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ANTÓNIO FALCÃO CEO grupo Falcão

"ANDAR À FRENTE É A RECEITA PARA VENCER AS CRISES" P 16 A 18

DIRETOR: MANUEL SERRÃO MENSAL | ASSINATURA ANUAL: 30 EUROS

FOTO: RUI APOLINÁRIO

EMERGENTE

JORGE AZEVEDO FOI DESPEDIDO E É EMPRESÁRIO P 25

PORTUGAL FASHION

PERGUNTA DO MÊS

GOVERNO COSTA É MELHOR OU PIOR DO QUE ESPERAVA?

CARLA NASCEU QUANDO A SCHIFFER DESFILOU NA ANJE P 14

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ACABAMENTOS

KATTY AJUDA ASSUNÇÃO A ERGUER A CRISTA P 29

FOTOSINTESE

DOIS CAFÉS E ACONTA

O VOO SUAVE E LUMINOSO DO MODTISSIMO

ANA VAZ PINHEIRO: DO MUNDO DAS LEIS PARA A MUNDOTÊXTIL

P 25

P6


DAMOS FORÇA À SUA MARCA. Queremos ajudar a promover o seu negócio e criar valor num contexto nacional e internacional. Concretizamos a sua ideia, com criatividade, com dedicação e com uma experiência multidisciplinar de mais de 20 anos no setor, através de soluções de comunicação, de exposição e eventos em várias partes do globo. Consulte-nos. Porque acompanhamos as tendências com a sua marca.


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CORTE&COSTURA

EDITORIAL

Por: Júlio Magalhães

Por: Manuel Serrão

Francisco Teles de Menezes 47 Anos O CEO da Ribera estava a meio do curso de Gestão na Lusíada quando, por brincadeira, arranjou uma representação de umas fitas tapa costuras, que lhe mudou a vida. Tinha 21 anos quando deixou de ser estudante e passou a ser empresário. Ocupou-se da sua empresa de representações de acessórios têxteis até que, há cinco anos, um desafio do então dono da Ribera o levou para a rumar para montante, do terciário para a indústria

O QUE ARDE... SARA Há uns 15 anos atrás, para não recuar ainda mais, quase todos os bancos nacionais andavam atrás dos recursos dos industriais têxteis, mas acendiam uma luz vermelha e faziam soar sirenes quando uma empresa da ITV entrava numa dependência a pedir um financiamento à importação de matérias-primas ou maquinaria, ou um apoio à tesouraria para alguma emergência . Eram os tempos em que nos cafés, mas também nos jornais e nas faculdades, se incensava a nova economia e os novos negócios da era digital e informática e se desprezavam as indústrias tradicionais, a sua experiência e os seus agentes. A banca parecia que nunca mais pararia de crescer e a ITV nunca mais escaparia de mirrar até à mais que provável insignificância. 20 anos volvidos, temos a ITV a dar provas públicas de uma inovação notável e a bater recordes na exportação todos os anos, enquanto a banca acumula escândalos e falências, umas atrás das outras. Mesmo assim, nem toda a banca que ficou parece ter aprendido a lição nomeadamente no que toca a perceber em que setores vale a pena apostar. Neste T , o meu amigo António Falcão põe o dedo na ferida. Uma ferida que já está aberta há tanto tempo, que custa muito a perceber porque não sara. Espero que desta vez, nessa banca, alguém sinta os ouvidos a arder. Porque, como diz o povo, o que arde... sara. Então afinal as rendas e bordados também são negócio para homens de barba rija? Claro que sim!! As rendas e os bordados são produtos muito femininos, e qual o homem que não gosta de ver uma bonita mulher vestida com rendas e com bordados? Que melhor incentivo para o fazer bem feito?

portanto só mesmo no dicionário é que o sucesso aparece primeiro do que o trabalho.

A internacionalização para a Ribera é um must ou um hobby ? We all must to sell out of Portugal, portanto é um claro must .

Este novo recorde de exportações da ITV em 2015 é para bater em 2016, ou já se pode dormir à sombra da bananeira? Subir o que quer que seja é sempre difícil, cair é um instante, ai de quem se acomode com o que já conseguiu!

A Colômbia foi um amor à primeira vista ou mais um exemplo de que o sucesso só vem antes do trabalho… no dicionário? A Colômbia foi sem dúvida um amor à primeira vista, e assim se prova que quando estamos apaixonados fazemos as coisas melhor. Na Colômbia tivemos a sorte de encontrar os parceiros certos, mas essa sorte deu muito trabalho, foi um dia inteiro a procurá-los, a bater de porta em porta. Hoje, sempre que me aparece um contratempo, lembro-me desse dia em que o desânimo de dois dias em branco podiam ter feito com que nada disto tivesse acontecido. Hoje posso dizer que a Colômbia foi o meu maior sucesso profissional,

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Qual é o próximo mercado emergente em que vão apostar? Na última ColombiaTex fechamos acordos com distribuidores no Equador, Costa Rica e Porto Rico.

O golfe em Miramar é só para descontrair ou também há tacadas que dão bons negócios? Embora nestes últimos dois anos não tenha frequentado o Golfe de Miramar com a assiduidade que gostaria, esta é a minha segunda casa. Desde os cinco anos de idade que faz parte da minha vida. Ali fiz grandes amigos, tive grandes alegrias, grandes tristezas, é um lugar incontornável na minha vida. É lá que encontro a minha paz, nos momentos em que preciso de estar só, é este paraíso que me equilibra. Portanto, em Miramar, o trabalho fica à porta.

- MENSAL - Propriedade: ATP - Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal. NIF: 501070745 Editor: Paulo Vaz Diretor: Manuel Serrão Sede: Rua Fernando Mesquita, 2785, Ed. Citeve 4760-034 Vila Nova de Famalicão Telefone: 252 303 030 Assinatura anual: 30 euros Mail: tdetextil@atp.pt Assinaturas e Publicidade: Juliana Duque Telefone: 927 508 927 mail: jd.tdetextil@atp.pt Registo provisório ERC: 126725 Tiragem: 4000 exemplares Impressor: Multitema Morada: Rua do Cerco do Porto, 365 - 4300-119 Porto

PROMOTOR

CO-FINANCIADO


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n PERGUNTA DO MÊS Por: Isabel Cristina Costa e Jorge Fiel

O GOVERNO COSTA ESTÁ A SER MELHOR OU PIOR DO QUE ESPERAVA? Nos 100 dias do mais inesperado dos Governos Constitucionais - nunca um partido que perdeu as eleições tinha formado Governo -, o T perguntou a seis empresários se o desempenho do primeiro ministro está acima ou abaixo das suas expectativas. A bissectriz das respostas é simples: António Costa está a fazer o que prometeu, só que o que prometeu é preocupante, pois prejudica a competitividade das empresas

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ARTUR SOUTINHO CEO MoreTextile

Para mim, mais importante do que qualificar o Governo, ou julgá-lo à luz das nossas expectativas, é avaliar o nível da sua interferência na economia. Menos Governo é quase sempre sinónimo de melhor Governo. E todos nós temos sentido a presença excessiva dos sucessivos Governos em áreas tão decisivas como a laboral, financeira e fiscal, com alterações consecutivas de enquadramento regulatório que prejudicam a competitividade das empresas. Muita intervenção nunca é uma coisa boa para os agentes económicos, na medida em que introduz incerteza e risco nos processos de tomada de decisão. Sendo inquestionável o objetivo do crescimento económico, considero que para que este seja sustentável devem ser privilegiadas políticas de promoção das exportações e de captação de investimento estrangeiro, mais do que a promoção do consumo interno. Por isso, a política económica

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devia concentrar-se no apoio às empresas exportadoras e na criação de condições para tornar Portugal mais atrativo aos olhos dos investidores. Artur Soutinho

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Está em linha com aquilo que poderia esperar-se de um Governo dependente e refém do apoio da esquerda comunista (PCP e PEV) e da extrema esquerda (BE), que são partidos contrários à iniciativa privada e à economia de mercado, e, por consequência, contrários à UE, ao euro e aos tratados internacionais que enquadram Portugal no âmbito das nações mais democráticas e desenvolvidas do mundo. Se não estivesse refém do apoio daqueles partidos anti-sistema, o PS poderia orientar e desenvolver a governação do país em condições que não pusessem em causa as reformas já efetuadas e o, ainda frágil, restabelecimento da credibilidade e da confiança,

JOÃO COSTA Presidente ATP

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nacional e internacional, do país, conseguido por um duro e difícil conjunto de exigências e privações que os portugueses têm vindo a suportar ao longo dos últimos cinco anos. O país precisa de reformas que lhe permitam equilibrar as contas públicas e melhorar, de forma sistemática e estrutural, a competitividade da economia. Precisa de reformar o Estado, em sentido lato, e a Administração Pública, de modo a torná-los mais eficientes e menos dispendiosos, e a possibilitar a redução da despesa pública e da pesada carga tributária sobre os cidadãos e as empresas, que lhes dificulta a vida e asfixia a economia. Precisa de atrair investimento, nacional e estrangeiro, de aumentar substancialmente as exportações, a produtividade e a competitividade. Precisa de crescimento e emprego sustentáveis, que não seja conseguido à custa de mais défice e endividamento público e externo. E, para isso, precisa de confiança. No contexto atual, em que começam a avolumar-se as inconsistências entre os partidos que formam a maioria parlamentar de apoio ao Governo, é justamente o


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PAULO MELO Administrador Somelos

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enfraquecimento e a quebra de confiança que têm vindo a acentuar-se. A necessidade de satisfazer exigências, por vezes contraditórias e contraproducentes, dos partidos da coligação parlamentar de apoio, retira coerência à ação governativa e prejudica fortemente a confiança. É ao nível da confiança, e da dificuldade de gerar um ambiente que seja favorável ao desenvolvimento de um clima de confiança, que se tem revelado a maior fragilidade do Governo. João Costa

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Ainda é muito cedo para avaliar o Governo e poder responder cabalmente à vossa pergunta. O Governo tem-se limitado a cumprir parte do seu programa e o acordo que fez com partidos de esquerda. Para já é simples, está a dar ou repor benefícios (aumento salário mínimo, pensões, horário de trabalho na Função Pública,

JOSÉ ROBALO Presidente ANIL

feriados, etc) que o anterior Governo achava que ainda não tinha chegado a hora de repor. Está a tentar agradar a toda a gente, usando o dinheiro que tinha sido poupado para amortizar antecipadamente parte da dívida ao FMI com taxas de juro mais elevadas. Ou seja, até agora tem-se limitado a empurrar os problemas para o futuro, com a barriga. O final do 1o semestre é o momento certo para avaliar o desempenho do Governo de António Costa. Contudo, tudo irá depender da evolução da economia portuguesa e europeia. A UE é que decidirá sempre o grau de liberdade económica que vamos ter e continuará a acompanhar de perto tudo o que se passa aqui. A nossa estrada será sempre estreita e com um longo percurso cheio de compromissos com nossos credores. Paulo Melo

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Desde a entrada da China na

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JOSÉ ALEXANDRE OLIVEIRA CEO Riopele

OMC, e consequente liberalização das importações, a nossa ITV tem-se debatido com uma concorrência desleal que levou ao encerramento de milhares de empresas, com a inevitável debilitação do tecido industrial português. Esperar-se-ia, então, que as diretrizes do novo Quadro Comunitário de Apoio (QCA) dessem especial atenção e incentivos à reindustrialização do país. Portugal só conseguirá sair da crise que hoje enfrenta com uma forte indústria transformadora, capaz de criar empregos, gerar riqueza e ser o motor do desenvolvimento nacional. Infelizmente, o novo QCA não tem como foco a reindustrialização nem o apoio efetivo e real do tecido industrial português. Pelo contrário, perde-se em burocracias de elevado custo para as empresas, exige, a médio e longo prazo, metas completamente irrealistas que mostram um grande desconhecimento prático da gestão diária das empresas privadas e das suas relações com os mercados e com o setor financeiro. Prosseguindo com as atuais diretrizes do QCA, os fundos

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comunitários europeus, que seriam essenciais para a retoma da economia, serviriam apenas para financiar investimentos estatais e continuar com a dependência financeira que nos levou à atual crise. O novo Governo, se quiser de facto ter uma política diferente, corajosa e inovadora, terá de alterar profundamente as atuais linhas de intervenção e apoio do QCA, de forma a fomentar uma política de reindustrialização que levará a uma decisiva criação de postos de trabalho e consequente desenvolvimento económico e de nível de vida. Concluindo, a não ser que se tomem as medidas de que a indústria necessita, o atual governo será a “evolução na continuidade”, não mais que isso, e apenas isso. José Robalo

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Mais do mesmo com a agravante de ter revertido reformas realizadas, o que prejudica a compe-

MÁRIO JORGE MACHADO CEO Estamparia Adalberto titividade das empresas.

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Jose Alexandre Oliveira

O Governo está a cumprir na integra o que prometeu. Não é aí que está o nó do problema. A questão é que o que tinha prometido era subir os custos de contexto e os custos de financiamento das empresas, afetando bastante a competitividade das exportadoras. O aspeto mais positivo destes 100 dias, é a preocupação real que senti em alguns governantes - o ministro da Economia, Caldeira Cabral, e os secretários de Estado da Indústria, João Vasconcelos, e da Internacionalização, Jorge Oliveira - em ouvir as necessidades das empresas e tentarem encontrar soluções para minorar os aspetos mais nocivos da ação deste Governo e emendar algum do mal que foi feito. O problema é que ainda estão na fase das intenções - e de boas intenções está o inferno cheio. Falta-nos saber quando tempo temos de esperar entre esta fase e atos concretos que melhorem a competitividade das empresas. Mário Jorge Machado


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DOIS CAFÉS & A CONTA Por: Jorge Fiel

Águia de Ouro

Rua Ferreira Caldas 94, 4815-431 Caldas de Vizela

FOTO: RUI APOLINÁRIO

Entradas: Presunto, queijos, pataniscas de bacalhau, petingas e senhorinha Pratos: sopa e cozido à portuguesa. Sobremesa: leite creme. Bebidas: Verde branco e Coca Cola. Dois cafés

TROCOU O MUNDO DAS LEIS PELA MUNDOTÊXTIL Nunca lhe passou pela cabeça ir trabalhar para a fábrica onde tirava fotocópias dos apontamentos quando andava no Secundário e sonhava com tribunais - não com teares. Fez o seu caminho, até que há cinco anos o pai a chamou para uma conversa séria, no preciso momento em que ela estava numa esquina da vida, a pensar em fechar o seu escritório em Vizela e ir trabalhar para uma sociedade de advogados no Porto. “Somos uma empresa familiar e eu não estou a ir para novo. Ou vendemos, ou

tu e a tua irmã vêm trabalhar comigo e fazemos uma transição suave”, explicou o pai, José, que três anos antes comprara as posições dos seus dois irmãos mais novos na Mundotêxtil, que criara em 1976, como empresa comercial e transformara no maior produtor de felpos da Europa, com 600 trabalhadores, uma faturação de 43 milhões de euros (96% exportados) e uma rede de 14 lojas Blank na Alemanha. “Vamos experimentar”, respondeu Ana, avisando que até ver como para-

Ana Vaz Pinheiro

35 ANOS ADMINISTRADORA MUNDOTÊXTIL Nasceu e cresceu em Vizela, a cinco minutos da empresa que fundada há 40 exactos anos pelo pai e o avô, Domingos Pinheiro, um antigo operário têxtil. Em Coimbra, licenciou-se em Direito. Em Guimarães, fez o estágio e cumpriu o sonho de ser advogada, que alimentava desde miúda. Voltou a Vizela, onde teve escritório e exerceu a advocacia, até que no ano em que fez 30 anos teve com o pai uma conversa tão séria que lhe mudou por completo o rumo da vida. Filha mais velha do casamento entre uma professora primária e um estudante de Economia, Ana tem uma irmã quatro anos mais nova (a Helena), é casada, vive em Braga e tem três filhos, a Inês, 17 anos, que em setembro vai estudar para Inglaterra, o Francisco, 10 anos, que tem muito jeito para jogar futebol, e o Manuel, que tem um ano.

vam as modas, ficaria em part-time, de manhã na fábrica, à tarde no escritório. Estávamos em 2011. “O part-time durou duas semanas!”, conta Ana, que escolheu almoçarmos no Águia d’Ouro, restaurante de que o pai foi sócio. Fez uma refeição frugal (o que explica porque é tão magra), começada por uma sopa (“Como sempre sopa”), em que resistiu às tentações das entradas e sobremesa, petiscando apenas o cozido, que empurrou com uma Coca-Cola. A experimentação da transição suave iniciou-se com um estágio com o diretor financeiro, que a decidiu a voltar a estudar, fazendo um Master em Gestão para juristas na Católica do Porto. ”Foi duro, mas muito útil”, conta, antes de gracejar: “Os únicos números de que eu era familiar eram os dos artigos do Código Penal”. Até em 2014 se mudar para junto da direção comercial (a área que lhe ficou atribuída no Tratado de Tordesilhas com a mana Helena, arbitrado pelo pai), percorreu todos os setores da Mundotextil, conheceu os clientes (estreou-se na Heimtextil em 2012), falou com os técnicos, inteirou-se do fluxo produtivo, num processo de aprendizagem obrigatório: “Um comercial tem de saber de tudo, preços, possibilidades, etc”. Não se arrepende de ter metido na gaveta o sonho de ser advogada e aceite o desafio do pai. “Dá muitas dores de cabeça, mas também muitas alegrias. Apanhei muita coisa má. As pessoas andavam tristes. Mas creio que o pior já passou. Nunca mais voltaremos a ter os teares a fazerem a mesma toalha para um só cliente americano. Mas estamos numa fase de ascensão. Temos a vantagem de estarmos perto dos clientes. E sabemos que o segredo do sucesso está na flexibilidade e em fabricar produtos com cada vez mais valor acrescentado" A transição suave está a caminho de estar concluída. O pai já começou a tirar férias e tem tempo para se dedicar ao sonho de controlar a fileira, do campo até à prateleira, projeto que será possível com o amadurecimento da joint venture moçambicana com a Crispim Abreu e a Mundifios, que contempla plantações de algodão em Xaixai e uma fiação em Maputo, nas antigas instalações da Riopele.


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2. A PORTO FASHION WEEK 7 ANDOU À SOLTA PELA BAIXA, COM A FASHION PARADE, EM QUE MODELOS E BAILARINAS DO CENTRO DE DANÇA DO PORTO AREJARAM ROUPAS DO CONCURSO DE JOVENS DESIGNERS

FOTOSINTESE

1. A AZÁFAMA NA ZONA DE CHECK IN, LOGO À HORA DE ABERTURA DO PRIMEIRO DIA, FOI UM BOM PRENÚNCIO

UM VOO LUMINOSO A BORDO DA MODTÍSSIMO AIRLINES

6. LOCALIZADO NA ZONA DE ACESSO PÚBLICO E CONCENTRADO NUM SÓ ESPAÇO, O FÓRUM TECIDOS BENEFICIOU DA VISITA NÃO SÓ DOS PROFISSIONAIS MAS TAMBÉM DOS PASSAGEIROS EM TRÂNSITO

7. UMA DAS ATRAÇÕES DO ESPAÇO ITECHSTYLE FOI O ECRÃ GIGANTE ONDE PASSOU UM FILME FEITO EM COPRODUÇÃO CITEVE/CEIIA QUE MOSTRA A CRESCENTE PRESENÇA DA TÊXTIL NA INDÚSTRIA AERONÁUTICA

A opção era arriscada. Mas o risco é o sal da vida e a semente do progresso. E deu mais trabalho do que o costume. Mas toda a gente sabe que o trabalho é irmão gémeo do sucesso. A ideia, que brotou há ano e meio, era ousada. Há que reconhecê-lo. Mas a aposta foi conseguida. A descolagem foi trabalhosa, mas o voo decorreu sem turbulências, às mil maravilhas. Partiu e chegou a horas. A aterragem foi suave. Ah, e o avião ia cheio, com um número recorde de 6 734 visitantes profissionais e mais de 300 coleções expostas. A 21 e 22 de setembro, o Modtissimo volta à Alfândega, com sua edição 48.

FOTOS: RUI APOLINÁRIO EXCEPTO 2 E 14 DE JOSÉ GAGEIRO

12. AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES SÃO CONSENSUAIS. NO FINAL DA FEIRA, COMPRADORES E EXPOSITORES FORAM UNÂNIMES EM ELOGIAR A ESCOLHA DO AEROPORTO E EM CONCLUIR QUE TUDO CORREU MUITO BEM

11. A TRIPULAÇÃO DA MODTÍSSIMO AIRLINES VESTIU FARDAS DE EXCELENTE QUALIDADE E DESIGN, PRODUZIDAS EM TEMPO RECORDE PELA PAULA BORGES


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3. UMA DAS NOVIDADES FOI O PORTO WINE FASHION, UMA PARCERIA COM A AEVP. VESTIDAS COM CARINHO E IMAGINAÇÃO, AS 42 GARRAFAS A CONCURSO ESTIVERAM EXPOSTAS NO AEROPORTO

8. O ESPAÇO DO CITEVE NÃO SE LIMITOU A APRESENTAR O QUE DE MAIS INOVADOR SE FAZ EM TECIDOS EM PORTUGAL - OS PRODUTOS A CONCURSO NO INOVATÊXTIL MOSTROU TAMBÉM ALGUNS VENCEDORES DE PRÉMIO NA ISPO MUNIQUE

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4. COMO NÃO PODIA DEIXAR DE SER, A LUZ E MODERNIDADE, QUE CARATERIZAM O MOMENTO ATUAL DA ITV, FORAM TAMBÉM O ELEMENTO DOMINANTE DO MODTISSIMO 47

5. DURANTE DOIS DIAS, OS JORNALISTAS NÃO DERAM DESCANSO A PAULO VAZ QUE PRIVILEGIOU O STAND DO T COMO CENÁRIO PARA AS ENTREVISTAS TELEVISIVAS

10. O T ESTREOU O NOVO STAND NO AEROPORTO SÁ CARNEIRO

9. MUITOS COMPRADORES, MUITA ANIMAÇÃO, MUITO NEGÓCIO, MUITA CANSEIRA - OS EXPOSITORES NÃO VÃO AO MODTISSIMO EM BUSCA DE DESCANSO… 13. WILLIAM JACKSON, O NEGOCIADOR TÊXTIL NORTE AMERICANO DA PARCERIA TRANSATLÂNTICA, ESTEVE NO AEROPORTO ACOMPANHADO PELA SUA EQUIPA, VISITOU O SALÃO E REUNIU COM AS DIREÇÕES DA ATP E CITEVE

14. ORA AQUI ESTÁ A INEVITÁVEL FOTO DE FAMÍLIA. NO PRIMEIRO PLANO, FARDADA, A TRIPULAÇÃO DA MODTISSIMO AIRLINES. DE PÉ, A TRIPULAÇÃO DE TERRA (ANA). AS DUAS EQUIPAS QUE LEVARAM ATÉ SI ESTE FANTÁSTICO SALÃO


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HERO QUER MULTIPLICAR A FATURAÇÃO POR TRÊS Subir na cadeia de valor é sempre uma boa ideia, como está a ser demonstrado pela Hero, empresa de Guimarães que teve uma estreia de sonho na Heimtextil, três meses após ter feito uma aposta destas. Na feira de Frankfurt, os seus jogos de cama com bordados despertaram a cobiça de compradores de locais tão variados como Arábia Saudita, Islândia, Estados Unidos ou Tunísia, permitindo à Hero estabelecer contactos firmes que fundamentam a previsão de fechar 2016 com um volume de negócios de cinco milhões de euros, três vezes superior aos 1,7 milhões faturados no ano passado. A Hero - que nasceu em finais de 2015 e debutou em janeiro em Frankfurt - é descendente da Borfibordados, uma empresa tradicional de Guimarães que fabricava bordados a feitio e começou por viver exclusi-

vamente do mercado interno, antes de descobrir o mundo e passar a exportar para não só para a vizinha Espanha, mas também para paragens mais distantes, como os países nórdicos ou do Médio Oriente. Em 2007, verificou-se na Borfibordados uma cisão entre a base industrial e a operação comercial (bem como outros activos) que foram repartidos por dois ramos da família fundadora. Mais recentemente, a autonomizada Borfibordados industrial achou chegada a hora de não se contentar com a venda de bordados a metro. “Apostamos em acrescentar valor e passamos apresentar produto acabado, com marca própria”, explica Helena Carneiro Martins, CEO da Hero, marca e razão social que resulta da contração das primeiras sílabas do nome dela e do seu filho Reinaldo.

LUMATEX SEM MÃOS A MEDIR A Lumatex tem em curso um investimento de 600 mil euros em equipamentos, que lhe permitirá aumentar em 10% a sua capacidade produtiva, e assim fazer face ao aumento significativa das encomendas. “2015 foi um dos nossos melhores anos de sempre, senão mesmo o melhor”, afirma António Leite, administrador da têxtil lar de Guimarães (especializada em colchas, almofadas e cortinas), que fechou o último exercício com um volume de negócios de 3,9 milhões de euros, dos quais 98% exportados. A desvalorização do euro face ao dólar ajudou ao crescimento de 22% registado nas vendas para os Estados Unidos, que são o principal mercado da Lumatex, que fabrica private label para algumas das maiores cadeias mundiais de departament stores,

“A PRUDÊNCIA SEMPRE FOI UMA DAS NOSSAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS. DAMOS UM PASSO DE CADA VEZ. PREFERIMOS FINANCIAR A EXPANSÃO COM CAPITAIS PRÓPRIOS, EVITANDO RECORRER AO CRÉDITO BANCÁRIO"

ANA PAULA RAFAEL É A MULHER DO ANO Ana Paula Rafael, CEO da Dielmar, foi distinguida com o prémio Mulher de Negócios do Ano 2015, instituído pela revista Máxima. Uma distinção que a empresária decidiu partilhar “com as mais de 300 mulheres que são o motor, a alma e o coração da Dielmar, pois diariamente trabalham e lutam com tenacidade, resiliência e coragem para superar os constantes desafios e, sobretudo, para honrar este projecto iniciado há já 50 anos”. O T regozija-se com esta homenagem à empresária que foi a capa da sua edição número 1. Parabéns, Ana Paula!

como é o caso da norte-americana Macy’s, da francesa Galerias Lafayette, da chilena Falabella ou da mexicana Palacio Hierro. “A prudência sempre foi uma das principais caraterísticas da Lumatex, uma empresa familiar, habituada a dar um passo de cada vez e a preferir financiar a expansão com capitais próprios, evitando recorrer ao crédito bancário”, explica o gestor. Há 25 anos que António Leite vai à Heimtextil, mas não tem dúvidas em afirmar que a mais bem sucedida foi a deste janeiro. “Não tive mãos a medir”, confessa, acrescentando que o que mais atraiu os compradores foram os produtos com desenhos tradicionais, em especial uma colcha do tipo das que eram usadas no tempo dos nossos avós.

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FOI QUANDO CRESCERAM

as exportações da ITV desde 2009, o pior ano do setor na última década e meia, recuperando 1,3 mil milhões de euros em valor

DECENIO CONTRATA TÓ SIMÕES Após uma dúzia de anos a criar para a Dielmar, António Simões resolveu mudar de D e transferiu-se para a Decenio, marca que foi comprada ao grupo Ricon pela Herbrand SA (grupo Têxtil Cães de Pedra, dono da Lions of Porches). “A perspetiva e o estímulo de abraçar um novo desafio foram os factores principais na tomada da minha decisão em relação ao projecto Decenio Mediterrano", explica António Simões. Nos tempos mais próximos, os projectos da nova Decenio passarão pela renovação do conceito de todas as lojas numa afirmação da assinatura Mediterrano. O desafio proposto a António Simões tem como consequência o crescimento do negócio tanto a nível nacional como internacional. A ambição do criativo passa, igualmente, por levar a marca às passarelas e ganhar uma maior visibilidade e valorização através de novos meios. António Simões revela que também está a trabalhar no Jornal Decenio, que será dado a conhecer brevemente. A primeira colecção Decenio Mediterrano assinada por António Simões será a de primavera/verão 2017. O designer faz questão de sublinhar que este será o resultado do trabalho de uma equipa multidisciplinar, onde coexistirão designers de moda, designers gráficos e compradores, entre outros intervenientes.

TECIDOS CHINESES EM PERDA NA EUROPA A venda de tecidos chineses para a União Europeia registou uma queda de 9,4% em 2015. Entre os principais países europeus de destino (Grã Bretanha, Alemanha, França, Espanha, Itália e Holanda), apenas cresceu no Reino Unido (8%), de acordo com a Associação Comercial de Importação e Exportação de Têxteis da China. No ano passado, as exportações têxteis chinesas para os EUA subiram 7% face a 2014, mas foram perdendo gás ao longo do ano (11% no 1º trimestre, 7,4% no 2º, 8% no 3ª e apenas 1,8% no 4º).


BIENAL DE ARTE TÊXTIL CONTEMPORÂNEA

30 JUL — 16 OUT GUIMARÃES

O TÊXTIL NO CONTEXTO DA ARTE CONTEMPORÂNEA Em parceria com ATP [Prémio, Aquisição ATP]

Exposição Internacional Exposições Satélite Residências e Curadorias Textile Talks e Workshops Intervenções Públicas Conferência Internacional

CONCEÇÃO E PRODUÇÃO

APOIO E PARCERIA

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X A MINHA EMPRESA Por: Jorge Fiel

Lipaco

Zona Industrial do Bouro - Gandra 4740-010 Esposende

Produto Fios texturizados em polyester e poligamia. Linha de costura em 100% algodão, spun polyester, polyester e nylon texturizado, poly/algodão e poly/ poly correpun. Nylon e pes alta tenacidade em cores Marcas próprias Tucano (100% algodão), Calipso (100% spun pes), Swan (100% pes texturizado), Polypic (100% poly/poly), Pegasus (polyester alta tenacidade) Trabalhadores 38 Faturação 2 milhões de euros

SPORTSWEAR KATTY NA SPORT ZONE Uma coleção de 25 peças de running , fitness e natação, assinada por Katty Xiomara, vai desembarcar na rede de lojas da Sport Zone a partir do próximo dia 14. Trata-se do primeiro resultado de uma parceria entre o Portugal Fashion e a cadeia de lojas de artigos desportivos do grupo Sonae para o lançamento anual de sportswear com a assinatura de designers nacionais.

“O GOVERNO CHINÊS DÁ SUBSÍDIOS DE 80% NA PRODUÇÃO DO ALGODÃO, IMPACTANDO O VALOR DE FINALIZAÇÃO DOS TÊXTEIS. A CONCORRÊNCIA SE TORNA DESLEAL” Fernando Pimentel presidente da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confeção

FDS É UMA MÁQUINA A FAZER MÁQUINAS

Encarar a crise de frente e investir para a derrotar Há coisa de três anos, numa feira na Colômbia, Jorge Pereira, o CEO da Lipaco, travou conhecimento com um comprador da Jamaica, que se revelou mais curioso sobre a vertente social da empresa de Esposende do que com a sua atividade industrial de produção de linhas de costuras e fios. À troca de cartões de visita, seguiu-se uma troca de emails, com o jamaicano a perguntar se o português não se importava de lhe enviar evidências das boas práticas da Lipaco. Jorge achou o pedido estranho, mas mandou-lhe fotos das contribuições da empresa para um banco de cadeiras de rodas bem como cópias certificadas das bolsas de estudo que atribuem anualmente a jovens carenciados e com bom aproveitamento da sua região. Nove meses depois, quando Jorge já tinha esquecido o assunto, chegou a primeira encomenda do fabricante jamaicano de vestuário de trabalho, que se tornou mais um cliente estrangeiro da empresa fundada em 1987 por Adélio Rodrigues Pereira, um empreendedor que começara nos cabos elétricos e achou graça a investir no negócio dos fios e das linhas de costura. A Lipaco começou por fabricar linhas de costura para confeções, alargou depois a sua atividade aos fios, e levava uma vida doce e tranquila, vendendo maioritariamente no mercado interno, quando a crise de 2008/09 bateu à porta e acabou-lhe com o sossego. “Andamos pelo mundo a estudar o que se estava a passar, os mercados e as melhores práticas dos nossos concorrentes, analisamos a situação e concluímos que se se não nos mexêssemos

estávamos condenados a desaparecer. Não podíamos continuar dependentes do mercado interno. Para sobrevivermos à crise, o que tínhamos a fazer era investir. E como os fornecedores com que trabalhávamos também não nos garantiam a qualidade necessária, investimos também no reforço da nossa autonomia”, resume Jorge Pereira, 51 anos, licenciado em Gestão pela Católica e filho de Adélio. Em 2010, no auge da crise, a Lipaco encarou-a olhos nos olhos e enfrentou-a apostando na subida na cadeia de valor, passando a produzir fios texturizados. Equipou-se com dois laboratórios - um de controlo de qualidade e outro de desenvolvimento de produto - e nunca mais parou de investir, aplicando 1,5 milhões de euros numa tinturaria construída de raiz. Apostou também na diversificação e sofisticação da sua oferta de produtos, onde constam, entre outras coisas, linhas de costura com elasticidade especiais para meias de desporto, que não rebentam nem se desfazem com movimentos bruscos, linhas não detetáveis por infravermelhos, fios de muito baixa fricção que impedem a formação de bolhas nos pés dos peregrinos e outros caminhantes, bem como fios de polyester de alta elasticidade para meias de futebolistas. O esforço de investimento continua (a Lipaco planeia ampliar e autonomizar a tinturaria e racionalizar o consumo energético) e os seus resultados também. Jorge espera duplicar o volume de negócios num prazo de três anos e aumentar de 30% para 50%, até ao final do ano, o peso das exportações na faturação.

Produzir 110 máquinas de fabrico de meias é o objetivo da FDS, que em 2015 faturou cerca de dois milhões de euros (30% exportados) com a venda de 90 máquinas, que permitem fabricar até 90 dúzias de meias/ dia. Em novembro, na ITMA, a FDS brilhou com uma solução que permite fechar a meia, sem costuras, ainda no cilindro da própria máquina. “Este sistema de fecho automático da biqueira, que evita que a meia seja transferida para fora da máquina para ser fechada, impressionou muito", sublinhou Fernando Santos, administrador e fundador da empresa de Calendário, Famalicão.

OS NOSSOS OLÍMPICOS NO RIO COM A SALSA A Salsa é a nova patrocinadora do Comité Olímpico Português e vestirá de denim a missão portuguesa que irá aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio. No entretanto, apresentou a nova coleção Primavera-Verão 2016, inspirada nas ondas do mar, com peças em denim com várias lavagens e combinações intemporais de branco e azul para mulher e azuis-escuros e encarnados para homem. A campanha conta com a participação dos manequins internacionais Lauren Auerbach e Ryan Heavyside e dos portugueses Alexandra Nefedova e Francisco Henriques.


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PORTUGAL FASHION FAZ 21 ANOS

4,5

doutorados por cada mil ativos, é o rácio português que compara com os 11 doutorados/mil ativos da Alemanha

ADEPTO DO BAYERN LIDERA ADIDAS

“A ADIDAS VOLTOU, PORQUE OS PREÇOS NA ÁSIA AUMENTARAM” Manuel Barros CEO da LMA, em declarações ao Le Figaro

FOTO: Dulce Daniel

A 38ª edição do Portugal Fashion encerra o ciclo de edições temáticas por força da crescente aproximação ao calendário internacional de moda. Nomes consagrados, marcas industriais e novos talentos preencherão o cartaz da festa da moda portuguesa, que completa 21 anos de vida. O primeiro dia de desfiles começa na 4ª feira, dia 16, às 18.30 no Convento do Beato, em Lisboa, com Arte Moda by Casa Pia, Storytailors, Bloom: HIBU, Susana Bettencourt/ Estelita Mendonça e Alves/ Gonçalves. No dia seguinte, o CEIIA é o anfitrião do primeiro dos três dias portuenses do Fashion com as criações para o outono-inverno 2016/17 de Júlio Torcato, Pedro Pedro, Hugo Costa, Pé de Chumbo, Anabela Baldaque e Fátima Lopes. Sexta-feira, dia 18, será a vez da Alfândega, pelas 15.30 com a abertura a pertencer a Carla Pontes/Mafalda Fonseca. Depois será a vez de Daniela Barros, Elsa Barreto, Luís Onofre, Diogo Miranda, Carlos Gil e Miguel Vieira - que encerra às 23.00). Entre as novidades, conta-se a Mozambique Fashion Week, que traz Ideias a Metro, Omar Adelino e Shaazia Adarn. O dia também será dos jovens talentos do Bloom: Maria Kobrock, Sara Maia, Inês Marques e UN T. Pelas 22.30 o Concurso Bloom terá Amorphous/Beatriz Bettencourt, David Catalan, Fii, Inês Maia, KDI e Patrícia Shim. São oito novos designers a lutar por um lugar no calendário Bloom Portugal Fashion. Apenas quatro serão apurados como vencedores, com a atribuição da respetiva classificação no final do desfile. O sábado será repartido entre o Museu do Carro Eléc-

Herbert Hainer, 61 anos, CEO da Adidas há 15 anos (período em que triplicou o volume de negócios do gigante de artigos desportivos), vai ser substituído, a partir de 1 de outubro, pelo dinamarquês Kasper Rorsted, 53 anos, que vem da Henkel e é adepto do Bayern de Munique, de que a Adidas é acionista.

21 anos separam estas fotos de Carla Sofia, manequim da Best, adepta do FC Porto e finalista de Biologia

LAGERFELD TEM 3 PERSONALIDADES

ESTAVA CARLA SOFIA A NASCER EM PAREDES E A SCHIFFER A DESFILAR NA ANJE Carla Sofia nasceu em Paredes no mesmo ano em que Claudia Schiffer desfilou na escadaria da ANJE, naquele que foi o primeiro Portugal Fashion. Chegou ao mundo da moda aos 14 anos, depois de, por insistência da mãe, se ter inscrito num concurso de n ew faces de um shopping , de que saiu vencedora. Desde os 14 anos que faz o Portugal Fashion e a Moda Lisboa, tendo desfilado para muitos criadores: Diogo Miranda, Ricardo Preto, Carlos Gil, Alexandra Moura e Os Burgueses, entre muitos outros. A frequentar o último ano de Biologia na Faculdade de Ciências da UP, a manequim agenciada pela Best Models continua apaixonada pelo mundo da moda. “Desfilar no

trico (Luís Buchinho às 12.30) e a Alfândega, onde Nuno Baltazar abre às 14.30. Segue-se a moda do calçado com JJ Heitor, Ambitious, Fly London, Nobrand, J. Reinaldo e Dkode. Pelas 16.30 sobe à passarela a indústria com as marcas Mad Dragon Seeker, Concreto

Portugal Fashion é sempre uma ocasião para reencontrar amigos, tanto modelos como criadores, e de diversão no meio de toda aquela correria. É fazer o que gosto. É um orgulho ser escolhida edição após edição para desfilar com os melhores criadores portugueses. Ao longo dos anos nota-se o maior interesse internacional, o que só prova que a moda portuguesa está a ganhar maior e melhor reputação e o Fashion contribuiu muito para isso”, afirma Carla Sofia. É fã do criador Ellie Saab, tem inveja boa da manequim Karlie Kloss e é adepta do FC Porto. Vive em Paredes e aproveita os tempos livres para ver filmes (Avatar é o preferido) e séries de televisão.

e Cheyenne. O sangue novo do Bloom é Eduardo Amorim, KLAR e Pedro Neto. O dia prosseguirá com Ana Sousa, Alexandra Moura e Katty Xiomara. Desta feita, a parte final caberá a três marcas: Dielmar (21.30), Lion of Porches (22.30) e Vicri (23.30).

O tema Celebration de outubro encerrou o ciclo de edições temáticas. Agora, o projecto da ANJE aproxima-se das lógicas organizativas internacionais, centradas apenas na estação do ano que servirá de leitmotiv às apresentações dos criadores.

Karl Lagerfeld revelou, numa entrevista à edição britânica da Vogue, como funcionam os seus processos criativos de modo a conseguir desenhar coleções para três diferentes casas: “Nunca os misturo na minha cabeça. É o segredo da história. É como se tivesse três personalidades. Quando estou a desenhar peças para a Chanel sou uma pessoa, quando o faço para a Fendi sou outra inteiramente diferente e quando desenho a minha própria marca sou uma terceira pessoa”.


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FOTO: RUI APOLINÁRIO

TEMOS A ESTRATÉGIA CERTA, PRODUTOS INOVADORES E UMA CLIENTELA DE TOPO, MAS A BANCA NÃO CONFIA EM NÓS


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n ENTREVISTA Por: Jorge Fiel

Antonio Falcão 61 anos, nasceu em Barcelos, de onde saiu para acabar o liceu no Sá de Miranda (Braga), e onde voltou após se ter licenciado em Direito em Coimbra e feito o estágio de advocacia no Porto. É viciado em arte. Tem dois filhos, o António, 22 anos (licenciado em Gestão pela Nova, está a fazer o mestrado em Londres na Cass), e o Alexandre, 17 (vai estudar Economia), ambos craques em karting

A

ntónio Falcão, 61 anos, está preocupado com a eventualidade do sistema financeiro deitar por terra o gigantesco esforço de ajustamento do setor. “A banca tem de perceber que se não assumir riscos e apoiar as empresas, no final do dia todos vamos perder - ela não cobrará os créditos, empresas viáveis vão morrer, o desemprego vai subir e as exportações vão descer” alerta o maior produtor ibérico de meias e collants de senhora e maior fabricante nacional de fios de poliamida e de poliéster. As duas crises que este século atingiram a nossa ITV, foram as mais duras de sempre?

Ao longo dos 60 anos de vida do nosso grupo atravessamos várias crises - políticas, laborais, financeiras - a que fomos conseguindo sobreviver. Estas duas crises mais recentes, a provocada pela concorrência desleal asiática e a iniciada com o subprime, têm a ver com a globalização, foram as mais duras de sempre e atingiram as empresas no coração, deixando-as descapitalizadas e em sérias dificuldades para enfrentar a realidade. Como reagiram?

Apesar da constante descapitalização de que fomos vítimas, soubemos reagir com novos produtos e uma nova estratégia.

do casamento. Eles dizem-nos o que querem e nós fornecemos-lhes os fios de que eles precisam. E começamos a ser proativos, na busca de produtos mais inovadores e de maior valor acrescentado, antecipando as necessidades dos clientes. Andar à frente foi a receita para aguentar as crises. Ser administrador do CITEVE é um sinal da importância que dá à inovação?

Estou há 12 anos no CITEVE em representação da ATP. Dou grande valor a instituições como a UMinho, o CeNTI e o CITEVE, com quem temos ligações. Investimos cada vez mais na formação dos nossos colaboradores e no upgrade tecnológico, para podermos estar sempre a oferecer aos clientes fios novos e inovadores. Foi fácil mudar de atitude para vencer a crise?

O lado bom das crises é o de nos espicaçarem e serem uma boa oportunidade para mudar. Mas é muito mais fácil mudar quando se está numa empresa nova e sem vícios. As dificuldades são muito maiores em empresas tradicionais como as nossas. O mau tempo já passou?

Ainda subsistem estrangulamentos graves, como a descapitalização das empresas. Lamentavelmente o sistema financeiro - o privado mas também o público - não tem confiança nas empresas. Os números demonstram que a ITV está a prosperar, vende e exporta cada vez mais produtos excelentes para boas clientelas. Apesar disso, a banca exige-nos taxas de juro elevadíssimas, muito superiores às praticadas nos países dos nossos concorrentes.

Que estratégia?

A de estabelecer parcerias com os clientes. Selecionamos um leque de clientes bons e apostamos no estreitamento de relações de mútua dependência. Passamos da fase do namoro à

O preço do dinheiro é o maior problema?

Mas não só. A desconfiança da banca reflete-se também na retração dos plafonds e nos demorados prazos de decisão.

AS CRISES ESPICAÇARAMNOS E SÃO UMA BOA OPORTUNIDADE PARA MUDARMOS Durante o estágio de advocacia, no Porto, António sentiu que o Direito era uma monotonia, Ainda chegou a inscrever-se na Ordem, mas mal começou a acompanhar o pai (“Um grande homem e um grande empresário. Muito sério, trabalhador e senhor de uma enorme visão estratégica. Pena que não haja muitos como ele”, retrata) teve a certeza de que o caminho era aquele. E mergulhou de cabeça na ITV, debutando com 26 anos na vida associativa, como membro da direção da ANITAF, militância que nunca mais largou - é vice-presidente da ATP e administrador do CITEVE. No final dos anos 80, o crescimento das empresas do grupo Falcão levou-o a desencaminhar o cunhado, o médico Francisco Castro (casado com Filomena, a irmã, também ela médica), que sacrificou a carreira hospitalar para o ajudar nos negócios têxteis. “Dividimos a responsabilidade pelas empresas e partilhamos todos os dias as dores da sua gestão”, conta António.

O abandono do Banco de Fomento não ajuda...

Tinha grandes expectativas nesse projeto, que se esperava entrasse em funcionamento no final do ano passado. Estava muito bem delineado para o apoio às PME, mas parece que infelizmente morreu (há quem

diga que não). O Governo diz que estão a ser estudadas outras formas de financiar as empresas descapitalizadas. Espero que sejam rápidos e que o IFD (Banco de Fomento) depois de tudo o que passou sobreviva e entre em funcionamento. Nunca lhe passou pela cabeça desistir?

Passar passou, mas nunca encarei isso como uma possibilidade real. Aguentámos prejuízos avultados. Sabíamos que não íamos a lado nenhum se continuássemos a fabricar commodities, quer nos fios, quer nas meias e collants de senhora. Mas falou sempre mais alto a responsabilidade social para com as cerca de 240 famílias que dependem direta e indiretamente de nós, bem como a responsabilidade histórica com o meu pai que fundou as empresas e os colaboradores que a ajudaram a crescer. Agora, o pior já passou...

Não sinto isso. O momento mais duro é o que vivemos agora. Temos a estratégia certa, produtos inovadores e uma clientela de topo. Ajustamos a empresa para a produção de séries pequenas. Somos talvez o maior produtor ibérico de meias e collants de senhora e um grande produtor (talvez o maior) de fios de poliamida e de poliéster. Fizemos o mais difícil que foi adaptar-nos à mudança, mas ainda não conseguimos ultrapassar de forma tranquila e saudável o problema da capitalização. É uma situação dramática?

Não é de pânico, mas se estivéssemos mais confortados do ponto de vista de capitalização, aproveitaríamos melhor esta onda muito positiva do mercado. Sei que a banca está a atravessar uma crise tão má ou pior do que nós vivemos, mas tem de perceber que se não assumir riscos e apoiar as empresas, no final do dia todos vamos perder - a banca não cobrará os

créditos, empresas viáveis vão morrer, o desemprego vai subir e as exportações vão descer. A conjuntura política é desfavorável?

A ITV ultrapassou enormes dificuldade e ganhou credibilidade ao dar o salto investindo em know how e tecnologia. Mas precisa de ser acarinhada e sentir que tem a confiança da envolvente política. Os empresários podem ter opções politico-partidárias. As empresas não. As empresas precisam que o Governo não lhes crie dificuldades suplementares inferindo negativamente na sua atividade. Refere-se a quê?

Estou a referir-me, por exemplo, aos quatro feriados, cuja eliminação foi pacífica e agora vão voltar, no que é uma medida desajustada e altamente penalizadora da produtividade. Estou a referir-me ao custo de energia. Estou a referir-me também ao aumento do salário mínimo, que nos foi imposto com a promessa de uma contrapartida, a redução da TSU, que espero que seja cumprida. Não sou contra os salários altos, mas se queremos continuar crescer e exportar não podemos prejudicar a competitividade das empresas. Está preocupado?

Muito apreensivo. Começo a sentir muito desânimo à minha volta, pois tardam a chegar os apoios à capitalização das empresas e não vejo ninguém no Governo preocupado em resolver estrangulamentos graves à competitividade, como é o caso da energia. Em empresas de capital intensivo como as nossas, os custos de energia têm um peso idêntico aos salariais e são 30% superiores aos dos concorrentes asiáticos. Como está a imagem internacional da nossa ITV?

Melhorou imenso. Ao princípio, os clientes nem queriam


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COM OS OLHOS POSTOS NA CHINA “Não interessa se o gato é preto ou branco, desde que cace ratos”. Deng Xiaoping, o autor desta máxima pragmática, foi o mesmo líder que ao declarar que “enriquecer é glorioso” empurrou a China para o regime “um país, dois sistemas”. Apesar da Europa ser o seu principal mercado de exportação, António Falcão não deixa de ter os olhos postos na China: “Temos de ser melhores que os chineses e exportar para esse mercado, que é enorme e cada vez mais atraente”. E é impregnado pelo pragmatismo chinês que explica que a adaptação das suas empresas à produção de pequenas séries passou pela modificação de máquinas velhas, pois as novas só dão para produzir grandes quantidades.

acreditar que nós fossemos capazes de lhes apresentar produtos tão inovadores. Esta mudança de imagem é da responsabilidade exclusiva das empresas e dos seus empresários, que foram capazes de subir na cadeia de valor e de ser persistentes, não desistindo nunca de ir para as feiras lá fora mostrar o que somos capazes de fabricar. Que tipo de produtos pedem os clientes?

Dou-lhe um exemplo. Um cliente alemão sentiu a necessidade de um fio em copopolyester, capaz de costurar as tampas em fibra de vidro dos tabliers e dos tampos das portas dos automóveis. Nós estamos a desenvolvê-lo. Mas não estamos sentados à espera que nos peçam para novos produtos. Também, desenvolvemos, por nossa iniciativa, fios altamente sofisticados que propomos aos clientes. Como por exemplo?

Fios ocos que repelem a água e aquecem o corpo, usados nos coletes de salvação da Marinha. Fios antibacterianos, fios medicinais para filtros de hemodiálise, fios fosforescentes - que durante o dia captam os raios ultravioletas do sol e emitem luz à noite, fios com três cores, fios com flame retardment, etc, etc. Quando se está a fabricar fios que vão estar em contacto com o sangue o essencial não é o fator preço mas o serviço, qualidade e inovação. Estamos a falar de produções altamente especializadas, um campeonato em que os asiáticos não entram.

TEMOS DE NOS FOCAR NO MAIS IMPORTANTE: QUE OS INTERESSES DO SETOR SEJAM DEFENDIDOS POR UMA VOZ FORTE E ÚNICA

os tornam invisíveis, mas isso de pouco serve se na confeção forem usados fios sem essa propriedade. Qual é o peso dos fios técnicos na faturação?

Valem entre 20 a 25% dos 12 milhões de euros do nosso volume de negócios. Mas num prazo de dois a três anos vai ter mais peso que os tradicionais. A maior fatia, de 40%, é das meias e collants de senhora. Estão confortáveis nesta área?

Diariamente produzimos 100 mil pares de meias e collants de senhora, dos quais 70% são exportados. Temos duas marcas próprias, Maggiolly, para o segmento mais alto, e Nana, para o retalho normal. Somos fortíssimos nas marcas brancas das maiores cadeias de hipermercados da Europa. E com base numa relação de parceria e confiança, gerimos o stock de alguns dos nossos clientes, repondo o produto num prazo de 72 horas.

Qual é o maior desafio que têm entre mãos?

Quais são as novidades nos collants?

Um dos maiores é o desenvolvimento, para fins militares, de um fio que não seja detetável à noite pelos óculos infravermelhos. Há já quem consiga dar aos tecidos um acabamento com resinas que

Inovamos com os collants 5 em 1, com cinco propriedades: push up nas nádegas, adelgaçantes na barriga, leg care (relaxam as pernas), antibacterianos e anticelulíticos. Este Verão vamos lançar os collants Segunda Pele,

totalmente transparentes e que dão à perna um aspeto bronzeado e fresco. De dois em dois meses, apresentamos um produto novo.

As perguntas de

Foi tranquila a passagem da primeira para segunda geração?

A passagem do testemunho foi gradual. O meu pai foi transferindo responsabilidades até que há 20 anos decidiu que já não estava aqui a fazer nada, e passou a dedicar-se só aos negócios imobiliários, enquanto eu e o meu cunhado Francisco Castro - que deixou a carreira hospitalar para se dedicar à gestão - assumimos o leme das têxteis. Do alto dos 35 anos que leva de dirigente associativo, o que acha que está a impedir a ITV de ter uma só representação?

De forma discreta, contribui para as fusões que deram origem à ATP. Tenho muita pena que o processo não se tenha alargado a outras associações. Creio que a culpa se reparte por todos. Não houve o bom senso de ceder nas pequenas diferenças em favor do bem comum, de nos focarmos no mais importante - que os interesses do setor sejam defendidos por uma voz forte e única. O que deve ser feito para ultrapassar este impasse?

O primeiro passo é as pessoas confiarem umas nas outras, porem uma pedra no passado e olharem em frente. Espero que isso seja viável o mais rapidamente possível, pois sinto que começa a haver uma abertura nesse sentido. Estou moderadamente otimista e farei tudo quanto estiver ao meu alcance para que isso aconteça. Também estou certo de que isso não se resolve com protocolos de entendimento mas sim com fusões efetivas. Já chega de namoros, vamos avançar para casamentos sérios e sólidos.

António Amorim Presidente do CITEVE Como vê a evolução do setor, numa perspetiva de concorrência global, para as muitas empresas que baseiam a sua produção no private label (trabalho a feitio)?

Difícil e com preocupação. Os aumentos de custos de mão-de-obra e salários não são, infelizmente, compensados com aumentos de produtividade nem aumento de preços. A energia aumenta. Os custos financeiros também são elevados. Os preços não só não aumentam como até descem, pois as grandes cadeias espremem os negócios e sabem as fragilidades da indústria. Conclusão: Pode haver empresas a fechar e pessoas no desemprego. Por outro lado, a confiança dos empresários começa a cair o que é preocupante. Como prevê o ritmo da necessidade de investimento, versus o ritmo acelerado da inovação tecnológica ?

Seria importante que as empresas fizessem investimentos de modo a compensarem os custos em causa com aumentos de produtividade, qualidade, produtos novos e inovadores e de valor acrescentado. Mas como o poderão fazer neste ambiente de pouca confiança, desânimo, dinheiro caro e escasso? O sistema financeiro não apoia, não assume riscos e é caríssimo, porque não confia nos empresários e empresas.

José Alexandre Oliveira CEO Riopele O que espera de 2016?

Um ano em que haja estabilidade para podermos trabalhar tranquilamente. Que os clientes e fornecedores continuem a confiar em nós. Que o Estado se limite ao seu papel político deixando empresas e empresários seguirem o seu caminho. Que os apoios do Estado às empresas cheguem sem burocracias ou demoras de forma a permitirem um desenvolvimento sustentado na economia e a criação de mais postos de trabalho. Que o sistema financeiro e entidades de apoio do Estado (IAPMEI, AICEP, Garantia Mútua, etc.) acreditem e confiem nas empresas e empresários. Qual a estratégia da empresa para preparar o futuro?

Muito trabalho e confiança. A estratégia passa pela alteração da política de produto, em que se cortou em definitivo com artigos correntes e commodities para se apostar na inovação e incorporação de valor acrescentado. Temos vindo a encontrar parceiros nesta nova área de negócio, onde estas necessidades impunham satisfação, mas que, simultaneamente, representassem estabilidade para futuro, de modo que o investimento na estratégica de mudança fosse consequente e produzisse resultados.


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FAMALICÃO E ARTEIXO: A MESMA LUTA! O fortalecimento das duas comunidades que são as capitais do têxtil e da moda na Eurorregião Galiza-Norte de Portugal é o objetivo da geminação entre Famalicão e Arteixo, a autarquia galega onde a Inditex tem o seu quartel general. “A geminação vai permitir-nos aprofundar a partilha de informações, o intercâmbio de experiências e a promoção conjunta das nossas potencialidades”, explica Paulo Cunha, presidente da Câmara de Famalicão.

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“SE O ACORDO DA PARCERIA TRANSATLÂNTICA FOR ALCANÇADO, RAPIDAMENTE CHEGAREMOS A MIL MILHÕES DE EUROS DE EXPORTAÇÕES PARA OS EUA, QUANDO EM 2015 AINDA NÃO ATINGIMOS OS 300 MILHÕES DE EUROS”. João Costa, presidente da ATP, à Rádio Renascença

BLOGUES DE MODA INFLUENCIAM MULHERES Os blogues de moda influenciam as intenções de compra de mais de 60% dos seus seguidores, de acordo com um estudo do Instituto Português de Administração e Marketing. O trabalho traça ainda o perfil-tipo dos leitores de blogues de moda em Portugal: é mulher (98%), jovem (74% tem menos de 35 anos), solteira (61,4%) e tem formação superior (86%).

O AMERICAN DREAM ATERROU NO PORTO Isabel Cristina Costa

Com o Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP) na ordem do dia, William Jackson aproveitou uma paragem nas negociações e veio de Bruxelas até ao Modtíssimo - mal saiu do avião já estava literalmente com o pé na feira. O negociador americano para o setor têxtil contou ao T que era importante ver a oferta de um dos países europeus onde o comércio têxtil é preponderante. “Todos vêem tremendas oportunidades neste acordo para Portugal, que poderá expandir-se para os EUA , que a seguir ao europeu é o mercado mais importante da vossa têxtil. E, claro, também, esperamos que o acordo aumente as nossas exportações de materiais para Portugal. A balança comercial é mais favorável para Portugal, mas veremos um aumento do comércio em ambas as direções”, sublinhou. William Jackson visitou a feira e reuniu com dirigentes da ATP e CITEVE. “Nestes contactos ficou clara a vontade americana em concluir o acordo político até final do ano, apesar das dificuldades negociais mais ao nível do detalhe técnico”, explicou Paulo Vaz, diretor-geral da ATP. Do lado português foi reiterado o interesse pela rápida conclusão do acordo, atendendo às vantagens que traria para a ITV nacional uma maior abertura do mercado norte-americano, pelo seu imenso potencial, não apenas para os produtos mais tradicionais de exportação para esse destino,

INOVATÊXTIL COM MUITA E BOA OFERTA

William Jackson, o negociador americano da Parceria Transatlântica para o setor têxtil, gostou de ver o Modtíssimo no aeroporto: “Enfatiza a componente internacional da têxtil portuguesa, o que é muito positivo”

como o têxtil-lar, mas igualmente para o vestuário, em contínuo crescimento. Uma das questões que está em cima da mesa de negociações é a das regras de origem, cuja determinação ainda é substancialmente diferente entre os EUA e a União Europeia, mas que tenderá a uniformizar-se, até para que o TTIP, no domínio do têxtil e vestuário, possa ser aplicado. William Jackson mostrou-se otimista e acredita que este ano se chegará a um acordo de substância. “Ainda temos muito trabalho pela frente, mas fizemos progressos. Estamos bastante otimistas. Nos últimos anos houve troca de informação, tomou-se conhecimento dos

"UMA DAS QUESTÕES EM CIMA DA MESA É A DAS REGRAS DE ORIGEM, CUJA DETERMINAÇÃO NOS EUA É DIFERENTE DA EUROPEIA"

respetivos pontos de vista e agora estamos a construir o texto, que implica avanços e recuos. É nosso objetivo concluir o acordo durante a administração Obama”. No Modtíssimo, Jackson teve a oportunidade de conversar com alguns dos expositores. Gostou do que viu, “muita variedade e inovação”, mas escusou-se a fazer quaisquer comparações com o que se faz no resto da Europa “porque não conheço tudo”. E gostou de ver uma feira têxtil num aeroporto: “Foi uma introdução interessante. O facto de ser num aeroporto enfatiza a componente internacional da indústria têxtil portuguesa, o que é muito positivo”.

A oferta era tão boa que o júri do Inovatêxtil 2016 - José Morgado (CITEVE), Ana Ribeiro (CeNTI), Sónia Pinto (Modatex), Fernando Pereira (FEUP) e Pedro Dantas (APETT) - resolveu escolher três finalistas em cada categoria (tecidos e produtos), em vez dos tradicionais dois. A cortiça está na moda e por isso presente em dois dos três tecidos finalistas, o da Sedacor (25% de cortiça natural e 75% de algodão, respirável, antibacteriano, biodegradável, secagem rápida e limpeza fácil) e o da LMA, com 45% de cortiça reciclada, que já brilhara em Munique, de onde veio como ISPO Best Product. A Penteadora é o outro finalista, com um tecido anti-estático e ignifugo, bom para fardas de bombeiros. Nos produtos, a novidade são os sapatos da Legendary Level Shoes (na foto), com uma malha técnica fabricada pela Vilartex, que também pode ser usada em vestuário ou no revestimento de sofás ou estofos de automóvel. Os outros finalistas são a Tecniquitel (peça de vestuário técnico de proteção ao calor e chama) e a Sonicarla, com uma peça desenvolvida para a prática de desportos exigentes, com compressão localizada que melhora o fluxo de oxigénio, reduz a fadiga e a carga ao sistema cardiovascular.


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MAISON & OBJECT ASIA 8 a 11 março - Singapura AMR, Deartis – MOS Portugal, Miguel Antunes Fernandes/Lasa Home, Trend Burel/Burel Factory e Vasicol - Maria Portugal Terracota

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JITAC EUROPEAN TEXTILE FAIR 26-28 abril - Tóquio A Têxtil Serzedelo/Texser, Lemar, Riopele, Somelos Tecidos, Tintex, Trend Burel/ Burel Factory e Troficolor

AGENDA DAS FEIRAS

MAISON MIAMI 10 a 13 maio - Miami AMR, Lona e Linho Castelo Bordados

“DE ACORDO COM A BÍBLIA, A FABRICAÇÃO DE VESTUÁRIO FOI A PRIMEIRA INDÚSTRIA DO MUNDO, QUANDO ADÃO E EVA, PERCEBENDO-SE NUS ‘COSERAM FOLHAS DE FIGUEIRA, E FIZERAM PARA SI AVENTAIS” (GÊNESIS 3:6) Aldo Rebelo cronista brasileiro

NÃO HÁ VISÃO COMO A PRIMEIRA 2015 foi um bom ano para as exportações da ITV portuguesa, que cresceram 5% para 4,8 mil milhões de euros. Melhor cartão de visita não podia ter o secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, na Première Vision Paris, onde esteve pela primeira vez (e não há melhor visão do que a primeira) a convite da ATP. Sabendo que esta é uma feira obrigatória para o setor, o secretário de Estado congratulou-se com o facto de as empresas estarem “a vender produto com mais valor". Por isso, as primeiras palavras de Jorge Costa Oliveira foram de “reconhecimento pelo trabalho que foi feito, por terem consegui-

do resistir à crise e à enorme concorrência do Extremo Oriente, e por terem conseguido fazer um aumento significativo de valor na produção, ao mesmo tempo que contribuíram significativamente para uma melhoria da imagem dos produtos portugueses no mundo". Na última edição da Première Vision Paris estiveram mais de meia centena de empresas da ITV, tendo sido metade delas apoiadas pela Associação Selectiva Moda, no âmbito do projeto de internacionalização From Portugal. “A escolha desta feira prende-se com o facto de este certame ser o mais internacional de todos,

”HÁ QUE RECONHECER O TRABALHO FEITO PELAS TÊXTEIS, POR RESISTIREM À CRISE E À CONCORRÊNCIA ASIÁTICA, POR VENDEREM PRODUTO COM MAIS VALOR E POR TEREM CONTRIBUÍDO DE FORMA SIGNIFICATIVA PARA A MELHORIA DA IMAGEM DOS PRODUTOS PORTUGUESES NO MUNDO”. Jorge Costa Oliveira Secretário de Estado da Internacionalização

reunindo todos os segmentos do pronto-moda e lingerie, que são o nosso target, para além de ser a interface dos países mais importantes no fashion world”, explicou Milena Raposinho, coordenadora do setor de exportação da Cotex. Fidelização de clientes, entrada em novos segmentos (desde a alta costura até ao mass distribution), amplificação da rede de contactos e de agentes nos mais diversos países foram razões suficientes para a deslocação da Cotex a Paris. Já a Lemar - exibiu uma coleção composta por tecidos para banho em lisos, riscas, squares, estampados, tecidos para sacos, mochilas, sapatos e malhas rede -, teve como motivação a angariação de novos contactos, mas também fortalecer laços com clientes antigos, “numa tentativa de aumentar o volume de negócios”, frisou Fátima Silva, assistente de direção da empresa vimaranense. Do lado da Orfama, o sales manager António Cunha adiantou que na 6ª vez que participaram na Première Vision Paris a razão principal da deslocação à capital da moda teve tudo a ver com uma maior fidelização dos novos clientes. “Esta feira está vocacionada para clientes que se enquadram no perfil que procuramos, produtos diferenciadores em termos de design, qualidade e valorizam o made in Portugal”, acrescentou o mesmo responsável. Para a Inovafil - com uma coleção a potenciar a leveza e a transparência dos tecidos, desenvolvendo um conjunto de fios injetados e multicount -, “esta feira, pela capacidade de atração de compradores à escala europeia, na área do vestuário e moda, impõe-se como uma decisão natural”. O international sales director, Pedro Martins, revelou que o que esteve sempre em mente foi o reforço das vendas na área do vestuário, uma vez que o objetivo é crescer 15% durante o ano de 2016”.


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AMR COM 3 MARCAS NA NEW YORK NOW PortugalHome, Mia Zarrocco e Premhyum, são as três marcas que a AMR levou à NY Now, com coleções produzidas 100% em algodão e na sua maioria em jacquards. Além da AMR, outras cinco empresas portuguesas (Burel Factory, 3DCork, Carapau Portuguese Products, MOS Portugal e Méze Mediterraneum) estiveram, com o apoio da Selectiva Moda, na maior feira dos EUA na área de decoração e gift, e que se subdivide em três grandes áreas: Home, Lifestyle e HandMade.

ISABEL COSTA VAI FALAR NA MAISON & OBJECT ASIA

LAS VEGAS É MESMO MAGIC

A Magic Market Week é um palco famoso - com duas edições anuais, fevereiro e agosto -, porque reúne em Las Vegas os principais players da indústria da moda internacional. Quando a feira surgiu, há 83 anos, o acrónimo MAGIC significava Men’s Apparel Guild in California. Hoje, a feira continua a crescer, atraindo 85 mil visitantes. Quem não quis perder mais uma edição da maior feira de vestuário da América do Norte, aproveitando a boleia da Associação Selectiva Moda, foram as empresas Boom Bap, Daily Day, Fiorima, French Kick, Inimigo Clothing e Maloka, que estiveram distribuídas pelos quatro certames da Magic Market Week: Liberty, Project, Stitch e Market. O Made in Portugal esteve ainda representado pela Dielmar.

PURE LONDON VEZES CINCO Foram cinco as marcas portuguesas presentes em mais uma edição da Pure London apoiadas pela Associação Selectiva Moda: Blackspider, Cristina Barros, Marita Moreno, Katty Xiomara e WT. Porque é que insígnias como a Blackspider fazem questão de continuar a marcar presença na Pure London edição após edição? É uma questão de ambição. Francisco Costa, sales manager da empresa, confirma: "Queremos dar continuidade ao nosso já bem-sucedido projeto de internacionalização para a Europa, tendo o Reino Unido como ponto estratégico e uma referência a nível europeu". E porque é que tem um gosto especial para quem só lá está apenas há duas edições como a Marita Moreno? “O mercado inglês continua a ditar tendências e a abraçar novos valores e conceitos aliados a qualidade premium, daí ser uma

escolha pertinente para as coleções de bolsas e sapatos da Marita Moreno. O convite para continuar no setor exclusivo Premium Footwear foi recebido com muito orgulho e veio confirmar a qualidade dos produtos da marca”, explica Marita Ferro, manager da empresa. No Olympia London, a Marita Moreno apresentou uma coleção onde a linha Foz Côa é o grande destaque, tendo como inspiração a paisagem rochosa e as figuras gravadas no parque de Foz Côa. Na sequência de várias visitas ao Parque e ao Museu do Côa, que cedeu as imagens dos desenhos para serem utilizados nesta coleção, a rudeza da paisagem contrasta com a delicadeza dos desenhos gravados. O resultado é uma coleção de sapatos e botins para homem e senhora. A

VANDOMA MOSTRA NECKWEAR NA MOMAD A Vandoma estreou-se na Momad Metrópolis, em Madrid, apresentando a sua coleção de neckwear, gravatas, laços e lenços, com especial destaque para tecidos mais ricos e padrões mais atrevidos. «Esta participação ajuda-nos a aumentar a presença em Espanha, bem como noutros países», refere Ana Sousa, responsável da marca. Organizada pela Ifema, a Momad contou com compradores de 70 países e cerca de 800 expositores, entre os quais nove portugueses, dos quais oito (Ana Sousa, Blackspider by Cristina Barros, Cristina Barros, Kalisson e Bagoraz, Konsenso, M. Rolo, Off&Cina e Vandoma) com o apoio da Associação Selectiva Moda, e ainda a Lion of Porches.

utilização de burel e do couro de superfície rugosa, com aplicações de metal onde os desenhos de Foz Côa estão gravados, deram origem a objetos de design que aludem à paisagem de escarpas rochosas típicas do Douro e do Côa. Ainda entre as propostas portuguesas para o outono/inverno de 2016 também estiveram as malhas circulares, estilo contemporâneo, complementadas com detalhes e técnicas de estampagem diferenciadoras da estreante WT. "O estilo da nossa marca, despojado e sport chic enquadra-se no espírito deste certame e do mercado britânico. Com a nossa presença na Pure London pretendemos aumentar a notoriedade da WT e angariar novos clientes", revelou Paulo Torres, responsável comercial da empresa de Esposende.

13 milhões de toneladas de têxteis vão para o lixo todos os anos nos Estados Unidos. Desse total, apenas 2 milhões são reciclados de acordo com a Agência de Proteção Ambiental norte-americana

Isabel Costa vai ser uma das oradoras na Interior Design & Lifestyle Summit, que decorrerá em Singapura, no âmbito da Maison & Object Asia. A fundadora e head designer da Burel participa no painel Weaving Craft Back Into Interior, moderado por Suzy Anette (Design Anthology), ao início da tarde do próximo dia 11.

BREAD & BUTTER VOLTA COMO FESTIVAL Comprada pela Zalando, a Bread & Butter regressa de 2 a 4 de setembro, na Arena de Berlim, já não como um salão destinado a profissionais mas como um festival dirigido aos consumidores. A rebatizada Bred & Butter Now assenta num tripé: apresentação das última novidades em moda, com música à mistura; criação de pontes entre cultura, moda e divertimento; e, ainda, antecipar o futuro digital da moda. Outra novidade serão os espaços de venda dos produtos novos apresentados.

DR. KID EM TONS PASTEL NA BUBBLE LONDON

Os tons pastel, que se reinventam e são combinados com cores mais tradicionais, como o bordeaux, verde-garrafa e uma nova gama de azuis marinhos, foram as grandes novidades da paleta de cores da coleção Outono/Inverno 2016 que a Dr. Kid apresentou na Bubble London é composta por três linhas (Newborn, Baby e Kids) que se complementam. Chua, Dot, Knot e Vandoma foram as outras três marcas portuguesas que estiveram no Business Design Center, em Londres.


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X DE PORTA ABERTA Por: Isabel Cristina Costa

Gio Rodrigues

Rua 31 de Janeiro, 114 Porto

Lojas Porto e Lisboa Faturação 250 mil euros (2015) Trabalhadores 10 no Porto e seis em Lisboa Clientes 2 000 de ambos os géneros Produto Vestidos de noiva, fatos para o noivo, vestidos de cerimónia, de pronto a vestir, roupa por medida, acessórios e calçado

MODTISSIMO 100% NA MODA DECLARA O EXPRESSO… O Expresso, sempre atento e vigilante, não deixou de notar que o Modtíssimo esteve 100% na moda. “Quando escolheu o palco do certame, o empresário Manuel Serrão sabia que estava a inovar ao organizar a primeira feira têxtil do mundo num aeroporto em funcionamento. Mas no momento do certame levantar voo, com a guerra à volta da supressão de algumas rotas da TAP para o Porto ao rubro, pode dizer-se também que dificilmente teria encontrado um palco mais mediático”, escreve o semanário fundado por Pinto Balsemão.

… QUE FICOU ENTUSIASMADO COM INVESTIMENTO DA MFA O investimento de 7,5 milhões de euros da MFA, que quer duplicar as vendas até 2020, não passou despercebido ao Expresso, que na sua edição de 20 de fevereiro dedica uma página do seu suplemento económico à empresa de Famalicão que fornece as meias usadas pelos futebolistas do FC Porto, Sevilha, Celtic e Liverpool.

GRUPO INDITEX É O 2O MAIOR DO MUNDO

Um mestre a criar vestidos de noiva A primeira loja do criador Gio Rodrigues ficava nas Galerias Comerciais Aviz, na Boavista, mas com a revalorização da Baixa do Porto em março de 2010 resolveu investir na Rua 31 de Janeiro. Os clientes acompanharam-no e o negócio continuou a crescer. No mês passado, chegou à capital, ao Centro Comercial Amoreiras, e passou de micro a pequena empresa com 16 trabalhadores. Gio Rodrigues é mestre a criar vestidos de noiva, que em 2015 representaram cerca de 55% das vendas totais, mas o registo de 2000 clientes que possui são de ambos os géneros, é que também trabalha para noivos, convidados e basicamente para quem o procurar. Hoje, a marca Gio Rodrigues vai da alta-costura até à joalharia. E o criador ainda arranja tempo para responder a desafios que lhe chegam, como foi o caso da GioGym, uma coleção à venda em ginásios. Tomado o mercado nacional, com a abertura da loja de Lisboa a ser considerada “crucial para o crescimento da marca”, Gio parece ter mais tempo para o projeto de internacionalização e não é segredo nenhum o interesse pelos países nórdicos. Contudo quer ir devagar e a prioridade é consolidar primeiro a loja lisboeta. “Abrimos em Lisboa, iremos deixar a loja crescer e estabilizar para continuar o grande projeto da internacionalização”, adianta. Mas Angola é

hoje um mercado importante para a marca. “Os clientes angolanos representam cerca de 20% do volume de vendas anuais. A maioria destas são efetuadas em Luanda, onde me desloco de dois em dois meses, para atender clientes na Clínica Dr. Fernando Póvoas. Com a loja de Lisboa, algumas das clientes angolanas, como viajam com frequência à capital portuguesa, acabam por ser também atendidas lá”, revela. Ao nível da produção, Gio conta com mão-de-obra portuguesa nos ateliês de Lisboa e Porto. O mestre dos vestidos de sonho faz questão de comprar as matérias-primas em Portugal. Mas também conta com fornecedores espanhóis e italianos ao nível dos tecidos, que conheceu na feira Première Vision Paris. Em termos de clientes, chegam-lhe de vários pontos do país. Quando se lhe pergunta se já vestiu alguma noiva VIP, o criador opta pela discrição até porque “todas as nossas noivas são famosas e especiais”, justifica. A partir de 2014 passou a contar com a aplicação Make Me Unique, um sistema online que permite a qualquer mulher descobrir e visualizar o que idealizou vestir no grande dia a partir do computador, tablet ou smartphone. E enquanto o projeto de internacionalização aguarda pelo tempo certo, o criador continuará a dividir-se entre o Porto, Lisboa e Luanda.

Com um volume de negócios de 23,8 mil milhões de US dólares (+10,3% que em 2014), a Inditex é o segundo maior grupo de distribuição têxtil, sendo apenas superada pela americana The TXJ Companies (vendas de 29 mil milhões de USD), empresa especializada na venda de roupas e calçado a baixo preço (29.078 milhões) - de acordo com o ranking Store/Delloite.

“O MEU SUCESSO É O DE TODOS OS QUE COLABORAM E COLABORARAM COMIGO. NINGUÉM CONSEGUE SER INTELIGENTE, PODEROSO OU PREPOTENTE O SUFICIENTE PARA CONSTRUIR SOZINHO UMA EMPRESA DESTE CALIBRE” Amancio Ortega dono da Inditex

QUER AUMENTO? USE ROUPA COLORIDA Usar roupa colorida potencia aumentos salariais e o sucesso profissional, revela um estudo promovido pela Case Station junto de 2000 residentes no Reino Unido. Uma em cada cinco pessoas, do escalão 18- 34 anos, atribui o crédito de aumentos salariais e promoções à utilização de roupas ricas em cor. Cerca de 25% dos trabalhadores britânicos relacionam também o seu sucesso profissional com as escolhas acertadas de guarda-roupa.


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M EMERGENTE Por: Jorge Fiel

Jorge Azevedo CEO mYleggs Família Solteiro Formação Marketing, MBA pelo IESF, pós graduações em Brand Management e Neurociências do Consumo Casa Foz do Douro (desde que nasci) Carro Como sou aventureiro, preciso de um 4x4, para me levar pelos caminhos menos percorridos, e que ande bem na estrada Portátil Sou brandlover da Apple: Macbook 12 Retina 2016 e Macbook Pro 15 retina Telemóvel iPhone 6 Hóbis KiteSurf, Trail running, Trekking, Orientação, Mergulho, Moto Enduro Regras de ouro É preciso sair da zona de conforto. "A sorte protege os audazes"

A vantagem de ser despedido

FOTO: RUI APOLINÁRIO

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À primeira vista até pode parecer estranho, mas se Jorge Azevedo, 48 anos, é hoje empresário isso deve-se, no seu essencial, a dois acontecimentos aparentemente não relacionados e separados no tempo por sete anos: ter deixado de fumar e ter sido despedido da farmacêutica onde estava empregado. Recuemos até 2005. Jorge trabalhava na Atral-Cipan e decidiu deixar de fumar quando reparou que três maços de tabaco por dia não chegavam para lhe alimentar o vício. Ficou mais saudável mas como engordou muito (a comida passou a saber-lhe melhor...) começou a caminhar, primeiro, e a correr, depois. Entusiasmou-se, pois quanto mais exercício fazia, mais peso perdia. Andava de bicicleta, fazia caminhadas na montanha, corria na cidade ou no Gerês, conheceu Carlos Sá e iniciou-se no trail (a sua primeira prova de corrida foram os 70 quilómetros do Ultra Trail Tun,na Serra da Freita). A vida corria-lhe bem até que há quatro anos, no início de 2012, foi sacudida pelo sobressalto do despedimento. Tinha 45 anos. Em vez de ficar parado, sem fazer nada, a viver do subsídio do desemprego, Jorge resolveu transformar o hobbie do trail num negócio e investiu a indemnização na criação da Urban Events, uma empresa que debutou com a organização do Urban Trail Porto e Lisboa - e de então para cá não tem parado de acelerar e diversificar as características dos eventos que promove. Jorge trouxe o trail da montanha para a cidade, no Porto, Lisboa, Coimbra e Sintra, registando a marca Urban Trail e sonhando com um circuito europeu desta variante. Depois importou para a Europa as divertidas Color Run, um tremendo sucesso que coloriu ruas de Braga, Coimbra, Matosinhos, Leiria, Portimão e Cascais - e que agora se está a preparar para levar do dia para a noite. Como não pára desde que deixou de fumar, há coisa de dois anos detetou mais uma oportunidade de negócio ao sentir que as meias com que corria não eram suficientemente confortáveis. E que tal lançar uma marca de equipamento para trail? Tinha a enorme vantagem comparativa de saber melhor que ninguém o que os clientes querem. Bastava seguir para montante. Assim nascia a marca mYleggs. Como corria com atletas - Sofia Roquette, Inês Marques, Goreti Silva, Ester Alves, Diogo Fernandes, André Rodrigues, Tiago Teixeira - sabia exatamente de que é que eles se queixavam e percebeu que a partir desse conhecimento era fácil melhorar o produto. Prontos os primeiros protótipos, pegou na equipa mYleggs e foram testá-los durante uma semana nos Picos da Europa. A primeira venda foi em outubro de 2014, ano em que colocou os produtos na rede nacional de health clubs Holmes Place. “2015 foi o ano zero, de aprendizagem, em que testamos não só a qualidade e cores do produto, que é 100% fabricado em Portugal, mas também os canais de distribuição”, explica Jorge, que após concluir que a mYleggs tem pernas para andar, aposta no alargamento da oferta, que começou pelos pés (meias), mas vai subindo pelo corpo acima, com perneiras, calções, t shirts e manguitos.


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BUFFON VENDE ZUCCHI A FRANCESES

X O MEU PRODUTO Por: Isabel Cristina Costa

Fato de rugby P&R Têxteis

O que tem de especial? É leve, respirável e tem as costuras seladas. A camisola é em malha mono strech para dificultar o agarrar de adversário e na zona do peito tem super grip para ajudar a prender a bola. Os calções têm bandas laterais de microfibra para uma secagem rápida das mãos antes dos lançamentos. Propriedade Modelo e desenho registados pela P&R Têxteis, fundada há mais de 30 anos em Barcelos. Clientes Depois dos Springboks (a seleção de rugby da África do Sul), há vários clubes de rugby europeus, nomeadamente o Stade Français, a usar este equipamento

O fundo francês Astrance vai assumir o controlo do grupo italiano de têxteis-lar Zucchi, de que o guarda redes italiano Gianluigi Buffon é o maior acionista, com 56% do capital. Cotada na Bolsa de Milão, a Zucchi está sufocada por um passivo de 73 milhões de euros e tem acumulado prejuízos.

MARZOTTO ANDA ÀS COMPRAS A Marzotto está a procurar ativamente oportunidades de compras na Ásia e América Latina. “Não se trata de deslocalizar mas de internacionalizar a produção para sermos mais rápidos, mais flexíveis e tocar mais os clientes”, afirma Sergio Tamborins, líder do grupo italiano.

50 milhões

de euros é a verba que o Governo de Roma pôs à disposição da ITV italiana para financiar a estratégia de internacionalização das suas empresas

LEVI’S APAIXONA-SE PELAS MULHERES

Barcelos dá cartas no mundo do rugby Na realidade não são cartas (nem galos), mas sim um fato de rugby totalmente criado e desenvolvido pela P&R Têxteis - fundada há mais de 30 anos em Barcelos - em parceria com a marca desportiva japonesa ASICS. Hélder Rosendo, que é desde o início do ano o novo diretor-geral da empresa (era até então subdiretor-geral do CITEVE - Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário) explica que se tratou de um trabalho conjunto entre a P&R Têxteis e a ASICS, sendo o cliente final a seleção da África do Sul, a Springbok Rugby Team. Nesta parte da notícia estará a lembrar-se do filme Invictus, que tem como pano de fundo a conquista da Copa do Mundo de Rugby pela Seleção Sul-Africana, em 1995, após o desmantelamento do apartheid. O filme, que estreou nos EUA no final de 2009, tem como figuras principais o capitão de equipa François Pienaar (hoje

guru motivacional) e o então presidente da África do Sul Nelson Mandela, falecido em 2013. De regresso a 2015, a P&R Têxteis vestiu a equipa de rugby da África do Sul mesmo a tempo da Rugby World Cup, que se disputava em Inglaterra. A África do Sul chegou às meias-finais com a Nova Zelândia, a equipa que se sagraria campeã mundial. Mas afinal o que tinha de tão especial o fato made in Portugal? “Tratou-se da camisola mais leve alguma vez usada pela seleção da África do Sul. Era 70 gramas mais leve que a versão anterior. Além desta particularidade, incorpora uma zona de super grip no peito, através de uma aplicação em silicone, para aumentar o grip da bola quando o jogador está em movimento, bem como, a utilização de uma malha mono strech, que dificulta o agarrar da camisola por parte dos adversários”, começa por explicar Hélder Rosendo.

Outra particularidade da camisola é a incorporação de um bolso interior para alojar um pequeno dispositivo electrónico para monitorização em tempo real de vários parâmetros do atleta. O diretor-geral da P&R Têxteis aponta também o facto de o calção incorporar duas bandas laterais em microfibra para permitir a secagem rápida das mãos antes dos lançamentos, reduzindo o risco de perda de controlo da bola. A estreia absoluta do fato de rugby português aconteceu no segundo semestre do ano passado, mas os visitantes do Modtíssimo 46, que se realizou em outubro na Alfândega do Porto, tiveram oportunidade de o ver e tocar. Sobre o potencial do negócio, Hélder Rosendo diz que é enorme e adianta: “Já estamos a produzir neste momento para vários clubes de rugby europeus, nomeadamente o Stade Français, patrocinado pela ASICS”.

A Levi’s vai abrir em Nice a primeira loja exclusivamente destinada ao público feminino, no âmbito de uma estratégia que será seguida em todo os países da Europa do Sul (França, Itália, Espanha e Portugal), onde as suas vendas de roupa para mulher estão com taxas de crescimento de dois dígitos. Para agradar às mulheres, o gigante americano dos jeans contratou Alicia Keys para conselheira.

TOMMY HILFIGER MAIS FEMININO A Tommy Hilfiger decidiu dar uma imagem mais feminina e contratou pela primeira vez uma mulher para embaixador global da marca, a super top model Gigi Hadid. A coleção premium foi rebatizada Hilfiger Collection. A linha de pronto a vestir feminino da marca americana é produzida em Itália e será vendida só nas lojas próprias da marca e numa seleção de lojas multimarca topo de gama.

MODA MANGO AINDA MAIS FAST A acelerar rotação das novidades que oferece é o alfa e o ómega da nova estratégia comercial da Mango, que está subordinada a duas palavras chave: rapidez e atualidade. A partir da distribuição da coleção Primavera/Verão 2016, o gigante espanhol garante que um produto novo aparecerá de 15 em 15 dias na sua rede de 2 700 lojas espalhadas por 109 países. O imediatismo da nova estratégia permite poupanças. A Mango decidiu abandonar os catálogos, de que produzia 22 milhões de exemplares/ ano.


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OPINIÃO 1984

Paulo Vaz Diretor Geral da ATP e Editor do T

QUEM VIVE NO PASSADO NÃO TERÁ LUGAR NO FUTURO

ATO FUNDACIONAL DA EXPONOR Ato fundacional da Exponor, com a presença de Luís Fontoura, presidente do ICEP, Fernando Barroso, presidente da APIM e diretor do Gabinete Portex, e de Almeida e Sousa, presidente da AG da Associação Industrial Portuense (atual AEP). A Exponor resultou de uma parceria entre a AI Portuense e o Gabinete Portex, que reunia as principais associações da fileira têxtil, tendo sido inaugurado em 1987, dando assim resposta à necessidade das feiras do setor, as Portex, em plena expansão e para as quais o pavilhão do Palácio de Cristal se mostrava insuficiente para as albergar.

Em pleno século XXI, e depois dos choques competitivos que o setor têxtil e vestuário enfrentou e quase o liquidaram (porque ficaram expostas as suas enormes fragilidades e dependências, pois sem geração de valor não há nada que nos distinga), ainda surgem vozes desgarradas, anacronicamente saudosistas, a querer regressar a um passado em que a fileira vendia capacidades produtivas e minutos de trabalho. Como desejar o feudalismo como regime político! Dez anos passados sobre a abertura dos mercados globais e com a China a funcionar hegemonicamente no negócio do têxtil internacional, destruindo qualquer possível concorrência pelo preço e pela escala, a indústria têxtil portuguesa é talvez o melhor exemplo de uma atividade tradicional que soube enfrentar uma situação tendencialmente letal, para, recorrendo a dramáticas reestruturações, reinventando o negócio, pela via da incorporação dos fatores críticos de competitividade, como a moda, o design, a tecnologia e a logística avançada, se reposicionar na cadeia de valor, apostar na proximidade, no “lead time” cada vez mais curto, na intensidade de serviço e na internacionalização, conseguir sobreviver, para contrariar todos os que lhe prognosticavam a extinção e para construir um novo paradigma de futuro, onde quer habitar. E tudo isto sem perder a sua base industrial, embora percebendo que o passado teria de ser radicalmente superado, sob pena de se transformar no lastro que a arrastaria para o fundo. Irremediavelmente. Sem redenção. Embora se viva hoje um tempo mais otimista, o percurso não está isento de riscos e nada nos garanta que o sucesso é o destino. Uma coisa é certa, quem continuar a pensar que vender minutos de produção, sem ter mais nenhum elemento diferenciador, mesmo que viva a ilusão de uma conjuntura favorável, rapidamente perceberá que não terá qualquer expediente para reagir à primeira dificuldade, à eclosão de novas crises e menos ainda à acelerada mutação que é a marca do nosso mundo. Quem vive no passado, acreditando nas fórmulas de outrora, não terá certamente lugar no futuro. E ninguém estará para escutar a velha lamúria que a culpa do sucedido foi do Governo, do sector, da globalização e até da Divina Providência que se esqueceu de alguns dos seus filhos! Há muito a fazer para que sector mantenha a dinâmica, pois há também muitas oportunidades para serem aproveitadas. O facto de termos um know how quase único, que combina tradição, modernidade, reatividade, flexibilidade, proximidade geográfica e cultural aos mercados que importam, é um ativo precioso que, orientado para a criatividade nos produtos, nos serviços e nos modelos de negócio, explorando o enorme potencial que a economia digital nos oferece, não como fim em si mesmo, mas como instrumento para colocar a nossa oferta, valorizada e bem promovida, em segmentos que, agora, com eficiência acrescida, antes não tínhamos possibilidade sequer de sonhar. A Farfetch, uma das empresas mais apreciadas à escala global, considerada um “unicórnio” pela Forbes, não nasceu em Silicon Valey, mas em Guimarães, no coração têxtil português. Dá que pensar, embora isso pareça desprezível para quem acha que é mais importante produzir 100 mil t-shirts a três euros do que negociar 10 mil a 30, controlando o que mais importa na cadeia de valor. Mais com menos. Melhor. O tempo, estou certo, dará razão à evidência de que faz bem mais sentido olhar em frente do que suspirar por um passado que jamais voltará. Felizmente.


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Braz Costa Diretor-Geral do CITEVE

Carlos Trocado Ferreira CEO Coach Troubled Factor

AFINAL A CHINA NÃO MATOU A ITV

A MUDANÇA É O MOTOR E A ÚNICA CERTEZA

Quando há cerca de 15 anos se perspetivava o futuro da ITV em Portugal tudo indicava que a partir de 2005 a concorrência vinda da Ásia, baseada em custos do trabalho muito inferiores aos de Portugal originaria um decréscimo abrupto das atividades industriais intensivas em mão-de-obra, e menos impacto nos subsetores de capital intensivo. Ouvia-se que a China ia matar a ITV em Portugal. A realidade veio demonstrar exatamente o contrário. Não só não se verificou a anunciada morte generalizada das empresas de confeção como se assistiu a fortes dificuldades, decréscimo e morte de instalações da capital intensivo. Ao fim pouco mais do que cinco anos, já a China se manifestava preocupada com a concorrência de muitos dos países da sua vizinhança, exatamente por as suas empresas disporem de mão-de-obra com custos muito mais baixos do que os possíveis no seu país. Vamos a contas, relativas a 2016, apresentando alguns valores de entrada de salários mensais: China, 500 USD; Bangladesh, 60 USD. A África é desde há algum tempo tida como o próximo continente têxtil, compreendendo-se, portanto, as preocupações do Bangladesh com a velocidade a que se estão a fazer a instalação de unidades têxteis em países como a Etiópia onde se contrata a partir dos 30 USD mensais. É neste contexto que acaba de ser anunciada a deslocalização de empresas chinesas para o sul dos Estados Unidos da América. (É intencional a utilização da palavra deslocalização já que seria assim designado qualquer investimento de empresas portuguesas fora do país). As motivações invocadas pelos investidores são o facto terem concluído que os custos da operação nos Estados Unidos serem mais competitivos do que na China. Terão estes investidores colocado na equação os custos logísticos da exportação da China para os EUA, mas esse facto não tira valor ao significado desta decisão. Das duas uma: ou terá a China já percebido que se pode ser competitiva mesmo com salários relativamente elevados ou está a pensar instalar empresas nos Estados Unidos e recheá-las com trabalhadores chineses. Estava aqui a pensar que, depois de elétricas, seguradoras e linhas aéreas, o futuro da ITV portuguesa passará pelo investimento direto chinês. Bom, se não usarem a ‘sua’ TAP para acarretar paletes de trabalhadores da China para Portugal, resolve-se o problema do desemprego, caso contrário resolve-se o problema da baixa natalidade. Que venham!

As empresas enfrentam problemas internos e externos cada vez mais complexos. A globalização trouxe desafios e problemas que as estruturas internas das PME não têm condições de, per si, os resolverem. A natureza da ambição empresarial e a dicotomia da relação oferta e procura, ou qual destas duas promove primeiro a outra, levam muitas empresas de menor dimensão, ou com reduzida massa crítica, a atropelarem os seus propósitos estratégicos e a confundirem atitudes corretivas com atitudes estratégicas. A dimensão estratégica ou visionária nestas empresas ainda assenta muito na configuração da função do produto ou no seu processo interno. A criação de valor e a sua partilha, ou se quisermos, a proposta de valor com que se apresentam no mercado, tende para a diminuição progressiva. O processo de inovação (no pensamento, no processo, no produto, no serviço, na distribuição, nos diversos canais...) requer uma organização a pensar mudança. A mudança é o motor. A mudança é a única certeza. E como as organizações são pessoas [e cérebros (?)...] e estas tendem para a acomodação, para a lei do menor esforço e para a zona de conforto, uma ideia nova é, pois, muitas vezes considerada uma ameaça às ideias, produtos e serviços anteriores. Estendendo esta analogia de resistência a todas as dimensões da empresa, do produto até ao processo, ao sistema de Governance, aos canais, ao Marketing e, sobretudo, à Gestão de Topo, temos que uma empresa que não se adapta, que não muda todos os dias um bocadinho, que não se questiona, não apresenta pequenos saltos de forma regular, não tem a paixão pelo erro e não se foca no risco da novidade, tenderá a ter um futuro alicerçado em soluções erráticas que mais não são do que respostas tipo tentativa-erro perdendo-se na noção errada de que está

a mudar, quando sem a noção de desvio, apenas está a apalpar terreno. A gestão da mudança não é apenas iniciar um processo para mudar. Mudar é estabelecer um plano e métricas para a avaliação futura dos desvios, pois só isso é que permite ações corretivas em ordem a um objetivo (necessariamente estratégico). Muitas empresas tendem a confundir estes conceitos, pois recentemente correm “teorias" de que “o mundo muda tão depressa que não vale a pena ter uma estratégia”. Aqui a confusão entre Planeamento e Estratégia. Nada de mais errado! A empresa tem de saber para onde vai, para onde quer ir. E deve concitar todos os esforços, experiência, gestão e informação disponível para iniciar um processo de mudança e adaptar os recursos, humanos, técnicos, logísticos e financeiros a esse objetivo. Os produtos ou serviços são meros instrumentos, ou se quisermos, palavras do dicionário e da gramática que pretendemos implantar. Tal como uma palavra não é a língua, um produto por si só não comunica nada. É preciso mais do que isso para construir uma relação de marca, de serviço ou função com o cliente (ou consumidor, se for esse o caso). Um produto (ou serviço) deve resultar de um sistema - uma ordem sistémica - capaz de se reproduzir e de se reinventar de forma ordenada e consistente facilmente identificável pelo mercado. Para isso, exige-se que a empresa construa uma identidade corporativa, baseada nas suas competências e capacidades e que seja suficientemente dispersa pela organização como uma bandeira, hino ou atitude. O recurso a consultores externos quer na redefinição estratégica quer na transferência de Gestão entre gerações é uma solução para as PME com ambição e garra para vencer. ver mais em: www.coachfactor.pt


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U ACABAMENTOS Por: Katty Xiomara

Katty Xiomara retoma a sua rotina diária. De regresso a Portugal, deixando para trás as feiras internacionais, prepara agora o desfile no Portugal Fashion. Existe algum trabalho logístico para tornar tudo possível…

Cristas rendida ao estilo punk Durante um intervalo das aulas, descubro nas conversas de fumo dos meus informados alunos, que a nova representante do CDS contratou um stylist reconhecido. A ideia é marcar a sua liderança! Usando as palavras da própria com uma reinterpretação minha: O conceito não passa por reconhecer o partido como sendo de uma única mulher, mas sim, por ser reconhecida como uma mulher única, que representa o partido. De crista erguida e emproada Assunção entrou na capoeira. Decretou as suas regras e quer demonstrar que não é só, um semblante doce. Para combater essa imagem o stylist promete literalmente…. erguer a crista. Estes factos fizeram a minha imaginação refém de uma Assunção Cristas bem ao estilo Punk Rock . A primeira ideia parece-me óbvia, mas acertada. Um Perfecto em pele preta protegendo um delicado vestido em voile de algodão, com pequenas tachas aplicadas no fundo. O calçado ficaria a cargo de umas botas winkle picker prateadas. O penteado simula, claro está, uma crista punk ! mas num estilo bem feminino. O segundo look o imagino como uma homenagem ao grande Bowie. Um look mais elegante e arrojado. Uma blusa em lurex e umas calças de cinta subida com alças, em veludo de seda. Os sapatos com uma ligeira plataforma, mas nada exagerado. O cabelo despenteado ao estilo natural-rock…


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Março 2016

O AS MINHAS CANTINAS Por: Manuel Serrão

Florêncio Rua Nossa Senhora Madre de Deus 4800-002 Azurém Guimarães

UMA CASA VITORIANA Se eu fosse o Marco Paulo e tivesse que confessar em público que tinha dois amores, seria sempre do Porto e de Guimarães que a canção se faria. Fugindo das cidades para o futebol, a letra da música ficaria ainda melhor, porque falaria do Porto e do Vitória, que são duas palavras que ficam sempre lindamente associadas. Quando tinha seis anos de idade e o meu pai tinha sido recrutado para Angola (para onde foi dois anos, como médico miliciano, levando a minha mãe e um irmão mais novo) , descobriram que eu tinha asma e não viram lugar melhor para a curarem que as Termas de Vizela. Que naquela época ainda era Guimarães... Durante três meses de Setembro seguidos, fiquei em casa do dr. Hipólito Reis, que me albergou e era casado com uma vimaranense de gema. Que por sua vez tinha um irmão que era diretor do Vitória. Graças a ele, a minha estreia num campo de futebol à séria foi no antigo estádio municipal de Guimarães e sei que é muito por causa disso que ainda hoje gosto tanto da cidade, do clube, dos vitorianos e... de muitos dos seus restaurantes . Claro que manda a verdade que se diga que para gostar da Casa Florêncio não era preciso nada disto. Nem sequer ter sido lá levado também pelo Ricardo Fernandes (e pelo Rui Maia) que fez questão que eu provasse o bucho recheado. O homem forte da Lion of Porches (e agora também da Decenio ) já sabia que não ia ser difícil eu gostar do bucho, mas foram tantas as iguarias que me deram a provar antes, de que destaco um fumeiro de eleição e um polvo divinal, que quase já não sobrava apetite para mais. Não sei como será a minha próxima experiência sem a companhia destes vitorianos ilustres, mas na minha agenda gastronómica já está assinalada a urgência de voltar ao Florêncio, para me atirar ao arroz de coelho de cabidela e ao nispo de vitela estufado em vinho tinto. Imagino que com mais uma ou outra entrada, já não me sobrará "bucho" para mais!


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SOUVENIRS

MALMEQUER Alexandra Macedo, 46 anos, é diretora da Agência Best Models. Vive no Porto com o marido, Nuno Eusébio, e dois filhos. Andava no 3º ano de Direito, na Católica, quando começou a trabalhar na produção e organização de desfiles na Eusébio & Rodrigues. Tem dois livros publicados (Manequins, Agências & Companhia e De Corpo e Alma - O Livro da Super Mulher) e um terceiro a caminho (12 Passos para Seres Modelo)

Gosta

Não gosta

Conforto crianças sol calor caminhar

Ingratidão falsidade frio chuva

ao ar livre praticar yoga andar de

mentiras confusão projetos por acabar

bicicleta estar em família chocolate

desarrumação gente mal disposta falta

preto sinceridade novos projetos/

de educação violência gritos Carnaval

desafios ler escrever quebra-cabeças

esperar favas carne conduzir gente

mandalas uma boa conversa um abraço

antipática problemas por resolver

apertado e sentido Nova Iorque mimos

sustos perder negatividade fatalismos

honestidade sucesso Natal do dia do meu

preocupações cozinhar com pressa

aniversário surpresas agradáveis mar

passar a ferro vento forte

cães (Labrador) museus músicas malas e sapatos velas agradecer férias do meu trabalho Martini organização sorrir e rir muito meditar vestidos

ESPARTILHO OU SANDÁLIAS? A cantora, actriz, apresentadora e produtora Wanda Stuart tem várias peças de roupa que guarda como autênticos tesouros. Mas atualmente, ou melhor, desde a passagem de ano, está rendida não a uma, mas a duas peças: um espartilho Armando Gabriel e umas sandálias Mikels. “Sou muito fiel ao que é nacional, que é bom e tem muito valor. O Armando Gabriel já vestiu várias pessoas de renome, por isso fico grata pois as peças dele são todo um eu. Os sapatos Mikels, não os conhecia e fiquei fã. Para mim esta junção é perfeita, com Armando Gabriel e Mikels sinto-me eu própria", responde. Wanda Stuart, filha de uma cabo-verdiana e de um português, nasceu a 6 de Janeiro de 1968, nos Olivais, sendo a mais nova de 10 irmãos. Cedo revelou aptidão para o mundo do espetáculo, apesar de o pai, militar de profissão, não gostar muito da ideia. Fez audições para o Instituto Gregoriano de Lisboa e trabalhou para pagar as próprias aulas, cantando em bares, hóteis e casinos de música ao vivo. Em 1992 ingressou na Companhia de Teatro de Filipe La Féria e com uma voz singular chegou rapidamente ao estrelato. Em 1996 pintou o cabelo de azul, desconhecendo que esta decisão acabaria por se tornar a sua imagem de marca. E a sua longa carreira não se esgota no mercado português. Em 1999, a convite do realizador Wolf Maya, partiu pela primeira vez para o Brasil onde, durante três meses, participou no espetáculo "Fênix & Stuart". Wanda Stuart também é produtora dos próprios espetáculos: "Wanda Sonora, Banda Stuart", "Animais Noturnos" e "Wanda Stuart, Canta Piaf", entre outros. E já atuou em vários eventos de moda, como a Moda Lisboa e o Portugal Fashion.


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T7 - Março 2016  

António Falcão é a entrevista de capa da edição 7 do T Jornal. Conheça a história de Jorge Azevedo, CEO da mYleggs, e de Ana Vaz Pinheiro, a...

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