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ANTÓNIO CRUZ


ANTÓNIO CRUZ


“ PREFÁCIO DE UMA VIDA”

Escrevi num mês distante, trinta e tantos, poemas a fio sem parar, numa espécie de êxtase. E hoje, é um dia triunfal da minha simples existência, nesta minha vida. O que se seguiu depois de alguma tinta ser gasta e muito papel ter sido utilizado; só sobrou um cesto de papéis cheio, foi o aparecimento de um novo “Poeta – Escritor”. Tudo isso, se verificou no continuar do pequeno Sonho de Criança que há muito tempo vinha a desenvolver no meu interior, utilizando pequenas rimas ou alguns pensamentos muito sugestivos da minha maneira de ser. E de ter vivido quando criança e também algumas situações, já como adulto. Desculpem – me, o absurdo da frase; mas apareceu em mim um enorme desejo de transcrever para o papel algo com sentido ou mesmo sem! Era simplesmente aquilo que vindo do meu eco interior ou directamente da minha mente, ditava por palavras ou frases simples, numa leitura rápida, e a minha mão escrevia para um bocado de papel. A expressão que sobressaia no meu rosto era a de um pequeno sorriso esboçado quando terminava mais um tema, mesmo que esse não tivesse muito sentido! Mas, era como se tivesse restituído alguma vida aos mais simples “poemas” ou “contos”, que eram para mim algo profundo mas muito belas. Só que por vezes, bastava unicamente o esboçar de um sorriso para me agradar e aquilo que acabava de transcrever logo por si existiria numa folha de papel sentindo toda a sua magia sem sequer poder falar! E, num certo dia, à noite quando relia tudo aquilo que já havia escrito em simples rascunhos, por vezes, revia ali a minha própria sombra retractada. Eram, e são, simplesmente memórias, brincadeiras, ou mesmo chamadas de atenção para o mundo em que vivemos. Sei que um dia alguém as vai poder ler e as irá existir na prateleira da sua biblioteca para quando este ser já ter abandonado o planeta Terra. Um simples risco da minha curta vida ficará lá conservada, para sempre todo o sempre como sinal da minha pequena existência terrena! E, só assim poderei viver eternamente, por milhares de anos a fio, recordando a Alegria, a Tristeza, o Amor, a Solidão e tudo aquilo que tiver dado a este Mundo! Mas, uma coisa Eu sei, que serei alguém que existiu um dia neste “Universo da Escrita”!... E essa recordação ficará para sempre nas memórias de todos, sendo como aquele que deixou um “Verso” quando morreu, e talvez seja a “Profecia” de uma vida!...

Mozelos, 2000 / 10 / 10 TONY CRUZ


TITULO

LOCAL / DATA

0

PREFÁCIO DE UMA VIDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 10

1

CONSELHOS DE UM APAIXONADO

VOUZELA, 2005 / 09 / 20

2

À CONVERSA COM UM AMIGO

SILVALDE, 1989 / 11 / 19

3

ESPERO ENCONTRAR ALGUÉM

SILVALDE, 1988 / 03 / 02

4

MINHA GAIVOTA

SANTA MARIA DE LAMAS, 1987 / 09 / 17

5

PAIXÃO DO DESERTO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1988 / 11 / 27

6

CORAÇÃO DE ESPERANÇA

LOUROSA, 1987 / 02 / 15

7

ROSA SEM ESPINHOS

ANTA, 1988 / 06 / 13

8

UM GRITO DE AMOR

NOGUEIRA DA REGEDOURA, 1986 / 04 / 10

9

HOQUEI DO AMOR

LOUSADA, 1984 / 06 / 14

10

AMOR À PRIMEIRA VISTA

MOZELOS, 2000 / 11 / 16

11

O SER QUE ME CONQUISTOU

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1989 / 05 / 27

12

NÃO TE QUERO MAGOAR

SILVALDE, 1989 / 02 / 12

13

VIDA SÓ CONTIGO

SILVALDE, 1989 / 11 / 16

14

VIDA DE MERDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 01

15

A CARTA PERDIDA

SILVALDE, 1989 / 03 / 27

16

VIDAS CRUZADAS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2002 / 04 / 25

17

CARTA SEM DESTINO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 11 / 06

18

MISSÃO

MOZELOS, 2009 / 11 / 07

19

A CARTA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2005 / 06 / 17

Em "As Cartas Eternas" simplesmente eu escrevi Os conselhos de um apaixonado que em tempos li Ficando à conversa com um amigo sendo tudo bem pessoal Esperando encontrar alguém que não fosse tão formal. Ao encontrar uma carta perdida e não querendo magoar O amor que surgiu à primeira vista sem sequer contar Seguindo uma carta sem destino tendo sempre uma missão Revelando vidas cruzadas jogando hoquei com verdadeira paixão. Assim como a minha gaivota voa em paixão pelo deserto No meu coração escrevo a esperança que me mantem esperto Uma rosa sem espinhos que colhi com um grito de amor Através de um ser que me conquistou numa carta a minha dor. São Paio de Oleiros, 2009 / 3 / 30 TONY CRUZ


“CONSELHOS DE UM APAIXONADO”

Ao longo da nossa vida o rumo que tomarmos Seguindo a sua linha se não nos soubermos amarmos Quando encontramos alguém e esse alguém fizer O nosso coração parar de funcionar sem querer Nem que seja por alguns segundos que sejam sequer Devemos prestar atenção pois pode ser a pessoa mais importante Nesta nossa vida passando mesmo à nossa frente E sem querer os nossos olhares se cruzam em constante E se nesse momento houver o mesmo brilho intenso como semente Entre eles devemos então ficar sempre em alerta máximo Pode ser a pessoa que estamos à espera bem próximo Talvez esteja tão próximo como desde o dia em que nascemos E para seguir esse percurso normal deixando a vida da solidão Porque se o toque dos seus lábios for intenso como queremos E se o beijo for tão apaixonante passando a vida em união E os olhos se encherem de água nesse momento se percebe Existindo algo mágico entre os dois seres que se recebe Se o primeiro e o ultimo pensamento do seu dia E dessa pessoa for a vontade de ficar junta como se pedia Pois ao chegar faz apertar o coração devemos então agradecer A “algo” do céu que nos enviou um presente divino ao nosso querer Com o amor como sinal que devemos estar sempre à espera E se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro Por algum motivo e em trova tipo um bela esfera Contando com um abraço e um sorriso mesmo que seja um ou outro Um afago nos cabelos e os gestos valeram mais que mil Sejam só poucas palavras mesmo estando senil Devemos entregarmos porque fomos feitos um para o outro E se por algum motivo estivermos tristes com a vida É porque a mesma nos pregou alguma das suas rasteira E a outra pessoa sofre com o nosso sofrimento estando perdida Ao chorar as nossas lágrimas deve-se enxuga-las à primeira Tornando-se em ternura e então poderemos contar com ela Em qualquer momento da nossa vida como se fosse uma flor bela E em pensamento sentiremos o cheiro dessa pessoa Como se ela estivesse ali ao nosso lado espreitando pela janela E se acharmos essa pessoa a mais maravilhosa já que assim não nos magoa Será pelo contrário linda mesmo estando de pijama Nem que seja um pijama vermelho e chinelos de dedo De cabelos emaranhados basta que seja a nossa ama Para que nos dias que não conseguirmos trabalhar com medo De que percamos o direito ao dia ansiando pelo encontro Que será marcado para a noite e se não conseguirmos imaginar De qualquer maneira o futuro dessa mesma pessoa mesmo que seja um monstro Não sabendo viver sem a mesma ao seu lado para poder amar Mas se tivermos a certeza que conseguiremos ver a outra pessoa


Que vai envelhecendo ao nosso lado mesmo assim Continuaremos com a convicção que vamos ser loucos e nada nos mágoa, Já que ela se tornará para sempre a flor de um jardim E se preferimos fechar os olhos a veremos sempre linda Mesmo antes de vermos a outra pessoa partir por fim É que o amor tem destas partidas chegando à nossa vida Porque muitas pessoas se apaixonaram várias vezes Mas poucas amam ou encontram o seu verdadeiro amor E por vezes o encontram só que não prestam a devida atenção durante meses Ou mesmo anos devido aos sinais e deixam o seu amor passar com dor Não sabendo prova-lo e cheira-lo seguindo um novo rumo querida Mas se acontecer verdadeiramente e de livre – arbitro Por isso devemos prestar bem atenção a todos os sinais E não devemos deixar que as loucuras nos retirem o pio Já que o nosso dia-a-dia nos deixa cegos pelos finais Ao não conseguirmos ver a melhor coisa da vida o amor Porque amar é muito importante surgindo a cor E ao beijarmos alguém de quem gostamos de verdade Sem olharmos para trás mesmo que seja em pensamento Devemos passar à acção sem recearmos algum segundo dessa felicidade Para não perdemos o comboio desse mesmo chamamento Que nos poderá levar à estação do amor seguindo a linha Que nos conduz ao coração apaixonado saboreando o que lá continha “Não devemos deixar para o amanhã o que poderemos fazer hoje” Pois é assim também que dita a lei do amor a quem simplesmente ele foge…

Vouzela, 2005 / 09 / 20 ANTÓNIO CRUZ


“À CONVERSA COM UM AMIGO”

Enquanto mais penso nela a cada dia que passa Mais vou vendo como estava errado e sem massa Nesta minha existência vou vendo como preciso de amar Assim diz o meu coração para conseguir sobreviver sem parar Pois neste mundo que o tempo corre parecendo ter asas O meu universo tão complicado se tornou sem casas Neste mundo real só eu estou ficando cheio de amor Sendo ainda um simples jovem estando farto desta dor E tendo como companhia a minha velha solidão sem cor Pois todo o seu amor me transformou aos poucos E melhor dizendo (escrevendo) continua a me transformar A minha forma de ser em algo que nunca pensei sendo de loucos É que nem sequer sonhei que um dia assim a podia amar Porque sei que existia dentro de mim e isso é certo Mas estaria adormecido bem dentro de mim ou lá perto A sua beleza profunda vinda do seu nobre interior existindo a bondade Pois a sua bondade é enorme assim como a sua paciência Que abriram as portas do meu coração com toda a amizade Que já há muito se encontrava magoado sem explicação para a ciência E a união dos nossos corações deram asas ao amor Que por nós é sentido fazendo com que as nossas vidas ganhem cor Pintando o nosso corpo juntos com a paixão que vai crescendo em flor Pois tudo aquilo que sinto por si nem por palavras sequer comento Ou mesmo por gestos sou capaz de descrever este momento Talvez só o consiga em sonhos ou mesmo em pensamentos Serão pensamentos indescritíveis os que tenho com sentimentos É um ser tão especial para mim que não conseguirá sequer imaginar Ou mesmo ver o amor que sinto ao só a desejar e a querer amar Sendo ela a minha vida e simplesmente só ela É a donzela que há muito procurava na minha velha caravela E ao conseguir ver o amor por mares já navegados Só que o nevoeiro não me deixava conseguir encontrar os amados Que se encontra na via láctea para atingir a ilha do amor Pois só fiquei a saber que a mesma se encontrava sem cor E presa dentro de mim só que não sabia por bem Mas com a sua ajuda a minha cegueira se levantou também Agora consigo ver o quanto fui burro e cego no além Ao não atingir o porto seguro que há muito procurava Só que há muito junto a mim ele se encontrava E mesmo na minha frente só que nele não queria acreditar Já que era mesmo ela que me batia à porta sem parar Era a minha pobre donzela desta minha existência assim sempre o será -“Como fui um tolo Senhor, em não acreditar mas porque será”? -“Como fui burro em não esperar para crer no seu amor”! -“Como consegui ser tão ignorante nesta minha simples vida de dor”! -“Senhor, tu me deste a conhecer e eu simplesmente nele não acreditei”!


Das primeiras vezes foram precisas algumas bofetadas, mas recuperei A minha cara parecia um bombo pertencente a um senhor solitário Para ver como fui tão estúpido com ela no meu diário Pois a ajuda que eu tanto pedia tu me ofereceste Senhor Só que tudo o que sabia fazer era sempre para magoar E de tal maneira que o seu ser tão frágil que sentia dor Até quase ia perdendo o seu amor para comigo sem poder falar Hoje sei bem com a tua ajuda consegui que ela fosse a minha razão, Para a minha existência fazendo o meu coração bater de paixão E todo o meu carinho que pouco ou nada tive em criança Sendo ela a minha sereia perdida neste oceano de esperança Que a minha vida transfigurada e que se enche de paixão -É a gaivota que voa sobre a minha caravela nas ondas revoltas da solidão, É o rio ou mesmo o vento que sopra sobre a corrente Em direcção ao meu amor que andava perdido por falta da semente Mas que por fim consegui encontrar um novo ser -É a flor da minha vida e a alegria de hoje nisso pode querer E só assim consegui ser quem sou hoje com um novo poder -“Obrigado Senhor por me teres indicado esta nova esperança de vida”! Pois já era um sonho que andava perdido no silêncio sem a minha querida É que no silêncio da noite como companhia ela me guiou Fazendo com que me despertasse para este amor de hoje e não parou Sendo ela a flor de uma nova vida que tanto procurei -“Obrigado Senhor! Por me conduzires aquando era ignorante e Eu isso sei”! Ao pensar o que os outros iriam dizer ou mesmo pensar Nesta minha maneira de ser só queria era poder a amar -“Obrigado Senhor! Por me ofereceres tudo aquilo que mais desejava”! Pois era amar alguém e viver feliz no amor e sempre com isso sonhava Só te peço mais uma “pequena” coisa e que por favor me ajuda a alcança-lo Assim como sempre a conservar este amor e a poder partilha-lo Com o ser que mais amo me ajudando a não mais para-lo Pois não quero magoar o seu frágil mas um enorme coração Nesta nossa futura vida contigo presente Senhor em união Pois a amo neste momento mais que a minha própria vida Senhor E que já chega para mim viver na solidão desejando só o seu amor…

Silvalde, 1989 / 11 / 19 ANTÓNIO CRUZ


“ESPERO ENCONTRAR ALGÉM”

Aí meu Deus, meu Deus, isto parece um inferno Já que reina em mim uma enorme solidão Bate forte e bem forte talvez pareça estar Inverno E não saiba como explicar o que se passa no meu coração Talvez um dia o consiga fazer só que duvido um pouco Mas se encontrar alguém que o seja capaz então de o fazer Assim talvez consiga destruir esta solidão de louco E venha a preencher um lugar na minha vida como deve ser Uma espera que demora a aparecer não sabendo se resisto Mais algum tempo sequer em ter esperanças de encontrar Um coração jovem que me venha a salvar e nisso persisto Já que esta minha agonia insiste cada vez mais em ficar E ao mesmo tempo vai apertando o meu frágil coração Pois estive tão perto mas a minha ingenuidade continua Não me deixando ir mais alem nesta minha solidão Mesmo que a minha própria vontade resista bem crua Em chegar a encontrar o meu trilho certo nesta vida Mas uma certeza fica expressa que a minha vontade quer sempre tentar Vencer esta barreira que se ergueu ao estar bem escondida E se não procurar sei que não a encontro para a poder amar Já que o caminho que percorro como caminhante bem solitário Só tenho o dever de tentar a minha sorte para não ficar sozinho Talvez assim possa achar o caminho para o coração como um rio Mas será que este pobre caminhante conseguirá encontrar o seu caminho? Para achar um coração frágil como o meu ou a sua direcção Talvez o amanhecer me traga o novo horizonte que tanto anseio Por conseguir conquistar as suas muralhas com a felicidade em emoção E se não for o suficiente terei que navegar ou então seguir por outro meio Já que é preciso mesmo visto as águas estarem infestadas de piranhas Pois lá na estação depois de tanto esforço o meu objectivo terá um final Que há vinte anos me tem custado algumas dores de cabeça sem artimanhas E algumas noites perdidas por falta de sono à procura de um sinal Para descobrir qual a razão de não encontrar a liberdade do amor Para um jovem coração e que possa compreender esta minha alma Que é a de um pobre rapaz que por momentos chora de tristeza e dor Ao sentir-se um pouco rejeitado por um outro ser também sem ama Sendo tímido e inseguro para consigo mesmo sem alguma cor Pois este jovem não sabe como se conseguirá libertar Da sua prisão que lhe está a tirar a sua luz Depois de tanta demora a solução teima em não falar Já que o meu mal da solidão se encontra enraizado como minha cruz Mas a esperança nunca pode morrer e o meu ser Devo continuar a lutar para não poder morrer E deve ser como todas as minhas preces e forças com poderes Até encontrar alguém que me deseje e me liberte atempadamente


Se não morrerei enforcado nesta minha solidão sem afazeres Já que por falta de companhia se sente só desesperadamente Por não ter alguém ou esse mesmo alguém me quer ver de rastos Ao não ter um caminho para um novo coração que seja verdadeiro E que me possa consolar ou então ouvir a minha mágoa sem tratos Podendo assim me oferecer a força para sobreviver não tendo eu dinheiro E assim mostrar que posso ter ainda uma vida e um amor Atingindo a felicidade demonstrando como posso ser nobre Para com a minha “donzela” quando encontrar essa mesma “flor” Conseguindo atravessar sem perigos de me afundar por ser pobre Ao surgir alguma tempestade pelo meio e ser comido Por algumas piranhas que estejam à espreita de uma escorregadela Já que o barco de felicidade perece andar algo perdido Mas sendo mais forte que os perigos dos demais navegarei na minha caravela Onde está a minha coragem meu Deus? Em ser o seu capitão Que procuro energia para fazer essa viagem cheio de emoção Tentando atingir o meu caminho para a vitória com o coração Chegando a casa sem mais baixas de toda a minha tripulação Quanto a isso vou ficar à espera de encontrar então alguém com esta paixão…

Silvalde, 1988 / 03 / 02 ANTÓNIO CRUZ


“MINHA GAIVOTA”

Mari, nome de gaivota que paira no ar Sobre as ondas que se formam no mar Ao som das batidas do seu pequeno coração Perante o silencio dos céus em pleno voo de liberdade Sente os ventos marítimos nas asas com paixão E onde as rotas outrora cruzaram os navegadores sem idade Que nas suas naus partiram à procura de terras novas E onde a força do seu viver seria sempre uma aventura Pois um dia os nossos seres se encontraram nessas provas E a esperança depositada na margem do oceano é pura É um oceano cheio de vida que se ergue com o Sol Nas madrugadas do nosso dia-a-dia cheio de rock in rol O Sol que lá no horizonte vai deixando um rasto Perante a noite que chega em mais um dia por arrasto Que é sentido com mais força no nosso palpitar interior com lastro Gaivota que cruzas o azul do céu sem complexos És livre como a corrente das águas do oceano sem nexos Assim é o oceano desta vida que circula sem barreiras Mari, nome deste meu oceano que banha a minha vida sem fronteiras E da qual a minha existência com alegria surge cheia de paixão Tu ao seres a minha companhia és o sinal também que procuro sem maneiras Para um sentimento profundo de um amor proibido sem cura sendo gavião És a minha alegria de viver junto ao teu frágil coração Gritas como se o teu desejo avie-se do fundo do meu ser e que sensação Mas é o querer ao vencer as barreiras da minha existência Tu gaivota minha que voas pelo oceano dos infinitos com experiência E olhando pela minha janela vou sentindo o amor no ar Que vai crescendo por ti nesse bater de asas conseguindo me alegrar São como etapas da vida onde o amor que sinto é profundo Neste tempo perdido e a razão de viver chega a bater no fundo Mas no teu voo rasante sobre as velas do meu barco Ouço o teu grito à luz do Sol dizendo ao coração que está fraco -“Eu preciso de ti! O amor que nós pensamos está naquele lugar Que os nossos seres se entregaram e é preciso sempre recordar”! Gaivota, tu que me deixaste apaixonado pela tua liberdade E os teus olhos demonstram a loucura da minha vida com verdade Quando os fixas em mim, passando tudo a me parecer quer o dizer: -“Vai deixa a tua actual vida e parte então para com ela viver”! Mas bem lá no fundo algo grita bem no seu interior -“Calma porque nem tudo é fácil neste amor”! Pois a minha existência está bem complicada para alem de mais Sei que os teus lábios são a minha fonte de esperança Que um dia poderão ser só meus e nada mais reclamais Toda a minha permanência neste oceano da vida que navego sem lança Eles simplesmente me fascinam como um Sol sendo a minha razão


A razão de sentir e ver como são belos e carnudos, Como se fossem botões de rosas vermelhas “farfudos” Estando cheios de vida e alegria de assim o serem Mas todos estes meus “sonhos” são interrompidos por uma tempestade Que se levanta neste mar agitado basta assim o verem São ondas fortes que tentam rasgar as velas da nossa felicidade O meu barco ao som da corrente deste oceano navega Pois a vida quase que o desfaz e nele sempre escorrega E a paixão que sinto vou vendo no seu casco ser bem mais forte Para que qualquer iceberg nesta minha vontade de vencer com porte Assim como o amor que sinto tem razão para existir embora não o pense Não saio da janela de onde te vejo minha querida gaivota Vou vendo como te vais sentindo desprotegida provocando algo que te compense No meu ser sinto alguma liberdade que podes bater à minha porta Se precisares pois a minha vida grita para comigo: -“Sente o amor, sente o viver e abre a tua janela simplesmente Deixando entrar esse amor no teu “joven corazón” amigo Pois a vida é curta e deves a viver passo a passo livremente…

Santa Maria de Lamas, 1989 / 09 / 17 ANTÓNIO CRUZ


“PAIXÃO DO DESERTO”

O seu tem algo com o seu quê O qual me faz encontrar na sua forma de ser e não se vê Mas é simples e ao mesmo tempo é bela E apaixonado o meu ser se encontra acendendo a minha vela Vou me transformando num ser bem algo diferente De tudo aquilo que tenha surgido à minha frente Neta minha vida de cavaleiro solitário Todo o seu ser me fascina e isso escrevo neste meu diário, Seus cabelos macios me fazem lembrar as nuvens Num quente dia de Verão enquanto olho ao sermos jovens Seus olhos parecem duas luas em noites escuras Nos quais passeia todo o seu saber que nele procuras E que ser simples e bela ao mesmo tempo é difícil Mas no seu rosto está expresso algo puro mas ao mesmo tempo vil Um branco vai preenchendo o vazio da natureza Noélia, é um nome que faz correr os rios com a sua beleza Não existindo fronteiras no seu horizonte Para com o desconhecido num vale perdido sem ponte Talvez nasça em pleno deserto uma nova paixão, Fazendo reviver o amor dentro de um castelo assombrado pela solidão Onde a paixão será transportada pelo vento do Norte Até si soprando ainda para mais longe até chegar a morte Por entre as colinas do vale fronteiriço do desejo E a vontade querendo vencer todas as barreiras da vida com um beijo Assim como um rio que atravessa o pleno deserto com força Fazendo com que seja uma simples miragem em tempo real É a semente de um fruto proibido dando direito à forca Mas talvez um dia possa morder suavemente os seus lábios até ao seu final Pois desejo tocar e beijar seu corpo sem ferir o seu coração Todo o seu ser me faz lembrar a neve num pico de paixão Onde a altitude me é impossível tocar na sua bela forma É um doce presente mas, amargo e não sei por quem ela me toma Ao mesmo tempo que espero um dia a sua casca puder abrir Provando o seu sabor a lima – limão que me refresca a vida sem sorrir E quando me toca ou simplesmente olha para mim com surpresa Então todo o meu ser se sente atraído pela sua singela beleza O seu nome é difícil de se esquecer em toda esta existência Em que a humanidade tem reinado dentro de mim com paciência Após longas e difíceis batalhas internas vindas da parte do coração Em que o mesmo se tornou rei e senhor de si no reino da paixão E todos aqueles que querem fazer parte da minha vida Por isso só peço que me deixem ama-la em sonho como minha querida E que possa reconhecer ainda para além da nossa existência Neste nosso planeta azul mas sombrio e desértico sem paciência


Que o tempo transporta para lá das nossas emoções Pois assim será esta minha paixão muda e sem travessões Que vai caminhando o deserto da vida no seu encalço Mas seguindo em frente nem que seja de pé descalço.

São Paio de Oleiros, 1988 / 11 / 27 ANTÓNIO CRUZ


“CORAÇÃO DE ESPERANÇA”

Uma história que até parece do incrível Mas na realidade não passa de uma verdade Para a qual não me encontrava preparado e era bem visível Nem sequer concentrado para poder levar avante a mesma com felicidade Ou até chegar mesmo a conseguir a realizar Numa madrugada escura já em tempo de Inverno O Sol não se tinha posto ainda ao Nascente a clarear Uma jovem se senta à minha frente de olhar terno O seu nome me foi anunciado por uma outra jovem Pela qual se fazia então acompanhar nessa viagem Inês nome pequeno e simples ao mesmo tempo suave Como o mel me fez recordar a história de Portugal num voo de ave Só que em vez de rosas era o seu olhar simples e belo Que me demonstrava o seu grande significado com amor Um amor que podia ali estar sem que eu desse pela seu chamar O amanhecer se descobre com uma vista para a Serra Carregada de neve branca e gelada lá ao longe naquela terra Se avistava também um imenso manto branco sobre as rochas Que cobriam as mesmas notando-se num espectáculo bonito Ao se ver assim o retracto da natureza cheia de manchas Uma natureza viva entre curvas e contra curvas parecendo um mito Na qual se fazia adivinhar qual o terreno que poderíamos pisar Era a beleza da Serra da Estrela em si nos poderíamos apaixonar Nessa paisagem existia um ser que nela deslizava brincando Entre complexas rizadas se confundindo o seu sorriso também me alegrando Com os raios de Sol que bem lá no alto do céu azul espreitando Parecia se desviar das nuvens brancas iluminando toda a beleza paisagística E também o belo ser que a cada passo dava como uma estrela artística Ao meu encontro me ia tocando algo no interior do meu ser Transmitindo uma felicidade ficando registado em mim sem querer Como se os meus olhos fossem uma maquina fotográfica a cada passo Que por si era dado então ia batendo foto atrás de foto sem compasso Era talvez um poema de amor escrito nesse preciso momento Que então o meu coração pulava de energia nunca antes sentida E obtinha uma esperança que de que tinha chegado a esse sentimento Era a hora “H” ou seria uma simples ilusão bem pedida Que ao mesmo tempo circulava à velocidade da luz Assim parecia acontecer mas a noite depressa pesava na minha cruz Depressa ia chegando que por entre algumas palavras Uma paixão que por si só tinha sido revelada E ao mesmo tempo relatada por um ser não tendo as suas escravas Procurando obter a liberdade no amor um dia sendo ela a sua amada Assim se assemelhava a uma glória em dia de São Valentim E os anjos cantavam alegres canções sem terem um fim Ao imensos enamorados desse mesmo dia vagueando pelo jardim


Com muita alegria eu fiquei E do seu beijo sempre recordarei Com um gosto e um gesto me alegrei E de uma certeza com a qual sempre sonhei Mas será que esta realidade chegará a uma certeza? Ou será que não passará de um simples engano com beleza? Estas serão questões para um dia quem sabe as tirar Ou mesmo alguma conclusão de como a saber então amar…

Lourosa, 1987 / 02 / 15 ANTÓNIO CRUZ


“ROSA SEM ESPINHOS”

Como um pássaro azul procura através do céu A sua fonte de sobrevivência assim minha alma usa um véu Pois espera desta vida um dia encontrar o verdadeiro amor E como numa noite de Lua cheia o céu fica claro mas sem cor A minha vida neste momento também assim parece estar Talvez seja a luz que Deus me tenha enviado para poder amar E como sinal para abrir o caminho nesta minha vida Que ainda sou ignorante e virgem que vai esperando por uma alma querida Uma alma que parta de alguém para que me possa indicar Onde termina o fim de tanta solidão que me fez calar E quase como um pirilampo meu coração se abre e fecha Sem compreensão à espera de uns lábios doces e mágicos como uma flecha Pois assim também eles se agitam como as asas da liberdade O meu sentimento pelos seus versos rosados que lembram a amizade E ao sair da sua boca sensual são como uma bonita canção Os seus cabelos se parecem com as velas dos moinhos em furacão Que se vão movendo ao sabor do vento levando a água da corrente do amor Seus olhos são como duas luas brilhantes numa noite com cor Que vão iluminando o meu coração nos simples fragmentos da paixão Como numa noite de Primavera ao sentir a noite escura elevando a minha pulsação E como seda a sua pele se abria para receber um carinho meu Desejando beijar todo aquele corpo com uma simples lentidão também desejo seu Saboreando todo como se fosse um puzzle feiro através do amor Amor esse que como uma fortaleza se vai libertando da dor Ao tornar a minha vida carregada de forças sobre humanas Assim meu corpo como uma fornalha vai sendo aquecido pelas duas “manas” Pois o Sol numa tarde de Verão a quarenta graus mesmo debaixo de uma palmeira Nos fazia suar sem nunca nós limparmos a nossa pobre viseira Como um leão eu ia defendendo o meu amor para com o seu ser Que me vai alimentando nesta minha felicidade ainda cheia de inocência Mas o seu coração sendo a fonte da minha água viva que perdia a paciência Seguindo com a minha égua alada por entre os vales e colinas de areia Em pleno deserto olhando o céu procurava descobrir a sua travessia Porque na liberdade queria viver esta nossa louca paixão E perder a inocência ao viver um novo reinado dos céus com prontidão Esta seria uma história daquelas para ser contada à lareira Ou então antes das crianças adormecerem à primeira Assim poderiam sonhar com a sua princesa o com o seu príncipe encantado É algo inimaginável pois são belos os segredos da paixão ao ser amado Onde tudo se torna secreto e quando relembro esses momentos Que passamos juntos nas colinas da praia ou num banco de jardim sem julgamentos Penso onde terei errado neste universo cheio de paixão Que nos rodeava sem receios de sermos descobertos e sem precaução Por entre a neblina como cobertura nossa cheios de desejo


Nossa liberdade era posta a descoberto bastando um simples beijo E por isso chego algumas vezes a dizer a mim mesmo com carinhos -“Não deixes de colher uma Rosa por ela ter alguns espinhos”!...

Anta, 1988 / 06 / 13 ANTÓNIO CRUZ


“UM GRITO DE AMOR”

Como um murmúrio teu nome é proclamado sem ira E vai batendo alegremente num pobre coração Ao som das ondas do teu belo corpo que suspira Madalena é um nome que faz dele um sindroma da paixão Que se vai revelando e ao mesmo tempo se descobrindo Onde um novo sentimento comum cheio de ilusão E quando se gosta de um outro ser está nele confirmado Que tudo vai ao encontro do verdadeiro amor Em nome de uma profecia e da liberdade ao ser amada Por um jovem em busca da sua existência com dor Procurando descobrir a sua razão e erguendo a sua espada Vai lutando para poder ser livre e viver com algum amor Numa janela tu olhas o céu escuro da noite E a brisa que passa por entre os teus cabelos é suave Assim como as asas das borboletas voando com afoite Teu corpo é como uma ilha à espera de um sobrevivente do Ave Em que a nau da vida pela tempestade se fez naufragar Fazendo que o mesmo ser seja levado pela maré Até as tuas areias sonhando em saber como te amar E que na tua ilha percorre o seu trilho pelo seu pé Nessa ilha em que um vale se ergue esplendorosamente Por entre duas montanhas perfeitas existindo um só caminho Que vai dar ao vulcão adormecido esperando o amor atentamente E que a nossa união poderá fazer o seu despertar com carinho Ao entrar em estado de erupção esperando um sacrifício Para que verta a sua lava cheia de amor como vicio O teu corpo é um rio onde corre as águas da paixão Sem ter um fim enquanto os teus lábios são a fonte do amor E neles se forma a vida como um perfume que atrai o coração Assim este ser se sente perdido sem saber o que fazer com ardor Já que o meu ser só deseja banhar-se no teu oceano puro E poder abraçar a tua ilha e ao mesmo tempo gritar Chamando a si a paixão derrubando aquele tal muro Porque só penso em te amar e porque não hoje ao jantar? És a única flor de jardim por entre tantas outras que abundam Nas ilhas mais próximas que me fez desejar a tua ilha Onde tu conseguiste ser para este naufrago só preciso que me entendam Pois serás a minha salvação me livrando da âncora minha “filha” Já que está pensando no meu pobre coração algo perdido Sendo tu a mais bela das ilhas por entre tantas outras Que neste paraíso que abundam sem que deixes de ser cobiçada estando ferido É que outros náufragos da mesma nau, já que tu és como poucas Pois não deixarão de tentar um dia poderem colher a tua flor Onde o amor está expresso tendo eu essa mesma esperança


Que um dia só tenhas olhos para mim assim vou esperando com amor Para isso tentarei vencer as forças contrárias tendo a tua aliança Elas são como as correntes marítimas nem que para isso seja preciso lutar Contra um universo de pirataria só preciso que me queiras amar Só assim o amor triunfará sobre todos os outros oceanos Que tentem deter a força de dois corações bem unidos Superando tudo e todos mesmo sangrando mas sempre nos amando-nos Até que a alegria nos fará gritar pelo amor sem estarmos perdidos Vencendo mais uma vez a revolta do passado simplesmente E a onda da paixão não deixará de ser vencedora Já que só assim, este naufrago da nau do amor viverá livremente O seu futuro risonho fazendo também com que o vulcão que tanto adora Desperte do seu sono para a verdadeira e única paixão Gritando em voz bem alta no cume da sua ilha “viva o amor do meu coração”!

Nogueira da Regedoura, 1986 / 04 / 10 ANTÓNIO CRUZ


“HOQUEI DO AMOR”

Já não sei o que se passa mas algo me está deixando baralhado Pois de stick na mão e de saco ao ombro carregado Parto para mais um jogo que se irá realizar em Lousada Durante a viagem vou pensando no que lá vou encontrar É uma pessoa e que a mesma está à minha espera como namorada A minha cabeça parece que vai explodir sem parar Antes da minha partida uma chamada é efectuada E só de pensar no que me pode vir a acontecer q qualquer momento Depressa o meu coração se desfaz em tormento Com o aproximar da hora cada vez mais é mais forte Nas minhas batidas cardíacas só de nela pensar Já não consigo disfarçar perante todo o grupo até sinto a morte Ao seguir dentro do mesmo autocarro só pensam em jogar E o que os meus sentimentos ditam por quem lá se encontra São fortes demais para o conseguir então disfarçar Quando chego lá e me sento ao seu lado tipo montra Sinto uma enorme alegria parecendo estar no paraíso Onde as nuvens passam desenhando enormes corações Um beijo é pedido e logo retribuído com fulgor faltando o juízo Encostando a minha cabeça ao seu corpo sinto as varias emoções Vou entrando em estado de “coma” sem sequer o saber Seus lábios são a minha fonte de esperança e o meu querer Onde me apetece matar a minha sede sentindo um enorme prazer Pois poucos são os nossos momentos sozinhos até o jogo começar Tento apreciar todos os seus encantos segundo a segundo Não querendo perder tempo só penso em a poder amar Seus olhos cor de mel são como estrelas me iluminando Assim como iluminam as nossas noites de Verão Sendo curta a nossa vida só temos que aproveita-la ao segundo Pois é esta a nossa verdadeira paixão vinda de dentro do coração É também a semente do meu ser que vai sendo germinada aos poucos Assim vai crescendo ao som da canção que alegremente É cantada como um hino aos nossos corações de jovens loucos Mas que se encontram apaixonados sentindo-se bem livremente Meu Deus, só peço que me deixes ficar mais um bocadinho, Podendo regalar este meu amor e o que ela vai sentindo por mim E que possa ser esse o nosso destino ao estarmos unidos em carinho Também que a paixão do nossos corações não conheçam o fim Pois os mesmos se encontram em fogo ardente e com prazer Tudo isto me está parecendo cada vez mais um jardim E cada semana que passa vai deixando marcas no meu ser Assim como ideias fixas que nem outros amores me despertaram Essa vontade de querer estar sempre ao pé de si me vai falando e eu ouvindo Com ela aprendi a respeitar a vida daqueles que se sacrificaram


Com tudo e todos por um amor verdadeiro e não estou fingindo Pois tudo isto não merece ter um fim neste nosso amor Como uma história verdadeira deve ser escrita ao pormenor Já que conta com a mistura do amor de dois jovens seres apaixonados Que querem juntos transportar a paz aos seus corações em felicidade Embora a distancia que nos separa seja longa mesmo assim lançamos os dados Mas através de autocarro ou mesmo de comboio se torna curta inter cidade Nem que seja por algumas horas pois é bem real esta nossa amizade É que nem toda a rocha mais dura ou mesmo uma tempestade Fará quebrar este nosso amor que nós sentimos com realidade Nem mesmo uma tempestade tropical das mais violentas nos afastará Ao levar os nossos sentimentos para bem longe de nós minha flor de Lousada Estando eu dentro de campo jogando ou sentado no banco nada se passará A não ser a questão de não deixar de pensar nos momentos com a minha amada Já que os momentos que passamos juntos são como uma relíquia Porque são poucos mas são bem reais que nos leva ao limite do prazer Cláudia, tu está mudando a minha vida neste meu dia-a-dia E neste universo em que está em jogo a paixão não desejo morrer Já que fazes parte do meu mundo real e que juntos poderemos transformar A nossa ilha com vida ao vivermos num paraíso de amor Tornando esta paixão com sentido fazendo com consigamos ainda mandar Nos nossos corações e que eles sintam a vontade de amor sem receber a dor Já que se está transformando num amor louco como dizem alguns jogadores Principalmente os mais velhos, que me fazem compreenderem que estou ficando maluco E quando o Sol de Verão nos une sobre a onda da paixão com adores Vai fazendo com que consigamos levar avante este nosso amor quase louco Sobre uma prancha de surf entre os raios solares penetrando nos nossos corações Enchendo de vida os nossos jovens seres de todas as emoções das paixões Hoje não fui convocado para jogar mas a minha vontade foi mais forte Foi bem mais forte que eu e o meu coração me levou até junto de ti, Apenas quero tocar na tua boca e dizer-te que te amo até à morte Estando o meu pobre coração dividido mas sempre sorri Já que entre o hóquei e o teu amor não tenho escolha E simplesmente quero segurar se for necessário o amarrar Os nossos corpos para sempre isso escrevo nesta folha Pois nesta minha vida de viajante só penso em poder amar E entre Espinho e a terra que te é querida Lousada Mas será só paixão ou também amor? Tudo isto durará até quando minha amada?

Lousada, 1984 / 06 / 14 ANTÓNIO CRUZ


“AMOR À PRIMEIRA VISTA”

Não sabia o teu nome e de onde vinhas tu Nem sequer sabia para onde ias tu Pois a única coisa que sei é que era noite de Lua Cheia E que tu te encontravas ao pé de mim Tudo o resto são coisas banais de meia Para mim o importante foi a luz pelo fim Que dos teus olhos brilhantes saia por momentos A mesma me fez ficar então cego Por um tempo indeterminado com sentimentos Meu coração se desmoronou como um lego Pois só a tua presença física me tocou Dando um novo alento à minha solidão Que já algum tempo a mim se colou E se vinha prolongando com a falta de paixão Tudo foi muito rápido o que me aconteceu Desde que vi o teu corpo sensual bailando Na pista de dança entre a música do céu Aplausos se ouviam em teu redor e ias dançando Também sei o que lamentei nesse preciso momento Por não saber dançar e assim fiquei a perder Foi quase tudo o que tinha como sentimento Mas no fundo o que perdia era a tua alegria de ser E a sabedoria de um bailar por acréscimo Onde em ti não existia nenhuma canseira O melhor que posso dizer é que não chego ao cimo Onde tu rodopiavas já em plena pista à primeira E no teu rodopiar os teus cabelos esvoaçavam Como as ondas se desfazem nas areias da praia Mas como me soube bem imaginar as imagens em que esvoaçavam Como as velas ao vento pelas ondas de maia Ao som da música que paira no ar Só que o teu olhar de mulher fatal Naquele preciso momento se cruzou sem parar Com o meu me fascinando de uma forma que tal Que quase ia tendo um ataque cardíaco E que me levava a acreditar ainda no amor Pois tudo aquilo que tinha acabado de ver me pôs maníaco Era um sentimento muito forte que me fixou provocando dor Como um raio saindo de entre os nossos olhares mútuo Tu sabes bem que agora apenas desejo te amar Desde esse dia que só desejo que sejamos um só duo E que seja um amor sem barreiras e sem falhar Que as mesmas barreiras não possam nos distanciar Pois o nascer de um novo dia se aproxima E eu continuo na incerteza de saber se vou conseguir


Te ter um dia apenas para mim e assim rima Já que vais continuando a bailar todos os dias a seguir Na mesma pista e sempre com a mesma disposição Sem saber o que fizer fico sentado ao balcão Vou te vendo nesse teu rodopiar cheio de graça E sem que tu te apercebas o meu coração bate com força Talvez com mais esperança de um beijo teu sem desgraça Mesmo que um dia tu não voltes a pisar a tua “pista” com torça Onde danças sem vertigens não o vou esquecer como numa revista Pois todos os teus movimentos são executados à artista Cheios de sensualidade bailando ao som da música nesse teu querer Que passa com muita energia e a mesma transmite Uma felicidade de liberdade causando um elo desse teu viver Entre os teus movimentos e as notas musicais que imite E nem que eu um dia apanhe o autocarro do amor E siga até à tua paragem só para te ver Tentando conseguir ganhar coragem para assumir a minha dor Uma dor que sinto por obter um compromisso teu do meu bem-querer É que tu estando sozinha comigo talvez me possas ensinar Passo a passo de cada movimento teu não limitado Que é executado na dança de união ao saber amar Sem perder o ritmo entre cada ser ao ser amado Fazendo com que o mesmo tenha sentido para nós Sendo o famoso elo de ligação que possa surgir Numa louca paixão que pode ser feita em nós Mas como lamento na realidade não ter a coragem estando sempre a fugir Queria tanto ter coragem suficiente para o teu ser abeirar E declara-me do fundo do meu coração, o quanto estou apaixonado Pelo teu espírito alegre e cheio de energia desejando te amar Pois tudo isto é o resultado de um simples “bem amado” Que num cruzar de olhos surgiu na minha vida Em que um novo amor à primeira vista ficou E agora como me dói o coração por ti querida Dói-me o coração a valer pois ele se apaixonou Só tenho pena de não saber dançar como tu Minha semente das paixões está cheia de fulgor Que em tempo de espera pode ser colhida estando ainda bem cru Só desejo nestas palavras de amor à primeira vista receber a tua flor…

Mozelos, 2000 / 11 / 16 ANTÓNIO CRUZ


“O SER QUE ME CONQUISTOU ”

Florbela nome que cada vez mais se vai mostrando O mais intimo ao meu ser e se revelando na minha alegria Nome da pessoa que o meu ser tenta agarrar estando determinado Com a sua vontade própria e que quero conquistar com alguma mestria Pois o meu amor por si é cada vez mais forte e sem o saber Já que o meu ser sente vontade de fechar esse ser tendo-o só para si Pois o meu coração querer mostrar a sua vontade e o seu querer É uma vontade de amar muito grande a que eu escolhi Ao dar e poder receber o seu carinho nesta minha vida E desejando fugir para uma ilha deserta para os nossos seres Onde sozinhos a poderemos habitar na sua bonita praia perdida As suas areias se tornaram num imenso oceano de partículas basta quereres Já essas partículas minúsculas serão gotas de beijos dados Nas nossas noites de Lua brilhante e o nosso amor se tornará A única razão do nosso viver basta lançarmos os dados Partilhando os nossos corpos num louco amor que se fundará Uma paixão que nos levará à exaustão neste nosso pecado Ao derrubarmos a barreira dos sentimentos sendo os mesmos demonstrados Numa aliança vencedora que será sempre difícil não ser amado Porque a nossa tarefa será então viver em paixão ao sermos amados E a minha sede de a ter junto a mim vai crescendo aos poucos Se tornando cada vez mais difícil essa mesma barreira de suportar É enorme a minha vontade de sentir os nossos corações loucos O teu palpitar no meu ouvido ouço como se fossem batidas de música sem parar E essa música sendo bem romântica faz em mim estalar As grades da solidão enquanto fazemos amor sem parar Num colchão cheio de flores perfumadas com o teu cheiro Que tão doce é vindo da tua pele e que me faz perder a cabeça Quando me beijas os teus lábios são a fonte do meu querer sem receio De que esteja junto a mim para todo o sempre e que nada me o impeça E sem que alguém ou alguma coisa seja capaz de nos separar Naquele momento que sinto a sua boca húmida e cheia de paixão A sua língua vai tocando na minha e o meu ser se desfaz sem parar E todos os meus bocados vão caindo com a esperança viva no meu coração Só desejo que sejas minha e em breve sejas a minha esposa Os teus seios são a minha alegria ao poder saborear os seus bicos macios São como o mel de uma colmeia deserta que a minha boca se cola como esponja És de um gosto para a minha vida simples mas bem pura De uma beleza inconfundível onde posso encontrar a minha cura Pois todo o seu corpo e a tua forma de ser são de uma maneira única E que está transformando num egoísta e dos piores com loucura A minha vontade se está transformando cada vez mais em cínica E isso é cada vez mais forte que eu só desejando a união Entre os nossos seres numa vida em conjunto com a partilha De todos os nossos problemas numa inter ajuda com a paixão


Que nos coloca a resolução dos mesmos, mesmo perante a gravilha Será uma quebra no nosso viver sozinhos juntando os nossos trapinhos Para uma viagem em volta das nossas vidas cheias de solidão pelos caminhos Passando a serem bem diferentes ao estarem para todo o sempre unidas O meu desejo de poder agarrar o teu belo ser com alegria Podendo te levar para um lugar onde possas estar só comigo Desfrutando do teu amor e do teu carinho no nosso dia-a-dia É assim que eu te desejo e te amo cada vez mais como amigo Já que te quero para uma vida em comum e cheia de palpitar Pois o mesmo é forte e cheio de alegria podendo te abraçar Beijando o teu corpo e ao mesmo tempo fazendo amor Teu nome nunca será então esquecido por mim Estando gravado no meu coração afastando de mim a dor Como sinal de esperança desejando cuidar do teu jardim Sentindo sempre a vontade que em breve sejas a minha mulher Por isso vou ter que lutar sempre com amor e assim te poderei ter e vencer…

São Paio de Oleiros, 1989 / 05 / 27 ANTÓNIO CRUZ


“NÃO TE QUERO MAGOAR”

Será que continuo a magoar o teu frágil coração? Tudo isso me deixa muito preocupado Pois todo o meu ser se revolta perante tal situação Já não sei mais o que fazer por ti meu ser amado Tudo parece perdido quando saio da tua companhia E tu me pareces ficar magoada e sem sentido Pelo caminho no meu regresso a casa neste dia Minha mente se vai lembrando que estou perdido Mas o que levou a mostrar essa tua tristeza Será que a minha maneira de ser confuso Ou estás confusa com alguma coisa sem certeza Terei feito algo de errado ou dito mas nada disso eu uso Pois para mim também me parece tudo confuso por ora Penso e torno a pensar e vejo que nada sei Se estou a ser correcto para com o teu coração agora Pergunto algumas vezes se não sou correcto e que farei Para que o teu coração não chorar já que não te quero a sofrer Agora sei que não conseguirei viver sem o teu amor Pois toda a minha vida está sendo modificada pelo teu ser E aos poucos o meu amor vai mostrando alguma cor Só quero sentir o teu coração feliz por me amar Já que nunca pensei a vir a sentir desta forma o amor Vais conseguindo que eu mesmo seja feliz por te amar sem pensar E ao mesmo tempo consegues me mostrar a força do teu ser Já que só sei ser duro para com a vida desde muito petiz Porque vivi com dificuldades perdendo terreno e forma de ser Assim como a vontade de ser aberto podendo ser então feliz Esta minha forma de agir se vai modificando aos poucos E quando alguém me diz que contigo vou casar Meu coração se enche de alegria pensando que são todos loucos Na minha mente se revela a força do te querer sempre amar Só querendo também ver isso de perto tendo a vontade de o sentir Num amor em união com os nossos seres então bem apaixonados Mas tudo isto parece querer desaparecer ou mesmo fugir Talvez por isso sinta que não estás contente nesses teus olhos vidrados Algo se passa nos meus miolos ficando sempre matutando Durante a noite até que me surja alguma ideia por sua vez E quando surge tento modificar conforme estou então pensando Tudo o que eu quero é não te fazer sofrer mais nenhuma vez E essas mesmas atitudes vou tentando modificar por completo, Ou as palavras que por mim foram ditas sem então pensar, E que te possam levar a ficares magoada não sendo o mais correcto Pois aquilo que mais desejo é não te ferir querendo só te amar Assim esse teu coração frágil porque para mim tu és tudo E tudo o que desejo é cada vez mais forte sentido em desejo


Pois que um dia possa estar sempre junto a ti estando ainda mudo É que esta vida só me ensinou a ter mágoas mas de ti quero um beijo Um beijo como sinal de união e partilha do meu amor É que ainda sinto uma terrível tempestade dentro do meu ser E já vi o meu amor se transformando num vendaval de dor Sem limite de duração nesta minha vida cheio de sofrer Só que por ora pretendo atingir a meta da união Em que as nossas vidas consigam alcançar a vitória Uma vitória triunfal sem que as barreiras atrapalhem a paixão Ou nos possam afastar com orgulho um do outro nesta história Só que tudo isto me leva por vezes a sentir Como se o meu ser tivesse liberdade de amar teu ser Por um território neutro onde a paixão pode simplesmente florir Talvez seja mais a vontade de te amar como deve de ser Pois assim talvez a mesma transforme o duro que sou Num pessoa frágil sendo essa a tua única vontade Deixando definitivamente de magoar o teu frágil coração que se apaixonou E que essa mesma transformação me leve a te agradar com felicidade Sendo um novo ser onde o amor em mim será mais forte Sentindo por ti o que não tinha sentido ainda por mais alguém Mas tudo será um dia revelado seguindo para o Norte Com o nosso amor como aliado à vontade de ir mais além Querendo sempre vencer as barreiras e faça transparecer a união Perante todos que nada nos fará separar os nossos corações Pois tudo é fruto do nosso amor que então nos leva à paixão Aí diremos que nada é mais forte que nós neste universo em orações Tudo um dia gostaria de sentir no teu rosto um sorriso Que no horizonte deste oceano da vida se revela a nossa fonte De onde jorra o nosso amor para ser mais preciso Mas porque será, sinto por ora que ando sempre a monte?...

Silvalde, 1989 / 02 / 12 ANTÓNIO CRUZ


“VIDA SÓ CONTIGO”

Toda a minha vida é uma corrida infernal Na qual tento atingir uma meta no seu final Procurando um jardim a existência nele da felicidade A vida é um carrossel onde os meus sentimentos não têm igualdade Vão girando como uma simples bola feita de cristal Pois os meus sentimentos precisam de encontrar o ponto cardinal E assim também precisam de viver o dia após dia Para que o meu ser possa recolher o amor que tanto pedia Um amor que tanto espero ainda alcançar nesta minha luta Que se tornou diária num universo desconhecido sem truta É um sentimento profundo nesta minha vida que me leva à loucura Neste mundo cheio de falsas ilusões faltando ainda a visão pura É um amor que se descobre numa louca paixão Como o Sol Nascente a minha procura termina em tufão Procurei sempre encontrar uma vida em conjunto com outro ser E neste meu sentimento existe uma espera que vou querer Para que minuto a minuto a mesma possa crescer Cada vez mais no bater do meu pobre coração Por um momento neste meu tempo descobri a paixão Já que o meu coração se abriu para a sua vida E ela em mim entrou como se fosse um sonho Um sonho bem longo mas feliz ao qual não me oponho Para que nesta minha existência sem eternidade Não possa acabar nunca sem conhecer a felicidade Deitado vou pensando como podemos ser então felizes Nem que para isso tenha que ir a Moscovo enterrar as raízes Já que vou descobrindo a nossa vitória neste nosso amor Tendo sido toda a minha vida uma mentira provocando muita dor Mas a mentira se vai acabando aos poucos com o seu amor Já que o mesmo me está ajudando a recuperar a minha cor Sinto em si e nos seus olhos encontrei algo de novo Algo que nunca antes tinha encontrado pelo meio do povo Seu coração às escondidas vai simplesmente brincando Com o meu já que ele te vai pedindo carinho e chorando Há muito que estava necessitado ao esperar o amor Pois neste meu universo só consegui receber a dor Por isso mesmo vai depositando aquilo que mais ama Assim vou pulando de alegria nesta minha pequena cama Porque consegui descobrir de novo a minha vida Que há muito no interior do meu ser estava perdida É um sentimento de luz o que eu sinto por ora E que os nossos corações desejam na sua semelhança agora Quando a chama se vai propagando dentro dos nossos seres Meu peito se abre todo à alegria de sentir fluir esses mesmos poderes Que em meu ser o amor já ocupou um lugar


Em nossas vidas e que o seu universo já não quer parar Pois assim o desejo para todo o sempre também conquistar Ao vivermos com a esperança que o mesmo não se deixe de notar Fazendo uma aliança nesta nossa existência na Terra A vida é um universo de sentimentos que se unem como uma Serra Num amor que nos faz sentir fluir uma grande paixão Que vai vagueando bem devagar pelo frágil coração E na vida existe um amor infinito em toda a sua existência Assim a minha está segura só pelo teu amor por favor têm paciência Pois o amor é o fruto da vitória sobre as barreiras do mal O qual na união dos nossos corações conseguem chegar à final Também poderemos prevalecer essa força que nos une Ao sentirmos que seremos os mais fortes em tudo mais que não se resume Basta um simples beijo da tua boca suave e gostosa Para me fazer lembrar como tu és bela e atenciosa Isso se resume no amor que tenho por ti parecendo um furacão Ao esperar que receba da tua parte o teu nobre coração A vida é a união dos nossos sentimentos que formam um conjunto belo É que o amor espera pela compreensão dos nossos seres e preciso também vê-lo Em que a tua existência significa muito para mim sendo tu um fruto Pois preciso de me alimentar com toda a vontade de viver contigo sem produto Ao partilhar o nosso amor pois para mim és linda tanto no exterior como interior Os teus olhos parecem como os das bonecas sendo as estrelas da minha dor Tua luz espreito pela janela do teu quarto com toda a minha ternura, Enches o meu céu com alegria que percorre este rio da vida em aventura Pois o mesmo vai desaguar ao oceano da partilha e da paixão Como gotas da chuva que vão aumentando ao chegar perto do coração E que vai matando a nossa cede de viver num só ser um dia Assim como se o teu rosto um dia se apagar da minha memória isso não queria. Mas se isso acontecer será simplesmente o meu fim Não sei o que será da minha vida se for assim O teu amor não quero deixar escapar ou que o mesmo se apague Pois preciso de me sentir vivo e nisso talvez me alargue Resumindo a minha vida sem ti não existe “Meu Amor”! E disso tu podes ter a certeza por favor me liberta desta minha dor!...

Silvalde, 1989 /11 / 16 ANTÓNIO CRUZ


“VIDA DE MERDA”

Passam-se coisas em mim que me transformam Sinto o meu sangue fervilhar em tremenda confusão E uma certa agitação reconheço como as mesmas me marcam, Ou será a minha marca de carência perdida na solidão? Mesmo assim sinto um desejo estando à beira dum precipício Com uma vontade louca de me atirar desde o seu inicio Tenho a certeza que ao acordar deste meu pesadelo Que qualquer coisa me vai acontecer ou nada sem um modelo Mas vou esperar durante o resto do dia que vai decorrer Sendo uma exaltação a que sinto dentro do meu ser Se eu puser uma faca debaixo do colchão não a consigo atingir Atingir sequer uma erecção ao pensar na vida sem dela fugir Pois a mesma está sobre o fio da navalha não conseguindo sequer dormir Porra! Nem acredito que estou nas lonas mais uma vez Sem uma ponta de chavo para poder sequer comprar cigarros Tudo isto porque sou um idiota e não desejando ser uma outra vez Cá fora a erva cheira a madeira húmida ou mesmo a charros Devido ao facto de chover continuadamente mas que cheiro As árvores com muitos anos de vida principalmente a do dinheiro É de uma envergadura enorme vai bailando ao vento num ritmo constante É o bailado da natureza apesar de belo me é frustrante O som das águas no rio “invisível” por debaixo das silvas Que crescem sem temor algum numa liberdade com os vivas O negro dos melros contrastando com o amarelo dos seus bicos É uma visão deslumbrante estranhando-se pelo meio dos picos O ar que banha a minha face me faz sentir ainda vivo É tudo um sentimento absoluto ao estar sozinho neste mundo esquivo Onde para a minha alegria de viver? Será que se encontra escondida algures? Os meus olhos se abrem mas isso nada significa coisa alguma Não sei porque o meu coração palpita num bater constante sem rumores Sempre que me encontro na beira do precipício perante coisa nenhuma Procuro um sinal para uma nova esperança de um novo dia A única coisa que sei é que quando surge uma nova oportunidade Não a devia de perder porque começo a perder a minha alegria E como diz o velho ditado quando falta a felicidade -“Não deixes para o amanhã o que podes fazer hoje”! Ou ainda –“Mais vale um pássaro na mão que dois a voar”! Mas a humilhação anda atrás de mim e não foge Desde o principio que como um idiota me sinto sem parar Por vezes chego a parecer um “cão” rastejando Por um naco de pão que vou pedindo ou mesmo “farejando” Tudo isto é apenas um resumo da minha vida “uma vida de merda”! As luzes da ribalta nunca foram para mim sem nenhuma perda Apenas sinto uma grande revolta interior por ser tão burro


Ou por ter tido esta vida de “cão” e andar sempre ao murro Já não tenho esperança de mais nada que Deus me perdoe Mas tudo isto é simplesmente uma “merda” e não sou nenhum “G.I. Joe”

Mozelos, 2000 / 10 / 01 ANTÓNIO CRUZ


“A CARTA PERDIDA”

Estou pensando no teu ser aqui e agora A minha mente se parece esquecer do local Ou do tempo que corre neste momento por ora Todo o meu ser se transforma em algo formal Que já não o sentia dentro do meu corpo por querer Sim é verdade quando dizes que apareces no meu sonho Sonhos, esses que muito me fazem sentir o teu bem-querer Assim como o meu amor por ti me faz viver onde os ponho É dentro do meu ser que tu estarás sempre presente E que nesta minha curta existência possa viver o teu amor Pois és a flor do meu viver e da minha existência a sua semente A força do meu querer como esperança para a minha dor Tenho em mim a vontade de um dia sermos um só ser Também o direi sempre que contigo saberei então viver Se um dia me faltares deixarei então o meu coração morrer Mas tudo isso não poderá ser a verdade deste meu querer É que viver sem ti um dia será duro e muito difícil O corte desta corrente que nos une para mim seria simplesmente fatal Assim como esquecer algo tão belo destas nossas vidas seria também vil A nossa vida nos faz sentir e partilhar o amor até ao final É que ela não se vê e não é algum fruto da minha imaginação Mas sim a vontade do meu querer continuar neste caminho Um caminho percorrido pelos nossos corações sem formação Simplesmente os mesmos esperam que se dê um fruto e com carinho Um fruto que as nossas vidas procuram em partilha conquistar Pois todo o teu ser foi ganhando terreno em mim E lá no fundo os sonhos perdidos no tempo se revelam no amar Como um amor maduro meu ser procura o teu fruto proibido no jardim, O mesmo se mostra em esperanças para qualquer dia que passa E qualquer dia abro os olhos e vou ver os teus cabelos espalhados Pelo meu corpo sentindo o teu perfume enrolando em mim como a massa Olhando os teus olhos sentirei o teu coração bater como o dos seres amados Será um bater bem forte que na minha vida simplesmente pode tocar Assim como os teus lábios tocam no seu beijar de boca suave Por vezes meu ser se sente num oceano em fúria ao navegar E onde a minha vida não consegue atingir um porto seguro como uma ave Já que no horizonte se avista mas será difícil a sua chagada Tudo e todos me estão deixando sozinho neste oceano Em que a vida espera que ganhe uma nova vontade alargada Ao ser diferente para quem gosta de mim ainda por cima este ano Chego mesmo a dizer que não passo de um simples covarde Ou de um estúpido camelo, burro por tudo aquilo que desejava E que neste universo cheguei atingir mas não o consegui a eterna felicidade Para poder segurar essa mesma vontade ou mesmo a força com que esperava Só o amor pelo teu ser me fará ser capaz de um dia


É como se estivesse no meio de uma multidão em delírio Tentando chegar perto de ti como o meu pobre coração o pedia Só que essas pessoas me afastam sempre de ti ficando sem pio Chego mesmo a dizer que não sou digno do teu amor Ou mesmo de um outro qualquer mas também sei que não é verdade Porque sempre que te vejo meu ser sente que sofre de uma nova dor Ao ficar retraído sem dizer o que vai no seu coração na sua realidade Fazendo sobressair o seu amor porque há algo dentro de mim Que será talvez comum em nossos seres fazendo a nossa união Que por ser um pouco secreta não o consiga atingir o seu fim Quando fico pensando em ti sinto um certo desejo no meu coração Um desejo forte de tocar e beijar os teus lábios ardentes E ver como os amos assim como todo o teu ser cheio de magia Talvez espero que um dia possa tocar neles sem pedidos clementes Já que para mim ainda és um fruto proibido neste meu horizonte sem dia Só penso em ti neste meu tempo de espera sem ver o teu ser Que o dia do amanhã me fará esperar estando bem atento Para fazer passar bem depressa esse mesmo dia para que te possa ver Pois o cansaço de mim fará parte assim como a tristeza sem alento É que ao te ver a musica se ouvirá e também uma pintura por si surgirá Já que nesta minha escrita procuro alguma ajuda Só que de nada adianta tentar então esquecer porque o amor se escutará Nem tão pouco me vou tentar enganar se procurar ouvir quem me acuda O que a minha consciência diz não dá para fugir à verdade Pois esse teu amor estará sempre presente e a toda a hora No meu pobre coração que cada vez mais necessita da sua felicidade E ao ter o carinho dos teus lábios ou as palavras ditas por ora Uma busca nos meus pensamentos é como as palavras dos profetas Que nunca se perdem no tempo ao chegares à minha vida No silêncio tu me aconchegas e nos teus braços me testas Ao falar de amor e carinho como tu me és querida Por entre troca de beijos e carícias num só conjunto E como se tudo tivesse mudado e tu entrasses no meu universo Assim descobres os meus segredos como se numa eu te unto Para poder abrir voando em volta da Terra neste meu verso Tudo isto porque preciso tanto de ti para poder receber O teu calor cheio de amor sendo ainda mais bonita Que uma flor que impera na Primavera no seu crescer Com o seu vestir de branco que o amor então pinta Teus olhos castanhos me olham de maneira diferente Dos outros olhos enquanto me beijas com essa tua boca suave Teu sorriso tão belo me leva ás nuvens do Ocidente E nesse bem-estar das nossas vidas e deixo-me planar como uma ave Nada mais me importa já que nada mais tenho que temer, Pois com a esperança vou descobrindo os nossos caminhos E que no meu regresso descanso no corpo do teu ser Os sonhos que revelam o meu amor bem cheios de carinhos Pouco a pouco vamos deixando as nossas roupas espalhadas Pelo chão é tanto a nossa paixão sentida um pelo que nos entregamos


Até que já o nosso pequeno quarto não cabe as nossas espadas Uma janela se abre e o amor se vai derramando sem que nos ergamos Pelas ruas como se tudo parasse enquanto fazemos amor Os nossos corações se enchem de coisas lindas de se ver O nosso fascínio desse mesmo instante nos leva a ver tudo com cor Enquanto se ouvem os passarinhos fazendo os seus ninhos com prazer No momento em que sozinhos estamos somos simplesmente amantes E a nossa felicidade é tudo o que se vê ou se ouve O mar se torna mais calmo que nunca por instantes Pois o mesmo espera o nosso amor e não se move Na esperança que nele se espalhe as nossas pequenas partículas Pois ele sabe bem que estamos vivendo um momento único Na nossa vida o qual não esqueceremos nestas nossas existências ridículas As saudades que deixará na nossa partida eu nelas bem fico, Mais um dia chorando e quem sabe pelos restos da minha vida Mas não deixando de amar o teu ser uma única vez O mais importante são as nossas emoções minha querida, Vou vivendo cada minuto deste momento com o teu ser Pois tudo é lindo e passa à nossa frente com sentimentos Os mesmos vão aumentando pouco a pouco sem se ver Enquanto o Sol nasce vou por isso continuando a te amar todos os momentos Assim como quando a noite chegar vou olhando as estrelas E ver o teu rosto em cada uma delas sem me mover Talvez só em sonhos e emoções as vou conseguir revelas, Onde nós os dois estaremos lado a lado à espera até ver tudo a morrer, Essa espera se mostrará no horizonte das nossas vidas basta o nosso querer.

Silvalde, 1989 / 03 / 27 ANTÓNIO CRUZ


“VIDAS CRUZADAS”

Porque será que queres mostrar a todos que dominas tudo e todos? Nada perguntas à minha criatura e porque não dizes nada? Já não consigo aguentar mais esta pressão sobre os tolos Pois prefiro a verdade à mentira sobre a minha pessoa nesta escada Que subo e desço para que o nosso amor continue a correr Sem margens para erros só desejo o bem ocupando-me sempre de tudo Organizo mesmo tudo na esperança de ter um momento a valer Estando sozinho com a pessoa que amo mas por momentos estou mudo Só tu pareces andar sempre de olhos fechados nesta vida Já percorri longos caminhos cheios de ortigas e malas na mão Sem ter uma meta à vista porque assim o desejas minha querida Por mais que tente não pensar assim pois a verdade vêm do coração E é bem real os miúdos se tornaram num “obstáculo” ao nosso amor O que faremos à nossa vida enquanto a vela está acesa E a mesma que não se apague ainda há esperança com cor Para pintarmos de novo e salvarmos o nosso amor com beleza Já não temos confiança em nós para vivermos um mundo de sonho Onde a fantasia sexual é a verdade do momento a que não me oponho Pois qualquer lugar servia para nós nos amarmos sem inibições Era um amor tão libertino e vivido com prazer cheio de emoções Onde param esses momentos? Será que o nosso amor se está a extinguir Como uma vela de cera se vai consumindo tocada pelo vento Onde está o nosso problema? Será que já não somos os mesmos seres sem fingir Pois éramos uns jovens loucos pelo prazer de nos amarmos sem momento E nada existia ou mesmo existiam barreiras para os nossos corpos se tocarem Já não sabemos qual é a verdade do nosso destino por vezes Só pedes paciência mas essa questão não têm significado se o amor nos os roubarem É que o futuro é a nossa morte quanto mais esperamos nestes meses Mais o amor se apaga e bem depressa como o fogo de uma fogueira Que se vai apagando com as primeiras chuvas do Outono Vêm por favor vamos continuar a nossa vida em paixão de primeira Em que a união carnal também faz parte não ficando em tacho morno Vamos deixar de lado um bocado os miúdos para assim vivermos, É que ao vivermos de novo o prazer da carne intensamente Sem que existam receios alguns pela paixão que então por ela morremos Vêm amor antes que se apague a chama do amor definitivamente Resiste e prova que ele ainda existe dentro de ti como um pano Por mais que tente não consigo me habituar a esta vida Uma vida cheia de ingratidão porque sou um ser humano Pergunto a mim próprio vezes seguidas em solidão sentida De frente ao espelho, serei alguma “besta” para viver então assim? Tento suportar mais uma semana tendo como pano de fundo A mesma vida conjugal e não me apetece ver mais esse fim Que o espelho quebrado transmite revelando o meu mundo


Não és uma surpresa, muita agradável quando te observo Nalgum local público sem que tu saibas falando e sorrindo Com toda gente que te rodeia enquanto no meu interior sinto ser um servo Já que em nossa casa aguardo pelo teu carinho estando ferido Ou será que o meu rosto banhado pelas lágrimas da paixão Não desperta a tua atenção para algo que se encontra errado Também sei que apesar de tudo não gostas rosto de solidão Só que sou assim e nada posso fazer para altera-lo é o meu fardo Porque quase sempre fui assim é o meu rosto diário em dor sentida É aquilo que vai no meu coração vindo dos tempos perdidos Que os anos de outrora me transformaram sendo obrigado a crescer sem medida Tudo correu depressa demais na minha curta vida neste meu ser estando escondidos Mas esse passado quero esquecer, só não desejo esquecer o nosso passado Que foi de pura paixão entre dois jovens amantes sem limites Já que os mesmos se deixaram conhecer de coração amado Nada era mais valioso que a paixão sem fronteiras e que nos teus gritos emites Pois nada nos parava e varríamos toda a costa sentimental Sem outras ambições que não a do prazer da nossa onda Era uma onda magnética que fazia prevalecer a nossa união fatal Onde parará essa vida? Será que as nossas vidas são seguidas por uma sonda Ou se transformaram num tabuleiro de xadrez gigante Em que as pedras brancas tentam ganhar às pretas sem restrições Será que neste tempo que por nós está a ser percorrido mentalmente As nossas vidas estão de tal maneira a serem vividas sem paixões Pois as mesmas parecem estarem cruzadas sem que a batalha final Possa chegar ao fim e ainda possa ser declarada que a guerra está vencida Pela nossa e ainda viva paixão louca como se jogássemos à batalha naval Só que o passado é o presente num amor carnal ou já estás esquecida?...

São Paio de Oleiros, 2002 / 04 / 25 ANTÓNIO CRUZ


“CARTA SEM DESTINO”

A carta que escrevo não tem sequer destino A mesma será entregue ao carteiro em sua mão Sem sequer saber qual o seu fim tocando o sino Já que o tempo ditará as sortes do meu irmão As palavras que escrevo na mesma ditam a sorte Por entre as pontes que a vida nos leva a atravessar Nunca esquecendo o sentimento que nos trás a morte Sendo difícil viver neste mundo que nos obriga a pensar Enquanto me refugio na escrita com sentimento Esta carta segue simplesmente sem sentido ou destino Procuro descobrir no meu correio o pensamento Já que sofro através da escrita a falta de tino Procuro então nas letras o meu desabafo contido Sem saber bem como pelas letras naufrago sozinho Nesta minha procura desmedida pela verdade mas sempre sofrido A minha alegria se foi com os tempos pelo caminho Hoje procuro nestas linhas escrever sobre a minha sorte Enquanto o meu coração sofre sozinho na noite escura Vou esperando e desesperando enquanto não chega a morte Já que neste mundo para mim entrou com toda a sua loucura Apesar de me sentir ainda bem vivo por ora Sinto a minha salvação vinda a partir da minha escrita Mando o carteiro seguir mas sem ir sequer embora Pois vou aproveitando para escrever mais algumas linhas de aflita Sabendo que não tenho destino marcado sequer nesta vida Procuro ainda saber mais alguma coisa neste tempo que sobra Enquanto espero pela minha liberdade como ave ferida E nestas cartas de poesia sinto a minha alma nesta obra Uma obra que me vai dando algum alento para a concluir Sem ter um termo à vista para a mesma vou continuando a sorrir Já que nestas palavras sinto o alivio da minha sofrida alma Mas com um certo desatino escrevo sem nada mais pedir Tendo uma simples caneta como minha companhia e a fluir em mim a calma Bate o carteiro à porta enquanto peço mais algum tempo para fugir Sabendo que não tenho para onde ir ficando então perdido mas sempre a sorrir Tento abrir as minhas asas de águia ou falcão Ao sentir um pouco de liberdade no ar que me rodeia Procuro nestas linhas descrever o meu pobre coração Enquanto a aranha no meu quarto lança a sua teia Onde se encontra a minha paz de jovem aprendiz E estas palavras que escrevo nesta carta minha Só peço a Deus que as guarde para que um dia As possa levar ao seu destino tendo uma fada como minha madrinha Já que o tempo assim determinou que não a tivesse como tia


Ao a levar para longe sem saber qual a minha fantasia Por isso vou escrevendo sem sentido esta carta agora Para que o carteiro a possa entregar a quem a pedia Faltando-me uma promessa de a mesma lá chegar pela aurora Sinto-me ao menos feliz por a entregar em mão ao carteiro Já que o tempo vai passando sem parar nas estações Desejo que a mesma chegue ao seu destino pelo menos em Janeiro Assim me despeço até à volta do correio e a todas as minhas paixões…

São Paio de Oleiros, 2009 / 11 / 06 ANTÓNIO CRUZ


“MISSÃO”

Vou escrevendo as minhas cartas secretas como missão Sentindo dentro de mim palavras nunca ouvidas Mas sei que Deus me escuta abrindo o meu coração Já que há muito tempo me perdi à procura de outras vidas Surge em mim uma fé que esteve muito tempo escondida Só que hoje a mesma se quer revelar pró mundo Pondo a descoberto o meu amor e a minha amizade perdida Procuro então ser um pouco mais feliz sentindo isso bem fundo Peço a Deus que me possa guiar neste meu novo caminho Em que sigo em frente como aprendiz sendo esse o meu destino Não sei qual a verdade para este meu sentimento de santinho Pois sei que não o sou nem nunca o serei, tendo este meu tipo Já que o pecado reside através das palavras dentro de mim Talvez por isso vá escrevendo um bocado ás escondidas de todos, Até o mesmo seja revelado em poesias perto do meu fim E sendo esse o meu destino marcado para mim de atravessar os lodos Mas se assim quer ser a minha vida e só devo seguir em frente Com medo ou sem medo por deus ser então guiado com fé Libertando as minhas palavras com a sua luz como minha semente Pois aos poucos e poucos vou descobrindo a verdade ficando de pé Já que muitos trambolhões dei nesta vida sem o saber Porque isso me acontecia tão frequentemente que já não o previa Valha-me ao menos os desabafos que faço para o papel Tendo Deus como minha testemunha nesta minha missão Que tento levar para diante não tendo sequer dinheiro para um perfume Channel Mas para mim isso não conta sequer, só aquilo que sinto no coração Já que o mesmo por um amor se libertou da sua solidão Ao ser amado simplesmente pela minha forma de ser nesta vida Apesar de ser um covarde perante a mesma tentando fugir à confusão Restando apenas o sentimento que me leva a amar essa pessoa querida E as palavras que não direi a ninguém serão por mim escritas Já que da terra de onde vim a ela quero voltar um dia Nunca deixando de amar a mesma tendo fé nas pessoas por mim descritas Em alguns poemas assim o faço por ter paixão de lá ter vivido o meu dia-a-dia Esta carta que faço num simples desabafo têm como missão Ditar as minhas leis que se encontram em mim escondidas E que em palavras as transmito com sentimentos vindos do coração Sabendo ou talvez não que um dia possam vir a ser lidas Apesar de serem palavras secretas as mesmas que escrevo Tendo dentro de mim a fé e nelas acredito sem medo Por isso sigo vários caminhos à procura de um trevo Que me possa trazer um pouco de sorte nesta missão de credo Sendo Deus a minha chama para a vida que em tempos perdi Hoje procuro recuperar esse mesmo tempo com a minha poesia Ou nestas cartas secretas que uma vida nova que tanto pedi


E que só com o amor que me conquistou num belo dia Hoje vivo entre os dois amores, a minha família e a minha escrita Sendo ambas por mim amadas sem distinção assim o creio Já que só Deus sabe que a verdade a ser sempre dita Restando-me acabar mais uma carta com fé por este meio Utilizando as palavras sábias de alguém como missão Deixando o medo em casa e amar o próximo com todo o coração…

Mozelos, 2009 / 11 / 07 ANTÓNIO CRUZ


“A CARTA”

Estou escrevendo esta carta por entre soluços Vão fazendo com que as minhas lágrimas caiam, Pois gota a gota vão rolando pelo meu rosto como intrusos Ando a vaguear sozinho de rua a rua e não se ralam Já que as pessoas simplesmente me ignoram indo eu pelos cantos da escuridão Ainda não encontrei a devida coragem para te poder enfrentar Face a face revendo o teu olhar negativo da escravidão Com isto tudo pelo caminho vou rezando para não te encontrar Já que para mim vai fazendo algum tempo que vagueio E que um forte sentimento despertou no meu intimo Apenas sei que é algo muito forte neste coração cheio E nada mais te consigo dizer só mesmo com algum mimo Quando tu leres esta mesma carta é que me poderás compreender À quanto o meu coração chora solitário de dor Pois nessa mesma altura já estarei bem, basta o meu querer E longe da tua presença viva visto que ainda podes me dar cor A tua imagem viaja comigo para sempre sem nunca te esquecer Tu não julgues que sou um cobarde nesta vida Apenas não quis ver o teu rosto bonito cheio de lágrimas Que vão caindo sem parar como pequenas gotas minha querida Pois para mim seria a morte nesse momento sem rimas Uma morte violenta para o amor que ainda sinto Perdão, minha amiga mas estas situações acontecem Na vida de um marinheiro errante cheio de dor e não minto Pois navego por mares sem fim como as teias que se tecem Peço-te mais um favor, dá um beijo aos meninos por mim Porque esta viagem será longa e sem ter fim Sei que encontrarei pelo caminho piratas que me saqueiam o Sol Que vai iluminando a minha vida levando-me à eterna escuridão Também maremotos que engolem as caravelas do amor sem rol Para que perca a minha esperança de um dia encontrar um coração Que me possa dar de novo a felicidade para o resto da minha vida Agora poderás tentar perceber a razão de não te esquecer Ou de te entregar pessoalmente esta minha carta em mão Esta será a minha viagem sem regresso ao passado do meu ser Em que o presente não têm vida e que no futuro não existe a paixão Pois a mesma que outrora nos convidava a viver Sem limites para a nossa eterna felicidade Irás perguntar sempre se algum dia fui feliz, Já que vive alguns anos ao teu lado nesta nossa cidade Sabes bem que sim pois ainda te amo apesar de sofrer desde petiz És e serás para mim a razão de ter vivido com paixão Uma paixão em que na minha vida o amor foi sempre verdadeiro Só peço a Deus para que tu me deixes viver e também morrer Nestes poucos dias que me restam desta minha vida de marinheiro


Porque a paz sempre a procurei com este meu espírito solitário como ser E agora escrevo só mais estas palavras verdadeiras que vão saindo Como pedras atiradas ao charco, desculpa-me estas linhas Que nestas páginas se as mesmas estiverem manchadas de sangue que vai caindo Só que neste momento quero apenas que guardes o nosso amor como o tinhas, Já sigo neste meu mar alto e em plena solidão querida Desculpa-me pelos tormentos que ainda te causar nesta vida Pois a mesma está a ser madrasta para comigo também E já não tenho esperança de conseguir levar a minha caravela Até um porto bem seguro já que estou para lá do além Sê feliz e caminha na tua nova estrada, pois Deus está de vela E sem saíres do teu trilho certo, sê feliz meu amor Assim acabo esta minha carta, já que não aguento mais esta dor…

São Paio de Oleiros, 2005 / 06 / 17 ANTÓNIO CRUZ


as cartas eternas 022  

APRENDIZ DE POETA

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