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DOIS CAFÉS & A CONTA

ANA RONCHA

Diretora do mestrado em Strategic Fashion Marketing no London College of Fashion

RUI MIGUEL O PROFESSOR PRAGMÁTICO

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“O DIGITAL TEM DE ESTAR NO CENTRO DA NOVA FORMA DE PENSAR”

P8

N Ú M E RO 3 8 D E Z E M B RO 2 01 8

P 20 A 22

DIRETOR: MANUEL SERRÃO MENSAL | ASSINATURA ANUAL: 30 EUROS

EMERGENTE

CLARA FERNANDES: JOVEM, FRANCESA E MUITO DECIDIDA P 33

PERGUNTA DO MÊS

QUE ESPERANÇAS E DESEJOS PARA 2019?

FOTO: RUI APOLINÁRIO

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INOVAÇÃO

EMPRESAS

O UNIFORME QUE MELHORA O DESEMPENHO DOS SOLDADOS

FITECOM INVESTE 2,5 MILHÕES NOS ACABAMENTOS

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Dezembro 2018


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CORTE&COSTURA

EDITORIAL

Por: Júlio Magalhães

Por: Manuel Serrão

Marta Fonseca 30 anos Fundadora da Latitid, começou a colecionar prémios como designer de swimwear logo após ter feito Design de Moda (ESAD) e um Master em Produção de Moda (Barcelona). Em miúda sonhava ser veterinária ou farmacêutica, mas a vida provou-lhe que estava destinada a criar fatos de banho. Seize the day é o seu lema, e com isso desfruta também do sucesso da marca.

LONDRES NO SAPATINHO Nesta edição natalícia do T Jornal temos uma “prenda” especial, vinda diretamente de Londres, para os nossos leitores. Como os leitores mais atentos já terão reparado, temo-nos esforçado por dar mensalmente conta das notícias e temas que mais se destacam no universo da nossa ITV e temos sido useiros e vezeiros em dar à estampa as caras e os conteúdos dos principais agentes deste universo. Mas também não temos descurado, como um dos objetivos do jornal, a introdução e apresentação de novas pessoas e novas empresas que começam a dar cartas no nosso mundo têxtil, moda e vestuário. Desta vez, a novidade é que fomos a Londres buscar uma portuguesa, Ana Roncha, que descobrimos ter uma série de mensagens que reputamos muito interessantes para os nossos leitores. O T gostou muito de conhecer a Ana e de saber o que anda ela a fazer por esse mundo que interessa à nossa ITV. Com votos de Bom Natal para todos ficam também os meus votos de que possam gostar desta nossa “prenda”.

Quando decidiste abraçar uma carreira de criadora, estavas à espera de ter tantos prémios em tão pouco tempo? Nunca me tinha passado pela cabeça. Entrei no curso de design de moda com o objetivo de crescer na área. No entanto, nunca pensei que isso acontecesse logo no meu 1º ano de curso, quando ganhei o Concurso Triumph Inspiration Award’08. Foi tão importante que despertou em mim a vontade de me candidatar a outros concursos. O 2º prémio que ganhei foi quando desenhei o meu primeiro fato de banho e foi sem dúvida o mais marcante, tendo sido aí que nasceu o “bichinho” pela área do swimwear. Vais adormecer à sombra dos louros ou a cada prémio recebido é maior a responsabilidade de teres sucesso? É claro que cada prémio me faz sentir ainda mais responsável e motivada para trabalhar e alcançar novas metas. Todos os anos, o objetivo é superar o ano anterior. Trabalhamos para nos excedermos e apresentarmos uma campanha que nos realize a todos os níveis. Com tantas áreas onde podias explorar a tua criatividade, porque razões escolheste a área do swimwear? Em 2013 havia poucas marcas de swimwear portuguesas. Não fazia sentido viver num país com seis meses de bom tempo, com uma costa invejável, e não haver uma marca de swimwear com um design marcante e diferente. A outra razão foi porque eu já desenhava e mandava confecio-

nar os meus próprios fatos de banho e perguntavam-me porque é que eu não fazia esses modelos para vender. Juntamente com as minhas duas sócias Fernanda e Inês, achámos que fazia sentido aproveitar esta oportunidade. A Latitid está satisfeita com as suas vendas no mercado interno, ou está com vontade de alargar horizontes? Estamos satisfeitas com o mercado interno. Cada ano aumentamos a produção e superamos objetivos. Mas a internacionalização não está posta de lado. Cada vez temos mais estrangeiros a comprarem nas nossas lojas. Na de Lisboa, mais de 30% dos clientes são estrangeiros e pelo sucesso das vendas da loja online para fora de Portugal, a internacionalização pode estar para breve. Como é que a Latitid ultrapassa o problema de sazonalidade do mercado de swimwear? Hoje em dia as pessoas viajam o ano inteiro para destinos de calor. Vendemos fatos de banho 12 meses por ano. Os meses de Inverno são obviamente mais fracos, mas as vendas têm vindo a aumentar substancialmente de ano para ano.

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- MENSAL - Propriedade: ATP - Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal. NIF: 501070745 Editor: Paulo Vaz Diretor: Manuel Serrão Morada Sede e Editor: Rua Fernando Mesquita, 2785, Ed. Citeve 4760-034 Vila Nova de Famalicão Telefone: 252 303 030 Assinatura anual: 30 euros Mail: tdetextil@atp.pt Assinaturas e Publicidade: Cláudia Azevedo Lopes Telefone: 969 658 043 - mail: cl.tdetextil@gmail.com Registo provisório ERC: 126725 Tiragem: 4000 exemplares Impressor: Grafedisport Morada: Estrada Consiglieri Pedroso, 90 - Casal Santa Leopoldina - 2730-053 Barcarena Número Depósito Legal: 429284/17 Estatuto Editorial: disponível em: http://www.jornal-t.pt/estatuto-editorial/

Se pudesses escolher um mercado externo especial para dar o pontapé de saída em grande, qual escolherias? Espanha e França, sem sombra de dúvida, e a Austrália para combater a sazonalidade. t


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mundo e que isso nos traga a certeza de um futuro risonho e consistente! Que o nosso esforço seja um investimento com certeza de retorno!

PERGUNTA DO MÊS

1.

AGOSTINHO AFONSO

GENERAL MANAGER DA TÊXTEIS PENEDO

QUE ESPERANÇAS E DESEJOS PARA 2019? O assinalável sucesso da indústria têxtil e do vestuário nacional não teve – como outros setores – um qualquer abrandamento ao longo de 2018: manteve ritmo de crescimento, insistiu nas exportações e aprofundou o foco na inovação, transformando-se num case study internacional das indústrias com preocupações ambientais e de sustentabilidade. São motivos necessários e suficientes para a ITV se considerar a si própria de parabéns, mas de algum modo são também fatores que implicam o comprometimento na continuação de um caminho que tem mostrado ser o mais correto. Mas como a indústria e as empresas são antes de tudo pessoas, foi a elas que o Jornal T recorreu para, na primeira pessoa, mostrar que 2019 será mais um ano ao longo do qual esse comprometimento será o esteio de novos sucessos.

Em 2019 serão apresentados ao mercado vários produtos inovadores com destaque para o Cork-a-Tex e o Ledintex, mas também na área mais tradicional da Penedo.

5.

ANA VAZ PINHEIRO

fatia do mercado em grande ascensão. O desejo de ser diferente e causar impacto vai-se intensificar ainda mais no próximo ano. A criatividade e atuar fora da zona de conforto serão com certeza as habilidades essenciais para enfrentar os novos desafios, devendo ser encorajadas como potentes armas para fazer a mudança. Espero que em 2019 a industria têxtil portuguesa prossiga a sua trajetória de afirmação e reconhecimento para continuar a dignificar este sector a nível internacional. Feliz 2019!

ADMINISTRADORA DA MUNDOTÊXTIL

Que as empresas portuguesas superem, com dinamismo e inovação, os muitos desafios que este ano de 2019 lhes trará!

8.

2.

ANTÓNIO LEITE

DIRETOR COMERCIAL DA FATEBA

ALEXANDRA MACEDO

DIRETORA DA BEST MODELS

Em 2019 a Best Models completa 20 anos de vida. Assim, os meus desejos para o próximo ano estão focados na continuação da qualidade do trabalho que realizamos diariamente, no nosso crescimento pessoal e empresarial e na manutenção do sucesso desta família. Que seja um Excelente 2019 para todos!

3.

ALEXANDRA OLIVEIRA

CRIADORA DA PÉ DE CHUMBO

Quero em 2019 apostar numa imagem mais forte, manter os nossos clientes e apostar no novo projeto que estamos a consumar em Los Angeles, nos Estados Unidos, será o nosso maior foco.

6.

ANTÓNIO AMORIM

PRESIDENTE DO CITEVE

Que o fator da sustentabilidade e da economia circular sejam uma prioridade nas empresas do sector, no sentido que se venha a tornar um elemento diferenciador da indústria do têxtil e vestuário português. Que o poder político seja recetivo à eliminação dos chamados custos de contexto, os quais as empresas não conseguem controlar, tendo de os suportar, e que pesam negativamente na competitividade do setor, como por exemplo o custo da energia e dos combustíveis, para além das taxas e taxinhas. Que existam políticas públicas mais alinhadas com as instituições do sector no apoio à formação de mão-de-obra mais qualificada que permita acompanhar a evolução tecnológica.

7.

ANTÓNIO CUNHA

Há vários projetos para o próximo ano: venda online; parcerias com outras empresas (cerâmica, cutelaria, acessórios de mesa, etc.); maior incidência em marcados em fase de crescimento; mais participações em feiras internacionais; tornar a nossa marca mais forte e mais conhecida a nível internacional.

9.

CARLOS PINTO

ADMINISTRADOR DA VILARTEX

Iremos terminar o ano de 2018 elegendo ‘esperança’ como a palavra de ordem para 2019. Os nossos focos para 2019 é continuar a investir de forma a manter a empresa na fileira dos têxteis. Iremos trabalhar para continuar a aumentar as vendas do mercado externo. Trabalhar para fidelizar ainda mais os clientes e as grandes marcas mundiais.

10.

ARTUR SOUTINHO

CEO DO GRUPO MORETEXTILE

SALES MANAGER DA ORFAMA

4.

ANA SILVA

HEAD OF SUSTAINABILITY DA TINTEX

Que 2019 continue a destacar a indústria têxtil portuguesa no

Vivemos hoje um período onde as pessoas reclamam pela verdade e pela transparência, estão mais conscientes de como os seus produtos são fabricados. A moda ética está a despertar o interesse de uma

O ano de 2019 será marcado por menores crescimentos económicos, num ambiente bastante desafiante para o sector dos têxteis-lar, em que se colocarão ajustamentos significativos à indústria, como consequência dos ajustamentos que se verificam no sector de retalho. A


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13.

CRISTINA MOTTA

REPRESENTANTE DA MESSE FRANKFURT EM PORTUGAL

busca pela eficiência será ainda mais decisiva, pela necessidade de diminuir o impacto negativo que se verifica na competitividade da indústria, devido aos aumentos significativos dos fatores de produção, como a energia e o trabalho.

Se 2018 foi uma ano em que os têxteis foram notícia pela pujança, pela constante capacidade de inovação e pelos prestigiosos prémios ganhos em eventos internacionais, penso que 2019 será para muitas empresas um ano de consolidação de uma es-

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da indústria têxtil nacional no mercado internacional – através das minhas atividades de projeção de tendências, de direção criativa e design, de marketing e como docente – apoiando desta forma o crescimento qualitativo e quantitativo do têxtil e da moda portugueses no mercado global.

16.

gola – dois mercados que têm sido importantes para a marca. Iremos também continuar a trabalhar no posicionamento premium, não só nas coleções de noivas, como também nas propostas prêt-à-couture.

19.

HUGO MIRANDA

CEO DA INBICTUS

FÁTIMA LOPES

ESTILISTA

11.

AUGUSTO LIMA

VEREADOR DA CÂMARA MUNICIPAL DE FAMALICÃO

Desejo que 2019 seja o ano de afirmação da marca Famalicão Cidade Têxtil como reflexo de um sector a confirmar o crescimento sustentável que se vem verificando nos últimos anos. Vila Nova de Famalicão, epicentro da ITV nacional, pode muito bem destacar o trabalho das suas pessoas e da visão estratégica de muitos dos seus empresários, contribuindo de forma inestimável para a economia portuguesa. De resto, o bem-estar, o sucesso e a felicidade de quem viva, trabalhe ou estude neste concelho será o suficiente para fazer de 2019 um grande ano!

tratégia que se centra no desenvolvimento de produtos inovadores e sustentáveis. O tema da sustentabilidade tornou-se num imperativo global e Portugal está muito bem posicionado para se apresentar como um país capaz de oferecer uma garantia de qualidade neste campo. Sendo 2019 um ano recheado de importantes feiras têxteis, estou certa de que será profícuo em muitas e surpreendentes notícias sobre os desenvolvimentos do sector.

14.

DIANA PEREIRA

O ano de 2019 será de comemoração dos 20 anos do desfile de Paris que marcou o início da minha carreira. O ano será também de continuação de um trabalho que já vem de trás e que terá alguns acontecimentos importantes. Antes de Paris, estaremos em Milão, na feira de calçado, para apresentar uma nova coleção. Acho que 2019 vai ser um ano muito importante.

17.

12.

CRISTINA FLORES

O foco da marca DFitApparel é lançar a primeira coleção de banho para o mercado, começando pela venda online através da loja www.dfitapparel.com, dar a conhecer a marca ao público via internet e ter alguns locais físicos para a venda direta. Queremos levar uma marca portuguesa feita em Portugal além-fronteiras.

Estamos convencidos que 2019 será o nosso ano de afirmação no mercado do vestuário inteligente, funcional e técnico. Será o ano pós-lançamento do primeiro produto com a nossa marca Inbictum e, por isso, queremos que seja um ano para desenvolver e criar mais produtos, estreitar relações com os clientes e parceiros. Avizinha-se assim um ano de muita inovação e muitos desafios.

20.

ISABEL COSTA

FERNANDO MERINO

CRIADORA DA BUREL

DIRETOR DE INOVAÇÃO E MARKE-

MOUNTAIN ORIGINALS

TING ESTRATÉGICO DA ERT TÊXTIL

CRIADORA DA DFIT APPAREL

Interesso-me pela inovação como foco de dinamização empresarial. Em 2019 interessa-me perceber as skills da indústria 4.0 porque acredito que a tecnologia do futuro vai continuar a ser concebida pelas pessoas. Vou estar focado também nas ferramentas de gestão do conhecimento, do business intelligence e do marketing estratégico.

mar de faturação e de reconhecimento astronómico. O ano de 2019 será de estabilização, mais que de crescimento. Claro que continuamos no terreno para aumentar o número de mercados: temos permanentemente os nossos comerciais a trabalhar nesse sentido e é política da empresa alargar os seus mercados.

Apesar de toda a agitação em tantas partes do mundo, Portugal consegue ter paz e isso representa o país que somos, um país com confiança e tranquilidade. Do ponto de vista da empresa espero que consigamos continuar com os projetos que desenvolvemos, para criarmos mais e melhor economia para o país.

22.

KATTY XIOMARA

ESTILISTA

Desejo com alguma esperança que exista um movimento que proporcione maior intercambio entre os diferentes intervenientes do panorama criativo nacional, por forma a criar sinergias verdadeiramente diferenciadoras. Isto seria de facto uma boa tarefa para todos em 2019!

23.

JOAQUIM CUNHA

CEO DA CRISTINABARROS

O sucesso é o que todos desejamos, mas, para alcançá-lo é necessário muito empenho e dedicação. Para o ano de 2019 desejamos que todos continuem com a mesma força de vontade e motivação, porque, sem dúvida, é o mais importante e fundamental para o sucesso da CristinaBarros. Vamos continuar a ‘espalhar’ a nossa marca mundo fora, sempre com o maior orgulho em sermos 100% portugueses.

DIRETORA GERAL DA IORA LINGERIE

Para 2019 desejo o crescimento do posicionamento da marca Iora Lingerie mundialmente e a especialização no design e na qualidade das matérias-primas, de forma a sermos cada vez mais competitivos. Ambicionamos também o aumento do volume de negócios, a criação de uma imagem mais forte da Iora Lingerie no mundo das redes sociais e, quem sabe, criar uma loja online. Por último, queremos continuar a cumprir com todos os nossos compromissos.

15.

18.

CONSULTORA DE DESIGN

ESTILISTA

DOLORES GOUVEIA

JOAQUIM ALMEIDA

PRESIDENTE DA J.F.ALMEIDA

GIO RODRIGUES

E MARKETING DA FASHION TRENDS

Desejo em 2019 continuar a ter a oportunidade de contribuir para a diferenciação e afirmação

21.

Para o próximo ano, a marca Gio Rodrigues deseja continuar a crescer no mercado externo, em especial em Espanha e An-

24.

JORGE PEREIRA

CEO DA LIPACO

Se 2019 correr tão bem como o ano de 2018, já estará muito bem. Foi um excelente ano para a JFA, com excelentes resultados – tudo indica que vão ser muito positivos: já estamos num pata-

O ano de 2019 será de expetativas a superar. Um ano em que teremos disponível um aumento significativo da nossa capacidade produtiva e a apre-


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vendas online, assim como pretendo continuar a apresentar todo o processo criativo das coleções no Instragram maria_gambina. Paralelamente, continuar a ter como parceiros a Tintex, a Lemar e a

sentação de novos produtos ao mercado. Por isso será também um ano de concretização de projetos e de desejo de estabilidade social e politica nos mercados onde operamos.

europeu, que tem por base baixos custos de produção, continuará a ser um desafio para a empresa. Acredita-

28.

MANUELA ARAÚJO

CEO DA LEMAR

25.

JOSÉ ARMINDO FERRAZ

Continuar como sempre à procura de coisas novas, tentando ser sempre que a Lemar continue um dos pontos fulcrais do sector têxtil português.

RDD para a realização de duas novas coleções a serem apresentadas no Portugal Fashion.

mos que a diferenciação, aliada à qualidade, e a continuação da aposta em novas tecnologias e em processos de gestão mais avançados, serão uma mais-valia.

29.

31.

35.

CEO DA NAZARETHCOLLECTION

DIRETORA DE PRODUÇÃO

DESIGNER DA WEDOBLE

CEO DA INARBEL

O que desejo a todos é sucesso para as novas etapas que possam surgir e uma grande vontade de vencer e atingir todos os objetivos definidos. Sendo assim, a marca Portugal fica ainda mais forte, o que é a vontade de todos.

MÁRCIA NAZARETH

MARIA JOSÉ CARVALHO

processos e instrumentos do agora famoso 4.0, com o objetivo de otimizar cada vez mais a operação e extrair dados relevantes para os processos de tomada de decisão e avaliação de performance . Existirá também foco no aprofundamento dos processos de investigação do departamento de design, cada vez mais orientado para a expectativas dos nossos clientes. Resta desejar a todos os nossos pares, parceiros e fornecedores um 2019 cheio de oportunidades e novos caminhos. A Pedrosa & Rodrigues estará sempre disponível para colaborar e partilhar riscos e recompensas com todos na fileira portuguesa.

MARTA INOCÊNCIO

SUSTENTÁVEL DO CITEVE

26.

JOSÉ ALEXANDRE OLIVEIRA

CEO DA RIOPELE

Sendo realista, antevejo o acentuar de uma mudança (viragem): a roupa deixa de ser prioridade, já não é mais um símbolo de status e quase pelo mesmo preço de duas peças de roupa faz-se uma viagem de avião. Irá acontecer uma redução da dimensão dos grandes retalhistas e aumentar as dificuldades. Com mais de 40 anos neste setor, temos de estar atentos a estas mudanças, pois poderemos mais uma vez reinventar soluções.

27.

JOSÉ MORGADO

DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA E ENGENHARIA

Para este novo ano de 2019 os meus desejos passam por continuar a crescer como pessoa e profissional. Que me traga uma nova versão de mim mesma. Mais ajustada à atualidade e às necessidades ambientais. Muita criatividade bem direcionada, para que possa expandir internacionalmente. Feliz ano!

Em 2019, o meu foco será sempre a conquista, o caminho e a solução. Que o design e o marketing prevaleçam sempre no arranque dos meus projetos.

36.

38.

NOËL FERREIRA

ADMINISTRADOR DA AFERFI

Mais um ano em que o setor têxtil subiu acima da média. O défice a baixar e o turismo a subir. Há que ser otimista mesmo que se saiba que maus ventos ameaçam. A saúde é que nos vai dar alento para enfrentar os desafios. Que 2019 traga ao mundo mais paz, menos fome e muita saúde.

MÓNICA MACHADO MOREIRA

30.

MARIA CARLA PIMENTA

CEO DA TEXSER

DIRETORA DA AEP INTERNACIONAL

33.

MÁRIO JORGE SILVA

Seguir crescendo de forma equilibrada e sustentável sempre focada no objetivo por nós traçado, apostando na qualidade e no bom relacionamento com os nossos clientes. Com esperança que 2019 seja um ano em que o apoio ás empresas seja mais significativo para estarmos á altura de enfrentar novos desafios.

34.

MARIA GAMBINA

ESTILISTA

DO CITEVE

Para 2019 espero que a indústria têxtil portuguesa continue no seu percurso otimista rumo à excelência 4.0, com muita funcionalidade e sustentabilidade.

Segundo o Fórum para a Governação Integrada, 2019 será o Ano Nacional da Colaboração. Assim, espero que esta iniciativa nos inspire, em 2019, no sector têxtil e do vestuário, a trabalharmos cada vez mais em colaboração, em particular nas ações com vista à sustentabilidade e economia circular. Feliz 2019.

CEO DA TINTEX

Para o próximo ano, perspetivo o crescimento da área sustentável das empresas portuguesas, o reforço das vendas online e o fortalecimento das parcerias entre empresas e entidades científicas e tecnológicas. Que seja um ano de crescimento sustentado.

34.

MÁRIO MIRANDA

CEO E CFO DA OLMAC

Os meus focos profissionais para 2019 serão direccionados na divulgação, marketing e vendas das peças da marca Maria Gambina. Neste momento já se encontra em desenvolvimento o site da marca para

Que em 2019 tenhamos orgulho no caminho percorrido e sem receio do que o futuro ainda nos possa trazer. Força para lutar pelos objetivos definidos e persistência face às adversidades, sem perder o foco da nossa realização profissional e pessoal.

PATRÍCIA MAGALHÃES

HEAD OF INTERNATIONAL BUSINESS DA TROFICOLOR

37.

MIGUEL PEDROSA RODRIGUES

Em 2019, queremos continuar a basear-nos na inovação, design e serviço para aumentar a nossa carteira de clientes. O aumento da competitividade do leste

39.

ADMINISTRADOR DA PEDROSA & RODRIGUES

Para 2019, a Pedrosa & Rodrigues irá focar-se na evolução contínua dos seus

É estratégia da Troficolor continuar a fazer as principais feiras e dar a conhecer as nossas coleções, tendo como principal feira a Première Vision Paris. O nosso objetivo passa pela consolidação dos mercados onde já operamos, sendo que os mercados europeus são os que têm maior relevância. Continuaremos a apostar no mercado nipónico e estamos sempre atentos a mercados como os EUA e a América Latina.


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40.

PAULO COELHO LIMA

ADMINISTRADOR DA LAMEIRINHO

O nosso foco para 2019 vai no alinhamento da estratégia que definimos para estes últimos cinco anos. Crescer em mercados onde já marcamos presença e crescer no canal digital. Estamos também a apostar fortemente na área de Contract e apoiar as unidades hoteleiras premium. A propósito dos nossos 70 anos, lançámos a marca Lameirinho Collection e estamos a fazer esforços em comunicação para a tornar numa love brand para quem privilegia um produto de qualidade.

-o cada vez mais circular, afastando-nos do antigo paradigma linear que até agora tem conduzido a impactos fortes e negativos no meio ambiente e, em muitos países, na exploração negativa das pessoas que trabalham ao nível mais básico da cadeia de produção. Com o projeto Green Circle, do qual sou um dos mentores, pretendemos incentivar e comunicar novas soluções tanto ao nível dos têxteis como do design mais sustentável e amigo do ambiente. Começaremos já em janeiro com a NEONYT em Berlim, com um showcase que esperemos que marque a diferença nesta nova abordagem do sistema de moda.

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a Industria 4.0 e a digitalização de processos hoje colocam, renovando-se e reinventando-se mais uma vez. Espero também que

45.

ciclo de vida do produto digitalizado. Desejo que abracem a transformação digital com a Lectra, criem valor e sejam competitivos.

RICARDO SILVA

HEAD OF OPERATIONS DA TINTEX

Desejo que 2019 se revele como um passo marcante do setor têxtil nacional na sua jornada de afirmação global, através de criação estratégica de sinergias entre as organizações.

estas empresas continuem a olhar para a Lectra como um parceiro de negócio que converte as necessidades e desafios dos nossos clientes em inovações industriais, e finalmente, que através da excelência e de soluções únicas possamos ser capazes de contribuir para definir o ritmo da indústria de amanhã.

46.

RITA FERNANDES

43.

PAULO NUNES DE ALMEIDA

PRESIDENTE DA AEP

PAULO FARIA

DIRETOR COMERCIAL DA PAULA BORGES

Seguir a senda de 2018 e crescer paulatinamente de forma sustentada e consciente. Persistir naquilo que acreditamos e porque trabalhamos arduamente todos os dias. Ter a consciência de que o nosso sector é do melhor que se faz por esse mundo fora, e nunca perder a lucidez de mostrar sempre o que somos e o que valemos. Para quem merece, e nós merecemos, o futuro é árduo mas só poderá ser risonho.

Para Portugal, desejo que 2019 seja um ano sem grandes tentações eleitoralistas, de forma a que seja possível obter o equilíbrio das contas públicas. Ao mesmo tempo que o país possa ter uma taxa de crescimento que lhe permita convergir com a União Europeia, puxado pelo investimento e pelas exportações de bens e serviços. Para a AEP, que reforce o seu importante papel de apoio ao tecido empresarial com uma voz credível e respeitada junto da opinião.

DIRETOR CRIATIVO DA MANIFESTO MODA

O ano de 2019 será determinante para a consolidação dos novos alicerces no sistema de moda, tornando-

49.

RUI MAIA

INTERNATIONAL BUSINESS MANAGER TÊXTIL CÃES DE PEDRA

Aprendemos que o otimismo é a base do sucesso, por isso devemos acreditar com muita motivação no próximo ano de 2019 e tornar realidade os objetivos estipulados.

47.

RODNEY DUARTE

DA FS CONFECÇÕES

Anseio por 2019 positivamente, pois sei que a equipa irá colher os frutos do esforço e espírito de sacrifício de 2018. Desejo conquistar novos mercados mas acima de tudo sedimentar as nossas parcerias e surpreender os nossos clientes mais fiéis. Esperamos ter a garra necessária para as alterações estratégicas a implementar: desejamos abrir loja física ‘onde começou Portugal’ e investir na nossa presença digital com coleções cápsula exclusivas.

54.

VÍTOR ABREU

51.

PRESIDENTE DO CONSELHO DE

ADMINISTRADOR DA INOVAFIL

No plano interno, políticas de incentivo ao investimento das empresas e baixa do IRC, que infelizmente foi revertido pelo atual Governo, contribuindo assim para a permanente instabilidade com que somos confrontados principalmente nos aspetos fiscais. No plano externo, o mesmo desejo de estabilidade mas agora na vertente comercial e de relações internacionais entre países, evitando assim a atual turbulência tão negativa para a desejável consolidação e previsibilidade das nossas estratégias comerciais.

ADMINISTRAÇÃO DA ENDUTEX

RUI MARTINS

PAULO RIBEIRO

PAULO GOMES

Esperamos que 2019 seja um ano de expansão das exportações têxteis nacionais, em linha com os investimentos que se têm realizado no sector nos últimos anos. Que o grupo Mundifios esteja à altura do desafio de se manter como um parceiro estrutural para os seus clientes.

EXPORT SALES MANAGER

44. 42.

SUSANA LOPES BETTENCOURT

DESIGNER DA FASHION KNITWEAR

ADMINISTRADORA DA MUNDIFIOS

41.

53.

DIRETOR COMERCIAL DA CRIALME

As perspetivas para 2019 são boas, vamos continuar sempre na mesma linha que temos traçado para a empresa. Vai ser um ano de continuidade. Temos um projeto devidamente delineado, traçado, e vamos continuar a ser fiéis a este projeto.

Paz, saúde e felicidade são os nossos desejos nesta época natalícia. A FS Baby continua a apostar em materiais orgânicos para deste modo contribuir para um mundo melhor e sustentável. Boas festas e um ótimo 2019.

48.

RODRIGO SIZA VIEIRA

DIRETOR GERAL DA LECTRA PORTUGAL & ESPANHA

Que 2019 seja o ano da consolidação dos projetos de inovação em curso e a oportunidade para o desenvolvimento de muitos outros, assim o mercado ajude! Feliz ano Têxtil 2019!

52.

SUSANA COSTA

FIELD MARKETING MANAGER DA LECTRA PORTUGAL

Espero que as indústrias do sistema de moda em Portugal continuem a demonstrar a sua capacidade de responder aos desafios que

O foco para 2019 é comunicar a estratégia da Lectra 4.0, para ajudar os nossos clientes na criação de um


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DOIS CAFÉS & A CONTA Puralã

Alameda Pero da Covilhã 6200-597 Covilhã

Entradas: Tomate com mozzarella, salmão fumado e polvo com molho verde Prato: Javali com molho de frutos vermelhos Bebidas: Água, Quinta dos Termos Riesling e um café

RUI MIGUEL

Nasceu na Covilhã, sendo o mais velho dos três filhos do casamento de um trabalhador dos serviços municipalizados com uma doméstica. Mas tinha um tio debuxador, que trabalhou na Têxtil do Mindelo, pelo que não fugiu à regra de que toda a gente na Covilhã tem sempre alguém da família na têxtil. Quando acabou o liceu, no ano do 25 de abril, planeava ir estudar Engenharia Mecânica na FEUP, mas mudou de ideias face à abertura de Engenharia Têxtil no então Instituto Politécnico da Covilhã. “Bem vistas as coisas, na têxtil também havia máquinas…”, explica o aluno nº 7 do 1º curso de Engenharia Têxtil da UBI - universidade onde viria a deitar âncora como professor após dez anos de nomadismo, em que passou pela capital, três fábricas, o Instituto dos Têxteis e ainda deu aulas de Matemática no secundário. Casado com uma empresária, têm duas filhas: a Raquel, 35 anos, que já lhes deu um casal de netos, e a Beatriz, 26 anos, que está no mestrado de Economia da FEP

O PROFESSOR PRAGMÁTICO

FOTO: ANTÓNIO GONÇALVES

62 ANOS PRESIDENTE DO DCTT DA UBI

Não há empresário que não se queixe amargamente da falta de engenheiros têxteis, uma espécie cada vez mais escassa - e por isso mais valiosa. Apesar disso, a UBI hesita em ressuscitar o curso de Engenharia Têxtil, descontinuado na viragem do século, quando no horizonte da ITV se perfilava um céu plúmbeo, pejado de nuvens ameaçadoras. Rui Miguel, presidente do Departamento de Ciência e Tecnologia Têxteis (DCTT) da UBI não esconde algum ceticismo quanto à viabilidade do relançamento do curso e justifica as reticências com a evolução recente da procura. No ano letivo 17/18, apareceram 60 candidatos para as 20 vagas abertas pela UMinho para o único curso de Engenharia Têxtil do nosso país. Mas este ano a procura voltou a cair. As 30 vagas acabaram preenchidas, mas na primeira fase houve apenas 22 candidaturas. “Estou em crer que não há espaço para a UBI”, resume Rui Miguel, um engenheiro têxtil que conhece o setor por dentro e por fora - estagiou na Penteadora, trabalhou na Paulo Oliveira, foi dire-

tor de produção na laneira Manuel Lopes Henriques, em Lisboa, onde se demorou três anos (“como experiência valeram por dez anos”), antes de regressar à Covilhã, onde passou pelo laboratório do Instituto dos Têxteis antes de se sedentarizar como professor na UBI. De quem será a culpa por este estranho desencontro entre a oferta (de empregos de engenheiros têxteis e de vagas no curso da UMinho) e a procura por parte dos pré-universitários? O presidente da DCTT absolve os alunos da responsabilidade por este desajustamento. “Nas Engenharias, os alunos são muito racionais. Mal a construção civil entrou em crise, as vagas para os cursos de Engenharia Civil ficaram desertas. No nosso caso, o fenómeno é diferente, pois a têxtil está a atravessar uma fase muito boa. A questão é que em vez de uma formação em banda estreita, como a Engenharia Têxtil, os alunos preferem outras de banda larga, com um leque de saídas mais abrangente, como a EPGI-Engenharia de Produção e Industrial”, explica Rui Miguel.

Os empresários estão a perceber isso e pragmaticamente colmatam a escassez de engenheiros têxteis através da reconversão de engenheiros químicos, mecânicos, eletrotécnicos ou EPGI. Também pragmática, a UBI apostou no Design de Moda, onde leciona os três graus académicos - a licenciatura, dois mestrados (Design de Moda e Branding e Design de Moda, em parceria com o IADE) e um doutoramento, (com a UMinho) em que estão envolvidos cerca de 200 alunos. "Apostamos em ser a escola que melhor consegue fazer a ponte entre a parte criativa e a componente tecnológica. É por isso que somos procurados. Os nossos alunos têm a criatividade mas também metem a mão na massa, trabalhando nas oficinas. Não levam os trabalhos para casa, para serem executados por uma costureira ou pela mãe que trabalha numa fábrica. Fazem-nos aqui, na faculdade", conclui Rui Miguel, um professor pragmático e racional que, se fosse hoje, muito provavelmente não voltaria a fazer Engenharia Têxtil - mas talvez EPGI ou Design de Moda. t


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quality impact arquitetura e soluções de espaços

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1. O AUDITÓRIO DOS OCEANOS, NO CASINO LISBOA, FOI O PALCO ESCOLHIDO PARA A ENTREGA DE PRÉMIOS DESTE ANO

FOTOSINTESE

O FFF VIAJOU ATÉ LISBOA E FOI AO CASINO Pela primeira vez em Lisboa, e pela primeira vez aberta ao público, a cerimónia de entrega de prémios do 5º Fashion Film Festival foi uma demonstração de glamour e muito talento. Com mais de 120 filmes em competição, a final do concurso juntou figuras da moda e da indústria nacional com produtores e realizadores um pouco de todo o mundo. Ao longo da noite, entre aplausos e momentos musicais, foram subindo ao palco os grandes vencedores, com especial destaque para marcas e empresas portuguesas, como a Latitid, a RDD ou a Falcão Fibras.

2. NUMA EDIÇÃO DEDICADA À MÚSICA, NUNCA FALTOU ANIMAÇÃO. ANTES DA CERIMÓNIA, A WARM UP SESSION ESTEVE A CARGO DA DJ BELITA

5. FERNANDO FERNANDES (FF) ABRIU A CERIMÓNIA COM O TEMA WRITING’S ON THE WALL DO FILME 007 SPECTRE. A ENTREGA DOS PRÉMIOS FOI PAUTADA POR VÁRIOS MOMENTOS MUSICAIS

6. COM UM NOVO DESIGN (MUITO ELOGIADO), O GALARDÃO FFF FOI A ESTRELA DA NOITE

10. MARTA FONSECA, DA LATITID, NÃO ESCONDEU A ALEGRIA E O ORGULHO AO VENCER O COBIÇADO TÍTULO DE MELHOR FILME DE MARCA, ENTREGUE POR SOFIA RIBEIRO E MÓNICA NETO, DA ANJE

11. “MOVE”, DA FALCÃO FIBRAS, VENCEU O PRÉMIO FFF MÁXIMA, VOTADO PELO PÚBLICO. ANTÓNIO FALCÃO (FILHO) RECEBEU O PRÉMIO DAS MÃOS DE MARINA SOUSA


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4. BRAZ COSTA (CITEVE), MARINA SOUSA (REVISTA MÁXIMA), KATTY XIOMARA, ALEX TURVEY E FRANK FUNKE (BERLIM FASHION FILM FESTIVAL) ASSISTIRAM À ENTREGA DOS PRÉMIOS

3. DURANTE O JANTAR VOLANTE, AS EXPETATIVAS IAM CRESCENDO E AS CONVERSAS CENTRAVAM-SE NOS FILMES E MARCAS A CONCURSO

9. RUI ZINK NÃO POUPOU NOS ELOGIOS AO FESTIVAL E AOS FILMES NOMEADOS

7. DANIEL DEUSDADO ENTREGOU O PRÉMIO DE MELHOR FOTOGRAFIA PARA FILME DE MODA INTERNACIONAL A RAFAEL REPARAZ, REALIZADOR DE “EUROPA II”

8. LOU ION SAN, EM REPRESENTAÇÃO DO CASINO LISBOA, AGRADECEU A PRESENÇA DE UMA PLATEIA TÃO ANIMADA

12. A CAMARATA DE TORRES VEDRAS FEZ A SALA VIBRAR COM UM MEDLEY DE REFERÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS

13. FRANCISCO ROSAS RECEBEU O PRÉMIO DE MELHOR FILME DE TÊXTEIS TÉCNICOS, ATRIBUÍDO AO “CO-CREATE”, UMA PRODUÇÃO DA RDD TEXTILES

14. NO FINAL, A EQUIPA DO FFF – ESTELA REBELO, MANUEL SERRÃO, JULIANA DUQUE E MATILDE COSTA – TINHA MUITAS RAZÕES PARA SORRIR. PORTUGAL É CADA VEZ MAIS UMA REFERÊNCIA NO CINEMA DE MODA


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ELAV DESTACA RENDAS, COLCHAS E MANTAS NA POP-UP STORE É uma empresa familiar já com longa tradição e forte presença no setor do têxtil para o lar. Os produtos da Elav – Indústria de Debruns estiveram em destaque na Pop-Up Store Guimarães Marca, na Plataforma das Artes. Nascida em 1976, o salto qualitativo veio quando Amaro do Vale, o fundador, adquire os primeiros teares e começa a introduzir as rendas no catálogo dos seus produtos. As rendas incorporam hoje a produção de colchas, mantas, toalhas, cortinas e vestuário.

É NA ARQUITETURA QUE MAIS CRESCE A BUREL O segmento de arquitetura é o que mais está a crescer no conjunto da oferta da marca Burel Mountain Originals - artigos de decoração, moda e acessórios, tecidos e mantas -, o que justificou a abertura de uma loja especializada na decoração de interiores, em Lisboa, nas imediações do Cais do Sodré. “Estamos a crescer sempre a dois dígitos ao ano”, diz a CEO da Trendburel, Isabel Dias Costa, uma ex-administradora da Sonae MC que há uma dúzia de anos deslocou para a Serra da Estrela o centro de gravidade das suas atividades, que além da vertente têxtil englobam ainda a hotelaria - a Casa das Penhas Douradas e Casa de S. Lourenço, que serão rebatizadas Burel Panorama Hotel e Burel Expedition Hotel. A sede da Microsoft Portugal, o Museu do Dundo (Angola), os escritórios da Deloitte (Lisboa) e a Cidade do Futebol da FPF (Oeiras) são alguns de edifícios que utilizam o burel na sua decoração, tirando partido das propriedades únicas deste tecido que é 100% lã de ovelha e proporciona excelentes isolamentos acústico e térmico, além de ser de muito fácil manutenção.

Ao matrimoniar tradição e modernidade, a Trendburel é um magnifico exemplo do segredo que esteve na origem da ressurreição da ITV portuguesa - a combinação entre o know-how de um indústria tradicional e a incorporação permanente de design , inovação e novas funcionalidades. “A nossa filosofia consiste em dar valor ao que é nosso, mantendo vivo o património no lugar onde está. Reinterpretamos o burel à medida do presente, combinando a arte e o saber dos artesãos de Manteigas com o design mais moderno, criando peças, produtos e soluções originais de traço contemporâneo”, sintetiza Isabel, que recuperou um tecido tradicional, usado pelos pastores da Serra da Estrela para se protegerem do frio e chuva, e não pára de o valorizar, acrescentando-lhe novas cores, declinando novas densidades e texturas - e usando-o numa multitude de novos produtos. Tudo quanto leva a marca Burel Mountain Originals é integralmente feito em Portugal, desde o fio à confeção, pela Trendburel, que recorre a métodos tradicionais e a um parque de máquinas antigo

que recuperou - apenas a ultimação, tinturaria e acabamentos são subcontratados a empresas da região da Serra da Estrela. A aventura de resgate do burel por Isabel Dias Costa começou em 2010, na Sala das Linhas da Lanifícios Império, em Manteigas, com o salvamento de um parque industrial que incluía máquinas do século XIX e teares Porto (fabricados em Portugal) que estavam destinados a irem para a sucata e serem derretidos em ferro. Além de evitar a destruição desta parcela da nossa história industrial, o projeto de Isabel criou uma espécie de Universidade dos Lanifícios, ao juntar na Burel Factory reformados, engenheiros e doutores em lãs, tios e sobrinhos, avós e os seus filhos e netos, com a formação feita nas antigas Império e Sotave, e que agora ensinam as novas gerações e trabalham em máquinas dos séculos XIX e XX numa empresa com ADN do século XXI. Com quartel general em Manteigas, a Trendburel emprega 54 pessoas e prepara-se para fechar o ano de 2018 com um volume de negócios próximo dos dois milhões de euros. t

HEIMTEXTIL ESPERA INOVAÇÃO MADE IN PORTUGAL

VERSACE JÁ ESTÁ NAS MÃOS DA MICHAEL KORS

A próxima edição da Heimtextil está aí à porta (8/11 de Janeiro) e os organizadores esperam por uma renovada afirmação do potencial de qualidade e vanguarda made in Portugal. Na última edição os têxteis lar nacionais destacaram-se como um farol de inovação – com o Fórum The Portuguese Home Tex’Style, numa iniciativa liderada pelo From Portugal/Associação Selectiva Moda.

O grupo de moda Michael Kors Holdings comprou a italiana Versace, num acordo que, segundo as agências internacionais, pode valorizar a empresa em dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros). A Michael Kors comprou, no ano passado, a britânica Jimmy Choo, por um pouco mais de mil milhões de euros, e mostra assim que está apostada em exercer forte concorrência entre os conglomerados de luxo.

15% é a quota de exportação direta da Etexba, que fechou 2017 com um volume de negócios de quatro milhões de euros e estabeleceu como objetivo crescer 10% ao ano e faturar cinco milhões de euros, com as vendas diretas ao estrangeiro a representarem 50% das vendas

CERTIFICADOS DE QUALIFICAÇÃO PARA EQUIPAMENTOS DE DEFESA

O exército português e a Plataforma da Indústrias de Defesa Nacionais entregaram os Certificados de Qualificação a produtos e equipamento de defesa fabricados por instituições nacionais. Na cerimónia, que decorreu em Guimarães no âmbito das comemorações do Dia do Exército, foram atribuídos dois tipos de qualificações: o PRT Army Tested, que é conferido ao sistema ou equipamento que cumpra os requisitos gerais e específicos definidos pelo exército português; e a Qualificação Combat Proven, que é conferida aos sistemas ou equipamentos que, para além de cumprirem os requisitos,tenham sido usado com sucesso em operações militares reais.


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VALÉRIUS MOSTRA UM FUTURO VERDE PARA A ITV Foi em Londres, perante a nata de académicos da área da Moda, que os estrategas do Grupo Valérius explicaram como em dez anos todas as roupas que saírem das suas fábricas a elas voltarão para dar origem a novos produtos. A apresentação do projecto Co-creating the Future Valérius 360, que quer aplicar de forma perfeita os princípios da economia circular, foi feita na Global Fashion Conference, no London College of Fashion da UAL – London University of Arts.

"Não podemos pegar num tom de verde e vender no Reino Unido - não funciona. Cada produto, cada desenho, cada confeção tem um conceito para cada país" Fernando Pereira CEO da Apertex

MÁRIO JORGE MACHADO NO BOARD DA EURATEX

O CEO da Adalberto Estampados, Mário Jorge Machado, é o novo representante da ATP no Board da Euratex – European Apparel and Textile Confederation, assumindo as funções há oito anos desempenhadas por João Peres Guimarães. A passagem de testemunho teve lugar durante a VII Convenção Euratex, que decorreu a 24 de Outubro, em Valência. Licenciado em Engenharia de Polímeros pela Universidade do Minho, o líder da Adalberto (à esquerda na foto) é também um dos vice-presidentes da ATP. t

FITECOM INVESTE 2,5 MILHÕES NOS ACABAMENTOS A Fitecom já definiu o programa de investimentos para 2019, que está orçado em 2,5 milhões de euros e será no seu essencial aplicado na secção de acabamentos desta empresa de lanifícios de Tortosendo. “O segredo do nosso sucesso tem sido o cuidado que temos com a permanente atualização tecnológica, indispensável para mantermos a nossa competitividade, surpreendendo sempre o cliente com produtos diferentes e inovadores”, explica João Carvalho, 61 anos, engenheiro têxtil e CEO da Fitecom, que é simultaneamente o maior produtor de vinhos da Beira Interior – a sua Quinta dos Termos produz 800 mil garrafas. Com 185 trabalhadores, a Fitecom deverá fechar o ano com vendas de 15 milhões de euros e distingue-se pela aposta na inovação, sendo que o seu esforço de I&D é sustentado por parcerias com a UBI e outras entidades do sistema científico e tecnológico nacional. Na última Munich Fabric Start, João Carvalho apresentou um inovador tecido reversível com dois padrões

diferentes colados, que permite que um casaco ou sobretudo tenha dois looks à escolha de quem o usa. Dar mais atenção aos tecidos para mulher é outro dos vetores da estratégia da Fitecom – neste momento apenas 30% da sua coleção é de senhora. “Os tecidos femininos têm de ter mais moda, mais cor e mais design. A mulher está mais interessada no look. O homem tem uma maior apetência por tecidos clássicos mas com novas funcionalidades, o que nos obriga a uma preocupação permanente ao nível tecnológico”, afirma João Carvalho. A Fitecom – que começou a dar nas vistas quando ganhou o Prémio Nacional de Inovação com um tecido 30% mais fresco no verão e 30% mais quente no inverno – tem na sua oferta tecidos de lã laváveis à máquina, com funcionalidades anti-odor e anti-microbiana, bem como um tecido 100% impermeável e resistente às nódoas por estar recoberto com um membrana e ter recebido tratamentos hidrófóbico e oleofóbico. t

AS MULHERES FORTES DE KATTY XIOMARA Quem pensa que o cor-de-rosa simboliza fraqueza, desengane-se. Quem o vem provar é Katty Xiomara com o desfile que conquistou a plateia do Portugal Fashion. A BeBold, assim é o nome da coleção SS19, desafia as mulheres a serem fortes e arrojadas – e por isso as peças apresentadas são irreverentes e marcantes. O rosa é a cor estrela da coleção, um statement de que a feminilidade também é forte, mas também o azul, o laranja e o vermelho trazem vida a esta coleção.

CEO DA INDITEX É O MELHOR EXECUTIVO DO ANO O presidente do grupo Inditex, Pablo Isla, foi considerado pela Harvard Business Review o melhor executivo do ano, num ranking que mede o desempenho económico e elementos de responsabilidade social das empresas. Depois de Pablo Isla, surgem na lista os executivos da Nvidia (Jensen Huang); LVMH (Bernard Arnault); Kering (François-Henri Pinault); Continental (Elmar Degenhart); Salesforce.com (Marc Binioff); Valeo (Jacques Aschenbroich); KBC (Johan Thijs); Sysmex (Hisashi Ietsugu); e Bouygues (Martin Bouygues).

CARLOS SÁ DÁ A CARA PELA BERG EM NOVA CAMPANHA

TMG ENTRA NA CONFEÇÃO COM A MG LAB A TMG Textiles verticalizou-se ao adquirir os recursos humanos e know-how da empresa de confeções outwear Delcon, que pertencia ao grupo Ricon e se encontra em processo de falência. “A MG Lab emprega 60 pessoas e produz cerca de 200 peças por dia. Vendemos valor acrescentado aos clientes que buscam qualidade e competência”,

explica Rita Ribeiro, business manager da TMG Textiles, que também contratou o responsável pelo sourcing do grupo Ricon ganhando assim acesso a “uma rede espetacular de fornecedores”. Não fazer concorrência aos seus clientes de tecidos é uma das preocupações da estratégia de verticalização e extensão industrial

da TMG Textiles, que fechou 2017 com um volume de negócios de 30 milhões de euros. Este ano, as vendas podem chegar aos 33 milhões, sendo que para 2019 a faturação deve atingir os 35 milhões, beneficiando já do total impacto da aquisição da Delcon. “Desde 2016 que estamos a crescer a dois dígitos”, diz Rita Ribeiro.t

Para assinalar o lançamento da sua coleção de outono-inverno 18, a Berg Outdoor divulgou a “Be Always Ready”, a sua nova campanha publicitária, protagonizada por quatro dos embaixadores internacionais da marca. A par do ultramaratonista Carlos Sá, apoiado pela Berg Outdoor desde 2011, a espanhola Virgínia Perez, o casal italiano Ambra e Atillio e o casal austríaco Elisabeth e Philipp, são os outros protagonistas.


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A MINHA EMPRESA Por: António Gonçalves

Scoop-Scorecode Têxteis Rua Alto da Senra, 344 4760-443 Cavalões Vila Nova de Famalicão

O que faz? Construiu a sua reputação como um parceiro estratégico no fabrico de vestuário técnico para algumas das maiores marcas de vestuário desportivo do mundo Fundação 1991 Trabalhadores 120 Exportação Vende para 22 mercados, Holanda e Reino Unido são os principais, mas a India e o Japão também fazem parte da sua geografia Marcos Importantes Equipamentos para os Jogos Olimpicos de Socchi e de Pyeongchang, SuperBowl 50 anos, Wimbledon e Federeção Italiana de Ski Volume de negócios 10 milhões de euros

À CAPUCHA! COM NOVA EDIÇÃO DE CAPAS Ilha é o nome da nova edição de capas da À Capucha!, que, inspiradas no oceano, foram criadas como forma de promover a reflexão sobre o planeta. As novas capuchas vêm numa cor de burel em tom de areia, feita da mescla de dois tipos de lã bordaleira em cor natural. Os detalhes em pele que rematam a capa estão disponíveis em duas cores — laranja elétrico e azul petróleo— cores inspiradas nos materiais de sinalização usados no mar.

"70% do que fazemos é desenvolvimento próprio. Os outros 30% são exclusivos das marcas nossas clientes" Paulo Melo Administrador da Somelos

ANA PAULA RAFAEL É UMA DAS MULHERES QUE MAIS EXPORTA Na liderança da Dielmar há mais de uma década, Ana Paula Rafael é uma das quatro mulheres que “exportam mais de 40 milhões” às quais o Dinheiro Vivo dedicou um trabalho específico. Na têxtil de Alcains, as exportações valem 62% dos 13 milhões faturados, mas o objetivo é chegar aos 80%. Quando chegou à empresa, o mercado nacional valia 64% das vendas e Espanha 20%, mas Ana Paula Rafael procurou logo imprimir uma gestão muito focada na internacionalização. A marca está agora presente em 20 países, com destaque para França, Espanha, Brasil e EUA.

Ser verde compensa Inovação, sustentabilidade e responsabilidade social são palavras que a Scoop escreve a tinta permanente no currículo, numa estratégia que a tem colocado na vanguarda do vestuário técnico e em contacto permanente com marcas de renome internacional. “Percebemos que nos tínhamos de posicionar pela diferenciação e com uma aposta firme na inovação” explica Daniel Pinto (foto), director de desenvolvimento e estratégia da Scoop, a propósito da preocupação com a sustentabilidade que é transversal a todos os processos da empresa: 70% das matérias primas são compradas no nosso país; na confeção e no corte a prioridade é reduzir os consumos de energia, água e plástico; nos projectos de investigação está a criar meios para reutilizar o stock acumulado de antigas coleções. Esta política de fazer mais com menos tem trazido novos clientes e o reconhecimento de instituições públicas. O caso mais notável veio da própria ONU, que em Outubro incluiu a Scoop no “United Nations Global Compact”, um comité composto por mais de nove mil empresas que se destacam a nível internacional pela sua ação em prol dos direitos humanos e da conservação ambiental. “Os grandes clientes internacionais privilegiam o facto de termos um sistema de gestão totalmente integrado com as normas para a inovação, qualidade, saúde e segurança no trabalho, e também na vertente ambiental e social”, afirma Daniel Pinto. Com um percurso pouco usual, a empresa destacou-se inicialmente no vestuário desportivo para o

esqui, uma modalidade rara no nosso país. “A oportunidade surgiu de um cliente sueco, depois começámos a fazer fatos de esqui para as escolas dos Alpes, e ainda hoje é um dos nossos principais mercados”. No entanto, a sazonalidade deste mercado obrigou a Scoop a diversificar, especialmente desde 2006, quando se sentiram os sinais mais acentuados de crise. Hoje, para além do vestuário de neve, produz equipamento para vários desportos, como o ténis e o futebol americano – já esteve presente em Wimbledon e no Super Bowl –, e orientando-se tambémpara outras coleções na área dos “wearable techs”. No mercado internacional, um dos seus principais argumentos é o serviço personalizado. “A Tommy, por exemplo, envia para cá uma equipa de desenvolvimento e nós vamos fazendo amostras enquanto tomam decisões. Até podem encontrar mais barato noutro lugar, mas aqui têm um serviço de qualidade”, afirma Daniel Pinto. Mas não é só dentro de portas que a Scoop se esforça por fazer diferente. No ano passado criou uma horta biológica a partir da qual oferece sopa, sumo, fruta e chá a todos os funcionários. No terreno ao lado, cresce uma pequena floresta como símbolo de respeito e agradecimento aos bombeiros que todos aos anos combatem o flagelo dos fogos. Só com árvores de espécies autóctones e cada uma tem o nome de um colaborador. Um ciclo perfeito, dentro e fora das paredes da empresa, onde a Scoop vai criando uma utopia cada vez mais verde. t

20% é quanto a Tintex planeia crescer ao ano até 2020. Este ano deverá faturar 13 milhões de euros

MICAELA OLIVEIRA, SEMPRE ÚNICA E ESPECIAL

Foi num ambiente intimista e com vista para o Douro, no Hotel Torel AvantGarde, que Micaela Oliveira apresentou as suas mais recentes criações. Entre clientes e amigas, como Diana Chaves - que usa as criações de Micaela no programa que apresenta na SIC -, Sónia Araújo, Mónica Sintra e Magali Aravena, Micaela defendeu que a mulher tem que ser sempre única e especial, e assim se sucederam os modelos que deixaram rendidas as convidadas para o momento.


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O VW CAROCHA TÊXTIL QUE ENCANTOU COSTA E MARCELO

Na BTL, o Carocha Têxtil despertou a atenção de toda a gente: o PR Marcelo e o PM Costa não resistiram a dar uma espreitadela

O fantástico Carocha Têxtil foi a estrela do stand da Covilhã na última BTL e uma ajuda decisiva para ele ter sido eleito o melhor de toda a feira de turismo de Lisboa. Mas é também o cartão de visita do New Hand Lab, um projeto liderado por Francisco Afonso, que transformou os 10 mil m2 da velha António Nunes de Sousa, aquela que era a mais antiga fábrica de lanifícios da Covilhã, numa colmeia de criadores e num palco mutifacetado das mais variadas manifestações artísticas. Na BTL, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa não resistiram à tentação de espreitarem pela janela para o interior do VW carocha revestido a lã, onde estavam instalados ecrãs de computador que passavam filmes que documentavam os tempos áureos da industria de lanifícios na Covilhã, uma cidade que acertava a hora pelas sirenes de 140 fábricas laneiras, que empregavam mais de seis mil trabalhadores e funcionavam ao ritmo dos seus cerca de mil teares mecânicos.

Nascida em 1853, a fábrica não aguentou as ondas de choque da terrível crise que dizimou grande parte da fileira dos lanifícios na viragem do milénio e viu-se obrigada a fechar as portas. As máquinas, stocks e edificio mantiveram-se adormecidos, como que entre parêntesis, até que há cinco anos, Francisco Afonso resolveu reconverter num templo à criatividade e cultura aqueles 10 mil m2 no vale da Ribeira da Carpinteira, onde durante mais de um século se produziram fios e tecidos. Com uma programação cultural própria, o New Hand Lab alberga oficinas de artes diversas e é palco de espetáculos de música, teatro, ou dança, que sempre tiram partido do local – os tecidos em armazém podem ser usadas como cortinas, stocks arrumados em caixas servem como paredes para construir espaços à medida e a música minimalista e repetitiva dos teares a trabalharem foi já a banda sonora de um bailado. t

A AICEP GOSTA MUITO DA ITV A ITV portuguesa carateriza-se por uma alta aposta na inovação, no design e na criação de novos materiais, com uma qualidade reconhecida internacionalmente – afirma Luís Castro Henriques na edição de outubro da revista Portugal Global, que tem como foco a nossa industria têxtil, realçando a sua forte capacidade exportadora e competência para gerar riqueza e emprego. “As empresas e marcas de renome mundial procuram Portugal para produzir as suas coleções, uma vez que reconhecem a qualidade, fiabilidade e capacidade das empresas portuguesas”, escreve a revista. “ITV: uma referência a nível mundial” é o título geral da Portu-

gal Global, que faz uma chamada de capa à entrevista de Paulo Melo, onde o presidente da ATP salienta o

6o lugar, entre 28 países, da nossa ITV no ranking do setor na UE. “A ITV nacional é uma indústria de nicho, reputada pela qualidade, serviço, engenharia de produto, inovação tecnológica e design, não pela produção massificada e menos ainda pelo baixo preço competitivo”, explica Paulo Melo. “Qualidade, design, inovação e tecnologia são adjetivos que facilmente associamos à ITV nacional, uma indústria que resistiu e combateu as adversidades que a atingiram há alguns anos atrás, apostando na investigação e desenvolvimento e no seu crescente reconhecimento internacional”, afirma o presidente do AICEP na Portugal Global. t

LURDES SAMPAIO E FOOT BY FOOT CRIAM MALHA ORGANICA A têxtil Lurdes Sampaio juntou forças com a Foot By Foot para criar um produto inédito no mercado: uma malha orgânica, preenchida por espuma reciclada. “É um projeto pioneiro em Portugal, até porque não há fabrico de espuma reciclada no nosso país e tivemos de importar a matéria-prima” explica Conceição Sá, engenheira têxtil de formação e CEO da Lurdes Sampaio, que faz da sustentabilidade um dos seus principais emblemas e ao longo dos últimos anos tem lançado centenas de novas estruturas ecológicas. Atualmente, mais de 60% da sua oferta consiste em malhas construídas a partir de materiais sustentáveis, como o algodão e seda orgânicos, tencel, cupro, ou até mesmo o fio de pêlo de iaque, recentemente introduzido no mercado pela Inovafil.

MODATEX ANGARIA FUNDOS PARA A FIBRO

SALSA APRESENTA OS JEANS MAIS COOL DO MOMENTO

A feira solidária organizada pelo Modatex Barcelos juntou várias empresas têxteis do concelho, tendo sido angariados 1600 euros em prol da FIBRO, uma associação de Barcelos que apoia doentes de Fibromialgia e outras doenças crónicas. O grupo de formandos que integrou a iniciativa quer continuar com a venda de artigos e engrossar um pouco mais a receita final.

É o novo modelo da Salsa e promete conquistar o público feminino. A marca portuguesa de denim lançou no início de Novembro o Sliming It, um modelo feminino apresentado como os jeans mais cool do momento, desenhados para todas as mulheres, independentemente do seu estilo ou corpo. Na gama Sliming, a Salsa já tinha o modelo Diva, caracterizado por reduzir e adelgaçar a cintura e corrigir a postura.

"Deixamos de trabalhar com alguns clientes dos segmentos mais baixos, que procuram preços competitivos e com os quais acabamos por não ter tanta rentabilidade" Elsa Pereira Administradora da Elmate

TOP MANTA, A MARCA DE ROUPA CRIADA POR REFUGIADOS

Vieram do Senegal, desembarcaram em Espanha e agora criaram a marca de roupa Top Manta, cuja primeira loja abriu em Barcelona. O nome vem da expressão espanhola que descreve a venda ambulante pelas ruas, a “Top Manta”, mas é também um símbolo contra a tragédia humanitária vivida no Mediterrâneo. O projecto nasceu com o apoio da associação Playground Do, que ao longo de nove meses deu formação de design e moda a um grupo de imigrantes do norte de África.


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ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE LANIFÍCIOS

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“O DESIGNER TEM DE COMPREENDER QUE AS EMPRESAS TÊM DE DAR LUCRO”

FOTO: RUI APOLINÁRIO

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n ENTREVISTA Ana Roncha 38 anos, é a diretora do mestrado em Strategic Fashion Marketing do London College of Fashion. Nasceu no Porto, filha de uma engenheira civil que trabalha na EDP, e de um gestor de empresas do Millennium BCP. Cresceu em Paranhos e estudou no LusoFrancês e na António Nobre antes de se licenciar em Design de Comunicação na FBAUP. É doutorada em Gestão de Design e Marketing para a Indústria de Moda (UMinho) e tem um pós doc em Enterprise Innovation (London University of Arts). Casada com Mathew, vivem em Londres e têm um filho de três anos, o Thomas, que vai ter um irmão mais novo no final de janeiro.

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sustentabilidade não é só nas matérias primas, abrange o social e o modelo de negócio", afirma Ana Roncha, diretora do mestrado em Strategic Fashion Marketing no London College of Fashion, numa entrevista realizada no Porto Sheraton, em que ela estava vestida com um blusa Cos, calças pré-natal Zara (está grávida de sete meses) e sapatos Whistler. Quais são as grandes diferenças entre o ensino de design de moda em Portugal e o do London College of Fashion (LCF)?

Quando eu era estudante, penso que nem sequer havia cá uma licenciatura em Design de Moda. Agora já há nessa área uma oferta, privada ou pública, que abrange todos os graus académicos. Tem havido uma evolução. Mas continua a haver uma lacuna muito grande na oferta de ensino de outras competências indispensáveis à indústria de moda. O que está a fazer falta?

A moda é uma indústria como outra qualquer. Precisa de uma enorme variedade de diferentes recursos humanos especializados. O design de moda é uma componente de um sistema, que abrange muitas áreas. O designer trata da parte criativa e deve trabalhar em colaboração com outras áreas do conhecimento necessárias para o desenvolvimento do negócio. Áreas onde a LCF tem oferta...

A grande mais-valia da minha universidade é a de dar formação especializada a 100% na indústria da moda, compartimentada em três escolas: a de Design e Tecnologia, outra de Comunicação e Media, e a Escola de Negócios, em que se

transmitem conhecimentos de gestão e marketing. É esse o calcanhar de Aquiles da nossa fileira de moda?

Temos de ter a noção que por maior que seja o talento criativo do designer, ele sozinho não vai a lado nenhum. Se não tiver quem faça a gestão do negócio e o ajude a definir o tipo de abordagem e posicionamento que deve ter no mercado, o que ele está a fazer não é um trabalho mas um hobby. Há muita gente a agir como se fosse um hobby?

Há um estigma à volta do mundo da moda. Há muito glamour, os desfiles são muito aspiracionais, mas não podemos esquecer que a indústria da moda é um negócio enorme - só no Reino Unido movimenta 32 milhões de libras/ano! Como se resolve o défice de recursos humanos especializados para a indústria da moda, num país pequeno como o nosso?

A lacuna pode ser colmatada se as escolas de negócios oferecerem formação especializada, desenhada especificamente para a indústria de moda, em pelo menos três áreas nucleares: Gestão de Marca e Retalho; Buying & Merchandising; e Marketing e Comunicação. É inevitável que a relação entre estilistas e industriais seja muito difícil e acabe em divórcio?

É normal que haja dificuldades de entendimento, pois têm diferentes prioridades e usam linguagens diversas, como se trabalhassem diferentes áreas do cérebro. Como se fazem sinapses?

Com cedências de parte a parte. O designer tem de compreender que as empresas têm de ser geridas para dar lucro e serem sustentáveis, e o seu trabalho deve ser encarado como parte de um negócio. E os industriais têm de estar atentos às mudanças sociais, de culturas e mentalidades. Os nossos empresários estão a ajustar-se a essas mudanças?

Graças à chegada de uma nova

"Não podemos ter medo de partilhar experiências. Temos de acabar com o individualismo"

Não tem grandes razões de queixa do que a vida lhe tem dado. Ainda antes de chegar aos 40 anos, já concretizou os sonhos da adolescência trabalhar no mundo da moda e viver em Milão, Nova Iorque e Londres. O Erasmus levou-a ao Politécnico de Milão, no último ano do curso. O primeiro emprego a sério foi em Nova Iorque, numa agência onde trabalhou contas de marcas como a Puma, Nike, MoMA e L’Oreal. E vive em Londres há sete anos, desde que uma conversa informal a levou a dar aulas no mestrado que agora dirige - no final convidaram-na para ficar como professora e Ana Isabel Roncha Alves decidiu logo ali, em duas horas, mudar por completo o rumo da sua vida. No entretanto, já tinha passado pela Salsa e Moda Lisboa, acumulando experiências em todos os segmentos do mundo da moda, que a municiaram com uma visão global de 360 graus sobre esta indústria. “Comecei pela componente mais artística da indústria, onde ganhei uma sensibilidade que me tem sido muito útil na área de negócio onde eu sinto que posso aportar mais valor, que é o marketing e a gestão de marca”, explica.

geração à liderança, assistimos a uma mudança na cultura empresarial na nossa ITV, que lhe permite ser competitiva tendo como pontos fortes a rapidez na resposta, a flexibilidade e a personalização da produção. Um novo estilo de liderança?

Só se é um grande líder quando nos rodeamos de pessoas melhores que nós e as deixamos trabalhar. E quando percebemos que é tão importante o que vai de cima para baixo como o que vem de cima para baixo. Só assim se consegue ter uma empresa ágil e capaz de se ajustar à evolução do mercado e do consumidor. Uma boa liderança sabe reconhecer, captar e reter o talento. Está otimista nesse capítulo?

Há cada vez mais empresários a terem a consciência de que é preciso ser mais inovador e flexível nas formas de trabalhar e que têm de adaptar as estruturas aos novos comportamentos dos recursos humanos e dos consumidores. Está cada vez mais exigente ser empresário na ITV?

A roupa não está no primeiro lugar das necessidades dos consumidores. Não é um smartphone ou uma pasta de dentes. Nenhum de nós precisa de mais uma camisa ou par de calças. Somos movidos pelo desejo de compra. Para se ser competitivo, temos de estar sempre atentos a tudo quanto se passa num mercado extremamente volátil e ir adaptando a nossa proposta de valor.

dade e serviço são suficientes para sermos competitivos?

Acrescentados de inovação e design. Temos de criar produtos inovadores e com valor acrescentado, capazes de se diferenciarem dos produtos de luxo e, por outro lado, dos produtos de baixa qualidade produzidos no Terceiro Mundo. O investimento que é construir uma marca e a estreiteza do mercado interno explicam a nossa dificuldade no B2C?

A esses fatores, ambos importantes, junta-se uma outra questão de índole cultural. Ao contrário dos espanhóis, o consumidor português não tem o hábito de preferir o que é nosso - ainda gosta de comprar marcas internacionais. Há sinais de mudança, mas ainda não são suficientes para alavancar as marcas internas. A inovação tecnológica e as redes sociais facilitam o processo de construção de marcas?

Facilitam o aparecimento de startups. O problema surge depois, no período em que as marcas precisam de ganhar escala e para isso necessitam de uma injeção de capital para poderem competir. As marcas portuguesas falham por falta de investidores, no momento de dar o salto. É isso?

No Reino Unido é bastante mais fácil, pois há empresas de venture capital disponíveis para financiar marcas em crescimento, porque sabem que isso pode ser tanto ou mais lucrativo que investir numa startup de outro setor.

São necessárias cada vez mais competências…

Ao contrário dos que acontece cá em Portugal…

E constantes. O empresário precisa de estabelecer relações preferenciais com os clientes, mas também com os seus criativos e funcionários. Para ser competitivo, tem de estar a par com o que acontece nas redes sociais, nos desenvolvimentos da tecnologia. Se só se focar na produção, vai haver sempre quem faça mais barato.

Penso que aí estamos em desvantagem. Não me parece que tenhamos a mesma cultura de investir em negócios da área da moda.

Sabemos que o preço não é o caminho. A qualidade, flexibili-

Temos de resignar ao B2B?

A capacidade produtiva da nossa ITV é inegável e internacionalmente reconhecida. Somos muito bons a fazer private label. Mas no sector da moda ainda não atingimos a nossa capacidade máxima. Há poten-


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Uma nova relação com o trabalho "Investiguei esta questão no âmbito de um grupo de trabalho do World Economic Forum que integrei. O que está a acontecer à escala global é um fenómeno designado por gig economy. A nova geração criativa tem uma relação muito mais flexível com o trabalho e expectativas muito diferentes. Maior mobilidade e maior procura de satisfação pessoal. Pode estar dois ou três dias a fazer uma coisa e no resto da se-

cial para criar mais marcas e ter sucesso no B2C. O que recomenda?

Aproveitar segmentos de negócio que não estão a ser explorados pelas marcas internacionais. A nível global, já não há espaço no segmento lowcost. Mas há nichos que podem ser servidos com sucesso por marcas nacionais. Nos segmentos médio e alto, paga-se mais por uma peça para se ter a garantia de que ela tem qualidade e vai durar mais tempo. O segmento low cost está fora do nosso alcance?

Não acredito que o modelo Inditex, H&M e Primark se volte a repetir. Esse segmento de mercado está completamente saturado. Seria um suicídio entrar em guerra direta com esse tipo de marcas. Não é por acaso que esses grupos estão a apostar em marcas para outros nichos de mercado, como a H&M com a Cos e a Arket. Faz sentido uma empresa fazer private label e ao mesmo tempo ter marca própria?

Há espaço para ser competitivo e ter sucesso nessas duas atividades. Mas é um erro ser a mesma entidade central a fazer as duas coisas. É obrigatório ter duas unidades de negócio independentes, pois são negócios completamente distintos a todos os níveis, logo a começar pelos recursos humanos necessários. Ninguém consegue fazer tudo bem... A fast fashion já era ou vai continuar a conviver com uma nova geração de consumidores com preocupações ambientais?

A fast fashion continua a ter uma expressão muito grande, mas há uma fatia de consumidores que está a fugir desse segmento. Há cada vez mais nichos de mercado, cada vez mais gente a repensar a sua forma de consumir e a relação que tem com o produto e as marcas. Há uma cada vez maior consciencialização de que o consumo desenfreado tem consequências.

mana outra completamente diferente. Estes modelos mais flexíveis aportam benefícios para ambas as partes e respondem às novas formas de encarar o trabalho. Para serem eficientes a gerir recursos humanos, os empresários têm de compreender as motivações dos novos criativos e convencerem-se que não é um fenómeno que vai demorar a chegar cá - já chegou!".

"Free shipping e free return são a regra nº 1 no online" Nas novas gerações?

Não só, mas também. O repensar do consumo é transversal a várias gerações e as preocupações não são apenas ambientais mas também sociais e com a sustentabilidade dos modelos de negócio. Sustentabilidade não é só a escolha dos materiais, de uma eventual preferência pelo algodão orgânico, cuja produção pode até ser mais prejudicial ao ambiente do que a do tradicional...

e já se transformou na maior lavandaria a seco dos EUA . O esfriamento no consumo não é boa notícia para quem produz…

Obriga a produção a ajustar-se às novas necessidades e comportamentos dos consumidores, que estão na origem do fenómeno do aluguer de vestuário e também do crescimento do negócio da venda de roupa em segunda mão. Qual o papel das redes sociais nessa mudança?

Acentuam-na. Há cada vez mais gente que não gosta de aparecer no Instagram duas vezes com o mesmo vestido. Isso favorece a tendência do aluguer. Não faz sentido comprar uma camisola 100% caxemira, que dura uma vida, para a usar duas ou três vezes.

O despertar dos consumidores para as questões sociais é recente?

Qual é o seu perfil como consumidora?

Penso que um gatilho foi a tragédia do Rana Plaza, em 2013, no Bangladesh. O consumidor está cada vez mais consciente de que se vê uma t-shirt à venda a três libras isso não é apenas devido à economia de escala na produção - alguma coisa está muito mal na cadeia de produção.

Gosto de tocar no tecido e de verificar a perfeição das bainhas. Dou muita atenção ao detalhe. Mas apesar de trabalhar em Oxford Circus, levo uma vida agitada em que não há hora do almoço para ir às compras. Por isso compro tudo online - mas de uma forma cada vez mais responsável.

Quais as consequências desse repensar?

Qual é regra número um para quem vende online?

Mudança de mentalidade e um esfriamento ou alteração na forma de consumo. O modelo de uma a duas entregas por semana para obrigar as pessoas a irem todas as semanas às lojas está a decrescer.

Assumir a omnicanalidade, o mobile first, e facilitar o processo de escolha, compra e pagamento - ter, por exemplo, o free shipping e o free return como norma.

Para que novos modelos de consumo a nossa ITV tem de estar preparada?

Há uma tendência clara para uma sharing economy, de que Uber e a Airbnb são os exemplos. Esse fenómeno dos consumidores favorecerem o acesso a bens em detrimento da sua propriedade já está há alguns anos no vestuário, com empresas como a Rent the Runway, que aluga roupas e acessórios

As perguntas de

Portugal tem a imagem de ser um país de moda?

Somos considerados excelentes ao nível da produção. Todos elogiam a nossa qualidade, rapidez na resposta e elevada capacidade de inovação, mas ainda não somos reconhecidos como um país produtor de moda ou tendências. Há bons exemplos, como a dupla Marques’Almeida e as Josefinas, e estamos numa trajetória crescente, mas ainda há muito a fazer. t

Isabel Paiva de Sousa Executive Education Advisor da Porto Business School Como vê o papel das business schools na nova realidade do negócio da moda?

Já é consensual que não aprendemos tudo nos três/ cinco anos em que andamos na faculdade, e que precisamos de periodicamente refrescar e atualizar o capital de conhecimento e competência. As business schools têm um papel fundamental nesse processo, mas devem repensar os seus modelos pedagógicos, para se ajustarem às novas realidades de uma geração mais digital e com capacidade de concentração cada vez mais reduzida. É preciso inovar nos formatos e portefolio de formação. Atendendo ao aparecimento de novos modelos de negócio, que competências de gestão considera relevantes para que Portugal continue a aportar valor ao mundo?

As soft skills são cada vez mais importantes. Não podemos continuar a ser tão individualistas. Temos de ter abertura para partilhar experiências, sem medo que a concorrência nos vá imitar. A capacidade de trabalhar em equipa e em rede, de fazer networking, de captar e reter talentos são competências fundamentais nos dias de hoje. t

Paulo Vaz Diretor geral da ATP A indústria da moda está a mudar a uma velocidade estonteante. A digitalização e a sustentabilidade são os drives desta mudança?

A influência do digital vai ser cada vez maior. Pertence à pré-história o tempo em que as empresas se davam por satisfeitas por terem um site e os comerciais tomarem nota das encomendas num iPad. Isso são meras ferramentas. Hoje em dia, a digitalização é muito mais abrangente, é a inteligência artificial, a realidade aumentada, o machine learning, o block chain, automatização, etc - ou seja, uma nova forma de pensar em que o digital está no centro. É ser digital first como norma. À luz do Brexit, como vê os cenários para futuro e que recomendação daria às empresas portuguesas?

Há uma incerteza muito grande sobre o que vai acontecer, mas acredito que pode ser uma oportunidade para a nossa ITV. A saída do Reino Unido da UE vai criar um êxodo de capitais, criativos e departamentos das marcas que podemos atrair. 90% da indústria da moda britânica votou pela permanência. O potencial de captar investimento direto estrangeiro é a grande oportunidade que o Brexit nos pode trazer. t


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CASSIANO FERRAZ [CASSIANO FERRAZ] www.cassianoferraz.com

PHOTOGRAPHY FASHION / ADVERTISING


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LAMEIRINHO ESTUDA AUMENTO DE CAPACIDADE

ITALIANOS AJUDAM TOP TRENDS A ATINGIR O MILHÃO DE EUROS O negócio com duas marcas italianas topo de gama vai permitir à Top Trends ultrapassar a barreira do milhão de euros de vendas já no próximo exercício. A empresa de Barcelos, que começou pela marca própria (MDS) antes de passar a vender em regime de private label, tem 150 pontos de venda, espalhados entre Portugal, Espanha e norte de França. O objetivo é cobrir todo o território francês até ao final de 2020 e a seguir abalançar-se a um novo mercado.

"Todas as estações temos de ser capazes de nos reinventar. Olhar para trás é simpático, mas olhar para frente é que é o desafio" Paulo Augusto de Oliveira Administrador da Paulo de Oliveira

Nos percales, a Lameirinho Collection optou por uma seleção de cores neutras com cores tendência e pelos padrões arrojados

A Lameirinho estuda um novo aumento de capacidade instalada na área da confeção, enquanto vai pondo em prática a sua estratégia omnicanal, que conheceu um novo desenvolvimento com a apresentação da nova coleção da sua marca própria no Boutique Hotel de Lisboa. O relançamento da marca própria Lameirinho é um dos acontecimentos que sublinha o 70o aniversário da empresa de têxteis lar de Pevidém, que também aposta no aumento da sua presença no online. “O online permite-nos chegar a todo o lado”, afirma Paulo Coelho Lima, arquiteto de formação e administrador da Lameirinho, um membro da terceira geração da família que já está a assumir as rédeas da empresa. A Lameirinho Collection destina-se essencialmente ao mercado interno, que vale actualmente cerca de 8% das vendas da empresa e deverá ultrapassar os 60 milhões de euros no final deste exercício. “O ano tem sido muito bom. Estamos com a produção toda tomada”, diz o gestor da Lameirinho, que investiu este ano numa confeção nova, que mesmo assim não chega para as encomendas, o que leva a empresa a encarar um novo aumento da capacidade instalada. “Estamos a investir cinco milhões de euros todos os anos e provavelmente nunca vamos parar de investir. A nossa opção é crescer em qualidade, subindo na cadeia de valor, e não em volume, mas sabendo que não podemos

voltar as costas ao mercado, onde há uma procura crescente do produto made in Portugal”, acrescenta. 2018 também está a ser bom para as outras empresas do setor, pois a Lameirinho verificou uma diminuta capacidade de produção em regime de subcontratação. A rede de oito lojas próprias (Algarve, Guimarães, Pevidém, Matosinhos, Porto, Viana de Castelo e Viseu) da Lameirinho funciona em regime de outlet, ou seja, no seu essencial escoa excedentes de produção mas também será um ponto de apoio na sua estratégia omnicanal de abordagem ao mercado. “Além de local de compra, as lojas serão também uma montra - em que o consumidor vê um produto que depois encomenda online - ou um local de recolha do que comprou na internet”, explica Paulo Coelho Lima. As vendas da marca Lameirinho no mercado interno pesam cerca de 3% nas vendas da empresa. A Asa, com 300 pontos de venda no nosso país, é a marca da empresa que tem mais reconhecimento. Com 92% das suas vendas feitas no estrangeiro, para 35 países, a Lameirinho está satisfeita com o comportamento do seu principal mercado de exportação (“Temos grande potencial de crescimento nos Estados Unidos”) mas com fundados receios relativamente ao segundo maior - “Ainda ninguém sabe ao certo o que se vai passar no Reino Unido após o Brexit”. t

SOUTIENS H&M PARA QUEM FEZ MASTECTOMIA

MO JÁ TEM 119 LOJAS EM PORTUGAL

A marca sueca H&M lançou uma linha de soutiens da coleção ‘Close to my heart’, a pensar nas mulheres que passaram por uma mastectomia. A linha foi pensada para mulheres que não têm implantes mamários, e a diferença para os soutiens comuns é que cobrem mais o tórax e têm ‘bolsos’ para colocar as próteses mamárias.

A MO abriu em finais de outubro a sua 119ª loja em Portugal, no primeiro piso do Arrábida Shopping. Com mais de 400 m2, o novo espaço oferece uma gama alargada para toda a família e proporciona uma excelente experiência de compra devido à organização do espaço e à exposição dos produtos, expostos em looks totais.

40 toneladas

por mês é a capacidade de produção de linhas da Solinhas, que emprega 21 pessoas

GIO RODRIGUES APRESENTOU NOVA COLEÇÃO NA ALFÂNDEGA

CONCRETO TRIPLICA EXPORTAÇÕES EM ANO E MEIO O projeto de internacionalização da portuguesa Concreto vai de vento em popa e em apenas um ano e meio os resultados já superam as expectativas. Focada no vestuário para mulher, a marca do grupo Valérius triplicou o valor das exportações ao longo dos últimos 18 meses e o peso dos mercados externos passou de 20% para 70% do total da faturação.

“Tem sido um crescimento extraordinário, centrado no setor médio-alto/alto” é assim que Ricardo Maia, diretor de exportações da Concreto, descreve o processo de expansão que a marca portuguesa tem protagonizado. Enraizada no mercado português há mais de duas décadas, a marca de moda, especializada em malhas, tem trilhado novos caminhos e

chegado cada vez mais longe. Itália, Espanha, França e Bélgica são alguns dos principais mercados que permitiram à empresa triplicar o volume de exportações ao longo dos últimos meses. “Itália é o nosso principal mercado, estamos presentes em várias cadeias de lojas, muitas vezes lado a lado com as principais marcas internacionais” afirma Ricardo Maia. t

A Alfândega do Porto foi o palco escolhido para a apresentação da nova coleção 2019 do designer Gio Rodrigues. O desfile contou com a apresentação da linha de ‘prêt-à-couture’ e com as propostas para homem, com muitas surpresas, novidades e caras conhecidas. Focadas maioritariamente no público feminino, as coleções e os produtos Gio Rodrigues destinam-se a um público sofisticado e elegante.


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GENDA DAS FEIRAS

DENIM BY PREMIÈRE VISION 5 e 6 de dezembro – Londres Crafil, Lisama, Troficolor PITTI UOMO 8 a 11 de janeiro – Florença +351 designed in Lisbon, Caiágua, Dielmar, Ecolã, Hugo Costa, Ideal&Co, Labuta, Mano Studio, Nycole, Poente, WestMister HEIMTEXTIL 8 a 11 de janeiro – Florença A. Ferreira & Filhos, Aclimpex, Allcost, AMR, Apertex, António Salgado, B Sousa Dias, Be Stitch, Bovi, Crispim Abreu, Docofil, Domingos de Sousa, Sampedro, Escarpa, Estamparia Têxtil Adalberto Pinto da Silva, Fábrica de Tecidos de Viúva de Carlos da Silva Areias, Fábrica de Tecidos do Carvalho, Fateba, Felpinter, Gierlings Velpor, Home Flavours, Lameirinho, LASA, Mi Casa Es Tu Casa, Moretextile, Mundotêxtil, Neiperhome, Nosdil, Pereira & Freitas, Pereira da Cunha, Piscatêxtil, Piubele, Rosacel, Têxteis D.A., Têxteis Giestal, Têxteis J.F. Almeida, Têxteis Massal, Têxteis Penedo, Traços Singelos, Villafelpos LONDON TEXTILE FAIR 9 e 10 de janeiro – Londres 6dias Têxteis Internacionais, Albano Morgado, Anbievolution International, Brito & Miranda, Carvema, Eurobotonia, F. T. Vilarinho, Gierlings Velpor, Lemar, Magma Têxtil, Mmr A, Paulo de Oliveira, Rifel, Riopele, Samofil, Troficolor PREMIÈRE VISION NY 15 e 16 de janeiro – Nova Iorque A Têxtil de Serzedelo / Texser, Adalberto, Joaps, Lemar, Lurdes Sampaio, Otojal, Sidónios FASHION SVP 15 e 16 de janeiro – Londres Confecções Bugalhós, Bergand by Gulbena, Lima & Companhia, Soeiro, Tiva, Triwool, Trotinete, Wonderroutine PITTI BIMBO 17 a 19 de janeiro – Florença Dr Kid, Filipa Van Brabant-Clothing, FS Baby, Knot, Meia Pata, NaturaPura, Phi Clothing MAISON & OBJECT 18 a 22 de janeiro – Paris 3DCork, Byfly, Carapau Portuguese Products, Ditto, Laboratório D’estórias, Lasa Home, Maria Portugal Terracota, Mos, Sugo Cork Rugs, Texteis Iris, Tmcollection, TrendBurel SIL PARIS | WHO'S NEXT 18 a 21 de janeiro – Paris Blackspider, Cisne Branco, Concreto, Iora Lingerie, Luis Buchinho, Maloka / Paul Brial COLOMBIATEX 22 a 24 de janeiro – Medellín Lemar, Natcal, A Penteadora, Paulo de Oliveira HOMI MILANO 25 a 28 de janeiro – Milão Lasa Home, B Sousa Dias, Texteis Iris, Little Nothing - Paula Castro, Laboratório D ‘Estorias MUNICH FABRIC START 29 a 31 de janeiro – Munique Albano Morgado, Anbievolution by Luis Andrade, Carvema Têxtil, J. Areal, Luís Azevedo, Lurdes Sampaio, M.M.R.A., Magma Têxtil, Modelmalhas, Otojal, Paulo de Oliveira, Penteadora, RDD, Riopele, Samofil, Sampaio & Filhos, Sanmartin, Sidónios Malhas, Somelos Tecidos, Tessimax Lanificio, Texser, Tintex Textiles, Trimalhas, Knit Inspiration, Citeve – iTechStyle

Lapo Cianchi, vice-diretor geral da Pitti Uomo, apresentou a próxima edição da Pitti Uomo na Cave 23, em Lisboa

PORTUGAL É A GUEST NATION NA PITTI UOMO Portugal vai estar em destaque como Guest Nation da Pitti Immagine Uomo (8 a 11 janeiro 2019, Fortalezza da Basso, Florença), a provar mais uma vez o bom momento e a atratividade internacional da nossa ITV. Neste caso, o foco estará naquilo que se passa no nosso país em termos de moda masculina, com uma mostra que resulta de um acordo estabelecido entre a Fondazoni Pitti Imagine Discovery (a entidade organizadora da feira) e a Associação Selectiva Moda. “Portugal tornou-se um dos países mais dinâmicos da atualidade em termos de moda e criatividade. Foi por isso que decidimos mostrar à audiência de compradores e à imprensa que visitam a nossa feira uma seleção especial de marcas masculinas portuguesas”, justifica o vice-diretor geral da Pitti Uomo, Lapo Cianchi. São dez as empresas portuguesas de confe-

ções e acessórios que marcam presença na feira, sendo que, no âmbito do projeto From Portugal, oito empresas (Ideal&Co, Poente, Nycole, Labuta, Ecolã, Caiágua, WestMister e Hugo Costa) apresentarão as suas coleções no Spazio Carra, o espaço dedicado ao país convidado, situado no piso de baixo do pavilhão principal. Dielmar, Lado Incógnito (+351) e Mano Studio são os outros três expositores nacionais que viajam até Florença. “Na indústria de têxtil e vestuário portuguesa há sempre novas empresas, novas marcas, novos designers, novas realidades e novos protagonistas para dar a conhecer ao mundo. Em 2017, batemos o recorde absoluto das exportações e tudo leva a crer que 2018 será o melhor ano de sempre da nossa indústria”, afirma Manuel Serrão, diretor geral da Selectiva Moda, numa antevisão àquilo que vai ser a participação nacional na Pitti Uomo. t

MEDICA TRADE FAIR MOSTRA A SAÚDE HI-TECH DA NOSSA ITV Os hospitais e clínicas do futuro têm nos têxteis portugueses um aliado de peso. Assim o demonstrou a comitiva portuguesa na Medica Trade Fair, a maior feira médica do mundo, onde ficou patente que a indústria têxtil portuguesa é hi-tech e está na vanguarda na área dos cuidados médicos. Barcelcom, Falcão Fibras, Fitor, Lipaco, Oasipor e Trotinete foram as empresas que integraram a comitiva que o

“From Portugal” levou até Dusseldorf, a par do CITEVE com um expressivo showcase de inovação especialmente concebido para o sector da saúde. “Foi uma feira extremamente agradável. Conseguimos muitos contatos, um pouco de todo o mundo, e acreditamos vir a fazer negócio”, disse Paulo Pereira, International Sales Manager da Trotinete, em jeito de balanço. Na Alemanha, a empresa de Leça do Balio

atraiu as atenções pela sua aposta em uniformes hospitalares, um setor onde tem vindo a crescer a nível nacional. Desde meias dotadas de electroestimulação a batas com características antibacterianas, todos os expositores nacionais aproveitaram a oportunidade para mostrar as suas mais recentes novidades, naquela que foi mais uma afirmação do lado mais tecnológico dos têxteis nacionais. t


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DE PORTA ABERTA Por: Cláudia Azevedo Lopes

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R. de Mouzinho da Silveira, 14 4050-414 Porto

Ano de abertura da loja 2017 Produtos Vestuário e acessórios, têxteis-lar, artigos de decoração e produtos alimentares Estilo Orientada para clientes exigentes, que apreciam produtos selecionados de qualidade elevada Loja online Em desenvolvimento

MARIA GAMBINA DE REGRESSO ÀS PASSERELLES Cor, cor e mais cor. Foi assim a apresentação da coleção SS19 de Maria Gambina, que marcou o seu regresso às passerelles após uma pausa de cinco anos em que se dedicou ao ensino. Mais recentemente, e após ter passado algum tempo a analisar as suas peças mais antigas, a designer voltou a sentir a chama da criatividade e decidiu regressar às passerelles. Esta nova coleção é a confirmação de que Maria Gambina ainda tem muito para dar à moda portuguesa.

JOSÉ NEVES NOVAMENTE NOMEADO PARA OS FASHION AWARDS O fundador e líder da Farfetch foi pelo segundo ano consecutivo nomeado para os prémios de moda britânicos Fashion Awards, que todos os anos são atribuídos pelo British Fashion Council. José Neves está nomeado para a categoria de “Business Leader”, a par dos presidentes executivos da Louis Vuitton, Michael Burke, da Burberry, Marco Gobbetti, e da Versace, Jonathan Akeroyd, além do presidente da Gucci, Marco Bizzarri, que foi o vencedor na última edição. Os Fashion Awards são anunciados a 10 de dezembro, em Londres.

"O futuro é ter produtos que são sensoriais para o consumidor contemporâneo, que se preocupa com questões éticas e com a sustentabilidade dos materiais"

Para o mundo, com amor Há muito que Manuela e o marido sonhavam com um projeto conjunto, mas a vida estabeleceu-lhes outros desígnios e planos e o sonho foi deixado adormecido à espera de uma oportunidade de se concretizar. “Queriamos colmatar uma necessidade que sentimos existir nesta zona da cidade: um espaço que disponibilizasse uma oferta abrangente e diversificada do nosso património, que é enorme, muito variado e repleto de qualidade”, é assim que Manuela descreve o nascimento da Panamar, uma loja idealizada pelos dois e que se revelou um hino ao amor num mundo cada vez mas impessoal. O momento aconteceu o ano passado, numa altura em que Manuela, engenheira alimentar da área dos laticínios, pensava seriamente em abrandar o ritmo e dedicar mais tempo à família. No entanto, a vontade do marido Paulo, que sempre teve grande apetência e gosto pela área comercial, levou Manuela a abraçar de corpo e alma este projeto. “Fiquei bem por abdicar um pouco mais do meu tempo quando percebi que estava a demonstrar todo o carinho que sinto pelo meu marido. Foi por ele que o fiz, não por mim, como forma de gratidão por todos os anos que me tem acompanhado. Dedico todo este trabalho a ele, que é uma pessoa extraordinária. É, no fundo, uma declaração de amor”, revela Manuela. É assim mais fácil de compreender que o nome da loja seja Panamar – uma conjugação do prefixo Pan – que significa tudo – com a palavra amar. “É um tributo ao amor. Num mundo conturbado como o de hoje, é muito fácil esquecer as emoções e que a base das relações humanas é o amor. Quando digo amar quero dizer respeitar, cuidar,

tratar bem. Queremos que isso aconteça dentro desta loja. Não só para com os clientes mas também entre nós, equipa”, explica a agora empresária. A ideia de ambos foi criar uma loja que disponibilizasse produtos diferenciados, privilegiando sempre o made in Portugal, e por isso tudo o que agora se encontra à venda na Panamar foi alvo de uma minuciosa curadoria, cujo critério é um e apenas um: a qualidade. “Tentamos selecionar produtos portugueses que cumpram esses requisitos. Estamos no centro histórico e por isso temos muitos turistas – não só estrangeiros mas também portugueses de outras zonas do país – e o que eles procuram são produtos portugueses de qualidade”. O espaço, localizado num edifício com mais de 150 anos da rua Mouzinho da Silveira, surge após mais de um ano de procura e de umas intensas obras de requalificação, que ajudaram a salientar as características únicas do edificado. Um edifício com história, que se revelou perfeito para contar a história de Portugal, narrada através dos diversos produtos e marcas lusas que enchem os dois pisos da loja. Concreto, WestMister, Wedoble, Pé de Chumbo e Carla Pontes são algumas das marcas de vestuário que preenchem os expositores na Panamar, mas também estão disponíveis artigos de têxteis-lar, acessórios decorativos, porcelanas e artigos alimentares, como chocolates e vinhos. Para já, a loja online ainda não passa de mais um plano a concretizar mas isso não impede que os produtos da loja andem já a ser enviados para todos os cantos do globo. Quem visita gosta, passa a palavra e ajuda a Panamar a espalhar amor além-fronteiras. t

Dolores Gouveia Diretora de Marketing e Desenvolvimento da RDD

MALHAS SUSTENTÁVEIS FAZEM VOAR A LURDES SAMPAIO O mapa de exportações da têxtil Lurdes Sampaio é cada vez mais alargado e, acima de tudo, cada vez mais verde. A empresa exporta, de forma directa, 30% do seu volume de negócios, e mais de metade da sua oferta já consiste em malhas sustentáveis. Esta veia ecológica tem-se revelado um argumento de peso e um valioso passaporte para entrar em novos e exigentes mercados internacionais. Com mais de 2 milhões de euros de faturação em exportações diretas, há que juntar o fornecimento a muitas das confeções portuguesas que trabalham para as grandes marcas europeias.

TRÊS SIST3RS E MUITAS CESTAS Conheceram-se no liceu e após 23 anos de amizade e de muitas aventuras pelo meio viram a sua marca de acessórios desfilar em conjunto com a MEAM no Portugal Fashion. E tudo por causa da sua linha de acessórios, que destaca a certaria tradicional e adapta-a aos gostos e ao lifestyle da mulher moderna, sensual e determinada, que gosta de glamour e do casual chic.


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A FIBRA DE IAQUE É O TRUNFO DA INOVAFIL Um fio composto por pêlo de iaque – bovídeo da região dos Hilamaias – e por uma fibra de PLA (poliácido lático) é o novo trunfo da Inovafil, já selecionado como finalista para os iTechStyle Awards, depois de ter sido exibido, em setembro, na Première Vision Paris e no Modtissimo. A fibra de iaque, cuja suavidade se compara à da caxemira, possui propriedades antibacterianas, de respirabilidade e resistência, e a fibra de PLA é biodegradável e de produção sustentável, tendo como base o milho, explicou Rui Martins, administrador da Inovafil.

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"Desde que paguem, é-me indiferente se é mercado nacional ou internacional. Os nossos clientes do mercado interno merecem todo o respeito porque pagam muito bem" Paulo Ferreira CEO da PBP Têxteis

O Move'Up 18 foi uma sexta-feira e peras na Covilhã. A ATP apresentou a edição 4.0 da campanha Fashion From Portugal. O desfile do concurso PFN teve como grande vencedora Ashma Karki. Os finalistas de Design de Moda da UBI apresentaram as suas coleções. E Carlos Gil foi a cereja em cima do bolo! O júri do PFN, constituído por José Robalo (ANIL), Paulo Vaz (ATP), Paulo Cravo (Bloom) e Carlos Gil, escolheu os seguintes premiados entre 18 candidatos de oito escolas: Categoria I: 1ª - Sofia Silva Escola de Moda do Porto (Somelos) 2ª - Ana Rita Milhazes Escola de Moda do Porto (Adalberto) 3ª - Ercília Beatriz Pinto Cenatex (6 Dias Têxteis) 4ª - Iara Ribeiro Escola Soares dos Reis (Lemar) Categoria II 1ª - Ashma Karki ESAD (Tintex) 2ª - Maria Bouçanova Modatex (A.Sampaio) 3ª - Mariana Soares FAUL (Trimalhas) 4ª - Inês Cesariny Modatex (Texser).

Ashma Karki, ao centro, recebe o prémio das mãos de José Robalo e Rita Bonaparte, coordenadora do PFN .

ASHMA, A NEPALESA DO ALGARVE António Gonçalves

O percurso da Ashma Karki é a prova de que o talento não conhece fronteiras. Nascida no Nepal, chegou a Portugal há apenas quatro anos, ingressou em Design de Moda, na ESAD, e tornou-se a grande vencedora do Concurso Novos Criadores PFN 2018. Com 21 anos, mas já uma longa história para contar, Ashma vai integrar a plataforma Bloom, na próxima edição do Portugal Fashion. “Somos a típica família de imigrantes. Os meus pais decidiram vir para Portugal à procura de melhores condições de vida e de um sítio onde eu pudesse continuar a estudar e acabaram por se fixar na Quarteira”, explica Ashma Karki. Mas como o Algarve ainda não era o destino que a vocação lhe exigia, rapidamente a jovem nepalesa viu-se obrigada a rumar a norte e a viver sozinha no Porto, para frequentar a licenciatura em

Design de Moda, na ESAD Matosinhos. Fluente em inglês mas ainda a tomar o pulso à língua de Camões, via-se muitas vezes obrigada a pedir ajuda a colegas e professores. “Nunca me deixaram sem resposta, agradeço-lhes muito por isso”, relembra. Ashma destaca sobretudo o papel de Maria Gambina, a professora que mostrou confiança no seu trabalho e lhe lançou o desafio de participar no Concurso Novos Criadores Portuguese Fashion News. Ao tema da competição – “Wellth is the new wealth” (O bem estar é a nova riqueza) – Ashma respondeu com um coordenado sobre sustentabilidade, que durante o desfile final atraiu as atenções pela sua semelhança com um saco do lixo. O trabalho, intitulado Trashma, é um manifesto pessoal sobre a relação que temos com os bens descartáveis. “As pessoas dizem que se preocupam com os resíduos, mas na realidade essa preocupação não existe. Este design é um statement sobre

essa noção de felicidade materialista”. Para além da criatividade, o coordenado destacou-se pelo rigor técnico com que foi executado. Aos tecidos, oferecidos pela Tintex, Ashma deu um acabamento de impermeabilização que conferiu à peça o seu aspecto final. Rita Bonaparte, estilista e coordenadora do concurso, realça o papel importante destes pormenores: “O cuidado na apresentação das peças é sempre tido em conta e, neste caso, assistimos a uma interpretação muito interessante da Plastic Fantastic, uma tendência que tem percorrido as principais passarelas internacionais e que aposta em tecidos com um aspecto semelhante ao plástico”. O primeiro lugar no concurso abre agora a Ashma as portas para a plataforma Bloom do Portugal Fashion, onde vai ter a oportunidade de apresentar algumas das suas criações, e o estágio de um mês numa empresa ligada à moda. t

C&A INVESTE 12 MILHÕES NA PENINSULA IBÉRICA Em Portugal, no último ano, a C&A avançou com o novo conceito de loja nas unidades de Loulé, Telheiras, Gondomar e Viseu, no âmbito de um plano de renovação a nível global e que, no último ano, resultou num investimento de mais de 12 milhões de euros em Portugal e Espanha. A C&A conta com 118 lojas e 2.069 colaboradores em Portugal e Espanha e tem mais de 1.500 lojas em 18 países europeus e cerca de 35 mil colaboradores.

DOES T SPEAK ENGLISH? YES, IT DOES A edição internacional, em língua inglesa, do T jornal é a primeira e mais palpável iniciativa do Fashion From Portugal 4.0, o novo programa de promoção externa da indústria têxtil e de vestuário (ITV) portuguesa. “A promoção da imagem da ITV portuguesa é uma tarefa que não pode ser descontinuada. Deve ter uma permanente evolução, com atenção a novos mercados, novos públicos e novas formas de comunicação da moda para ser cada vez mais efetiva”, afirmou Paulo Vaz, diretor-geral da ATP, na sessão de apresentação do FFP 4.0, que decorreu da Faculdade de Engenharia da Universidade da Beira Interior (UBI). O uso intensivo dos meios digitais e das redes sociais é a mais marcante diferença deste projeto relativamente ao anterior, que decorreu entre 2016 e 2017 e foi distinguido com o prémio EEPA (European Enterprise Promotions Awards), na categoria de apoio à internacionalização das empresas. “O nosso objetivo é passar a imagem reforçada de uma indústria moderna, tecnologicamente avançada, mesmo trend setter no domínio dos têxteis de alta tecnicidade e enformada fortemente pelo design, evoluindo de uma clássica industria transformadora para uma servitizada e focada no valor”, explicou Paulo Vaz. O programa Fashion from Portugal 4.0 decorrerá ao longo de um ano e terá um investimento estimado de aproximadamente 670 mil euros. t


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67% DOS EX-TRABALHADORES DA RICON ESTÃO EMPREGADOS Cerca de nove meses depois de terem sido surpreendidos com uma carta de despedimento, grande parte dos ex-trabalhadores do grupo Ricon, sediado em Famalicão, voltou ao ativo, segundo uma reportagem do ‘Jornal de Notícias’. Dos 627 que se inscreveram no fundo de desemprego, 424 já não estão desempregados, o que representa uma importante fatia (67,6%) destes trabalhadores. Sonix, Riopele, TMG e Coindu foram algumas das empresas que contrataram ex-funcionários da Ricon para as suas fileiras.

3,5 milhões

de pares de meias são fabricadas anualmente pela A.Fiúza e Irmão

DECENIO VOLTA À NATUREZA

A coleção de outono/inverno da Decenio está mais natural do que nunca. Os tons terra estão presentes em quase todas as peças da coleção e o desafio é criar uma simbiose perfeita entre o estilo desportivo e o clássico e entre as cores quentes e frias. A celebrar este ano um quarto de século, a personalidade mediterrânica da Decenio é sinónimo de sofisticação, elegância e qualidade. t

CERTIFICAÇÃO REFORÇA SUSTENTABILIDADE DA FILASA

ATP PREPARA CONVENÇÃO MUNDIAL DA ITMF

KIABI ALIA-SE À DISNEY NA MAGIA DO NATAL

O director geral da ITMF (International Textile Manufacturers Federation) esteve em Portugal a preparar a próxima convenção da organização, que terá lugar em Outubro do próximo ano, no Porto. Christian Schindler reuniu com o director geral da ATP, Paulo Vaz, e do CITEVE, Braz Costa, para analisarem toda a logística associada ao evento, que traz a Portugal centenas de empresários têxteis vindos de todo o mundo.

Para tornar este Natal ainda mais único, a KIABI aliou-se à Disney e juntas criaram algumas peças inspiradas nas míticas personagens Mickey e Minnie Mouse. Pijamas e sweats para toda a família, t-shirts em lantejoulas com interação e maravilhosos onezies, com direito a orelhinhas e laços, prometem fazer as delícias dos mais pequenos e pôr um sorriso na cara dos graúdos.

WALL STREET TESTA CAPACIDADE DE CRESCIMENTO DA FARFETCH

Fátima Antunes, administradora da Lasa, a empresa-mãe que criou, em 1986, a Filasa, dedicada ao setor da fiação

A Filasa acaba de conseguir um novo certificado para os seus fios de algodão, reforçando assim a sua imagem de marca de comprometimento com a sustentabilidade. Denominado Fairtrade, esta atribuição torna evidente uma abordagem alternativa ao comércio convencional, baseada numa parceria mais equilibrada entre produtores e consumidores. As preocupações com a sustentabilidade são centrais na Filasa: a empresa foi pioneira no uso de fios em viscose, assumindo em toda a sua produção a utilização da nova fibra da Lenzing, a Ecovero, que é obtida da madeira, já depois de ter sido a primeira empresa de fiação a aderir à iniciativa para usar algodão sustentável, o BCI (Better Cotton Iniciative). A Filasa, Fiação Armando da Silva Antunes, nasceu em 1986 e muito rapidamente se transformou numa importante referência no setor da fiação, tanto a nível nacional como europeu, e é atualmente a segunda maior fiação na União Europeia. Parte integrante do Grupo Lasa, a Filasa está

equipada com a mais recente tecnologia de fiação, produzindo todo tipo de fios em várias técnicas (800 toneladas fio por mês). Presentemente, conta nos seus quadros com cerca de 250 colaboradores e opera em Vizela numa área industrial superior a 15 mil metros quadrados. Quando um produto carrega a marca Fairtrade significa que os produtores e os comerciantes cumpriram os ‘Critérios do Comércio Justo Fairtrade’, projetados para lidar com o desequilíbrio de poder nas relações comerciais, mercados instáveis e injustiças do comércio convencional. Os produtores agricolas conseguem vender com base naquilo que se convencionou chamar Comércio Justo e obtêm melhores condições de troca. Isso permite-lhes a oportunidade de melhorar as suas vidas e de planear o seu futuro de forma mais sustentada. Do outro lado, o Comércio Justo oferece aos consumidores uma forma poderosa de reduzir a pobreza através das suas compras diárias. t

A Farfetch prestou pela primeira vez contas ao mercado desde que as suas ações foram cotadas na Bolsa de Nova Iorque. Um crescimento de 52% nas receitas, para 132,2 milhões de dólares, mas também um prejuízo de 77,3 milhões, que parece não preocupar os investidores. Os analistas consideram que empresa deverá continuar a apresentar um resultado líquido negativo, devido aos custos acima das receitas, mas o que importa é a capacidade de manter o ritmo de crescimento.

VICTORIA’S SECRET NUNCA FOI TÃO PORTUGUESA Sara Sampaio teve a companhia da estreante Isilda Moreira e a moda portuguesa ganhou asas no Victoria’s Secret Fashion Show. Aos 20 anos, e com apenas quatro de carreira, o sonho tornou-se realidade para Isilda Moreira, num desfile que fez história para a moda nacional pela presença de duas portuguesas entre as 60 modelos selecionadas. Sara Sampaio, que desde 2015 é um dos “anjos” da marca, foi uma das protagonistas, enquanto Isilda desfilou um estilo mais juvenil e desportivo.


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M EMERGENTE Clara Fernandes Professora auxiliar no curso de Design de Moda da UBI Família Vive com o namorado Ricardo, professor de Jornalismo na UBI, e o golden retriever Blue Formação Doutorada em Design de Moda Casa Apartamento na Covilhã Carro Mini Cooper de 2010 Portátil MacBook Pro Telemóvel iPhone 10 (a irmã Julie trabalha na Apple) Hóbis ”Não tenho muito tempo livre, mas gosto muito de sair com os amigos, que agora estão todos no Porto, e de jogar ténis" Férias A rotina é visitar a família - os avós vivem em Cannes, os pais em Bordéus e a irmã em Paris. “Só pago as portagens e a gasolina…” Projetos Retomar estudos de mandarim e fazer um curso de informática Regra de ouro “Manter-me sempre humilde e com a mente aberta para aprender com os outros”

FOTO: ANTÓNIO GONÇALVES

Jovem, francesa e muito decidida Dos tempos em que, adolescente, praticou ténis e disputou campeonatos nacionais de França, em Roland Garros, Clara guardou a resiliência, o foco, a crença e a disciplina, mas, acima de tudo, a capacidade de ser rápida na tomada da decisão, qualidade rara e valiosa, pois nada é tão fútil e fatigante como a indecisão. Clara Eloise Fernandes, que em julho deu nas vistas ao tornar-se, aos 29 anos, a primeira doutorada em Design de Moda por uma universidade portuguesa (UBI), é uma francesa nascida em Dijon. Aí cresceu e viveu até aos 15 anos, quando se mudou para Bordéus, onde o pai é diretor de um colégio. A costela e apelido portugueses vêm-lhe do lado paterno - em 1965, o avô João Domingos, natural de Ourondo, uma aldeia beirã que dista uns 30 km da Covilhã, emigrou para terras de França (onde trabalhou no bâtiment), na companhia da mulher Deolinda e do filho de ambos, João Carlos (o pai de Clara), então com seis anos. Os primeiros indícios de uma óbvia queda para o design e para a moda revelaram-se quando ela, ainda muito miúda, se entretinha sozinha a construir coisas e a fazer roupas para as suas bonecas. “Era uma criança muito calma. Bastava darem-me para a mão um bocado de cartão, uma tesoura e fita-cola e eu ficava ali sossegada, na minha vida”, recorda. Com apenas dez anos já estampava t-shirts, que tentava vender às amigas sem grande sucesso (“não resultava, pois elas não queriam pagar...”), um fracasso precoce que pode muito bem ser a pré-história remota do tema que viria escolher para a tese de doutoramento - The fashion design entrepreneur: skills & solutions to create a fashion related business. Quando obteve o Bac (diploma final do liceu), sabia já perfeitamente o que queria: estudar design. Meteu-se no carro com o pai e percorreram França a visitar escolas, num périplo pouco conclusivo. “O meu pai não estava muito inclinado em pagar propinas superiores a dez mil euros anuais...”, explica. Deixou-se ficar pela Universidade de Bordéus Montaigne, demorando-se um ano no curso de Langues Étrangères Appliqués, um raro momento de indecisão a que não tardou a pôr um ponto final. Aquilo que estava a fazer não era a sua paixão. “O que é que eu estou aqui a fazer?”, interrogou-se Clara. E como não foram satisfatórias as respostas que encontrou, decidiu vir estudar para Portugal. O curso de Design de Moda da UBI foi a primeira escolha, até porque precisava de estar ao pé dos avós paternos - um forte cordão umbilical que a ligava ao nosso país. Tinha 19 anos, quando se meteu ao volante de um velho Peugeot 206, que passara pelas mãos da mãe e da irmã, e atravessou a Espanha, trocando Bordéus por Ourondo, a aldeia dos arredores da Covilhã com uma praia fluvial onde costumava passar três semanas divertidas das férias de verão. Devido à sua grande ligação à indústria têxtil, em particular aos lanifícios, o curso correspondeu amplamente às suas expectativas. “Tinha tudo o que eu procurei e ainda mais”, garante Clara, acrescentando que a Covilhã também lhe agradou logo: “É uma cidade pequena mas tem vida e é muito acolhedora. Estamos sempre a cruzar-nos com caras amigas. Quando sais à noite sabes que vais sempre encontrar alguém conhecido”. Enquanto fez o curso e o mestrado, ia ganhando algum dinheiro com biscates diversos, como a servir à mesa. Depois, fez trabalhos de design, gráficos e de vestuário, em regime de freelance, e teve o seu primeiro emprego na Follow Inspiration, uma start-up tecnológica nascida na Covilhã (no entretanto mudou-se para o Porto) que se celebrizou com o wiiGO, um robot/carrinho de compras concebido para ajudar pessoas com mobilidade reduzida. No entretanto, há três anos, ganhou o concurso para dar aulas no curso de Design de Moda e decidiu optar pela carreira académica, inscrevendo-se no doutoramento que a UBI e a UMinho abriram nessa área. “A ideia da minha tese foi a de criar novas soluções e novas formas de pensar e trabalhar para uma indústria que precisa de um novo fôlego”, explica Clara, uma jovem decidida, feliz com o que está a fazer (“Adoro ajudar os outros a criarem as suas marcas e conviver com gente que tem ideias fantásticas") e sem mal entendidos com a vida: “Sinto que o meu lugar é aqui”. t


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NUNO GAMA E WESTMISTER NOVAMENTE JUNTOS

X O MEU PRODUTO Por: António Gonçalves

Advanced Combat Uniform

Projeto de I&D que envolve as empresas RIOPELE e DAMEL, o CITEVE, o INEGI, o Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação da Academia Militar (CINAMIL) e a Escola de Sargentos do Exército (ESE)

O que é? Um novo uniforme de guarnição para o Exército Português Para que serve? Protege e aumenta o desempenho dos soldados em ambiente de missão Estado do Projeto? Aprovado e já a ser utilizado pelos militares

Fardas que salvam vidas É sabido que muitas das tecnologias que utilizamos no dia-a-dia surgiram em contexto militar, desde a rádio à internet, passando pelos primeiros eletrodomésticos e os gadgets mais evoluídos. O têxtil não é exceção e o consórcio liderado pelo CITEVE juntou forças com a Escola de Sargentos do exército para criar um novo fardamento, que fosse um exemplo de inovação e uma vantagem tecnológica para o exército português. O projecto Advanced Combat Uniform (ACU) apresenta agora os seus primeiros resultados, na forma de um novo uniforme de guarnição para os soldados portugueses. Composto por calças, dólman, quico e panamá, o fardamento foi criado para ser utilizado pelo soldado apeado, tendo em conta os riscos que enfrentam no seu quotidiano, especialmente quando estão em missões internacionais onde as condições climatéricas podem ser um inimigo real. Para responder às exigências das ações no terreno, foi necessária a utilização de tecnologias inovadoras e de novos materiais, que aumentassem o nível de desempenho e fossem capazes de garantir a flexibilidade, a durabilidade e o conforto necessários. Um dos aspectos mais inovadores está no padrão camuflado. O novo desenho, que já foi registado e que será utilizado de forma exclusiva pelo exército português, consiste num camuflado multiterreno, concebido para a ação em diferentes cenários. Por isso mesmo, será transversal aos vários equipamentos, incluindo o fardamento de combate.

Também o tecido utilizado foi concebido a pensar nas condições agrestes e difíceis que estes soldados enfrentam no terreno. Construído com fios retorcidos e com uma maior quantidade de poliamida, o uniforme é mais resistente à abrasão. Já a parceria com a Riopele resultou na aplicação do conceito da marca “Çeramica”, tornando o ACU mais sustentável, respirável, suave ao toque e repelente à sujidade, especialmente a substâncias que provoquem manchas, como vinho, óleo e café. Em suma, é um tecido mais duradouro e fácil de limpar, mantendo o mesmo aspeto durante mais tempo. À tecnologia da matéria-prima, a equipa de desenvolvimento procurou conjugar um novo desenho ergonómico. Especializada em vestuário técnico, a Damel, responsável pelo desenho do novo uniforme, procurou oferecer mais conforto e flexibilidade aos militares. Para isso foram criadas novas zonas de ventilação, cortes localizados, bolsos de fácil acesso, sistemas de ajuste flexíveis e reforços em zonas de maior desgaste. Para além deste uniforme de guarnição, a parceria entre a indústria têxtil e as forças armadas, com centro de operações no CITEVE, tem ainda outros projectos em desenvolvimento, que prometem apresentar novidades tecnológicas capazes de melhorar a vida dos soldados.t

Nuno Gama e a WestMister voltaram a juntar-se, desta vez para apresentar a Coleção (cápsula) SS19. Depois da coleção comercializada no outono-inverno 2018, a parceria materializou-se agora em quatro mode-

los de meias masculinas, em diferentes combinações, onde se destacam o khaki, os azuis e realces de amarelo-limão, sem perderem de vista o preto e o branco, evidenciados pelo vermelho-crisântemo.

"Há dez anos, começámos a apresentar tecidos com foco na reciclagem, mas sem grande sucesso. Agora estão preocupados em proteger o planeta e ouço sempre o mesmo pedido - têxteis verdes, têxteis reciclados" Manuela Araújo CEO da Lemar

AMAZON ABRE EM BAKER STREET A SUA PRIMEIRA BOUTIQUE CHIQUE Vestidos de renda, casacos com estilo e jeans devidamente rasgados pendurados no meio de cartazes em neon compõem o ambiente da nova loja de moda de Baker Street, Londres – e seria talvez apenas mais uma não fosse o caso de ser uma loja da Amazon, a primeira de roupas e acessórios do gigante norte-americano na Europa. A Amazon começou a vender roupa e acessórios no Reino Unido há apenas dez anos, mas já está a competir com a maior rede de lojas britânica, a Marks & Spencer, com uma posição de 4,6% no mercado de vestuário online – aquele que parece ter maior margem de crescimento.

400 pessoas trabalham nas cinco fábricas do grupo Goucam

6DIAS TÊXTEIS LEVA ACONCHEGO À CASA DO GAIATO

A 6Dias Têxteis Internacionais acredita fortemente que “o Têxtil pode mudar o Mundo” e é com essa convicção que o projeto social Têxtil Solidário tem ganho força na empresa e irá continuar a crescer. A última manifestação foi a recolha de peças de vestuário junto dos seus parceiros da área do têxtil para proporcionar às crianças das instituições Casa do Gaiato, no Porto, e Casa Fontarcada, na Póvoa de Lanhoso, um inverno mais aconchegante.


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OPINIÃO PERDA DE COMPETIVIDADE AMEAÇA CRESCIMENTO Paulo Melo Presidente da ATP

FIM DE CICLO Paulo Vaz Diretor-Geral da ATP e Editor do T

O ano de 2018 deu sinais contraditórios sobre o futuro do sector têxtil e vestuário português. Por um lado, as exportações continuaram a crescer e as empresas sentiram grandes dificuldades em encontrar pessoal para trabalhar, o que demonstra uma vitalidade objetiva e inquestionável. Mas é igualmente claro que esse crescimento perdeu dinâmica a partir de meados do ano e que a conjuntura internacional, nos nossos principais mercados de exportação, se apresenta mais incerta, antecipando dificuldades, pelo que temos de estar mais atentos. A ITV nacional protagonizou um dos mais notáveis case studies contemporâneos, no âmbito da reindustrialização em países desenvolvidos, tendo conseguido demonstrar que é possível conciliar atividades tradicionais com inovação tecnológica e design, em que a intensidade do serviço diferencia positivamente, permitindo uma contínua ascensão na cadeia de valor. Contudo, é fundamental não perder de vista que, mesmo com a tónica nos fatores críticos de competitividade, importa não descurar os fatores clássicos em que essa competitividade deve estar assente: o acesso ao financiamento e os custos do dinheiro, da mão-de-obra e da energia, assim como o ambiente fiscal favorável aos negócios. Infelizmente, quando olhamos para os últimos anos, por diversas razões, em que pontificam opções políticas e ideológicas, assim como uma total ausência de política económica para

O ano de 2018 foi mais um ano de crescimento do sector, embora algo assimétrico, consoante as atividades nele compreendidas, registando-se um maior dinamismo a montante que a jusante da fileira, havendo mercados que surpreenderam pela sua forte progressão, como a Itália, e outros, como a Espanha e o Reino Unido, que, por razões diversas, desapontaram, agravando a tendência de quebra que já se sinalizava em 2017. Seja como for, há que constatar que o ano de 2018 foi o décimo de crescimento consecutivo, o mais longo ciclo de expansão de que há registo no sector, atirando as exportações para valores superiores a 5,3 mil milhões de euros, um segundo recorde absoluto consecutivo nas vendas do sector ao exterior. Se há razões para festejar, há igualmente razões para precaver. Estamos perante um fim de ciclo de prosperidade, que assentou na convergência de diversos factores positivos, em que pontuaram a boa conjuntura económica mundial e o desvio de tráfico de encomendas do norte

o país, assistimos a uma constante degradação dos ditos fatores clássicos, que continuamos a entender como os alicerces da competitividade, sem que tenha havido suficiente compensação por parte da capacidade dos fatores ditos críticos e diferenciadores pelo valor. Aliás, uma casa sem alicerces, por melhores paredes e mais bonito telhado que apresente, acaba por colapsar. E o pior é que, apesar de termos tido domínio nos ditos fatores críticos de competitividade, como a incorporação da moda, do design e da inovação tecnológica, não temos qualquer margem de manobra nos referidos fatores de produção clássicos, uma vez que é ao Estado ou ao poder político, dentro e fora de portas, que cabe, com maior ou menor capacidade de atuação, intervir na facilitação do acesso ao financiamento e no custo do dinheiro, no custo do trabalho e da energia, já para não falar da criação de um ambiente business friendly, em que a atratividade e estabilidade fiscais são preponderantes. Tudo isto para concluir que, embora nos regozijemos por um longo ciclo de prosperidade no sector, de que as empresas são as principais responsáveis, é bom não perder de vista que o futuro é incerto e desafiante, pelo que teremos de reforçar a nossa atenção, o nosso empenho e estimular o nosso dinamismo, para enfrentar o ano de 2019, se o queremos pelo menos tão bom como os que o antecederam. Se depender apenas de nós, estou certo que conseguiremos!

de África e Turquia para Portugal, por razões de natureza política, combinadas com uma positiva mudança de drivers na competitividade das empresas, que apostaram na inovação tecnológica, design, serviço e reforço da internacionalização, para se diferenciarem face à concorrência global. Tudo isto parece estar a esgotar-se rapidamente à medida que as exportações vão perdendo gás e se multiplicam as expectativas menos positivas das empresas face ao futuro. O ano que aí vem, vai ser no mínimo desafiante. Não tem de ser forçosamente negativo e, caso seja de ajuste, não tem de ser dramático nesse processo de retificação. As empresas vão ter de se repensar e relançar a discussão interna para refazer as suas estratégias. Não haverá receitas mágicas a propor. Cada empresa tem as suas forças e capacidades diferenciadas, que determinarão a forma como enfrentarão as dificuldades com mais ou menos sucesso. Contudo, algo parece inequívoco e incontornável para todas elas: a exigência vai obrigar a mais trabalho,

mais rigor, mais esforço na respetiva governance e no esforço comercial a realizar à escala interna e externa. A complacência e a acomodação a velhos hábitos e métodos de trabalho ou a perigosa dependência de um número limitado de clientes, cuja fidelização é sempre uma perigosa ilusão, podem tornar-se uma armadilha fatal para muitas organizações que não aproveitaram os tempos de bonança para, tal como o país, realizarem reformas internas e se preparem para tempos mais ásperos. Um outro sector têxtil e vestuário, num outro paradigma, em que pontificam eixos de desenvolvimento novos como a sustentabilidade e a digitalização, está já em processo de formação, onde pontificarão empresas mais competitivas e modernas, capazes de perpetuar a vocação internacional do sector. Mas, simultaneamente, outras haverá que não percebendo a mudança dos tempos, acabarão vítimas da sua inércia, inoperância e rigidez. Tal como aconteceu no passado, irá acontecer no futuro.


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Braz Costa Diretor-geral do CITEVE

O CITEVE E OS PROCESSOS DE CERTIFICAÇÃO A certificação de produtos e de processos é claramente uma forma de simplificar o dia-a-dia das empresas que necessitam de dar evidências aos seus clientes das suas capacidades e da qualidade dos seus produtos e serviços. De tal forma, a certificação veio trazer vantagens para clientes e para fornecedores na cadeia T&V que foram surgindo mais e mais rótulos certificando características relacionadas com a toxicidade, com a sustentabilidade, com a justiça no comércio, etc, etc, etc. Esta proliferação é, em princípio, boa. Tem acompanhado as tendências de mercado no que toca ao que consumidores e entidades reguladoras valorizam e, assim, dão respostas às empresas da ITV. Contudo, a oferta tão crescente de rótulos e etiquetas tem trazido algumas dificuldades: • O sentimento das empresas de que a certificação corresponde a uma forma encapotada e ardilosa de fazer lucros às suas custas. • O aparecimento de rótulos com escopos que colidem e se sobrepõem, dificultando às empresas o seu entendimento e as suas opções. Embora no nosso dia-a-dia não o sintamos na sua dimensão, a ITV está em pleno tempo de transformação e a uma velocidade nunca antes experimentada, com a sustentabilidade e a digitalização em grande destaque. Este é um momento importante também para a reflexão, interna a cada empresa, sobre o que deve ser o seu portefólio de certificações tendo em conta: • As exigências atuais dos clientes e as possibilidades de as atender de forma alternativa à que propõem por defeito. • A articulação entre os vários rótulos do portefólio de molde a evitar redundâncias e explorar sinergias, sobretudo nos processos de implementação das medidas que concorrem para a obtenção dos certificados. • Os custos de cada tipo de certificação. • A estratégia global de posicionamento das empresas e a forma como utilizam o portefólio de certificações nesse processo. E estava aqui a pensar que o CITEVE tem condições para dar uma ajuda nesta reflexão. t

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Ricardo Costa Vereador da Câmara Municipal de Guimarães

INCUBAÇÃO INDUSTRIAL: UM CAMINHO A PERCORRER No cenário macroeconómico positivo, que hoje felizmente vivemos, devemos ser capazes de propor novas abordagens, novos ambientes, novas condições de contexto e comportamentos disruptivos capazes de induzir inovações constantes, de forma a que possamos estar constantemente a crescer, beneficiando a nossa economia, o nosso território e os nossos concidadãos. Ao longo dos tempos, a Indústria sofreu muitas e fortes transformações, nunca antes imagináveis. Transformações que aconteceram, umas por obrigação e sinais dos novos tempos, outras impostas pela própria crise. Nos últimos cinco anos temos falado muito em startups, empreendedorismo e inovação, palavras gastas, e cujo sucesso alcançado, muitas vezes, não foi o expectável. Podemos e devemos continuar a investir nestes conceitos mas de uma forma completamente diferente. Teremos de ser capazes de promover empreendedorismo, criação de startups dentro das próprias empresas, onde já existe know-how, clientes, fornecedores, recursos humanos e capital. Sim, isso mesmo, temos que promover a incubação industrial, criando ambientes e contextos económicos propícios para que este propósito possa acontecer. A nova economia tem que interligar de forma constante os centros de conhecimento, governação (local ou nacional) e tecido empresarial. Estas são as premissas necessárias para qualquer empresa poder singrar num contexto económico adverso e de mudança constante, beneficiando também os centros de conhecimento e as suas unidades de interface, quer no constante e permanente desafio de produção de conhecimento quer na sua transferência para a economia real, sendo os agentes de governação um catalisador e impulsionador desta contaminação positiva. O próximo quadro comunitário, 20/30, terá que ser capaz de fomentar e obrigar a que estes projetos possam coexistir incidindo nos vetores estratégicos e fundamentais da transformação digital, produção aditiva, indústria 4.0, criação de marcas e patentes. Sobretudo na capacitação, reconversão e requalificação dos recursos humanos, para que possamos ter recursos humanos fortemente capacitados e valorizados para responderem aos desafios do futuro, com salários mais justos e coadunados com a incorporação de diferenciação que colocarão na cadeia de valor dos produtos e serviços. Precisamos de uma nova Economia assente na construção da simbiose perfeita entre centros de conhecimento e unidades de interface, tecido empresarial e entidades responsáveis pela governação, nomeadamente autarquias locais, alavancadas pela governação nacional. Não podemos perder o comboio da Indústria do Futuro. t


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U ACABAMENTOS Por: Katty Xiomara

Foi tudo pensado ao pormenor. Um réveillon de arromba, ao nível da Web Summit, só para seduzir e “engatar” os grandes e poderosos do mundo. 2019 é o remake de 1920 e o ministro Siza Vieira, o nosso Grande Gatsby, é o mestre cerimónias perfeito para a luminosa receção ao novo ano. Para isso, a nossa Katty veste-o com a devida opulência para a grande noite: ouro e prata em dois elegantes fatos de três peças.

O ministro Siza Vieira é o nosso Grande Gatsby Foi-nos sussurrado ao ouvido que uma grande festa se avizinha. A amizade é para ser celebrada, por isso o grande amigo de António Costa, o nosso ministro-adjunto, que por acaso também gere a pasta da “pasta” e que muito se orgulha desta nossa capacidade portuguesa de organizar grandes eventos - ao nível da Web Summit claro! - tem em mãos o mais espetacular réveillon! A exímia organização é conduzida por um tema original: a afamada obra de Fitzgerald, The Great Gatsby. Consta que Pedro Siza Viera chega a esta ideia inspirado pelos números, que muito lhe são próximos - 2019 em oposição, não é mais do que 1920, os loucos anos 20! Uma deliciosa ideia para celebrar o ano, a amizade, os números e a vida! Os convites já foram lançados e está tudo tratado. A TAP está a par das exigências dos ilustres convidados e o SIRESP está de sobreaviso para qualquer emergência. E, obviamente, os hotéis estão em grande alvoroço na disputa pelos vip’s. Não é de bom tom que o anfitrião brilhe mais que os convidados, mas, tecnicamente, o anfitrião da festa é o nosso PM. Já o ministro da Economia, uma espécie de mestre de cerimónias, terá de representar-nos com a devida opulência. Preparámos para o Pedro dois elegantes fatos. O primeiro para a receção aos convidados durante o dia. Um fato em tons claros rodeado de acessórios simples, mas de bom peso em ouro, incluindo as fantásticas franjas que nascem no rebuço e escorregam pelos ombros. O segundo fato será todo preto bordado em pedraria de diferentes tons de ouro e prata. Nesta versão notívaga trocámos a gravata por um divertido tremelique ! Contamos que a festa consiga demostrar as nossas capacidades organizativas, mas também de “engate”. Todos sabemos que os portugueses são muito namoradeiros e não podemos desperdiçar esta montra ao mundo do investimento! t


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O AS MINHAS CANTINAS Por: Manuel Serrão

A Cozinha Largo do Serralho, 4 4800-472 Guimarães

A STAR IS BORN, EM GUIMARÃES Mais vale tarde do que nunca, mas há que reconhecer que ninguém compreendia como é que o guia Michelin ainda não tinha atribuído nenhuma das suas famosas estrelas a um restaurante da região de Guimarães. Coube a honra merecida ao Chef António Loureiro com o seu “ A Cozinha”, ainda por cima um restaurante tão bem casado com o centro histórico de Guimarães. É sabido que muitos são os critérios destas escolhas e nem sempre a boa confeção e a esmerada apresentação dos pratos são sufi-

cientes para conseguir esta almejada distinção. No caso vertente, devo confessar que da única vez que até agora lá fui, saí de lá a pensar que provavelmente mais ano menos ano António Loureiro iria ser um forte candidato à dita estrela. Mal eu sabia que a coisa já estava na forja. Como também acontece muitas vezes (embora se calhar menos vezes do que seria aconselhável), António Loureiro e a sua cozinha não aterraram no coração de Guimarães de pá-

ra-quedas ou vindos do nada. António Loureiro chegou ao Largo do Serralho na sequência de um percurso que o levou a muitos lados e depois de muitas experiências, que já em 2014 lhe granjearam a nomeação de “Chef Cozinheiro do Ano”. Este tipo de restaurantes não costuma ser conservador nas opções que oferece no menu, mas da vez que lá estive o que mais me recordo e impressionou foi a sugestão de sobremesa, que não foi a minha escolha inicial, mas o pudim abade de Priscos

que veio com gelado de lima, esponja de cardamomo, gel de laranja e avelã, revelou-se uma autêntica chave de ouro para fechar uma inesquecível experiência para muitos dos sentidos que mantenho despertos sempre que me sento a uma mesa. António Loureiro está de parabéns pela distinção recebida, mas está sobretudo de parabéns por ter enfileirado na restrita lista de chefes portugueses estrelados pela Michelin sem deixar de manter bem vivas as tradições da cozinha regional vimaranense.t


Dezembro 2018

T

39

c Por: António Gonçalves

MALMEQUER João Barata, 29 anos, solteiro e sem filhos, gosta de se apresentar como benfiquista de coração. Natural de Alcains, Castelo Branco - terra com uma grande história têxtil – é professor no Departamento de Ciência e Tecnologia Têxteis da UBI, onde fez todo o percurso académico em Design de Moda: licenciatura, mestrado (com 19 valores), estando agora em curso o doutoramento com uma tese que quer descobrir mais sobre as influências e o processo criativo de um designer.

SOUVENIR

CHAPÉU E TROFÉU DE CAÇA

Gosta

Não gosta

Família Aprender Benfica Amarelo Pontualidade Marvel Política Vegetarianismo Estar certo Estar com amigos Organização Viajar Gent (Bélgica) Arquitetura Pizza a ver o SLB Do meu computador Transportes públicos Camisas UBI Design de Moda Amigos Cães Roupa confortável Stanley Kubrick Da marca Vetements Museu Reina Sofia Ensinar Otimismo Ter barba Raf Simons The Cure Nos Alive Real Madrid Dormir Estar longe do telemóvel Frio Lareira Café Pimentos padrón Água Cerveja belga Vinho Quinta dos Termos Da minha área de trabalho Ser diferente Queijo Neve Rir Falar com toda a gente Contar histórias Sushi (sem animais)

Touradas Falta de comunicação Pessoas que não dizem 'bom dia', 'por favor' e 'obrigado' Omeletes (comida que me dão no restaurante por ser vegetariano) Mentiras Praia Ser adulto Barulho Carnaval Relógios analógicos T-shirts Pastilhas de morango Lavar a loiça Verão Sopa Pessoas vazias Violência Contradições Esquecer coisas Roma Escadas Aterrar no avião Conversas vazias Acordo Ortográfico Vestuário de fibras não naturais Reality-shows Estar errado Quem acha que percebe mais de moda do que quem a estuda Gatos Fascismo Erros ortográficos Falta de criatividade Refrigerantes Obsessão pelas redes sociais Ter sono Tocar em coisas nos hospitais Esperar Anedotas racistas e xenófobas Que me perguntem quando me caso Cheiro a suor

Mesmo não sendo propriamente uma antiguidade, ainda sou do tempo em que a boina ou o chapéu faziam parte da indumentária dos homens. Daí que adore chapéus e que os use sempre que tal se proporciona, seja enquanto profissional ou na vida particular. Como chef cozinheiro, aprendi que a profissão impõe o uso de barrete ou touca, que obrigatoriamente usei durante os três anos de formação. Tive e tenho muitos chapéus, boinas, bonés e barretes (e outros que também enfiei...), mas há um que guardo com especial carinho. É um chapéu de abas, de cor verde garrafa, que me foi dado no final de uma caçada onde tinha abatido um dos primeiros javalis. Como é de tradição, o feito é registado com a devida fotografia e lá fiz a pose ao lado da presa, mas de cabeça descoberta. E foi o meu pai – que também participava na montaria – a tirar o chapéu de um colega e colocá-lo na minha cabeça para a foto da praxe. Por entre os comentários de que ficava a matar e parecia feito para mim, o dono do chapéu fez questão que o guardasse como recordação da montaria e do tiro certeiro com que tinha abatido o animal. Uma espécie de troféu de caça que ainda hoje guardo com grande estima e que uso sempre que se torna apropriado, especialmente na caça. Tenho muitos outros, mas tenho por este uma especial predileção. Não só pela história que o envolve mas também como símbolo do carinho e camaradagem que sempre liga os parceiros de caça. t Marco Gomes


de 8 a 11. 1. 2019

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T38 Dezembro 2018  

Na última edição de 2018, o T esteve à conversa com Ana Roncha, diretora do Mestrado em Marketing Estratégico de Moda, na London College Fas...

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