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ANTÓNIO CRUZ


ANTÓNIO CRUZ


“ PREFÁCIO DE UMA VIDA”

Escrevi num mês distante, trinta e tantos, poemas a fio sem parar, numa espécie de êxtase. E hoje, é um dia triunfal da minha simples existência, nesta minha vida. O que se seguiu depois de alguma tinta ser gasta e muito papel ter sido utilizado; só sobrou um cesto de papéis cheio, foi o aparecimento de um novo “Poeta – Escritor”. Tudo isso, se verificou no continuar do pequeno Sonho de Criança que há muito tempo vinha a desenvolver no meu interior, utilizando pequenas rimas ou alguns pensamentos muito sugestivos da minha maneira de ser. E de ter vivido quando criança e também algumas situações, já como adulto. Desculpem – me, o absurdo da frase; mas apareceu em mim um enorme desejo de transcrever para o papel algo com sentido ou mesmo sem! Era simplesmente aquilo que vindo do meu eco interior ou directamente da minha mente, ditava por palavras ou frases simples, numa leitura rápida, e a minha mão escrevia para um bocado de papel. A expressão que sobressaia no meu rosto era a de um pequeno sorriso esboçado quando terminava mais um tema, mesmo que esse não tivesse muito sentido! Mas, era como se tivesse restituído alguma vida aos mais simples “poemas” ou “contos”, que eram para mim algo profundo mas muito belas. Só que por vezes, bastava unicamente o esboçar de um sorriso para me agradar e aquilo que acabava de transcrever logo por si existiria numa folha de papel sentindo toda a sua magia sem sequer poder falar! E, num certo dia, à noite quando relia tudo aquilo que já havia escrito em simples rascunhos, por vezes, revia ali a minha própria sombra retractada. Eram, e são, simplesmente memórias, brincadeiras, ou mesmo chamadas de atenção para o mundo em que vivemos. Sei que um dia alguém as vai poder ler e as irá existir na prateleira da sua biblioteca para quando este ser já ter abandonado o planeta Terra. Um simples risco da minha curta vida ficará lá conservada, para sempre todo o sempre como sinal da minha pequena existência terrena! E, só assim poderei viver eternamente, por milhares de anos a fio, recordando a Alegria, a Tristeza, o Amor, a Solidão e tudo aquilo que tiver dado a este Mundo! Mas, uma coisa Eu sei, que serei alguém que existiu um dia neste “Universo da Escrita”!... E essa recordação ficará para sempre nas memórias de todos, sendo como aquele que deixou um “Verso” quando morreu, e talvez seja a “Profecia” de uma vida!...

Mozelos, 2000 / 10 / 10 TONY CRUZ


TITULO

LOCAL / DATA

0

PREFÁCIO DE UMA VIDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 10

1

TER OU NÃO TER

MOZELOS, 2003 / 01 / 28

2

ERROS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1990 / 10 / 13

3

APOCALIPSE

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1991 / 10 / 23

4

SOZINHO e MALVADO

MOZELOS, 2000 / 07 / 26

5

VIVO PARA QUÊ?

SILVALDE, 1988 / 02 / 14

6

PENSANDO NO FUTURO

SILVALDE, 1988 / 02 / 10

7

A MINHA SANTA

ANTA, 2009 / 05 / 28

8

LER e SONHAR

MOZELOS, 2000 / 10 / 05

9

VENTOS ESQUECIDOS

SILVALDE, 1989 / 08 / 10

10

PORTA DA VERDADE

ANTA, 2009 / 06 / 11

11

PALCO DA VIDA

MOZELOS, 2001 / 04 / 25

12

MULHER QUE FAZES GIRAR O MUNDO

SILVALDE, 1988 / 03 / 22

13

JARDINEIRO DA POESIA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 07 / 02

14

BANCO DE JARDIM

SILVALDE, 1988 / 03 / 12

15

BATALHAS DE AMOR

MOZELOS, 2000 / 09 / 10

16

LINHA DA VIDA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2006 / 09 / 14

17

ADOLESCENTE

MOZELOS, 2005 / 06 / 06

18

SÓ PALAVRAS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2002 / 04 / 29

19

BOCA FECHADA

MOZELOS, 2000 / 12 / 30

Em "Árvore do Destino" escrevo livremente Sobre os ventos esquecidos da vida brevemente São palavras que saem de uma boca fechada Perante uma porta da verdade sobre a minha amada. Ao viver num palco da vida fico sozinho e malvado Vou pensando no meu futuro ao ser abandonado Já que ao ler e sonhar consigo vou fazendo a minha poesia Numa linha da vida pensando sempre no que escrevia. E nas batalhas de amor fico por ter ou não ter A minha santa já que cometi erros sem o saber Sobre uma mulher que faz girar este nosso mundo Escrevo sem saber como um adolescente bem profundo. Mozelos, 2009 / 09 / 19 TONY CRUZ


“TER OU NÃO TER”

Já alguém o disse em tempos passados -“Ser ou não ser, eis a questão”! Hoje em dia se trocar algumas palavras E aplicar com algum sentimento vindo do coração.

Consigo descrever a frase na seguinte forma -“Ter ou não ter, é a minha questão”! O porquê de ter ou não ter, é simplesmente A lógica da vida que me leva à confusão.

É uma lógica que ao colocar a seguinte frase Nada é fácil neste mundo em que vivemos Pois o mesmo mais parece um inferno transformado E em que o planeta Terra é aquele que temos.

É um planeta em que mais parecemos sem o sermos A sua carne para canhão no meio das guerras Ter ou não ter é os governantes deste nosso mundo Que o assim fazem com a sua lei de feras.

É a lei do poder que risca as regras Quem tiver mais força pode mesmo vencer Os jogos que se realizam em arenas terrestres São assim os pobres de espírito no seu morrer.

Mas os pobres de bolso que lutam diariamente Entre si para entreter os nossos “Césares” Que nesta nova era surgem aos pacotes Tentando sempre vencer os nossos gloriosos mares.

Como os “gladiadores” somos sempre assistidos Por um “César” na sua tribuna imperial Bem confortável bebendo o seu café e olhando o futuro Com sorrisos de troça esperando pelo apito final.


Sabem bem que o mal sairá ganhador Pois a sua certeza é única e verdadeira Que na vitória nunca libertará o seu vencedor Porque terá que continuar a pagar a factura da sua eira.

É a mesma factura que dentro do circo A nível mundial existirá enquanto reinar a lei do poder É assim a nossa vida de “ser ou não ser” Perdão do “ter ou não ter” poder neste mundo como ser.

Pois onde só existirá a ilusão do império E não a ilusão de um dia poder haver “A Paz, o Amor, a Liberdade e a Igualdade” Sem que para isso nós os “restos” tenhamos que morrer.

-“Ter ou não ter, eis a grande questão”! Que se os nossos imperadores quiserem mudar O nosso planeta viverá em eterna harmonia Sabendo sempre como o próximo se deve amar!

Mozelos, 2003 / 01 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“ERROS”

Esta minha curta vida Está sempre cheia de sofrimento Sei que devo simplesmente deixar A minha voz falar do sentimento.

Pois milhares de culpas Que me acompanham sempre Enquanto espero ver a verdade A minha vida foge da realidade.

Mas quem é quem Responsável pelos erros cometidos E que há muito desespero Pelos amores que estão perdidos.

É que um pequeno erro Transforma o nosso belo amor Numa simples sensação de vazio E assim chora o meu coração de dor.

Mas tu sabes o sentir E ler este seu frágil palpitar Escrevendo a sua eterna emoção Com um só pequeno olhar de paixão.

Já sem termos a preocupação O céu será o nosso tecto Neste mundo carregado de amor Que por enquanto vivemos de facto.

Pois o nosso amor É como uma simples árvore Em que as suas raízes Crescem com muito teor de mármore.


Já que juntos vemos a chuva Que vai caindo em pelo chão Por entre as nossas persianas Revelamos a nossa louca paixão.

Também sem cometemos erros Nesta nossa vida bem louca Procuraremos então viver o nosso amor Num simples tom de voz algo rouca.

Basta-nos apontarmos os nossos erros Para que os mesmos não se repitam Desejo nestas palavras não mais sofrer Enquanto os nossos corações juntos apitam.

São Paio de Oleiros, 1990 / 10 / 13 ANTÓNIO CRUZ


“APOCALIPSE”

Sobreveio um grande terramoto celeste Abrindo grandes fendas na terra Árvores foram arrancadas simplesmente E outras foram cortadas à serra.

A violência é tremenda sem igual Prédios desmoronam-se aos poucos e poucos Como se tivessem sido cortados abruptamente Por uma grande serra pertencente a loucos.

O Sol escureceu a Lua ficou avermelhada Como se fosse um grande lençol Cheio de sangue humano nele derramado Seguindo-se tudo embrulhado em rol.

Todas as estrelas do nosso universo Foram caindo aos poucos por terra Sem ter sentido algum como fruta Que ao estar madura cai para lá da Serra.

Vão caindo das suas árvores simplesmente Ao chegar a sua altura do ano ou da estação Talvez mesmo como se as mesmas fossem agitadas Por uma forte ventania sem algum sermão.

O céu vai desaparecendo com alguma lentidão Como se fosse um gigante papiro enrolando Através de duas mãos enormes livremente Sem pedir a nossa última aprovação vamos olhando.

Todos os montes, vales e planícies Foram varridos da superfície terrestre simplesmente Assim como as ilhas se foram afundando Aos poucos nos seus mares numa irmandadamente.


E todos os seus filhos do Pai Apesar de serem bem discretos se foram Então todos os dirigentes da Terra fugiam Assim como todos os grandes ditadores, ricos se esconderam.

Também os escravos e homens livres, Se refugiavam em cavernas e grutas Das grandes montanhas receosos e tementes Pois os mesmos pareciam que fugiam como trutas.

Mas receosos estavam os ricos pelas suas vidas Os crimes que cometeram em tempos lhes ocorreram Nos seus pensamentos sujos pelas suas promessas feitas Gritando por entre desfiladeiros ainda de pé rezam.

-“Oh vós Deus que caies com tudo Por cima de nós perdoai-nos por favor Já que nunca paramos para vos escutar A tua nobre voz conquistadora do amor”!

-“Deixai-nos por favor esconder o nosso rosto Porque a vossa ira é enorme meu Deus Pois nunca fomos dignos de vos ver”! -“Oh Deus tende piedade de nós e dos irmãos meus”!

-“Sabemos que usamos o vosso nome em vão”! É que havia chegado o grande dia final Já há muito tempo tinha sido prometido A todos aqueles que se portavam como um animal.

Deus fez soar os trovões sobre o céu O mesmo de negro se “pintou” simplesmente Mais parecendo um pano escuro de fundo Quem poderia resistir ao grande pecado da sua mente.


Tudo não passa de uma humanidade Num mundo tão ganancioso e cheio de discórdias As mesmas foram enormes durante séculos Nunca conseguindo resolver nada até aos nossos dias.

Até que o verdadeiro “Poderoso” se resolveu A colocar a sua mão pesada neste mundo Que tão sujo está assim como manchado De sangue inocente, suor e lágrimas com sentimento profundo.

Tudo isso provocado pelas guerras do poder Assim se acaba a vida neste planeta Que outrora foi pintado de azul e verde Cheio de esperança viva sem conversa de treta.

Só que foi essa mesma esperança Que de tanto guerrear se ter esticado rebentou Terminando com todo o sofrimento interno Sendo derrubadas as barreiras do mesmo inferno.

Eram algumas barreiras que por vezes Até nos faziam conseguir sobreviver e vencer Sobre o mal só que Deus nos quis provar Que ninguém consegue construir o seu final até no morrer.

Mas é este então “O Dia Final” simplesmente Já que tantos séculos teve como garantia e aprovação Chegando ao fim com toda a sua grande violência Neste universo humano que nunca teve sequer compaixão.

Foi cruel mesmo no seu fim E bem podia não o ter sido assim Pois chegou ao fim a luta pela sobrevivência Que os grandes ditadores quiseram impor neste jardim.


Só que Deus acabou com esse reinado Um reinado bem mais curto simplesmente Porque o “Poderoso” sempre teve um coração leve Acabando por se encher de impurezas ficando pesadamente.

Pesado e duro o seu coração se transformou em pedra E assim termina o Apocalipse da hierarquia humana bem cruel Sobre o reinado deste planeta Terra do seu querer Ficando um espaço vazio no Universo Estrelar sabendo a fel…

São Paio de Oleiros, 1991 / 10 / 23 ANTÓNIO CRUZ


“SOZINHO e MALVADO”

É noite escura vou percorrendo os passeios Desta avenida que calqueio sem parar Um homem desce a rua em direcção a mim Ficando com medo se devo ou não avançar.

Quando passa por mim então reparo Nas suas vestes negras como a noite Seu rosto tem uma feição de vagabundo Transportando escondido o medo com afoite.

O seu caminhar de arrasto faz dele Uma sinistra figura dum filme de terror Mas eis que ao passar me diz algo Que me intriga na sua voz rouca de açor.

Chama-me de “sujeito” mole sem postura E quando me viro à sua procura Já o homem sinistro tinha desaparecido no nada A escuridão o escondeu sentindo o medo da aventura.

Continuando a minha penosa caminhada Vou perguntando a mim mesmo com medo -“O porquê de a vida ser tão dura para comigo”? Nem tendo a noite como companhia me safa deste enredo.

Sendo eu um comum e pacato cidadão Será que não posso ter uma oportunidade Ou uma hipótese de atingir a minha rendição Já que só procuro uma migalha de felicidade.

Não quero acabar como uma simples criatura Que num longínquo cemitério sem eira nem beira Tudo se torna numa visão sem sentido algum Como as palavras ou imagens que nascem e morrem na ceifeira.


Pois as mesmas nascem e logo morrem À velocidade da luz sendo eu o seu coveiro Vou fazendo um festim no meu mundo sombrio Tentando ganhar mais algum tempo extra em dinheiro.

Um cão vagueia ao luar da noite escura Será que falta muito para chegar à minha porta Seja iluminada ao ser encontrada pelo meu pobre ser Talvez assim possa descansar e sair deste filme de torta.

Um sujeito de “barriga de cerveja” tenta me agarrar Seus cães rafeiros rosnam sem cessar Enquanto me encontro preso numa cadeira velha De grades cheia de ferrugem só me apetece chorar.

-“Por favor tirem-me daqui para fora Já não acho piada alguma a nada disto”! Gritando até ficar sem folgo me vou rendendo A todas estas minhas alucinações mas que esquisito.

E se encontrar um “guarda-costas” para mim Poderia ser muito bem aquele meu amigo Que perdi numa briga de café sem sentido A minha disputa me tinha levado a isso como castigo.

Só porque sou tão distraído e não consigo reunir As pessoas à minha volta nesta batalha pela vida E por falar em estar com pessoas junto a mim Onde estará a minha ex -mulher que me era tão querida?

Nestas noites longas de Inverno cerrado e frias Onde parará toda a minha rica família? Será que morro aqui sozinho neste Dezembro? Sei que não fui pessoa fácil de aturar em vigília.


Sempre fui um malvado procurando algo mais Nem tendo reunido à minha volta uma mulher Que há muito era uma simples mulher “modelo” Quando eu simplesmente não era o homem que devia ser.

Nesta minha louca busca sem sentido perdi Mas perdi mesmo tudo e isso agora sei Pois tudo desapareceu no meu longínquo horizonte De um momento para o outro sem rasto assim pequei.

E sem rasto também por entre a multidão Numa rua deserta qualquer de gente vulgar Tendo estado casado com a minha “gordinha” E por uma ideia maluca a deixei simplesmente escapar.

Mas sempre houve incidentes e acidentes Sempre houve insinuações e protestos diários Durante a minha vida de casado e talvez Tudo isso seja o terceiro mundo de vários

Não é a primeira vez que me encontro sozinho Neste filme macabro que é a minha vida Em que todas as pessoas que me rodeiam Parecem ser estrangeiras e nelas está a minha querida.

Todas falam idiomas diferentes sem sentido Para poder ser traduzido por mim algum dia Estando rodeado de sons vindos de parte incerta Mais parece um “marciano” sem existir guia.

Crianças num orfanato berrando e chorando Nada parece ter algum sentido para mim E mais uma vez olho à minha volta Só encontrando “anjo” num muro de jardim.


E outros numa parede pintada de branco-sujo Por mãos cheias de óleo como uma pintura Ou melhor uma arquitectura sem nenhuns escrúpulos Já não sei se consigo viver mais esta minha aventura.

Pois os meus “anjos” se descolam simplesmente Das suas paredes sujas e voam na minha direcção Rodopiam em circulo cantando e tocando música infernal Mas em notas suaves ferindo o meu pobre coração.

As notas suaves vão saindo das suas flautas Com uma certa magia sem quererem parar Mais parece que a eternidade a si me chama Tocando no meu ombro acabo por ficar sem poder falar.

Só posso dizer que o medo me atacou -“Vem! A tua solidão e a tua sorte ambas se acabaram”! Só que tudo isto desapareceu num estalar de dedos Foram palavras sinistras que nos meus ouvidos suaram.

Vejo-me mais uma vez sozinho na noite escura Meu coração aperta-se de dor neste acordar inimigo Mais um pesadelo bateu em mim com este medo Gritando bem lá no fundo do meu ser o digo -“Amem! Aleluia, brilha lá fora o Sol de manhã cedo”!

Mozelos, 2000 / 07 / 26 ANTÓNIO CRUZ


“VIVO PARA QUÊ?”

Vivo para quê? É uma pergunta enigmática Talvez até consiga uma resposta impossível Ainda que procure bem lá no fundo do meu ser Que há tanto para descobrir que está passível.

Talvez também tente descobrir qual a razão Se der ainda hoje um ser tão sofredor Numa vida que se vai dando a conhecer Mas que num campo neutro me provoca dor.

E neste mundo polémico que se tenta auto destruir Sem nunca pensar o porquê e qual a razão Para existirmos sem ter uma vida só nossa Existindo interferências do desconhecido tocando fortemente o coração.

Mas vivo para quê? É uma pergunta que faço Talvez nunca chegue a obter uma resposta certa Para poder me exprimir perante as pessoas Que vivem em redor do meu ser sem uma meta.

Uma vida para a qual ainda não encontrei A sua resposta certa em que não tivesse dúvidas Ficando quase sempre sem obter um fim próprio E sem uma segurança nestas minhas vidas.

Já que vivo numa região do enigma Como um gato som as suas sete vidas Neste planeta que cada vez mais Têm quebras vindas do seu interior sem sinais.

É uma perda sem fundo à vista E uma razão única em que pudesse Então me debruçar a fundo para conseguir Uma só resposta em definitivo sem fugir.


Viver e só viver será o único motivo Para conseguir uma vida em que trabalhar É o principal objectivo para um dia atingir A meta da minha dimensão própria sem fingir.

É que ao atingir a meta da vida Da minha dimensão própria nesta fase Em que nenhum ser se possa introduzir No meu caminho com barreiras por induzir.

É que os erros criam também barreiras Que chegam a destruir a minha felicidade Quando uma aventura percorre o meu caminho Pondo a descoberto a linha do horizonte sem idade.

E que dificilmente consigo alcançar o objectivo Da minha existência neste imenso universo Sem que a religião ou raça possam impor a lei Podendo alcançar a felicidade com frente e verso.

Porque se não pedir ajuda a um outro ser Talvez ele me consiga ajudar a ter força Podendo seguir em frente e deixar de olhar para trás Talvez assim o meu pescoço não se torça.

Porque esse mesmo destino poderá sofrer desvios Que a minha razão de existir se possa confundir Com a destruição que os outros possam provocar Pois os mesmos podem nem sequer ter como fugir.

Ou quem sabe por algum sentido de sobrevivência Querendo descobrir qual a razão deste meu viver Deixando os sentimentos dos outros seres de lado Para que assim possa então conseguir sobreviver.


Mas isso nos custa bem caro hoje, Ao tentar então descobrir os porquês? Será que existe um talvez em cada questão Que por si só se possa colocar o marquês.

Pois sozinho tentarei descobrir algo mais Ao longo do percurso da minha existência Qual será o objectivo para eu conseguir viver Sem saber para quê? Já me faltando a paciência

Sem essa paciência não consigo saber O porquê de viver nesta minha tormenta solidão Só me resta nestas páginas o desabafo deste meu escrever.

Silvalde, 1988 / 02 / 14 ANTÓNIO CRUZ


“PENSANDO NO FUTURO”

Pensando no futuro, sim talvez Não digo que não nem digo que sim Porque sempre pensei qual seria O meu futuro até chegar o fim.

Pois toda a minha vida enquanto criança Pensava e sonhava com muita coisa E que na realidade não passava de mentiras Ás quais em plena adolescência escrevia em loisa.

Foram verdadeiros pesadelos ao serem revelados Contra os quais tento lutar com garras E dentes bem afiados para ficar firme à terra Não me deixando cair de novo faltando amarras.

Pois sei que se assim acontecer agora Não me conseguirei levantar mais nesta vida Vou ficar à espera de encontrar alguém É esse o meu futuro descobrir uma pessoa querida.

É um futuro pelo qual me tenho debatido E debatido bem afundo e jogando bem pesado Este meu espírito sonhador que levo por ora Não conseguindo passar esta fase de mal amado.

É uma estúpida crise de sentimentos vazios Que vou percorrendo neste caminho solitário E seguindo de estrada em estrada por desvios Com curvas contra curvas numa vida de otário.

Pois a mesma não tem sentido algum Pela qual nunca pensei sentir este mal-estar Que vai dentro do meu ser com este espírito Que tanto sonha em só querer e poder amar.


E que ao mesmo tempo tento lutar No centro de um campo de batalhas Numa guerra aberta para conseguir Atingir a sua meta rodeado pelas malhas.

Onde tenho sentido certas dificuldades E batido também com a cabeça algumas vezes Em que tanta portas se foram fechando Quase todas elas surgiram nestes meses.

Sei que devo lutar e seguir Um novo rumo, pois tem sido esse objectivo, Também sei que não devo desistir facilmente Muita coisa já me foi dita de cara vivo.

Ou chegou a ser escrito suavemente Por uma pessoa que me consegue compreender E me tem apoiado neste momento difícil Em que a minha vida se encontra para morrer.

E sem esse mesmo apoio oferecido Não sei o que seria por ora Só sinto rancor comigo mesmo Por ora ter coragem e me vir sempre embora.

Talvez essa pessoa possa ser algo mais Nesta minha vida que tem sido inútil Mas que posso eu pedir mais agora mesmo Se não consigo ter espírito de líder e ser fútil.

Pois quando a enfrento cara a cara Penso perfeitamente que tenho que vencer Esta minha batalha dando-lhe um novo rumo, Ao meu ser com uma nova vida e um novo querer.


Só que o meu ser simplesmente é covarde Para que possa desejar alguém assim Pode mesmo me compreender com espírito livre Até que esse, alguém chegue a ser amado por mim.

Talvez chegue mesmo ao ponto De um dia vivermos uma vida a dois Sim, talvez seja esse o meu grande dilema E a principal fonte da minha alimentação com sóis.

Pois na qual todas as minhas esperanças Estarão voltadas para um futuro Que será bem diferente nesta vida Sendo tudo simples deixando de ser escuro.

Não tenho necessidade de muito mais Se as coisas seguirem esse novo rumo É que para mim o que vale bem É a simplesmente a verdadeira felicidade em prumo.

É que a verdadeira felicidade e a compreensão Assim como toda a minha vontade de estar agora Já que a mesma estará voltada num único ponto o vencer Pois a minha covardia não se quer ir embora.

Ao ganhar a covardia consigo atingir alegria Que assim vai sendo depositada em mim E como um barco que espera no seu cais A sua carga no meu ser espera o seu fim.

Um fim para esta covardia em mim Tentando esperar e conseguindo encontrar O que mais desejo sem medo algum Talvez assim consiga aprender a amar.


E isso espero, conseguir vencer agora Esta guerra cheia de muita pressão Ao me tornar num herói é esse desejo meu Já que o meu ser reza diariamente pela paixão.

Ao correr mais um risco na vida Sem me desviar das suas portas erradas Será que vou encontrar finalmente o futuro Ao abrir a porta certa das pessoas amadas.

É que só assim decididamente conseguirei, Viver a aventura que se torna esta vida No seu labirinto transformado em solidão Só peço a Deus poder encontrar no futuro a minha querida.

Silvalde, 1988 / 02 / 10 ANTÓNIO CRUZ


“A MINHA SANTA”

Já algum tempo que procuro agradecer Mas as palavras não me saem Pois ouço dizer que existem milagres E um deles surgiu à minha frente sem margem.

Por entre as noites ou mesmo os dias Uma “santa” me apareceu à frente Me estendendo a sua mão como amiga E alimentou meu coração de maneira diferente.

Seu nome não vem nos livros Só posso dizer que não é miragem Posso dizer também que parece uma rosa Que me fez atravessar um rio para a outra margem.

Minha vida era simplesmente a escuridão Onde reinava o sol de breu Mas com compreensão e carinho Descobri o amor não sendo um Romeu.

Simplesmente me estendeu a sua mão Como amiga que se tornou livremente No seu coração me deixou entrar Assim passei a receber o carinho constantemente.

Abriu-me a janela para o seu amor Que aos poucos fui roubando a sua filha Ao conquistar a sua flor querida E só não me deixou ficar sozinho numa ilha.


O seu chamamento foi como um rouxinol Ao mostrar o brilho do seu sol Revelando o meu pecado pelo amor Que a sua flor desabrochou em meu prol.

Livre passei a ser nesse momento Sem noites escuras nem neblinas Se abriu a sua porta para mim Ao semear a batata pelas imensas colinas.

Descobri que nada era fácil consigo Mas só queria ser feliz ali Assim passei a deixar de estar só E do amor da sua filha não fugi.

Pelos campos músicas são cantadas Enquanto o trabalho por nós é feito Rendo-me à sua dedicação para comigo E penso que a “santa” Xica não tem defeito.

Pois a sua janela está sempre aberta Para comigo e a sua filha Flor Sei hoje que o seu amor de mãe O recebo livremente ao escutar a nossa dor.

Muitas vezes nos faz desenrolar as retinas Que os nossos pecados as fecham Fazendo com que o Sol nos aqueça Esquecendo as dores que nos atormentam.


É a minha “sogrinha” bem querida É a minha “santa” de coração Só quero poder receber o seu amor de mãe E como seu filho esquecer a solidão.

Já que o amor da minha flor Conquistado está e por algum tempo ficou Porque não sei o dia do amanhã e não esqueço Que a vida é dura e que nada é eterno Por isso minha “santa – sogrinha”, assim me despeço.

Anta, 2009 / 05 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“LER e SONHAR”

O prazer que se retira dos livros Pode ser substituído com vantagens Através do contacto com a natureza E pela observação da vida nas viagens.

Descobri que ler é uma forma limitada De poder sonhar e se tenho que sonhar Que sejam com nobres sonhos Porque ler é belo ao se saber amar.

Já que nos humanos o podemos fazer Pois nas nossas horas de solidão literária A nossa imaginação vai captando a mensagem Que o livro nos transmite sem ser adversaria.

Aos poucos e poucos vamos as letras devorando Letra após letra, palavra após palavra Tudo se transforma no nosso subconsciente Sendo transportado para lá da minha realidade em crava.

É que para lá da nossa realidade Não existem barreiras algumas bastas sonhar É um universo paralelo neste meu mundo de sonho Vivendo uma realidade sem igual bastando-me saber amar.

Mas apesar de ser um leitor ávido E sempre interessado, poucos são os temas Que recordo sempre de um livro já lido Por mim um dia nunca sabendo os seus lemas.

De tal forma que a literatura reflecte O meu estado em termos de alma E os sonhos me engrandecessem sempre Ajudando-me quase sempre a manter a calma.


É um desafio para mim sonhar Recordando acontecimentos de paginas lidas De uma vida exterior a mim sendo tudo vago E incoerente sem demagogias por outros oferecidas.

Estremeço um pouco quando penso Nas vidas ilustradas através das palavras Que nos livros vêm e leio vagarosamente Recordando nelas a minha vida sem escravas.

A minha curta vida nestas páginas Se encontra escrita em apontamentos Porque sou um homem que defende o presente Num sonho sem futuro definido mas cheio de sentimentos.

Talvez algures no tempo essas vidas Possam roçar nalgumas páginas já percorridas Porque defendo o presente como o sonho Que aos meus olhos serão sempre vidas.

Sou menos do que uma “coisa” E num futuro onde só a escrita Assim como a literatura terão uma palavra A dizer, sobre o meu passado nisso ele acredita.

São as minhas memórias reflectidas As mesmas que ainda me fazem movimentar, O meu pensamento tal se põe em questão Porque a escrita eu quero sempre amar.

Mas tudo isto não passa de um sonho O mesmo é determinado visto que um dia Talvez algures no tempo futuro ao escrever Um livro fazendo parte do meu sonho, já o pedia.


E quem sabe um dia sentado no sofá Junto a uma lareira um livro vou lendo, Como se fosse a primeira sendo meu Assim a minha humilde curta vida vai enriquecendo.

Porque esta vida me ensinou Que é bom ler e sonhar estando como semente Pois a esperança não morre hoje Só tenho que continuar assim seguindo em frente.

Mozelos, 2000 / 10 / 05 ANTÓNIO CRUZ


“VENTOS ESQUECIDOS”

Há momentos na vida do ser humano Que são como o vento que sopra É como a sua maneira de pensar Que por vezes até mesmo ele se consegue trocar.

Um vento que sopra como uma brisa ligeira Junto ao corpo desse ser sentado num muro Cujo, o mesmo é feito de pedra angular E solitário vai descrevendo sua vida sem parar.

É um jovem que pensa em toda a sua existência E em silencio vai descobrindo como ela mudou Assim como toda a sua vida nesse seu universo Procurando palavras para acabar o seu verso.

A sua vontade de conquistar algo para lá do além Que já existia em seu redor parece já não ter O seu significado transformou-se na sua razão de viver E isso, ele não quer nunca poder a mesma esquecer.

Como uma árvore em que a sua raiz Se torna cada vez mais forte e segura Sua vida se tornou igual, mas ao mesmo tempo insegura, Pois tudo parece querer romper os laços de uma vida pura.

O que une à sua curta existência neste universo Se tornou bem complexo só que existe a vontade Uma vontade bem forte que ele quer e tenta agarrar Ao que de bom ela lhe foi trazendo ao passar.

Mas nem tudo parece ir bem no seu interior Vai existindo uma grande batalha pela moral Que ao mesmo tempo vai perdendo as suas forças Levando-o à incertezas das suas capacidades ainda moças.


Assim tenta sobreviver e o seu corpo continua repousado Sobre o muro de pedra no seu olhar perdido no tempo Fixando o mesmo olhar no céu azul enquanto vai viajando Na companhia das nuvens através dos cumes como estivesse sonhando.

Atravessa montanhas, serras ou mesmo oceanos Procurando a verdade no seu pobre coração perdido Todo o seu ser paira no horizonte da sua vida A qual vai reflectindo sobre tudo o que sonhou na sua despedida.

Já não existe nesta sua vida no presente Mas sim num sonho perdido como o vento Que se vai prolongando pela noite mais sentimental Tentando descobrir para si apenas um final.

Sonho esses pelos quais a sua vontade quer lutar Mas para os conseguir já perdendo as forças Que do seu interior vão vindo devagar em corrente Tentando os conseguir realizar ainda na sua existência carente.

Esta sua existência terrena nada proclama E como um computador vai percorrendo programa a programa À espera de encontrar o vírus para a sua pergunta Que está bloqueando seu cérebro como uma permuta.

Já que a sua existência perante a vida neste universo Está cheia de interrogações porque a mesma vida Assim o quer e já não parece ter alguma razão É simplesmente um jovem perante um enigma sofrendo de coração.

E porque não se transforma como o Sol nascente O qual os seus raios solares nas águas parecem setas Apontando para as colinas de uma vida amargurada Vão percorrendo os vales até atingir os oceanos como uma espada.


E como uma espada de lamina bem afiada O seu coração se vai ferindo diariamente Mas sempre procurando a força para a sua vida Já que os problemas nascem e a paixão está perdida.

Os mesmos problemas surgem no seu caminho facilmente Só que para os ultrapassar tenta usar as correntes Quebrando a barreira que dá curso à vida sem solução Terá que ser a força das águas a sua nobre e única razão.

Já que a sua existência está simplesmente marcada Na procura da alegria em toda a natureza por onde vai Talvez assim consiga uma nova vida criar Visto que a sua antiga nunca o deixou saber amar.

Assim como o vento que sopra por entre as árvores São as interrogações que se formam na sua ainda curta vida A qual terá começar de novo dando uma razão Ao que o passado será então levado pelo vento do furacão.

E ao mesmo tempo que possa ficar no saco O saco que o leva ao seu esquecimento São assim as interpelações da vida desse jovem ser Que chegando à conclusão de uma resposta sem morrer.

Será a resposta que está no seguir em frente Deixando o passado ser levado simplesmente pelo vento A sua resposta ficará então para sempre no ar Sem nunca saber se um dia poderá saber amar.

Então o jovem se levanta e caminha Em direcção ao infinito da sua vida Já que a mesma deve seguir um novo rumo E que os ventos esquecidos o façam sem algum fumo.

Silvalde, 1989 / 08 / 10 ANTÓNIO CRUZ


“PORTA DA VERDADE”

Uma porta estava aberta E pela qual a verdade passou É a porta da verdade A que uma pessoa me juntou.

Essa pessoa por sua vez Me fez atingir a verdade Ao entrar por essa porta Conseguindo-me levar à felicidade.

Assim consegui atingir a verdade Com um perfil da realidade Voltei igualmente a ser a pessoa Que Deus me mostrou a sua felicidade.

Pois Deus me juntou as pessoas Era um grupo de verdade sem nome Que procurava na força a felicidade Alimentando a realidade com o que come.

Sei que todos os perfis Uns com os outros não coincide Mas juntos fazem a força Que derruba as portas que os dividem.

Ao chegarem ao lugar luminoso A sua verdade é esplêndida Os seus fogos são a verdade Que nas chamas está dividida.

Somos todos diferentes simplesmente E se chega a discutir abertamente Qual será a verdade da verdade Só que todos o fazem livremente.


E todas as verdades são belas Ao passar pela porta da felicidade Mas nenhuma é totalmente bela Se não existir uma ponta de amizade.

Como seres humanos que somos Cada um opta pela sua verdade O seu capricho é a ilusão E a sua miopia é a realidade.

Pois a porta estará aberta Mas só deixará passar a verdade Que cada pessoa queira trazer Mas qual será a minha realidade?

Anta, 2009 / 06 / 11 ANTÓNIO CRUZ


“PALCO DA VIDA”

Não há corrente para que se faça luz A maré não vaza nem enche O relógio não dá horas Nem o único fósforo se acende Já não sei mais que fazer a esta cruz.

Quando o amor dá para o torto nada parece correr bem Uma áurea negra se instala e a vontade surge por dias Uma vontade de desaparecer que se torna maior que nunca Os dias são escuros e as noites longas cheias de demagogias A Lua se torna a sua única amiga mas não lhe fala também.

É um homem casado mas sempre muito solitário A sua mulher fica insuportável no seu pedido Pois os mesmos quase são “ordens” suas O homem fica triste num estado lastimável e escondido E sem saber mais o que fazer escreve o seu diário.

Tudo fica um pavor a mulher sai e faz das suas Mas o pobre homem o que pode fazer para a contrariar Já que o amor que existe bem dentro de si Onde a sua “vitória” poderá ser bem a derrota sem variar Será ainda uma derrota interior ficando as suas vidas mais cruas.

Porque a ladainha da sua mulher será a única a ter razão E mais vale ser essa a falsa razão ao homem podendo se unir É o que faz o amor neste “palco da vida” sem fantasia Onde nada se consegue fazer para se sair de cena sem sorrir É que se o acto ainda não tiver terminado sofre o coração.


E quando assim o é por mais solitário que possa andar Vai vagueando por entre as Estrelas e a Lua É que sozinho nada pode ou consegue resolver Já que nada corre bem no “palco da vida” sendo a verdade crua E durante o “espectáculo conjugal” tudo parece querer desabar.

No “espectáculo conjugal” representado por um homem e uma mulher Por vezes quando o amor perde o seu fascínio A peça por ambos representados acaba num autêntico fracasso Há muito coisa a bloquear a corrente da paixão com delírio Não deixando passar a faísca que existe dentro de si pelo prazer.

Deve o homem verificar sozinho o que está a bloquear A sua falta de diálogo durante o decorrer da peça Pois a mesma representa as suas vidas diárias E o papel da sua mulher qual é? Será que ama de verdade? Que meça! Ou será que só representa as estações de uma vida sem pensar.

Serão as estações de uma vida cheia de fantasia Sem que a mesma peça possa ter um final feliz Já que só deve o “homem actor” fazer parte de uma novela Que se vai tornando radical em vez de uma peça bonita como se diz Representando o verdadeiro teatro no “palco da vida” nesse dia.

Talvez esse homem saiba o verdadeiro significado do amor Só que a corrente é forte demais para parar e conseguir associar A verdade e a mentira que faz parte da vida a dois Será que consegue descortinar bem as coisas dessa vida sem amar Ou o seu pensamento se tornou lento o levando a sentir a dor.

Para que essa mesma aventura perigosa e vivida em união Em que a sua mulher tenta representar o seu papel Só que o homem não consegue diferenciar estando já louco Já que o amor e o desejo no seu mundo irónico é representado com fel E a sua mente não consegue sentir a perigosa mulher que tem então.


É assim o “palco da vida” a dois num lar representado O amor que o homem sente se tornou perigoso Deixando de lado a verdade da vida em conjunto Tornando-se irónico e muito radical no seu amor bem desejoso Será que algum dia vai conseguir sobreviver no papel de um ser amado?...

Mozelos, 2001 / 04 / 25 ANTÓNIO CRUZ


“MULHER QUE FAZES GIRAR O MUNDO”

Mulher, tu que fazes girar o mundo Esperas um sopro de vida melhor Para que possas viver sem sofreres Procuras uma gota de alegria para a tua dor.

Ao viveres esse teu tempo sem demora Tantas preocupações nas quais procuras respostas E no teu intimo, viajas num universo, Em que o teu ser sofre e não o mostras.

É que por vezes se torna difícil Descobrir o resultado da sua equação É que a tua vida parece um aguaceiro Quando levas os teus filhos à escola de coração na mão.

Seguindo o teu caminho para o emprego Ao qual te entregas sem canseira Acabando sempre por encontrares a alegria E sabendo como o viveres não sendo à primeira.

Ao viveres uma vida livre e justa Mas que dificilmente conseguirás atingir o horizonte Um horizonte para a liberdade e para a igualdade Que te foi negada lá para os lados da morte.

Já que os tempos assim o ditaram E continua assim a ser com certos homens Os quais se julgam superiores na raça humana Mas isso deve mudar já que somos jovens.

Pois esses seres insignificantes como homens Não sabem como é dar e receber amor Tu, mulher és como uma flor num jardim Nesta sociedade descobres isso com muita dor.


Tentas sempre descobrir novas formas Para poderes enfrentar esse teu mundo Que não tem sequer dado chances as fracos Levando-os mesmo por vezes a bater no fundo.

És como uma nuvem branca Que se tenta mostrar no céu À espera que te digam qual o teu valor Já que vales muito com esse teu véu.

Como um livro magnífico tu és o tempo Que como grávida percorres no seu pedaço Trazendo mais uma vida a este nosso mundo E assim vais ocupando nele mais um espaço.

Porque a essa nova vida tenta dar A tua própria vida com amor Amando sempre esse mesmo fruto sem pensares Já que a tua natureza a pintas com cor.

Pois a tua natureza é simples E bela ao mesmo tempo como deve ser Sendo a coisa mais bonita deste mundo E nada se compara à tua forma de viver.

Mulher, tu que procuras encontrar o horizonte Nesta tua vida cheia de formas e cores E assim podes desfrutar dessas mesmas alegrias Como ser humano têm e vais vivendo de amores

Não te deixes enganar ou mesmo destruir Nessa tua forma simples de natureza mulher Vai, segue em frente com um sinal na tua vida E atinge o ponto da vitória sem nunca morrer.


Mulher que fazes girar o mundo Nunca percas essa tua forma de ser única Aplica o teu amor de forma habitual e sem canseira E nunca deixes cair a tua bonita túnica.

Silvalde, 1988 / 03 / 22 ANTÓNIO CRUZ


“JARDINEIRO DA POESIA”

Enquanto escrevo muitas vezes questiono Qual a forma desse mesmo poema E como farei a sua terminação Se rima ou não rima e qual o tema.

É que o simples facto de escrever Me leva à liberdade de expressão E quando o começo não quero parar, Pois também assim o dita meu coração.

São sentimentos que me fazem gostar De tudo o que escrevo simplesmente São cópias de vidas com sentido Que entram nos meus poemas livremente.

Palavra após palavra faço um poema, Com rima ou sem rima de sentido Assim descrevo a minha vida de aprendiz Que um dia o amor julguei ter perdido.

E com a alma escrevo um poema Mas o que é um poema para mim? São retalhos de um tecido com orifícios Onde um corpo o veste até ao fim.

Um poema também é uma flor Que pétala a pétala é trabalhada Com gotas de orvalho que se evaporam Como ideias reveladas pela minha amada.

É que sou como uma criança Que corre pela calçada em alegria As palavras se evaporam no ar Mas nas folhas ficam gravadas até um dia.


Um dia como um jardineiro As trabalharei com carinho e amor Porque o meu amanhã trás a poesia Que num canteiro cultivo essa mesma flor.

E esse botão se abre em verso Pulsando no meu coração com alguma dor Uma dor que se transforma bela num dia Através das palavras escritas com amor.

É que a mão que sepulta a poesia Me ensina a ser um simples aprendiz Que vai escrevendo poemas que são rosas Com um cheiro de esperança de ser ainda feliz.

Uma felicidade que está a meio gás Porque já tenho a minha família Que desde criança com isso lá sonhava Hoje repouso no chão de cansaço fazendo vigila.

Uma vigília por mais um poema Indiferente à forma como o escrevo, Espreito pela janela à hora do almoço E como aprendiz de poeta nessa arte, nada mais me atrevo.

São Paio de Oleiros, 2009 / 07 / 02 ANTÓNIO CRUZ


“BANCO DE JARDIM”

Do teu fruto nós somos E que tanto vós passaste E ainda hoje vós passais Pois nada disso, vós programaste.

Só esperais que nele Cresça uma flor e amadureça E que não quebre o galho Da árvore que sois e que nada se esqueça.

Só esperais que isso aconteça Quando chegar a altura da colheita Oferecida pela vida em sofrimento Sem nunca descobrires a sua receita.

Tanto rezais para que um dia Chegue a verdade e se demonstre Para que serviu a sua utilidade Talvez assim, o amor e a felicidade se encontre.

É que durante anos que o criaste Sem que os espinhos ou os ossos Te fizessem recuar no teu tempo Nem mesmo abandonaste ou tiveste remorsos.

Já que quando não aguentavas Mais essas tuas dores da vida Procuravas dar sempre o teu melhor Mesmo que para vós a vida estivesse perdida.

Nada parecia correr bem a vós Lutavas para que a sua existência Acabasse por ser única e verdadeira Levando sempre tudo com muita paciência.


E da vossa carne vós tiráveis Para que eles crescessem e se tornassem Em seres humanos com bom coração Podendo também ter regalias e vos amassem.

Pois talvez nada disso vós tivestes Quando eram ainda bem jovens Sabemos perfeitamente que por vezes Vos damos alegrias quando chagamos a homens.

Mas também muitas dores de cabeça Com as preocupações por meras burrices Que tenhamos feito sem sequer pensar Um pouco em vós sendo tudo palermices.

É que em nós também não pensávamos Na realidade a vida é bem matreira É que na razão da nossa existência Uma pergunta se coloca sempre à primeira.

O porquê de nós existirmos assim? Será que todos nós temos sede Uma sede que nos faz logo nos esquecer Pelo que vós passastes ao serem apanhados pela rede.

E que o pouco carinho que vós cedeste Foi sempre dado com muito amor Para que a nossa vida tivesse sentido E acabasse com a nossa louca dor.

Sofreram bem para que nós Conseguíssemos ser os melhores ou iguais Também será difícil perdoarmos essa mesma atitude Que muitas vezes tomaram sem olhar os demais.


Talvez pensando sempre no nosso futuro Pois desejam o nosso melhor Mas acabando em discussão entre vós E por vezes se torna num assunto pior.

É uma vida em que somos marcados Logo à nossa nascença pela ganância Ou mesmo pelo desprezo materno É que em muitos existe uma certa arrogância.

Do trabalho cheio de canseiras Que vós criadores da vossa vida Passaram muito para que nada faltasse Procurando obter sempre uma felicidade escondida.

Muitas vezes para que isso acontecesse Viraram-se a roubar ou mesmo a matar Porque nada dá mais prazer a um pai Ou a uma mãe ver os seus filhos a casar.

Assim o seu rebento vê a crescer Tornando-se num ser humano digno Inserido na nossa sociedade com regalias Como se estivesse destinado pelo seu signo.

Só que esta nossa sociedade Obriga ao abandono dos nossos pais Ou mesmo dos nossos amigos mais próximos Colocando-os numa prateleira sem nada mais.

Talvez até nalgum centro social Ou mesmo ao simples abandono na rua Nunca mais procurando obter alguma informação Sobre a sua situação só lhes resta a Lua.


Pois a mesma nessas alturas Passa a ser a sua única companhia Já que o pedir o seu regresso a casa Deixam de existir no nosso dia-a-dia.

Porque simplesmente não foram perfeitos Durante a sua vida que nos acompanharam Foram pais que tiveram uma vida Repleta de contrastes sobre aquilo que sonharam.

Foram contrastes cheios do querer E o simples ser apesar de o tentar Só que simplesmente tiveram as desilusões Deixando de saber então como se deve amar.

Pois algumas feridas com o tempo Nunca chegaram sequer a serem curadas Uma vida negra que vós pais tiveram Mas ao mesmo tempo consideraram maravilhosa e coroadas.

Pois dizeis que nada se compara Ao nascimento e à criação de um ser Um ser indefeso dando os seus primeiros passos Para uma vida nova levando sempre a crer.

É que essa nova vida vos foi custando Anos após anos de vida com sofrimento Mas o vosso coração estava presente Com amor, carinho e a paixão no momento.

Só que nós filhos acabamos por destruir, Quando acharmos que não existe um lugar Para unir mais entre nós e vós pais Ao deixarmos de saber como também os amar.


Apesar disso continuavam a ocupar O seu lugar de relevo na nossa vida Esta vida terrena que levamos no dia-a-dia Dando continuação à chegada dos netos com alegria.

Só que para muitos de vós O resto da vossa vida é levada Até a um velho banco de jardim À espera que chegue a morte desejada.

É que o resto da vossa alegria Se esgota com a falta de um novo viver Quase se pode dizer que acabam por morrer Nesses mesmos bancos de jardim sem o saber.

É que o vosso fim está próximo Vindo com o raiar da luz do Sol Passando ao negro e frio da noite Em que a única companhia é a Lua em rol…

Silvalde, 1988 / 03 / 12 ANTÓNIO CRUZ


“BATALHAS DE AMOR”

Estou doente já nem sinto o amor Estou completamente doente e sofro pelo prazer Já que tu sais à noite sozinha Deixando-me sozinho neste meu desespero.

Tudo na minha vida em geral São problemas para os quais procuro solução Ou a cura para esta minha doença Que já dura há duas ou três semanas E se encontra sem solução ou crença.

Pois preciso de encontrar a paz Talvez com a minha médica – enfermeira E que ela possa cuidar desta minha doença É que os seus efeitos secundários passaram à primeira.

Já que os mesmo se encontram activos É que nem sempre isto me aconteceu Estes efeitos parecem mais que evidentes Neste caso dói-me o peito pelo amor que nasceu.

E já não consigo sequer respirar livremente Pode parecer uma dor ridícula mas dói E dói bem demais parecendo uma facada Bem no meu interior essa mesma dor mói.

Será que esta doença do arrependimento Não terá um fim à vista para o amor É que a nossa separação não devia de ser Como ocorreu assim provocando a minha dor.

Pois só me resta ficar sozinho Nesta paixão em que o nosso prazer Acabou por ser abandonado ao relento Deixando a palavra amor de ser a chave do querer.


Estou sozinho agora às voltas no apartamento Procurando uma cura para este mau estar Já rompi o chão de tantas voltas dar Sem encontrar uma solução para tanto esperar.

Durante um momento pensei a ter encontrado Mas de repente essa minha solução desapareceu Bastando para isso uma pequena coisa Uma coisa qualquer opondo-se ao amor por mim esperado.

Basta-me ver um casal se amando simplesmente Que logo sofro por haver tamanha cumplicidade Entre as pessoas que se amam com verdade Esta minha dor se sobrepõe a toda a qualquer felicidade Visto que não consigo sequer uma simples amizade.

Será que algum dia conseguirei encontrar, Mais uma vez a minha eterna enfermeira Que possa cuidar novamente do meu coração Fazendo um exame completo logo à primeira.

Só assim acabará com as minhas preocupações Mas até lá com o tempo vou sentindo a dor Porque a mesma só passará conseguindo a esquecer Talvez um rosto e uma voz tragam o seu amor.

Um amor pelo qual meu coração ainda bate Mas já não bate tão forte começando a ficar esquecido Pois começo a ter a certeza que nada mais vale É que não vale mais continuar a esta batalha estando perdido.

Porque esta guerra já ela a venceu Só me resta içar a bandeira branca E me render a esta desilusão pelo nosso amor Pois nisto tudo que me aconteceu não foi sempre franca.


Há que deixar o futuro chegar lentamente Para poder reconquistar uma nova vitória no amor Conseguindo encontrar uma nova enfermeira para mim Levando-me a sonhar de novo livrando-me desta dor Precisando de colher mais uma vez uma flor de jardim.

Estando sempre doente nestas batalhas do amor O meu coração reclama por uma nova paixão Livrando-me de todos estes temporais que trazem a dor Assim como de todo este sofrimento nesta minha solidão.

Mozelos, 2000 / 09 / 10 ANTÓNIO CRUZ


“LINHA DA VIDA”

Procuro no horizonte a linha da vida Pois não sei onde ficou a sua ponta Desde o começo da minha aventura Que ando perdido vezes sem conta.

Vou encalhando de porto em porto Nada espanta este meu sofrer Que está na origem da procura E já não sei bem o que mais querer.

Já me perdi tempo sem demora E só quero viver um momento Um momento em que existe alegria Podendo então dar descanso ao meu sofrimento.

O mesmo vai aumentando dia-a-dia Seguindo sem glória o meu caminho Nas areias molhadas pelas ondas Deste meu oceano sem fim estando sozinho.

Encontro conchas perdidas entre as algas Que encalham nas rochas da vida Vou apanhando uma a uma ao seguir neste caminho Sem saber que a paixão também está perdida.

E sem saber o que me espera ao fundo Para lá do meu horizonte algo sombrio Espero só que a certeza desta vida Consiga encontrar alguma felicidade pelo frio.

E que esse frio seja o ponto de partida Conseguindo atravessar a ponte da vida com esperança Que para lá do começo as cores vislumbrem Como o arco-íris não tendo igualdade em aliança.


Talvez assim consiga completar a felicidade Com supremacia enquanto a procuro descobrir Entre a origem desta minha demagogia Que em palavras escritas tentei traduzir.

Já que outrora foi o tema da minha poesia Como nobre aprendiz que sou de poeta Fiquei quase sempre sem saber bem Tudo aquilo que queria para a minha meta.

Hoje desejo saber o mais urgente possível Quando devo terminar esta busca sem fim Já que o horizonte está à minha frente E se tornou terrível sem amor para mim.

Ao não ter um ponto de chegada Não sei se conseguirei andar sempre assim É que nesta minha aventura eu já fiz Talvez um pouco de tudo ao tentar ver um fim.

Por ora estou cansado da minha viagem Que se tornou interminável e sempre com dor Já que a mesma passou a ser a minha companhia Ao se transformar em algo amigável mas sem cor.

Meu coração chora a tempo inteiro Não querendo cessar só me resta a esperança De que um dia possa finalmente um ser amar Oferecendo o meu eterno amor como aliança.

Pois só essa garantia me faz então continuar Este meu caminho defeituoso sem parar Querendo atingir a meta da linha do horizonte Em que a felicidade existe para quem a desejar.


Nessa altura poderei abrir meu coração E deixar esta minha cidade no tempo perdida Em que os castelos formam filas intermináveis Perante a escuridão da Lua bem minha querida.

Já não sei o que mais escrever nesta linha Sobre esta minha interminável vida de procura Que se tornou numa verdade bem nua e crua Só me resta a Lua então para esta minha cura.

São Paio de Oleiros, 2006 / 09 / 14 ANTÓNIO CRUZ


“ADOLESCENTE”

Adolescente, és um ser em franca procura Neste meio ambiente é também um não saber Qual o teu canto neste mundo diferente Em que só pensas em rapidamente crescer.

Só com o diálogo poderás atingir o teu fim A montanha que foi criada pelo teu intimo Sem tu o saberes o seu porquê do amanhã Respostas procuras pelos caminhos nem que sejas o último.

Procurais e procurais sem o saber como Tentar ultrapassar esses mesmos caminhos Por entre vales, planícies e alguns desertos Só pensas que simplesmente vos encontrais sozinhos.

Mas ao chegar o seu fim Surge um cume de Iceberg no horizonte Que se atravessa na tua viagem de busca Pois então o mesmo gela a tua alma lentamente.

E nessa tua busca que procuras atingir Quase que se extingue o fogo da chama da vida Sabes bem que essa mesma chama que arde Poderá ser a luz que iluminará a tua alma perdida.

Iluminando ao mesmo tempo o teu caminho do porquê Porque passo a passo ele poderá ser descoberto Aparecendo ao acaso com a sua chave Podendo então tu abrires o teu interior certo.

É que a tua alma anda ainda perdida E tu vais parecendo um simples cavalo de corrida Numa pista deserta seguindo um longo caminho Em plena escuridão sem um único raio de luz com vida.


Mas com alguma sorte e vontade própria Talvez consigas encontrar o teu ser perdido Perante um mar de chamas bem infernal Que te levou à solidão como castigo ao seres ferido.

Por isso adolescente deves pedir uma mão, Uma mão que possa ser a tua amiga sem medo E assim poderás saltar fora desse barco pirata No qual navegas já algum tempo e não é cedo.

É que o mesmo naufraga em águas agitadas Nessa tua vida que levas sem o porquê saberes Tenta então sempre nunca desistires de cresceres Pois um dia chegarás a ser jovem basta víveres.

E nunca digas a ninguém que não és capaz Pois sempre serás capaz ao não perderes a esperança Adolescente que estas minhas palavras de leigo Sejam o teu guia na tua vida de aprendiz após teres sido criança.

Mozelos, 2005 / 06 / 06 ANTÓNIO CRUZ


“SÓ PALAVRAS”

O meu desejo pelo teu ser É e será sempre tudo aquilo Que eu mais persegui nesta vida Se está certo ou errado vou afogando no Nilo.

Estando certo ou errado só o futuro O poderá dizer sem me afogar A única coisa que sei é que nada sei E procuro nas palavras saber como nadar.

Sinto o cheiro do teu perfume no ar O mesmo me transmite uma certa nostalgia Porque sinto que ainda estás por perto E talvez bem perto de mim no dia-a-dia.

Sonhei em toda a minha vida um dia Descobrir o Sol do meu mundo num futuro E se tu ficares ausente por alguns momentos Falta-me o ar que me provoca um vazio sem muro.

É um enorme vazio e emocionante com certo gosto Um certo gosto amargo, que vai ficando pelo caminho E sem rumo algum mas não quero ainda perder A esperança e tentar para sempre sem estar sozinho.

Não separando o meu mundo do teu Nem pintando o meu ser de várias cores com amor Onde a minha paixão será sempre bem colorida Para que sintas o cheiro do desejo com sabor.

É que o cheiro do meu desejo se tornou intenso Pois aquilo que sinto pelo teu ser Me vou entregando ao prazer de sentir O teu perfume mais uma vez basta o teu querer.


Pois só quero ser feliz ao teu lado Quero recomeçar do ponto zero Porque sonhar eu bem preciso, assim Como também acreditar na liberdade o quero.

Pois poder amar-te assim desejo Já fiz por tudo nesta vida Até dei o meu melhor à minha maneira Uma maneira de ser única sendo tu a querida.

Ao querer o teu verdadeiro amor Acabando por te entregar a minha alma E não é aos bocados mas sim inteira Sem olhar para trás sequer com calma.

Tudo isto trata-se simplesmente de prazer Um prazer sem ter fim querendo encontrar Um ligar bem perto do teu bonito coração Podendo assim até ao meu fim te amar.

Será para mim pelo menos um paraíso E ao recomeçarmos neste meu sonho com felicidade Poderei ter-te por perto até ao meu fim Um fim como todos espero um dia, sem desigualdade.

Só quero ser feliz cheirando a tua essência A tua essência que vêm do teu perfume pessoal E quando vi logo ao estarmos por perto um do outro Embora a distância possa ser alcançada como sinal.

Mas ao mesmo tempo não deixa de ser real Já não sei o que dizer mais nestas palavras Pois investi no teu olhar e muitas foram ditas Como palavras breves no meu sussurrar como lavras.


Uma paixão não é assim sequer só palavras Pois não acontece todos os dias nesta vida Com o teu charme desencaminhaste o meu ser Abrindo um enorme buraco para ti minha querida.

É que o meu coração se abriu pura e simplesmente Já que partiu à procura de uma aventura Para poder revolucionar as palavras da paixão Chegando ao ponto de querer ver a verdade crua.

E toda a paixão que o teu ser pode fornecer Em termos de energia será o guia no amor Revelando o caminho mais curto para lá chegar Afastando de vez de mim e por sua vez a dor.

Pois os meus olhos ficaram cegos uma vez Quando se perderam na essência do teu perfume Que era revelado nos teus cabelos e na tua pele De uma jovem alegre que acendeu o meu lume.

Lume esse que encandeou as chamas no meu coração Assim como os teus belos lábios doces e carnudos Aos quais também se misturou o sabor da paixão Já não sei o que mais te dizer estando os meus mudos.

Se estas minhas palavras não te chegam sequer Para que tu possas acreditar simplesmente em mim Também sei perfeitamente que podes muito bem dizer Que são “só palavras” todas estas linhas sem fim.

Pois as escrevi nestas simples folhas de papel Mas a verdade é que o teu cheiro me confunde E pouco mais posso acrescentar além disso nestes versos Só sinto paixão nestas palavras que um amor se funde…

São Paio de Oleiros, 2002 / 04 / 29 ANTÓNIO CRUZ L ME CALFROM


“BOCA FECHADA”

Certo dia chuvoso à porta do cinema com furor Conheci e me apaixonei por uma “gordinha” A partir desse dia em questão o meu amor Eu lhe ofereci pois toda ela era bonitinha Sem olhar ás minhas palavras do passado Em que afirmava que só ficaria enamorado Por moças belas e Formosas em palavras ditas Só que deveria nunca as ter afirmado e sim simplesmente escritas A nossa vida dá imensas voltas com respeito ao amor Quando palavras banais são atiradas ao ar sem autor Mas agora eu sei que ela pertence à minha vida Seja “gordinha” ou não só sei que me é muito querida A sua esperada formosura vêm do seu belo interior Quando os nossos sentimentos se cruzam na palavra do amor Só nem só de palavras se vive uma paixão Mas também dos nossos actos e carinhos vindos do coração É que esta vida nos ensina através de linhas tortas E só que por vezes se tornam rectas até serem mortas E de boca fechada devemos ficar escutando a canção Que nos embala e nos faz sonhar sem humilhação O prazer que sentimos ao amar sem escrúpulos Leva-nos a ver o nosso horizonte longínquo aos pulos Mas seja a minha “gordinha” ou não é simplesmente o meu amor Sem olhar nas outras direcções nesta vida conjugal com alguma dor Entre o prazer carnais e gestos carinhosos, palavras são ditas. E numa pequena folha de papel as vou pondo escritas Para que um dia mais tarde as possa simplesmente recordar Como é tão bom reconhecer que nos enganamos em relação ao amar São profecias muito antigas aquelas descritas pelos pelo nossos avós Que quem não quer perder tem que saber primeiro dar os nós Para que a nossa corda não se rebente em maré-alta E a nossa rede fique encalhada ou mesmo perdida sem volta Só assim saberemos levar o nosso barco nesta nossa vida Em que o amor não escolhe o seu parceiro minha querida És para mim a bela “gordinha” por quem um dia me apaixonei E aconteça o que acontecer serás para sempre aquela flor que roubei Lá diz o velho ditado que em boca fechada não entra moscas isso também o direi.

Mozelos, 2000 / 12 / 30 ANTÓNIO CRUZ


árvore do destino 016  

APRENDIZ DE POETA

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