Issuu on Google+

ANTÓNIO CRUZ


ANTÓNIO CRUZ


“ PREFÁCIO DE UMA VIDA”

Escrevi num mês distante, trinta e tantos, poemas a fio sem parar, numa espécie de êxtase. E hoje, é um dia triunfal da minha simples existência, nesta minha vida. O que se seguiu depois de alguma tinta ser gasta e muito papel ter sido utilizado; só sobrou um cesto de papéis cheio, foi o aparecimento de um novo “Poeta – Escritor”. Tudo isso, se verificou no continuar do pequeno Sonho de Criança que há muito tempo vinha a desenvolver no meu interior, utilizando pequenas rimas ou alguns pensamentos muito sugestivos da minha maneira de ser. E de ter vivido quando criança e também algumas situações, já como adulto. Desculpem – me, o absurdo da frase; mas apareceu em mim um enorme desejo de transcrever para o papel algo com sentido ou mesmo sem! Era simplesmente aquilo que vindo do meu eco interior ou directamente da minha mente, ditava por palavras ou frases simples, numa leitura rápida, e a minha mão escrevia para um bocado de papel. A expressão que sobressaia no meu rosto era a de um pequeno sorriso esboçado quando terminava mais um tema, mesmo que esse não tivesse muito sentido! Mas, era como se tivesse restituído alguma vida aos mais simples “poemas” ou “contos”, que eram para mim algo profundo mas muito belas. Só que por vezes, bastava unicamente o esboçar de um sorriso para me agradar e aquilo que acabava de transcrever logo por si existiria numa folha de papel sentindo toda a sua magia sem sequer poder falar! E, num certo dia, à noite quando relia tudo aquilo que já havia escrito em simples rascunhos, por vezes, revia ali a minha própria sombra retractada. Eram, e são, simplesmente memórias, brincadeiras, ou mesmo chamadas de atenção para o mundo em que vivemos. Sei que um dia alguém as vai poder ler e as irá existir na prateleira da sua biblioteca para quando este ser já ter abandonado o planeta Terra. Um simples risco da minha curta vida ficará lá conservada, para sempre todo o sempre como sinal da minha pequena existência terrena! E, só assim poderei viver eternamente, por milhares de anos a fio, recordando a Alegria, a Tristeza, o Amor, a Solidão e tudo aquilo que tiver dado a este Mundo! Mas, uma coisa Eu sei, que serei alguém que existiu um dia neste “Universo da Escrita”!... E essa recordação ficará para sempre nas memórias de todos, sendo como aquele que deixou um “Verso” quando morreu, e talvez seja a “Profecia” de uma vida!...

Mozelos, 2000 / 10 / 10 TONY CRUZ


TITULO

LOCAL / DATA

0

PREFÁCIO DE UMA VIDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 10

1

UMA HISTÓRIA DE AMOR

SILVALDE, 1989 / 11 / 17

2

PRECISO DE TI

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1991 / 07 / 21

3

DIOGO SONHADOR

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2005 / 09 / 06

4

ÉS ÚNICO MAURÍCIO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2005 / 09 / 05

5

A CASA

MOZELOS, 2005 / 01 / 30

6

POESIA VIVA

MOZELOS, 2006 / 03 / 26

7

CERTEZA DO NADA

SANTA MARIA DE LAMAS, 2006 / 03 / 28

8

AREIAS DA INFÂNCIA

SANTA MARIA DE LAMAS, 2006 / 03 / 16

9

MÃE

MOZELOS, 2006 / 05 / 07

10

DUAS VINTENAS

PARAMOS, 2006 / 07 / 07

11

SINTO A VIDA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2006 / 07 / 24

12

NÃO SEI SORRIR

MOZELOS, 2005 / 09 / 19

13

50 PRIMAVERAS

SILVALDE, 2007 / 07 / 07

14

SEM ESTILO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 01 / 01

15

APRENDIZ DE POETA

PARAMOS, 2005 / 08 / 24

16

22º. ANIVERSÁRIO DE ESPERANÇA

ESPINHO, 1988 / 07 / 07

17

SOFRO PELO BELENENSES

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 02 / 04

18

MEU PAI

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 03 / 19

19

VERSOS ESCONDIDOS

CAMPO GERÊS, 2006 / 08 / 29

Em "Pedaços de Mim" escrevo Sobre os meus rebentos e me atrevo Procuro uma linha do meu saber Entre as linhas que preencho sem ver. Por vezes não sei o que escrevo As palavras se fixam como o trevo Preenchendo as folhas em branco Vou ditando letras sentado num banco. Nestes poemas minha vida descrevo Alguns sonhos e momentos com relevo São pedaços do meu ser com vida Assim dou a conhecer ao ser lida. Santa Maria de Lamas, 2009 / 04 / 03 TONY CRUZ


“ UMA HISTÓRIA DE AMOR “

Certo dia conheci uma “gordinha” Em quem muito confiei Ao som da chuva O meu amor lhe entreguei.

É a flor da minha vida O perfume do meu amor É a gota da minha alegria E será sempre o meu furor.

Uma rosa me deu Foi o símbolo da paixão Num dia de Primavera Nasceu o fruto da ilusão.

É a semente da minha vida A fonte do meu amor A esperança do meu ser A força da minha dor.

Dor que sinto por si É o prazer de a seu lado ficar Como o virar de uma página Em que posso sonhar.

O seu corpo é o livro Fruto da minha imaginação A vontade de buscar O ser desta minha paixão.

E uma esperança renascida Passeia numa estrada viva Caminhos são percorridos em silêncio Á procura de uma palavra minha “diva”.


Palavra simples como a Flor Tento escutar o seu sentimento No meu coração muito carente À espera do eterno momento.

O momento de uma carícia dada A alegria vivida no sofrimento Do amor preciso estando carente Pois será sempre o meu alimento.

Olhei o mar e vi Um grande Sol Nascente E no seu corpo tocava À espera do Sol Poente.

Como um sol que brilha Numa bela tarde de Verão A minha vida bem corria Na incerteza de um coração.

E por entre oceanos sem fim O nosso louco amor se elevava Em plenas ondas gloriosas E com os seus cabelos Eu sonhava.

Mas o sentimento de minha culpa Se encontrava dentro do meu coração Por nunca querer saber Como pedir a sua mão.

Mas a sua mão me deu Para mais seguro me sentir Com a certeza me pediu Para nunca mais lhe mentir.


Sou pobre em dinheiro Mas rico de coração Lhe dou todo o meu amor Flor, querida, me dá a tua mão.

A tua mão quero levar, No dia do nosso casamento E o nosso amor oferecer Como foi o nosso pensamento.

E à noite nós, recordaremos As nossas loucas aventuras, Entre os beijos e carícias Planeando as nossas vidas futuras.

Silvalde, 1989 / 11 / 17 ANTÓNIO CRUZ


“ PRECISO DE TI “

Abri uma gaveta e procurei Uma caneta ou um lápis Porque senti o desejo de escrever Sobre a vontade que tenho de te ver.

Estou cansado de tudo ser feito À moda antiga e todo este rodopiar Pois não traz paz ao meu ser Já nada o pode fazer parar.

Preciso de encontrar a emoção Para poder sorrir de vez em quando E chorar quando sentir o teu coração Ou quando pedires ajuda no meio da confusão.

Pois em cada dia que passa Cada vez mais preciso de te amar E já não sei o que fazer Querida preciso muito do teu querer.

Por vezes preciso de uma briga Para despertar as minhas emoções Pouco importa se tenho alguma razão Pois a vida parte dos nossos corações.

Peço por favor que não tenhas medo Sabes bem quanto eu te quero E que se for possível muito gostaria De te poder amar um dia inteiro.

Preciso muito de te ter agora e aqui Nos meus braços neste preciso momento. Á janela do meu hotel louco Vou ficar á espera de ti mais um pouco.


E desde que venhas ter comigo A vida não cessará de se sentir Ás vezes é preciso de deitar por terra E virar do avesso para o erro se corrigir.

Então poderei sempre chamar por ti Assim quando repuser no seu lugar Pois sou mestre em boas palavras Mas mau nos gestos para te o demonstrar.

E com muito amor te espero Pois só agora abri o meu coração Para poder receber para sempre teu ser Que no horizonte não tarda a aparecer.

Pois preciso muito de ti agora O meu coração anda foragido e assustado Por favor não me deixes ficar sozinho, aparece Ou desejarei para sempre andar desaparecido.

Vêm por ti, esperarei hoje e sempre E não me deixes ficar à seca Porque se não meu pobre coração Terá que se dedicar a uma nova pesca.

São Paio de Oleiros, 1991 / 07 / 21 ANTÓNIO CRUZ


“DIOGO SONHADOR”

Diogo nome de um grande navegador Que dobrou o Cabo das Tormentas Tu assim também o pareces ser Um solitário navegador-sonhador e o fermentas.

Nas tuas brincadeiras bem traquinas O demonstra com alguma ilusão Entre o faz de conta e a realidade Procura muitas vezes a solidão.

És uma criança bem disposta Que enfrenta a sua “pequena” dislexia Com alguma indiferença à realidade Mas lutas com força e alegria.

Não tens medo de nada Para ti na vida não existem perigos És valente em atitude de coração Não sofrendo nunca com a pressão.

És um verdadeiro contador de histórias A tua imaginação é muito fértil Amas os mais directos com ganância És único na tua curta infância.

Teu corpo contém muita energia Danças como se fosses grande gente Não queres dar passos em falso Pois se diz com coragem, és muito inteligente.

São Paio de Oleiros, 2006 / 09 / 05 ANTÓNIO CRUZ


“ÉS ÚNICO MAURÍCIO”

Maurício é um miúdo querido Vê as ondas do mar Estando a pensar no nada Sei que só pensa nelas mergulhar.

Sonha em ser um surfista E nas ondas se quer aventurar Têm uma forma única de ser Se agarra as coisas como lapa no mar.

Continua sentado na sua rocha Olhando o horizonte do oceano Vai pensando em querer ser gente Mas ainda é um menino de semente.

Brinca muitas vezes sem sentido Pois é único neste mundo Seu coração é enorme mas miúdo Com o tamanho de um oceano profundo.

Têm um medo com imensidão Um terror único e muito expressivo Foge das coisas mais vulgares Não conseguindo por vezes ser conciso.

Sonhava em ser um veterinário Mas só que têm pavor a abelhas Não sei como o conseguiria ser Sendo único construirá um abrigo de telhas.


Ele é único neste universo Seu coração não me é desconhecido Pois é um grande miúdo Neste oceano cheio de terror mas colorido.

São Paio de Oleiros, 2005 / 09 / 05 ANTÓNIO CRUZ


“A CASA”

A casa onde regresso por vezes Fica distante de onde moro agora Foi a casa que me viu crescer Até que um dia distante, me vim embora É certo que a deixei pela manhã sem ver Entrando num mundo novo para mim Como a água corre seguindo o seu rumo De lugar em lugar chegando à torneira pelo fim Minha vida não pára de me surpreender Como as puxadas de um cigarro no seu fumo As gotas da chuva caem sem parar Formando poças de água lembrando lagoas no mar A casa onde por vezes Eu regresso Simplesmente lá volto tipo visita de um expresso As saudades por lá vou, matar um pouco Ao falar com o meu pai e não estou louco Tenho imagens perdidas ainda dentro de mim Da janela do meu pequeno quarto sem jardim A casa onde vivi a infância era perto do mar Fiz algumas viagens até lá ficando sem ar. Meu pai levava-me ao seu lado estrada fora Com um palpitar de coração recordo por ora. Era um furor naquele tempo ao sair de casa Fazendo o caminho-de-ferro até casa da avozinha Se pudesse regressar no tempo batendo a asa Faria a viagem com alegria no coração como se advinha. Nem que fosse noite fechada sem Lua por companhia Talvez quem sabe a essa casa volte de uma vez…Um dia.

Mozelos, 2005 / 01 / 30 ANTÓNIO CRUZ


“POESIA VIVA”

Não penso que a minha forma de escrever Vá conquistar todos os que a lerem Esta minha escrita faz parte do meu mundo Em que tento fazer poesia viajando com tudo.

Tenho a minha ilha na quietude do mar Vou fazendo compasso através do tempo sem parar Sento-me a descansar nos bancos de jardim Olhando nos céus as gaivotas no seu horizonte sem fim.

Passa uma nuvem cobrindo as estrelas na noite A idade do universo não se tendo afoite Assim como o prenuncio da Primavera que teima em chegar Sendo a transmutação da vida faltando também o saber amar.

O oceano gigante é como toda a poesia Entre o azul e o verde do acaso do dia A simples árvore é a fonte de vida do homem É a sua natureza e universo, terra e o mar também.

Os segredos do vento são cortados pela espada E as chamas das velas se apagam no golpe da amada Espalhando as poesias ao vento sem sabor Navegando por entre as ondas gigantes de terror.

Num jardim florescem durante vinte e quatro horas Que se situam no meu lugar favorito as rosas Passa ao longe a carruagem da esperança Trazendo como passageiro o amor da minha aliança.

Nas pontas dos dedos seguro a minha caneta Deste meu delirante envolvimento de ser poeta Há três estações que procuro aprender a ler Para poder descobrir o meu incêndio na existência de ser.


Pois a poesia é uma caixa de surpresas E é bom demais declamar sem disfarces e diferenças Vou assistindo por instantes ao quarto crescente Sentado numa pedra do paredão esperando, amada estrela cadente.

Tudo debaixo do céu torna-se simples saudade Numa distancia calculada na nascente da felicidade Quase sem voz abro a janela com esplendor Fazendo uma viagem futurista à procura do amor.

É que só esse sentimento consegue ter poder Posso mesmo acrescentar sem nunca o temer Sendo a seiva da vida de poeta amador É minha forma de relatar atingindo o ser esplendor.

Mozelos, 2006 / 03 / 26 ANTÓNIO CRUZ


“CERTEZA DO NADA”

Procuro nesta vida uma certeza Mas não a consigo encontrar em lado algum Já perguntei de porta a porta sem parar Só que não obtenho resposta em lado nenhum.

Onde pára a certeza desta nossa vida Será que algum dia vou conseguir a resposta Ou vou ficar para sempre na ignorância Pois que raios partam tão grande porta.

Por vezes já não consigo saber O que tanto procuro nesta incerteza Atravesso campos de trigo descalço sem medo Só assim talvez consiga atingir alguma realeza.

Porque a certeza essa me é difícil E por vezes mais que a procuro descobrir Vou perdendo o fio à meada sem saber Onde pára, a sua alteza, só desejo a ver sorrir.

Santa Maria de Lamas, 2006 / 03 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“AREIAS DA INFÂNCIA”

O tempo sempre deixou algumas marcas Quando recordo as palavras que escrevi Nas areias e o mar as levou ficando em lembrança Eram os meus segredos de criança com esperança Pois também desenhei quase tudo o que vi.

Esses segredos o mar os levou para o infinito Onde as conchas e as algas marinhas os escutaram, A sereia os ouviu atentamente até chegar o amanhecer Foram segredos que os meus avós sussurraram Mesmo antes de cada um deles falecer.

Assim ficaram como estilhaços da minha infância Emulsionados pela força da maré em tempo seu Estes são alguns versos feitos nesta hora Em que recordo as mágoas do passado meu Mas também fiquei com turbulências por momentos agora.

É que o mar levou o meu amor Era a filha de um amigo pescador de rede Em que com o tempo partiu com a dor Sem escutar o meu clamor primeiro sem sede E como marinheiro sonhava um dia acabando sem mentor.

Nas praias da minha perdida infância Alguns barcos por lá morreram encalhados um dia Se tornaram fantasmas sem pescadores ou alguns contrabandistas Foram também desaparecendo com os tempos como malabaristas Assim como qualquer vaga que no horizonte surgia.


Hoje sou a mesma pessoa dessas areias Recordando esses tempos com alguma tristeza Em que fazia de herói nas suas dunas Embarcando na minha caravela com um sorriso de certeza Entoando as velhas canções dos pescadores e as suas turmas.

Santa Maria de Lamas, 2006 / 03 / 16 ANTÓNIO CRUZ


“MÃE”

Neste dia tão especial Só quero e desejo mostrar Sendo minha mãe muito querida Só penso em poder te amar.

Tu me ofereceste esta vida Por ti vou tentar cantar Já que deste razão á minha voz Não existindo motivos para parar.

És a razão também do meu viver És o Sol e a Luz do meu nascer Fizeste muito para não sofrer Inclusivo tentares me ajudar a crescer.

Pois certo dia me destes Um lugar neste mundo perigoso O teu amor tentou ser o maior Para que eu conseguisse ser algo orgulhoso.

Sinto por ti um amor profundo Porque deixaste em mim um sinal São palavras que hoje ainda utilizo Querida mãe são essas palavras de amor final.

Mas não serão as únicas que direi Porque a vida me ensinou a perdoar Assim o passado já lá vai E neste momento só penso em amar.

Mozelos, 2006 / 05 / 07 ANTÓNIO CRUZ


“DUAS VINTENAS”

Quem é incapaz de contemplar A vida que nos rodeia O mesmo não é capaz de homenageá-la Ou então simplesmente se odeia.

Em cada manhã que nasce O Sol se põe brilhante Não consegue acordar e bradar Sentindo o amor bem constante.

É bom sentir neste dia Que estou vivo e posso viver Este espectáculo da vida Sentindo o amor por outro ser.

Já levo duas vintenas de século Vividos entre o bem e o mal Só quero viver o dia-a-dia Até o dia do juízo final.

Pois posso ter tudo Aquilo que quero e desejo Mas posso sempre ter De ti, mais um simples beijo.

Assim posso obter tudo Aquilo que puder e conseguir ter Ao sentir o teu amor hoje Sentindo o coração fervilhando pelo teu ser.

A bondade nas tuas palavras Faz-me criar certa confiança Teus pensamentos criam plenitude Sentindo-me hoje uma simples criança.


Nesta idade do vai ou rebenta A bondade cria doações de amor Um amor de uma rosa Sendo tu a minha única flor.

Sou um jardineiro escravo Cheio de mil espinhos de rancor Por uma vida sem grandezas Mas com alguma lógica para o amor.

Só quero continuar a escrever Aquilo que sinto nesta vida Tendo-te ao meu lado sempre E sentir que és a minha mais que querida.

Sei que este dia vai passar Voando sem quase sequer parar Mas vou tentar gozar as suas horas Pouco a pouco e tentar também amar.

Não sei se estou preparado É certo que tenho que viver Pois já levo nesta bagagem O ódio, a solidão de outrora e basta de sofrer.

Paramos, 2006 / 07 / 07 ANTÓNIO CRUZ


“SINTO A VIDA”

Tenho que mudar de vida Já só sinto algum cheiro Tudo parece cair em cima Falta-me o essencial, algum dinheiro.

Nada corre como eu quero Meus ombros já não aguentam O meu sofrimento em questão Nem mesmo que consiga ter razão.

É uma vida em franca depressão Procuro descobrir uma vida melhor Só não sei qual o caminho Para que possa afastar esta dor.

Quero encontrar definitivamente o fim Para este caminho de espinhos Parece vidros aguçados sem cor Sinto os cortes nos pés sem carinhos.

Minha pele estala com o calor Meu coração palpita sem parar O orgulho foi-me roubado inadvertidamente Sem questionar a minha vida ou reclamar.

Sinto-me um puro vagabundo agora Sem sentido ou estilo de vida Quero ser alguém ainda hoje E deixar de sofrer estando ela escondida.


Ainda tenho por consolo meu O amor para esta vida E esse, não quero perder por nada, Nem que tenha de rastejar minha querida.

São Paio de Oleiros, 2006 / 07 / 24 ANTÓNIO CRUZ


“NÃO SEI SORRIR”

Preciso de aprender a sorrir Ou será que está errado algo comigo? Pois é uma pergunta que eu faço Já alguns dias sem obter uma resposta e sigo.

Sei que a vida me levou a ser assim Mas também sei que posso estar errado E o que posso fazer para ser diferente? Por mais que lute não consigo ser alterado.

Tenho uma cara de mau da fita Mas um coração cheio de amor Se me quiserem como Eu sou É só pedir e Eu logo demonstro, o meu calor.

É um calor que vêm de dentro E não é fingido como pode parecer É que no meu rosto de amargura Existe também alguma solidariedade no meu ser.

É com uma certa angustia Que o digo de boa verdade É que não sei sorrir disfarçadamente E quem quiser não o obtêm com facilidade.

Nasci assim talvez melhor dizendo Cresci assim sem nunca me perder É que já longos caminhos já percorri, Nesta vida sem sequer o amor receber.


Eu sou assim uma pessoa simples Que gosta bastante de escrever E é nessas folhas escritas como rascunhos Que tento então sempre me defender.

Sorrir por só sorrir hoje Não encaixa no meu verdadeiro ser Procuro ser o mais realista que possa Sem nunca perder a vontade de viver.

Mozelos, 2005 / 09 / 19 ANTÓNIO CRUZ


“CINQUENTA PRIMAVERAS”

São Cinquenta Primaveras festejadas em união Nem sempre foram uniformes existindo confusão Mas entre amor e alguma dor de revolução É certo que a carne entrou em tentação.

O tempo foi o vosso destino também Entre tristezas, alegrias e mágoas à mistura Levaram o passado de arrasto por bem A fraqueza faz parte da vossa natura.

Embora tenham pouca cultura talvez básica A vida vos fez aprender a ganhar As marcas do destino foram a pratica Sofrendo amarguras passo a passo sem findar.

Como professores da minha curta vida Algo foi transmitido pelo tempo escasso Mesmo assim procurei alimentar-me fechando a ferida Que foi aberta por uma infância sem espaço.

Mas este dia é vosso por direito Que as feridas do passado sejam fechadas E que alegria volte rompendo o estreito O mesmo sirva para fugir das alhadas.

São Cinquentas Primaveras de perfeita união E que estes teus filhos, noras, genro e netos Vivam o resto da vida com alegria e paixão E cheguem para vocês verem nascer alguns bisnetos.

Silvalde, 2007 / 07 / 07 ANTÓNIO CRUZ


“SEM ESTILO”

Já me perguntaram algumas vezes Em que estilo eu escrevo Só respondo que não sei São tantos que não me atrevo.

Escrevo em prosa por vezes Outras vezes simplesmente escrevo Não procuro um estilo certo Mas sim encontrar meu trevo.

Entre algumas trovas simplesmente puras Do meu amor gosto de escrever Relembrando o meu triunfo alcançado Espero-o guardar até um dia morrer.

Sou um simples aprendiz de poeta Que por entre as palavras vagueia Por vezes escrevo horrores sem sentido Pois a minha escrita por elas anseia.

Mas se pensar melhor hoje Talvez copie alguns estilos simplesmente Não sou nenhum Camões nem Pessoa Sou um Cruz que escreve livremente.

Se me exigissem algum estilo agora Não saberia responder por ora A minha alma dita o meu estilo E escrevo de dentro para fora.


A minha alma grita gentilmente Sem um estilo próprio de coração O fogo que arde dentro de mim Só escrevo simplesmente com muita paixão.

Penso que viveria triste com estilo Não sou esperto isso eu sei E aquilo que escrevo é de aprendiz Não sei se um dia chegarei a rei.

Escrevo por ora tagarelices sem fim Estilo não procuro, sequer descobrir Jamais poderia viver algum dia assim Quero simplesmente ser livre e sorrir.

Cada poema que escrevo sempre É sobre o amor que sinto Que a vida me ajudou a descobrir E sobre ele, Eu não minto.

Pois o amor que sinto É mais forte que Eu E sou o amante mais distante Aquilo que escrevo é só seu.

Assim o meu coração o diz Sou como um lobo solitário Pois a vida fabricou o meu estilo E nada mais, o amor para mim é prioritário.


Não quero saber de nada mais É sem estilo as palavras que escrevo Só quero poder continuar aprender a escrever Nada mais peço ou mesmo me atrevo.

São Paio de Oleiros, 2009 / 01 / 01 ANTÓNIO CRUZ


“ APRENDIZ DE POETA”

Escrevo sobre as definições da minha infância, Para que o tempo que vem, não as apague. Pois as linhas que o meu mapa da memória traçou Sobre a régua mestra da palmatória as desenhou. E a vida que sobre si vai sempre desenrolando Por mais que me magoe, sobre mim a escrevo. E cada vez mais exalto este meu espanto De viver a cada passo o meu canto. Seja de alegria ou mesmo tristeza escrevo, Estando num abismo sobre o absurdo humano. Sou um aprendiz de poeta, já cansado do quotidiano E com muito sofrer em tempos passados já percorridos. Fazendo alguns versos como um apaixonado sem sentidos Faltando quase sempre em toda a minha vida, Uma namorada para os poder ler sem estar perdida. Estando cego e sem luz de um olhar para a solidão, Procurando fugir quase sempre a rotina da escuridão Em busca de sol para aquecer o meu pobre coração. Pois as linhas que tracei para a minha vida, Foram ondas num mar revoltado para uma nau perdida. E por cada breve momento sofrido sem deslumbramento Esperando sempre por um simples milagre concedido. Nesta minha vida de aprendiz de poeta e sem perceber, Um dom acabei por receber entre palavras sem sentido. Pois a alegria também dói se não existir outro ser, Só assim a dor pode ser preenchida acabando por agradecer. Porque a minha infância já ficou para trás E o medo mais a solidão também ficaram, Quando certo dia encontrei a verdadeira paixão. Deixando de ser um absurdo humano de “Alcatraz”. E hoje por mais que a vida me magoe não me espanto É que no meu coração existe sempre mais um canto. Utilizando a escrita como se fosse fala minha perdida Para puder chegar ao coração da minha bela querida. Hoje eu sei que se gostar também de mim, Numa nesga de terra poderei colher uma rosa por fim. Também num jardim as flores desabrocham sobre o mar, sobre a serra. Aí poderei colocar as minhas palavras curtas por terra, Se não as conseguir por ao alcance de alguém as ler. Acima de tudo Sou um simples aprendiz de poeta que as quer escrever…

Paramos, 24 / 8 / 2005 ANTÓNIO CRUZ


“22º. ANIVERSÁRIO DE ESPERANÇA”

Como dois patos bravos Que nadam num lago Este meu aniversário vai passando Esperando sempre por um afago.

Não é uma felicidade total Mas a mesma não é má Sim, porque à sua espera fico Recolhendo os restos com uma pá.

Ao contemplar esta minha idade Relembro os anos passados que vivi Nos quais senti a esperança junto a mim E a deixei passar sem a agarrar e sofri.

Hoje só desejo completar Todos os sentimentos sem dor É um dia que me vai deixando Desde manhã cedo algum furor.

Na expectativa de receber algo Que talvez me possa ajudar A encontrar aquilo que tanto desejo Desejo receber um amor proibido e sonhar.

E o qual me possa demonstrar Toda a minha força de querer Ansiando pela felicidade dum bater forte Que existe no coração do meu ser.

Um sinal que vai enchendo Todo o meu lado bem triste Com um pouco de alegria De ter vivido até hoje em riste.


Mas ao mesmo tempo ter conseguido Atingir um pouco da minha liberdade Que nestes últimos anos vou tecendo Ao conseguir gozar uma parte com felicidade.

Só que antes que a mesma acabe Talvez por não acontecer nada de novo No meu horizonte nestes vinte e dois anos Tento atingir a margem da esperança do povo.

Desejo que seja junto a alguém Em que dependência do amor Possa ser igual à minha também E viver uma vida em conjunto com furor.

Neste aniversário não pretendo deixar marcas Como as montanhas e vales perdidos nos Alpes No qual o Sol tenta atingir o seu cume e peras Como se fosse os caroços de nêsperas.

Mais difícil parece ser a minha meta Para conseguir atingir a felicidade Vinte e dois é um número de esperança Num dia e mês da sorte para a idade.

Numero esse que é Sete Mês de Julho também chamado “Júlio” Em espanhol em francês “Juillet” E em inglês “July” assim dizia meu tio.

São mês e dia dos quais me orgulho De ter nascido mês de Sol Da alegria e da sorte mas onde está? Neste tempo a minha vida é um rol.


Pois nada disso me têm ajudado Nestes tempos os quais vão passando Continuo à procura do amor Um amor quase perfeito ao ser amado.

Neste meu aniversario de esperança Pergunto Eu mas será que algum dia A conseguirei encontrar? Assim espero Mas até lá vou ficando sentado na praia.

Estas areias me trazem a calma Olhando o horizonte onde o Sol brilha E se vai pondo é a beleza pura Mas onde pára a minha sorte maravilha?

Pergunto eu mais uma vez Preciso urgentemente de amor na minha vida Só peço a Deus neste meu aniversário Um presente encontrando a pessoa mais querida…

Espinho, 1988 / 07 / 07 ANTÓNIO CRUZ


“SOFRO PELO BELENENSES”

Sofro ao ver o meu Belenenses Pela rádio ou TV assisto Meu coração palpita sem parar Até termine o jogo estou nisto.

Sei que sou um pouco maluco Mas é o clube do meu coração Desde criança que pelo Belenenses sofro É assim esta minha dor com paixão.

Sou assim e não é simplesmente Pois não o quero deixar de ser Por mais sofrimento que tenha O terei até um dia morrer.

O Belenenses está no meu coração E a sua Cruz em mim está presa Apesar de sofrer pelo seu emblema Não deixo que morra sobre a mesa.

Seja na relva ou no taco Ele eleva a minha nobre moral Sofro desde o princípio até ao fim Só pára mesmo no apito final.

Entre a vitória ou a derrota Não deixo sempre de sofrer Porque no meu nobre coração Impera a Cruz de Cristo sem morrer.


Sou assim por este meu clube E não quero nunca mudar Sou do Belenenses com alma e coração Por isso o Azul, quero sempre amar.

São Paio de Oleiros, 2009 / 02 / 04 ANTÓNIO CRUZ


“MEU PAI”

Pai, neste teu dia Recordo o teu amor Por pouco que seja Nunca receio a dor.

Pois o meu coração Se alegra ao te ver Como sinal de amor Um abraço teu quero, receber.

Por mais receio que exista Está presente o teu amor Nas poucas horas de alegria E nos momentos de dor.

Um abraço teu Eu recebo Sempre com respeito e carinho Nesses momentos difíceis e tristes Ao mostrares um novo caminho.

Quero ser como tu Ao chorar por amor Teu filho sou e pai agora Sofro sempre a tua dor.

És um pai com sofrimento A vida muitas voltas deu Mas sempre me ajudaste A vencer com amor sem morrer.


És o meu exemplo de pai Um pai firme com amor Estendes-te sempre a tua mão Ajudas-te ao me levantar no cair de dor.

Pai és, o meu melhor amigo, Que um dia Eu desejei Não tenho palavras para descrever O amor por ti que tanto ansiei.

E neste dia de São José Não podia me esquecer de ti És Ilídio de nome e não Zé E deste teu filho com amor Tu sorri.

São Paio de Oleiros, 2001 / 03 / 19 ANTÓNIO CRUZ


“VERSOS ESCONDIDOS”

Espero que um dia leias Os versos lindos que te fiz Raros são os momentos de inspiração Que a ponta da caneta o quis.

Pois da minha boca não saem Não o sei fazer, apenas no papel Alguns foram talhados na pedra mármore Até parecia que estava fazendo rappel.

As palavras cinzeladas por mim Foram todas feitas para te oferecer São versos da minha alma sofrida Mas com o amor do meu querer.

Também os envolvi na dolência do veludo Entre as sedas e cetins pálidos Me fazem endoidecer pela noite dentro São versos raros de corações perdidos.

Não sei como os declamar E meu amor, não os te digo Pois a minha boca se fecha em silêncio Atingindo a maturidade como um figo.

A tua boca de mulher me encanta Sendo linda como Tu minha querida Dentro de mim quando alguns versos Dão alma à que anda perdida.


Desde o primeiro beijo que estou caído Nesse beijo se demonstrou o amor Que vou guardando no papel em versos Assim meu coração, o dita sem dor.

Campo de Gerês, 2006 / 08 / 29 ANTÓNIO CRUZ



pedaços de mim 003