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PERGUNTA DO MÊS

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A PANDEMIA ACELEROU A NECESSIDADE DE DIGITALIZAÇÃO DAS EMPRESAS P4E5 N Ú M E RO 61 F EV E R E I RO 2 021

DIRETOR: MANUEL SERRÃO MENSAL | ASSINATURA ANUAL: 30 EUROS

DOIS CAFÉS E A CONTA

"COM A DUNE BLEUE VENDEMOS MARCA PRÓPRIA, NÃO É UMA QUESTÃO DE PREÇO" P6 EMERGENTE

ORLANDO MIRANDA Administrador da Olmac

“É A INDÚSTRIA QUE CRIA RIQUEZA PARA O PAÍS” P 20 A 22

MIGUEL, O MARKETEER QUE QUER INOVAR NA HELIOTEXTIL P 31 A MINHA EMPRESA

DA MODA À RELOJOARIA, ADALBERTO JÁ AS FITAS E ELÁSTICOS INTRODUZIU A DA LUNARTEX ESTÃO TECNOLOGIA 3D NO SEU EM TODO O LADO PROCESSO DE PRODUÇÃO P 14

FOTO: RUI APOLINÁRIO

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CORTE&COSTURA

EDITORIAL

Por: Júlio Magalhães

Por: Manuel Serrão

Rita Sá 24 anos Designer, é um dos rostos mais destacados da nova geração de jovens criadores de moda. Formada na ESAD, tem colecionado vários prémios e distinções em concursos para jovens criadores. Recentemente desenhou uma coleção de acessórios para a Tintex e está lançar raízes com marca própria. “Sou uma menina da aldeia que adora o contacto com a natureza e passear pelo monte”, o que faz sempre com o seu trio de acompanhantes: o Tico e a Branca, dois podengos, aos quais de junta a Darwy, uma beagle

TRANSPARÊNCIA DIGITAL Com a iniciativa da Câmara Municipal de Famalicão e a colaboração do Cluster Têxtil realizou-se já neste mês de fevereiro um webinar muito interessante dedicado à digitalização na indústria e negócio têxtil. Para esse interesse muito contribuíram as intervenções de Manuel Gonçalves, da TMG, Rui Oliveira, da Riopele, e Rui Sousa, da Somelos (e Fluxodata). Foi muito esclarecedor ouvi-los, mas foi sobretudo muito importante a disponibilidade que demonstraram para darem os exemplos do que já estão hoje a fazer nas suas empresas em termos de digitalização dos vários processos envolvidos no negócio têxtil. Quando empresas desta nomeada e dimensão assumem esta transparência no diálogo com os seus pares da ITV, ficamos todos a perceber que a concorrência já não são os nossos vizinhos de rua ou região, mas sim as empresas que no resto do mundo cavalgam as novas tecnologias quando dantes espezinhavam os direitos humanos. Mas também não menos relevante foi a conclusão a que também foi possível chegar e que nos diz que digitalizar a ITV não é desumanizar as empresas nem o negócio. As pessoas vão continuar a fazer a diferença. A par de uma digitalização inteligente podem até aumentar essa diferença que fazem. t

Como está a correr o desafio que a Tintex lhe lançou? Depois da linha de acessórios, fizemos um coordenado para a coleção P/V 22 que acabam de apresentar. As parcerias são sempre importantes e acabam por ser uma relação frutuosa para os dois lados. Os acessórios permitiram promover o coating, com misturas de materiais, e agora tenho na minha coleção três peças com cores que escolhi. Qual é a importância que assumem hoje os acessórios numa coleção de moda? O styling é sempre importante para se transmitir a ideia de uma coleção. Uma coisa é apenas a roupa, outra bem diferente é apresentar as peças com o complemento de acessórios. São muito importantes para compor o universo que se pretende para a coleção. Já brilhou em vários concursos de jovens designers. Que tal está a correr a sua entrada na idade “adulta” no mundo do têxtil e da moda? Agora é que se colocam verdadeiramente as dificuldades, com o salto para as coleções comerciais e com as vendas

que fazem com que a marca seja sustentável. Não há muito espaço para as novas marcas e projetos pequenos mas, como se costuma dizer, andando é que se faz o caminho. Que importância tiveram na sua carreira os vários prémios que ganhou? Além do reconhecimento, acabaram também por trazer alguma visibilidade para a marca e tornam mais fácil o estabelecimento de parcerias ou colaborações. Do ponto de vista pessoal, proporcionaram ainda algumas viagens, designadamente em África, que me levaram ao encontro de outros contextos, que abrem horizontes para a marca.

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- MENSAL - Propriedade: ATP - Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal. NIF: 501070745 Editor: Mário Jorge Machado Diretor: Manuel Serrão Morada Sede e Editor: Rua Fernando Mesquita, 2785,

Finalmente, como está a reagir e a contornar as dificuldades trazidas por esta pandemia interminável? Com tudo isto, as pessoas acabaram por colocar o vestuário em segundo plano. Tenho-me dedicado a um outro projeto que tinha em mãos e que funciona como prolongamento da marca. Estou a desenvolver uma linha de estojos para instrumentos musicais e a verdade é que não está a correr nada mal. t

Ed. Citeve 4760-034 Vila Nova de Famalicão Telefone: 252 303 030 Assinatura anual: 30 euros Mail: tdetextil@atp.pt Assinaturas e Publicidade: Cláudia Azevedo Lopes Telefone: 969 658 043 - mail: cl.tdetextil@gmail.com Registo provisório ERC: 126725 Tiragem: 4000 exemplares Impressor: Grafedisport Morada: Estrada Consiglieri Pedroso, 90 - Casal Santa Leopoldina - 2730-053 Barcarena Número Depósito Legal: 429284/17 Estatuto Editorial: disponível em: http://www.jornal-t.pt/estatuto-editorial/


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n PERGUNTA DO MÊS Texto: António Freitas de Sousa Ilustração: Cristina Sampaio

COMO ESTÁ A CORRER O PROCESSO DE DIGITALIZAÇÃO NA ITV? É uma transformação de longa data da indústria têxtil portuguesa, mas que se viu acelerada ao longo do último ano. A digitalização está hoje presente em todos os elos de ligação da cadeia de fornecimento, desde o desenvolvimento de produto à venda ao público, e num período de crise sanitária, revelou-se até a solução para encurtar as distâncias e manter o contacto com os clientes. As empresas investem continuamente em tecnologias cada vez mais sofisticadas, mas para ser eficaz, a digitalização nos têxteis tem ainda de ultrapassar algumas limitações e tem de ser acompanhada pela capacitação do capital humano

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“Em termos de comunicação para o mercado e apresentação dos produtos, tudo está a desenvolver-se muito rápido”

“Estamos a dar passos concretos para a modelação em 3D. Apresenta desafios interessantes mas também demonstrou que o potencial é enorme”

RICARDO SILVA TINTEX

BRUNO MINEIRO TWINTEX


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“A pandemia teve um papel acelerador, mas não é algo automático nem só a questão da tecnologia, há também o capital humano e a capacidade de gestão da mudança”

“Em termos visuais já há coisas muito bem feitas. Não existem soluções é em termos de tacto, o que é importantíssimo nos têxteis”

“Com as lojas fechadas perceberamse algumas potencialidades do digital, mas está longe de replicar o negócio convencional”

“A pandemia acelerou a necessidade da digitalização. A utilização de ferramentas para diminuir o número de amostras é uma aposta”

RODRIGO SIZA VIEIRA LECTRA

JOÃO CARVALHO FITECOM

ANTÓNIO FALCÃO FALCÃO FIBRAS

PATRÍCIA FERREIRA VALÉRIUS

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digitalização começou pela vida quotidiana, quando deixamos de comprar CD’s e aderimos aos Spotify ou quando começamos a fazer compras e a pagar os impostos online. Hoje tudo passa pelo telemóvel e a indústria não pode passar ao lado disso, é um processo que vai acabar por influenciar todas as tarefas”. A previsão é de Rodrigo Siza Vieira, diretor-geral para Portugal e Espanha da Lectra, uma das gigantes tecnológicas que tem acompanhado o processo de digitalização da produção têxtil. Muitas vezes apelidada de indústria tradicional, a ITV portuguesa tem-se afastado desse imaginário clássico integrando cada vez mais tecnologia e ferramentas digitais nos seus processos de produção. Uma tendência que é de longa data, mas que hoje se torna imperativa e urgente. “Ainda me lembro quando em 1993 instalámos na Fitecom o primeiro sistema CAD de desenho industrial. Creio que foi o primeiro a ser montado em Portugal. Nas feiras internacionais olhavam para aquilo como uma coisa verdadeiramente surrealista”, conta João Carvalho, CEO da Fitecom. Hoje, as novas soluções apontam para a digitalização de todos os processos, desde o desenho à modelação, da produção ao retalho, com a afirmação de um conceito de Fábrica Inteligente, assente em maquinaria cada vez mais próxima da robotização. Os novos equipamentos são dotados de sensores, estão em constante ligação à internet e mostram-se cada vez mais autónomos. A modelação é aperfeiçoada através de tecnologias 3D, as reuniões são realizadas através de plataformas como o Zoom ou o Skype, os desfiles são transmitidos em streaming e o comércio transita para o online, tanto em marketplaces como em lojas próprias. Para a ITV portuguesa, a digitalização é também mais um meio para afirmar as suas apostas com-

petitivas: melhor serviço e mais sustentabilidade. “A digitalização permitirá leadtimes ainda mais curtos, maior diversidade na oferta de produtos e maior capacidade de personalização”, lembra Rodrigo Siza Vieira. “A pandemia acelerou a necessidade da digitalização, tendo por base a sustentabilidade. A utilização de ferramentas para diminuir o número de amostras é uma aposta”, afirma Patrícia Ferreira, CEO da Valérius Hub. “As vantagens futuras em rapidez de resposta justificam o investimento”, acrescenta Bruno Mineiro, administrador da Twintex. Ao longo do último ano, o isolamento das equipas, o teletrabalho e a interrupção do tráfego internacional levaram as empresas a procurar novas ferramentas. “Dentro das empresas existiu um progresso enorme, em termos de novos hábitos para trabalhar e reunir remotamente. Há hoje também um maior acesso remoto à informação da fábrica, o que torna os processos mais eficientes. E em termos de comunicação para o mercado e apresentação dos produtos, tudo está a desenvolver-se muito rápido”, destaca Ricardo Silva, CEO da Tintex. É exatamente no que toca ao contacto com os clientes e na apresentação dos produtos, que muitas empresas registam maiores avanços. “Na Valérius, percebemos que seria muito difícil a venda das coleções sem a presença física. Pensámos então numa solução que iria ajudar a fazer a promoção destas mesmas coleções, o 3D em forma de desfile. O sistema foi muito bem aceite e serviu de base para muitas vendas que foram feitas nessa altura”, relata Patrícia Ferreira. “Apostamos também num sistema de LCA – Life Cycle Assessment que nos permite informar o cliente de toda a traceabilidade do produto desde a origem da rama até que chega às suas mãos, o que permite apurar a pegada ecológica de cada produto”, acrescenta. “Na Twintex, a digitalização está a ser desenvolvida em diversas vertentes. A primeira foi a

apresentação em template digital de acessórios, tecidos, esboços de peças a desenvolver, etc. O que permite ao cliente uma pré-visualização muito próxima do resultado real e conduz a poupanças evidentes de tempo, dinheiro e pegada ecológica”, relata o administrador da Twintex, que tem em mãos um projeto ainda mais recente. “Estamos a dar passos concretos no sentido do desenvolvimento de modelação em 3D. A fase embrionária em que nos encontramos já demostrou que a complexidade do nosso leque de produtos, nomeadamente o blazer, apresenta desafios muito interessantes até chegarmos ao efetivo desenvolvimento de moldes, mas também demonstrou que o potencial é enorme”, esclarece. Na Fitecom, o projeto de digitalização foi também acelerado, sobretudo no que toca ao contacto com os clientes. “Logo em abril, montamos uma sala para apresentações digitais, com um sistema de digitalização e de monotorização das peças. Na altura a reação das pessoas foi ainda conservadora, hoje já há uma adesão maior”, relata João Carvalho. Também na NGS Malhas são dados novos passos no sentido da digitalização. “Estamos a construir um site onde apresentamos todas as qualidades de malhas do nosso catálogo, com um espaço aberto ao público e outro reservado para contactos profissionais. Para o setor têxtil estas tecnologias estão a começar a apresentar resultados, mas ainda é apenas o início”, comenta o CEO Nuno Cunha Silva. A par da aceleração da transição digital, o confinamento expôs também as suas principais limitações. “Com as lojas fechadas, percebeu-se que o digital é uma vantagem competitiva, mas também não é uma solução instantânea, está longe de replicar o negócio convencional. Exemplo disso são as feiras, onde as alternativas digitais ainda não são suficientemente atrativas”, salienta António Falcão, CEO do Grupo Falcão, que atua no mercado como produtor

de fios e de meias e collants. A grande limitação parece ser ainda o toque. “Em termos visuais, com a tecnologia atual já se fazem coisas muito bem feitas. Ainda não existem soluções é em termos de tacto, o que é importantíssimo nos têxteis e é totalmente subjetivo. Por isso é que as apresentações digitais funcionam bem para produtos que os clientes já conhecem, mas não para introduzir uma novidade”, explica João Ferreira. “O toque é sempre insubstituível e o digital não permite absorver esse tipo de conhecimento”, acrescenta António Falcão. Por outro lado, a digitalização exige equipas com formação especializada e uma integração que abranja toda a cadeia produtiva. “Acredito que no futuro o 3D se vai tornar quase obrigatório em alguns setores da confeção, mas por enquanto ainda está longe de ser uma tecnologia massificada. Nas malhas estamos também a estudar novas tecnologias, mas o avanço nesta área ainda não está tão adiantado. E fazer a transição para o digital de todo o desenvolvimento têxtil ainda vai ser um processo demorado”, antecipa o CEO da Tintex, Ricardo Silva. Para Rodrigo Siza Vieira, a ITV portuguesa tem até demonstrado bons níveis de maturidade digital. “Não digo que estamos demasiado atrasados, mas também não posso dizer que estamos no pelotão da frente. Em termos de processos internos há muitos bons exemplos, mas falta ainda uma maior interação entre diferentes agentes na cadeia de valor”. Para o responsável da Lectra, só nessa fase é que se conseguirá perceber o verdadeiro potencial das novas plataformas: “A pandemia teve um papel acelerador, mas não é algo automático, não é só a questão da tecnologia, há também o capital humano e a capacidade de gestão da mudança. O que falta – mas existem já bons exemplos a seguir – é o trabalho colaborativo, entre empresas e entre equipas. E essa transformação vai demorar anos”, conclui. t


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A DOIS CAFÉS & A CONTA Dune Bleue

Rua dos Pavilhões nº 3 4760-443 Cavalões – Vila Nova de Famalicão

Dois cafés e meia dúzia de Pettits Galettes (bolachas) na cantina da Dune Bleue, com as cautelas e distanciamento recomendadas pelas medidas de proteção e combate à Covid-19. Os restaurantes estão fechados e, como tal, interditas também as conversas à mesa

RUI FARIA

Os trapos fazem parte do seu ADN desde que, findo o serviço militar, cruzou os portões da Riopele para o seu primeiro emprego. “Devo tudo a esses seis anos, foi a minha grande faculdade”, diz, agradecido e feliz por ter podido percorrer todas as áreas da produção, o que lhe permitiu perceber ao pormenor como se cozem os fios da têxtil. Com o primeiro casamento, com Rosa Maria, saltou para o agenciamento, antes da aventura de criar uma marca de meias de qualidade diferenciadora. O desafio veio de Albert Pupineau, que lhe foi apresentado por um cliente francês. Mais que sócios, hoje são grandes amigos e a Dune Bleue uma referência mundial para as meias técnicas e moda de segmentos superiores. Para fugir ao cheiro das peúgas, embrenha-se na natureza com os amigos em longos trilhos de BTT, boa parte das vezes escolhidos em função da meta. Ou seja, o restaurante que está no final do percurso

"VENDEMOS MARCA PRÓPRIA, NÃO É QUESTÃO DE PREÇO"

FOTO: RUI APOLINÁRIO

52 ANOS COO E FUNDADOR DA DUNE BLEUE

O arranque não foi a coisa mais fácil, mas hoje Rui Faria pode dizer a plenos pulmões que valeu a pena. A sua marca de meias é referência incontornável quando se trata dos escalões superiores da moda, de produtos de alta performance, técnica e funcional. “No início foi muito difícil, era complicado conseguir uma entrevista, muitas encomendas foram pela persistência”, relembra, para ilustrar a completa mudança que faz com que hoje a Dune Bleue seja procurada por clientes de todo o mundo quando querem produto de grande qualidade e exigência, mas também o prestígio que identifica o têxtil made in Portugal. “Agora, quando dizemos que é Portugal, as pessoas param para nos ouvir”, diz, avançando com exemplos de clientes que vêm das mais diversas geografias para lhes baterem à porta à procura de meias de alta performance. E desfia exemplos como o de um hospital privado dos Emirados Árabes Unidos, que veio à Europa à procura de equipamentos: “Pediram a uma consultora francesa um estudo sobre produtores e vieram-nos bater à porta. Já os fornecemos há mais de cinco anos”. Mas não é caso único. Também uma empresa de turismo da Noruega à procura de meias para temperaturas abaixo de

20 graus negativos; outra a pedir o desenvolvimento de meias especificas para o trabalho nas plataformas de extração de petróleo; para condutores de tratores; ou uma linha para militares que é hoje usada pela polícia francesa. “Pediram-nos também umas para o exército de Israel, que resistissem ao odor durante uma semana. Desenvolvemos a meia e os testes provaram que eram capazes de resistir durante 12 dias e com calor extremo, mas acabamos por não fornecer porque acharam o preço muito alto”, conta, enquanto mostra as cerca de 300 referências que acumula no showroom da empresa. E o preço é, de facto, uma questão central na Dune Bleue. “O que vendemos é uma marca própria, temos um produto de nicho, não de massas, e os nossos retalhistas têm que aceitar um preço de referência para não haver distorções de mercado”, explica. Na Europa, um par de meias da Dune Bleue pode custar entre 25 e 99 euros, e “em muitos mercados as pessoas já exigem a marca sem olhar ao preço”, orgulha-se Rui Faria. Mas é claro que estão também na luta do preço. Já não com produto made in Portugal, mas na China ou Turquia. “Os

chineses, principalmente, adaptam-se muito rápido à evolução tecnológica”, relata, e por isso é preciso desenvolver constantemente novos produtos, cada vez mais técnicos e inovadores. Foi nisso que aproveitaram para investir em 2020, com a acalmia na atividade e uma quebra de 20%, resultante sobretudo dos bloqueios no destino com os confinamentos. Novos produtos com certificações de sustentabilidade – “dificílimas de obter” -, à base de algodão orgânico, fibras de cânhamo, ou materiais 77% recicláveis, que em breve serão lançados no mercado. Meias de grande conforto, sem costuras, resistentes e duráveis, que a Dune Bleue cria e desenvolve com uma equipa coesa de nove pessoas, a maioria com licenciatura, que vende um pouco por toda a Europa – “exceto Espanha e Itália, que procuram preço” –, mas também de Israel e Quatar aos EUA e Canadá. E porquê Dune Bleue? “Em 2005, quando lançamos a marca, a grande moda era a linha e cores de marinheiro. Daí a imagem da duna e a barraquinha de praia, num estilo muito francês”, conta Rui, que faz questão de frisar a importância do conhecimento técnico que trouxe dos seis anos de trabalho na Riopele. t


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COTEC CRIA RATING PARA AVALIAR INOVAÇÃO NAS EMPRESAS A COTEC, associação empresarial para a inovação liderada por Isabel Furtado, CEO da TMG Automotive, vai lançar um rating para avaliar a inovação das empresas e medir a sua tradução em crescimento e rentabilidade, a que chamou ‘Estatuto Inovadora’. O rating pretende ser uma fonte segura de informação, o que permitirá uma avaliação do risco de crédito mais assertiva tendo por base métricas utilizadas pelas instituições financeiras para avaliar referenciais de inovação, como a intensidade de investigação e desenvolvimento (I&D) e a exposição à propriedade intelectual.

"O mundo é global e não podemos viver somente do mercado do retalho" Teresa Marques Pereira CEO da Concreto

NÃO NOS VAMOS PODER ABRAÇAR NO MODTISSIMO 57

GIO RODRIGUES APRESENTA NOVA COLECÇÃO PARA NOIVAS

FARDYLOR QUER EXPLORAR OS MERCADOS INTERNACIONAIS

O dia não podia ser mais apropriado para a apresentação da coleção 2021 para noivas de Gio Rodrigues, que conta com propostas arrojadas para a próxima temporada de casamentos. O designer português escolheu o Dia dos Namorados para o desfile inaugural da coleção Bridal, que teve lugar na quinta da Torre Bella, em Vila Nova de Gaia, sem público, mas transmitido via streaming.

Com mais de 20 anos de existência, a Fardylor, confeção especializada em workwear, quer abrir novos canais, sendo França e a Espanha os mercados preferenciais. “Acreditamos que chegou o momento de investir no processo de internacionalização. O nosso objetivo era começar a participar em feiras internacionais em 2020, mas a pandemia fez-nos adiar os planos”, diz a diretora comercial, Susana Cardoso.

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foi o número de visitantes registados na edição digital da Denim Première Vision A organização do MODtissimo avança com uma alternativa digital a já está a planear o reencontro para o próximo semestre

António Moreira Gonçalves

Porque a saúde é a prioridade de todos, e os números da pandemia na Europa são ainda críticos, a organização do MODtissimo não vai realizar a próxima edição no formato presencial. “Por muito que nos custe, não vão deixar-nos dar aquele abraço habitual previsto para os dias 10 e 11 de Março no Edifício da Alfândega do Porto”, declara Manuel Serrão, CEO da Associação Selectiva Moda. A organização avança com uma alternativa

digital para manter a proximidade do setor e a planear o reencontro para o próximo semestre. Este é um momento inédito para o maior e mais relevante evento têxtil português, que ao longo dos últimos 28 anos sempre se realizou em formato presencial, reunindo toda a fileira têxtil nacional, numa montra conjunta dirigida a compradores nacionais e internacionais. “Pela primeira vez não vamos poder realizar o MODtissimo, presencial, como sempre foi. Que seja para o bem da saúde de todos”, apela Manuel Serrão. Depois de setembro ter provado

a possibilidade do evento se realizar no contexto pandémico, com os salões da Alfândega do Porto – um edifício com certificação Covid Safe – a garantirem as condições necessárias para um MODtissimo em segurança, a organização manteve a esperança até ao último momento. “Fomos mantendo a esperança e adiando a decisão para o mais tarde possível. Agora, a menos de um mês do arranque do MODtissimo 57, somos obrigados a reconhecer que não existem condições legais para mantermos a próxima edição igual às anteriores”, afirma o CEO da Associação Selectiva Moda. t

FROM PORTUGAL REFORÇA LAÇOS COM O MARKEPLACE FOURSOURCE A plataforma From Portugal reforça a aposta em soluções digitais para as empresas portuguesas que queiram contactar novos clientes além-fronteiras. Para além das versões digitais dos principais eventos europeus, também o marketplace digital Foursource oferece um conjunto de serviços às empresas nacionais. Especializado na indústria têxtil e moda, o Foursource intitula-se como “a maior plataforma de sourcing B2B do mundo”, está exclusivamente vocacionada para profissionais do setor e fechou 2020 com mais de 70 mil inscritos e um catálogo de produtos que ultrapassa as 260 mil amostras. As empresas interessadas em participar podem contactar a Associação Selectiva Moda, entidade responsável pelo projeto From Portugal.


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CABINE QUE DESATIVA O VÍRUS NO VESTUÁRIO JÁ ESTÁ NO MERCADO

TÊXTIL PEDE JUSTIÇA NOS APOIOS E REGRESSO DO LAY-OFF SIMPLIFICADO Cerca de um terço das empresas registam quebras entre os 10 e 25% e não têm, por isso, acesso ao apoio à reforma progressiva, enquanto um universo de 65% contabiliza perdas de faturação acima dos 10%. Os dados são do mais recente inquérito da ATP, que conclui serem urgentes mais apoios para o setor e a reintrodução do regime de lay-off simplificado. Em comunicado, a ATP regista que “uma das reivindicações das empresas do setor é que as medidas de apoio sejam alteradas no sentido de abrangerem mais empresas”, devendo “o apoio à retoma progressiva ser possível a partir de quebras iguais ou superiores a 15%”.

"As marcas não procuram tecido nem malha, procuram a peça acabada que é o que vendem" Rita Ribeiro CEO da TMG Textiles

Para além de inativar o vírus, era necessário garantir também que a máquina mantivesse a integridade dos materiais têxteis

Chama-se PHYS e é o resultado de uma parceria entre a fabricante MTEX NS, o CITEVE e a Universidade Católica. A cabine que inactiva o SARS-CoV-2 em peças de vestuário, calçado e objetos já está a ser comercializada e a par da sua utilidade imediata, as três entidades envolvidas destacam o seu potencial muito para além do combate à Covid-19. Um passo importante e decisivo para que no curto prazo todos os EPI (Equipamentos de Proteção Individual) passem a ser reutilizáveis, um enorme avanço do ponto de vista ambiental mas também em redução de custos no setor da saúde. Foi a partir do CITEVE, com transmissão online e ligação à Faculdade de Biotecnologia da Universidade Católica, que os tês promotores apresentaram o desenvolvimento do projeto. A ideia partiu da necessidade de encontrar tecnologias sustentáveis de desinfeção de produtos têxteis para inactivar vírus, fungos e bactérias nos produtos têxteis. A par da óbvia necessidade, o Diretor Geral do CITEVE, Braz Costa, frisou também a importância de envolver no cluster têxtil os fabricantes de bens e equipamentos. Sendo a MTEX NS uma especialista em tecnologias de impressão digital para têxteis que se empenhou em avançar com soluções no combate à Covid-19, à capacidade industrial da empresa o centro de investigação juntou o conhecimento

em materiais têxteis. A solução não passava apenas por desactivar o vírus, era ainda necessário garantir que os tratamentos não atacam os materiais têxteis, o que fez com que a parceria envolvesse também a Universidade Católica (UC). O processo envolveu também a Salsa – tal como o CITEVE e a MTEX NS, também localizada em Famalicão – e ainda a Academia do FC Famalicão, que instalaram as cabines de desativação do vírus, onde os resultados foram sendo monitorizados. “Foi a partir da experiência com a cabine que a Salsa instalou na loja de Santa Catarina, no Porto, que decidimos alargar os testes a metais e plásticos que entram no vestuário, como é o caso dos botões”, adiantou O CEO da MTEX, Elói Ferreira. O líder da empresa adiantou que depois de validada e comprovada a sua eficácia na desativação do SARS-CoV-2, a PHYS está no mercado desde finais de dezembro. Além de várias redes e colégios privados em Espanha onde foi instalada, a PHYS vai também fazer parte dos equipamentos do Museu Guggenheim de Bilbau, que já garantiu a respetiva encomenda. A inovação já está patenteada, custará à volta de 12.500€ e é um produto único. “Não detetamos no mercado nenhum produto com estas características e capacidade”, disse Elói Ferreira questionado sobre o assunto. t

O CATÁLOGO VERDE QUE A LEMAR VAI APRESENTAR NA PV A Lemar apresentou na Première Vision Digital um novo catálogo de tecidos sustentáveis para várias áreas do vestuário, desde o swimwear à camisaria. Produzidos a partir de poliéster reciclado, viscose sustentável e poliamida reciclada e biodegradável, os tecidos têm a certificação ambiental atribuída pelos fornecedores. “Estamos a trabalhar muito estas fibras, desde fios de poliéster reciclado de fornecedores europeus, como a Seaquall e a Newlife, à poliamida biodegradável Amni Soul Eco ou a viscose sustentável da Lenzing. Temos cerca de 25 novas referências a partir destas fibras”, disse Flávio Dias, export manager da empresa.

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é a meta fixada pela Tintex para a redução no consumo de água

FORMANDA DO MODATEX FAZ ESTÁGIO NA VOGUE PORTUGAL

AUTORIDADES MANTÊM DIRETIVAS SOBRE MÁSCARAS CERTIFICADAS Tanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) como o Centro Europeu para Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC) ou a nossa Direção Geral de Saúde (DGS) mantêm a confiança no uso de máscaras sociais, desde que devidamente certificadas. Não existem alterações no modo de transmissão e por isso não há, neste momento, necessidade de mudar as recomendações, diz a OMS.

Apesar de França, Áustria e Alemanha terem determinado que em ambientes de grande concentração de pessoas passa a ser exigido o uso de máscaras cirúrgicas ou das FFP2, com um mínimo de 90% de filtragem, tanto as autoridades de saúde como os mais diversos especialistas são de opinião de que não há, por enquanto, evidências que justifiquem essas alterações. E

apontam até contra-indicações. Além disso, também as máscaras em tecido podem garantir níveis de filtração acima dos 90%, “o que é preciso é separar as máscaras têxteis não testadas das certificadas e levar em consideração o tipo de proteção para que cada modelo está previsto”, como disse ao T o presidente da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, Mário Jorge Machado. t

Como fase final do curso de Design de Moda do MODATEX Lisboa, Helena Almeida está a realizar um estágio no departamento de moda da revista VOGUE Portugal. No âmbito deste estágio, a ex-formanda do centro de formação já participou em dois editoriais como assistente de styling: um para a revista Vogue e outro para a revista GQ. Antes do curso de Design de Moda, Helena Almeida finalizou também o curso de Modelista de Vestuário no MODATEX do Porto.


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www.modtissimo.com


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LOUROPEL: MAIOR FABRICANTE MUNDIAL DE BOTÕES AMPLIA INSTALAÇÕES Produz à volta de 12 milhões de unidades por dia e não tem parado de crescer. Os Botões Ecológicos Biodegradáveis são a imagem da aposta na inovação e sustentabilidade da Louropel, que nos últimos anos investiu 50 milhões em projetos de modernização e avança agora para uma ampliação das suas instalações. A empresa que chega agora aos 55 anos exporta mais de 85% daquilo que produz, fornecendo os maiores símbolos da moda mundial, como Hugo Boss, Ralph Lauren, Armani, Valentino, Kenzo ou Massimo Dutti.

"Já mostramos o que sabemos fazer para produzir tudo o que os hospitais precisam"

MEDITERRANO GREEN, A COR OFICIAL DA DECENIO

Os Loubotin são conhecidos pelo vermelho-vivo, a Burberry pelo padrão tartan e agora a Decenio quer deixar o seu cunho com o Mediterrano Green, uma cor que fará parte de todas as coleções da marca portuguesa de moda. Um verde azulado que segundo a marca resulta da fusão entre o azul da água e o verde das oliveiras da paisagem. Através desta nova cor corporativa – que se estreia na coleção primavera-verão 2021 – a Decenio reforça a sua proximidade com o espírito mediterrânico. t

SAMPEDRO CHEGA AOS 100 ANOS COM VONTADE DE CRESCER O ano de 2021 é uma data especial para a Sampedro: a marca atinge o marco histórico de um século de existência, que sucede um ano difícil mas que foi ultrapassado com êxito: registou um crescimento homólogo do volume de negócios de 16,7% em 2020, aumentou as exportações (89%) e assistiu a um crescimento das vendas nos têxteis de cama (85% das vendas), mas sem descurar os artigos de banho (10%) e de mesa (5%). “Somos uma empresa com capacidade de investimento e com uma sólida posição nos mercados internacionais. Exportamos atualmente para 36 países, geramos negócio e riqueza para o país, privilegiamos o pequeno cliente e a venda personalizada em detrimento da venda em massa, somos uma empresa que cria e valoriza o emprego”, refere Simão Gomes, presidente da administração da Sampedro. Fundada em 1921, em Guimarães, a Sampedro é uma empresa familiar 100% portuguesa, com mais de 160 colaboradores e que chega agora ao termo da primeira fase de um plano estratégico de

investimentos na reestruturação, inovação e modernização que ascende aos 15 milhões de euros. Para Simão Gomes, o processo de modernização do parque tecnológico industrial tem de ser contínuo, por isso “queremos melhorar ainda mais as condições de trabalho de todos os colaboradores, aumentar a capacidade produtiva instalada, incrementar a eficiência e flexibilidade dos seus processos. Investir em novas unidades produtivas cujos serviços estão a subcontratar ao exterior e investir em modelos globais de recuperações e racionalização energéticas que tornem a empresa autossuficiente”. Outro dos projetos para um futuro a curto prazo é o investimento e exploração das suas compe-tências de I&D no desenvolvimento de novos padrões e das potencialidades das novas tecnologias recentemente adquiridas, introduzindo em novos mercados produtos diferenciadores e atrativos. O reforço da sua imagem enquanto empresa global e a divulgação da marca Sampedro junto do público-alvo e dos mercados (atuais e potenciais), serão fundamentais para atingir estes objetivos. t

José Armindo Ferraz CEO da Inarbel

BLOOMATI MOSTROU NA ISPO NOVOS ACABAMENTOS TECNOLÓGICOS Especializada no setor das malhas, a Bloomati apresentou na ISPO um novo catálogo de acabamentos têxteis, orientados para o sportswear e para vários setores da moda. “Vários acabamentos muito ligados ao desporto, como o repelente à água, o antibacteriano, a proteção UV e o regulador de temperatura, entre outros”, explicou Alice Sampaio, responsável de marketing pela marca Bloomati, que pertence à têxtil Carvema. A empresa tem feito do setor do desporto uma das suas prioridades, marcando presença na ISPO desde 2019.

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dos produtos falsificados provêm da China e Hong Kong, segundo serviço de Alfândega e Proteção das Fronteiras dos EUA

SANJO E BUREL JUNTAM-SE PARA LANÇAR LINHA DE SAPATILHAS

150 MILHÕES PARA PROJETOS SUSTENTÁVEIS NO SETOR MODA O têxtil e vestuário é um dos três setores-chave incluídos nos projetos de bioeconomia definidos pelo Governo, que vão contar com uma verba de 150 milhões de euros no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência. “Uma oportunidade única para o setor da moda”, diz o ministro do Ambiente. O objetivo central é que as empresas passem a produzir com menor consumo de recur-

sos, designadamente de água, e recorrendo cada vez mais a matérias-primas recicladas. E que, no fim do período de vida útil, serão reincorporadas no processo produtivo, explicou o ministro Matos Fernandes, durante o ciclo de seminários promovidos pelo centro tecnológico do calçado. A par do têxtil e vestuário, calçado e resinas são os outros setores abrangidos pelo programa. Destacando que “há já mui-

to trabalho feito” pelas empresas em matéria ambiental, o governante frisou que há também ainda muito a fazer, apontando para a criação de novos materiais, novos modelos de reciclagem pós e pré-consumo, no eco-design e na sensibilização do consumidor. “Estou convencido que temos à nossa frente uma oportunidade única para o setor da moda”, disse ainda o governante. t

A Sanjo, marca de calçado desportivo 100% portuguesa, uniu-se à Burel Mountain Originals para criar uma coleção de sapatilhas perfeitas para o inverno: quentes e resistentes à água através da utilização do burel. Nascido e criado no alto da Serra da Estrela, em Manteigas, o burel é o tecido de lã mais tradicional na indústria de lanifícios e passa agora a fazer parte da construção das Sanjo, num modelo resistente à água e em 100% lã natural. As sapatilhas podem ser encontradas em tons de lilás, cinzento, bege e verde seco.


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O que faz? Elásticos, passamanarias, cordões e fitas, com produção vertical da urdissagem aos acabamentos Fundação 1974 Produção Cerca de cinco milhões de metros por mês Plantel 61 funcionários Instalações 6 mil m2 de área coberta Volume de negócios Cerca de 4 milhões de euros em 2019

LECTRA PREPARA-SE PARA ADQUIRIR A GERBER TECHNOLOGY A Lectra acaba de anunciar que assinou um memorando de entendimento para a aquisição da totalidade do capital da norte-americana Gerber Technology, por um valor próximo dos 180 milhões de euros. Se o negócio se realizar – está dependente da autoridade europeia da concorrência – irá juntar uma das maiores empresas europeias da indústria 4.0 nos setores da moda e do design ao grupo norte-americano especializado em software integrado e soluções de hardware automatizadas.

"A indústria 4.0 é crucial para a agilidade e flexibilidade do serviço ao cliente" Paulo Melo Presidente da Somelos

TROFICOLOR APAGA AS 65 VELAS COM OS OLHOS NA SUSTENTABILIDADE Com orgulho no percurso e nos valores que a definem, a Troficolor acaba de assinalar os seus 65 anos. Sem festas, que a ocasião não é a mais apropriada, mas sem prescindir do simbolismo do bolo e o conforto da equipa de colaboradores. Entretanto, tem já em apresentação na sua plataforma B2B coleção primavera-verão 2022, apoiada nos conceitos de sustentabilidade e intemporalidade. A especialista em denim reforça com a nova coleção a sua oferta ecológica, com variedade e tecidos de diferentes tipologias. A par da plataforma virtual e de uma equipa comercial que interage com os clientes, a Troficolor está a proporcionar também aos seus clientes visitas agendadas ao seu amplo showroom, com mais de 5 mil m2, com as necessárias precauções e respeito pelas normas sanitárias.

Da moda à relojoaria, a Lunartex está em todo o lado Começou de forma quase artesanal, com três trabalhadores e quatro máquinas onde produziam elásticos básicos para clientes locais, mas a Lunartex é hoje uma referência que ultrapassa fronteiras no mundo da moda, graças sobretudo às fitas elásticas, cordões e aplicações que desenvolve para lingerie, sportswear e swimwear. E até relojoaria, produzindo braceletes para conhecidas marcas. No ano passado, com a ITV a voltar-se para o fabrico de EPI, a empresa rapidamente se adaptou às novas exigência e acabou por quase duplicar a faturação, mas a vontade é de voltar ao ritmo pré-Covid e avançar à conquista do mercado Americano, que era a meta traçada para 2020. “Foi um ano bom em números mas muito desgastante e que preferia não repetir”, concede a diretora-geral Lara Ribeiro, que se ocupa da gestão da Lunartex e é um dos rostos da segunda geração à frente da empresa. O outro é o cunhado, Márcio Ferreira, mais dedicado à área da produção. E embora tenha nascido em 1974, em Viana do Castelo, a história da empresa só começa verdadeiramente em 1990, quando António Ribeiro, o pai de Lara, a comprou e trouxe para Guimarães, onde sempre se tinha empregado na área dos elásticos. Um resgate que consistiu na mudança das quatro máquinas e dos três trabalhadores para a nova vida junto à cidade-berço. Um armazém de 500m2, com produção crescente e ancorada no fornecimento às confeções locais. Por ali cresceu Lara, sempre atenta à evolução do negócio, tanto que quando chegou a hora da faculdade não hesitou

na aposta em Economia, com especialização em Economia Industrial. A aposta no design, rapidez de entrega e perfecionismo técnico rapidamente dotaram a empresa de uma capacidade e qualidade que atrai grandes marcas de moda. E que é reforçada com a presença em feiras como a Interfiliere, ISPO ou Techtextil Frankfurt. Avançou também a expansão da capacidade: até 2012 as instalações crescem para 3 mil m2 de área, triplica o parque de máquinas e duplica o número de funcionários. Hoje são já 6 mil m2 de área coberta, um plantel de 61 funcionários e uma produção média a rondar os cinco milhões de metros por mês. “No ano passado, com os EPI, chegou aos 18 milhões, mas o que queremos é voltar ao ritmo de crescimento de 2019”, explica a diretora-geral. Um ritmo que trouxe a Lunartex do milhão de euros faturados em 2012 até aos quatro milhões de 2019. Sustentados em boa parte no crescimento das exportações - perto de 50% da produção - direcionadas sobretudo para Itália, França e Espanha. E também para a Tunísia, mas de forma indireta, já que é aí que está a produção de boa parte dos seus clientes. Antes da chegada da Covid-19, os planos para 2020 passavam por dar o salto para os mercados dos EUA e Canadá. A incerteza e as dificuldades da pandemia até trouxeram bons resultados financeiros e novas oportunidades – “no futuro, o setor da saúde pode vir a representar 10% a 20%” – mas o que Lara Ribeiro anseia mesmo é retomar o ritmo de 2019. E dar execução ao plano de entrada nos EUA, tal como estava previsto.t

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das exportações têxteis da Tunísia são para a Europa

INDEXCITY PROTEGE-NOS TAMBÉM COM TAPETES E SPRAYS

A Indexcity Safe & Clean, empresa do grupo Regojo unicamente dedicada à produção de produtos de combate e proteção contra a Covid-19, acaba de lançar uma gama de produtos que promete proteger da cabeça aos pés. A Go2 Mask com proteção nível 2, mas também um spray desinfetante e um tapete para desinfeção de calçado, o SafeCarpet, que devido à incorporação de nanotecnologia e iões de prata permite desinfetar o calçado a seco e em breves segundos, sem utilizar produtos químicos ou deixar qualquer vestígio.


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ZIPPY REFORÇA APOSTA EM ÁFRICA E MÉDIO ORIENTE

A FASHION FORWARD Por: Teresa Pereira

Materiais que vão vestir a estação primavera/verão 22 As empresas portuguesas que participaram na Première Vision PARIS DIGITAL SHOW apresentaram nas suas coleções de primavera/verão 22, numa nova dinâmica onde a criatividade, a inovação e a responsabilidade ambiental se associaram para uma mostra de diferentes produtos: os fios, os tecidos, as malhas e a estamparia, que se destacam nesta estação com a originalidade do saber fazer. Estas propostas ambientalmente responsáveis, com a utilização de fibras naturais, orgânicas, bionaturais, recicladas, biodegradáveis e sintéticas recicladas, proporcionaram uma sofisticação contemporânea às coleções das empresas portuguesas, com novos produtos criativos, inovadores, envolventes e que enriqueceram os materiais para vestir a estação de primavera/verão 22. Tecidos e malhas com coloridos monocromáticos, alegres e reconfortantes de aspeto plano, mas também os falsos lisos com utilização de fios crêpe, fios flammés e os mouliné de verão. As bases de tecidos e malhas foram

também animadas por construções ondulatórias, com efeitos seersucker e com relevos aleatórios, e ainda as irregularidades conseguidas por fibras vegetais como o algodão e o algodão certificado, reciclado ou orgânico; nas irregularidades naturais as misturas, com o linho e o cânhamo, com toques subtilmente ásperos para as qualidades mais ecológicas. Nas versões leves e fluídas com aspeto mais sofisticado, as misturas com a seda e aspetos, a viscose sustentável e a fibra kapok, cujo impacto ecológico é igual a zero. Nos lanifícios, as lãs frescas de verão e as misturas com o algodão e a seda. Para as irregularidades naturais, misturas com linho suavizado por acabamentos elaborados. Na camisaria, um registo de verão com estruturas piqués, nattés, dobbys, bem como as riscas, riscas gráficas e alegres e os quadrados calorosos e otimistas. O denim sustentável utiliza composições singelas ou em mistura de fibras de algodão, algodão orgânico, linho e cânha-

mo, assim como misturas com fibras sintéticas e ecológicas com aspeto sofisticado, não perdendo o seu ADN autêntico. De salientar também os materiais sintéticos com certificados responsáveis e amigos do ambiente, com elevada densidade e resistência e sem espessura, com aspeto plano ou com estruturas como o ripstop e animados por riscas. Estes materiais foram ainda enobrecidos por acabamentos com performance sustentável, garantindo assim o equilíbrio entre sofisticação e casualidade. Na estamparia, salienta-se a utilização de fibras ambientalmente responsáveis com uma sofisticação contemporânea para aparências sedosas, e para aspetos naturais as fibras de algodão, o algodão orgânico e o linho. Os coloridos monocromáticos e coloridos que transpõem livremente a natureza num universo de flores e folhas ou em metamorfose com animais figurativos, numa referência mais surpreendente e excêntrica de uma natureza que se torna desejável e sedutora. t

Depois da entrada na Argélia e do reforço da presença na Arábia Saudita e na Arménia, a Zippy olha agora para as Maurícias e Mauritânia com o objetivo de reforçar a aposta no Médio Oriente e Norte de África. Quanto ao mercado interno, a estratégia está no e-commerce. “Temos um plano de remodelação de lojas a cinco anos na Arábia Saudita, com previsão de abertura no Médio Oriente e Norte de África, nomeadamente Maurícias e Mauritânia”, disse a administradora da marca, Joana Ribeiro da Silva.

LUXO EM SEGUNDA MÃO REPRESENTA 41 MIL MILHÕES POR ANO No início de 2020, as vendas de artigos de luxo em segunda mão estavam a crescer três vezes mais rápido que o mercado de moda primário, afirmando-se como uma tendência que veio para ficar. A poupança, a sustentabilidade e circularidade são alguns dos fatores que mais pesam na hora de comprar, e as projeções apontam para que, até 2023, este mercado vá duplicar o seu volume de negócios, atingindo os 41 mil milhões de euros.

LMA MOSTRA NOVO POLIÉSTER BIODEGRADÁVEL A LMA está a desenvolver uma inovadora série de malhas com uma nova fibra em poliéster biodegradável, que deu a conhecer na edição digital da Prèmiere Vision e que promete ser decisiva na procura da sustentabilidade. “Se o poliéster convencional se decompõe em 300 anos, este decompõe-se em apenas três anos”, explica Luís Sousa Dias, gestor comercial da empresa, sobre esta nova malha, que até já foi selecionada pelo projeto Green Circle.


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ONLINE E GERAÇÃO Z NA NOVA COLEÇÃO MASCULINA DA D&G Das redes sociais para a passerelle digital. A nova coleção masculina da Dolce & Gabbana é inspirada na geração do TikTok, foi apresentada em parceria com a Farfetch e promete romper estereótipos. Lantejoulas, tons metálicos e casacos de malha coloridos marcam a nova coleção de homem F/W 21-22, onde o vestuário formal em tons sóbrios contrastaM com a espontaneidade do brilho prateado e dos estampados em padrões irreverentes.

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"Tudo o que seja têxtil que vemos nos nossos carros, nós fazemos ou podemos fazer" Rui Lopes CEO da TrimNW

FAMALICÃO NO PÓDIO DAS EXPORTAÇÕES NACIONAIS Com mais de dois mil milhões de euros em volume de exportações, o município de Famalicão é o mais exportador da região Norte e o terceiro a nível nacional. Com forte peso da indústria transformadora, onde se destaca o têxtil e vestuário, o concelho acolhe mais de 15 mil empresas, com um volume de negócios na ordem dos cinco mil milhões de euros. Uma nota da câmara municipal refere que “a edição 2020 do Anuário Estatístico da Região Norte, editado pelo INE, confirma a posição de Vila Nova de Famalicão ao nível do comércio externo do país, mostrando ainda um saldo da balança comercial muito positivo, com as exportações a valerem praticamente o dobro das importações”.

SEDE DA POLOPIQUÉ GANHA PRÉMIO DE ARQUITECTURA

GOLFINHO SPORTS QUER CONQUISTAR NOVOS MERCADOS

A adaptação das construções em pedra da antiga Quinta de Vilar para acolher a sede da Polopiqué foi premiada pela revista inglesa APR, que anualmente avalia projetos de todo o mundo. Distinguido com o segundo prémio na categoria Urban Design & Arquitectural Design, o projeto do gabinete FGAR – Arquitetura, de Guimarães, aproveitou os antigos edifícios de habitação e anexos destinados à lavoura, unindo-os entre si e transformando-os em modernas e depuradas estruturas que acolhem as várias áreas da sede do grupo industrial, que é um dos líderes do têxtil e vestuário. A memória descritiva do projeto destaca que a casa e demais construções, edificadas em meados da década de 40 e início de 50, continuam a contrastar acentuadamente na sua envolvente pelo seu desenho depurado e austero e pela sua imagem rural inserida num contexto industrial. Naquele que era o edifício habitacional localiza-se a recepção, enquanto o edifício administrativo, num piso superior, está na antiga adega. O piso inferior é constituído por duas áreas distintas:

A Golfinho Sport, a marca portuguesa de artigos para o meio aquático, está a apostar na expansão para novos mercados e prepara-se para duplicar a sua capacidade de produção – numa altura em que as exportações representam já quase 50% das vendas. Com clientes em 30 países, distribuídos pela Europa, África e Médio Oriente, a especialista em artigos de natação, treino aquático, aquafitness, reabilitação, polo aquático, material de salvamento, equipamento de competição e instalações desportivas acabou de se estrear nas feiras digitais ao participar na ISPO Munich, que teve lugar entre 1 e 5 de fevereiro, com o objetivo de aumentar a carteira de clientes no mercado europeu. “Numa altura em que nos preparamos para duplicar o nosso espaço e capacidade de produção de forma a melhorar a capacidade de resposta, procuramos também a expansão para novos países e mercados. Atualmente a grande aposta é o continente europeu, de forma a consagrar a implementação da marca, mas estamos sempre disponíveis para encontrar novos clientes em novos mercados”, admite Nuno Arcanjo, CEO da marca portuguesa. Ciente de que “a presença física é, sem dúvida, uma forma de interação mais próxima com aqueles que nos visitam”, Nuno Arcanjo, que participa em feiras internacionais desde 2013, acredita, no entanto, que participação na versão digital da ISPO Munich trará frutos. “Pudemos receber um maior número de visitantes, pois qualquer pessoa ligada e/ou com interesse pôde estar presente. Não estando circunscritos pelo espaço e por outras condicionantes físicas, tivemos a oportunidade de mostrar uma maior variedade produtos”, considera. t

Os edifícios de habitação e lavoura, agora modernas estruturas, acolhem as várias áreas da sede do grupo

uma que se desenvolve em open space como zona de trabalho para colaboradores e outra que se apresenta como um espaço polivalente e para apresentação de produtos. É a nascente do piso superior da recepção que está o edifício comercial, na antiga corte dos animais, organizado em três áreas de trabalho em open space e vocacionado para a equipa de comerciais e de

designers. Já o piso inferior divide-se igualmente em três áreas de trabalho direcionadas para o desenvolvimento do produto, três salas de reuniões de atendimento a fornecedores e três salas de reuniões para clientes. Existe ainda um pátio exterior ajardinado e uma área pensada o para o momento de pausa dos colaboradores, no antigo espigueiro. t

RILEY, A PREMIADA MARCA AMERICANA 100% MADE IN PORTUGAL António Moreira Gonçalves

Lançada em Nova York há apenas dois anos e meio, a Riley é uma marca de têxteis-lar que tenta distinguir-se por uma razão: todos os seus produtos são fabricados em Portugal. Um argumento que a marca orgulhosamente destaca em toda a sua comunicação e que, segundo a CEO Sarah Abitbol, não passa despercebido aos con-

sumidores. E até já valeu à Riley distinções de publicações como o New York Times e a Revista GQ. “Portugal é o sitio para estar no que toca ao sourcing de têxteis-lar”, explica a CEO, que quando decidiu criar a Riley apontou logo a bússola para Portugal. “Desde o início percebemos que Portugal trazia um valor acrescentado, pela sua longa tradição e história em relação aos têxteis-lar. Em Portugal encontramos fornecedores que respondem aos nossos

três principais critérios: qualidade, design e sustentabilidade”, explica Sarah Abitbol. O suplemento Wirecutter, do New York Times, já atribuiu os prémios de melhor escolha às mantas e aos lençóis da marca. No caso destes últimos, a Riley venceu inclusive por dois anos consecutivos o Award Best Cotton Sheets. Também a revista GQ incluiu os lençóis e as toalhas de SPA nas suas seleções de melhores escolhas no mercado, os The Best Stuff Award. t


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"SOMOS UMA EMPRESA VOCACIONADA PARA OS TÊXTEIS TÉCNICOS"

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n ENTREVISTA Por: António Freitas de Sousa

Orlando Miranda 62 anos, é um dos responsáveis da Olmac e responde pela segunda geração, depois de o pai, Olímpio Miranda, ter sido o fundador. O capital está dividido entre os pais, que continuam maioritários, e Orlando e os seus dois irmãos – que assumem posições paritárias. Com a quase totalidade dos produtos a rumarem para o estrangeiro, a Olmac tem na Escandinávia – mais concretamente na Suécia –, Suíça e Áustria os seus principais mercados. A pandemia não afetou a empresa como sucedeu com outras do setor, mas Orlando Miranda assume que não está optimista em relação à retoma. Quando muito, diz, deverá suceder em setembro ou outubro e nunca antes. É que não chega desconfinar: será preciso que todos os negócios entrem em atividade, a começar pelo consumo – e só depois disso chegará a vez da indústria

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udo indicava que o exercício de 2020 iria ser extremamente positivo. Por razões sobejamente conhecidas, não foi. Mas a empresa, com capitais suficientemente sólidos para fazer face aos piores cenários, não só resistiu, como acabou por sentir apenas uma quebra que chegou a prever bem maior. Como correu o ano de 2020? Atendendo à conjuntura em que estamos, não posso dizer que tenha sido mau. Mas não foi aquilo de que estaríamos à espera, que perspetivávamos, no início do ano de 2020. Houve uma quebra na ordem dos 13% a 14% do volume de negócios, para valores próximos dos 10 milhões de euros. Nos melhores anos chegamos aos 13 milhões. Uma quebra menor que a que o setor antecipa por estes dias? Sim. Talvez atendendo à variedade de produtos e ao leque de clientes que temos, fomos aguentando – até porque temos uma boa saúde financeira. Mas notou-se da parte dos clientes um querer reduzir, um passar para mais tarde as entregas, a solicitação de prazos de pagamento mais dilatados, o que no nosso caso felizmente não foi um problema, mas acredito que noutras empresas possa ser um problema muito grande. É preciso capital. Tiveram que fazer ajustamentos para responder ao estranho mercado de 2020? Nós subcontratamos cerca

de 90% da nossa produção. Obviamente, tivemos que nos reajustar. Aqueles que são mais fiéis e que estão sempre disponíveis, que são praticamente nossos subcontratados a 100%, sentimos a obrigação de os manter no ativo. Os que são mais esporádicos foram desativados, porque eram situações pontuais que tiveram de ser reduzidas. A produção continuou quase toda virada para as exportações? Sim. Neste momento poderei dizer que exportamos 98% da produção. Em Portugal são situações muito pontuais. Uma parte do setor divergiu para a produção de equipamentos de proteção individual e de máscaras. Tiveram de fazer o mesmo? Sentimo-nos como que deslocados da realidade: em março, abril, houve um boom em que todas as empresas passaram a fazer máscaras e EPI. Nós nunca fizemos EPI, fizemos máscaras – temos aí máscaras em stock porque, quando arrancámos o mercado estava praticamente cheio. Tivemos atrasos muito grandes na certificação das máscaras, de nível 3 e nível 2. Fizemo-las em parceria com a A. Sampaio – um dos nossos principais fornecedores – mas entretanto isso parou. Curiosamente, estamos a fazer uma máscara para os Estados Unidos, uma máscara patenteada, que não tem nada a ver com a máscara standard normal. É uma máscara extremamente cara – está a ser divulgada nos Estados Unidos, onde já fixeram o marketing necessário. Já ofereceram uma ao presidente Joe Biden? Não sei, talvez. Sei que alguém campeão na área do golfe estará a utilizá-la. Os norte-americanos já eram vossos clientes?

"Vivemos das relações humanas e estar em frente do cliente é sempre o mais importante" A Olmac nasceu em 1979 pela mão de Olímpio Miranda, que decidiu comprar máquinas para fazer T-shirts, produção que era subcontratada pelas grandes empresas, mas o que acabaria por fazer o nome da empresa foi a produção de pijamas. O mercado de proximidade foi o primeiro alvo. As coleções de verão e de inverno acabaram por não passar despercebidas a um agente suíço que vivia em Portugal e que desafiou a Olmac a lançar-se na exportação. O primeiro passo foi dado algures na segunda metade da década de 1980, com a venda para a Jockey, uma marca norte-americana que tinha uma sucursal na Alemanha. Foi o primeiro sucesso internacional da Olmac, que permitiu à empresa especializar-se nos pijamas. Também produziram sweats e polos para a Jockey, numa altura em que diversificaram para a Suíça, para a Mammut – empresa que teve como cliente ao longo dos últimos 23 anos, até que optou por ir em busca do preço para a China. “Talvez regresse”.Depois disso, outras geografias entraram no radar da Olmac. O ano de 2005 foi também um marco para a empresa: começou a trabalhar diretamente com os clientes - “os agentes deixaram de fazer sentido, alguns eram meras caixas de correio”. Neste momento, e com quase 120 trabalhadores, tem um leque de produtos que vai desde o underwear até ao vestuário de proteção para busca e salvamento

Sim. Cliente e amigo que nos colocou o desafio para produzirmos uma máscara patenteada nos USA, completamente inovadora pela sua conceção. Em que geografias estão os vossos principais clientes? Para nós o mercado norte-americano é residual: temos dois clientes, um na Califórnia e outro em Vermont. Tínhamos outro cliente em Los Angeles mas está em stand by porque é um cliente ligado ao setor da moda – que é o sub-setor do têxtil que está a passar a maior crise. É um segmento médio-alto, quase de luxo, tem várias lojas por todos os Estados Unidos e em Londres – mas as coisas pararam, estiveram fechados cerca de três meses. Temos algum capital do outro lado e precisamos de o reaver para relançar a parceria. É um mercado promissor? Acho que sim. Os Estados Unidos são um mercado com um potencial de compra enorme – e na moda e nos têxteis técnicos está muito desenvolvido – temos um cliente sueco que vende para os Estados Unidos e, para aquele mercado, aumentou este ano as vendas em 45%. Quais são os principais mercados da Olmac? O nosso principal mercado é o europeu – e dentro do mercado europeu, o escandinavo que, com a Áustria e Suíça, são os nossos focos. A Alemanha já teve muito peso, mas agora o mercado escandinavo – concretamente o sueco – é o principal. São tão poderosos como os Estados Unidos? É mais fácil vender caro para a América do Norte que para a Europa – mas obviamente são clientes com crédito. A China não o atrai enquanto mercado? Não. Os chineses fazem tudo

tão bem ou melhor que nós – já tive oportunidade de visitar algumas empresas na China e são excelentes, mas não é um mercado que me atraia. É a China e o mercado espanhol. O mercado espanhol não o atrai? Neste momento estamos a iniciar relações com um cliente espanhol na área dos sportwear, dos têxteis técnicos, mas nada de moda. A moda não é uma prioridade para a Olmac? Somos uma empresa vocacionada para os têxteis técnicos – enveredamos por esse segmento de há dez anos para cá, temo-nos mantido e estamos sempre na busca de novas fibras, com os nossos fornecedores, quer portugueses quer europeus, mas o nosso foco é esse. A nível da moda temos um cliente, de moda de mulher, com uma rede de lojas em toda a França. Estamos também na área do golfe, no running, na neve – em termos globais, o outdoor é o nosso core business. Talvez isso explique o facto de o negócio não ser descido muito em 2020? Sim, é um segmento que não é tão afetado como a moda – em que está tudo fechado. As marcas, quando não vendem, não compram. Sempre em private label? Sempre em private label. Nunca marca própria? Há uns anos tivemos uma marca, a Miukki, para teenagers, fizemos duas feiras em Espanha, em Madrid, mas as vendas eram poucas e a logística de pequeno retalho, o que nos fez recuar. Não tínhamos estrutura. Há dois ou três anos, começámos a participar na ISPO – a maior feira que existe na área do outdoor – mais com o objetivo de nos


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Os netos são o bálsamo da alma Aos 62 anos e uma vida dedicada à empresa, os netos “são o bálsamo da alma e refúgio das questões quotidianas características deste tipo de indústria”. Encontra na música e nas suas duas violas outros deleites. Nas melodias, ao dedilhar os acordes, aproveitando momentos de lazer, ou relaxando do stress do dia-a-dia. Quando pode, gosta também de viajar, para conhecer novas culturas, ver outros hábitos, sentir diferentes paladares e aprender outros conceitos de vida. “Nova Iorque, Paris, Florença e Rio de Janeiro são as minhas cidades de eleição. Mas é em Itália, no seu todo, na sua essência, que sinto a força do encantamento”, confessa. Medicina seria o seu futuro, mas com a chegada do ano propedêutico e do serviço militar teve que afastar esse sonho. Revê-o, agora, numa das duas filhas, que o concretizou. Na outra, projeta o futuro da terceira geração da Olmac. Ambras já lhe deram três netos e o quarto está prestes a chegar.

podermos mostrar a possíveis novos clientes a nível europeu. Foi aí que nós apostámos: desenvolver produtos para mostrar como se fosse um catálogo. Por falar em feiras, está disponível para regressar quando a pandemia o permitir? Sim, quando voltarem ao formato tradicional, face-to-face, obviamente... Tem-lhe feito falta esse formato? Acho que faz falta a toda a gente. Todos os dias temos reuniões via Teams ou Skype, mas o estar a falar com um cliente e podermos expor tudo o que tem a ver com um produto é muito difícil. Todos vivemos das relações humanas e estar em frente do cliente é sempre o mais importante. Além das feiras fazíamos visitas aos clientes onde mostrávamos produtos, alternativas àquilo que nos era solicitado e essa relação de proximidade fez com que nós crescêssemos, concretamente no mercado sueco. As coisas abrandaram, toda a gente parou, mas, no caso sueco, o feedback que eu tenho é que está a reavivar – tenho um cliente que aumentou cerca de 40%. Foi uma surpresa. Como viu a forma como o sector respondeu à pandemia? A Olmac usou o lay-off? Não. Somos 117, houve quem tivesse de ir para casa por causa dos filhos, mas lay-off por decisão nossa, não. Em termos gerais, e atendendo a toda a conjuntura, o setor portou-se bem: passou, mas ainda estamos a fazer a prova escrita – agora, noutra fase de confinamento, vamos ver como é que tudo isto vai terminar. Toda a gente estava com uma expetativa muito grande para 2021, mas eu sempre estive de pé-atrás: prefiro ser mais pessimista que ser muito optimista. 2021 não será por isso o do rearranque da economia? Talvez a partir de setembro ou

"Os italianos conseguem vender até o que não têm e nós, às vezes, nem conseguimos vender aquilo que temos" outubro se as coisas melhorarem em termos gerais, pelo menos a nível europeu, porque aí vai haver um boom de procura. Os fundos de recuperação – a famosa bazuca – serão suficientes? A bazuca vai ser a tábua de salvação para muita gente, tanto em Portugal como no resto da Europa. Essa injeção de capital vai ajudar muito as empresas. E eu acho que o Governo tem de olhar muito para as empresas porque são as empresas que dinamizam o país, são as empresas que criam riqueza. Às vezes liga-se muito ao que é o setor público e aos serviços, mas é a indústria, seja ela qual for, que cria riqueza para o país. E é preciso dar suporte a essas empresas. Esperemos que os fundos sejam bem distribuídos – porque às vezes as coisas não são bem aquilo que pintam. Acredita na promessa europeia da reindustrialização, ou no final vamos todos andar à procura do melhor preço? Acho que no final vai toda a gente andar à procura do mesmo. Fala-se de muitas coisas – de sustentabilidade, de emprego, mas no final o cliente vai buscar o preço. Temos algumas situações em relação às quais confrontamos os clientes, em termos de sustentabilidade, por exemplo. Comprar produto na Ásia: só o combustível que é gasto... falamos muito de sustentabilidade, mas no final estamos a poluir cada vez mais, tudo por causa de

alguns cêntimos. Tento sempre levar os clientes para produto europeu – se possível para português, tão bom ou melhor que o italiano, por exemplo. A nível das malhas, concretamente. Temos muito bons parceiros em Portugal, que estão ao nível dos melhores europeus quer em inovação e desenvolvimento quer na tecnicidade dos produtos. Qual é o peso dos fornecedores portugueses na Olmac? Mais de 50%. Diria que a têxtil nacional ganha na comparação com os seus concorrentes? Sim, claramente ganha na comparação com os seus concorrentes. Comparamo-nos muito com os italianos. Costumo dizer que os italianos conseguem vender até aquilo que não têm e nós às vezes nem conseguimos vender aquilo que temos. Têxteis técnicos têm muita inovação. Ela tem chegado mais pela empresa e eventual envolvimento com o CITEVE ou pelos clientes? Chega mais por via dos clientes e dos fornecedores. Concretamente de um: a A. Sampaio. Está constantemente envolvida na pesquisa de novas fibras, novas técnicas, novos acabamentos. O cliente acaba seduzido pela inovação, ou é o próprio cliente que a solicita? Acontecem as duas situações. Há coisas que já não voltam atrás. Por exemplo, todo o algodão que se usa é orgânico. Os poliésteres são todos reciclados. Tem previstos novos investimentos a curto prazo? Sempre. Nos dias de hoje qualquer empresa tem que almejar por mais e melhor. Na Olmac, pensamos na comunidade, ambiente, sustentabilidade. Não só para agora, mas também num futuro a cinco anos, temos ideias que queremos concretizar. t

As perguntas de

Miguel Mendes Sales & Inovation Director da A. Sampaio Como olha para o futuro pós-pandemia na atividade do setor têxtil e vestuário?

O futuro, embora incógnito, traz a todos enormes desafios, vejo-o promissor. Somos resilientes e com a resiliência típica do português, certamente vamos encontrar alternativas para encarar um futuro que todos ansiamos positivo, adaptando-nos as necessidades que o mercado nos vai solicitar, quer seja na nova tipologia de negócio, quer seja com as solicitações de novos produtos, novas fibras e novas tecnologias associadas à conceção do produto. Sendo cada vez mais decisivo, como olha para a evolução dos modelos de cooperação entre as empresas?

Sempre foi um estandarte da Olmac e temos este modelo implantado com vários parceiros e nos diversos setores que se inserem na conceção do produto, sejam eles fornecedores, prestadores de serviços e subcontratados. Cada vez mais estamos convictos que só com a cooperação saudável entre parceiros do setor têxtil será possível conduzir o setor aos patamares atingidos na pré-pandemia. Assim, vejo os vários modelos de cooperação entre empresas como vitais para a sobrevivência de todos. t

Amélia Antunes Sales Director da Olmac Sendo a moda um dos setores que mais sofre com a pandemia, como vê no futuro próximo a presença de clientes desta área na Olmac?

É o setor com o decréscimo mais acentuado no contexto global da têxtil. Como tal continuará a ser um handicap no setor, pelo menos na próxima estação de verão 21 bem como no FW21/22. Apesar da pequena percentagem que significa na nossa produção, penso que continuaremos a saudável relação de mútuo suporte com os nossos clientes deste setor, pois só com a parceria tem sido possível esta travessia num oceano tão revolto e incerto. Apesar de um ano 2020 muito complicado, a Olmac manteve a laboração e cumpriu com todos os compromissos. Quais foram os fatores essenciais?

Em primeiro tenho que agradecer ao nosso grupo de trabalho. Sem eles seria impossível chegar a 2021 mantendo a atividade e cumprindo todas a nossas obrigações. Em segundo destaco toda a cadeia de fornecimento, maioritariamente nacional, passando pela prestação de serviços, que tornaram possível manter linhas de produção em funcionamento. Saliento ainda o sentido de responsabilidade de todo o setor. Empresas saudáveis proporcionam estabilidade social. t


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PORTUGAL FASHION EM PARIS COM A DUPLA ERNEST W. BAKER O Portugal Fashion marcou presença na Semana da Moda Masculina de Paris, com a dupla Ernest W. Baker, que apresentou a sua coleção outono-inverno 2021 inserida no calendário oficial. Uma coleção onde a dupla – constituída pela portuguesa Inês Amorim e pelo norte-americano Reid Baker – decidiu abandonar o perfecionismo do guarda-roupa masculino tradicional e abraçaram a o conceito de off-duty, com T-shirts estampadas, calças tartan, e até um roupão exuberante que se dobra como um casaco. Serge Carreira, Head of Emerging Brands Initiative da Federação Francesa de Alta-Costura e da Moda, considerou que a dupla “mostra a emergência de uma nova geração de criadores em Portugal”.

"A magia que fazemos só é possível graças aos nossos parceiros confiáveis nas fibras e tecnologia"

JUUX STUDIO: ONDE A ARTE E A MODA SE ENCONTRAM

São verdadeiras obras de arte, repletas de cor e pormenor, que saem da habitual tela e rumam até peças de vestuário feminino. A Juux Studio quer levar a arte à rua através de peças usáveis. “Apesar de ser formada em design de produto nunca me assumi apenas como designer de produto. Gosto de ser contaminada por outras categorias, de aprender…”, diz Joana Cabanelas, mentora e design da Juux Studio, um projeto que contempla a união da arte e da moda. t

ISPO DESTACA EXEMPLO DA SPORT TEXTILE VILLAGE FROM PORTUGAL “Um belo exemplo de como conferir um ambiente ‘físico’ à exposição”, é assim que os organizadores da ISPO Munich destacaram a conceção da Sport Textile Village From Portugal naquela que é e maior e mais importante feira para a área do desporto e lazer que decorreu em formato digital. Chamando a atenção dos seus milhares de seguidores na página de LinkedIn, a organização elogiou a apresentação, que “oferece uma perspectiva do portefólio de algumas das empresas portuguesas mais inovadoras, incluindo uma área exclusivamente dedicada às sustentabilidade e economia circular”, e convidou, por isso, a

visitarem a Expo Area e ver tudo com apenas alguns clicks. A Sport Village foi um dos dois showcases virtuais de inovação portuguesa na ISPO, da responsabilidade do CITEVE e da Associação Selectiva Moda. Recorrendo a tecnologia 3D VR Scanning de referência no mercado atual, são criados ambientes 3D imersivos, altamente realistas e de fácil navegação, para serem visitados virtualmente. Neste Showcase virtual estavam representados artigos desenvolvidos pelo CeNTI, Damel, Dune Bleue, J. Caetano, P&R Têxteis, Pafil, Polisport, Riopele, Ropar, Texteis J.F Almeida, TMG e Tintex.t

CITEVE INVESTE 2,2 MILHÕES EM NOVO EDIFÍCIO PARA O CENTI O CITEVE está em vias de iniciar a construção de um novo edifício, um investimento na ordem dos 2,2 milhões de euros destinado a criar instalações próprias e definitivas para o CeNTI. O projeto está concluído e a obra deve avançar em breve, depois de a Câmara de Famalicão ter aprovado a desocupação dos terrenos, que vão prolongar para poente as atuais instalações do centro tecnológico. Todo o investimento corre por conta do CITEVE, tam-

bém ele necessitado de se alargar o mais rápido possível para os espaços que estão agora ocupados pelo Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes. Por outro lado, a mudança de instalações do CeNTI vai também permitir ao centro de investigação do têxtil e vestuário investir no alargamento do parque de máquinas, que vão não só reforçar a capacidade de resposta mas fazer também crescer a investigação para novas áreas.

Com orientação multissetorial, o CeNTI é um Instituto de Novas Tecnologias focado nas áreas da nanotecnologia, da funcionalização e da smartização de materiais. Foi fundado em 2006 e resulta de uma parceria que junta três universidades (Minho, Porto e Aveiro), e ainda o CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário, o CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro) e o CEIIA – Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel. t

Maria de Belém Machado CEO da Tearfil

PITTI, HEIMTEXTIL, TECHTEXTIL E TEXPROCESS SÓ NO DIGITAL O calendário de feiras internacionais continua em constante adaptação face à pandemia. As italianas Pitti Bimbo, Pitti Uomo e Pitti Filati e as alemãs Heimtextil, Techtextil e Texprocess anunciaram que não vão realizar as edições presenciais previstas para este semestre, focando-se apenas no digital. Em relação às edições presenciais, a Messe Frankfurt anunciou já a próxima Heimtextil para os dias 11 a 14 de janeiro de 2022 e a próxima Techtextil e Texprocess para o segundo trimestre do próximo ano, em data ainda a confirmar.

250 mil

amostras, de mais de 70 mil empresas, estavam presentes no marketplace Foursource no final de 2020

DIELMAR E MODATEX CONFECIONAM MÁSCARAS PARA REFUGIADOS

Foi na Ação de Confeção Industrial, que decorreu nas instalações da Dielmar, e na Ação de Iniciação à Confeção Industrial, que teve lugar nas instalações do Modatex da Covilhã, que 12 migrantes produziram 240 máscaras de proteção para serem oferecidas aos beneficiários do Plano Municipal para a Integração de Migrantes de Castelo Branco. A entrega das máscaras foi feita pela Associação de Desenvolvimento Amato Lusitano.


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Anuncio T Jornal 235x279 mm ER 2019 segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019 10:53:52


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X DE PORTA ABERTA Por: Cláudia Azevedo Lopes

SIR TILE

Rua de Miguel Bombarda, 198 4050-377 Porto

Ano de abertura 2020 Ano de criação da marca 2018 Produtos Meias de alta qualidade com padrões de azulejos Público-Alvo Apaixonados por meias com personalidade. Os estrangeiros são dos melhores clientes Outras lojas World of Wine, Benedita Formosinho e loja da Universidade do Porto Loja online sirtile.com

PEDROSA & RODRIGUES FECHA 2020 “EM LINHA COM 2019” A Pedrosa & Rodrigues ainda não fechou o balanço de 2020, mas o CEO Miguel Pedrosa Rodrigues adiantou ao T que “a boa notícia é que conseguimos não perder negócio” face a 2019, o que provavelmente resultará “num volume de negócios de 12,5 milhões de euros”, que compara com os 12,2 milhões de 2019. Com o exercício marcado pela pandemia, “o problema é que deu muito mais trabalho fazer esse caminho. E 2021 será pelo menos tão difícil como 2020”, vaticina o gestor.

"Em tempos difíceis temos de nos reinventar e reestruturar" Jorge Pereira CEO da Lipaco

A meias com a arte Diz-se que são a prenda mais aborrecida de se receber, mas a verdade é que quem considera receber umas peúgas como algo enfadonho nunca teve em mãos um par em forma de arte da Sir Tile, que há um ano inaugurou a sua primeira loja física, na rua Miguel Bombarda, no Porto. A arte das meias há muito que faz parte da vida de João Portas e Paula Cortez, os criadores da Sir Tile. O pai de Paula tinha uma fábrica onde ambos trabalhavam como designers, mas a evolução das exigências de mercado levaram-nos a aumentar o seu know-how. “A fábrica do meu pai direcionava-se para a produção de meias básicas para as grandes cadeias de supermercados, mas à medida que fomos perdendo esses clientes, começámos a trabalhar com produto mais especializado, de gama superior. Aí fomos aprendendo tudo aquilo que era necessário para produzir uma meia de alta qualidade”, afirma Paula Cortez. Quando a fábrica fechou, o desejo de continuar a produzir meias aliou-se a outra paixão antiga do casal: os azulejos. “Sempre adoramos o grafismo dos azulejos, algo caracteristicamente português. E tínhamos alguns padrões de eleição: um deles aparecia no caminho que fazíamos para levar a nossa filha ao infantário, outro estava num muro de uma casa por onde passávamos muitas vezes perto da avenida da Boavista... Selecionamos os sete padrões que para nós tinham mais significado e desenvolvemos a coleção”, revela Paula. No entanto, devido aos padrões tão complexos, era necessário um parceiro à altura, que foram encontrar na Fiorima. “O que nós precisávamos era de quem tivesse a sensibilidade técnica para saber trabalhar estes padrões tão miudinhos, com os fios

que são necessários para produzir as nossas meias, executar um bom controlo de qualidade... A Fiorima tinha toda essa experiência, para além de também nos permitir encomendar em quantidades que para nós são exequíveis”, explica João Portas. Em 2018 lançaram a marca, com vendas exclusivamente online – canal que se tem mostrado essencial durante os períodos de confinamento –, e em final de 2019 angariaram os primeiros parceiros. O museu do azulejo, em Lisboa, e o museu de Serralves, no Porto, foram os primeiros espaços onde a Sir Tile se deu a conhecer fisicamente ao público, mas a vontade de contactar de perto com os clientes levou à abertura da loja em nome próprio, um mês antes da pandemia tomar o país de assalto. Os resultados não podiam ser melhores: mesmo com os meses do confinamento, a loja já é responsável por cerca de 30% da faturação da Sir Tile. “Ajudou-nos imenso a ganhar visibilidade e a conquistar novos públicos: 90% dos clientes que entram na loja não conhece a marca. Aqui estamos na rua Miguel Bombarda, na internet estamos numa viela qualquer onde é raro alguém passar”, explica Paula. Quanto à restante faturação, os parceiros representam 50% das vendas, e o online, onde querem crescer, é responsável pelos restantes 20%. Nova Zelândia, EUA, Inglaterra e Alemanha são os melhores clientes online da marca, que também já vendeu para Tóquio e acaba de assinar com distribuidores na Suécia e Dinamarca. “Mesmo com a pandemia, em 2020 tivemos um crescimento de 107%. O nosso objetivo é continuar a mostrar aos portugueses vale a pena investir em meias diferentes e de qualidade. Afinal, é algo que usamos todos os dias”, remata Paula Cortez. t

BOLD DESIGN ABRE EM BRAGA ESTÚDIO FOCADO NO TÊXTIL

ANTARTE DUPLAMENTE DISTINGUIDA EM 2020

Situado em pleno centro histórico de Braga, o Bold Design inaugurou um estúdio de design têxtil orientado para o mercado e as novas tendências. Este espaço criativo proporciona o encontro entre designers especialistas no setor têxtil e os clientes. Jorge Ballester e Tatiana Castro, fundadores do projeto, garantem que todos os desenhos são originais e feitos à mão por designers experientes na têxtil.

A Antarte foi distinguida pela sua capacidade de adaptação à nova realidade, pelos resultados positivos e pela qualidade do seu serviço e produto. Distinguida com o Prémio 5 Estrelas e com o Consumer Guidance Institute Portugal, que "legitimam a qualidade e reconhecimento da marca no mercado, a Antarte parte para 2021 com motivação acrescida”, refere a marca em comunicado.

13º

é o lugar que Portugal ocupa no ranking europeu de empresas cotadas com mulheres nos cargos de topo

GIANNI KAVANAGH APRESENTA COLEÇÃO SUSTENTÁVEL

Uma “marca para um planeta de vencedores” é o mote da última coleção de moda sustentável da marca portuguesa Gianni Kavanagh. A “Winner’s Planet” apresenta-se como uma linha de streetwear confortável e produzida inteiramente em Portugal, com peças com um design exclusivo e intemporal, como fatos de treino e T-shirts casuais feitas com algodão orgânico. Com três anos de atividade, a marca dá passos no caminho da moda ecológica ao trabalhar com fornecedores locais, reduzindo a pegada ecológica e fomentando a economia local.


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X O MEU PRODUTO Por: António Moreira Gonçalves

Novos materiais responsivos à luz

Desenvolvido no âmbito do projecto TexBoost por um consórcio composto pelas empresas Pafil, Fitexar, TAF, Tinamar e A.Sampaio em parceria com o CITEVE e CeNTI

O que é? Dois novos processos capazes de criar têxteis responsivos à luz, através da incorporação de pigmentos fluorescentos ou fosforescentes nas próprias fibras ou num processo de coating final Para que serve? Para segmentos de moda como o workwear e o sportswear Estado do projeto? Em fase de testes e desenvolvimento nas empresas envolvidas mas já presentado em Dezembro no âmbito do TexBoost

MIGUEL VIEIRA E DAVID CATALÁN NA SEMANA DE MODA DE MILÃO O Portugal Fashion faz-se valer das possibilidades digitais para voltar a marcar presença na Semana de Moda de Milão, através dos desfiles dos designers David Catalán e Miguel Vieira. Para Mónica Neto, diretora do Portugal Fashion, é importante “que a moda portuguesa continue a atravessar fronteiras, promovendo o que de melhor se faz no nosso país”. Para a estação FW 21/22, David Catalán apresentou coordenados workwear, com fatos monocromáticos em materiais inovadores. Já Miguel Vieira apostou numa coleção masculina dominada pela lã, caxemira, alpaca ou lurex em azul medieval, verde inverno ou preto caviar.

"Dizem que no futuro o set up de fazer uma peça vai ser muito idêntico ao de fazer 100 peças. E nós, em Portugal, estamos a passar das mil para as 100 peças. Temos de pensar que temos de chegar de 100 peças a uma" José Vilas Boas Ferreira CEO do grupo Valérius

TAJISERVI APRESENTA TECNOLOGIA DE PERSONALIZAÇÃO PARA LOJAS ONLINE

Faz-se luz no vestuário de trabalho e de desporto Aos olhos de um leigo é apenas mais uma coleção de vestuário para desporto ou trabalho, que tem também componentes reflectoras, mas para a indústria têxtil é um inovador processo de criar têxteis responsivos à luz. O que antigamente era apenas possível pela tinturaria, pode ser agora incorporado logo na produção de fibras, ou já na fase final, através de um processo de coating. Duas inovações que abrem um leque de possibilidades às empresas têxteis e representam uma poupança de milhares de litros de água. É um dos exemplos de novos materiais concebidos no âmbito do projeto TexBoost. Nesta unidade de investigação, o CITEVE e o CeNTI juntaram forças com a Pafil, Fitexar, TAF, Tinamar e A.Sampaio para encontrar uma nova forma de criar têxteis de alta visibilidade, característica imprescindível para dois segmentos estratégicos da têxtil nacional: o vestuário de trabalho e o de desporto. “O workwear é algo já com normas definidas, mas nos últimos anos assistimos a um crescimento na procura por estes materiais no sportswear. Há cada vez mais pessoas a fazer desportos de outdoor à noite e há questões de segurança que se levantam em termos de visibilidade”, explica João Rui Pereira, financial manager da Pafil. Ao longo de três anos e meio de investigação, a equipa conseguiu criar novas fibras refletoras e um processo de coating, para além de desenhar novas arquiteturas de vestuário, que dão maior relevo aos elementos de alta visibilidade. “A inovação está na obtenção da funcionalização em diferentes fases do processo. Posso decidir colocar o pigmento logo na fibra ou apenas na reta final do processo, o que dá maior liberdade aos

agentes de mercado no que toca ao desenvolvimento do produto. E torna-se mais sustentável, porque o coating consome menos água que o tingimento”, explica Gilda Santos, investigadora do CITEVE. Para obter os dois novos processos, foram utilizados pigmentos fluorescentes em amarelo e magenta e fosforescentes, aplicados sobre a Poliamida ou o PBT (Polibutileno Tereftalato). Os materiais têxteis passaram por testes de solidez à lavagem e exposição à luz, tendo sido desenhada a primeira coleção para uso não profissional. “Já existem no mercado soluções, mas normalmente são produtos específicos, como coletes refletores. Aqui desconstruímos essa ideia, criando peças que têm essa alta visibilidade mas que podem ser utilizadas ao longo do dia de forma normal. São peças confortáveis, ergonómicas e com um design apelativo”, explica João Rui Pereira. Para além do showcase final do TexBoost, os modelos concebidos passaram já também pela ISPO Digital e estão agora a ser apresentados a clientes. “No setor do desporto já temos pedidos de marcas que querem experimentar”, adianta o responsável da Pafil, enquanto para o workwear estão ainda a ser realizados os testes finais. Mesmo com o TexBoost finalizado, o consórcio de empresas continua a fazer desenvolvimentos, com o objetivo de obter a certificação para a ISO 20471. “Estamos muito perto de cumprir a norma de alta visibilidade em vestuário de trabalho, e aí poderemos certificar peças para bombeiros, polícias ou para qualquer trabalhador. A nossa estratégia será aliar esta tecnologia a melhorias no design e no fitting”, esclarece João Rui Pereira. t

Chama-se Pulse Automation a nova tecnologia que a Tajiservi está a introduzir em Portugal como forma de aumentar a capacidade de personalização das lojas online. A Pulse é um software de automação que faz a tradução direta das preferências dos clientes no site para as máquinas de bordar ou de impressão digital, tornando mais fácil a personalização de peças com texto, monogramas ou qualquer outro desenho.

9 mil

milhões de euros foi o volume de negócios da produção de têxteis técnicos nas Alemanha

H&M VAI TER COLEÇÃO DE SIMONE ROCHA

O apelido é português mas a designer nasceu na Irlanda, tem raízes em Hong-Kong e herdou o nome do avô português, residente em Macau. O mundo hoje é assim, com referências dispersas, e são, precisamente, as raízes pessoais interétnicas e a diversidade de inspirações que caraterizam o sucesso da sua marca sediada em Londres, como refere a H&M no comunicado em que anuncia a parceria com a designer. A coleção-cápsula está anunciada para 11 de março e trará também a novidade de peças para homem e criança, quando a criadora que se tem dedicado quase exclusivamente ao guarda-roupa feminino.


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[CASSIANO FERRAZ] www.cassianoferraz.com

PHOTOGRAPHY FASHION / ADVERTISING


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FAMILITEX INSTALA TECNOLOGIA ANTI-DESPERDÍCIO DA SMARTEX

POLOPIQUÉ FIXA SALÁRIO MÍNIMO EM 700 EUROS O grupo têxtil Polopiqué fixou para 2021 um salário mínimo de 700 euros a atribuir aos seus cerca de 550 colaboradores, elevando assim em mais de 5% o salário mínimo fixado pelo Governo, que é de 665 euros. A decisão da administração liderada por Luís Guimarães abrange as várias empresas do grupo que oferece ainda seguro de saúde e de vida para os trabalhadores e cônjuges e também avalia anualmente a distribuição de uma percentagem dos lucros conseguidos.

"Em sustentabilidade, design, economia circular e velocidade, o cluster têxtil português está em excelente posição" Mário Jorge Machado Presidente da ATP

EUA PROÍBEM IMPORTAÇÃO DE ALGODÃO DE XINJIANG, NA CHINA

Afonso Barbosa, CEO da Familitex (à esquerda) diz que os resultados da tecnologia sentiram-se logo no primeiro mês de utilização

António Moreira Gonçalves

A Familitex é uma das têxteis portuguesas que já instalou nos seus teares circulares o Smartex V1, o sistema inovador criado pela tecnológica portuguesa que utiliza inteligência artificial para inspecionar as malhas e detetar defeitos. A tecnologia esteve operacional já durante o mês de janeiro, e de acordo com a Familitex, apresentou resultados imediatos em poupança de recursos e diminuição do desperdício. “O benefício de ter um sistema que garante 100% de inspeção já é enorme, ao que se acrescenta o enorme impacto que o Smartex V1 System tem na nossa produção em termos de poupanças, já comprovado em janeiro, em pleno funcionamento”, conta Afonso Barbosa, CEO da Familitex, acrescentando que “a interação homem-máquina é óptima e os alertas do sistema deixam os nossos funcionários cada vez mais confiantes”. Desenvolvido pela Smartex, uma start-up

tecnológica criada em 2018 por três ex-estudantes da Universidade do Porto, o sistema automatizado conjuga inteligência artificial e visão computacional para identificar defeitos nas malhas e evitar o desperdício. No momento em que um defeito é identificado – como furos, traçadelas, manchas ou linhas de óleo – a máquina para, evitando que continue a produzir sobre o erro e a desperdiçar energia, tempo e matéria-prima. Depois de dois anos de desenvolvimento, o sistema Smartex V1 foi oficialmente lançado no mercado no outono de 2020, sendo que nos últimos meses foram instalados mais de 30 sistemas. Para além da Familitex, empresas como Tintex e a Polopiqué estão no grupo de early adopters desta nova tecnologia. “Os nossos atuais clientes reconhecem o benefício poucas semanas após a instalação dos sistemas. É isto que nos deixa confiantes que 2021 será expressivo em termos de vendas, quer nos mercados em que já estamos presentes, como Portugal, Itália e Turquia, mas também em novos mercados”, antevê Rui Pereira, Diretor de Desenvolvimento de Negócios da Smartex. t

TECNOLOGIA 3D JÁ FAZ PARTE DO DIA-A-DIA DA TÊXTIL ADALBERTO É na dupla vertente de processo industrial e processo criativo que com a utilização de tecnologia 3D a Têxtil Adalberto vem registando ganhos avultados de tempo, custos e matérias-primas, ao mesmo tempo que se torna, por isso, mais sustentável. O grupo respondeu de imediato à evidência de que a pandemia iria proporcionar um salto qualitativo e quantitativo e “avançou com testes de produção 3D no iní-

cio de 2020”, explica o diretor de Inovação e Desenvolvimento do grupo, Hugo Miranda. Enquanto ferramenta vertical, a tecnologia 3D permite que o processo industrial tenha por base um protótipo – que não carece de moldes nem de amostras – “que se ajusta às necessidades do cliente” em tempo real e que, uma vez concluído, permite inclusivamente a aferição da procura potencial do produto junto do cliente final.

E se esta é uma clara vantagem industrial em relação ao processo tradicional, no processo criativo os ganhos são também muito sensíveis: “o desenho digital do protótipo permite tantas soluções de design” quanto aquelas que a imaginação encontrar. Como é evidente, “o processo 3D permite a customização da produção até um limite que não está ao alcance dos processos tradicionais”, refere Hugo Miranda. t

Os Estados Unidos anunciaram a proibição da entrada de produtos de vestuário com algodão cultivado em Xinjiang. Em causa está o alegado trabalho forçado de minorias muçulmanas nesta região chinesa. A medida engloba fibras cruas, tecidos e produtos têxteis feitos a partir de algodão produzido em Xinjiang, no noroeste da China. Segundo a Reuters, a ONU está a investigar campos de trabalho precário em Xinjiang, de onde provem 20% do algodão usado em todo o mundo. A China nega as alegações de trabalho forçado e diz tratar-se de ações de formação.

MINTY APOSTA NA EXPANSÃO E EM NOVAS PARCERIAS A tecnológica Minty, especializada em e-commerce e responsável pelos projetos Minty Square e Minty Lab, quer reforçar neste novo ano o seu projeto de expansão, com novas parcerias, campanhas de promoção mais afirmativas e um reforçado do catálogo de serviços. “Queremos ser catalisadores da recuperação do ecossistema de moda nacional”, explica João Figueiredo, CEO da Minty, que reforça a aposta na gestão e promoção das marcas através de uma parceria com a agência de comunicação The Square.

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milhões de máscaras irregulares foram apreendidas pela ASAE entre março e outubro

CONCRETO REFORÇA A ESPERANÇA COM FATOS DE TREINO A esperança no futuro é a inspiração para o novo lançamento da portuguesa Concreto. A coleção Speranza é composta por fatos de treino coloridos, todos com a palavra ‘esperança’ gravada em várias línguas e assume um cariz solidário, sendo totalmente produzida em Portugal. A linha de fatos de treino slim fit está disponível em quatro cores diferentes. Os modelos completos compostos por 50% algodão e 50% poliamida estão à venda na loja online e em lojas selecionadas.


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M EMERGENTE Por: Mariana d'Orey

Miguel Alberto Pacheco Diretor de Marketing da Heliotextil Família Juntou recentemente os trapinhos com a namorada Formação Licenciado em Marketing pelo ISCAP Casa Apartamento em Aldoar, no Porto Carro Toyota Yaris Portátil Huawei Telemóvel Realme, que se diz ser “o telemóvel do futuro” Hobbies É viciado em séries, joga paddel e xadrez. Recentemente descobriu um secreto talento para a cozinha. Leguminosas e aromáticas da horta caseira são o seu forte Férias Para além do Algarve em família, o que faz desde criança, junta nos últimos anos um grupo de amigos para acampar no Gerês - “gosto muito de explorar Portugal” Regra de Ouro “Ser sincero comigo e com os outros para assim conseguir abrir portas e estabelecer relações honestas”

O marketeer que quer inovar na Heliotextil Tem um nome composto que herda com responsabilidade e orgulho da sua família paterna. Miguel (como o pai) Alberto (como o avó) Pacheco, 27 anos, é o rosto da terceira geração da Heliotextil, uma empresa que há mais de meio século desenvolve e produz soluções tecnológicas personalizáveis para setores como a têxtil, o calçado e o mundo automóvel. “A primeira geração, do meu avô, correu muito, muito bem e a segunda geração, do meu pai, correu igualmente muito bem. Se houver uma terceira geração tem também de correr muito bem”, assume, entre risos, Miguel Alberto Pacheco, neto do fundador da Heliotextil e atual responsável pela área de marketing da empresa. Natural de São João da Madeira, onde viveu até aos 13 anos de idade, quando, na sequência do divórcio dos pais, foi morar com a mãe para a cidade Invicta onde vive até hoje, Miguel Alberto Pacheco diz ter crescido como uma “criança muito sensível e muito introvertida”, o que, em certa medida, pode explicar a sua paixão por tecnologias. “Sempre adorei estar no meu mundo e as tecnologias permitiam-me isso mesmo. Lembro-me perfeitamente de uma vez em que o meu pai, com quem estava sempre aos fins de semana, me ter trazido um computador antigo. Eu teria uns 14 ou 15 anos e tive a excelente ideia de desmontar o computador todo para conhecer cada peça... o problema foi que depois não o consegui remontar”, recorda. Apesar do gosto pela tecnologias se ter mantido - “hoje já sou capaz de remontar corretamente computadores e outros equipamentos” - confessa que sempre teve em mente ingressar no negócio da família. “Um dia vais ser tu; vai aprendendo; não tarda nada chega a tua vez; foram expressões com as quais cresci, pelo que sempre senti essa responsabilidade e essa pressão nos ombros”, revela o marketeer. Assim, e apesar de se considerar “uma pessoa introvertida”, foi com relativa tranquilidade que, após ter terminado a escolaridade em Gondomar, decidiu ingressar na licenciatura em Marketing no ISCAP, ao qual se segue ainda em curso a uma pós-graduação em Gestão e Direção Comercial. “Ainda enquanto estudava, o meu pai começou a levar-me às feiras internacionais onde a Heliotextil participa. Em 2016 fui à ISPO e adorei a experiência, até porque essa relação com as feiras ajudou-me a abandonar a criança tímida que sempre fui e a transformar-me numa pessoa mais aberta e disponível”, revela Miguel Alberto. Uma metamorfose que diz ser imprescindível para ponderar um dia assumir a liderança da empresa, que conta com 110 colaboradores e tem uma carteira de clientes espalhada por praticamente todo o mundo. “É um negócio muito complexo onde é preciso inovar e estar muito atento às alterações do mercado. Hoje em dia, por exemplo, nota-se que o conceito de personalização com recurso a ferramentas 3D se está a democratizar, assim como o made to order”, reflete Miguel que, no entanto, admite ter ainda muito para aprender com as gerações mais velhas da Heliotextil. “Tenho ambição para fazer mais e melhor mas também a humildade para saber que preciso ainda de aprender muito, seja através da pós-graduação, seja através da sabedoria e da experiência das pessoas mais velhas”, conclui o marketeer que quer inovar na Heliotextil.t


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a MUNDO VERDE

milhões de máscaras descartáveis são lançadas ao lixo todos os meses em Portugal

"A sustentabilidade ambiental, económica e social é um dos eixos basilares da nossa atuação" João Mendes Administrador da A. Sampaio & Filhos

TWINTEX QUER DEPENDER APENAS DE ENERGIA 100% RENOVÁVEL Comprometida com o ambiente e com a produção sustentável, a Twintex acaba de concluir mais um investimento em 200 painéis fotovoltaicos, tendo recebido também a certificação de energia 100% renovável. A empresa reforça assim em 20% a capacidade já instalada na produção de energia e dá mais um decisivo passo no propósito de até ao final deste ano passar a depender apenas de energia elétrica 100% renovável. Certificada pela Audax Energia, com a garantia de que a energia utilizada contribui para a proteção do ambiente, as instalações da sede da empresa do Fundão contam já com mais de mil painéis fotovoltaicos, que garantem a produção de 55% de energia que é utilizada internamente. Uma aposta na sustentabilidade e proteção do ambiente que é ainda reforçada com outras medidas que limitam as emissões de CO2, como a instalação de painéis solares e

A Mango divulgou a lista das fábricas de primeiro nível da sua cadeia global de abastecimento, sendo a primeira grande empresa do setor da moda a fazê-lo. A lista inclui informações sobre as fábricas nas quais a Mango tem produção e respeita os requisitos do Transparency Pledge Standard, que defendem a transparência nas cadeias de abastecimento do setor da confeção e do calçado.

MODA É RESPONSÁVEL POR 4% DOS GASES DE ESTUFA A Twintex, no Fundão, conta já com mais de mil painéis fotovoltaicos

a utilização de gás natural para o aquecimento de água. Há mais de uma década a investir em medidas de sustentabilidade que ajudem a reduzir a pegada ecológica, a Twintex é a maior indústria de confeções da Beira Interior e viu recentemente renovado o seu reconhecimento como empresa com Estatuto de Interesse Estratégico, aprovado pelo Mi-

nistério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. A produtora de vestuário de luxo de mulher e homem celebrou em 2020 os seus 41 anos de atividade. Com um portefólio premium de clientes, exporta a 100% para um total de 26 países diferentes, entre eles os mercados do Reino Unido, França, Itália, Estados Unidos da América e Canadá. t

VALÉRIUS HUB ABRE CIRCULARIDADE A TODA A INDÚSTRIA Chama-se Valérius Hub e é uma espécie de academia criada com o propósito de expandir os princípios da circularidade e sustentabilidade, agregando num mesmo espaço todos os parceiros do negócio. “É uma montra para a criação de uma comunidade de empresas que assumam a circularidade como modelo de negócio”, explica Jorge Ribeiro, responsável da área de expansão do grupo Valérius. Com esta nova plataforma, o grupo têxtil baseado em Barcelos pretende “dar às marcas e à indústria que trabalha connos-

MANGO DIVULGA CADEIA DE FORNECEDORES

co, e não apenas a têxtil, uma espécie de academia a partir da qual vamos ‘evangelizar’ a circularidade” enquanto opção estratégica de negócio. Ao mesmo tempo, o novo hub da Valéruis quer também implicar os seus parceiros na transição digital. “O objetivo não é propriamente atrair outras empresas”, mas levá-las a considerar que a circularidade é uma opção que vale a pena cumprir na perspetiva de um racional de negócio em alargamento. São já mais de uma dezena as empresas que aderiram ao site – entre elas a RDD, Supercort,

Sartius, Uslab, Ambar e Colmaco, algumas do universo Valérius. A adesão implica que as empresas presentes no Valérius Hub cumpram métricas de sustentabilidade – o que de algum modo faz com que a sua presença seja uma certificação do cumprimento de objetivos de sustentabilidade e circularidade. “Somos fabricantes de moda responsáveis”, diz a Valérius Hub – que assim pretende agregar em seu torno uma comunidade de empresas que assumam a circularidade e a responsabilidade social como um instrumento de negócio. t

A produção é responsável por 70% dos gases da indústria da moda com efeito estufa, resultando os restantes 30% do transporte, distribuição e uso do vestuário. Em 2018, a moda foi responsável por 4% do total mundial de gases, com 2.106 milhões de toneladas, segundo o relatório ‘Fashion on Climate’, da Mckinsey. As conclusões avançam que 38% das emissões correspondem à produção de materiais, 8% à preparação de fios, 6% à preparação de tecidos, 15% ao processo de secagem e 4% aos processos de corte.

"A sustentabilidade veio para ficar e vai continuar a ser uma área de grande crescimento" Paulo Augusto Oliveira Administrador do grupo Paulo de Oliveira

LEVI’S LANÇA PROGRAMA DE SEGUNDA MÃO A crescente procura por peças únicas, vintage e que contam uma história levaram à entrada da Levi’s no mercado de roupa em segunda mão com o programa Levi’s Secondhand. É a primeira grande marca de denim a estrear-se em re-commerce e a assumir a responsabilidade de respeitar todo o “ciclo de vida” das suas peças. Os clientes podem entregar qualquer peça jeans usada nas lojas Levi’s nos EUA em troca de um vale-presente. A campanha Levi’s Secondhand contou com caras conhecidas defensoras da moda sustentável e ativistas climáticos como Hailey Bailey, Jaden Smith e Carolyn Murphy.


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B SERVIÇOS ESPECIALIZADOS Por: António Moreira Gonçalves

Bulhosas, SA

Av. Primeiro de Maio, nº400 3700-227 São João da Madeira

O que faz? Especializada em artes gráficas e produtos plásticos fabricados por injeção Produtos Embalagens, etiquetas autocolantes, cartazes, calendários ou rótulos, e produtos em plástico como grampos ou cabides. Faz também impressão em artigos de merchandising Carteira de clientes Mais de 500 empresas da têxtil, indústria alimentar, cosmética ou farmacêutica Exportações 40% da produção Fundação 1935 Equipa 40 colaboradores

AÇÕES SOLIDÁRIAS DA MO JUNTAM MAIS DE 75 MIL EUROS A pandemia levou a MO a reforçar as suas iniciativas de responsabilidade social, tendo angariado mais de 75 mil euros desde junho passado. Receitas que reverteram a favor do SNS – Serviço Nacional de Saúde, do IPO (Porto, Coimbra e Lisboa) e do projeto Student Keep. Já a iniciativa Juntos pelo SNS, lançada no primeiro dia de junho, após o primeiro período de confinamento, quando a marca marca do universo Sonae reabriu a maioria das suas lojas ao público, angariou 19.590 euros.

"As empresas têm que estar nas feiras para sentir o mercado e saber quais são as orientações de futuro" António Cunha Sales Manager da Orfama

RANGEL INVESTE 14,5 MILHÕES NA EXPANSÃO DA ACTIVIDADE Foi com a abertura em janeiro passado de instalações próprias na África do Sul e no México que o Grupo Rangel inicia um ano em que reforça a aposta na internacionalização da atividade. Também nesse mês avançou com a plataforma logística na Figueira da Foz. Três novas frentes de atividade que representam um investimento de 2,5 milhões de euros, aos quais se juntam mais 12 milhões a aplicar nos próximos quatro anos no reforço da sua unidade especializada no transporte e armazenamento de produtos médicos, a Rangel Pharma, como explicou o presidente executivo, Nuno Rangel, ao semanário Expresso.

A inovação esconde-se nos detalhes, diz a Bulhosas A expressão popular “o diabo esconde-se nos detalhes” parece ter ganho um novo sentido pelas mãos da portuguesa Bulhosas. A empresa especializada em acessórios como rótulos, etiquetas ou cabides, tem percorrido um caminho de inovação, mesmo nos produtos aparentemente mais simples, com o objetivo de trazer novas competências e acrescentar valor para os clientes. “É nos pormenores que reside a diferença”, lembra o administrador Alberto Bulhosa. Fundada há 85 anos, em São João da Madeira, a empresa tem as suas raízes na grande indústria da região, a chapelaria, mas soube resistir às transformações do tempo, apostando em novos produtos. “A empresa foi criada pelo meu avô, Sílvio Bulhosa, mas quando a indústria dos chapéus começou a cair teve de se ir transformando. Para além de produzir etiquetas para chapéus começou a fornecer a indústria do calçado, depois a têxtil, e começou a abrir novas linhas de produção”, lembra o atual responsável pela empresa. Um processo de transformação que é revivido hoje com um dos produtos-chave da Bulhosas: os cabides em plástico. “Em 1975 criamos uma seção de injeção de plásticos, porque este era um produto muito procurado. Chegou a representar 50% do negócio, mas hoje está reduzido a 3%”, conta Alberto Bulhosa. Para responder à transformação no mercado, a Bulhosas criou agora uma alternativa mais sustentável: uma linha de cabides em cartão, 100% recicláveis e totalmente personalizáveis: na forma, no padrão e até no cheiro, podendo ser adicionado algum aroma. “Um cabide de cartão reciclado pode ser um porme-

nor para a indústria têxtil, mas é mais um sinal do compromisso com o impacto no ambiente”, defende. A indústria têxtil é hoje um dos mercados-alvo da empresa, que fornece também rótulos, etiquetas, embalagens e outros produtos para a indústria alimentar, a cosmética, as bebidas ou a farmacêutica. Para a moda, para além dos cabides, a Bulhosas fornece também produtos anti-contrafação. “Produzimos rótulos com a inserção de dados alfanuméricos visíveis e invisíveis, que criam um sistema de identificação contra produtos contrafeitos”, explica Alberto Bulhosa. Neste segmento está um dos projetos mais tecnológicos da empresa. Através de uma parceria com a Universidade de Aveiro, a Bulhosas conseguiu desenvolver um sistema inovador com a incorporação de ADN artificial, que eleva os níveis de segurança a um novo patamar. “Conseguimos inserir o ADN em etiquetas, de forma a dar a garantia a qualquer pessoa que queira verificar se o produto é verdadeiro. Esta verificação não permite qualquer cópia, porque o código só é do conhecimento dos cientistas que o criam e do nosso cliente. Nem nós temos conhecimento. É uma análise com um nível de exactidão tal que pode servir de prova em processos judiciais”, esclarece o administrador. Para além destes, a Bulhosas quer continuar a apostar na inovação. Por enquanto está focada na apresentação dos cabides em papel, mas já há ideias para os próximos anos. “A fórmula consiste em transformar mesmo a matéria-prima de baixo valor num produto inovador e com valor acrescentado. É isso que procuramos fazer em cada projeto”, resume Alberto Bulhosa. t

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é a percentagem de crescimento das vendas online da Inditex nos primeiros nove meses de 2020

VANS DESCOBRE ONDE ESTÁ O WALLY

A Vans junta-se à clássica série de livros numa coleção de vestuário e calçado infantis que convoca a alegria e diversão. A colaboração ‘Vans x Onde Está o Wally’ presta homenagem ao livro lançado em 1987, através de peças coloridas com padrões característicos do Wally. Da coleção fazem parte T-shirts 100% algodão com o icónico padrão às riscas vermelhas e brancas e estampagens da imagem do Wally na praia, perdido entre a multidão. Também estão à venda hoodies e bonés com o célebre “Where’s Waldo? Off the wall” e sapatilhas com símbolos da personagem.


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OPINIÃO A PANDEMIA E O ENSINO DE ENGENHARIA TÊXTIL Luís Almeida Professor Catedrático de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho e membro do Conselho Consultivo da ATP

ITV PÓS-COVID: COOPERAR PARA ESCALAR, ESCALAR PARA SOBREVIVER Paulo Vaz Assessor da Direção da ATP

Desde há um ano que a pandemia tem afetado muito significativamente toda a economia, e a indústria têxtil não é exceção. As limitações à circulação de pessoas, à venda de produtos não essenciais (como são classificados os têxteis), e o forte impacto na hotelaria tem-se traduzido na redução significativa das encomendas no setor têxtil, sobretudo vestuário e têxteis-lar (neste caso, uma maior permanência em casa veio mitigar um pouco essa redução). Gostaria de abordar aqui um aspeto menos falado, mas que também pode afetar o futuro o nosso setor: as limitações que a pandemia veio impor no ensino de Engenharia Têxtil. As fortes restrições ao ensino presencial traduziram-se numa redução significativa das aulas laboratoriais e veio praticamente eliminar a possibilidade de realizar visitas de estudo. Assistiu-se desde março de 2020 a um forte incentivo para o uso de ferramentas de ensino à distância, mas o contacto com a realida-

Nas últimas duas décadas, a Indústria Têxtil e Vestuário portuguesa foi do inferno ao céu, para ser novamente projetada no abismo. Depois da liberalização do comércio internacional e a ascensão da China como player à escala global, reinventou-se para sobreviver, alterando os fundamentos da sua competitividade, apostando na diferenciação e não exclusivamente na eficiência operativa e no preço. A ITV estava no limiar de uma segunda e profunda mudança, ditada pela sustentabilidade, que se tornou mainstream, entrando nas empresas pelos departamentos comerciais. Se o mercado exige, há que responder. A indústria da moda, nos países mais desenvolvidos e com mercados maduros, estava em finais de 2019 a viver uma crise sem precedentes, pois a quebra sistemática nas vendas das principais marcas de moda tornou-se indisfarçável e a clamar soluções. As mudanças de hábitos de consumo nas gerações mais jovens explicam o fenómeno: maiores preocupações ambientais e com as condições de trabalho nos países produtores, utilização mais prolongada das peças, e a diversificação na aplicação dos rendimentos. Esta mudança em curso estava a impactar nos modelos de negócio de fast fashion, principais clientes do setor têxtil e vestuário português, que se obrigaram a realizar alterações profundas, pois viram ameaçado o seu futuro. A solução, para muitas das marcas, foi maior investimento no comércio

de prática não pode ser substituído de forma eficaz por meios informáticos. Se é cada vez mais essencial que um Engenheiro seja capaz de dominar as ferramentas informáticas, cuja utilidade é inegável, a produção industrial faz-se com matérias primas, com máquinas e sobretudo com pessoas em ambiente industrial, e não em frente a um computador. A título de exemplo, as ferramentas CAD permitem conceber e visualizar artigos têxteis, mas não nos podemos vestir com roupa virtual. Esperemos por isso que em breve terminem as restrições e que as aulas práticas e as visitas de estudo possam ser retomadas na plenitude. Uma boa notícia para terminar: segundo a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência sobre a Empregabilidade dos Diplomados de 2015 a 2019, na Universidade do Minho a Engenharia Têxtil é dos poucos cursos com um índice de empregabilidade de 100%. t

eletrónico e em mercados emergentes de rápido crescimento e de escassa sensibilidade ambiental e social, como o Extremo-Oriente, onde as perspetivas de expansão são ainda exponenciais, com penalização para os negócios na nossa indústria local. Entretanto, chegou a pandemia da Covid-19 e todo o jogo voltou a ser colocado em causa, até porque, em muitos casos, esta funcionou como um acelerador da História, inflando tendências já em curso e fazendo emergir novas oportunidades. Em concreto: a pandemia fez disparar a digitalização do negócio da moda, criou disrupções na cadeia de valor e de fornecimento dos produtos têxteis e de moda, cuja produção se localiza a milhares de quilómetros, além de colocar em questão da pegada carbónica no transporte de mercadorias, que podem ser baratas para o consumidor final, mas cujo impacto ambiental é insuportável para o planeta. Tudo isto acrescido da necessidade de se criarem reservas estratégicas de produtos, nomeadamente de proteção sanitária, algo que foi dramaticamente visível nos primeiros meses da pandemia na Europa, recolocando a discussão da necessidade por uma indústria de proximidade nos países mais desenvolvidos, potenciando políticas de reindustrialização que privilegiem a inovação, a digitalização e automação dos processos e a economia circular. Estes são

os eixos de toda a política europeia até 2030 e condicionarão todos os investimentos a apoiar pela U.E., seja pelo PRR – Programa de Recuperação e Resiliência, seja pelo novo quadro plurianual, que virá substituir o atual Portugal 2020. Este é o desafio maior que a ITV tem para esta terceira década do século. O mundo pós-Covid mudou muito e vai mudar mais ainda. A indústria da moda será ainda mais exigente pelo que, para a têxtil e vestuário portuguesa, não restarão muitas opções: mais profissional, mais exigente na sua gestão, mais capitalizada, mais capaz de inovar e surpreender, mas, sobretudo, ter a consciência que, com a pequena dimensão que a generalidade das empresas do setor possuem, não há alternativa do que escalar, através de fusões e aquisições ou de acordos entre empresas, que permitam ter dimensão para competir. Se as empresas não tiverem a humildade e a capacidade para poderem cooperar, ganhando todos, o destino é o orgulhoso isolamento, um inevitável definhamento e um fim sem qualquer glória. A ITV portuguesa sempre sobreviveu aos desafios mais extremos, surpreendendo pela capacidade com que resiste, reconstrói e adapta às novas realidades. Desta vez não será diferente, apenas mais difícil e mais implacável para aqueles que recusam à mudança, obstinando-se me fazer desta um obstáculo em vez de uma ponte para o futuro. t


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Hugo Miranda Diretor de Inovação da Adalberto Têxteis

O DESENHO 3D JÁ FAZ PARTE DO PROCESSO INDUSTRIAL TÊXTIL O uso de ferramentas digitais 3D na moda já não se questiona, porque já não é futuro: faz parte do presente das mais variadas marcas no mundo inteiro. À semelhança do que aconteceu com o surgimento dos moldes digitais ou dos desenhos 2D criados em Photoshop, o desenho 3D começa já a ser uma parte integrante do processo criativo e produtivo de muitas empresas. Será uma tecnologia que, em breve, fará parte do dia-a-dia do processo industrial de qualquer empresa têxtil. O que se questiona agora é se se está a formar profissionais em número suficiente para fazer face às necessidades, uma vez que a situação pandémica atual veio, sem dúvida, acelerar muito a utilização e o desenvolvimento da tecnologia 3D na área da moda. Em Portugal e mesmo no mundo, não são muitos os 3D modelers de elevada qualidade que conseguimos encontrar. Neste momento, a procura é imensa, e países como o Bangladesh, a China e até a Turquia estão a recrutar serviços a profissionais portugueses, para a criação de modelos 3D, conteúdos para websites ou catálogos, digitalização de malhas/tecidos, e até formação. Isto está a acontecer porque as grandes marcas internacionais já estão a exigir modelos digitais 3D às empresas têxteis. Um caso prático de utilização do 3D na indústria é a Adalberto, que o tem usado tanto no seu processo industrial, assim como uma ferramenta de marketing junto dos seus clientes. No último ano, através do departamento de inovação AD-TECH, a Adalberto apresentou um cheirinho dos vários projetos de desenvolvimento nesta área. Em termos industriais, o 3D pode ser utilizado em diversas fases, oferecendo imensas vantagens, nomeadamente redução de timelines, redução de custos, mas também em termos de sustentabilidade, visto que há menos desperdício de matérias-primas, recursos naturais e energéticos, e também redução da pegada carbónica no processo logístico. Na relação com os clientes, já se fazem aprovações através dos modelos digitais em 3D. Aqui podem ser testados fittings, moldes, pormenores, design, etc. Podem testar-se prints, cores, acessórios e até combinações de modelos. Através da digitalização das propriedades físicas e das texturas das malhas/tecidos, conseguem-se criar renderizações (processo que transforma o objeto 3D em imagens realistas) muito similares ao real, podendo assim ser usadas como fotos ou vídeos em sites online de venda, catálogos, ou até mesmo para fazer apresentação de coleções de forma interativa, por exemplo, em catwalks digitais ou MUPIs com ecrã touch. Na última Modtissimo, a Adalberto apresentou uma coleção inteiramente feita em 3D, cujo primeiro protótipo físico foi também a peça final, sem necessidade da produção de múltiplas amostras. Usando a tecnologia 3D, além das imagens realistas dos modelos em 3D, também foram apresentados vídeos dos designs em 3D, animações em realidade aumentada e QR code com link, onde o cliente pôde interagir com os modelos na página do departamento de inovação AD-TECH. Esta é uma maneira de partilhar com os clientes outras formas de usar este tipo de tecnologias e serviços, exemplos que promovem a ativação de uma marca e que ajudam a apresentar de forma mais interativa e clara o valor acrescentado das suas peças. A Adalberto está neste momento a par com os melhores do mundo. Tem vindo a desenvolver muitos sistemas proprietários e workflows, de forma a estar no topo também no que diz respeito à tecnologia 3D Digital Fashion, e prova disso foi, por exemplo e a mais recente, ter sido convidada a apresentar alguns modelos 3D em colaboração com a portuguesa 3D modeler Susana Meireles na revista internacional “Style in Progress”, ao lado de grandes marcas como Moncler, Hugo Boss ou Napapijri. t

Luís Campos Ferreira Advogado e ex-Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros

ROUPA QUE AQUECE O inverno castigava. O dia escurecia no final da merenda, e logo ficava como breu. Noites longas, dias curtos. Chovia a cântaros, trovejava e por vezes o vento assobiava músicas que os mais fortes ramos das tílias, que se impunham em redor do meu colégio, dançavam com alvoroço. O frio cortava. Magoava. Valiam-nos as lareiras, os aquecedores a gás, a resistência e o ter que ser. Valia-nos o amor de mãe. As suas mãos, a sua paciência e a sua maestria! Tudo começava com a meada de lã. A primeira tarefa era abri-la entre os dois pulsos e num movimento repetido, e por vezes desconchavado, desenvencilha-la. Nessa tarefa todos podíamos participar. Era o nosso contributo para um futuro mais aconchegado e, nesse momento, percebíamos qual era a cor da nossa camisola de inverno. A surpresa reservava-se ao desenho. E no meu caso à gola. Não gostava de golas que chegassem ao pescoço, picavam como agulhas na pele. Um tormento, a roupa quando picava e fazia comichão. Não era hábito os ganapos reclamarem muito, melhor, nem muito nem pouco. Fazia parte. Valença do Minho, no meu norte, no meu alto Minho. Terra raiana, cortante nos invernos mas que tinha a delícia do natal e a ilusão das janelas que nos entretinham com temporais que tinham tanto de assustadores como de sonhadores. O circo chegava por essa época. Uma tenda de fantasias que se instalava na zona dos eucaliptos. Tão perto da minha casa como dos meus desejos! Nestes nostálgicos anos sessenta, lembro-me bem dessas enormes e esguias agulhas de tricô. Agulhas que a minha mãe manejava com talento cirúrgico. Lembro-me bem desses novelos de lã grossa, da atmosfera cúmplice e serena da casa das madrinhas onde a obra de arte era esgalhada com agilidade, amor, ternura... Que peça de roupa mais marcante podemos ter? Que peça nos pode acompanhar mais pela vida fora que a que sai das mãos da nossa mãe? Vesti muitas camisolas de tricô de várias cores com diferentes e carinhosos desenhos. Uma delas, castanha clara com cotoveleiras em camurça, ficou-me mais na memória. Durou mais tempo e não me picava no pescoço. Todas elas eram quentinhas. Todas elas me protegeram do gelo dos invernos e do frio da vida. Todas elas tinham o calor de mãe! t


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U ACABAMENTOS Por: Katty Xiomara

É a versão digital para que nem o modo confinamento possa travar o reinado dos afetos do Presidente Marcelo. Mas o avatar nascido do talento e criatividade de Katty Xiomara está também pronto para afugentar as forças do mal e ajudar no renovado empenho na erradicação do “bicho”. Qual Czar, preparado até para se defender do mal e afugentar os espíritos malignos

Um avatar de pele azul para os afetos do Presidente Marcelo Sem surpresas, o Professor Marcelo dá continuação ao seu reinado de afetos. Infelizmente para todos, terá de ser, por enquanto, em modo confinamento. Nesse sentido ocorreu-nos oferecer a Marcelo uma versão digital dele mesmo, um avatar que todos possamos abraçar e beijar digitalmente. Como estamos no mês do Carnaval, que este ano ficou de mãos dadas com o dia mais afetuoso do ano, o São Valentim, decidimos que o avatar deveria celebrar estas festividades, que, como quase tudo, só poderão ser celebradas na web. Pensámos numa fantasia atual e desafiante. Inspirámo-nos nas aparições mais marcantes do início deste ano. Por um lado, temos a meiga imagem do Bernie Sanders na tomada de posse de Biden, com o outfit mais mimetizado de sempre. Por outro lado, temos o excêntrico Xamã dos QAnon na inenarrável invasão ao capitólio dos EUA. Esta figura, que não passou desapercebida e que descreveu a sua própria indumentária como um meio e uma forma de afugentar as forças do mal… foi literalmente retirada dum “culto” apocalíptico, ou seja, perfeita para representar a nossa atualidade. Um hoje que no passado recente nos pareceria apenas ficção. Tão ficção como pensaríamos ser o rápido crescimento deste “culto”. Um fenómeno que incrivelmente já junta adeptos pelo mundo fora. Da Alemanha ao Japão, mudam-se as latitudes, adaptam-se as teorias da conspiração, e voilá! A receita funciona em qualquer lado. Assim, apresentamos-vos o nosso avatar de pele azul (para reforçar o seu simbolismo imaterial). A vestimenta é composta por um confortável Onesie - um macacão tricotado, que facilitará qualquer movimento tático de afeto. O seu padrão é uma fiel reprodução do desenho das mais famosas mitenes da história, que aqui também se apresentam para aquecer as mãos do nosso PR. Contudo, não podemos exagerar na meiguice, até porque a web está repleta de piratas, e a renovada atitude de Marcelo - que promete uma participação mais ativa na erradicação do “bicho” – deixa antever que poderá encontrar avatares hostis no seu caminho. Por isso, qual Czar, coroámo-lo com uma espécie de Ushanka hat – gorro de pelo russo – mas com uma dimensão impactante e provido de uns grandes e afiados chifres. Desta forma, poderá defender-se das forças do mal e afugentar os espíritos malignos. Esperemos que este avatar enfrente a fera e nos consiga ajudar nesta difícil jornada inafetiva de aniquilação do mal. t


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O AS MINHAS CANTINAS Por: Manuel Serrão

Taberna do Roberto Grota do Medo, 1 Posto Santo 9700-232 Angra do Heroísmo

A TABERNA DESCONFINADA Com as minhas cantinas todas fechadas há várias semanas, não estava a ser fácil arranjar uma para esta página. Podia tentar recuperar alguma com o pretexto do take away. Poder, podia, mas não era a mesma coisa. Estava eu posto em desassossego com esta ansiedade e tropecei num amigo que me desafiou a ir passar um fim de semana aos Açores, onde eu aliás só tinha estado uma única vez. O argumento definitivo que me seduziu e convenceu foi a notícia que reza que este arquipélago é à data o único território nacional desconfinado. “Vê lá tu que na Terceira podemos ir almoçar ou jantar aos restaurantes sem qualquer problema... e sem infringir qualquer lei ou confinamento”. Foi tudo o que eu quis ouvir. Teria preferido ir conhecer outra ilha, mas fica para a terceira vez que lá for. Nesta minha segunda passagem pelos Açores voltei corajosamente à ilha que foi a minha primeira e a Angra do Heroísmo, a sua capital. Para além do golfe que fiz como o tempo invernoso deixou, dediquei-me a testar, a testar, a testar os lugares que poderiam almejar tornar-se uma cantina do T. Comecei pelo

UM TINTO PARA A LAMPREIA

Beira Mar de São Mateus, que se confirma ser à beira mar e também ficou à beira de ser escolhido. A segunda experiência, no Buzius, junto à Praia da Vitória, não se revelou vencedora, menos refrescante que o Beira Mar e muito menos autêntica que a Taberna Roberto, ou não fosse esta taberna uma terceira escolha que se transformou na escolha primeira. Mal nos sentamos, três foram as entradas sugeridas por mestre Roberto: escabeche de pato, salada de polvo e queijo de S. Jorge com bolo do caco. Já no Beira Mar deram entrada na sala e na mesa as lulas. Servidas e degustadas em três maneiras de as tratar e comecei a achar que a ilha se chama Terceira certamente por uma boa razão. Grelhadas, salteadas e panadas, foi difícil escolher a melhor. Voltando à taberna, seguida a recomendação do filet mignon regional com batata-doce e arroz de pimentos e dei graças a Deus por ter este feitio de acolher sugestões. Com o vinho fiz o mesmo e o Arinto do Pico deu-me a pica certa para uma jornada em cheio. Enquanto durar o confinamento recomendo agora eu uma visita à ilha Terceira. E quando ele acabar pode sempre voltar. t

VINHA DOS INGLESES/TINTO Têxtil e agricultura foram e continuam a ser as duas bases em que assenta a vida da família Pimenta, os donos da Texer – Têxtil de Serzedelo. José, avô de Carla (a terceira geração, atualmente no comendo da empresa) e bisavô de José João (a quarta geração que já está nos negócios) vivia da terra antes de se meter na indústria e nos trapos. A família Pimenta ainda vive na Quinta do Cerdeiro, onde morava o fundador da Texser, e mantémse fiel à raízes agrícolas, tendo até alargado a aposta no setor primário quando adquiriu a Quinta dos Ingleses e acrescentou o queijo ao negócio do vinho verde. É das vinhas desta quinta, em Lousada, que vem o Vinha dos Ingleses Vinho Verde Tinto, com base na casta Vinhão (e um tempero de Azal) que, como é sabido, é o mais recomendado para acompanhar os cozinhados de lampreia. Ora, como a temporada dela está agora mesmo no auge, também este vinho está no ponto para a saborear. Em arroz de cabidela ou refogada à bordalesa, há que tirar o melhor proveito com a ajuda do vinho da Têxtil de Serzedelo.


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c MALMEQUER Por: Cláudia Azevedo Lopes

José Manuel Castro, 62 anos, é o diretor geral do MODATEX. Psicólogo de formação e professor na Universidade do Porto, migrou depois para o IEFP, onde lançou o primeiro ninho de empresas de cultura – o CACE Cultural do Porto. É marido, pai e avô, e adora caminhar: já fez os caminhos de Santiago e, logo que se possa, quer desbravar vias romanas pela Itália

SOUVENIR

UM CASACO COMPRADO E USADO A MEIAS

Gosta Rir de mim próprio Cozinha Escrita e caneta Chico Buarque (livros e canções) Pequeno-almoço de sábado Água e águas Apple Cerejas Chás Jeans e sapatilhas Voleibol Porto (cidade, clube e tripas) e azul sem fim Corto Maltese e Itália Santiago (o apóstolo, a cidade e o Camiño) Cheiro de terra molhada Pemba e Assis Viena e Nova Iorque Rádio em FM Nortada e sol da manhã Honestidade Família e infindável vontade de brincar com as netas Bíblia e boas novas Partilhar, ajudar os outros a aprender e aprender com os outros São João e francesinha (das antigas) Viajar Ouvir e colecionar estórias Reencontros Amigos geniais (e Elena Ferrante) Zambujo GG Márquez e “Viver para conta-la”!

Não gosta Preguiça disfarçada de ocupação Vaidade e conversa fiada Sushi Telemóveis estridentes Especialistas instantâneos Estupidez (a que se nota e a escondida por camadas de esperteza) Comida fria Vinganças Fast food Praga das raspadinhas Dióspiros Meia branca São Valentim Chocolate Que o “céu me caia em cima da cabeça” Patati patatá e falsa erudição Literatura a metro Dan Brown e JR Santos Peso da burocracia e centralismo Desperdício e avareza Peixe espinhoso Marisco e arroz dele Nariz frio e gorros Chuva, chuva e mais chuva Cheiro de fritos e torresmos Textos ser vírgulas Anglicismos e palarvas (larvas que se alimentam da carne do nosso idioma, segundo J.E. Agualusa) Escrever sobre o que não gosto

Podia referir o fato da primeira comunhão, com umas calças à escocesa, com elásticos, que nunca esqueci, mas foi outra a peça de vestuário que mais adorei e da qual guardo memórias bem emotivas. Um casaco que comprei a meias com um colega e que usávamos de forma alternada. Sendo a partilha a mais profunda manifestação de amizade aquele casaco azul de fazenda foi também um símbolo de uma enorme cumplicidade que me acompanhará pela vida inteira. Um casaco azul, sem golas, que creio ter sido comprado nos Pintos, na Rua de Santa Catarina. Foi numa altura em que jogava no juniores do FC Porto e o meu grande parceiro era o Vítor Armada, um esquerdino fabuloso, jogava imenso, que infelizmente veio a falecer num acidente ainda antes dos 20 anos. Vivíamos no lar do clube, na Rua da Alegria, e aos sábados à tarde íamos para os bailaricos que se faziam no salão do Clube Vasco da Gama, na Batalha. Uns autênticos galãs com aquele casaco vestido, uma vez eu, outra vez ele. Na altura já ganhávamos uns trocos, uns 360 escudos por mês, mas acabamos por comprar a meias porque era o único e ambos o queríamos. Uns 80 escudos cada, creio. Adorava aquele casaco, fazia-me sentir único e diferente. Ficava mesmo porreiro com as camisolas de gola alta que se usavam. Fazia-me sentir distinto, uma peça que ninguém mais tinha, num estilo quase militar, de capitão da marinha, linhas direitas, sem gola e botões de cima abaixo, parecido com os que os Beatles usavam. Foi a peça que mais me marcou, que adorei, até porque tem o grande simbolismo de ter sido com ela que partilhei as melhores histórias da minha juventude. Creio que terá ficado com o Vítor, já que se o tivesse ainda hoje comigo, não teria deixado que desaparecesse. t António Oliveira


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