Page 1

ANTÓNIO CRUZ


ANTÓNIO CRUZ


“ PREFÁCIO DE UMA VIDA”

Escrevi num mês distante, trinta e tantos, poemas a fio sem parar, numa espécie de êxtase. E hoje, é um dia triunfal da minha simples existência, nesta minha vida. O que se seguiu depois de alguma tinta ser gasta e muito papel ter sido utilizado; só sobrou um cesto de papéis cheio, foi o aparecimento de um novo “Poeta – Escritor”. Tudo isso, se verificou no continuar do pequeno Sonho de Criança que há muito tempo vinha a desenvolver no meu interior, utilizando pequenas rimas ou alguns pensamentos muito sugestivos da minha maneira de ser. E de ter vivido quando criança e também algumas situações, já como adulto. Desculpem – me, o absurdo da frase; mas apareceu em mim um enorme desejo de transcrever para o papel algo com sentido ou mesmo sem! Era simplesmente aquilo que vindo do meu eco interior ou directamente da minha mente, ditava por palavras ou frases simples, numa leitura rápida, e a minha mão escrevia para um bocado de papel. A expressão que sobressaia no meu rosto era a de um pequeno sorriso esboçado quando terminava mais um tema, mesmo que esse não tivesse muito sentido! Mas, era como se tivesse restituído alguma vida aos mais simples “poemas” ou “contos”, que eram para mim algo profundo mas muito belas. Só que por vezes, bastava unicamente o esboçar de um sorriso para me agradar e aquilo que acabava de transcrever logo por si existiria numa folha de papel sentindo toda a sua magia sem sequer poder falar! E, num certo dia, à noite quando relia tudo aquilo que já havia escrito em simples rascunhos, por vezes, revia ali a minha própria sombra retractada. Eram, e são, simplesmente memórias, brincadeiras, ou mesmo chamadas de atenção para o mundo em que vivemos. Sei que um dia alguém as vai poder ler e as irá existir na prateleira da sua biblioteca para quando este ser já ter abandonado o planeta Terra. Um simples risco da minha curta vida ficará lá conservada, para sempre todo o sempre como sinal da minha pequena existência terrena! E, só assim poderei viver eternamente, por milhares de anos a fio, recordando a Alegria, a Tristeza, o Amor, a Solidão e tudo aquilo que tiver dado a este Mundo! Mas, uma coisa Eu sei, que serei alguém que existiu um dia neste “Universo da Escrita”!... E essa recordação ficará para sempre nas memórias de todos, sendo como aquele que deixou um “Verso” quando morreu, e talvez seja a “Profecia” de uma vida!...

Mozelos, 2000 / 10 / 10 TONY CRUZ


TITULO

LOCAL / DATA

0

PREFÁCIO DE UMA VIDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 10

1

CANTAR DO GALO

PARAMOS, 2008 / 08 / 23

2

SAUDADE DE CRIANÇA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2006 / 03 / 13

3

SE RECORDO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2007 / 06 / 27

4

HISTÓRIA REAL

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 04 / 29

5

CHAMAS VIVAS

SILVALDE, 2009 / 05 / 23

6

SAUDADE

MOZELOS, 2000 / 12 / 08

7

MEMÓRIAS DE CRIANÇA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2005 / 07 / 19

8

A MINHA RUA

SILVALDE, 2009 / 10 / 01

9

VONTADE DO PASSADO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 10 / 09

10

AMOR SIMPLES

SILVALDE, 2009 / 10 / 10

11

LABIRINTO DA VIDA

MOZELOS, 2009 / 10 / 29

12

CAMINHOS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 11 / 05

13

FLOR DO CORAÇÃO

MOZELOS, 2009 / 11 / 07

14

NOITE DE SEGREDOS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 11 / 10

15

PEDRAS DA CALÇADA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 11 / 17

16

LOUCO NAS HORAS VAZIAS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 11 / 18

17

AS SAUDADES QUE TENHO

SILVALDE, 2009 / 11 / 28

18

PAI AMIGO

SILVALDE, 2009 / 11 / 20

19

JANELA DA PROVINCIA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 09 / 11

Em "Campos de Saudade" no tempo viajo pela escrita Por entre o cantar do galo com saudade que se dita Ao ver numa janela da província um simples amor Percorrendo o labirinto com vida dum coração em flor. Pois a noite trás segredos pelas pedras da calçada Ficando louco nas horas vazias sem ter uma amada Juntando as saudades que tenho de um pai amigo Para me ajudar a percorrer os caminhos sem castigo. Assim neste livro recordo as saudades de criança Em história real vivida na minha rua com esperança Querendo regressar sempre com vontade ao passado Através das chamas vivas com memórias de criança mal amado. São Paio de Oleiros, 2009 / 12 / 03 TONY CRUZ


“CANTAR DO GALO”

Aí! Que saudades eu tenho De ouvir o galo cantar Nas manhãs longínquas do passado Pela Primavera era o meu despertar.

Acordava quase sempre rezingão Em que pelas manhãs frescas Sentia um peso enorme na cabeça Era um acordar com percas.

Percas de algumas noites perdidas Durante a manhã continuava rabugento Teimoso e embrulhado nos lençóis ficava E abria os olhos em movimento lento.

Uma luz pequena surgia no horizonte Cegava mais que mil sois Por entre as pestanas muito “colentas” Pesava na cabeça como os cornos nos bois.

O galo ao longe cantava continuadamente E no horizonte o Sol surgia O aroma do café pairava no ar E voz na cozinha por lá se ouvia.

Afastava então a preguiça de repente Saltava da cama como uma mola De uma forma bruta me espreguiçava Escutando o canto feliz da rola.

E após o repasto algo atribulado Por entre tão atormentado despertar Pegava a custo na minha pasta Seguindo pela rua sem parar.


É que a escola não esperava O gosto pela mesma era verdadeiro Sendo o meu refugio diário E o meu futuro algo derradeiro.

Sendo também um aluno aplicado Procurava aprender sem me arrepender Aí! As saudades que tenho de ouvir o galo No seu cantar louco sem se perder…

Paramos, 2008 / 08 / 23 ANTÓNIO CRUZ


“SAUDADE DE CRIANÇA”

Tenho saudades dos tempos de criança Em que o desafio parecia ser duro mas com furor E só sentia apenas a falta de algum amor O mesmo me fazia verter algumas lágrimas sem esperança.

Mas cresci sempre na infinita esperança De um dia atingir a glória da paixão Simplesmente era tudo o que queria para o meu coração Que foi sofrendo na procura de uma verdadeira aliança.

Aí! Que saudades eu tenho de ser criança A vida corria com problemas mas era superior Jogava à bola na rua e nos campos em flor E o Sol brilhava com alegria tendo mais confiança.

Com saudades sempre acreditando em mim mesmo Pulava e brincava com muita fé no coração Pois sentia cada vez mais um pouco de paixão Quando alguém me oferecia uma sandes de torresmo.

Aí! Que saudades eu tenho de criança Quando acreditava à noite na cama Que o dia correria melhor ao aprender com alma Assim me ensinava a vida que tinha esperança.

As saudades ainda me apertam no coração Quando então via as flores crescerem no nosso jardim Desenhando ou escrevendo me escondia nesse fim Segredos guardo em mim, ainda hoje sofro dessa solidão…

São Paio de Oleiros, 2006 / 03 / 13 ANTÓNIO CRUZ


“SE RECORDO”

Se recordo o que fui em tempos O passado surge com alguma violência O presente é lembrança dos momentos Em que a solidão foi a minha distância.

Porém quem fui no longínquo passado Será sempre alguém que amo sem querer Somente o sonho me fez ser amado E muita vontade para poder então sobreviver.

Se recordo a saudade me aflige A minha mente se atrofia simplesmente Não é de mim fazer que se finge Pois todo o meu passado feriu-me mentalmente.

As chagas que ficaram no meu ser Fazem-se de si um hábito diariamente Cegam os meus olhos no presente ser Se recordo a solidão do menino diferente.

E nada senão alguns instantes feliz Que recordo o que sentia estando perdido Mas quem sou e quem fui aquando petiz? Os sonhos ainda que diferentes sentindo-me ainda ferido.

Se recordo são sonhos de outrem Só preciso que o presente resista Para que o futuro viagem de trem E que possa deixar de ser pessimista.

São Paio de Oleiros, 2007 / 06 / 27 ANTÓNIO CRUZ


“HISTÓRIA REAL”

É uma história bem real Quando tinha ainda a tenra idade Só pensava em poder jogar Numa equipa onde prevalecia a amizade.

Seja em futebol, andebol ou basquetebol Só que por vezes não era possível Por falta de clubes organizados Com equipamento ou nome bem visível.

Hoje em dia os nossos miúdos Com a mesma tenra idade infantil Têm tudo nas suas pequenas mãos De um clube verdadeiro e equipamentos “mil”.

Hoje um clube só quer a vontade Ou dos seus atletas a sua força Mas para que isso aconteça É preciso dar o “litro” até que se torça.

Por vezes no meu tempo de miúdo Tínhamos que formar equipas de rua Para podermos jogar livremente com felicidade E jogávamos sempre até o chegar da Lua.

Pagávamos o nosso próprio equipamento Para podermos entrar nos vários torneios E isso só se conseguia ao juntarmos os trocos Pois não existiam mais nenhuns meios.

Sempre que entravamos dentro de campo Dávamos o nosso melhor como jogadores Perdêssemos ou ganhássemos era tudo paixão Que fazia de nós os melhores mesmo com algumas dores.


Porque algumas vezes as nossas medalhas Eram simplesmente sangue e lágrimas Mas não desistíamos nada era mais importante Do que participarmos dando o máximo como estas rimas.

Nunca a nossa força morria simplesmente Encontrávamos sempre na nossa livre união A raça do querer vencer mesmo sem poder Já que a mesma existia dentro de nós com paixão.

Era também a nossa amizade por si só Combatíamos tudo e todos dentro de campo E nunca desistindo de lutar com coração Enfrentávamos os mais fortes até nos saltar o tampo.

Só queríamos ter orgulho no nosso suor Em que envergávamos a nossa simples camisola Lutando com paixão até suar o apito final Dando alento aos nossos amigos da “bola”.

Pois por vezes não conseguiam dar o seu máximo Mas aí residia a nossa verdadeira amizade com coração Ao transmitirmos a força que ia em nós com paixão Bastando para isso algumas palavras ou aperto de mão.

Só assim conseguíamos vencer o “inimigo” E não desistindo nunca do nosso jogo sequer Também por vezes não tínhamos um treinador Mas aí nos valíamos do nosso único querer.

Bastando para isso certos elogios nossos Decidindo sempre o certo ou o errado Fomos assim crescendo aos poucos e poucos Sentindo-mo unido no jogo com paixão e amado.


Mas os miúdos de hoje têm tudo Treinador, equipamentos e pavilhão Só que não querem ser jogadores Não sei o que pensam, não tendo a paixão.

Pois o jogo deve ser jogado simplesmente E vivido com dor e muita paixão Só assim cresceram até mesmo para a vida No seu aprender de vida existindo a união.

Nesta história real assim escrevo Relembrando os tempos de miúdo jogador Não esquecendo a amizade nem o vencer Dentro das linhas do campo mesmo com dor.

São Paio de Oleiros, 2009 / 04 / 29 ANTÓNIO CRUZ


“CHAMAS VIVAS”

Há cerca de dezanove anos Um grande grupo de amigos deixei, Para seguir a minha nova caminhada Mas de mãos dadas com eles fiquei.

Pois em mim ainda arde A chama dessa mesma amizade E as saudades que tenho Que por lá ganhei em liberdade.

Sinto uma certa tristeza “bonita” Porque sei que não morri Nos seus corações de “bandidos” Pelas suas travessuras sofri.

Esses tempos recordo com alegria, Ao ter dado tudo de mim No meu coração arde a sua chama Que com fé não foi o seu fim.

Essa mesma chama que arde Não se quer simplesmente apagar É que a nostalgia em nós ficou Desses momentos sem se calar.

Há cerca de dezanove anos Que continuo a desejar viver Em união novamente com amizade Com aqueles que deixei de então ver.

Mas acredito no meu coração Pois a sua fé ainda em mim arde E essa mesma chama está bem viva Assim acabei por a perceber nesta tarde.


E ao rever essas mesmas amizades Que algum tempo as deixei fugir, Só que a fé está bem viva Pois hoje só me apetece com eles sorrir.

Um novo grupo queremos hoje formar, Para não deixarmos morrer essa fé Já que a chama em nós está viva Por isso vamos avançar pé ante pé.

Que a luz de Deus nos guie Neste novo caminho que traçamos Assim queremos continuar acreditar Que a nossa amizade a ela logo voltamos.

Seremos poucos nesta nova caminhada Mas pedimos a bênção aos novos Os “Mãos Dadas” para nos apadrinhar Como “Chamas Vivas” dos novos povos.

Não me apetece simplesmente parar Mas as palavras me começam a faltar Nesta minha pequena homenagem à saudade Talvez por isso me despeço com este meu acabar…

Silvalde, 2009 / 05 / 23 ANTÓNIO CRUZ


“SAUDADE”

Tu me pedes algum tempo Mas dou-te todo o tempo que precisares Só assim de ti poderei aceitar tudo Que possa vir se tu simplesmente me amares.

Só não desejo ter a solidão E promete-me por favor tudo de novo Para que possa de novo ter a esperança Uma esperança louca como um corvo.

É uma esperança louca de um talvez Que por enquanto me basta a ilusão Só te peço por favor o brilho da noite Em que a Lua ilumina a solidão.

Eu apenas quero uma ponta do novelo Neste meu sonho para poder continuar A desenrolar a minha vida para o além É que preciso de continuar a sonhar.

Ao sonhar de novo procuro um lugar Que exista para mim no sublime coração Pois só quero este meu tema siga em frente E que viva livremente esta minha paixão.

É um verso e mais que um poema Que acabei por escrever nestas paginas Já que marcam a minha vida agora E que posso declamar que nem tu imaginas.

É que tu nem imaginas mesmo O quanto te aceito assim fazendo te levar A um dia acreditares nesta minha paixão Já que o meu coração também precisa de acreditar.


A única coisa que eu sei É que jamais vou conseguir te esquecer Agarrando-me a estas minhas fantasias Que me levam a conseguir sobreviver sem te perder.

Já não sei se estou a viver Esta minha emoção ou se inventei Neste meu dia-a-dia sempre desejando-te Em querer-te perto do meu coração! E isso sonhei?

Deixaste-me só com a minha saudade E nada mais além disso neste meu viver Mas porque é que os nossos corações Não são simplesmente iguais no seu querer?

Diz-me por favor que um dia Tu vais voltar para que não passe A minha vida inteira enganando-me a mim mesmo Só não sei o porquê? E que nada te mace.

É que nunca deves deixar o teu coração Pensar como o meu e ficarmos os dois na saudade A única coisa que eu sei por agora É que nunca vou esquecer da nossa felicidade.

Já que um amor como o nosso foi sentido Para além do nosso infinito prazer pessoal Agora só me resta agarrar as fantasias vividas Em que tempos passados nunca procuramos o ponto final.

Éramos dois seres loucamente apaixonados E agora devemos tentar sobreviver neste momento Esta nossa vida de solidão sem nada esquecer Ao me deixares só com a saudade sendo o meu tormento.


Ou talvez mais um pouco que isso E nem um beijo de despedida dos teus lábios Que recordo como sensuais que eles eram Ficando algo mais por ser dito pelos sábios.

Nem que fossem simples palavras banais Por favor me avisa se algum dia Tu quiseres voltar para mim livremente Acabando com esta minha saudade doentia.

Sabes muito bem que continuarei a esperar Para poder voltar a sentir aquele perfume Que é só teu, pois ele é único neste mundo É sereno mas cheio de segredos como o lume.

Perfume esse que em ti faz magia Ao emanar do teu corpo bem sensual Com o teu toque feminino que tantas vezes Me atraiu cheio de prazer até ao ponto final.

Com todo o tempo deste mundo Serás sempre aquela flor rara para mim Cheia de um aroma fatal com toda a tua Voluptuosa maneira de seres única no meu jardim.

Vou vivendo com a alegria fértil que me resta Neste espírito da paixão que senti por ti Restando-me neste momento a minha saudade Por isso neste poema estas palavras então escrevi…

Mozelos, 2000 / 12 / 08 ANTÓNIO CRUZ


“MEMÓRIAS DE CRIANÇA”

Era uma criança que descia As calçadas da minha rua Numa bicicleta emprestada sem pneus E sem travões de cabeça nua.

Fazia corridas imitando Joaquim Agostinho Ou mesmo Eddy Mex o “Belga” Em muitos muros, valados e alguns portões bati Já que era uma criança tipo melga.

Nada me podia fazer sequer parar Só tinham que da minha frente fugir Jogava à bola em plena rua De paralelos era feita e mesma e a subir.

E quando não haviam muitos jogadores Aí se jogava o “mete golo e vai” assim era Era mais um jogo com bola para os mais pequenos Utilizando apenas uma baliza e sem mais espera.

Utilizávamos nomes de heróis da bola Como “Néné, João Alves, Bento, Gomes e Jordão Nos meus tempos livres na solidão pegava num lápis E numa folha de papel desenhava com paixão.

Já que todas as imagens e figuras De animais que nos livros fosse encontrando Ou nas cadernetas dos “Bichinhos” e por aí fora Nada e nem ninguém me fazia ficar só olhando.

Ao estar a rabiscar sempre também sonhava Dando largas à imaginação e alguns símbolos fiz Fui sempre um pequeno inventor até de caricaturas Assim era à minha maneira um bom petiz.


Os símbolos que inventava eram-me também pedidos Quando se formava uma equipa de rua Como os “Águias, Sporting, Estrelas da Rua A minha mente só tinha então medo da Lua.

Também um desafio me foi lançado Para fazer o símbolo do Grupo Columbófilo Já que o meu pai era o meu herói em Silvalde O imitava na chegada dos pombos com um assobio.

Todos os Domingos assistia à marcação Num relógio de ponto com as anilhas Assim como para o Grupo de Jovens “Mãos Dadas” que ultrapassaram todas as milhas.

Eram outros tempos em que a escrita Era substituída pelos lápis de cor Dando vida ao simples papel branco Enchendo o meu coração de felicidade e amor.

Era uma simples criança cheia de imaginação Cheguei mesmo a dar vida a heróis Na folhas de papel inventando nomes e personagens Hoje findo alguns anos sinto saudades dos dois.

São saudades do meu tempo de criança Cheio de energia que imitava os heróis da TV Ou das revistas como Harol Flynn, John Wayne Humphrey Bogart e Major Alverga, que já não se vê.

E fazendo as minhas armas com folhas de jornais Eram pistolas, espingardas ou mesmo espadas Também era cowboy, aviador, polícia ou detective Mas sempre do lado do bem com as suas armadas.


Eram brincadeiras minhas e só minhas Quando à minha porta batia a solidão Não era nenhuma criança prodígio no saber Mas sim uma simples criança de grande coração.

Era uma simples criança em busca da amizade Nem que fosse fruto da minha imaginação Que vivia na Rua do Formal da Vila de Silvalde Que as suas memórias de criança guardou no seu coração.

São Paio de Oleiros, 2005 / 07 / 19 ANTÓNIO CRUZ


“A MINHA RUA”

Sinto o cheiro da minha antiga rua E no ar ainda circula aquela alegria De crianças apaixonadas pela vida Brincando aos cowboys no seu dia-a-dia.

Não existindo maldade nos seus corações Nem nos seus olhares que passavam Enquanto jogávamos à bola nos paralelos Até os carros paravam ao nos ver e travavam.

Não existia a pressa no dia comum Como hoje já que a mesma se instalou Não havendo tempo para mais nada Nem aos sinais sequer obedecem, o que se passou?

As mães de hoje atravessam a rua De um lado para o outro sem “cuscar” Já nada mais parece ter sentido Na minha antiga rua que não deixo de amar.

Pois continuo a lá passar mas sem tempo Revejo as crianças que hoje são adultos Já que as mesmas de agora na rua não brincam Porque os tempos mudaram mas sem os mesmos atributos.

Mas a nossa alegria ainda paira no ar Naquela rua do meu tempo de criança Onde o Sol brilha forte nos paralelos Continuando a ser a mesma rua da minha esperança.

Já que nela sonhava em ser adulto Olhando as estrelas e a Lua à noite Sem pensar sequer que um dia o seria Com tanta vontade de vencer sem açoite.


Pois na minha rua aprendi um dia Que a amizade é bem importante para a vida Assim como os paralelos para a estrada E caminhando sobre os mesmo relembro a infância querida.

Ao ser uma criança sonhadora de rua Aprendi os meus sonhos a escrever sentado na solidão Hoje faço o mesmo nestas folhas de rascunhos Não esquecendo a minha rua com alma e coração.

Silvalde, 2009 / 10 / 01 ANTÓNIO CRUZ


“VONTADE DO PASSADO”

Já não sei se tenho vontade Para partir e correr este mundo Os meus sonhos parecem ter um fim A vida tem sido má e sem um fundo.

Tem sido uma vida a perder Perco os amigos e alguns amores E não consigo ver a linha do horizonte Pois a barreiras surgem no caminho das flores.

Flores essas que vão murchando Não as conseguindo regar com a paixão Já que sopra o murmúrio da tortura Que em criança passou fechando-me numa prisão.

E para onde foi esse meu tempo Assim como para onde vai o meu futuro A minha vontade se desvanece simplesmente Sem ter um rumo certo estando sempre escuro.

Essa escuridão se tornou num fundo Um fundo do tempo em que vivo E procuro fugir no meu próximo futuro Será tarde de mais? Pergunto-me se sou esquivo?

Já que as saudades também carrego De alguma felicidade conquistada ao tempo Tendo vontade de sorrir no Verão E de chorar no Outono sem campo.

Uma raiva nasce no fundo do meu ser Com as tristezas a pagar algumas dívidas Que contraí no passado com algum relevo, E que as saudades também salvaram algumas vidas.


Esta minha vontade de partir Percorrendo um novo mundo com futuro Que desejo simplesmente conseguir descobrir Não vendo as vitórias sorrirem perante este muro.

Um muro que me separa no presente Já que a minha vida foi sempre a perder Só conseguindo ganhar uma nova família E mesmo isso, estou sujeito a não a merecer.

Pois o meu passado está bem presente Com as saudades que carrego ainda Neste meu saco da vida privada E que o amor se parece que finda.

Onde para o meu futuro com alegria? Essa pergunta também a faço agora, E nesta palavras que escrevo em rima Que a vontade do passado fique parada por ora.

É um desejo que peço a Deus Que guarde a minha vontade do passado E que me ajude no presente a escrever Sobre uma nova vida com o amor ao meu lado…

São Paio de Oleiros, 2009 / 10 / 09 ANTÓNIO CRUZ


“AMOR SIMPLES”

Sei que amar parece simples E quando se ama tudo se esquece Só se sente os aromas no ar da paixão E as cores se tornam vivas que nos aquece.

Os sons e os gestos simples Fazem-nos viver livremente o amor Existindo os olhares cúmplices dos amantes Num desfolhar de corpos em furor.

Comigo o mesmo se passa ainda Desde que ela se cruzou comigo no cinema O meu coração ficou possuído simplesmente Com a sua alegria de ser bem amena.

Ao oferecer o seu simples amor Com alguns jeitos algo indecentes Bastando um gesto seu e a minha sorte Desde então até hoje mudou depositando sementes.

Levando-me a cometer todas as loucuras Esquecendo o local ou mesmo a hora Sinto que tenho a sorte comigo simplesmente Ao oferecer-me o amor não querendo ir embora.

Já que o tempo tomou conta de mim Ao passar naquele tão simples lugar E a minha paixão vai sempre aumentando Não sabendo sequer como a devo parar.

Um longo caminho percorri até hoje, Querendo ser sempre feliz com sorte E muitas loucuras faço, sem o saber, Já que o amor manda em mim até morrer.


É tão simples ser possuído pelo amor E nos abandonarmos perante o nosso mundo Nada mais vai contando para o coração Que não seja esta corrente de sentimento profundo.

É tudo uma sorte para mim Saber que sou amado neste universo E que a mesma dama me leva à loucura Sabendo disso o descrevo livremente neste verso.

É tão simples amar simplesmente Basta oferecermos o nosso coração com amor E tornarmos cúmplices dessa mesma paixão Ao pintarmos o nosso mundo com essa nossa cor.

Uma cor que é bem viva em nós Num cruzar de caminhos que acidentalmente aconteceu Num lugar tão simples como um cinema Que despertou o nosso amor que até hoje não morreu.

Silvalde, 2009 / 10 / 10 ANTÓNIO CRUZ


“LABIRINTO DA VIDA”

Vou orquestrando um desejo Que em palavras reinvento apenas Sem complicar muito a minha vida Tornando tudo mais leve como as penas.

E enquanto reinvento as palavras Passo por vezes assim a complicar Os caminhos que me levam à escrita Não sabendo como devo sequer parar.

Já que esses meus caminhos Se tornaram num labirinto bem complicado Seduzo por encanto ou mesmo por engano Com uma certa mestria sendo até mal amado.

Como um vagabundo e sem vergonha Levo estes meus caminhos da escrita Ao limite da verdade sem alguma sorte Sorrindo por entre os dentes sem guita.

Vou ao menos sorrindo e olhando O vizinho que passa na rua Ao mesmo tempo sonho com a liberdade De um dia poder chegar à Lua.

Mendigo sozinho pela noite sem palavras Após passar algum tempo na luxúria Estendendo a mão à esmola da poesia Com este meu corpo na entrega do dia.

É uma entrega que me faz vomitar Frases após frases consistentes e convincentes Numa existência da minha tendência suicida E sem saber como nas folhas coloco as sementes.


Nesta minha existência bem suicida Vou tecendo as teias das minhas poesias Numa relação inconcebível com o amor e Deus Sendo real nesta vida não sendo nenhum Messias.

A saudade também aperta visivelmente Quando recordo o tempo ido da infância Sendo ardentemente ainda desejado por mim Apesar da sorte se ter mantida à distancia.

Ao ter sido posteriormente amaldiçoado Sendo transformado num verme do pecado Mas sem nunca ter apresentado as defesas Para este meu desejo da escrita malfadado.

Já que a mesma consome a alma Por entre palavras se tornando num labirinto Que consiste em conquistar as letras De outros níveis e isso assim o sinto.

E os poemas que construo livremente Vão matando as saudades do meu passado Nesta minha forma de escrever bem solitária Complicando os meus caminhos ao ser mal amado.

É tudo um simples labirinto da vida No qual tento me refugiar com sentimentos Que por ora vou escrevendo nestas folhas Recordando algum passado e certos momentos…

Mozelos, 2009 / 10 / 29 ANTÓNIO CRUZ


“CAMINHOS”

Enquanto atravesso o rio Bem junto à serra escondida Vejo um velho casebre abandonado Que espelha ao Sol da vida.

O mesmo rio se estende Como uma via até ao mar Descanso livremente no velho casebre Procurando uma ponte para atravessar.

Continuo o meu caminho pensativo Até chegar a uma velha ponte Rodeada por uma cascata uniforme Dirigida em conta gotas do monte.

Formando uma neblina que encanta Qualquer ser alegrando o coração Segui normalmente pela velha ponte Até chegar à calçada do pontão.

Sigo calcorreando as velhas ruelas Por onde entrei junto à ribeira A mesma vem da foz do rio Com as suas pedras sujas da poeira.

São paralelos gastos pelo tempo Que começam a ser iluminados Pelos lampiões tristes e solitários Que como eu se sentem perdidos.


Pois o tempo passa por nós Deixando as suas marcas visíveis Que no meu rosto se agravam Pelas paixões já algo esquecíveis.

A noite cai e a cantaria pára As aves dormem nas árvores Que ocultam todo esse mistério A luz bela mas sombria ilumina os mármores.

Ao ver-me assim abandonado no tempo Neste meu jeito me fecho com medo Num timbre pardacento e único por ora Recordo o amor que morreu bem cedo.

Já que moí este meu sentimento Fechando cada vez mais a porta Sento-me numa cadeira do café Tomando uma “bica” olhando a horta.

Escrevo algumas palavras neste tempo Um tempo vazio com algum sofrer Quase sempre foi à primeira vez Que o amor me traiu sem o sequer ter.

E quando regresso a casa Levo comigo as recordações do dia Revejo nesta minha altivez a solidão Como um milhafre ferido me escondia.


Enquanto moí em mim a solidão Aproveito para escrever estas palavras Sentindo o vazio dentro de mim Que no meu coração crava as garras.

Assim termino mais um dia Em que lavrei vários caminhos Sem um destino fixo por alguém Procuro neste meu sono descobrir os carinhos…

São Paio de Oleiros, 2009 / 11 / 05 ANTÓNIO CRUZ


“FLOR DO CORAÇÃO”

O Verão já lá vai E as folhas caem por ora Já assisto a isto há tantos anos Que continuo encantado do lado de fora.

Já se passaram tantos anos Que nem me lembro mais Pois a tua flor alegrou a minha vida Recordo hoje o que não esqueço jamais.

Sendo tu a minha eterna Primavera Assim como a minha melhor amiga Frutificamos neste nosso Outono o amor Germinando as sementes da paixão em cantiga.

Já que as sementes nos teus ovários Foram contidas em eterno sono Onde a paixão se fortificou simplesmente Resistindo à tempestade da vida pelo Outono.

Como um lavrador utilizei a foice Nunca sendo frio para contigo Já que o Inverno bate à porta E hoje só desejo ser o teu eterno amigo.

Pois sempre nos sobrou o calor Para aquecermos as nossas ilustres ilusões Sonhando sempre debaixo dos cobertores Com os nossos corpos nus em livres paixões.

Quantos desejos por entre suspiros Foram postos à prova pelas nossas paixões Que fomos trocando sem sequer cansar Desejando sempre os teus belos limões.


Já que os mesmos eram expostos Num Verão sem censura do inimigo Fazendo os nossos corpos bailar livremente Estendidos numa toalha emprestada por um amigo.

E quantos arquejos surgiram com sentimentos Perante orgasmos sentidos pela Primavera Gastando as nossas energias no cair da folha Sendo consumidas no gozo da vida sem espera.

Fizemos muitos pecados sem sequer pecar Enquanto contigo me faltava ainda casar Guardando a paixão em nosso coração Com promessas de Outono não podendo parar.

São estes desejos que surgem nas estações Fazendo-nos sonhar ao cruzarmos os nossos caminhos Quantos versos já compus para ti minha flor, Por poder conseguir viver contigo um amor com carinhos.

É que assim nem o frio do Inverno Faz murchar a nossa bela paixão Já que só desejo viver este nosso desamor Pecando sempre contigo minha flor do coração.

Mozelos, 2009 / 11 / 07 ANTÓNNIO CRUZ


“NOITE DE SEGREDOS”

Quando perdi toda a minha inocência Não sabia o que era a carne Ela era a moça mais bela da Vila Que existia naquela “terrinha” sem ser de cerne.

Era a minha bela donzela enfeitiçada Que nadava nas ondas perigosas do mar Onde parecia ser como um peixe dentro d’água Já que no seu corpo boiava simplesmente sem parar.

As minhas mãos pareciam simples algas Quando no seu corpo tocava e nele deslizavam Traziam átona a nossa arrebatada paixão Multiplicando o orgasmos enquanto nossos seres deliravam.

As águas que nos banhavam estavam vivas Sentindo aquilo que nunca antes nada tinha Subindo ao céu partindo das areias da praia Enquanto meus olhos viam a sua bela espinha.

Já que antes nada viam ao vivo E a beleza das suas duas estrelas Brilhavam por entre aquelas duas dunas Tornando-a numa nebulosa com prazer de come-las.

Enquanto bebia os seus beijos afrodisíacos Os meus olhos nocturnos iam reluzindo de luz Ao ficar perdido na sua bela ilha escondida Passando a ser a namorada da minha cruz.

Pois o primeiro nome da amada me encantou E ao me chamar simplesmente de seu filho Se transformava numa grande deusa de prazer Já que me seduzia e me alucinava pelo caminho.


E tudo o que sentia não era a fingir Já que aquela noite seria a primeira De muitas outras noites afogando no prazer Acabando o sossego da inocência com a bela “rameira”.

Seu corpo recordo e que ainda hoje cheiro A sua flor de jasmim e como todo ele se mexia Com a Lua de testemunha da nossa grande aventura Sobre a sua luz com os seus dezassete anos nada perdia.

E cada vez que erguia a sua saia Num só gesto da sua perna dobrada Sobre a minha carne se sentava livremente Mordendo a minha orelha por vezes era cantada.

Olhando as estrelas enquanto nada me dizia Jazíamos estendidos como anémonas na água Mas a “coisa” ainda se movia em sobressaltos Continuando a beijar a sua coxa sem mágoa.

Já que o pecado de carne tinha sido cometido Ia sentindo a sua pressão na minha mão Pois a sua flor tinha sido livremente desmanchada Ao ser aplicar em segredo a nossa louca paixão.

A minha amada desde então se tornou gulosa Desejando ser sempre tocada através daquela dança Sentindo o cheiro intenso do perfume pelo prazer Que tinha sido lançado no ar como nossa esperança.

Foi naquela noite que a nossa aventura começou Carregando a paixão como nossa humilde escrava Nas areias da praia ficando guardado como segredo O amor que foi distribuído em feixe direccionado em lava.


O mesmo surgiu sobre o negro da minha solidão Reflectindo sobre as águas que batem na areia Tornando a mesma mole e macia debaixo dos nossos corpos Enquanto à paixão nos entregávamos novamente como da primeira.

E com medo que Deus ouvisse os nossos gemidos Os mesmos quase não os dávamos sempre sentindo o amor Carregando a minha palmeira sobre a sua ilha escondida Assim a inocência terminara afastando a nossa dor.

Hoje a mesma paixão continua entre nós em segredo A dança não pára já que dela ficamos escravos Mas a nossa escravidão é doce e bem louca Pois a mesma se libertou como na revolução dos cravos.

Enquanto escrevo sobre este nosso segredo Sinto a paixão em mim fluir livremente Nada me faz desistir dessa mesma noite Em que o amor se depositou como nossa semente.

São Paio de Oleiros, 2009 / 11 / 10 ANTÓNIO CRUZ


“PEDRAS DA CALÇADA”

Nestas pedras da calçada escrevo Sobre um amor áspero pintado De violeta e coroado com folhas Carregado de espinhos de mal amado.

Por entre paixões do meu passado Que ficaram eriçadas com fundamento Visto ter lançado mesmo algumas dores Aos corações coroados sem alimento.

O alimento que nos mantém de pé E que nos leva a encontrar o caminho Que por vezes a cólera se antecipa Com saudades do beijo entre o carinho.

Foram paixões desafogadas pelo tempo Pelas quais segui caminhos novos para mim Como se dirigisse a minha alma pró inferno E lá talvez encontre o meu já esperado fim.

No qual precipitei-me sobre o fogo Um fogo doloroso que surgiu subitamente Por entre uma folhas perdidas no frio Que a noite ditou no meu caminho livremente.

Pois nesta altura sem saber do tempo Já não sei quem me ensinou este passo A única coisa que poderei saber de momento É que uma flor quebrou a pedra aos amasso.

Levando até mim uma paixão uno Mostrando a sua murada livremente com coração Certo é que me fez tremer na noite Sem saber se aguentava essa mesma emoção.


Pois as árvores abanam as suas copas Numa pavorosa ventania que as assola Faltando o Sol como presença diária Para brindar com o vinho celeste a minha tola.

Vou continuando nas pedras da calçada Pensando e escrevendo sobre o cruel amor Que muitas vezes me acercou sem tréguas E que hoje me abandonou nesta triste dor.

Lanço a minha espada aos espinhos Que abriram fendas no meu coração Queimando o mesmo com chamas de dor Por caminhos que antes estavam fechados à paixão.

Recordo sentado nesta fria calçada Aquela quebrada mas caprichosa paixão Que fez saltar os aromas bem palpitantes Que foram trepando até conquistar o coração.

E quando avisto um pássaro vestido No seu traje de Inverno sentindo aquela falta Que tantas vezes me aqueceu com o seu corpo Nas noites frias fazendo arrebitar a malta.

Já que a água não tem latitude Recordo os dons da Terra e do Sol Fazendo ressaltar a sua irascível fragrância Por entre as ervas aquecendo as raízes em rol.

O frio que faz corta como as espadas Sobre o silêncio da água que corre Por um ramo estando eu em pedra gelada Espero sentado pela paixão que em mim morre.


Sinto a vida a desvanecer lentamente Recordando nestas pedras frias da calçada Aquele amor que chegou a fazer espuma E que ainda hoje escrevo sobre essa pessoa amada.

Tendo as pedras da calçada como companhia Sofro quebrando a velha e eterna tradição Para isso continuo escrevendo sobre a luz da Lua Tentando não apagar a chama que resta no meu coração.

São Paio de Oleiros, 2009 / 11 / 17 ANTÓNIO CRUZ


“LOUCO NAS HORAS VAZIAS”

Fico louco nos dias que passam Assim como fico louco quando se esgota A minha poesia e nada mais me resta Apenas a saudade em simples gota.

Nada mais me resta hoje Que a saudade da hora vazia Brincando aos policias e ladrões Com pistolas de jornal que então fazia.

Surge agora uma cinza sobre mim Que me deixa escuro como breu A minha poesia se esgota na saudade Ficando louco de momento amor meu.

Visto que não tens culpa Do medo que sinto da multidão Já que só me restam alguns dias Para poder enfrentar esta minha escuridão.

Já que sem a minha poesia Eu simplesmente não sou nada E nestas horas vazias sofro livremente Por não encontrar a minha bela fada.

E por entre a fumaça que surge Tento sempre chegar à cidade Visto que a escuridão se instala Não sabendo mais onde pára a felicidade.

É que se extingue o meu pensar Nestes momentos em que estou louco São horas vazias perto da inexorabilidade Chegando mesmo perto do meu fim por pouco.


Nestas horas a minha poesia Se extingue nas suas belas cores Não me restando nada no momento Nem sequer um jardim cheio de flores.

E que não sinto nada de nada Estando morto de olhos em louco Resta o meu peso insuportável da vida Que me diz não ser real tão pouco.

Estou louco como aprendiz de poeta Assim como morto pelas minhas saudades Que me deixam sem vida alguma Visto que nunca sequer tive vaidades.

São estas horas que estão vazias Faltando o momento para a minha felicidade Ao escrever o que sinto estando esgotado Assim termino estando a chegar perto da cidade.

É nestas horas vazias que sinto saudades De não ser de novo louco como uma criança Visto que nesse tempo não faltam imaginação Para viver de novo as aventuras com esperança.

São Paio de Oleiros, 2009 / 11 / 18 ANTÓNIO CRUZ


“AS SAUDADES QUE TENHO”

As saudades marcam o meu tempo Já que delas não consigo sair Vivo literalmente nesse mesmo tempo Enquanto penso nelas consigo o meu coração ferir.

Tenho saudades de ser criança E na rua poder brincar livremente Sem nenhuma ameaça de hoje Pois assim era então feliz socialmente.

Tenho saudades de dizer bem alto Para o leiteiro, o padeiro “Bom dia”! Ou mesmo o peixeiro que lá passava Fazendo o seu trabalho de dia-a-dia.

Tenho saudades de brincar nos campos Que estavam por serem cultivados Da relva molhada e que sentia o cheiro Da sua frescura nesta quadra dos orvalhados.

Tenho saudades do silêncio da noite Em que não existia quase movimento Olhava a Lua por uma frincha Das empanadas encerradas pró momento.

As saudades que tenho hoje Do padre Manuel António como amigo Que nos meus tempos de catequese Por Silvalde ficou comigo de castigo.


Um castigo que cumpri vivamente Porque as saudades que tenho dele Se revelaram que continuo a ter fé E com Cristo vivo também para ele.

As saudades que tenho de jogar Sendo o futebol o meu desporto de elite Ao jogar nas pedras da calçada em criança Muitos ídolos imaginei na minha selecção por convite.

Assim como tenho saudades dos amigos Que no ringue do salão com eles jogava Como guarda-redes ou avançado de chapéu Ficando com os joelhos esfarrapados até chorava.

As saudades que eu tenho agora De ouvir nos campos os pássaros chilrear Ou atravessar o rio do “Rotão” brincando Apanhando musgo para os presépios enfeitar.

As saudades que tenho de desenhar Todas as flores do jardim lá de casa Assim como as aves ou animais que tínhamos Nas folhas brancas da Sebenta da “ASA”.

As saudades que tenho dos amigos Que o tempo e Deus levou simplesmente Norberto, Filipe, Peixoto, Aleixo e companhia Mas que o meu coração gravou livremente.


As minhas saudades de infância e juventude São muitas mais que uma vida perdida Por isso vou escrevendo aos poucos esses tempos Que voaram sem estar como criança esquecida.

E como uma chama que arde em mim As saudades ditam a minha escrita Sendo um saudosista num campo florido Que pinta as folhas de uma “doce vita”.

Silvalde, 2009 / 11 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“PAI AMIGO”

Regresso à terra que me viu crescer Meu coração por cá continua Assim como o meu pai amigo Visto que não o sei chamar da rua.

Ou melhor dizendo de outra maneira Já que as mágoas de si respeito Ficando o seu pouco carinho mas perfeito Pois em mim plantou a vida estando refeito.

Também me ensinou a caminhar Nesta mesma terra que me acolheu Tentando me dar uma vida bela Mas de mim pouco ou nada recebeu.

Sinto em mim o seu pouco carinho Que procura ainda me demonstrar Ao andar à chuva com ele Não sabendo como se deve amar.

Já que os seus sentimentos escondia Assim como eu hoje ainda o faço Recordando como era andar de bicicleta Faltando os pneus e também algum espaço.

Sorrir de tudo ou mesmo de nada Não o sei fazer assim como ele Carregando comigo ao colo me recordo Visto ser traquina e ter medo dele.

Por vezes me sentia cansado E os seus pensamentos comigo não repartia, Sendo o nosso único Sol lá de casa Demonstrando ainda que pouca alegria.


Cresci nesta terra sempre junto a ele Enquanto a vida foi seca e árida Brincava mas pouco comigo à bola Em faltava o seu carinho para a minha ferida.

Já que algumas abri como traquina Nunca faltando ao teu respeito pai Como uma criança andava na rua perdido Procurando um caminho para adulto que nele cai.

Hoje como adulto continuo meu pai A gostar apesar de tudo de ti Porque tentas ainda me ajudar Nos meus problemas por isso eu parti.

Não com mágoas escondidas no tempo Porque te recordo como o melhor Vives em mim com ternura sem escolher Já que o coração dita o meu amor.

E se tivesse que escolher hoje Continuaria a te escolher como meu amigo Neste mundo que Deus assim criou Pai, por isso desejo estar, para sempre contigo…

Silvalde, 2009 / 11 / 20 ANTÓNIO CRUZ


“JANELA DA PROVINCIA”

Alguns anos atrás numa certa província Uns pequenos seios avistaram numa janela Que se encontrava semiaberta para a rua Logo me atentei a entrar por ela.

Eram uns seios cheios de beleza Que qualquer homem por eles ficaria possuído Exaltavam com a sua beleza sendo os mesmos robustos Não avinhava tamanho imprevisto aos meus olhos surgindo.

O meu desejo se aflorou com tamanha violência Perante a beleza não oculta daqueles “objectos” Que ao altar me levaria a fazer sacrifícios Mesmo estando só aos meus olhos indiscretos.

Fiquei tentando cortejar tal mulher Que os meus olhos perseguiam doutro lado da rua A beleza dos seus seios de frente ao espelho Sendo um simples turista perante uma mulher nua.

Era um turista naquela província perdido Olhando para uma mulher com fruta atrevida Que aos meus olhos oferecia uns seios despeitados Não tenho memória alguma de tamanha mulher oferecida.

Tal visão não queria perder Pois a mesma por momentos me roubou a vida Minha boca seca ficou ao mesmo tempo Assim como húmida perante tal beleza perdida.

Estremeço do outro lado da rua Com o desejo da minha carne gulosa Devoro tais seios nus como uma criança Com tremenda alegria perante um rebuçado desejosa.


Minha visão foi cortada de vez Quando as duas janelas são fechadas Deixando de ver a beleza daqueles seios Passando a ser de novo um turista por terras aladas.

Por ora recordo tal visão em sonho No desejo da minha carne ficou gravada Aqueles pequenos seios cheios de beleza estranha Perante um nu que na minha memória ficou pintada.

Assim vejo aquela janela da província Como um turista andante cheio de recordações E poeta numa Vila estranha em descoberta Escrevo hoje a saudade daquelas minhas visões.

São Paio de Oleiros, 2009 / 09 / 11 ANTÓNIO CRUZ


campos de saudade 021  

APRENDIZ DE POETA

Advertisement
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you