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ALEXANDRA ARAÚJO

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Administradora da LMA

“O SEGREDO É A EQUIPA” P 20 A 22

DIRETOR: MANUEL SERRÃO MENSAL | ASSINATURA ANUAL: 30 EUROS

EMERGENTE

FOTO: RUI APOLINÁRIO

PERGUNTA DO MÊS

TÊXTEIS TÉCNICOS

SMART INOVATION INVENTA COLCHÃO À PROVA DE ÁCAROS P 14

O QUE SE DEVE FAZER PARA MANTER O ATUAL CICLO DE PROSPERIDADE?

A OTIMISTA FILIPA QUE NUNCA DESISTE DOS SEUS SONHOS P 33

RENDAS

CORAÇÃO DA RIBERA À CONQUISTA DA AMÉRICA DO SUL P 12

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DOIS CAFÉS E A CONTA

MEIAS

EXPORTAÇÕES

PERES GUIMARÃES O NOSSO HOMEM EM BRUXELAS

MFA VOLTA A CALÇAR O FC PORTO

TRIMALHAS ESTÁ MUITO À FRENTE

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Agora também pode comprar online! Na nossa loja vai encontrar uma vasta gama de produtos gráficos, com preços muito competitivos e total garantia de qualidade. Cartões, Postais, Monofolhas, Flyers, Cartazes, Desdobráveis, Catálogos, Revistas, Etiquetas, Autocolantes, Displays de Balcão, Porta Folhetos, Quadros em Tela Canvas, Impressão Digital de Grande Formato,...

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CORTE&COSTURA

EDITORIAL

Por: Júlio Magalhães

Por: Manuel Serrão

Sara Oliveira 32 anos Júnior designer da marca Carla Pontes, durante mais de 20 anos de carreira desportiva como nadadora, participou em dois Jogos Olímpicos (2008 e 2012), bateu mais de 20 recordes nacionais e por oito vezes consecutivas venceu o título nacional de clubes em representação do FC Porto. Com formação em Design de Moda no Modatex Porto, decidiu saltar das piscinas para o mundo da moda.

LAMENTO MUITO ALEXANDRA

Onde é que achas que as águas estão mais calmas? Na piscina das Antas, no mar de Leça ou na tua nova vida na moda? Todas as águas são turbulentas, dependendo da capacidade de cada um em lidar com elas. Nas piscinas, houve momentos “flat” e outros de muita ondulação, às vezes a favor, outras contra maré. O mesmo deverá acontecer com o mar de Leça e nesta fase mais recente da minha vida na moda. Mas como diz o ditado “Mar calmo nunca fez bom marinheiro” - e com tanta aventura estarei pronta para navegar em qualquer tempestade.

ricular, integrei como júnior designer a equipa do Carpo Studio, um estúdio de Arquitetura e Design, fundado e coordenado pelos irmãos João Pontes e Carla Pontes, onde experienciei a realidade portuguesa deste mundo dos trapos. O Brand Up e a apresentação da colecção de Outono-Inverno 18/19 culminaram com o final desse estágio. O Brand Up foi um dos momentos de avaliação, onde todo o trabalho de seis meses é colocado fora de portas, onde se sentem os primeiros feedbacks . Um momento de grande importância para uma marca que pretende crescer.

Quando andavas ocupada a ser campeã e a coleccionar medalhas na natação, alguma vez já te tinha passado pela cabeça trabalhar neste mundo dos trapos? Nado desde os meus seis anos. Os trapos aconteciam em casa de forma autodidata. Quando a natação começou a deixar de fazer sentido, surgiu a necessidade de explorar mais esta área da moda que tanto me fascinava, acreditando que ela poderia colmatar a adrenalina e desafios diários a que estive exposta toda a minha vida.

Como está a correr o relacionamento com a indústria na fase da produção ou ainda conseguem fazer tudo dentro de portas? O Carpo Studio tem uma relação bastante próxima com a indústria produtiva.

Como correu a tua experiência no Brand Up do Portugal Fashion? Na fase final do curso, em regime de estágio cur-

Em termos de ponto de vendas há alguma estratégia de abertura de lojas próprias a médio ou longo prazo? Na época natalícia, a marca Carla Pontes abriu uma Pop Up Store em Barcelos. Foi uma experiência muito positiva. O futuro é pensado e programado pela Carla e pelo João. Como júnior designer estou lá para pôr mão-à-obra em todos os projectos. t

O segredo pode estar na equipa, mas a equipa já não pode estar em segredo. A minha querida amiga Alexandra Araújo, que nos deu a honra de aceitar ser capa deste T, teria gostado muito que lhe fizéssemos a vontade de por na nossa capa a foto de grupo, que o leitor pode apreciar numa das páginas da entrevista. Porque a razão tem razões que o coração desconhece, prevaleceu a decisão editorial de não alterarmos o estilo que tem marcado a identidade do T jornal desde a primeira capa. Tenho para mim que a Alexandra e o meu grande amigo Leandro Araújo vão perceber, como nós percebemos, que esta magnífica entrevista é um exercício de bom gosto e um grande exemplo para toda a ITV de uma empresa familiar, que sabe muito bem quais são os seus trunfos e as suas limitações, numa época em que a experiência dos mais antigos alavanca o fulgor natural das novas gerações. Somos todos LMA, mas a LMA é feita por todos, foi a mensagem que a Alexandra quis transmitir, mas nós sabemos que essa sua preocupação em evidenciar a equipa está no sangue que lhe corre nas veias, muito por obra e graça do senhor seu pai. Numa época em que muitas empresas familiares estão genuinamente preocupadas com a sucessão da liderança, eis aqui um bom exemplo de uma empresa que já não precisa de se preocupar com isso.t

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- MENSAL - Propriedade: ATP - Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal. NIF: 501070745 Editor: Paulo Vaz Diretor: Manuel Serrão Morada Sede e Editor: Rua Fernando Mesquita, 2785, Ed. Citeve 4760-034 Vila Nova de Famalicão Telefone: 252 303 030 Assinatura anual: 30 euros Mail: tdetextil@atp.pt Assinaturas e Publicidade: Carolina Guimarães Telefone: 969 658 043 - mail: cg.tdetextil@atp.pt Registo provisório ERC: 126725 Tiragem: 4000 exemplares Impressor: Grafedisport Morada: Estrada Consiglieri Pedroso, 90 - Casal Santa Leopoldina - 2730-053 Barcarena Número Depósito Legal: 429284/17 Estatuto Editorial: disponível em: http://www.jornal-t.pt/estatuto-editorial/ PROMOTOR

CO-FINANCIADO


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n PERGUNTA DO MÊS Textos de Raposo Antunes

O QUE SE DEVE FAZER PARA PROLONGAR O ATUAL CICLO DE PROSPERIDADE? Não há um remédio santo, uma receita infalível para manter o mais longo ciclo de crescimento da nossa ITV. Mas há regras escritas na pedra. Já toda a gente percebeu que quem teimar em competir apenas pelo preço está condenado - e que a qualidade, serviço, inovação, criatividade e flexibilidade são cinco mandamentos obrigatórios. E o melhor seguro contra todos os riscos, para quem quer continuar a percorrer a estrada do sucesso, é apostar na digitalização, na sustentabilidade e na economia circular

“As empresas devem inovar constantemente e escalar o valor dos produtos e serviços que prestam” PAULO MELO PRESIDENTE DA ATP

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á uma nova cartilha que a Indústria Têxtil e do Vestuário (ITV) deve adoptar para prosseguir o actual ciclo de prosperidade. Ao contrário de outras, esta assenta em quatro princípios - inovação, sustentabilidade, economia circular e digitalização da manufatura (também conhecida como Indústria 4.0) - e em duas apostas, formação e marcas nacionais. Seguir estes seis caminhos não é uma garantia que a ITV seguirá na actual estrada do sucesso, mas é uma espécie de seguro contra todos os riscos, designadamente contra as surpresas que a economia mundial costuma proporcionar-nos ciclicamente e para as quais não estamos muitas vezes preparados. Paulo Melo, presidente da ATP, não tem dúvidas: “As empresas devem inovar constantemente e escalar o valor dos produtos e serviços que prestam”. “Sem o foco na inovação, colocando sempre em causa o que

se fez para procurar fazer ainda melhor e mais alinhado com o que o mercado pretende, as empresas facilmente ficam à mercê da competição apenas pelo preço, o que acaba por ser uma condenação a prazo”, afirma Paulo Melo, acrescentando que “a inovação e diferenciação pelo valor, por esta via, é o segredo do sucesso, actual e futuro”. O responsável máximo da ATP considera também que o grande desafio atual é a reorganização das empresas, indexada à economia digital, seja o comércio electrónico seja a indústria 4.0. “O mundo está em constante mudança e o paradigma que está a consolidar-se assenta na economia digital, o que, mesmo para empresas em sectores tradicionais, mas que, obviamente, não podem alhear-se da inovação e das novas tecnologias da informação e produção, significa apostar num novo mindset e numa nova cultura corporativa, que abarcará tudo: a forma como se produz, como se compra e como se vende, como se internacionaliza, com implicações na

organização dos recursos humanos, na gestão financeira, na comunicação interna e externa”, descreve Paulo Melo. Quem ignorar isto, alerta, estará afastado do negócio em poucos anos, pois as empresas, mesmo as industriais do têxtil, ou serão digitais ou não serão. Já José Robalo, presidente da ANIL, sublinha que a ITV portuguesa é essencialmente uma indústria exportadora, estando assim muito dependente dos ciclos de desenvolvimento da Europa e EUA, como tem sido verificado nos últimos anos. “Os nossos parceiros comerciais mais importantes têm tido desenvolvimentos económicos positivos, o que permitiu que a nossa indústria conseguisse recuperar da grave crise que a tinha afectado desde a entrada da China para a OMC”, lembra. Assim, entende que “as empresas devem aproveitar este ciclo de crescimento económico para fazerem investimentos em i&d, novas tecnologias e equipamentos, e também, muito importante, na formação dos seus


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colaboradores, de forma a melhorarem as suas capacidades competitivas no mercado globalizado como é o mercado da ITV”. Para António Amorim, presidente do CITEVE, os desafios imediatos são, sem dúvida, a melhor ou pior integração nos sistemas da chamada economia digital, vendas online, sustentabilidade, e Indústria 4.0. Não deixa também de sublinhar a importância da formação. “Cada vez mais as empresas valem pelos ativos humanos que possuem, o que pressupõe formação adequada que permita uma maior compreensão da evolução tecnológica no sentido do fabrico de produtos mais elaborados e de grande sofisticação, não só em termos de desenho e criatividade, mas com incorporação tecnológica”, diz António Amorim. Em resumo, aponta o caminho da criação de produtos diferenciadores, mas também de uma maior ligação ao sistema científico e tecnológico. Paulo Coelho Lima, administrador da Lameirinho, enquadra o futuro olhando o presente: “O

bom momento que a ITV está a passar é fruto do grande investimento feito pelas empresas, não só na presença em feiras internacionais, mas também através da aquisição de bons equipamentos e na captação de recursos humanos qualificados, que permitam apresentar ao mercado um produto de boa qualidade e um serviço irrepreensível”. Tem sido desta forma, diz, que a indústria têxtil se tem destacado, posicionando-se neste momento no patamar da escolha “premium” dos clientes internacionais. “Para manter este ciclo é fundamental que a nível nacional, se mostre o ITV como uma área de interesse para o ensino; será assim mais fácil para esta indústria recrutar recursos qualificados e especializados”. E acrescenta: “Temos que continuar a apostar num produto diferenciado, com bom design e de boa qualidade”. José Armindo Ferraz, CEO da Inarbel, introduz uma ligeira nuance - “Lutar para que o Made in Portugal continue a ser o melhor do que se faz em Portugal”.

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Como? “Servir com qualidade, o melhor design e a preços competitivos para que assim se assegure que o têxtil em Portugal continue a ser conotado com a qualidade/design/preço”. E o caminho é criar infraestruturas internas nas empresas para se adaptarem à era digital porque é inegável que, hoje, “every business is a digital business”. “Num mercado tão competitivo e inconstante há que inovar e acompanhar o que este pede. Hoje temos um mercado jovem que consome online, por isso há que criar plataformas de e.commerce que possibilitem não só a venda como a exposição das marcas nacionais a nível internacional”, acrescenta. O director comercial da Têxtil Cães de Pedra, Rui Maia, entende que as empresas portuguesas devem primeiro ter uma estratégia comercial muito bem definida e organizada e com múltiplos critérios. “Antecipação, capacidade de visão, estudar e selecionar bem os mercados, ter confiança e muita dedicação, solidez financeira são alguns

exemplos para desenvolver um business plan a médio/longo prazo. Depois, e porque esta atividade assim obriga, selecionar o melhor possível os clientes e parceiros locais”. Entende que a ITV deve ser prudente para não estragar todo o capital de conhecimento que até agora conquistou , sobretudo nos últimos 10/15 anos. E tal como José Armindo Ferraz, diz que as empresas “devem potenciar cada vez mais a marca fabricado em Portugal porque finalmente está a ser reconhecida em todo o Mundo”. “A qualidade, flexibilidade, criatividade, serviço ao cliente são fatores que devemos promover e que muito nos custaram a conquistar”, alerta. Em jeito de repto, sublinha que “as autoridades devem ter um papel fundamental neste momento tão importante em apoiar fortemente as ainda poucas marcas nacionais que ultimamente se têm introduzido no meio dos maiores nomes internacionais e que fazem um trabalho notável ajudando a sustentar a boa imagem do têxtil português”. “Devemos ter o objetivo de ter marcas fortes com conceito próprio à escala global porque elas são os nossos melhores embaixadores e nesse aspeto ainda temos um caminho longo e solitário pela frente”, conclui. Num tom irónico, Braz Costa, membro do grupo de Alto Nível do Cluster Têxtil, responde à pergunta dizendo que seria um homem rico se soubesse qual era a fórmula para a ITV continuar a prosperar. “A fórmula encontrada até agora encaixou bem no actual contexto mundial do sector. A aposta na inovação vai continuar a ser fundamental, bem como as boas relações que consigamos criar com os nossos clientes”. Mas o futuro, diz, passa sobretudo por apanhar o comboio da digitalização da manufatura (Indústria 4.0), pela economia circular e pela sustentabilidade.

ITV - Evolução dos Principais Indicadores 7.500

164.707 Volume de Negócios (milhões de euros)

6.166

137.000 5.231

Emprego (n.º trabalhadores)

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Exportações (milhões de euros)

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“Há que aproveitar este ciclo de crescimento para investirem em i&d, novas tecnologias e equipamentos" JOSÉ ROBALO PRESIDENTE DA ANIL

“Cada vez mais as empresas valem pelos seus ativos humanos, o que pressupõe dar-lhes uma formação adequada" ANTÓNIO AMORIM PRESIDENTE DO CITEVE

“Temos de continuar a apostar num produto diferenciado, com bom design e de boa qualidade" PAULO COELHO LIMA ADMINISTRADOR DA LAMEIRINHO

“Devemos ter o objetivo de ter marcas fortes, com conceito próprio, à escala global porque elas são os nossos melhores embaixadores" RUI MAIA DIRETOR COMERCIAL DA TÊXTIL CÃES DE PEDRA


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DOIS CAFÉS & A CONTA Líder

Alameda Eça de Queiroz 120/130 4200-272 Porto

Pratos: Filetes de polvo com arroz do mesmo; polvo à lagareiro Sobremesa: Abacaxi Bebidas: Vallegre branco, água e cafés

JOÃO PERES GUIMARÃES

Cresceu no Porto, na rua da Alegria, criado pelos avós maternos que moravam junto ao estádio do Lima, onde assistiu a jogos de andebol de 11 e hóquei em campo - mas também corridas de ciclismo e combates de boxe. Após a primária, feita no Pilha Galinhas (o severo Externato Vieira de Castro), completou o liceu entre o Alexandre Herculano e o João de Deus. Como a Física era uma paixão impossível, licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica na FEUP, onde viria a fazer uma pós graduação em Ambiente. Portista desde o berço (foi batizado no dia da inauguração do Estádio das Antas) recebeu a roseta de 50 anos de sócio no mesmo dia que Pinto da Costa. É casado, tem uma filha (Carolina), e a Matemática é a sua mais recente paixão (“parecia um quebra cabeças e afinal é tão fácil!”).

O NOSSO HOMEM EM BRUXELAS

CAROLINA GUIMARÃES

66 ANOS REPRESENTANTE PORTUGUÊS NA EURATEX

Tinha tudo planeado. Mal acabasse o curso, mudava-se para Luanda, onde além de se ocupar de negócios têxteis da família (Angola era o principal mercado) faria a tropa, tal como o avô materno José Fernandes Peres, um sargento mobilizado para Moçambique durante as duas Guerras Mundiais. Só que entretanto aconteceu a Revolução dos Cravos, que virou de pernas para o ar as vidas de toda a gente, incluindo a dele, que no final do Verão Quente de 75, com o curso acabadinho de fazer, foi chamado, tipo pronto socorro, para tomar conta da mais recente fábrica do pai, a Motextil, que fazia tecido para camisas (o primeiro tear foi batizado 25 de abril pois foi montado na Maia no preciso dia em que a coluna de Salgueiro Maia tomou Lisboa). “Não percebia nada de têxtil. E a fábrica não tinha dinheiro nem mercado. Só um endividamento galopante, devido à constante desvalorização do escudo, pois tinha sido financiada em francos suíços”, resume João Peres Guimarães, que assim aprendeu que era melhor não fazer planos para a vida - para não atrapalhar os planos que a vida e o pai tinham para ele.

No início dos anos 80, quando a Motextil já tinha a cabeça bem fora de água, apanhou outro murro no estômago: a crise que motivou a intervenção do FMI e levou este engenheiro, que as circunstâncias transformaram em industrial têxtil (“um erro de casting”, comenta, meio a sério), a perceber que o destino é algo que se deve ver olhando para trás - e não para se saber de antemão. A seguir, quando vieram os tempos das vacas gordas, já João Peres Guimarães estava resignado a cumprir o seu destino e activamente enfarinhado na preparação de um presente e futuro melhores para a industria que o escolheu - basta dar uma vista de olhos pelo seu curriculum (onde constam passagens pelas direções da ANITAF, APT e ATP, e a sua atual participação na ERSE e Euratex, em representação da ATP) para fazer a prova dos nove desse empenhamento. “Estrategicamente, devíamos investir forte no fabrico de fibras artificiais de grande qualidade e valor. É uma necessidade urgente”, sintetiza João Peres Guimarães, que escolheu almoçarmos no Líder (um restaurante localizado num lugar onde outrora havia os campos em que brincava em

miúdo) numa excepção à excepção à regra de almoçar quase todos os dias em casa com a família. O investimento no fabrico de fibras artificiais permitiria fechar a verticalização do ciclo produtivo na nossa ITV, da matéria prima ao produto acabado, e assim atenuar a debilidade decorrente de não produzirmos algodão. Além de corrigir uma fragilidade estrutural da ITV, a produção de fibras artificiais (“Como é um investimento pesado, devia contar com o apoio dos fundos comunitários”) possibilitaria um reordenamento do território (a matéria prima é pasta de celulose) bem como o desenvolvimento das competências que já temos em áreas como silvicultura, química, física e ambiental. “Um quilo de algodão implica um gasto de dez mil litros de água. Ora a água é o recurso que vai faltar dentro de uma dúzia de anos. Num futuro próximo, a escassez de água vai obrigar a que ela seja usada fundamentalmente no que é essencial, que é a alimentação”, explica este engenheiro que está na têxtil por obrigação mas também por devoção . t


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BRIGIDA, CATARINA E PEDRO DISTINGUIDOS EM CASTELO BRANCO Brigida Ribeiro (na categoria de Acessórios e Calçado) e a dupla Catarina Moreira/Pedro Sousa (categoria Vestuário) foram os vencedores da 2ª edição do concurso O Bordado de Castelo Branco e a Moda, ganhando assim o direito a apresentar os seus trabalhos no desfile Castelo Branco Moda 19 agendado para 15 junho no Museu Têxtil de Cebolais. Liliana Lopes e Sofia Viegas (respetivamente 2ª e 3ª classificadas na categoria Vestuário) foram também distinguidas.

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"Todos os nossos artigos, mesmo para a área de desporto, são considerados dispositivos médicos. São certificados. Isso para o cliente é uma vantagem muito grande" Nuno Mota Soares Diretor de projeto e negócio da Barcelcom

BERG OUTDOOR ABRE SEGUNDA SHOP-IN-SHOP A Berg Outdoor abriu uma shop-in-shop em Kosice, a segunda cidade mais populosa da Eslováquia, onde a marca do grupo Sonae tem o seu maior cliente, a cadeia de artigos para desporto EXIsport, com mais de 30 lojas. Trata-se da segunda shop-in-shop a nível mundial da Berg, após a abertura em novembro do ano passado do primeiro espaço com este formato em Zilina, a quarta maior cidade eslovaca.

TRIMALHAS ANTECIPA META DAS EXPORTAÇÕES

MFA ESTÁ DE VOLTA AOS PÉS DOS CAMPEÕES NACIONAIS Após uma época de intervalo, os futebolistas do FC Porto vão voltar a calçar meias produzidas pelo grupo Manuel Fernandes Azevedo (MFA), um dos maiores fabricantes de meias da Europa Ocidental. O grupo MFA produz, em média, 25 milhões de peúgas/ano, nas suas três fábricas - a de Palmeiras, a da antiga Fitor e uma outra, em Oliveira de Frades, que pertencia um cliente suíço (Jacob Rohner) e no seu essencial se dedica a fazer acabamentos de meias para o segmento alto do mercado. As meias de desporto, em particular de futebol, são um ponto forte da MFA, que fornece grandes marcas mundiais, como a New Balance e a Hummel, e por via disso está nos pés de jogadores de mais de uma dúzia de clubes e seleções (Liverpool, Celtic, Standard de Liège, Dínamo de Kiev, Brondby, Tenerife, Atlético de Bilbau, Alavés, Panamá, Costa Rica etc). Na última ISPO, a MFA apresentou em estreia mundial as primeiras colecções das suas linhas de meias e underwear das marcas Eurosport e Discovery Adventure. Ter ganho as licenças para a Europa (Turquia e Rússia incluídas), África e Médio Oriente destas marcas da Discovery Chanel corresponde à resolução da MFA de diversifi-

Liverpool, Celtic, Dinamo de Kiev e Atlético de Bilbau são alguns dos clubes que usam meias de desporto fabricadas pela MFA car, depois de dois exercícios em que sofreu ligeiros recuos no volume de vendas. Após ter atingido em 2015 um pico de 17 milhões de euros na sua faturação, a empresa fechou 2017 com um volume de negócios próximo dos 16 milhões, dos quais 95% correspondem a exportação. “Criar uma nova área de negócios foi uma decisão estratégica. É nas licenças que vamos crescer. A parte industrial não é para crescer mas sim para otimizar””, afirma Manuel Azevedo, responsável técnico e pelas vendas da directsportswear.com, a empresa do grupo MFA que tem as licenças e coloca a produção de meias na sua casa mãe e as de underwear na Oldtrading. No acordo firmado, no outono do ano passado, entre o Discovery Chanel e o grupo MFA, o próprio modelo de negócio foi proposto pela parte portuguesa e contempla a disponibi-

lização às lojas de um POS (point of sales) especifico para cada segmento de produto. “Assim as lojas não têm de se preocupar com a escolha de cores, tamanhos, etc. Se as quiserem, nós fornecemos um display com o cabaz adequado”, explica Manuel Azevedo, acrescentando que as expectativas apontam para a venda de 2 800 POS neste primeiro ano de atividade. Para a marca Eurosport, a MFA concebeu e desenhou produtos especificamente destinados à competição nas quatro modalidades desportivas em que o canal televisivo global é mais forte: ténis (transmite os torneios do Grand Slam), ciclismo (dá o Tour, Vuelta e Giro), desportos de Inverno e running. A emoção é a nota mais dominante nas meias e underwear da marca Discovery Adventures, que tem a sua oferta estruturada em quatro grandes categorias: extreme expedition (produto de inverno, adequado a montanhismo, incluindo expedições aos pólos ou alpinismo nos Himalaias); altitude (também vocacionado para o inverno e a neve, mas mais fashion); tropical (pensado para ser usado em altas temperaturas e dotado com funcionalidades antibacterianas e repelente de mosquitos); e urban (destinado a ser usado no dia a dia). t

A Trimalhas atingiu no primeiro trimestre a meta de exportações diretas (40% das vendas) que tinha fixado para 2019, na sequência da aposta na intensificação da sua internacionalização, um dos esteios da nova estratégia que consiste em privilegiar a rentabilidade ao volume e trabalhar cada vez mais com o cliente final. Fechar o ano com um volume de negócios de 17 milhões de euros e fazer um milhão de resultados líquidos são outros objectivos quantificados pela Trimalhas, empresa fundada em 2002 por Antonino Pinto, um gestor com 64 anos de idade e 54 anos de experiência na industria têxtil. “A minha preocupação atual não é vender muito, mas ganhar mais”, resume Antonino, que debutou na industria aos 10 anos, ajudando o pai, José Armindo Sousa Pinto, “um empresário superinteligente” que teve vários negócios têxteis - e quase duas dúzias de filhos, dos quais 15 sobreviveram. Antes de em 2002, “um ano de crise tremenda”, se ter aventurado a fazer o seu caminho, criando a Trimalhas, Antonino trabalhou por conta de outrém, num projeto de tecelagem, e com Joaquim, o mais velho dos seus irmãos, na Vilartex. Balenciaga é um dos nomes mais recentes na carteira de clientes desta empresa (onde já constavam marcas como a Mango, Massimo Dutti e Purificacion Garcia), que no biénio 2015/17 investiu cinco milhões de euros em modernização e aumento da capacidade instalada - um novo pavilhão, compra de teares circulares, remodelação de escritórios, novo laboratório, etc. "A modernização não foi só nos equipamentos, mas também na organização, layout industrial e métodos de trabalho", explica Antonino, orgulhoso de ter uma empresa verde e amiga do ambiente (“Reciclamos tudo, o aço, o óleo, o plástico”) e de proporcionar boas condições de trabalho aos seus colaboradores. t


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JF ALMEIDA VAI CRESCER NA HOTELARIA A hotelaria é uma das áreas em que a JF Almeida perspetiva um ritmo de crescimento acelerado, já que no seu negócio core (felpos) a política é estabilizar, privilegiando o crescimento em rentabilidade em detrimento do crescimento em volume. O grupo de têxteis lar tem uma posição de 50% na Vayol, uma comercial com sede em Valência especializada no fornecimento ao setor hoteleiro que fechou 2017 com um volume de negócios de 12 milhões de euros.

ISABEL FURTADO (TMG) VAI PRESIDIR À COTEC Isabel Furtado, presidente-executiva da TMG Automotive (Grupo Têxtil Manuel Gonçalves) vai ser a próxima presidente da Cotec, sucedendo a Francisco Lacerda. A proposta, para um mandato de três anos, só vai ser levada à assembleia geral da associação a 22 de Maio, mas será consensual dentro da associação e tem a anuência da indigitada. A notícia foi avançada pelo jornal Eco, adiantando que o convite foi feito a Isabel Furtado pelo actual presidente, Francisco Lacerda, e que a escolha terá sido também ratificada pelo Presidente da República. A confirmar-se a escolha, a líder da TMG será a primeira mulher a assumir a presidência da Cotec e a sexta pessoa a ocupar o cargo. Dedicada a promover a inovação, a Cotec é uma associação privada sem fins lucrativos que agrupa boa parte das empresas mais representativas da economia nacional e as instituições do Sistema Nacional de Inovação. Isabel Furtado é directora executiva da TMG Automotive desde finais de 2008. A empresa dedicada à produção de têxteis técnicos, essencialmente para a indústria automóvel, factura à volta de 100 milhões de euros e tem como principais clientes os grupos BMW, Mercedes e Toyota. Neta do empresário Manuel Gonçalves, com quem trabalhou 14 anos, Isabel Furtado nasceu e vive em Famalicão. Licenciada em Economia pela Universidade de Manchester, com especialização em Tecnologia Têxtil, dividiu a carreira académica entre o Canadá e Inglaterra e está na TMG desde 1985. Recebeu a comenda da Ordem do Mérito Industrial em 2014 e presidiu já ao Conselho Geral da Cotec no anterior mandato (2012-

MODATEX COLABORA COM CÂMARA DE SESIMBRA

LATITID INSPIROU-SE EM CUBA NA NOVA COLEÇÃO

O Modatex e a Câmara Municipal de Sesimbra formalizaram um protocolo que prevê a realização de ações de formação, seminários, conferências, workshops e iniciativas similares naquele concelho. A primeira ação de formação, na saída profissional de Costureira Modista, já se encontra a decorrer no Centro de Formação Eagle Intuition, devendo estar concluída em Janeiro do próximo ano.

23º08’09''N, é esta a nova latitude deste verão da Latitid. Poupamos-lhe os mapas: Havana foi a inspiração e a localização da nova coleção da marca de swimwear portuguesa. Cómo, cuándo, dónde? – assim se chama – é o resultado da combinação perfeita entre a linha minimalista que caracteriza a Latitid e a movida da vida cubana.

"Muitos compradores estão a regressar a Portugal, convencidos que o movimento que fizeram para a Ásia foi errado. Porquê? Porque a China é produção em massa e não é isso que os consumidores querem, principalmente na moda" Manuel Torres Diretor comercial da Impetus

REVISTA ALEMÃ ENTUSIASMADA COM MODA SUSTENTÁVEL PORTUGUESA Portugal está a rugir e as marcas e designers portugueses com ADN sustentável estão na linha da frente. A conclusão é da Luxiders Magazine, uma revista alemã especialista em moda e design eco & ethical, que ficou entusiasmada com o que viu no Modtissimo. E diz que há “uma nova geração de jovens portugueses que querem mudar a forma como o mundo olha para a moda portuguesa, uma moda que tem mais de 200 anos de história e que soube ressurgir das cinzas da deslocalização e reinventar-se”, sublinha a revista, que é editada em três línguas: alemão, inglês e espanhol.

2015). A par da administração de várias empresas do grupo TMG, integra o Conselho Geral da Universidade do Minho, a administração da Fundação AEP e preside ao Conselho Superior da APEF (Associação Portuguesa de Empresas Familiares). É também membro do Conselho Director da APGEI (Associação Portuguesa Gestão e Engenharia Industrial) e da da direcção da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. t

1 642 reclamações (ou seja, uma média de quatro por dia), relativas a compra online, foram apresentadas à Deco em 2017. A maioria das queixas (45%) referem-se a telemóveis, computadores e acessórios eletrónicos. Apenas 7% são de compras de vestuário ou acessórios de moda


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quality impact arquitetura e soluções de espaços

Rua do Cruzeiro, 170 R/C | 4620-404 Nespereira - Lousada T. 255 815 384 / 385 | F. 255 815 386 | E. geral@qualityimpact.pt


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A MINHA EMPRESA Ribera

Rua Monte dos Picos 589 Guifões 4460-059 Matosinhos

O que faz? Rendas, bordados e linhas para crochet, que comercializa com a marca própria Coração Trabalhadores 25 Volume de negócios 1 milhão de euros (2017)

CORTEFIEL AGORA É TENDAM O Grupo Cortefiel decidiu mudar a sua denominação e identidade visual para Tendam, mas as marcas comerciais do grupo (Cortefiel, Pedro del Hierro, Women’secret, Springfield e Fifty) mantêm a sua identidade, anunciou recentemente a empresa. “Com a consolidação e crescimento do multi portfólio, não fazia sentido definir o grupo com o nome de uma das marcas, ainda que essa marca tenha sido a origem do grupo”, salientou o CEO da Tendam, Jaume Miquel.

400 toneladas de fio é a capacidade produtiva mensal da Tearfil (grupo MoreTextile)

OS ESTRANGEIROS ADORAM O TÊXTIL PORTUGUÊS O têxtil é um dos produtos que os estrangeiros mais apreciam no nosso país. A conclusão é do jornal Económico, que organizou uma lista com “os 7 produtos portugueses que os estrangeiros adoram”, onde é destacada a qualidade, o rigor nos prazos de entrega e a força exportadora da ITV nacional. De acordo com os números do sector, os têxteis vão exportar um total de 5,5 mil milhões de euros em 2020.

ESTILISTAS NACIONAIS ADEREM AO ONLINE

Crescer com o coração Algures em finais de 2011, quando combinou um almoço com Soares Lopes, seu amigo e cliente, não passava sequer pela cabeça de Francisco Teles de Menezes que iria estar em cima da mesa uma proposta de compra da Rendibor. À sobremesa, Soares Lopes lá lhe foi dizendo que tinha decidido reformar-se, reflectira sobre o assunto e não via mais ninguém senão ele, Teles de Menezes, para pegar na Rendibor, que ele adquirira ao grupo Sonae. “Fiquei surpreendido com a proposta. Não estava nada à espera”, confessa Francisco, a propósito do menu deste almoço que lhe mudou a vida e que teve lugar na Lionesa, onde batia o coração da sua empresa de importação de acessórios. A conjuntura não aconselhava a aventuras. O mundo sofria a ressaca da crise das dividas soberanas. E em Portugal, com a troika instalada em Lisboa, o mercado interno estava anémico. Como agravante (e por consequência), as vendas da Rendibor estavam em queda livre. “Pensei duas vezes. Estávamos em plena época de crise. O momento não era o melhor”, explica Teles de Menezes, que tinha 43 anos à data da ocorrência (completa meio século de vida neste mês de maio). Mas depois de bem analisada a empresa, diagnosticadas as razões para as vendas terem sofrido uma quebra brutal e esboçada uma estratégia para dar a volta à situação, Francisco resolveu agarrar a oportunidade, pois quando se sabe o que se quer na vida, não há que enganar, é olhar sempre em frente - para trás só mesmo se for para tomar balanço. “Foi um gesto arrojado”, concorda. Para o acompanhar nesta empreitada, desafiou, com sucesso, Andreas Falley - seu amigo desde miúdo (“é o

padrinho do meu filho mais velho”) e que deve o nome ao pai alemão -, estava de saída da Supercorte e tinha muita experiência na têxtil, ganha entre a Fitor e a Profato. “A parte comercial não funcionava. E a Rendibor estava demasiado exposta ao mercado interno, onde fazia mais de 90% das vendas”, recorda Teles de Menezes, que em 2015 rebaptizou a empresa com o nome inicial, Ribera, o apelido da família galega que a fundara em 1905, na Senhora da Hora. Os números estão aí a demonstrar que compensou a aposta na exportação e numa maior agressividade comercial junto de grandes clientes exportadores de têxteis lar, ou seja, do consumidor em detrimento de armazenistas e distribuidores. Em 2011, a Rendibor faturou 400 mil euros. No ano seguinte, com a dupla Francisco/Andreas ao leme, as vendas cresceram 25% para 600 mil euros. E em 2013 voltaram a subir mais 25%, para 800 mil euros. “O volume de negócios tem crescido sempre. Para este ano, esperamos uma subida de 20%, para 1,2 milhões”, diz Teles de Menezes, acrescentando esperar que o lançamento de um novo produto alavanque este aumento das vendas. No final do ano passado, a Ribera reativou a produção de linhas para crochet, com a marca própria Coração, que tinha sido descontinuada quando se perdeu no nosso país a tradição de fazer crochet. A América Latina, onde esta tradição se mantém e a Ribera já tem raízes estabelecidas na Colômbia e Perú, é o mercado onde Teles de Menezes prevê que as vendas das linhas Coração disparem. t

Luís Carvalho, Luís Buchinho, Diogo Miranda, Katty Xiomara e Nuno Baltazar são alguns dos criadores portugueses que já vendem ou que se preparam para vender as respetivas coleções online. A entrada em força dos estilistas no e-commerce surge numa altura que a consultora McKinsey prevê que as vendas de luxo online mais do que tripliquem até 2025, atingindo os 74 mil milhões de euros.

"Todos os nossos resíduos são recicláveis. Isso faz com que tenhamos um olho no bem estar ambiental" Paulo Neves CEO da Coltec

CANTÊ UTILIZA LYCRA RECICLADA NA SUA NOVA COLEÇÃO

A marca portuguesa de beachwear Cantê revelou que, na sua mais recente coleção (“Who am I today?”), toda a lycra lisa é de origem reciclada. Em comunicado, as fundadoras da marca revelam-se “muito orgulhosas” e dizem esperar, no futuro, alargar o feito às lycras estampadas. As lycras são as rainhas da coleção e está previsto o lançamento de quatro novas coleções ao longo do verão, como já vem sido hábito na marca criada em 2011 por Mariana Delgado e Rita Soares.


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SI INVENTA COLCHÕES À PROVA DE ÁCAROS Colchões que matam as bactérias e são à prova de ácaros e mosquitos é o fantástico resultado de uma parceria entre um fabricante português de colchões e a Smart Inovation (SI), uma empresa com sede em Barcelos que desenvolveu uma tecnologia exclusiva e inovadora para incorporar propriedades em diversos materiais. A Smart Inovation usa a nanotecnologia para transportar pequenos grãos de areia em estado liquido que transportam princípios ativos para diferentes produtos, na sua maioria roupas, mas também tintas, aditivos para máquinas de lavar, madeiras ou sprays. No caso dos colchões, a SI trabalha com uma empresa belga na aplicação do repelente de mosquito nos lençóis e fronhas, e com a barcelense Matias & Araújo para garantir de que os forros não só afastam os mosquitos e ácaros como também

MAYORAL TEM NOVA IMAGEM

eliminam as bactérias. Colchões com forro anti-ácaros, fraldas que evitam pruridos e assaduras, tintas com repelente de mosquitos, peúgas anti-frieiras, estantes à prova de térmitas ou meias para o pé diabético são alguns dos produtos onde a tecnologia da SI é utilizada. “O projecto estava numa fase embrionária na Universidade do Minho quando pegamos nele. Nós asseguramos o desenvolvimento final da tecnologia, afinamos os produtos, demos-lhe viabilidade comercial, criamos

o modelo de negócio”, explica Mário Brito, 28 anos, licenciado em Engenharia Mecânica em Londres e um dos três sócios da SI (os outros dois são médicos). “O nosso método de usar a nanotecnologia para funcionalizar os materiais é totalmente diferente e mais vantajoso que o das micro-cápsulas, oferecendo uma durabilidade e eficácia muito superiores”, garante Mário, acrescentando que o bactericida incorporado com tecnologia SI tem 99,9% de eficácia após 50 lavagens, de acordo com testes efetuados pelo CITEVE.t

MORETEXTILE AO ATAQUE NO B2B As vendas online são uma das grandes apostas para este ano do grupo Moretextile, que vai alargar aos compradores profissionais a sua presença no digital abrindo uma plataforma B2B. Há cerca de um ano e meio que o maior grupo português de têxteis lar tem no ar uma loja online, onde vende produtos com a marca própria Home Concept, destinada ao segmento alto do mercado. Agora chegou a vez de aproveitar o canal e.commerce para ampliar o negócio de private label. “Não nos vamos limitar a por lá o catálogo. Queremos conhecer bem os nossos clientes e tirar partido do online para interagir melhor com eles”, explica Artur Soutinho, CEO da Moretex-

tile, que já está presente em plataformas digitais como a Amazon. A presença no online tem, de acordo com Soutinho, uma dupla função: a de vendas mas também a de marketing. “O grande crescimento das vendas vai ser no online”, prevê o gestor, acrescentando que as lojas digitais não vão substituir integralmente a lojas físicas, “mas já estão a substituir algumas”. O grupo Moretextile fechou 2017 com o volume de negócios estabilizado nos 70 milhões de euros e uma performance que satisfaz. “Vendemos menos volume mas com maior acrescentado e melhoramos a margem”, afirma Soutinho. t

LAMEIRINHO RELANÇA MARCA PRÓPRIA No ano em que comemora o seu 70o aniversário, a Lameirinho vai fazer uma campanha de relançamento da sua marca própria, usando como trunfo a rede de lojas que foi ampliada com a abertura de três novos espaços no final do ano passado. “A Lameirinho é uma marca com história que já vai na sua quarta geração”, explica Paulo Coelho Lima, neto de Joaquim Coelho Lima, que fundou a empresa a 12 de maio de 1948. Com nove Lameirinho Store físicas - Odivelas, Matosinhos, Porto, Guimarães (três), Viseu,

Viana e Loulé - e uma online, a têxtil lar de Pevidém prepara uma campanha comunicacional e de marketing que tire partido da relação directa com o consumidor final que lhe é assegurada por esta sua presença no retalho. “O online não vai acabar com as lojas físicas - vai complementá-las. Vivemos numa época em que todos os canais de distribuição se fundem num só. Vê o produto na loja e compra em casa. Vê em casa, no e.commerce, e depois vai comprar na loja. Compra online e vai buscar o produto à loja física. Todas estas e outras

modalidades convivem - e no futuro ainda vão conviver mais”, afirma Paulo Coelho Lima. “Mais do que um lugar, mais do que um posto de venda, as lojas online são um show room, uma ferramenta essencial para, nos nossos dias, uma empresa comunicar”, acrescenta o CEO da Lameirinho, que há quatro anos tem uma loja online que vende para todo a Europa e está nas principais plataformas mundiais de e.commerce (como a Amazon e a La Redoute) e já garantiu a sua presença no market place que a Worten está a ultimar. t

O grupo Mayoral tem um novo logótipo que renova a sua identidade visual e dá flexibilidade para abranger as tendências de moda futuras. Mantém-se a cor azul, que é rejuvenescido, e o “o” transforma-se numa nuvem que para além de atribuir personalidade abre-se à imaginação e à criatividade que fazem parte do mundo das crianças e, como não podia deixar de ser, da Mayoral. Estas alterações foram elaboradas pela agência de branding Summa.

ROBOTS DA LI & FUNG FAZEM UMA T-SHIRT EM 22 SEGUNDOS

FARFETCH APOIA STARTUPS NA ÁREA DA MODA E TECNOLOGIA

A Li & Fung juntou forças com a tecnológica norte-americana Softwear Automation para criar a primeira linha totalmente robotizada de produção de t-shirts. O projeto promete encurtar para metade o tempo de produção de uma peça. Com apenas um operador, a linha robotizada conseguirá fabricar uma camisola simples de algodão em apenas 22 segundos, metade do tempo estimado para a manufatura atual.

A Farfetch apresentou uma nova aceleradora para startups na área da moda e tecnologia. Intitulada Dream Assembly, este novo mecanismo de apoio irá funcionar a partir do escritório de Lisboa e tem como primeiros parceiros a marca de artigos de luxo Burberry e o fundo de venture capital 500 Startups que estão encarregues de prestar mentoria às microempresas que se pretendam juntar ao programa de aceleração.

"Nós, os empresários, temos de nos ajudar uns aos outros, de aprender a voar em formação. Temos de abrir as nossas cabeças, senão estamos tramados. Ninguém vive bem com o mal do vizinho" António Falcão CEO do grupo Falcão

JANELLE MONÁE VESTE DAVID FERREIRA NO VIDEOCLIP “PYNK” O videoclip de “Pynk”, da cantora e atriz Janelle Monáe, tem dedo português – em particular de David Ferreira. O estilista, que já vestiu várias estrelas internacionais (como Tyra Banks, Janet Jackson, Cardie B, Bjork, entre outros), viu um dos seus vestidos de lã e pelo de cabra da Mongólia bordado à mão ser escolhido pela atriz norte-americana. A peça – cor de rosa, claro – faz parte da coleção outono/inverno 16/17 e foi apresentada há dois anos.


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A AGENDA

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AUTOMOTIVE INTERIORES EXPO 5 a 7 de Junho - Estugarda CENTI, CITEVE, Endutex, ERT, MCS Textile Solutions, TMG

FIMI 22 a 24 de Junho – Madrid Baby Gi, Bogoleta Couture, Beppi, Piccola Speranza, Chua

PITTI UOMO 12 a 15 de Junho – Florença Common Cut, Lado Incógnito, Dielmar

FASHION SVP 26 e 27 de Junho – Londres Confenix, Siena, Confecções Lança, Orfama, Trotinete, Island Cosmos, Wonder Routine, Gulbena Têxteis, Intecol, Custoitex, Tiva, My Shirt, Triwool, Lima & Companhia Lda.

PITTI BIMBO 21 a 23 de Junho – Florença Natura Pura, Phi Clothing, Cherry Papaya, Knot, Dr. Kid, FS Baby, Meia Pata

MAIS ESPAÇO E LAYOUT MELHORADO NA HEIMTEXTIL 19 Um layout melhorado, que reduz as distâncias a percorrer a pé pelos visitantes, e um maior espaço de exposição, com a estreia do Hall 12, são duas das mudanças radicais que a Messe Frankfurt preparou para a edição 2019 da Heimtextil, marcada para 8 a 11 de janeiro do próximo ano. A roupa de cama e de banho estarem juntas no Hall 12 é uma das novidades do novo layout de uma edição que terá um centro de competência dedicado ao Smart Bedding – o sono saudável, será um tema a declinar nas suas vertentes bem estar e estilo de vida.

"Portugal, Espanha e França são os nossos mercados prioritários. Não nos adianta estar a abrir lojas em todo o lado, sem conseguirmos criar mancha e solidificar a marca nesses mercados" Rita Calheiros Brand & Marketing da Salsa

ISPO MUNIQUE 2019 COM MAIS DOIS PAVILHÕES Agendada para 3 a 6 de fevereiro de 2019, a próxima edição da ISPO Munique vai contar com mais dois pavilhões (C5 e C6), cuja construção estará concluída este ano no Messestadt da capital bávara, o que permitirá à maior feira de artigos de desporto do mundo receber mais expositores e satisfazer a crescente procura de espaço.

CHARO IZQUIERO VAI DIRIGIR FEIRAS DE MODA DA IFEMA Charo Izquiero, diretora da Mercedes-Benz Fashion Week Madrid, foi nomeada diretora das feiras e eventos de moda e beleza da Ifema, a entidade responsável pela organização de vários certames, como a Momad. Izquiero vem substituir Jaime de la Figuera, que ficará responsável pela expansão internacional da instituição. Mudanças que têm como fim “reforçar o seu posicionamento nos diferentes setores”, nomeadamente o crescimento além fronteiras espanholas.

“Ando sempre atrás do Verão. O que eu quero sempre é sol e um mar com água bem quentinha”, graceja Alfredo Araújo

CASO PORTUGAL É UM FAROL “Portugal é um país desenvolvido com uma densa e articulada cadeira de valor no vestuário. Temos de analisar as similitudes e diferenças com a Argentina para podermos aprender com este caso de sucesso”, afirmou Gustavo Ludmer, professor de Macroeconomia na Universidade de Buenos Aires, numa conferência sobre o “Caso Portugal" que decorreu durante a Emitex, feira que contou com a presença de um quarteto de expositores portugueses - Lemar, Lipaco e Ribera em stands individuais, mais um conjunto de PMEs reunidas num stand colectivo coordenado pelo CITEVE. Investigador do setor têxtil e de vestuário, Gustavo Ludmer usou o exemplo de Portugal para apontar o futuro radioso que antecipa para a ITV (“vai acontecer com os têxteis o que aconteceu no passado com os plásticos, vão estar em todo o lado”) e demonstrar que não existe qualquer incompatibilidade entre ser um país desenvolvido e a têxtil ter um grande peso na economia - em Portugal vale 17,6% do valor acrescentado total da industria, contra apenas 6% na Argentina. “A Argentina está a normalizar-se. A abrir-se ao mundo. Este é

o momento certo para voltarem a apostar neste mercado”, afirmou João Ribeiro de Almeida, o nosso embaixador em Buenos Aires, durante a visita que fez aos expositores portugueses, que estiveram na Emitex com o apoio da Seletiva Moda. “A Emitex foi uma agradável surpresa. Nota-se uma procura muito grande de fios de poliester”, conta um porta voz da Lipaco, que crê ter conseguido arranjar um distribuidor. Com uma posição forte na América do Sul onde, usando a Colômbia como base, já vende para Peru, Costa Rica, Equador e Panamá, a Ribera estreou-se na Emitex com o objetivo de alargar não só à Argentina mas também ao Uruguai e Chile a sua presença neste continente. “A aposta estratégica na América do Sul tem a ver com o facto de usarem muitas rendas e crochets”, explica Francisco Teles de Menezes, CEO da Ribera, que apresentou na Argentina as linhas de crochet da marca própria Coração, um produto histórico da empresa que foi ressuscitado em finais do ano passado. Da Emitex, a Ribera trouxe na mala adiantadas negociações com um

grande distribuidor local. A Lemar teve em Buenos Aires a sua coleção de praia e sportswear para a Primavera/Verão 19, baptizada com o nome da cidade da Côte de Azur (Cannes) onde foi realizado a produção fotográfica do catálogo. “Estamos a meter o termómetro para medir a temperatura deste mercado”, diz Alfredo Araújo recorrendo a uma metáfora para explicar a estratégia da Lemar de apostar na América Latina num esforço para diminuir a exposição aos mercados já maduros do Velho Continente. A Colômbia (“um mercado que está a correr muito bem”) foi a testa de ponte da estratégica latino-americana da Lemar, que depois de ter seguido para norte, desembarcando no México, rumou agora a sul, tentando estabelecer raízes na Argentina. “Esta parte do mundo está a crescer. É por isso que estamos apostados em desenvolver os mercados latino-americanos. E uma presença forte no hemisfério sul tem a vantagem suplementar de atenuar a sazonalidade no segmento para o nosso negócio”, afirma Alfredo Araújo, completando a fundamentação para esta nova incursão da Lemar.t


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ERT DUPLICA POSTOS DE TRABALHO EM APENAS TRÊS ANOS De 2015 até ao momento a ERT duplicou o número de postos de trabalho, afirma um porta voz do grupo fundado e liderado por João Brandão, que fechou o último exercício com um volume de negócio de 100 milhões de euros e que emprega cerca de 700 pessoas. “Quando o país estava em crise profunda, a ERT criava postos de trabalho, constituindo a luz ao fundo do túnel para muitas famílias de São da Madeira”, acrescenta o porta voz da empresa.

20%

é o crescimento médio anual das vendas da S. Roque registado ao longo da última dúzia de anos

JOANA VASCONCELOS LEVA TÊXTIL AO GUGGENHEIM Joana Vasconcelos leva arte com têxtil português à sua exposição no Guggenheim de Bilbau, com uma peça gigante que vai ocupar o espaço central do famoso museu e que resulta da colaboração da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal com a artista. A peça, intitulada Egeria e pertencente à série Valquírias, é feita com tecidos das mais variadas cores e texturas, todos fornecidos pela ITV nacional. “As empresas têm sido extraordinárias na colaboração pondo à nossa disposição todo o tipo de tecidos. Coisas maravilhosas com características técnicas, cores e texturas duma grande variedade, tudo de produção nacional”, disse a artista ao T Jornal. Com 30 metros de altura, 36 de largura e 45

de profundidade, a Egeria com tecidos made in Portugal, vai ocupar o enorme átrio do icónico museu desenhado por Frank Gehry. Toda construída com tecidos, é insuflada com ar e estende-se pelo espaço “numa contaminação positiva que ocupa o corpo central, atravessa toda a área e entra pelos cantos do espaço”, explicou a artista na apresentação da exposição. Intitulada “I’m Your Mirror”, em homenagem a Nico e aos Velvet Underground, é a primeira exposição individual de um artista português num museu espanhol. Inaugura a 29 de Junho e decorre até 11 de Novembro e deverá depois ser apresentada em Serralves, no início do próximo ano, estando previsto que seja também apresentada em Roterdão.t

ACL COM MARCA AMÁLIA NO BLOOMINGDALE’S NOVA IORQUE O corner da Amalia Home Collection no Bloomingdale’s Manhattan - a flagship store da cadeia, localizada na rua 59 - é a face mais visível da ofensiva que a ACL Impex está a desenvolver pacientemente para expandir a sua presença no sexy mercado norte-americano de têxteis lar. Liderada por António Coelho Lima (neto do fundador da Coelima), a ACL criou uma associada nos Estados Unidos, a Chelsea Trading Import & Co baseada no Meatpacking District, em Nova Iorque, que tem um armazém em Long Island. Este armazém, apetrechado com um stock avaliado em 400 mil euros, é uma ferramenta essencial para o desenvolvimento da loja online (shopus.amaliahomecollection.com) que a ACL abriu nos Estados Unidos, estabelecendo assim uma relação directa com o consumidor final.

Dirigida no terreno há mais de dois anos por Sara Lima (filha de António), a Chelsea Trading Import começou fornecer retalhistas locais em regime de private label, antes de reforçar a aposta, subindo na cadeia de valor, ao lançar nos Estados Unidos a marca Amalia. A ACL fornece uma linha exclusiva da marca Amalia (que era como se chamava uma das avós de António) para a Bloomingdale’s e tem uma presença bastante ativa no e.commerce. “Ser muito persistente e nunca desistir é o segredo para

triunfar num mercado tão competitivo como o norte-americano”, explica Sara Lima. Roupa de cama de algodão, linho, com estampados ou jacquard, de alta qualidade, dirigida ao segmento alto do mercado e com temas (mar, azulejos…) impregnados de portugalidade, a marca Amalia debutou nos Estados Unidos mas também vai ser usada na ofensiva da ACL no mercado chinês. A estratégia da empresa não passa pela construção de uma marca global, devido aos vultuosos investimentos que isso acarretaria. No mercado inglês, por exemplo, a ACL aposta noutra marca própria: The Embassy Collection. Combinar inovação e modernidade com tradição é o cartão de visita da ACL, que reivindica a experiência acumulada nos têxteis lar por quatro gerações da família Coelho Lima.t

PURE COTTON QUER FACTURAR 50% COM AS MARCAS PRÓPRIAS Passar de 20 para 50% do volume de negócios com as marcas próprias – lnimigo Clothing e French Kick – é a meta da Pure Cotton, empresa que fechou o ano com 9,5 milhões de facturação, 90% dos quais provenientes da exportação. “Percebemos que se o esforço que estávamos a dedicar na procura de novos clientes de private label fosse canalizado para o crescimento das marcas próprias, isso traria frutos a longo prazo”, dizem Hélder Brito, Rui Costa e Ricki Madsen, explicando a estratégia iniciada em 2012, quando adquiriram a um cliente a French Kick.

PARFOIS ESTREIA-SE NA CHINA COM POP-UP EM XANGAI É a primeira incursão Parfois na China, que vai ter uma loja aberta durante três meses em Xangai - um espaço que, para além de um conceito temporário, tem também uma experiência de compra diferente do habitual. Funciona na lógica de showroom – os clientes exploram a coleção da forma como quiserem, mas o pagamento das compras é feito online – e os consumidores podem digitalizar os QR Codes disponíveis nos artigos e fazer a compra de forma digital, utilizando o TMall, a plataforma da Alibaba para marcas internacionais.

AÇORES INSPIRAM NOVA COLECÇÃO DA MIKE DAVIS

A Mike Davis lança a nova temporada de novo sob a temática marítima, desta vez inspirada pela natureza dos Açores. A energia do seu mar e a arquitectura contemporânea local são a fonte de inspiração da marca onde as ondas, as baleias, os elementos florais e os pássaros que compõem a fauna e a flora açoriana estão patentes em estampados posicionados ou all over.


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“TEMOS DE ENTENDER

FOTO: RODRIGO CABRITA

O QUE O CLIENTE QUER”


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n ENTREVISTA Alexandra Araújo 37 anos, é resultado da confluência de duas famílias de industriais (“Prefiro que me chamem industrial a empresária. Os industriais sempre produzem alguma coisa”, graceja): os Abreus, da Vila das Aves, e os Araújo, de Pevidém, que se juntaram por via do casamento dos seus pais, Lina (Abreu) e Leandro (Araújo), de quem é filha única - ou talvez a mais velha, se encararmos a LMA, fundada em 1995, como a sua irmã mais nova. Xaninha (é assim que a tratam familiares e amigos) sempre foi uma Maria Rapaz e senhora do seu nariz. “Adoro ser mandona. Eu é que sei!”, confessa, meio a sério. Apaixonada pela têxtil, automóveis e cavalos, é casada e tem uma filha, a Nina, que tem 11 anos e quer ser designer têxtil.

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emos de convencer os clientes que não podem ter a qualidade portuguesa a preços asiáticos”, explica Alexandra Araújo, 37 anos, administradora da LMA, uma empresa cada vez mais verde, à medida que vai ficando mais madura. “Pensar no futuro reaproveitamento de uma peça passou a ser obrigatório sempre que estamos a construir um novo produto”, afirma. O ano está a correr bem?

Está a ser bastante trabalhoso, o que nos deixou a todos muito cansados. Ainda não chegamos a meio do ano e até parece que é Dezembro. Os primeiros meses têm sido muito intensos. Temos trabalhado aos sábados e mesmo ao fim-de-semana, é corrente trocarmos mails durante a noite. Ter muito trabalho é bom sinal. A que se deve todo esse frenesim?

O mercado global mudou muito e rapidamente. E nós temos que nos adaptar a essa evolução. As pessoas começam a tomar consciência de que sustentabilidade e reciclagem não são apenas palavras da moda - mas necessidades urgentes, pois se o nível atual de consumo se mantiver, os recursos naturais esgotam até 2050. E isso é novidade?

A novidade é que em visitas a clientes nórdicos, que têm marcas de referência, deparamos com uma nova exigência. Já não querem malhas com misturas de fibras, por exemplo de poliester com elastano, porque isso inviabiliza a reciclagem. Faz sentido?

Todo o sentido. É como meter no vidrão uma garrafa com a cápsula

de alumínio. Não é possível reciclar uma t-shirt com três fibras. O que significa que quando estamos a fazer uma malha temos de pensar como é que ela poderá ser reciclada. É uma tendência que veio para ficar?

Não tenho dúvidas. Noutro dia, quando um comercial nosso se preparava para mostrar toda a nossa coleção a um cliente sueco muito importante, ele interrompeu-o e pediu-lhe que mostrasse apenas materiais unifibra, pois a sua marca já só vende peças que sejam 100% recicláveis. Estão todos a pedir o mesmo?

Ainda não. Há clientes que ainda são capaz de mandar para trás uma encomenda se a cor não estiver exatamente no tom pretendido. Mas há outros que já não o fazem porque sabem o custo para o planeta, em milhares de litros de água e gasóleo, do reprocessamento das peças. A maioria já têm consciência ecológica?

É uma preocupação crescente. Um cliente do Norte da Europa, que confeccionava as nossas malhas no Leste, pediu-nos que lhe indicássemos uma confecção em Portugal. Comentamos que ele assim poupava o dinheiro nos transportes. Ele respondeu logo que a questão não era a o dinheiro mas a pegada ecológica. A LMA está preparada para responder às novas preocupações ambientais dos consumidores?

Já há muito que a sustentabilidade faz parte da nossa prática diária. Temos as certificações GOTS, Bluesign, Reach e Oeko-Tex 100. E para alguns clientes só trabalhamos com parceiros fornecedores de fio e ultimação que cumpram as regras Reach e Oekotex. Quanto mais madura está, mais verde a LMA fica...

A economia circular é um imperativo! Pensar no reaproveitamento de uma peça passou a ser obrigató-

"A nossa ITV trabalha bem e rápido. E sabe comunicar com os clientes"

“Sabia que ia acabar por vir para aqui. Era inevitável. Não podemos fugir ao nosso destino”, declara Alexandra, que desde miúda partilhou as alegrias e vicissitudes da aventura empresarial da LMA, empresa que leva na razão social as iniciais do nome do seu pai (Leandro Manuel Araújo) e teve como hora zero o Natal de 1994 - tinha ela 13 anos. “Arrancamos na cave da fábrica do meu avô. Lá em baixo tricotavam-se malhas para desporto. Em cima fazia-se fibrocimento”, conta, recordando esses tempos heróicos, em que eram uma meia dúzia (agora são 50, nem mais um nem menos um, numerus clausus decretados pelo fundador). Leandro era o comercial e diretor de produção. Lina era a diretora financeira, escriturária e secção de pessoal. E ela, com 15 anos, já se encarregava do arquivo. Estava a meio do curso de Gestão, na Portucalense, quando se pegou com o professor de Micro-Economia (“era comunista”, explica) e resolveu trocar os livros pelas malhas.

rio sempre que construimos um novo produto.Mas a nossa preocupação com a sustentabilidade não se esgota na produção - também já chegou ao social. O que está a mudar mais?

Já não há só uma coleção. Para surpreender os clientes, temos de estar sempre a oferecer-lhes novidades, cada vez mais produtos e mais cores, em menores quantidades. O ano passado, criamos

mil referências novas. Temos de entender o que o cliente quer. Como é que se faz isso?

Sendo proativos. Acabo de dar uma volta por lojas nas duas costas dos Estados Unidos e venho com a cabeça lavada. A Califórnia marca a tendência para o resto do mundo. Estão 20 passos à frente do resto.

Os asiáticos já são só competitivos nas grandes quantidades?

Há fornecedores asiáticos muito capazes, que trabalham muito bem. Mas nós somos alfaiates. Somos imbatíveis em tailoring technology num conceito novo que estamos a desenvolver. O único problema a resolver é convencer todos os clientes que não podem ter a qualidade portuguesa a preços asiáticos...

O que aprendeu?

Muitas coisas. Uma é a tendência 100% ecológica. Não se vê uma cor flúor, que acarreta gastos suplementares de química e água. É tudo o mais natural possível. Outra coisa foi a confirmação do que o meu pai disse a vida inteira. Metade das coleções das grandes marcas são made in USA. Os EUA têm muitas confecções.

Está a ser difícil?

Como se pode ser bem sucedido neste mundo tão competitivo?

Há cada vez mais clientes e perceberem que o que gastam a mais cá, comprando a um preço ligeiramente superior, é compensado pelo que ganham em qualidade e confiança.

Nós estamos muito focados nas malhas técnicas para desporto e no vestuário de proteção. Nesses segmentos fazemos tudo quanto o cliente quiser. E somos muito flexíveis. A LMA foi pioneira a juntar no mesmo edifício a trabalhar as quatro tecnologias: ketans, tecidos, circular e raschel. A flexibilidade é um trunfo...

A nossa indústria aprendeu a trabalhar rápido e bem. E também a saber comunicar com os clientes. Noutro dia, a propósito do caso em que um fornecedor chinês lhe pôs um bolso com botão em vez do fecho eclair que ele tinha pedido, um cliente nosso desabafava que o ideal era ter a qualidade de Portugal a preços asiáticos. As grandes marcas, como a Adidas, estão a voltar da Ásia?

Estão. Mas de vez em quanto têm recaídas. O ano passado, uma grande marca mudou de CFO e o novo financeiro decidiu poupar dinheiro levando para a Ásia alguns projectos que estava a fazer aqui. Não demorou seis meses a voltar. Concluíram que afinal, pela qualidade e serviço, valia a pena pagarem os nossos preços.

Vamos conseguindo. Há bem pouco tempo, um cliente confessou-nos que a nossa qualidade era tão boa que ia tentar poupar no resto o que estava a pagar-nos a mais, levando, por exemplo, a confecção para onde ela é mais barata. Começam todos a perceber que compensa?

A vossa aposta inicial nas malhas para desporto foi um tiro certeiro...

Em 1995, quando criou a LMA, o meu pai detetou um nicho por preencher - um segmento de negócio com menos oferta e concorrência - e teve a visão de antecipar a tendência que viria a ficar conhecida por athleisure. Após um período inicial em que viveram do mercado interno, passaram a fornecer a Nike, Adidas, Champions... Estavam no céu!

Foi um período muito bom. Fizemos todas as malhas para futebol da Nike. 22 das 32 selecções que estiveram no Mundial da Coreia/ Japão vestiam malhas made in LMA. A Nike era muito exigente com certificações de qualidade. Ajudou-nos a crescer e ensinou-nos a trabalhar. Mas em 2005 abandonaram-nos e foram para a China. Perderam metade das vendas. Temeram


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O segredo da LMA é a equipa A equipa da LMA (da esquerda para a direita): Jorge Fontes (gestor comercial), Filipa Silva Pereira (gestora comercial), Cláudio Ferreira (Departamento de Qualidade), Sara Sampaio (gestora comercial), Alexandra Araújo (administradora), Leandro Araújo (presidente e fundador da LMA), Fátima Moreira (gestora comercial), Manuel Barros (diretor executivo), Manuela Soares (gestora comercial) e Luís Dias (gestor comercial).

não aguentar o golpe?

Foi uma pancada muito grande. A empresa estava a crescer e de repente ficou sem os clientes que eram os maiores do mundo no nosso segmento. Conseguimos encaixar o golpe porque tínhamos reservas, poupadas dos bons tempos, e uma estratégia certa para sair do buraco.

"A economia circular é um imperativo" ensinar, a evoluir, a andar para a frente, construindo o futuro.

Qual foi a estratégia?

Diversificar. E fugir de tudo o que o mercado já oferecia. Oferecer todo o tipo possível de tricotagem. Apostar nos tecidos técnicos. Ampliar o mais possível a carteira de clientes, para reduzir riscos. E começar a trabalhar para novos segmentos, como as costas dos abrasivos para a industria automóvel ou o vestuário de protecção.

São estradas com dois sentidos, em que toda gente ganha?

Vestuário de segurança e proteção que se tornou uma área importante...

O futuro apresenta-se mais risonho para vocês que para as confecções...

Mas onde foi muito duro entrar. Não imagina o que nos custou convencer a polícia portuguesa de que uma t-shirt com fibras sintéticas era muito mais confortável, tecnológica e durável do que uma em algodão.

Não estou de acordo. Ainda hoje um cliente alemão ligou-nos a pedir que lhe arranjássemos uma confecção em Portugal. A confecção no nosso país é um segmento em que a procura é claramente superior à oferta.

Mas fizeram o vosso caminho e agora estão no projeto AuxDefense...

Mas sofrem com a escassez de costureiras...

É um projecto fantástico, em que somos parceiros da UMinho, TechMinho, Fibrenamics, Força Aérea, Exército, Fibrauto, IDT Consulting, Latino Group e Sciencentris. Estamos a finalizar o desenvolvimento de coletes antibala, capacete e joelheiras mais leves, ergonómicos, aerodinâmicos e com novas funcionalidades. Por que é que apostam tanto nas parcerias?

Porque elas são essenciais para quem, como nós, pretende estar sempre a inovar e a criar coisas novas. Não só parcerias com os centros de saber, como universidades e centros tecnológico, mas também com outras empresas. Estamos sempre a aprender, a

Temos parcerias com dezenas de fiações, nacionais e estrangeiras. Mas também com confecções. As fiações precisam de mostrar em malhas as potencialidades dos seus fios. E nós precisamos de mostrar peças confeccionadas para demonstrar o que é possível fazer com as nossas malhas.

Não são os únicos. Nós também sentimos a falta de pessoal qualificado. Tentamos ultrapassar esse problema recorrendo à formação interna, mas estão sempre a vir cá roubar-nos colaboradores... Como se resolve isso?

Seguindo o conselho do Richard Branson: “Prepara os teus colaboradores para irem para a concorrência, mas depois trata-os bem para eles não irem”. Na LMA não há ninguém a ganhar o salário mínimo e estamos sempre a melhorar as condições de trabalho. Qualquer dia vamos ter cá um bilhar e um ginásio. A falta de mão de obra qualificada é o principal constran-

gimento à vossa competitividade?

O custo da energia é pior, com as implicações que tem a nível dos transportes. Bem como os impostos. Há cada vez mais empresas a deslocarem a sede para Espanha para beneficiarem de um tratamento fiscal mais favorável.

As perguntas de

A inovação é mesmo indispensável para o sucesso?

Deixe-me dar-lhe um exemplo. Preocupado com um estudo que demonstrava a redução de 50% na fertilidade de que em usa o telemóvel no bolso das calças, um cliente sueco pediu-nos um tecido que inibisse as radiações magnéticas. Nós desenvolvemos um tecido com esse efeito, comprovado por um laboratório francês. Que outras parcerias tem em curso?

Muitas. Com o CITEVE e a P&R estamos a fazer um fato desportivo em que se pode monitorizar online os ângulos que os membros fazem em esforço. E no vestuário de protecção estamos a desenvolver, desde o fio à confeção, um tecido que é flexível na execução de movimentos lentos mas duro com o impacto - ou seja numa queda. A inovação é fundamental?

O fundamental é estar sempre a olhar para a frente e a aprender com toda a gente - clientes, fornecedores, centros de saber, outras empresas e consumidor final. E neste mundo em permanente mudança também é fundamental sermos capazes de nos adaptar rapidamente às novas circunstâncias. São esses os segredos do sucesso da LMA?

Sãos dois dos segredos. O grande segredo é a nossa equipa. O departamento de investigação e desenvolvimento somos todos nós, os 50 colaboradores da LMA, uma equipa esforçada, dedicada e competente. Duvido que consiga encontrar outra equipa como a nossa...t

Leandro Araújo Pai e fundador da LMA Se pudesses voltar atrás, escolherias a mesma profissão?

Sim! Sem dúvida. Amo o que faço! Cheguei aqui ontem. Tenho de estar muito feliz e agradecida pelo grande presente que recebo em mãos... Uma empresa como a tua LMA. Trabalhar com esta equipa e ter um novo desafio todas as manhãs é muito motivante. Se me pudesses fazer uma pergunta, o que perguntarias?

Até aos nove meses de gravidez fui rapaz... e aos nove anos já conduzia mota e carro. 37 anos depois a menina desiludiu-te? t

Lina Abreu Mãe e fundadora LMA Sempre foste uma criança curiosa e intuitiva. Continuas assim à frente da LMA?

Deve ser genético. A LMA nasceu da curiosidade e intuição. Cresceu porque soube antecipar-se às tendências e necessidades. Esta capacidade de antecipação é muito importante. Como diz Steve Jobs, “temos de transformar os produtos inovadores em necessidades de consumo”. Foi o que fez a intuição do pai e é isso que vou seguir. Tens receio do futuro?

Temos de assumir riscos para seguir em frente. O receio e a incerteza chegam a todos, mas a forma como lidamos com as situações é o que nos diferencia. Tento concentrar-me no que é positivo. Às vezes a dificuldade é uma oportunidade de aprendermos, melhorarmos e sermos criativos para contornar os assuntos que temos para resolver. A LMA é isso... é melhoria, aprendizagem e criatividade.t


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CASSIANO FERRAZ [CASSIANO FERRAZ] www.cassianoferraz.com

PHOTOGRAPHY FASHION / ADVERTISING


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MTEX REVOLUCIONA MÁQUINAS DE IMPRESSÃO DIGITAL TÊXTIL Raposo Antunes

Já anda aí um novo dragão. Neste caso é vermelho e é mesmo real. Tem um objectivo: conquistar o mercado da ITV através do revolucionário processo que utiliza na impressão digital de tecidos e malhas. Não é, portanto, um animal imaginário, mas sim uma máquina. Quem a fez foi a empresa portuguesa Mtex do grupo New Solution Engineering, sediado em Famalicão. A Dragon já foi apresentada no showroom da Mtex a um círculo restrito de clientes (20 empresas de 15 países) e de distribuidores que a empresa dispõe em todo o mundo para acompanhar a instalação desta máquina de impressão digital têxtil. Nessa sessão, de resto, houve já pré-reservas de venda da Dragon. A sessão oficial de lançamento deste novo dragão para a ITV faz-se a 15 de Maio, durante a FESPA, a maior feira mundial de máquinas de impressão digital e têxtil, que se realiza em Berlim. O T Jornal desvenda aqui o que viu precisamente nesse showroom da Mtex. A Dragon é uma máquina de sublimação com transfer para calandra que faz impressão digital de tecidos e malhas a uma velocidade superior a 500 metros por hora de impressão. Além da velocidade, também a qualidade de impressão é revolucionária. A Dragon foi concebida pela equipa de engenheiros portugueses da New Solution Engineering e é fabricada na Mtex. A New Solution Engineering sempre teve na Mtex a sua jóia da coroa, já

que este segmento têxtil representou mais de 50% em termos de facturação. Caracterizada pela verticalidade de todo o seu processo de produção, a New Solution Engineering fez também um investimento de oito milhões de euros. O ano de 2017 foi o do stop and go para a Mtex, já que foi um ano dedicado à criação deste novo dragão. Mas além da Dragon, a Mtex está também preparada para desenvolver outras máquinas de impressão digital têxtil, utilizando a mesma tecnologia, em função das necessidades de cada cliente. Com as suas máquinas de impressão digital para têxtil, a Mtex teve em 2016 um volume de negócios de 16 milhões de euros. As expectativas para 2018 é atingir os 22 milhões, o que representará mais de 50% da facturação da New Solution Engineering. O grupo tem actualmente 110 trabalhadores, entre os quais 22 engenheiros, a chamada equipa de protótipos e tecnologia. A Mtex está sobretudo centrada na exportação, dispondo de distribuidores nos cinco cantos do mundo, que acompanham todo o processo de instalação das máquinas de impressão digital têxtil. De resto, esses mesmos distribuidores existentes no estrangeiro fazem toda a formação nas instalações do grupo em Famalicão. t

GOVERNO VAI SUPORTAR JUROS E GARANTIAS NO ACESSO A FUNDOS O Governo quer reforçar a aposta estratégica de investimento na modernização e competitividade das empresas e vai até responsabilizar-se pelos juros e garantias bancárias como forma de incentivar e facilitar o acesso aos apoios comunitários. “A meta é criar condições para apoiar mais 5 mil milhões de euros de investimento daqui até ao fim do Portugal 2020”, disse ao T Jornal o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson Souza. Numa fase em que Portugal é o país com melhor taxa de execução do actual programa de fundos comunitários, com as exportações como motor do crescimento e a economia em alta, o Governo quer manter

a aposta no reforço da capacidade competitiva do tecido produtivo. “Ainda nos resta algum tempo para finalizarmos o actual Portugal 2020 e se quisermos continuar este ritmo temos que reprogramar, ou seja arranjar dinheiro para alocar a esta continuidade”, explica o governante, adiantando que a meta é o investimento de mais 5 mil milhões. “Isto é muito dinheiro e por isso o que estamos a propor a Bruxelas no âmbito da reprogramação é a criação de um novo instrumento de apoio que alavanque melhor a aplicação dos fundos que temos disponíveis”, disse o governante, explicando como funcionará: “No sistema actual apoiamos o investimento com

um subsídio reembolsável à partida, do qual metade pode não ser exigido e transformado em fundo perdido se for cumprido determinado tipo de objectivos. O que vamos fazer é transformar esta metade em fundo perdido logo à partida e articular com a banca o financiamento da outra metade sem qualquer custo para as empresas. Seremos nós a pagar os juros e a fornecer à banca as necessárias garantias”. Um sistema que na óptica do Governo congrega até uma dupla vantagem, uma vez que “não só permite às empresas alavancar maior investimento como tem também a virtude de trazer a banca de volta ao financiamento das empresas, do qual saiu por efeito da crise”. t

NEVES FALA AO TELEGRAPH DAS LIMITAÇÕES DO ONLINE O CEO e fundador da Farfetch, José Neves, acredita que o luxo tem limitações no meio online e apenas cerca de um terço ou um quarto de todas as vendas de luxo serão eventualmente feitas através do canal digital. Em entrevista ao Telegraph, Neves disse que cerca de 90% dos produtos de luxo ainda são vendidos em lojas físicas e, apesar dessa percentagem estar a mudar, os clientes de luxo vão manter a preferência pela experiência “cara a cara”.

"Os negócios fazem-se através de relações de confiança e credibilidade" Duarte Nuno Pinto CEO da P&R Têxteis

A TÊXTIL É QUEM PUXA PELA INDÚSTRIA

PORTO E MODTISSIMO COMBINAM NA PERFEIÇÃO

A ITV foi o setor da indústria transformadora que mais aumentou a sua faturação (6,6%), entre 2015 e 2016, de acordo com um estudo do Banco de Portugal. No mesmo período, o EBITDA na indústria têxtil e de vestuário cresceu 10% em 2016, contra 2% no total da indústria transformadora e 7% no global das empresas.

O Porto e a indústria têxtil da região Norte são o destino ideal para os designers ingleses. A conclusão é da .CentMagazine, uma publicação britânica que junta site, revista e canal de TV digitais, que ficou rendida com o que viu no Modtissimo e aconselha a viagem, sobretudo às marcas mais pequenas e aos jovens criadores.

LI & FUNG PORTUGAL FAZ COLEÇÃO CASA DA SONIA RYKIEL A Li & Fung Portugal vai lançar uma colecção de cama, banho e mesa da marca Sonia Rykiel, dando assim mais um passo na sua estratégia de trabalhar licenças, colocando a produção integralmente em fábricas do nosso país. Foi há três anos que a associada portuguesa da maior trading do mundo começou a comprar licenças de marcas internacionais para as desenvolver e produzir em Portugal e posteriormente vender nos mercados europeus e norte-americanos.

CITEVE GANHA DOIS PROJETOS DA AGÊNCIA EUROPEIA DE DEFESA A Agência Europeia de Defesa aprovou dois projetos na área militar que têm como pivot o CITEVE e nos quais participam diversas empresas e outras instituições de investigação na área têxtil.

100%

da linha têxtil da Berg Outdoor é fabricada em Portugal


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A FASHION FORWARD Por: Juliana Cavalcanti

Linho é o que vai estar a dar Pronto, as temperaturas subiram e finalmente sentimos que o verão está próximo. Acho que estão todos como eu, desesperados por sentir aquele ar quente na pele, o sol a brilhar e os ânimos a saltitar pelas ruas. Instantaneamente sentimos uma vontade louca de mudar todo o guarda-roupa e esquecer por uns meses as meias, as botas, as calças pesadas, as malhas e os casacos, que fizeram parte dos nossos dias por demasiado tempo. Em troca, queremos estar frescas com tecidos leves, queremos mais cor, mais fluidez, mais verão nos nossos looks. Ao menos é o que acontece comigo, basta um dia de sol e algum aumento de temperatura para eu só pensar nas novas influências da tão esperada estação. E claramente um dos tecidos que mais nos remete a frescura do calor é o linho. Para mim o linho é o símbolo de que o verão chegou. E nesta temporada especialmente ele está por todo lado! Desde camisas à saias, vestidos, calças, blazers, tops, macacões, calções.. tanto para mulher quanto para o homem. Quer algo com mais estilo que um homem com uma camisa de linho numa praia? O linho permite a pele respirar. Se for 100% em fibra natural ainda melhor! Não só é ótimo para o meio ambiente (infinitamente melhor) como para nós pois a respiração acontece de verdade – e assim a frescura para as altas temperaturas. O ar rústico natural do linho é uma tendência desta estação – acho que a moda está a buscar referencias que equilibrem o mundo caótico que estamos a viver. Por isso trouxe com força a estética da elegância simples, da sofisticação natural (que eu particularmente amo) – e o linho está no centro desta influência como o tecido protagonista. Por isso, pode guardar toda a lã e investir no linho. Coloque um bom vestido deste tecido num tom neutro com botões largos em madeira (outra grande tendência), uns slipers simples em estilo natural. Junte a sua mala cesto e um bom brinco statement colorido e pode celebrar: é verão! t

ZARA É A TERCEIRA MARCA MAIS VALIOSA Nike, H&M e Zara ocupam o pódio das marcas mais valiosas do mundo elaborado pela Brand Finance, um ranking em que a Europa está em maioria num top ten onde constam também a Adidas, Hermès, Louis Vuitton, Cartier, Gucci, Uniqlo e Rolex.

DEEPLY É A PREFERIDA DOS SURFISTAS EM PORTUGAL

Os fatos de surf da Deeply são os mais usados em Portugal, informa a marca que se apoia num estudo de mercado independente que analisou o perfil dos surfistas no nosso país em 2017. A consulta foi efectuada pela 2ii Informática & Informação, e foram inquiridos mais de 2500 praticantes que frequentam as praias de todo o país, incluindo os míticos spots surfistas da Ericeira, Peniche e Caparica.

ARMAZÉNS HARVEY NICHOLS NA FARFETCH Os históricos armazéns britânicos Harvey Nichols associaram-se à Farfetch, sendo a primeira cadeia de armazéns de moda de luxo a entrar na plataforma fundada por José Neves. O acordo tem efeitos práticos a partir de meados deste ano, quando os produtos da Harvey Nichols passarem a estar ao alcance dos consumidores de todo o planeta.


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COSTA OFERECE MEIAS WESTMISTER A JUSTIN TRUDEAU

DE PORTA ABERTA Por: Carolina Guimarães

Piupiuchick

Rua de Diu, 222 Porto

Ano de criação da marca 2011 Ano de abertura da loja 2014 Produtos Vestuário para crianças dos zero aos 14 anos, decoração e acessórios Estilo Roupas tendência, coloridas e jovens Sócias Mariana e Inês Pimentel e Marta Machado Moreira Na sua visita oficial ao Canadá, António Costa ofereceu ao seu homólogo canadiano um conjunto de meias da marca portuguesa WestMister, como um exemplo da qualidade da produção nacional. Justin Trudeau é conhecido por cruzar fato e gravata com meias coloridas e exuberantes...

JMA VAI COMPRAR MAIS TEARES JACQUARD STAUBLI A JMA vai comprar mais teares jacquard da Staubli no âmbito do esforço de modernização que já levou esta empresa do grupo Moretextile a investir, no ano passado, três milhões de euros, não só em equipamentos mas também na renovação do sistema de iluminação com a implementação da tecnologia LED. “Estes investimentos tornam a JMA mais versátil e eficiente, permitindo-lhe encurtar o tempo de resposta aos clientes, ao mesmo tempo que reduz os custos energéticos”, explica Artur Soutinho, CEO da Moretextile.

Alerta: miúdos cool! Personalidade. Talvez seja esta a palavra que melhor descreve as roupas da Piupiuchick – uma marca de roupa infantil totalmente made in Portugal, criada por três portuenses. Não quer dizer que, como em todas as marcas de criança, expressões como “fofinho” e “querido” não se apliquem, mas neste espaço da Foz, os tradicionais rosa claro e azul bebé têm menos impacto do que nas típicas lojas dedicadas aos mais novos. Aberta há quase quatro anos, o sítio onde agora moram as roupas para crianças dos 0 aos 14 anos, assim como alguns artigos de decoração e acessórios, foi outrora uma antiga drogaria, que alguns ainda recordam com saudade quando reparam que a porta que durante tantos anos esteve fechada, está novamente aberta. “Passam aqui algumas pessoas que perguntam se podem entrar e dizem logo que têm muitas saudades deste sítio, que se lembram de cá vir com os seus pais, comprar sabonetes e outros artigos”, conta Mariana Pimentel, engenheira, uma das três fundadoras da Piupiuchick (as outras duas são Inês Pimentel, arquiteta e sua irmã, e Marta Machado Moreira, designer de interiores e sua amiga). Como qualquer empresa pequena, o trio de mulheres que dirige a marca é quase pau para toda a obra, e divide as tarefas entre si da maneira que pode – e nisto inclui-se o design e a conceção de todas as roupas e dos seus padrões, para além de todo o trabalho de background que implica ter uma marca própria. A presença em feiras internacionais é um dos focos da Piu-

piuchick, que quer crescer internacionalmente – um esforço que tem compensado, pois já está em mais de 100 espaços em todo o mundo. Mas afinal para quem são as roupas que se vendem neste espaço? “Somos uma marca de nicho. As pessoas que nos procuram gostam de coisas mais fashion, mais de acordo com as tendências. E nós estamos muito atentas a isso, arriscamos muito na cor e tentamos fazer coisas diferentes”, explica Mariana. No fundo, fazer para crianças roupa à luz daquilo que vestem (e gostam) os adultos. Para além do vestuário, podem ainda encontrar-se aqui vários artigos de decoração (como almofadas, colchas e mantas, desenvolvidas com os mesmos materiais da coleção que está exposta à época), acessórios (óculos de sol, mochilas, toucas, meias, lenços e sacos de maternidade) e até brinquedos ou candeeiros. Tudo objetos que transpiram a coolness da Piupiuchick e que rimam com o espírito da marca, assim como com a leveza e a luminosidade desta loja no coração da Foz. É caso para dizer, literalmente, que a Piupiuchick é para o menino e para a menina – dos pés à cabeça, passando até pelo quarto dos mais pequenos. O que, por vezes, chega a ser uma pena – feitas em ponto grande, muitas das peças que adornam este espaço e que são pensadas para as crianças, seriam certamente escolhidas por muitos adultos. Até porque não há idade para se ser cool . t

20 milhões

de euros é quanto a Li Fung Portugal espera faturar em 2020 com as licenças de têxteis lar de marcas como Emily Bond, Orla Key, Sonia Rykiel e Hackett

SÓNIA PINTO DIZ ADEUS AO MODATEX Sónia Pinto cessou as funções que desempenhava há cerca de sete anos como diretora do Modatex-Centro de Formação Profissional da Indústria do Têxtil, Vestuário, Confecção e Lanifícios. “Foram anos fundadores de um novo projeto de reestruturação de três centros de formação, deslocalizados geograficamente mas sob uma premissa comum, o de liderar na qualificação para o setor da Indústria do têxtil e Vestuário”, escreve Sónia na carta de despedida.

STEPHANIE FAIR (FARFETCH) PRESIDE BRITISH FASHION COUNCIL Stephanie Phair, diretora estratégica da Farfetch, é a nova presidente do British Fashion Council, o principal organismo britânico de promoção de moda e organizador da London Fashion Week. Formada em Oxford, a consultora de moda tem no currículo 13 anos de experiência no sector.


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BORGSTENA INVESTE NO SMART AUTOMOTIVE TEXTILE A Borgstena Textile Portugal, BTP, empresa multinacional, sediada em Nelas, vai investir meio milhão de euros no projeto Satex (Smart Automotive Textile) com o qual pretende compilar a componente têxtil produzida pela empresa com as mais recentes tecnologias de sensorização e iluminação, associando-a à funcionalidade e a um design irreverente, procurando criar produtos diferenciadores, inovadores e de elevado valor no mercado.

Além de uma coleção completa de têxteis lar, a Isadora Paris oferecerá ainda uma gama completa de complementos

ISADORA PARIS ESTÁ DE VOLTA A XL, holding de Xavier Leite, está a investir cerca de 700 mil euros no relançamento da marca Isadora Paris, que além de uma colecção completa de têxteis-lar (roupa de cama, mesa e banho) oferecerá ainda uma gama completa de complementos, como sabonetes, perfumes e produtos cerâmicos. A Isadora Paris é uma marca criada e desenvolvida por uma estilista francesa, que chegou a ter uma rede de lojas próprias e que foi adquirida em 1995 por Xavier Leite, o CEO e accionista da Têxteis Penedo, onde o essencial das peças de têxteis-lar (com a excepção dos felpos) são fabricados.

Marca premium, destinada ao segmento mais alto do mercado, a Isadora Paris esteve na última ABUP Têxtil, em São Paulo, e tem já presença garantida na próxima Maison & Object. França, Brasil, Itália, Espanha e Estados Unidos são os mercados alvo da marca da XL-Comércio e Serviços, que espera no próximo ano fazer vendas na casa dos dois milhões de euros. “Para já vamos estar em lojas multimarca, mas não está fora dos nossos planos ter lojas próprias”, explica Pedro Silva, responsável pela marca Isadora Paris. t

JOAPS VAI CRESCER NAS MALHAS TÉCNICAS E SUSTENTÁVEIS Aumentar o peso das malhas técnicas e orgânicas no seu volume de negócios é a principal preocupação estratégica da JOAPS, que fechou 2017 com um volume de negócios de cinco milhões de euros, que representa um crescimento de 7,5% relativamente ao ano anterior. A utilização de novas fibras com funcionalidades (como, por exemplo, as de hidratar e vitaminar a pele) resulta do esforço interno de investigação e desenvolvimento, bem como da colaboração com o CITEVE

e Universidade do Minho da empresa fundada em 1996 por Joaquim Pinto. As malhas técnicas já valem 20% das vendas da JOAPS, que está a fazer surf em cima da onda da procura crescente de peças sustentáveis. “O conceito de economia circular está a impor-se”, afirma Sara Pinto, do Sales Department da JOAPS, acrescentando que as malhas com algodão orgânico são outro segmento em crescimento, pesando já cerca de 15% na faturação.

“Estamos a investir em novas fibras, mais sustentáveis, bem como numa nova linha de malhas orgânicas com mais moda”, diz Sara, o S da JOAPS - o JO é de Joaquim, o pai e fundador, e o A de Armanda, a mãe do P (Pedro) e do S. Especialista em malhas circulares e com sede em Joane, Famalicão, a JOAPS produz malhas em regime de private label para grandes marcas internacionais como a Chloe, Burberrys, Helmut Lang e Philip Lim, entre outras. t

SONIX VIRA RICON DO AVESSO O nome Ricon, lido ao contrário, lê-se Nocir. E é esse o novo nome da ex-Ricon, cujos ativos foram adquiridos pelo Grupo Sonix que, tal como fez com o nome, quer dar a volta à histórica empresa de Ribeirão. Para além da nova identidade, soma-se a nova assinatura “Tailoring Experts” (“especialistas em confeção”). “Este virar ao contrário do nome é também a nossa maneira de dizer que vamos dar a volta à empresa e transformá-la num caso de sucesso”, disse Samuel Costa, administrador do Grupo Sonix. A nova identidade da empresa já está a ser implementada tanto ao nível dos parceiros de negócio como institucionalmente (in-

cluindo nas instalações da fábrica, onde desde o início da semana já se pode ver o novo logótipo e designação). “Estamos a usar uma parte dos equipamentos [da Ricon], alguns não estavam em condições de ser utilizados e necessitam de reparações profundas, pelo que estamos a avaliar. Outros já foram retirados das instalações por estarem desactualizados. Para colmatar as necessidades actuais, recorremos a equipamentos de empresas do grupo, assim como a parceiros que habitualmente trabalham connosco. Neste momento, aguardamos a chegada de novos equipamentos”, referiu Samuel Costa. t

PORTUGAL FASHION: POP UP NO CENTRO DO PORTO

HAVAIANAS É A 9O MARCA MAIS INFLUENTE NO BRASIL

Até 28 de Maio vai ser mais fácil encontrar a moda de jovens criadores na Avenida dos Aliados. O Portugal Fashion abriu na multi-concept store Daily Day um Pop Up Corner Bloom, onde estão disponíveis as coleções womenswear de primavera/verão das criadoras Beatriz Bettencourt, Olimpia Davide e Sara Maia.

A Havaianas (em 9º lugar) é a única marca de moda no top ten das dez marcas mais influentes no Brasil, elaborada pelo IPSOS, um ranking em que a primeira metade da tabela é ocupada por empresas tecnológicas (respetivamente Google, Facebook, Samsung, Microsoft e YouTube). A Netflix (6º lugar), Nestlé, Mastercard e Danone são as outras marcas que compõem o ranking da IPSOS.

"Nunca pedimos empréstimos ao banco, seja para o que for. Trabalhamos sempre com fundos próprios. Não estamos a trabalhar para dar dinheiro a ganhar aos bancos" Cândido Correia CEO da Givec

FONTE E FARIA INVESTE PARA SE TORNAR UMA FÁBRICA DIGITAL Melhorar a produtividade, transformando a sua linha de produção numa fábrica digital foi o objetivo da Fonte e Faria com a aquisição de um sistema de informação em tempo real da Prodsmart. Com sede em Barcelos, a empresa emprega mais de 50 trabalhadores e dedica-se ao corte, confecção e embalamento têxtil, produzindo uma média de 3 mil peças por dia e está auditada para trabalhar com a Calvin Klein, Tommy Hilfiger e grupo Inditex, entre outras marcas.

COMÉRCIO ELETRÓNICO CRESCE 12,5% MAS AINDA ESTAMOS VERDES O comércio eletrónico em Portugal cresceu 12,5% no ano passado, atingindo os 4,7 mil milhões de euros, um aumento que todavia foi inferior à média europeia (13,6%) e está bastante abaixo dos registados nos países da Europa do Sul (18%). Apesar de dois em cada três portugueses fazerem compras online, de acordo com um estudo da E.Commerce Fundation, a Warx considera que o comércio eletrónico em Portugal “está longe de ter atingido o seu grau de maturidade”.


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MODATEX COVILHÃ TENTA ATRAIR TÉCNICOS DE TECELAGEM E FIAÇÃO A delegação do Modatex na Covilhã recebeu no final de abril cerca de 50 visitantes, que participaram nas duas sessões em que foi apresentada a oferta formativa nestas áreas. Após uma explicação das condições de ingresso no curso, duração e empregabilidade no grupo Paulo de Oliveira, os candidatos efetuaram uma breve visita às secções de Tecelagem e Fiação.

CUSTO DA MÃO DE OBRA CRESCEU O TRIPLO NA ZONA EURO

CARLA FOI À FÁBRICA QUE A VIU NASCER

Carla Costa (ao centro na foto), vencedora do programa “Cosido à Mão” da RTP1, visitou a Triamitex, a empresa de confecção onde começou a trabalhar. “Devido a tudo que me aconteceu de bom nos últimos tempos, e depois de ter vencido o programa, senti necessidade de voltar onde tudo começou, para ter sempre em mente de onde venho”, contou Carla, de quem o dono da empresa ainda se lembra bem. “Soube desde logo que ela não seria apenas costureira, tinha vontade de aprender e evoluir”, conta Adão Oliveira. t

JF ALMEIDA COMPRA 12 TEARES A compra de uma dúzia de teares de última geração é uma das rubricas do programa de investimento para este ano da JF Almeida, que tem em cima da mesa um novo projeto de produção de energia fotovoltaica para baixar o peso da fatura energética na sua faturação. “Os custos da energia são uma verdadeira loucura: pesam 10% nas nossas vendas”, afirma Joaquim Almeida, presidente e fundador deste grupo de têxteis lar que fechou

2017 com um volume de negócios de 42 milhões de euros. A JF Almeida está a estudar um investimento de 800 mil euros na instalação de painéis fotovoltaicos na sua fábrica de tecelagem, idêntico ao que fez há dois anos na fiação e que se está a revelar um sucesso. A primeira meta fixada pela JF Almeida era trazer para os 5% das vendas o peso dos custos de energia nas vendas, mas Joaquim Almeida já se declara satisfeito se o reduzir

para os 7%. Os 12 novos teares garantem mais 10% de produção que os antigos (e já amortizados) que vão substituir. “Não só dão menos despesa como ainda por cima aumentam a capacidade produtiva. Menos custos de mão de obra e menos custos de energia é uma combinação perfeita”, conclui o empresário da JF Almeida, que no biénio 16/17 investiu 14 milhões de euros na modernização do seu parque industrial. t

LECTRA DIGITALIZA A MODA Mesmo que o debate sobre a Indústria 4.0 esteja ainda para durar, a evolução e o mundo não param. Ávidos pelo digital e armados com tecnologias cada vez mais rápidas e sofisticadas, os consumidores não esperam e a moda tem que lhes seguir o ritmo. As empresas precisam da digitalização já, e a Lectra responde à letra. “Queremos demonstrar que estamos realmente comprometidos com a Indústria 4.0 e que temos o que é preciso para ajudar os nossos clientes. A nossa mais recente sala de corte 4.0 demonstra que já não estamos apenas a falar sobre o futuro da moda, estamos a vivê-lo exactamente neste momento”, diz Céline Choussy Bedouet, diretora de marketing e comunicação da Lectra. E se assim o diz, melhor o faz. A parceira tecnológica de empresas que utilizam tecidos e couros colocou a teoria em prática com Sala de Corte 4.0 perante mais de 100 profissionais da indústria e especialistas de mercado de 20 países, que reuniu no seu último evento anual de moda, desta vez sob o signo “Fashion Goes Digital”. Um encontro que teve lugar no Centro Internacional de Conferências e Tecnologia Avançada (International Advanced Technology Center – IATC) da Lectra em Bordéus-Cestas, França, para avaliar a aplicação em condições reais da digitalização na moda. Para a Lectra, a Sala de Corte 4.0 é a personificação

do compromisso de capacitar os seus clientes com as melhores soluções para prosperar nesta nova era digital. “Esta tecnologia avant-garde impulsiona os princípios da Indústria 4.0 para proporcionar uma maior agilidade, rendimento, rentabilidade e, especificamente, dimensionamento, de forma a responder perfeitamente a encomendas em pequenos lotes e a prazos de entrega mais curtos”, explica a empresa. E enquanto alguns convidados dissertavam sobre a forma como a aprendizagem automática pode ajudar as empresas de moda a prever a procura do cliente e a evitar o desperdício, ou sobre as novas oportunidades de negócio para a moda, Ajith Perera, diretor-geral da Mathliya Plant (Sri Lanka), não esteve com rodeios: “Estou muito satisfeito por ver que a Lectra está já a liderar esta mudança, disponibilizando-nos a tecnologia necessária para que possamos responder à procura do mercado”. O empresário tinha antes exposto as suas preocupações com os efeitos de revolução digital: “Os consumidores são agora mais específicos em relação às suas necessidades e isto vai provocar uma mudança na produção em massa, pois serão colocadas encomendas de menor volume a um ritmo mais rápido e os modelos de produção terão de ser mais ágeis no futuro imediato”, advertiu. t

Os custos horários de mão-de-obra aumentaram em Portugal 4,7%, bem acima da zona euro (1,5%) e do conjunto dos países da União Europeia (2,3%). Os dados são do Eurostat e relativos no último trimestre de 2017, face ao período homólogo, e mostram, assim, que o avanço dos custos em Portugal mais que triplicam a evolução na zona euro no quarto trimestre do último ano.

"A Polopique é uma empresa vertical e temos crescido muito ao nível de aumento de capacidade" Isabel Carneiro diretora geral da Polopique

ANA LEHMANN VAI A TÓQUIO APOIAR ARMADA PORTUGUESA A secretária de Estado da Indústria, Ana Lehmann, vai visitar os stands do 17 expositores portugueses que participam de 30 de maio a 1 de junho na Interior Lifestyle Tokyo. Trata-se da 10ª presença consecutiva nesta feira da comitiva From Portugal, organizada pela Selectiva Moda. Ana Lehmann fará a visita acompanhada por Mário Jorge Machado e Paulo Vaz, respetivamente vice-presidente e diretor geral da ATP

BERG OUTDOOR PATROCINA ULTRA SKYMARATHON MADEIRA A Berg Outdoor é a principal patrocinadora da Ultra SkyMarathon Madeira 2018, uma das cinco etapas das provas do circuito mundial de Skyrunning que se realizará a 1 e 2 de junho em Santana, concelho do norte da ilha. Armando Teixeira, um dos mais conceituados atletas de trail portugueses a nível nacional e internacional, e André Rodrigues, atual campeão nacional de ultra trail, dois atletas da Prozis Xtrail Team Equi-pped By Berg Outdoor, são dois dos maiores destaques nacionais que também vão marcar presença na prova.

10 milhões

de euros é o programa de investimentos da Riopele para o próximo quinquénio. Nos últimos cinco anos, a empresa de Pousada de Saramagos investiu 23 milhões de euros


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M EMERGENTE Filipa Moreira Criadora e fundadora da Phi Clothing Casada com José (sócio e marido), têm três filhos: Gonçalo, 12 anos, Duarte, 10, e Filipa, cinco Formação Licenciada em Economia pela Universidade de Coimbra (onde também fez o mestrado) e doutorada pela Universidade Rey Juan Carlos (Madrid) Casa Moradia em Coimbra Carro Mercedes GLC Portátil Asus Telemóvel iPhone X Hóbi Viajar Férias Faz sempre 15 dias em Marbella e uma grande viagem com a família toda. O ano passado andaram por Itália. Este ano, hesitam entre os Estados Unidos, Grécia e Marrocos Regra de ouro O que importa é ser feliz, nunca desistir e ir sempre atrás dos nossos sonhos

FOTO: RUI APOLINÁRIO

Professora Doutora otimista e sonhadora Filipa é uma otimista incorrigível porque percebeu duas coisas: que não valia a pena ser pessimista e que o segredo da felicidade não é fazer sempre o que se quer - mas querer sempre o que se faz. “Gosto tanto disto, tenho uma paixão tão grande pelo que faço, que não encaro isso como trabalho. Às vezes, quando estou a escolher um fecho, sinto-me tão entusiasmada como uma garotinha numa loja de brinquedos com um chupa chupa na mão”, confessa Filipa, nascida em Mortágua, 41 anos de vida, 17 de professora universitária de Economia, 13 de mãe e cinco de empresária - a idade exata de Filipinha, a sua filha mais nova, que é irmã gémea da Phi Clothing. Criar uma marca de roupa para mulher era uma ideia fixa, um sonho que perseguia desde que era miúda e saboreava, página a página, as revistas Máxima, Elle e Marie Claire que a mãe assinava. E pessoa para desistir é coisa que ela não é... Estava no 7o ano, acabadinha de entrar na adolescência (tinha 12 anos), quando anunciou solenemente à mãe que não gostava nada de Mortágua, uma terra demasiado pequena e fechada para as suas ambições, e que queria sair dali para fora o mais depressa possível. Estudadas todas as hipóteses, concluiu que o passaporte seria escolher, no final do 9o ano, uma área que não existisse em Mortágua - no caso foi a área C, de administração e contabilidade, que dava acesso a Economia. O plano de fuga resultou, e com 15 anos, em 1992, já a vemos em Coimbra, a viver num quarto alugado, a estudar na Avelar Botero (onde conheceu o José, que foi evoluindo de colega de turma para namorado, marido, pai dos seus filhos e sócio), e o futuro próximo desenhado régua e esquadro: mal acabasse o 12o iria para Lisboa fazer Design no IADE. Acabou por continuar em Coimbra a estudar Economia, porque a mãe a convenceu a fazer “um curso que lhe garantisse futuro” antes de se entregar a esses devaneios do Design, disciplina que em Portugal, em meados dos anos 90, ainda era injustamente subestimada. Pôs o seu sonho entre parênteses e fez, com uma bela média (sempre foi muito boa aluna), um curso que não adorou e de que tinha ficado prisioneira por causa do plano de evasão da Mortágua. No final, ganhou os seus primeiros dinheiros como professora de Economia no Pólo de Viseu da Católica (onde ainda se mantém), enquanto aproveitava o mestrado para se apetrechar com conhecimentos que lhe seriam úteis quando pudesse concretizar o sonho de se tornar criadora de moda. “Escolhi como tema a internacionalização do setor do vestuário porque era uma oportunidade para aplicar os modelos teóricos que estudara à área que mais interessava”, explica Filipa, que no âmbito do mestrado analisou os casos Inditex, Lanidor e Maconde, entre outros. O doutoramento foi o passo seguinte, obrigatório para quem ganha a vida como professora universitária e tem de cumprir a liturgia e ritos da carreira académica. Resultado: atravessou a primeira década do século numa louca correria, entre um doutoramento em Madrid, aulas em três sítios (Viseu, Aveiro e Coimbra), e o papel de mãe dos seus dois primeiros filhos. “Experimentei uma sensação fantástica de liberdade quando conclui o doutoramento. Finalmente ia ter tempo para mim e férias de verão”, recorda. Mas não demorou muito a voltar a andar a correr de um lado para o outro: Até porque em 2013 está novamente grávida, da Filipinha, que por um daqueles acasos em que a vida é fértil acabou por ser o gatilho que proporcionou a concretização do sonho de ter uma empresa de moda. Como se tratava de uma gravidez de risco, o médico obrigou-a a passar os três meses finais a repousar em casa. Ora, como ela não estava habituada a estar sem fazer nada, ocupou esse tempo a preparar o lançamento da Phi Clothing, uma marca de roupa que não é só para as filhas mas também para as mães (mini me ou mix and match). “Durante aqueles três meses afinei o conceito da marca, defini o modelo de negócio e desenhei as primeiras peças. A Filipinha e a Phi Clothing nasceram ao mesmo tempo”, conclui Filipa Moreira, uma mulher de pelo menos quatro instrumentos, (professora, criadora, empresária e mãe) - e uma otimista que nunca desiste de perseguir os seus sonhos.“ t


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X O MEU PRODUTO Por: António Gonçalves

Projeto PICASSo

Uma parceria entre a Tintex, o CITEVE, o CeNTI e empresas agro-alimentares

O que são? Tintas têxteis criadas a partir de extractos naturais Para que serve? Fornecer à ITV uma alternativa sustentável aos corantes químicos. Estado do Projeto? Desenvolvimento de protótipos finais. Demonstração agendada para meados de 2019.

O VERÃO É ÀS RISCAS E JÁ CHEGOU ÀS LOJAS ZIPPY As riscas, os tons frescos e a proximidade das férias são os tópicos dominantes da nova coleção de verão da Zippy que já desembarcou nas lojas desta marca de moda infantil da Sonae Sports & Fashion. Pensada para todos os momentos típicos desta estação - desde as brincadeiras ao ar livre, passeios em família ou momentos na praia ou piscina - a coleção Zippy apresenta-se como ”sofisticada e cool”, em que as riscas são a nota dominante e o macacão sem mangas 100% algodão, é um dos principais protagonistas.

55 %

das necessidades em energia elétrica da Twintex são satisfeitas com recurso a painéis foto-voltaicos

INOVAÇÃO MAIS TRADIÇÃO É A SIMBIOSE PERFEITA

Tintex vai à Natureza buscar novas cores O nome Picasso é sugestivo e promete pintar a indústria têxtil com uma nova paleta de cores. Desenvolvido pela Tintex, em parceria com o CITEVE, o CeNTI, e algumas empresas agro-alimentares, o projecto procura criar um novo método de produção de corantes têxteis, totalmente baseado em produtos naturais: cogumelos, ervas aromáticas e infusões. Trata-se de uma alternativa “verde” para os corantes químicos. Com um mercado cada vez mais sensível à sustentabilidade dos produtos que consome, incluindo a roupa que veste, torna-se cada vez mais necessário encontrar novas alternativas. Para além das crescentes pressões dos consumidores, o Picasso visa também dar uma resposta às restrições que a legislação europeia tem colocado na utilização de produtos químicos. A ideia do projecto, que envolve um investimento total de 816 mil euros, co-financiado pelo Compete 2020, é o de produzir uma nova gama de corantes através da reutilização de compostos de origem natural. José Morgado, diretor do Departamento de Tecnologia e Engenharia do CITEVE, explica: “Os cogumelos têm a função de fixador, facilitam o processo de tingimento, e para a produção das cores utilizamos mais de 50 infusões e ervas-aromáticas, desde Erva-Príncipe a Menta ou Perpétua-Roxa, por exemplo.” O potencial ecológico do conceito reside na possibilidade de reutilizar desperdícios da indústria agro-alimentar: “Temos a capacidade de aproveitar os resíduos mais pequenos que sobram na produ-

ção e embalamento destes produtos e que não podem ser reaproveitados pelas próprias empresas.” Para este projecto, as ervas e infusões foram fornecidas pela Ervital e os cogumelos pela Bioinvitro. Em desenvolvimento desde 2016, o Projeto Picasso já garantiu a produção de dezenas de tonalidades diferentes, através da selecção e conjugação das várias matérias-primas. Segundo José Morgado, o maior desafio tem sido o de garantir a solidez do tingimento à luz: “Neste momento ao desenvolver os protótipos finais, já garantimos solidez das cores na lavagem, mas ainda não atingimos o ponto ideal no que toca à solidez à luz”. A grande mais-valia do projecto consiste em criar uma vasta paleta de cores sem utilizar corantes químicos, o que aumentará as potencialidades antioxidantes e antimicrobióticas das malhas tingidas, para além de melhorar os níveis de biodegrabilidade das peças. Antes do Picasso, a Tintex esteve também envolvida no Colorau, projecto antecessor que lançou as bases para a investigação actual. A sustentabilidade tem sido assumida pela empresa de Vila Nova de Cerveira como uma das suas imagens de marca, que viu já vários dos seus produtos premiados a nível internacional, incluindo um Hightex Award 2017 em Munique. “Somos uma empresa tecnologicamente avançada, comprometida com a diminuição da pegada ecológica e em ser uma referência a nível mundial, no respeito pelo meio ambiente” afirmou Mário Jorge Silva, CEO da Tintex, em entrevista para a edição 22-23 do Jornal T. t

Somar a inovação à tradição traduz-se na simbiose perfeita que permite à ITV ser competitiva. Foi desta forma que Ana Lehmann, secretária de Estado da Indústria, enquadrou a adopção pelas empresas portuguesas da Indústria 4.0, um projecto co-financiado pelo Governo em 4 mil milhões de euros e que foi apresentado há um ano.

"Nem sempre maior é melhor. Não é apenas a dimensão. É o que se faz com ela" Antonino Pinto CEO da Trimalhas

MERCADO CHINÊS DE ARTIGOS PARA DESPORTO É MUITO SUCULENTO Cerca de 500 marcas e 360 expositores estarão presentes na quarta edição da ISPO Xangai, que se realiza de 5 a 7 de julho no SNIEC (Shanghai New International Expo Centre). O mercado chinês de artigos para desporto é cada vez mais suculento, estimando-se que em 2020 valha 400 mil milhões de euros/ ano. Em particular destaque na ISPO Xangai estará o segmento de moda para criança, já que 90% dos pais chineses gastam em média 300 euros /ano com as atividades desportivas dos seus filhos.


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OPINIÃO VALE A PENA TRABALHAR NA TÊXTIL José Armindo Ferraz Membro da direção da ATP

THE NEXT BIG THING Paulo Vaz Diretor-Geral da ATP e Editor do T

A falta de mão-de-obra especializada é um dos principais problemas (senão mesmo o maior.. ) que afligem a nossa indústria e preocupam os seus empresários. Os investimentos são feitos, as unidades de produção montadas e abundam as encomendas - que a serem concretizadas conseguem manter ou até aumentar a capacidade produtiva das empresas. A única coisa em falta é capital humano que leve a bom porto as oportunidade que se apresentam. A questão parece ser de fácil resolução: se falta mão-de-obra especializada, é tratar de a especializar. No entanto, essa tarefa é tudo menos fácil. As empresas interessam-se em dar formação, mas encontrar quem esteja disposto a querer ser formado é raro. E quando se consegue levar a formação até ao fim, na maioria dos casos o formando raramente permanece no setor, preferindo trabalhar noutro ramo ou emigrar. A questão dos salários tem também peso nesta escolha: as expectativas dos trabalhadores são sempre de receber salários demasiado elevados, mesmo numa fase inicial. E, na esmagadora dos casos, a capacidade resposta das empresas não é compatível com essas expectativas. No entanto, não me parece que esta escassez de mão-de-obra se prenda inteiramente com a falta de interesse pelo sector. Não podemos esquecer que nos últimos anos muitos portugueses foram obrigados a procurar trabalho fora do país e ainda não regressaram – talvez nunca mais regressem. A própria conjuntura da sociedade portuguesa também sofreu alterações: vivemos um país enve-

Há 15 anos a ITV enfrentava a sua mais dramática crise, feita de um conjunto de sucessivos choques competitivos, que não só foram previstos como antecipadas todas as suas consequências, tendo mesmo, em determinado momento, existido programas especiais para que as empresas se preparassem para o novo paradigma. Na verdade, em pleno processo de globalização, a liberalização do comércio têxtil e vestuário internacional, a adesão da China à OMC, a adopção do euro e o alargamento a Leste da UE, trazendo novos e mais agressivos competidores, e a crise económica e financeira global, determinaram uma reestruturação forçada do sector, com maciça perda de empresas e empregos, uma reinvenção do negócio, agora centrado na velocidade, no serviço integral ao cliente e na diferenciação dos produtos pelo design e tecnologia, que possibilitou, aos que insistiram em sobreviver, um novo posicionamento e uma nova oportunidade para resistirem, recuperarem e expandirem mercados. Felizmente, foi esta a situação que vi-

lhecido, com uma taxa de natalidade que está entre as mais baixas da Europa e a estrutura familiar sofreu alterações profundas. Atualmente a realidade dominante são as famílias sem filhos ou com um só filho - e são raríssimas as que vão além dos dois. Face a esta situação, só nos resta tentar encontrar soluções alternativas, se queremos continuar a laborar e evitar o fecho de portas. Uma das soluções parece passar pela importação de mão-de-obra qualificada, algo que eu próprio já fiz mas que também apresenta as suas dificuldades. A burocracia à qual o empregador tem de se submeter para trazer um trabalhador para Portugal é tão avassaladora que pode desencorajar os empresários e demorar meses a ser resolvida. Uma revisão governamental que acelerasse o processo poderia ser muito benéfica neste caso. Outra opção passa pela deslocalização das unidades fabris para outros países, o que também se apresenta como uma opção difícil: a empresa ganha capacidade de resposta e não perde o cliente, mas perde a etiqueta Made in Portugal. E é com felicidade que podemos dizer que perder esse cunho é, atualmente, uma grande desvantagem. Perante este panorama, resta-me ter esperança que as novas gerações se sintam motivadas pelo crescimento incrível que o têxtil está a ter no nosso país e que vejam o trabalho no sector como algo com pernas para andar e no qual vale a pena investir. A etiqueta Made in Portugal é hoje, sem dúvida, um sinónimo de qualidade e algo de que as pessoas se podem orgulhar. É urgente passar a mensagem de que vale a pena trabalhar na têxtil.

vemos até agora, ao longo dos últimos oito anos, mas nada nos garante que esta tendência será eterna e que vamos evitar os erros do passado, ou seja, não perceber os sinais que nos chegam e que nos impõem mudanças imediatas e significativas na forma como estamos, nos organizamos e nos projetamos para o futuro. Estamos em tempo de refletir e refazer estratégias, tal como o deveríamos ter feito quando o sector recebeu o famoso estudo de impacto da liberalização do comércio têxtil internacional realizado no final da década de 90 pela Kurt Salmon. Poucos lhe prestaram atenção, todos sofreram e muitos foram vítimas dessa distração ou mesmo negação da realidade. O paradigma que se está a desenhar ainda não tem contornos definidos, mas tem tendências iniludíveis: a sustentabilidade e economia circular passam a tema mainstream para a generalidade das marcas, porque os consumidores lhe impõem essa atenção; o mesmo se diga da economia digital e da conectividade, algo que os millennials enten-

dem como natural mas muitas empresas do sector ainda nem sequer perceberam - não ter presença ativa na net é como nem sequer existir; e, finalmente, a volatilidade do mundo em que vivemos, sujeito a um processo acelerado de evolução, condicionado pela geopolítica, mas também pela falência de modelos de negócio e de marcas que julgávamos eternas e insubstituíveis, simplesmente porque os novos consumidores, com outros valores e aspirações, assim o vão determinar. Este admirável novo mundo, esta next big thing vai trazer tantas ameaças como oportunidades, pelo que resta saber onde nos queremos colocar: como o cordeiro sacrificado que a História do setor pode exemplificar com tantos casos ou o lobo agressivo que antecipa as vantagens para delas fazer negócios, ganhar quota de mercado e posição dominante. Contudo, ficar de um lado ou de outro, não será questão do acaso, mas, obviamente, o resultado de planear, projetar, investir, preparar e atuar, tal como fizeram os que sobreviveram às últimas crises. Não há outra forma, tal como nunca houve e nem nunca haverá.


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Ana Ribeiro Diretora executiva do Cluster Têxtil

Ricardo Costa Vereador da Câmara Municipal de Guimarães

O SEGREDO É A ALMA DO NEGÓCIO?

I9G PARA MOLDAR O FUTURO DA INOVAÇÃO

Será que o segredo é mesmo a alma do negócio? Claro que sim, a Coca-Cola é um exemplo disso, e só assim garante que mais ninguém consegue copiar e replicar a tão famosa fórmula que lhe dá um sabor único. Mas será que neste paradigma de mudança que o Sector Têxtil e do Vestuário (STV) atravessa, influenciado pelas grandes tendências mundiais que se cruzam com a tecnologia, globalização, sustentabilidade, incertezas políticas, digitalização, etc., o segredo é também a alma do negócio? Atualmente, o STV tem vindo a ser confrontado com um conjunto de novos desafios que passam por grandes alterações, nomeadamente ao nível dos modelos de negócio. Estou a falar, por exemplo, da Indústria 4.0 e da Economia Circular, duas grandes tendências que, para além dos muitos desafios tecnológicos, trazem também desafios de mudança na forma como nos organizamos e trabalhamos. Senão vejamos: como poderemos garantir a rastreabilidade dos produtos desde a sua concepção até ao fim de vida se não comunicarmos todos ao longo da cadeia de valor? Como poderemos digitalizar o sector se não comunicarmos entre todos de forma a que através de um clique seja possível desencadear todo o processo de produção, por exemplo, de uma t-shirt, desde a sua concepção até à entrega ao cliente? Estes sim, são, na minha opinião, grandes e difíceis desafios para os quais nos teremos de reinventar. Confesso, contudo, que no Cluster Têxtil: Tecnologia e Moda, e em particular no seio dos Grupo de Interesse Especial (SIG), as empresas - e muitas vezes estamos a falar de empresas concorrentes - analisam, discutem, partilham problemas e experiências de forma a construírem o futuro do sector alinhado com estes novos desafios. Felizmente estamos a viver experiências em que numa missão empresarial se junta o sector em volta de uma mesa a discutir oportunidades de negócio e de cooperação que permitam posicionar Portugal como fornecedor inequívoco de Hotéis de Luxo (caso experienciado na última Missão organizada pelo Cluster Têxtil à Viriato Hotel Concept). Temos assim um sector novamente em mudança, adaptando-se continuamente aos desafios tecnológicos com que é confrontado, mas desta vez também com foco nos novos modelos de negócio e nas novas formas de trabalhar, que passam com certeza por modelos colaborativos e de partilha de recursos. t

I9G é um projeto de inovação desenhado para as empresas do concelho de Guimarães. O município e a Universidade do Minho uniram-se para, em conjunto com o Governo, criar um novo conceito de projetos de inovação de cariz regional que visam a transferência de mais conhecimento crítico produzido na Universidade do Minho para as empresas sediadas em Guimarães. O projeto atuará em diversas dimensões críticas para o negócio das nossas organizações: Investigação, Desenvolvimento e Inovação, Potencial Humano, Capacidade Produtiva e na Propriedade Industrial. A quarta revolução industrial (I4.0) está a colocar grandes desafios às nossas empresas. Hoje, a contínua inovação nos produtos e processos é crítica para a sustentabilidade da nossa economia regional. É preciso alcançar novos níveis de conhecimento e de flexibilidade para dominar os requisitos de produções futuras, como ciclos de vida de produto cada vez mais curtos, menores tamanhos de lotes e produtos personalizados. Para que isto seja viável é necessário ter acesso a grandes quantidades de dados o mais relevantes possível, e para que isso seja uma realidade as empresas devem conectar sensores, máquinas, sistemas e processos de toda a organização. Num cenário ideal, todo o processo de produção será transparente e será possível monitorizá-lo e mantê-lo de forma eficiente e eficaz. Inteligência artificial, robots colaborativos e novos materiais são alguns elementos críticos que as nossas empresas têm de enfrentar. A digitalização industrial representa riscos, mas também grandes oportunidades de negócio. A produção aditiva é outra realidade a que as nossas empresas devem estar atentas, encarando-a como uma oportunidade de modernização dos seus processos de fabrico mais personalizados. A economia atual está a enfrentar desafios emergentes e complexos. A competição por talentos está a colocar as nossas empresas perante desafios que poderão colocar em causa a sua sustentabilidade. A taxa de desemprego ainda é elevada e a procura de novos colaboradores com competências muito específicas está a provocar apreensão nas empresas. Aqui, a resposta será a criação de um novo conceito de Academia com capacidade para formar centenas de trabalhadores por ano, com competências específicas, que garantam resposta à crescente procura deste tipo de talentos. O projeto terá também um espaço inovador para incubação de novas empresas de elevado valor acrescentado que beneficiem deste ecossistema criado com este projeto, o I9G. Com um pensamento de futuro, moldamos as empresas de amanhã. O Município de Guimarães e a Universidade do Minho estão a moldar o futuro da inovação em Portugal, não permitindo o aparecimento de uma nova crise no Vale do Ave, ajudando as empresas na sua estratégia de crescimento num ambiente de concorrência de elevada complexidade. Com este projeto, pretende-se aumentar a capacidade organizacional e de conhecimento das empresas, contribuindo para a concretização de um dos objetivos estratégicos do Município de Guimarães: a criação de emprego altamente qualificado, que permita a atração e fixação de novos talentos na região. t


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U ACABAMENTOS Por: Katty Xiomara

Poderá Sérgio Conceição ganhar um Globo de Ouro? Não só pode como até deve - e mais do que deve, merece! E a única coisa que falta mesmo é ser nomeado, pois vestimenta adequada para a ocasião já tem, graciosamente fornecida pela Katty, que além de talentosa é tão portista como o nosso diretor

Sérgio Conceição vestido para festejar Campeões… campeões… campeões… somos campeões! O Penta continua imbatível! O que parecia ser uma tarefa impossível para o Sérgio Conceição, revelou-se possível e por isso deixa em todos os portistas um sabor ainda mais especial. A posição de um treinador é de facto ambivalente, quando ganham são os melhores, quando perdem são os piores… é o processo de reconhecimento natural de quem aceita levar as rédeas de uma grande equipa. Conceição aceitou sem receios aparentes e não foi humilde no objetivo, chegou disposto a ensinar e felizmente todos aprenderam bem a lição. A cidade está em festa e o orgulho do nosso treinador desborda com uma natural finesse quem diria que um jogador tão intempestivo, seria agora, na sua maturidade, tão calmo e assertivo. O T Jornal já previa este final feliz e preparou uma linda vestimenta para o festejo. Riscas azuis e brancas são indispensáveis, mas agora numa versão gala de fato e gravata. Uma fulgurante capa azul e uma faixa de campeão embrulham o nosso treinador que é coroado com uma bonita tiara de fabrico artesanal. Roubamos a ideia ao universo dos super-heróis da Marvel. Uma tiara talhada em Vibranium de Wakanda com um reluzente centro azul. Penso que só quem conheça este complexo universo ficcional, irá perceber que esta é uma das seis infinity stones a chamada space stone (pelo menos na versão movie), ela encerra a capacidade de mover objetos no espaço e o poder da omnipresença. Esta tiara poderá dar ao Sérgio a capacidade de estar sempre por perto do FCP, mesmo que na realidade possa parecer fora do nosso alcance, a space stone poderá colocá-lo rapidamente aqui, ali e talvez um pouco mais além… Esta linda vestimenta que preparamos seria o outfit perfeito para receber o seu Globo de Ouro! Mas sem nomeação nem a infinity stone ajuda!! t


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O AS MINHAS CANTINAS Por: Manuel Serrão

Morfeu Marginal Avenida do Ouro 400 4150-553 Porto

DIVINA ESPLANADA Todos conhecemos a importância histórica e bíblica de Maria, Mãe de Jesus. Todos conhecemos ainda a importância de Paulo, o convertido da Estrada de Damasco que se transformou no tribuno maior do Novo Testamento. A uma e a outro foram erguidos santuários um pouco por todo o Mundo, em sentida homenagem a tudo o que significam e representam. Também no Porto, na beira-rio, assim que se passa por baixo da ponte da Arrábida ergue-se um Santuário de bem comer, com uma esplanada divina onde pontificam em curiosa harmonia... Paulo e Maria. Apesar de Maria estar em festa pegada e Paulo ainda na ressaca da fuga do Penta. É o Morfeu na Marginal que surgiu da intrépida vontade da empresária Ma-

ria Jorge que gere o espaço com mestria e sentido empreendedor, apoiando-se no saber e mão segura de um dos melhores e mais incógnitos chefes de cozinha portugueses – o Chefe Paulo. Dos pratos mais em conta, destaque para o Bacalhau à Brás, que é feito no momento com os ovos ainda húmidos a adoçar um bacalhau que não leva muito lume e que refoga com rodelas de cebola e alho picado. A salsa e as azeitonas enfeitam este prato simples mas tão entranhado no paladar e no receituário doméstico e restaurativo dos nortenhos. As Tripas à Moda do Porto justificam igualmente, para quem não o fez, peregrinação urgente a esta casa de bem comer. Feitas pela receita antiga, com o tempo de lume necessário ao esvair do feijão manteiga que se envolve nos

sucos da cenoura e do porco fresco e fumado, é a mão mágica do Chefe Paulo que no final serve de garante a um prato sápido e inesquecível. Depois vem o rosbife, na formulação portuguesa, mas imitando a tradição anglo-saxónica, deixando a carne suave e encruada dedicar o molho a tostas finas de pão, enquanto se acolita com batata palha e couve branca. O cabrito, servido ao domingo (não vá muito tarde porque acaba) é, também ele de ajoelhar. Tal é o cuidado no tamanho menor da matéria-prima e no controle maior do tempo e da intensidade da assadura. À sexta há sempre casa cheia com um Cozido à Portuguesa que mostra bem a predestinação do Chefe Paulo. Não falo só do domínio dos tempos de cozedura

das diferentes carnes, dos variados enchidos ou da couve, falo do arroz – excelso e magnifico arroz que sai das mãos do Chefe como as rosas saíram do regaço da Rainha Santa. O Polvo à Lagareiro recomenda-se igualmente sem nenhuma hesitação, bem assim como o bacalhau na brasa e no forno, que rescendem à nossa frente nas assadeiras de barro. Os vinhos, em diversidade suficiente, beneficiam de consultoria especializada e amiga, o que garante qualidade e boa harmonização com todas as propostas degustativas. Maria e Paulo fizeram já desta casa um santuário. E para todos os amantes da boa cozinha portuense, merecem a nossa santificação e romagem permanente.t


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c Por: Carolina Guimarães

MALMEQUER Raquel Valente é a responsável no nosso país da Mode… Information a empresa alemã que é representada em Portugal pela Masolo. Nascida em Lordelo do Ouro – “com o cheiro e o ruído do mar” - e criada na Boavista ingressou aos 19 anos no curso de Design de Moda do Citex. Nos tempos livres, gosta de relaxar no seu apartamento com jardim em Cedofeita, no centro do Porto. “Como é virado para as traseiras, o rebuliço da rua nem se sente”, afirma.

SOUVENIR

OS FATOS DE BANHO DE DIANA CHAVES

Gosta

Não gosta

Ilhas grutas trovoada vento mar nadar mergulhar remar barcos comboios dançar caminhar cozinhar astronomia constelações gatos areia rochas fósseis museus igrejas semear plantar imaginar refletir sonhar ler escrever descobrir explorar arte arquitectura pré-história ciência poucos amigos família árvores flores cheiro a relva acabada de cortar terra peixes conchas deambular luz cor sombra abrir uma torneira e ver a água fresca a correr fontes quedas de água riachos livros

Acidentes ambulâncias sirenes buzinas esperar falhar multidões discussões gritos poluição caça tourada televisões nos restaurantes vinho verde fruta aspirar arrumar roupa guarda-chuvas brincos ir ao cabeleireiro ganância mentira manipulação facebook twitter gps mosquitos cobras aranhas parques de estacionamento subterrâneos ginásios correr reality shows callcenters centros comerciais preencher formulários ruas sujas lixo nas praias e parques dívidas desperdício ver os meus vizinhos a serem despejados para dar lugar a alojamentos locais frivolidade especulação boatos etiquetas que arranham marcas brancas cópias trabalho precário abuso abandono.

A minha peça de roupa favorita é o fato de banho. Devido a tantos anos de alta competição de natação, habituei-me a passar mais horas de fato de banho do que com qualquer outra peça de roupa. Fez parte da minha vida durante muitos anos. Muitas horas de treino, muitas competições, muitos torneios, muitas viagens. Sempre me senti muito confortável a usar fato de banho. Como cresci a nadar, achei sempre natural. Actualmente, mesmo já tendo deixado a natação, continua a ser a minha peça de eleição. Tornou-se um hábito. Hoje, adoro fatos de banho, não de competição, mas os de praia. Tenho imensos!t


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T32 Maio 2018  

Nesta edição, Alexandra Araújo conta o segredo por detrás do sucesso da LMA. Conheça ainda Filipa Moreira, fundadora da Phi Clothing, e João...

T32 Maio 2018  

Nesta edição, Alexandra Araújo conta o segredo por detrás do sucesso da LMA. Conheça ainda Filipa Moreira, fundadora da Phi Clothing, e João...

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