Page 1

BOLETIM MENSAL

NOVEMBRO/2018

Advento e Virtude a daFortaleza “Nada perceberam, até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o Senhor.” (Mt 24,37.42) passagem do Evangelho de São Mateus nos E sta relata uma dimensão do inesperado, da surpresa, uma exortação do Mestre Jesus aos seus discípulos para um momento de tribulação; o bom mestre sempre prepara seus discípulos para a provação! Entendo que o tempo do Advento é a pedagogia da Igreja como mãe e mestra querendo preparar seus filhos. Mas, que preparação-vigília é essa? No tempo do Advento se fala muito na palavra vigilância. Segundo o rodapé na tradução da Bíblia de Jerusalém, define-se o que seria a vigilância: “Estado de alerta que supõe esperança e requer a presença de espírito que toma o nome de sobriedade”¹. O que é essa presença de espírito? Talvez seja perceber de onde vem o dilúvio e entrar na arca para se preparar para o inesperado, para as surpresas da vida. Talvez esse seja o maior ensinamento do Tempo do Advento a nós. Nele entendemos que se preparar é uma forma de viver a virtude da fortaleza, pois vigilância e fortaleza caminham juntas. Qual fortaleza que não tem um vigia? Qual tesouro que, bem guardado, não tem um vigilante? 1. Bíblia de Jerusalém, edição da Paulus, p. 1.748, letra i. 2. Mt 24,38-39.

Por isso, o Advento nos questiona: quais os sinais do dilúvio em minha vida? O que está acontecendo ao meu redor? O Advento traz essa sensibilidade com os sinais dos tempos, “Por isso, vigiai”. Qual é o vigia de minha fortaleza? A liturgia deste tempo litúrgico nos admoesta sobre o exercício da virtude da fortaleza diante das provações do cotidiano, diante das distrações da vida, como fala nas escrituras: “Pois nos dias antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. E eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem”.² De fato, nada perceberam. Viviam a vida normalmente, mas, talvez tenham se esquecido de vigiar a vida espiritual. No plano físico, o fato de saber de onde está vindo o golpe aumenta a resistência e diminui o impacto. A vigilância é componente da fortaleza. Muitas vezes, não temos força para passar por certas provações, porque fomos pegos de surpresa, no inesperado. Alguém que sabe que irá receber um soco no braço, sua psique e seu físico se preparam para aguentar o impacto. Assim, perceber os sinais dos tempos faz com que a fortaleza se expanda e se antecipe diante das provações Por isso, fica a pergunta para nós: como está minha vigilância na vida espiritual? IrmãoVaticanoMaria doSantíssimoSangue de MeninoDeus Irmã Judá Filhos da Pobreza do Santíssimo Sacramento Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento


Os Santos Franciscanos

mês, em que a Igreja coNeste memora o Dia de Todos os

Santos, vamos aprender um pouco sobre essa solenidade. Ela tem origem há mais de 1200 anos. Quem impulsionou essa solenidade foi o Papa Gregório III, que, durante seu tempo de pontificado – de 731 a 741 d.C. –, consagrou uma capela na Basílica de São Pedro em honra de todos os santos e fixou a data comemorativa para o dia 1º de novembro. As festividades ocorriam apenas nessa capela. Mais tarde, o Papa Gregório IV – pontífice de 827 a 844 d.C. – estendeu a celebração para todas as igrejas. A santidade é como um perfume que exala e atinge a todos que se aproximam dela. Nosso patrono, São Francisco, inspirou com sua vida e exemplo muitos santos que seguiram seus passos em sua própria ordem, desde os mais simples, como São Benedito, São José de Copertino, até doutores da Igreja, como Santo Antônio, São Boaventura, e santos místicos, como São Pio, que foi canonizado e viveu em nossos tempos. É uma espiritualidade que gera santidade e santos para a Igreja até hoje, 800 anos depois de São Francisco. Contando as três Ordens Menores, Conventuais e Capuchinhos, mais a Ordem Terceira e as Clarissas, é um

total de 482 beatificações e canonizações até o fim do milênio passado. São Francisco, já de início, enquanto estava restaurando a igrejinha de São Damião, já profetizava a santidade de Santa Clara e suas companheiras: “E assim, por vontade de Deus e do nosso bem-aventurado pai Francisco, fomos morar junto da igreja de São Damião, onde em pouco tempo o Senhor nos multiplicou por sua misericórdia e graça, a fim de que se cumprisse o que tinha predito por seu santo” (TestC 30,31); “Com o maior fervor, animou todo mundo a reconstruir a referida igreja e profetizou diante de todos, em francês, quando todos ouviam, que naquele lugar haveria no futuro um mosteiro de virgens consagradas a Cristo” (2Cel 13,6). De fato, podemos comprovar que essa profecia se cumpriu; além de Santa Clara, outras santas sairiam dessa fundação. Novamente, em um momento de oração profetiza sobre a ordem: “Como o Senhor me mostrou na verdade, Deus nos vai fazer crescer como a maior das multidões e vai propagar-nos até os confins da terra. Para vosso maior proveito, sou obrigado a contar o que vi. Preferiria calar-me, se a caridade não me obrigasse a contá-lo. Vi uma enorme multidão de homens vindo a nós e querendo viver conosco este gêne-

ro de vida e esta regra de santa religião. Parece-me ter ainda em meus ouvidos o seu rumor, indo e vindo conforme a disposição da obediência. Vi que os caminhos pareciam apinhados de gente vinda de quase de todas as nações: vêm franceses, apressam-se espanhóis, correm alemães e ingleses e se adianta uma multidão enorme de outras línguas diversas” (1Cel 27) . Dentre tantos, muitos se destacaram e foram canonizados pela Igreja, dos mais simples até teólogos, reis, princesas. A todos São Francisco acolheu, a ninguém negou participar da espiritualidade e do carisma que iria levar tantas pessoas aos altares; ele desejava que todos encontrassem Deus e de fato muitos alcançaram a santidade seguindo seu exemplo. O santo padroeiro do nosso país é São Pedro de Alcântara, um franciscano que inclusive foi o diretor espiritual de Santa Teresa D’Ávila e de que muitos de nós nem têm conhecimento. Que São Francisco nos ajude a trilhar o caminho de santidade que Deus deseja para nós.

Irmã Ana Elisa

Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento


“Um Novo em minha vida...”

Jairo Tavares de Melo, tenho 50 anos, C hamo-me sou natural da cidade de Santos (SP). Em 2005,

logo após o falecimento do meu pai, passei por um momento muito difícil na minha família. Nós brigávamos muito em casa e, além dos problemas familiares, adquiri também o vício em álcool e drogas e fui morar na rua, por não saber lidar com as situações daquele momento. Na rua, bebia pouco e continuava a usar drogas. Nesse tempo, ficava uma semana em casa e duas semanas em situação de rua. Eu tinha um primo que possuía um terreno, em Itanhaém (SP), onde construiu um barraco para eu morar. Permaneci lá durante uns seis meses, mas não consegui ficar morando sozinho, pois comecei a ter crises de depressão. Saí de lá e fui novamente para rua; era o ano de 2007 e continuava na mesma situação, com os vícios de álcool e drogas. Certo dia, pela manhã, estava com fome e um morador em situação de rua me indicou a Toca. Ele disse que as irmãs dariam o café da manhã para mim e a partir daí comecei a frequentar a casa da Toca. Passados alguns dias de convivência com as irmãs notei que não havia voluntários homens para ajudá-las, então comecei a pedir trabalho para ocupar a cabeça. Com o passar do tempo, a guardiã da casa me deu uma chance, então, marquei consulta no psiquiatra e mostrei para a irmã meu interesse de mudar de vida.

A partir daí, fiquei morando na casa; à noite, dormia no galpão e, de dia, ajudava nas atividades da casa. As irmãs me auxiliaram a tirar os documentos e, com mais ou menos sete meses, o psiquiatra me deu um laudo com o qual consegui o benefício. Ainda fiquei mais um tempo na casa até alugar o quartinho onde moro. Morei na Toca durante mais ou menos um ano e nesse tempo larguei as drogas, o cigarro, a bebida e passei a frequentar a Missa, que há muito tempo não frequentava. Depois que aluguei o quartinho, voltei a fazer contato com minha família e a cada 15 dias vou visitá-los. Hoje, minha convivência com eles é normal como antes. Também comecei a frequentar o Colégio CCEV (Centro de Convivência Esperança e Vida), onde aprendi a desenvolver atividades laborais e me tornei voluntário. Nesse colégio sempre fui muito incentivado para poder me reabilitar na sociedade, tornando-me uma pessoa melhor. Neste novo momento em minha vida prefiro continuar como estou: morando sozinho e frequentando a Toca de Assis. Com o meu benefício pago meu aluguel e o restante guardo no banco, pois sonho em comprar meu terreno e construir a minha casa.

Jairo Tavares de Oliveira


ACOMPANHE NOSSAS ATUALIZAÇÕES DIÁRIAS NO FACEBOOK E INSTAGRAM

AJUDE-NOS, ENTRE EM CONTATO CONOSCO!

Nossa família é formada pelos institutos religiosos dos Filhos e Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento, ajudando-os você ajuda a Toca de Assis!

tocadeassis BOLETIM MENSAL TOCA DE ASSIS Novembro • 2018

Periodicidade: mensal • Distribuição: gratuita • Tiragem: 5.000 exemplares Direção: Ir. Xavier e Ir. Maria Fernanda • Revisão: Marcus Facciollo • Diagramação: Jean Mendonça

Informativo Toca de Assis Novembro 2018  

Informativo Novembro Toca de Assis

Informativo Toca de Assis Novembro 2018  

Informativo Novembro Toca de Assis

Advertisement