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DOIS CAFÉS & A CONTA

ABRIR PORTAS É A MISSÃO DE ANA RIBEIRO P6

N Ú M E RO 3 3 J U N H O 2 01 8

DIRETOR: MANUEL SERRÃO MENSAL | ASSINATURA ANUAL: 30 EUROS

A MINHA EMPRESA

LUÍS CASTRO HENRIQUES Presidente da AICEP

CRISE VOCACIONOU TRIMALHAS PARA O SUCESSO

FOTO: RODRIGO CABRITA

P 12

“EFICIÊNCIA EXPORTADORA DA TÊXTIL É UM EXEMPLO A SEGUIR”

MODA DE LUXO

CORAÇÃO DA FARFETCH BATE EM GUIMARÃES P 18

EMPRESAS

EMERGENTE

TABEL INVESTE SEIS MILHÕES NAS INSTALAÇÕES

NA VIDA DE ANA SILVA NÃO HÁ UM DIA IGUAL AO OUTRO

P 26

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CORTE&COSTURA

EDITORIAL

Por: Júlio Magalhães

Por: Manuel Serrão

Rita Bonaparte 36 anos Coordenadora do PFN, concurso de jovens criadores Portuguese Fashion News. Rita Bonaparte adora desafios, como criar, ao mesmo tempo, calçado, equipamentos desportivos ou vestuário de segurança. “Colocar a minha perspectiva de moda num produto é a minha forma de comunicar com o mundo”. Além dos passeios de bicicleta com o filho, gosta de correr, ouvir música e ver o pôr-do-sol.

MAIS UM PASSO NA MESMA LUTA

Ser designer de moda foi um sonho de criança? Sonhei ser designer de moda desde que me lembro. Desde muito nova que adorava criar os fatos para as minhas tuchas e barbies. Entretinha-me muito a desenhar e brincar com meus croquis. Nunca tive dúvidas do que iria seguir e com o apoio a 100% dos meus pais, esse sonho tornou-se real. Não me imagino a deixar de criar, é algo que necessito como respirar e a minha ferramenta preferida para comunicar o que vai dentro de mim. Com o que já sabes hoje, aconselharias um jovem estilista a procurar uma parceria com uma marca ou indústria, mesmo em prejuízo da sua colecção de autor? Sem dúvida. Pela experiência que tenho, é necessário uma estrutura muito consistente para uma coleção de autor ter sucesso a longo prazo. Numa primeira fase pode até atingir bons resultados, mas para um crescimento gradual é importante haver uma ligação com uma indústria ou uma empresa comercial bem implementada no mercado. Tem que haver cedências de ambas as partes e o sucesso está no equilíbrio das decisões em equipa. No panorama actual de feiras internacionais qual feira (ou feiras) que consideras prioritário visitar para quem quer desenhar uma nova colecção? Porquê?? A Première Vision, (PV) sem dúvida. É uma feira que tem uma vasta oferta em todo o tipo de produtos e que envolve a moda numa dimensão bastante significativa. A

PV tem uma diversidade de produtos e empresas de qualidade nos tecidos, fios, peles, acessórios de todo o tipo. Também na manufatura e a nível da área de tendências é uma feira que prima pelo bom gosto e criatividade dos produtos que expõe. Como coordenadora do Concurso de Jovens Designers, sentes que as nossas escolas estão num bom caminho? As escolas com formação de moda em Portugal estão definitivamente de parabéns pelo ótimo trabalho que estão a desenvolver. É fantástico e inspirador lidar com tanto talento e estar envolvida com o que se faz de novo e de diferente. A qualidade dos trabalhos tem vindo a melhorar, tanto a nível de ideias como a nível de apresentação de novas texturas, novos acabamentos e complementação dos coordenados.

Mais de 30 edições depois , o T resolveu dar a palavra aos nossos parceiros públicos na promoção internacional da ITV, das suas empresas e dos seus produtos . Depois da nossa capa com o Secretário de Estado, Nelson de Souza, devidamente apreciada e muito comentada na nossa versão digital, temos agora a oportunidade de ler uma entrevista de capa com o Presidente da Aicep, Luís Castro Henriques. Num mês em que no que toca aos números das exportações, algumas nuvens foram dissipadas e alguns pessimistas foram contrariados, é da mais elementar justiça reconhecer o papel que os fundos comunitários, o COMPETE e a AICEP, têm tido na sustentabilidade e no incremento das nossas exportações, com o apoio nunca regateado às empresas, instituições e associações do sector. No caso do novo Presidente da AICEP há que dizer que o governo esteve particularmente bem na escolha de um gestor com provas dadas, nomeadamente na captação de investimento estrangeiro, sem escolher a cores políticas ou partidárias. Como aliás Luís Castro Henriques confirmou ao T, quando nos disse que como Presidente da Aicep, compete-lhe executar o plano estratégico aprovado o melhor que puder e não fazer política. Não posso estar mais de acordo com este Governo e com este Presidente da AICEP. t

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- MENSAL - Propriedade: ATP - Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal. NIF: 501070745 Editor: Paulo Vaz Diretor: Manuel Serrão Morada Sede e Editor: Rua Fernando Mesquita, 2785, Ed. Citeve 4760-034 Vila Nova de Famalicão Telefone: 252 303 030 Assinatura anual: 30 euros Mail: tdetextil@atp.pt Assinaturas e Publicidade: Cláudia Azevedo Lopes Telefone: 969 658 043 -

Já desenhaste coleções de roupa mas também de sapatos. O que dá mais trabalho? E o que é mais estimulante? Não consigo escolher, o trabalho é diferente e difícil de comparar. As coleções de vestuário têm mais provas e detalhes a serem pensados e discutidos até se chegar à peça no ponto certo, ao nível da harmonia de preço, criatividade, forma e conforto. As coleções de calçado são trabalhosas a nível de desenhos propostos inicialmente e também na escolha de solas, formas e palmilhas. Mas sou uma amante do mundo dos trapos, e por isso talvez sejam as coleções de vestuário as mais estimulantes.t

mail: cl.tdetextil@gmail.com Registo provisório ERC: 126725 Tiragem: 4000 exemplares Impressor: Grafedisport Morada: Estrada Consiglieri Pedroso, 90 - Casal Santa Leopoldina - 2730-053 Barcarena Número Depósito Legal: 429284/17 Estatuto Editorial: disponível em: http://www.jornal-t.pt/estatutoeditorial/ PROMOTOR

CO-FINANCIADO


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n PERGUNTA DO MÊS Textos de Raposo Antunes

O QUE GANHA A MODA POR PORTUGAL ESTAR NA MODA? É uma mais-valia, sim senhor, mas não é só pela visibilidade que o turismo proporciona que o sector da Moda tem garantida a sua afirmação à escala global. Era preciso também aproveitar a onda e investir nas marcas, cuidar da identidade e promover mais fortemente o design português enquanto o país anda nas bocas do mundo. Mas é claro que todos podem ganhar com o facto de Portugal estar na moda.

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“Ganha alguma coisa, mas não alavanca a moda portuguesa para o mundo nem é isso que vai colocar os designers portugueses na escala global”

“A marca Portugal ganhou força e os criadores visibilidade. (...) Ajuda a que o país seja visto também como criador de moda”

“Ganha algum espaço, mas necessita de ser potenciada de forma consistente para que passe também a estar ela própria na moda”

LUÍS BUCHINHO ESTILISTA

SANDRA BARRADAS CEO DA CHERRYPAPAYA

KATTY XIOMARA ESTILISTA

própria na moda. “A nossa moda necessita ser potenciada de forma consistente para alcançar estrutura e peso na mentalidade de quem nos visita, que, por conseguinte, também leva uma mensagem do que vê e do que compra”. Katty Xiomara não se refere a uma grande campanha de marketing, “isso seria sem dúvida uma grande jogada”, mas, sugere, “porque não criar um bairro criativo?". E dá o exemplo da cidade do Porto que tem uma grande

concentração de artistas, designers, ilustradores, etc., “mas não existe um conceito urbano que os reúna”. E fala da sua experiência pessoal, dando-a como exemplo: “Eu quando viajo procuro produtos locais que deixem uma marca, algo que possa ir além da lembrança e da fotografia, algo que injecte rapidamente na minha memória sensações e que me ajude a reviver momentos. Penso que, como eu, existem muitas pessoas que procuram produtos

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partida quando um país está na moda todos ganham com isso. É uma espécie de sistema dos vasos comunicantes da mecânica de fluídos transposto, como é o caso, para a própria Moda. Todos os criadores e marcas contactados pelo T Jornal não deixaram de sublinhar essa mais-valia que representa o facto de o nosso país andar nas bocas do mundo pelas mais variadíssimas razões. “De facto, temos um país incrível, designadamente no sector do turismo, com excelente gastronomia, praias, lazer, geografia, múltiplas paisagens, cidades muito diferentes umas das outras”, descreve o designer de moda Luís Buchinho, enquadrando assim a questão de Portugal estar na moda e de alguma forma a própria moda poder ganhar com isso. “Ganha alguma coisa, mas não alavanca a moda portuguesa para o mundo. Nem é isso que vai colocar os designers portugueses na escala global. A moda portuguesa não pode ser vista como um todo. Cada caso é um caso”, considera, valorizando antes a importância que teria para a moda o hipotético investimento de um grupo financeiro nas marcas portuguesas. Sandra Barradas, fundadora da marca de vestuário infantil CherryPapaya, cruza as duas realidades numa só, dizendo que “a marca Portugal ganhou força e os criadores ganharam visibilidade, o que tem sido excelente para que Portugal deixe de ser visto apenas como produtor de excelência, mas também como um criador de moda”. Com mais dúvidas sobre esse alegado efeito de alavancagem da moda pelo facto de o país estar em alta, a criadora Katty Xiomara admite que “a moda portuguesa ganha algum espaço para ser vista e assim perceberem que existe”. Contudo, diz, isto não é suficiente para que a moda portuguesa passe também a estar ela


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autênticos e únicos acometidos pela magia de nos fazer sentir bem!” Maria Gambina, directora da Escola Superior de Arte e Design (ESAD), em Matosinhos, confessa que sempre se sentiu desconfortável com a questão "o que é que está na moda?". “Como designer de moda acredito que uma boa coleção é aquela que prevalece no tempo, que tem identidade e design. Talvez por isso sempre tenha sido apaixonada pelos clássicos, um trench coat, um duffle coat,

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“Talvez a moda e o design ganhem visibilidade. Espero que isso não afecte a identidade pois é o que vai prevalecer quando Portugal deixar de estar na moda”

“É sempre positivo que Portugal seja falado por boas razões, e colateralmente também para a ITV”

“Todos beneficiamos. Há grupos que fazem o itinerário das lojas de criadores e nos questionam sobre a área e o nosso processo criativo”

MARIA GAMBINA ESAD

RUI MAIA DIR. COMERCIAL CÃES DE PEDRA

ANABELA BALDAQUE ESTILISTA

um bomber... já os criei mais de 1500 vezes mas sempre com um respeito enorme pela sua identidade. Mas o que é que isto tem a ver com a questão que me colocam? Tudo! Sempre me assustei com o ‘estar na moda’, associo logo a massificação, efémero, banalização. Se o design de moda português tem mais visibilidade por Portugal estar na moda, sim, talvez mas espero que isso não afecte, em ambos, a identidade pois é o que vai prevalecer quando deixar de ‘estar na moda’”.

De uma forma pragmática, Rui Maia, International Business Manager da Têxtil Cães de Pedra, entende que “é sempre positivo que Portugal seja falado por boas razões, e colateralmente também para a ITV - infelizmente já se falou muito no passado pelo lado negativo”. Aponta mesmo o caso dos turistas que nos visitam. “Penso que as marcas nacionais ganham alguma visibilidade com este fluxo e talvez sejam as que melhor proveito podem ter, pois acabam

com o diferenciador de exclusividade em relação às grandes marcas internacionais”. Neste caso, diz, o turista praticamente encontra o mesmo produto no seu país de origem e em Portugal. “Então se lhe aparecer pela frente uma marca que não seja tão conhecida e se ela tiver qualidade pode ser uma vantagem para a compra de impulso”, afirma. “Depois a curiosidade dessa experiência pode levar a querer conhecer melhor essa marca através da web e ter acesso a outros produtos”, acrescenta. Na opinião de Rui Maia, o passo seguinte em que os agentes da ITV se deveriam concentrar é em promover mais fortemente as marcas portuguesas já implantadas e com alguma escala para associar essas mesmas marcas a Portugal, ou seja: “Temos os exemplos de países europeus, como Itália, França, mais recentemente Espanha, em que o consumidor, por saber que são marcas desses países, fica satisfeito, pois esse produto está associado à alta moda e qualidade e é nisso que deveremos todos trabalhar”. Aliás, acrescenta, “temos excelentes exemplos com marcas no têxteis lar onde Portugal é desde logo uma mais valia, e também o calçado com marcas em muito bom nível a equiparar-se a Itália e melhor que França ou Espanha, por exemplo”. A estilista Anabela Baldaque não tem dúvidas sobre a pergunta do T Jornal: “Sim, esse factor impulsiona, faz crescer, divulga, e mexe com a economia local”. Até porque existem mais pessoas (turistas) em Portugal, nomeadamente no Porto, e isso por si só estimula a possibilidade de venda. “Tenho assistido a grupos de pessoas que fazem o itinerário das lojas de criadores nacionais e nos questionam sobre a área e o nosso processo criativo”, conta. Em jeito de manifesto, conclui: “Sim, Portugal está na Moda, e isso só nos beneficia a todos. Ficamos com mais vaidade ainda do nosso país”.


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DOIS CAFÉS & A CONTA Praça

Rua João Pinto de Azevedo 171 Urbanização de Talvai 4760-446 Famalicão

Entradas: Alheira com grelos, cogumelos salteados, bola de atum e morcela Pratos: Costeleta de novilho com feijão, arroz branco e batata doce Sobremesa: Abacaxi laminado Bebidas: Vinho branco Cabeço de Senhora, água e cafés

Ana Ribeiro

Cresceu em S. Mamede de Infesta, onde fez a primária e o secundário. A escolha de Engenharia pode muito bem ter tido a ver com o facto do pai ser engenheiro eletromecânico e o irmão mais velho andar em Engenharia Mecânica. Ainda pensou em Engenharia Química, mas acabou por fazer a de Metalurgia e Materiais, numa turma pequena - eram 24, estranhamente na sua maioria raparigas. Começou a carreira profissional no mundo académico (projeto 3B) e passou pela indústria (cerca de três anos na Sicor, em Cortegaça), antes de deitar âncora em Famalicão, a fazer o interface entre a investigação e a indústria, em organismos como o CITEVE, o CeNTI e o Cluster Têxtil. Casada com um advogado, vivem na Foz e têm um casal de filhos (a menina tem nove anos e o rapaz cinco).

ABRIR PORTAS É A MISSÃO DE ANA

RUI APOLINÁRIO

43 ANOS DIRETORA EXECUTIVA DO CLUSTER TÊXTIL

Um grande empresário mexicano, fornecedor da indústria hoteleira, estava em Portugal à procura de vinhos e manifestou interesse em ver têxteis lar. Ao saber disso, o Inovcluster (Cluster Agro-industrial do Centro) avisou o Cluster Têxtil que logo preparou uma tarde de reuniões no CITEVE com fornecedores portugueses de têxteis lar para o empresário mexicano. Este é apenas uma das muitos facetas da atividade que Ana Ribeiro tem desenvolvido desde que há cerca de um ano trocou o lugar de responsável pelo Desenvolvimento de Negócio no CeNTI pelo de diretora executiva do Cluster Têxtil, passando a dedicar-se a 100% a um setor onde tinha antecedentes familiares (o pai foi engenheiro em empresas como a Lionesa, Vaz Ferreira ou a Cotesi) . “Qual é o meu trabalho? Bem, sou uma facilitadora, abro portas, crio oportunidades, faço lóbi, a nível nacional e internacional, estimulo parcerias, dinamizo a atividade dos nove grupos de trabalho...”, vai enumerando Ana, com um ar de quem ainda faltam coisas para completar a sua job description. Informalmente, o cluster têxtil já existe há cerca de um século, tendo como centro

de gravidade a cidade de Famalicão, onde Ana escolheu almoçarmos - a primeira ideia dela era experimentar o Cheers (“Gosto muito de tapas”, confessa), mas o antigo Benfica estava fechado para férias, obrigando-a a desenrascar na hora um plano b. Mas formalmente e com as iniciais em maiúsculas, o Cluster Têxtil só existe desde que foi reconhecido pelo Governo, em Fevereiro do ano passado, “numa sessão muito bonita, no Terreiro do Paço”. O Cluster Têxtil arrancou formalmente com 54 membros, um grupo aberto (no entretanto juntaram-se mais dois, a ICC Lavoro e a Anivec), coordenado por um Grupo de Alto Nível, que Ana não hesita em classificar como “um extraordinário grupo de altíssimo nível”, em função do contributo que tem dado ao seu trabalho. O trabalho de Ana tem ainda uma componente de renovação de mentalidades de um tecido empresarial cuja cultura dominante é individualista, e por isso não está habituado a partilhar experiências nem conhecimentos com quem pode ser seu concorrente - mas pode e deve ser seu parceiro. Convencer os empresários da bondade das parcerias, que 3 é o resultado mais provável da soma 1 + 1, é talvez a

mais dura das facetas da sua missão. “Voando em formação podemos ir mais longe do que voando sozinhos”, diz a directora executiva do Cluster Têxtil, uma mulher desenrascada que quando andava na FEUP teve diversos biscates na área da publicidade (como distribuir, em Leiria, panfletos promocionais da telenovela Tieta ou promover o leite Parmalat nos supermercados) para reunir o dinheiro para comprar uma mota Honda CB 250. O envolvimento de 174 pessoas nos nove grupos de trabalho em atividade é um indicador seguro de que o Cluster Têxtil está a seguir a todo o vapor pelo bom caminho, que também é o de estar em toda a parte, estendendo a sua presença a outros setores, como a saúde, automóvel ou construção. Exemplos? “Soubemos que a Weber/ Saint Gobain andava à procura de um melhor substrato para isolamento das coberturas. Ora isso não é difícil para a têxtil. Apareceu logo um fabricante de meias que se declarou capaz e interessado em resolver o problema. Vamos pôr vários fornecedores em contacto com a construtora”, conclui Ana Ribeiro, no desempenho cabal da sua tarefa de grande facilitadora - ou, se preferirem, de casamenteira :-). t


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ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE LANIFÍCIOS


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2. PORTUGAL É SINÓNIMO DE CORTIÇA. A CORTICEIRA VIKING LEVOU VÁRIAS COLECÇÕES, QUE ENCANTARAM IMEDIATAMENTE A SECRETÁRIA DE ESTADO.

FOTOSINTESE Textos: Carolina Guimarães

ANA LEHMANN ORGULHOSA EM TÓQUIO

Diz quem sabe que os japoneses se conquistam pouco a pouco, com muita paciência e afinco. Os dez anos de presença contínua do projecto From Portugal na Interior Lifestyle Tokyo são a prova de que os portugueses são perseverantes e não desistem de deixar a sua marca no outro lado do mundo. Para comemorar a data marcante, os empresários portugueses contaram com uma visitante especial: Ana Lehmann, a secretária de Estado da Indústria, foi até ao Japão e visitou cada um dos stands com marca portuguesa. Quando acabou a visita, partilhou uma foto no facebook e escreveu, para mais tarde recordar: “A indústria têxtil portuguesa é um orgulho”. E é mesmo!

A embaixada portuguesa que esteve em Tóquio com o projecto From Portugal: Apertex; B. Sousa Dias; Burel; Carvalho; Corticeira Viking; Ditto; Felpinter; Giestal Home Textiles; Home Flavours; Lasa; Little Nothing; Mantecas; Maria Paperdolls; Pereira da Cunha; Sampedro; Sugo Cork Rugs; Tuntum

1. FORAM MUITOS OS QUE PARARAM PARA VER OS PRODUTOS MADE IN PORTUGAL, UMA MARCA JÁ CONCEITUADA NO JAPÃO. 6. ANA LEHMANN OUVIU COM MUITA ATENÇÃO AS PALAVRAS DE ISABEL ANTUNES, DA LASA, ASSIM COMO DE CASIMIRO LEMOS (À ESQUERDA).

7. ANA LEHMANN TROCA ALGUMAS PALAVRAS COM FÁTIMA FREITAS, DA GIESTAL HOME TEXTILES, UMA EMPRESA 100% EXPORTADORA. 11. TIAGO CUNHA E BASÍLIO MARTINS, DA PEREIRA DA CUNHA, EXPLICAM O PORQUÊ DE INVESTIREM NO MERCADO ASIÁTICO.

12. ANA LEHMANN SENTOU-SE NUM SOFÁ DA BUREL MOUTAIN ORIGINALS, QUE DESCREVEU COMO SENDO “DE UMA INCRÍVEL ESTÉTICA”, NUM “PROJETO QUE PRIMA PELA QUALIDADE, ORIGINALIDADE E DESIGN”. ATRÁS, O STAND DA DITTO.


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4. A HOME FLAVOURS FOI ATÉ TÓQUIO TENTAR QUE O MERCADO NIPÓNICO TIVESSE MAIOR REPRESENTATIVIDADE NAS SUAS VENDAS. NA FOTO, CRISTINA MOREIRA FALA COM A SECRETÁRIA DE ESTADO.

5. A SUGO CORK RUGS PREPAROU UMA COLECÇÃO COM CORES E PADRÕES ESPECIALMENTE PENSADOS PARA O MERCADO NIPÓNICO, PARA TORNAR ESTES TAPETES ÚNICOS E COM UMA VERTENTE SUSTENTÁVEL AINDA MAIS APETECÍVEIS AOS JAPONESES, EXPLICA SUSANA GODINHO.

3. TIAGO LOPES, DA FÁBRICA DE TECIDOS CARVALHO, MOSTROU A SUA COLEÇÃO À REPRESENTANTE DO GOVERNO. 8. MÁRIO JORGE MACHADO, VICE-PRESIDENTE DA ATP, ACOMPANHA A SECRETÁRIA DE ESTADO NUMA BREVE CONVERSA COM INGE VANSTAEYEN, DA B. SOUSA DIAS, UMA EMPRESA JÁ VETERANA NO CERTAME

10. MANUEL PEREIRA, DA APERTEX, MOSTRA UMA MANTA A ANA LEHMANN – UM DOS PRODUTOS QUE ESTÃO A TENTAR EXPORTAR PARA O JAPÃO, A PAR DAS SUAS JÁ CONHECIDAS COLCHAS.

9. A SAMPEDRO FOI PELA PRIMEIRA VEZ À FEIRA E QUER JUNTAR O JAPÃO AO LEQUE DE 35 PAÍSES PARA ONDE JÁ EXPORTA. NA FOTO, DIOGO E JOSÉ GOMES FALAM COM ANA LEHMANN. 13. FRANCISCO XAVIER ESTEVES, EMBAIXADOR DE PORTUGAL NO JAPÃO, MARGARIDA FIÚZA, ADJUNTA DE LEHMANN E A SECRETÁRIA DE ESTADO APRECIAM AS MARIA PAPERDOLLS, CRIADAS POR CLÁUDIA NAIR OLIVEIRA.

14. A FOTO DE FAMÍLIA NÃO PODIA FALTAR. OS MEMBROS DA ATP QUE VIAJARAM ATÉ TÓQUIO, O EMBAIXADOR, A AICEP E ANA LEHMANN POSAM PARA A FOTOGRAFIA, PARA MAIS TARDE RECORDAR. QUE VENHAM MAIS DEZ ANOS!


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POLOPIQUE INVESTE 10 MILHÕES E ALARGA-SE PARA GUIMARÃES A recuperação de uma antiga fábrica em Moreira de Cónegos para criar mais uma unidade de fiação reforça o império da Polopique, empresa com mais de mil trabalhadores, uma capacidade de produção superior a cem mil peças por dia e que exporta quase a 100%. A nova unidade, que conta também com nova tecnologia produtiva, representa um investimento de 10 milhões de euros, que foi destacado no Open Day sobre investimento promovido pela Câmara de Guimarães e pelo gabinete Guimarães Marca.

INDITEX INVESTE EM “LOJAS DO FUTURO” Na busca pela integração perfeita das novas tecnologias no retalho tradicional, a Zara abriu em Tóquio a sua terceira “loja do futuro”, depois de ter estreado o conceito em Londres e Milão. Nas novas lojas da Zara, ainda numa fase de teste, as compras são totalmente efectuadas pelo portal digital.

A TAÇA DO AVES TEVE ENGENHO DO TÊXTIL

“INOVAR OU MORRER”, DIZ O LÍDER DA LI & FUNG Spencer Fung foi ao Copenhagen Fashion Summit falar acerca da sua experiência à frente da gigante Li & Fung, onde destacou a importância da velocidade, do design virtual em 3D e da adaptação face à necessidade de atualização constante. O mundo e o consumidor mexem-se muito rápido e há que inovar… ou morrer”, disse.

5 miL

calças são produzidas por dia pela Salsa, que fechou 2017 com um volume de negócios de 195 milhões de euros, feito em 35 países, numa rede de retalho que conta com 100 lojas monomarca, sete outlets e mais de duas mil lojas multimarca

BERG OUTDOOR TEM PARCERIA COM UMINHO

Raposo Antunes

Não foi só do Desportivo das Aves a vitória na Taça de Portugal. No plano desportivo não há qualquer dúvida – os rapazes de José Mota deram água pela barba aos de Jorge Jesus, mas nas arquibancadas do Estádio do Jamor, em Oeiras, sobressaiu um sector pintado a vermelho e branco que estava repleto de adeptos oriundos da Vila das Aves. E aí andaram as mãozinhas do sector têxtil que domina esta vila do concelho de Santo Tirso. Tal como andaram nas t-shirts que centenas e centenas de adeptos envergaram poucas horas depois do final do jogo com a inscrição “A Taça é nossa”. João Cunha, director de marke-

ting do clube, enfatiza essa relação do Aves com a ITV: “O clube está inserido numa região em que temos grande facilidade em encontrar soluções para tudo o que diz respeito ao têxtil”. Várias empresas da ITV da região ofereceram-se para produzirem diversos artigos alusivos à final da Taça. “As empresas deram uma resposta muito rápida”, conta João Cunha. Só assim foi possível ver aquela bancada com os adeptos do Aves vestidos a rigor. “Juntamente com o bilhete para a final, vendemos um kit para os adeptos que se deslocaram ao Jamor, com camisolas do clube, cachecóis e outros artigos. Tudo feito por empresas da Vila das Aves”, descreve. Mas o ponto alto foi mesmo a re-

cepção na vila à equipa do Desportivo das Aves na noite da final. Centenas de adeptos envergavam a t-shirt a dizer “A Taça é nossa”. “Cerca de meio milhar de camisolas foram feitas no domingo à noite em quatro ou cinco horas após o final do jogo, de forma a serem distribuídas pelos adeptos quando a equipa chegou à terra para os festejos”, recorda o director de marketing do Aves, que não poupa elogios às empresas da região. Na verdade, acrescenta, aquilo que o clube acabou por fazer é também um exemplo da mentalidade da região e destas pessoas – “A força do trabalho é a palavra de ordem deles e é também a do Desportivos das Aves, já que só com essa força é que um clube pode ser sustentável”. t

A Fibrenamics Green, da Universidade do Minho, e a Berg Outdoor, marca da Sonae, estabeleceram uma parceria, tendo desenvolvido no final do ano passado uma atividade de criatividade e design. “Acreditamos que esta colaboração nos vai levar ainda mais longe na aceleração da inovação numa área que é crucial para a nossa marca”, assegura Diana Pinto, directora de marketing da Berg, na última newsletter da Fibrenamics.

ROSA PALHARES LEVOU 600 PEÇAS AO FESTIVAL DE CANNES A estilista luso-angolana Rosa Palhares foi novamente responsável pelo fashion lounge da Mastercard no conceituado Festival Internacional de Cinema de Cannes. Um espaço dentro do festival para as clientes da Mastercard convidadas pela marca para o evento, com Palhares como designer oficial e para onde levou 600 peças.

"Dar confiança ao cliente é a nossa preocupação permanente" Clementina Freitas CEO Latino Group


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VISITA AO CANADÁ ABRE PORTAS ÀS EXPORTAÇÕES Contactos ao mais alto nível, ta as margens de lucro das exportações para o Canadá, um mundo de oportunidades e boas perspectivas de negócios. sendo este país uma porta de entrada para o vasto Com reduções de taxas entre 10 e 20%, a comitiva de empremercado norte-americano. sários da ITV que acompanhou “O CETA vai diminuir as tarifas em produtos expora visita do primeiro-ministro português ao Canadá regrestados por Portugal, caso dos têxteis e dos agroalimentasou com confiança redobrada no potencial das exportações, res, com uma redução dos sobretudo pelas vantagens tempos para o licenciamento de produtos”, disse do recente acordo de livre comércio com a UE e o potencial o governante, lembrando que as exportações naciodeste país como porta de entrada num mercado alargado nais para o Canadá “têm da América do Norte. João Costa, da ATP, com Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá crescido em torno dos dois A comitiva têxtil de Portudígitos, o que é muito integal, que incluía um grupo da ATP liderado pelo vice-preressante e que pode ser alargado pelo acordo de cosidente João Costa, reuniu com representantes de emmércio livre”. presas e potenciais importadores nas cidades de Toronto Segundo dados fornecidos à Lusa pela AICEP (Agêne Otava e participou também numa cimeira que juntou cia para o Investimento e Comércio Externo de Portuos responsáveis políticos ao mais alto nível de ambos os gal), entre as maiores empresas exportadoras portupaíses com empresários de vários sectores. “Foi uma viaguesas para o Canadá figuram a Cordex – Companhia gem muito importante para as empresas, quer pelo lado Industrial Têxtil e a Cotesi – Companhia de Têxteis dos contactos com empresários locais quer com as entiSintéticos. Os dados anuais do comércio internaciodades oficiais do país”, disse João Costa ao T Jornal. nal indicam que em 2017 as exportações têxteis para o Para o ministro da Economia português, Manuel CalCanadá cresceram 8,5% – para cerca de 40,9 milhões deira Cabral, o acordo de livre comércio (CETA) aumende euros – sendo o 16o destino mais importante.t

ART’SARTORIAL E TRUSSARDI EM PARCERIA A Trussardi desafiou Artur Santos, criador da marca Art’Sartorial, a desenvolver um artigo para ser comercializado em simultâneo com um produto da conceituada marca Italiana. A start up instalada na Incubadora Famalicão Made IN (polo Edifício Globus) recupera o vestuário clássico, adaptando-o aos nossos dias, com um guarda roupa personalizado à medida de cada um.

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fatos

por dia é a capacidade produtiva da Crialme

TÊXTIL ESSENCIAL EM TENDÃO ARTIFICIAL “Novel artificial Achilles tendon based on textiles structures” é o tema do doutoramento que Diana Raquel dos Santos Morais defendeu na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Maria Ascensão Silva Lopes (professora auxiliar do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da FEUP) foi a orientadora da tese.

creora® Color+ é um elastano que tinge obtendo-se excelente solidez especialmente em misturas com nylon.

creora® eco-soft é um elastano concebido para termofixação a baixa temperatura o que permite um toque suave e cores claras excepcionais, evitando o amarelecimento.

creora® Black é um elastano tinto em massa preto, que pode produzir uma cor mais intensa e mais escura, sem desbotar.

Paris Mode City Interfilière

Paris

7-9 Julho 2018 Pavilhão 3 - A10 creora® is registered trade mark of the Hyosung Corporation for it s brand of premium elastane.


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A MINHA EMPRESA Trimalhas

Rua Engº Orlando Vital Marques Rodrigues Candoso S.Tiago 4835-244 Guimarães

Visão? “Criar malhas de qualidade e complexidade superior para todos os nossos parceiros” Trabalhadores 80 (trabalham em três turnos) Capital social 5 milhões de euros Volume de negócios 15 milhões de euros Principais clientes Balenciaga, Massimo Dutti, Purificación Garcia, Mango, etc

FELIPE OLIVEIRA BAPTISTA DEIXA LACOSTE Felipe Oliveira Baptista, que se encontrava à frente da direção criativa da Lacoste há oito anos, deixou a marca francesa. O anúncio foi feito logo no início de Maio, nas contas de Instagram do designer e da marca, e desconhecem-se quais as motivações que levaram à saída do português. O designer açoriano é apontado como o principal responsável pela modernização da marca, que passou a estar mais próxima do chamado athleisure..

DFAL INVESTE 4,7 MILHÕES PARA DUPLICAR CAPACIDADE PRODUTIVA Dotar a empresa de uma maior capacidade de resposta, apostar em novos mercados e duplicar a capacidade de produção, são os objectivos da DAFL – Dias Fernandes & Andrade Lopes, Lda, que tem em execução um plano de investimentos que ultrapassa os 4,7 milhões de euros. “Queremos inovar e criar nos nossos clientes a necessidade de novos produtos”, explicou Paulo Cunha na nova unidade da DFAL, onde recebeu o presidente da Câmara de Guimarães no âmbito do “Open Day” da autarquia dedicado a diversos investimentos em curso no concelho.

30% será o aumento da capacidade instalada da Villafelpos, quando, no próximo ano, estiver concluído o trigrama de investimentos orçado em 5 milhões de euros

Nascida com a crise 2002 não é exatamente um ano de boa memória para a ITV portuguesa, que enfrentava então o choque da adesão da China à OMC e do desarmamento alfandegário da Europa, que escancarava as suas portas aos produtos asiáticos baratos, uma concorrência demolidora - e desleal porque baseada em dumping salarial, social e ambiental. Mas Antonino Pinto, 64 anos, guarda gratas recordações de 2002, o ano em que criou a Trimalhas, não se amedrontando com a conjuntura desfavorável, pois sabia perfeitamente que a crise é apenas o momento de transição em que o velho ainda não desapareceu e o novo começa a despontar. “Esta crise tremenda é a melhor coisa que me podia acontecer, pois assim a minha empresa vai nascer e crescer na obediência às mais estritas regras do rigor, disciplina e poupança. As dificuldades não me vão deitar abaixo. Pelo contrário, vou aprender com elas”, respondia Antonino a quem lhe chamava imprudente - ou até mesmo maluco - por se aventurar a investir na têxtil numa altura daquelas. Em 2002, à data da fundação da Trimalhas, Antonino tinha 48 anos de idade e 38 de têxtil, onde debutara no final da primária, ajudando o pai, José Armindo Sousa Pinto, “um empresário superinteligente” que teve vários negócios nesta indústria e quase duas dúzias de filhos, dos quais 15 sobreviverem. Antonino trabalhou com o pai, por conta de outrém (um projeto na área da tecelagem), e ainda na Vilartex, com Joaquim (o seu irmão mais velho e bancário), até que no início do século resolveu fazer o seu caminho, criando a Trimalhas - tri porque associou dois

irmãos ao projeto e malhas porque é isso que fabrica. Apesar dos ventos contrários que teve de enfrentar durante os primeiros anos de vida, a Trimallhas foi crescendo, navegando à bolina. Quando a tempestade amainou e os ventos passaram a soprar a favor teve de investir no aumento de capacidade produtiva, para fazer face ao aumento das encomendas e equipar-se com uma nova estratégia, mais adequada a uma conjuntura favorável. Nos últimos dois anos investiu cinco milhões de euros em atualização e aumento da capacidade instalada - um novo pavilhão, compra de teares circulares, remodelação de escritórios, novo laboratório, etc. Agora que a fábrica está como um brinco, moderna e ampliada, trata-se de colher os frutos deste esforço de investimento. “A modernização não foi só nos equipamentos, mas também na organização, layout industrial e métodos de trabalho”, explica Antonino, orgulhoso de ter uma empresaverdeeamigadoambiente(“Reciclamostudo,oaço, o óleo, o plástico...”), com a certificação GOTS, e de proporcionar boas condições de trabalho aos colaboradores. A nova estratégia que Antonino definiu para a Trimalhas consiste em aumentar a percentagem das exportações directas nas vendas, trabalhar cada vez mais com o cliente final e privilegiar a rentabilidade ao volume. “A minha preocupação não é vender muito, mas ganhar mais”, resume Antonino Pinto, satisfeito por ter atingido no primeiro trimestre deste ano a meta de exportações diretas fixada para 2019 (40%) - mas também, e essencialmente, por ter demonstrado que as empresas que nascem em anos de crise estão vocacionadas para o sucesso. t

FIFITEX PARCEIRA DA UNIS TEXTILE DESIGN STUDIO A Fifitex vai fornecer fio à Unis Textile Design Studio, atelier direccionado ao design têxtil, anunciou a empresa de fiação sedeada em Guimarães. A área dos têxteis lar esteve sempre presente nos desenvolvimentos dos fios da Fifitex, e com esta parceria “agora serão pensados e criados” em conjunto com a Unis Textile Design Studio. “Será mais um projeto desafiante, com visão na inovação e destaque na diferenciação no que diz respeito ao design do produto”, acrescenta a empresa. .

"Somos a única marca portuguesa à venda no Harrods, Neiman Marcus e Barneys, as melhores lojas do mundo" Marta Sousa Diretora de vendas da Patachou

ITV É LOCOMOTIVA DA INDÚSTRIA TRANSFORMADORA A ITV foi o setor da indústria transformadora que mais aumentou a sua faturação (6,6%), entre 2015 e 2016, de acordo com um estudo do Banco de Portugal. No mesmo período, o EBITDA na industria têxtil e de vestuário a indústria cresceu 10% em 2016, contra 2% no total da indústria transformadoras e 7% no global das empresas.


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Candidaturas Abertas O iTechStyle Showcase - Textile Innovation & Business Platform vai voltar a reunir, na Alfândega do Porto, o que de mais inovador a Indústria Têxtil e do Vestuário portuguesa tem para monstrar. Candidate o seu Produto, Tecido e Acessório e faça parte da maior montra de Inovação da ITV nacional. Todos os pormenores em www.citeve.pt/itechstyle

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Informações: Cristina Castro - ccastro@citeve.pt


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RIOPELE GANHA PRÉMIO INOVAÇÃO COTEC Tenowa, a marca de tecidos sustentáveis e ecológicos da Riopele, é a vencedora do Prémio Produto Inovação 2018 atribuído pela COTEC Portugal. O galardão foi entregue a José Alexandre Oliveira, Presidente do Conselho de Administração da Riopele, em Évora, no 15oEncontro Nacional da Associação Empresarial para a Inovação. Tenowa é uma inovadora marca de tecidos concebidos através da valorização de resíduos têxteis e agroalimentares, com design atrativo e elevada qualidade e conforto. Este produto utiliza 80% de matéria-prima reciclada e é feito com recurso a equipamentos têxteis tecnologicamente avançados, com um elevado nível de automação e que substituem o olho humano, visando identificar

José Alexandre Oliveira (Riopele) com Francisco Lacerda (Ex-presidente da Cotec)

defeitos nos tecidos fabricados. A marca é o resultado do projeto R4Textiles, desenvolvido pela empresa famalicense com a colaboração do CITEVE – Centro Tecnológico das Indústria Têxtil e do Vestuário e do CeNTI – Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes, igualmente sediados

em Vila Nova de Famalicão, e da Escola Superior de Biotecnologia do Porto. Ao Prémio Produto Inovação 2018 estavam nomeados sete projetos finalistas, dois dos quais de empresas de Vila Nova de Famalicão: a Riopele, com a Tenowa, e a TMG Automotive, com o Artificial Leather Cork. t

SIDÓNIOS SEAMLESS TECH TRATA A INOVAÇÃO POR TU Uma malha tricotada com um fio reflector muito fino é uma das muitas novidades com que a Sidónios Seamless Tech está a surpreender o segmento de athleisure do mercado que vive um verdadeiro boom expansionista. O fio reflector representa um passo em frente sobre os produtos reflectores que estavam disponíveis, já que a funcionalidade de reflexão era conseguida através do método de transfer, bastante mais precário e muito menos durável. Os equipamentos para ciclistas de grandes marcas internacionais são um dos segmentos onde as malhas tricotadas com o inovador fio refletor da Sidónios - apresentado em primeiro mão na última edição da ISPO - estão a ser usadas. As malhas irisdescentes, que oferecem um efeito óptico tipo caleidoscópio, são outra das novidades diferenciadas da Sidónios, que introduz assim uma componente na roupa desportiva, no segmento activewear. A oferta de fibras técnicas com acabamento

especiais é o alfa e ómega da atividade desta empresa que trata a inovação por tu e também aposta numa linha de produtos sustentáveis - biodegradáveis, biológicos, orgânicos e recicláveis. Criada em 2002, a Sidónios Seamless Tech é o braço mais tecnológico do grupo Sidónios, que nasceu em Barcelos em 1984 e antes de se dedicar unicamente à produção de malhas se dedicou durante um par de anos à importação de equipamentos usados para a industria têxtil, que vendiam depois de reparados e recondicionados. “No período reservado aos testes às máquinas íamos fabricando tecidos, até que em 1986 nos focamos a 100% na produção de malhas”, recorda Bruno Sidónio, um responsável da Sidónios Seamless Tech, que emprega 60 pessoas. “Estamos sempre a investir na criação de novos produtos. Não podemos deixar nunca de acompanhar a evolução do mercado”, acrescenta Bruno, a propósito do investimento de cerca de 1,5 milhões de euros na automatização e aumento de capacidade produtiva. t

DIGITAL DEBATIDO NO XX FÓRUM TÊXTIL Seremos digitais ou não seremos. O debate sobre como a economia digital pode criar valor para a indústria têxtil e do vestuário vai estar no centro do XX Fórum Têxtil, que desta vez vai também evocar os 15 anos da fusão da ATP e está já agendado para o próximo dia 4 de Julho, no auditório do CITEVE. A par do já habitual “discurso do estado do sector”, por parte do presidente da ATP, Paulo Melo, tam-

bém o director-geral, Paulo Vaz, fará uma exposição com a evolução dos indicadores da ITV na última década e meia, “no quadro da fusão da ATP”, e uma perspectiva para os próximos 15 anos. O encontro conta com a presença do prof. Vasconcelos e Sá, que vai falar sobre “O impacto do Nobel 2017 no ‘pricing’, negociação/vendas e promoção”, enquanto o jornalista Nicolau Santos vai moderar

o debate sobre “Economia Digital” com a participação de João Vasconcelos (Clearwater International), Ana Rocha (London College of Fashion), Nuno Frazão (Isobar), Miguel Pedrosa Rodrigues (Pedrosa & Rodrigues, Lda) e Miguel Tolentino (Berg Outdoor). O Primeiro-Ministro, António Costa, foi convidado para encerrar o encontro. As conclusões vão estar a cargo do economista Daniel Bessa.t

PORETO: UMA MARCA A PENSAR NOS HOMENS DE HOJE O nome Poreto é de origem latina e está associado a uma identidade de sucesso, complexa e extrovertida. Foi precisamente por isso que uma start-up da geração Famalicão Made In recorreu a esta palavra para lançar no ano passado uma nova marca portuguesa direccionada para a moda e o retalho. “É um conceito jovem, extrovertido e arrojado que condensa toda a oferta de acessórios masculinos numa só marca! É uma marca concebida a pensar nos homens de hoje”, informam os promotores.

CONTRAFACÇÃO VALE MAIS DE 460 MILHÕES

RIHANNA LANÇA LINGERIE PLUS SIZE

As marcas de moda estão entre as mais falsificadas do mundo. Cálculos da OCDE e do Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia indicam que a contrafacção é uma indústria que valerá mais de 460 milhões de dólares. As marcas norte-americanas são as mais falsificadas e quase 70% dos produtos falsificados tem origem na China.

Rihanna, a cantora caribenha de R&B radicada nos EUA, lançou a linha de lingerie Savage x Fenty, feita para mulheres destemidas e confiantes. A gama caracteriza-se por não deixar de lado os tamanhos grandes, que nos soutiens vão do 32A ao 44F e nas cuecas do XS ao XXXXL. “Queremos que as pessoas pareçam bem e se sintam bem”, diz Rihanna.

"Quando começo a trabalhar numa coleção tudo o resto à volta é bloqueado e passa a ser secundário" Pedro Pedro Designer de moda

GAP, ZARA E H&M VETAM LÃ MOHAIR Os gigantes da indústria têxtil como a Gap, a Zara, a H&M e a Topshop anunciaram que renunciavam à lã mohair, após a organização de defesa dos animais PETA ter difundido um vídeo onde as cabras eram maltratadas. Nas imagens podem ver-se cabras angorá, cuja lã serve para confecionar camisolas, cachecóis e cobertores, a serem arrastadas pelos chifres ou pelas patas, levantadas pelo rabo e atiradas para o chão pelos tosquiadores.

ALEXANDRA MOURA VENCE GLOBO DE OURO Era a única mulher entre os nomeados e acabou mesmo por levar o troféu para casa: Alexandra Moura, que estava nomeada para melhor estilista do ano em conjunto com Carlos Gil, Dino Alves e Filipe Faísca, foi a vencedora do Globo de Ouro. Por parte dos modelos, Maria Miguel e Fernando Cabral (este, pela segunda vez) foram os premiados. Na categoria de melhor modelo feminina estavam também nomeadas Isilda, Maria Clara e Sara Sampaio. No setor masculino, os nomeados eram, para além do vencedor, Francisco Henriques, Luís Borges e Ricardo Cotovio.


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DE PORTA ABERTA Por: Cláudia Azevedo Lopes

Don Lopo

Rua dos Caldeireiros, 43 Porto

Ano de abertura da loja 2017 Produtos Vestuário de homem e mulher, decoração e produtos alimentares Estilo Artigos selecionados que se adequam ao lifestyle do homem contemporâneo Sócios Piedade e Paulo Ribeiro Loja online Brevemente

OS LENÇOS DA ANTIFLOP SÃO FEITOS DE HISTÓRIA DE PORTUGAL A Antiflop é, podemos dizê-lo, uma marca feita totalmente de portugalidade. Para além de ser uma marca portuguesa, a base pictórica dos lenços de luxo que produz é a história – antiga ou recente – de Portugal. Os lenços são produzidos em duas linhas: a linha Arte e a Iconic. A linha arte usa como padrão obras de artistas portugueses, tais como José de Guimarães, Nadir Afonso, Sofia Areal, Amadeu Souza Cardoso, João Feijó e Vanessa Teodoro.

CITEVE AJUDA TINTEX NA FORMAÇÃO CONTÍNUA A Tintex Textiles está a participar no projeto de formação-ação para PME, promovido pelo CITEVE , a que aderiu com o objetivo de otimizar as suas práticas organizacionais, processos produtivos e de inovação, sempre com o foco nas questões da sustentabilidade. A empresa considera que o investimento na formação contínua dos colaboradores é uma aposta ganha e que já se sentem os efeitos positivos da participação no projeto.

"Sentimos que não há possibilidade de continuar a crescer a fazer sempre mais peças, sem recuperar o desperdício"

Uma cura para todos os males Se o belo é uma fonte de vitalidade e saúde, como muitos defendem, talvez seja por isso que a Don Lopo se foi instalar no espaço do primeiro hospital do Porto. Isto porque visitá-la é na verdade uma cura para (quase) todos os males. O edifício, com 900 anos de história, foi mandado construir em finais do século XII, para ser o Hospital-Albergaria de Roque Amador. Em 1605, após uma ampliação, inaugura-se o Hospital D. Lopo d’Almeida, que, com a construção do Hospital de Santo António, se torna obsoleto e acaba abandonado. Foi assim que Paulo e Piedade Ribeiro o encontraram. Ligados ao têxtil desde o início da carreira profissional – os pais de Paulo tinham uma fábrica de confecção de roupa para senhora, e Piedade um vasto conhecimento e experiência em roupa de qualidade para homem – conheceram-se na fábrica onde ambos trabalhavam. Após um longo percurso ligado às vendas, decidiram que estava na hora de terem a sua própria loja. As rendas exorbitantes que se praticam atualmente na cidade do Porto mostraram-se um problema, que foi resolvido quando encontraram este espaço degradado. “Por sermos nós a fazermos as obras, conseguimos um aluguer mais barato, mas gastamos uma fortuna”, revela Paulo Ribeiro ao T. Quando foi altura de o batizar não houve dúvidas: Don Lopo, em homenagem ao benfeitor que financiou o hospital. No interior da loja, todo em pedra, as imponen-

tes arcadas dividem os vários espaços. Inicialmente, o foco era a roupa de homem. Mas o tamanho do espaço ditou que fosse necessário introduzir uma secção moda feminina, assim como subalugar alguns espaços da loja a parceiros externos, que vendem desde acessórios a produtos regionais. No entanto, o destaque vai claramente para o vestuário masculino, com artigos para vestir, literalmente, dos pés à cabeça: fatos, camisas e sapatos, mas também meias e lenços de bolso, suspensórios, boinas e gravatas. A curadoria dos artigos, que privilegia o fabrico nacional, é pensada para o homem contemporâneo, adepto da qualidade, algo que agrada muito aos turistas que, de acordo com o fundador da loja, representam mais de metade do volume de vendas. E porque qualidade é quase sempre sinónimo de personalização, a loja tem marca própria, a Don Lopo, cujos artigos, fabricados em Portugal, podem ser adaptados ao gosto do cliente: para as camisas, por exemplo, existem cerca de 300 tecidos diferentes. A loja dispõe ainda de um serviço de alfaiataria, para o qual trabalha um artesão com mais de 50 anos de experiência. A Saroni, Baccos e Álvaro Shoes são outras das marcas portuguesas que podem ser encontradas na Don Lopo, mas como mercado nacional ainda não consegue fornecer todos os artigos que a loja precisa, a Meyer, Gimo’s, Dellalui, Delsiena são algumas das marcas internacionais que também estão presentes. t

José Vilas Boas Ferreira CEO da Valerius

VENDAS DA C&A CRESCEM 6,3% EM PORTUGAL A C&A apresentou um crescimento em Portugal de 6,3% em vendas no último ano, de acordo com um comunicado da empresa. Este incremento dos resultados está em linha com os resultados globais da marca, que apresentou um aumento de 4% das vendas a nível europeu, no mesmo período. “Estamos muito contentes com os resultados positivos da C&A em Portugal neste último ano, com um crescimento em termos de vendas superior à média europeia”, refere Domingos Esteves, diretor-geral da C&A Ibéria.

NOVA COLECÇÃO RECICLÁVEL DA TUHKANA A nova colecção “Coast to Coast”, as mais recentes propostas sustentáveis da Tuhkana, já chegou às lojas It Market (Centro Colombo), Fair Bazaar, Espaço Embaixada e Brand Studio, todas em Lisboa. Também podem ser encontradas na loja online da marca. Desde 2015 que a Tuhkana produz e vende roupa de praia com recurso a tecidos biodegradáveis, provando que é possível aliar moda e responsabilidade ambiental.


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SWIMWEAR NA PRIMEIRA LOJA DA CAIA Já a preparar-nos para o tempo quente que aí se aproxima, a marca de beachwear Caia dá as boas vindas ao verão com duas novidades: uma loja física e uma nova gama de produtos. Para além da abertura da loja (na Rua Carlos de Oliveira, em Sete Rios, Lisboa), a marca vai, pela primeira vez, introduzir fatos de banho e biquinis, de produção 100% nacional, na sua nova coleção.

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"É uma honra pertencer a este setor, onde estamos há 70 anos, mas é também uma responsabilidade que continuaremos a assumir, transformando as nossas ideias em malhas" Ana Furtado Administradora da A. Sampaio & Filhos

O CORAÇÃO DA FARFETCH JÁ TEM O DOBRO DO TAMANHO

José Augusto Moreira

Adoptando a forma de origami, que é o símbolo da marca, o novo pavilhão da Farfetch no Avepark de Guimarães - o coração da operação para todo o mundo - tem o dobro da área das anteriores instalações, acolhendo uma equipa de 240 colaboradores. No novo edifício, com cerca de 10 mil metros quadrados, podem ser processados por dia 4 mil artigos, uma capacidade de produção que equivale à média anual dos seus concorrentes mais directos. É nesta unidade de Guimarães que funciona a área de creative operations com a produção de imagens e conteúdos que estão no centro da actividade da maior e mais bem sucedida plataforma de comércio de moda de luxo à escala global. As novas instalações foram inauguradas pelo ministro da Economia, que destacou o crescimento da Farfect, “uma história de sucesso que tem que ser contada e recontada”, como disse Manuel Cardeira Cabral.

Com a mudança para as novas instalações – mesmo ao lado das anteriores –, a Farfetch passa a contar com mais de 40 estúdios e condições para processar 4.000 artigos por dia. O director geral e Chief Supply Chain Officer , Luís Teixeira, destaca também o facto de continuar a funcionar em Guimarães, onde a área de creative operations está instalada desde o início. “Este será o maior dos nossos centros de produção em todo o mundo, capaz de processar centenas de milhar de produtos por ano. As nossas equipas de estilistas, modelos e fotógrafos criam imagens incríveis dos artigos que ajudam os clientes a escolher as roupas e acessórios que mais gostam. Aqui em Guimarães também desenvolvemos conteúdo, como as descrições dos artigos e informações relativas a tamanhos e medidas”, explicou também Luís Teixeira. O edifico, da autoria do arquitecto Hugo Pedra – responsável também pela adaptação dos escritório do Porto, na Lionesa – conjuga áreas de ser-

viços com estrutura industrial numa lógica de open space com ilhas de actividade. O edifício, de três pisos, acolhe áreas de lazer e entretenimento, como um bar e um jardim interior, e tem na cobertura um amplo deck onde o ministro, a Secretária de Estado, Ana Teresa Lehmann, o presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança, e demais convidados relaxaram, numa espécie de “ sunset party ” depois dos discursos inaugurais e da visita à instalações. Numa breve caracterização da actividade actual da Farfetch, Luís Teixeira destacou a liderança global no comércio de moda de luxo assente numa parceria com 900 marcas e boutiques de 47 países, uma média mensal de mais de 20 milhões de visitas à plataforma de e-commerce – “muito à frente de todas as outras” – e mais de dois milhões de clientes de 190 países que fazem encomendas no valor médio de 700 dólares. Tudo, frisou o director geral, “com Portugal como centro gravitacional e em Guimarães, onde tudo foi criado e de onde nunca saímos” t

MO LANÇA STYLIST VIRTUAL Dicas de moda e looks de inspiração para homem e mulher, esta é a promessa da nova ferramenta apresentada pela MO, marca de vestuário da Sonae, que convida os seus clientes a usar o messenger do facebook para comunicar com a marca. Na nova stylist virtual da marca, os utilizadores são convidados a escolher uma peça de roupa das coleções da MO, e com base nesta escolha receberão 3 sugestões de coordenados diferentes.

FILASA INOVA COM FIBRA OBTIDA DA MADEIRA A Filasa, empresa de fiação do Grupo Lasa, é pioneira na sustentabilidade nos fios em viscose, assumindo em toda a sua produção o uso da nova fibra da Lenzing, a Ecovero, que é obtida da madeira. Depois de ter sido a primeira empresa de fiação a aderir à iniciativa para usar algodão sustentável, o BCI (Better Cotton Iniciative), a Filasa continua assim a marcar pontos. A EcoVero é uma fibra de viscose que cumpre as rigorosas diretrizes do Ecolabel, e onde os impactos no consumo de água e emissões de gases são 50% menores do que na produção de uma viscose genérica. Esta fibra é obtida da madeira, que provém de plantações florestais sustentáveis certificadas de forma independente por associações líderes do sector . Um sistema produtivo especial permite a identificação das fibras EcoVero no produto final, muito depois das etapas de processamento têxtil terem sido concluídas. Esta possibilidade de verificar facilmente as fibras originais,significa que os retalhistas e as marcas podem asseverar que incorporam fibras de viscose ecológicas e não qualquer viscose genérica sem qualquer objetivo de sustentabilidade. Desta forma os consumidores podem ter certeza de que estão a comprar vestuário de viscose sustentável. Esta tecnologia de identificação vem trazer mais-valias a todos os produtores têxteis e marcas de moda, tornando os seus produtos mais transparentes e com garantia de sustentabilidade para os consumidores. Parte integrante do Grupo Lasa, dirigido por Fátima Antunes, a Filasa – Fiação Armando da Silva Antunes S. A. nasceu em 1986 e, muito rapidamente, se transformou numa importante referência no setor da fiação tanto a nível nacional como europeu. É atualmente a segunda maior fiação na União Europeia e conta nos seus quadros com cerca de 250 colaboradores e opera em Guimarães, numa área industrial superior a 15.000 m2.


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CASSIANO FERRAZ [CASSIANO FERRAZ] www.cassianoferraz.com

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“ALÉM DE TER CLIENTES SATISFEITOS QUEREMOS CLIENTES POSITIVOS”

FOTO: RODRIGO CABRITA

COM RESULTADOS


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n ENTREVISTA Luís Castro Henriques 40 anos, licenciado em Economia (Católica, 2002), mestre pela Universidade de Cambridge (2008), fez o MBA no INSEAD (2009). Dos oito aos 18 anos viveu em Bruxelas. O pai, Luís Henriques, foi um dos primeiros funcionários portugueses da CEE e a mãe deu aulas de Português na Escola Europeia. Professor de Economia na Católica, foi consultor da McKinsey e passou pelos bastidores da governação - trabalhou com Rosário Águas, na Secretaria de Estado da Habitação, e com Álvaro Barreto, no Ministério de Economia - antes de passar para a gestão, primeiro na EDP Inovação e depois na AICEP, onde foi vogal da administração entre 2014 e 2015 de abril de 2017, data em que ascendeu à presidência, substituindo Miguel Frasquilho.

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emos de expandir rapidamente a base das empresas exportadoras. É muito importante que as exportações cresçam 2,5% acima do PIB“, afirma Luís Castro Henriques, presidente da AICEP e um homem pragmático: “Sou presidente de uma agência pública. Política não é comigo. Trabalho com o que existe”.

a notoriedade é importante, mas não suficiente. Porquê?

Os japoneses aprendem logo na 1ª classe a data da chegada dos portugueses. Mas isso é História. Para não pensarem que ainda vamos para lá de caravela:-), temos de demonstrar que somos um país tecnologicamente avançado, sofisticado e competitivo. Não é por acaso que a nossa têxtil vende cada vez mais para o Japão... Alguma coisa de que se arrependa?

Não estou a ver alguma decisão que tenha corrido mal. O que mais o surpreendeu?

Tal e qual como eu esperava. O plano estratégico foi aceite, aprovado e a sua execução está em curso. Está tudo em dia, de acordo com as expectativas. A nossa operação está a correr muito bem.

A enorme capacidade das empresas, de diferentes setores ditos tradicionais, como a têxtil e vestuário ou calçado, em reagirem à crise no mercado interno passando a apostar na exportação. Uma tendência virtuosa que nos coloca um novo desafio.

O que o deixa mais orgulhoso?

Qual?

Os excelentes resultados do nosso trabalho na área da captação de investimento. No ano passado, atingimos o valor máximo desde o período pré-crise. E dos 2,4 mil milhões que estão em pipeline, pela primeira vez mais de 70% correspondem a investimento direto estrangeiro (IDE). Orgulho-me muito destes números.

Apoiar esta rota positiva de mudança e transformação, ajudando as empresas que exportam apenas de uma forma esporádica a fazerem-no de forma sistemática e recorrente. A eficiência com que a têxtil está a trabalhar neste capítulo é um bom exemplo a seguir.

Como é que correu o seu primeiro ano na presidência da AICEP?

A conjuntura mudou...

Cheguei à agência 15 dias depois da saída da troika. A imagem negativa da intervenção ainda estava fresca. Era preciso mudá-la e voltar a pôr Portugal no radar dos investidores. Em 2015 fiz um roadshow por 21 países onde nunca se tinha ponderado investir no nosso país. Os resultados deste esforço já começaram a aparecer. A saída do rating lixo e a notoriedade do país foram ajudas preciosas?

A inversão no rating, no ano passado, foi um fator favorável que estamos a conseguir capitalizar. Já

O orçamento da AICEP sofreu um corte de mais de 20% Em 2010 era de 50 milhões, agora está nos 39. O dinheiro chega?

Não podemos ser autistas. Há um esforço colectivo de contenção da despesa pública, em que a AICEP não podia deixar de participar. As necessidades orçamentais que temos para cumprir o nosso plano já estão identificadas - andam à volta de um reforço de cerca de três milhões de euros por ano. Precisa de mais gente para cumprir a sua missão? Ou os 450 colaboradores que tem são suficientes?

Precisamos de mais 31 pessoas para fazermos tudo o que consta

"Em metade do tempo, já demos tantos apoios como durante todo o QREN"

Por norma, falava três a quatro línguas no recreio da Escola Europeia de Bruxelas, o que o deixou não só poliglota (fala e escreve fluentemente em espanhol, francês e inglês), mas também cosmopolita. A maior lição que aprendeu, enquanto atravessava a adolescência na cidade onde bate o coração da UE, foi que mesmo crescendo juntos há diferentes culturas entre os europeus de diferentes nacionalidades que não se apagam com facilidade quando havia pancada, era fatal como o destino que os alemães estavam de um lado e os franceses do outro. “Mesmo atingindo os mesmos resultados e chegando a conclusões semelhantes, os processos de raciocínio são diversos. Os dinamarqueses pensam de uma maneira diferente do que nós”, diz. “Apesar do programa Erasmus ser uma experiência formidável, não nos podemos esquecer que a Europa tem uma história longa de guerras internas, pelo que o processo de construção da unidade europeia também será longo”, acrescenta o presidente da AICEP.

do nosso plano de estratégico até 2020. Há mais trabalho?

Muito mais. E nalgumas áreas com mais premência, como, em particular, no processamento dos apoios à internacionalização. Em média recebemos o triplo das candidaturas do que durante o QREN. É um bom sinal...

É sinal de que há cada vez mais

empresas jovens, criadas já com a ideia de vender lá fora - born global - e por isso com grande capacidade exportadora. Ou seja, está tudo a correr bem?

O balanço global é bastante positivo. Com o atual pipeline angariado até 2017, iremos conceder tantos apoios como durante todo o QREN, só que em metade do tempo. É uma boa notícia para o país verificar que tem um tecido produtivo cada vez mais orientado à exportação e exigente em termos de recursos humanos. Já estancou a sangria de quadros?

Durante a crise perdemos muitos jovens altamente qualificados. As exportações foram fundamentais para sairmos da recessão. Espero que este novo fôlego da nossa economia não só retenha os quadros que temos mas também contribua para que voltem alguns dos que partiram. A meta das exportações valerem 50% do PIB em 2025 não é demasiado modesta? Num país pequeno essa percentagem não deveria andar nos 60% a 80%?

Em 2009 pesavam apenas 30%... No final de 2017 já estavam nos 43%. Agora temos de nos focar num objetivo mobilizador ao alcance da capacidade instalada do país. Quando atingirmos essa meta, veremos como chegar aos 70%. O importante é que as exportações cresçam sistematicamente 2,5% mais depressa que o PIB. Fez sentido a fusão, em 2007, do ICEP com a API?

Tem toda a lógica reunir na mesma agência as tarefas de captar investimento e fomentar as exportações. Trata-se de acompanhar todo o ciclo de vida da empresa. Há claras sinergias: as empresas investem para depois exportar. Preocupam-no as queixas dos empresários sobe os custos de contexto (energia, leis laborais)

que afetam a competitividade?

Mau era que não me preocupassem. Tenho de seguir o que as empresas sentem como dificuldades e estar sempre a ver o que é que a agência pode fazer para as ajudar a vencê-las. E no caso concreto dos custos da energia, a queixa mais recorrente, o que pode a AICEP fazer?

A tecnologia vai evoluindo. Estamos atentos e verificamos que as empresas estão cada vez mais eficientes do ponto de vista energético. Há muitas que investem em equipamentos de cogeração. E há setores que reduzem os custos fixos em energia através de compras em conjunto. Deduz-se que está otimista...

Estamos a cumprir a nossa missão, que é a de fazer tudo ao nosso alcance para melhorar o ambiente competitivo. Todos temos que perceber de que se trata de um jogo em contínuo, que parar significa andar para trás e por isso temos de estar sempre a melhorar. A rede internacional da AICEP é satisfatória?

Fisicamente estamos em 50 mercados. Mas cobrimos mais de 65. É uma rede que vai sendo retocada à medida das novas exigências e objetivos. Estamos permanentemente empenhados em melhorar os serviços que prestamos. Além de ter clientes satisfeitos, queremos ter clientes com resultados positivos. É esse o objectivo?

O grande objetivo é diversificar setores e geografias. E ter uma visão mais global, deixar de pensar em Portugal como um pequeno país periférico na Europa e assumir-nos como nação no centro do mundo atlântico que somos. A presença da Rússia e Brasil na vossa lista dos 17 mercados prioritários de elevado potencial causou alguma polémica...

Foi uma análise feita há mais de um ano e meio e nem todas as perspectivas se materializaram.


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É uma lista em atualização. O fundamental é estar sempre a identificar quais os mercados onde somos competitivos e quais as cadeias de valor e compra onde queremos estar. As 100 maiores empresas valem 42% do total das exportações. Como reduzir essa dependência da Galp, AutoEuropa, TAP...?

Em primeiro lugar, trazendo mais empresas para a exportação. As empresas com perfil exportador aumentaram 38% entre 2010 e 2015. Já são cerca de 23 mil, mas representam apenas 6% das sociedades não financeiras. Temos de expandir rapidamente esta base. O que estão a fazer para isso?

O nosso plano estratégico é muito ambicioso nesta área. Estamos a investir um milhão de euros numa nova plataforma digital que vai revolucionar o modo como nos relacionamos com as empresas. É um novo mecanismo para interagirmos com a sociedade. Tem objectivos quantificados?

O fundamental é chegar de forma mais fácil a muito mais empresas e focar-nos em atividades de maior valor acrescentado. Neste momento acompanhamos 13 mil empresas. Queremos chegar ao dobro.

" A extraordinária capacidade de reinvenção da ITV é um fenómeno muito interessante" da Academia Internacionalizar, desenhado em colaboração com o INDEG-ISCTE, arrancou agora. Há 20 anos, o pensamento dominante já tinha passado certidão de óbito à têxtil...

Nessa altura não era óbvio que algumas indústrias fossem capazes de aguentar o choque da adesão da China à OMC. Por mérito dos empresários e suas associações, setores como a têxtil e o calçado souberam adaptar-se à mudança de paradigma. A AICEP orgulha-se do contributo relevante que deu para que isso acontecesse. A ressurreição da ITV não o surpreendeu?

Na AICEP estamos alinhados na estratégia de crescimento dos nossos clusters industriais. A extraordinária capacidade de reinvenção de setores como o têxtil e o calçado foram um fenómeno muito interessante.

E que mais?

Ajudar quem já exporta a ganhar escala, para exportar mais. E estamos a fazer não só com apoios directos às PME mas também a associações empresariais, o que nos permitiu multiplicar a nossa ação. Antes fazíamos cerca de 100 atividades por ano. Hoje apoiamos mais de 700. Este ganho de capilaridade é muito bom para o país. Também têm planos no âmbito da formação...

Com universidades e business schools, estamos a desenvolver programas transversais de formação avançada na área da internacionalização à medida de cada empresa. O primeiro programa

Ou seja, acha que os setores tradicionais têm futuro...

Quem é que falou em setores tradicionais? A nossa indústria de têxtil e de vestuário é uma das mais sofisticadas do mundo, está bem equipada, produz com muita qualidade e progrediu imenso na área do design. Pelo que vejo nas feiras, concorremos com o melhor que se faz no mundo, não temos de ter medo de nada. O Made in Portugal já é um bom cartão de visita?

Devemos estar orgulhosos disso. Já ninguém discute a qualidade dos nossos produtos. E o mundo começa a perceber que na criati-

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vidade e design, estamos ao nível do que de melhor se faz em todo o mundo.

As perguntas de

O conceito de PME impede muitas empresas de receber apoios à internacionalização. Não acha que devia ser mudado?

Estou de acordo em absoluto. Esse conceito pode e deve ser melhorado. Desejo que venha a ser revisto a nível europeu. A reindustrialização é necessária? O que é que a AICEP pode fazer por ela?

É importante para o país ter uma indústria competitiva e diversificada - cada setor tem diferentes ciclos e a variedade reduz o risco de uma crise generalizada. Mas a AICEP não é prescritora. Quem percebe disso são os empresários. O que interessa à agência são bons projetos com impacto na economia. O Brexit preocupa-o?

É uma inevitabilidade com que temos de lidar. Ainda não somos capazes de avaliar com rigor o impacto que vai ter nas exportações. Mas mais tarde ou mais cedo as coisas vão ficar claras. No entretanto temos de estar preparados para diversificar e encontrar alternativas em mercados que se estão abrir, como o do Canadá. E a excessiva dependência de Espanha?

Não é uma preocupação imediata. O ponto fundamental é diversificar. Num mundo marcado pela incerteza, não há receitas de sucesso que sejam óbvias. Há gestão de risco. Tem em cima da mesa mais alguma medida a curto prazo para melhorar os serviços da agência?

Vamos criar um Conselho Consultivo, que reunirá duas vezes por ano e será uma ferramenta para escutar as empresas e as associações - um fórum onde partilharemos o que planeamos fazer. Não conseguimos melhorar se não ouvirmos os clientes. t

José Robalo Presidente da Anil

Paulo Melo Presidente da ATP

Não lhe parece que a AICEP devia ser mais interventiva no esforço de diplomacia económica na rede de embaixadas, por forma a apoiar mais e melhor as empresas?

Que opinião tem da colaboração do setor têxtil com a AICEP?

A integração da AICEP e do Turismo nas equipas das embaixadas foi um movimento muito positivo. A co-localização é muito importante porque permite uma crescente sincronização de esforços e, assim, aumentar a eficácia da nossa rede externa. Mas é claro que se pode fazer sempre mais e melhor. O que pensa fazer para melhorar a difusão nas empresas de informações sobre os serviços disponíveis de apoio às exportadoras?

Investimos numa nova plataforma digital que garante uma maior e melhor coordenação com as associações e as empresas - e permitirá partilhar, em larga escala e de forma segmentada, toda a informação que temos e o que queremos. t

Muito positiva. No QREN, em parceria com a Selectiva Moda, apoiamos um investimento de 32,5 milhões de euros na internacionalização das empresas. No Portugal 2020 temos 20 milhões já aprovados, em boa execução. Espero que as coisas continuem assim, a grande velocidade. E está à vista, nos números das exportações, que esta colaboração tem trazido bons resultados para o país. Alguma vez pensou que a evolução do setor fosse tão positiva?

Há dez anos já estava confiante que a têxtil seria capaz de dar a volta e seguir em frente. Já adivinhava o que veio a acontecer. E tenho a certeza que a vossa indústria continuará a contribuir para que Portugal seja internacionalmente considerado um bom destino de negócios - e também para aumentar e diversificar a base exportadora do país. t


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FEIRAS

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AGENDA DAS FEIRAS PLAYTIME 30 junho a 2 de julho - Paris Knot, Piupiuchick, Sissonne PANORAMA 3 a 5 Julho 2018 - Berlim Blackspider by Cristina Barros, Cristina Barros, Kalisson/Bagoraz/Le Cabestan UNIQUE BY MODE CITY / INTERFILIÈRE 7 a 9 de Julho - Paris Iora Lingerie, Lemar, MAAR MILANO UNICA 10 a 12 de Julho - Milão Albano Morgado, Familitex, Gierlings Velpor, Lemar, RDD Textiles, Riopele, Sanmartin PV NY 17 a 18 de Julho – Nova Iorque Albano Morgado, Joaps, Lemar, Lurdes Sampaio, Sidónios Malhas, Texser THE LONDON TEXTILE FAIR 18 a 19 de Julho - Londres 6Dias Texteis Internacionais, Albano Morgado, Burel Mountain Originals, Gierlings Velpor, Lemar, MMRA – Maria Madalena, Paulo de Oliveira, Riopele, Texser, Troficolor, Vilarinho PURE LONDON 22 a 24 de Julho – Londres B’lovely, Blackspider by Cristina Barros, Cotton Brothers, Cristina Barros, Lima&Companhia, Lion of Porches, Litel, PERFF, SMF PERFORMANCE DAYS 23 e 24 de Julho – Nova Iorque A. Sampaio & Filhos, LMA, OLMAC, Sidónios Seamless, Sidónios Knitwear COLOMBIA MODA 24 a 26 de Julho - Medellin A. Ferreira & Filhos (Wedoble), Dielmar, Fábrica de Tecidos Carvalho, Inarbel (Dr. Kid), João & Feliciano, Lemar, Malhas Carjor, Narciso Pereira Mendes, Têxtil Rarial

MODA BRASILEIRA VIBRA EM FORTALEZA

Quatro dias, trinta e oito desfiles, muitos espetáculos, palestras e workshops, que o T testemunhou em primeira mão. É este o mix que torna o Dragão Fashion Brasil, em Fortaleza, num dos maiores festivais de moda autoral de todo o país. Criado por Claudio Silveira há 19 anos, o evento tem como principal objetivo mostrar e fazer crescer a moda brasileira. O apoio aos novos designers é uma das prioridades, com destaque para o concurso de novos talentos, que este ano foi ganho por um conjunto de alunos do Senac de Sergipe (coordenado na foto). t

ENDUTEX FOI À TECHTEXTIL NORTH AMERICA E GOSTOU “No essencial, nos Estados Unidos, temos vendido aos clientes finais, mas a partir de agora vamos também trabalhar com distribuidores”, afirma Aníbal Figueira, export manager da Endutex, o único expositor português presente na 15ª edição da Techtextil North America, que decorreu no Georgia World Centre, em Atlanta. A Endutex, que já tem um escritório em Orange County (California), aposta muito no vestuário técnico para crescer nos EUA. “Estamos aqui com uma estratégia agressiva. Sabemos onde podemos crescer e vamos aumentar a nossa presença física neste mercado”, acrescenta Anibal. Vestuário de proteção de arco voltaico, para quem trabalha com alta tensão, resistente às intempéries, à prova de chuva e de vento, foi o produto estrela que o grupo português levou para a estreia nesta feira norte americana. “Trata-se de workwear especialmente desenhado a pensar neste mercado, que cumpre todos os requisitos da legislação norte-americana”, explica o export manager da Endutex, que estava satisfeito com a feira de Atlanta: “Foi muito mais movimentada do que eu esperava, atendendo a que nas feiras nos Estados Unidos são, por norma, muitos mais calmas que as europeias. As pessoas que nos contactaram sabiam perfeitamente o

que queriam e procuravam”. A solitária presença portuguesa contrastou com a dimensão da participação alemã. Não lhes bastava serem os organizadores da feira (Messe Frankfurt). Os alemães nunca brincam em serviço e desta vez decidiram demonstrar que estão na vanguarda mundial no que toca a tecnologia têxtil - e por isso foram o mais importante expositor presente na Techtextil/Texprocess North America. Do total de 563 expositores, 66 eram alemães, agrupados numa embaixada auto-intitulada High Tex from Germany que ocupava uma área de 1 300 m2. “Depois da Europa, os Estados Unidos são o mercado mais importante para as companhias têxteis alemãs. Para nós, como representantes do setor, esta apresentação conjunta, sob a designação High Tex from Germany, é uma excelente oportunidade para cultivarmos os contactos que temos e ainda fazer novos. Estamos a trazer a nossa tecnologia para os clientes americanos”, resumiu Marc Lorch, da Zwisseler Holding, o presidente dos expositores alemães presentes na Techtextil. O que a embaixada alemã apresentou em Atlanta é o corolário do trabalho de uma impressionante rede de i&d especializada na têxtil, constituída por 16 centros tecnológicos e

1400 investigadores, cujos resultados já há muito extravasaram os limites dos vestuário e invadiram outros setores, onde se tornaram cada vez mais imprescindíveis. “Parece que não é têxtil, mas é”, comentou o representante da alemã Sandler, antes de começar a descrever as qualidades do seu produto, 100% poliester, que tem uma enorme eficiência no isolamento acústico e pode ser aplicado no chão, paredes ou tetos. “O setor militar, o vestuário de proteção, as industrias automóvel e aeroespacial, a medicina, a arquitectura e a construção, são áreas em que a têxtil terá uma presença cada vez maior”, garantiu Detlev Ruenger, o cônsul geral da Alemanha, que tem a seu cargo seis estados norte-americanos (Georgia, Alabama, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Tenessee e Mississipi), habitados por 39 milhões de pessoas e que no seu conjunto têm um PIB superior ao italiano - e onde atuam 1200 companhias alemãs. “O futuro são têxteis sustentáveis, inteligentes e inovadores, o que implica tecnologia. A tecnologia é fator crítico”, explicou Patrick Specht, que trouxe a Atlanta o apoio do Ministério da Economia e Energia alemão. “Estamos aqui para apoiar as exportações alemãs para fora da Europa”, acrescentou. t


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PARFOIS ABRE PRIMEIRA LOJA EM AMSTERDÃO A Parfois inaugurou a sua primeira loja em Amsterdão, na Kalverstraat, uma das ruas pedonais mais famosas da cidade em termos de comércio. Esta marca portuguesa de acessórios de moda continua a apostar assim na sua expansão além-fronteiras, contando já com sete lojas nos Países Baixos (a primeira abriu em 2015) e cerca de 900 lojas em 65 países.

REVISTA ESPANHOLA ELOGIA MODTISSIMO “Um mercado recheado de novas formas de comunicação, produção e de promoção”, é assim que a Textil Express descreve a ITV nacional. E neste “horizonte aberto para novos negócios”, a publicação espanhola reserva grande destaque para o sucesso das edições 50 e 51 do Modtissimo, com uma larga participação de visitantes espanhóis, e destacando as novidades na área dos tecidos e das novas tecnologias.

Humberto Bragança, presidente da Tabel, Marta Mota Prego, do Guimarães Marca e Ricardo Costa, vereador da C.M. de Guimarães

TABEL INVESTE SEIS MILHÕES EM INSTALAÇÕES E MÁQUINAS O grupo Tabel está a investir seis milhões de euros na aquisição de novas instalações e de nova maquinaria. Mas o salto em frente deste grupo sediado em Moreira de Cónegos passa também por um novo modelo de negócio com colecções e design próprios e pela internacionalização, tendo-se estreado este ano na Première Vision de Nova Iorque. Ricardo Costa, vereador da Câmara Municipal de Guimarães, e Marta Mota Prego, responsável pelo Guimarães Marca, visitaram a Tabel, onde o seu presidente, Humberto Bragança , os ciceroneou numa demorada visita às grandes transformações e aos investimentos que a empresa tem em curso e serão inaugurados oficialmente depois das férias. Fundada em Setembro de 1988 por António Humberto Bragança Salgado, que dirige a empresa, a Tabel estava sediada numas instalações arrendadas no Parque Industrial do Cruzeiro, também em Moreira de Cónegos. Hoje o grupo Tabel integra três empresas – a própria Tabel, a HBS Digital Print Solutions e a Humberline (duas sediadas nestas instalações e a terceira em Guimarães) -, dispõe de 150 trabalhadores e prevê atingir este ano um volume de negócios de 10 milhões de euros, mais que triplicando o de há três anos - o ano passado facturou seis milhões de euros, o dobro dos três milhões de euros de 2016.

O primeiro passo foi dado há cerca de ano e meio com a aquisição das antigas instalações da Fábrica Têxtil Moreirense, que estão agora a ser totalmente renovadas, num projecto que não impede a Tabel de continuar a laborar. Ao mesmo tempo, foi construído um novo pavilhão, no qual brevemente, entre outras coisas, serão instalados os showrooms dos tecidos e malhas “estampados a metro” para vestuário e têxteis lar que este grupo produz. Ao nível da maquinaria, o grupo de Humberto Bragança apostou na aquisição de novas máquinas de estampar convencionais, mas também de estamparia digital, de máquinas de acabamentos (vaporizadores e râmulas) e de máquinas de lavar. “Só uma das novas máquinas custou cerca de um milhão de euros”, diz o director comercial da Tabel. Houve ainda uma forte aposta no controlo de qualidade, o que implicou a construção de um laboratório, onde é feita a inspecção final dos artigos que são produzidos. Não são só os investimentos tangíveis que mostram o empenho de Humberto Bragança no crescimento económico deste grupo. A Tabel começou por trabalhar, no seu essencial. Mas a partir do ano passado houve uma mudança de agulha, passando a desenvolver as suas próprias colecções de tecidos e malhas para

vestuário e têxteis lar. “Há cerca de um ano começamos a comprar diferentes tipos de matéria-prima e começamos a ter design próprio”, conta o representante da empresa. “Em janeiro estivemos pela primeira vez na Première Vision Nova Iorque, que nos correu muito bem. Estamos numa fase de desenvolvimentos com vários clientes norte-americanos, tendo em vista a concretização de negócios”, acrescenta. “Há dois anos não se fazia nada de têxteis lar por falta de maquinaria”, recorda o director comercial da empresa, acrescentando que hoje os têxteis lar já representam cerca de 40% da produção da Tabel. Também nessa altura, a Tabel trabalhava quase em exclusivo a feitio e para o mercado nacional. “Há cerca de um ano começamos a comprar diferentes tipos de matéria-prima e começamos a ter design próprio”, descreve. É por tudo isto que o grupo adoptou um novo modelo de negócio que se divide em três áreas: o private label, a produção vertical (as próprias colecções da Tabel) e a criação de colecções propostas pelos clientes. E é por causa destas duas últimas que a nova palavra de ordem da empresa passou a ser “internacionalização”, com apostas nos mercados norte-americano e europeu, nomeadamente França, Espanha, Holanda, Rússia e Bélgica.t

300% foi o crescimento das vendas da Coton Couleur nos últimos cinco anos

H&M MOBILIZA CLIENTES PARA EMPREITADA AMBIENTAL A H&M lançou em Hamburgo o projeto-piloto Take Care, cuja finalidade é incentivar os clientes a prolongar a vida das suas roupas, dando-lhes as “chaves” para melhor as proteger. O espaço mistura a venda de produtos de limpeza, ateliers e aconselhamento online, indo ao encontro da matriz da marca sueca: a sustentabilidade e a reciclagem.

EMPRESAS DEVEM PREPARAR-SE PARA O PÓS-BREXIT Apesar da mudança só vir a operar a partir de Janeiro de 2021, Kirty Hayes, embaixadora do Reino Unido no nosso país, aconselha as empresas portuguesas a começarem desde já a preparar a era pós-Brexit. “É importante que as empresas se preparem para um novo mundo”, lembra, frisando que isso é especialmente importante para Portugal, já que o nosso país exporta muito mais para Inglaterra do que o contrário.

ROTARY CLUB HOMENAGEIA JOSÉ ARMINDO FERRAZ

O dono da Inarbel e da Dr. Kid, José Armindo Ferraz, será homenageado pelo Rotary Club do Marco de Canavezes, numa cerimónia destinada a distinguir o seu percurso profissional e empreendedor . “Sinto-me honrado e muito orgulhoso. O meu lema é trabalhar para levar as empresas a bom porto e nunca deixar os meus colaboradores sem trabalho. É para eles e para o sucesso das empresas que trabalho”, disse o empresário.


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A FASHION FORWARD Por: Juliana Cavalcanti

Os detalhes é que fazem a Moda Apesar da enorme variedade que a moda pode oferecer (e oferece), muitas vezes temos a sensação de já ter visto tudo, de ser mais do mesmo. E, de facto, muitas vezes é – e acabamos por sentir que não temos nada “especial”. Isso também passou a acontecer mais depois do fenómeno do “ mass market ” ou o chamado “ fast fashion ”, sendo que as marcas deste sector tendem a arriscar menos, a oferecer linhas mais básicas para garantir a venda em grande volume – uma vez que peças mais conceptuais são um risco comercial. A maioria dos consumidores são mais cautelosos nas escolhas. E para agravar, a sensação que temos hoje com tanta oferta deste mercado efémero e de baixos custos, é que pouca coisa é realmente especial, pensada com dedicação e atenção aos detalhes. É aí que chego ao tema deste artigo: para mim a moda é feita desta atenção aos detalhes. Não estou aqui a falar de detalhes como bordados, brilhos, rendas, folhos... estes são outros pormenores que adicionam informação e diferencial a uma peça. Mas são ao mesmo tempo óbvios e causam por vezes um excesso visual que nem sempre é desejável. Os detalhes que estou a falar são subtis, são quase características que parecem pertencer à peça mas que fazem toda a diferença. É dar ao básico um toque especial sem exageros, é a surpresa com discrição – e isso para mim é um dos maiores encantos da moda. Mas o que seriam exactamente estes detalhes? Como encontrá-los? São geralmente decotes inesperados, recortes improváveis, assimetrias harmoniosas e proporções incomuns, entre outras coisas, que agregam valor e tornam especial uma peça teoricamente simples. Quando estamos conscientes deles, fica também mais fácil identificar algumas boas opções no meio de tanta oferta do mercado actual. Para facilitar o entendimento (e como a moda é linguagem visual), seguem alguns bons exemplos com ilustrações destes “detalhes especiais” para quem quiser ousar sem cair no óbvio ou no exagero. E um viva ao encanto discreto!

Decote nas costas : é um detalhe que

para mim tem um encanto particular pois traz o factor supresa. Estamos acostumadas aos decotes na frente, os mais óbvios e visíveis. Por isso, para mim é especial quando temos uma frente “normal” e, de repente, vemos as costas em evidência – nem que seja por uma abertura pequena. Recortes inesperados : aqui o que torna a peça diferente é ter uma abertura onde não se espera. Esta é uma tendência que recomeçou já há uns anos e para mim veio para ficar. Já não chamo tendência mas sim característica de algumas peças. São recortes que evidenciam a pele, por

isso causam o efeito “mostrar só o suficiente para deixar o resto à imaginação” – é o menos que se torna muito mais Assimetrias : mais uma vez é a quebra do comum. Ou seja, a assimetria vem para romper com as formas a que estamos acostumados, romper com as formas simétricas perfeitas – agregando assim o tal diferencial inesperado. Proporções incomuns : quebrar o padrão com a proporção inesperada. Ou seja, peças que têm uma parte maior ou com mais volume que o usual, atraindo a atenção para o detalhe. É uma peça que poderia ser básica mas que se torna especial por ter esta proporção “surpresa”. t

BALENCIAGA É A MARCA MAIS POPULAR A Balenciaga e a Gucci ocupam o primeiro e segundo lugar no ranking das marcas mais populares do mundo durante os primeiros meses de 2018, segundo o site Business Of Fashion. Em terceiro lugar surge a Vetements (subiu duas posições), seguindo-se Off-White, Stone Island, Givenchy, Moncler, Dolce & Gabbana, Yezee e Valentino, que completam o top ten.

HOLANDESES DA GARCIA ABREM QUATRO LOJAS EM PORTUGAL A marca de moda Garcia, propriedade da empresa holandesa Eurobrooks, entrou no mercado nacional com a abertura simultânea de quatro lojas em regime franchising. As primeiras lojas da Garcia em Portugal abriram portas em Aveiro (Av. Dr. Lourenço Peixinho, 9), Barcelos (Rua Dom António Barroso, 82), Porto (Via Catarina Shopping) e Tavira (Shopping Tavira Gran Plaza).

MASSIMO DUTTI TEM PRIMEIRA FLAGSHIP EM PORTUGAL A insígnia espanhola escolheu o Norteshopping, em Matosinhos, para abrir uma nova loja, inovadora e interactiva. Com mais de 1500 metros quadrados, o novo espaço da Massimo Dutti reúne moda de homem, mulher e criança e apresenta várias novidades tecnológicas que prometem enriquecer a experiência dos consumidores. O principal destaque vai para os “magic mirrors” e para os “provadores interativos” que permitem pedir tamanhos sem sair do seu interior.


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B SERVIÇOS ESPECIALIZADOS Por: António Gonçalves

Astrolábio - Orientação e Estratégia, SA Rua da Lionesa 446 Ed. C12 4465-671 Leça do Balio

O que faz? Consultoria de Gestão e Formação Áreas Empreendedorismo, inovação e internacionalização Fundação 2011 Colaboradores 4 Volume de Negócios 750 000€ em 2017 Escritórios Leça do Balio

Um instrumento para orientar as empresas O nome inspirado na época dourada da história de Portugal revela a ambição e o conceito do projecto lançado em 2011 por Adriano Fidalgo e os restantes sócios fundadores da Astrolábio. A ideia surgiu quando, confrontados com os serviços de consultadoria empresarial disponíveis, sentiram “uma carência de pessoas com experiência no terreno, pessoas oriundas de outras empresas e não formatadas para a assessoria”, explica o administrador. Perante isto, decidiram criar uma consultora com uma abordagem inovadora: as equipas seniores iam para o terreno e as equipas juniores prestavam apoio de escritório. Com esta estratégia, a Astrolábio tem-se revelado um verdadeiro instrumento de orientação para empresas de vários ramos, desde os transportes à construção, mas que agora se mostra cada vez mais próxima dos desígnios da indústria têxtil. A consultora tem vindo a realizar vários trabalhos de investigação e análise no mercado dos tecidos: exemplo disso é a sua colaboração com a ATP no projecto “Regeneração ITV”. “O que procuramos é que o têxtil consiga identificar as macro-oportunidades, especialmente em novas áreas do saber e formação, que no futuro vão criar retorno”, explica Adriano Fidalgo. Com base neste e noutros estudos já feitos, a Astrolábio tem vindo a desenhar o perfil da indústria têxtil por-

tuguesa e o seu posicionamento a nível internacional. Numa das suas últimas investigações, foram apuradas as grandes diferenças entre o têxtil português e o galego: “A Galiza apostou muito mais cedo nas tecnologias de informação, na plataforma logística, na criação de marca e na rede de retalho própria, a indústria têxtil nacional é mais avançada nas áreas da produção” afirma Adriano Fidalgo. O objectivo destes estudos é criar conhecimento a ser transmitido, através de acções de formação, consultadoria, planeamento estratégico e apoio à internacionalização. É aliás neste último ponto que a Astrolábio tem vindo a identificar maiores fragilidades na ITV nacional: “Nós fazemos muita exportação, mas não internacionalização, não temos as nossas marcas com presença externa. Existe ainda grande dificuldade em conseguir criar lojas e conquistar exposição nos mercados externos” explica o empresário. E esse é um dos campos em que a Astrolábio procura dar apoio às empresas portuguesas. Com 7 anos no mercado, a consultora acredita ter agora o horizonte bem definido para o futuro da indústria e propõe-se a ajudar os empresários a definirem o rumo certo. “As macrotendências como a economia circular ou as smartcitysvãomarcarofuturodaITV,surgirãomuitasnovas utilizações para os produtos têxteis e as empresas têm de estar preparadas para isso” antevê Adriano Fidalgo. t

MORETEXTILE, TMG E VALÉRIUS ACOLHEM FUTUROS GESTORES O Grupo Moretextile, pelo segundo ano consecutivo, foi parceiro da PBS – Porto Business School no programa de intercâmbio de estudantes da escola de gestão francesa ISTA - Institut Supérieur Textie D’Alsace. O programa contou ainda este ano com a participação da TMG e do Grupo Valérius, tendo os estudantes desenvolvido trabalhos nas três empresas ao longo de seis semanas.

ESPANHÓIS DA SANTA ENGRACIA NO MODATEX

EXPORTAÇÕES PERUANAS DE VESTUÁRIO CRESCEM 6,1%

Uma delegação do IES Santa Engracia de Madrid (Instituto de Educación Secundaria Santa Engracia) visitou a sede do Modatex, no Porto. Esta escola espanhola integra, tal como o Modatex, o projeto MODATOP e desenvolve cursos nas áreas de Design Moda, Modelação e Organização da Produção na Confeção.

As exportações peruanas de vestuário cresceram 6,1% no ano passado, atingindo um valor de cerca de 1,1 mil milhões de euros, de acordo com Luís Torres, da PromPerú. "Esperamos este ano crescer entre 6% e 8%, mas o desafio é voltar ao patamar dos 1, 7 mil milhões de euros que exportámos há dez anos", acrescenta.

"A Espanha é um mercado importante, que queremos acarinhar e desenvolver, mas que terá chegado ao nível da saturação. Não é muito saudável que uma indústria dependa tanto de um só cliente " Paulo Vaz Diretor geral da ATP

FARFETCH ABRIU SITE EM IDIOMA ÁRABE A Farfetch abriu no início de Maio o seu site em idioma árabe, dando assim continuidade ao seu plano de expansão global e na sequência de um acordo de joint venture com o Chalhoub Group no início deste ano. Além do idioma, a Farfetch revelou que o site incluirá conteúdo editorial dedicado à região, com a sua primeira sessão de moda a focar-se na modelo britânica-marroquina Nora Attal.

MARIA MIGUEL, ESTRELA DA CHANEL Maria Miguel voltou a ser uma das estrelas do mais recente desfile da Chanel. A jovem portuguesa, de 17 anos, vencedora do L’Agence Go Top Model 2016, fez parte da apresentação da Cruise Collection, que decorreu em Paris, no Grand Palais. Esta é a segunda vez que Maria Miguel desfila para a Chanel. A estreia para a marca de Karl Lagerfeld aconteceu na apresentação da coleção de outono/inverno 2017/2018, no passado mês de março.


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ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS INDUSTRIAIS DE LANIFÍCIOS


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LATITID ABRE NOVA LOJA PERMANENTE EM LISBOA Com uma inauguração marcada pela apresentação de novas colecções, a marca portuguesa de swimwear Latitid abriu um novo espaço comercial na Embaixada do Príncipe Real, em Lisboa. Depois de em 2017 ter aberto a primeira loja permanente na Foz, no Porto, a Latitid parte agora à conquista do público lisboeta com a nova colecção primavera-verão, intitulada “Cómo, Cuando, Dónde” e inspirada no ambiente cubano.

" A falta de mão de obra, qualificada e indiferenciada, que afeta o nosso setor, ameaça seriamente a dinâmica de crescimento das empresas" Paulo Melo Presidente da ATP

TORCATO VESTIU CLÁUDIA E ISAURA

Preto e azul marinho foram os tons escolhidos por Inês Torcato para a atuação de Isaura Santos e Cláudia Pascoal na final do Festival Eurovisão da Canção. Modelos desenhados à medida para o evento e que foram totalmente produzidos pela ITV nacional. Adepta do festival, a estilista admitiu que foi uma enorme surpresa a “dimensão e o detalhe” da organização do evento, que se revelou também no plano da moda, nomeadamente nos looks das quatro apresentadoras, também assinados por criadores portugueses. t

BIENAL QUER INUNDAR GUIMARÃES COM ARTE TÊXTIL A Contextile 2018 – Bienal da Arte Têxtil Contemporânea – já tem datas para a sua 4.ª edição, com a inauguração a ocorrer no dia 1 de Setembro e o encerramento a 20 de Outubro. Durante estes dois meses, esta iniciativa reunirá em diferentes espaços culturais e públicos da cidade de Guimarães, artistas e obras de todo o mundo. Além da Câmara de Guimarães, esta bienal tem também como parceiros a DGArtes, a ATP e a Associação Selectiva Moda. Estas duas últimas atribuem o prémio Aquisição. De resto, a Contextile 2018 terá uma exposição no MODtissimo de Setembro. A artista convidada para deixar a sua marca neste evento, Ann Hamilton, estará em Julho e Agosto em Guimarães para desenvolver a sua intervenção artística para a bienal. A visita e participação de mais de 90.000 pessoas nas primeiras edições faz da bienal Contextile um evento em ascensão sendo já reconhecida, nacional e internacionalmente, como uma referência na Arte Têxtil Contemporânea, contando, na presente edição, com a participação de mais de

200

é o número de artistas nacionais e internacionais, que vão participar neste evento, que já é uma referência na arte têxtil contemporânea

200 artistas internacionais e nacionais. Envolver e incitar a cooperação entre o património e indústria têxtil e a criação artística contemporânea é um objetivo claramente definido pela Contextile, pretendendo demarcar Guimarães como, Território de Cultura Têxtil. Entrelaçando, assim, a tradição e inovação no têxtil com a cultura e a criatividade. Em 2018 a Bienal centra-se no conceito de (In)Orgânico, transversal a todas as criações artísticas e conteúdos programáticos. “O orgânico é compreendido como algo que está vivo, arraigado e resulta do acumular de camadas. Isto poderá relacionar a intervenção como processo – entrelaçando e deslaçando – sendo o órgão tão fundamental para o corpo como a comunidade

é um elemento essencial na sustentabilidade de um território”, diz Joaquim Pinheiro. O programa da Contextile 2018 é composto por diversas atividades, sendo possível dividir a atenção pela exposição internacional com mais de 50 artistas selecionados após concurso, exposições de artistas e países convidados, residências artísticas, reflexão e debate nas TextileTalks, e os workshops “Experimentar o Têxtil”. Para além disso, a Bienal convidou Ann Hamilton, artista norte-americana sobejamente conhecida no contexto da arte contemporânea internacional, que realizará uma intervenção na cidade de Guimarães em grande escala, expressando a interligação da arte contemporânea e o têxtil e com a sua envolvente territorial e espacial. A Contextile, reconhecendo o papel fundamental da arte no desenvolvimento da sociedade, como motor de criatividade e inovação, será um evento dinâmico e acessível a todos os públicos, e também uma celebração da cultura têxtil, para a qual todos estão convidados a participar. t

CONSUMO EM PORTUGAL CRESCEU 7% NO ANO PASSADO O consumo em Portugal registou em 2017 um crescimento de 7%, valor bem acima da média da Europa Ocidental (0,2%), enquanto a expectativa de compra atingiu o valor mais alto dos últimos anos (13,8%) - indicadores que perspectivam um 2018 igualmente positivo. “A confiança económica voltou, com a descida do desemprego e um maior poder de compra”, disse Jorge Reis, division manager da GFK, que apresentou estes valores na 22.ª conferência da empresa.

SACOOR E ZIPPY DISTINGUIDAS NOS GLOBAL RLI AWARDS A Sacoor Brothers e a Zippy foram protagonistas na última edição dos Global RLI Awards, promovidos pela revista britânica Retail & Leisure International, que distinguem anualmente os melhores projetos na área do retalho e moda. A Sacoor recebeu o prémio Rising Star of the Year, que distingue o espírito empreendedor, as conquistas garantidas e a ambição de pequenas empresas de retalho que estão a começar um programa de expansão internacional. Já a marca de roupa infantil venceu na categoria Emerging Market Retailer, que visa reconhecer projetos de expansão comercial dotados de um “crescimento robusto”.

SARA SAMPAIO DESLUMBRANTE EM CANNES Sara Sampaio participou em diversos eventos no Festival de Cinema de Cannes, começando pelo da marca joalheria Chopard, onde usou um vestido preto Julien Macdonald, com um decote com tecidos cruzados. Depois, pisou a passadeira vermelha para assistir à estreia do filme Girls of the Sun, com um vestido Zuhair Murad (na foto). Esteve também no Fashion for Relief, um evento organizado por Naomi Campbell para angariar fundos para diferentes causas, onde posou com um vestido Roberto Cavalli.


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M EMERGENTE Ana Silva Diretora do Departamento de Sustentabilidade da Tintex Família Casada com Ricardo - têm duas gatas, a Olivia e a Mafalda Formação Licenciatura com mestrado integrado em Engenharia Química (FEUP) Casa Moradia geminada na Abelheira, Viana do Castelo Carro BMW X1 (que partilha com o marido) Portátil Surface Telemóvel iPhone 6S Hóbis Ler, ouvir música, sair com os amigos Férias Em 2017 foram aos Açores. Para este ano ainda não têm nada planeado Regra de ouro Aceitar que a nossa vida está em constante mudança e que não há verdades absolutas

FOTO: RUI APOLINÁRIO

O momento decisivo O momento decisivo foi algures nas férias de Natal de 2014, em Esposende. Estava ela com o marido (Ricardo) em casa do sogro, Mário Jorge Silva, que lhes falava apaixonadamente sobre o projeto de coating em curso na Tintex e as necessidades em quadros especializados que ele implicava, quando lhe veio à cabeça uma pergunta - “E se viéssemos nós?” - que se revelou a resposta à preocupação do empresário. “Não foi uma coisa pensada. Aconteceu. Na hora certa e no sítio certo”, explica Ana Silva, que à data vivia há dois anos em Hannover com Ricardo. Ela trabalhava no laboratório da universidade, investigando o uso do magnésio como implante ósseo. Ele na Continental. E como estavam a ficar um bocado fartos de viver na Alemanha, já tinham começado a procurar emprego noutro s lados. Chegaram mesmo a analisar hipóteses de trabalho no Brasil e na Malásia. A mudança de Hannover para Cerveira (a Tintex é a têxtil mais a norte de Portugal) foi apenas mais uma etapa nos 30 anos de vida de Ana, em que Oliveira de Azeméis foi a casa da partida de um percurso com escalas no Porto, Lisboa, Guimarães e Hannover. Antes de ser a Ana Silva, 30 anos, responsável pelo Departamento de Sustentabilidade da Tintex, ela começou por ser “a filha do João do café” - 15 anos depois dela nascer, o pai abriu o café Santiago, um negócio que mantêm, acrescentado da distribuição de botijas de gás. “Vivíamos em cima do café. Sempre que era preciso, eu dava lá uma ajuda”, recorda Ana, que nos tempos de estudante era conhecida por Ana Tavares, embora já tivesse Silva no nome (Ana Sofia da Silva Tavares). Nas férias, no final do secundário, concluído na ES Soares Basto (Oliveira de Azeméis), esteve três semanas a trabalhar num gabinete de terapia da fala, uma breve paixão que lhe podia ter mudado a vida. “Para mim, que sempre falei imenso, era um mistério ver miúdos que não queriam falar”, conta, explicando porque é que na candidatura ao Superior pôs Terapia da Fala em primeiro lugar (onde não entrou porque não tinha as disciplinas do 12o necessárias), antes da Engenharia Química. A escolha de Engenharia Química foi por exclusão de partes. Línguas e humanidades não lhe interessavam. Ela gostava era de Matemática e de Química. E dentro das engenharias, riscou logo as hipóteses de Civil ou Informática. “Foi uma boa escolha”, reconhece Ana, que apanhou o primeiro ano de Bolonha, especializando-se em Energia e Ambiente - e fez no Técnico a tese de mestrado, sobre a extração de zinco num efluente da indústria de galvanização. O primeiro dinheiro ganhou-o, ainda adolescente, durante as férias de verão, a trabalhar no restaurante do parque de campismo do Furadouro, onde os pais tinham uma roulote. E no 2o ano da FEUP, passou um mês na linha de produção de cereais da fábrica de Avanca da Nestlé, reunindo os euros necessários para financiar um Interrail que a levou a Milão, Florença, Roma, Veneza, Bucareste, Sofia, Budapeste, Munique e Berlim. Mas o primeiro emprego a sério foi em Guimarães, num spin off da UMinho que dava consultoria para projectos do QREN. Não aqueceu o lugar. “Não gostei da experiência. Era tudo muito teórico e muito parado”, conta. O próximo destino foi Hannover, para onde Ricardo (o ex-colega de curso com quem começara a namorar no último ano da faculdade) ia trabalhar na Continental. E estavam os dois de nariz no ar à procura de trabalho fora da Alemanha, com a Ana Tavares, a antiga “filha do João do café”, transformada em Ana Silva (casaram a 25 de outubro 2014, meio ano antes de voltarem a Portugal) quando se deu o momento decisivo, um alinhamento de estrelas em que a fome se juntou à vontade de comer - na hora e no sítio certos. “Os primeiros tempos na Tintex foram um choque. Eu vinha de um laboratório na Alemanha, onde havia regras para tudo. Ninguém podia ficar sozinho no laboratório depois das 18h. E quando precisava da balança para preparar um reagente tinha de pedir à responsável a chave do local onde estava guardado o prato e assinar um papel. Aqui as coisas são muito diferentes. Passei do oito para o 80”, recorda. Ana gosta de regras - sabe que elas são necessárias. E reconhece que não foi fácil a tarefa de implementar um sistema de qualidade e ambiente, em que se regista e documenta tudo quanto se faz, numa indústria tão rápida como a têxtil, em que é tudo para ontem. Mas está a gostar. “É tudo muito diferente. Não há um dia igual ao outro. É um trabalho desafiante, em que tudo fica mais fácil se aceitarmos que as coisas estão em constante mudança, em que se não queremos andar a correr sempre atrás das novas tendências temos de ser capazes de as antecipar”, conclui. t


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X O MEU PRODUTO Por: António Gonçalves

Fio de Urtiga

Desenvolvido pelo NIDYARN, núcleo de I&D para fios funcionais de elevado desempenho da Inovafil, em parceria com a Universidade do Minho

O que é? Fio com fibra de urtiga Para que serve? Fornecer à ITV uma alternativa sustentável aos fios tradicionais Estado do Projeto? Produção industrial - introdução no mercado

MOSCHINO SERÁ A PRÓXIMA COLABORAÇÃO DA H&M As colaborações da H&M com grandes marcas de luxo já são dos momentos mais esperados do mundo do fast fashion e têm dado a origem a autênticas caça ao tesouro nas lojas do grupo sueco. A próxima parceria será com a Moschino e a coleção estará disponível a 8 de Novembro em lojas selecionadas. O anúncio foi feito por Jeremy Scott, o diretor criativo da Moschino – que, em conjunto com a supermodelo Gigi Hadid, mostrou as primeiras peças no seu instagram.

13 milhões

de euros foi o volume de negócios da P&R Têxteis em 2017, ano em que renovou as suas instalações e reformulou o layout industrial da fábrica

CLUSTER TÊXTIL LEVOU MISSÃO EMPRESARIAL À VIRIATO

Inovafil manda têxtil às urtigas Mas não pica? Esta é a pergunta que todos fazem perante o novo fio produzido pela Inovafil a partir de urtigas. Rui Martins, administrador da empresa, garante que não pica, nem arde ou irrita a pele. Pelo contrário, para além de ecológico, o fio é respirável e tem propriedades antibacterianas, antiestáticas e termorreguladoras. A ideia não é propriamente nova, mas pode vir a tornar-se revolucionária na indústria, num momento em que a economia circular e as preocupações sustentáveis começam a ditar as tendências de mercado. A urtiga, conhecida pela facilidade com que as suas folhas irritam a pele, foi utilizada na produção de vestuário na Alemanha durante a 2.ª guerra mundial. Confrontados com o bloqueio comercial internacional e com a escassez de algodão, os alemães encontraram a alternativa nesta planta selvagem e utilizaram-na para produzir novas fardas. Agora, em tempos de paz, é a Inovafil que procura ganhar a corrida pela sustentabilidade através da utilização de fibras naturais. A empresa, sediada em Guimarães, celebrou uma parceria de exclusividade com um produtor alemão de urtigas, que cultiva e processa a planta, tornando viável a sua incorporação na fiação. A grande mais-valia do projecto é o seu elevado grau de sustentabilidade em comparação com as soluções mais tradicionais do sector. “A urtiga é uma planta silvestre, surge de forma espontânea e quase não necessita de água, o que torna a produção muito fácil e também muito ecológica” explica Rui Martins.

A sustentabilidade tem estado na base de vários projectos do NIDYARN, o núcleo de investigação e desenvolvimento da Inovafil. Para além das urtigas, a empresa desenvolveu também fios ecológicos a partir de algodão orgânico e de cânhamo. No entanto, “a urtiga é sempre uma das cabeças de cartaz em qualquer montra”, confessa o administrador, que tem apresentado o produto em visitas de clientes e feiras internacionais. “As reacções são muito boas. Por ser algo inovador cria muito interesse e curiosidade e tem suscitado várias solicitações”. Com menos de um ano de desenvolvimento, o fio já se encontra em produção industrial e em condições de ser fornecido ao mercado. As primeiras reacções têm surgido do sector do vestuário, apesar da Inovafil acreditar que o produto terá potencialidades para qualquer ramo da indústria têxtil. “Num primeiro momento, o sector da moda é muito mais receptivo a novas experiências, mas acreditamos que este produto terá características que se adequam a qualquer área. Como é produzido a partir do caule da urtiga, torna-se semelhante ao linho e poderá ser utilizado em qualquer produção têxtil” afirma Rui Martins. Para além de ter suscitado a curiosidade do sector, o espirito inovador do fio de urtiga valeu à Inovafil o prémio iTechStyle, atribuído pelo CITEVE. A nível internacional, uma malha confeccionada pela Vilartex com este novo fio foi distinguida na Munich Fabric Start com o Hightex Award para produtos inovadores.t

O Cluster Têxtil foi o pivot de uma missão empresarial junto da Viriato Hotel Concept que envolveu empresas como a LMA, MundoTêxtil, Têxteis Penedo, Lasa e a ERT, mas também o CITEVE. A Viriato equipa unidades hoteleiras de luxo em todo o mundo para as mais conceituadas cadeias do sector e o objectivo desta missão passava por conhecer aquilo que faz com vista a eventuais futuros negócios ou parcerias. .

"Portugal tem todas as condições para concorrer com qualquer país do mundo nesta área dos têxteis técnicos e isso permite-nos criar aqui um pólo de desenvolvimento bastante interessante" Alberto Tavares CEO da Olbo&Mehler

ADIDAS FECHA LOJAS E APOSTA NO ONLINE A Adidas vai apostar no encerramento de lojas e investir no comércio digital com o objetivo de duplicar as vendas online nos próximos dois anos, já que o site da empresa é “a loja mais importante” que têm em todo o mundo, segundo o seu presidente executivo, Kasper Rorsted, citado pelo Financial Times. A Adidas está a contratar 200 funcionários para o digital e quer mais do que duplicar as receitas das vendas online para quatro mil milhões de euros até 2020. No ano passado, as vendas virtuais do grupo subiram 57% para quase 1,6 mil milhões de euros.


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OPINIÃO FALEMOS DE NÓS José Cardoso Membro do Conselho Fiscal da ATP

COMÉRCIO EXTERNO ITV: 5 CONCLUSÕES Paulo Vaz Diretor-Geral da ATP e Editor do T

Nos últimos anos as notícias sobre a progressão do sector de retail trazem indicadores e alertas face a mudanças muito profundas que estão a acontecer. As alterações dos hábitos de consumo são hoje uma certeza mas a nossa atenção vai para as diferentes formas em como o sector de retalho se está a adaptar, por um lado para sobreviver e por outro para manter os importantes índices de crescimento que continuam a ter um peso enorme na economia mundial. Dos Estados Unidos chegam-nos dados do ano passado com a nota de mais 27 mil milhões de m2 de espaços comerciais que ficaram vazios de inquilinos, quando no ano anterior o número terá sido ainda maior, mas as vendas dos grandes gigantes de distribuição on-line - que teoricamente serão os grande substitutos na respectiva cota de mercado - não crescem com uma proporção inversa a esta tendência. As explicações são inúmeras, desde o espaço de armazenamento nas novas casas se estar a reduzir, associada a uma convergência para o arrendamento que permite uma maior mobilidade e menos compromissos de largo prazo, até a factos tão importantes como a dispersão generalizada das atenções gerais mais para experiências memoráveis do que para objetos. Mais uma vez do outro lado do Atlântico chegam-nos dois indicadores importantes. Um mostra que no ranking dos 10 maiores retalhistas nos EUA está um operador online (e podemos dizer só ou já), o outro indicador prediz que o retalho tradicional terá 80% do mercado em 2020, mesmo sabendo que os grandes operadores apostarão numa distribuição híbrida com interesses cruzados em ambas as áreas - existe uma lenta progressão nesta mudança que não é tão radical como se pode fazer parecer, ou assim o podemos supor, mas está a acontecer.

Os dados de comércio externo do primeiro trimestre de 2018 transmitem-nos algumas indicações que devemos ter em conta e que serão fundamentais para perceber a evolução que a ITV portuguesa irá seguir. Primeira conclusão: não há crescimento das exportações do sector em geral, embora o têxtil evidencie progressão (+3%) e o vestuário queda (-1,7%), em especial o de tecido (teia e trama). Segunda conclusão: quebra acentuada nas vendas para o mercado espanhol (- 8%), que já tinha sinalizado ligeira perda de quota no ano transacto, mas que confirmou agora a tendência negativa, resultado de uma diminuição das compras do grupo INDITEX em Portugal, mas, igualmente, por um decréscimo generalizado (segundo informação obtida no INE espanhol) de importações daquele país de quase todos os seus principais fornecedores, com exceção da Turquia, que, embora crescendo, não compensa a diminuição dos restantes. Quebra igualmente importante e continuada de há dois anos até agora é a do Reino Unido, em consequência

Mas é no meio deste ruído que encontro a questão que vejo como mais importante: onde está o público deste show de propostas que se montam globalmente da forma mais errática e, a meu, ver pouco ponderada? Certo que tudo será fruto de receios ou otimismos, das tentativas de bloqueio de novos e velhos conceitos, de estratégias em face de resultados bolsistas e com poucas certezas quanto à sua objectividade a longo prazo, mas não deixa de ser curioso entendermos para quem está montado todo este grande espaço cénico e quem afinal criará verdadeiras estórias de sucesso. Destaco neste contexto as observações atentas de certos comentadores que nos alertam para o facto de estarmos a dar demasiada importância ao desenvolvimento das ferramentas de análise em detrimento das emoções e da sensibilidade das pessoas com as quais se pretende comunicar. Criam-se softwares para melhor entender os padrões comportamentais, mas esquecemos como se padronizam as ações não previsíveis que são sempre resultado da plena condição humana. Tudo isto não deixa de ser um enorme desafio à tentativa de padronizar a inteligência emocional, mas sem conseguirem este repto será que existe um padrão comportamental fiável que sirva como garante dos planos estratégicos que se anunciam? Aguardemos pelas respostas que ainda não temos. Se algo temos a considerar será a ponderação, sem nos escondermos nos medos do que nos é desconhecido nem nas ficções que nos trazem potenciais realidades que mais não são que expectativas. Os prognósticos escrevem-se em função dos interesses do momento e está ainda longe a conclusão desta revolução que todos sentimos estar a acontecer.

do BREXIT. Terceira conclusão: forte crescimento das exportações para Itália (+26%), Holanda (+7%) e França (+6%), que praticamente compensam a perda de Espanha, aumentando quotas de mercado, sendo que se tratam de destinos exigentes e de compradores de alto valor acrescentado - mais em linha com o novo perfil e estratégia da ITV portuguesa. Quarta conclusão: dificuldades no ritmo de crescimento das exportações portuguesas no que respeita ao vestuário, que representa 60% de tudo o que exportamos, claramente com dificuldades na concorrência com a Turquia, que tem vindo a ganhar competitividade com a desvalorização agressiva da lira turca, traindo essencialmente as marcas que desesperadamente procuram margem no retalho, como parece ser o caso da INDITEX. Quinta conclusão: podemos estar a chegar a um fim de ciclo de expansão no nosso principal mercado externo, a Europa, já que os indicadores avançados antecipam um arrefecimento geral no crescimento e no consumo, para lá de alguns riscos relativos a

países como a Itália, em que a situação política pode vir a influenciar a conjuntura económica, sem olvidar os desequilíbrios macroeconómicos que o país apresenta, incluindo a questão da dívida pública. Recorde-se que este é o destino das exportações da ITV portuguesa que está a crescer mais e a compensar as quebras da Espanha, com transferências de quotas de mercado externo, o que deverá exigir das empresas cuidados acrescidos e esforços de diversificação ainda mais aturados. Importa sublinhar que um trimestre não é uma indicação suficientemente segura para se trabalhar prospectivamente todo um ano, embora sinalize algumas conclusões como as que atrás se avançaram. As dificuldades são matéria do nosso dia-a-dia, o gatilho para a criatividade e para o crescimento em todos os domínios, pelo que a nossa ITV as deverá enfrentar com serenidade e expectativa, tendo presente que, hoje, está mais bem preparada para competir do que há 15 anos, quando os choques da globalização e da liberalização do comércio têxtil e internacional a atingiram de forma dramática e quase fatal.


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Braz Costa Director-geral do CITEVE

A SUSTENTABILIDADE É O FUTURO. PONTO FINAL O reino da Dinamarca está a promover a cidade de Copenhaga como o centro do mundo para a sustentabilidade nas indústrias da moda, entre outras iniciativas com a organização do “Copenhagen Fashion Summit”. Presente nos dois dias da cimeira e fazendo um discurso brilhante, a Princesa mostrou aos participantes que a sua presença não foi mera obrigação inerente à nobreza, outrossim uma afirmação do reino num dos maiores desígnios da União Europeia, a economia circular, numa abordagem vaporosa e enleante como só a moda pode conferir. Estava lá “toda a gente”. Desde Stella McCartney e Ellen McArthur às marcas que dominam a distribuição de moda a nível global, desde o luxo à qualidade sofrível. Mas, vamos ao conteúdo. Fiquei a saber que não há marca que se preze que não ostente o seu CSO. CSO? Sim, claro… o seu Chief Sustainability Officer, portador de mensagens maravilhosas sobre um mundo perfeito que eles próprios assumiram a responsabilidade de (fazer) construir: giro; amigo dos animais; ambientalmente sustentável; socialmente justo. E mais um CSO determinado a pugnar pelos ordenados justos em todos os cantos do mundo, e outro CSO a limpar o planeta, e mais outro decidido a garantir que todos os trabalhadores das indústrias da moda tenham ar condicionado nos seus postos de trabalho, e ainda outro disposto a dar o sangue para que não haja nenhum vestígio animal em peças de vestuário, seguido de mais um que diz já ter a solução para que nenhuma peça de vestuário vá para o lixo no final da sua vida. Sentado no fantástico Copenhagen Concert Hall, com os olhos no monumental e estilizado órgão de tubos cravado sobre o palco e o coro e a imaginar-me envolto em música, quase me embebedei da ideia de um mundo harmonioso, ritmado e afinado, puxado pelas fileiras da moda. Acordei entretanto a pensar que aquela cimeira deveria ter sido organizada à laia de ‘prós-e-contras’ com CSOs de um lado e os respetivos ‘buyers’ do outro, para ver se a gente se entendia. É a vida, fashion é imagem!!!! Conclusão: no final de dois dias de cimeira já me chegava da opção da organização por comida “saudável, sustentável e reciclada”. Paciência. No entanto o que me lá levou foi juntar informação importante ao meu entendimento sobre o que será a realidade do negócio da moda depois de amanhã. Chegou-me para compreender que nenhuma empresa portuguesa pode deixar de incluir no seu portfólio produtos (um que seja) sobre os quais tenha bem afinado um discurso comercial que a posicione como fervorosa construtora de um futuro em sustentabilidade. t

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Miguel Pedrosa Rodrigues Administrador da Pedrosa & Rorigues, S.A

A ITV ESTÁ BEM E RECOMENDA-SE, CONTUDO… Ainda que de forma superficial e rápida, aproveito este espaço para abordar 4 preocupações que entendo serem relevantes para a ITV actual, na expectativa de que futuras intervenções possam aprofundar cada uma delas. Novas gerações, velhos hábitos - É uma excelente notícia a renovação geracional em curso na ITV, pois esta renovação veio trazer novas competências, mais sofisticação e mais “mundo” às nossas empresas. Deste processo resultam organizações com gestão melhorada, novas abordagens estratégicas e, por conseguinte, um passo essencial rumo à sustentabilidade. É, no entanto, fundamental combater os velhos hábitos que insistem em passar de geração em geração: a) individualismo; b) inabilidade para cooperar; c) “crescer” a qualquer custo; d) não partilhar risco nem partilhar recompensa, não conseguindo olhar para os seus pares tal como eles são: pares e não concorrentes. Desalinhamento na cadeia de fornecimento - A ITV portuguesa tem tanto de pequena como de especial. Somos flexíveis e rápidos, temos qualidade, temos capacidade de inovar e de desenvolver em todas as áreas do processo produtivo. É nestes termos que a marca Portugal se vai estabelecendo a passos largos e a qualidade das nossas empresas é hoje reconhecida. Todas estas amenidades têm como destino acrescentar valor ao nosso cliente (e, naturalmente, aos restantes stakeholders), contudo receio que o nosso potencial possa estar limitado por alguns factores, como a dificuldade que os diferentes intervenientes na cadeia de fornecimento têm em compreender que só juntos e eficazmente articulados poderemos ser consistentes nesse acréscimo de valor. Por outras palavras: é necessário o alinhamento de esforços, competências e compromissos desde o fornecedor do fio até à confecção (que faz a frente com o mercado e coordena toda a cadeia de valor). O tema é aborrecido e a sua solução passa pela partilha de objectivos e dificuldades entre todos – cada um a pensar na sua coutada é que não será seguramente o caminho. Indústria 4.0 - A popularidade e elevada adesão à versão 4.0 da ITV é um bom sinal, que se deve também ao trabalho exemplar da ATP e da COTEC na partilha de conhecimento e de experiências. Como coordenador do desenvolvimento de sistemas, processos e procedimentos na Pedrosa & Rodrigues (e permitam-­‐me dizer-­‐lhes que estas actividades se fazem sempre em equipa), tenho experimentado as dores de crescimento dentro do 4.0. Contudo, o benefício desse crescimento é evidente e permite expressivos vislumbres do futuro, que enuncio de seguida: a) O investimento em TI´s vai crescer exponencialmente nos próximos anos; b) A fábrica do futuro irá operar sustentada em robótica, automatização e software, embora as pessoas sejam cada vez mais o seu coração e alma; c) Serão desenvolvidos KPI´s e Dashboards com capacidades preditivas. Ou seja, a informação que utilizamos para tomar decisões há-­‐de traduzir tanto o “futuro previsível” da operação como o seu “passado”. E uma nota rápida: se ocorrer uma evolução positiva das preocupações enunciadas nos pontos 1 e 2, estou seguro que levaremos a Indústria 4.0 muito mais longe. A única certeza que temos é a incerteza - A incerteza é hoje um factor constante. Temos de viver com essa incerteza, e tal facto tem implicações na forma como gerimos e preparamos as nossas empresas. Queixar-mo-­nos da incerteza, alhear-mo-­‐nos dela, ou adiarmos o seu impacto serão abordagens pouco produtivas e de risco ainda maior. É sobejamente conhecida a evolução da ITV nas últimas décadas e parece-­‐me sensato estabelecer que muito mais irá ainda mudar – somos hoje muito diferentes do que éramos na década de 90 e não será polémico dizer que muito diferentes seremos em 2030. A diferença da actualidade para os anos 90 é que as mudanças que ocorrerão terão um ritmo e intensidade muito mais dramáticos, e será a capacidade dos gestores para identificarem essas mudanças e a reactividade das suas estruturas e recursos a fazer toda a diferença. t


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U ACABAMENTOS Por: Katty Xiomara

Numa república não há realezas e só por isso Joana Vasconcelos não é a nossa rainha - ainda que o talento criativo de Katty a tenha vestido como tal para as comemorações do Dia de Portugal, seguindo até a linha e estilo da artista, de modo a que a comenda do 10 de Junho possa brilhar ainda com mais intensidade.

Vestido real para Joana Vasconcelos usar no Dia de Portugal Confesso que este foi um dos maiores desafios que o T me lançou até agora. Não é todos os dias que se pode vestir uma das artistas mais reconhecidas da nossa era - Joana Vasconcelos - ainda por cima para as comemorações do Dia de Portugal. Se existe tarefa difícil é esta, vestir uma artista! Como, de que forma? O que poderá parecer suficientemente original ou impactante quanto baste?! Estas perguntas trouxeram à minha memória a velha estória de Hans Christian Andersen – O Rei Vai Nu – aquele fenomenal conto que fala da inquietante aptidão de uns astutos vigaristas para cativar o Rei com uma elegante fatiota de desconcertantes capacidades. Uma fatiota que só poderia ser vista por pessoas entendidas, competentes e inteligentes. Ora bem, penso que devo explicar-me com maior clareza. A minha ideia não é comparar a nossa artista ao incauto e vaidoso Rei, nem a nossa equipa de investigação jornalística aos matreiros vigaristas. A verdadeira comparação reside na ideia, que na verdade não deixa de ser extremamente criativa! Assim, decidi vestir a Joana Vasconcelos com um volumoso vestido real, embelezado por um grande rufo e construído, não com fios de seda invisível, mas sim com as deliciosas garrafinhas azuis de vidro da Marinha Grande. Usando a sua própria linha criativa, enveredei por esta proposta cheia de portugalidade, tradição e transparência! Temos noção que o conforto da nossa vítima está em risco, mas as grandes divas também já estão habituadas a estes pesares! t


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O AS MINHAS CANTINAS Por: Manuel Serrão

Aquário Marisqueira Rua 4, nº 540 4500-343 Espinho

SEM MEDO DA NORTADA O restaurante Aquário Marisqueira, na marginal de Espinho, tem a esplanada mais protegida do Norte litoral e alguns dos peixes e mariscos mais apreciados nesta bela localidade do nosso querido Portugal. Há que reconhecer que a situação tem vindo a melhorar nos últimos anos, mas se existe enigma que eu não consigo decifrar em Portugal é como é possível que um país como o nosso tenha tão poucas esplanadas. Vamos a Paris ou a Amesterdão, onde em vez do nosso clima geralmente soalheiro, chove e neva com a mesma facilidade, e tropeçamos em esplanadas nos sítios mais esconsos. Por cá, então fora dos meses de Verão, é preciso procurá-las quase como agulhas em palheiros. Serve este arrazoado inicial para conferir o devido destaque à esplanada do Aquário Marisqueira. Em pleno calçadão espinhense, num espaço quase arrancado à praia, ali mesmo onde a famosa nortada costuma fazer das suas a valer, o meu amigo António ergueu uma esplanada sem medo, no melhor estilo dos verdadeiros ho-

mens do Norte. Até parece que nasceu na têxtil! As mais das vezes que lá vou, leva-me a saudade de um rodovalho grelhado com um certo arroz de cenoura feito ao momento. Mas não raro a saudade mais forte é mesmo a de poder comer ao ar livre como que sentindo que o peixinho se arrastou pela praia até à minha fome. Tem dias em que não há melhor tempero que um bom cheiro a maresia... Dos pequenos segredos lembro a broa torrada com que vamos fazendo a boca inicial, misturando-a com um presuntinho cortado na hora como tem de ser. O marisco e o peixe não nos engana e os que sabem ver podem ir escolhê-lo à banca frigorífica. Por mim confio geralmente na escolha da casa porque sempre confio mais na inside information caseira do que no meu olho suspeito. Mas acabo como comecei, louvando a esplanada que um homem sem medo das nortadas edificou em Espinho. Porque aqui, ao contrário do que se diz na bola, como começa tem a mesma importância do que como acaba.t


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c Por: Cláudia Azevedo Lopes

MALMEQUER Ana Cravo, co-fundadora da plataforma de moda Minty Square, tem 31 anos e nasceu em Aveiro. Estudou Design na ESAD, no Porto, especializando-se em interiores. No entanto, afirma, “moda sempre foi uma paixão e acabou por ditar o meu percurso”. Nos tempos livres gosta "de procurar inspirações e introduzi-las no meu habitat profissional e pessoal”.

SOUVENIR

A T-SHIRT DE COLECÇÃO DE MÁRIO AUGUSTO

Gosta

Não gosta

Moda viajar compras Nova York maracujá design de interiores praia alpercatas Santa Luzia (Algarve) sushi comida tailandesa amarelo gatos Natal família calma avelãs deitar cedo organização simplicidade humildade documentários arrumações decoração pessoas generosas flores silvestres cheiro a cedro pequeno almoço chocolate cheiro a maresia natureza relva cortada sumo de laranja manhãs grilos a cantar fazer campismo rir até chorar o filme "os ricos e os pobres" Tom & Jerry Monopólio Bossa Nova Jazz 17 treinar estar sozinha trovoada aprender caminhar beber água fresca pina colada (sem álcool) bacalhau à brás voltar a casa

Atrasos desarrumação má educação falta de civismo pessoas egoístas burocracia deitar tarde preguiçosos futilidade que atirem lixo para o chão filmes de terror crueldade beterraba vinho verde sardinhas chocolate branco bolos gomas iscas violência cobras mentiras fanatismos exageros conter emoções ter saudades morte álcool poluição caça touradas espaços apertados exploração preconceito compromissos obrigatórios ansiedade anis erva doce cominhos ovas medo bananas da madeira ovos moles chocolate preto tabaco filas trânsito planear milimetricamente uma viagem pessoas que falam baixinho que tratem mal os animais

Balzac tinha uma notável frase sobre a importância da roupa mediante quem a veste. Dizia ele: “O incapaz cobre-se; o rico enfeita-se; o presunçoso disfarça-se; o elegante veste-se”. Acho que a T-shirt foi inventada para baralhar essa análise. Poucas peças de roupa são tão democráticas e socialmente transversais. Foi popularizada no pós-guerra pelos soldados americanos e ficou depois famosa por quem a usava em filmes, James Dean e outros ícones da juventude daquele tempo. Enfim, histórias que nos levariam a outras cenas. Poderia estar aqui a recordar muitas roupas para além do fato da comunhão “asseadinho”, ou uma calça à boca de sino, mas a melhor recordação que tenho de uma peça de roupa é precisamente de uma t-shirt. Existem de todo o tipo,mas tenho uma que guardo há mais de 20 anos. Comprei-a no Havai, uma marca local que as produzia diferentes, no cheiro, nos motivos e no agradável toque do tecido. As “Crazy Shirts” eram isso mesmo, muito loucas e passavam por uns processos finais de confeção que as impregnavam de cheiro próprio e cor a condizer. Café, vinho tinto, chocolate, framboesa, etc. Comprei uma de café (ainda hoje mantém esse agradável cheirinho). Um dos melhores cafés do Havai é produzido na região de Kona, e foi onde a comprei. Eu fiz a viagem de regresso a casa a cheirar a café e a mostrar a minha t-shirt nova. Na verdade, só consegui fazer meia viagem porque no voo de Nova Iorque para Lisboa, já farto de aviões, solicitei um “upgrade” para classe executiva. Simpaticamente e com algum embaraço, a hospedeira pediu-me para trocar de t-shirt, não pelo cheiro, mas pelo que dizia. É que em executiva na TAP, não ficava bem eu andar por ali a publicitar em letras grandes, bem desenhadas, a origem do café. t Mário Augusto


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T32 - Junho 2018  

Na edição de Junho de 2018 leia a entrevista com Luís Castro Henriques, Presidente da AICEP, o percurso de Ana Silva, da Tintex e a reportag...

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