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ANTÓNIO CRUZ


ANTÓNIO CRUZ


“ PREFÁCIO DE UMA VIDA”

Escrevi num mês distante, trinta e tantos, poemas a fio sem parar, numa espécie de êxtase. E hoje, é um dia triunfal da minha simples existência, nesta minha vida. O que se seguiu depois de alguma tinta ser gasta e muito papel ter sido utilizado; só sobrou um cesto de papéis cheio, foi o aparecimento de um novo “Poeta – Escritor”. Tudo isso, se verificou no continuar do pequeno Sonho de Criança que há muito tempo vinha a desenvolver no meu interior, utilizando pequenas rimas ou alguns pensamentos muito sugestivos da minha maneira de ser. E de ter vivido quando criança e também algumas situações, já como adulto. Desculpem – me, o absurdo da frase; mas apareceu em mim um enorme desejo de transcrever para o papel algo com sentido ou mesmo sem! Era simplesmente aquilo que vindo do meu eco interior ou directamente da minha mente, ditava por palavras ou frases simples, numa leitura rápida, e a minha mão escrevia para um bocado de papel. A expressão que sobressaia no meu rosto era a de um pequeno sorriso esboçado quando terminava mais um tema, mesmo que esse não tivesse muito sentido! Mas, era como se tivesse restituído alguma vida aos mais simples “poemas” ou “contos”, que eram para mim algo profundo mas muito belas. Só que por vezes, bastava unicamente o esboçar de um sorriso para me agradar e aquilo que acabava de transcrever logo por si existiria numa folha de papel sentindo toda a sua magia sem sequer poder falar! E, num certo dia, à noite quando relia tudo aquilo que já havia escrito em simples rascunhos, por vezes, revia ali a minha própria sombra retractada. Eram, e são, simplesmente memórias, brincadeiras, ou mesmo chamadas de atenção para o mundo em que vivemos. Sei que um dia alguém as vai poder ler e as irá existir na prateleira da sua biblioteca para quando este ser já ter abandonado o planeta Terra. Um simples risco da minha curta vida ficará lá conservada, para sempre todo o sempre como sinal da minha pequena existência terrena! E, só assim poderei viver eternamente, por milhares de anos a fio, recordando a Alegria, a Tristeza, o Amor, a Solidão e tudo aquilo que tiver dado a este Mundo! Mas, uma coisa Eu sei, que serei alguém que existiu um dia neste “Universo da Escrita”!... E essa recordação ficará para sempre nas memórias de todos, sendo como aquele que deixou um “Verso” quando morreu, e talvez seja a “Profecia” de uma vida!...

Mozelos, 2000 / 10 / 10 TONY CRUZ


TITULO

LOCAL / DATA

0

PREFÁCIO DE UMA VIDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 10

1

MINHA FLOR QUERIDA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 04 / 20

2

TIC - TAC

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 04 / 23

3

NOITE PERTO DO DIA

PONTEVEDRA, 2010 / 04 / 25

4

QUE O NOSSO AMOR NÃO MORRA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 04 / 28

5

SEUS OLHOS NÃO MENTEM

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 04 / 30

6

ROSA DA HONRA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 05 / 06

7

AS VOLTAS QUE DÁ

MOZELOS, 2010 / 05 / 25

8

O PASSADO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 05 / 28

9

HOMEM CASADO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 07 / 10

10

CADA MOMENTO

MOZELOS, 2010 / 07 / 18

11

LINHAS HORIZONTAIS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 07 / 20

12

VERTIGEM MARINHEIRA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 07 / 22

13

POEMA CONTRA O TEMPO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 07 / 23

14

VESTÍGIOS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 07 / 28

15

TELAS DA VIDA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2010 / 07 / 29

16

PALAVRAS SENTIDAS

MOZELOS, 2010 / 08 / 01

17

VINTE ANOS PASSADOS

MOZELOS, 2010 / 08 / 04

18

MOMENTOS

PARAMOS, 2010 / 08 / 07

19

ESTRADA DA VIDA

MOZELOS, 2010 / 08 / 11

Em "Honra das Rosas" descrevo vestígios Sobre a minha flor querida e os meus vícios Tic - tac a noite perto do dia De um homem casado que nela se refugia. E que o nosso amor não morra por momentos Já que a estrada da vida leva sentimentos Assim os olhos não mentem sobre o passado E as voltas que dá o meu ser amado. A rosa da honra é a teclas da vida E a vertigem marinheira revela a palavra sentida A cada momento sobre vinte anos passados Num poema contra o tempo sobre dois seres amados. Paramos, 2010 / 08 / 11 TONY CRUZ


“MINHA FLOR QUERIDA”

Este amor é mais que palavras Que um dia esperava vir a sentir Ela transformou a minha existência Numa ausência que sentia sem sorrir.

Retirando de mim aquela dor Conseguiu vir a mim fazendo-me feliz Foi tudo aquilo que sempre quis Para que a minha vida mudasse desde petiz.

Ela ao virar tudo de avesso A minha vida se transformou e isso não esqueço, Só que por vezes o meu chão desaparece Não sendo seguro de mim enquanto aqueço.

A ela eu desejo neste presente Já que o passado não quero encontrar, Sinto que só a posso desejar no futuro Visto que todo o meu ser a quer amar.

Não sei como o posso dizer Por isso escrevo que amo a ela Já que este sentimento me extravasa Enquanto chamo por ela “Florbela”.

Do seu corpo e alma eu bebo Como se bebesse água matando a sede Nunca saciando esta minha vontade Visto que ardo em fogo e sem rede.


A verdade é que nunca se apagará Esta minha vontade de amar sua flor Mesmo que eu navegue por um imenso mar É certo que o seu amor afastará a minha dor

Assim como também sei por agora Que o meu amor é sentido e real Porque sempre a quero e a desejo amar Na minha forma de ser até ao final.

Pois nuca iria um dia imaginar Que o seu coração me seria oferecido E embrulhado como se fosse um presente Através da sua alegria estando eu esquecido.

Já que não sabia o que havia Por detrás do seu rosto sorridente Visto me encontrar no fundo deste mar Que a vida me reservou antecipadamente.

Não pensava eu que o seu amor Um dia talvez me convidasse a viver Sem nunca duvidar da sua paixão Transmitida com amizade e muito querer.

Agora que a sua amizade me conquistou Passando a ser a minha verdadeira história Uma história que posso contar ou mesmo escrever Para que o futuro não esqueça esta minha vitória.


É que o verdadeiro amor pode existir E nisso posso ainda acreditar sem fantasia Residindo em mim esta vontade para poder viver Ao lado desta minha fada dia após dia.

Mesmo para que ele possa circular livremente A decepção não me fará acordar desta vida Só desejo desde aquele dia a amar sem pudor Por isso escrevo este poema à minha flor querida.

São Paio de Oleiros, 2010 / 04 / 20 ANTÓNIO CRUZ


“TIC – TAC”

Tal como a borboleta se transforma da lagarta O nosso amor surgiu de uma paixão A borboleta ganha asas para voar Como o nosso amor nasceu para durar Assim convosco o queremos também partilhar.

Poderia começar assim mais uma história Só que essa borboleta queria fugir Para onde não sei se fazia sentido Aquilo que sei é que o seu amor Não parece estar por nada perdido.

Porque enquanto procurava um amor Encontrei a paixão por um ser solitário Que estava perdido no meio da multidão Procurando uma no seu desabrochar Já que precisava de paz para o meu coração.

Talvez por isso também quisesse fugir Porque a maldade deste mundo não pára E a verdade se torna muito rara hoje Precisando da liberdade para amar simplesmente Visto que do meu coração esse sentimento não foge.

Nestas confissões que escrevo de pura poesia Que serão gravadas com palavras de honra Já que amo uma flor sendo a mesma poética E que não foge de uma paixão que nasce louca Podendo voltar a conviver com o meu coração meia – leca.

Pois para minha não e sendo em vão Deixo a mesma borboleta voar por mim livremente Através das palavras proferidas com mais felicidade Assim de flor em flor, como eu ando por ora Querendo só o seu amor para a minha amizade.


Já que os passos que a minha amada Um dia resolveu dar sem ter medo Levou ao meu mundo solitário o amor Fazendo a sua bonita flor desabrochar em prazer Visto que a paixão era livre e cheia de cor.

Quando escrevo estas minhas histórias as pinto Tentando não dar passos em falso quando ando Procuro assim ser um aprendiz de poeta ao seu lado Já que o seu mundo se tornou o meu também Pois o meu já algum tempo se encontrava parado.

Não sabendo o porquê de tanto esperar Até aquele dia de Verão onde descobri Que as batidas do meu coração eram mais fortes Num acelerar em que parecia que o tempo em vão Não terminava mais ou que então haveria mais mortes.

Por isso hoje só me resta escrever histórias Para um dia possa recordar esse mesmo amor Restando-me a sua paixão para me lembrar Que o meu mundo não acaba assim em vão Apesar de ser um aprendiz que deseja sempre recomeçar.

Pois os meus pensamentos terei que os escrever, Já que começam a dar comigo em alguns nós Visto que cansado estou do stress desta vida Assim que posso escrevo todos os momentos sobre nós Num tic – tac semeando por uma flor muito querida.

São Paio de Oleiros, 2010 / 04 / 23 ANTÓNIO CRUZ


“NOITE PERTO DO DIA”

Mais uma noite, mais um dia Na noite vejo uma constelação Que forma uma flor desconhecida E no dia o Sol brilha parecendo Verão.

Está quente neste tempo todo Sinto o calor no meu corpo febril Passa uma estrela na noite escura Faço então um pedido é estação primaveril.

Escrevo o mesmo enquanto fumo Mais um cigarro que acendo ou não Pensando no desejo que então pedi Espero em esperança a sua realização.

Pois acho que ele ficará perdido Na noite ou mesmo no dia Entre tantos desejos do meu coração Só penso de momento do que me esquecia.

E se à Lua eu pudesse implorar Visto que algum tempo atrás pensava Que era um solitário sem convicções E pensando que uma flor não me amava.

Pois por muito tempo assim pensei O que me faria voltar a ver o dia Visto que o Sol espreitava por entre as nuvens Avistando aquele amor que tanto pedia.


Já que era grande o seu amar Embora não soubesse como o ver Só que os astros da noite também o sabiam Que uma flor me trazia o prazer.

Hoje enquanto escrevo estes pensamentos Para que nãos os possa esquecer um dia Vou enchendo estas páginas com belezas Em forma de palavras de noite e de dia.

Rezo então de noite pedindo amor Visto que o tempo passa a correr E de dia dispo pétala a pétala a flor Estando sempre pronto para o prazer.

Por enquanto penso, enquanto espero Que a luz da paixão não se apague Já que ao lado desta minha flor Desejo viver com certeza e não a largue.

Assim olho nesta noite, mais uma Para o seu corpo repousando nu Já que com honra a desposei Ficando por vezes a ver a olho nu.

Vendo hoje que nada nos separa E nada me adianta mais pensar Visto que o amor não tem tempo E a distancia que nos separa me faz falar.


Estando perto do nascer do dia Não dou pelo tempo que passou Enquanto escrevo mais uma vez Sobre uma flor que por mim se apaixonou.

Nesta noite perto do dia Não sabendo mais o que escrever Termino assim, mais uma escrita Como aprendiz desta vida em forma de ser.

Ponte Vedra, 2010 / 04 / 25 ANTÓNIO CRUZ


“QUE O NOSSO AMOR NÃO MORRA”

O nosso amor tem algo demais E que por ora vejo que nos separa Por mais que tente sinto esse vazio Vendo que o mesmo não pára.

Mas sei que o nosso amor Leva já uma certa distância E que esse vazio da vida Se adianta com uma certa importância.

Já viste minha flor que o tempo Por nós passa sem parar Pode o mesmo parecer lento E cada vez mais nos deixamos de amar.

Só que sinto que ele ainda é A nossa fonte de vida maior Já que vai crescendo aos poucos Neste tempo vazio não sendo pior.

É que o nosso amor já venceu As barreiras do tempo várias vezes Só que este vazio da vida hoje Nos asfixia nos final de todos os meses.

Esses mesmos finais facilmente chegam Cortando o ar à nossa felicidade Ficando curta a linha do amor Que nos une nesta nossa bonita amizade.

E quando sentes esse dia chegar A felicidade que resta e anda no ar Faz surgir um a expectativa bem diferente Fazendo um amargo sabor em nós aumentar.


Esquecendo o amor que nos resta Perante o nosso tempo e a distância Que nos separa numa amargura Abafando a tua flor sem nenhuma elegância.

Já que foi com muita honra e amor Que recebi a tua flor de prenda Quando naquele dia celebramos em união A nossa paixão, mas hoje só pensamos na renda.

Visto que cada vez que chega Perto do fim do mês tudo desaparece Ficando quase sempre em desejo ardente Mirando o teu corpo nu que se oferece.

Ficando então a pensar na rosa Que me ofereceste daquela forma Quem me dera hoje poder receber Essa flor da mesma maneira e sem reforma.

Já que a flor que me deste Veio com todo o seu esplendor Tiveste também o poder de trazer a liberdade Ao ficares perto de mim, meu amor.

E que doce ilusão a minha Pois perto destes dias que aproximam A mesma irá murchar simplesmente como sempre A tempestade se levanta como se já previam.

É fim de mês e o perfume da tua flor De nada servirá para a honra salvar O meu coração não se acalma livremente Visto que preciso muito de te amar.


Mas é assim todo este tempo que passa Só que não consigo me habituar a isso Desejo que o nosso amor não morra Enquanto escrevo então insisto sempre nisso…

São Paio Oleiros, 2010 / 04 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“SEUS OLHOS NÃO MENTEM”

Certo dia o seu amor me transformou O meu medo se libertou das suas barreiras O desejo de ser um homem verdadeiro Levou-me a erguer todas as minhas bandeiras.

Já quando chorava verdadeiramente Por causa da dor que sentia no coração Um toque de esperança surgiu no deserto Visto que a tristeza ia crescendo sem ilusão.

Quando a sua bela imagem se fixava No meu cérebro aquecia o meu coração O seu amor então ficou gravado com potência Parecendo um farol iluminando a nova paixão.

Uma paixão que surgiu do meio livremente Perante uma tempestade qualquer bem furiosa Ou mesmo na escuridão do tempo da noite Ao bater de porta em porta não te sentindo orgulhosa.

Quando fixo o olhar nos seus olhos Vejo uma paz bem profunda como sensação Enquanto um véu agasalha no seu corpo Estando nu perante a nossa imensa paixão.

Depois de a ter encontrado um dia Deixei de sentir aquele meu vazio Já que me é permitido poder a amar Descobrindo a sua beleza interior estando frio.

Era uma enorme beleza que descobri Coberta por uma alegria bem sentimental Pois em mim nada existia interiormente Por já procurava o meu destino final.


Assim o seu amor me transformou livremente Deixando a minha saudade do passado Pois era muito forte estando ainda preso Sendo grande o seu coração revelando-se alado.

Ao ser curiosa para comigo livremente Revelou também o tamanho do seu amor Com uma felicidade igual à que sinto hoje Estando perto desta minha amada sem dor.

As suas palavras ternas e doces Ajudam-me a encontrar em mim a paz Convidando-me a ama-la sem ter pavor Do que o amor faz por este solitário rapaz.

Sendo estrondosa a sua bondade Com uma certeza vou ficando até hoje Ao estar cada vez mais perto dela Aprendendo amar enquanto a solidão de mim foge.

E já que estou aprendendo a amar Vou escrevendo sobre esta minha flor Que como uma estrela na madrugada brilha Ao velar por mim vai afastando a dor.

Uma dor que procurei na verdade do tempo Deixar de sentir pena de mim mesmo Já que posso amar esta minha bonita flor Deixando de ser tão solitário e “torresmo”.

Pois aquilo que sentimos um pelo outro Ajudou-me a transformar-me num novo ser Ultrapassando a tempestade e encontrando alguma serenidade Ao sentir que posso de novo voltar a nascer.


Já que enquanto procurava a verdade Encontrei aquilo e porque amo mais nela Um amor sentido sem partir o meu coração E sempre que quiser tenho uma flor bela.

Podendo então sentir o seu amor Obtendo também um ombro amigo Ao voltar as costas à saudade maldita do passado Livrando o meu coração deste meu perigoso castigo.

Pois como um aprendiz que ainda sou Nesta vida traiçoeira preciso do seu amor Podendo com esse sentimento ser livre de escrever Que o mesmo me transformou libertando-me da dor.

Por isso só desejo para mim essa mulher Na sua forma de ser bonita e verdadeira Já que os seus olhos não mentem sobre o amor Visto que para mim será sempre uma flor de primeira.

São Paio de Oleiros, 2010 / 04 / 30 ANTÓNIO CRUZ


“ROSA DA HONRA”

Desde que conheci a rosa do amor Por uma daquelas minhas tardes solitárias Ao ver o Sol se por à minha volta, Procurei descobrir uma bela flor nas diárias.

Foi uma nova forma de escrever Mais uma página na minha vida Visto que uma rosa por mim chorava E ao mesmo tempo cantava em voz contida.

Sentindo sempre tantas emoções em mim Acabava por descobrir o verdadeiro amor Uma nova aventura começaria sem um fim Visto que ao princípio estava pintado de cor.

Assim enquanto escrevo estas canções Celebro a amizade com algum furor Já que por mim ela muito fez E eu de si só desejava o seu amor.

Muitas vezes escrevi sobre os detalhes Entrando o ciúme nesta nossa paixão Não esquecendo as viagens pelos mares Onde naveguei quase sempre em solidão.

Já que aquela rosa vermelha me despertou Começando a namora-la ao pé do seu portão Sentindo-me ainda verde nesse novo amor Fui descobrindo que podia receber o perdão.

Aquele perdão que me faltava na vida Para poder seguir em frente sem medo Aquando dos primeiros beijos que lhe roubei Surgiu a luz à porta do cinema em credo.


Passando os dias que se avizinhavam A correr para trás e para a frente Esperando o sim da confirmação do amor Podendo livrar a minha cabeça de ficar doente.

É que no horizonte das nuvens escrevia Conseguindo por vezes atingir a minha paz Ao ver o seu belo sorriso de rosa florida Não passando eu, de um simples rapaz.

Mas essa mesma paz que o seu sorriso Me passou a transmitir de forma livremente Depressa passou a um prazer bem oculto Não tendo hora para dormir surgindo medo naturalmente.

Já que o seu corpo de rosa florida Era tudo aquilo que precisava de amar Sentindo o seu amor natural com prazer Não fugindo mais do meu coração ao acelerar.

Seu sorriso era alegria pura da vida Afugentando os meus traumas de infância Como almas gémeas nos uníamos em paixão À hora de despedida brincávamos como última instância.

Pois nessa hora a sua rosa brindava Recebendo o meu cale ao mergulhar na paixão Estou falando de sexo entre dois apaixonados Que se uniram num repetir durante anos com emoção.

Hoje ainda procuram repetir esse acto de amor Existindo dentro de si o mesmo sentimento profundo Não dizendo nada mais que palavras de carinho Vendo como a sua flor se abre recebendo-me bem fundo.


Ditamos as nossas leis perante o mundo As quais nos fazem delirar por entre beijos Uma vez e uma outra vez não esquecendo tudo Desde aquele dia que ditou os nossos desejos.

Fecho os olhos e vejo a sua figura Caminhando na minha direcção como amiga Hoje é a minha amante também de coração Já que o nosso amor ditou as leis sem espiga.

Assim nos amamos como da primeira vez Sem que nada nos faça recuar Por ora escrevo à minha flor livre Oferecendo uma rosa em sua honra para nos salvar.

São Paio de Oleiros, 2010 / 05 / 06 ANTÓNIO CRUZ


“AS VOLTAS QUE DÁ”

Se num dia pudesse contar As voltas que a vida dá Não conseguiria as mesmas contar Nem de perto chegaria lá.

Pois esta vida é uma miragem Que surgiu no meu caminho Ao tentar encontrar um grande amor Procurando conquistar alguma ternura e carinho.

É como se tentasse contar as estrelas Nunca chegando acabar a sua contagem Assim como os grãos de areia da praia Que me levam a ver uma miragem.

Vou ao menos sonhando nesta escrita E embelezando o meu pobre coração Que se encontra ainda apaixonado Por uma flor sendo essa a solução.

Já que cruzo um deserto solitariamente Em busca do meu oásis com esperança Ao continuar apaixonado por esta vida Pensando sempre em um dia fazer aliança.

Uma aliança que possa então fazer Arriscando tudo por uma simples miragem Sabendo que existe uma fonte oculta Sobre as areias da paixão formando uma imagem.

A imagem de uma flor de amor gravada Como uma peça de homenagem ao bem aventurados Já que dela posso um dia também me saciar Fazendo parte desse grupo dos eternos apaixonados.


Pois aqueles que já dela beberam Se encontram consulados pelo seu amor Que brota eternamente a chama da paixão Fazendo reavivar no dia-a-dia uma flor.

A mesma flor produzida da semente do amor E somente com amor ela pode desabrochar Quando um dia coloquei a mão naquele fogo A paixão do seu coração fez então me queimar.

Já que consegui a partir dessa hora Começar a mover os céus e a terra Rasgando o véu do prazer sem agonia Visto que ambos atingimos o fim da guerra.

Saltando o abismo da solidão sem olhar Deixando para trás um passado rasgado Pois com o amor eu consegui Dar a volta à vida sendo eu um renegado.

Hoje escrevo que cobri os céus Com o amor da flor da felicidade E sem olhar para trás vejo os véus Que enfeitam o seu corpo oferecendo a amizade.

E por essa flor cheia de paixão Coloco a minha mão no fogo em chama Queimando a mesma atinge ainda o coração Conseguindo refazer a vida duma morte que reclama.

Passando tudo a ser uma reles aventura Já que a vida muitas voltas dá Mas não quero deixar fugir esta flor Que o amor me ofertou naquele cantinho de lã.


Pois escrevo agora com algum sentido Que a sua rosa deve ser honrada Assim como a minha alma de aprendiz Deve ser louvada sendo ela a minha amada‌

Mozelos, 2010 / 05 / 25 ANTĂ“NIO CRUZ


“O PASSADO”

Se algum dia conseguir entender O que é a saudade do momento Terei talvez quem sabe recuar no tempo Muito antes de tudo acontecer com sentimento.

É que no acontecer surge o conhecimento Sentir o que é o querer desta vida Procurando o buraco da ternura perdida Revelando ao mundo aquela flor escondida.

Foi aquela flor que fez descobrir o amor E viver um sonho que a saudade escondeu Bem longe das mágoas do passado recente Ao faltar a compreensão que por ora morreu.

E que depois de ter vivido aquele momento É que foi um grande amor e a saudade volta Com a solidão e melancolia batendo à porta Provocando uma certa nostalgia sendo já cota.

Alguém disse um dia estando solitário Que “Recordar é Viver” será essa a verdade Já que uma flor parece murchar diariamente Ao faltar a água e secando a fonte da amizade.

Tenho saudades daquilo que não vivi E que deixei para trás os amores Vivendo numa certa inocência fechada em mim Perante a descoberta que move o mundo dos adores.

Os mesmos odores foram deixados pelo canto Provocando uma saudade dos lugares neles vividos Por um jovem inocente agarrado ás pessoas Que na altura conheci ficando por vezes despidos.


Foi uma época que não vivenciei livremente Ficaram apenas lembranças daquele tempo gravadas Fazendo parte do meu passado oculto pelo véu Marcando uma presença e um legado de fadas.

Por vezes tenho razão de sentir saudades E de me acusar de inocente ao ser jovem Visto que sem me despir marco o momento Através de palavras azedas hoje deste homem.

Porque sem se despir o passado partiu Detonando o pacto da inocência bem cruel Que a vida em geral retorna ás saudades Rompendo o véu que cobre a taça de fel.

Só que a minha honra está presente Sendo comum ter consciência de a viver Ao exploramos os novos rumos da obscuridade Sem algum prazo para chegar ao prazer.

Consultando sempre a provocação duma flor Que acabou por me levar ao limite Fazendo as suas folhas caírem como vestes Na hora certa já que a paixão existe.

Talvez por isso tenha saudades desse tempo Em que a braveza de bicho selvagem Fez de mim um animal perante o nu Levando-me também a obter aquela coragem.

A coragem que sempre me faltava Na hora “H” para poder avançar Ao ser tocado por um corpo feminino Sentindo aqueles peitos inchados e prontos a amar.


Mas como dizem só o tempo Me pode levar a curar a saudade Ao me faltar a coragem sendo inocente Não sabendo como é bom essa felicidade.

E como o tempo é a melhor cura Vou sofrendo ao escrever nesta idade Podendo o mesmo tempo ser o melhor remédio Para curar a minha ferida provocada pela saudade.

Já que essa mesma ferida vai sangrando E ao mesmo tempo livrando-me do tédio Pois hoje não estou só nesta vida Amansando o meu pobre coração sem remédio.

Visto que não sou nenhum príncipe valente Sou hoje apenas um bicho-do-mato Que se refugia nas palavras da vida E que continua a se picar nas folhas do cato.

Tenho razão de sentir as saudades Ao sonhar com o tempo de ser jovem Não podendo voltar atrás no tempo Procuro nesta época ser apenas um homem.

Um homem que descreve o seu passado Como um aprendiz podando a sua roseira Não esquecendo que ainda vive um amor Sendo louco agora pela sua bonita e humilde costureira.

São Paio de Oleiros, 2010 / 05 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“HOMEM CASADO”

Num eclipse poético escrevo simplesmente Sobre o tesão de um homem casado Que olha de lado para a sua mulher No seu passo de mestria bem espelhado.

Como qualquer homem fica doido ao ver Como o seu belo corpo dá de si Mostrando o calor que sente em si interiormente Espalhando a febre que se imagina e ri.

O tesão que sinto como homem casado Faz de mim um ser vadio pelo prazer Ao ver esta mulher tão bem modelada Que num abraçar imaginativo me faz sofrer.

Mas sendo essa a mesma vontade que sinto Ao ser tarado ou mesmo um louco Num simples descontrolar por completo Vendo a minha amada nua ou tão pouco.

O tesão que sinto sendo casado Há já algum tempo com esta mulher Bastando-me ver a sua bela nudez Fico logo trémulo e doido sem se ver.

É uma vontade louca pelo desejo De a ter só para mim em pecado Terminando a minha vadiagem sem exterminar É o meu querer deixando este recado.

Quero muito e a desejo muito mais Apertando o seu corpo nu em desejo Contra o meu corpo de homem casado Com as minhas mãos pedindo um beijo.


Sinto o cheiro do seu corpo Carregado de pecado em perfume feminino Meu corpo arde em febre bem masculina Ao fazer elevar a minha lança sem tino.

O tesão que sinto ao ser casado Com esta bela dama espalhando seu perfume Pelo meu corpo em brasa desejado por si Numa torrente de loucura atingindo o cume.

E num acto contínuo fazemos amor Utilizando um olhar cheio de pecado Transmitido numa linha contigua e sem fim Perante tantos sentimentos vividos pelo ser amado.

Como homem casado que sou hoje Escrevo sobre esta mulher sempre muito além Daquilo que sinto pelo seu corpo feminino Desejando atingir a sua gruta bonita também.

Doce que é e se extravia da sua rota Numa dança infernal cheia de pecado Transformando-me novamente num ser vadio Reinando com a minha espada sem algum mestrado.

Como é belo o jardim em si plantado Demonstrando a sua flor rosada em espiral Minhas mãos exploram a sua gruta incandescente Tentando atingir o seu ponto lírico pró final.

Assim escrevo como homem casado em tesão Que esta bela dama que tanto me fascina Levando-me à loucura como seu corpo de flor Sendo ela talvez para sempre a minha sina.

São Paio de Oleiros, 2010 / 07 / 10 ANTÓNIO CRUZ


“CADA MOMENTO”

Amor de uma flor, segredos dos deuses Assim escrevo como sendo palavras essenciais Já que tento cumprir a sua honra Não a fazendo sofrer ao ouvir os meus ais.

Comecei uma canção num certo dia Sem uma honra ou mesmo local Envolvendo o amor que já sentia Guardo assim os meus versos até ao final.

Já que a paixão em plena loucura Estava presente de corpo e alma E guiando o nosso desejo ao nos envolver Naquela batalha do membro e vulva sem calma.

Nunca ousara dizer apenas escrevi Que a sua flor rosada bem me alimenta Sentindo o seu corpo nu como minha alma Explodindo assim com liberdade esta ferramenta.

Pois sinto o corpo e alma a desabrochar No acto do amor surgindo um puro grito Perante as palavras essenciais que escrevo Sinto o orgasmo atingir o instante do infinito.

A transmissão da paixão de um corpo Para o outro ultrapassa o universo Entrelaçando-se e fundindo os nossos seres Dissolvendo toda a raiva neste verso.

Já que voltamos à origem do amor Que Platão viu lá do alto se completando Ao ser tudo perfeito num “unismo” uniforme Passando dois seres a ser um só se amando.


A nossa cama passa a ser o leito Já que o cosmo abençoou a nossa paixão Plantando rosas à nossa volta enfeitando Os nossos corpos unidos como astros da emoção.

A nossa integração perante este amor Que só termina numa força conjunta Levados num transporte até à extrema região Enfeitada por uma rosa eterna como permuta.

E ao delicioso toque na sua rosa honrada Faz da sua zona etérea florescer com paixão Transformado o meu ser num enorme relâmpago Infiltrando-se na sua gruta até à minha exaustão.

Aquele seu pequeno ponto que vai florescendo Alimenta o fogo do seu corpo como mel Perante a penetração levando-nos aos dois ás nuvens Ultrapassando os sois fulgurantes libertando-nos como gel.

Toda esta paixão nunca vista de outra forma Suporta a plantação e a colocação da semente À luz do acto do amor que surge livremente Prosseguindo numa onda de sorte sentimentalmente.

Só nós damos para além da nossa vida Numa activa transformação da carne e paixão Em que a carne viva numa mistura de gozo E o nosso amor é demonstrado no atingir da emoção.

É divino quando o amor morre de amor E quantas vezes morremos um dentro do outro, Nesta paixão que nos leva a nos unirmos abruptamente Perante o momento sem pausas garantidas de ouro.


Nada mais é tão belo como colher A flor honrada da minha amada suavemente Retornando do sono dos divinos perante os sentidos Em que a nossa paz se instrua como semente.

Já que o nosso amor nos leva à loucura E estendidos na cama dos deuses ficamos Como estatuas arfando e vestidos pelo suor Agradecendo a Deus o amor que sentimos.

Pois o amor é uma palavra com actos Sendo essencial juntos vivermos cada momento Como uma só alma em paixão garantida Voando por entre as nuvens com os ais de sentimento.

Mozelos, 2010 / 07 / 18 ANTÓNIO CRUZ


“LINHAS HORIZONTAIS”

Olho para esta folha em branco E contemplo as suas linhas horizontais Procurando um momento de inspiração Podendo utilizar palavras como arte finais.

Sinto hoje que estou algo vago Ao não ter prazer em escrever Porque um poema simplesmente perdi, E essa ideia persegue o meu ser.

Inanimado sinto-me por falta de ondas, Continuo a ter esperanças em o encontrar E as palavras que nele escrevi continham amor Embora distorcidas no tempo que está a faltar.

Por isso continuo olhando para a folha Que num branco de alegria suas linhas distorcem E com o correr dos dias que perpassam Deixam de ser simplesmente uniformes e se tecem.

Sussurrante e em sucessão sobre amor escrevo Já que a paixão por uma flor descobri Murmurando ao ouvido de uma outra Sobre os seus dissonantes contornos e até sorri.

Pois naqueles inícios e fins de tarde Por entre a chuva o Sol quente Poemas ia fazendo ás escondidas com emoção, Visto que o seu olhar era bem diferente.

Com os seus olhos tristes mas calmos Demonstrando uma meiguice única cheia de beleza Os meus dias passaram a ser conforme No uso da caneta sobre estas linhas numa certeza.


E no uso e no meu costume passei A ser vago e triste perto da solidão Ficando “desinspirado” e algo “mentrivial” Ao não saber o que escrever com paixão.

Já que a mesma sentia mas escondida Restando-me as horas banais em que sonhava Procurando esquecer as linhas brancas da vida Simplesmente num ideal de loucura com que a desejava.

Fazendo-me passar sempre nesses dias iguais Bebendo um café bem ao fim da tarde Sem dar um aí sequer ia sentindo amor E que Deus resguarde a flor da “Madre”.

Ao penetrar na ilusão das letras escondidas Via os dias a ficarem brancos sem sentido Não me levando a qualquer parte na hora Deitando fora um papel com um poema esquecido.

Esse papel que deitei fora um dia Hoje mata-me pouco a pouco precisando-o de encontrar Já que ainda vivo alguma dessa ilusão escrita Que vai apertando o meu coração sem o parar.

Pois sinto pela minha amada aquele amor Que já não sinto como se fosse um aprendiz E naqueles dias que o Sol brilha Amo a sua rosa húmida sendo bem feliz.

Ando por ora lento e bem sonolento Com a minha cabeça viajando pelo céu Tento navegar pelo mar da vida livremente Escrevendo sobre o amor da flor coberta pelo véu.


Já que sempre que avisto o mar O seu rosto vejo desenhado nas ondas, Dando um ser novo ao seu bonito nome Esperando pela noite fugindo então das sombras.

Sendo perseguido pela paixão de outras Só me resta ao fim da tarde esperar Mesmo andando ensonado sei o que quero Vou esperando pelo Verão para nas areias a amar.

Pois assim enquanto avisto o mar Assim as minhas fantasias nas ondas mato Afogando nas areias brancas a nossa paixão E no papel palavras escrevo como mato.

Já que a folha em branco absorve Todo o amor que sinto por uma flor Ao realizar os meus sonhos passando noites em claro Vou vagueando pelas trevas como louco sem dor.

Ficando todo o papel em branco Pintado a vermelho pelas letras da paixão Honrando toda a minha flor que assim conservo Nestas linhas horizontais descrevendo até ao fim a emoção.

Sendo louco e cheio de paixão escrevo Pelas linhas brancas horizontais o meu amor Recordando o que o meu coração sente definitivamente Sem ter medo consumo de desejo aquela flor.

São Paio de Oleiros, 2010 / 07 / 20 ANTÓNIO CRUZ


“VERTIGEM MARINHEIRA”

O vento sopra com uma força arrasadora Navego agarrando o leme da saudade Vou sentindo vertigens como um aprendiz Faltando-me a coragem de marinheiro e a liberdade.

Apesar do meu medo sinto a força Que propulsiona a minha nobre vontade Sigo horas a fio desde a primeira Até à derradeira margem da felicidade.

A saudade aperta no meu coração Enquanto o amor que sinto louvo Para que possa durar cheio de força Ao navegar na caravela do nobre povo.

Vou assim navegando no sulcar das ondas Levando a minha caravela aos poucos Durante estes quase vinte anos percorridos Com amor e paixão sobre a brisa dos loucos.

Por vezes parece ser uma dança ligeira Mas tento manter o leme bem firme Perante a revolta do mar sigo a rota Sentindo que é urgente que o poema rime.

O mastro geme de tanto velejar Nas suas velas escrevo a minha vida Ficando aquém e além do eterno paraíso Forjando em mim as marcas desta lida.

Peço muitas vezes no escuro e mudo Que não fujas de mim minha amada Nem te escondas das ondas desta nossa vida Com sacrifício já que a um porto chegarei minha fada.


Enquanto esta minha caravela navegar Resmas de poemas escreverei sobre ti, Cumprindo a minha vontade lançando o pano Do palco da vida madrasta por isso sorri.

Além disso renuncio ao vício do engano Como filho do mar assim o cumprirei Mesmo sem tempo para a paixão escura Que nos moveu naquele dia que tanto procurei.

Pois a mesma no dia-a-dia foi crescendo Em segredo mas com uma certeza Não conseguindo se ocultar perante os medos Que tanto me ia assombrando com a sua beleza.

Já que como uma caravela navegava Sobre os mares formados pelas nuvens brancas E como no sussurro das ondas que trazem e levam A nossa paixão, ela foi aumentando com tiragem nas bancas.

Assim noite e dia vou tentando navegar Nestes vinte anos que se aproximam lestamente Com um cantar suave e num afago quente Vai fazendo roçar a sua passarinha em mim livremente.

Mas perante este mar revolto de hoje Vais hesitando cada vez mais com prontidão Assim cresce o meu medo ainda oculto Assombrando estes anos e dificultando a minha paixão.

Afago o meu coração quando tenho tempo Como um Lusíada olho a imensidão do horizonte Procurando um murmúrio no mar das palavras Que apelem ao amor que sinto neste presente.


Já que navegamos nestes vinte anos Com esta caravela levando amor e dor Fazendo o nosso peito sangrar por uma ferida Que o tempo reabriu pintando as velas de cor.

Pois perante a força do vento navego Com vertigem marinheira cheio de loucura Porque ainda amo esta minha flor Honrando a sua dor buscando uma cura.

Parti assim do areal da praia vazia Com um sonho sempre em mente que me chama Levado pelo medo navego acompanhado no tempo Tentando não deixar sequer apagar a sua chama.

Escrevo por ora nas linhas do tempo Que o sonho continua chamando-me pró além Seguindo esta minha louca vertigem marinheira Desejo para sempre renunciar a essa dor também.

São Paio de Oleiros, 2010 / 07 / 22 ANTÓNIO CRUZ


“POEMA CONTRA O TEMPO”

Como um poema que escrevo A minha paixão cresce pelo pecado Por vezes é inseguro na sua acção Mas na confusão deixo tudo pró lado.

Quando começo não tenho ainda palavras Só sinto ferocidade e gosto pelo prazer Que o corpo nu da minha amada Assim que beijo a flor que embeleza seu ser.

Fervilha o meu sangue ao ser honrado Pela oferta dos canais do seu ser Apesar da sombra que gélida meu sangue Sinto a paixão aumentar, não tendo nada a prender.

É que fora destas linhas que escrevo Existe um mundo cruel e sem paixão Sendo a mesma expedida pela violência Que deseja tomar conta do nosso coração.

Já que no mesmo se criam raízes Que nos levam a fazer juras de amor Fazendo raiar no nosso coração letras de sol Libertando bagos de alegria e muita cor.

Por isso escrevo com sangue e amor Que os nossos corpos são genuínos e inalteráveis Perante a paixão que se cria no tempo Ao receber com liberdade esse seres amáveis.

Como os rios que abrem caminhos livremente Vão trazendo a paz ao exterior das coisas Pois nestas linhas crio o meu silêncio Sabendo sempre que amo e escrevo nas pedras das loisas.


Posso assim garantir o meu amor Por uma flor honrada de bom-nome Que as sementes atiro ao vento simplesmente E que deixo que o seu corpo me tome.

E não faço disso um drama teatral Já que o meu coração ela posse tomou Por isso este poema vai crescendo em tamanho Como a minha paixão pela sua flor que aumentou.

Já que o seu regaço também cresceu Demonstrando como é belo sentir o prazer E pelas linhas do seu corpo escrevo livremente Sempre honrando o amor que tenho pelo seu ser.

Nada mais pode um dia destruir Este poema que faço para si com poder Sendo insustentável viver sem ponta de pecado Mesmo sendo único nesta minha forma de ser.

Já que as imagens do seu corpo nu Invadem as orbitas dos meus cansados olhos Perante uma face amorfa pintada nas paredes Escrevo na miséria dos minutos letras aos molhos.

Pois a força da paixão sustenta as coisas Tentando combater este mundo de prisioneiros Libertando a harmonia numa cama redonda Ao fazer amor utilizando palavras dos pioneiros.

E com o instrumento que escrevo livremente Vou ficando perplexo com a sua escrita Ignorando tudo em meu redor cheio de mistérios Fazendo este poema contar o tempo da minha “vita”.

São Paio de Oleiros, 2010 / 07 / 23 ANTÓNIO CRUZ


“VESTÍGIOS”

Sinto dentro de mim os vestígios Que noutros tempos vivemos intensamente Quando acreditávamos que o amor Era uma praia e uma cabana simplesmente.

Acreditávamos também na existência da Lua Como nossa madrinha nas noites perdidas Em que a paixão tomava conta de nós Não olhando fazíamos amor ás escondidas.

Só assim hoje com estes vestígios Sou capaz de sentir possível escrever livremente Estes meus poemas honrados com o amor que sinto E que nas areias perdidas deixei como nossa semente.

Envenenávamo-nos boca a boca com beijos contínuos Aplicando salivas proibidas com o nosso pecado Sem medo das descobertas dos seus senhorios Eram outros tempos em que o amor era nosso alado.

Pois os dias corriam como água no rio Em que era límpida de outros sentimentos Só pensávamos em inundar a margem da paixão Alimentandos os diques do desejo sem ter momentos.

Não usávamos máscaras éramos seres livres A qualquer hora no tempo simplesmente amava-nos Regando o jardim do pureza com o amor Deixando vestígios de como éramos simples humanos.

Hoje somos os mesmos simples humanos E nenhuma palavra passa sem ser escrita Faltando por vezes sílabas por escrever sobre aridez Já que areias suaves se transforma em pedra maldita.


Embora a mesma paixão exista Só que a chama se vai sumindo lentamente Sobre um corpo estendido ela mesma se expande Num quarto escuro e ali pernoita secretamente.

Já que as palavras assim vão saindo Como conta gotas benzidas pelo álcool Produzindo um vocabulário reduzido mas, obsessivo Sendo preciso algo mais do que ser cool.

Pois a idade pesa como um relâmpago fulminante A paixão queima todos os tempos perdidos Faltando a vontade de ser honrado pelo prazer Que à porta vai batendo ao de leve nos poemas escondidos.

A minha língua fica travada e nada mais Já que nada mais consigo ouvir por ora Sentindo que apesar de tudo tenho paixão Por aquela moça de outrora que se foi embora.

Não foi embora deste meu mundo Mas sim do tempo que continuámos a repetir Pois a paixão que nos avassala a cada minuto Por entre gestos e serenidade que nos faz sorrir.

Sempre assim bebemos da seiva do prazer Ao sentirmos a febre do pecado batendo à porta Trepando pelos cedros acima com paixão arrebatada Sem medos da descoberta de alguma mulher morta.

Trocávamos também o amor cheio de pecado Por um místico de paixão honrada colhendo uma flor Que ia implorando pela minha magia humana Desejando ser colhida por mim sem obter dor.


Pois trocamos o místico arbusto estrelar Pelas areias escaldantes da praia celeste Ao avistarmos o desejo chegar lentamente Fustigando-nos os olhos em cio como uma peste.

Já que me é possível e vou escrevendo Transformando o meu amor honrado em luz Relembro assim as salivas proibidos a minha paixão Deixando vestígios daquela euforia cravada nesta cruz…

São Paio de Oleiros, 2010 / 07 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“TELAS DA VIDA”

Ao atirar pedras à água Fiquei à mercê do enlevo Vindo à tona o silêncio Correndo a pena por isso escrevo.

Que a honra de uma rosa Ofereço à dama que amo hoje Já que o meu mundo é sentido Quando junto as palavras de que foge.

Os meus sentidos se tonificam Por isso inspiro mais um verso Surgindo de onde está enterrado Com uma paixão por este meu universo.

Já que da minha própria carne Versos e mais versos eu fiz Envoltos por vezes num véu escuro Transparecendo um amor feroz mas feliz.

As pedras acirravam sem instinto Tentando mais um poema vindo do além Extraindo da raiz mais um poema Que o silêncio nos une na paixão também.

Olhando o Sol no meu horizonte Fico imerso vou cambiando de tema Já que o amor me leva à serra Descendo o rio das letras como lema.

Procuro assim pintar o universo Com as tintas da paixão neste poema Nunca esquecendo como honro a vida Que um dia uma flor fez valer a pena.


E num céu aberto voo livremente Pintando uma tela com amor imortal Estando tão perto da morte Largo palavras atrás de palavras neste final.

Por muito que pareça estranho São duas paixões que honro Uma flor que me libertou simplesmente De uma solidão prisioneira no seu morro.

A outra é esta minha escrita Que parece simples mas é complicada Por vezes não consigo atingir um fim Talvez por isso se tornou a outra amada.

E por estas minhas eternas amadas Ergo a minha espada perante a vida Entrando nas batalhas pelas suas honras Ferindo os meus sentimentos de poesia perdida.

Não sendo formoso e nem rico Percorro livremente aldeias, vilas e cidades Descobrindo um fumo sem fogo à vista Nas linhas brancas das reais verdades.

Nunca esquecendo os meus dois traquinas Que a vida lhes traga a felicidade Já que por algum tempo a sorte fugiu De mim a sete léguas sem ter idade.

Ao seguir por um caminho de vegetação Mais sequiosa por falta de carinhos Bebendo amarguras da vida que se transformaram Em montanhas difíceis de escalar com espinhos.


Talvez por isso vá pintando telas Com um amor inigualável e doentio Como uma ideia ainda algo insensata Percorro a costa de lés a lés sem rio.

Procurando nos santos um simples milagre Para que esta vida cheia de aventuras Consiga espelhar a sua natura com amor Deixando de lado as amarguras das ruas.

Fixo nesta hora o meu olhar Nesta linhas que se vão preenchendo livremente Colocando a noite e o dia em palavras Que honram a minha forma de raro sobreviver.

Assim este quadro pinto com letras, Quase todos os dias com afins e alegria Vendo as suas linhas escritas com tinta Que sai da caneta que está à mão neste dia.

Como dos ventres das mães erguem-se os filhos Da minha escrita com honra saem poemas Numa visão com futuro escrito nos vales Que florescem como flores surgem os meus temas.

Ergo os meus olhos para o céu azulado Procurando a fonte para pintar com amor As telas da minha vida com palavras vivas Compondo assim o seu fundo com alguma cor.

Já que os meus sentimentos estão vivos E vão para lá do meu conhecimento poético Como aprendiz vou descobrindo este meu amor Tendo a cura duma flor como meu genérico.


Termino com mais estas palavras à sua mercê Num silencio pintado pelas telas da vida Tendo a honra como objectivo nestas linhas Ficando ainda espaço em branco para nova lida.

São Paio de Oleiros, 2010 / 07 / 29 ANTÓNIO CRUZ


“PALAVRAS SENTIDAS”

Certo dia sem querer ou pensar Depois de muito procurar nesta vida Apareceu uma flor vestida a matar Em cor de vermelho semi-perdida.

E assim sem querer me apercebi Que a tal bonita flor me fazia Não sabendo como batia o coração Já que tanta beleza nela existia.

Talvez por caminhos desconhecidos descobri Mesmo que não tenha por lá andado Pois nunca pensei nisso e simplesmente sorri Já que naquele momento fiquei descansado.

Por alguns momentos vi uma luz No seu olhar discreto me apercebi Como tinha andado perto da cruz Que seria minha no dia que a descobri.

Como foi possível estar tão cego Por entre os fragmentos dos amores Que tanto foram ferindo o meu ego Libertando em mim alguns momentos de horrores.

Levando o meu ser à solidão Quando tudo estava tão perto de mim Mostrando ao mundo pequenos fragmentos de coração Já que num grande amor desfeito via o fim.

Aquela bonita flor me mostrou Que a estrada triste por onde seguia Não passava de um pesadelo que se desmoronou Perante a vida solitário que nela vivia.


Os mesmos com o tempo passaram A ser lindos sonhos entrando o amor Como guia para os fragmentos que se fixaram Sem que me apercebesse da existência da dor.

Pois naquele dia já havia amanhecido Quando um novo mundo se mostrou Trazendo consigo um novo destino perdido Que mais tarde seria vivido a dois como se revelou.

Afastando assim de mim a solidão Deixando-me somente com alguns fragmentos escondidos Restando-me uma única alternativa a nova paixão Ao avistar aquela flor de vermelho de olhos perdidos.

Perdidos mas achados no meio da multidão Fazendo-me prosseguir neste caminho solitário Chorando o tempo perdido e sangrando do coração Já que a vida têm os seus desencantos como diário.

Um diário onde hoje escrevo simplesmente Honrando o amor daquela jovem e bonita flor Que conseguiu me libertar da dor livremente Não sendo tudo em vão pinto os fragmentos de cor.

Utilizo para isso palavras sentidas com amor Já que cada vez que revejo aqueles momentos Não esqueço o olhar doce daquela flor Terminando assim com a dor impondo o seu sentimento.

Mozelos, 2010 / 08 / 01 ANTÓNIO CRUZ


“VINTE ANOS PASSADOS”

Ao longo destes vinte anos passados Tantas juras nós trocamos com amor, E tantas promessas fizemos como dois amados, Roubando beijos por aqui e ali com furor.

Por entre abraços declamamos com honra O nosso amor com um só fim Utilizando a liberdade a qualquer hora Sendo a rua da Concharinha o nosso jardim.

Com o tempo as juras estão vivas Fazendo com que as promessas se cumpram Por entre a paixão gritando vivas Já que somos dois seres que se amam.

Não quero fingir nem mesmo mentir Mas só existe uma mulher para mim Que vai fazendo o meu coração sorrir Sentindo sempre prazer estando perto do fim.

Um fim que chega silenciosamente nesta vida Mas como é belo o nosso romance Sentindo o calor da vida estando escondida Já que manda mais em quem a dance.

Visto que o nosso romance de amor Trás a paixão pelo pecado colada Ao ser humano sinto em mim o calor Que faz transformar a minha nobre espada.

E com honra defendo a sua flor Entregando livremente a minha carne pecadora Por entre as juras eu troco por dor Já eu, minha alma ainda hoje te adora.


É tão bela a nossa maneira de amar Perante tantas promessas que fazemos diariamente Pairando o firmamento daquela paixão solene no ar Entregando os nossos corpos nus ao prazer livremente.

Sendo esta a nossa maneira de amar Sentindo a loucura fervilhar no nosso sangue quente Queimando os nossos lábios num beijo de arfar Já que o nosso coração bate num ritmo eloquente.

E com tanta loucura presente o amor honramos, Regando pétala a pétala a flor da paixão Sentindo o nosso peito rebentar de tanto nos amarmos Por entre abraços demonstrando toda aquela emoção.

Por isso sinto orgulho no que escrevo Já que o nosso romance ainda não terminou Visto que cada vez que passas me atrevo A tocar no teu corpo senhoril que se elevou.

Se elevou ao patamar novo da paixão Desde o primeiro momento que te vi Sentindo cada vez mais nascer forte a emoção Nunca esquecendo aquele dia em que te descobri.

Pois assim vai crescendo este nosso amor Sempre com uma infinita saudade da liberdade Ao sermos jovens e sem ter medo da dor Brincávamos com honra e com pecado em igualdade.

Já que nos nossos corpos nus nascia A fonte do prazer perante tal paixão Fazendo-nos beber o elixir cheio de magia Transportando-nos ao limiar gentil desta nossa escravidão.


Uma escravidão que não nos faz cansar Já que o prazer que sentimos é amor Fazendo-nos acreditar perante esta vida sem lar Que nos faça perder a liberdade do pudor.

Por isso escrevo com honra e ironia Que desejo amar esta flor cheia de alegria Procurando preencher os espaços vazios da via Que se transporta no sangue do dia-a-dia.

E ao longo destes vinte anos passados Continuamos trocando juras de amor sólido Nunca esquecendo as promessas de vida como soldados Já que continuo atraído pela seta do cupido.

Mozelos, 2010 / 08 / 04 TONY CRUZ


“MOMENTOS”

É noite e está bem escura Acordei em sobressalto com certa agonia Procurei ao meu ver se lá estavas Sorri naquela hora vendo o dia.

Senti o teu perfume do dia Dormias ao meu lado em sono profundo Não recordo eu sonho então tive, Não sei que porque o meu coração está mudo.

No seu bater agoniante sofre silenciosamente Não sei que sonho tive e se mói Já que estou acordado vendo-te dormir Com um leve sorriso que até dói.

Não consigo mesmo assim descansar Não ouço nada e entro em pânico Salto da cama num ápice repentino Começando a vaguear pela casa como magico.

Olho as horas e vejo os minutos Tudo passa muito devagar estando aflito Sofro nesta agonia em que sinto paixão Recordo os tempos perdidos estando escrito.

Já que o tempo escreve por linhas Preenchendo o espaço vazio da saudade Meu coração bate bem depressa e fortemente Ao sentir que já levo uma certa idade.

Não sei como medir esta pulsação Já que continuo amar uma flor Que me libertou do medo que agora sinto Vindo de qualquer parte trazendo dor.


Sinto um frio varrendo meu corpo Transpiro enquanto fumo um cigarro Preciso de um abraço daquele corpo nu Dormindo silenciosamente que por momentos me agarro.

Já que sinto as minhas pernas fraquejar Ao estar presente uma forte tensão Parecendo que fiz uma longa corrida Batendo bem forte o meu pobre coração.

Visto que o amor que sinto ainda Está e estará bem presente em mim E o pior que tudo é que amo loucamente A flor estendida neste leito sem ter fim.

Não consigo ter uma solução para nada Já que a dor que bate à minha porta Faz-me relembrar o tempo passado e perdido Sem ter consolo parecendo uma flor morta.

Encosto a minha cabeça no seu peito Afundando-me na felicidade que penso e escrevo Já que invento muita outra sem ter sentido Sobre fantasmas velhos dos quais me atrevo.

Atrevo-me sim em relembrar aqueles momentos Em que fiquei perdido no tempo e escondido Pois pensava que os mesmos tinham já desaparecido Mas perseguem-me nesta vida obrigando-me a ficar perdido.

Correndo pela casa fora estando então perdido Pelas imagens de corpos nus já oferecidos Dos quais tive medo de quebrar em tempos Como se fossem relógios novos antes de serem vendidos.


Resta-me senão a honra de ser assim Um pecador sem ter pecado ficando a paixão Será que o mesmo parou neste tempo Já que sinto um silêncio inquietante, pois então.

Ouço as cigarras cantando nesta escuridão Procuro ver para lá das janelas fechadas Estando tudo monótono e bem irritante nesta noite Não sei onde pára a magia das fadas.

Já que sou um aprendiz nesta magia Que transmito nas linhas em branco das folhas Enquanto sinto o medo invadir a minha alma Estando louco neste movimento inútil de trolhas.

Desejo que acordar o belo ser dorminhoco Que se encontra estendido neste meu leito E pedir à mesma flor que me proteja Desta dor que sinto provocando este efeito.

Pareço um tonto no meio da ponte Procurando um afago com uma certa magia Para entretenimento do meu ser estando inquietante Nesta noite escura amando com uma certa nostalgia.

Preciso que a bela flor dominante acorde Do seu sono roubando a ele alguma hora Ficando comigo contando aqueles momentos passados Onde demonstramos a paixão durante anos seguidos fora.

Já que conto sozinho as horas perdidas Enquanto ela aprecia o seu sono profundo Vejo o tempo passar sentindo um frio de medo Não sei o que faço neste momento pelo mundo.


Não sei se vá para a cama e acorde Aquela bonita flor que honrei um dia Levando-a ao altar da vida então casando E firmando o meu amor para o dia-a-dia.

Olho o relógio mais uma vez Sentindo que o tempo que passou é uma eternidade Escrevo mais umas linhas da vida em folhas Que deixaram de estar em branco por afinidade.

Já que o medo de mim acercou nesta noite Não sei que faça, por isso escrevo mais uns momentos Para que o tempo não me faça esquecer logo Termino esta minha indecisão perante estes meus tormentos.

Paramos, 2010 / 08 / 07 ANTÓNIO CRUZ


“ESTRADA DA VIDA”

Sinto-me um avião sem asas Sinto-me uma fogueira sem brasas no tempo Meu coração sangra e chora repetidamente Ao sentir que te zangas continuadamente.

Sou um jogador sem bola e campo Falta-me o ar que então respiro Ao sentir um aperto na alma Levando-me para longe a minha calma.

Sinto que sou assim bem humano Mas porque tenho que ser assim Visto que o meu desejo não tem fim Sofro por uma flor que enfeita o jardim.

O jardim da minha vida sofredora Desejando-a a qualquer instante com paixão Honrando com amor escrevo em palavras Esquecendo as feridas que me as cravas.

Nem por mil alto falantes eu falo Já que não sei falar abertamente Falo através desta minha escrita Em períodos que a mesma dita.

Será que um dia vou falar Ou falaram de mim desta forma Já que sinto um amor fechado em mim Não sabendo se o mesmo terá um fim.


Sou assim fechado para o mundo Não querendo ser um simples palhaço Mas tento a todos os custos amar A fada que governa o meu pequeno lar.

E por ela posso dizer e escrever Que sou louco morrendo de prazer Já que perco as estribeiras vendo-a nua Declarando o meu amor com honra à Lua.

Sou assim por ela e isso escrevo, Ao não conseguir dizer nada em palavras Sofro dentro de mim fechando o meu coração Ao tocar o seu corpo com uma simples mão.

Já que na sua pequena mão depositei O meu coração livremente estando a sangrar De tanto sofrimento contido pela minha solidão Procurei noutros tempos ser louco em paixão.

Ao deitar no seu regaço meu ser Ficando com cada pedaço meu para si Foi juntando peça a peça cuidadosamente Falando com o meu coração bem honradamente.

Assim demonstrou que o seu amor Era verdadeiro não deixando mais de existir Estando sempre ao meu lado atempadamente Colocou a sua alma disponível como semente.


Já que a solidão era o meu castigo Contando as horas para a poder ver Sofrendo duma forma e utilizando esta escrita única Esperando que aquela flor aparecesse vestida numa túnica.

Eu sou assim como um lobo solitário Vou escrevendo as palavras neste tempo Enquanto o relógio dita a sua honra Já que sou um Romeu seguindo mundo fora.

Por vezes pareço até um Romeu Sem a sua Julieta neste nosso mundo Mas uma coisa é certa para mim Não a deixo de amar e honrar até ao fim.

Já que é a minha forma de ser E este meu desejo não tem fim Sentindo a loucura subir dentro de mim Vendo a qualquer instante o seu belo jardim.

Um jardim que embeleza a sua flor Que tanto me dá prazer e amor Não conseguindo até então viver sem ela Quando toca em mim a nota do pecado tão bela.

Pois tenho a certeza que existo Neste mundo rebelde por causa dela Se assim não fosse seria o meu pior castigo Descrito nestas folhas brancas como meu abrigo.


Já que as palavras não as consigo Dizer bem alto nem com mil alto falantes Penso mas não as consigo dizer simplesmente Sendo um solitário por natureza vivo assim secretamente.

Por isso conto as horas que escrevo Sentindo a minha alma triste por não falar Mas sei que honro a dama que amo agora Tentando não faltar com o amor a qualquer hora.

Percorro assim esta estrada da vida Sofrendo interiormente por não ser diferente Não conseguindo falar e por isso escrevo assim Esperando que um dia chegue este sofrimento ao fim.

Mozelos, 2010 / 08 / 11 ANTÓNIO CRUZ


honra das rosas 046  

APRENDIZ DE POETA

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