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ANTÓNIO CRUZ


ANTÓNIO CRUZ


“ PREFÁCIO DE UMA VIDA”

Escrevi num mês distante, trinta e tantos, poemas a fio sem parar, numa espécie de êxtase. E hoje, é um dia triunfal da minha simples existência, nesta minha vida. O que se seguiu depois de alguma tinta ser gasta e muito papel ter sido utilizado; só sobrou um cesto de papéis cheio, foi o aparecimento de um novo “Poeta – Escritor”. Tudo isso, se verificou no continuar do pequeno Sonho de Criança que há muito tempo vinha a desenvolver no meu interior, utilizando pequenas rimas ou alguns pensamentos muito sugestivos da minha maneira de ser. E de ter vivido quando criança e também algumas situações, já como adulto. Desculpem – me, o absurdo da frase; mas apareceu em mim um enorme desejo de transcrever para o papel algo com sentido ou mesmo sem! Era simplesmente aquilo que vindo do meu eco interior ou directamente da minha mente, ditava por palavras ou frases simples, numa leitura rápida, e a minha mão escrevia para um bocado de papel. A expressão que sobressaia no meu rosto era a de um pequeno sorriso esboçado quando terminava mais um tema, mesmo que esse não tivesse muito sentido! Mas, era como se tivesse restituído alguma vida aos mais simples “poemas” ou “contos”, que eram para mim algo profundo mas muito belas. Só que por vezes, bastava unicamente o esboçar de um sorriso para me agradar e aquilo que acabava de transcrever logo por si existiria numa folha de papel sentindo toda a sua magia sem sequer poder falar! E, num certo dia, à noite quando relia tudo aquilo que já havia escrito em simples rascunhos, por vezes, revia ali a minha própria sombra retractada. Eram, e são, simplesmente memórias, brincadeiras, ou mesmo chamadas de atenção para o mundo em que vivemos. Sei que um dia alguém as vai poder ler e as irá existir na prateleira da sua biblioteca para quando este ser já ter abandonado o planeta Terra. Um simples risco da minha curta vida ficará lá conservada, para sempre todo o sempre como sinal da minha pequena existência terrena! E, só assim poderei viver eternamente, por milhares de anos a fio, recordando a Alegria, a Tristeza, o Amor, a Solidão e tudo aquilo que tiver dado a este Mundo! Mas, uma coisa Eu sei, que serei alguém que existiu um dia neste “Universo da Escrita”!... E essa recordação ficará para sempre nas memórias de todos, sendo como aquele que deixou um “Verso” quando morreu, e talvez seja a “Profecia” de uma vida!...

Mozelos, 2000 / 10 / 10 TONY CRUZ


TITULO

LOCAL / DATA

0

PREFÁCIO DE UMA VIDA

MOZELOS, 2000 / 10 / 10

1

TONY - O - POETA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 1991 / 09 / 01

2

POETA SEM VIRGULAS

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2005 / 09 / 10

3

HOMEM DAS CANETAS

MOZELOS, 2005 / 09 / 12

4

POEMA DO CAIR

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2005 / 09 / 14

5

ORGIA DE PALAVRAS

MOZELOS, 2006 / 01 / 28

6

DOENÇA DA ESCRITA

MOZELOS, 2006 / 02 / 11

7

INVENTOR DE PALAVRAS

MOZELOS, 2006 / 02 / 16

8

MINHA FORMA DE ESCREVER

MOZELOS, 2006 / 03 / 24

9

PALAVRAS COM AGONIA

MOZELOS, 2006 / 06 / 16

10

NÃO SOU MATEMÁTICO

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2006 / 08 / 03

11

ORAÇÃO DA POESIA

ESPINHO, 2008 / 07 / 07

12

AS COISAS QUE ESCREVO

PARAMOS, 2008 / 08 / 26

13

POETAR PRECISO

SANTA MARIA DA FEIRA, 2008 / 09 / 12

14

DA PONTA DA CANETA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2008 / 11 / 07

15

PAIXÃO DE APRENDIZ

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2009 / 03 / 26

16

UTOPIA DA ESCRITA

PARAMOS, 2006 / 07 / 07

17

AMOR DE CRIANÇA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2008 / 06 / 23

18

A SUA JANELA

SILVALDE, 1990 / 05 / 10

19

BEIJO ARANHA

SÃO PAIO DE OLEIROS, 2000 / 11 / 29

Em "Caneta do Aprendiz" se diz Que são alguns versos que fiz Dando asas à minha imaginação Pois daquilo que sentia com paixão. E da ponta da minha caneta Saem versos sem uma careta Já que nas folhas assim escrevia Pois nada mais então se pedia. Assim o demonstram estes versos Com alguma delicadeza e dispersos É a minha paixão pela escrita e agora leiam o que está à vista. Anta, 2009 / 03 / 30 TONY CRUZ


“ TONY – O – POETA ”

Saquei do cigarro do maço e pensei Será que algum dia haverá alguém Que leia o que escrevo tanto e porquê? E, será que escrevo assim tão bem?

Porque esta vida é feita de improvisos Pois a minha assim o têm sido. Uma mentira aqui, uma aldrabice acolá, Mas, tudo acaba por ficar decidido.

Por altura de cumprir serviço militar, Alistei-me sem saber o meu futuro. Minha vida foi muito atrapalhada E já nada me fazia sentir seguro!

Também, já não tenho oportunidade de recuar. Em todas as batalhas que intervim fracassei. São tempos passados que só agora recordo, E as paixões antigas igualmente, as recordarei.

O céu vai escurecendo como sinal De um protesto, pela vida que Eu levava, Deixando muitas paixões antigas desoladas Por não saber porque assim as amava.

Chove pedras até mesmo alguns calhaus, Nesta tarde louca em perfeito Verão, Até mais parecia ser um verdadeiro inferno; Cá para os meus lados seria um furacão?


Uma grande dor bateu à minha porta Porque, mais uma vez, me disseram Não! Esta minha vida tem sido bastante dura Para este meu pobre coração.

Já eram cinco e meia da madrugada Quando à estrada me fiz, sem nenhuma alegria, Levando apenas comigo roupas e sapatilhas, Assim também alguns livros de poesia.

Percorrendo estrada fora que me era desconhecida Algumas vezes já não sabia por onde andava. E alguns fui fazendo para minha companhia Quando em aldeias novas por lá parava.

Continuando caminho fora, lia baixinho ou escrevia; Sobre o meu Portugal, por onde passava Em certos momentos, voltava a ganhar coragem. As minhas velhas paixões, que recordava.

Eu, “Tony”, em Julho então fugi Em direcção a Espanha e por lá fiquei; Ao ter atravessado a nossa fronteira Minha vida se modificou, assim que parei.

E Madrid foi a minha última paragem É certo que por alguns tempos lá abarquei E para as saudades Eu poder matar Longas noites de “louco” Amor, me alimentei.


Só que o meu coração chorava de desgosto Pelas velhas recordações do meu Portugal; Porque, preso fiquei sem pátria definida Pois, para foi uma grande mudança radical.

Algum tempo entrou no meu verdadeiro ser Uma marca ou talvez uma força secreta! Pelas aldeias, vilas ou cidades que passava Lá deixava sempre ficar a Alma do “Tony” poeta!....

São Paio de Oleiros, 1991 / 09 / 01 ANTÓNIO CRUZ


“ POETA SEM VIRGULAS”

Escrevo tudo numa “pressinha” E por vezes me esqueço Do que é mais importante Num poema a acentuação estando distante.

É que num poema a pontuação Ou mesmo a acentuação e virgulas Fazem o texto, parecer uma coisa Quando na realidade ela é outra loisa.

Escrevo num português explícito Ou então não consigo perceber nada Para mim a poesia é realismo Com alguma se não muita fantasia misturada.

E num esquema hipertenso por vezes escrevo Não tenho lugar fixo ou pertenço Quando a minha imaginação começa a trabalhar Não tem tamanho definido para escrevinhar.

É só colocar uma caneta Na minha mão e com rima Ou mesmo sem rima algo escrevo Num bocado de papel as palavras aparecem por cima.

É o que eu chamo de prosa Com vida ou mesmo sem vida Tudo tem um circuito de acção Passando do pensamento até ao coração.

Sei que sou um poeta de meia tigela E me esqueço das vírgulas e travessões Até mesmo dos simples pontos nos is Pois não é fácil escrever nas “escuridões”.


É que muitas vezes assim o faço Quando em pensamento tenho algo E para não me esquecer fácil Pego na caneta ou num lápis de uma forma ágil.

São Paio de Oleiros, 2005 / 09 / 10 ANTÓNIO CRUZ


“HOMEM DAS CANETAS ”

Chamam-me o “Homem das Canetas” Mas por incrível que possa parecer Quase nunca ando com uma no bolso E quando quero algo escrever Espero que uma apareça sem querer.

Porque as ideias me surgem vindas do ar Procuro então um bocado de papel Para tomar nota das mesmas ali E para as escrever utilizo nem que seja um pincel.

Canetas, esferográficas e mesmo marcadores Em casa já são cerca de cinco mil Por isso não procuro o perdão Por não as ter á mão de semear Já me chamaram de vil ladrão.

Não tenho culpa de ser assim Talvez por gostar tanto de canetas A escrita tenha vindo por si E sobre amor, crianças, paz, escrevi até sobre cometas.

Sobre tudo um pouco já rabisquei E palavras ao vento, escrevi cerca de mil Com ideias fixas ou mesmo sem o ser Vão tocando no coração como os discos de vinil.

Sou assim um coleccionador por natureza Meu temperamento leva-me a coleccionar Até já penso que nasci com esse objectivo E se pudesse também coleccionava poesia ficando a ganhar.


Talvez até chegue a morrer assim Com esta minha maneira de ser A vida me foi ensinando várias formas As mesmas levaram-me a escrever as coisas e loisas Desde criança até já ser adulto, sem usar armas.

E que morra com uma caneta na mão Escrevendo algumas palavras e porque não? Pois são simples ensaios de lirismo, o que escrevo Sendo ainda aprendiz de um verdadeiro poeta Será um longo caminho a percorrer ao qual me atrevo.

Mozelos, 2005 / 09 / 12 ANTÓNIO CRUZ


“POEMA DO CAÍR ”

Tenho alguma queda para as desgraças E este poema assim o vai demonstrar Já tenho caído sozinho e malvado Como não ter queda sequer para amar.

Sobre vários solos Eu já cai Desde perder o fio á meada E pelo chão rastejei aos poucos Devido á minha má sorte malvada.

O chão repetidamente me faltou sob os pés E os meus sentidos já perdi Em várias quedas pelo amor Faltando aos encontros e mal me senti.

Com muita mágoa os recordo Por ter tido essas mesmas quedas Eram encontros onde a terra se abate E fecunda ausências das paixões assolapadas.

Até de queixos várias vezes já cai De joelhos me postei á minha amada Em quedas de lenta volúpia bem vindas E face ao solo já fui à simples chapada.

Pois ao atingir o solo numa curva A mesma era estreita e subtil Ao fazer a devida vénia por ela esperada Fiz um corte no sobrolho por um disco de vinil.

Já não se pode ser gentil com alguém Mesmo que esse alguém seja bem especial Nem homenagear o seu perfume corporal Com paixão desejada, cairei mesmo que seja Natal.


Será sempre assim nesta minha vida Do cai em cai, agora e sempre Assim que surja uma paixão não desejada Meu ser se estatelará logo de frente.

São Paio de Oleiros, 2005 / 09 /14 ANTÓNIO CRUZ


“ORGIA DE PALAVRAS ”

Existe insensatamente ao longe um som Parece uma flauta tocando um choro Fazendo as vagas das ondas sobressaírem Onde nada faz querer que se ouça em coro.

Ao longe os barcos navegam nas ondas Ondas, essas que nascem como as flores Num campo de Primavera tranquila e viva Existindo um choro de viúva cheia de dores.

Onde a escuridão faz parte da vida Dos navegantes sem caminhos predestinados Fazendo a voz do tempo se exilar Entre as vagas dissimuladas sem estarem aliados.

Navega-se em orgia desnorteada sem hora Ao longe se vem clarões cintilantes da verdade Murmurando palavras entre os lábios brancos Numa orgia de palavras sem sentido, mas com liberdade.

As flores de carmim em desflora Pedem em sinal S.O.S. uma só cura E num incessante choro ao som de flauta Procura-se a tranquilidade num oceano que dura.

Uma orquestra se agita na escuridão No teatro da vida entre beijos roubados Na noite vadia sem a Lua brilhante Se vão modelando os trilhos para os amores desafortunados.

O som de uma flauta débil se ouve Entre as vagas do oceano á muito navegado Não se sabendo como redimir das fracas notas Se navega sem sentido num barco semi – afundado.


Quem sabe se a dor que instala É sem razão e deplora pelo amor Procurando neste universo de palavras em orgia Navegar com sentido e alma cheia de cor….

Mozelos, 2006 / 01 / 28 ANTÓNIO CRUZ


“DOENÇA DA ESCRITA ”

Esta minha doença que é escrever Pois a única coisa que posso descrever É que quando escrevo esqueço a vida Que por momentos pouco me é querida.

Também descrevo esta luta da minha alma Que dentro de mim vive com pouca calma Pelos tempos passados em revolta constante Mas que o amor por mim foi confiante.

Nesta minha doença vivo como o lobo Sou o maestro das águas turvas com lodo E escrevo as vergonhas de um mundo Que vagueia por entre os poços sem fundo.

As palavras são as minhas sombras amigas Como um aprendiz de poeta que sou faço fisgas Pois é meu sonho um dia ser mesmo poeta E não ter vergonha de escrever como uma seta.

Ao amanhecer numa cidade deserta Mas recheada com tudo de uma vida certa Escrevo muito nas minhas noites claras Com os olhos embriagados pelo perfume das empregadas.

Vou também escrevendo certas e poucas palavras Que teimam em não se calar como escravas Deste meu pobre coração vadio, mas solitário Sempre na procura da aventura e paixão diário.

Esta minha doença que é escrever Sinto no meu interior a revolta do meu ser Que com as portadas da velhice vêm ao de cima Como a sapiência da idade neste meu clima.


Pois quase todos sabem que sou temperamental Tanto escrevo sobre o sonhar com a paz no Natal Assim como o ódio e a vingança das guerras Por entre as aventuras das pequenas feras.

Descrevo também a paixão no seu amar E os mendigos tristes no seu olhar A solidão como sendo a minha sombra Tendo sempre confiança e esperança de montra.

Será esta minha profecia de loucos De escrever assim com esta mente são poucos Esta minha doença me cega ao escrever Passei a ser um escravo sem lei até morrer.

Mozelos, 2006 / 02 / 11 ANTÓNIO CRUZ


“INVENTOR DE PALAVRAS ”

Não quero ser mais um inventor Porque as palavras já foram inventadas Como o verdadeiro cheiro seco da erva Que nasceu pelas encostas bem escarpadas.

Cada palavra que dentro de mim sai Vai abraçando a ponta desta caneta Por entre alinhas vou escrevendo Nesta folha branca em silêncio “falseta”.

É que o silêncio não é total Entre as casas em que habito Existindo um calor de outrora profundo Sem alegria com exactidão até vomito.

Este silêncio não me agrada Nem estando sentado na minha soleira Vou ditando palavras moucas e sem sentido Neste fim de tarde algo mais que matreira.

Já me sinto cansado de inventar Buscando palavras novas para rimar É que o dia já vai longo, quase noite Nem sei sequer se tenho tempo de amar….

Mozelos, 2006 / 02 / 16 ANTÓNIO CRUZ


“MINHA FORMA DE ESCREVER ”

Sou um simples aprendiz da poesia Sensível que a escuto com simplicidade Todos os meus sentimentos, tento partilhar Pois os mesmos fluem simplesmente com naturalidade.

Lendo e relendo vou tomando notas Aprendendo com os mestres da poesia Agradeço também a Deus por este dom Sendo para mim um privilegio sentir a emoção tardia.

Dizem que é uma arte, a de escrever Para mim começou um simples desafio Recomeçando como desabafos da vida em si Apelando ás minhas emoções formulando um documentário.

Só desejo com toda a minha alma Poder me expressar sempre enquanto puder O quanto é encantador escrever algumas alinhas Entre o verdadeiro e a imaginativo desse meu querer.

Nesta longa aprendizagem que vou tendo Em que é só tempo nas suas formas mágicas Passo a passo vou tentar formar poesia E é incrível ver nascer algumas coisas sem dicas.

Como é maravilhoso por numa folha de papel A ousadia da escrita sem censura alguma Operando como por artes mágicas das palavras Entre sonhos e sentimentos de fantasias, sem formula nenhuma.

A minha imaginação se inflama sozinha Levando a minha alma sensível ao amor Que vai caminhando par a par nesta vida Nunca deixando de ser a minha sentença de dor.


Mas só assim hoje consigo exprimir Toda a minha poesia como aprendiz que sou Pois não consigo me separar deste meu vício Talvez seja um passatempo, mas o qual me mudou.

E voo alto nestas minhas asas da imaginação Vou simplesmente assim deixando no papel Algumas amostras das minhas vivências também Desta minha curta vida ainda que levo como painel.

Um painel pintado com alguns sonhos Que vão enriquecendo a minha forma de ser Encantando o meu coração com alguma leveza Não sabendo ainda qual a minha qualidade neste escrever.

Como um simples aprendiz que sou Tento melhorar este meu simples escrever Não quero perder a corrida contra o tempo Que já levo de atraso e não quero já morrer.

Mozelos, 2006 / 03 / 24 ANTÓNIO CRUZ


“PALAVRAS COM AGONIA ”

A agonia da rosa A agonia do amor Entre bocas “muy” loucas Numa cidade mansa com cor.

No cio da cidade Existe um coração combalido Neste desequilíbrio do verso Desnudando e sentindo-me falido.

Eterno é o meu amor Pelas faces da noite Fazendo um amor diferente Num jogo da vida altamente.

À luz do mundo Meu pai não é Noé Pois sem dedicatória alguma Falte-me a alma e fé.

No Natal do teu Natal Não existe néctares de amor Falta orgasmo à alma Existindo agonia e muita dor.

A passagem sobre a ponte Das águas razões da vida A paz, ciência e paciência Quisera assim a minha partida.

Todos os meus rituais da manhã Leva-me a ser poeta Assim o quero porque preciso Sabendo que não sou um poeta.


Somente paixĂŁo, sonho e eternidade Tu, Eu e a minha poesia Juntamente com a tua amizade Afastaremos esta minha agonia.

A tua ausĂŞncia premeditada Leva-me a ser aprendiz de poeta Escrevendo com alguma agonia Linha a linha uma por dia.

Mozelos, 2006 / 06 / 16 ANTĂ“NIO CRUZ


“NÃO SOU MATEMÁTICO ”

Um ponto, mais um ponto Soma dos dois viram três Mas que raio faço eu No meio destas contas outra vez.

Somo e mais somo sempre Já estou cansado de muito somar Procuro descobrir a verdadeira equação E só encontro problemas sem contar.

Mas que raio quero eu Neste tira, põem e rapa A máquina já funciona mal E não sou tão pouco o Papa.

Hoje não é o meu dia Já estou a ver de perto Que a verdadeira questão E nada está a dar certo.

O que quero eu assim Neste vai e vêm matemático Minha mente quase desfalece Necessito de ser mais prático.

Não nasci para os números Mas cresci no meio das letras Quero sonhar um pouco mais E me deixar de conversas de tretas.

Mozelos, 2006 / 08 / 03 ANTÓNIO CRUZ


“ORAÇÃO DA POESIA ”

Senti a vontade da poesia Senti que a mesma está de volta Ao pegar na caneta escrevo palavras Que saem com sentimentos livres de revolta.

Senti na folha que escrevo as palavras De alguma forma saírem estas rimas São esquivas e incoerentes por entre alinhas Vão recordando passado, presente como afirmas.

És o anjo que me guia nesta vida E amornas sempre o meu rebelde coração Inquieto-me perante tal amor bem maduro Tentando adivinhar a tua linguagem com paixão.

São sonhos os que me fazem escrever palavras Que talvez jamais as conseguiria te dizer Chegam com os pressentidos versos de aprendiz E ficam para não serem esquecidos ou por fazer.

Jazem apenas esquecidos nestas folhas de rascunhos Ou por vezes camuflados simplesmente assim Transformam os meus carinhos minha deusa Com algum encanto embelezam o teu jardim.

São frágeis relicários da minha inspiração Que benzem o meu frágil coração Sinto a dor estalar cheia de paixão E assim termino esta minha oração.

Espinho, 2008 / 07 / 07 ANTÓNIO CRUZ


“AS COISAS QUE ESCREVO ”

As coisas que eu escrevo Algumas têm rimas em relevo Mas outras sequer não as têm São palavras que se vão e vêm.

As coisas que eu escrevo Se calhar ninguém as vai ler Só que para mim basta respirar Assim sei que existo como ser.

As coisas que eu escrevo Fazem-me sentir contente e realizado Basta-me ter o que se vê E um dia talvez ser recordado.

As coisas que eu escrevo São com a alegria e amor Outras são com tristeza e raiva Mas ambas afastam a minha dor.

As coisas que eu escrevo Fazem acariciar alguma da minha sorte Pois toda ela é bem precisa Nem que me levem à morte.

As coisas que eu escrevo Fazem sorrir o meu pobre coração É com um longo e terno sorriso Que elevo ao máximo a minha paixão.

As coisas que eu escrevo Vão para além da minha morte Só espero poder continuar escrevendo Até que as minhas forças me corte….

Paramos, 2008 / 08 / 26 ANTÓNIO CRUZ


“POETAR PRECISO ”

Eu preciso muito de escrever Minha alma precisa de incentivo Ao expor os meus nobres sentimentos É deveras necessário sentindo-me esquivo.

É que alguns sentimentos florescem E rasgam o meu viver Aprendi a “poetar” sozinho Revelando aos poucos o meu ser.

Entre toques e alarmes simples Acrescentando sinais de sangue a correr Descobrindo o meu lado de aprendiz Já que a vida assim o quis.

Escrever é como o pão Pois o mesmo me alimenta Revelando o amor e a paixão Que dentro de mim se fomenta.

Por vezes não sei o que falar Ou melhor o que devo escrever Sinto paixão pela minha escrita E deve ser assim até morrer.

Consigo atingir a minha paz Por entre linhas curtas e vivas A minha casa é o santuário Onde descanso do meu trabalho diário.

Vou continuar a “poetar” conforme sei Cuidar da minha família assim espero E receber ao zelar o seu amor Pois é só isso o que eu quero.

Santa Maria da Feira, 2008 / 08 / 12 ANTÓNIO CRUZ


“DA PONTA DA CANETA ”

Da ponta da minha caneta Saem palavras loucas com sentido Embora por mais que pense hoje Nada parece ter sentido ao ouvido.

Da ponta da minha caneta Saem cartas de amor eterno Não têm tempo perdido as palavras São escritas entre o Verão e o Inverno.

Da ponta da minha caneta Saem prosas e versos de paixão Linhas escritas com noticias minhas Pensamentos vindos directos do meu coração.

Da ponta da minha caneta Saem verdades ou mentiras por ora Que um dia o tempo não esquece São palavras escritas no papel, mesmo agora.

Da ponta da minha caneta Saem sonhos reais ou de fantasia E ao escrever os mesmos sou feliz Não procuro esconder certas mordomias.

Da ponta da minha caneta Sai descrito o mais belo jardim Entre paixão e a loucura vivo E só sou feliz quando escrevo assim.

São Paio de Oleiros, 2008 / 11 /07 ANTÓNIO CRUZ


“PAIXÃO DE APRENDIZ”

Surgem as minhas lembranças nocturnas Ao descobrir por completo o coração Atirei pela janela a minha tristeza Para conseguir atingir a meta da paixão.

A paixão tem um fundo de magia E como toda a poesia que escrevo Só me apetece falar dessa emoção Por isso no papel assim a transcrevo.

A voz nocturna me enche de alegria Com a poesia que amo de dia Escrevendo ardentemente por vezes em demasia Aquilo que o meu coração sente e nem mia.

Dentro do espaço destas folhas Começo sempre um novo estudo Já que sou um aprendiz de poeta Tento alinhar correctamente sem haver descuido.

Existindo sempre um inicio para tudo Seja de dia ou na escuridão da noite Acabarei sempre por encontrar o amor E a paixão se acenderá em clarão com afoite.

Dos intensos sentimentos a Lua será testemunha Esteja ao luar ou na sua sombra A importância do acto terá substância Estando a paixão bem viva em festa de arromba.

Com a magia à mistura sem limites O tempo por mim se faz passar E nestas palavras que vou escrevendo Vou, tendo a esperança para me salvar.


Assim como o amor que sinto Com a certeza que outro poema virá Para meu bem, novas palavras vou encontrar E em folhas novas escreverei o que sairá.

Pois a minha paixão pela escrita Nos meus versos ela bem navega Indo ao encontro comigo mesmo sem saber Renascendo, de novo no tempo com entrega.

É assim esta minha paixão louca E não importa o que dizem por aí Sou mais um simples aprendiz de poeta O que conta para mim e nada mais me atrai.

São Paio de Oleiros, 2009 / 03 / 26 ANTÓNIO CRUZ


“UTOPIA DA ESCRITA”

Faço a saudação à bandeira Ouvindo o hino nacional Nos crepúsculos extemporâneo do tempo No universo do nosso amor final.

A maré está vazia Levando a nossa dor Somos e tu és sempre A sobrevivente do meu amor.

Um amor de passagem Que levou-me aos caminhos da vida Sou um homem brincando de Deus Ao escrever sobre ti minha querida.

Os sons que vêem dos céus Parecem anjos cheios de luz Sucede à tua natureza feminina Neste universo da minha cruz.

Onde o jogo da vida Se sobrepõem à luz do eclipse A natureza e os sons da mesma Me levam a pensar no se.

É assim a eterna natureza Desta minha vida humana O desejo das noticias da guerra E a infância que chora em chama.

Vêm és a minha natureza Oolítica interacção do amor De repente surgiste na minha vida Como ressurreição para a dor.


Nestes meus versos livres A vida se transforma em poesia É a natureza do meu ser Em tardes que despertam a maresia.

Cantigas do desterro de uma dor No despertar do sonho da esperança Diálogo com as estrelas da noite Na solidão recíproca de criança.

Sou um humano bem difícil Cheio de fragmentos e lamentações De natureza enigmática simplesmente Quase morta para certas paixões.

Sou uma árvore morta Numa aurora deste universo Procuro a flor da vida Nesta triste realidade em verso.

Tenho a vida entre os dedos Numa utopia quase de menino Só peço que venhas e me abraces Enquanto grita este meu coração pequenino.

Minha alma procura o real valor Para os sentimentos do amor Quero ser alguém um dia Pois estou farto de tanta dor.

Paramos, 2006 / 07 / 07 ANTÓNIO CRUZ


“A SUA JANELA”

Nesta minha viagem imaginaria Uma flor Eu roubei E um pequeno poema escrevi E à sua janela o coloquei.

Num certo dia do amanhã Quero despertar neste meu horizonte E à sua janela quero bater Com uma música vinda da fonte.

Ao espreitar à sua janela Vi a sombra do seu corpo O meu coração vagabundo palpitava Ao a ver cada vez mais a desejava.

Pois uma certa noite Eu conheci Um ser que nunca esquecerei De uma historia bem real Que para sempre a amarei.

A sua janela aberta Encontro ao lá passar Sinto vontade por ela entrar E de esperar podendo a amar.

Só que a dor forte da espera Faz-me ficar cansado desta vida Mas um só pensamento quer resistir Preciso muito de amar a minha querida.


Desejo que nos seus sonhos Apareรงa a minha imagem Sempre com esperanรงa de um dia Que essa janela se abra com alegria. Silvalde, 1990 / 05 / 10 ANTร“NIO CRUZ


“AMOR DE CRIANÇA”

Tudo começou naquele amor Um amor de escola que me alegrou Que por momentos encheu a minha vida De imagens simples e bonitas que por lá ficou.

Eram paixões sem nenhuma maldade Já que era uma humilde criança E para mim a mesma não existia Era simples a sua fonte da esperança.

Hoje a vida me transformou simplesmente Ao descobrir a sua verdadeira realidade A do seu lado obscuro da força Que se revelou perante a falta de felicidade.

É que por entre as tormentas A minha nau navegou desajeitada Equilibrada apenas por alguma sabedoria Seguindo em frente rumou até à minha amada.

Contornando algumas barreiras as da agonia Que na escola tinham-se revelando sem esperança Sobrepondo-se aos poucos ás palavras de amor Deixando de lado as paixões de criança.

Sobre o passado escreverei algo mais O que conta hoje é o amanhã E não preciso mais de fugir ao amor Pois encontrei um estranho pela manhã.

Esta é mais uma crónica, minha Com algumas palavras a vou descrevendo Sentimentos confusos de corpus leigo vivo Sou um ser insaciável pela vida, vou escrevendo.


Sou uma simples criança estranha Neste corpo de homem já feito Procurando alguma paz através da escrita Libertando um amor com pouco jeito.

Assim termino estas palavras fracas Com amor procuro ser simples agora Não costumo ser, pois sou muito complicado Mas preciso de o escrever por ora…

São Paio de Oleiros, 2008 / 06 / 23 ANTÓNIO CRUZ


“ BEIJO – ARANHA “

Sei que desejas um beijo meu Mas tu não peças só um, sabes bem que será teu Podes pedir muitos mais, meu amor Também sabes que um sou um beija-flor E só pedindo muitos, só assim É que eu os te dou minha flor do jardim Mas tens que os pedir com muito jeitinho Pois não estou neste mundo sozinho E para conseguires agora um beijo meu Só rezando muito e então ele será teu Tens ainda que me pedir um beijo com carinho Pois se o quiseres tê-lo sem demora meu amorzinho Tens ainda que o dizer com muita força Que me desejas loucamente, pois és a minha traça E só assim conseguirás com que a minha boca Chegue a te dar um beijo quente, és a minha toca Tu ainda tens que me pedir com meiguice Ou então morres esperando de velhice Para conseguires os meus lábios o que preferes É só fazendo tudo isto que os mereces Mas ainda tens que os pedires sensualmente para os teres E é se os queres ter muitas vezes seguidas, se é que ainda me queres E com toda a tua força de uma verdadeira mulher Não utilizando palavras de ofensa nem metendo a tua colher Tens muito ainda que provar, que em desejo ardente te apetece E só assim te cederei a minha boca, que nunca esmorece É que não cedo os meus lábios de macho latino Logo á primeira vista, sempre que aparece dando um tiro Pois tu tentas tecer a tua teia de aranha Para poderes roubar um beijo, pois já conheço a tua manha Só que essa tua teia de viúva – negra também se pode derreter Vai esperando só mais um bocadinho, pois é esse o meu querer Com o teu veneno de vencedora, até já pareces uma mulher – aranha E por muitas mais voltas que tu dês nesta tua manhã Só te digo para nunca perderes a tua bendita esperança Pois um beijo meu escrevo, que o irás receber um dia minha criança. “CHUAC”!!!...

São Paio de Oleiros, 2000 / 11 / 29 ANTÓNIO CRUZ


caneta do aprendiz 001  

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