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JOSÉ PINHEIRO Presidente da Mundotêxtil

FOTO: RUI APOLINÁRIO

“SOMOS UMA INDÚSTRIA DE PONTA. NÃO PODEMOS TER O PÉ NO TRAVÃO”

DIRETOR: MANUEL SERRÃO MENSAL | ASSINATURA ANUAL: 30 EUROS

P 20 A 22

DOIS CAFÉS E A CONTA

PERGUNTA DO MÊS

EMERGENTE

NUNO CUNHA E SILVA O EMPRESÁRIO TRANQUILO

FAZ SENTIDO CONTINUAR A COLAR AS COLEÇÕES ÀS ESTAÇÕES?

MARIANA É A MÃE DA INVENÇÃO PIUPIUCHICK

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EXPORTAÇÃO

FASHION FROM PORTUGAL

GIVEC ATRAVESSA A MANCHA P 12

FAZER SABER QUE NÓS SABEMOS FAZER

MALMEQUER

TÊXTEIS TÉCNICOS

LÚCIA FARIA NÂO GOSTA DE ANDAR DE AVIÃO

DAMEL E RIOPELE VÃO FARDAR A NOSSA TROPA

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Agora também pode comprar online! Na nossa loja vai encontrar uma vasta gama de produtos gráficos, com preços muito competitivos e total garantia de qualidade. Cartões, Postais, Monofolhas, Flyers, Cartazes, Desdobráveis, Catálogos, Revistas, Etiquetas, Autocolantes, Displays de Balcão, Porta Folhetos, Quadros em Tela Canvas, Impressão Digital de Grande Formato,...

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CORTE&COSTURA

EDITORIAL

Por: Júlio Magalhães

Por: Manuel Serrão

Sílvia Marques 44 anos Sócia das três irmãs na Ponto por Ponto, onde é responsável pelo departamento comercial. Engenheira electrotécnica (Politécnico de Tomar), começou a carreira profissional na área de automação e linha de montagem. Tem seis sobrinhos ("já tenho sobrinhos-netos"). Nos tempos livres diverte-se a andar de bicicleta e a passear as suas cadelinhas.

A GERAÇÃO DIGITAL Na excelente entrevista que faz a nossa capa desta edição, a alma mater da Mundotextil, José Pinheiro, afirmou (e o T destacou ) que era fundamental, nos dias que correm, substituir a geração analógica pela geração digital no comando das empresas, dizendo também noutro momento desta entrevista, que tem como objectivo que na empresa a liderança possa não ter mais de 40 anos de idade em média. No seu caso sabe-se que tem duas filhas (a Ana e a Helena) já super preparadas para a sucessão nos termos e no timing em que for decidida, mas é preciso que todas essas novas e potenciais gerações digitais nunca tenham o topete de dispensar a experiência e a cabeça das boas gerações analógicas. O juízo não é a idade que o dá sempre, mas a sua falta também não vem no cartão do cidadão. Nem todos envelhecem ou se reformam na mesma idade e a juventude mental de quem recentemente decidiu apostar num grupo têxtil em Moçambique (como José Pinheiro, em parceria com a Crispim Abreu e a Mundifios) diz-nos que só pode estar ainda muito longe desse dia. No dia em que alguma geração digital não perceber isso, não vai ser capaz de perceber mais nada. t Consigo e com a sua marca é sempre tudo direitinho, tudo ponto por ponto? Eh, eh, eh… :-) Comigo é sempre tudo direitinho ;-) ...com a marca tentamos ser o mais profissionais possível, não deixando escapar ponto algum. A roupa de criança foi uma opção de vida já depois de adulta, ou sempre sonhou trabalhar no sector desde pequenina? A minha formação académica nada tem a ver com têxteis. Em pequena era uma Maria Rapaz e nunca gostei de brincar com bonecas. Eu era mais bolas e saltar ao elástico. A roupa de criança nunca foi opção, aliás sempre tentei fugir dela, mas vim cá parar por destino... Claramente foi uma opção depois de adulta. Quem conta um conto, acrescenta um ponto, diz o povo. E a Ponto por Ponto o que acrescenta em Portugal e no resto do mundo ? Em Portugal e no resto de mundo tentamos impor a nossa marca cerimonial/casual chic, de bébé e criança. A Ponto por Ponto tem o desejo e expectativa de aumentar a carteira de clientes no mercado europeu. O objectivo é crescer e contribuir para a afirmação do têxtil português, como o melhor do mundo.

Já sabemos que o mercado nacional não tem segredos para si. A recente ida à Fimi de Madrid marca o começo da internacionalização da marca ? Sim, é verdade, o mercado português já não tem grandes segredos para nós. A ida à Fimi faz parte do trabalho de internacionalização que já começamos desde 2006. Participamos noutras feiras em Espanha e tencionamos tentar outros certames pelo resto da Europa. Ser mulher e trabalhar na ITV em Portugal é diferente para melhor, pior ou isso já é indiferente? Ser mulher ajuda neste ramo. Somos mais sensíveis e temos o lado maternal a nosso favor. Trabalhar em Portugal é trabalhar no país com maior e melhor têxtil do mundo. Foi homenageada na Gala dos 25 anos da Selectiva Moda. O que significou para si esse troféu ? Fui homenageada e senti-me, em nome da Ponto por Ponto, muito lisonjeada. O troféu significa que o trabalho árduo dá frutos. As vezes não é tão imediato como desejaríamos. O apoio de associações como a Selectiva também ajuda e muito. A Ponto por Ponto é uma empresa familiar que luta muito para se mostrar ao mundo como uma marca cerimonial de prestígio e elegância, com um estilo próprio e design inovador. As crianças merecem... t

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- MENSAL - Propriedade: ATP - Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal. NIF: 501070745 Editor: Paulo Vaz Diretor: Manuel Serrão Sede: Rua Fernando Mesquita, 2785, Ed. Citeve 4760-034 Vila Nova de Famalicão Telefone: 252 303 030 Assinatura anual: 30 euros Mail: tdetextil@atp.pt Assinaturas e Publicidade: Carolina Guimarães email: cg.tdetextil@atp.pt Registo provisório ERC: 126725 Tiragem: 4000 exemplares Impressor: Grafedisport Morada: Estrada Consiglieri Pedroso, 90 - Casal Santa Leopoldina - 2730-053 Barcarena Número Depósito Legal: 42924/17 PROMOTOR

CO-FINANCIADO


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n PERGUNTA DO MÊS Texto de Raposo Antunes

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“A sazonalidade não faz sentido absolutamente nenhum”

PAULO FARIA SAMPLING AND PRODUCTION DEVELOPMENT MANAGER DA PAULA BORGES

FAZ SENTIDO COLAR DESFILES ÀS ESTAÇÕES DO ANO?

“É clara uma tendência maior para uma espécie de estilo sem estação”

“Com as redes sociais, somos bombardeados com informações sobre as colecções”

ANTÓNIO CUNHA DIRETOR DE VENDAS DA ORFAMA

LUÍS BUCHINHO CRIADOR DE MODA

O calendário litúrgico da moda inventado na segunda metade do século XIX sobreviveu ao século XX mas está a ser alegremente destruído neste frenético século XXI. Minissaias, óculos de sol e flores exóticas no Inverno, calças e casacos pretos no Verão. Desfiles mistos. Coleções cápsula. O see now buy now a aplacar a fome de novidades - e já! - dos consumidores, aguçada pela vertigem das redes sociais .“Tudo muda a uma velocidade galopante e a moda está no topo da lista”, sintetiza Paulo Faria. A sazonalidade está moribunda. O que está agora na moda é o trans-sazonal

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paradigma que estabelece a relação entre a apresentação das colecções de moda e as estações do ano começa a suscitar as maiores dúvidas junto dos diferentes players da moda, sobretudo no universo dos criadores, das marcas e dos próprios fabricantes. Tradicionalmente, as coleções são apresentadas no ano anterior ao que se destinam, fossem elas de Outono/Inverno ou Primavera/


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“A moda tem a mudança na sua génese e a realidade global acelera essa dinâmica” DOLORES GOUVEIA ESPECIALISTA EM TENDÊNCIAS, DESIGN E MARKETING

Verão. Este conceito “de colecção de moda com lançamentos sazonais associado à Alta Costura e aos desfiles” é atribuído a Charles Frederick Worth (inglês que se fixou profissionalmente em Paris na segunda metade do séc. XIX), segundo Dolores Gouveia, especialista em tendências, design e marketing de Moda. Ora, segundo Dolores, “a moda tem na sua génese a mudança e a nossa realidade global e digital acelera esta dinâmica”. Daí que, “os agentes da moda têm vindo a

reflectir sobre o sistema de moda e seus princípios”. “Alguns deles começaram a alterar as suas práticas, apresentando sinais de que a tendência é para que a moda evolua para uma Nova Ordem”, diz. “Não é por acaso que marcas como a Burberry, Paul Smith ou Vetements optaram em 2016 por apresentar as colecções de homem e senhora num mesmo desfile, seguindo um único calendário e não por dois desfiles dedicados a cada um dos segmentos em semanas de moda com calendários diversos”,

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“Hoje as coleções são muito mais ecléticas e abrangentes”

ELSA BARRETO CRIADORA DE MODA

exemplifica. Razões dessa mudança? “O conceito/inspiração para ambas as colecções são o mesmo, verifica-se um esbater das diferenças de género na moda, economicamente esta abordagem beneficia as marcas (menor custo com as produções dos desfiles)”. De resto, a Burberry e Tom Ford, decidiram colocar as suas peças à venda imediatamente após a realização dos desfiles. “Afinal não faz sentido criar desejo nas pessoas e não ter o produto disponível..." Esse é também o entendimento de Luís Buchinho. Este criador considera que deve continuar a existir uma relação entre as colecções e as estações do ano, mas com um timing mais próximo. “Por exemplo, as colecções Primavera/ Verão devem ser apresentadas em Janeiro do próprio ano e entregues nas lojas a partir de Março. As de Outono/Inverno devem ser apresentadas em Julho e entregues para venda em Outubro”, defende. E aponta várias razões para este novo calendário, desde as mudanças climatéricas ao facto de o público (clientes) passar a ter “uma memória mais fresca” sobre aquilo que foi apresentado. “Hoje, com as redes sociais, somos constantemente bombardeados com informações sobre as colecções. De tal forma que essa informação se vai perdendo, tanto mais que os clientes esperam depois demasiado tempo para as poder adquirir”, considera. “Com um mundo cada vez mais global e a necessidade de nos movermos quase diariamente de um lado para o outro, a moda começa a ter outro tipo de exigências. Na realidade, hoje quando se pensa numa coleção, não nos guiamos tanto pela estação na qual será apresentada, mas mais pelas necessidades que essa coleção possa vir a colmatar”, adianta, por seu turno, a estilista Elsa Barreto. Indo ao encontro das questões levantadas pelo clima, esta criadora diz mesmo que “as coleções

“Temos a consciência que os mercados pedem drops de novidade entre as estações” GABRIELA MELO DIRETORA DE CRIAÇÃO E DESIGN DA SOMELOS TECIDOS

de hoje são muito mais ecléticas, muito mais abrangentes e não têm exigências próprias do frio, do calor ou das meias estações que, aliás, com as alterações climáticas a que temos assistido são cada vez menos acentuadas”. Ressalva, porém, “as peças que são obrigatórias em cada uma das estações, nomeadamente, no inverno, onde se destacam, por exemplo, os casacos mais quentes, mas já não se pensa tanto em coleções que casem rigorosamente com a estação na qual surgem”. Elsa Barreto considera assim que “o grande desafio atual é a combinação entre diferentes texturas e tecidos que possam ser usados ao longo de todo o ano e isso até torna mais interessante o ato de vestir”. Gabriela Folhadela de Melo, diretora de Criação e Design da Somelos Tecidos, considera a pergunta pertinente, “dado que hoje em dia a moda é muito exigente e os consumidores querem ter acesso a novidades constantes”. Na sua perspectiva, “as colecções com estações fazem todo o sentido para um planeamento laboral e financeiro de uma empresa, embora se tenha que ter cada vez mais cuidado com o critério de oferta”. E acrescenta: “Não podemos deixar de lado as exigências do mercado de verão e de inverno, a selecção das matérias primas, as cores, texturas e acabamentos”. Mas, sublinha, “temos consciência que os mercados pedem ‘drops de novidades’ entre estações, e é preciso estarmos atentos a essa procura e manter a curiosidade por parte dos nossos clientes até à tão esperada apresentação da colecção”. Paulo Faria, director de vendas da Paula Borges, reforça a ideia da mudança, tanto mais que “tudo muda a uma velocidade galopante e a moda está no topo da lista - não faz sentido absolutamente nenhum a sazonalidade e actuar em espaços temporais alargados como são as estações, para apresentar os nossos produtos”. É imperativo assim “estar alerta para poder responder quase de imediato às exigências do mercado”.

“Os designers e marcas em Nova Iorque, Londres, Milão e Paris, nos últimos anos mostraram nas coleções de inverno flores exóticas, mini saias e óculos de sol, enquanto nas colecções de verão apresentaram casacos, calças e muito preto, uma cor muito digna de inverno. Digamos que isto faz parte de uma tendência maior para uma espécie de estilo sem estação", descreve António Cunha, director de vendas da Orfama. O novo modelo, segundo Cunha, “passa por fornecer aos consumidores uma nova maneira de descobrir mais das marcas que conhecem e amam”. E lembra que “várias marcas já realizam dois shows anuais sem estação e see now buy now, disponibilizando as coleções imediatamente online e nas lojas”. Tal como Buchinho, também António Cunha realça o papel das redes sociais: “Ao trabalhar com os influenciadores das redes sociais, as marcas e a indústria também podem tirar proveito de oportunidades de marketing significativas. Os clientes encontram cada vez mais marcas que querem comprar através das redes sociais e do zumbido social de amigos ou influenciadores online”. Poderá isto significar o fim dos desfiles de moda sazonal? “Provavelmente não, mas a sua função irá com certeza evoluir. Em vez de vender roupas, a passarela vai ser uma exposição. O show vai incidir mais sobre a imagem da marca, e as pré-coleções vão servir para manter o impulso da compra. Essas peças precisam ser trans-sazonais". Dolores Gouveia não tem dúvidas. “De facto, colecções trans-sazonais fazem todo o sentido. Os produtos, as colecções, as marcas de moda são produzidos, divulgados e consumidos all over the world”. Como será então no futuro? “Neste mundo globalizado, convém ter um guarda-roupa versátil, independentemente da estação do ano. Acredito que a tendência é para evoluir para o lançamento de duas colecções anuais com carácter trans-sazonal”. t


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DOIS CAFÉS & A CONTA Taberninha O Chico Perelhal 4750-622 Barcelos

FOTO: RUI APOLINÁRIO

Entradas: Pataniscas de bacalhau, filetes de peixe espada, feijoada Prato: Vitela assada Sobremesa Pão de ló Bebidas: Cedro do Noval tinto, água e dois cafés

O EMPRESÁRIO TRANQUILO Não deixa de ser curioso que apesar de Nuno ser tão calmo como um domingo à tarde, o momento decisivo da sua carreira profissional tenha acontecido quando ele quase se enervou, durante uma conversa com François Gros - o único patrão que conheceu em toda a vida. À data desta conversa mais acalorada, ocorrida em Barcelos algures no ano da Expo de Lisboa, Nuno trabalhava há 11 anos na Tebe, onde debutara como estagiário, a ganhar o salário mínimo nacional, e fizera de tudo um pouco até

chegar ao topo. Era uma espécie de czar, responsável pelas áreas técnica e industrial, bem como pelo planeamento. Só não controlava as áreas comercial e financeira. Por isso não levou a bem quando François lhe comunicou que os consultores aconselhavam uma desconcentração de poderes e ele teria de escolher entre ser diretor técnico ou de produção - não poderia continuar a acumular esses dois pelouros. “Expliquei-lhe que gostava de subir, não de descer, e despedi-me logo ali”, re-

NUNO CUNHA SILVA

52 ANOS CEO DA NGS MALHAS Nasceu em Aveiro, cresceu em Braga, fez o curso entre o Porto e a Covilhã, trabalha em Barcelos. Os pais - um juiz e uma professora de inglês - são responsáveis pela primeira parte deste percurso nómada de Nuno, que enquanto jovem universitário andou às apalpadelas até achar finalmente o caminho que faria da têxtil a coluna vertebral da sua carreira profissional. Não foi fácil. Farto de Engenharia Química, após quatro anos no ISEP; debalde tentou entrar na Marinha e em Engenharia Alimentar. Acertou à terceira, quando se mudou para a Covilhã onde completou Engenharia Têxtil (UBI, 1987) e ganhou os seus primeiros dinheiros, dando cursos de tecelagem no âmbito do Fundo Social Europeu. Tem três filhos: Filipa, 26 anos, que tem um restaurante em Braga; Nuno, 24 anos, licenciado em Negócios Internacionais, trabalha na NGS; e Alexandre, 15 anos.

corda Nuno, que não tinha nada na manga - não fazia a minha ideia do que iria fazer a seguir. Aproveitou os três meses de lei que tinha de dar ao patrão, para ir construindo a alternativa, uma pequena empresa altamente especializada, que seria baptizada NGS e se dedicaria à criação e venda de malhas diferentes, comprando fora o fio bem como a tricotagem. Desprovido de capital para fazer o projeto descolar, Nuno entusiasmou Joaquim Cardoso, apresentando-lhe o plano de negócios numa folha A4 - e o empresário da Maconde logo tratou de assegurar junto da banca um plafond de 50 mil contos para a NGS poder sair do papel. Depois de, em 1998, ter dado o salto no escuro ao arriscar despedir-se da Tebe e tornar-se empresário, Nuno ousou dar, em 2013, o grande salto em frente, ao adquirir (em parceria com a Gabritex) a falida tinturaria Eical, no entretanto rebatizada Iris, de que era o maior cliente. “Foi o movimento certo e estratégico. Era fundamental controlarmos o processo de tinturaria e acabamentos, protegendo o nosso know how”, explica Nuno, que escolheu almoçarmos na Taberninha do Chico, que fica a umas centenas de metros da fábrica da Iris (ex-Eical), para onde a NGS se mudou há três meses. Com uma carteira de clientes onde constam a Max Mara, Burberry, Coach ou a Zadig & Voltaire, a NGS entra no seu 20o ano de vida com um volume de negócios de 10 milhões de euros (30% dos quais correspondem a exportação direta), 24 trabalhadores, uma posição de 45% na Iris (a Gabritex tem outros 45% , sendo que os restantes 10% são de Eduardo Martins, o CEO da tinturaria) e uma estratégia clara. “O nosso cartão de visita são as 1 900 diferentes malhas que temos em exposição. Somos capazes de dar uma resposta rápida aos pedidos dos nossos clientes. Em casos pontuais, a matéria prima pode entrar às oito da noite e está disponível para entrega às oito da manhã do dia seguinte. Vamos aumentar a percentagem de exportação direta, que nos garante maiores margens, e apostar no desporto, apresentando na próxima ISPO a nossa primeira colecção técnica”, resume Nuno, um empresário tranquilo, satisfeito pela auspiciosa estreia na feira de Munique - a única amostra que submeteu a concurso foi logo distinguida. t


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2. A DISTRIBUIÇÃO DO NÚMERO 2 DA REVISTA FASHION FROM PORTUGAL PROVOCOU ENTRE OS CONVIDADOS FRISSON, COMO SE PODE VER PELAS EXPRESSÕES DE NUNO BALTAZAR, MANUEL SERRÃO E LUÍS BUCHINHO

FOTOSINTESE

É PRECISO FAZER SABER QUE SE SABE FAZER Artigos no Le Monde, Expresso, Voz da Galicia e Monocle. Presença em feiras internacionais em dez cidades, de Munique a Las Vegas, passando por Madrid, Nova Iorque, Frankfurt e S. Paulo. Ações de lobby em Bruxelas. Estudos sobre os mercados nórdicos, espanhol, norte-americano e alemão. Edição de diretórios, revistas e livros. Uma intensa atividade nas redes sociais. Eis, em resumo, a 1ª edição do Fashion From Portugal, uma campanha que assenta no principio de que não basta fazer saber - também é preciso fazer saber que se sabe fazer

1. O MUSEU DA VISTA ALEGRE, EM ÍLHAVO, RECEBEU A CERIMÓNIA DE ENCERRAMENTO DA PRIMEIRA EDIÇÃO DO PROGRAMA FASHION FROM PORTUGAL

6. A FORMAÇÃO É O PROVÁVEL TEMA DA CONVERSA ENTRE ODETE COSTA E JOSÉ MANUEL CASTRO, PRESIDENTE DO MODATEX

7. JOÃO COSTA (ATP) E LUÍS ALMEIDA (UMINHO)

11. MIGUEL FONTOURA (ADMINISTRADOR DO AICEP) DETALHA A CARLOS GIL A IMPORTÂNCIA DAS EXPORTAÇÕES

12. O CHEF HÉLIO LOUREIRO COMENTA A REVISTA FASHION FROM PORTUGAL COM O JORNALISTA JOSÉ AUGUSTO MOREIRA


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4. … QUE CONTOU COM UMA AUDIÊNCIA ATENTA E QUALIFICADA …

5. … QUE OUVIU PAULO VAZ, DIRETOR GERAL DA ATP, PROCEDER A UM BALANÇO EXAUSTIVO DA CAMPANHA DE IMAGEM INTERNACIONAL DA ITV

3. “SOMOS TÃO BONS COMO OS MELHORES DO MUNDO”, GARANTIU PAULO MELO, PRESIDENTE DA ATP, NA ABERTURA DA SESSÃO…

10. OS DIRETORES GERAIS: BRAZ COSTA (CITEVE) E PAULO VAZ (ATP)

8. FERNANDA VALENTE, MARIA JOÃO PORTAL E FÁTIMA SOUSA, A DOCE FACE DA TÊXTIL NO FEMININO

9. FERNANDA BARBOSA (TAPEÇARIAS FERREIRA DE SÁ) E LUÍS ALMEIDA: UM ENCONTRO ENTRE A INDÚSTRIA A E UNIVERSIDADE 13. O DIÁLOGO ENTRE A INDÚSTRIA E OS CRIADORES: PAULO MELO À CONVERSA COM OS STORYTAILORS E ANABELA BALDAQUE

14. CARLA PONTES, DINO ALVES, NUNO BALTAZAR, OS STORYTAILORS (JOÃO BRANCO E LUÍS SANCHEZ), LUÍS BUCHINHO, ANABELA BALDAQUE, CARLOS GIL, KATTY XIOMARA E JÚLIO TORCATO POSAM PARA A POSTERIDADE COM O LIVRO DE ESTILO DA MODA


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VALÉRIUS GANHA PRÉMIO SCALE UP PORTUGAL A Valérius, dirigida por José Manuel Vilas Boas Ferreira (na foto),ganhou o prémio Scale Up Portugal na categoria Indústria 4.0, que recebeu na Gala do Jovem Empreendedor 2017, organizada pela Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) realizada no Palácio da Bolsa, Porto A avaliação dos candidatos a este prémio esteve a cargo da PwC, que considerou pequenas e médias empresas de elevado crescimento a operar em setores tradicionais e enquadrados no perfil da Indústria 4.0.

CDT INVESTE 300 MIL EM CASA NOVA A CDT investiu 300 mil euros nas suas novas instalações, construídas de raiz, em Oliveira S. Mateus, Vila Nova de Famalicão. Este investimento assenta numa estratégia de expansão desta marca de equipamentos desportivos criada em 2012 por Bruno Salgado. “Queremos ser uma referência em Portugal, diferenciando-nos pela qualidade e pelo arrojo. As novas tecnologias permitem-nos sair do padrão e ser arrojados e com isso tentamos cativar o cliente”, afirma o empresário. O Moreirense e o Tondela são dois clubes da I Liga que usam equipamentos assinados pela CDT, uma marca de Famalicão que veste outras equipas que disputam os nacionais de futebol e outras modalidades (andebol, futsal e hóquei em patins). O Grupo Desportivo de Natação e o Futebol Clube de Vermoim, ambos de Vila Nova de Famalicão, também são equipados pela CDT. De resto, são muitas as

coletividades de pequena dimensão que integram a carteira de clientes da empresa. A empresa desenha e desenvolve equipamentos ou linhas de vestuário exclusivos para cada clube, apostando na produção nacional e recorrendo a matérias-primas, também elas portuguesas. “A qualidade do produto e a ousadia do empreendedor são duas características muito importantes para o sucesso da CDT”, afirmou o presidente da Câmara de Famalicão, durante a inauguração das novas instalações. Paulo Cunha enalteceu a ambição da empresa de chegar mais longe e, numa analogia ao exemplo da CDT, reafirmou que “o nosso concelho tem a maturidade económica que hoje é reconhecida a nível nacional e internacional por causa desta massa, deste ADN, deste arrojo e desta permanente disponibilidade para ir a jogo, arriscar e criar novos produtos”. t

ESTUDO DA NIKE CONCLUI QUE COMPRESSÃO É EFEITO PLACEBO O vestuário de compressão não melhora o desempenho desportivo, de acordo com um estudo do departamento de fisioterapia da Ohio State University, financiado pela Nike e cujos resultados foram apresentados no American College of Sports Medicine. O estudo, que conclui que o vestuário de compressão não passa de um placebo para corredores que buscam melhorar o seu desempenho, baseia-se num teste feito a 17 atletas em intervalos de

30 minutos com calças de baixa e alta compressão, e shorts feitos pela Nike. Os resultados não mostraram diferença no desempenho ou nos tempos de corrida dos indivíduos testados com peças de compressão em comparação aos que usaram roupas de corrida convencionais. A premissa das roupas de compressão é que, ao comprimir os músculos, os atletas têm menos vibrações e, portanto, gastam

menos energia. A tecnologia de compressão foi promovida como algo que, não somente aumentaria a resistência, mas também reduziria o tempo de recuperação, através da melhoria na circulação. "Nós não vemos nenhuma evidência que o uso de vestuário de compressão resulte em melhorias no desempenho. Eu diria que não há nenhuma evidência que elas valham o tempo ou o dinheiro”, comentou Ajit Chaudhari, da Universidade de Ohio. t

"Uma empresa têxtil é uma aula diária de economia e gestão" Paulo Melo Presidente da ATP

BORDADOS DE CASTELO BRANCO VOLTAM A PREMIAR A Câmara Municipal de Castelo Branco vai promover a 2ª edição do concurso nacional “O Bordado de Castelo Branco na Moda”, uma iniciativa destinada a estudantes e/ou jovens licenciados em Design de Moda, que será articulada com o desfile Castelo Branco Moda’18.

PORTUGUESES SÃO QUEM ANDA COM MENOS DINHEIRO NO BOLSO Em toda a zona euro não há ninguém que ande com menos dinheiro no bolso do que nós. De acordo com o BCE, os portugueses transportam em média 29 euros na carteira, enquanto que a média na Eurolândia é de 65 euros. Os mais prevenidos são os alemães (103 euros) seguidos pelos luxemburgueses (102 euros) e austríacos (89 euros). Os franceses (32 euros) são os que estão mais próximos de nós. A maior acessibilidade do multibanco em Portugal em relação à média europeia é uma das explicações aduzidas para o fenómeno pelo BCE.

150 mil

peças de vestuário são produzidas todos os meses pela Têxtil Nortenha na sua fábrica em Famalicão, que são exportadas para clientes de 18 países e, no ano passado, lhe garantiram vendas de 8,3 milhões de euros


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WE MAKE EVERY TEXTILE ACCESSORY TOTALLY ESSENTIAL.

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MOMA EXPÕE PEÇAS QUE MUDARAM O MUNDO O modelo 501 da Levi’s é uma das peças que está em destaque na exposição Items: Is Fashion Modern? do MoMa, em Nova Iorque, ao lado de outras peças icónicas, como o smoking de Yves Saint Laurent, os Nike Air Force One ou a carteira Birkin, e onde são levantadas questões como por exemplo: Como é que as calças de ganga ajudaram a emancipação da mulher? ou Como o sportswear tem vindo a ganhar destaque, pois há cada vez mais gente a usar ténis em ocasiões especiais?

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"O Japão é um mercado que aprecia a História. Temos um cliente que está a fazer etiquetas especiais para os nossos tecidos com a indicação Since 1932” José António Ferreira diretor de exportação da Texser

ZIPPY, SALSA E TIFFOSI À VENDA NA AMAZON.ES Os produtos de cadeias portuguesas de vestuário, como a Zippy, Salsa e Tiffosi, passaram a integrar a oferta da amazon.es. Beneficiar de entregas gratuitas em encomendas de valor superior a 29 euros é a vantagem para os consumidores residentes no nosso país destas marcas terem passado a estar disponíveis na plataforma espanhola da companhia de Jeff Bezos.

ONE OF US JÁ APANHOU O COMBOIO

"Temos de acertar o passo pelo ritmo de um mundo em que a vida útil de uma peça de roupa é cada vez mais curta", explica Cândido Correia

GIVEC ATRAVESSA A MANCHA A França é a praça forte onde faz cerca de 70% dos 20 milhões de euros que fatura, mas a estratégia de crescimento da Givec passa pela abertura de novos mercados, em particular no Reino Unido, que é um dos seus alvos preferenciais. Toda a polémica em torno do Brexit não assusta a empresa de Barcelos, que se prepara para atravessar o canal da Mancha e invadir as lojas do Reino Unido com as suas t-shirts para mulheres ativas e urbanas, com mais de 35 anos, que gostam de peças com cores clássicas e valorizam mais o conforto e qualidade do que a moda - que, no entanto, marca presença em pequenos detalhes das peças. Além do Reino Unido, a Givec tem um olho no online, onde estuda as modalidades da sua entrada, e o outro em Itália e mercados escandinavos, onde se prepara para abrir testas de ponte. A Europa esgota o horizonte de expansão da Givec, que não tem em cima da

mesa planos para alargar a sua atividade a outros continentes, e não faz adaptações à sua colecção para satisfazer eventuais idiossincrasias nacionais. “O que está em causa não é o tipo de mercado mas sim o tipo de consumidoras”, explica Cândido Correia, 52 anos, CEO da Givec. Com o quartel general em Barcelos, emprega 55 pessoas, das quais quase metade (24) trabalham na área criativa, desenhando as duas coleções anuais, que todos os meses são refrescadas com a apresentação de 15 a 20 peças novas. "Temos de acertar o passo pelo ritmo de um mundo em que a vida útil de uma peça de roupa é cada vez mais curta", explica Cândido, que em meados dos anos 90 fundou a Givec, que exporta 100% das t-shirts para senhora que vende e são produzidas integralmente em Portugal. “Nunca fui à China comprar o que quer que seja. Nós, internamente, es-

colhemos as matérias primas, desenhamos, fazemos o corte e controlamos a qualidade em todo o processo. A produção é colocada em cerca de 50 empresas que estão num raio de 10 a 15 km aqui à nossa volta, em Barcelos”, explica Cândido Correia. A Givec só vende roupa que leva na etiqueta uma das três marcas próprias, todas elas criadas no período de arranque da empresa, algures entre 1995 e 1997: Kallison, Bagoraz (tamanhos grandes) e Le Cabestan (linha de beira mar). “Não tenho nenhum cliente que me venha com um croquis”, conclui Cândido, que após três anos como jornalista, apaixonou-se por uma francesa e emigrou para Nantes, onde fundou a Givec após cerca de dez anos em que andou pelas feiras a vender malhas que comprava em Barcelos ou a negociar, por junto, meias e cuecas Made in Portugal. t

One of Us (“Um de nós”) é um tema banal na música. Desde os ABBA a Joan Osborne (que ganhou um Grammy com o tema), passando pelo falecido Prince, muitos têm canções com este título. Seguramente não foi à procura da banalização que Inês Abreu, uma das fundadoras, lançou uma nova marca de vestuário sustentável para crianças precisamente intitulada One of Us. A marca destina-se a crianças entre os três meses e os 12 anos, apresentando-se como “uma proposta de serviços e produtos originais, coerente com um estilo de vida saudável e sustentável”. A motivação para criar a marca resultou do nascimento do primeiro filho dos sócios fundadores (Inês Abreu e Francisco Bastos), cujas carreiras foram construídas nas áreas do design gráfico e têxtil. Aos dois juntou-se Constança Belchior, uma bióloga marinha, especializada em projectos ambientais e sustentáveis, que passou os últimos dez anos entre o Brasil e a Dinamarca. “Nós nascemos em Maio, chegamos bastante atrasados mas a receptividade tem sido fantástica. Decidimos não prosseguir com a coleção de AW17, devido aos atrasos inicias, passando já para a SS18 e para assim conseguir apanhar o comboio rapidamente e situarmo-nos correctamente no calendário de moda infantil”, refere Inês Abreu, que aos 18 anos partiu para Londres para fazer um curso de Fashion Design.t


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A MINHA EMPRESA Fiorima

Rua Quinta do Gojo 75 Frossos 4700-155 Braga

Trabalhadores 84 Volume de negócios 7 milhões de euros Atividade Concepção, desenvolvimento, produção e comercialização de peúgas de malha Produção 4 milhões de pares de meias/ano Gama Mais de cinco mil produtos diferentes Exportação 99,5% da produção Certificações SA 8 000, ISO 9 001, ISO 14 001 e OMSA 18 001

One step ahead Meias com bolsos? A ideia nunca lhe tinha passado pela cabeça? Pois a nós também não. Mas para o caso o que interessa é que passou pela cabeça dos timoneiros da Fiorima, a fábrica de meias de Frossos, Braga, fundada nas vésperas da adesão de Portugal à CEE por Manuel Machado Rodrigues, o histórico e veterano gestor da Orfama. Na Fiorima, a imaginação está no poder. Parece que não, mas um bolso dá sempre jeito. Até nas meias. Para guardar o tabaco, se for viciado em nicotina. Para acomodar as caneleiras, se for futebolista. Para depositar o gel, se sofrer de alguma patologia que careça desse tratamento. As meias com bolsos são uma das mais recentes novidades que a Fiorima apresentou à sua clientela (onde consta o Gotha das grandes marcas internacionais), mas não necessariamente o que de mais sofisticado tem para oferecer, o que não espanta numa empresa a quem a Nasa encomendou a concepção, desenvolvimento e produção de meias para os seus astronautas. “Não temos marcas próprias para não fazer concorrência aos nossos clientes”, explica Paulo Rodrigues, 54 anos, administrador da Fiorima, que se orgulha de uma fábrica que não esperou pela moda da indústria 4.0 para se automatizar: “Há 20 anos que temos robots” (na foto, os robots da saga Star Wars). A empresa de Frossos orgulha-se também das suas certificações (“Temos todas as certificações - ambiente, segurança, qualidade, eficiência, e

energia, etc”, garante Paulo) e também de duas patentes: as intelligents socks e as gaiter socks . As intelligents socks integram sensores que recolhem e comunicam, em tempo real, informações relevantes - como o peso, temperatura do corpo, frequência cardíaca, localização geográfica, calorias queimadas, velocidade média, distância percorrida, etc - de quem as está a usar. As gaiter socks são umas meias polaina que evitam a entrada de lama, água, areia, folhas ou outros pequenos objetos para o interior das sapatilhas. One step ahead é o mantra da Fiorima, que aposta na inovação (“a inovação só existe quando se amplia a fronteira do conhecimento”, esclarece Paulo) para estar sempre à frente da concorrência, já faz 20% do seu volume de negócios com produtos técnicos e tem uma parceria com a tecnológica barcelense Smart Innovation para o desenvolvimento de meias com características medicinais. “Temos em curso o desenvolvimento de novos produtos na área da saúde que podem dar origens a novas patentes. As nossas meias com propriedade anti-fungícas, para o pé de atleta, pé diabético, frieiras, etc, resultam da parceria com a Smart Innovation”, conclui Paulo Rodrigues, um engenheiro têxtil que após ter feito uma pós-gradução em Gestão de Unidade de Saude se doutorou em Engenharia para a Saúde e está a fazer o curso de Biomédicas na Universidade do Minho.t

LECTRA RECRUTA NATHALIE BRUNEL PARA VICE-PRESIDENTE Nathalie Brunel é a nova vice-presidente da Lectra, com o pelouro das vendas, moda e vestuário. Licenciada pelo Institut Supérieur de Commerce de Paris, Nathalie tem mais de 20 anos de experiência na gestão de grandes contas e na responsabilidade de gestão. Antes de iniciar a colaboração com a Lectra, foi CEO e acionista da Okavango Energy, uma empresa de consultoria e de desempenho energético industrial. Anteriormente esteve na Orange Business Services, como vice-presidente.

IMPOSTOS E TAXAS PESAM 47,3% NO PREÇO DA ENERGIA

FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS NÃO PARAM DE CRESCER

Os impostos e outras taxas valem quase metade (mais exatamente 47,3%) do preço da energia em Portugal, uma proporção bem acima dos 36% que é a média da União Europeia (UE). Ainda de acordo com o relatório sobre energia da UE, divulgado pela Comissão Europeia, em 2015, 26,6% dos clientes portugueses mudaram de fornecedor em 2015, uma percentagem muito superior aos 67,2% da média comunitária.

No final dos nove primeiros meses do ano havia mais 0,8% de funcionários públicos que em idêntico período de 2016, de acordo com com a Síntese Estatística do Emprego Público. No final de setembro, havia mais 5 259 empregados das administrações públicas do que doze meses antes. O ganho mensal médio dos 661 429 funcionários públicos portugueses era, em julho, de 1 687 euros, o que representa uma subida homóloga de 1,9%.

"A maior satisfação que tenho é criar postos de trabalho" Conceição Dias CEO do grupo Sonix/DiasTêxtil

2016 FOI O ANO DE TODOS OS RECORDES PARA A FARFETCH A Farfetch fechou 2016 com vendas brutas de 613 milhões de euros, o maior volume de negócios desde em 2007, quando José Neves lançou esta empresa de comércio electrónico de produtos de luxo. O ano passado bateu também o recorde de prejuízos: 38 milhões de euros.

14%

foi quanto aumentou, em 18 meses, a produtividade da Olbo&Mehler, na sequência de um trabalho desenvolvido com o Instituto Kaizen, que lhe permitiu diminuir o desperdício em 16% e reduzir em 50%, de seis para três milhões de euros, o stock de matéria prima


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83 mil milhões

de euros é o valor que as vendas de roupa e calçado desportivos (athleisure) vão atingir em 2020, de acordo com as previsões da Morgan Stanley

EMPRESAS E CITEVE AO SERVIÇO DO EXÉRCITO As empresas Damel, Riopele, Lavoro e Monte Campo apresentaram a primeira prova de novos equipamentos para o Exército Português. Fardamentos que usam têxteis de nova geração, com capacidades adicionais de resistência ao calor e à chama, impermeabilidade, protecção balística e que sejam capazes de regular a temperatura do corpo são alguns dos novos equipamentos que estão a ser desenvolvidos no âmbito do Programa de Sistemas de Combate do Soldado – Sobrevivência, um projecto de investigação coordenado pelo CITEVE envolvendo o Exército Português e aquelas quatro empresas. “É um programa estruturante do Exército que visa capacitar

o soldado para um desempenho mais ágil e eficaz, com equipamentos tecnologicamente evoluídos, mais ligeiros e ergonómicos” sublinhou o Coronel João Ribeiro, Chefe da Divisão de Planeamento da Formação do Estado Maior do Exército. Por parte do CITEVE, a investigadora Gilda Santos esclareceu tratar-se ainda de "provas de conceito desenvolvidas com o objectivo de proporcionar aos soldados equipamentos mais ergonómicos, que podem ainda beneficiar de ajustamentos". A par dos tecidos com novas funcionalidades desenvolvidos pela Riopele, foram dadas a conhecer mochilas de assalto com mochilas de primeiros socorros,

concebidas pela Monte Campo, um conjunto underwear térmico da Damel e vários modelos de botas da Laboro. A reunião técnica que se seguiu à formalização dos contratos juntou os responsáveis militares com os fabricantes e os investigadores do Exército com vista a analisar pormenores técnicos e de inovação que as regras militares implicam que não sejam divulgados. A par deste Programa de Sistemas de Combate do Soldado, o CITEVE tem participado noutros projecto de equipamentos militares inovadores e com novas funcionalidades, tanto com as Forças Armadas portuguesas com a Agência Europeia de defesa e da NATO. t

SONICARLA TAMBÉM JÁ TEM STEP BY OEKO-TEX®

FACOL INVESTE 6,4 MILHÕES EM NOVAS INSTALAÇÕES

Apostada em processos de produção respeitadores do ambiente, condições de trabalho seguras, saudáveis e socialmente aceitáveis, a Sonicarla Europa recebeu em Dezembro a certificação STeP by OEKO-TEX® Produção Têxtil Sustentável. A empresa já se encontrava certificada pelas normas de Qualidade ISO 9001:2008 e Ambiente ISO 14001:2012.

A Facol – Faria& Coelho está a executar um investimento de 6,4 milhões de euros, em Pedome, Vila Nova de Famalicão. Com este projeto, esta empresa têxtil de Serzedelo, Guimarães, vai aumentar o número de colaboradores para 95 (mais 15) e estima impulsionar as vendas para um volume de negócios de 5 milhões de euros.

“Em Portugal temos de enveredar por produtos de alta qualidade que nos permitam pagar salários mais altos e exigir mais das pessoas” Orlando Miranda CEO da Olmac

KALEIDOSCOPE ABRIU PRIMEIRA LOJA NO PORTO

LUMATEX MUDA DE CASA MAS NÃO QUER SER GRANDE A Lumatex está a investir dois milhões de euros na construção de uma nova fábrica, em Guimarães, mais do que duas vezes maior que a atual (passa de 2 500 m2 para seis mil m2) mas o objetivo é, para já, aumentar apenas em 20% a sua capacidade produtiva. “Queremos ser rentáveis. Ser grandes não é um objetivo. Como costumava dizer o meu avô, grande é o Marão, que não dá palha, nem pão”, explica António Leite, administrador desta têxtil lar especializada no fabrico de colchas e mas que também produz cortinas e almofadas. A sustentabilidade futura da empresa é uma preocupação permanente da Lumatex, que emprega 22 pessoas e fechou 2016 com um volume de negócios de 3,8 milhões de euros, 95% dos quais feitos na exportação. Os Estados Unidos são o principal mercado da Lumatex, onde estão presentes nas grandes cadeias armazenistas (Macy’s, Bloomingda-

le’s, etc) e, apesar da retórica proteccionista de Trump, as suas vendas continuam a crescer mas não pesam mais do que 30% da facturação da empresa. “O nosso princípio é evitar a todo o custo o excesso de exposição a um mercado. É por isso que estamos apostados em crescer na Ásia”, diz António Leite, que esteve na última edição da Interior Lifestyle Tokyo. “Tivemos muitos contactos, não só com potenciais clientes japoneses, como também da Coreia do Sul e Austrália. Tudo que vier à rede é positivo. Portugal está na moda. Temos de aproveitar a onda. São os próprios clientes que já nos põem num patamar acima do dos italianos - que é realmente o nosso. Há anos que somos melhores que eles em qualidade e design. Agora essa superioridade é reconhecida também em termos de imagem”, conclui António Leite. t

Depois da presença em lojas multimarca, a Kaleidoscope abriu a sua primeira loja oficial no Porto, no District Offices & Lifestyle, junto à praça da Batalha. Num estilo urbano e descontraído para crianças até aos 8 anos, a Kaleidoscope define-se como uma marca sustentável e consciente, que pretende ser a transformação de um passado recente que tomou consciência do seu papel no mundo e para o mundo.

LEVI’S PRIDE ESTÁ DE VOLTA A Levi’s lançou pela 4ª vez a coleção Levi’s Pride, com o intuito de apoiar a comunidade LGBT. Com mensagens como “Fight Stigma” (combater o estigma) e com arco-íris, a colecção unissexo é constituída por t-shirts, calças e lenços. Parte dos lucros são doados à Fundação Harvey Milk.


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100 milhões

de euros é quanto a ITV portuguesa deverá exportar para a América Latina, até 2025, de acordo com o objetivo conservador fixado pela ATP

BALENCIAGA LANÇA VESTUÁRIO PARA CRIANÇAS A Balenciaga vai fazer uma nova investida no vestuário para crianças, lançando uma linha infantil para a temporada primavera-verão 2018. “Trata-se de uma coleção pontual”, informou um porta-voz da Balenciaga. De resto, não é a primeira vez que a marca experimenta o universo infantil. Já em julho a marca assinou uma minicoleção de bonecos de pelúcia para crianças, cada um vestindo uma minicamiseta Balenciaga, em exclusividade para a Colette.

BRUXELAS RENDIDA À MODA E INOVAÇÃO DA ITV

Foi uma das acções de maior impacto do Fashion From Portugal, que serviu para reforçar o posicionamento superior da moda e do têxtil português. A apresentação que a ATP promoveu em Bruxelas, para a imprensa e representantes dos diversos países nas instituições comunitárias, juntou mais de centena e meia de personalidades, e até membros dos gabinetes de alguns primeiros-ministros por lá passaram. O anfitrião, o embaixador António Alves Machado, nunca tinha visto tanto entusiasmo e animação nas instalações da representação portuguesa, e quis logo garantir junto da ATP que o evento se repetirá em 2018. t

FITOR APOSTA NAS FIBRAS OCAS E INVESTE DOIS MILHÕES Fibras ocas, mais leves e funcionais e com caraterísticas termo-reguladoras, foram a grande novidade da coleção que a Fitor apresentou na Techtextil, em Frankfurt, num momento em que tem em fase de conclusão um programa de investimentos de dois milhões de euros em equipamento e stocks, posto em marcha há um pouco menos de dois anos. “Saímos das commodities, do fio cru. Estamos a reforçar a produção de fios estampados e misturas, na construção de uma Fitor mais posicionada no valor acrescentado, orientada para negócios de rapidez e proximidade, capaz de fazer da flexibilidade e do tempo de entrega uma grande vantagem competitiva”, explica António Pereira, o engenheiro de sistemas que em 2015 liderou o MBO que evitou o encerramento desta histórica fiação, proposto pelo seu antigo accionista alemão. Recuperar os clientes perdidos, retomar a produção (que, no seu essencial, o anterior accionista deslocalizara para a alemã TWD) e subir na cadeia de valor são o tripé em que assenta o novo fôlego estratégico da Fitor, que está a resultar - se os números não mentem. Em 2015, o ano da MBO, esta

empresa especializada em fios sintéticos facturou cinco milhões de euros. O ano passado, o volume de negócios foi acrescido de mais um milhão de euros. E no corrente exercício prevê-se que atinja os oito milhões. O emprego também cresceu, dos 20 empregados, há dois anos, para os 75 atuais. António Pereira acredita que muito rapidamente poderá atingir os dez milhões de euros de

"Não faz sentido andar a correr atrás da faturação com prejuízo para a rentabilidade" António Pereira administrador da Fitor

faturação, mas não está obcecado por isso. A prudência é um valor fundamental para este gestor que tem como regra de ouro manter uma grande diversificação de clientes, setores e mercados para minimizar os riscos. “Não faz sentido andar a correr atrás da faturação com prejuízo para a rentabilidade”, alerta o empresário que ainda não consegue dormir descansado, apesar de reconhecer que para a Fitor o pior

já passou. “A têxtil vive ensanduichada. As matérias primas estão a subir muito e a indústria não consegue repassar esse aumento para os clientes. Os compradores estão a regressar do Oriente mas trazem com eles o target da Turquia e da India. Qual é o seu preço? é a primeira pergunta que fazem. Se acharem interessante, convidam-nos a sentar e negociar. Senão a conversa acaba logo ali”, conta António Pereira, que teme se esteja a estabelecer um primado da variável preço em detrimento da qualidade. Apesar do esmagamento das margens, a vida não aparenta correr mal à Fitor. “Temos conseguido recuperar clientes mais depressa do que eu estava a contar e a uma velocidade superior à que aumentamos a nossa capacidade instalada. Temos trabalhado aos sábados e feriados. Estamos sobrecarregados de encomendas”, garante o empresário. O investimento em equipamentos é destinado ao aumento de capacidade, não à substituição de máquinas. “As novas máquinas que estamos a comprar e instalar são mais eficientes porque produzem mais, mais depressa e com menos custos”, conclui António Pereira. t

MANGO ABRIU FLAGSHIP STORE NOS RESTAURADORES Depois de Madrid e Nova Iorque, Lisboa. A Mango inaugurou nos Restauradores a 3ª flagship da nova geração, uma loja com uma área de exposição de mil metros quadrados. Um investimento de 2,6 milhões de euros que se distingue pelo ambiente de arquitetura industrial com acabamentos metalizados e em preto, que pretendem transmitir uma ideia de requinte e modernidade. É a 55ª loja da marca catalã no nosso país, onde vende 45 milhões de euros e faz cerca de 2% do seu volume de negócios global.

“Ao contrário do que sucedeu em Espanha, em Portugal as empresas não encerraram as suas instalações e, pelo contrário, investiram em tecnologia para se converterem nos fornecedores de proximidade para marcas espanholas, francesas e italianas. Fizeram uma reorientação do modelo de negócio com tal êxito que é um caso digno de estudo” Alberto Rocha Guisande secretário-geral da Federação Patronal Têxtil Galega

DONA DA PARFOIS COMPRA POR 12 MILHÕES EDIFÍCIO IMPERIAL Manuela Medeiros, empresária que fundou a Parfois, comprou ao grupo Amorim o edifício Imperial, localizado na Praça da Liberdade, no Porto, por um montante de 12 milhões de euros, de acordo com a edição do Imobiliário, publicada na Vida Económica. A venda do edifício, onde durante décadas funcionou o café Imperial, que foi substituído por um McDonald’s, foi iniciada e conduzida ainda pelo empresário Américo Amorim, numa altura em que o mercado não tinha atingido os preços elevados que agora são usuais nas transacções imobiliárias na baixa do Porto.


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CASSIANO FERRAZ [CASSIANO FERRAZ] www.cassianoferraz.com

PHOTOGRAPHY FASHION / ADVERTISING


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“NOS TÊXTEIS LAR SOMOS O MAIOR E MELHOR PRODUTOR EUROPEU”

FOTO: RUI APOLINÁRIO

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n ENTREVISTA José Pinheiro 62 anos, nasceu e cresceu em Vizela, filho de Domingos, que debutara na têxtil como operário antes de se estabelecer com uma pequena indústria de fios, que foi a pré-história da maior empresa produtora de felpos da Europa. Sócio nº 1 da Casa do Benfica de Vizela, José tem duas filhas, fruto do casamento com uma professora primária - Ana, 36 anos, licenciada em Direito e ex-advogada, e Helena, 32 anos, licenciada em Economia e Gestão -, que há meia dúzia de anos trabalham com ele na Mundotêxtil, protagonizando uma planeada operação de transição suave de geração no comando desta têxtil lar

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m Moçambique, estamos a produzir algodão biologicamente certificado - afirma José Pinheiro, 62 anos, presidente da Mundotêxtil, que lidera o projeto Mozambique Cotton Manufacturers. “O sonho de qualquer industrial é controlar a fonte da matéria-prima”, diz o empresário, acrescentando: “Chegou a hora de África e nós já lá temos uma boa ponta de lança” A crise que se seguiu à adesão dos asiáticos à OMC foi a pior que teve de enfrentar?

Ando nisto há 42 anos. Já passei por tudo. Tal como a Fénix, a têxtil portuguesa já morreu e renasceu várias vezes :-). Quando comecei, o setor exportava o equivalente a 71 milhões de euros. Hoje são mais de cinco mil milhões. Nos têxteis lar eram 10 milhões. Hoje são 700 milhões. A minha geração soube sempre ultrapassar os obstáculos e dificuldades. Mas qual foi o momento mais duro?

Aguentar as crises internacionais e as nossas foi sempre uma questão de tempo e trabalho para lhes dar a volta. O que mais me preocupou e doeu foi a campanha de destruição de imagem da têxtil portuguesa levada a cabo a partir dos anos 90 por sucessivos governos que revelaram terem vistas muito curtas.

Há ainda muitos estragos a reparar?

Devido a essa infame campanha de destruição de imagem, em que vaticinavam a morte da têxtil, ainda temos uma enorme dificuldade em captar quadros e jovens talentos, apesar de hoje já ser claro aos olhos de todos que a nossa indústria está bem, recomenda-se e tem futuro.

"Estamos a substituir-nos ao Estado, colmatando as lacunas do sistema de ensino "

Como estão a resolver esse problema?

A escassez de engenheiros têxteis estamos a resolvê-la contratando engenheiros eletrotécnicos, químicos ou de outras especialidades e reconvertendo-os através de uma formação interna intensiva. Estamos a substituir-nos ao Estado, colmatando as lacunas do sistema de ensino. São grandes as lacunas?

Não faz sentido que não haja um único curso têxtil nos Politécnicos - e haja apenas uma Universidade com um curso de Engenharia Têxtil. Como agravante, em vez de todos os empresários unirem forças para convencerem o Estado a mudar este estado de coisas, ainda há gente desprovida de ética que não se inibe de tentar ir buscar quadros formados internamente pelos seus concorrentes... Apesar de tudo, a ITV está de boa saúde...

Nos têxteis lar, a nível Europeu somos o maior e melhor produtor e uma referência a nível mundial. E numa indústria como esta, de capital intensivo, também temos o maior e melhor parque industrial.

Foi muito prejudicial?

A conjuntura tem dado uma ajuda...

Além de ser tremendamente injusta, depois do que a têxtil tinha feito pelo país, como principal indústria exportadora e angariadora de divisas - em 1994, 22 das 100 maiores exportadoras eram têxteis - , essa campanha deu cabo da nossa reputação, lançando sobre a ITV um estigma que ainda estamos a pagar.

A conjuntura internacional tem jogado a nosso favor. A proximidade é cada vez mais importante. No caso dos felpos, os custos de distribuição são enormes - o transporte e o armazenamento pesam entre 5 a 10% no preço final. Mas, no essencial, o bom momento do setor deve-se à resiliência de toda uma geração de empresários têxteis.

Nascido em 1955 (“um ano de boa colheita em que também vieram ao mundo Steve Jobs e Bill Gates”, sublinha), José Pinheiro preparava-se para estudar Economia, na Universidade de Coimbra, quando os calores do Verão Quente de 1975 o levaram a mudar de ideias - e acabou por ser chamado para fazer a recruta na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém. Acabada a tropa (completada como oficial da Polícia Militar em Ponta Delgada, Açores) regressou a Vizela, onde jovem, ambicioso e a falar línguas, liderou a constituição da Mundotêxtil de uma sociedade exportadora de têxteis lar, que teve como base a produção de quatro pequenas fábricas - a do pai, a Varela Pinto (que produzia lenços e panos), Ilídio Alves (colchas) e Belfama (felpos) . “Exportar era uma necessidade, pois tínhamos acabado de perder os mercados das ex-colónias africanas”, explica o empresário, um apaixonado pelo golfe e pelo projeto Mozambique Cotton Manufacturers, de que é o presidente e que está a desenvolver em parceria com duas outras empresas portuguesas - a Crispim Abreu e a Mundifios.

O que deve ser feito para prolongar este bom momento?

Temos em cima da mesa um duplo desafio. O primeiro é o de consolidar esta situação de liderança, que permite a um pequeno país como o nosso estar no top five dos maiores exportadores mundiais

de têxteis lar - nas colchas somos o quarto maior, nos felpos o quinto. Na Mundotêxtil, somos responsáveis por 20% das exportações portuguesas do nosso subsetor. E como se consegue essa consolidação?

de três milhões de euros/ano. A fábrica está atualizada, com um parque de máquinas moderno, capaz de ser muito flexível e que nos permite ser muito competitivos na produção de séries mais pequenas.

Como trabalhamos numa indústria de ponta, não podemos ter o pé no travão. Não podemos nunca parar de investir em equipamento, inovação, design e internacionalização. A necessidade de estarmos sempre a adaptar-nos à mudança leva-nos ao segundo grande desafio: o da renovação geracional.

E agora?

Que já está em curso na Mundotêxtil...

Qual é o objectivo?

Para a nossa indústria ter futuro é obrigatório fazer, a todos os níveis, da base ao topo, a substituição da geração analógica pela digital. Fizemos recentemente um levantamento e na Mundotêxtil, num total de 590 pessoas, temos 41 com mais de 60 anos. É a hora do render da guarda, também ao nível da gestão da empresa?

Concluída este ano a renovação do equipamento, vamos concentrar-nos na consolidação da nova equipa de gestão e o esforço de investimento vai concentrar-se noutras áreas nucleares, como o design, inovação, serviço, internacionalização e distribuição. Sermos lideres mundiais em inovação e qualidade. A quantidade já há muito deixou de ser o nosso campeonato. Trabalhamos em parceria com as grandes marcas mundiais, oferecendo-lhes um serviço de valor acrescentado que não encontram em mais lado nenhum: rapidez de resposta, produtos certificados, inovadores, de grande qualidade e armazenados e entregues a horas.

Na área comercial sou um self made man. Aprendi com o meu pai os segredos da indústria. Tenho muito orgulho pelo contributo que eu e a minha geração demos à ITV e ao nosso país. Mas em devido tempo percebi que era preciso começar a fazer uma transição suave para a terceira geração.

Qual é o peso do private label no vosso volume de negócios?

O que fez?

Sim. As parcerias com as grandes marcas, com a quais mantemos contratos de fornecimento que duram entre quatro a cinco anos, garantem-nos estabilidade. As vendas com marca própria, para pequenos retalhistas ou no e.commerce, libertam margens maiores.

Em 2012 reuni o conselho de família e analisamos as diversas possibilidades sobre o futuro da Mundotêxtil. Concluímos que ela se devia manter na família e iniciamos a elaboração de um plano de negócios a dez anos, preparando a empresa para o futuro. Um dos objetivos fixados é que em 2020 toda a equipa de gestão tenha menos de 40 anos. Está a meio da execução do plano. Tem corrido como esperado?

Bem acima das expectativas. Nos últimos cinco anos temos investido em equipamentos à razão

As grandes marcas mundiais valem cerca de metade da nossa faturação. Os restantes 50% dividem-se entre marcas próprias e as vendas para pequenos retalhistas. Está satisfeito com essa proporção?

A panóplia de marcas próprias - Bianca (EUA), Blank (Alemanha), Risart (Espanha)… - é para manter ou vão apostar numa só marca global?

O investimento na construção de uma marca global é muito grande. A ideia é continuar a trabalhar com as marcas locais, estudando


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4 toneladas

de amostras são produzidas todos os meses pela Mundotextil, a maior fabricante europeia de felpos

cada mercado caso a caso. Há, por exemplo, países em que usamos a marca Portugal. Admite criar mais marcas locais?

Tudo depende. Sem dúvida que o faremos se a criação de uma marca própria se revelar fundamental para alicerçar a nossa presença num país. E é frequente recebermos solicitações nesse sentido, vindas de locais tão diversos como a Coreia do Sul ou países árabes... Apesar de exportarem 95% da produção, a internacionalização continua a ser uma das vossas apostas estratégicas. Porquê?

Há muita gente que confunde internacionalização com vendas para o exterior. Estão errados. A internacionalização é um processo complicado que implica um grande investimento comercial, em tempo e dinheiro. É por isso que eu sempre fui adepto de parcerias para diluir os custos da presença num mercado... Vendem para 46 países. A que se deve o esforço de ampliar a geografia das exportações?

À medida que vamos subindo na cadeia de valor os nossos mercados tradicionais ficam mais estreitos. O que nos obriga a investir na descoberta de novos nichos em países mais longínquos, atenuando a dependência de mercados maduros como os da Europa e EUA. Esse esforço tem dado resultados?

Temos ganho novos mercados onde é tudo valor acrescentado, como o Japão, Coreia do Sul, Austrália e África do Sul, países onde já vendemos mais de quatro milhões de euros, o que é muito importante, porque para ser bem sucedida a internacionalização exige um mínimo de massa crítica. Na Alemanha têm um rede de uma dúzia de lojas. A presença no retalho é importante?

A Alemanha é um caso excepcional, em que tivemos de

"Para a ITV ter futuro é preciso substituir a geração analógica pela digital"

assumir uma posição no retalho na sequência das dificuldades de um nosso cliente. Como grandes produtores que somos, não penso que devamos ter uma grande presença no retalho. Além disso, a tendência é no sentido das lojas físicas serem substituídas pelas virtuais. Crescer nas vendas online é uma aposta estratégica?

É. E temos objetivos quantificados. Em cinco anos esperamos estar a fazer 10% do nosso volume de negócios no e.commerce. A Mundotêxtil participa, com a Crispim Abreu e a Mundifios, numa inédita parceria agro-industrial em Moçambique. Qual foi a ideia?

O sonho de qualquer industrial é controlar a fonte da matéria-prima. O projeto da Mozambique Cotton Manufacturers (MCM), que está em curso, contempla um investimento de 50 milhões de US dólares na construção de um grupo vertical moçambicano de têxteis lar. Em que fase estão?

Temos, em Xai-Xai uma fábrica de descaroçamento e uma plantação de algodão, em Marracuene, nos arredores do Maputo, está a funcionar há mais de três anos a fiação, que é já uma das melhores da África subsariana e exporta 100% da sua produção, empregando cerca de 250 pessoas. A componente emocional pesou muito na decisão de criar a MCM?

Não pesou nada. Tratou-se de uma

decisão 100% racional. A África vai ser o mercado com maior crescimento mundial na têxtil. Dentro de 15 anos vai ter mais população do que a Índia. A industrialização do continente é um dos grandes desígnios da comunidade internacional, com o objetivo de fixar as populações e dar-lhes meios para terem melhores condições de vida.

As perguntas de

A decisão de investir na MCM acompanha esse movimento?

Não só, mas também. O que está na moda é tudo quanto é orgânico e biológico. A Mundotêxtil tem todas as certificações ambientais fundamentais, como a GOTS, CMIA e a BCI. Tudo quanto gastamos é certificado. Em Moçambique estamos a produzir algodão biologicamente certificado. Isso é muito importante?

Cerca de 90% do algodão que existe em todo o mundo é geneticamente modificado. Num mundo em que os consumidores estão cada vez mais preocupados com o futuro do planeta, é estratégico produzir algodão biológico, devidamente certificado. Trata-se, pois, de uma estratégia comercial...

As grandes marcas internacionais que são nossas parceiras encorajaram-nos a ir para Moçambique, pois precisam de oferecer aos seus clientes felpos com a garantia de terem sido produzidos com algodão orgânico e biológico, pedindo que controlemos toda a certificação e a cadeia de valor. Acresce que o CMIA (Cotton Made in Africa) é uma mais valia comercial. As coisas estão a correr bem?

Estamos muito satisfeitos com a maneira como o projeto está a correr. Sentimos que fizemos a coisa certa da forma certa, antecipando-nos um bocado no tempo. Chegou a hora de África - no primeiro semestre de 2017, por exemplo, a Etiópia recebeu um investimento na têxtil superior a 1,2 mil milhões de US dólares . t

Ana Vaz Pinheiro Administradora da Mundotêxtil (comercial e marketing) Como vês a Mundotextil em 2030?

No mesmo sítio onde a vejo hoje. Líder do setor, com uma equipa de gestão jovem, dinâmica e preparada para os desafios de então. Quais foram as principais dificuldades na sucessão familiar na nossa empresa?

Tive sem dúvida maiores boas surpresas do que dificuldades. A cada dificuldade surgiu sempre uma solução melhor que a anterior. t

Helena Vaz Pinheiro Administradora da Mundotêxtil (produção e controlo de gestão) Quais serão os principais desafios da Mundotextil nos próximos anos?

O maior será sem dúvida a consolidação da equipa de gestão. É mais difícil ser empresário têxtil agora ou quando há 40 anos arrancaste com a Mundotêxtil?

Diria que para as mesmas circunstâncias a nova geração está muito melhor preparada que a minha. Na minha geração bastava ser Industrial. Hoje é necessário controlar todas as ferramentas de gestão. t


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GENDA DAS FEIRAS

HEIMTEXTIL 9 a 12 janeiro – Frankfurt A Ferreira & Filhos, Allcost, AMR, BomDia, Bovi, Carvalho, Docofil, Domingos Sousa, Estamparia Adalberto, Fateba, Felpinter, Hero, Lameirinho, Lasa, Mi Casa es Tu Casa, Moretextile, Mundotêxtil, Neiper, Pereira da Cunha, Piubelle, Sampedro, Sorema, JF Almeida, Penedo, Valentini Bianco by Pereira & Freitas, Villafelpos. (Empresas presentes no Fórum)

THE LONDON TEXTILE FAIR 10 e 11 Janeiro - Londres

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PORTUGUESES EM MAIORIA NA DREAMLAND DA HEIMTEXTIL Oitenta e três expositores. Trinta e oito empresas no pavilhão 11, o espaço mais premium da feira. Mais de 5 600 metros quadrados ocupados pela têxtil lar nacional. São estes os números da Heimtextil 2018, que conta com mais expositores portugueses que no ano passado - um número recorde pós crise e um recorde absoluto no que toca a área ocupada. A roupa de cama, de banho e mesa são as áreas mais representadas com o selo made in Portugal em Frankfurt – cerca de 80% das empresas participantes trabalham este tipo de artigos. Os pavilhões 9 e 11 serão, durante três dias, a casa das empresas portuguesas – sendo o último aquele onde se encontram os melhores expositores do certame, onde estarão 38 empresas nacionais, fazendo de Portugal o país mais representado neste espaço. “Se em 2000 havia apenas três empresas a participar no sector que então se chamava Dreamland, hoje são 38 as empresas que se apresentam num dos mais

prestigiados pavilhões da feira, o Hall 11”, compara Cristina Terra da Motta, a representante da Heimtextil em Portugal. Apesar das empresas portuguesas já participarem no certame há mais de 40 anos, destacando-se sempre pela sua capacidade de fornecer grandes marcas internacionais, Cristina Terra da Motta diz que só nos últimos anos é que Portugal começou a sobressair. “O facto das empresas portuguesas se terem especializado na produção para terceiros contribuiu para que a sua presença, embora sólida, passasse muitas vezes despercebida do grande público. Contudo, nos últimos anos, as empresas assumiram uma atitude comercialmente mais assertiva e hoje em dia têm uma presença que não só não passa despercebida, como em muito valoriza a própria Heimtextil”, diz. Tal como no ano passado, Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia, marcará presença no salão, para visitar e conversar um pouco com os expositores portugueses. Feita a convite da ATP, a visita acontecerá pelas nove da manhã do primeiro dia do evento.t

6 Dias, Albano Morgado, Eurobotonia, Lemar, MMRA, Quickcode, Texser, Troficolor, Vilarinho, Gierlings Velpor, Riopele, Brito & Miranda

PREMIERE VISION NEW YORK 16 e 17 Janeiro - Nova Iorque Lemar, Lurdes Sampaio, Sidónio, Texser, Tintex, Orfama

FASHION SVP 16 e 17 de Janeiro – Londres Bergand by Gulbena, Confenix, Custoitex, East Ocean, Fepratex, Intecol, Island Cosmos, Light Wear, Luipex, OSDM, Soeiro, Teamstone, Tiva, Wonder Routine, Yesterday and Tomorrow

PITTI BIMBO 18 a 20 Janeiro 2017 – Florença Cherrypapaya, Dr Kid, Kaleidoscope, Knot, Natura Pura, Phiclothing

MAISON & OBJET 19 a 23 Janeiro - Paris 3DCork, Burel Mountain, Byfly, Carapau Portuguese Products, Ditto, Laboratório d’Estórias, Nieta Atelier, Sugo Cork, Iris, TM Collection

FIMI 19 a 21 Janeiro 2017 – Madrid Baby Gi, Beppi, Bogota Couture, Knot

WHO’S NEXT 19 a 22 Janeiro 2017 – Paris Averse, Concreto, Kalisson/ Bagoraz/ Le Cabestan, Luís Buchinho, Maloka, Pé de Chumbo, CristinaBarros

SALON INTERNATIONAL DE LA LINGERIE 20 a 22 Janeiro 2017 – Paris Cisne Branco, Confenix, Iora, Textimalhas

COLOMBIATEX 23 a 25 janeiro – Medellín CITEVE, Lemar, Natal, Ribera

PLAYTIME 27 a 29 Janeiro - Playtime Paris

44 EMPRESAS RUMAM A MUNIQUE

Knot, Piupiuchick, Rocket Pear, Sissone

BUBBLE LONDON 28 a 29 de Janeiro - Londres Blake, Bo-Bell, Chua, Dot, Dr Kid, Filgoti, Just Lovely, Meia Pata, Phiclothing, Rap

ISPO 28 a 31 janeiro – Munique A Fiúza & Irmão, A Sampaio & Filhos, Selectiva Moda, Barcelcom, Beppi/ Planitoi, CeNTI, CITEVE, Clothius - Tecelagem, Dune Bleue, Eco Pro, Faria da Costa, Fiorima, Fitor, Garbo, Heliotextil, Idepa, Impetus, Inovafil, Island Cosmos, J.Caetano, Joaps, Latino, LMA, Moovexx, NGS Malhas, Oldtrading, P&R Têxteis, SAK Project, Savior, Sidónios, SmartInovation, Sonicarla, Tapa Costuras, Têxtil António Falcão, Sancar, Tintex

Portugal pode ser pequenino mas não passa despercebido na ISPO. Num universo de 2700 expositores, serão 44 as empresas com selo português que vão até Munique participar na maior feira dedicada a artigos de desporto do mundo. A ocupar um espaço total de quase mil metros quadrados, as empresas portuguesas estarão distribuídas por oito pavilhões diferentes, com destaque para o C3 e o B3, onde a Associação Selectiva Moda promove os dois stands colectivos “Sport Textil Village From Portugal”, que contam com a presença de 29 empresas.

Tânia Mutert Barros, representante da ISPO em Portugal, diz que as expectativas para a próxima edição são elevadas, uma vez que “os expositores portugueses apostam cada vez mais no maior certame de desporto a nível mundial”. Dando destaque aos stands colectivos mas também aos individuais, a representante do certame diz que estes espaços – como o da Berg Outdoor, que ocupa 138 m2, - se encontram “ao nível de marcas líderes internacionais, no que diz respeito ao tamanho e à decoração do stand”, ao lado do The North Face e Jack Wolfskin.

Uma das novidades deste ano é que o espaço ISPO Textrends cresceu, ocupando metade do pavilhão C4, além do já habitual pavilhão C3, onde Portugal se encontra com uma das suas ilhas. A partilha do mesmo espaço não é casual: 36 amostras de sete empresas portuguesas, todas premiadas pelo júri internacional, estão expostas neste espaço dedicado ao que de melhor se apresenta no certame, fazendo prever mais uma edição de sucesso e reforçando o papel de Portugal como fornecedor de têxteis técnicos para a moda desportiva a nível internacional. t


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A FASHION FORWARD Por: Juliana Cavalcanti

Sim, sou viciada em casacos

THE FIX, AS MALAS E SAPATOS DA AMAZON “The Fix” é a marca de malas e sapatos que a Amazon lançou (para já só disponível para clientes Amazon Prime), lançando novas e coleções todos os meses, com preços a oscilar entre um mínimo de 50 dólares e um máximo de 140.

PORQUE É QUE A LADY DI NÃO USAVA LUVAS? Era por uma questão de humildade que Lady Di nunca calçava luvas, ao contrário da sogra, Isabel II, que as usa com frequência. “Ela sempre gostou de segurar a mão das pessoas e de ter contacto direto com elas”, conta Eleri Lynn, curadora da exposição Diana: Her Fashion History, acrescentando: “Sempre que podia, Diana transgredia o protocolo do Palácio de Buckingham, nomeadamente em questões de vestuário”.

3,8% Quando o inverno começa a sério vem a altura de abusar da minha peça favorita dentre todas as peças deste nosso mundinho moda: casacos. Sim, sou viciada em casacos, o item mais importante nesta época do ano. Muitas vezes sinto que passo o dia sem ver o que tenho por baixo. Acredito que muitas passem pelo mesmo. Com ambientes pouco aquecidos, acabamos por estar quase sempre com ele vestido e com isso se torna ainda mais valioso. Quando falo em casaco me refiro a uma diversidade deles. Desde as jaquetas (peças mais leves) aos sobretudos pesados que nos protegem das baixas temperaturas. E a cada nova estação, surgem novos modelos em materiais, texturas, cores, detalhes diversos. Na categoria mais leves temos o meu modelo favorito: o blazer. Sou assumidamente uma fã incondicional desta peça. Desde os mais curtos aos mais compridos. Desde os lisos ou com algum tipo de estampa (este inverno o xadrez veio com tudo). O que vale é que ele traga aquele ar elegante mas “cool” – especialmente quando compomos com peças mais descontraídas como calças de ganga, calçoes... Também adoro uma sobreposição – consegui colocar ainda

por cima de um blazer um outro casaco que deixe em evidência as diversas camadas. Ainda dentro desta categoria, temos jaquetas como as bikers, as bombers, os kimonos... A escolha vai depender da temperatura e da composição (proporções) do look. Depois vem o momento do frio a sério quando é preciso um casaco que nos abrace por inteiro, que nos aqueça mas ao mesmo tempo tenha muito estilo. Aqui temos algumas opções tais como sobretudos de lã estruturados (sou também uma grande fã) – podem ser mais longos (statement até a canela) ou ao meio das coxas / joelhos. Se preferir algo quente mas menos formal pode abusar agora dos casacos em pêlo falso com texturas e cores diferentes – são mais fun, descontrai o look. Esta estação a estrela é o modelo oversize – sobretudos propositadamente grandes. Para mim a maior vantagem desta tendência é poder usar o oversize por cima de tudo e ficar não só bem vestida mas bem aquecida! Já que ainda temos alguns meses em espera pelo nosso adorado verão, vamos passar o inverno em grande estilo: escolham os casacos com mais pinta e aproveitem o frio aquecidas! t

é quanto vai crescer o mercado mundial de lingerie nos próximos seis anos, de acordo com o estudo Global Market Review of Lingerie

FALTA DE MÃO DE OBRA PREOCUPA A escassez de mão de obra para projectos industriais é o tema principal da entrevista que o presidente da ANJE deu ao Expresso com o titulo “Há quem queira investir em fazer fábricas e não tem trabalhadores”. “Há regiões na zona Norte onde a taxa de desemprego é baixa e onde os empresários têm dificuldade em recrutar. Há quem queira investir a fazer fábricas, mas não tem trabalhadores para abrir portas”, denuncia Adelino Costa Matos.


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DE PORTA ABERTA Por: Carolina Guimarães

AGVA

Rua General Silveira 33 Porto

Ano de criação 2009 Sócios Álvaro Fernandes e Márcia Barros Segmento Premium Produtos Roupa e sapatos para homem, óculos de sol, malas e outros acessórios unissexo Outros locais Japão, Itália, Suíça, Japão, EUA Serviços Roupa e sapatos feitos à medida

CHERRYAPAYA É TAMBÉM PARA AS MAMÃS E OS PAPÁS Alargar o mercado às mães e pais é o próximo passo estratégico da Cherypapaya, marca portuguesa criada há quatro anos por Sandra Barradas. “As crianças adoram ver a mãe vestida com uma sweater igual à delas”, afirma a empresária. Estender aos pais o âmbito geográfico da marca é apenas um dos vetores do crescimento programado para a marca, que está apostada no total look para criança, na sequência de uma parceria estabelecida com a marca de sapatos Coolis, já visível na coleção cápsula que a Cherrypapaya lançou no Natal.

200

mil milhões

de euros é quanto valerá o mercado mundial de moda infantil, de acordo com um estudo citado pelo Observador, que estima em 60 mil milhões o valor do mercado europeu deste segmento

GRUPOS LVMH E HERING DECLARAM GUERRA À ANOREXIA

Um mar sereno em plena Baixa Até 2009, Álvaro Fernandes nunca tinha vivido da moda, mas a moda tinha sempre vivido nele. Foi nesse primeiro ano após o rebentar da crise que deixou a indústria farmacêutica (onde trabalhara 15 anos na área de marketing) e criou a AGVA – uma marca de camisas e fatos por medida. A ideia surgiu ao perceber que havia uma lacuna a preencher. “Na altura não havia nada, não é como agora que todas as marcas fazem isso”, refere Álvaro, que desenha todas as peças – uma arte adquirida à medida que foi precisando (a necessidade aguça o engenho...), fazendo cursos e “aprendendo com quem sabe, pessoas que trabalham nestas áreas há 30 ou 40 anos”. Em 2014 abriu a loja, numa fase em que o projeto cresceu, no espaço e na equipa. Amiga de Álvaro e cantora de profissão, Márcia Barros viu na AGVA a oportunidade para voltar ao mundo da moda (tinha tido um espaço no Centro Comercial Bristol), acrescentando ao projeto a vertente financeira e económica, já que Álvaro sempre esteve mais dedicado ao design e à concepção da marca. Intemporalidade e sobriedade são as características dominantes da identidade das peças AGVA, que foge do berrante e espalhafatoso, saltando apenas ao olho dos verdadeiros apreciadores de moda. T-shirts feitas em turco (como as toalhas) ou caxemira, tingidas com pigmentos vegetais, chá ou oxidadas naturalmente, peças em tecido de cânhamo, canetas numeradas ou calçado feito à medida por um sapateiro local, são

alguns dos exemplos de quão especial é a oferta da AGVA. “Os nossos clientes são pessoas com carisma e atitude e não precisam do rótulo da marca para se sentirem especiais”, diz Álvaro, acrescentando que “as peças nunca são desenhadas para uma pessoa em especial, mas sim a pensar numa forma de estar e numa filosofia de vida”. As cores frias e sóbrias, a decoração do espaço e até alguns materiais usados remontam à forte ligação que a AGVA tem com o mar, começando até pelo nome. “AGVA tem muitos significados. O “G”, quando espelhado, transforma-se num “Q”, sendo por isso “aqua” – água, em italiano. A palavra lida de trás para a frente fica “auga”: mais uma vez, significa água, mas em português arcaico. Do centro para os lados lê-se “vaga”, uma onda provocada pelo vento”, explica Álvaro, que faz remo e vela desde jovem, tendo sido até campeão. A cor da marca é o azul cerúleo, o tom que espelha as tonalidades do Atlântico Norte. A ligação marítima pode até ir mais longe, se atentarmos à diversidade dos sítios onde a marca está - Japão, Sardenha, EUA... Pelo mar ou por avião, o que interessa é chegar lá, e a AGVA está empenhada em construir o seu próprio caminho. “Somos uma marca pequenina, com um crescimento sustentável. Mas orgulhamo-nos muito de sermos respeitados no exterior. Porque uma coisa é Portugal produzir para marcas de luxo, outra é ter uma marca portuguesa em sítios de luxo”, conclui Álvaro.t

Os grupos Kering e a LVMH assinaram uma “Carta das Relações Laborais e Bem-Estar dos Manequins” com vista a pôr fim à anorexia, em que proíbem modelos com menos de 16 anos de participarem em desfiles para roupas de adulto e anunciam que vão deixar de trabalhar com modelos que usem tamanhos abaixo do 34 (mulheres) e abaixo do 44 (homens). Modelos entre os 16 e os 18 anos não vão poder trabalhar entre as dez da noite e as seis da manhã e devem fazer-se acompanhar de um tutor.

"Há quatro anos, a nossa oferta era quase monoproduto, centrada nas telas para a indústria mineira. Agora produzimos cada vez mais tecidos técnicos para nichos especializados e de maior valor acrescentado" Alberto Tavares Presidente da Olbo & Mehler

FILHO DE LAPIDUS QUER FAZER DA LANVIN A MICHAEL KORS FRANCESA Olivier Lapidus substituiu Bouchra Jarrar na direção criativa da Lanvin, lugar onde ela se aguentou apenas 16 meses, não sobrevivendo à queda de 23% nas receitas da marca francesa de lifestyle, que é controlada pela Shaw-Lan Wang, de Taiwan. Filho de Ted Lapidus, em que cuja casa trabalhou até ao seu encerramento no ano 2000, Olivier tem feito algumas colecções cápsula e projeta fazer da Lanvin uma espécie de Michael Kors.


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RDD TEXTILES É A MENTE CRIATIVA DA VALÉRIUS Chama-se RDD Textiles e é a nova unidade da Valérius voltada para o design e desenvolvimento de novos produtos. A novidade, que conjuga matérias-primas, design de moda, design gráfico e confecção, tem funcionamento autónomo e tanto serve os clientes do private label como a produção interna. O nome corresponde às iniciais de Research, Design e Development e a ideia foi juntar num mesmo espaço e de forma articulada, malhas e tecidos, especialistas em materiais, criativos e técnicos de confecção, fornecendo ao cliente tudo o que necessita para concretizar novas ideias. Uma espécie de laboratório vertical para o desenvolvimento de novas colecções, do produto ao design e à industrialização. A nova unidade, com coordenação da buisiness development manager da empresa, Elsa Parente, serve também para agilizar e potenciar as ligações da Valérius com os centros de conhecimento como a Universidade do Minho, o CITEVE e escolas de design. Neste contexto, foi também anunciada a criação de duas bolsas

de doutoramento na área têxtil a serem desenvolvidas em articulação entre a empresa e a UMinho. A RDD Textiles conta com uma equipa multidisciplinar de cerca de 30 pessoas que agrega elementos de desenvolvimento de produto, designers de várias nacionalidades e com experiências diversificadas e uma equipa de confecção igualmente com larga experiência. As novas instalações, em dois pavilhões contíguos às ins-

talações fabris, têm uma área de 1.600 metros quadrados e representam um investimento de meio milhão de euros. “Não tem retorno mas não é custo. É investimento e chama-se futuro.” Assim o definiu José Vilas Boas Ferreira, presidente da Valérius, que à inovação pretende juntar também sustentabilidade: nos próximos dez anos quer que todas as roupas que saiam da empresa a ela retornem para serem reciclados e terem uma nova vida. t

MÁRIO JORGE (TINTEX) TEM UMA TRICOTAGEM Mário Jorge Silva, o empresário da Tintex, investiu 1,5 milhões de euros na Hata, uma fábrica de tricotagem de malhas localizada em Viana do Castelo, com o objetivo de aumentar a capacidade de resposta da Tintex, designadamente nas amostras e desenvolvimento de produtos. “Atenuamos a dependência de terceiros”, explica o engenheiro químico que após uma carreira por conta de outrém - estagiou na Barcelense, onde se demorou dois anos, e foi diretor técnico (89-98) na Têxtil José Correia até que, no ano da Expo de Lisboa, arriscou ser empresário fundando a Tintex a partir de uma tinturaria desativada, na zona industrial de Vila Nova de Cerveira. Equipada com máquinas de jogos finos (“são as que têm processos mais refinados”, diz), a Hata trabalha só para a Tintex, satisfazendo cerca de 50% das suas necessidades em malhas, mas não foi pensada para substituir os outros tricotadores. “Continuamos e continuaremos a trabalhar com os habituais tricotadores da Barcelos e Braga. O que a Hata nos acrescenta em termos de resposta rápida é maior competitividade no desenvolvimento de coleções, essencial num mundo tão exigente como o da moda”, afirma

Mário Jorge. Começando por ser uma tinturaria, a Tintex tem evoluído no sentido da verticalização, um processo que foi acelerado há uma dúzia de anos quando se tornou claro que era a empresa mais capaz, em todo o mundo, para tratar o tencel (a fibra lyocel da Lenzing). A par deste processo de verticalização, de que a criação da Hata faz parte, a Tintex tem-se especializado em acabamentos, dispondo de uma oferta muito atractiva e até única de funcionalidade técnicas muito avançadas - efeitos pele, borracha e alcântara; brilho, respirabilidade, impermeabilização, etc - para áreas tão diversas como a moda, desporto, vestuário médico, indústria automóvel, calçado, entre outras. A Tintex fechou 2016 com um volume de negócios de 10,5 milhões (prevê chegar este ano aos 13,5 milhões), dos quais cerca de 40% correspondem a exportação direta, uma percentagem que está a diminuir por razões virtuosas. “Grandes marcas estrangeiras compram aqui as malhas acabadas e mandam entregá-las a confecções portuguesas, ou pedem que lhes recomendemos uma confecção”, conta Mário Jorge, acrescentando: “A confecção portuguesa está na moda”. t

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da população portuguesa, com idades compreendidas entre os 16 e os 74 anos, fez compras pela Internet em 2017

NOVA COLECÇÃO NAS BODAS DE PRATA DA DECÉNIO

O ULTRA VIOLETA É A COR TENDÊNCIA PARA 2018

Em 2018 a Decénio celebra 25 anos de vida. Para arrancar o ano de festejos, a marca portuguesa já está a apresentar a próxima colecção primavera-verão, que tem como protagonistas Helena Coelho e Cesar Casier. Entre tons monocromáticos e padrões florais, passando pelas inspirações geométricas, há peças para todos os gostos.

Quem o diz é a Pantone – Instituto Internacional da Cor: o Ultra Violeta 18-3838 é a cor tendência para 2018. Cheia de simbolismo e misticismo, este tom está intimamente ligado à ideia do universo, da exploração de novas galáxias, da reflexão, da expressividade e até o mundo música, inspirando David Bowie, Prince ou Jimy Hendrix.

CINDY CRAWFORD RESSUSCITA CENAS DOS ANOS 90 Cindy Crawford desenvolveu uma colecção, maioritariamente de denim, com a marca americana Re/Done, onde traz de volta os jeans que popularizou nos anos 90: mais largos, com um corte reto e cintura subida. Esta colecção está disponível no site da Re/Done, com preços entre os 200 e os 300 euros.

"Em Portugal, a indústria têxtil e de vestuário é um dos setores fundamentais para o desenvolvimento da economia nacional" Clara Pereira investigadora da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

DAVID FERREIRA VESTIU TYRA BANKS NA PAPERMAGAZINE O casaco amarelo que Tyra Banks envergou numa produção para a PaperMagazine tem assinatura portuguesa. Foi David Ferreira quem concebeu a peça, feita em carneiro da Mongolia e organza, com uma cauda coberta de folhos de chiffon de seda. Reconhecido internacionalmente pelas suas peças ousadas e irreverentes, o criador tem visto as suas peças em várias celebridades – a última foi Janet Jackson, que usou um dos seus vestidos na gala OUT100 Celebration.


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2018 VAI SER O ANO DO DIGITAL PARA A DIELMAR A entrada nas vendas online e a internacionalização são dois dos projetos prioritários que a Dielmar tem em cima da mesa, sendo que já é certo que a aposta no digital será a primeira a sair do papel, já neste ano de 2018. Ana Paula Rafael, CEO da Dielmar, reconhece que a internacionalização é um projecto que “ainda não está suficientemente maduro para avançar” mas afirma que 2018 será definitivamente o ano da aproximação ao digital: “Esse segmento de mercado vale muito no setor do vestuário e nós queremos mesmo lá estar. Este ano será decisivo para o investimento interno”.

"Ou fazemos o nosso destino ou estamos lixados" Hélder Brito administrador Pure Cotton

CRIADORES PORTUGUESES NA SEMANA DA MODA DE MOÇAMBIQUE

Anabela Baldaque, Miguel Vieira e os Storytailors fizeram desfilar as suas colecções de verão 2018 em Moçambique, no âmbito da Mozambique Fashion Week. Uma incursão pelo território africano que fechou o roteiro de internacionalização do Portugal Fashion em 2017. “A par dos destinos Europeus e das grandes semanas de moda a nível mundial, é importante que o Made in Portugal tire partido das oportunidades e do potencial inerente ao espaço Lusófono”, disse Adelino Costa Matos, presidente da ANJE, relativamente ao roteiro internacional do Portugal Fashion. t

PA&CO TEM UMA EQUIPA EM CONSTANTE FORMAÇÃO Raposo Antunes

A empresa tem 23 anos e continua a apostar na evolução de todos os processos produtivos. “A equipa está em constante formação de forma a estar na vanguarda das novas tecnologias do setor”, conta Joaquim Duarte Azevedo, 56 anos, administrador da PA&CO, SA, uma empresa de Barcelos que se dedica ao desenvolvimento e produção de vestuário exterior. Situada num concelho com grande tradição na indústria têxtil e vestuário, a PA&CO, constituída em 1994, aposta na flexibilidade e evolução dos processos de produção garantindo, “uma posição de confiança e destaque no mercado”. “Os sócios da empresa detinham experiência no setor, quer na vertente industrial, quer na vertente comercial”, explica o fundador Duarte Azevedo. Com a necessidade de consolidar o negócio, a empresa apostou no desenvolvimento produtivo, crescendo e avan-

"A nossa motivação é a satisfação do cliente. Por isso, estamos vocacionados para a utilização das mais diversas técnicas" Duarte Azevedo administrador da Pa&co

çando para novos mercados, nomeadamente: belga, holandês, francês, e nórdico. Em 2010, a PA&CO mudou para as atuais instalações em V.F. São Pedro, passando o número de trabalhadores de 30 para 45 (actualmente são 58), e melhorando a qualidade das suas infraestruturas, e o seu volume de negócios. “A motivação é a satisfação do cliente. Para isso, estamos vocacionados para a utilização das mais diversas técnicas: Impressão Digital/ Impressão a Laser/ Impressão All-over/

sublimação/ Bordado Tradicional/ Alta-frequência/ Aplicação, etc.”, acrescenta. “O nosso objetivo é estar na vanguarda das novas tecnologias da indústria”, enfatiza Duarte Azevedo. A PA&CO tem implementado o Sistema de Gestão da Qualidade pela norma ISO 9001, certificado pela SGS, no âmbito da confeção de artigos de vestuário, o que “proporcionou a solidificação dos processos internos e melhoria da sua estrutura de controlo, colocando-nos num patamar de maior exigência relativamente à produção”, sublinha o fundador da empresa. A empresa tem também uma particular preocupação com o meio ambiente, utilizando nas suas instalações as seguintes técnicas/tecnologias: Painéis fotovoltaicos para geração de energia e solares para aquecimento de água / caldeira; Separação de resíduos; Iluminação LED; Coberturas com painéis translúcidos e Certificação energética. A PA&CO dá prioridade às questões ambientais. t

EFICIÊNCIA E SEGURANÇA NO MENU DA LECTRA

TECIDO QUE PODE GERAR ENERGIA INVENTADO NO MASSACHUSETTS

Segurança dos dados, melhoria da eficiência, partilha e comunicação entre os elementos da equipa e mobilidade - tópicos essenciais no momento de abraçar a indústria 4.0 - foram o menu do Encontro Lectra Connected, que reuniu na Casa de Serralves cerca de 60 profissionais do setor da moda e vestuário.

Cientistas da Universidade de Massachusetts Amherst inventaram um tecido que pode gerar energia, de acordo com um artigo publicado na revista Advanced Functional Materials. O segredo está na aplicação de eléctrodos flexíveis, respiráveis e livres de metais nos tecidos, capazes de gerar energia para alimentar pequenos aparelhos de electrónica.

DESFILE DE JÚLIO TORCATO FOI PONTO ALTO EM JOÃO PESSOA O desfile de Julio Torcato foi um dos pontos altos do Nordeste Investe, que teve lugar no Centro de Eventos Porto Madero, em João Pessoa, uma organização luso-brasileira que contou com o apoio do governo do Estado da Paraíba, AEP e AGAVI. A seguir ao desfile realizou-se um jantar com produtos agro-alimentares portugueses, que esteve a cargo do chef Hélio Loureiro, em que participaram 150 convivas, entre empresários e potenciais compradores brasileiros, opinion makers e quase 40 jornalistas dos principais meios de televisão e imprensa da Paraíba.

55%

da energia elétrica que a Twintex consome tem como origem os painéis fotovoltaicos da própria


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M EMERGENTE Mariana Pimentel Empresária da Piupiuchick Família Casada com Diogo (trabalha na TNT), tem três filhos: Salvador, sete anos, Concha, cinco, e Mateus, ano e meio Formação Licenciada em Engenharia Ambiental (Católica), fez um mestrado em Cranfield (Inglaterra) e uma pós graduação em Gestão de Inovação (Católica) Casa Apartamento (alugado) na Foz, Porto Carro Volvo XC 90 Portátil Mac Telemóvel iPhone 4 (ainda não teve dinheiro para mudar) Hóbis Dantes jogava ténis, agora, o pouco tempo que lhe resta, investe-o a brincar com os filhos Férias Um semana na Arrifana (o Diogo adora fazer surf) e outra na Praia Verde Regra de ouro “Nascemos para ser felizes - mas ninguém vai fazer isso por nós… ”

FOTO: RUI APOLINÁRIO

A mãe da invenção O que é a Piupiuchick? Esta pergunta é das fáceis. É a marca de roupa para criança, 100% made in Portugal, criada há cinco anos pela Mariana, a sua irmã Inês e a amiga comum Marta Machado Moreira. Mas sabe o que quer dizer Piupiuchick? Esta já é mais difícil, pois a palavra foi inventada de propósito para funcionar como a marca de moda infantil, divertida e com qualidade, que as três amigas iam construir. “Em vez de uma palavra fofinha, optámos por uma palavra que não existisse no dicionário, para que surgisse logo em primeiro lugar numa pesquisa no Google”, explica Mariana Pimentel, 39 anos. Mariana nasceu e cresceu na Foz (onde vive após um parêntesis de 11 anos em Lisboa), filha do diretor de vendas de uma empresa de produtos químicos e de uma mãe que trabalhou no catálogo Ramirez & Raul, da qual deve ter herdado a costela para os trapos. No final do Secundário, feito entre o Torrinha e o Garcia de Orta, viu-se face a um importante dilema - situação que tornaria frequente na sua vida e fez dela uma especialista em vencer a velha batalha entre a mente e o coração, que raramente querem a mesma coisa. Ela sonhava ser engenheira civil (“A minha disciplina preferida era a Matemática”), mas lá em casa preferiam que ela fosse médica - e Mariana cedeu, primeiro, mas acabou, já no 12oºano, por mudar de ideias: “Dei por mim a pensar que estava louca. Não gostava de Medicina, não queria ser médica, não fazia sentido fazer um curso só para agradar à família”. Foi parar a Engenharia Ambiental, na Católica, pois era o único curso da área das engenharias que dava para entrar com Química e Biologia do 12o ano - e ela não tinha feito Física, o que a impedia de se candidatar a Engenharia Civil. Apesar de ter sido um recurso, Mariana acabou por gostar muito do curso de Engenharia Ambiental (“era a minha praia”), de que foi a melhor aluna. Antes de o concluir já tinha arranjado o primeiro trabalho a sério (o primeiro dinheiro ganhara-o em biscates nas Hospedeiras de Portugal), a estudar a viabilidade da criação de uma empresa que tratasse dos resíduos de todo o grupo Sonae. Fez o 5o ano e o mestrado ao mesmo tempo, e teve uma passagem de cometa pela Bial, onde fez um trabalho sobre o tratamento de efluentes da indústria farmacêutica, antes de mais um ziguezague na sua vida. Augusto Medina desafiou-a a ir trabalhar na Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI). Mariana disse que sim e quando tal, com 22 anos, estava voar para o México para dirigir um encontro de um projeto europeu em que estavam envolvidos 15 países. Quatro anos volvidos, abalançou-se a outra grande empreitada, a de abrir o escritório da SPI em Lisboa onde estava quando foi desassossegada pelo convite de Paulo Janeiro, um engenheiro fisico de Coimbra, para embarcar na aventura Inogate, uma empresa que acabara de criar e de que ela se tornaria sócia. Manteve-se na inovação - só mudou do lado do financiamento para a vertente mais sexy da criação da necessidade, produção e gestão da inovação. Corria tudo sobre rodas até a Inogate dar com a cabeça na parede do Estado, ao ganhar um contrato de 2,5 milhões de euros para o fornecimento de software à Agência de Modernização da Administração Pública - um sonho que se tornou um pesadelo, à medida que o Estado ia adiando sucessivamente os pagamentos e a empresa tinha de investir montes de dinheiro no desenvolvimento do produto. “Foi o pior ano da minha vida. Não recebia salário e andei a pedir dinheiro emprestado a toda a gente. Nunca mais, seja qual for a circunstância, voltarei a trabalhar para o Estado”, jura Mariana, que deu por ela grávida e sem saber o que fazer à vida. O parto da Piupiuchick demorou um ano, em que a Mariana (que, como adora programação, criara a Webinha, empresa que faz sites), a Inês (arquiteta) e a Marta (designer de interiores) se fartaram de fazer contas. Mas deu resultado. O lançamento da marca, que debutou online, foi venturoso. A primeira colecção esgotou em três semanas. Ao fim de um mês já tinha 11 mil seguidores no Facebook. “Estamos muito contentes e a crescer. Mas somos muito ambiciosas. Queremos ter ainda mais reconhecimento e estar em mais lojas e em mais países”, conclui Mariana, a mãe da invenção Piupiuchick. t


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X O MEU PRODUTO Tenowa O que é? Tecidos feitos a partir da reciclagem de restos de tecidos e fios. A incorporação de desperdícios da indústria agroalimentar durante o processo de acabamento permite ainda a obtenção de propriedades funcionais Patente registo da marca Tenowa - The Rebirth of Textiles Aplicações Vestuário/moda Prémios Nomeação para os iTechstyles Awards’18, na categoria de produtos

T-SHIRT DE MARK ZUCKERBERG CUSTA 400 DÓLARES Mark Zuckerberg usa sempre o mesmo modelo de t-shirt e hoodie cinzentos, concebidos pelo designer italiano Brunello Cucinelli. O uniforme do fundador do Facebook completa-se com jeans e ténis, o que lhe poupa pelo menos uma opção diária - a de escolher o que vestir. Apesar de básicas, as roupinhas não ficam baratas (400 dólares cada t-shirt e três mil dólares o hoodie) a Mark, mas são feitas para ele em exclusivo. Quem quiser comprar uma réplica, a 10% do preço, vá ao site zuckerbergshirt.com.

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s ão as patentes da TMG Automotive, algumas delas desenvolvidas em parceria com a BMW e a Daimler

FALÊNCIAS RECUAM 13%, CRIAÇÃO DE EMPRESAS AVANÇA 14%

O renascimento das fibras Do alto dos seus 90 anos de idade, a Riopele deu um passo de gigante em relação ao futuro, lançando um tecido amigo do ambiente com propriedades funcionais como a neutralização de odores, toque suave, desodorizante, antimicrobiano ou antiestático. O grupo de Pousada de Saramagos, liderado por José Alexandre Oliveira, não se ficou por aqui, já que os materiais utilizados no seu fabrico são desperdícios de tecidos e fios resultantes dos processos têxteis. Mas, sobretudo, o lado inovador da produção é de salientar. No fundo, são novas fibras, fios e tecidos que renascem dos desperdícios resultantes dos processos convencionais, permitindo a poupança de matéria-prima virgem, água e energia. Várias funcionalidades são acrescentadas aos tecidos, através do aproveitamento e tratamento de ingredientes extraídos de resíduos agroalimentares. Estes tecidos destinam-se ao vestuário para uma indústria de moda sustentável, com o objetivo de fechar o ciclo na indústria têxtil, ou, por outras palavras, corporizar a verdadeira economia circular. Neste momento, encontram-se na fase de pré-industrialização – criação de novas estruturas, novas composições, coloração para apresentação em coleção.

A Riopele já mostrou aquilo que está a fazer no último Modtissimo, com um vestido da autoria do designer Nuno Baltazar apresentado no âmbito do iTechStyle, que foi o primeiro sinal exterior da Tenowa, a nova marca que a empresa lançou para acolher vestuário feito com tecido produzido com matéria-prima 100% reciclada. A Tenowa (the rebirth of textiles) é a face comercial do projeto R4Textiles, uma iniciativa da Riopele co-financiada pelo Compete 2020. Depois da exposição no Modtissimo, a Riopele fez o lançamento internacional da marca na Keyhouse – Munich Fabric Start. E no final do ano, José Alexandre Oliveira fez a sua apresentação nas próprias instalações da Riopele. Mas o já quase centenário grupo, que chegou a ter uma equipa de futebol com o seu nome na primeira divisão, tem desenvolvido outros produtos inovadores , designadamente através do Projeto Nano.Smart que deu origem a duas novas marcas: Çeramica Clean e Power. A Çeramica Clean é uma combinação de acabamentos que repelem a mancha sem alteração de toque, mantendo assim um toque suave e respirável dos tecidos. A Power é uma tecnologia que permite o armazenamento da energia solar para posterior alimentação energética de gadgets. t

O número de insolvências em Portugal recuou 13% em novembro, face ao mesmo período de 2016, sendo o oitavo mês consecutivo em que as falências caem a um ritmo superior a 10% ao mês - de acordo com dados divulgados pela Iberinform, filial da Crédito y Caución. As estatísticas relativas à criação de empresas revelam uma evolução ao mesmo ritmo, mas em sentido contrário. Em novembro foram criadas no nosso país mais 14% de empresas.

"Queremos quebrar o ciclo saturado da moda e fazer jeans para durarem tanto quanto possível, até para passarem de mães para filhas" João Lamosa diretor criativo da Aly John

DECATHLON JÁ CHEGOU À BAIXA DO PORTO A Decathlon abriu uma loja no centro comercial La Vie, na rua Fernandes Tomás (Baixa do Porto), com 900 metros quadrados de superfície de venda. Com uma equipa de 16 pessoas, a Decathlon Santa Catarina é uma loja de proximidade que oferece também as mais valias de uma loja digital. A cadeia de material desportivo tem 33 lojas no nosso país, onde está desde o ano 2000 na área da distribuição - e produz desde 1996.


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OPINIÃO O ERRO DE ANTÓNIO COSTA Mário jorge Machado Vice-presidente da ATP

CRESCER OU NÃO EIS A QUESTÃO Paulo Vaz Diretor-Geral da ATP e Editor do T

Na mensagem de Natal, o primeiro ministro, António Costa, traça como prioridade para 2018, mais e melhor emprego, cometendo o erro de não perceber que a criação de emprego não é uma causa - mas sim a consequência. Este desejo só será realizado se tivermos mais empresários e maiores empresas que investindo e assumindo riscos terão como consequência a criação de mais e melhores empregos. Os empresários portugueses já mostraram a sua resiliência e os do sector têxtil em particular já deram provas que com um contexto que não seja totalmente hostil, são impulsionadores do crescimento do emprego, da economia e das exportações. Defende-se o crescimento económico mas o fomento às empresas para investir, inovar, criar coleções, participar em feiras, dar formação especializada aos seus quadros, é pouco e escasso. Os governos têm gerido a sua agenda política pelos lóbis que enchem a rua e ocupam os media descurando as empresas e os seus trabalhadores.

Os indicadores avançados com que a ATP vem trabalhando indicam a continuação de um ciclo de crescimento por mais alguns anos, desde que não se alterem os fundamentos da análise ou que não sobrevenham mudanças significativas ao nível geopolítico e geoeconómico. Tranquiliza saber que os últimos oito anos não só corresponderam ao que tínhamos antecipado, como ultrapassaram as expectativas. Esperemos que tal se volte a verificar, pois os objetivos que temos desenhados para a próxima década são ambiciosos, acreditando na ambição das empresas e em estas quererem efetivamente crescer. Esta é a verdadeira questão com a qual se joga o futuro da ITV portuguesa: crescimento. No passado, com uma capacidade instalada sobredimensionada para a procura e com recurso a uma abundância de mão-de-obra relativamente barata, os ciclos de atividade regiam-se pelos ciclos da demanda internacional, ora em baixo ora em cima, sem qualquer outra razão de peso que pudesse vir a influenciar que não fosse o inte-

resse dos clientes, já que todas as demais variáveis eram estáveis. A mudança de paradigma que o setor sofreu na última década, libertando-se da concorrência exclusivamente pelo preço, incorporando factores críticos de competitividade, como moda, design e inovação tecnológica, para diferenciar produtos e serviços, alterou profundamente o modelo de análise e fez-nos entrar numa zona desconhecida e sem qualquer histórico para comparar. Há, contudo, algo que temos de considerar nesta nova equação: 1. A capacidade produtiva existente na ITV portuguesa está à beira do esgotamento e não está ainda terminada a depuração do sector, incluindo algumas empresas de referência e de dimensão; 2. O reposicionamento superior na cadeia de valor, embora reconhecido internacionalmente, não se expressa ainda nas margens de comercialização das empresas, pelo que há trabalho e ganhos a realizar neste domínio;

A carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho e sobre os lucros das empresas é tão elevada que ninguém consegue enriquecer fruto do trabalho e do mérito. Não nos podemos conformar com este fado. Os empresários, os trabalhadores e as associações empresariais devem assumir uma postura mais reivindicativa sobre a forma de como são expropriados dos seus rendimentos e sobre o destino dado aos seus impostos. Devemos ser um país onde possamos ter melhores condições de vida e melhores salários. Necessitamos para tal de melhores governos. Todos conhecemos o exemplo do povo alemão. Na Alemanha de leste com as leis e governo que tinham, produziam os piores carros do mundo e o mesmo povo, na Alemanha ocidental, com outro governo e outras leis, produziam dos melhores carros do mundo. A diferença não está no povo. Está sim nos governos e nas leis que promulgam.

3. Mesmo tendo clientes, mercado, capacidade e potencial, as empresas podem decidir não crescer, por força de constrangimentos na sua base societária e de gestão, ao nível sociológico e psicológico, porque se trata de realizar - ou não - uma vontade, ou em razão de um contexto social e económico que sabemos não é “business friendly”, já que nem o quadro jurídico-laboral, fiscal ou o sistema judicial ajudam, nem a percepção pública do empresário, do seu papel económico e social, ao contrário de outros países, é a mais considerada, uma vez que está condicionada por preconceitos políticos dominantes, desincentivando a atividade empreendedora e, sobretudo, a vontade de expansão, de criar riqueza e emprego. Crescer, ou não, afinal. Por tudo isto, o futuro da ITV é incerto, mas não necessariamente negativo, pois as preocupações que transporto para estas linhas podem simplesmente esbarrarem na objetividade dos números, especialmente se estes forem claramente positivos, mais do que as nossas melhores aspirações. A ver vamos.


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Artur Soutinho CEO do Moretextile Group

A SUSTENTÁVEL LEVEZA DO TÊXTIL Será a têxtil uma indústria sustentável? É uma boa pergunta que se feita, terá diversas possíveis respostas: a) Talvez se...; b) Não porque não é de futuro; c) Sim, sem dúvida. Estas respostas tão díspares, advém na maior parte das vezes de uma análise superficial do sector ou de uma análise emotiva ou oportunista. 1. Os que têm responsabilidade política dirão que talvez e que eles ali estão para dar todo o apoio a um sector, tão politicamente importante, mas que aos seus olhos não é sexy, pois tem fábricas e as fábricas são feias, deitam fumo e por vezes cheiram mal, logo não são politicamente correctas principalmente quando este sector está a mais de 300 kms da capital do império. 2. Os que imaginam uma economia estruturada em sectores como o turismo - bastante sexy -, em serviços ou em tecnológicas que procuram um novo sucesso empresarial tipo facebook que não deita cheiro, não precisa de tratamento de resíduos e dá uma falsa ideia de modernidade, dirão que a têxtil já era. 3. Os empresários e associações do sector, dirão por razões óbvias que o sector tem um futuro brilhante e que só não vê quem não quer ver. Mas vamos aprofundar ligeiramente o tema e veremos onde vamos chegar. Sustentável ? Ou de sustento? Como pode não ser sustentável uma indústria que existe há mais de 200 anos e apesar dos ciclos mais altos e baixos, contribui ainda hoje com cerca de 5.000 milhões de euros em exportações, sendo o quarto maior exportador nacional, gerando cerca de 150 mil empregos directos? Pois é, parece que sustenta muita gente. No meu caso e para se ter uma ideia do que contribui o grupo Moretextile, diria que exporta cerca de €70 milhões, representando 12% das exportações nos produtos de têxteis-lar, com cerca de 1 000 colaboradores directos e o dobro pelo menos de indirectos, tendo pago mais de 60 milhões de euros em impostos e contribuições e mais de 30 milhões de euros em juros nos últimos seis anos... podia continuar mas, ufff, já chega, os números são avassaladores. Portanto, quanto a sustento estamos conversados, sendo que se falarmos de sustentável tenho de dizer que não somos uma indústria Kodak. E o que é uma indústria Kodak? É mesmo essa que está a

pensar e que acompanhou o nosso crescimento, as nossas vidas em família, namoradas, casamentos, sucessos pessoais e que achávamos estar connosco para sempre. Não foi verdade, uma mudança tecnológica acabou com a Kodak. Acham que vamos deixar de utilizar produtos têxteis, acham que vamos deixar de nos vestir, dormir, ou limpar a produtos que não têxteis? Isto para não falar na utilização de fibras e tecnologia têxtil em sectores tão diversos como o automóvel, a saúde ou armamento…. Sendo assim, então será evidente que é um sector de sustento e sustentável, mas como em todas as indústrias existem riscos. E a questão é como se podem minimizar esses riscos e reduzir os eventos que ponham em causa a sustentabilidade do sector, que em minha opinião serão : a) Localização. A nossa indústria está na zona económica mais rica, a Europa, e central em relação aos mercados chave do sector como a América do Norte. Se olharmos para o planisfério usado no século XVI, vemos que Portugal tem uma localização estratégica, diria no centro do mundo e sempre aqui estivemos e não será fácil tirarem-nos daqui; b) Cluster. A dimensão crítica do sector é extremamente importante, pois só com dimensão se podem atrair clientes, atrair tecnologia, atrair conhecimento e investimento - lembram-se de termos pago a um consultor americano que nos ensinou o que eram clusters? Pois foi nos anos 80; c) Universidades e investigação. Fundamental o investimento no ensino das tecnologias têxteis e no reforço dos centros de investigação, ver o exemplo do CITEVE, de forma a criar uma dinâmica permanente de inovação e saber; d) Flexibilidade e fiabilidade. Os portugueses têm uma capacidade natural em perceber os outros e em se adaptarem às novas dinâmicas de mercado, além de sermos fiáveis nos negócios e nos compromissos; e) Design e inovação. A nossa criatividade e capacidade de inovar é reconhecida internacionalmente. E o nosso bom gosto foi criado ao longo de vários séculos; f) Conhecimento intrínseco. Existe um conhecimento técnico e operativo que é algo pouco mensurável mas que passa de geração em geração, acumulando experiência que não é possível reproduzir em outro local; Para lá destes existem outros factores que ainda hoje são fragilidades e que deverão ter uma atenção particular:

g) Matéria-prima. O algodão continua a ser uma matéria prima base do sector, sendo que Portugal não é produtor, nem detém direitos sobre reservas estratégicas. Sendo verdade que o algodão tem perdido importância, exige-se, no entanto, que o Estado português defenda nos fóruns internacionais a predominância da transparência dos mercados e do comércio livre; h) Energia. O excessivo custo da energia reduz a capacidade competitiva do sector. Não é possível desenvolver industrialmente um país com energia cara; i) Fiscalidade. A excessiva carga fiscal sobre as empresas e particulares já não merece comentários, dada a sua evidência; j) Pirâmide. A inversão da pirâmide etária limita ou restringe a capacidade de crescimento, pelo que uma política de atração de imigrantes seria bem-vinda; l) União Europeia. A necessidade duma presença efectiva, com uma estratégia clara em defesa do sector junto das autoridades europeias onde é desenhado o nosso destino, a exemplo das recentes iniciativas da ATP em Bruxelas. Não sendo os factores referidos os únicos que tornam o sector têxtil mais ou menos sustentável, são seguramente alguns dos mais importantes e que devem ser analisados profundamente, de forma a definirmos uma estratégia segura que torne o sector mais sustentável. Se repararem, falei acima na sustentabilidade do sector e não se é sustentável. Na verdade, estou a assumir por vivência diária que o sector têxtil é sem dúvida sustentável, mas terá de dar passos decisivos no caminho da sustentabilidade. Não é possível imaginar hoje uma indústria sem uma estratégia clara duma política de sustentabilidade. Não será possível continuar a usar os recursos, sem uma preocupação de defesa das gerações futuras. Recursos escassos para necessidades múltiplas, é a chave de toda a teoria económica e quem o perceber, seguramente perceberá a generalidade dos manuais de economia, mas também terá de perceber como se defendem as gerações futuras. A discussão mais profunda sobre sustentabilidade ficará para reflexões futuras, mas para quem se quiser ir preparando, aconselho a leitura do canto IX dos Lusíadas, escrito por Luís Vaz de Camões em 1556. t


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U ACABAMENTOS Por: Katty Xiomara

Inspirada na vontade de de Ana Teresa Lehmann, que está empenhada em transformar a indústria num lugar sexy, Katty resolveu equipar a secretária de Estado com um guarda roupa (onde constam latex, botas de cano alto rosa chiclete, lingerie seamless e um vestido transparente..) que lhe permita causar uma impressão inesquecível na sua estreia na ISPO - e ao mesmo tempo resguardar-se dos rigores do inverno bávaro

Uma Ana Lehmann au point para a sua estreia na ISPO Queremos começar este novo ano valorizando a diversidade e as boas ideias, por isso vasculhamos no ambiente politico nacional à procura de uma pessoa que queira defender estes princípios. Encontramos a nova secretária de Estado para a Indústria - que no discurso proclama a necessidade urgente de oferecer maior multiplicidade de opções profissionais aos jovens da nossa sociedade, defendendo que existem outras, que não as sobrelotadas e clássicas opções de carreira. Ana Teresa Lehmann quer transformar a indústria num sector sexy e recorre à badalada nova vaga industrial 4.0 para conquistar o interesse dos jovens profissionais. Conhecendo a sua paixão pela Web Summit, conjeturamos que um dos trunfos para 2018 será manter por cá o mediático evento tecno-digital. Contudo para fortalecer este trunfo, ocorreu-nos a ideia de juntar a esta proposta mais um grande evento, desta feita na área tecno-fashion - a conhecida feira ISPO. Preparamos prontamente a viagem da nossa secretária de Estado por forma a garantir que deixará marcas e causará uma impressão inesquecível. Uma ação de charme concertada entre todos os industriais do sector para convencer os alemães a mudara ISPO para a cidade berço da moda em Portugal. Muitos dirão… uma cidade sem neve, sem desportos de inverno…. Sim, é certo, mas aprendemos o que tínhamos a aprender com a candidatura do Porto para a Agência Europeia do Medicamento. Além do mais eles não tiveram a nossa preciosa ajuda! Tendo como inspiração as Bond Girls dos anos sessenta, como Ursula Andress ou Jacqueline Bisset, pensamos em dois looks com muita cor e volume para enfrentar a fria cidade de Munique. Um blusão laranja de penas compactáveis, com um dispositivo de ar capaz de devolver a soltura ideal às cápsulas de penas. No interior, um catsuit em latex azul royal com propriedades térmicas. Umas botas de cano alto em cor de rosa chiclet com argolas almofadadas ajustáveis ao perímetro da perna e uns felpudos tapa orelhas com sistema de som ativado por voz. O segundo look esconde uma versão sexy da indústria. Um vestido transparente em degradé de azul e rosa, salpicado de polka-dots luminescentes que brilham no escuro com uma lingerie seamless, uma segunda pele, sem cor, completamente imperceptível. Tudo abaixo da proteção de um casaco rosa cotton-candy em tecido ultraleve preenchido com espuma térmica de baixa densidade, mas com uma capacidade de aquecimento inigualável. Os acessórios são igualmente relevantes; um cachecol de lã feltrada com easy dry systems e army boots com plataforma de conforto fabricadas com uma nova formula mais resistente e compacta de memory foam. Esperemos que este esforço compense! t


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O AS MINHAS CANTINAS Por: Manuel Serrão

Taberninha do Chico Alívio, Perelhal 4750-622 Barcelos

EM HONRA DO NISPO O verdadeiro bispo do nispo é o meu amigo Miguel Esteves Cardoso, que numa das suas crónicas imperdíveis sobre a boa gastronomia portuguesa, imortalizou o nispo, dizendo dele o que Maomé gostaria de dizer do toucinho....se alguma vez o tivesse desejado provar. Mesmo para alguém como ele, que nos dá a sensação de que já comeu tudo que há de melhor em todo o lado, a vida tem sempre algumas surpre-

sas impressionantes. Por causa deste amante do nispo, como se confessa, já prometi a mim mesmo descobrir se ele já algum dia tropeçou nesta Taberninha do Chico, que se deixa conhecer facilmente por quem circule na estrada Esposende/Barcelos. E possua a dica certa, que é mais importante que qualquer GPS! Dizem os entendidos - e bem - que as boas comidas e as boas receitas não têm terra fixa, mas posso-vos garan-

tir, sem medo de ser desmentido , que se houvesse uma rota nacional do nispo, ela teria seguramente um ponto alto neste restaurante. Fosse eu um poeta e escreveria sobre este nispo o que Camões e Pessoa escreveram sobre o amor ardente ou o amor ao mar salgado, mas na Taberninha do Chico, não é só o nispo que nos arrebata, até o picante caseiro é bom. De comer e chorar por mais, literalmente. Para quem tiver a oportunidade de

seguir este meu conselho, ainda antes de se apaixonar pelo nispo vai poder provar umas pataniscas de bacalhau divinais e se tiver a sorte que eu tive, guardar lugar no estômago... ou na agenda, para um galo estufado ou em arroz de cabidela, que são duas coisas que não me saem da cabeça desde a última vez que lá fui, pela mão dos meus amigos da NGS, que têm o privilégio de ter as suas instalações na mesma estrada desta Taberninha do Chico. t


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c Por: Carolina Guimarães

MALMEQUER Lúcia Faria, 45 anos, directora de produção e do departamento criativo da Paula Borges. Nasceu no Porto e desde cedo que deixou bem claro que queria dar continuidade ao projecto da mãe, que dá nome à empresa onde trabalha. Formou-se em Design de Moda no antigo Citex e, juntamente com a mãe e o marido (Paulo Faria), quer tornar a empresa – que tem exactamente a sua idade - numa referência internacional.

SOUVENIR

OS PATINS DE FERNANDO ROCHA “O problema não é crescer, mas esquecer...”

Gosta

Não gosta

Teatro andar de bicicleta organização desportos radicais dançar nadar praticar golfe caminhar na montanha conduzir tom moreno da pele cabelos grandes fruta cor branca gira-discos antigo música chillout viver em Portugal artesanato criar coisas desenhar jardinagem ter objetivos desafios sopa comida italiana comer caracóis saladas estar em família sumos naturais ver filmes em família peixe do mar espaços verdes moda anéis simplicidade água estar perto do mar trabalhar calor acordar cedo exercício físico chá flores chocolate deitar cedo ouvir piano andar a pé perfumes ser mãe

Correr maquilhagens telemóveis frio andar de avião tatuagens bebidas alcoólicas cheiro a tabaco multidões barulho refrigerantes grandes cidades cozinhar ir ao cabeleireiro ir ao supermercado música rap filmes de terror sal na comida espelhos pessoas teimosas unhas de gel sair à noite estar muito tempo na mesa ar condicionado medicamentos insetos bichos rastejantes cheiros fortes futebol sushi comida frita chuva comer carne

Há coisas que até podem parecer insignificantes e pouco valiosas, mas nunca as esquecemos, marcam-nos para a vida, mesmo que a vida seja generosa em memórias. Daí a importância desta frase do Principezinho e a reflexão de Bachelard onde sustenta que, “ao sonhar com a infância, regressamos à morada dos devaneios, aos devaneios que o abriram ao mundo”. Estes sonhos podem ser induzidos e potenciados por um objecto, uma palavra, uma situação... Vivíamos uma guerra colonial. Os relatos eram de morte e tempos de ansiedade. E o que sabia eu sobre isso? Nada! Absolutamente nada. Pois foi dessa guerra. De Angola. Que veio uma das minhas mais felizes recordações de infância. Os meus patins, vinham numa caixa tipo sapatos, tinham rodas vermelhas como eram vermelhas as fivelas que os prendiam às botas. Usávamos botas. As Sanjo não eram acessíveis. Foram uma prenda do meu irmão que, contra a vontade, “lutava pela pátria”. Eram um sonho tornado realidade. Já os tinha visto mas estavam longe e inatingíveis pelo vidro da montra e pela bolsa dos pais. Foi uma emoção tão grande. Inesperada. Eram meus. Sentado debaixo da mesa da sala calcei-os. Tentei patinar. As carpetes, que a mãe tinha na sala e no corredor para proteger o encerado, eram barreiras intransponíveis. No dia seguinte o pátio de cimento passou a ser o ringue. Ganhei asas. Não me lembro de joelhos esmurrados. Sei que o mundo passou a ter outra velocidade. Passei a “levitar sobre as pistas, sentindo o vento no rosto” e aprendi que “cair não é fracassar, mas aprender a manter-se em equilíbrio, aperfeiçoar-se para seguir em frente”. E voei... t Fernando Rocha, vereador da Câmara Municipal de Matosinhos


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