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ANTÓNIO CRUZ


ANTÓNIO CRUZ


“ PREFÁCIO DE UMA VIDA”

Escrevi num mês distante, trinta e tantos, poemas a fio sem parar, numa espécie de êxtase. E hoje, é um dia triunfal da minha simples existência, nesta minha vida. O que se seguiu depois de alguma tinta ser gasta e muito papel ter sido utilizado; só sobrou um cesto de papéis cheio, foi o aparecimento de um novo “Poeta – Escritor”. Tudo isso, se verificou no continuar do pequeno Sonho de Criança que há muito tempo vinha a desenvolver no meu interior, utilizando pequenas rimas ou alguns pensamentos muito sugestivos da minha maneira de ser. E de ter vivido quando criança e também algumas situações, já como adulto. Desculpem – me, o absurdo da frase; mas apareceu em mim um enorme desejo de transcrever para o papel algo com sentido ou mesmo sem! Era simplesmente aquilo que vindo do meu eco interior ou directamente da minha mente, ditava por palavras ou frases simples, numa leitura rápida, e a minha mão escrevia para um bocado de papel. A expressão que sobressaia no meu rosto era a de um pequeno sorriso esboçado quando terminava mais um tema, mesmo que esse não tivesse muito sentido! Mas, era como se tivesse restituído alguma vida aos mais simples “poemas” ou “contos”, que eram para mim algo profundo mas muito belas. Só que por vezes, bastava unicamente o esboçar de um sorriso para me agradar e aquilo que acabava de transcrever logo por si existiria numa folha de papel sentindo toda a sua magia sem sequer poder falar! E, num certo dia, à noite quando relia tudo aquilo que já havia escrito em simples rascunhos, por vezes, revia ali a minha própria sombra retractada. Eram, e são, simplesmente memórias, brincadeiras, ou mesmo chamadas de atenção para o mundo em que vivemos. Sei que um dia alguém as vai poder ler e as irá existir na prateleira da sua biblioteca para quando este ser já ter abandonado o planeta Terra. Um simples risco da minha curta vida ficará lá conservada, para sempre todo o sempre como sinal da minha pequena existência terrena! E, só assim poderei viver eternamente, por milhares de anos a fio, recordando a Alegria, a Tristeza, o Amor, a Solidão e tudo aquilo que tiver dado a este Mundo! Mas, uma coisa Eu sei, que serei alguém que existiu um dia neste “Universo da Escrita”!... E essa recordação ficará para sempre nas memórias de todos, sendo como aquele que deixou um “Verso” quando morreu, e talvez seja a “Profecia” de uma vida!...

Mozelos, 2000 / 10 / 10 TONY CRUZ


TITULO

LOCAL / DATA

0

PREFÁCIO DE UMA VIDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 10

1

QUINZE QUADRAS DE AMOR

SANTA MARIA DE LAMAS, 1989 / 11 / 30

2

ESTAR CONTIGO

SILVALDE, 1990 / 01 / 01

3

SONHO ou ILUSÃO

MOZELOS, 2000 / 11 / 28

4

NÃO e NÃO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1991 / 01 / 05

5

PAIXÃO ANTIGA

MOZELOS, 2000 / 07 / 24

6

DESPE-TE PARA MIM QUERIDA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1991 / 09 / 29

7

LUA TRISTE

MOZELOS, 2006 / 03 / 25

8

NOVO COMEÇO

ARCOZELO, 2007 / 06 / 04

9

ROMÂNTICO SEM PALAVRAS

SANTA MARIA DE LAMAS, 2008 / 06 / 26

10

SOMBRAS DA LUA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2007 / 07 / 18

11

SER ASSIM

ESPINHO, 2008 / 07 / 18

12

FRAGMENTOS DA NOITE

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2008 / 12 / 05

13

CORAÇÕES FERIDOS

MOZELOS, 2007 / 04 / 24

14

CANÇÃO DO "ÃO"

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2007 / 07 / 20

15

NOITE DE TEMPESTADE

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 01 / 09

16

NOITES BRANCAS

MOZELOS, 2009 / 01 / 19

17

MEDO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 03 / 28

18

POEMA DA NOITE

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 03 / 17

19

MULHER - MENINA

MOZELOS, 2000 / 11 / 28

Em "Fragmentos da Noite" pinto O sonho e a ilusão que sinto São paixões antigas que me atrevo Por entre corações feridos assim escrevo. Românticas palavras pela Lua triste Em noites de tempestade sem riste Neste poemas assim o descrevo O medo e a falta do meu trevo. Um novo começo desejo escrever Para lá das noites sem sequer morrer Sobra a mulher-menina nesse meu amor Que sai nestas quadras em forma de flor. São Paio de Oleiros, 2009 / 04 / 03 TONY CRUZ


“ QUINZE QUADRAS DE AMOR “

Há bilhetes que nos fazem chorar Há outros que nos fazem sorrir Dizem que são para amar E que o nosso coração pode sentir.

É o prazer de partilhar E numa noite o poder sentir A tua vida que tanto amo E que juntos podermos nos divertir.

E como fica contente O meu pobre coração Quando vê um sorriso teu Em teus lábios cheios de emoção.

Como o sol que brilha No meu pequeno horizonte O teu rosto frágil e belo Será como a minha fonte.

Pois o meu amor por ti É como uma nascente Onde é querido e desejado Em todo o meu poente.

E em noites frias de Inverno Sonhava que ao meu lado tu estavas E os nossos corpos se aqueciam Enquanto os nossos lábios se tocavam.


Mas os sonhos são sonhos Onde só parece existir amor Mas a realidade é só uma És o fruto da minha dor.

A sombra dos teus olhos São as noites que perdi Ao pensar só no amor Que por ti eu sofri.

Este sofrimento se torna agradável Por eu saber que ele existe A vida que tu me deste Quando o meu amor o pediste.

O amor é a minha imaginação E o bater do meu coração Que se encontra cheio de calor Pois este é o segredo do amor.

E espreitando pela tua janela Tu vias a chuva a cair Como as lágrimas que caíam, Pelo teu rosto ao sentir.

E hoje chorei por ti E amanhã por ti chorarei Pois chorarei toda a minha vida Do fundo do coração te amarei.


Ao sentir o meu coração bater Tão forte que nem um tambor E num grito de guerra Ao falar do mito do amor.

Amor esse que no horizonte E que juntos acabaremos voando E nas nuvens se encontraram As nossas bocas se beijando.

Do Norte até ao Sul Será um mundo de ilusões Com os nossos corações unidos Vivendo as nossa loucas emoções.

Santa Maria de Lamas, 1989 / 11 / 30 ANTÓNIO CRUZ


“ ESTAR CONTIGO “

A vida é uma caixa de surpresas Sempre a tentar ganhar o teu afecto Meu coração vai querendo sempre mais Pois o teu amor não chega lá directo.

E quando recebo uma carta tua Por poucas palavras que lá tenha Todo o meu frágil coração aos pulos se põe E não existe nada neste mundo que o detenha.

A minha vida é agitada de tanto correr Mas se ao meu lado tu estiveres De dia ou de noite em todos os momentos Serás a minha mulher para os viveres.

E dormir descansado já o consigo Porque a tua palavra me deste Que para ti só existe um amor Pois foi assim que tu o quiseste.

E nestas noites de muita alegria Que são vividas à luz da Lua Enquanto tu conseguiste conquistar um lugar Neste meu sonho de vida tua.

Tu me vais mostrando o amor Enquanto me vais chamando de “Mon Cherri” O meu coração pula de alegria Pois então a minha vida sorri.

E quando o Inverno bate à porta Uma bela fogueira se acende E brindando com a taça de vida O nosso amor no seu leito se estende.


Nestas noites frias só te peço Para ficares ao meu lado por favor Para que o farol da vida Nos possa guiar no nosso amor.

E por nada esquecereis estas noites Também se esperares só um bocadinho Mesmo que não se fale de sentimentos Sabes muito bem que te amo meu “naquinho”.

Queres brincar com o meu coração Pois então me dá o teu para mim Vamos dar as mãos nesta nossa caminhada E serás tu a minha vida até ao fim.

Levas a música sempre contigo Quando viajas em teu mundo Por vezes paras a olhar para mim À espera de uma carícia minha... mas quando?

Mais uma canção te dedicarei, A ti a ao teu frágil coração Como uma gota que percorre Assim será esta nossa bela paixão.

Pois sou louco por ti É um milagre que para mim persiste Nesta minha tonta e louca vida Que tanto precisa do amor que me pediste.

Eu ainda fiz muita pouca coisa, Em que toda esta minha vida O meu coração sempre quis oferecer E só tu o quiseste receber minha querida.


E somente uma vez nesta curta vida Eu consegui amar com muita verdade Pois que o verbo de Deus o diga É só dele que depende a minha felicidade.

Na procura de uma casa só nossa Para nela o nosso amor poder habitar E por muito que nós tentarmos Pois é grande necessidade de nós amar.

Silvalde, 1990 / 01 / 01 ANTÓNIO CRUZ


“ SONHO ou ILUSÃO ”

Sonho ou ilusão, eis a questão! Bailas em teu corpo de bailarina, Ver a dança do fogo desta paixão. Tu és a única, és a divina, És o sol que me ilumina. Tu sabes que eu não esqueço, Basta só um olhar teu e logo enlouqueço. É o feitiço do teu sensual olhar Que me faz só a ti querer amar. Vejo-te simplesmente bela e nua Á luz da nossa querida lua. Quase enlouqueço de tanto quer amar-te. Só que a solidão á minha porta veio falar; E só me deixou neste quarto vazio Onde queima-se o meu amor com todo este frio. Foi um amor que não se fez. Deitado na minha cama conto até dez Pois, será um grande castigo de Deus, Ou algo mais que fiz para com os meus. Até sinto o cheiro do teu perfume Nesta minha dor, que tanto me consome. Ouço o teu queixume de infinito prazer Que apenas algum tempo durou, meu bem-querer. Terá sido sonho ou ilusão? É mais uma pergunta sem explicação! Mas são assim as histórias do coração, Que apenas sabe sofrer, nesta vida de paixão!...

Mozelos, 2000 / 11 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“NÃO e NÃO”

Chamo pelo teu nome Mas tu não estás aqui Para onde fostes meu amor Pois estou apaixonado e ferido de dor.

Talvez me deva culpar Por ter sido injusto contigo Com o amor que não demonstrei De uma vida juntos me afastei.

Já não consigo dormir Desde que tu foste embora Porque o meu coração sofre muito Em cada pensamento no agora.

Não, não choro de noite Mas não posso continuar assim Tu não sabes mas o meu coração Não quero ter este fim.

Se continuar mais algum tempo Não sei se vou sobreviver Não sou um homem duro Que tenta sempre o demonstrar ser.

E como tu o deves julgar Minha vida tem sido marcada Desde que simplesmente me abandonastes Com o sofrimento de te ainda amar.

Nestas loucas noites de insónias Não consigo dormir alguns segundos Pois meu coração só reclama O amor dos nossos momentos passados.


Mesmo assim não choro Algum bocado para me aliviar O peso que tanto sinto Talvez tenha descoberto o que é amar.

Não, não aguento mais E nem sei quem é capaz De aguentar uma dor destas Porque de certeza para mim tanto faz.

Mesmo assim volta meu amor Não abandones o teu “Fofinho” Porque a minha vida sem ti Não a aguentarei percorre-la sozinho.

Perdoa-me o mal que fiz E não te vás simplesmente embora Volta para o meu coração doentio Que te deseja mesmo assim agora.

São Paio de Oleiros, 1991 / 01 / 05 ANTÓNIO CRUZ


“PAIXÃO ANTIGA”

Certo dia passeando sem destino traçado Encontrei a minha antiga amante Uma paixão sem igual pela qual passei Foram dias e noites sem o presente.

Ontem à noite na rua encontrei-a de novo E pareceu-me tão feliz em seu olhar Meu pobre coração sofreu um aperto grande Apenas consegui sorrir sem poder disfarçar.

Quando recuperei o fôlego do grande susto Falamos dos velhos tempos sentados à beira mar Bebendo algumas cervejas recordando episódios passados Em que o presente hoje move sem parar.

Como jovens loucos por sede de amor Vivemos belos momentos de intenso prazer Ao fim de tantos anos ainda nos choca sentir E como ainda bate no coração o nosso querer.

Eu não sou o tipo de homem Que gosta muito de uma vida social Prefiro viver e ter uma vida solitária Que vaguear durante as festas até o seu final.

Inclino-me mais para a moda antiga Como sou um louco por canções de amor Sussurradas ao ouvido enquanto nasce o dia É um amanhã novo de um passado de dor.


São quatro da manhã sentados na rua De vez em quando vamos bocejando e falando Sobre aventuras de jovens perdidos no seu desejo Desperdiçando um bocado da bela noite recordando.

Mas nunca havemos de nos preocupar Com o nosso passado só o presente conta É a alegria de sentir a amizade ainda a florir Pois o amor ainda está presente na sua ponta.

A ponta da nossa corda bamba viva Em que tudo faz para desaparecer Vivendo agora neste momento o presente Faço-lhe um pequeno convite sem mágoas ter.

Querendo-a acompanhar à sua bonita casa Sem nada na minha mente ter formulado É só pelo prazer da sua agradável companhia Enquanto um beijo surge pelo caminho é assinalado.

Pelas recordações dos dois amantes do passado Aquando chegamos à sua casa me despeço, Com um beijo nos seus bonitos lábios Sem nada mais para dizer a casa regresso.

A minha casa cheguei e sento-me à janela, A ver os carros da madrugada a passar Ficando a apreciar os momentos dessa noite Anteriores ao da despedida até de nos encontrar.


Mas sinto que vou estragar alguma coisa Será que algum dia serei julgado num tribunal, E condenado por um júri de mulheres amadas Por causa do meu ego sem consentimento final.

Ou ainda serei louco demais hoje Por ao longo destes anos todos continuar amar A sua boca, seu corpo e todo o seu ser Será sempre a minha “Paixão Antiga” mas basta de imaginar…

Mozelos, 2000 / 07 / 24 ANTÓNIO CRUZ


“DESPE-TE PARA MIM QUERIDA”

Querida tira o teu casaco devagarinho Já agora tira também os sapatos Para ver os teus bonitos pés de deusa Assim poderei sentir com vontade o teu carinho.

Querida despe o teu bonito vestido De uma noite de gala vermelho cintilante Podes ficar com o chapéu, mas continua Não pares agora meu amor cortante.

Não te esqueças meu amor por favor Apaga a luz que é forte de mais Para a noite brilhante vêm até cá Dá-me um beijo apaixonado, és super demais.

Sobe para essa cadeira agora Para poder ver melhor o teu corpo À luz da Lua que pelas frinchas espreita Por entre os estores da janela, bebo um copo.

Só te peço por favor agora Dá-me uma razão para viver feliz Com uma vida de amantes contigo Vamos arrancar o amor à sua raiz.

Quando sorris a falar comigo Meu ser desmancha-se em pequenas partículas São tão pequenas que contaminam a galáxia No teu coração se quiseres podes, conta-las.


Deixa amar-te e suavemente retira as meias Então deita-te ao meu lado nesta cama Que desde jovem foi e será a minha Quero partilha-la contigo pois o teu corpo chama.

Já passei muitos momentos de solidão Sem ter por companhia o amor Mas tu podes me dar essa alegria Faz amor comigo solta o teu esplendor.

Vamos deixa tocar o telefone Uma semana inteira ou mesmo um mês Quem sabe um ano inteiro talvez Deixemos o amor fluir, é a sua vez.

Porque ele em nós já se misturou Com as luzes da nossa louca cidade Deixemos que ele se torne mais forte Para ter uma razão para existir a felicidade.

Enquanto o elixir do amor durar Em nossos seres os corações não resistiram Pelo contrário se derretem como a manteiga Exposta, algum tempo ao sol de Verão.

As chuvas e a neve de Inverno Viram basta que tu as peças simplesmente Assim aquecerei a minha cama à noite Para poderes sentir o meu corpo escaldante.


Como já varias vezes já o disseste Ao meu ouvido vêm minha criança Faz amor comigo aqui e agora por favor Solta o teu cabelo és a minha esperança.

Querida já não aguento mais esperar Vêm hoje és o meu amor ardente Fica para sempre neste mundo comigo Há muito que te deseja o meu “amigo”.

Vêm despe-te para mim agora querida Vamos dar asas à nossa imaginação Para que a nossa vida tenha um sentido Quando fizermos amor à temperatura de um vulcão.

São Paio de Oleiros, 1991 / 09 / 29 ANTÓNIO CRUZ


“LUA TRISTE”

Encontro-me à luz da Lua triste Aguardando desesperadamente o momento certo Pois a única coisa que está escrita Nas estrelas da noite escura bem directo É que pertencemos um ao outro sem fim E espero ansiosamente por ti meu Jasmim Neste momento celestial em que sofro assim Procuro no entanto descobrir as palavras certas Que dificilmente me surgem ou raramente são correctas Sinto uma enorme tristeza a invadir o meu ser Meu coração sangra ferido estando eu a morrer Em mim cravaste os espinhos da tua paixão E por mais que tente não consigo livra-me desta emoção Vou atirando pela minha janela aviõesinhos de papel Neles vão estampados os bocados do meu coração Pois tu conseguiste aos poucos roubar o seu sabor a mel Alem disso também o que restava da minha alegria Já nem na minha poesia consigo me expressar Os meus sentimentos feridos por não conseguir amar, Mesmo assim não perco a esperança deles brotarem É que tenho ainda dentro de mim uma alma viva E com alguma diversidade de sentidos pela sua diva É na minha chama de idealidade que me resta Que vai surgindo inspiração e algum encanto sem festa Simplesmente vou deixando fluir os meus sentimentos Sentindo-me envergonhado por ser um apaixonado sem cura Vou enxugando as lágrimas nos meus olhos que dura E nesta noite triste espalho esta poesia ao vento Fazendo-a flutuar com alguma leveza este meu tormento Só a tua magia cheia de encanto me fará bailar Ao som dos teus acordes fazendo-me viver de novo e amar Mas só me resta esperar à janela nesta noite triste sem luar

Mozelos, 2006 / 03 / 25 ANTÓNIO CRUZ


“NOVO COMEÇO”

Devo deixar o amor brilhar Na escuridão da noite hoje Chegou altura de um tempo tirar Pois o mesmo parece que nos foge.

Quero a porta dos sonhos fechar Simplesmente quero o teu corpo amar Ao receber o teu amor conseguirei Para alem do muro o mesmo o verei.

E alguma escolha devo tomar, Se chegar à fonte da vida O nosso amor poderei salvar, Nada nos poderá então impedir querida.

Se a paixão surgir na hora certa É exacto que obtemos uma oportunidade Assim quero e desejo atingir sua meta Chegando atingir o cume da nossa felicidade.

Não importa o que acontece simplesmente Pois o que aconteceu no nosso passado Deus nos dará nova oportunidade decididamente E a liberdade de escolha para o futuro questionado.

Sempre gostei de ti minha flor Nunca te abandonei para ficares só Sempre questionei esta minha viva dor Relembro o passado algo distante com dó.

Na beira do rio penso em solidão O que se vai passando connosco entretanto Vai aumentando esta nossa verdadeira paixão Com alegria sinto-me de novo vivo e tanto.


Quantos dias passaram desde que renasci Até já perdi a conta aos mesmos Sou um estranho nesta terra e me perdi É a terra do nunca onde os corações batem sem vê-los.

Quero começar de novo hoje Espero poder atingir o amor Meu coração bate fortemente e não foge Pois já levo tempo de mais com dor.

Arcozelo, 2007 / 06 / 04 ANTÓNIO CRUZ


“ROMÂNTICO SEM PALAVRAS”

Como gostaria de ser romântico Mas faltam-me um bocado assim Ao olhar esse céu azul E pensar “é belo como um jardim”!

Faltam-me palavras à luz das estrelas Assim como devo obter os teus carinhos Que tanta falta me fazem sempre Pois algum tempo me perdi pelos caminhos.

O que eu queria um dia mesmo Era poder chegar ás estrelas do infinito São como o brilho dos teus olhos És linda para mim e não minto.

Faltam-me palavras para conseguir descrever O que sinto por ti minha flor O teu amor aperta no meu coração Provocando-me gentilmente uma certa dor.

Essa dor também alimenta a alma Uma dor que faz sofrer meu coração Certo é que a minha se inspira em si E ao mesmo tempo faz viver a paixão.

Por vezes não sei do mundo real Procuro descobrir por entre os sonhos A luz da verdade para me iluminar Nalguns dias tristes transformando-os em risonhos.


Como poderei chamar a isto tudo? O certo é que a vida continua Espero poder contar sempre com o amor Assim será a minha realidade nua e crua…

Santa Maria de Lamas, 2008 / 06 / 26 ANTÓNIO CRUZ


“SOMBRAS DA LUA”

Os céus estão escuro e a noite morta Ouço apenas um ronco fraco de um motor E vejo o brilho dos faróis iluminando a estrada Vou rompendo o silêncio da noite com pavor.

Pois ontem a Lua transbordava de segredos Era insinuante e conivente com a solidão As sombras dos namorados distribuindo beijos Apelavam a frescura da sua bela paixão.

Só que hoje é lua cheia de pavor Embora ela seja minha amiga e companheira Afasto-me sorrateiramente por entre a paisagem Tentando esquecer a minha solidão passageira.

A rua por onde passo está nua O silêncio é a sua única companhia Procuro por entre as sombras das esquinas Descobrir um novo vulto mas nada mia.

Logo hoje que resolvi sair de casa Tentando encontrar uma nova paixão Vesti somente o meu coração de desejos Mas à primeira vista por cá passou um furacão.

Pois as ruas simplesmente estão nuas Existe um leve aperto no meu coração O desejo é bem mais forte que eu E nesta procura pela noite só encontro solidão.


Mas não quero desistir da minha procura Por isso sigo estrada fora sem parar Até encontrar um novo ser por entre as sombras Tu, Lua minha serás o guia podendo de novo amar.

São Paio de Oleiros, 2007 / 07 / 18 ANTÓNIO CRUZ


“SER ASSIM”

Fico assim sem ti (perdido) Um avião sem asas nem motores Uma fogueira sem brasas incandescentes E o meu jardim precisa de flores.

Como num jogo de futebol É preciso uma bola para rolar Assim como um pássaro sem canto Preciso mesmo de poder amar.

Sou assim sem a tua flor Meu coração chora sem porquês E o meu desejo não tem fim Sou um simples filho de português.

Eu não tenho culpa alguma Se te quero a todo instante Nem com mil alto-falantes Vou poder retirar o livro da estante.

O mesmo onde escrevo palavras Com paixão e muito carinho Pois sou assim sem ti Nem preciso de andar de carrinho.

Como um palhaço sem circo Namoro com um aperto no coração Procuro nos teus lábios o poder Para continuar esta minha louca paixão.

Estou louco por te ver chegar E abraçar o teu corpo poder Sentir o bater das asas de novo Nas minhas mãos sentir o teu ser.


Ao abraçar de novo a paixão Retomando o lugar no meu coração Sou louco por ti minha flor, E quero acabar com esta solidão.

Não vagueio pela noite escura Ao estares bem perto de mim Tu passas a ser a minha Lua Serás minha companhia na relva do jardim.

A solidão é o meu castigo O pior dos meus inimigos Sinto o meu relógio sem horas Não precisamos de ser só amigos.

Sou assim por ti amor Sofro todos os momentos sozinho Como o Romeu pela Julieta Não basta ter só o teu carinho.

Conduzo o meu carro sem estrada Por caminhos sem ter fim Só quero receber o teu amor E plantar a flor nesse teu jardim….

Espinho, 2008 / 07 / 18 ANTÓNIO CRUZ


“FRAGMENTOS DA NOITE”

Nos fragmentos da noite Procuro uma luz cintilante Onde possa estar escrito O meu futuro cortante.

Sigo na noite escura Encontrar um novo amor Procuro simplesmente nesta vida Conseguir agarrar uma flor.

Uma flor com vida Já que sofro agora O meu coração chora Por dentro e por fora.

Nos fragmentos da noite Está escrito a paixão É aquilo que procuro Deixando de fora a solidão.

A solidão dos tempos idos Que outrora me fez sofrer Sem olhar no futuro Desejando sempre poder morrer.

Hoje escrevo as mágoas Que do passado ficou Sei que nada é fácil Mas a dor não parou.

A solidão é a vida Da noite com fragmentos Procuro então esquecer o passado Por alguns breves momentos.


O meu nobre coração Dizem que vive no passado Alegria morreu em mim Deixando-me simplesmente bastante magoado.

Sou inconstante na vida Assim sei que sou Parei no tempo passado Pelo amor que me faltou.

O amor que preciso Como a noite é bela Sei que deixarei de sofrer Quando o meu coração for dela.

Só preciso que a Lua Um dia estenda a mão Podendo seguir um novo caminho Alcançando novamente a paixão.

São Paio de Oleiros, 2008 / 12 / 05 ANTÓNIO CRUZ


“CORAÇÕES FERIDOS”

Vou pelas pedras da calçada Esfregando um pouco a minha alma Vivo numa esperança bem disfarçada Assim como o meu coração na sua calma.

Vivo por entre os vapores perdidos Que a noite transforma calmamente Pois esta dor a dos corações feridos Está a dar cabo de mim assim simplesmente.

Continuas um sonho de mulher E não precisas muito de inventar Basta o sofrer deste meu ser Para ter a certeza do que é amar.

Mas antes de seres bem-vinda Ao meu mundo de louca solidão Deves tomar o controlo de mim querida, Assim como do meu pobre coração.

Desejo saber se já viste chover Num belo dia de Sol e quente Ao seres a flor do meu pobre ser Que pretende nascer fora da estação simplesmente.

Pois vou ascendendo ao céu Batendo asa asas do meu coração Num leve voar por entre o véu Que cobre o teu corpo cheio de paixão.


Já tive amigos na velha prisão Até tu surgires como a liberdade Só preciso que continues alegrar o meu coração Transmitindo com sentido o amor e a amizade.

É que o amor é de doidos E a amizade se transforma em saudades. Assim são os meus sentimentos sem lodos Vivendo em esperança por novas liberdades.

Mozelos, 2007 / 04 / 24 ANTÓNIO CRUZ


“CANÇÃO DO ÃO”

Sigo numa noite vazia com um violão Por uma estrada escura e sombria do pontão Com uma dor no peito que não quer calar o coração Perdido na noite nos meus pensamentos sem um dão Vejo na Lua cheia um olhar vazio sem paixão E por essas estradas vou noites a fio neste Verão Sem sentido e sem o rumo da paixão Vou seguindo uma eterna canção Que me canta ao ouvido a solidão De estar aqui sobe a Lua em vão Este aprendiz de poeta segue sem direcção Deixando um rasto de lágrimas e dor no coração Por onde brotam rosas de amor e paixão E as lágrimas à noite são derramadas em vão Caindo pelo asfalto da estrada da minha solidão Algumas vozes no escuro vindas sem direcção Dizem-me apenas que me afaste da escuridão Pois nela a vida é sempre em depressão Assim grita com algum desalento o meu coração Pois a procura será eterna pela paixão Mas espero um dia encontrar com compreensão Para de novo cantar uma nova canção.

São Paio de Oleiros, 2007 / 07 / 20 ANTÓNIO CRUZ


“NOITE DE TEMPESTADE”

Sopra o vento como um leão Açoita violentamente nos vidros fechados É de noite e faz frio lá fora E os meus olhos no escuro estão hipnotizados.

Saboreei cada momento da noite A natureza advinha uma enorme tempestade O meu pensamento viaja para longe Enquanto o vento hurra com liberdade.

Deparo-me frente a frente enquanto sonho Com um corpo nu e fazemos um dueto Entrelaçados um no outro num duelo Batalhamos por entre os lençóis em soneto.

Enfrentava a minha “inimiga” sem receio Erguendo a espada cheio de desejo Sussurrando para ela palavras de magia Aguardando que terminasse o duelo com um beijo.

Será minha amiga um dia simples Só que esta noite preciso de vencer Nesta luta de corpo a corpo naturalmente Não tenho nada hoje para perder.

A chuva cai violentamente no chão O vento sopra zumbindo nas janelas Pelo rosto da minha “inimiga” escorrem lágrimas Que acabam por molhar as minhas velas.


O meu corpo era castigado livremente Nesta nossa batalha cheia de paixão O tempo estava cruel mas nada me derrubava Só conseguia deseja-la, era como um furacão.

Ela é a minha dádiva dos céus Enquanto o vento soprava simplesmente Vi-a tocando com as suas mãos de fada O meu corpo como se fosse uma planta carinhosamente.

Os meus olhos continuavam hipnotizados com ela A sua forma de ser escorregadia em serpente Levava a minha alma para outro mundo Eu deitado solenemente ia saboreando-a puramente.

O meu pensamento deitava de lado o mundo E agradecia à chuva por não me odiar Já que pensava que a odiava simplesmente Só que o meu ser a queria era a amar.

A chuva lá fora cai impiedosa A noite se encontrava muito mais violenta A minha “inimiga” era cada vez mais atrevida Meu sonho foi interrompido por uma mão lenta.

Era a minha companheira e a minha amiga Que ao meu lado reclamava a minha presença Visto que me encontrava de espada em riste Chegara a sua vez de ditar a sua sentença.


Assim a noite se prolongou mas sem sonhar O seu amor e a sua eterna paixão Enquanto a tempestade se fazia sentir bem lá fora O nosso calor se tornou real e não era ilusão…

São Paio de Oleiros, 2009 / 01 / 09 ANTÓNIO CRUZ


“NOITES BRANCAS”

Noites brancas com insónias Sem o teu corpo Um desejo neste vazio Chuvoso e mesmo frio.

Nestas horas sem dormir Tornam-se lentas sem sono Sem os movimentos teus Dou largas aos pensamentos meus.

Um som inicia agora Nestes meus suspiros levemente Imagens tuas sem acordo Insidiosa e incendiária Eu, recordo.

Tenho na minha memória As tuas curvas belas, Em silencio sonho agora Com os teus seios de flora.

Nestas noites brancas sonho Com a tua carne forçada Sobre os jeans da calça Quase explodem sem salsa.

A tua carne querendo sair Faz o tecido vibrar Fibra a fibra mexe Tiram-me o sono em êxtase.

Meu sono se foi Pensando sempre em ti Nestas noites vou recordando Que passava os dias cantando.


Eram músicas de paixão Revia-te trémula mas grande Implodindo como um jardim Com cheiro a jasmim.

Enquanto a tua carne Floria pura eu implorava Querendo teu corpo saborear Desejo ainda te amar.

Nestas longas noites brancas Meu desejo simplesmente contínua, E não encontro um fim Vou continuar recordando-te assim…

Mozelos, 2009 / 01 / 19 ANTÓNIO CRUZ


“MEDO”

Preciso de fugir agora e já Deste meu quarto bem escuro Eu juro que sinto medo Assim como desta minha solidão Não estando nada bem seguro.

Só nos meus pensamentos fujo Conseguindo sempre bem longe chegar Então esqueço este meu tormento Que o medo transporta na solidão E deste meu quarto escuro me quero separar.

Todas as viagens que eu fiz Tiveram sempre uma volta de retorno Acabando por aterrar neste meu quarto Rodeado pela escuridão e com medo Tudo não passa da minha imaginação ao forno.

Ao funcionar esta minha imaginação As viagens estão em estado quente Mas nenhumas têm a temperatura certa Para que possa fugir a este medo Levam-me algumas a ficar bem demente.

Não conseguindo me levantar sequer Para poder abrir a porta e fugir No meu quarto continuo deitado simplesmente Por entre os meu pensamentos em vão E como paralisado estou, só me resta então dormir…

São Paio de Oleiros, 2009 / 03 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“POEMA DA NOITE”

Nesta noite solitária existe um grande vazio Tento com este meu poema o preencher Puxo pelo pavio da minha veia Para poder continuar todos os dias a escrever.

Neste meu acto de fervor amoroso e sentido Apenas as palavras contemplativas tento escrever São muitas vezes indicativas do meu amor E por tal se for preciso chego a morrer.

A minha dama me ensinou a amar O seu olhar me iluminou na minha noite Ao descortinar as vestes da minha dor Procurando fazer uma prece com algum afoite.

E por amar tão intensamente essa dama Belos versos destilados fui sempre escrevendo, Pela súmula do meu poema com alguma dor Abri o meu coração à chama que vai ardendo.

Pois a minha procura do amor me encantou Ao tomar parte desse mesmo tema com ardor Mas minhas noites solitárias de Lua escura Sem parar de escrever descobri o eterno amor.

Em cada noite passada sobravam algumas palavras Que numa gaveta vazia as guardei para o dia Mesmo que fizessem de mim o seu eterno escravo A minha dor era libertada nas folhas que escrevia.


Também assim fui criando as minhas asas E em liberdade pude unir a paixão e o amor Nas palavras que escrevo em todos os momentos Sobrevoando por todas as causas da minha dor.

Assim fui ao encontro da noite escura Escrevendo as minhas palavras num vazio eterno Não quero deixar de amar os meus poemas Sem cair nesta vida nem chegar ao inferno.

São Paio de Oleiros, 2009 / 03 / 17 ANTÓNIO CRUZ


“MULHER-MENINA”

Olá! “Mulher – Menina”por favor Dá-me eternamente o teu calor Pois só tu e tu és tudo, Para mim acabando com esta dor.

Eu irei contigo até ao fim Ao fim da minha simples vida Todo o meu corpo te reclama E segue os teus passos querida.

Como se tudo em mim Estivesse simplesmente hipnotizado “Mulher – Menina” O meu desejo de contigo dormir Nos teus braços e és bem feminina.

Estás bem patente no meu coração Que sofre por esse nosso momento Em que o prazer se revela Para mim não existe outro sentimento.

Brilhas nesta noite escura à luz À luz dos candeeiros que iluminam a rua Todos os teus traços em contorno Revelam o teu corpo quase em nua.

És a chama da minha fogueira Que arde de intenso desejo O meu palpitar é bem sentimental Pedindo simplesmente o beijo teu que ensejo.

O meu coração sente alguns arrepios Ao ver o teu corpo bem formoso Todo o meu ser estremece assim Perante o espectáculo que avisto orgulhoso.


O balançar dos teus belos seios E do teu magnifico e perfeito “Bombom” Só quero e desejo ardentemente de ti A paixão ao sentir o teu bem bom.

Ao sentir todo o teu fulgor Que basta ao seres a “Mulher – Menina” E deste origem ao meu intenso prazer, Revelando o meu sentimento por ti “felina”.

Pois sou um marinheiro de “águas doces” Navegando solitário por águas profundas Tu és a rainha e dona desse mar Que bem sabes dominar o amor das ondas.

E onde as ondas dos teus cabelos Se agitam ao sabor da corrente Que fluí no teu corpo bem feminino Precisando de depositar em ti a semente.

Sigo os teus cantos de sereia Pois encantas o meu nobre coração Por isso vêm “Mulher – Menina” comigo Dorme esta noite comigo libertando a paixão.

Os meus braços te acolheram Pois tanto anseio sentir o teu ser E navegar nas ondas do teu mar Onde a paixão nos levará ao limite do prazer.

Nesta noite de Lua encantada Por favor me mostra os teus recantos Ou mesmo os teus encantos “Mulher – Menina” És a minha donzela adormecida dos contos.


Quero apenas sentir teu corpo vibrar Quando finalmente a nossa eterna união Se concretizar num só único ser Demonstrando o quanto somos loucos em paixão.

Assim a chama do amor se acenderá E o calor do teu corpo me aquecerá Tudo se resume à paixão de um amor Entre dois seres e a sua atracção se fundará

Uma atracção entre si com duração Sem que a chama se possa apagar Enquanto existir a liberdade como sentimento Nesta união “Mulher – Menina” me deixa te amar.

Mozelos, 2000 / 11 / 28 ANTÓNIO CRUZ


fragmentos da noite 014  

APRENDIZ DE POETA

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