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ANTÓNIO CRUZ


ANTÓNIO CRUZ


“ PREFÁCIO DE UMA VIDA”

Escrevi num mês distante, trinta e tantos, poemas a fio sem parar, numa espécie de êxtase. E hoje, é um dia triunfal da minha simples existência, nesta minha vida. O que se seguiu depois de alguma tinta ser gasta e muito papel ter sido utilizado; só sobrou um cesto de papéis cheio, foi o aparecimento de um novo “Poeta – Escritor”. Tudo isso, se verificou no continuar do pequeno Sonho de Criança que há muito tempo vinha a desenvolver no meu interior, utilizando pequenas rimas ou alguns pensamentos muito sugestivos da minha maneira de ser. E de ter vivido quando criança e também algumas situações, já como adulto. Desculpem – me, o absurdo da frase; mas apareceu em mim um enorme desejo de transcrever para o papel algo com sentido ou mesmo sem! Era simplesmente aquilo que vindo do meu eco interior ou directamente da minha mente, ditava por palavras ou frases simples, numa leitura rápida, e a minha mão escrevia para um bocado de papel. A expressão que sobressaia no meu rosto era a de um pequeno sorriso esboçado quando terminava mais um tema, mesmo que esse não tivesse muito sentido! Mas, era como se tivesse restituído alguma vida aos mais simples “poemas” ou “contos”, que eram para mim algo profundo mas muito belas. Só que por vezes, bastava unicamente o esboçar de um sorriso para me agradar e aquilo que acabava de transcrever logo por si existiria numa folha de papel sentindo toda a sua magia sem sequer poder falar! E, num certo dia, à noite quando relia tudo aquilo que já havia escrito em simples rascunhos, por vezes, revia ali a minha própria sombra retractada. Eram, e são, simplesmente memórias, brincadeiras, ou mesmo chamadas de atenção para o mundo em que vivemos. Sei que um dia alguém as vai poder ler e as irá existir na prateleira da sua biblioteca para quando este ser já ter abandonado o planeta Terra. Um simples risco da minha curta vida ficará lá conservada, para sempre todo o sempre como sinal da minha pequena existência terrena! E, só assim poderei viver eternamente, por milhares de anos a fio, recordando a Alegria, a Tristeza, o Amor, a Solidão e tudo aquilo que tiver dado a este Mundo! Mas, uma coisa Eu sei, que serei alguém que existiu um dia neste “Universo da Escrita”!... E essa recordação ficará para sempre nas memórias de todos, sendo como aquele que deixou um “Verso” quando morreu, e talvez seja a “Profecia” de uma vida!...

Mozelos, 2000 / 10 / 10 TONY CRUZ


TITULO

LOCAL / DATA

0

PREFÁCIO DE UMA VIDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 10

1

EMIGRANTE PORTUGUÊS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1991 / 10 / 24

2

O PRESIDENTE

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1991 / 01 / 21

3

MAR DE CHAMAS

PAÇOS DE BRANDÃO, 2005 / 06 / 23

4

CHEGUEI

MOZELOS, 2006 / 02 / 17

5

NAU ENCANTADA

SANTA MARIA DE LAMAS, 2006 / 04 / 20

6

SONHO FINAL

PARAMOS, 2006 / 07 / 08

7

OS BRAVOS DO C.D.C.

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2007 / 06 / 15

8

GARRA OLEIRENSE

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2008 / 12 / 10

9

MOZELOS

MOZELOS, 2007 / 06 / 21

10

PAIS

MOZELOS, 2007 / 06 / 19

11

PORTO CÔVO

PORTO CÔVO, 2007 / 08 / 22

12

FESTA DA VIDA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2008 / 09 / 03

13

TERRAS DO NORTE

MOZELOS, 2009 / 12 / 29

14

AR DA LIBERDADE

SILVALDE, 2007 / 08 / 27

15

LIBERDADE

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2006 / 04 / 28

16

SER BELENENSES

SANTA MARIA DE LAMAS, 2008 / 10 / 08

17

NA BARBEARIA SILVA

MOZELOS, 2008 / 12 / 31

18

PALAVRAS DE GRATIDÃO

MOZELOS, 2008 / 06 / 11

19

CREIO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 01 / 08

Em "Um Fado Lusitano" escrevo O bom de ser Português e elevo São sentimentos puros e do coração E vivo-os na minha escrita com paixão. Nunca esquecendo os nossos imigrantes Bem como os nossos representantes É que esta vida me ensinou Que é dura por isso me libertou. Pois a nossa vida é um fado E os Portuguêses não o deixam de lado Assim também vou escrevendo por mim Não esquecendo a minha flor de jardim. São Paio de Oleiros, 2009 / 03 / 31 TONY CRUZ


“ EMIGRANTE PORTUGUÊS “

Hei! Gente que parte Da sua pequena terra natal E vai por esse mundo fora Sem destino ou um ponto final.

A sua solidão bate muito forte Quando chega à sua nova moradia Depois de um dia de trabalho forçado Fica recordando a terra mãe onde vivia.

Um trabalho árduo por vezes sem conta E que se vê sempre confrontando Com as lembranças da sua gente Que ficam com alguma esperança o aguardando.

Esperando que chegue de vez Para participar numa verdadeira comunhão Com todas aquelas gentes simples e rurais Que sol a sol sem se cansar muito trabalham.

O rumo que vocês tomam Talvez chegue a ser bastante duro Mas sabem que se não o assumirem À sua decisão cabe o seu futuro.

E quando procuram encontrar uma vida nova Uma outra vida fica para trás Para que um dia possa regressar À sua terra natal e gozar tudo como se faz.

A sua pequena terra que abandonou Sem ter preocupações futuras na vida Assim gozará o ar que se respira Para si e para sua família querida.


Ser imigrante é uma “profissão” dura Para uma vida cheia de ilusões Ou até mesmo projectos sem fim Que procuram realizar com garras de leões.

Todos os seus sonhos ficam marcados Nos seus rostos de viajante Sem uma casa ou uma morada fixa Na sua procura tentam ganhar ao presente.

Pois na sua mente procura esquecer As alegrias passadas, ficando como recordações Que já fazem parte do seu coração Mas que entram em duelo com as ilusões.

São ilusões de pessoas simples Mas cansados de olhar sempre em frente E de não conseguir atingir o horizonte Que próximo se encontra do seu viajante.

Mas sendo difícil de ser alcançado Pois a sua liberdade da esperança futura Em que num século bem melhor A verdadeira realidade será bem dura.

Tu emigrante português que muito trabalhas Vais levando uma vida como castigo E no teu rosto lavado em suor Será na tua terra enxugado por um amigo.

E aí construirás a tua casinha Com quase todos os teus tostões Que ao longo de meio século de vida De emigrante perdido, mas forte de emoções.


És um português de coração grande Que amas a tua pátria querida Não deixas as tuas recordações se apagarem Da tua memoria pelos anos afim já sofrida.

E vives uma vida bem difícil Como todo o português cá em Portugal Onde se ganha pouco e mal dá para viver Talvez só emigrando será o nosso golpe final!...

São Paio de Oleiros, 1991 / 10 / 24 ANTÓNIO CRUZ


“ O PRESIDENTE “

E mais uma eleição ele venceu, O presidente de todos os portugueses Pois contando-se os votos nas urnas É a confiança geral da maioria dos eleitores.

Para fazer um Portugal melhor Assim os portugueses o elegeram E a sua vontade é a nossa Pois para isso nele votaram.

E adversários deixou pelo caminho, Porque a nossa vontade venceu A força da união ditou a lei Até um rosa nova nasceu.

E o Soares quer fazer de Portugal Uma grande nação neste mundo Num mundo em pé de guerra Que sofre muita dor de tudo.

E porque Soares é “fixe” A nossa juventude muito ganhou Numa grande viagem para descobrir O seu novo futuro que fixou.

São as suas armas utilizadas A liberdade e a igualdade Para um coração de um português Num mundo que precisa da amizade.

E cantando o nosso belo hino Vamos avançar sem ter medo Assim canta o povo português hoje Seguindo á frente desde de muito cedo.


Ele será o nosso presidente hoje E não deixemos o nosso Portugal morrer Já chega, queremos um futuro melhor E esquecer o passado de tanto sofrer.

São Paio de Oleiros, 1991 / 01 / 21 ANTÓNIO CRUZ


“MAR DE CHAMAS”

Toca a sirene no alto da torre Ouvem-se os carros a chegar Ao quartel depois de terem abandonado Os seus postos de trabalho e vão lutar.

É mais um dia de “pura” violência Pois a mesma assola as vivas montanhas Vales ou serras indefesas perante o perigo O sinal foi dado, partem em direcção ás “fornalhas”.

Livrando-se das suas máscaras diárias Transformando-se em soldados da paz São simples homens e mulheres “rurais” Que combatem na primeira linha e tanto lhes faz.

São como os verdadeiros “polvos” Quando uma “mão” esta ocupada Avançam logo sem hesitar com a outra Pela mata adentro sem mesma estar lavrada.

Só que por vezes não basta As chamas reais são em demasia A exaustão ou mesmo alguma dor Deixam de ser só pura magia.

Alguns soldados já não dormem Só pensam em combater as chamas E nesse verdadeiro desafio á dor Avançam passo a passo lavrados em lágrimas.

Lágrimas essas misturas com o suor Em sangue e ouvem-se os seus lamentos Em que combatem o fogo com fogo É o mar de chamas com tormentos.


A situação se torna dramática De Norte a Sul avançam já sem direcção Á medida que o mercúrio sobe no termómetro Florestas, matos e terrenos agrícolas ficam sem coração.

Coração esse que purifica o nosso ar Mas a mão que atei o fogo Não pensa nestes verdadeiros soldados Que sem verem o seu fim a vista logo.

Vão avançando sobre os terrenos Outrora verdejantes hoje de negro pincelados O pesadelo continua por uma vasta área Ameaçando povoações e animais sofrendo seus medos.

As chamas são motivo de revolta Exaltando cada vez mais os ânimos Um soldado viu a sua missão comprida Com a sua vida interrompida “Os meus pesamos”.

Sua vida foi ceifada pelas chamas A falta de segundos é a questão Se era o fundo da questão a segurança Ou o apelo para o drama da prevenção.

Pois acordou mais um mar de chamas E nada ficará nas nossas memórias Só a origem desconhecida pela enorme dimensão Que o fogo consome as vidas próprias.

Incompreensível mas na verdade muito real Esta realidade que se repete ano após ano E nada parece conseguir atingir o fim Não basta dizer e se passar logo o pano.


Homens formados com poucos treinos Distribuídos em equipas tentando prever O comportamento das chamas analisando-as Mas para isso não basta só o seu querer.

Pois o mar de chamas é o mais forte Só a pressão de intervir não basta Perante a ocorrência mesmo sendo favorável É preciso o seu muito sofrer.

Consoante as necessidades para se formar Novas patrulhas para combater o mar de chamas São essas áreas de risco para populações Que levam o perigo nas suas nobre almas.

A luta destes soldados não tem fim É o fogo dos seus corações a arder Uma missão impossível de prever Já não tendo esperança de se vencer.

São estes verdadeiros soldados da paz Que todos os anos largam a sua vida Uma vida normal para lutar e tentar vencer Deixando tudo para traz até a sua família querida.

Família que aposta no seu regresso Do mar de chamas vivo e feroz Só com um apelo pedem a Deus Que os tragam de volta mesmo sem voz….

Paços de Brandão, 2005 / 06 / 23 ANTÓNIO CRUZ


“CHEGUEI”

Regresso, cheguei não sei de onde Venho do fim e de todo o lado Assim cheguei agora sem nada E trago na boca este meu fado.

Pois parti já não sei de onde E tão pouco sei hoje quando Me pus a caminho sozinho Sem metas à vista fui andando.

Caminhando por estradas nunca andadas Andei também por oceanos loucos navegando Com o céu azul como meu sinal Procurando descobrir a paixão fui nadando.

Cheguei a voar nas asas da solidão Durante muitas madrugadas em tempo de Verão De tudo o que vivi e não recordo Só sei que procurei a aventura sem acordo.

Em meu peito apenas sinto a dor Que vai apertando bem fundo agora É a dor da muita vida que perdi Ao longo dos tempos borda fora.

Já não sei sequer cantar o fado Após esta minha longa caminhada Acabei por te encontrar no fim Apercebendo-me logo que eras a amada.

Pois foste tu o amor e a paz Que tanto lutei e acabei por reencontrar E os teus braços foram o meu leito Que há muito desejava poder abraçar.


Só assim consegui lá chegar Depois de muito ter andado em procura Mas que bom foi este meu sofrer Para além desta luta sem fim és a cura.

Cheguei vindo do fim e de todo lado E ao mundo vim para poder te amar Só querendo mesmo ter-te ao meu lado Podendo cantar a paixão do fado sem me calar.

Mozelos, 2006 / 02 / 17 ANTÓNIO CRUZ


“NAU ENCANTADA”

Em mares navegados ia a Nau Encantada Por entre ondas revoltas e gigantescas Enfrentando tempestades sem fim do nada Pois ao teu encontro fui andando nas pescas.

É que juntos poderemos nos singrar Transportando a bordo sonhos e desejos Das nossas almas apaixonadas sem parar Por entre promessas e muitos beijos.

Uma brisa suave nos acompanharia Tendo o céu estrelado por nossa testemunha E a luz da Lua com que nos brindaria Neste mar do amor que não se opunha.

Seria assim a nossa Nau Encantada Embalando os nossos corações no seu canto Onde só atracarias em porto seguro e mais nada Dando apoio ao nosso amor sem pranto.

Singrando aos mares revoltos da vida Aos mares serenos do destino e paixão Esperando atracar em porto seguro minha querida Este é o imenso amor que tenho no coração.

É só nesse teu imenso amor Que o meu coração quer simplesmente atracar E nada mais quer mesmo enfunado de dor Do que nele obviamente poder repousar.

Santa Maria de Lamas, 2006 / 04 / 20 ANTÓNIO CRUZ


“SONHO DA FINAL”

O sonho de todos nós E vidas em laços de fita Portugal chora em união original Porque não conseguimos chegar á final.

A canção do encontro decisivo Foi cantada em forte união Ouvimos o nosso hino nacional Pelo mundo fora do nosso Portugal

A contemplação do real valor E a tristeza da pura realidade Figo, Deco, Ricardo e companhia Não conseguiram ser o nosso guia

É Inverno nos nossos corações Apesar de ser tempo de Verão A bola neste nosso sonho Da vitória mundial e de campeão.

A nossa natureza em vida Em repressão do mais além Um sentimento súbito de derrota Ficou pelo caminho da Alemanha também.

Ser Português é ser sofredor Entre vitórias e derrotas Sonhamos com alma viva Às tantas é por demais as apostas.

Perdemos sempre a noção Olhando a incerteza do infinito Procurando atingir a fonte Que possamos levar à glória o espírito.


Sonhos de heróis do mar Humanidade, fé, esperança e solidariedade Neste planeta solitário para nós Como povo de conquistas sem igualdade.

Atravessamos mares nunca antes navegados À descoberta de novos povos Levamos o Português como língua E a deixamos ficar pelos “Mundos Novos”.

Secos e ecos de um hino Simplesmente ao ficarmos pelo caminho Lágrimas derramadas num relvado Pois nos falta sempre mais um bocadinho.

Nem com um líder campeão Conseguimos vencer mais uma vez Sentimos as mágoas dos povos irmãos Que nos apoiaram até ao fim outra vez.

Resta-nos a alma de ser português Com o fado na nossa vida O fluxo da esperança no coração E a tristeza do tempo perdida.

Paramos, 2006 / 07 / 08 ANTÓNIO CRUZ


“OS BRAVOS DO C.D.C.”

Grená e Branco são as nossas cores Que embelezam o São Paio de Oleiros Levamos pelo país fora atletas amadores Jogam por amor á camisola como corticeiros.

Crescemos do nada e tão pouco Vivemos o Andebol com muita Paixão Gritamos com sentimento fincando rouco Pois o C.D.C. nos vai no coração.

Oleiros allez, assim o dizemos, Ao gritar no campo e na bancada Só queremos a vitória assim, sofremos Somos a Alegria e a nossa embaixada.

Somos a embaixada de uma freguesia Nas Terras da Feira nos situamos Com mestria representamos sem demagogias De bola na mão assim nós jogamos.

E pela frente encontramos vários adversários Alguns “Famosos” outros simples como nós Em campos diferentes somos “Bravos Corsários” Que levam Oleiros em alta voz.

São Paio de Oleiros, 2007 / 06 / 15 ANTÓNIO CRUZ


“GARRA OLEIRENSE”

Seguimos viagem da segunda para a primeira Continuamos a percorrer Portugal de Norte a Sul De pavilhão em pavilhão seguimos sempre em frente Procurando a vitória para lá de Úl.

A bola circula nas nossas mãos De Pivot até chegar ao Ponta O golo procuramos sem sequer cessar, Porque só assim chegamos atingir a conta.

A Cruz vigora no nosso símbolo O Livro demonstra o nosso saber Sentimos Oleiros vivo no nosso coração Procurando sempre nunca o orgulho perder.

Alegria queremos, conservar dentro de nós Entre gritos de folia nas bancadas Os nossos adeptos que são poucos Sofrem sempre ao longo das loucas jornadas.

O Grená é a nossa cor viva Procuramos dentro do pavilhão a honrar Com suor e lágrimas lutamos até ao fim Tentando sempre não perder mas sim ganhar.

Vivemos o Andebol com grande amor A nossa paixão é querer sempre vencer Com fair-play como meta também Pois somos pequenos mas bons no saber.

Nascemos para o andebol com Oleiros Chegamos com orgulho à primeira divisão Hoje estamos entre os grandes também Com muito sofrimento e muita paixão.


Somos a garra do andebol Oleirense hoje Por Terras de Santa Maria crescemos Vencemos como povo humilde e sereno outrora Mas a fúria leva-nos á loucura isso, conquistaremos.

Uma loucura sã com amor e paixão Assim a transmitiremos por Portugal inteiro Sem a alegria do jogo acabamos por morrer Por isso sonhamos um dia de sermos nós “O primeiro”.

São Paio de Oleiros, 2008 / 12 / 10 ANTÓNIO CRUZ


“MOZELOS”

Mozelos, terra que me acolheu Gente humilde e simples simpatia De braços abertos a minha família recebeu Na sua nobre e bela freguesia.

Sou um sonhador “Sem” terra Pois por algumas já passei Desejando ser recebido sem fera Procurando esquecer pelo que já viajei.

Um passado bem difícil encontrei, Pelas terras as quais andei Vivi sempre sem ser um rei Espero encontrar aquilo que tanto sonhei.

Mozelos, freguesia de terras da Feira Nobre sem discussão alguma o é Simplesmente me quero inserir à sua beira Assim o procuro com a ajuda o Zé.

Pois alguns amigos já Eu fiz, Assim como a minha alegre família Sou vareiro de nascença como se diz E só quero viver na tua freguesia.

Mozelos, terra dos modestos corticeiros Dura luta tem diariamente com suor Servindo para demonstrar orgulho aos estrangeiros Como freguesia cresce com algum furor.


Com orgulho tenho por pertencer A esta terra por afinação Espero os meus filhos poder ver Crescer com gosto por si e paixão.

Mozelos, 2007 / 06 / 21 ANTÓNIO CRUZ


“PAIS”

Um pai nunca se esquece Muito menos um pai com valor Pois a sua luta foi tremenda Muitas das vezes com imensa dor.

A vida simplesmente em si Nada foi gratificante e sem sentimentos Uma luta diária travada com suor E sangue derramado em certos momentos.

As lágrimas escorrem pelo seu rosto Um coração amargurado pela vida Deixando ao acaso do dia-a-dia Sofrendo sem compaixão já perdida.

Partem em busca da glória Deixando suas esposas e filhos sozinhos Procurando a felicidade já esquecida Em tempos posta de lado pelos caminhos

O seu enorme saber Ocupa um lugar nesta vida É tão simples e sem rodeios Sem segredos de pátria esquecida.

Os nossos corações de filhos Esquecemos a sua luta verdadeira Só queremos o nosso bem-estar “Matando” a sua felicidade sendo a derradeira.


Lições de vida nos querem passar Entre sentimentos de dor e alegria A sua esperança não morre Pois somos a sua única família.

Mozelos, 2007 / 06 / 19 ANTÓNIO CRUZ


“PORTO CÔVO”

É tarde de Verão Jogam às cartas na rua Dois idosos enquanto falam Esperam que chegue a Lua.

É que outrora o tempo Levou as suas mágoas Deixando as marcas vivas Nas suas rugas árduas.

Pelos campos pastaram ovelhas Deserto de erva seca Por entre os sobreiros Só paravam atingindo “Meca”.

As águas banham a praia Estamos em Porto Covo À costa dão conchas São “búzinhos” do povo.

Sai Ás na mesa Em que domina o baralho Recordam a sua juventude Dos namoricos entre trabalho.

Mas a sua alegria Se nota bem constante Como a gaivota paira Sobre a costa navegante.

O Rei domina a Dama Na batalha do amor Beijos roubados com prontidão Curam a sua forte dor.


As falésias escondem os namorados Que repenicam-se aos poucos Cantam versos de paixão Até ficarem algo roucos

Tudo isto é novo Numa pequena vila É de nome Porto Covo Em versão de forma atila.

Existe alegria no ar É noite de Lua cheia Sente-se a paixão em redor Sorrisos pela avenida em teia.

Acabam o jogo por agora Voltando as suas casas Pintadas de branco e azul Como se batessem asas.

Nesta pacata e bela vila sana Vive-se com alguma acalmia Está na costa alentejana Valendo-se da sua nobre valentia.

Porto Covo, 2007 / 08 / 22 ANTÓNIO CRUZ


“FESTA DA VIDA”

Existem alguns riscos nesta vida Também existe alguma falta de alegria Mas os pobres vão cantando ao Sol Já que lhe falta dinheiro toda a via.

Nem tudo eles podem comprar E quem canta mata a sua tristeza Já diz o ditado antigo e velhinho Onde existe sempre uma certa esperteza.

Das festas vive o Zé-povinho Mas nenhuma vale certos momentos Os quais vivi nesta curta vida E por isso ultrapassei alguns tormentos.

Com riscos do dia-a-dia vivi Tornando-me em tudo um homem nobre Venci algumas batalhas por conta e risco Na algibeira nada tinha sendo gente pobre.

Neste mundo quase tudo me foi roubado Entre os amores com coração partido Ainda me queima as mãos hoje As guerras que perdi estou a elas rendido.

Mas nem tudo é sempre mau Porque junto a uma grande flor Ganhei vida com paixão e alegria Pela qual vou lutando com alguma dor.


Vendo a vida como deve ser agora Essa dor vai diminuindo com o amor O mesmo alimenta a esperança e nova vida Hoje sinto a festa em alta e com furor.

São Paio de Oleiros, 2008 / 09 / 03 ANTÓNIO CRUZ


“TERRAS DO NORTE”

Nasci a norte de Portugal Numa cidade junto ao Litoral Espinho é o seu nome natural Terra vareira sem haver igual.

Nas suas areias eu brinquei E por lá à bola joguei Espinho terra do meu coração És a cidade da minha paixão.

Aos sete anos mudei de rumo Para Norte segui o fumo A Silvalde logo fui parar, Hoje essa Vila continuo amar.

De criança me fiz jovem Como no mar as areias se movem Cresci em espírito de liberdade Renovado em fé e na amizade.

Nesta Vila a Norte de Portugal Vivi até um dia formar casal Mudei de malas, bagagem e jornal Para estar com a minha bela afinal.

Parei em mais uma vila do norte Terras de Santa Maria com a sorte São Paio de Oleiros seu nome E a mesma com algum renome.


Nesta vila nortenha me acolheu Uma jovem e o seu amor me deu, A felicidade e amizade Eu recebi, Do seu povo e ainda não esqueci.

Na mesma vila o meu primogénito nasceu E nela também por lá cresceu Entre a escola e amigos do andebol Representando a vila em seu prol.

Já o segundo só lá nasceu Pois a vila de Mozelos o recebeu E de braços abertos amigos fez, No hip-hop revelou-se por sua vez.

É hoje a minha vila Mozelos Da política já fiz parte sem velos Em associações me alistei para ajudar Procurando sempre parte de mim ofertar.

Já que pelas vilas e cidade Por onde fui passando deixei amizade Mozelos Terra de Santa Maria Em ti depositei a minha humilde família.

E graças dou por ora, Não querendo me ir embora Meus rebentos e o meu amor Pela vila de Mozelos vencem a dor.

Embora continue amar as outras terras Sempre lutarei, contras todas as feras, E se um dia tiver que morrer Que seja em Mozelos sem sofrer.


Pois a Norte continuo a viver Estas terras são lindas de se ver Sonho em continuar nelas até morrer É do meu coração este meu querer.

Mozelos, 2009 / 12 / 29 ANTÓNIO CRUZ


“LIBERDADE”

Era uma vez… … … Um povo nobre, mas oprimido Por um regime obsoleto e definitivo Com uma esperança presa sem objectivo.

Não podendo sequer esboçar Um gesto ou uma palavra Procurava viver sem liberdade Na esperança do dia da igualdade.

O seu dia a dia Era cheio de mágoas Feridas impostas sem opinião Bocas fechadas e sem união.

A longa esperança residia Em cada homem ou mulher Em poder um dia gritar Ou mesmo ter liberdade de amar.

Consciências pesadas os marcavam Por desejar tanto a vida Em que tudo podia ser diferente Sem grades ou janelas fechadas de frente.

Esse dia chegou por fim Entre cravos vermelhos e sorrisos Palavras livres foram declaradas Cantigas ouvidas e armas prostradas.

Era vinte cinco de Abril Do ano mil novecentos e setenta quatro Se escutavam vozes de vitória E sonhos lindos cheios de glória.


O voo livre da gaivota Nos céus azuis do infinito Fazem o povo novamente sonhar É que a liberdade existe para se amar.

Para a história ficou Este dia do povo português Pois a liberdade é única simplesmente Só precisam de dar continuidade finalmente.

São Paio de Oleiros, 2006 / 04 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“SER BELENENSES”

Só quem não o quer Do Belenenses não o é Nasce no coração com liberdade E tem no peito a cruz da fé.

É a fé que faz crescer O nobre sentimento bem verdadeiro Onde reside a esperança do futuro De um dia ser o primeiro.

Em orgulho já o é simplesmente E nunca se deve desanimar Perseguir o sonho é vida Este clube se deve saber amar.

Temos um orgulho bem diferente Apenas sabemos como devemos estar Não pensem que o Belém morreu Continuamos a perseguir o sonho por conquistar.

É a nossa cruz com graça A mesma com que as naus navegaram Por entre tormentas venceram os mares Assim as gentes de Belém o desejaram.

Já desde pequeninos somos do Belenenses Somos talvez poucos mas muito bons Dentro dos nossos corações vibra a cruz Que Cristo nos deixou com alguns dons.


Mesmo com muitas dificuldades avançamos Passo a passo vamos mostrando a raça O azul enche os campos de Portugal E já elevamos aos céus a conquista da taça.

Santa Maria de Lamas, 2008 / 10 / 08 ANTÓNIO CRUZ


“NA BARBEARIA SILVA”

Tesourada mais tesourada se faz Cabelo mais cabelo se corta Na Barbearia Silva “catar pás” Aos poucos chegam à porta.

À porta chegam os clientes Com uma cabeça nova de lá saem Bonitos menos bonitos estão cientes Que no fim em si caiem.

A tesoura funciona com rapidez Cabelo a cabelo se vai cortando No chão vaie-se amontoando à vez Ou com o vento se vai espalhando.

Na Barbearia Silva se ouvem conversas São conversas do alheio que se discutem Noticias de desporto com algumas defesas. E na política neles não votem.

Tesourada atrás de outra tesourada Toda gente fala sem parar Opinião de um sobre a consoada Outro fala, fala sem se cansar.

Não há dia ou noite Que a tesoura não funcione Zás mais uma cabeça com afoite Trim, lá toca outra vez o telefone.


Na Barbearia Silva todos esperam Entre palavras soltas e sorrisos Todos informados por lá ficaram Tesouradas dadas com bem precisos.

Desde crianças, jovens ou graúdos A tesoura corta tudo com sentido Cabeludos, carecas e menos cabeludos Na Barbearia Silva nada está perdido.

Na Barbearia Silva há dias e dias Se corta na casaca e no cabelo Também se apara as alinhas das tias E a barba se faz sem ficar pelo.

Mozelos, 2008 / 12 / 31 ANTÓNIO CRUZ


“PALAVRAS DE GRATIDÃO”

Não existem palavras Hoje Que posam revelar o Amanhã. Foram simplesmente “pais” e amigos Que desenrolaram-se como novelos de lã.

Durante anos revelaram palavras A este jovens alunos cheios de futuro. Numa luz transformaram-se lentamente Iluminando os seus caminhos no escuro.

Entre lágrimas e sorrisos Ensinaram o que a vida lhe trará, Demonstrando sempre coragem sem fim Assim o Amor por eles o ditará.

Nestas poucas palavras de nós pais Só queremos a vós agradecer, Demonstrando o nosso breve carinho Que os nossos filhos acabaram de receber.

E como a vida é curta É preciso não esquecer a alegria Que o Futuro ainda nos reserva Devemos continuar a viver a felicidade deste dia.

É com simplicidade que nos despedimos Amigos dos nossos rebeldes filhos. A Esperança semeastes nos seus corações, Ensinando-os a explorar os seus trilhos.


Estas palavras escritas por um aprendiz Revelam a nossa eterna Gratidão. Sejam fortes na vossa vocação E coragem para a vossa nobre profissão!...

Mozelos, 2008 / 06 / 11 ANTÓNIO CRUZ


“CREIO”

Caiem flocos brancos do céu São brilhantes e unem-se no chão Fazem lembrar a paz com nostalgia Creio que a mesma pára o coração.

Sim, porque creio na paz Um dia é certo que chegará Então poderei abraçar meu irmão Sem olhar à raça isso me bastará.

Sim, eu creio na felicidade Onde a união será a sua força A mesma não terá preconceitos E a esperança ainda é moça.

Creio que possa chegar a ter Um dia quem sabe em aliança Um Sol brilhante para todos os povos Que um dia o amanhã seja de esperança.

Creio num mundo bem melhor Que o meu irmão não tenha fome Chegando o pão a toda gente Nem que tenha um simples nome.

Creio nos flocos brancos de neve Os mesmos que nos trazem a esperança Como sinal que a guerra se acabará E que o amanhã seja a nossa criança.

São Paio de Oleiros, 2009 / 01 / 08 ANTÓNIO CRUZ



um fado lusitano 007