail: juniorjrpj@hotmail.com 21

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Araújo (2011) se propôs a compreender como são construídos socialmente os significados de dignidade humana no âmbito da relação entre uma comunidade local e duas empresas situadas em sua imediação geográfica, utilizando-se da perspectiva do interacionismo simbólico como recurso teórico-metodológico. Esse fenômeno foi analisado pelo autor sob o olhar exclusivo da comunidade, tendo sua origem na percepção unilateral de um dos atores, caracterizando-se como restrito a um dos lados da relação, uma vez que o contexto social é obrigatoriamente interpretado pelos atores que interagem nesse ambiente. Neste sentido, fica em aberto o estudo do sentido de dignidade na perspectiva dos gestores da empresa, sendo estes os tomadores de decisões e influenciadores nos resultados da organização. Esse ponto foi observado pelo próprio Araújo (2011) em suas conclusões, sendo citado como possibilidade de estudos futuros. Com base na lacuna apresentada, esta pesquisa visa responder ao seguinte problema: Quais são os sentidos da dignidade atribuídos pelos gestores no relacionamento entre empresa e comunidade? Para responder ao problema proposto, a pesquisa tem por objetivo identificar quais são os sentidos da dignidade atribuídos pelos gestores no relacionamento entre empresa e comunidade. Para tanto a pesquisa se propõe: a) utilizar o interacionimo simbólico e o construcionismo social como perspectivas teóricas metodológicas no processo de interpretação; b) utilizar os mapas de associações de ideias no processo de análise dos dados; c) criar uma árvore de associações de ideias identificando os sentidos de dignidades; d) discutir os sentidos de dignidade encontrados na pesquisa com a literatura existente; e) propor estudos futuros acerca do tema. Assim, tem-se o tema da dignidade como fenômeno principal de interesse deste trabalho. A utilização da perspectiva do construcionismo social com uso de mapa de associação de ideias para análise dos dados empíricos encontra respaldo nos trabalhos de Spink e Lima (2004). Segundo Vergara (2010), os mapas de associações de ideias têm sido usados para pesquisas na área de psicologia social, sendo ainda pouco conhecidos nos estudos de administração. A empresa pesquisada tem sua sede no interior do Estado de Minas Gerais, cuja escolha se deu pelo conturbado relacionamento existente entre empresa e comunidade no processo de planejamento, construção e operação da empresa. A escolha dos gestores como sujeitos da pesquisa se justifica porque, de acordo com Cavalcante (2008), a organização pode ser representada por meio de símbolos, linguagem, signos e imagens em constante interação

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com o ambiente, sendo os gestores organizacionais, conforme argumentam Schein (1985) e Fligstein (2007), considerados os grandes fomentadores e controladores desse discurso. 2 Referencial Teórico Para compreender o conceito de dignidade e sua utilização em âmbito organizacional, faz-se necessário entender como ocorreu seu desenvolvimento nas varias áreas de estudo. Dessa forma será apresentado o seu desenvolvimento nas áreas de filosofia, direitos humanos, estudos organizacionais e, posteriormente, no campo organizacional por meio da perspectiva do interacionismo simbólico e do construcionismo social. A dignidade, segundo Kant (1724-1804), concebia o homem como um valor absoluto, com um fim em si mesmo, porque ele era dotado de razão e autonomia, consideradas sua fonte de dignidade (TAIAR, 2008). Por isso, Araújo (2011) argumenta que a razão e a autonomia para ação e o pensamento decorrente do caráter racional humano são fontes de dignidade. O pensamento de Kant (2005) relaciona a vontade do homem com as leis vigentes que o próprio homem inventou e se vale da capacidade de o homem obedecer a essas leis (GOSDAL, 2007; ARAUJO, 2011). Essa ação de obediência ocorre no âmbito da razão. Dessa forma, Kant (2005) entende que somente aqueles indivíduos que apresentam identidade moral e auto responsabilidade, sendo dotados de razão prática e capacidade racional de autodeterminação, podem ser entendidos como dignos. Se a dignidade pode ser entendida como capacidade moral atribuída a cada indivíduo, como ocorre, então, a violação da dignidade? Araújo (2011) responde a essa questão argumentando que a violação da dignidade ocorre quando a vontade humana considerada como inviolável não é respeitada. Ou seja: ocorre uma perda ou violação da autonomia do ser humano. Habermas (2010) mostra que essa percepção de violação da dignidade surge de uma multiplicidade de experiências do ser humano e do que significa ser humilhado e profundamente magoado. Para Kant (2005), a dignidade não pode ser trocada, pois não é objeto de mercadoria. A violação da dignidade, portanto, trataria o homem como um ser irracional, reduzindo-o a coisa e inibindo sua liberdade e consequentemente sua autonomia. E qualquer tentativa de redução do homem, por si próprio ou por seu semelhante, se traduz em uma tentativa de violação dessa dignidade. A dignidade humana nos estudos organizacionais tem sido estudada com base em três vertentes: dignidade do trabalhador, dignidade no trabalho e dignidade organizacional (ARAUJO, 2011). Para este autor, esses três aspectos, apesar de interligados, tornam-se TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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distantes em razão da dinâmica estabelecida em cada discurso: a dignidade do trabalhador retrata o indivíduo e seu sentimento laboral; a dignidade no trabalho evidencia as condições ambientais indicadas como dignidades ao trabalho; a dignidade organizacional se limita aos estudos de dignidade no nível institucional da organização. Araújo (2011), argumenta que os membros da comunidade classificam e nomeiam os elementos que representam a sua dignidade por meio de um mundo categorizado, que é objeto de classificação. Essa afirmação está alinhada ao entendimento de Carvalho (2010), pois, segundo ele, o indivíduo só toma consciência da realidade e de seus significados quando se identifica com os símbolos existentes em seu ambiente de interação. O interacionismo simbólico contribui com tal entendimento pois, é uma abordagem da ciência social com intuito de estudar a vida social e seus atores sendo constituído tanto por uma perspectiva teórica quanto por uma orientação metodológica. Tem o objetivo de entender o mundo das experiências vividas por meio do olhar dos atores desse contexto, estando inseridos no paradigma interpretativista (MENDONÇA, 2002). Para o entendimento desse processo em que as pessoas descrevem, explicam ou dão conta do mundo em que vivem, Gergen (1985) propõem que seja realizada uma investigação na perspectiva construcionista. Rosa, Tureta e Brito (2006) ressaltam que o conhecimento na teoria do construcionismo não é de propriedade dos indivíduos, mas ocorre quando esses indivíduos interagem socialmente em atividades compartilhadas por meio das práticas linguísticas. Se o conhecimento na perspectiva construcionista é de caráter dinâmico sendo construído por meio de uma atitude cooperativa entre os sujeitos, o que fazer com os paradigmas arraigados nas culturas sociais presentes nos hábitos, crenças e valores de uma sociedade? Mediante esse questionamento, Spink e Frezza (2004) e Rosa, Tureta e Brito (2006) propõem a criação de espaços para novas construções de conhecimento, o qual é chamado de desfamiliarização, que permite a convivência com novos e antigos conteúdos, conceitos e teorias, ocasionando, assim, um rompimento com o paradigma vigente. Na visão construcionista, segundo Spink e Medrado (2004), a produção de sentidos se processa no contexto social, orientada pela tradição interacionista, de processos criativos mediados pelas expectativas e pressupostos pessoais levados ao ambiente e ao outro, em que a linguagem, na perspectiva das práticas discursivas, se faz presente, não representando simplesmente um reflexo da realidade, mas exercendo uma função criativa da interpretação e reinterpretação da realidade (ROSA; TURETA; BRITO, 2006).

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Associando o pensamento interacionista à perspectiva construcionista, argumenta-se neste trabalho que o mundo é descrito pelo sujeito, pelo sentido que este descreve e dá conta das realidades vividas (ROSA; TURETA; BRITO, 2006). Tais autores destacam que o construcionismo ou movimento construcionista tende a alinhar-se tanto com as pesquisas organizacionais, uma vez que rompe com o modo tradicional de fazer ciência, buscando transcender a dualidade sujeito-objeto, quanto com o pensamento interacionista, porém sem se limitar ao self, considerando que o conhecimento acerca da realidade é socialmente construído e essa construção ocorre por meio da linguagem, história e cultura contextualizadas (PEREIRA et al., 2008). Portanto, pode-se afirmar que o fenômeno dignidade pode ser investigado por meio de um processo metodológico de produção de sentidos adotando a perspectiva do interacionismo simbólico e a abordagem do construcionismo social. 3 Metodologia A proposta metodologia desenvolvida nesta pesquisa foi norteada pela abordagem de Spink e Lima (2004) por meio da utilização de mapas de associação de ideias e tem como objetivo subsidiar o processo de análise e interpretação de dados da pesquisa facilitando a comunicação dos resultados verificados (VERGARA, 2010). Esse processo ocorre quando os mapas de associação de ideias sistematizam o processo de análise das práticas discursivas em busca dos aspectos formais da construção linguística (SPINK e LIMA, 2004). Por isso, a abordagem proposta nesta pesquisa está em consonância com a abordagem do interacionismo simbólico e do construcionismo social, pois, conforme Spink e Frezza (2004), as práticas discursivas constituem o ponto central da abordagem construcionista e são produzidas por meio de um processo de interação social, símbolos produzidos de uma história compartilhada por meio dos quais nos comunicamos (NASCIMENTO et al., 2008). A análise dos resultados da pesquisa realizada é esclarecida por meio dos sentidos resultantes do processo de interpretação, sendo essa a atividade-fim da pesquisa (SPINK e LIMA, 2004). Nesta atividade, Spink e Lima (2004) salientam que, para assegurar o rigor no âmbito do construcionismo, sendo o rigor entendido como a objetividade possível no âmbito da intersubjetividade, propõe-se a utilização dos mapas de associações de ideias, que possibilitam explicitar os passos da análise e da interpretação, propiciando dessa forma o diálogo. Para Vergara (2010), o rigor deixa de se ater à validade, fidedignidade, generalização dos resultados, TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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rompendo com os critérios do monismo (único) metodológico e passando a ser associado à visibilidade, assumindo uma nova postura da polissemia (muitos significados) da reflexividade e da ética (SPINK; MENEGON, 2004). A proposta da adoção do método de mapas de associação de ideias, conforme Vergara (2010), vem colaborar para a explicitação e transparência dos processos de pesquisa, ocorrendo desde a definição dos critérios para seleção dos sujeitos até o modo por que os dados foram tratados. A pesquisa está alinhada com a vertente da pesquisa qualitativa de acordo com Spink e Menegon (2004). Richardson (1999) argumenta que a escolha por esse tipo de pesquisa possibilitará que os dados e análises qualitativas gerem informações em profundidade, permitindo a compreensão de situações que podem facilitar a geração de teorias, particularmente com respeito a novas questões ou àquelas sobre as quais pouco se sabe. Como estratégia de pesquisa, será utilizada a técnica de produção de mapas de associações de ideias baseadas na proposta de Spink e Lima (2004). Os mapas se alinham com a abordagem teórico-metodológica proposta e contribui para uma análise por meio do interacionismo simbólico e construcionismo social, permitindo uma investigação em que se preservem as características holísticas e significativas dos eventos da vida real, analisando os participantes relativamente a ações e interações (BLUMER, 1982). Os sujeitos da pesquisa são os gestores da organização analisada. Para tanto, foram utilizadas entrevistas em profundidade, com roteiro semiestruturado como técnica de coletas de dados vistos como prática discursiva com produção de sentidos, fazendo da linguagem a ferramenta para construção da realidade (PINHEIRO, 2004). Bardin (2009) afirma que, na entrevista, o sujeito entrevistado faz uso de sua linguagem cognitiva, de sua forma particular de expressar e descrever acontecimentos práticos, crenças, episódios passados e juízo. Esse tipo de entrevista tem como objetivo compreender os significados atribuídos ao tema de interesse, sendo respeitada a individualidade do entrevistado desenvolvendo uma ideia de como ele (o sujeito) interpreta os aspectos de sua vivência diária (FLICK, 2004). Para realização da pesquisa, foi escolhida a empresa de nome fictício, Empresa Padrão, situada entre quatro cidades vizinhas. Com intuito de preservar a identidade das cidades e da empresa, optamos por denominá-las de Cidade do Sol, Cidade Velha, atualmente denominada Cidade Nova, e Cidade do Leite, localizadas no interior de Minas Gerais, e Cidade Capixaba, localizada no interior do Espírito Santo. 3.1 A Empresa Padrão – Histórico e Contexto TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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A Empresa Padrão foi escolhida devido ao relacionamento conturbado existente entre empresa e comunidade desde o início de sua construção até períodos recentes. Com intuito de preservar sua identidade, não será caracterizada a empresa quanto à sua área de atuação e estrutura. A Empresa Padrão foi inaugurada em 2006 com um investimento aproximado de R$ 750 milhões financiados pelo BNDES, dos quais R$ 290 milhões em aquisições de terras, recomposição, compensação e gestão ambiental, sendo desapropriadas 623 propriedades (553 urbanas e 70 rurais). Também ocorreu o deslocamento compulsório de 80 famílias de meeiros e trabalhadores assalariados não proprietários, das quais 30 foram reassentadas em área rural e 50 optaram por área urbana. Dessa forma, conforme destacam Lopes, Trigueiro e Ciccarone (2012), a construção da Empresa Padrão trouxe uma dualidade antagônica de sentimentos para seus moradores. Para uns gerou euforia com o leque de possibilidades econômicas prometidas; para outros, angústia, na eminente extinção da Cidade Velha. Segundo Stryker (1980), se as identidades associadas às demandas conflitantes possuem grau semelhante de saliência, o conflito tende a ser mais severo, o que torna os atores no processo de interação mais críticos e conscientes do seu poder negociação. Têm-se, então, como demandas conflitantes, na percepção da comunidade, o descumprimento de acordos estabelecidos entre as partes, além da agressão aos sentidos, ritos simbólicos e identidade das comunidades das três cidades envolvidas. E, na percepção dos gestores da empresa, a falta de informação e o oportunismo da comunidade exigindo ações para benefício próprio. Dessa forma, os sentidos de dignidade são evidenciados pelos sentidos de indignidade, por parte tanto da empresa quanto da comunidade, tornando-se percepções latentes pronta para serem exploradas. Para Thomas (1937), se os membros de uma sociedade definem sua relação com os membros de outra sociedade como (in)digna, elas vivenciam as consequências de uma relação (in)digna. Tais consequências são percebidas por ambas as partes envolvidas, empresa e sociedade, cujo foco desta pesquisa, conforme salientado anteriormente, são os gestores organizacionais. Para identificação dos sentidos de dignidade no relacionamento entre empresa e comunidade, na ótica dos gestores da organização, foram realizadas entrevistas em profundidade com os gestores da Empresa Padrão. No total foram realizadas dez entrevistas, das quais sete no escritório central, localizado na Cidade do Sol, duas no parque botânico, localizada na Cidade Capixaba – e somente uma em residência particular.

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3.2 Análise dos Dados Antes de adentrar o método propriamente dito, é importante salientar que o processo de interpretação foi concebido como um processo de produção dos sentidos, sendo o meio e o fim da pesquisa (SPINK; LIMA, 2004). Desse modo, conforme argumentam Spink e Lima (2004), a interpretação ocorre durante todo o percurso da pesquisa, não havendo momentos distintos entre o levantamento das informações e a interpretação. Para a análise e interpretação dos dados na identificação dos sentidos de dignidade, foi utilizada a análise de conteúdo temática, que consiste em dividir o texto em alguns temas e/ou subtemas principais (BARDIN, 2009). Spink e Lima (2004) salientam que, para fazer imergir os sentidos, é necessário o desenvolvimento dos mapas de associações de ideias que permitem um processo interativo entre a análise de conteúdo e a elaboração de categorias, proporcionando uma ruptura com os modelos vigentes (SPINK; LIMA, 2004). Vergara (2010) ressalta que o mapa de associação de ideias tem por características principais: a) dar visibilidade ao processo de análise por meio da organização de dados em estado bruto, em colunas correspondendo aos temas definidos pelo pesquisador; b) permite apresentação dos dados na sequência coletada, sem sua fragmentação; c) é um método flexível, permitindo que as categorias sejam redefinidas à luz dos dados; d) são úteis tanto para a organização dos dados como para sua interpretação. 3.3 Resultados Para a identificação dos sentidos de dignidade no relacionamento entre empresa e comunidade, foram utilizadas as árvores de associação de ideias, ferramentas consideradas como estratégias complementares aos mapas de associações de ideias (SPINK; LIMA, 2004). A pesquisa partiu da crença de que o sentido de dignidade é identificado e repassado socialmente dentro da organização e que as estratégias e ações da empresa no relacionamento com a sua comunidade de entorno são evidenciadas por meio de suas práticas de (in)dignidade. Os sentidos de dignidade são entendidos pelos gestores com base em duas vertentes: o reconhecimento que alude ao fato de ter suas ações reconhecidas pela comunidade local como benéficas ao crescimento e desenvolvimento, abordando duas dimensões a dimensão social e a dimensão sociológica, e o cumprimento das condicionantes que se refere aos cumprimentos das obrigações legais sancionados pela justiça e que envolve quatro dimensões: as dimensões econômica, ambiental, social e psicológica. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Nesta pesquisa, a identificação dos sentidos da dignidade no contexto geral é evidenciada por meio da percepção dos sentidos de dignidade pelos gestores, sendo esses sentidos identificados em suas estratégias, planos de ação e práticas no relacionamento entre os sujeitos, empresa e comunidade. Embora a identificação dos sentidos de dignidade ocorra socialmente no processo de interação, foi verificado na pesquisa que os gestores da empresa utilizam mecanismos capazes de direcionar seu discurso para um determinado foco, o que ocasionou repetições nas falas e rápida saturação em determinados assuntos. No tocante aos sentidos de indignidade, os gestores identificam os sentidos de indignidade como oportunismo, não reconhecimento e não diálogo. Tais sentidos de indignidade na ótica das práticas da empresa abrangem três dimensões: a dimensão social, que diz respeito às frustrações de expectativa da comunidade devido a promessas e obrigação não cumpridas pela empresa. É importante verificar que os entrevistados apresentaram o cumprimento das leis como conceito de dignidade e seu não cumprimento como prática de indignidade, o que torna as práticas consistentes com os conceitos. Outro item nessa dimensão diz respeito à falta de zelo da empresa, ao realocar as pessoas, deixar de informar, e assim falhando em estabelecer um diálogo. Tais práticas são antagônicas aos argumentos sobre o entendimento do sentido de dignidade pelos gestores. A respeito dessa dimensão os gestores se justificam afirmando que o empreendimento gera impactos que se encontram solucionados pela empresa. O impacto ambiental é justificado mais uma vez, dissolvendo-se nas práticas de dignidade da empresa e na percepção dos gestores. A dimensão social é dividida em duas práticas de indignidade: a imposição de mudança e a negação da informação. A imposição de mudança ocorreu em meio à pressão dos parceiros da empresa na conclusão de suas atividades. E a negação da informação, ou seja, informações sobre andamento das obras, custos, além de outros que não foram transmitidos para sociedade, foi gerador de incertezas e confusões alavancando ações repressivas da comunidade contra a empresa. Na visão dos gestores da empresa, as práticas de indignidade cometidas pela comunidade dizem respeito às dimensões social e psicológica. Na dimensão social foi identificada como prática de indignidade a má-fé, que atua nas esferas políticas, pois, conforme os gestores da empresa, os órgãos públicos utilizam ferramentas de publicidade para realizar política contrária à da empresa. Na esfera social, no que diz respeito às manifestações ilegítimas, são as manifestações da comunidade em oposição às práticas da empresa. Tais manifestações são realizadas sem informação e sem organização, porém muitas delas resultaram em depredações do patrimônio da empresa. A falta de TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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informação é proveniente da falta de diálogo entre os pares, identificada como um dos sentidos de indignidade. Mais uma vez, observa-se que os sentidos de indignidade, assim como os de dignidade no tocante a esta pesquisa, são identificados por meio da linguagem e das práticas cometidas pela empresa e comunidade mediante a percepção dos gestores da empresa. Verificase também, na análise da entrevista, que a falsidade ideológica, calúnia e difamação são práticas da comunidade consideradas indignas pelos gestores da empresa. A falsidade ideológica ocorre quando um sujeito ou grupos de sujeitos conseguem na justiça um direito por lei sem merecêlo. Quando indagados se a empresa não estaria dessa forma, cumprindo com uma condicionante, uma vez que ela entende que cumprir com as obrigações legais é dignidade, os gestores responderam que essa prática não era digna, era oportunismo por parte da comunidade, identificando o oportunismo como sentido de indignidade assumindo que a justiça não é capaz de garantir a dignidade nas relações entre empresa e comunidade (SARLET, 2009; ARAUJO, 2011). Nesse sentido pode-se afirmar que o sentido da dignidade é tão socialmente construído, que ele varia, alterna, migra e se transforma, sendo dessa forma situacional e contraditório. Taiar (2008) argumenta que um indivíduo pode valer-se do seu direito de dignidade para violar o direito do outro, comprovando o dinamismo do conceito e seu caráter situacional. Em face dos argumentos contidos na entrevista, a identificação dos sentidos de dignidade por meio da árvore de associação de ideias e a afirmação de Vergara (2010), tem-se que os sentidos orientam as práticas. A pesquisa constatou que os sentidos de dignidade atribuídos pelos gestores da empresa estão além dos estabelecidos pelas normas e regulamentados pela esfera jurídica, sendo balizados, conforme o entendimento de Houais e Vilar (2001), como qualidade moral, respeito, consciência de valor, honra, autoridade, nobreza e a maneira como o indivíduo se comporta dando sentido de respeito, valores e amor próprio. Adotando também uma concepção kantiana de dignidade inerente ao ser humano. A Figura 1 apresenta uma síntese dos sentidos de dignidade e indignidade atribuídos pelos gestores da organização e seus desdobramentos, sendo estabelecidos desde as ideias até as respectivas identificações dos sentidos de dignidade, evidenciados em suas dimensões e práticas e apresentados por meio de uma árvore de associação de idéias, conforme a técnica proposta por Spink e Lima (2004).

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Figura 1: Árvore de associação de ideias: identificação dos sentidos de dignidade Fonte: Dados coletados na pesquisa.

Os dados coletados revelam que os sentidos de dignidade abrangem as dimensões econômicas, ambientais, sociais, psicológicas e que são executados por meio da dimensão legal. Observa-se que as práticas da empresa demonstram seu entendimento acerca do conceito dignidade e que as práticas contrárias a esses sentidos são definidas como indignas. O processo de identificação do sentido de dignidade atribuído aos gestores da empresa tem como origem seu julgamento do que sejam práticas dignas, dimensões que englobam tais práticas, mecanismo que as efetiva e definições dos sentidos de dignidade percebidos pelos gestores da organização. 4 Considerações Finais Com base no problema de pesquisa, buscou-se, por meio das perspectivas teóricas e metodológicas alinhadas ao interacionismo simbólico e ao construcionismo social, identificar quais são os sentidos da dignidade no relacionamento entre empresa e comunidade local, na percepção dos gestores da empresa, utilizando o mapa de associações de ideias e a árvore associativa como ferramentas desenvolvidas pela psicologia social para produção de sentidos. Respondendo ao problema de pesquisa que questiona: Quais são os sentidos da dignidade no relacionamento entre empresa e comunidade na perspectiva dos gestores da empresa? e atendendo ao objetivo, que é o de identificar quais os sentidos da dignidade no TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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relacionamento entre empresa e comunidade na perspectiva dos gestores da empresa, a pesquisa revelou que os sentidos de dignidade evidenciados pelos gestores da empresa no relacionamento entre empresa e comunidade local são os cumprimentos de condicionantes e o reconhecimento, ambos sendo evidenciados pelas práticas nas dimensões legais, ambientais, sociais e psicológicas. Tais dimensões são legitimadas pela empresa por meio de suas estratégias e práticas na interação com o ambiente e a comunidade. Essas práticas se relacionam ao sentido de dignidade citado por Theodoro (2002) e Taiar (2008), ao evidenciarem que a preservação da dignidade está em assegurar o bem-estar coletivo, ou seja, assegurar a saúde, a educação, o trabalho, a assistência social e as liberdades civis e políticas. Entre as limitações da pesquisa, destacam-se: a) a tensão dos entrevistados no tocante às questões de práticas de indignidade da empresa no relacionamento com a comunidade, inibindo uma abordagem com maior profundidade em relação ao fenômeno estudado. Essa tensão foi motivada pela entrevista supervisionada no âmbito da empresa; b) a realização somente de dez entrevistas, embora elas tenham abrangência da totalidade dos gestores/coordenadores da empresa, segundo informação da própria empresa; c) o fato de a teoria não trazer uma variedade de estudos envolvendo os temas interacionismo simbólico, construcionismo social e os mapas de construção de ideias nos estudos organizacionais. Para pesquisas futuras, um estudo construcionista na ótica dos gestores e da comunidade, concomitantemente, dará uma nova perspectiva ao fenômeno, possibilitando fazer comparações sobre o tema, seus símbolos, artefatos, dimensões e práticas, além de promover a identificação dos sentidos de dignidade e sua construção com base na percepção mútua da empresa e da comunidade, e permitindo ampliar o conhecimento por meio do debate e os sentidos de dignidade, uma vez que estes são socialmente construídos.

Abstract The goal of this study was to identify the meanings of dignity between a company and community relationship in a perspective of it's company managers. It is a qualitative research through the construction of mapping associations and associative arrays developed in scope of social psychology. The theoratical perspectives that guided this research were the symbolic interactionism and social constructionism. The result of the research reveals that the meanings TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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of dignity are identified in the established and standardized practices by the company that are occurring by a process of social interaction in a company and community relationship. Key-Words: Dignity. Symbolic interactionism. Social construction. Mapping associations. Associative arrays. Referências ARAÚJO, B. F. B. Dignidade no âmbito da relação entre empresas e comunidade. 2011. 233 f. Tese (Doutorado em Administração) – Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo (SP), 2011. BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa, Portugal; Edições 70, LDA, 2009. BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. A construção social da realidade: tratado de sociologia do conhecimento. 24. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004. BLUMER, H. Symbolic interactionism: perspective and method. USA: University of California Press, 1986. CARVALHO, V. Interacionismo simbólico: origens, pressupostos e contribuições aos estudos organizacionais. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO (ENANPAD), 34., 2010, Florianópolis (SC). Anais... Florianópolis: Anpad, 2010. CAVALCANTE, R. C. Comunicação organizacional: uma abordagem a partir do interacionismo simbólico. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO (ENANPAD), 34, 2008, Rio de Janeiro (RJ). Anais... Rio de Janeiro: Anpad, 2008. COULON, A. A Escola de Chicago. Campinas: Papirus, 1995 FLICK, U.; NETZ, S.; SILVEIRA, T. Uma introdução à pesquisa qualitativa. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, p. 39-48, 2004.FLIGSTEIN, N. Habilidade social e a teoria dos campos. RAE - Rev. Adm. Empres., v. 47, n. 2, p. 61-80, abr./jun. 2007. GERGEN, K. J. The social constructionist movement. American Psychologist, v. 40, n. 3, p. 266-275, mar. 1985. GOSDAL, T. C. Dignidade do trabalhador: um conceito construído sob o paradigma do trabalho decente e da honra. São Paulo: LTr, 2007. HABERMAS, J. The concept of human dignity and the realistic utopia of human rights. Metaphilosophy, v. 41, n. 4, p. 464-480, jul. 2010. HILGARTNER, S.; BOSK, C. L. The rise and fall of social problems: a public arenas model. American Journal of Sociology, v. 94, p. 53-78, 1988.

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Rogério Vieira Primo*, Ana Paula Campos Fernandes**, Leandro da Silva Medrado**, Rodlon Andrade Valadares de Almeida**, Simone de Magalhães Martins**. Resumo TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Há algum tempo estamos presenciando uma mudança de paradigmas no comportamento do setor bancário brasileiro, inclusive com a entrada de bancos estrangeiros. As mudanças são significativas, onde os bancos competem por clientes de forma alucinada e estes procuram o melhor para si, como melhores tarifas, taxas de juros mais baixas e melhor qualidade dos serviços. A automação de serviços e a ampla gama de serviços e produtos promoveram grandes avanços no setor de varejo bancário, mas os desafios ainda são grandes. Conquistar a fidelidade dos clientes de uma instituição bancária está na mente dos gestores desta e de qualquer empresa, em qualquer ramo de atuação. Parte deste esforço depende diretamente das forças de trabalho de uma empresa. Mas não basta ter funcionários qualificados, treinados nos produtos da empresa e com formação diferenciada se estes não estão satisfeitos ou seguros para dedicar ao trabalho a atenção que este exige. O presente trabalho tem o objetivo de analisar o modelo de gestão adotado pelos gerentes de uma agência bancária, baseado no comportamento e na satisfação dos funcionários para verificar o grau de motivação e satisfação dos funcionários. Palavras-chave: Motivação. Liderança. Ambiente Organizacional. 1 Introdução

O desempenho profissional é resultado da capacidade para executar uma atividade, para isso, faz-se necessário esforço para obter resultados desejados e esses resultados poderão mais fáceis de ser alcançados considerando um funcionário motivado. 22Professor de Graduação e Pós graduação da FUPAC. Mestre em Administração. Especialista em Gestão Financeira de Empresas, Gestão Escolar, Gestão Empresarial e Educação Matemática. E-mail: rogerioprimo@unipac.br; Mestrado em Gestão Integrada do Território – UNIVALE. Professora de Graduação e Pós graduação da FUPAC. E-mail: anapaulagv@hotmail.com. Mestrando em administração pela faculdade de La empresa MONTEVIDEO UR. Especialização em direito municipal UNIVALE. Bacharelando em Teologia pela Faculdade Nacional Teológica. Bacharel em Direito - UNILESTE. Bacharel em Administração – UNIVALE. Contador pela Sociedade Civil Educacional de Governador Valadares. Professor de Graduação e Pós Graduação em Administração da FUPAC. Mestre em Administração, linha de pesquisa Gestão Estratégica das Organizações. Licenciatura Plena em Matemática / Licenciatura em Ciências - UNIVALE. Especialista em Gestão Escolar ISECUB/IMES/ES. Especialista em Matemática FERLAGOS/RJ. Especialista em Gestão da Educação Municipal - UFV. Professor da FUPAC. MBA em Gestão Empresarial. Especialista em Consultoria para Micro e Pequenas Empresa. Coordenadora de Extensão e Professora de graduação da FUPAC. E.mail: extensãogv@unipac.br.

Atualmente, a demanda por soluções frente às necessidades de motivação de uma equipe exige o papel fundamental do líder influenciador com postura determinante e a motivação tem sido considerada como um elemento mais importante da vida profissional, como um fator de estímulo à produtividade, à busca de soluções e à superação de obstáculos. Tratase, sem dúvida alguma de um tema vasto porque não dizer complexo.

                                                             

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Observa-se, entretanto que em virtude das constantes exigências do mercado e, consequentemente, das organizações empresariais em cima de seus funcionários a motivação tem se tornado objeto de investigação permanente, tanto por parte dos cientistas comportamentais que estudam as organizações como por aqueles que a administram. A nova forma de gerenciamento das organizações propõe gerir trabalhadores e gestores participativos aliados aos objetivos da organização, considerando a competitividade na Gestão de Pessoas como foco principal de interesse acordado entre gerentes e funcionários. Há de se considerar o fato de que o fator humano permeia todos os níveis da organização e sem as pessoas os demais recursos tornam-se praticamente inoperantes. Os avanços tecnológicos são de uma dimensão inimaginável e até inacreditável. A robótica e a microeletrônica, entre outros, envolvem a realidade do homem em todas as dimensões. E a cada onda de inovação ocorre uma espécie de ansiedade social, a qual é caracterizada pelo temor de que as máquinas venham a desalojar o mão-de-obra humana permanentemente. As iniciativas das empresas, paralelamente o esforço de automação, têm empreendido processo de reengenharia como o enxugamento de seus quadros, têm provocado no seu ambiente interno, inquietações em seus trabalhadores quanto à sua capacidade de continuarem inseridos no mundo do trabalho em um futuro próximo. Por isso, dentro das organizações, deve-se ter a preocupação em manter as pessoas motivadas para o trabalho. É preciso atrair e manter as pessoas assegurando-lhes condições para que possam satisfazer os anseios internos de crescimento psicológico e desenvolvimento profissional. Isto é, é preciso mantê-las motivadas. Este trabalho pressupõe que o fator humano é determinante para o desenvolvimento de uma empresa objetivando direcionar os esforços das pessoas envolvidas para o alcance de um determinado objetivo e identificar prioridades entre os funcionários e o gerente. Para isso, deve-se ter a preocupação de manter as pessoas motivadas. A investigação para avaliar o nível de satisfação dos funcionários e dos gerentes é um fator importante sob o ponto de vista dos estudiosos e fontes utilizados para a produção desta pesquisa. Esse estudo fundamentou-se em investigar o comportamento dos funcionários e gerentes de uma agência bancária localizada no bairro Vila Isa em Governador Valadares / MG.

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Para isso, partiu-se do seguinte questionamento: o sistema de Gestão de Pessoas adotado pela Administração da Agência bancária estimula e promove a manutenção da motivação dos seus funcionários? Tendo como objetivo analisar o modelo de gestão adotado pelos gerentes da agência, baseado no comportamento e na satisfação dos funcionários para verificar o grau de motivação e satisfação dos funcionários. Para construção deste artigo, quanto à finalidade da pesquisa foi adotado a pesquisa de campo, interdisciplinaridade das áreas do saber, a fim de verificar razões dos problemas práticos. Em realização aos objetivos da pesquisa, é caracterizado o estudo exploratório, pois visou por meio da pesquisa bibliográfica e em campo a familiarização da temática estudada, referente à natureza da pesquisa, é de cunho quantitativo. O instrumento de coleta de dados foi um questionário composto exclusivamente de nove perguntas fechadas, aplicado entre os dias 31 de outubro de 2018 a 16 de novembro do mesmo ano visando verificar o tópico de maior interesse nesta pesquisa, ou seja, se o sistema de gestão de pessoas adotado pela agência estimula e promove a manutenção da motivação de seus funcionários.

2 Breve histórico da Agência

Primeira empresa privada brasileira a utilizar computadores e segunda maior empresa financeira privada de todo pais na avaliação realizada pelo GreatPlaceto WorkInstitute em 2013, e essa organização bancária possui agências em todo o país. Com 100% de suas agências automatizadas, essa organização bancária inaugurou sua agência na cidade de Governador Valadares, bairro Vila Isa, no ano de 1998, prestando uma diversidade de serviços financeiros bancários. Especificamente, a agência, objeto de estudo possui em seu quadro 23 funcionários nos mais variados cargos, entre eles: Gerente geral, Gerente de Setor de Pessoa Física e Gerente do Setor de Pessoa Jurídica, Gerente Administrativo, Supervisor e funcionários operacionais.

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Na agência, sua administração é responsável pelo planejamento, aprimoramento e crescimento profissional da equipe tendo como meta a redução de transações de caixa, redução de horas extras e fechamento de expediente chamado ‘fim de log’. Trata-se de um componente crítico do banco de dados e caso houver uma falha no sistema operacional, é necessário retornar seu banco de dados a um estado consistente que contem “ID” de transação. A administração da agência considera o indivíduo peça fundamental no processo de obtenção de vantagem competitiva para o processo de melhorias e tem focado na satisfação dos funcionários e no desenvolvimento de suas atividades. A Forbes, em 2013, listou um ranking com as maiores empresas do segmento bancário do mundo em que entre as empresas brasileiras inclusas as quatro primeiras colocações foram: a Petrobrás, Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil. Estas classificações são realizadas a partir da combinação de quatro quesitos: receitas, lucros, ativos e valor de mercado. Nesse sentido, considerando a evolução e destaque que essa organização bancária alcançou em 2013, torna-se relevante investigar a situação do capital intelectual de sua agência em Governador Valadares, aperfeiçoar a atuação da gerência de modo a aprimorar o desempenho dos funcionários, para melhorar o processo de aprendizagem organizacional na realização de novos projetos.

2.1A Gestão de Pessoas e o Capital Humano

A gestão de pessoas é um desafio constante. Uma boa estratégia é fazer com que o funcionário se transforme em administrador de suas próprias tarefas integrado aos demais setores colaborando de forma eficaz para o alcance das metas propostas pela gerencia. Bergamini (2013) observa que cada indivíduo deve ser tratado de forma diferente já que os motivos que os incentivam são diferentes. Para isso é necessário saber lidar com a motivação de cada pessoa. A valorização do capital humano ligado à tecnologia torna-se uma tendência no meio gerencial que se transforma em um dos principais ativos estratégicos de uma instituição para promover crescimento sustentado para as pessoas e por meio delas. Por mais que uma organização invista em tecnologia avançada e otimização do sistema, é preciso ter a percepção da necessidade de investir no capital humano para o alcance de melhor gestão com grande diferencial na busca da evolução e sucesso no empreendimento. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Se gerenciar pessoas é integrar pessoas e organização não há como relatar a evolução dos modelos de gestão de pessoas sem relatar a evolução das organizações. Para cada fase de evolução, desde seu primeiro registro em 1903 surge um modelo diferente de gestão de pessoas. (BARBIERI, 2014) A Gestão de Pessoas dessa organização bancária, além de monitorar o risco social, possui uma ferramenta de gestão que valoriza o relacionamento saudável para o alcance dos objetivos, captando a percepção das equipes, o clima organizacional e possíveis desvios comportamentais. Dessa forma, proporciona o desenvolvimento das competências dos profissionais, reforçando, principalmente, a importância da gestão de pessoas e seus impactos no negócio. O processo de transformação e mudança ocasionalmente ocorre com dificuldade por falta de sinergia e interação entre a equipe de trabalho e a liderança. De acordo com Fidelis (2014): As atividades de ARH, desde a antiguidade até o fim de século XVIII, tinham um caráter mais burocrático e eram vulgarmente discriminadas nas organizações. Entretanto, esta realidade foi se alterando, sendo exigido cada vez mais alcançar metas em níveis mais rigorosos.

Atualmente, as empresas buscam profissionais que saibam trabalhar em equipe, aceitam desafios e possam desenvolver projetos e ações atrelados a sua equipe e a gerencia. Nesse contexto a área de gestão de pessoas precisa assumir ações e estratégias para formar um alicerce competitivo. No conceito de Bergamini, (2013, p. 108): “A motivação pode e deve ser considerada uma força propulsora que tem as suas fontes frequentemente escondidas dentro de cada um”.

2.2 Gestão de Pessoas e motivação

Gerir pessoas é se responsabilizar por administrar e gerir o capital humano da empresa. Fator humano é o recurso mais importante de uma organização, pois, é a ponte para atingir os objetivos e as metas propostas. (OLIVEIRA, 2015, pg 108) Foram vários reflexos da segunda guerra mundial sobre o processo de liderança e gestão de pessoas, e um deles fez com que a administração de pessoal começasse a se preocupar

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mais com as condições de trabalho e com os benefícios disponibilizados aos seus empregados. (GIL, 2016, p. 86) Para um bom resultado e sucesso na Gerência Organizacional, a gestão motivacional é o meio para manter os funcionários estimulados e promover um maior comprometimento com a organização. Segundo Kanaane (2017)os fatores motivacionais possuem uma mesma base, voltados a valores pessoais e sociais, porém há uma variação nas necessidades que movem cada indivíduo para atingir os objetivos estabelecidos. Com uma filosofia interna para valorizar o quadro de funcionários, o banco prefere preparar colaboradores para mudança de cargo incentivando os profissionais a superarem seus limites. “Estimular a criatividade em busca de soluções visando à satisfação dos funcionários, clientes e expansão dos negócios, é evoluir para a expansão”. Buscando na literatura encontrou em Gil (2016) que motivação é aquilo que leva uma pessoa a se comportar de um determinado modo a fim de cumprir um objetivo, pois, segundo esse autor, “motivação é a força que estimula as pessoas a agir”. Para Reeve (2006), a motivação é o processo responsável pela magnitude, direção e perseverança que a pessoa tem para alcançar uma determinada meta, onde se procura definir as características pessoais, o papel e o ambiente do trabalho e, explicar a influência que afeta a motivação sobre o desempenho. A motivação está dentro de cada um. Vergara (2016) defende que a motivação é intrínseca, ou seja, que ela parte de cada um para acontecer ou não. Em outras palavras, ninguém é capaz de motivar ninguém se a vontade não partir da própria pessoa. Seguindo essa mesma linha de pensamento, Bergamini (2013) acredita que a motivação pode ser um sentimento vindo de dentro para fora, quando o próprio indivíduo possui maneiras de se auto motivar ou, pode vir através de fontes externas, por outras pessoas ou situações que levam esse profissional a buscar o melhor de si em suas ações. Complementando esta ideia: [...] todo comportamento motivacional só existe em função de um estado interior de carência, portanto quanto maior for este estado, maior será a motivação vigente, fazendo assim com que a necessidade seja sinônimo de motivação. Quanto maior a necessidade, maior a motivação. (BERGAMINI, 2013, p. 89)

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Sabe-se que a motivação é o pensamento que se transforma em atitude. Tudo na vida exige motivação, de levantar da cama de manhã, dar início a uma nova dieta, começar um novo projeto no trabalho, até conquistar a pessoa desejada. Considerando esse raciocínio, o pensamento retrógrado de que a motivação é instigada por outras pessoas; sejam eles chefes, professores ou mesmo parentes ficou para trás. Ninguém tem capacidade de motivar ninguém, as pessoas apenas sentem-se inspiradas pelas outras. Quando se fala de motivação sempre tentamos entender o que motiva as pessoas e porque elas são motivadas. Ela nunca é aleatória ou surge do nada. O comportamento é sempre motivado e tal esforço pode ser proporcionado tanto por forças externas (de ambiente) quanto internas (de pensamento). Inteirando essa ideia: O comportamento é percebido como sendo provocado e guiado por metas da pessoa, que realiza um esforço para atingir determinado objetivo. A maioria dos autores considera a motivação humana como um processo psicológico estreitamente relacionado com o impulso ou com a tendência a realizar com persistência determinados comportamentos. (TAMAYO; PASCHOAL, 2003) Há pessoas que trabalham para realização pessoal, algumas trabalham por dinheiro, outras porque realmente gostam do que fazem. Algumas porque gostam de desafios, outras pessoas simplesmente gostam de preencher seu tempo com alguma ocupação, e há até aquelas que trabalham por status, sendo a motivação uma questão individual e diversificada. Cada pessoa é formada de opiniões e pensamentos diferentes, sonhos, necessidades, objetivos e desejos distintos, produzindo então comportamentos diferentes. Essa ótica nos leva à importância do estudo da motivação, que consiste basicamente em, compreender a individualidade de cada um e uni-los com os objetivos da organização. Sabe-se que a motivação além de gerar maior produtividade ela gera inspiração, dando ao funcionário a capacidade de ser inovador, já que um funcionário motivado é um funcionário criativo, sendo assim: [...] a pessoa motivada traz consigo, entusiasmo, seu humor melhora e ele acaba contagiando o seu ambiente de trabalho. (OLIVEIRA, 2015)

Valorizar a pessoa, a profissão e a atividade do profissional, bem como estimular o pensamento criativo, aprimorar o relacionamento pessoal, o trabalho em equipe e melhorar a comunicação e o relacionamento entre a empresa e a família é abrir portas para o crescimento. O conhecimento das necessidades humanas pressupõe observação, mudanças e investimentos quanto à saúde, lazer, esporte e o bem estar da equipe de trabalho que TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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transformam a insatisfação em qualidade pessoal, elevação da autoestima agregados a eficiência e produtividade. Chiavenato (2005) afirma que uma das grandes dificuldades organizacionais, é alcançar e manter resultados positivos. Com isso as empresas contam com o esforço e desempenho das equipes, dando importância a esses três fatores: expectativas, recompensas e relação entre expectativas e recompensas. Veja: Os Três fatores determinantes da motivação

Fonte: Chiavenato, 2015

2.3 Diferencial competitivo da ‘Organização bancária’ “Diferenciação é o ato de desenvolver um conjunto de diferenças significativas para distinguir a oferta da empresa da oferta da concorrência”. Com a globalização o mercado de trabalho tornou-se cada vez mais exigente quanto aos conhecimentos e habilidades de trabalhadores. Esse banco, uma das maiores instituições financeiras privadas do País, conduz duas grandes linhas de negócios com atividades de intermediação financeira e demais serviços bancários e Seguros. A instituição está presente em todos os municípios brasileiros com diferencial competitivo refletindo em uma rede composta de mais de 100 mil postos de atendimento entre agências, pontos de atendimento, máquinas de atendimento e Bradesco Expresso. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Compõe-se de mais de 73 milhões de clientes e 100 mil funcionários, além de somar ativos superiores a R$ 1 trilhão. Sua sede corporativa está localizada na Cidade de Deus, no município paulista de Osasco. Desde a sua fundação, a Organização oferece ampla variedade de produtos e serviços bancários, financeiros e de seguros por meio de estrutura segmentada que atende clientes pessoas físicas e jurídicas. Além de promover ações em diversas frentes, como o incentivo e desenvolvimento de startups tecnológicos, coloca à disposição do mercado produtos que ajudam a fomentar a economia, como os programas de Arranjo Produtivo Local (APL). O novo modelo de Gerência tornou-se uma questão de sobrevivência para as organizações na busca de desenvolver novas estratégias e promover a flexibilização de sua estrutura em que valoriza a capacidade intelectual coletiva dos funcionários para vencer os desafios e alcançar vantagem na competitividade. Esse banco trabalha com dois pilares fundamentais sobre qualidade de vida: uma frente que fala do “Cuidar” e outra frente que fala do “Desenvolver”, ligados à questão de qualidade de vida e do bem-estar no trabalho como um todo. Considerando que, o banco é uma organização de carreira, observou-se que a empresa desde sua fundação, estimula e investe em ações voltadas para o desenvolvimento saúde e segurança por meio de programas específicos como por exemplo, gestação saudável, promoção e incentivo das atividades físicas, promovendo a satisfação de suas equipes. Para a empresa, à medida que o funcionário demonstra satisfação pelo trabalho, o retorno positivo é garantido e propicio a melhores resultados. Recompensa-se pelo desempenho e pela competência desenvolvida a fim de manter o colaborador motivado (CODA, 2016, p.47).

2.4 Identificar e estimular talentos e motivações

A Reforma Gerencial da Administração no Brasil iniciada na década de 90, estagnada no tempo, não mais respondia com qualidade e eficiência às necessidades e demandas das organizações e dos cidadãos, sendo necessário adotar modelos de gestão flexíveis, inovadores, capazes de responder com rapidez, eficiência e qualidade às demandas da sociedade de um mundo globalizado.

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Na Gestão de pessoas, o novo modelo de gestão sugere na formação de equipes, que os cargos sejam atualizados e adequados aos funcionários de acordo com as habilidades percebidas, evitando a insatisfação e desmotivação funcional. Compete ao gestor da organização, estimular talentos, valores, identificar as motivações e manter a integridade dos funcionários no ambiente produtivo. Para entender os desafios da gestão de pessoas na organização, cabe ao gestor estabelecer o contexto que envolve a humanização das relações e os resultados a enxergar os profissionais não apenas como números e elementos influenciados por recompensas materiais e salariais. Conforme D’área-Tardeli (2016): Para motivar um colaborador é necessário identificar as suas necessidades, e uma das formas de descobrir é através da Teoria de Maslow, onde faz menção de 5 tipos de necessidades fisiológicas, de segurança, necessidades sociais, autoestima e auto realização).

Funcionários motivados tendem a proporcionar melhores resultados garantindo o sucesso das empresas. O fato das empresas falhar não esta ligado somente a falta de conhecimento, mas também a maneira em que as pessoas são lideradas. A motivação humana influencia na qualidade dos produtos e serviços prestados. Kanaane (2017, p. 58) fala que “se as pessoas falham em agir, acompanhar, tomar decisões, analisar ou avaliar, os projetos desviam-se do seu curso.” A produtividade não deve ser limitada apenas á produção de bens, pois a produção de trabalho deve ser eficiente e econômica.

3. Metodologia

Para construção deste artigo, quanto à finalidade da pesquisa foi adotado a pesquisa básica, que para Gil (2017, p. 26) “reúne estudos eu tem como propósito preencher uma lacuna no conhecimento”. O autor acrescenta que além de ampliar o conhecimento da temática pesquisada, a pesquisa básica proporciona a busca de novos conhecimentos e a interdisciplinaridade das áreas do saber, a fim de verificar razões dos problemas práticos. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Em realização aos objetivos da pesquisa, é caracterizado o estudo exploratório, pois visou por meio da pesquisa bibliográfica e em campo a familiarização da temática estudada (GIL, 2017). Na visão de Appolinário (2015) o estudo exploratório é bastante flexível quanto ao fenômeno estudado e difícil caracterizar estilo único de pesquisa, com isso, para a realização do estudo exploratório em xeque, além do levantamento bibliográfico, foi selecionada uma agência bancária de natureza privada localizada na cidade de Governador Valadares, mais especificamente no bairro Vila Isa. Referente à natureza da pesquisa, é de cunho quantitativo que “caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas” (RICHARDSON et. al. 2017, p. 70). Já MARCONI; LAKATOS, 2017, (p. 285) define a pesquisa quantitativa como a “descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação”. O instrumento de coleta de dados foi um questionário composto exclusivamente de doze perguntas fechadas, aplicado entre os dias 31 de outubro de 2018 a 16 de novembro do mesmo ano visando verificar o tópico de maior interesse nesta pesquisa, ou seja, se o sistema de gestão de pessoas adotado pela agência estimula e promove a manutenção da motivação de seus funcionários. Esse trabalho se deu em duas etapas distintas. Na primeira, foi realizado um estudo teórico, ocasião esta que foram consultadas diversas obras que enfocam a temática da motivação nas organizações. De posse de tal embasamento, elaborou-se um questionário para investigar em campo a motivação dos funcionários de uma agência bancária localizada no Bairro Vila Isa, em Governador Valadares / MG. Optou-se pela utilização do questionário, pois ele é um instrumento de coleta de dados muito importante. A possibilidade de ser anônimo representa uma vantagem sobre a entrevista. Não havendo identificação o pesquisado se sente mais à vontade para responder as questões solicitadas. Também, o entrevistado pode responder o questionário no momento que melhor lhe aprouver, sem interromper ou prejudicar as suas atividades na empresa. (GIL 2017) O questionário foi aplicado por e-mail, sendo quatorze questionários disparados, com uma taxa de resposta de 92, 30%, ou seja, 13 (treze) questionários foram respondidos. Constaram de questões que suscitavam respostas correspondentes a atributos valorativos, descritivos, expectativas e instrumentalidade. . TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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3.1 Análise dos resultados Do total distribuídos, ou seja, 14 questionários, apenas um não foi respondido. Na primeira foi indagado sobre o esforço das pessoas da agência na execução de trabalhos. Nesta questão 11 pessoas assinalaram que as pessoas encontram-se comprometidas com seus trabalhos. A segunda questão focou na satisfação no setor onde trabalha e todas as pessoas disserem estar satisfeitas no local de trabalho A terceira questão indagou se o setor de trabalho é bem estruturado e 10 pessoas disseram concordaram totalmente. A quarta questão focou-se na proporcionalidade entre esforço e recompensas, entre direitos e deveres no trabalho e 09 responderam que há proporcionalidade. Essa resposta surpreende, pois difere do que se supunha. A presença dessa proporcionalidade cria um clima propício para o desenvolvimento das atividades. Na Quinta questão indagou-se aos funcionários se os mesmos consideram-se reconhecidos e respeitados pelo trabalho que executam. Dos 13 participantes, 11 afirmaram que são reconhecidos pelo que fazem. Dando continuidade, foi perguntado se o ganho financeiro era suficiente e estava de acordo com o esforço. Como era de se esperar, a maioria, ou seja, 11 disseram que é pouco para fazer frente a suas despesas, portanto precisariam ganhar melhor. Na questão que indaga se todo dia o funcionário faz tarefas muito parecidas, 11 pessoas disseram que sim, confirmando a expectativa, pois a rotina faz parte do cotidiano do trabalho bancário. Perguntamos se eles encontram prazer em trabalhar e realizar suas tarefas. Todos concordaram que sim, gostam do que fazem. Na questão seguinte, perguntamos se a gerência é participativo, motivadora e promove qualidade de vida dos funcionários e 11 pessoas responderam que sim. Perguntamos também se eles colaboram para o desenvolvimento da sociedade com o seu trabalho. Sobre isso, todos responderam que sim. Questionou-se também se eles assumem as consequências do que decidem em seus trabalhos, todos disseram que sim, assumem. E por fim, perguntamos se é um meio de satisfação pessoal. Nesta questão apenas um disse que não preenche sua satisfação pessoal TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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4. Considerações finais

Atualmente as instituições financeiras, digam-se os bancos, procuram realizar mais atividades voltadas para os negócios cujos dividendos são mais significativos dos que aqueles que vinham realizando até tempos atrás, como recebimento de contas de água, energia elétrica, telefone, enfim, boletos de modo geral. Esse tipo de atividade foram perpassadas para os correspondentes bancários e demais empresas do gênero. Pois acreditam que agindo dessa maneira os funcionários ficam mais liberados para realizarem negócios que para a instituição é bem mais interessante em termos de retorno financeiro. Conclui-se com base nas informações levantadas no decorrer deste trabalho que a constante necessidade do mercado, fator que garantirá às organizações uma boa visibilidade, competitividade e resultados positivos, está intimamente relacionada à gestão motivacional de pessoas. Por fim, estudaram-se as teorias motivacionais, com informações baseadas em estudiosos da área e, reunindo tais pesquisas, fica claro que a motivação é um elemento de extrema importância nas organizações. Estas devem focar suas atenções e investir no relacionamento motivacional com sua equipe de trabalho, bonificações, treinamentos, capacitações, participação nos lucros e segurança profissional, são alguns dos fatores que demonstram a disponibilidade da empresa para com seus colaboradores, tais ações valorizam o trabalhador, tornando-o motivado e comprometido com as metas e políticas da empresa e focando seus esforços mais amplamente a fim de alcançá-los.

Abstract For some time now we are witnessing a paradigm shift in the behavior of the Brazilian banking sector, including the entry of foreign banks. The changes are significant, where banks compete for customers in a hallucinatory way and these look for the best for themselves, such as better rates, lower interest rates and better quality of services. The automation of services and the wide range of services and products have made great strides in the retail banking sector, but the challenges are still great. Winning the loyalty of the clients of a banking institution is in the minds of the managers of this and any company, in any branch of activity. Part of this effort depends directly on the workforce of a company. But it is not enough to have qualified TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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employees, trained in the company's products and with differentiated training if they are not satisfied or safe to devote to work the attention it requires. The present work has the objective of analyzing the management model adopted by the managers of a bank branch, based on the behavior and the satisfaction of the employees to verify the degree of motivation and satisfaction of the employees. Keywords: Motivation. Leadership. Organizational environment. Referências APPOLINÁRIO, Fabio. Metodologia científica. São Paulo: Cengage Learning, 2015. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Motivação nas Organizações. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2013. BANOV, Márcia Regina. Psicologia no gerenciamento de pessoas. São Paulo: Atlas, 2015. BARBIERI, Ugo Franco. Gestão de pessoas nas organizações. São Paulo: Atlas, 2014. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas. São Paulo: Manole, 2015. CODA, Roberto. Competências comportamentais. Rio de Janeiro: Atlas, 2016. D'AUREA-TARDELI, Denise; Paula, Fraulein Vidigal de. Motivação, atitudes e habilidades. São Paulo: Cengage Learning, 2016 FIDELIS, Gilson José. Gestão de pessoas. São Paulo: Erica, 2014. FIORELLI, José Osmir. Psicologia para administradores. São Paulo: Atlas, 2014. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. Rio de Janeiro: Atlas, 2017. ___________. Gestão de pessoas. Rio de Janeiro: Atlas, 2016. KANAANE, Roberto. Comportamento humano nas organizações. Rio de Janeiro: Atlas, 2017. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. Rio de Janeiro: Atlas, 2017 OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. A empresa inovadora e direcionada para resultados. São Paulo: Atlas, 2015. REEVE, Johnmarshall. Motivação e emoção. Rio de Janeiro: LTC, 2006. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa social. Rio de Janeiro: Atlas, 2017. ROBBINS, Stephen Paul. Comportamento organizacional. Tradução de Rita de Cássia Gomes. 16. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2014. VERGARA, Sylvia Constant. Gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 2016.

EFEITOS DA GESTÃO PARA A ESCOLA DE MAIOR ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA NO PERÍMETRO URBANO DO MUNICÍPIO GOVERNADOR VALADARES

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Gedison da Silva Bessa, Larissa Kelly Campos Rocha, Samantha Barbosa,Sandyla Gonçalves  Castinho23, Ana Paula Campos Fernandes24, Sandra Maria Perpétuo25,   Simone de Magalhães Martins26 

Resumo

Neste artigo propõe-se revelar mecanismos utilizados para se chegar a uma boa colocação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica IDEB no ano de 2017, em uma escola pública municipal de Governador Valadares. O IDEB é uma das primeiras iniciativas brasileiras para aferir a qualidade do aprendizado nacionalmente e estabelecer metas para a melhoria do ensino. Teve- se como objetivo conhecer a atuação da Gestão da Escola Municipal Laura Fabri evidenciando a melhoria da aprendizagem dos alunos nos anos inicias do ensino fundamental, bem como as ações que norteiam o bom desempenho no IDEB 2017. Para alcance dos resultados utilizou-se uma abordagem qualitativa, cuja metodologia será a pesquisa de campo com envio de questionário a diretora da escola. Os resultados apontam para a importância da gestão democrática participativa. Por fim, aguarda-se que após o entendimento desse material revela-se que o gestor da escola é fundamental para tal colocação no IDEB, e que a atuação do mesmo é essencial para elevar o IDEB Palavras-chave: IDEB. Gestão. Democrático 1 Introdução

Este artigo apresenta dados sobre o impacto da divulgação dos resultados do IDEB, sobre o papel do gestor escolar da Escola Municipal Laura Fabri. A pesquisa buscou cotejar os dados quantitativos levantados pelas avaliações da Prova Brasil, a fim de verificar se havia influência das políticas de avaliação externas sobre o desempenho dos alunos nos resultados do IDEB. O campo de pesquisa escolhido foi uma escola pública localizada em região vulnerável em Governador Valadares. Esta região é conhecida como a periferia da periferia (SOU-ZA,                                                             23

*Acadêmicos do7º período do Curso de Pedagogia da Fundação Presidente Antônio Carlos de Governador  Valadares/MG, 2018.  24 Mestra em Gestão Integrada do território. Especialista em Gestão Educacional, graduada em Letras.  Professora de Graduação e Pós graduação. E‐mail: anapaulagv@hotmail.com  25  Mestra em Educação (UFOP. Professora das disciplinas Seminário de Pesquisa, Alfabetização e letramento e  Coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Presidente Antônio Carlos. Especialista em Gestão  Educacional, Supervisão/Coordenação Pedagógica, Alfabetização, Educação Inclusiva e Especial..Email:  sandraplocatelli@hotmail.com  26  MBA em Gestão Empresarial. Especialista em Consultoria para Micro e Pequenas Empresa. Coordenadora de  Extensão e Professora de graduação da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares. E.mail:  extensãogv@unipac.br 

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2002), devido à fragilidade do seu processo de urbanização frente ao grande crescimento populacional desordenado. Caracteriza-se por se constituir em uma área carente da cidade com uma série de problemas de infraestrutura quanto ao saneamento básico, fornecimento de água e condições de moradia. A inspiração para escolha deste campo de pesquisa se deu pela divulgação, no início do ano 2017, do IDEB, que apresentava as médias de desempenho de cada escola pública do Brasil, baseadas na sistematização dos dados da Prova Brasil (2017), aplicadas aos alunos para verificar o índice de proficiência em Português e Matemática, juntamente com informações sobre o rendimento escolar (aprovação) obtidas pelo Censo Escolar (2017). Neste contexto, a Escola Municipal Professora Laura Fabri foi selecionada para ser investigada, graças às positivas variações estatísticas nos seus resultados escolares.

2 O IDEB: Contextualização

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é o principal indicador da qualidade da educação básica no Brasil. Para esse resultado utiliza-se o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) numa escala que vai de 0 a 10. A meta para o Brasil é alcançar a média 6.0 até 2021, patamar educacional correspondente ao de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Suécia. O IDEB é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar realizado todos os anos, e médias de desempenho nas avaliações do INEP, a Prova Brasil (para IDEBs de escolas e municípios) e a Saeb (no caso dos IDEBs dos estados e nacional) – avaliações aplicadas no 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e no 3º ano do Ensino Médio. Criado pelo Instituto Nacional de Pesquisa Educacional Anísio Teixeira (INEP) em 2007, o IDEB sintetiza em um único indicador dois conceitos importantes para aferir a qualidade do ensino no país: a. Fluxo: representa a taxa de aprovação dos alunos.

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b. Aprendizado: corresponde ao resultado dos estudantes no SAEB (Sistema de Avaliação

da Educação Básica), aferido tanto pela Prova Brasil, avaliação censitária do ensino público, e a ANEB, avaliação amostral do SAEB, que inclui também a rede privada. Com o IDEB, ampliam-se as possibilidades de mobilização da sociedade em favor da educação, uma vez que o índice é comparável nacionalmente e expressa em valores os resultados mais importantes da educação: aprendizagem e fluxo. A combinação desses dois instrumentos tem também o mérito de equilibrar as duas dimensões: se um sistema de ensino retiver seus alunos para obter resultados de melhor qualidade no SAEB ou Prova Brasil, o fator fluxo será alterado, indicando a necessidade de melhoria do sistema. Se, ao contrário, o sistema apressar a aprovação do aluno sem qualidade, o resultado das avaliações indicará igualmente a necessidade de melhoria do sistema. O IDEB também é importante por ser condutor de política pública em prol da qualidade da educação. É a ferramenta para acompanhamento das metas de qualidade do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) para a educação básica, estabelecendo, como meta, que em 2022 o IDEB do Brasil seja 6,0 – média que corresponde a um sistema educacional de qualidade comparável a dos países desenvolvidos, pois obteve um crescimento significativo dos anos iniciais e finais no Ensino Fundamental do Brasil. Como o IDEB é resultado do produto entre o desempenho e o rendimento escolar (ou o inverso do tempo médio de conclusão de uma série) então ele pode ser interpretado da seguinte maneira: para uma escola A cuja média padronizada da Prova Brasil, 4ª série, é 5,0 e o tempo médio de conclusão de cada série é de 2 anos, a rede/ escola terá o Ideb igual a 5,0 multiplicado por 1/2, ou seja, Ideb = 2,5. Já uma escola B com média padronizada da Prova Brasil, 4ª série, igual a 5,0 e tempo médio para conclusão igual a 1 ano, terá Ideb = 5,0. A forma geral do IDEB é dada por: IDEBIji = NjiPji; em que, i = ano do exame (SAEB e Prova Brasil) e do Censo Escolar; N ji = média da proficiência em Língua Portuguesa e Matemática, padronizado para um indicador entre 0 e 10, dos alunos da unidade j, obtida em determinada edição do exame realizado ao final da etapa de ensino; P ji= indicador de rendimento baseado na taxa de aprovação da etapa do ensino dos alunos da unidade j. (INEP, 2018). O Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) é composto por um conjunto de avaliações externas em larga escala que permitem ao INEP realizar um diagnóstico da educação básica brasileira e de alguns fatores que possam interferir no desempenho do estudante, fornecendo um indicativo sobre a qualidade do ensino ofertado.

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Por meio de provas e questionários, aplicados periodicamente pelo INEP, o SAEB permite que os diversos níveis governamentais avaliem a qualidade da educação praticada no país, de modo a oferecer subsídios para a elaboração, o monitoramento e o aprimoramento de políticas com base em evidências.

2.1 A importância da Gestão Educacional no IDEB

A gestão escolar é reconhecida, hoje, como um dos elementos determinantes do desempenho de uma escola. Por isso, várias discussões têm abordado esse tema a fim de discutir alguns conceitos existentes sobre esse aspecto da escola. Para falar sobre gestão é preciso considerar que esse é um aspecto fundamental para o bom desenvolvimento da escola. Segundo o PRADEM (Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Educação Municipal) (2003), “o tipo de gestão a ser adotado, no âmbito da educação pública brasileira, é, por imposição legal, o democrático”. O artigo 206 da Constituição Federal Brasileira, bem como o artigo 3º inciso VIII da LDB assim o determina. Nesse contexto, o conceito de gestão é compreendido como a coordenação dos esforços individuais e coletivos em torno da consecução de objetivos comuns. O diretor da escola, portanto, como diretor de uma instituição social que tem o aspecto pedagógico democrático como seu foco central, deve ter todas as suas decisões orientadas por critérios pedagógicos e devem propor melhorias para o processo ensino-aprendizagem, e bom andamento da escola. Em decorrência da importância das avaliações externas, nota-se que para um bom desenvolvimento da aprendizagem um dos maiores percussores é a gestão escolar, que precisa estar engajada com todos os setores da instituição, compartilhando experiências profissionais com condutas de respeito e confiança, uma vez que a comunidade escolar ao fazerem parte de um ambiente estimulador, sentem-se mais inclinados para trabalhar e desenvolver de modo coletivo e agradável. Segundo Libâneo (2004, p.217): Muitos dirigentes escolares foram alvos de críticas por práticas excessivamente burocráticas, conservadoras, autoritárias, centralizadoras. Embora aqui e ali continuem existindo profissionais com esse perfil, hoje estão disseminadas práticas de gestão participativa, liderança participativa, atitudes flexíveis e compromisso com as necessárias mudanças na educação.

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Deste modo, o gestor é essencial em conjunto com a comunidade, procurando atender suas necessidades. Por esse motivo, deve ter muita organização para integrar, agrupar os esforços necessários para realizar as ações determinadas para a melhoria da qualidade de ensino, ter coragem de agir com a razão e a liderança para acontecimentos desfavoráveis do cotidiano, buscando o equilíbrio entre os aspectos pedagógicos e administrativos, como afirma Martins (1999, p. 165), “a administração é o processo racional de organização, comando e controle”. Em contrapartida a gestão tem como característica assegurar e reconhecer a importância da participação consciente e evidenciada das pessoas nas decisões sobre a direção e aplicação do seu trabalho, de modo que busque a qualidade educacional e democratizando a educação tornando-a mais igualitária. O primeiro caminho, indispensável à solução dos problemas que a educação brasileira enfrenta, é a democratização da própria escola. Esta democratização está intimamente ligada à da sociedade como um todo. Mas a escola não pode esperar que a sociedade mude para dar sua contribuição à democracia; assim na medida em que modifica sua estrutura interna, de forma a possibilitar a todos os seus membros uma participação ativa no planejamento, na execução e na avaliação das suas atividades, a escola está educando para a democracia e contribuindo para a democratização da sociedade. (PILETTI & PILETTI, 1997, p. 228-229)  

A partir da consideração do autor, evidencia-se que o gestor educacional deve criar um vínculo harmônico com a sua equipe, em que todos estejam engajados nas questões pedagógicas e administrativas, por meio da gestão democrática e participativa, ocorre a valorização da comunidade escolar no processo de tomada de decisão, concebe à docência como trabalho interativo e aposta na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola. O educando não aprende conhecimentos, habilidades, atitudes e valores apenas na sala de aula, aprende também na vivencia cotidiana com família, nas relações com colegas, no ambiente escolar, assim, a avaliação é função primordial do sistema de organização e de gestão, pois supõe acompanhamento e controle das ações decididas coletivamente, a fim de verificar o estado real do trabalho desenvolvido pelo gestor e a equipe como um todo.

2.2 Metodologia

Pesquisa é um processo de investigação que se interessa em descobrir as relações existentes entre os aspectos que envolvem os fatos, fenômenos, situações ou coisas. Para AnderTOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Egg (apud MARCONI, LAKATOS, 2004, p. 155) é um “procedimento reflexivo sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo do conhecimento”. Para Rúdio (1980) “é um conjunto de atividades orientadas para a busca de um determinado conhecimento”. Para que a pesquisa receba o qualitativo de “científica”, é necessário que seja desenvolvida de maneira organizada e sistemática, seguindo um planejamento previamente estabelecido pelo pesquisador. É no planejamento da pesquisa que se determina o caminho a ser percorrido na investigação do objeto de estudo. Rúdio (1980) afirma que “a pesquisa científica se distingue de qualquer outra modalidade de pesquisa pelo método, pelas técnicas, por estar voltada para a realidade empírica, e pela forma de comunicar o conhecimento obtido”. Este artigo resulta de um estudo de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de pesquisa bibliográfica e de campo, que será envolvida com um estudo de caso, realizada com envio de questionário com 6 perguntas para diretora da Escola Municipal Laura Fabri melhor posicionada no IDEB 2017 em território urbano de Governador Valadares, nos anos iniciais do Ensino Fundamental em 2017; tendo em vista o teor investigativo na literatura sobre a temática desenvolvida. A partir da definição do objeto de investigação, realizou-se a seleção de material de leitura; localização de informações; anotações, fichamentos e análise crítica, considerados passos essenciais para o desenvolvimento da pesquisa, que possibilitam reflexões mais rigorosas acerca da problemática do trabalho.

2.3 Resultados e Discussão Segundo Vicente (2013), até a década de 1970, havia na educação uma corrente que acreditava que o ambiente escolar tinha pouca ou nenhuma influência sobre o desempenho dos alunos. Acreditava-se que os resultados das avaliações escolares eram muito mais condicionados pela origem social e étnica dos alunos do que pela escola. Essa ideia passou a ser questionada por alguns pesquisadores que, ao final da mesma década, elaboraram uma linha de pesquisa denominada “escola eficaz”. Seus estudos tinham como objetivo “compreender e conhecer em cada contexto social, as várias características da escola que podem interferir no desempenho dos alunos.” (SOARES et.al., 2002 apud VICENTE,2013 p.50)13. Com base nas pesquisas sobre escola eficaz, Polon (2012) afirma que nela os resultados dos alunos estão além do aprendizado típico das escolas freqüentadas por estudantes de origem social semelhante. Nesse sentido, o papel da gestão escolar é fundamental para a obtenção de TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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bons resultados educativos e para a garantia da eficácia escolar, mesmo em escolas marcadas pela pobreza. Para obtermos determinados resultados foi realizado um questionário direcionado a diretora da Escola Municipal Professora Laura Fabri que realizou considerações sobre as estratégias para alcançar o resultado de melhor IDEB 2017 em território urbano de Governador Valadares. Em razão disso, a mesma salientou que o planejamento iniciou a algum tempo na gestão anterior, tendo a continuidade no ano atual com a nova gestão orientada pela diretora que já atuava na escola como professora de Educação Física desde 2010, dessa forma conhecendo todos os desafios e obstáculos que a escola enfrentava, pôde unir sua experiência como docente ao cargo de direção. A instituição já contava com uma excelente equipe que se comprometia com tais responsabilidades, assim quando assumiu o cargo a diretora já tinha em mente ideias para mudar a realidade da escola em parceria com a equipe pedagógica. Sendo assim, destacaram-se as estratégias que evidenciaram a importância da gestão democrática participativa, que foram muitas. Para Lück (2006), a liderança exige a participação conjunta e organizada de todos os atores envolvidos no processo educacional, tendo como condição para sua atuação a aproximação de todos os membros da escola, pais e comunidade, visando à promoção de uma educação de qualidade, com o estabelecimento de um ambiente escolar aberto e participativo. Isso porque acredita que apenas dessa maneira ocorrerá a gestão democrática e participativa, com a melhoria contínua do processo de ensino e da aprendizagem. A interação com as famílias, através de palestras, reuniões e conversas individuais com o objetivo de conscientizar os pais e/ou responsáveis na participação ativa do processo de ensino/aprendizagem dos filhos foi um dos fatores que auxiliou a escola em questão, nos presentes obstáculos. Facilitando a aprendizagem foi necessária à integração da equipe no ambiente escolar, capacitação contínua de funcionários visando oferecer mais conhecimentos e aprendizagem, suportes semanais para professores e monitoramento das aulas na garantia de manutenção da qualidade, assim como o investimento em ambientes agradáveis e limpos, motivando e estimulando os alunos demonstrando de forma prática que a escola se preocupa com seu bem estar físico e emocional. A escola Municipal Professora Laura Fabri funciona em três espaços; sendo eles, a Sede – anos finais com 435 alunos somando 16 turmas (4 de 1º ano, 3 de 2º ano, 5 de 3º ano, 2 de 4º ano e 2 de 5º ano) ; Anexo educação infantil – com 196 crianças somando 12 turmas (3 de cada, TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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de 2 anos, 3 anos, 4 anos e 5 anos) e anexo anos finais – 205 alunos somando 6 turmas (2 de 6º ano, 2 de 7º ano, 1 de 8º e 9º ano) . Diante da realidade da escola e da quantidade de alunos totalizando 836 alunos vivendo e estudando em território vulnerável podem-se destacar alguns desafios que necessitavam de transformações imediatas, entre elas a rotina no setor administrativo e financeiro, o trabalho em prol do desenvolvimento pedagógico, a coordenação do corpo docente, a integração família-escola, a motivação para que os alunos levem a sério os estudos, tudo isso com o objetivo de favorecer a qualidade da educação oferecida pela escola, assim como o estímulo às equipes que nela trabalham e a integração entre todos, inclusive pais e responsáveis. A escola convive diariamente com alunos em situações de extrema miséria, muitos fazem alimentação somente na escola, refletindo de maneira negativa em sua vida escolar, sem perspectiva de vida, sem sonhos; alguns tem que lidar com o fato de pais presos por questões de tráfico de drogas, alcoolismo e violência doméstica. Assim a gestão tem como um dos objetivos fazer com que este momento que estão na escola, sejam os melhores do seu dia, contribuindo com a formação pessoal e social do aluno. A maior dificuldade enfrentada pela a escola, segundo a diretora responsável é a omissão dos pais e ausência de comprometimento em mandar seus filhos para escola. Muitos pais não se interessam ou valorizam a educação de seus filhos, uma vez que essa família vem de uma geração que também nunca os incentivou ou estimulou a vida escolar. Assim a escola defende e propõe ações de mobilização e educação das famílias para que passem a valorizar a escolarização dos filhos e nela se envolvam, adotando valores, comportamentos e práticas que auxiliem a escola em sua tarefa. Uma estrutura deficiente torna as atividades de alunos e professores mais complicadas e pode contribuir, inclusive, com a evasão de estudantes. Espaços desconfortáveis fazem com que o aluno sinta-se desmotivado e até abandone os estudos. A infraestrutura inadequada faz parte dos desafios que a escola enfrenta, uma vez que se os recursos fossem maiores, as atividades seriam de mais qualidade, alcançando uma melhor aprendizagem, porém, se faz um trabalho com os recursos que a escola pode oferecer, buscando se adaptar da melhor maneira possível. Diante dos resultados obtidos através do questionário respondido pela diretora revelam que a gestão democrática é de suma importância para se atingir um desenvolvimento escolar de excelência ultrapassando os muros da escola e contribuindo na educação de crianças e jovens colaborando com a autoestima dessas crianças, tal responsabilidade vai muito além da simples administração de recursos financeiros, de pessoal ou do patrimônio escolar, o sucesso da gestão TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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é feita com a participação de todos, engajados em um único objetivo. Com a convicção de tais resultados a instituição analisou a contribuição da nota no IDEB 2017 para a prática da gestão escolar regular. Consequentemente foi comparado e compreendido que as mudanças foram necessárias para que atingisse boa colocação no IDEB 2017.

 

De acordo com a tabela em evidência a Escola Municipal de Castro Pinto situado em Goiabal, distrito de Governador Valadares obteve-se o maior IDEB em 2017 com o índice de 8.4 ultrapassando a meta 6.6 projetada para o ano em questão. A Escola Municipal Professora Laura Fabri, entretanto teve o maior IDEB no mesmo ano, sendo localizada em território urbano de Governador Valadares, encontra-se com o índice de 5.9 ultrapassando a meta projetada que era de 5.8. Para alcançar determinado resultado decorreu-se de mudanças necessárias para desenvolvimento de ações e intervenções que garantissem essa melhoria nos resultados, principalmente porque houve um declínio no ano de 2013 no índice de desenvolvimento da escola que foi superado por evoluções constantes e recordes de metas.

3 Considerações Finais

O objetivo deste trabalho possibilitou um estudo abrangente sobre as Contribuições da gestão para a escola de maior IDEB em território urbano de Governador Valadares. O primeiro passo foi realizar pesquisas sobre a importância do IDEB e suas contribuições para a vida escolar dos jovens estudantes, demonstrando a relevância desse tema aos alunos e auxiliando TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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para crescimento pessoal e profissional dos educandos. Além disso, também permitiu uma pesquisa de campo através de questionário direcionado a diretora da Escola Municipal Professora Laura Fabri para obter dados mais consistentes sobre os resultados, com perguntas abertas que possibilitou compreender a realidade em que a escola se vive atualmente e das dificuldades que tem que ser superados no dia a dia escolar. Constatou-se aspectos sociais interferem de maneira negativo no ensino e aprendizagem dos alunos exigindo dos profissionais maior engajamento e participação da comunidade. Dada à importância do assunto, torna-se necessária estratégias pedagógicas e uma gestão bem preparada e consciente de que só se terá uma aprendizagem de qualidade, quando existir uma participação democrática, com o intuito de se fazer uma gestão onde todos possam contribuir de forma direta e indiretamente. Foi comprovado que através de tais ações pedagógicas podem alcançar resultados positivos e de grande desenvolvimento não só para o ensino e aprendizagem, como para toda uma comunidade, mudando a realidade de muitos e que mesmo se encontrando em um ambiente vulnerável, as ações quando são coletivas todos saem ganhando.

Abstract In this article we propose to reveal mechanisms used to arrive at a good placement of the IDEB in the year 2017 in a municipal public school in Governador Valadares. The IDEB is one of the first Brazilian initiatives to measure the quality of learning nationally and establish goals for the improvement of teaching. The objective was to reach the result by the method of a qualitative approach, whose methodology will be the field research and interview directed to the director of the school. In order to reach the presented results, the importance of participative democratic management stands out. Finally, it is expected that after the understanding of this material it is highlighted that the school manager is essential for such placement in the IDEB. Key word: IDEB. Democratic. Management.  

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O PAPEL DO PEDAGOGO EM AMBIENTES NÃO ESCOLARES: ÊNFASE NA PEDAGOGIA SOCIAL NA PENITENCIARIA DE GOVERNADOR VALADARES – MG *Fernanda Brito Do Santos, *Lilian da Silva, *Ludimila Miranda Damascena, *Márcia Silva Lopes Arruda, Sandra Maria Perpetuo27 Resumo                                                             27

*Acadêmicos do 7º período do Curso de Pedagogia da Fundação Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares/MG,2018. Email:Fernanda_96brito@hotmail.com,liliansfgv@hotmail.com, ludymillamirandagv@hotmail.com,marciaxarruda@gmail.com.  Pedagoga. Mestranda em Educação (UFOP. Professora das disciplinas Seminário de Pesquisa, Alfabetização e letramento e Coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Presidente Antônio Carlos. Especialista em Gestão Educacional, Supervisão/Coordenação Pedagógica, Alfabetização, Educação Inclusiva e Especial. Email: sandramariaperpetuo@hotmail.com  

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Este artigo resulta de um estudo que buscou analisar o papel do pedagogo no sistema penitenciário. Teve-se como objetivo conhecer qual é a função do pedagogo e como desenvolver as intervenções pedagógicas, capazes de permitir o alcance dos resultados, o que requer realizar pesquisa bibliográfica e estudo de caso seguindo a ideia de alguns autores que defendem a educação penitenciária como necessária para uma possível reeducação do detento para devolvê-lo à sociedade com a devida dignidade que merece. Através desta pesquisa entende-se que o pedagogo ajuda na detecção e análise de problemas sociais e suas causas, assim como exerce uma função orientadora, organizativa e formativa, auxiliando com eficácia no atendimento de todos os usuários da unidade para a formação do indivíduo de forma integral. Os resultados apontam, que além de se buscar subsídios para entender qual é o papel do pedagogo na penitenciária em Governador Valadares, aproveitou-se também para analisar as intervenções pedagógicas, identificar a função do pedagogo e relatar o seu papel social nesse ambiente de trabalho que tem como instrumento o aluno-detento. Ao final deste estudo revelase que as atividades pedagógicas nas unidades penitenciarias são fundamentais para a recuperação dos detentos. Palavras-chave: Papel do Pedagogo. Sistema Penitenciário. Aluno-Detento 1 Introdução

O tema da pesquisa que resultou na produção desse artigo foi elaborado a partir das discussões realizadas na disciplina de Gestão de Processos Educativos Não Escolares. Por meio do estudo realizado, buscou-se responder à questão: Qual é o papel do pedagogo na penitenciária em Governador Valadares, principalmente quando se estabelece como objetivo analisar as intervenções pedagógicas, identificar a função do pedagogo e relatar o seu papel social nesse processo. O pedagogo que ajuda na detecção e análise de problemas sociais e suas causas, assim como exerce uma função orientadora, organizativas e formativas auxiliam, com eficácia, no atendimento de todos os usuários da unidade para a formação do indivíduo de forma integral. Segundo Neves e Vasquez (2010) “Em linhas gerais, o educar social penitenciário interage diretamente com a população carcerária para efetivação das assistências e operacionaliza o acesso ao trabalho que as pessoas que estão cumprindo pena e medidas de segurança, têm direito” (p. 11). É preciso considerar ainda que para cada detento tem uma pena classificada pelos crimes que cometeram e que determina os anos de reclusão a serem cumpridos. É diante desses diferentes crimes que são propostas as ações para o educador no presídio e isso evidencia que o sistema penitenciário necessita de adequação. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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A educação se faz presente em espaços que vão além do ambiente escolar e para isso é necessário que haja pedagogias próprias para esses espaços, como por exemplo, a pedagogia social. A partir do momento que um indivíduo é submetido a viver e a conviver nessas condições subumanas, tem alguns dos seus direitos privados, o direito à liberdade que passa a fazer parte de um processo de reeducação para que quando sair da penitenciária possa estar apto a retornar à sociedade. Mesmo perdendo boa parte dos seus direitos de cidadania, eles continuam sendo beneficiados pelos direitos que não estejam ligados ao direito de ir e vir. A educação prisional ainda enfrenta enormes questões na legislação brasileira uma vez que está na Lei nº 12.433 no Art. 126, que a cada três dias de trabalho árduo dentro da instituição, o preso tem o direito a redução de um dia da pena a ser cumprida, ou seja, a remição da pena. No entanto ainda não foi aprovada a lei que promove a remição da pena pelo estudo e por causa disso, o reeducando escolhe trabalhar dentro do presídio em substituição ao tempo destinado aos estudos. Essa iniciativa serviu para aprimorar o interesse do Estado com relação aos cárceres menos populosos, tendo em vista, que deu incentivo ao condenado a trabalhar ou estudar e até executar os dois cumulativamente, caso haja compatibilidade, porém, todas essas ocupações podem remir a pena ao mesmo tempo, abrangendo, inclusive, os apenados que cumprem pena no regime aberto ou semi aberto e até mesmo, os que estejam em liberdade condicional. Vale esclarecer, que a remição não se comunica com o trabalho ou somente com o estudo, pois o que se subentende é que existe tratamento diferenciado a apenados na mesma situação. In verbis, art. 126, § 6º da LEP: O condenado que cumpre pena em regime aberto ou semiaberto e o que usufrui liberdade condicional poderão remir, pela frequência a curso de ensino regular ou de educação profissional, parte do tempo de execução da pena ou do período de prova, observado o disposto no inciso I do § 1o deste artigo LEI Nº 12.433/2011).

Isso possibilita entender que mesmo não se fazendo uso do trabalho como fator de remição para condenado quer dos regimes aberto, semi aberto ou no período de prova condicional, dá para perceber um avanço no processo de execução da pena privativa de liberdade. O tempo remido será considerado como pena cumprida para todos os efeitos e, mesmo não incluindo o trabalho como fator de remição para condenado na situação mencionada dos regimes aberto, semi aberto ou no período de prova condicional, percebe-se um avanço no processo de execução da pena privativa de liberdade, considerando-se o tempo remido como pena cumprida para todos os efeitos. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Dentro da proposta de trabalho torna-se necessário enfatizar a ação de quem atua na educação nos presídios, com os indivíduos cujas situações já foram descritas acima, mas que necessitam de acompanhamento educacional. Por isso, foi apresentado por e-mail um roteiro de questionamentos para que o pedagogo atuante na área pudesse auxiliar na busca de informações e mediante suas respostas, a sua visão foi retornada às acadêmicas para dar subsídio ao artigo por elas elaborado. 2 A formação do pedagogo

A Pedagogia é uma ciência que tem a educação como objeto de estudo, logo, em espaços escolares ou não escolares, se há presença de educação, há pedagogia (LIBÂNEO, 2002). Por isso, pode-se afirmar que existem diversas pedagogias para diferentes espaços tornando o campo investigativo da educação gigantesco e diversificado. Nessa perspectiva, o pedagogo que não exerce sua profissão em uma sala de aula ou instituição de ensino, pode estar atuando em ambientes sociais, empresariais e hospitalares, ou em qualquer espaço que exija conhecimentos teóricos e práticos de organização e planejamento. Como afirma a Lei de Diretrizes e Bases (LDB 9394/96) em seu Art. 64: A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia na Resolução CNE/CP Nº 1, de 15 de maio de 2006, em seu Art. 3º e incisos I, II e III, também associam os novos paradigmas sociais mostrando que a pedagogia não é restrita a sala de aula, mas também a formação de profissionais críticos e reflexivos sobre sua função social, criando, construindo e reconstruindo conceitos que atendam as necessidades da sociedade que se transforma e evolui a cada dia: O estudante de Pedagogia trabalhará com um repertório de informações e habilidades composto por pluralidade de conhecimentos teóricos e práticos, cuja consolidação será proporcionada no exercício da profissão, fundamentando-se em princípios de interdisciplinaridade, contextualização, democratização, pertinência e relevância social, ética e sensibilidade afetiva e estética. Parágrafo único. Para a formação do licenciado em Pedagogia é central: I - o conhecimento da escola como organização complexa que tem a função de promover a educação para e na cidadania; II - a pesquisa, a análise e a aplicação dos resultados de investigações de interesse da área

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educacional; III - a participação na gestão de processos educativos e na organização e funcionamento de sistemas e instituições de ensino.

Nesse cenário de evolução que mostra a cada dia os diversos ramos de atuação na educação e que busca por profissionais capacitados, surge a pedagogia social, uma pedagogia que se estende além dos muros da escola, como confirma Libâneo (2002, p. 33) ao dizer que: O campo do educativo é bastante vasto, uma vez que a educação ocorre em muitos lugares e sob variadas modalidades: família, no trabalho, na rua, na fábrica, nos meios de comunicação, na política, na escola. Ou seja, ela não se refere apenas às práticas escolares, mas a um imenso conjunto de outras práticas educativas. Ora, se há uma diversidade de práticas educativas, há também uma diversidade de pedagogias: a pedagogia familiar, a pedagogia sindical, a pedagogia dos meios de comunicação, a pedagogia dos movimentos sociais etc., e também, obviamente, a pedagogia escolar.

A educação não se realiza de uma única forma e nem em um único espaço. Pelo que se observa, ela começa na família, estende-se em todos os campos onde a pessoa atua e a escola também tem sua parcela de responsabilidade por esse processo. Logicamente que o processo que a escola adota, ele não desfaz os ensinamentos que vêm da família pois a responsabilidade escolar se volta para a aquisição de novos saberes e conhecimentos que vão colocar a pessoa mais preparada para o convívio na sociedade onde se insere e no mercado de trabalho do qual faz parte. Diante disso, como o pedagogo atua em ambientes escolares e não escolares, passa-se a aprofundar a ação pedagógica na Penitenciária de Governador Valadares, a fim de se esclarecer acerca desse campo de ação, dando-se conhecimento da população carcerária que a unidade tem capacidade para receber e que realmente atende.

2.1 Metodologia Vergara (2009), argumenta que existem diversos tipos de pesquisa, com diversas classificações. Contudo, propõe dois critérios: quanto aos fins e quanto aos meios. Neste sentido, a pesquisa se caracteriza em bibliográfica, que é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao público em geral. Para o alcance dos resultados inicialmente desenvolveu um estudo bibliográfico para se aprofundar na teoria que discute sobre a legislação e, em seguida, identificou-se o campo de pesquisa que contava com um pedagogo atuante no ambiente. O contato para entrevistar esse TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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profissional foi por meio de telefone, obtendo-se os dados necessários através de questionário encaminhado por e-mail, bem como as informações que chegaram pelo mesmo processo. O roteiro para se saber acerca do resultado foi devidamente encaminhado sendo emitidas as respectivas respostas que, após discussão, são apresentadas em forma de texto para facilitar a compreensão e dar o devido sentido ao artigo. A descrição dos assuntos obtidos torna a pesquisa mais específica e facilita os meios nos quais se realiza o entendimento da função do pedagogo social que atua numa penitenciária, quando a busca pela visão de quem atua no campo de pesquisa interage com a perspectiva do que se pleiteia apresentar.

2.2 O papel do pedagogo em ambientes não escolares: ênfase na Pedagogia Social na Penitenciária de Governador Valadares – MG A penitenciária foi criada pelo Decreto 12.968 de 27 de julho de 1998, sendo presidente da República – Fernando Henrique Cardoso, governador do Estado de Minas Gerais – Eduardo Azeredo, secretário da Justiça – Tarcísio Henriques e Prefeito – José Bonifácio Mourão. A unidade possui capacidade para 657 reclusos e sua população atual é de mais de 1280 e, em seu quadro de funcionários um total de 309, dentre estes, Agentes de Segurança Penitenciário, Auxiliares administrativos, Especialistas da área jurídica e saúde. Os recursos para as obras foram destinados pelos governo Federal e Estadual com o apoio da Prefeitura de Governador Valadares, que doou o terreno, sendo Prefeito Municipal à época, Ronaldo Perim. A obra teve início em 1987 e foi concluída e inaugurada em fevereiro de 1998. A direção está subordinada diretamente à Secretaria de Estado de Defesa Social que tem como missão: promover a segurança da população em Minas Gerais desenvolvendo ações de prevenção à criminalidade, integração operacional dos órgãos de Defesa Social, custódia e reinserção social dos indivíduos privados de liberdade, proporcionando a melhoria da qualidade de vida das pessoas. O pedagogo obtém seus conhecimentos através co curso de Pedagogia, indiferente do campo onde vai exercer a sua função. Quando se trata da Pedagogia Social, o próprio especialista tem conhecimento de que o seu trabalho está voltado para o profissionalismo onde desempenha funções que requerem habilidades muito além de suas formações iniciais. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Diante de todas as atribuições do pedagogo para qualquer ambiente (escolar, social, empresarial, hospitalar) em que esteja atuando, Julião (2007, p. 47) afirma que é de extrema responsabilidade do mesmo: “a formação de indivíduos autônomos, na ampliação do acesso aos bens culturais em geral, no fortalecimento da auto-estima dos sujeitos, assim como na consciência de seus deveres e direitos, criando oportunidades para seu reingresso na sociedade”. Dessa forma, subentende-se assim que a Pedagogia Social busca provocar no indivíduo o autoconhecimento na relação com o outro, consigo mesmo e com a sociedade da qual faz parte ou se insere. Quanto a isso, SIMSON, Park, Fernandes (2007) asseguram que [...] as práticas da educação não formal são passíveis de serem aplicadas a todos os grupos etários, de todas as classes sociais e em contextos socioculturais diversos [...] o trabalho com essa modalidade educativa não implica e nem exige, em princípio, uma diferenciação de classe. (SIMSON; PARK; FERNANDES, 2007, p. 23).

O desenvolvimento das atividades educativas dentro do espaço da prisão é de extrema necessidade tanto para manter a ordem dentro do circuito penitenciário quanto para ocupar o tempo livre dos detentos, de forma proveitosa. No que diz respeito à educação, Julião (2010) afirma que: a educação em espaços de privação de liberdade pode ter principalmente três objetivos imediatos que refletem as distintas opiniões sobre a finalidade do sistema de justiça penal: (1) manter os reclusos ocupados de forma proveitosa; (2) melhorar a qualidade de vida na prisão; e (3) conseguir um resultado útil, tais como ofícios, conhecimentos, compreensão, atitudes sociais e comportamento, que perdurem além da prisão e permitam ao apenado o acesso ao emprego ou a uma capacitação superior, que, sobretudo, propicie mudanças de 14 valores, pautando-se em princípios éticos e morais. (JULIÃO, 2010, p.5).

A ação pedagógica do professor nesses espaços, apesar da desmotivação de boa parte dos alunos/detentos, consegue cumprir de certa forma o objetivo esperado que é fazer com que haja uma interação entre esses detentos, mantendo-os ocupados, fazendo com que gastem o tempo de uma forma proveitosa.

3 Resultados e discussões TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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A educação dentro do sistema penitenciário necessita de extremas mudanças radicais em vários sentidos. Inclusive, é preciso valorizar o trabalho do profissional da educação que atua no interior deste ambiente. Por menos que se conheça o aluno com o qual o professor atua, o pedagogo precisa acompanhar o planejamento que é realizado e, dentro dessa preparação, há necessidade de entrevistar um dos pedagogos que atua na área, onde foram feitas perguntas para as possíveis discussões. Dessa conduta, os resultados só podem ser obtidos quando o entrevistado, mesmo que de forma indireta, dialoga e através das suas colocações se obtém respostas capazes de favorecer o processo de ensino adotado na penitenciária. Entre os mais significativos assuntos discutidos, o Pedagogo faz uma amostragem do que se refere ao assunto dia e nele se encontram: Dia de Ações Pedagógicas, projeto alusivo ao Dia de Valorização da Família, Projeto de Remição Pela Leitura e como são vários e o melhor jeito de trabalhar no sistema prisional é através de projetos, houve um projeto bastante marcante também, que foi executado com o apoio da Sandra Perpétuo e alguns professores da UNIPACGV. Este projeto é o que trata do Trote Solidário, com vistas à arrecadação de livros literários para a Biblioteca da Unidade prisional.

4 Considerações finais

Desde que se entenda que o papel da educação no cárcere deve ser o de reeducar os criminosos e auxiliá-los a ter uma visão mais ampla de mundo, a buscar outras formas de inserção na sociedade, é através do ensino que os encarcerados têm a oportunidade de se humanizarem e se transformar o seu comportamento, principalmente quando se entende que a educação é transformadora quando se quer transformar. O ambiente prisional vai muito além do espaço físico, “sala de aula”, pois este espaço educativo nem sempre é suficientemente valorizado. Pode, de forma eventual, o ambiente prisional favorecer aprendizagens corrosivas à índole do indivíduo, como a repressão, ameaças, maus tratos, brigas, furtos, drogas, etc.

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Portanto, a educação é um processo que acontece em vários âmbitos da sociedade em que se vive, estará ligada direta ou indiretamente com outras práticas educativas, no caso da pesquisa em questão, quando está ligada ao social. Por isso é necessário oferecer ensino de qualidade dentro dos valores éticos, morais e políticos, desenvolvendo o crescimento do educando como um todo. Buscar a preservação da totalidade do sujeito, incluindo a diversidade que a escola apresenta, há como encontrar a realidade social de cada um a fim de potencializar as competências, capacidades e empenhos de cada educando-detento.

Abstract This article results from a study that sought to analyze the role of the pedagogue in the penitentiary system. The objective was to know the role of the pedagogue and how to develop pedagogical interventions, capable of achieving the results, which requires a bibliographic research following the idea of some authors who defend penitentiary education as necessary for a possible re-education of the prisoner to return it to society with the due dignity it deserves. Through this research it is understood that the pedagogue helps in the detection and analysis of social problems and their causes, as well as exerts a guiding, organizational and formative function, effectively assisting in the care of all the users of the unit for the formation of the individual in a way integral. In the course of the article, in addition to seeking help to understand the role of the pedagogue in the penitentiary in Governador Valadares, he also took the opportunity to analyze the pedagogical interventions, identify the role of the pedagogue and report his social role in this work environment that has as instrument the student-inmate. Key-words: Role of the pedagogue. Penitentiary system. Student-inmate Referências BRASIL. A Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira. Lei N. 9.394, de 20 de dezembro de 1996.Lei 6965 de 9/12/81. BRASIL, Lei nº. 12.433, de 29 de junho de 2011. Altera a Lei nº. 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal), para dispor sobre a remição de parte do tempo de execução da pena por estudo ou por trabalho. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_ 03/_ato2011-2014/2011/lei/l12433.htm>. Acesso em: 14 nov. 2018. JULIÃO, E.F. Uma visão socioeducativa da educação como programa de reinserção social na política de execução penal, p. 5 - p.47, 2010. LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, para quê? São Paulo: 5. ed. São Paulo: Cortez, 2002. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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NEVES, Edmar Souza das; VASQUEZ, Eliane Leal. Atuação profissional do educador social penitenciário: o caso do sistema penitenciário do Amapá.Congresso internacional de pedagogia social.Março,2010 disponível em: http://www.pocedings.scielo.br/scielo.php? pid= MSC0000000092010000100007&scrip=sci_arttext. Acesso em :16 nov.2018. SIMSON, O. R. M. Von; PARK, M. B.; FERNANDES, R, S. Educação não formal: cenários da criação. Campinas: UNICAMP, 2007. VERGARA Sylvia Constant. Sugestão para estruturação de um projeto de pesquisa. Caderno de Pesquisa, Rio de Janeiro: EBAP, 2009.

PROCESSO DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM COMO FOCO DA ATUAÇÃO DO PEDAGOGO Kamila Gonçalves Rocha*, Mariane Souza Gomes Silva*, Priscila Martins Flora*, Kátia Cristina Abelha *28, Ana Paula Campos Fernandes29**, Sandra Maria Perpétuo30**

Resumo Este artigo resulta de um estudo que buscou investigar o papel do pedagogo na gestão escolar. O objetivo é conhecer as atribuições do pedagogo escolar e suas implicações no processo ensino aprendizagem. Para alcance dos resultados realizou-se uma revisão bibliográfica, tendo como principais aportes teóricos os estudos e pesquisas realizadas por Guirro (2009), Libâneo (2006), Nóvoa (2009), Santos (2009) Silva (2008) e Vasconcelos (2013). A coleta de dados foi feita por meio de um questionário com alguns (as) pedagogos (as) da rede privada de ensino de Governador Valadares. Os resultados indicam que por não compreender as suas atribuições, por não ter as habilidades necessárias para o cargo, ou por acúmulo de funções, o pedagogo deixa de assumir seu papel e ocasiona prejuízos no processo ensino aprendizagem. Espera-se que a leitura desse material se configure como elemento norteador dos debates acerca da                                                             28

Acadêmicos do 7º período do Curso de Pedagogia da Fundação Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares/MG, 2018 02. 29 Mestra em Gestão Integrada do território. Especialista em Gestão Educacional, graduada em Letras. Professora de Graduação e Pós graduação. E-mail: anapaulagv@hotmail.com 30 Mestra em Educação (UFOP. Professora das disciplinas Seminário de Pesquisa, Alfabetização e letramento e Coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Presidente Antônio Carlos. Especialista em Gestão Educacional, Supervisão/Coordenação Pedagógica, Alfabetização, Educação Inclusiva e Especial..Email: sandraplocatelli@hotmail.com

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necessidade do pedagogo compreender e conhecer a importância de sua função no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem. Palavras-chave: Pedagogo. Atribuições. Atuação. 1 Introdução

Uma escola não é feita somente de alunos e professores, ou apenas de uma estrutura física. Este espaço se constitui de alunos, professores, coordenadores, corpo de funcionários e uma gestão que deve ser competente. Para que a escola cumpra com sua função é necessário que cada um esteja ciente do seu papel e como exercê-lo da melhor maneira para que seja possível caminhar frente a uma educação de qualidade. O gestor é fundamental no funcionamento de uma instituição escolar e no processo de aprendizagem, pois suas funções de trabalho estão diretamente relacionadas à organização e gestão da escola, não se resumindo a um mero papel administrativo, e sim como um agente, um transformador político/social, mantendo a escola dentro de normas educacionais, e sendo sim a principal referência pedagógica da escola. Se o pedagogo não exerce suas atribuições de maneira adequada e eficaz, os resultados de aprendizagem poderão ser comprometidos de maneira negativa, refletindo na aprendizagem dos alunos e na organização escolar. O objeto de investigação que norteou a pesquisa que resultou na produção desse artigo buscou responder: Quais as consequências para o processo de ensino e aprendizagem quando o pedagogo deixa de exercer as suas atribuições? Através de revisões bibliográficas e pesquisa de campo, foi possível investigar se pedagogos está de fato exercendo o seu papel ou se por algum motivo está havendo uma distorção/inversão de papéis e funções.

2 As atribuições do pedagogo escolar

Tendo como base a Gestão Democrática, onde todos são participantes ativos as escolas poderão desenvolver melhor o seu trabalho e se tornar um referencial para as outras instituições

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de ensino. Segundo Silva (2008) uma instituição de ensino para um bom funcionamento deve ter uma boa Gestão escolar, mas afinal o que é Gestão Escolar e a função do Pedagogo? Trata-se de uma maneira de organizar o funcionamento da escola quanto aos aspectos políticos, administrativos, financeiros, tecnológicos, culturais, artísticos e pedagógicos, com a finalidade de dar transparência às suas ações e atos e possibilitar à comunidade escolar e local a aquisição de conhecimentos, saberes, ideias e sonhos num processo de aprender, inventar, criar, dialogar, construir, transformar e ensinar. (SILVA 2008). O ensino/aprendizado da criança depende muito da gestão da escola, tendo em vista que um bom pedagogo vai exercer sua função de forma significativa ensinado ao professor, e assim ele cumprirá o seu papel de ensinar aquela criança. São diversas condições que o pedagogo deve ofertar para todos os envolvidos no vasto processo educativo, sendo algumas delas: reflexões teóricas sobre a prática, a observação e análise de problemas e soluções comuns, acompanhamento, leitura, debate, pesquisas sobre a prática pedagógica desenvolvida no interior da escola. O papel do pedagogo, desse modo é mais do que dar vistos nos planejamentos dos professores ou de simplesmente assinar fichas exigidas pela burocracia da regência escolar, mas sim de “derrubar paredes” da escola de “saltar seus muros”. (GUIRRO, 2009, p.71) Frente à diversidade cultural, política e subjetiva que cada aluno traz consigo, assim como cada professor também carrega enraizado em seu ser, o pedagogo é o profissional responsável por abrir caminhos frente a essas diversidades de modo que elas sejam expostas ao mundo como processos conscientes que são elementos constituintes do ser e que por isso não podem ser descartados nas relações humanas. De acordo com Libâneo: É disto que trata a pedagogia: a mediação de saberes e modos de agir que promovam mudanças qualitativas no desenvolvimento e na aprendizagem das pessoas, objetivando ajudá-las a se constituírem como sujeitos, a melhorarem sua capacidade de ação e suas competências para viver e agir na sociedade e na comunidade. (LIBÂNEO, 2006, p. 24)

Quando se pensa a respeito da mediação do pedagogo no trabalho docente, sabemos que essa condução deve constituir-se como “ponte” para a conquista de ideais como: profissionalização, melhores condições de trabalho e uma prática docente mais crítica, ativa, interventiva e o estudante como um aprendiz competente. “A primazia da importância do saber disciplinar, curricular e da cultura do mundo vivido” (NÓVOA, 2009, p.33), na prática docente TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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deve ser considerada como fator intimamente relacionado com a melhoria da qualidade do ensino, além de constituir elemento significativo para a construção do professor enquanto profissional da educação. O professor, como profissional da educação, é aquele que constrói sua prática pedagógica na relação dialética entre conhecimento e ação, entre o saber fazer e o saber sobre o fazer. E tudo isso é possível somente quando o pedagogo exige suas funções sem nenhum tipo de desvio ou acúmulo, o que pode comprometer todo o processe e a qualidade do ensino e da aprendizagem. A concepção de Vasconcellos (2013) é de que a caracterização de uma situação inerente ao Professor Pedagogo, de modo geral, que não realize as funções da profissão, admite a ocorrência de duas possibilidades. Na primeira delas, ocorre o desvio de função, quando o seu papel sai do âmbito das atividades pedagógicas e se incumbe em funções que atendam às necessidades outras da escola, incluindo condições inadequadas de trabalho do processo educativo; a vida dos alunos e as condições insatisfatórias que a escola detém. A segunda possibilidade apontada por Vasconcellos (2013) diz respeito a uma situação estreitamente vinculada ao seu desempenho profissional: a de que a sua atuação como pedagogo, na condição adversa com a qual convive não lhe permita resolver os problemas da escola, a exemplo da garantia da aprendizagem qualitativa. É preciso que o Professor Pedagogo reveja continuamente a sua prática pedagógica, especialmente quando verificamos que a sua função na escola está sendo substituída pelas atribuições estranhas a essa função. O exemplo do que propõe Nickel (2006), o pedagogo tornase um profissional talentoso e competente quando reflete de maneira metódica, sistemática e crítica sobre o que faz enquanto faz, aperfeiçoando-se e construindo sua autonomia profissional. Entretanto, esse talento e competência são comprometidos conforme afirma Libâneo (2004, p.192), a “Sobrecarga de funções atribuída ao professor pedagogo no dia-a-dia escolar, tem contribuído para a fragmentação do seu trabalho”. Acredita-se que o “sujeito cognitivo passa a ser entendido não apenas como um sujeito racional, mas também como um sujeito psicológico, social, político, isto é, relacional haja vista que é fruto do processo entre subjetividade e objetividade” (SANTOS, 2009, p. 157). Isso estende ainda mais as funções do pedagogo diante da realidade curricular para que esta possa possibilitar a abertura do ser em busca de novas visões, de novos conhecimentos para que novas dúvidas sejam postas nesse ser a fim que a sua curiosidade não se feche, mas abra oportunidades para novas descobertas e novas conclusões. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Assim agindo, o pedagogo proporá à sua equipe uma possibilidade de ação que considere a utilização de “técnicas adequadas que permitem o estudo de alternativas e tomadas de decisão. […] Uma metodologia que permite a apropriação do conhecimento e seu manejo criativo e crítico”. (GUIRRO, 2009, p.71). O papel do pedagogo, desse modo, é mais do que dar vistos nos planejamentos dos professores ou de simplesmente assinar fichas exigidas pela burocracia da regência escolar, mas sim de “derrubar paredes” da escola de “saltar seus muros”. (GUIRRO, 2009, p.71) Em outras palavras, o papel do pedagogo é de quebrar velhos paradigmas que retardam ou diminuem a capacidade de interação entre alunos e professores e buscar outras possibilidades de interação por meio de tecnologias modernas, por meio de recursos gratuitos que convoquem todos (alunos e professores, funcionários e comunidade escolar) a interagir com a escola. Isso mostra que o pedagogo está atualizado com as novas interações sociais, novas formas de contatos socais novos conhecimentos que podem ser apreendidos com essas situações. Guirro (2009, p.95) também pensa assim e diz claramente: “diante das novas possibilidades, a educação não pode mais viver do passado, negando a existência das tecnologias, pois formaria pessoas desconectadas da realidade em que se inserem”.

2.1 Metodologia

Segundo Gil (2010), a pesquisa científica tem como foco principal chegar à verdade dos acontecimentos. Portanto, ela se diferencia dos demais tipos de conhecimento. Vergara (2009) dita que existem diversos tipos de pesquisa, com classificações variadas. Porém, propõe dois critérios: quanto aos fins e quanto aos meios. Desta forma, a pesquisa quanto aos meios se caracteriza em bibliográfica, que é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao público em geral. (VERGARA, 2009, p. 48) Percebe-se que esse modelo de pesquisa é o ponto inicial de qualquer modelo a ser utilizado, pois visa constituir uma semelhança entre a questão proposta e as teorias existentes sobre o assunto. A pesquisa foi aplicada uma abordagem qualitativa, pois os fatos foram analisados, interpretados sem que o pesquisador inferisse nele e os dados coletados visaram a análise e discussão dos mesmos a partir dos dados coletados, identificou as diversas funções do pedagogo no âmbito escolar têm interferido no desenvolvimento do ensino e aprendizado nas redes privadas de Governador Valadares.

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Para a realização da pesquisa foram selecionas cinco escolas da rede privada, das 120 que estão situadas na cidade de Governador Valadares. Essas cinco escolas se dispuseram a responder o questionário entregue para os seus Pedagogos (as), elas foram selecionadas devido a facilidade de acesso, pois estão localizadas na parte central de nossa cidade. O nosso foco de pesquisa fui direcionado para o Pedagogo (a) do Ensino Fundamental tendo como objetivo identificar funções assumidas pelos pedagogos escolares, e se estas os afastam das suas responsabilidades junto ao ensino e a aprendizagem.

2.2 Resultados e Discussão Os resultados da pesquisa revelam que das cinco instituições de ensino, apenas três pedagogas afirmaram que não se dedicam inteiramente ao ensino e a aprendizagem, pois estão ocupadas com outras tarefas da escola. As outras duas alegaram que as atividades diárias estão bem dividas e que o diretor cumpri seu papel de auxiliar nos processos administrativos da instituição, enquanto a pedagoga busca desenvolvimento do aluno e dos professores, dessa forma, busca-se dar uma ênfase maior na qualidade de ensino. Através dos dados coletados, confirma-se que por não compreender as suas atribuições, por não ter as habilidades necessárias para o cargo, ou por acúmulo de funções, o pedagogo deixa de assumir seu papel e ocasiona prejuízos no processo ensino aprendizagem. Em nosso questionário uma pedagoga afirmou: Tendo em vista que para o bom funcionamento da gestão escolar cada integrante do grupo deve estar ciente do seu papel para que na hora da execução do mesmo não gere acúmulo de atividades para uma pessoa específica, pois o que temos vivenciado na prática é o contrario da teoria plicada na universidade, o pedagogo infelizmente se tornou um executor de diversas atividades, perdendo seu foco para o principal que é o ensino e aprendizagem. (PEDAGOGA 1, 2018)

Tomando como base a afirmação da Pedagoga, há a necessidade de se ter uma hierarquia em qualquer tipo de organização para que as tarefas sejam delegadas e executadas. Assim, o

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pedagogo assume como uma das suas atividades de criar e recriar instrumentos que qualifiquem o contexto educacional. O pedagogo enquanto especialista deve intervir em tais situações a fim de colaborar com um trabalho pedagógico em uma ação teórica reflexiva para solucionar ou mostrar meios que facilitem o trabalho docente frente a essas situações problemas. Assim ressalta Libâneo (2010, p.61): A atuação do pedagogo escolar é imprescindível na ajuda aos professores no aprimoramento do seu desempenho na sala de aula [...] na analise e compreensão das situações de ensino com base nos conhecimentos teóricos [...] na vinculação entre as áreas de conhecimento pedagógico e o trabalho de sala de aula [...] considerando – se a variedade de níveis de atuação do profissional pedagogo, a que se convir que os problemas, os modos de atuação e os requisitos de exercício profissional nesses níveis não são necessariamente da mesma natureza, ainda que todos sejam modalidades de práticas pedagógicas. (LIBÂNEO,2010)

Partindo da citação pode-se concluir que a figura do pedagogo especialista também é de fundamental importância, sendo que, para que aja uma atuação significativa, positiva e de qualidade se faz necessário uma formação voltada para tal segmento a fim de habilitar esse profissional. 3 Considerações Finais O presente artigo buscou investigar o papel do Pedagogo (a) na gestão escolar, compreender as suas atribuições e a necessidade de colocá-las em prática para a melhoria do ensino educacional. Constatou-se que muitos pedagogos não sabem exatamente qual é a sua, verdadeira, função dentro do ambiente escolar e acabam exercendo funções que não são a ele atribuídos. Através de análise bibliográfica foi possível reconhecer que de fato existe, historicamente, o problema de desvio de função, que interfere diretamente no real papel do pedagogo. Esse mesmo problema foi identificado no questionário que foi aplicado, conforme descrito no artigo. Por fim, conclui-se que, é indispensável o pedagogo compreender suas atribuições e a necessidade de colocá-las em prática para a melhoria do ensino educacional, pois a atuação do pedagogo escolar é a de mediar a prática docente garantindo assim a qualidade de ensino e aprendizagem.

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Abstract This article results from a study that sought to investigate the role of the pedagogue in school management. The objective was to know the attributions of the school educator and its implications in the learning teaching process. In order to reach the results, a bibliographic review was carried out, having as main theoretical contributions the studies and research carried out by Guirro (2009), Libâneo (2006), Nóvoa (2009), Santos (2009); and a field survey developed through a questionnaire. The results indicate that because the teacher does not understand his / her responsibilities, because he / she does not have the skills necessary for the position, or because of the accumulation of functions, the pedagogue stops assuming his role and causes damages in the learning teaching process. It is expected that the reading of this material will be the guiding element of the debates about the pedagogical need to understand and know the importance of their role in the development of teaching and learning. Key words: Pedagogy. Assignments. Actuatio Referências GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 184p. GUIRRO, Antônio Benedito. Administração de benefícios e remuneração: RH. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. LIBÂNEO, J. C. Diretrizes curriculares da pedagogia: Imprecisões teóricas e concepção estreita da formação profissional de educadores. Educ. Soc., Campinas, vol. 27, n. 96. 2006, 34 p. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/es/v27n96/a11v2796.pdf>. Acesso em: 19 set. 2018. LIBÂNEO, J. C. Pedagogia e pedagogos, para quê? 6. ed. São Paulo, Cortez, 2010. NÓVOA, A. Professores imagens do futuro presente. Lisboa: Educa 2009. Disponível: <http://www.slideshare.net/mzylb/antonio-novoa-novo-livro> SANTOS, Adriana Regina de Jesus. Currículo, conhecimento e cultura escolar. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. SILVA, Maria Abádia. Do projeto político do Banco Mundial ao Projeto Político Pedagógico. In: Cadernos Cedes: arte & manhãs dos projetos políticos e pedagógicos. Campinas: Unicamp. v.23,n.61.dez.2008. VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto político-pedagógico ao cotidiano da sala de aula. São Paulo: Libertad, 2002; 15. ed. 2013

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VERGARA Sylvia Constant. Sugestão para estruturação de um projeto de pesquisa. Caderno de Pesquisa, Rio de Janeiro: EBAP, 2009.

ESTUDO DE CASO SOBRE O APROVEITAMENTO ESCOLAR EM CIÊNCIAS DE ALUNOS DO SEXTO ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL DE UMA ESCOLA MUNICIPAL EM GOVERNADOR VALADARES / MINAS GERAIS Jane Rabelo Almeida Vargas* Resumo Este trabalho objetivou detectar as possíveis causas do baixo aproveitamento escolar dos alunos de uma escola municipal, do sexto ano, na disciplina de Ciências, e apontar possíveis soluções. Optou-se por analisar os dados referentes ao ano de 2007 por ter sido um ano de transição do regime de avaliação seriado para o regime de ciclo. Utilizando a análise estatística como ferramenta de estudo, foram correlacionadas as variáveis: sexo, idade e frequência, com as notas obtidas em três bimestres, em três turmas diferentes. A idade e a frequência interferiram positiva ou negativamente no aproveitamento escolar das turmas em estudo, no entanto o sexo não exerceu nenhuma interferência no aproveitamento escolar. Palavras-chave: Aluno. Aproveitamento Escolar. Professor. Escola. Sistema Educacional. 1 Introdução

O tema deste trabalho surgiu da vivência da autora, ministrando aulas de Ciências para alunos do ensino fundamental em uma escola pública municipal, no interior de Minas Gerais. A disciplina Ciências é considerada bem atraente por tratar de fenômenos da natureza, da diversidade da vida, da fisiologia do corpo humano, enfim, de assuntos diretamente relacionados ao dia-a-dia, e por ter aplicações práticas e diretas no cotidiano dos alunos. Porém, o aproveitamento escolar está caindo de forma gradativa a cada ano, e isso tem gerado muita angústia aos docentes, não só por desconhecimento de causa, mas também pelas limitações e imposições do próprio sistema público de ensino. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Vários estudos vêm sendo realizados em todo o Brasil objetivando detectar e solucionar as causas dos baixos índices do aproveitamento escolar deste público alvo. Segundo Cavalcanti (2013), o conhecimento dos fatores que influenciam o desempenho possibilita ações no sentido de melhorar o aproveitamento dos estudantes.

*Bióloga, Especialista em Gestão Escolar, Mestre em Meio Ambiente e Sustentabilidade, Docente dos cursos de Enfermagem e Administração da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares – e-mail: janerabelo.bio@gmail.com

Brito (2010), ressalta que por meio de práticas pedagógicas adequadas, os professores podem influenciar significativamente a trajetória escolar dos alunos, contribuindo para o sucesso escolar, especialmente daqueles com maiores dificuldades educacionais. No entanto, para tal, faz-se necessário identificar as causas do baixo aproveitamento escolar para que essas práticas sejam condizentes com a realidade do aluno. Segundo Gouveia (1971), os anos 40 foram um marco para as pesquisas educacionais no Brasil. Sendo que, já em 1938 foi criado no Ministério da Educação e Cultura o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos - INEP. As pesquisas sobre questões educacionais passaram por momentos bem distintos e foram bem caracterizadas por Gouveia (1971, 1976 e 1985) que definiu os anos 60 como tempos de predomínio da teoria do capital humano. Nessa década ocorreu o domínio de soluções tecnicistas para os problemas do ensino para garantir rapidez e eficiência à escolarização da maior parte da população. Nos anos 70 a preocupação com a educação foi em adequar os currículos ao mercado de trabalho e suprir a carência cultural da população. Neste período, o fracasso escolar era atribuído às altas taxas de reprovação e evasão escolar na rede pública de ensino fundamental. Nos anos 70 surgiram os primeiros estudos sobre as precárias condições salariais do magistério, a burocratização e sua influência sobre a qualidade do trabalho docente, materiais didáticos inadequados, dentre outros, e estes são apontados como possíveis causas do fracasso escolar. Neste contexto, a pré-escola passa a ser vista como um recurso para resolver as dificuldades de aprendizagem de crianças pobres. Nos anos 80 a Fundação Carlos Chagas realizou vários estudos a fim de investigar a participação do sistema escolar no baixo aproveitamento das crianças. Assim, a política educacional e o educando foram igualmente responsabilizados pelos maus resultados do ensino. (SANTOS, 2002)

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Cano (1999) relata que alguns professores apontaram como causas do fracasso escolar a falta de interesse dos pais em relação ao ensino dos filhos, a miséria, a falta de alimentos em casa, a rebeldia da criança e os distúrbios orgânicos. No entanto, para Angelucci (2004), as reformas e projetos recentes são as possíveis causas do barateamento da educação pública. Cabe analisar as consequências lesivas dessas políticas sobre as condições de trabalho dos educadores e o aproveitamento dos educandos, considerando alguns elementos como: alunos que passaram por "classes de aceleração"; professores inseridos na política de inclusão sem a devida capacitação; famílias cujos filhos estão em séries avançadas da escola básica, sem terem sido alfabetizados. Em contrapartida, outras situações são estudadas e apontadas como possíveis causas dos baixos aproveitamentos escolares. Questionam-se algumas crenças no cotidiano escolar, como a de que a inserção precoce no mercado de trabalho é causa de fracasso escolar, e a democratização da escola pela inserção dos excluídos ao direito à formação escolar na categoria de incluídos nos prédios escolares. Discutem-se instrumentos de avaliação psicológica, categorias diagnósticas de dificuldades de aprendizagem em seus aspectos epistemológicos e ético-políticos, aprofunda-se a discussão da relação da cultura escolar com a cultura popular e da desvalorização desta em projetos pedagógicos oficiais. Há de se considerar, que não existe uma causa clara e bem definida para o baixo aproveitamento escolar, seria leviano responsabilizar um segmento desconsiderando o papel do outro. Ao longo dos anos a educação é submetida a mudanças drásticas, sem os devidos preparos para os envolvidos no processo. Presume-se que o alto e baixo aproveitamento escolar em Ciências dos alunos do sexto ano do ensino fundamental da escola em estudo, tem relação direta com a idade (alunos fora e dentro da faixa etária) e com a frequência (baixo e alto índice de faltas). Os baixos aproveitamentos alcançados e a aprovação de alunos despreparados para dar continuidade aos estudos sugerem uma análise das causas desses resultados, uma reflexão sobre os métodos utilizados na ministração das aulas, na avaliação e no envolvimento dos próprios alunos e seus familiares com o processo ensino-aprendizagem. Bonamino (2010) considera que o apoio familiar seja um gerador de condições favoráveis para o desempenho escolar. Segundo o autor, o diálogo familiar é um fator de grande poder explicativo do desempenho escolar. Todos se beneficiam pelo efeito positivo do diálogo familiar sobre o desempenho escolar.

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Os conteúdos estudados em Ciências despertam a imaginação, curiosidade e criatividade dos alunos, bem como oportunizam entender o mundo que os cerca e interpretar as ações e os fenômenos que observam e vivenciam no dia a dia. Com o acesso às ferramentas tecnológicas cada vez mais presentes na vida das pessoas, ter conhecimento científico significa estar preparado para analisar e discutir as questões contemporâneas e se posicionar frente aos desafios se se lhes apresentam (SANTOMAURO, 2009). Segundo Almeida (2010), os conhecimentos científicos, quando bem trabalhados desde os primeiros anos escolares do Ensino Fundamental, tornam-se grandes aliados para que o aluno consiga ler e compreender melhor o seu universo. A educação no espaço escolar deve garantir a transmissão sistemática dos conteúdos de ensino, mas também assegurar que os alunos se apropriem desses conteúdos de forma ativa, e então, sejam capazes de reelaborar esses conhecimentos e obter um senso crítico mais concreto da realidade social e política na qual vive. Segundo Santomauro (2009), a disciplina de Ciências demorou a ser incorporada ao currículo escolar. Durante o século 19 à década de 1950, a concepção sobre o estudo de Ciências era impregnada de ideias em que predominava o pensamento de que essa área do conhecimento era neutra em suas descobertas e que os saberes delas decorrentes seriam verdades únicas e definitivas. As disciplinas correlacionadas a ciências, tecnologia e inovação são imprescindíveis para o crescimento da economia de um país, para que o manejo dos recursos naturais e ambientais sejam eficientes, para a elaboração e utilização de políticas públicas nas áreas da saúde, e ainda, quando compreendidos de forma adequada, os conceitos adquiridos oferecem subsídios para a tomada de decisões, reconhecer questões científicas, usar evidências, concluir e comunicar estas conclusões. (HAMBURGER, 2008) Segundo Hamburger (2008), a Academia Brasileira de Ciências – ABC destaca a importância do estudo de ciências e suas tecnologias desde os anos iniciais, bem como a formação no uso da linguagem e das humanidades, contudo, no entanto, ressalta que os níveis de conhecimento dos estudantes brasileiros no ensino fundamental e médio ainda se apresentam muito baixos, o que compromete o desenvolvimento do país. Santomauro (2009) destaca que durante décadas o ensino de Ciências foi reproduzido nos padrões tradicionais, persistia a ideia de que os fenômenos naturais poderiam ser compreendidos com base apenas na observação e no raciocínio, e para isso os estudantes eram TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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induzidos a conhecer o patrimônio científico e a memorizar conceitos. A metodologia usada se restringia ao uso do livro didático, o que ainda hoje acontece frequentemente nas salas de aula e pode ser um fator desmotivador parta se compreender os conteúdos da disciplina de Ciências. A ABC considera que para que haja um bom aproveitamento do aluno é fundamental que se estabeleça um compromisso de toda a sociedade com a definição de políticas educacionais, que devem passar a ser políticas de Estado ao invés de políticas de Governo, e que essas políticas tenham continuidade de pelo menos duas décadas para apresentarem resultados significativos. (HAMBURGER, 2008) Assim, há de se destacar a relevância de priorizar a tomada de decisões conjuntas na tentativa de reverter esse quadro preocupante. Por meio de uma revisão de literatura foi descrito um breve relato sobre a importância do estudo de ciências nos espaços escolares para a formação do aluno/cidadão. Utilizando a análise estatística como ferramenta de estudo, objetivou-se detectar as possíveis causas do baixo aproveitamento escolar dos alunos do sexto ano na disciplina de Ciências; chamar a atenção do corpo docente de escolas públicas para essas causas e para a necessidade de uma reflexão sobre a qualidade do ensino de Ciências no sistema público de educação; e indicar possíveis soluções para melhorar o interesse e aproveitamento escolar destes alunos.

2 Métodos

Os dados utilizados para o estudo foram obtidos nos diários de classe do período proposto, a saber, as notas obtidas em três turmas do sexto ano do turno matutino de uma escola municipal de Ensino Fundamental da cidade de Governador Valadares no interior do Estado de Minas Gerais, nos três primeiros bimestres. Os dados foram organizados em uma planilha do programa Excel e analisados pelo programa de Análises Estatísticas SAEG. Optou-se pelos dados referentes ao ano de 2007 por ter sido um ano de transição entre o regime de avaliação seriado para o regime de ciclo e a escolha da série a ser estudada se deu pelo fato de serem turmas trabalhadas pela autora como docente. Os resultados serão descritos em tempo presente, a fim de facilitar uma melhor compreensão. Os alunos em estudo compõem parte do corpo discente de uma escola pública municipal da cidade de Governador Valadares no interior do estado de Minas Gerais, cursando o final do TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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sexto ano do Ensino Fundamental. A escola está localizada na periferia, em um bairro de classes média e baixa, ladeado por outros bairros com as mesmas características socioeconômicas. Alguns destes alunos moram com parentes (avós ou tios) porque seus pais são separados ou estão em busca de melhores condições de vida no exterior, tem falta de alimento em casa, presenciam diversos tipos de violência, vivem em moradias precárias, situações de total exclusão social e desestrutura familiar. Outros, no entanto, são provenientes de uma base familiar sólida, tem uma boa alimentação, moram com os pais, em casas próprias, e frequentam essa escola devido à proximidade de suas casas. A clientela é bastante heterogênea.

3 Resultados e Discussão

Em 2007 o sistema de ensino público municipal de Governador Valadares passava por uma transição do regime seriado para ciclos de aprendizagem. O regime de educação fundamental em ciclos de aprendizagem consiste no fim da seriação, com aprovações e reprovações ao final de cada série, e o oferecimento dos diferentes níveis de ensino em ciclos, com possibilidade de repetência apenas nos finais dos ciclos. (JACOMINI, 2009) As turmas serão identificadas como Turmas 1, 2 e 3, sendo que a Turma 1 é composta por alunos frequentes, que nunca repetiram uma série, estão dentro da faixa etária para a mesma, quase todos moram com os pais e tem um bom acompanhamento em casa; a Turma 2 é uma turma mista, composta em sua maioria por alunos com o mesmo perfil da Turma 1, porém, apresenta alguns alunos que já repetiram uma série, são infrequentes e estão um ano fora da faixa etária; a Turma 3 é composta em sua maioria por alunos que já repetiram 2 ou mais séries, quase todos trabalham em atividades informais pelo menos meio expediente, são infrequentes, e estão fora da faixa etária e grande parte mora com os avós. As turmas estudadas eram compostas de trinta e cinco alunos cada e as notas usadas como dados foram escolhidos as notas da seguinte forma: os 14 primeiros alunos da lista de chamada da Turma 1, e as notas dos 13 primeiros alunos da chamada das Turmas 2 e 3, constituindo uma amostra de 40 alunos que representa trinta e oito por cento de toda a população em estudo. Os dados foram organizados em uma planilha do programa Microsoft Excel, as amostras seguiram a ordem das turmas, ou seja, os 14 primeiros alunos representam a Turma 1, os 13 seguintes a Turma 2 e os 13 últimos a Turma 3. As análises estatísticas foram realizadas utilizando o Programa SAEG de Análises Estatísticas. As variáveis estudadas foram: Sexo (1 para o sexo feminino e 2 para o masculino); TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Idade; Faltas; Notas A,B e C que representam o primeiro, segundo e terceiro bimestre respectivamente e Turma. As análises feitas foram: Análise de Variância Multivariada (aluno; Notas A, B, e C; Faltas; Idade; Sexo; em função da Turma); Teste de Médias usando o teste de Scott-Knott com grau de liberdade 37, Nível Alfa de 5% e Correlações de Pearson com aplicação do teste t. As correlações feitas foram: Nota A com a Turma, Nota B com a Turma, Nota C com a Turma, Faltas com a Turma, Idade com a Turma e o Sexo com a Turma. A análise de variância é uma ferramenta estatística utilizada para avaliar discrepâncias entre diferentes médias de diferentes distribuições e se as mesmas ocorrem ao acaso, a erros de amostragem ou se são diferentes por sua própria natureza. Segundo Ribeiro Júnior (2001), o coeficiente de correlação de Pearson é mais apropriadamente utilizado para as variáveis contínuas, e para testar a hipótese de que o coeficiente de correlação é igual a zero, é necessário aplicar o Teste t. As análises de correlações servem para estabelecer o grau de relação entre as variáveis, podendo estas ser dependentes ou independentes, e a correlação de Pearson fornece uma medida precisa da força e do sentido da correlação que existe entre as variáveis que estão sendo estudadas. Para Ribeiro Júnior (2001), o critério de comparação de Scott-Knott divide as médias ordenadas de tratamentos em dois grupos, e a partir destes, novamente em dois, até a ocorrência da não significância. Os resultados obtidos nos testes estatísticos constam nas Tabelas 1, 2 e 3. A Tabela 1 mostra que as variáveis Faltas e Idade foram fatores que influenciaram positiva ou negativamente nos resultados (notas) obtidos nas três turmas em estudo. A Turma 1 sofreu influência das Faltas e da Idade sobre o aproveitamento escolar dos seus alunos nos três primeiros bimestres de 2007. A Idade influenciou no aproveitamento da Turma 2 nos dois primeiros bimestres, porém as Faltas não influenciaram em nenhum dos bimestres. A Idade e as Faltas não interferiram no aproveitamento escolar dos alunos da Turma 3. Em pesquisa realizada por Brunharo (2013), a variável Sexo teve significância no aproveitamento dos alunos, tanto os meninos quanto as meninas apresentaram uma relação inversa entre aproveitamento e idade. No entanto, os dados desta pesquisa apontam que a variável Sexo não apresentou relação significativa em relação às notas em nenhuma das turmas nos três bimestres estudados.

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Tabela 1. Testes das Médias - Notas A, B, C; Faltas; Idade; Sexo em função das Turmas 1, 2 e 3 Teste de Médias - Scott- Knott Nota A

Nota B

Nota C

Faltas

Idade

Sexo

1º bim.

2º bim.

3º bim.

Turma 1

A

A

A

B

B

A

Turma 2

A

A

B

A

B

A

Turma 3

B

A

B

A

A

A

Fonte: diário escolar, 2007

Nos estudos de Brunharo (2013) ficou demonstrado na amostra estudada que existe relação entre frequência, médias das notas, sexo e idade. Mais da metade dos alunos estudados com idades iguais ou acima de da faixa etária apresentam notas abaixo da média, e ainda, o mesmo ficou constado com todos os alunos com menor assiduidade. Os alunos com média de faltas bimestrais iguais ou superiores a 12,8%, apresentaram um baixo rendimento acadêmico com notas abaixo da média para as oito matérias analisadas. Os dados da Tabela 2 obtidos pela correlação de Pearson, com a aplicação do teste t, confirmam o mesmo que a Tabela 1. Pode-se perceber que nas correlações de Notas com Faltas, Notas com a Idade e Notas com a Turma a significância foi realmente grande no primeiro bimestre. No segundo bimestre a significância foi expressiva na correlação de Notas com Faltas, já no terceiro bimestre a significância foi relevante nas correlações de Nota com Faltas e Notas com Turma. Tabela 2. Correlação entre Variáveis: Notas com Faltas; com Idade; com Sexo; com Turmas. Correlação de Pearson Notas

Faltas

Idade

Turma

A

-

-

-

-

B

-

-

-

-

C

-

-

-

-

Fonte: diário escolar, 2007

* significância > 1% e < 5

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Sexo

** significância < 1%

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Nos estudos de Brunharo (2013), ao comparar a relação entre aproveitamento e sexo observou-se que os meninos possuem melhores notas em matemática, mas considerando todas as disciplinas as meninas superam. No estudo objeto dessa pesquisa não houve significância relevante na correlação de Notas com Sexo. Tabela 3. Correlação entre Variáveis: Faltas com Turma; Idade com Turma; Faltas com Idade; Faltas com Sexo. Correlação de Pearson Faltas / Turma

Idade / Turma

Faltas / Idade

0.3084 *

0.4674 **

0.3510 *

Fonte: diário escolar, 2007

* significância > 1% e < 5%

Faltas / Sexo

-0.0233 ** significância < 1%

A Tabela 3 mostra os resultados das correlações entre as variáveis sem considerar as notas bimestrais, ou seja, de forma geral. A correlação da Idade com a Turma foi o fator de maior significância, enquanto que, das Faltas com a Turma e das Faltas com a Idade apresentaram baixa significância e das Faltas com o Sexo não mostrou nenhuma relevância para o estudo pretendido. Segundo Brito (2012), é esperado que à medida que ocorre o avanço da idade, há também o aumento do nível escolar, no entanto, na amostra em estudo essa constatação não se deu. 4 Considerações finais

Conclui-se que a frequência escolar é um fator relevante para o aproveitamento do aluno. Há de se considerar que o estudo mostrou melhores resultados de notas entre os frequentes e com Idade dentro da faixa etária prevista para a série. Todas as análises realizadas confirmaram que a idade e as faltas interferiram positiva ou negativamente no aproveitamento escolar das turmas em estudo. A Turma 1 obteve bons resultados nos três primeiros bimestres porque seus alunos apresentam um baixo índice de faltas e todos estão dentro da faixa etária para a série. Já na Turma 2 os bons resultados obtidos nos dois primeiros bimestres estão relacionados a faixa etária adequada para a série, contudo, uma vez que alguns alunos são infrequentes, o fator Faltas não foi relevante. A Turma 3 por ser TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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composta por alunos infrequentes e repetentes, não sofreu influencia do baixo índice de faltas sobre o seu aproveitamento, nem tampouco da idade, pois quase todos estão fora da faixa etária ideal para a série. Os resultados demonstraram que a variável “sexo” não exerce interferência significativa no aproveitamento escolar positivo ou negativo. Conforme dados da Tabela 1, observou-se que no segundo bimestre a Turma 3 apresentou melhores resultados no aproveitamento escolar. Esse fato se deu porque, foi feito um intenso trabalho pelos professores de recuperação paralela durante todo o bimestre com os alunos que ficaram abaixo da média no primeiro bimestre e a equipe pedagógica, apesar da grande dificuldade enfrentada para trazer a família à escola, conseguiu promover algumas reuniões entre pais e professores incentivando a maior participação da família na vida escolar da criança, destacando que a falta às aulas impede a sequência da aprendizagem. Recomenda-se que as práticas pedagógicas sejam repensadas no que se refere à recuperação paralela, considerando que quando bem trabalhada surte grande efeito. É uma necessidade real, mas inviável em turmas cheias, pois requer um acompanhamento individual. Os alunos fora da faixa etária precisam ser estimulados e apoiados pelas famílias e o que se observa na prática é que o envolvimento familiar tem deixado a desejar, a família está transferindo grande parte da sua responsabilidade na vida escolar da criança para a escola. Sugere-se que as turmas de alunos fora da faixa etária sejam menores. Que os sistemas públicos de educação ofereçam aos professores oportunidades reais de atualização de conhecimentos e aquisição de novas técnicas pedagógicas, pois, na maioria das vezes, os cursos são oferecidos, mas o professor não pode ser dispensado para não ferir a carga horária do aluno ou em alguns casos, precisa disponibilizar parte de seu salário e arcar com a ausência no trabalho, situações inviáveis devido à baixa remuneração e a falta de tempo disponível por trabalhar em várias escolas para complementação de sua renda. Que o sistema determine como um dos critérios para a inclusão em programas sociais como "bolsa escola", "bolsa família" e outros, o envolvimento das famílias com a educação dos filhos. Que os meios de comunicação sejam parceiros da educação, incentivando em programas, noticiários, vinhetas e outros, a participação das famílias na escola. Que os professores sejam mais bem remunerados, pois o trabalho de recuperar, educar e formar cidadãos é um trabalho artesanal, único, individual, e como tal merece uma valorização digna. A educação não é um processo exclusivamente escolar, mas social, onde todos os envolvidos devem apresentar igual grau de comprometimento e envolvimento. TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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Abstract This study has as main purpose detecting possible causes for low school performance causes in Science observing sixth year students and pointing possible solutions. It was chosen data analyze referring to 2007 for having been considered a transition year between sitcom evaluation regime to a cycle regime. Using statistic analyze as studying tool , gender variables ,age and frequency were correlated to the marks obtained in three two-semesters in three different classes. Age and frequency interfered positively or negatively in school performance of studied classes though gender had no interference in school performance. Keywords: Students. School Performance. Teacher. School. Educational System. Referências ALMEIDA, E.R.S. A importância do ensino das ciências naturais e tecnológicas nos anos iniciaisdoensinofundamental.dez.2010.Disponívelem: <http://www.administradores.com.br/ artigos/carreira/a-importancia-do-ensino-das-ciencias-naturais-e-tecnologicas-nos-anosiniciais-do-ensino-fundamental/38682/>. Acesso em: 29/11/2018. ANGELUCCI, C. B. et al. O estado de arte da pesquisa sobre o fracasso escolar (1991-2002): um estudo introdutório. Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30 n.1, jan./abr. 2004. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ep/v30n1/a04v30n1.pdf >. Acesso em: 17/08/2018. BONAMINO, A. et al. Os efeitos das diferentes formas de capital no desempenho escolar: um estudo à luz de Bourdieu e de Coleman. Revista Brasileira de Educação, v. 15, n. 45, set./dez. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v15n45/07.pdf>. Acesso em: 17/09/2018. BRITO, M. S. T.; COSTA, M. Práticas e percepções docentes e suas relações com o prestígio e clima escolar das escolas públicas do município do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 15, n.45, set./dez. 2010. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/rbedu/v15n45/08.pdf> Acesso em: 10/08/2018. BRITO, L.O. et al. Relação das variáveis idade e escolaridade com desempenho escolar deestudantesdeensinfundamental.RevistaAvaliaçãoPsicológica,vol.11 n..1 Itatiba abr. 201 2.Disponívelem:<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S167704712012000100009>. Acesso em: 12/12/2018

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O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL EM GOVERNADOR VALADARES Ana Claudia Pereira da Silva* Andreia Luiza Ribeiro *Beatriz Patrício Freitas* Cristien Pereira de Oliveira*, Ana Paula Campos Fernandes** Edmara Carvalho Novaes**, Sandra Maria Perpetuo** Resumo Esse artigo tem por objetivo apresentar metodologias utilizadas para alunos com baixa visão no ensino regular, analisar as vertentes metodológicas para incluir essas crianças, auxiliandoas em seu aprendizado. Propondo análises do contexto da deficiência e estratégias para ajudar na inclusão no ensino regular. Através do estudo realizado nesse trabalho nota-se que não cabe apenas aos educadores o aprendizado do aluno com deficiência, mas é um ensino feito com toda comunidade escolar e não cabe apenas a um professor ser responsabilizado pelo o ensinoaprendizado do mesmo, tendo como estudo alguns principais aportes teóricos e também a pesquisa de campo realizada no Centro Municipal de Referência e Apoio à Educação, (CRAEDI) na cidade de Governador Valadares. A visita a essa instituição proporcionou aprendizados e metodologias necessários para trabalhar com crianças com baixa visão, resultando no interesse para práticas educacionais voltadas para esse público. Palavras-chave: Baixa visão. Inclusão. Deficiência Visual. Introdução

A inclusão de alunos com deficiência visual ainda é um processo gradativo e com a regulamentação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional/LDB, Lei nº. 9.394, o que tem garantido o direito dos mesmos, tanto pela a educação quanto pelo o espaço físico do ambiente escolar. Com projetos para a inclusão de crianças com deficiência visual as instituições tem se modificado no decorrer dos anos, buscando proporcionar uma educação e um espaço digno aos alunos. *Acadêmicos do 7º período do Curso de Pedagogia da Fundação Presidente Antônio Carlos de Governador Valadares/MG, 2018. e-mail: ana-claudiapereira2015@hotmail.com, beatrizfreitas45@outlook.com, deia121@hotmail.com, kris177@hotmail.com, selmabatista2014@outlook.com. ** Mestra em Gestão Integrada do território. Especialista em Gestão Educacional, graduada em Letras. Professora de Graduação e Pós graduação. E-mail: anapaulagv@hotmail.com. **Mestranda em Gestão Integrada do Território. Especialista em Educação e Inclusão.Graduada em Letras e Cieências. Professora de graduação. E-mail: edmaracn@hotmail.com] **Mestra em Educação (UFOP. Professora das disciplinas Seminário de Pesquisa, Alfabetização e letramento e Coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Presidente Antônio Carlos. Especialista em Gestão Educacional, Supervisão/Coordenação Pedagógica, Alfabetização, Educação Inclusiva e Especial..Email:

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sandraplocatelli@hotmail.com

As estatísticas oficiais sobre os deficientes visuais do país mostram que muitos estão de fora desse universo. De acordo com o Censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2000, último dado oficial sobre essa população no Brasil, 16,6 milhões de brasileiros possuíam algum tipo de deficiência visual e 150 mil eram cegos. Em 2003, apenas 25 mil estudavam. O número triplicou em 2009, mas ainda falta muito para garantir que todas as crianças, jovens e adultos que não enxergam estejam incluídos nas redes de ensino do País. (BORGES, 2010 De acordo com Gil (2000, p.6) Os graus de visão abrangem um amplo espectro de possibilidades: desde a cegueira total, até a visão perfeita, também total. A expressão ‘deficiência visual’ se refere ao espectro que vai da cegueira até a visão subnormal.O autor também afirma que: a visão, ao contrário, é sintética e globalizadora. Assim, as informações parciais fornecidas pelo tato precisam ser integradas, para chegar a uma conclusão global. Gil (2000, p.28). Dessa forma, a pessoa com deficiência visual vai utilizar-se mais do tato como via de informação juntamente com os sentidos remanescentes, dificultando assim a compreensão das coisas e do mundo vidente, ou seja, a pessoa tem as percepções através das partes até formar o todo. Conforme as informações do Ministério da Educação (2006), a visão subnormal ou baixa visão é a alteração da capacidade funcional decorrente de fatores como rebaixamento significativo da acuidade visual, redução importante do campo visual, e da sensibilidade aos contrastes e limitação de outras capacidades. Uma definição simples de visão subnormal é a incapacidade de enxergar com clareza suficiente para contar os dedos das mãos a uma distância de 3 metros à luz do dia, em outras palavras, trata-se de uma pessoa que conserva resíduo de visão. Até recentemente, não se levava em conta a existência de resíduos visuais, a pessoa era tratada como se fosse cega, aprendendo a ler e escrever em Braille movimentar-se com auxílio de bengala etc. Hoje em dia, oftalmologistas, terapeutas e educadores trabalham no sentido de aproveitar esse potencial visual nas atividades educacionais, na vida cotidiana e no lazer. Usando auxílios ópticos como óculos, lupas, e outros, a pessoa com baixa visão apenas distingue vultos e claridade, ou objetos a pouca distância. A visão se apresenta embaçada/diminuída, restrita em seu campo visual ou prejudicada de algum modo.

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Recursos ou auxílios ópticos para visão subnormal são lentes especiais ou dispositivos formados por um conjunto de lentes, geralmente de alto poder, que se utilizam do princípio da magnificação da imagem, para que possa ser reconhecida e discriminada pelo portador de baixa visão. Os auxílios ópticos estão divididos em dois tipos, de acordo com sua finalidade: recursos ópticos para perto e recursos ópticos para longe (BRAGA, 1997, p 12). Fazer o uso desses recursos ou auxílios ópticos é de extrema importância no ambiente escolar, pois além de ser um direito, ele é indispensável para que aluno desenvolva determinada atividades, além de contribuir para o seu ensino e aprendizagem, ajuda também para o desenvolvimento da autonomia com maior confiança em seus atos. Esses objetos não auxiliam somente no seu ensino e aprendizagem, mas também na vida pessoal do estudante, onde possibilita a interação com as outras pessoas, lhe proporcionando mais segurança em participar de brincadeiras e atividades efetivamente no ambiente escolar e não escolar. Diante das análises supracitadas sobre os sujeitos com deficiência visual, nota-se a importância também de um trabalho afetivo, proporcionando aos mesmos um contato com diversas pessoas sem excluí-las pelo fato da deficiência, mas tendo o mesmo afeto já que a afetividade é um fator estimulante para o bem estar pessoal, em ser bem acolhido, tratado com educação e vistos as dificuldades daquela pessoa que precisa de um olhar sensível e se necessário adaptações para que a mesma acompanhe a turma nesse meio em prol do desenvolvimento da criança, o trabalho pedagógico precisa ganhar uma atenção pertinente, pois é através do educador mediador que o aluno desenvolve as habilidades, sendo a educação direito de todos A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. Visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 2013, p. 34).

Para tal exercício de cidadania seja pleno e eficaz as escolas precisam de projetos que de fato incluam esses alunos e não somente insira-os na matrícula de ensino regular, estando sempre em parceria com a família, o Estado prezando assim, por uma gestão democrática que alcance a todos, exercendo este direito e também dever. Por isso o artigo foi elaborado um estudo no qual ressalta a importância de incluir alunos com deficiência visual no processo de aprendizagem da instituição, de como é feito a caracterização desse processo de modo cognitivo e físico, seja na estrutura escolar ou TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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educacional. Inclui-se também na dissertação desse artigo o relato de experiência realizado na cidade Governador Valadares em um Centro de Apoio à Inclusão, que conta com profissionais especializados para atendimento a alunos com baixa visão. Para conhecer melhor a realidade desses profissionais que trabalham com deficientes visuais e também os sujeitos com esse tipo de deficiência, que os dados coletados foram analisados e discutidos à luz dos apostes teóricos consultados. 1. Processo de inclusão e aprendizagem

A inclusão nos tempos de hoje ainda está sendo complexo para ser implementada de forma exímia ressaltando o âmbito familiar, Buscaglia (1997) destaca que, mesmo depois do impacto inicial, a presença de uma criança deficiente exige que o sistema se organize para atender as necessidades excepcionais. Esse processo pode durar dias, meses ou anos e mudar o estilo de vida da família, seus valores e papéis. A flexibilidade com que a família irá lidar com a situação depende das experiências prévias, aprendizado e personalidade dos seus membros. A família se necessário precisa buscar ajuda psicológica, sendo orientados a como lidar com aquela criança que possui a deficiência visual levando em consideração que existe um planeta a ser descoberto e isso é sim possível mesmo com a baixa visão. O mundo em que as crianças vivem é impregnado de atrativos como cores, formas e imagens. Antes mesmo de aprender a falar, a criança associa as palavras às coisas, aprende a apontar e a buscar com os olhos ou com as mãos aquilo que quer pegar, estabelece uma relação com tudo que se encontra ao seu redor. A todo instante, a criança é estimulada a movimentar-se e a explorar o ambiente, guiada pelo sentido da visão. Porém, as crianças com baixa visão, devem ser estimuladas o mais cedo possível, para que não haja um atraso em seu desenvolvimento, quando essa intervenção não é feita precocemente pode haver um "retardo" em seu desenvolvimento biopsicossocial, levando a crer que possui outros comprometimentos. Mais complicado ainda é quando não existe essa intervenção, pois isso resultará em uma defasagem enorme, que muitas vezes é difícil de ser revertida. Garcia, Moraes, Mota (2001) corroboram com a ideia evidenciando que a criança vidente incorpora hábitos de leitura e escrita desde muito cedo. No entanto, a criança com deficiência visual tem um atraso a entrar no universo do ler e escrever, uma vez que o Sistema Braille não faz parte do cotidiano como um objeto estabelecido socialmente. Em suma, é muito importante que a criança com baixa visão participe TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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de todas as experiências e movimentos próprios da infância, não somente com seus pares, mas também com crianças videntes, pois essa interação é extremamente relevante para desenvolver habilidades nas áreas cognitiva, motora e social, que repercutirá em seu processo de alfabetização e aprendizado, levando-o assim para uma inclusão “sem sofrimento”. Para estas crianças, um ambiente favorável à alfabetização deve provocar a exploração dos sentidos remanescentes, porque elas não têm as mesmas possibilidades de entrar em contato direto, casual e espontâneo com a leitura e com a escrita. É notório que o apelo visual tem sido privilegiado cada vez mais, em meio a uma sociedade que é permeada por múltiplas expressões, tanto cultural quanto artísticas, onde os símbolos gráficos, imagens, letras e números fazem parte do nosso dia-a-dia. Percebe-se ainda que no ambiente escolar os conteúdos são abordados com base nos recursos visuais, os quais dificultam na aprendizagem dos estudantes com deficiência visual, de modo a negligenciar o mesmo o acesso ao conhecimento. Sendo assim, é preciso ficar atentos às próprias atitudes e posturas, com relação às práticas pedagógicas, para que haja descobertas e reinvente estratégias capazes de oferecer a todos os alunos um ensino que atenda às suas necessidades. A respeito disso Silva et. al. (2007) cita que, [...] no que diz respeito ao desejo de aprender, aos interesses, à curiosidade, às motivações, às necessidades gerais de cuidados, proteção, afeto, brincadeiras, limites, convívio e recreação dentre outros aspectos relacionados à formação de identidade a aos processos de desenvolvimento e aprendizagem. (SÁ; CAMPOS; SILVA; 2007 p.14)

É preciso buscar alternativas de proposta pedagógicas que proporcionem ao sujeito com deficiência visual, a conquista da máxima autonomia possível, bem como vivência nos grupos. A deficiência visual se constitui em um estado permanente na vida daquele que a possui. Seguramente lhe traz uma considerável soma de limitações que para alguns pode se traduzir em sofrimento. Logo, ser deficiente visual não é privilégio nem demérito, mas uma circunstância na vida do sujeito, possível de ser encarada com naturalidade. (SOUZA, 1997, p.116)

É importante destacar que o estado de deficiente visual não faz com que a criança seja incapaz de se desenvolver no ambiente escolar, pois sua limitação abre leque de habilidades, que muitas vezes não são alcançadas pelas crianças ditas como “normais”, é necessário a dedicação e empenho dos professores, em buscar meios que facilite a sua aprendizagem educacional. A sala de aula deve ser adequada para essas crianças para que possam ter sua TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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autonomia e liberdade de locomoção, organizar os materiais didáticos de forma que facilite o acesso a eles.

2.1 Metodologia

A pesquisa científica caracteriza-se como via do processo de construção do pensamento humano, buscando a verdade por trás dos acontecimentos. A através dela, a humanidade conseguiu trilhar seu longo caminho em busca do saber e seu aperfeiçoamento, consolidando suas conquistas de maneira padronizada, organizada e de forma acessível. A união entre a pesquisa e o pesquisador garante bons frutos para o futuro profissional, assim como se afirma Demo: “Pesquisa é o processo que deve aparecer em todo o trajeto educativo” (DEMO, 1997, p.16). Sendo assim, para a elaboração do presente artigo, foi realizada uma pesquisa de cunho descritivo e qualitativa, buscando conhecer, através do levantamento e coleta de dados as principais técnicas utilizadas para a inclusão dos alunos com deficiência visual no ensino inclusivo para crianças Especiais. Onde os dados foram coletados através de entrevistas realizadas aos profissionais que possuem contato direto com alunos com deficiência visual, por meio desse conhecimento buscou-se conhecer a realidade e dificuldades enfrentadas nesse ambiente de trabalho. Foram feitas algumas perguntas ao professor que faz o acompanhamento no CRAEDI, o mesmo relatando que o trabalho que executa é de suma importância para trabalhar a autonomia da criança com baixa visão e sua independência social, relataram também que o uso das tecnologias é uma grande metodologia para a inserção dessas crianças, adolescentes na sociedade como todo e posteriormente no mercado de trabalho. Durante a conversa e as perguntas, o professor relatou do gozo pelo seu próprio trabalho, em acompanhar essas crianças que tem deficiência de baixa visão, pelo desenvolvimento cognitivo que os mesmos possuem os aspectos pedagógicos que são estimulados e pelo interesse que têm em fazer esse acompanhamento extra-escolar, além da afetividade que existe entre discentes e docente. Para ter uma melhor compreensão sobre a realidade enfrentada pelos deficientes visuais, foi realizada uma revisão bibliográfica com autores como Braga (1997), Borges(2010) e Gil(2000), que fazem uma discussão abordando baixa visão, sobre os aspectos relacionados ao TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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desenvolvimento e aprendizagem dessas crianças. Possibilitando assim, melhor entendimento da problemática (estratégias adotadas pela escola para ensinar alunos com deficiência visual), e seus efeitos na prática de ensino.

2.2 Resultados e Discussão Para que o aprendizado da criança com deficiência visual seja de forma integrada e significativo é importante possibilitar o contato ao mundo por meio dos sentidos remanescentes. A audição, o tato, o paladar e o olfato são importantes canais ou porta de entrada de dados e informações que serão levados ao cérebro. Ressalta-se que é necessário criar um ambiente que privilegia a convivência e a interação com diversos meios de acesso à leitura, à escrita e aos conteúdos escolares em geral. SILVA (2007) Através da pesquisa realizada no CRAEDI que oferece atendimento educacional especializado a todos os alunos com necessidades especiais das escolas municipais de Governador Valadares, percebe-se que o trabalho desenvolvido com as crianças com deficiência visual é realizado de acordo com a faixa etária e a necessidade de cada aluno. As estratégias de ensino adotadas pela instituição são diversas, com metodologia diferenciada para cada tipo de deficiência. A criança chega à instituição já diagnosticada com a baixa visão ou cegueira e em seguida é encaminhada ao professor que irá acompanhá-la nesse processo de ensino e aprendizagem. As estratégias adotadas pelo professor para viabilizar o desenvolvimento da criança com deficiência visual são as adaptações de materiais para a compreensão de tal conteúdo. Explica que o tato é de suma importância para a criança cega, onde é preciso deixar o aluno tocar nos suportes de ensino, como um mapa, por exemplo, que deve estar delineado com fio de barbante para que haja uma compressão daquilo que está sendo ensinado, evitar as trocas de objetos em sala de aula de lugares, e avisá-lo quando houver mudanças. Já as crianças com baixa visão necessitam de cuidados específicos, como que, possam sentar-se mais próximo do quadro, onde possibilite uma melhor visão, o professor ao escrever no quadro deve utilizar escritas com letras grandes e claras, a iluminação deve ser apropriada para sua deficiência e o uso de suportes de leituras ou pranchetas representam a garantia da aprendizagem. Outros recursos utilizados pelos professores para o aprendizado das crianças são: estimulação sensorial, estimulação precoce, alfabetização em braile, orientação e mobilidade,

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soroban. Destaca-se que o uso desses materiais não visa somente à alfabetização das crianças com deficiência visual, mas também a sua autonomia e independência social. Cabe ressaltar que a instituição serve como um complemento do ensino regular, que além de receberem o atendimento acadêmico (ler e escreve) proporciona a elas também o atendimento especializado, onde possuem acompanhamento psicológico, assistência social, e recebem afeto por todos que trabalham e se dedicam para uma educação de qualidade para essas crianças. Os alunos cegos e com baixa visão têm as mesmas potencialidades que os outros, pois a deficiência visual não limita a capacidade de aprender. O que os diferem dos demais alunos são os estímulos voltados aos demais sentidos que eles têm o que proporciona a potencialização desses sentidos. 3 Considerações Finais A pesquisa sobre deficiência visual proporcionou vencer os medos e inseguranças que existiam em relação às pessoas com deficiência visual baixa visão, foi perceber estratégias necessárias para um bom desenvolvimento e aprendizagem desses sujeitos que ingressam no ensino regular e precisam de uma metodologia diferenciada para desenvolver as habilidades cognitivas. Seguramente, se todas as ideias e conceitos sobre inclusão fossem seguidos afinco, a qualidade da educação na perspectiva inclusiva seria mais satisfatória tanto para o aluno quanto para o professor. Através da pesquisa de campo, foi possível entender melhor os alunos, e com a convivência com a diversidade aprendeu-se que todos têm direitos iguais e devem ser respeitados na condição que se encontram. Sendo assim necessário o aporte teórico, sendo a base para um bom trabalho e a experiência de campo que sempre acrescenta de forma empírica no aprendizado, para que haja uma conscientização da urgência de preparo de profissionais para acolher esses sujeitos com baixa visão para uma educação que de fato inclua.

Abstract

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This article aims to present methodologies used for the inclusion of students with low vision in regular education, analyzes the methodological aspects to include these children, helping them in their learning. Proposing analyzes of the context of the disability and strategies to help in the inclusion in the regular teaching of education. Through the study carried out in this study it is noted that it is not only the educators who teach the learning of the disabled student, but it is a teaching done with every school community and it is not for a teacher to be responsible for his / her teaching and learning. Study some main theoretical contributions and also the field research carried out in the Municipal Center of Reference and Support to Education (CRAEDI) in the city of Governador Valadares. The visit to this institution provided the necessary learning and methodologies to work with children with low vision, resulting in the interest for educational practices aimed at this public. Keywords: Low vision. Inclusion.Visual impairment. Referências BORGES , Priscilla, iG Brasília. Inclusão de deficientes visuais em escolas ainda é desafio. 02/11/2010Fonte:Último Segundo - iG @ https://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/inclusaode-deficientes-visuais-em-escolas-ainda-e-desafio/n1237814761824.html Acesso em 10/11/18 BRAGA, Ana Paula. “Recursos ópticos para visão subnormal – seu uso pela criança e adolescente”. Revista Contato. São Paulo, Laramara, agosto de 1997. BRASIL, Ministério da Educação. Saberes e práticas da inclusão: Desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos cegos e de alunos com baixa visão. Secretaria de Educação Especial: MEC; SEEDF,2006. BUSCAGLIA, L. Os Deficientes e seus Pais. Trad. Raquel Mendes. 3 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. CANEJO, E. Deficiência Visual. Escola Excluindo Diferenças. Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. Coordenação de Educação Especial. Rio de Janeiro, 2001. CANEJO, Elizabeth. Aprendizagem e alfabetização de alunos com cegueira. Revista Espaço Acadêmico, Maringá, n 205, s/p, 2018. DEMO, Pedro. Educar pela Pesquisa. Campinas: Autores Associados, 1996. GIL, Marta: Artigo: Deficiência Visual. Brasília, 2000. Pozo, J. I. (1996). Estratégias de aprendizagem. In C. Coll, J. Palacios, & A. Marchesi, Desenvolvimento psicológico e educação – psicologia da educação, 2 (pp.176-197). Porto Alegre: Artmed. SÁ, Elizabet Dias de; CAMPOS, Izilda Maria de; SILVA, Myriam Beatriz Campolina. Atendimento Educacional Especializado: Deficiência Visual. Cromos: Brasília, 2007. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_dv.pdf. Acesso em: 18 de outubro de 2018 TOTH - Ciência e Educação – vol. 3 n.3 - 2019  

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